Evangélico claudionor de andrade - fundamento bíblico de um autêntico avivamento cpad

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Evangélico claudionor de andrade - fundamento bíblico de um autêntico avivamento cpad

  1. 1. Claudionor Corrêa de Andrade FUNDAMENTOS BÍBLICOS DEUM AUTÊNTICO AVIVAMENTO OCPAD
  2. 2. Todos os direitos reservados. Copyright © 2004 para a língua portuguesa da Casa Publicadora das Assembléias de Deus. Aprovado pelo Conselho de Doutrina. Capa e projeto gráfico: Eduardo Evangelista Editoração:Josias Finamore Santos C D D : 269 - Avivamento Espiritual ISBN : 85-263-0602-2 Para maiores informações sobre livros, revistas, periódicos e os últimos lançamentos da CPAD, visite nosso site: http://www.cpad.com.br As citações bíblicas foram extraídas da versão Almeida Revista e Corrigida, edição de 1995, da Sociedade Bíblica do Brasil, salvo indicação em contrário. Casa Publicadora das Assembléias de Deus Caixa Postal 331 20001-970, R io de Janeiro, R J, Brasil P ediçâo/2004
  3. 3. DEDICATÓRIA todos os que oram e suplicam a Deus por um autêntico avivamento espiritual.
  4. 4. ro SUMÁRIO Dedicatória...................................................................................................5 I. A Chama Arderá continuamente......................................................... 9 1 O que É o Avivamento....................................................................... 39 3. OAvivamento e a Soberania das Sagradas Escrituras.....................47 4 OAvivamento e a Proclamação da Palavra de Deus.......................65 5.0 Avivamento e a Oração...................................................................77 6.0 Avivamento Produz a Santificação e a Integridade...................... 87 ” OAvivamento e o Batismo com o Espírito Santo.............................99 S. OAvivamento e os Dons Espirituais............................................107 9.0 Avivamento e a Operação de Milagres........................................ 117 10.0 Avivamento e o Formalismo......................................................125 11.0 AutênticoAvivamento Pentecostal Temo Espírito Santo..............133 12. O Verdadeiro Avivamento Tem Equilíbrio....................................141 . OAvivamento não E meramente Místico. E, acima de tudo, Espiritual...........................................................153 14. OAvivamento e a Perspectiva Histórica......................................165 15. Somente uma Igreja Avivada Pode Mudar a História do Brasil.... 171 16.0 Avivamento e a Iminência da Volta de Cristo............................179 17. Aviva, ó Senhor, a tua Obra!...........................................................187
  5. 5. I A CHAMAARDERÁ CONTINUAMENTE I SUMÁRIO: Introdução; I. O Avivamento nos Primeiros Séculos; n. O Avivamento na Idade Média; III. O Avivamento na Era Pré- Reforma; IV. O Avivamento durante a Reforma; V. O Avivamento Pós-Reforma; VI. O Avivamento Wesleyano; VII. Os Grandes Avi- vamentos Americanos; VIII. O Avivamento Pentecostal; Conclu­ são; Questionário. INTRODUÇÃO Em junho de 2001, tive o privilégio de participar, na acalorada e encantadora Belém do Pará, das comemora­ ções dos noventa anos de fundação das Assembléias de Deus no Brasil. Em meio a tantos monumentos históricos e espaços de memória; em meio às recordações que os an­ tigos diluíam entre os mais novos; em meio àquelas cara­ vanas vindas do Sul, chegadas do Nordeste, procedentes do Centro-Oeste e do Sudeste; em meio àqueles homens,
  6. 6. FUNDAMENTOS BlBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO mulheres e crianças que marchavam pela cidade que, no início do Século XX, acolhera D aniel Berg e G unnar Vingren, senti-me como se estivesse no Cenáculo quando da descida do Espírito Santo. Durante aqueles dias de intensas celebrações, dei-me conta da grandeza, do alcance e da pujança do Avivamento Pentecostal. Aliás, que avivamento não é pentecostal? Noventa anos se haviam passado desde que Daniel Berg e Gunnar Vingren chegaram a Belém dispostos a im ­ plantar, em terras brasileiras, o Evangelho Pleno de Nosso Senhor, proclam ando a todos que Jesus Cristo salva, bati­ za no Espírito Santo, cura os enfermos, opera m aravilhas e, em breve, virá buscar a sua Igreja. Embora os historia­ dores seculares não o reconheçam, o Avivamento Pente­ costal imprimiu novo ritmo ao Brasil. Desde aquele já dis­ tante junho de 1911, começamos a desvencilhar-nos das amarras do Catolicismo Romano, a fim de vivermos uma nova realidade espiritual. As raízes do Avivamento Pentecostal rem ontam ao cenáculo em Jerusalém . Ao contrário do que dizem os cessacionistas, o batismo no Espírito Santo, os dons espiri­ tuais e as maravilhas do Senhor não se limitaram ao perío­ do apostólico; são tão atuais hoje quanto há dois mil anos. O pentecostes jamais deixou de existir; são recursos que sem­ pre estiveram à disposição da Igreja. Neste capítulo, veremos um pouco da história dos gran­ des avivamentos que, reprisando a efusão do Espírito Santo em Jerusalém, vêm despertando a Igreja, impulsionando-a a agir como a agência por excelência do Reino de Deus. I. 0 AVIVAMENTO NOS PRIMEIROS SÉCULOS Apesar da preocupação dos primeiros doutores da Igre­ ja em fazer a apologia dos cristãos diante dos potentados romanos que, arbitrária e discricionariamente, perseguiam- nos, não deixaram aqueles teólogos de registrar os diversos
  7. 7. arr.entos que se iam alastrando entre o povo de Deus. 'sztl tempo de grandes visitações dos céus; eram perío- rcs ie inefáveis refrigérios. 1 Ignácio. Revivendo a expansão da mensagem cristã ~rus prim órdios, Ignácio fala dos pastores que, não : - ::r ~e as perseguições que lhes moviam as autoridades ■: manas, foram abrindo igrejas até aos confins da terra. Que rcrça os movia? A mesma que, efundida no Pentecostes, le- : _ os primeiros discípulos a evangelizar a Judéia, a odia- ' Samaria, a cosmopolita Antioquia e a orgulhosa Roma. 2. Tertuliano. Nascido em Cartago, no Norte da África, 7 7r volta de 160, teve ele uma esmerada educação. Vivendo r Tensamente a promessa da efusão do Espírito Santo, fez- se arauto da mensagem pentecostal. Testemunha ele que, entre os cristãos daquela época, não eram poucos os que r^avam línguas, interpretavam-nas e profetizavam. Tertuliano, que também foi um brilhante advogado, dis­ corre sobre o avanço da Igreja aos potentados de Roma: Embora sejamos noviços de não longa data, temos enchido todos os lugares de vossos domínios - cidades, ilhas, comu­ nidades, concílios, exércitos, tribos, senado, o palácio, as cortes de justiça. E se os crentes tivessem espírito de vin­ gança, seu grande número seria ameaçador, pois é apreciá­ vel, não só nessa ou naquela província, mas em todas as regiões do m undo". 3. Agostinho (354-430). Bispo de Cartago, Agostinho é considerado um dos maiores teólogos de todos os tempos. Sua influência estende-se tanto aos católicos quanto aos pro­ testantes. Acerca da doutrina pentecostal, estava ele sufici­ entemente seguro quanto à atualidade do batismo no Espí­ rito Santo e dos dons espirituais: "Nós faremos o que os apóstolos fizeram quando im puseram as mãos sobre os samaritanos, pedindo que o Espírito Santo caísse sobre eles: esperamos que os convertidos falem novas línguas". Tal era o avivamento da Igreja que o historiador Harnack calculou que, por volta de 303, o número de crentes, só na n w JUtDBlA CONTINUAMENTE
  8. 8. FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO Ásia Menor, já beirava os 50 porcento de toda a população dessa rica e representativa província. Impressionado com o vigor da comunidade cristã, o imperador Constantino resol­ ve fazer-se discípulo de Cristo. Sua conversão, porém jamais comprovada, traria uma série de problemas à Obra de Deus. II. 0 AVIVAMENTO NA IDADE MÉDIA O Império Romano estava fadado a desaparecer, como desapareceram outros impérios e reinos da antigüidade. Em sua longa e orgulhosa existência, dominou povos e nações, e destruiu formidáveis potências militares. De tal forma di­ latou suas fronteiras que, avançando em sucessivas ondas desde o Latium, veio a alcançar os confins da terra. Mas, agora, depois de todos aqueles séculos de dissolução, des­ potismo, violência e soberba, jazia fraco; não mais possuía o vigor dos primeiros romanos que, forjados no crisol das lutas, construíram um reino que se faria república e desem­ bocaria no império sublimado por Virgílio em sua Eneida. Foi justamente este império que se ergueu feramente contra o povo de Deus. Primeiro, humilhou e avassalou os israelitas, destruindo-lhes o Santo Templo e dispersando- lhes as tribos. Em seguida, pôs-se a oprimir a Igreja de Cris­ to; prende os discípulos do Senhor, mete-os nos cárceres, desterra-os como se fossem criminosos comuns e coloca-os nas arenas para satisfazer a bestialidade de Roma. Os cris­ tãos eram executados aos milhares. As autoridades romanas, porém, não conseguem des­ truir a Igreja de Cristo. Quanto mais a perseguem, mais ela cresce. Se os seus membros são executados às centenas, aos milhares se multiplicam. As portas do inferno não logram prevalecer contra os santos do Senhor. Com respeito ao Im­ pério Romano, retratado por Daniel como o ferro da está­ tua que Nabucodonosor vira em seus sonhos, e tipificado como aquele terrível animal contemplado pelo profeta, de­ saparece em 476. A Igreja, entretanto, sobrevive. E, de avi-
  9. 9. ARDERÁ CONTINUAMENTE a~_ento em avivamento, não se deixa dominar quer pela _: ade Média, quer pelo sistema papal que se ia plasmando n : s formalismos e indiferenças dos cristãos nominais. 1. O avivamento na Igreja Britânica Primitiva. No ano 500, enquanto a Europa Ocidental mergulhava na Idade Média, a Obra de Deus expandia-se nos territórios que pas­ sariam a ser conhecidos como as Ilhas Britânicas. Gildas, um sábio missionário de origem galesa, dá este testemu­ nho, confirmando o pentecostes que varria aquela região: ' A Igreja está espalhada pela nação inteira. Além disso, ela se espalhara na Irlanda e Escócia. Era também uma Igreja instruída; tinha sua própria versão das Sagradas Escrituras e a sua própria liturgia". Patrício, que dedicara trinta anos de sua vida a evangeli- zar a Irlanda, confirma o quanto crescia a Igreja: "Eu fui for­ mado de novo pelo Senhor, e ele me capacitou a ser nesse dia o que antes estava mui longe do meu alcance, para que eu me interessasse pela salvação dos outros, quando eu costu­ mava não pensar nem mesmo na minha própria salvação". Ia o Senhor, assim, levantando obreiros fervorosos e ple­ nos de ousadia, a fim de encher aquelas ilhas do Evangelho de Cristo. O irlandês Columba, por exemplo, foi a lona onde fundou uma igreja que, em pouco tempo, se faria missioná­ ria. Ele estabeleceu congregações desde Orkneys e Sul das Hébridas até ao Humter. 2. O avivamento dos Valdenses. Esta confissão evan­ gélica, iniciada por Pedro Valdez em 1170, no território abrangido pela moderna cidade francesa de Lyon, tinha como ideal pregar a mensagem de Cristo em toda a sua pureza. A princípio, foram os valdenses favorecidos pelo papa Alexandre III. Todavia, devido à sua independência em relação ao clero romano e à sua fidelidade às Sagradas Escrituras, tornaram-se abomináveis ao sistema papal que acabaria por interditá-los. De tal forma viviam os valdenses o pentecostes que, até mesmo em sua morte, propagavam a mensagem do cenáculo;
