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Café precisa de sinergia para agregar valor

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Entrevista concedida ao Coffee Break em 23 de junho de 2004.

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Café precisa de sinergia para agregar valor

  1. 1. Café - Informativo Coffee Break Page 1 of 5 HOME PAGE INFORMATIVO COFFEE NEWS O CAFEZAL SABOR CAFÉ SOBRE O SITE FÓRUM DO CAFÉINFORMATIVO EDITORIASArquivo de edições ArtigosBusca notícias EntrevistasEdição do dia EstatísticasEditorias notícias da edição Ano VI - Nº 1240 - 23/06/2004 EventosVersão impressão Café precisa de sinergia para agregar valor InternacionalCOFFEE NEWS Investimento Confira, na seqüência, uma entrevista exclusiva do Coffee Break LavouraAnálises com a administradora especializada em cafeicultura empresarial eFórum do café Leilões mestranda em administração pela Ufla (Universidade Federal deLinks do café Lavras), Mara Luiza Gonçalves Freitas. A administradora analisa o MercadoNotícias on-line atual cenário da cafeicultura nacional, expondo que a transição do Política CafeeiraSemana do café Decaf (Departamento do Café) para o MDIC (Ministério de Preços Desenvolvimento da Indústria e Comércio), fortaleceria uma política ResoluçõesO CAFEZAL que visasse à agregação de valor ao produto.Artigos e projetos TempoColheita Coffee Break — Qual sua análise para o atual cenário daDica da semana cafeicultura brasileira?Doenças Mara Luiza Gonçalves Freitas — A cafeicultura nacional vemEstratégias passando por um processo de evolução ao longo dos últimos dez anos. Logo que houve a extinção do IBC (Instituto Brasileiro doImplantação Café), fazendo uma análise histórica, a ruptura proporcionada pelaPragas extinção do instituto, levou a cafeicultura brasileira a passar por umPreparo período de instabilidade, que a conduziu, por uma questão deRegiões cafeeiras sobrevivência, a uma mudança de foco, adaptando-a à tendência deTratos culturais mercado, ou seja, ao foco na qualidade dos produtos.SABOR CAFÉ Coffee Break — Essa adaptação ocorreu da maneira mais adequadaCafeterias ou necessita de algo mais?Curiosidades Mara Luiza — O realinhamento do foco, calcado na qualidade, vemHistória assumindo posição importante no contexto da cafeicultura nacional,Livros refletida inclusive no aparato legal, que aos poucos vai se alinhandoReceitas às exigências do mercado internacional. Juntamente com a modernização da legislação, observa-se que a cadeia agroindustrialSOBRE O SITE do café nacional está se movimentando de forma a favorecer aAssinatura criação de todo um aparato, que permitirá ao Brasil transitar de seuContato atual estigma de maior produtor de commodity para o de grandeConteúdo celeiro de cafés de qualidade, valorizando a origem. Esse processo, que se iniciou no segmento produtor, tem agora permeado o segmento industrial do café, justamente na intenção de agregar mais valor ao produto. Percebe-se aí um ajuste e um alinhamento do discurso e da prática industrial, oferecendo vazão aos anseios propostos pelas políticas governamentais. Coffee Break — Então podemos dizer que a cafeicultura vem passando por modificações em busca de evolução? Mara Luiza — Podemos. Vemos que a cafeicultura nacional está passando por um processo de transição e acredito que em 10 ou 15 anos o Brasil poderá ser líder no âmbito de exportação de cafés industrializados, porque o país tem um grande potencial no que diz respeito a produto, ou seja, cafés das diversas regiões produtoras. Contudo, não está agregando valor ao café a contento, porque a indústria nacional está em um processo de ajuste tecnológico, não sendo ainda tão competitiva como a indústria européia, em especial a alemã. Precisamos evoluir, quebrando modelos tradicionais, como por exemplo, em relação à questão do draw back, trazendo café de outros países para serem industrializados aqui e reexportá-los depois.http://www.coffeebreak.com.br/assinantes/edic-not.asp?ID=1240&NT=6 18/10/2007
