Dobras elementos de uma dobra

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Geologia Estrutural, dobras. Material de estudo para o 5.o Período do curso de Engenharia de Minas da FINOM.

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Dobras elementos de uma dobra

  1. 1. Dobras: Elementos de uma Dobra Uma dobra é o resultado da transformação de uma superfície de referência, geralmente plana, numa superfície curva, geralmente em conseqüência de esforços tectônicos. Os elementos da dobra Observando o perfil de uma dobra, podemos notar que ele apresenta um ponto de maior curvatura (ou de menor raio de curvatura): é a charneira. Em certos casos, em vez de pontos de maior curvatura, a curvatura é máxima e constante numa determinada porção do perfil. Neste caso, teremos uma zona de charneira. Considerando o perfil de um plano dobrado como uma onda, é possível definir o comprimento de onda e a amplitude da dobra. Geralmente, a amplitude e o comprimento de ondas são definidos apenas como milimétricos, centimétricos etc. É possível mostrar experimentalmente que o comprimento de onda das dobras é uma função, entre outros parâmetros, da espessura das camadas, conforme a figura ao lado. Quando todas as dobras de um pacote rochoso apresentam o mesmo comprimento de onda, o dobramento é harmônico. Caso contrário, é desarmônico (figura à direita).
  2. 2. Quando um conjunto dobrado apresenta duas escalas (ou duas ordens) de dobramento, uma amplitude maior (1ª ordem) e uma amplitude menor (2ª ordem) que redobra as camadas deformadas em maior escala, a superfície tangente às dobras menores e que materializa as dobras maiores é a envoltória. No intervalo entre duas charneiras sucessívas, a curvatura da dobra sofre uma inversão. O ponto de inversão é um ponto de inflexão e o ângulo entre as tangentes á dobra em dois pontos de inflexão consecutiva é a abertura. A linha que une, num perfil, os pontos de inflexão dos flancos consecutivos é a linha mediana. Os pontos mais elevados e mais baixos, na topografia, de uma dobra são, respectivamente, a crista e a calha (ou quilha). Eles podem ou não corresponder às charneiras da dobra. As dobras que admitem o bissetor da abertura com o plano de simetria são simétricas. Quando isto não é o caso, as dobras são assimétricas, conforme se pode obervar nas figuras à direita. Em outras palavras, na dobra simétrica o plano axial é essencialmente vertical e o ângulo de mergulho dos dois flancos é igual; na dobra assimétrica o plano axial pode ser ou não inclinado e o ângulo de mergulho dos dois flancos difere um do outro.
  3. 3. É possível caracterizar, em função do seu aspecto, as dobras assimétricas como dobras S e dobras Z (figura à esquerda) A assimetria global do pacote dobrado é caracterizada pela vergência, que é a direção para a qual as dobras se inclinam. No caso da figura à direita, a vergência é para leste. Dobras cuja superfície pode ser gerada pela translação de uma reta são dobras cilíndricas. Quando são geradas pela translação de uma curva, são curviplanares. Nos demais casos, as dobras são quaisquer. As dobras cônicas possuem linha de charneira, mas não possuem eixo de dobra e se dispõem como parte de um cone. O conjunto das charneiras forma o eixo da dobra (quando, em vez de charneira, a dobra apresenta uma zona de charneira, é possível definir uma zona axial). A porção da dobra compreendida entre dois eixos sucessivos é o flanco da dobra. O conjunto de todos os pontos de inflexão de um flanco é a linha de inflexão. Os conjuntos das cristas e das calhas (ou quilhas) formam a linha de crista e a linha de calha (chamados às vezes de crista e calha).
  4. 4. Considerando um empilhamento de camadas dobradas, é possível definir, para cada uma, um eixo. O conjunto desses eixos é a superfície axial (ou plano axial) da dobra (figura à esquerda). Nem sempre esse plano é bissetor da abertura da dobra (figura abaixo). A superfície dobrada pode apresentar vários graus de simetria. Quando ela admite dois planos de simetria, a dobra é ortorrômbica; quando admite apenas um plano de simetria, é monoclínica; quando não admite nenhum plano de simetria, ela é triclínica. Resumo: • Charneira: onde a dobra atinge sua máxima curvatura. • Linha de charneira: união dos diversos pontos de charneira. • Zona de charneira: parte da dobra próxima à charneira. • Crista: ponto mais alto da dobra em relação a uma superfície horizontal (linha de crista: união dos pontos de crista). • Calha: ponto mais baixo de uma dobra em relação a uma superfície horizontal. • Eixo: linha geratriz da dobra, quando movimentada paralelamente à linha de charneira, no espaço de si mesma. • Plano da dobra ou superfície axial: a superfície que une os pontos de charneira da dobra. • Ponto de inflexão: local onde o flanco muda sua inflexão (de côncavo para convexo e viceversa). • Linha de inflexão: linha que une os pontos de inflexão. • Flancos ou limbos: partes que se situam entre duas charneiras adjacentes e que contêm os pontos de inflexão. Referências: ALMEIDA, Júlio. Geologia Estrutural: Dobras. UERJ. ARTHAUD, Michel H. Elementos de Geologia Estrutural. Fortaleza, 1998.

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