  10. 10. FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO eis o que relata um historiador: "Não há uma rocha que não seja um monumento, uma campina que não tenha presencia­ do uma execução, nem uma vila que não registre os seus mártires". O avivamento, comandado pelo próprio Valdo, abalou a Europa do Século XII. Escreve o pastor Clarke: "Os valdenses espalharam-se com extraordinária rapidez e esten- deram-se desde Aragon à Pomerânia e Boêmia, embora mais numerosos no sul da França, Alçácia e nos bairros monta­ nhosos de Savóia, Suíça e Norte da Itália". Não foram poucos os avivamentos que surgiram na Ida­ de Média. A Igreja Romana, porém, não somente buscou abafá-los, quer através da infâmia e da calúnia, quer por meio da tortura e da espada, como também esforçou-se por apagar qualquer indício histórico da existência desses mo­ vimentos do Espírito. Felizmente, a verdade sempre acaba prevalecendo. III. 0 AVIVAMENTO NA ERA PRÉ-REFORMA Por mais que o sistema papal tentasse, não conseguiu sufocar o avivamento espiritual que, desde o Século XIV, vinha se traduzindo numa ampla reforma da Igreja. O mo­ vimento, nascido nos conventos e nas congregações subter­ râneas, não tinha qualquer conotação política; sua princi­ pal demanda era espiritual, como espiritual, o seu alvo: con­ duzir os crentes a um compromisso maior com a Palavra de Deus. Pois todos já estavam cansados dos tentáculos cada vez mais opressos do Catolicismo que, trocando a cruz pe­ los favores do Estado, tornara-se uma mera instituição. Neste período, temos a destacar três grandes avivalistas: João Huss, João Wickliffe e Jerônimo Savonarola. 1. João Huss. Historiadores atestam que, por volta de 1315, havia na Boêmia 80 mil crentes em Jesus Cristo. Este grande movimento do Espírito, que em nada diferia do Avi­ vamento Pentecostal do Brasil, começou a sacudir os alicer­ ces do sistema papal. Para incendiar aquele país europeu,
  11. 11. JER Á CONTINUAMENTE : - : território hoje é ocupado pela Checoslováquia, Deus _s : u três hom ens: Conrado de W aldhausen, M ilic da :fávia e Matias de Janov. Todos eles abriram caminho para çrande despertamento que haveria de ser desencadeado por um dos mais proeminentes precursores da Reforma Pro­ testante do Século XVI. João Huss (1369-1415) foi professor na Universidade de Praga e capelão da corte. Culto, eloqüente e convicto das reivindicações apresentadas pelas Sagradas Escrituras, ar­ rebatava a audiência com os seus sermões e homílias. Não :emia ele esbravejar contra os desmandos da Igreja Católica nem contra a idolatria que, de Roma aos mais escondidos recantos da Europa, vinha afastando o povo de Deus da salvação em Cristo Jesus. Intimado a comparecer ao Concilio de Constança, soli­ citou um salvo-conduto ao imperador Sigismundo. Mas o documento de nada lhe serviria. Num ato de escandalosa arbitrariedade, os membros do concilio condenaram-no à fogueira. Se a Igreja Católica pensava que, com a morte de Huss, o grande avivamento da Boêmia iria gorar, enganaram-se. Quando da Reforma Protestante, havia no país quatrocen­ tas igrejas e uma versão completa da Bíblia em língua che­ ca. A obra de João Huss sobreviveu através da Igreja dos Irmãos Unidos. Conta-se que João Huss, no momento de sua morte, proferiu uma das mais famosas elocuções proféticas da Igreja Cristã: "H oje, vós queimais um ganso. Daqui a cem nos, porém, nascerá um cisne; contra ele nada podereis fazer". Huss, cujo significado em língua checa é "ganso", havia de fato profetizado; um século depois de sua morte, Martinho Lutero deflagrava a Reforma Protestante; não houve quem calasse a voz do cisne alemão. 2. João Wikcliffe. Quando a Igreja Católica arvorava-se como dona absoluta de todas as coisas, inclusive das Sagra­
  12. 12. FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO das Escrituras; quando o papa arrogava-se como o vigário de Cristo, achando-se no direito de proibir a leitura da Pala­ vra de Deus; quando o romanismo colocava-se acima dos profetas hebreus e dos apóstolos de Nosso Senhor, eis que se ergue um homem que ousa declarar: "A s Sagradas Escrituras são uma propriedade do povo, e uma possessão que ninguém pode arrancar do povo. Cristo e seus apóstolos converteram o mundo para fazer conheci­ das as Escrituras, e eu oro de todo coração que, por obede­ cermos ao que está contido neste livro, possamos provar a vida eterna". Tem início o avivamento de John Wickliffe (1330-1384). A fim de que o povo viesse a conhecer a Palavra de Deus, traduziu ele a Bíblia para o inglês, colocando o Santo Livro à disposição de seus evangelistas. Seu maior anelo era educar os britânicos no Evangelho de Cristo. Em virtude de sua obra, Wickliffe pode ser considerado, com justa razão, o patrono dos tradutores do texto sagrado. Além disso, empreendeu ele uma luta renhida e sem quartel contra a corrupção do clero romano que, ao invés de cuidar das pobres almas, de­ leitava-se em gastar as ofertas e os dízimos dos fiéis em fes­ tas e orgias. Para Wickliffe, a Igreja somente haveria de me­ lhorar quando deixasse de lado as influências de Roma. O historiador Pedro R. Santidrián assim resume a bio­ grafia do reformador inglês: "A vida, a obra escrita e a atividade de Wickliffe devem ser entendidas a partir da exigência de limpar a teologia e a prática cristãs das degenerações e excrescências de sua épo­ ca. Queria levar à consciência e ao ânimo dos fiéis a diferença entre a igreja como é e o ideal da Igreja como devia ser. Isso pressupõe uma visão crítica e histórica ao mesmo tempo: ambas estão presentes em Wickliffe, como o estão, mais ou menos claramente, em muitos outros contemporâneos seus". 3. Jerônimo Savonarola (1452-1498). Tinha Savonarola vinte e três anos quando resolveu entregar-se à vida monás-
  13. 13. ARDERÁ CONTINUAMENTE n S u a convicção, eloqüência e fervor espiritual tornaram- ■: ramoso como pregador. A semelhança dos primeiros dis- —pulos, proclamava o Evangelho de Cristo em toda a sua r-ireza, mostrando a todos ser este o único caminho que nos pede conduzir a Deus. Embora alguns historiadores não o admitam, era Savonarola um autêntico pentecostal. Doutra :: nua, como haveria de protestar com toda aquela veemên­ cia e unção contra a imoralidade que grassava em Florença? Ouçamos como Villari descreve o avivamento desenca­ rnado por Savonarola: "A pregação do Superior do Convento confundiu os seus inimigos, pois mudou completamente o aspecto da cidade. As mulheres largavam o uso de jóias e passavam a trajar com simplicidade. Os moços libertinos eram transformados em ressoas sóbrias e espirituais e as igrejas ficavam repletas nas horas de oração. Também a Bíblia era lida com diligência. "A fama deste maravilhoso pregador divulgou-se en­ tão por todo o mundo, por meio dos seus sermões impres­ sos. O próprio sultão da Turquia ordenou que fossem tra­ duzidos para o turco, para o seu próprio estudo. Sem dúvi­ da, o alvo de Savonarola era ser meramente o regenerador da religião. Como um dos primeiros protestantes e um dos arautos da Reforma, Savonarola logo entrou em conflito com o papa e como resultado disso foi executado em 1498". Em seu sermão do advento, Savonarola conclama a to­ dos os seus compatriotas a que sirvam a Deus na beleza de sua santidade: "Nossa Igreja tem muitas belas cerimônias externas para dar solen id ad e aos ofícios ecle siá stico s, com belas vestimentas, com muitos estandartes, com candelabros de ouro e prata. Tu vês ali aqueles grandes prelados com ma­ ravilhosas mitras de ouro, e esses homens te parecem de grande prudência e santidade. E não acreditas que possam esquivar-se, senão que tudo o que dizem e fazem deve ob­ servar-se no Evangelho. Eis como está construída a Igreja moderna. Os homens contentam-se com essas folhagens. Os
  14. 14. FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO que te odeiam, Senhor, são os pecadores e os falsos cristãos, e principalmente os que estão constituídos em dignidades. E estes são glorificados hoje por terem acabado com a rigi­ dez e a severidade dos cânones, com as instituições dos san­ tos homens de Deus, com a observância das boas leis. Vês hoje os prelados e os pregadores prostrados com seu afeto em terra, o cuidado das almas já não lhes inquieta o cora­ ção, somente pensam em tirar proveito". Savonarola muito combateu o papa Alexandre VI e sua corte mundanizada, despótica e ímpia. Por causa de sua coragem, foi excomungado pela Igreja Católica em 1497. No ano seguinte, o grande pregador, o arauto que Deus tinha em Florença era queimado numa fogueira; seu testemunho continua a arder até aos dias de hoje. IV. 0 AVIVAMENTO DURANTE A REFORMA A profecia de João Huss cumpriu-se. Se os adversários da Obra de Deus conseguiram queimar o ganso da Boêmia, não haveriam de calar a voz do cisne de Eisleben. A partir de Martinho Lutero, iria a Igreja de Cristo voltar aos tem­ pos de refrigério dos Atos dos Apóstolos. Não seria uma mera reforma; deflagrar-se-ia um grande avivamento que, a partir da Alemanha, haveria de mudar radicalmente a vida da Europa e do mundo. No Século XVI, temos a destacar dois grandes avivalistas que, por força das circunstâncias, entraram para a história como reformadores: Martinho Lutero e João Calvino. M ui­ to devemos ao trabalho destes campeões de Deus. Sua obra influenciou profundamente a vida política, econômica, so­ cial, cultural e espiritual de seus contem porâneos. Max Webber, por exemplo, afirma que, sem a Reforma Protes­ tante, o Mundo Ocidental jamais teria alcançado o atual es­ tádio de desenvolvimento. Consideremos, porém, Calvino e Lutero como dois frá­ geis vasos que Deus, em sua insondável graça, usou pode-
  15. 15. •: samente para reformar e avivar a sua Igreja que jazia des- ~r_irada pelos desmandos, pecados e iniqüidades do siste­ ma t?apal. 1. Martinho Lutero (1483-1546). Lutero é oriundo de -m a família humilde e operária da antiga cidade alemã de z_~.eben. Em 1505, já doutor em filosofia, entrou para a or- :e m dos agostinianos, onde, em profundo recolhimento, mergulhou nas obras de Agostinho. Todavia, é nas epísto- :-i de Paulo que o disciplinado e piedoso monge encontra- a tão esperada paz com Deus. Na Epístola aos Romanos, : - - :obre ele que o homem jamais será justificado por suas : rras; quem o justifica é Deus através da fé em Cristo Jesus A vida de Lutero não era só estudo; dedicava-se ele a : ngas e profundas orações. Escreve William E. Allen: "Lutero orava, horas seguidas cada dia. Certa vez um espia o acom­ panhou a um hotel. No dia seguinte contou ao patrão que Lutero tinha orado por quase toda a noite e que ele jamais poderia vencer uma pessoa que orava daquele jeito". Foi esse gigante que Deus usou para deflagrar a maior reforma da Igreja. No dia 31 de outubro de 1517, fixou ele nas portas da catedral de Witemberg suas Noventa e Cinco Teses, nas quais condenava os desmandos papais quanto às indulgências. Com igual ímpeto, realçava a doutrina da sal­ vação pela fé nos méritos de Cristo Jesus. Martinho Lutero foi um autêntico pentecostal. De con­ formidade com alguns teólogos e historiadores, entre os quais o pastor batista norte-americano Jack Deere, era ele batizado no Espírito Santo, falava línguas, profetizava e possuía todos os dons espirituais. Afinal, como poderia Lutero haver executado um trabalho tão árduo e difícil quan­ to à Reforma Protestante? Infelizmente, como salienta Deere, os revisores que se encarregaram de atualizar a linguagem dos grandes clássicos evangélicos, substituíram a semânti­ ca original de muitas obras por um vocabulário liberal, humanista e sem a força que os seus autores lhes haviam imprimido. Ao invés de dizer, por exemplo, que Martinho ■ d m m a a r d e r á c o n tin u a m e n te