  2. 2. Café - Informativo Coffee Break Page 2 of 5 Coffee Break — Caso a política cafeeira seja encaminhada à Secretaria de Produção Agrícola, como se especula, a cafeicultura não perderá força e se tornará mais complicado para o Brasil assumir a ponta da cafeicultura mundial em 10 ou 15 anos? Mara Luiza — A questão não seria bem essa, mas sim a questão da transição de pastas ministeriais. Aí sim faria muita diferença. Se avaliarmos a questão histórica, observaremos que durante 275 anos quem esteve dominando e fazendo política cafeeira no Brasil foi o setor produtivo. Não houve grandes evoluções na política nacional neste sentido, pois ela favorece a dependência profunda de recursos governamentais para a sua sustentabilidade. Os recursos destinados para a produção agrícola não são dispensáveis, mas o seu foco não pode ser o de rolagem de dívidas ou de criação de dependência. Ele tem que se reverter em aumento de competitividade setorial. Esse círculo vicioso acaba por depreciar o desempenho econômico que o segmento deveria ter e que não tem. Os dados não mentem: na última safra, por exemplo, o país exportou 27 milhões de sacas de café verde, originando uma receita de US$ 1,25 bilhão, enquanto com a exportação de 5 milhões de sacas de café industrializado, faturou quase US$ 1 bilhão. Levantamento das Nações Unidas apontam que apenas 7% do bolo das receitas ficam com os produtores. O que o país precisa não é uma questão de parar o processo do café dentro do Ministério da Agricultura, mas sim, fazer um movimento de transição que mostrasse uma ruptura com um modelo que deu certo, mas que pode ser melhor, com o Ministério de Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio assumindo, no âmbito industrial. É um posicionamento estratégico, que está de acordo com o discurso que o MDIC tem defendido, ou seja, o de que o país deixe de ser mero exportador de commodities. Coffee Break — Então o Ministério da Agricultura deveria perder suas funções no que diz respeito ao café? Mara Luiza — Não é deixar o Ministério da Agricultura sem sua função no café. Ele continuaria a comandar a produção, contudo, as políticas voltadas para a exportação, a promoção comercial do produto e de qualidade não deveriam ser discutidas somente no âmbito do Ministério da Agricultura, deviam ser discutidas, agora, no Ministério de Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio, porque a bola da vez é o café industrializado. E isso será bom para todos, porque com maior valor agregado, será possível aumentar a renda do produtor. Falo isso porque se observarmos os programas que ora são desenvolvidos no MDIC, tais como o Radar Comercial, o qual permite conhecer a fundo a potencialidade de cada país que possam vir a ser futuros clientes de produtos brasileiros, e o Rede Agentes, que visa a difusão da cultura exportadora, temos as condições para mudarmos a postura de negociação, partindo da premissa de inteligência comercial. Coffee Break — O que você consideraria como inteligência comercial? Mara Luiza — Posicionamento agressivo frente aos players internacionais. Esse posicionamento está diretamente relacionado não apenas com as ações diplomáticas, que envolvem missões empresariais, ou contenciosos na Organização Mundial do Comércio. Envolve também a compreensão minuciosa da potencialidade dos países, que possam ser possíveis parceiros comerciais, como, por exemplo, a China; ver onde cada produto brasileiro se encaixa e ter habilidade na questão da negociação. No caso do café industrializado, envolveria as escolhas das portas de entrada que deveremos utilizar para acessar o bilionário mercado internacional de café. Coffee Break — E o que de fato se torna necessário para essahttp://www.coffeebreak.com.br/assinantes/edic-not.asp?ID=1240&NT=6 18/10/2007
  3. 3. Café - Informativo Coffee Break Page 3 of 5 concretização? Mara Luiza — Parte inicialmente de implementação de políticas de estruturação e fomento que criem condição de acesso à tecnologia no mercado industrial e que de fato conduzam o segmento industrial de café a um patamar competitivo. Além disso, é necessária a organização da cadeia, por exemplo, através de programas como os que a Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café) vem proporcionando ao agronegócio café nacional, com investimento na elevação do patamar de qualidade do café oferecido no mercado nacional, bem como no exterior. Quando falo que o lugar do Decaf (Departamento do Café) é no MDIC é justamente pela necessidade de ruptura com o modelo de “celeiro do mundo” que é rural. Devemos mostrar que queremos ser o maior produtor de alimentos do mundo sim, contudo com valor agregado, via processos de industrialização, o que nos conduzirá para um modelo “século XXI”. Isso tem de se tornar visível no governo. Porque não um departamento no MDIC especializado em café, uma vez que o produto é importante, vai de encontro com a cultura brasileira e ainda está diretamente relacionado com a imagem do Brasil, assim como o Projeto