  16. 16. FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO Lutero era cheio do Espírito Santo e profetizava, escreve­ ram ter sido ele um homem pleno de entusiasmo pela refor­ ma que empreendia, e que era dotado de um agudo senso de oportunidade para compreender o seu tempo. Na ver­ dade, o que Martinho Lutero e outros campeões de Deus possuíam era a unção que levou Pedro e os demais apósto­ los a levar a mensagem de Cristo até aos confins da terra. 2. João Calvino (1509-1564). A cidade suíça de Genebra era um antro de iniqüidades. Ali, a porta do inferno acha­ va-se escancarada. Calvino, porém, resolveu provar que, através do Evangelho de Cristo, é possível mudar não so­ mente pessoas como cidades e civilizações. Com base nas Escrituras Sagradas, implantou ele em Genebra um regime teocrático tão eficiente que, passados alguns anos, a cidade já era contada entre as melhores da Europa. Nos vinte anos em que João Calvino esteve em Gene­ bra, testemunharam os suíços o que pode fazer um homem que tem a Bíblia como a sua única regra de fé e prática. As tavernas tiveram suas portas cerradas; os casamentos fo­ ram regularizados; os pecados contra a castidade, severa­ mente punidos. As modas escandalosas e ofensivas à moral e aos bons costumes, substituídas pela modéstia. Genebra, agora, era a cidade de Deus. Universidades são criadas; o ensino fundamental torna-se modelo para toda a Europa. Quanto ao trabalho, encaravam-no todos como dádiva dos céus, e não como a maldição imposta sobre os filhos de Adão e Eva. E foi exatamente aí, conforme opinam alguns historiadores, que nasce o capitalismo. Um capita­ lismo, aliás, que nada tem a ver com o capitalismo selva­ gem de nossos dias; era um capitalismo que gerava riqueza e distribuía eqüanimemente a renda. Teólogo, reformador, avivalista. Mas, acima de tudo, um homem usado poderosamente por Deus para expurgar a Igre­ ja dos erros e tradições romanistas que, há séculos, vinham enfermando o corpo místico de Cristo. Teve o seu avivamen­ to um alcance tão grande que, decorridos cinco séculos, Ge-
  17. 17. nebra ainda conserva, apesar de todos os excessos do mundo ~ :dem o, sua austeridade, progresso e cultura. Xeste período, temos a destacar também a João Knox 1:13-1572), que, diante da situação em que vivia o seu país, :a a incessantemente: "Oh, Senhor, dá-me a Escócia, ou eu — rro!" Desde 1559, quando começou ele a percorrer o país, è é ao momento de sua morte, milhares de pessoas converte­ ram-se ao Senhor Jesus. E a Escócia, dantes tão agregada a ornai religiosidade sem vida, foi convertida à fé cristã. V. 0 AVIVAMENTO PÓS-REFORMA Os sucessores de Lutero e Calvino, infelizmente, não souberam manter o ímpeto da Reforma Protestante. Igno­ rando as bases do avivamento bíblico; menosprezando o «xercício da piedade; deixando de lado as poderosas armas >iv*s reformadores: a oração e o jejum; desviando-se da rota raquela geração que, embora ameaçada por forças tão su­ periores, ousaram tremular o estandarte da fé; e fraquejando ar te as demandas mais legítimas das Escrituras, acabaram por cair naquilo que os historiadores denom inam de Escolástica Protestante. 1. O que é a Escolástica Protestante. Assim é conhecida a teologia dos reformadores elaborada nos seminários e uni­ versidades ao longo do Século XVII. A Escolástica Protestan­ te tinha como principal objetivo dirimir as dúvidas que ain­ da persistiam acerca dos princípios que levaram Martinho Luterano, no século anterior, a deflagrar a Reforma Protes­ tante. Embora minuciosa em suas definições, e apesar de tra­ tar os temas com precisão, lógica e coerência, a Escolástica Protestante pouca importância dava à teologia prática. E claro que os cristãos necessitamos de doutrinas claras e bem definidas. Não podemos, contudo, nos perder em conceitos e discussões estéreis. É uma tragédia quando a Igreja considera a teologia mais importante que Deus, ou quando coloca as definições acima do objeto a ser definido. ■ U M A ARDERÁ CONTINUAMENTE
  18. 18. FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO Tais querelas levaram os crentes reformados a perder a for­ ça do primeiro amor. O Espírito Santo, porém, já estava preparando o terreno para outros avivamentos e reformas. 2. A devoção germana. Assim é conhecido o movimen­ to desencadeado na Igreja Luterana, em 1666, pelo pastor Spenner. Já não podendo mais suportar a religiosidade amorfa e apática dos herdeiros de Lutero, clamou ele a Deus, pedindo-lhe uma intervenção mais que urgente. Orando e jejuando, milhares de crentes luteranos puseram-se a estu­ dar a Bíblia e a evangelizar os estados alemães. Cada leigo transformou-se num poderoso evangelista. Relegando a segundo plano as discussões travadas nos seminários e universidades, os crentes demonstraram, na prática, que a igreja, quando verdadeiramente pentecostal, sempre acaba por triunfar sobre o reino de Satanás. 3. O avivamento dos Morávios. Até a chegada do Con­ de Zinzendorf a Herrnhut, os colonos dessa região não con­ seguiam viver em paz. Achavam-se eles, à semelhança dos coríntios, divididos em partidos e grupos. Zinzendorf, con­ tudo, pôs-se a orar para que aqueles irmãos vivessem de fato como irmãos. No dia 12 de maio de 1727, todos os grupos, deixando de lado suas diferenças e velhas rixas, resolveram agir como Igreja de Cristo. Tinha início, naquele momento, um dos maiores avivamentos de todos os tempos. Eis o que escreve o historiador A. Bost: "Desde aquele tempo houve admirá­ vel efusão do Espírito Santo sobre esta venturosa Igreja, até o dia 13 de agosto, quando a medida da graça divina pare­ cia transbordar completamente". Prossegue o historiador: "Todo o dia trazia alguma nova bênção. O Conde se pôs a visitar os irmãos. Este foi o começo daqueles pequenos agru­ pamentos que foram depois chamados 'grupos de oração'". C oroan d o aqu ele av iv am en to, D eus lev an ta os morávios. A semelhança dos primitivos cristãos, saíram eles
  19. 19. 5-3ERÁ CONTINUAMENTE a :: r.quistar o mundo para Cristo. Chegaram à Groenlândia, íb índias Ocidentais, às Américas, à África do Sul, à Ásia e à - - rrrãlia. Os morávios arrebataram multidões de almas das £srras de Satanás. VI. 0 AVIVAMENTO WESLEYANO A reforma protestante abraçada pela Inglaterra não era ■em reforma nem protestante. Era mais um ato político de - t 'ri que VIII. A fim de se vingar do papa que lhe não havia : trrritido divorciar-se, resolvera criar sua própria igreja. Atra- wés iesta não somente ele, como vários de seus descenden- contariam sempre com o devido suporte teológico para B vemar de acordo com as suas conveniências e caprichos. Deus, porém, levantaria um homem para reverter essa situa- íã : Desafiando o poder da igreja estatal, haveria ele de con- : _zrr os ingleses a um poderoso avivamento. João Wesley (1703-1791) é uma prova incontestável do ruanto pode Deus operar na vida daqueles que, sem reser- as, se entregam a Ele. Insuspeitos historiadores são unâni- rn.es em afirmar que, não fora o avivamento wesleyano, a mglaterra certamente enfrentaria uma provação tão cala­ mitosa quanto à Revolução Francesa. Eis o que escreve Pedro 5antidrián: "A pregação e a obra de J. Wesley inspiram-se no m o­ vimento 'revivalista' inglês imbuído no pietism o e no pu~ ritanismo da época. Sua doutrina fundamental é baseada na justificação pela graça por meio da fé individual. Daí a insistência na conversão. 'O sincero desejo de salvar-se do pecado pela fé em Jesus Cristo e de dar provas disso na vida e na conduta' é a condição única para ser admitido r a Igreja. "Su a experiência e sua atividade de m issionário dnerante estão reunidas em seus Diários de Campanha. Sua obra de organizador e legislador está nas Regras (1743) para as sociedades metodistas. O Livro dos Ofícios, de caráter
  20. 20. FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO anglicano, guarda seu espírito e insiste na prédica da Pala­ vra e no canto de hinos, em sua maior parte compostos por ele. Desta forma, Wesley e seus 'evangelizadores' pregaram e cantaram a fé em Cristo. Nesta obra, seu irmão Charles tem o mérito de ser o principal colaborador, sobretudo na composição de hinos, dos quais é considerado como o mai­ or compositor em língua inglesa. "O movimento 'revivalista' de Wesley influiu muito nas cham adas Igrejas Livres da Inglaterra: presbiterianos, congregacionalistas e batistas. A própria Igreja Anglicana, embora oposta à prédica metodista, sofreu sua influência. A vida inglesa passou por uma profunda transformação em sua moral privada e pública. O nome de Wesley ficará para sempre como o do grande pregador que 'revitalizou a vida religiosa e moral dos ingleses"'. O evangelista João Wesley é considerado um dos mais autênticos pais do pentecostalismo. A experiência do cora­ ção ardente foi, na verdade, o recebimento do batismo no Espírito Santo. VII. OS GRANDES AVIVAMENTOS AMERICANOS Grandes foram as provações enfrentadas pelos Estados Unidos ao longo de sua história. Todavia, os americanos, educados na Palavra de Deus, haveriam de vencer todos os obstáculos; sabiam que bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor. Se as provações foram grandes, os avivamentos foram maiores. O que dizer do Grande Despertamento con­ duzido por Jônatas Edwards? 1. O grande despertamento. Tendo início em 1735, o avivamento alastrou-se por toda a América, preparando o povo para as tempestades que já apareciam no horizonte daquele im enso continente. N este em p reendim ento, Edwards contou com a ajuda do eloqüente pregador inglês Jorge W hitefield. Sobre este período, discorre W illiam Conant:
  21. 21. CH A M A ARDERÁ CONTINUAM ENTE "A pregação do Evangelho era acompanhada do poder mais admirável em toda a parte de Nova Inglaterra; e os avivamentos deram nova vida e multiplicaram membros para as igrejas, em maior número de cidades do que pode­ mos assinalar neste pequeno espaço, por todo o Estado de Xova Inglaterra e Estados do Centro. "O s novos convertidos eram fervorosos em espírito. Eles tinham paixão pela salvação de almas. Em preendi­ mentos nunca vistos foram em pregados im ediatam ente para a divulgação do Evangelho. Alguns iam de casa em casa, em suas respectivas vizinhanças, adm oestando a todo o hom em , exortando a todos a voltar-se ao Senhor. Pastores piedosos eram despertados a um esforço fora do comum, e crentes antigos renovavam a m ocidade. O Se­ nhor dava a m ensagem e grande era o núm ero dos que a anunciavam ". Este é o testemunho de Edwards: "Havia notáveis sinais da presença de Deus em quase toda casa. Era um tempo de alegria nos lares por causa da salvação que neles entrava; pais se regozijavam pela conversão dos filhos; esposos, pelas esposas; e esposas pelos esposos. Os passos de Deus eram visíveis em seu santuário. Os domingos eram um deleite, e os seus tabernáculos eram cativantes". 2. O avivam ento de Brainerd. Enquanto se dedicava à conversão dos índios, Brainerd pôs-se a orar por um avivamento que viesse a sacudir os am ericanos da letar­ gia em que se encontravam . Suas orações foram ouvidas. Em 1745, com eçou a relatar em seu diário as etapas do que Deus com eçou a operar não som ente entre os aborí­ genes da Am érica como tam bém entre os hom ens bran­ cos; afinal, todos precisavam desesperadam ente de Cris­ to. Não fora o despertam ento de David Brainerd, a tragé­ dia entre os índios am ericanos teria sido bem maior. Mas aprouve a Deus intervir, a fim de que m uitos hom ens de pele verm elha viessem receber a Cristo como seu pessoal salvador.