Genoma? O aparato que o MDIC vem desenvolvendo no que diz respeito a marketing, estudos de mercado, investimento em pessoal, poderia muito bem ser melhor utilizado para os negócios do café. Coffee Break — Com a abertura de novos nichos de mercado no mundo o Brasil conseguirá agregar mais valor ao seu produto e melhorar a disponibilização de renda aos envolvidos na cafeicultura nacional? Mara Luiza — A perspectiva é que se o Brasil, como um grande produtor, não for capaz de agregar valor ao produto café neste momento, outros virão e farão, ou melhor, importarão matéria- prima e farão. Vimos que é muito comum, nos países emergentes, as indústrias multinacionais se instalarem e se sobreporem à indústria nacional. Até certo ponto, isso não é ruim, porque, dessa forma, nivela por cima a questão da tecnologia e competitividade, mas, por outro lado, nota-se que começa a surgir um movimento de concentração ou de intensificação de autofagia. Ou seja, as indústrias pequenas ou as agroindústrias, que são grandes geradoras de emprego, começam a desaparecer em detrimento da grande indústria, detentora de maior poder econômico. Poderíamos ter uma melhor distribuição de renda junto a industriais e ao produtor caso houvesse maior sinergia da cadeia do café, fazendo um esforço para que a produção de qualidade no campo se tornasse visível no café industrializado, na gôndola. Coffee Break — Em sua opinião, quais são os principais pontos de agregação de valor ao produto café? Mara Luiza — A agregação de valor ao café ocorre em diversos estágios. Nas condições climáticas e cultivares; nos sistemas de produção; sistemas de preparo; na classificação física e na classificação sensorial, calcadas na instrução normativa nº 08/03 e metodologias de análise sensorial que privilegiem o sabor do café. Além disso, temos também a agregação durante a produção das mesclas de cafés. Se considerarmos que no mercado nacional há 14 regiões produtoras, que estão previstas no Programa Cafés do Brasil e as micro-regiões que existem dentro de cada região produtora, deparamo-nos com uma infinidade de blends que podemos produzir. Ocorre agregação de valor também na definição dos pontos de torra; na escolha do modo de preparo; na definição da origem, ou seja, a denominação e a identidade geográfica dos produtos. Esse é um ponto muito interessante porque a única região de café que possui esse tipo de cuidado, no que tange à denominação geográfica, é a região de café do Cerrado. Neste caso, pelo que tenhohttp://www.coffeebreak.com.br/assinantes/edic-not.asp?ID=1240&NT=6 18/10/2007
  4. 4. Café - Informativo Coffee Break Page 4 of 5 conhecimento, somente Minas Gerais tem emitido certificados de origem; assim como no caso dos certificados de qualidade para produto industrializado, emitidos no momento somente em São Paulo. Também ocorre agregação de valor através do marketing, que abarca todos os outros itens. Coffee Break — Baseado em sua afirmação de que o lugar do Decaf é no MDIC, até que ponto a produção tem condições de agregar valor nos itens acima mencionados? Mara Luiza — Um bom café é uma construção, que se inicia com o produtor, passa pela indústria e termina na xícara que é servida ao consumidor. No caso da produção, a agregação de valor poderá ocorrer nos aspectos que envolvem a produção propriamente dita do café, ou seja, condições climáticas, cultivares, passando da área de classificação física sensorial à mescla de grãos e à questão de origem e certificados. No que tange à indústria, envolve-se assim pontos de torra, melhoramentos de processo tecnológico, cuidado com o preparo durante o serviço e, principalmente, a exploração do marketing calcada nas demais variáveis citadas anteriormente, refletidas principalmente no design de suas embalagens, qualidade dos produtos oferecidos e formação de cultura de consumo. Coffee Break — Qual é a sua opinião a respeito da diferenciação dos cafés brasileiros? Mara Luiza — O mercado de café está muito verde no que diz respeito à questão da diferenciação entre seus produtos, porque ainda não detemos pesquisa suficiente no mercado nacional, que permita atestar, via instrumentos, a tábua de aromas dos cafés nacionais, por exemplo. A tecnologia de cromatografia a gás seria uma dessas alternativas, mas precisamos caminhar muito. Se viermos a obter essa tecnologia, ainda nos deparamos com outro problema: a mudança no sistema de produção, colheita e pós- colheita até então utilizado nas lavouras nacionais. Precisaríamos definir, antes de formarmos a lavoura, qual a varietal, de acordo com as condições edafoclimáticas, que poderão gerar características tais que atendam determinado mercado consumidor. Além disso, se a lavoura já estiver formada, a colheita deveria ser individualizada por variedade. Esses recursos favoreceriam a escolha do café, como se faz hoje com os vinhos. Meu sonho é comprar café como se compra chá: não seria interessante comprar uma caixa com um mix de varietais de cafés em saches e falar pela manhã assim: hoje começarei o dia degustando um Rubi, depois posso experimentar um Catuaí Amarelo e ao final do dia um Acaiá? Teríamos diariamente a oportunidade de fazermos uma viagem gastronômica no ato simples de se degustar um cafezinho. Coffee Break — De que maneira você defende a sua idéia de transição do Decaf para o MDIC? Mara Luiza — Embora a teoria não seja minha, teríamos que primeiramente definir um modelo, onde necessariamente se implemente a definição de espaço territorial. O espaço territorial é formado pelo conjunto de políticas que envolvem os setores público e privado, sociedade civil e a comunidade de modo geral. No caso da cafeicultura, isso pode ser traduzido como o conjunto de associações, sindicatos rurais de trabalhadores e patronais, industriais, Estado, consumidores. Essa integração deve ser feita através da criação de condições para que o que é lei ou norma se torne realidade, partindo da posição de tornar o que é simbólico, real. Fazendo isso, criaremos uma personalidade territorial. Deste conjunto fomenta-se o estabelecimento de uma nova cultura, que no caso é o foco em padrões de qualidade, redefinição das formas de consumo e prospecção e acesso a novos mercados consumidores e alavancagem de recursos.http://www.coffeebreak.com.br/assinantes/edic-not.asp?ID=1240&NT=6 18/10/2007
  5. 5. Café - Informativo Coffee Break Page 5 of 5 Coffee Break — E o que essa personalidade territorial acarretaria? Mara Luiza — Se você tem uma imagem estigmatizada no mercado, como no caso do café, que é justamente a questão do Brasil ser conhecido como mero produtor de commodity, creio que esse movimento, sociedade civil com o Estado, cria uma situação que permitiria revertermos as regras do jogo a nosso favor. Basta lembrarmos que a Alemanha não tem um pé de café, mas é um grande exportador do produto industrializado. Todo mundo sabe que os maiores compradores desse café “alemão” são os grandes consumidores mundiais, como a Finlândia, Dinamarca, os europeus de modo geral e os Estados Unidos, que é o maior de consumidor de café do mundo. Creio que só este argumento já bastaria para justificar a transição da política comercial do café para o MDIC, dada a necessidade de fixarmos a nossa marca sob uma nova configuração. Coffee Break — Onde começaria o trabalho de transição? Mara Luiza — Creio que a partir da esfera política. É fundamental que se crie um movimento único dentro do país que permita que a gente tenha competitividade, porque apesar da globalização, a atuação nacional é tímida. Isso está relacionado com revisão da Legislação Tributária Nacional, bem como da Lei Kandir. A mudança urge, se considerarmos a agilidade como se dá o jogo internacional. Temos um bom exemplo no mercado chinês, considerado o novo oásis do comércio internacional de café, cabendo, portanto, vigilância de nossa parte. Principalmente em relação aos países centro-americanos e africanos, totalmente dependentes economicamente da cafeicultura. Com os Estados Unidos e a ONG (organização não governamental) Oxfam defendendo a bandeira do “temos pena de vocês”, é possível que diferenciais no processo de comercialização e que sejam desinteressantes para a cafeicultura, se não contarmos com a expertise da diplomacia e corpo de negociadores nacional, podem acabar colocando o Brasil no segundo plano novamente. Menu desta edição Última edição Preparar para Imprimir HOME PAGE INFORMATIVO COFFEE NEWS O CAFEZAL SABOR CAFÉ SOBRE O SITE FÓRUM DO CAFÉ Coffee Break - Editado por Textuando Editora - Rua Sargento Wilson Abel de Oliveira, nº 42, sala 21, Caixa Postal nº 5 - Garça (SP) - CEP 17400-000 Fone/fax: (14) 3406-3305 - E-mail: coffeebreak@coffeebreak.com.br - Editor e Web Master: Vanderley Sampaio (Mtb nº 27.413-DRT-SP) Colaboração: Paulo André C. Kawasaki (Mtb nº 43.776-DRT-SP) - Web Designer: Andréa Carolina Batista e Marcos Alves de Souza.http://www.coffeebreak.com.br/assinantes/edic-not.asp?ID=1240&NT=6 18/10/2007

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