  22. 22. FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO 3. Outros avivamentos na América. Tivéssemos mais espaço, certamente poderíamos discorrer sobre o avivamen­ to puritano e acerca dos quakers. O que dizer de Finney? Moody? Todavia, estava o Senhor preparando o terreno para um grande, poderoso e irresistível despertamento que, ten­ do início na América do Norte, iria logo espraiar-se por todo o mundo. VIII. 0 AVIVAMENTO PENTECOSTAL Para discorrer acerca do Avivamento Pentecostal, fran­ quearemos a palavra ao jornalista Emílio Conde reconheci­ do como o apóstolo da imprensa evangélica do Brasil: "Os historiadores que se ocupam do Avivamento Pen­ tecostal do século 20 são unânimes em mencionar a Rua Azusa, em Los Angeles, Califórnia, em 1906, como o centro irradiador de onde o avivamento se espalhou para outras cidades e nações. Em verdade, a Rua Azusa transformou-se em poderosa fogueira divina, onde centenas e milhares, de todos os pon­ tos da América, atraídos pelos acontecimentos, iam ver o que se passava, eram batizados com o Espírito Santo, e le­ vavam para suas cidades essa chama viva - o batismo com o Espírito Santo. "Porém quem levou a m ensagem pentecostal a Los Angeles, foi uma senhora metodista, que, por sua vez, a re­ cebeu na cidade de Houston, quando aí fora visitar seus parentes. Podíamos citar aqui os avivamentos na Suécia em 1858, e 1740 na Inglaterra. Na América do Norte, podem-se mencionar os avivamentos nos Estados de Nova Inglaterra em 1854, e na cidade de Moorehead, em 1892, seguidos dos de Galena, Kansas, em 1903, e Orchard e Houston, em 1904 e 1905 respectivamente. "Reportemo-nos, pois, aos acontecimentos do ano de 1906, na Rua Azusa. Em um edifício de forma quadrangular, que anteriormente servira como armazém de cereais, reuni­
  23. 23. A CH A M A ARDERÁ CONTINUAM ENTE am-se milhares de homens e mulheres sedentos pela graça divina, clamando por um avivamento, intercedendo pelos pecadores, desejosos de vida abundante, vida de triunfo sobre o pecado. "O pastor W. J. Seymour, que servia nessa igreja, não era pregador eloqüente; porém seu coração ardia de zelo pela pureza da obra do Senhor, e sua m ensagem era vivificada pelo Espírito Santo. O pastor Seymour pregava a Palavra de Deus, anunciava a promessa divina, o batismo com o Espírito Santo, e, a seguir, sentava-se no púlpito, ten­ do o rosto entre as mãos, e orava para que Deus operasse nos corações dos ouvintes. O que acontecia, então, é inexplicável: O poder de Deus pousava sobre a congrega­ ção; a convicção das verdades divinas inundava os cora­ ções; o desejo de santidade dominava as almas; e, repenti­ namente, brotavam os louvores dos corações; muitos eram batizados com o Espírito Santo, falavam em línguas; outros profetizavam; outros ainda cantavam hinos espirituais. "A notícia desses acontecimentos foi anunciada em toda a cidade, inclusive nos jornais seculares, que enviaram re­ pórteres para descreverem os fatos. "Os membros das várias igrejas, uns por curiosidade, outros por desejo de receber mais graça do céu, iam ver com os próprios olhos, o que parecia ser obra de fanáticos; todos saíam convencidos de que era um movimento divino, e trans­ formavam-se em testemunhas e propagandistas do Movimen­ to Pentecostal que estava em ação em Los Angeles. "Simultaneamente com o de Los Angeles, outros aviva­ m entos aconteciam na Inglaterra e na índia. De várias cidades da América do Norte, crentes e ministros, atraídos pelos fatos, foram até Los Angeles, para constatarem a vera­ cidade destes. Quando esses visitantes voltavam às suas ci­ dades, eram como tochas a arder e a espalhar o fogo de Deus. "Dentro em pouco os grandes centros urbanos norte- americanos foram alcançados pelo avivamento. Uma das cidades que mais se destacaram e se projetaram no Movi­
  24. 24. FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO mento Pentecostal foi Chicago. As boas-novas do avivamen­ to alcançaram, praticamente, todas as igrejas evangélicas da cidade. Em algumas, houve oposição da parte de uns pou­ cos, porém o avivamento triunfou. "O avivamento, além de outras características que o re­ comendavam, destacava-se pelo espírito evangelístico e pelo interesse que despertava por outros povos, isto é, cada um que se convertia, transformava-se, também, em missionário. "Enquanto o avivamento conquistava terreno e domi­ nava a vida religiosa de Chicago, fatos de alta importância envolviam dois jovens que estão intimamente ligados à His­ tória das Assembléias de Deus do Brasil. Na cidade de South Bend, no Estado de Indiana, que dista cerca de cem quilô­ metros de Chicago, morava um pastor batista que se cha­ mava Gunnar Vingren. Atraído pelos acontecimentos do avivamento de Chicago, o jovem, originário da Suécia, foi a essa cidade a fim de certificar-se da verdade; ante a demons­ tração do poder divino, ele creu, e foi batizado com o Espí­ rito Santo. "Pouco tempo depois, Gunnar Vingren participava de uma convenção de igrejas batistas, em Chicago, que aceita­ ram o Movimento Pentecostal, onde conheceu outro jovem sueco que se chamava Daniel Berg que também fora batiza­ do com o Espírito Santo. "O s dois jovens trocaram idéias, e descobriram, então, que Deus os guiava no mesmo sentido, isto é, que o Senhor desejava enviá-los com a mensagem a terras distantes, mas não sabiam aonde seria. "Algum tempo depois, Daniel Berg foi visitar o pastor Gunnar Vingren em South Bend. Nessa ocasião, em uma reunião de oração, Deus, através de uma mensagem profé­ tica, falou ao coração de Daniel Berg e Gunnar Vingren, que partissem a pregar o Evangelho, e as bênçãos do Avivamento Pentecostal. O local fora mencionado na profecia: Pará. Ne­ nhum dos presentes conhecia tal lugar. Após a oração, os dois jovens foram a uma livraria a fim de consultar um mapa
  25. 25. A CHAMA ARDERÁ CONTINUAMENTE que lhes mostrasse onde estava localizado o Pará. Desco­ briram, então, que se tratava de um estado do Norte do Bra­ sil. Ambos ardiam de zelo pela causa de Cristo; eram tochas dessa fogueira que ardia em Chicago. "A chamada divina foi confirmada, mais tarde, quando se reuniam para orar nesse sentido, não uma vez, mas três dias seguidos. Tratava-se de uma chamada de fé, e só a fé poderia conduzi-los à vitória. Eles não tinham qualquer promessa de auxílio, quer de igrejas, quer de particulares, mas tinham o coração cheio de confiança em Deus, e isso lhes dava mais segurança do que qualquer promessa hu­ mana que acaso lhes fosse feita. "Gunnar Vingren e Daniel Berg despediram-se da igre­ ja e dos irmãos em Chicago, pois a ordem divina era mar­ char para onde lhes fora designado ir. A igreja levantou uma coleta para auxiliar os missionários que partiam; a quantia que lhes fora entregue, dava exatamente para a passagem até Nova Iorque. Mas não sabiam como conseguirem di­ nheiro para comprar a passagem até o Pará. Esse pensa­ mento, parece, não os preocupava, pois eles não se detive­ ram à espera de recursos. "A primeira etapa da viagem foi iniciada com oração. Na estação da estrada de ferro, antes de embarcarem para Nova Iorque, ante os olhares da multidão, ajoelharam-se, deram graças a Deus, e pediram direção para a jornada, e partiram para uma terra que não conheciam. "Chegaram à grande m etrópole, Nova Iorque, sem conhecerem ninguém , e sem dinheiro para continuar a viagem. Naquela cidade, tudo era grande e majestoso e im­ pressionante. O movimento das grandes avenidas; os edi­ fícios imponentes e mais altos do que quaisquer outros, pareciam alheios à missão dos dois viajores. As multidões apressadas, e as grandes lojas poderiam causar admiração aos dois provincianos recém-chegados, porém não lhes ofus­ cava a visão da grandeza da missão de que haviam sido incumbidos.
  26. 26. FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTENTICO AVIVAMENTO "Não sabemos o que pensavam os dois forasteiros ao contemplarem o esplendor da babel moderna, na expectati­ va de uma viagem que lhes custaria 90 dólares, e sem terem tal importância. Supomos que eles, entre aquele vaivém da multidão, oravam ao Senhor que os protegesse e guiasse. "Caminhavam os nossos irmãos por uma das ruas de Nova Iorque, quando encontraram um negociante que co­ nhecia apenas o jovem Gunnar. Na noite anterior, enquanto estava em oração, o negociante sentira que devia enviar certa importância ao irmão Vingren. Pela manhã colocou a refe­ rida importância em um envelope, para mandá-la pelo cor­ reio, mas logo a seguir encontrou-se com os dois enviados do Senhor; contou-lhes o que Deus lhe fizera sentir, isto é, que mandara entregar aquela quantia ao irmão Vingren, e entregou-lhe o envelope. "Quando o irmão Vingren abriu o envelope, quase não podia acreditar; nele havia 90 dólares - exatamente o custo da viagem até ao Pará. Quantas glórias a Deus os nossos irmãos deram, naquela hora, não sabemos, mas que foram muitas, disso temos certeza. "Aquela oferta de 90 dólares tinha grande significação, não só porque era suficiente para a passagem, mas também porque confirmava, mais uma vez, que os novos missionári­ os estavam, de fato, na vontade de Deus. Não se encontra­ vam eles empenhados em uma obra de fé? A fé tinha de ser provada para ter valor. Por isso Deus lhes enviara 90 dólares; nem mais nem menos do que o necessário, mas o suficiente. "No dia 5 de novembro de 1910, a bordo do Clement, os missionários deixavam a frígida Nova Iorque, com destino à cálida Belém do Pará. A missão dos nossos irmãos ini- ciou-se ali mesmo, a bordo do navio, entre tripulantes e passageiros. Eles distribuíram folhetos e evangelhos; fala­ ram a Palavra de Deus e testificaram a todos. Claro está que nem todos receberam a mensagem, porém os missionários tiveram o privilégio de ver um dos tripulantes aceitar a Cris­ to, o qual, mais tarde, foi batizado nas águas, e, com eles,
  27. 27. A CHAMA ARDERÁ CONTINUAMENTE por muito tempo, manteve correspondência. Era o primei­ ro fruto de sua missão; mais uma prova de que o Senhor estava com os seus servos. "N o dia 19 de novembro de 1910, em um dia de sol causticante dos trópicos, os dois missionários desembarca­ ram em Belém. Não possuíam eles amigos ou conhecidos nessa cidade; não traziam endereço de alguém que os enca­ minhasse; vinham, unicamente, encomendados à graça de Deus; tinham a protegê-los o Deus de Abraão. "Carregando suas malas, enveredaram por uma rua. Ao alcançarem uma praça, sentaram-se em um banco para des­ cansar; e aí fizeram a primeira oração em terras brasileiras. Oraram por um povo que lhes era desconhecido, mas que já amavam, e pelo qual estavam dispostos a sacrificar-se. "Não é fácil imaginar-se quais foram as primeiras im­ pressões dos jovens missionários, naquela tarde em uma praça de Belém, sentindo o sol a aquecer-lhe as roupas gros­ sas e pesadas. Naquela época, Belém não possuía muitas atrações; além disso, fora invadida por multidões de lepro­ sos vindos até de nações limítrofes com o Amazonas, atraí­ dos pela notícia da descoberta de uma erva que, diziam, curava a terrível doença. A pobreza do povo também con­ trastava com o padrão de vida da outra América. Aprovei­ tou-se de tudo isso o diabo para desanimar os recém-chega- dos. Estes, contudo, vieram por ordem do Rei dos reis: nada os amedrontaria nem os faria recuar". Emílio Conde narra, a seguir, como foi solidificado o Movimento Pentecostal do Brasil e a fundação da Assem­ bléia de Deus em nossa pátria: "Por insistência de alguns passageiros com os quais vi­ ajaram, os missionários Gunnar Vingren e Daniel Berg hos­ pedaram-se num modesto hotel, cuja diária completa era de oito mil réis. Em uma das mesas do hotel, o irmão Vingren encontrou um jorn al que tinha o endereço do pastor metodista Justus Nelson. No dia seguinte, foram procurá- lo, e contaram-lhe o que Deus fizera com eles.
  28. 28. FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO "Com o Daniel Berg e Gunnar Vingren estivessem até aquele momento ligados à Igreja Batista na América (as igre­ jas que aceitavam o avivamento permaneciam com o mes­ mo nome), Justus Nelson acompanhou-os à igreja batista, em Belém, e apresentou-os ao responsável pelo trabalho, Raimundo Nobre. E, assim, os missionários passaram a morar nas dependências da igreja. "Alguns dias depois, Adriano Nobre, que pertencia à igreja presbiteriana, e morava nas ilhas, foi a Belém avistar- se com o primo Raimundo Nobre. Este apresentou os mis­ sionários a Adriano que, de imediato, mostrou-se interessa­ do em ajudá-los. Adriano, que falava inglês, convidou-os, então, a passarem alguns meses nas ilhas. "E foi um a su rp resa para os m orad ores do Rio Tajapurú a chegada dos m issionários suecos em com pa­ nhia de Adriano que possuía várias propriedades na re­ gião. O local em que se hospedaram cham ava-se Boca do Ipixuna. "É de se supor que os missionários ficassem surpresos com a exuberância e armadilhas da selva. "Eles passaram a morar no quarto de Adrião, irmão de Adriano. Adrião, que nesse tempo ainda não éra cren­ te, contou que ficara impressionado com a vida de oração dos jovens missionários. A qualquer hora da noite que des­ pertasse, lá estavam os jovens orando, a sós com Deus, em voz baixa, para não incomodar os que dormiam. "A o fim de algum tempo, os missionários voltaram a Belém, e continuaram a freqüentar a igreja batista. Agora já podiam falar português. Vingren continuou a estudar a lín­ gua, enquanto Daniel trabalhava como fundidor. Passado algum tempo, Berg começou a dedicar-se ao trabalho de colportagem. "Os avivamentos nascem na oração, e aqueles que vi­ vem nos avivamentos alimentam-se da oração. Como os jovens missionários tinham o coração avivado pelo Espírito Santo, oravam de dia e de noite. Eles oravam sem cessar.
  29. 29. HAMA ARDERÁ CONTINUAMENTE "Esse fato chamou a atenção de alguns membros da igre- a, que passaram a censurá-los, considerando-os fanáticos por dedicarem tanto tempo à oração. Mas isso não os abala- a. Com desenvoltura e eloqüência, pregavam a salvação em Cristo Jesus e o batismo com o Espírito Santo, sempre baseados nas Escrituras. "E, assim, alguns membros daquela igreja batista cre- ram nas verdades do Evangelho Completo que os missio­ nários anunciavam. Os primeiros a declararem publicamen­ te sua crença nas promessas divinas foram as irmãs Celina Albuquerque e Maria Nazaré. Elas não somente creram, mas determinaram permanecer em oração até que Deus as bati­ zasse com o Espírito Santo conforme o que está registrado em Atos 2.39. "Numa quinta-feira, à uma hora da manhã de dois de junho de 1911, na Rua Siqueira Mendes, 67, na cidade de Belém, Celina de Albuquerque, enquanto orava, foi batiza­ da com o Espírito Santo. Começaria aí, também, a luta acir­ rada contra uma verdade doutrinária tão bem documenta­ da nas Sagradas Escrituras - a atualidade do batismo com o Espírito Santo e dos dons espirituais. "Logo que amanheceu, a irmã Nazaré apressou-se em ir à casa de José Batista de Carvalho, na Avenida São Jerônim o, 224, a levar as boas novas de que C elina Albuquerque recebera a promessa. Na casa de José Batista, achavam-se reunidos vários irmãos, entre eles, Manoel Ro­ drigues, que até então era diácono da igreja batista. Mais tarde, testemunharia o irmão Manoel: Foi nesse momento que passei a crer no batismo do Espírito Santo. "O acontecim ento foi im ediatam ente divulgado. Na igreja batista, alguns creram, porém outros não se predis­ puseram a, sequer, a compreender a doutrina do Espírito Santo. Dois partidos estavam criados. "Nesse dia, o culto mais parecia um campo de disputas, um duelo de palavras. Alguns crentes, aferrados a um tradicionalismo sem qualquer base bíblica, ameaçavam exal-
  30. 30. FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO tadamente os partidários da doutrina que tanto caracteri­ zara a Igreja Primitiva e os grandes avivamentos que se su­ cederam. "Após o culto, vários irmãos resolveram ir à casa da irmã Celina a fim de verificarem, pessoalmente, o que estava acon­ tecendo. Entre aqueles que foram à rua Siqueira Mendes, encontrava-se José Plácido da Costa, Antônio Marcondes Garcia e esposa, Antônio Rodrigues e Raimundo Nobre. "No dia 10 de junho, a igreja estava em efervescência. Ninguém faltou. A irmã Celina, que fora batizada com o Espírito Santo, compareceu, porém não lhe permitiram que dirigisse a classe de Escola Dominical. O irmão José Plácido da Costa, conquanto superintendente desta, nada pôde fa­ zer a respeito. "A igreja ainda não tinha pastor. Foi então que Raimundo Nobre, sem qualquer autoridade legal, convo­ cou a igreja para reunir-se extraordinariamente no dia 12. "N esse dia, Raimundo Nobre apoderou-se do púlpito, e atacou os partidários do Movimento Pentecostal. O gru­ po atacado reagiu como outrora reagiram os discípulos quando ameaçados pelo Sinédrio. E lá estava a irmã Celina exaltando a Cristo em línguas estranhas. Não havia m ais o que se discutir; as posições estavam definidas. Nesse m o­ mento, Raimundo Nobre, de forma arbitrária, propôs que ficassem de pé todos aqueles que aceitavam a doutrina do Espírito Santo. "A maioria pôs-se de pé. "Imediatamente Raimundo Nobre propôs à minoria que excluísse a maioria. Não poderia haver ilegalidade mais fla­ grante. Os membros atingidos, porém, não se atemoriza­ ram. O irm ão M anoel Rodrigues levantou-se e, ousa­ damente, leu em Atos dos Apóstolos 2.39, onde claramente está escrito: Porque a promessa voz diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe; a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar. O irmão Plácido também se le­ vantou, e leu em 2 Coríntios 6.17,18. A seguir, os "rebeldes"
  31. 31. HAMA ARDERÁ CONTINUAMENTE oraram, e, de mãos erguidas, dando glória ao Cristo ama­ do, abandonaram o local. "Para conhecimento da posteridade, registramos aqui os nomes dos que, arbitrariamente, foram excluídos daque­ la igreja batista por haverem recebido a fé apostólica: Celina e seu marido Henrique de Albuquerque; Maria Nazaré; José Plácido, Piedade e Prazeres da Costa, estas, respectivamen- te esposa e filha daquele; Manoel Maria Rodrigues e espo­ sa, Jerusa Rodrigues; Emília Dias Rodrigues; Manoel Dias Rodrigues; João Domingues; Joaquim Silva; Benvindo Sil­ va, Teresa Silva de Jesus e Isabel Silva, respectivamente es­ posa e filhos; José Batista de Carvalho e esposa, Maria José de Carvalho; Antônio Mendes Garcia. Dessa lista, 17 eram membros, e os outros, menores de idade. "A pós os empolgantes acontecimentos que duraram exatamente dez dias, o pequeno grupo, no dia 18 de junho de 1911, convidou Daniel Berg e Gunnar Vingren a compa­ recerem na rua Siqueira Mendes, 67, em Belém. Com estas 17 pessoas, expulsas arbitrariamente da igreja batista, fun- dava-se a Assembléia de Deus que, nas décadas seguintes, espantaria o mundo com a pujança de seu crescimento. "Em tudo isso, pode-se notar a mão de Deus operando através de homens e mulheres humildes. Como se vê, esta obra não pertence a homem algum, mas a Deus somente. "A nova igreja estava livre para evangelizar. E, ousadamente, anunciava a salvação, a cura divina, o batismo com o Espírito Santo e a volta de Jesus. Estavam todos cheios do poder de Deus. Em resposta às suas orações, o Senhor operava sinais e maravilhas. Vivificando cada testemunho e sermão, o Espírito Santo convencia os mais vis pecadores. Emílio Conde realça o espírito missionário da nova igreja: "Haviam-se passado apenas dois anos desde que a As­ sembléia de Deus iniciara suas atividades em terras brasi­ leiras. Talvez alguém pensasse ser ainda muito cedo para enviar missionários a outros países. Mas, para Deus, o tem­ po oportuno é sempre hoje. O agora é o tempo de Deus.
  32. 32. FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO "Ao iniciar-se o ano de 1913, Gunnar Vingren sentiu que devia falar a José Plácido da Costa sobre a necessidade de se levar as Boas Novas a outras terras. O missionário Vingren foi direto ao assunto: Irmão Plácido, por que não vai pregar o Evangelho ao povo português? Embora não pudesse res­ ponder afirmativamente naquele momento, Plácido da Cos­ ta compreendeu que esta era a vontade de Deus. "A mensagem pentecostal traz, em si, o espírito missio­ nário. Como resistir ao apelo da Grande Comissão? Foi assim na Igreja Primitiva, e não poderia ser diferente em nossos dias. Por este motivo, o irmão Plácido não pôde re­ sistir ao chamado divino. "No dia 4 de abril de 1913, José Plácido da Costa e famí­ lia embarcaram no navio Hildebrand, na cidade de Belém, com destino a Portugal. Essa foi a primeira demonstração viva e prática do espírito missionário de uma igreja que con­ tava apenas dois anos de organização. "Segundo o relatório prestado por Plácido da Costa, o trabalho em Portugal foi estabelecido logo no mês seguinte. Ou seja: em maio de 1913. A mensagem pentecostal já era triunfante em terras lusitanas". CONCLUSÃO A oração de Habacuque não foi esquecida: "Senhor, avi­ va a tua obra". Desde aqueles dias até hoje, vem Deus reavivando sua obra. Não obstante nossas fraquezas, seu poder vem operando eficazmente em cada um de seus fi­ lhos. Operando Ele, quem impedirá? Não podemos viver sem avivamento. Ore por um urgente despertar na casa de Deus; em bre­ ve, virá Cristo buscar a sua Igreja. E se não estivermos prepa­ rados? O que acontecerá conosco? Não podemos perder as visitações que nos quer mandar o Senhor da Seara. Aviva­ mento não é privilégio; acima de tudo, é o sopro que impul­ siona a Igreja de Cristo. Todavia, o que é, realmente, um avi­ vamento? E o que entraremos a ver no próximo capítulo.
  33. 33. :h a m a a r d er á c o n t in u a m en t e QUESTIONÁRIO 1. Que testemunho nos dá Tertuliano acerca do avivamen­ to? 2. O que disse Agostinho sobre os dons espirituais? 3. Podemos considerar Martinho Lutero um verdadeiro pen­ tecostal? 4. Por que Wesley é considerado um dos pais do Movimen­ to Pentecostal? 5. Discorra sobre o avivamento nos Estados Unidos? 6. Quando teve início o moderno Movimento Pentecostal? 7. Faça um resumo da história do Movimento Pentecostal no Brasil.
  34. 34. 0 QUEEO AVIVAMENTO SUMÁRIO: Introdução; I. Definindo o Avivamento; II. O Objetivo do Avivamento; III. O Avivamento no Antigo Testamento; IV. O Avi­ vamento no Novo Testamento; Conclusão; Questionário. INTRODUÇÃO Quando Moody chegou à Inglaterra, talvez não imagi­ nasse o que tencionava fazer o Senhor naquelas ilhas. Bas­ taram, porém, os primeiros dias de labor, e agora já com­ preendia estar sendo usado para conduzir um dos maiores avivamentos da história da Igreja Cristã. Se tomarmos em­ prestada a figura cristalizada pelo pastor Boanerges Ribei­ ro, diríamos ter-se incendiado a seara naquele pedaço de Europa, que já começava a perder a pujança dos avivamen­ tos anteriores. Recuemos no tempo, e perguntemos a Moody: "O que é o avivamento?"
  35. 35. FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO Vivendo-o intensamente, o evangelista norte-americano responder-nos-á tratar-se de um movimento do Espírito Santo. Que é um movimento do Espírito, não há dúvida. O difícil, entretanto, é definir esse poderoso mover do Espíri­ to Santo que tem muito do vento mencionado pelo Senhor. Um vento que sopra onde quer; ouvimos-lhe a voz; não sa­ bemos porém de onde vem, nem para onde vai. Como as perguntas recusam-se a calar, garimpemos uma definição. I. DEFININDO 0 AVIVAMENTO Não busco aqui discutir qual a terminologia mais corre­ ta: avivamento ou reavivamento? Difiram embora quanto ao étimo, sinonimizou-as a história da Igreja Cristã. Hoje, ambos os vocábulos são usados quase que indiferentemen­ te. Como avivamento tornou-se um termo mais comum nos arraiais evangélicos luso-brasileiros, optemos por ele. O avivamento pode ser definido como o retorno aos princípios que caracterizavam a Igreja Primitiva. É o retor­ no à Bíblia como a nossa única regra de fé e prática. É o retorno à oração como a mais bela expressão do sacerdócio universal do cristão. É o retorno às experiências genuínas com o Cristo, sem as quais inexistiria o corpo místico do Senhor. É o retorno à Grande Comissão, cujo lema continua a ser: "...até aos confins da terra..." O avivamento, enfim, é o reaparecimento da Igreja como a agência por excelência do Reino de Deus. De acordo com Arthur Wallis, o avivamento é a inter­ venção divina no curso normal das coisas espirituais: "É o Senhor desnudando o seu braço e operando com extraordi­ nário poder sobre santos e pecadores". Depois de haver reanimado tantas igrejas que jaziam à morte, Charles Finney já tinha condições de afirmar ser o avivamento um novo começo de obediência a Deus. Onde buscaríamos outras definições? Em Lutero? Wesley? Ou,
  36. 36. ÍEÉ O AVIVAMENTO quem sabe, naqueles puritanos que procuravam alicerçar 'ua fé em experiências cada vez mais vividas? Infelizmente, não podemos esquecer-nos dos céticos. Ao invés de estudarem o avivamento como um todo, vêem-no apenas como um "movimento dentro da tradição cristã que enfatiza o apelo da religião à natureza emotiva e afetiva dos indivíduos". Não! O avivamento não é só emoções. Não é só carga afetiva, nem aquela euforia que hoje nos embala, e ama­ nhã desaparece como que por taumaturgia. Leve-nos embora às mais ruidosas manifestações, não é este o seu objetivo primacial, conforme acentuaria Ernest Baker: "Um avivamen­ to pode produzir barulho, mas não é nisso que ele consiste. O fator essencial é a obediência de todo o coração". Ficássemos aqui a rebuscar outras definições, ver-nos-íamos obrigados a produzir volumosa antologia do que disseram e afirmaram os campeões do Evangelho. Seguindo, contudo, o conselho de Horatius Bonar, lancemo-nos a clamar pelo mo­ vimento do Espírito Santo. Vejamos, em primeiro lugar, qual o seu real objetivo. II. 0 OBJETIVO DO AVIVAMENTO O principal objetivo do avivamento é manter a Igreja com o a agência por excelência do Reino de D eus. E preservar-lhe as características de movimento. E arrancá-la ao denominacionalismo. E compungi-la a reassumir aquela missão que lhe deu o Cristo de forçar as portas do inferno. E conscientizá-la de que é, na verdade, um organismo e não uma organização que jaz sepultada em tradições meramente humanas. Segundo J. Edwin Orr, o avivamento visa reconduzir a Igreja aos tempos de refrigério. Tempos estes que, estar no cenáculo, não era privilégio apenas daqueles que comparti­ lhavam da experiência readquirida na rua Azuza no princí­ pio do século XX; era um privilégio de todo o povo de Deus. Mas para que estejamos no cenáculo com os 120, faz-se ne­
  37. 37. FUNDAMENTOS.BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO cessário vigiarmos com o Senhor no Getsêmani. Faz-se ur­ gente chorar por um avivamento até que este ressurja ape­ sar dos olhos pesados e do coração sonolento. Enfim, o objetivo primordial do avivamento é levar a Igreja a agir como Reino de Deus. Igreja avivada não é ins­ titu ição ; é o R eino em m ovim ento. E n carava assim Habacuque a Obra de Deus. III. 0 AVIVAMENTO NO ANTIGO TESTAMENTO Foi num momento de profunda crise, que Habacuque lançou o pungente e inadiável clamor: "Aviva a tua obra, ó Senhor, no decorrer dos anos, e no decurso dos anos faze-a conhecida" (Hc 3.2). Se nos detivermos nos sucessos imedi­ atos da história do povo de Deus, seremos forçados a con­ cluir: a súplica do profeta não foi ouvida, porquanto Judá estava prestes a desaparecer como reino. Com a herança de Jacó, pereceriam Jerusalém e o Santo Templo. Não obstante tais contrários, a alma do profeta persistia a gritar: "Aviva a tua obra, ó Senhor". De uma forma ou de outra, o Senhor ouviu-lhe a prece. E certo que os tempos de refrigério não vieram de imediato; o exílio já campeava pelas cercanias da Cidade Santa. Mas quem disse ser o avivamento só bonança? Não fora a de­ portação à Babilônia; não fora esta amarga disciplina que, em tudo, se mostrava castigo; não fora este açoite de Jeová que levou Jeremias a escrever as Lamentações, os hebreus te­ riam desaparecido como povo, e como congregação do Se­ nhor haveriam de desaparecer para sempre. A oração do profeta não deixou de ser ouvida; seu grito jamais se perderia no vazio. Habacuque não foi o único representante da Antiga Ali­ ança a preocupar-se com o avivamento. Implícita ou expli­ citamente, os profetas todos de outra coisa não se ocupa­ ram que não fosse em manter reavivada a flama da Obra de Deus. Logo nos primórdios da raça, vemos brotar e flores­
  38. 38. : QUE É 0 AVIVAMENTO cer um avivamento: "A Sete nasceu-lhe também um filho, ao qual pôs o nome de Enos: daí se começou a invocar o nome do Senhor" (Gn 5.26). Deste movimento, do qual sa­ bemos tão pouco, dependeria a sobrevivência do plano di­ vino naqueles idos já tão obscuros. Não começassem os an­ tigos a invocar o Senhor, não teríamos um Enoque piedoso nem um Noé incorruptível. A semente de Adão não teria vingado, nem arca alguma teria sido construída para flutu­ ar no dilúvio de Deus. Os avivamentos não pararam aí. Como as ondas da praia, os avivam entos fluíam e refluíam. Avivamento é a luta de Jacó com o anjo em Jaboque. E o fogo do altar que arde contínua e incessantemente. É a lira de Davi que se nega a calar mesmo refugiada. E a presen­ ça de Deus que enche o Santo Templo, e empana de Salomão a singular glória. É Elias que desafia os profetas de Baal no atônito Carmelo. E Eliseu que mantém a escola de profetas num Israel que se paganizava. Avivamento é a coragem de Amós e o amor sofrido de Oséias; a intemperança missioná­ ria de Jonas e o serviço de Ageu e Zacarias. Ainda que outros casos possam ser citados, não ha­ veríam os de esquecer o exem plo clássico de Josias. O avi­ vam ento prom ovido por este piedoso m onarca judaíta foi essencialmente evangelical. Em nada difere dos m ovimen­ tos desencadeados por Moody, Finney ou Spurgeon. Tudo com eçou quando o Livro da Lei foi achado no Santo Tem­ plo (2 Cr 34.14-17). Infelizm ente, a revolução espiritual encetada por esse santo rei seria insuficiente para salvar a nação da tragédia de 586 a.C. O avivam ento durou en­ quanto viveu Josias; m orrendo este, foi sepultado o avi­ vam ento. No encerramento do cânon do Antigo Pacto, contudo, dá Malaquias a entender que, apesar das ameaças todas que pairavam sobre a verdadeira religião, o Reino de Deus ja­ mais seria inumado. O Sol da Justiça haveria de refulgir e trazer salvação sob suas asas (Ml 4).
  39. 39. FUNDAM ENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAM ENTO IV. 0 AVIVAMENTO NO NOVO TESTAMENTO Desde a derradeira profecia do Antigo Testamento, passar-se-iam cerca de quatrocentos anos até que a voz de um arauto do Senhor ecoasse por toda a Judéia. Voz solitária; em tudo, singular. Tinha, porém, muito do Testamento Antigo. As cores do sacerdócio e os matizes do profetismo de Moisés, Samuel e Elias, tinha aquela voz. Dir-se-ia que os profetas todos ali aportaram, para dar início ao novo pacto. No Novo Testamento, não encontramos a palavra avivamen­ to. E para quê? A essência da aliança nova éjustamente a vida que se refaz em cada um dos evangelhos, espalhando-se em Atos, nas epístolas e na revelação de Patmos. O avivamento jamais esteve ausente do organismo que, concebido na Galiléia dos Gentios, veio à luz no cenáculo no Dia de Pentecostes. Na célebre declaração de Cesaréia, já havia afirmado o Cristo: "Bem-aventurado és tu, Si- mão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus. Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do infer­ no não prevalecerão contra ela" (Mt 16.17,18). Em essência, o que significa esta declaração? Que a Igreja haveria de ser não uma mera organização; e, sim um organis­ mo! E, como tal, a vida jamais a deixaria; renovar-se-ia em suas Escrituras e revelações, em suas ordenanças e ministérios, em suas celebrações e adoração, em seus dons e carismas; em sua própria natureza, renovar-se-ia. Os Atos e epístolas despertam-nos a viver não uma nova religião; e, sim, um movi­ mento em expansão permanente. Um movimento que não pôde ficar em Jerusalém, nem se deter na Judéia. Um movimento que invadiria Sicar. E, agora, em Antioquia, prepara-se a conquistar o império do Tibre. E, de fato, tomou o mundo vassalo! CONCLUSÃO Na Epístola aos Efésios, sintetiza Paulo como deve andar a Igreja de Cristo: "Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus
  40. 40. ÉO AVIVAMENTO Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo" (Ef 1.3). Sim, para o apóstolo que era tão íntimo de Deus, a Igreja de Cristo não haveria de trafegar r.outrolugar que não fossem as regiões celestiais. Isto implica num viver de vida em vida. Renovando-se sempre. Avivando-se con­ tinuamente. Reavivando-se a cada estação. O avivamento evangélico implica num viver contínuo nas regiões celestiais em Cristo Jesus. Implica em nunca deixar mor­ rer o amor primeiro. Mas se tal vier a ocorrer, o avivamento já não tem de esperar. Se este não for buscado, a advertência do Cristo toma-se mais que enérgica: "Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lem bra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, breve­ mente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não se arre- penderes" (Ap 2.4.5). Avivamento é retomo. É um retomo ao amor primeiro e so­ frido do Calvário. Sem ele, pode haver até igreja enquanto insti­ tuição, jamais porém como Reino de Deus. QUESTIONÁRIO 1. O que é o avivamento? 2. Qual o objetivo do avivamento? 3. Cite os nomes de três grandes avivalistas? 4. Qual o primeiro indício de avivamento no Gênesis? 5. Que Rei de Judá promoveu um grande avivamento? 6. Qual a duração do avivamento promovido por Josias? 7. Você pode citar outros indícios de avivamento no Anti­ go Testamento? 8. Que profeta do Antigo Testamento usou o verbo avivar? 9. A palavra avivamento é encontrada no Novo Testamento? 10. Que igreja do Novo Testamento vivia nas regiões celestes?
  41. 41. III 0 AVIVAMENTOEA SOBERANIADAS SAGRADAS ESCRITURAS SUMÁRIO: Introdução; I. A Bíblia É a Inspirada Palavra de Deus; II. A Palavra de Deus É Inerrante; III. A Palavra de Deus É Infalível; IV. A Palavra de Deus É a Suprema Autoridade em Matéria de Fé, Prática, Conduta e tudo o que Diz Respeito ao Relacionamento do Homem com o seu Criador e com o seu Semelhante; V. A Clareza dãsx Escrituras Sagradas; VI. A Necessidade das Sagradas Escrituras; VII. A Suficiência da Palavra de Deus; Conclusão; Questionário. INTRODUÇÃO Alguém afirmou, certa vez, que o Pentecostalismo é um movimento à procura de uma teologia. Todavia, se estudar­ mos atentamente o avivamento pentecostal, deparar-nos- emos com outra realidade: os pentecostais, desde o seu nascedouro, sempre se preocuparam com a doutrina bíblica, e jamais descuraram de suas bases teológicas. Haja vista as
  42. 42. FUNDAMENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO Assembléias de Deus. Anunciando o Evangelho Pleno de Cristo, nossos pioneiros, sempre com base nas Sagradas Es­ crituras, ensinavam fervorosamente que Jesus salva, batiza no Espírito Santo, cura as enfermidades, opera sinais e mara­ vilhas e que, em breve, voltará para arrebatar a sua Igreja. Fôssemos, de fato, um movimento à procura de uma teologia, estaríamos, hoje, no rol das seitas. Achamo-nos, porém, entre as igrejas mais bíblicas, ortodoxas e conserva­ doras. Segundo Hank Hanegraaf, presidente do Instituto Cristão de Pesquisas, encontram-se os teólogos pentecostais entre os mais bíblicos, conservadores e coerentes. Isto não significa, entretanto, que não haja desvios doutrinais isola­ dos na comunidade de fé pentecostal; infelizmente há como o há nas demais confissões evangélicas. Todavia, sempre fi­ zemos questão de confessar, particular e publicamente, ser a Bíblia Sagrada a inspirada, infalível, inerrante e completa Palavra de Deus. Quanto aos desvios, são devidamentes corrigidos. Neste capítulo, haveremos de mostrar que uma das ca­ racterísticas do verdadeiro avivamento é ter a Bíblia como irrecorrivelmente soberana. Se a não elegermos como a nossa única regra de fé e prática, jamais viveremos um autêntico avivamento; pois este não pode ser dissociado das Sagra­ das Escrituras. I. A BÍBLIA É A INSPIRADA PALAVRA DE DEUS Realçando a inspiração e a singular beleza da Bíblia, escreveu Thomas Browne: "A Palavra de Deus, pois é o que creio serem as Sagradas Escrituras; se se tratasse de obra do homem, seria a mais singular e sublime, desde o primeiro instante da Criação". Diante da assertiva de Browne, não podemos evitar a interrogação: Não fosse a Bíblia a inspira­ da Palavra de Deus, teria ela todos esses donaires e encan­ tos? Os livros das outras religiões, apesar de toda a aparên­ cia de piedade, são desestimulantes justam ente por não
  43. 43. O AVIVAMENTO E A SOBERANIA DAS SAGRADAS ESCRITURAS possuírem os enlevos dos profetas hebreus e a devoção dos apóstolos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Sendo porém a Bí­ blia, o Livro dos livros, pode ser continuamente lida sem jamais perder os seus ímpares e celestiais atrativos. Aliás, é a Bíblia a causa da beleza dos idiomas mais desen­ volvidos e admirados por sua exatidão. Se o alemão até Lutero era contado entre as línguas bárbaras, a partir da tradução que o reformador fez das Sagradas Escrituras, passou a figurar, em que pese suas idiossincrasias, como o mais perfeito instrumento da teologia, da filosofia e das ciências. E a Bíblia da Inglaterra? Macaulay, extasiado pelas peregrinas formosuras desta tradu­ ção, que teve no rei Tiago o seu maior incentivador, dá-nos este testemunho sobre a influência espiritual e literária da Pa­ lavra de Deus: "A Bíblia inglesa - um livro que se todo o resto escrito em nossa língua perecesse, seria ainda suficiente para mostrar toda a extensão de sua beleza e poder". Prova-nos isto serem as Sagradas Escrituras a inspirada Palavra de Deus; sem esta inspiração seria impossível a sua beleza. 1. O que é inspiração. Proveniente do vocábulo latino inspiratione, a palavra "inspiração" evoca o ato de inspirar-se ou de ser inspirado. Fisiologicamente, é a ação de introduzir o ar nos pulmões, de inspirar. 2. Sentido original da palavra grega. Se nos voltarmos ao grego koinê, verificaremos que a palavra inspiração, pro­ veniente de dois vocábulos: Theo, Deus e pneustos, sopro, en­ cerra um altíssimo significado. Literalmente, significa, no idi­ oma no qual foi escrito o Novo Testamento, aquilo que é dado pelo sopro de Deus. 3. Definição teológica. Já que sabemos o significado original da palavra inspiração, podemos dar-lhe a seguin­ te definição teológica: "Ação sobrenatural do Espírito Santo sobre os escritores sacros, que os levou a produzir de ma­ neira inerrante, infalível, única e sobrenatural, a Palavra de Deus - a Bíblia Sagrada" (Dicionário Teológico da CPAD). Embora largamente ensinada em todos os seminários conservadores, vem esta verdade sofrendo repetidos ata­
  44. 44. FUNDAM ENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAM ENTO ques de Satanás. Alguns buscam igualar a inspiração da Bíblia a uma inspiração literária qualquer como a tiveram Homero, Virgílio, Camões e Castro Alves. Estamos, contu­ do, lidando com uma singularíssima inspiração: divina e não humana; única e de maneira alguma comum; achamo- nos diante de um milagre na área do conhecimento que, começando a atuar em Moisés, foi encerrado no evangelista João na ilha de Patmos. Observemos que, em todos os avivamentos, foi a inspi­ ração da Bíblia destacada excelsamente. Tomemos como exemplo, uma vez mais, o Movimento Pentecostal. De seu nascedouro aos dias de hoje, jamais transigimos em relação a este artigo de fé. 4. A inspiração plenária e verbal da Bíblia Sagrada. Assegura esta verdade ser a Bíblia, em sua totalidade, pro­ duto da inspiração divina. Quando proclamamos que a ins­ piração da Bíblia é plenária, afirmamos, explicitamente, que todos os seus livros, sem qualquer exceção, foram totalmente inspirados por Deus. E quando asseveramos que a sua ins­ piração é também verbal, queremos deixar bem claro que o Espírito Santo guiou os seus autores não somente quanto às idéias, mas também quanto às palavras dos arcanos e con­ certos do Altíssimo (2 Tm 3.16). A inspiração plenária e verbal da Bíblia não elim inou, porém , a participação dos profetas e apóstolos de Nosso Senhor no processo de sua produção. Porque foram to­ dos eles usados de acordo com seus traços personais, ex­ periências e estilos literários. Mas, sempre guiados e ins­ pirados pelo Espírito Santo, atuaram de m aneira absolu­ tam ente inerrante. E por isto que aceitam os, sem quais­ quer reservas, a Bíblia Sagrada como a nossa única regra de fé e prática. 5. Declaração doutrinária das Assembléias de Deus no Brasil. Àqueles que nos acusam de sermos um movimento à procura de uma teologia, deixamos aqui um dos mais im­ portantes artigos de nosso credo: "Cremos na inspiração ver­
  45. 45. O AVIVAMENTO E A SOBERANIA DAS SAGRADAS ESCRITURAS bal da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé normativa para a vida e o caráter cristão". Pode um m ovimento sem teologia ou doutrina ser tão cristalino quanto o Pentecostalism o? Conquanto acredi­ temos nos dons espirituais, entre os quais o da profecia, não os colocam os acim a da Bíblia; acham -se subm issos a esta e por esta são julgados conform e no-lo recom enda o apóstolo Paulo. Som ente as Sagradas Escrituras possu­ em a necessária inerrância e infalibilidade para julgar to­ das as coisas. James H. Rayley, Jr., um dos mais abalizados teólogos pentecostais expõe, mui apropriadamente, como estes enca­ ram a Bíblia Sagrada: "Reconhecemos também que somente a Bíblia, por ser a Palavra de Deus, tem a resposta definitiva. Todas as palavras meramente humanas são, na melhor das hipóteses, meros ensaios, e só são verdadeiras à medida que se harmonizam com a revelação da Bíblia. Não nos conside­ ramos superiores em virtude de nossas experiências. Pelo contrário: somos companheiros que, ao longo da viagem, desejam compartilhar o que têm aprendido a respeito de Deus e de suas diversas maneiras de lidar conosco". II. A PALAVRA DE DEUS É INERRANTE Não são poucos os teólogos que, aparentando piedade, e mostrando-se fervorosos defensores da Bíblia Sagrada, afirmam que esta, de fato, é inerrante, mas apenas quanto às questões doutrinais e teológicas. Quanto às outras ques­ tões, não desfruta ela da mesma inerrância. Ora, quem de nós confiaria o seu destino eterno a um livro parcialmente inerrante? E se é parcialmente inerrante, não estaria toda a sua inerrância com prom etida? M eio inerrância não é inerrância; é meia verdade, e meia verdade não passa, às vezes, de uma mentira completa. Pode acaso Deus mentir? Ou faltar com a verdade? Que seja Deus verdadeiro e todo homem mentiroso!
  46. 46. FUNDAM ENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAM ENTO Os p en teco stais sem pre d efen d em os a absolu ta inerrância da Bíblia. Sem este preciosíssimo instituto da teo­ logia evangélica, seria ela um admirável livro, jamais a Pa­ lavra de Deus. Quem pode negar as belezas de Homero, Virgílio e Shakespeare? Eles, todavia, não eram inerrantes como inerrantes não são os escritores atuais. Não passavam de poetas que, desfrutando de uma inspiração natural, pro­ duziram obras perfeitamente estéticas, mas espiritualmen­ te imperfeitas e eivadas de erros filosóficos e teológicos. Vejamos, pois, o que significa inerrância no âmbito bí- blico-teológico. 1. O que é a inerrância. A palavra inerrância é oriun­ da do vocábulo latino inerrantia, e significa "qualidade do que é inerrante"; que não contém quaisquer erros. Sen­ do, pòis, a Bíblia inerrante, logo se conclui que ela tam ­ bém é perfeita. Quanto aos que a rejeitam , para a sua pró­ pria ruína e danação eterna a rejeitam. Acerca dos tais, afirma Walter B. Knight: "O s hom ens não rejeitam a Bí­ blia porque ela se contradiz, mas porque ela contradiz os hom ens". Pode haver contradição m aior do que aceitar a Bíblia como a inspirada Palavra de Deus, e rejeitá-la como inerrante? 2. Definição teológica. Em nosso Dicionário Teológico, damos a seguinte definição de inerrância da Bíblia: "D ou­ trina, segundo a qual a Bíblia Sagrada não contém quais­ quer erros. Ela é, pois, inerrante em todas as informações que nos transmite, e, nos propósitos que esboça. O testemu­ nho da arqueologia e das ciências afins tem confirmado a inerrância da Bíblia. Por conseguinte, a inerrância da Bíblia Sagrada é plena e absoluta". Som ente aqueles que se deixam contam inar pelo ví­ rus do m odernismo teológico ousariam negar a inerrância das Sagradas Escrituras. Pois esta doutrina acha-se pa­ tente em toda a Bíblia. Foi exatamente isto o que nos trans­ m itiram os fundadores do M ovim ento Pentecostal. E ja ­ mais transigirem os quanto a este princípio: a nossa fé e
  47. 47. 3 AVIVAMENTO E A SOBERANIA DAS SAGRADAS ESCRITURAS segurança dependem de como encaram os a Palavra de Deus. Wayne Gruden a este respeito é mais do que cate­ górico: "A Bíblia sempre diz a verdade a respeito de to­ das as coisas de que trata". Os teólogos pentecostais, quer os primeiros, quer os últimos, sempre defenderam, ardentemente, a inerrância das Sagradas Escrituras. John R. Higgins discorre sobre o im p rescin d ív el artigo de fé: "C o n seq ü en tem en te, a inerrância é a qualidade que se espera da Escritura inspi­ rada. O crítico que insiste em haver erros na Bíblia (em algumas passagens difíceis) parece ter outorgado para si mesmo a infalibilidade que negou às Fscrituras. Um pa­ drão passível de erros não oferece nenhuma medida segu­ ra da verdade e do erro. O resultado de negar a inerrância é a perda de uma Bíblia fidedigna. Se for admitida a exis­ tência de algum erro nas Sagradas Escrituras, estaremos alijando a veracidade divina, fazendo a certeza desapare­ cer". Mais adiante, aduz o irmão Higgins: "A verdade de Deus é expressada com exatidão, e sem quaisquer erros, nas próprias palavras das Escrituras ao serem usadas na construção de frases. A verdade de Deus é expressada com exatidão através de todas as palavras da totalidade das Escrituras, e não meramente através das palavras de con­ teúdo religioso ou teológico". 3. O testemunho da própria Bíblia quanto à sua iner­ rância. Muitas são as assertivas da Bíblia quanto à própria inerrância. O salmista, enaltecendo a Deus por sua Palavra, compõe este belíssimo cântico: "As palavras do SENHOR são palavras puras como prata refinada em forno de barro e purificada sete vezes" (SI 12.6). Se recorrermos ao hebraico, constataremos que este versículo poderia ser desta forma ver­ tido: "As declarações do eterno são confiáveis e sinceras". Que outra literatura poderia erguer-se de forma tão sobranceira, e falar de sua própria autoridade e inerrância? Nos Lusíadas, Luis de Camões declara que o seu objeti­ vo é cantar a glória daqueles "barões assinalados" que, de­
  48. 48. FUNDAM ENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAM ENTO safiando os mares, dilatou o império de Portugal. Todavia carece o poeta, como ele mesmo o reconhece, de engenho e arte, a fim de que o seu poema atinja os objetivos propostos. Já o sábio Salomão, que também foi poeta, põe-se a versejar a pureza das Sagradas Escrituras: "Toda palavra de Deus é pura; escudo é para os que confiam nele" (Pv 30.5). Afiança o autor sagrado ser toda a Palavra de Deus refinada como se estivera no mais perfeito dos crisóis. Tudo nela é perfeito e inerrante. Houvesse na Bíblia algum erro, de que forma viríamos a acreditar que ela é a mais completa e absoluta verdade? Eis porque Moisés afirmou de maneira contun­ dente: "Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa; porventura, diria ele e não o faria? Ou falaria e não o confirmaria?" (Nm 23.19). Acredito que "perfeição" é o mais pleno sinônimo de "inerrância". Achando-se algo isento de erros, esse algo só pode ser perfeito. Foi por isto que o salmista cantou: "A toda perfei­ ção vi limite, mas o teu mandamento é amplíssimo" (SI 119.96). Nas Sagradas Escrituras, por conseguinte, não há quais­ quer erros, quer doutrinários, quer teológicos, sejam cultu­ rais, sejam geográficos, cronológicos ou lógicos. A Bíblia é absolutamente perfeita; logo inerrante. Ora, se é de fato inerrante, ela também é infalível. III. A PALAVRA DE DEUS É INFALÍVEL Professando a infalibilidade da Bíblia, asseverou Henry More: "A s Escrituras são infalíveis e, como Palavra de Deus, são também suficientes para conduzir o homem à Salvação em Cristo". Ressalvamos, desde já, que os pentecostais sem­ pre nos destacamos na defesa desta doutrina; de sua obser­ vância depende o nosso progresso e desenvolvimento na santíssima fé que nos entregou o Senhor Jesus. Aliás, não pode haver avivamento sem uma crença forte e mui crista­ lina acerca da infalibilidade da Bíblia Sagrada. O que vem a ser, porém, esta doutrina?
  49. 49. O AVIVAMENTO E A SOBERANIA DAS SAGRADAS ESCRITURAS 1. O que é a infalibilidade. Infalibilidade é um atributo exclusivo de Deus e de sua Palavra. É a qualidade, ou virtu­ de, daquilo que, sob hipótese alguma, pode falhar; é algo que não pode ser atingido pelo engano ou pelo erro. Se não pode falhar, esse algo também é sumamente perfeito. Lou­ vando a Deus pela perfeição de sua Palavra, escreveu o pre­ sidente norte-americano, Abraham Lincoln: "Eu creio que a Bíblia é a melhor dádiva que Deus ofertou ao homem. Toda a bondade do Salvador do mundo nos é comunicada atra­ vés deste livro". Conta-se que Lincoln, durante a Guerra Civil dos Estados Unidos, apegou-se de tal forma à Bíblia, e mui particularmente ao livro de Jó, pois tinha uma singular fé na infalibilidade das Escrituras Sagradas. E foi assim, que achou todos os consolos durante aquele período de lutas e de intensas agonias. 2. D efinição teológica. Afinal, como poderíam os de­ finir teologicam ente a doutrina da infalibilidade da Bí­ blia? Atenham o-nos a esta definição: "D outrina que en­ sina ser a Bíblia infalível em seus propósitos. Eis porque a Palavra de Deus pode ser assim considerada: 1) Suas prom essas são rigorosam ente observadas; 2) Suas profe­ cias cum prem -se de forma detalhada e clara (haja vista as Setenta Semanas de Daniel); 3) E o Plano de Salvação é executado apesar das oposições satânicas. Nenhum a de suas palavras jam ais caiu, nem cairá, por terra" (D icioná­ rio Teológico da CPAD). Uma das maiores provas da infalibilidade da Bíblia Sa­ grada é o derramamento do Espírito Santos nestes últimos dias. De repente o que parecia distante, e já história, começa a ocorrer e a assombrar o mundo. Cumprem-se as profecias de Joel, Isaías, João Batista e do próprio Cristo. E, a partir daí, ninguém mais foi capaz de conter as ondas do aviva­ mento pentecostal que, na plenitude do Espírito Santo, leva- nos a anunciar o Evangelho de Cristo até aos confins da ter­ ra. A Obra Pentecostal é uma realidade, porque a Palavra de Deus é infalível.
  50. 50. FUNDAM ENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAM ENTO 3. A Bíblia dá testem unho de sua infalibilidade. Os escritores sagrados sempre estiveram cientes de que a men­ sagem que Deus transmitia por seu intermédio era absolu­ tamente infalível. Escreveu Moisés, fazendo nítida distin­ ção entre a verdadeira e a falsa profecia: "Quando o tal pro­ feta falar tem nome do SENHOR, e tal palavra se não cum­ prir, nem suceder assim, esta é palavra que o SENHOR não falou; com soberba a falou o tal profeta; não tenhas temor dele" (Dt 18.22). Samuel foi de tal modo despertado a profetizar, que a Escritura dá-lhe este testemunho: "E crescia Samuel, e o SENHOR era com ele, e nenhuma de todas as suas palavras deixou cair em terra" (1 Sm 3.19). E o testemunho dos ou­ tros profetas? Todos eles inquestionavelmente infalíveis. Discorrendo sobre os arcanos proferidos por Jeremias, pres- ta-lhe Daniel este inequívoco testemunho de sua infalibili­ dade: "No ano primeiro do seu reinado, eu, Daniel, entendi pelos livros que o número de anos, de que falou o SENHOR ao profeta Jeremias, em que haviam de acabar as assolações de Jerusalém, era de setenta anos" (Dn 9.2). Se os escritores do Antigo Testamento tinham convic­ ção de que aquilo que escreviam era a mais pura verdade, o que não diremos dos escritores do Novo que viam o Antigo se cumprir de maneira tão fidedigna e fiel? Vejamos o teste­ munho de Mateus: "Tudo isso aconteceu para que se cum­ prisse o que foi dito da parte do Senhor pelo profeta" (Mt 1.22). O próprio Cristo fala da infalibilidade de sua Palavra: "Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passa­ rão" (Mc 13.31). Já no livro de Atos, testifica Lucas acerca da ressurreição de Jesus: "Aos quais também, depois de ter padecido, se apresentou vivo, com muitas e infalíveis pro­ vas, sendo visto por eles por espaço de quarenta dias e fa­ lando do que respeita ao Reino de Deus" (At 1.3). Eis porque os pentecostais temos a Bíblia Sagrada como a nossa única regra de fé e prática: ela é em tudo infalível. Por isto tem ela toda a autoridade sobre todos os negócios humanos.
  51. 51. 0 AVIVAMENTO E A SOBERANIA DAS SAGRADAS ESCRITURAS IV. A PALAVRA DE DEUS É A SUPREMA AUTORIDADE EM MATÉRIA DE FÉ, PRÁTICA, CONDUTA E TUDO O QUE DIZ RESPEITO AO RELACIONAMENTO DO HOMEM COM O SEU CRIADOR E COM O SEU SEMELHANTE Ao contrário dos judeus do tempo de Cristo e dos cató­ licos romanos, guiados mais por suas tradições do que pela Palavra de Deus, os pentecostais proclamamos ser a Bíblia a nossa única regra de fé e prática. Isto significa que a Pala­ vra de Deus, e somente ela, é a nossa inquestionável autori­ dade. Um dos mais fortes artigos de fé das Assembléias de Deus, tanto nos Estados Unidos como em outros países, é justamente este: "As Escrituras Sagradas, tanto o Antigo quanto o Novo Testamento, são inspiradas verbalmente por Deus. Elas são a revelação de Deus à humanidade, e nossa infalível e autorizada regra de fé e prática". Vejamos, antes de mais nada, o que significa autoridade. 1. Autoridade. Oriunda do vocábulo latino autoritatem, a palavra "au to rid ad e" significa: "D ireito absoluto e inquestionável de se fazer obedecer, de dar ordens, de estabe­ lecer decretos e, de acordo com estes, tomar decisões e agir, a fim de que cada decreto seja rigorosamente observado". Ora, sendo a Bíblia Sagrada a suprema autoridade em matéria de fé e conduta, em hipótese alguma haverá de ser questionada. Os teólogos pentecostais não poderíamos vê-la doutra forma. 2. Definição teológica. Teologicamente, assim podemos definir a autoridade da Bíblia Sagrada: "Poder absoluto e inquestionável reivindicado, demonstrado e sustentado pela Bíblia em matéria de fé e prática. Tal autoridade advém-lhe do fato de ela ser a inspirada, inerrante e infalível Palavra de Deus". (Dicionário Teológico da CPAD). Por que a Bíblia é assim considerada? Stanley Horton e William W. Menzies, dois dos maiores expoentes do Avi-
  52. 52. FUNDAM ENTOS BÍBLICOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAM ENTO vamento Pentecostal, respondem-nos: "A origem divina e autoridade das Escrituras asseguram-nos ser a Bíblia tam­ bém infalível, ou seja: incapaz de erro, ou de orientar de maneira enganosa, ludibriadora ou desapontadora a seus leitores. Alguns eruditos estabelecem distinção entre a inerrrância (estar isenta de erro) e a infalibilidade, mas am­ bos os termos são sinônimos bem próximos". Vejamos, a seguir, como a Bíblia fala acerca de sua inquestionável autoridade tanto em matéria de fé como em matéria de prática. 3. O testemunho da Bíblia a respeito de sua autoridade. A expressão "assim diz o Senhor" é encontrada aproximada­ mente 2.600 na Bíblia Sagrada. Isto eqüivale a dizer que foi o próprio Deus quem falou por intermédio dos profetas he- breus e dos apóstolos de Nosso Senhor. Isaías não admitia outra autoridade que não fosse a Palavra de Deus. Aos que procuravam outros caminhos, protesta o mensageiro divino: "À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, nunca verão a alva" (Is 8.20). Mais adiante, reverbe- ra: "Este é o caminho; andai nele, sem vos desviardes nem para a direita nem para a esquerda" (Isaías 30.21). Os apóstolos também sabiam perfeitamente estar falan­ do da parte do Senhor. De maneira incontestável, protesta o apóstolo Paulo aos irmãos de Corinto que lhe questiona­ vam a autoridade espiritual: "Se alguém cuida ser profeta ou espiritual, reconheça que as coisas que vos escrevo são mandamentos do Senhor" (1 Co 14.37). Embora Paulo não fizesse parte dos doze apóstolos, sua autoridade como ho­ mem de Deus e doutrinador era por todos reconhecida como o atesta Pedro: "Pelo que, amados, aguardando estas coi­ sas, p rocu rai que dele sejais achados im acu lad os e irrepreensíveis em paz e tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor, como também o nosso amado irmão Pau­ lo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada, fa­ lando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstan­
  53. 53. I AVIVAMENTO E A SOBERANIA DAS SAGRADAS ESCRITURAS tes torcem e igualmente as outras Escrituras, para sua pró­ pria perdição" (2 Pe 3.14-16). Os pentecostais, por conseguinte, vivendo como vivem, a plenitude de um avivamento que vêm sacudindo o mun­ do, jamais colocaram sua experiência acima das Escrituras. Pois todas as nossas experiências, por mais inequívocas, têm de passar, necessariamente, pelo crivo da Palavra de Deus. Higgins, neste ponto, não admite transigências. Sendo ele um autêntico pentecostal, tem absoluta convicção de que a credi­ bilidade do Pentecostalismo reside na forma como encara­ mos a Bíblia: "Os sessenta e seis livros da Bíblia reivindicam autoridade plena e total no tocante à auto-revelação de Deus e a todas as implicações quanto à fé e à prática. Embora a autoridade da Bíblia seja histórica, porque Deus se revelou em eventos históricos, sua autoridade é primariamente teo­ lógica. A Bíblia revela Deus à humanidade, e explica o seu relacionamento com a sua criação. Pelo fato de Deus ter de ser conhecido através deste livro, suas palavras têm de ser igualmente autorizadas. A autoridade da Palavra é absoluta - as palavras do próprio Deus a respeito dEle mesmo". A autoridade das Sagradas Escrituras advém-lhe, de igual modo, através da clareza com que suas reivindicações são apresentadas ao ser humano. V. A CLAREZA DAS ESCRITURAS SAGRADAS Em todos os períodos de avivamento espiritual, tem-se notado uma volta de toda a igreja às Sagradas Escrituras. Sem quaisquer exceções, leigos ou ministros, de tal forma se apegam à Palavra de Deus, que passam a ser identifica­ dos pelo Santo Livro. Ora, não fora a Bíblia um livro claro e compreensível, como poderiam os fiéis se lhe voltarem de maneira tão amorosa e incondicional? Definamos, pois, a doutrina da clareza das Escrituras Sagradas. 1. O que é clareza. Numa primeira instância, clareza é a propriedade do que é claro, inteligível e perfeitamente com­
  54. 54. FUNDAM ENTOS BÍBLICOS DE U M AUTÊNTICO AVIVAM ENTO preensível. No caso que estamos a considerar, porém, "é uma das principais características das Sagradas Escrituras, atra­ vés da qual tornam-se elas perfeitamente inteligíveis aos que se põem a estudá-las com um coração sincero, humilde e predisposto a aceitá-las com o a inspirada, infalível e inerrante Palavra de Deus." A clareza das Escrituras é conhecida tam bém como perspecuidade da Palavra de Deus revelada ao ser hu­ m ano, a fim de que este venha, plenam ente, a com preen­ der o plano redentivo que Ele estabeleceu em seu Amado Filho. 2. O testem unho da Bíblia quanto à sua clareza. M ui­ tos são os testemunhos da Bíblia quanto à sua própria clare­ za. Eis o que diz o salmista: “A lei do SENHOR é perfeita e refrigera a alma; o testemunho do SENHOR é fiel e dá sabe­ doria aos símplices" (SI 19.7). Mais adiante, refere-se ele ao ensino da Bíblia: "A exposição das tuas palavras dá luz e dá entendimento aos sím plices" (SI 119.130). Tão clara é a Bíblia, que até as crianças podem entendê- la: "E estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu cora­ ção; e as intimarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levan- tando-te" (Dt 6;6,7). Enganam-se, pois, os que alegam não serem as Sagra­ das Escrituras claras e inteligíveis. VI. A NECESSIDADE DAS SAGRADAS ESCRITURAS Os pentecostais sempre sentimos uma ingente necessi­ dade pelas Sagradas Escrituras. Temos fome e sede da Pala­ vra de Deus. Desde os primeiros dias, até hoje, jamais dei­ xamos de conviver com a Bíblia Sagrada; porquanto sem esta nenhum avivamento é possível. Daniel Berg, um dos fundadores das Assembléias de Deus no Brasil, cruzava nossos sertões e perdia-se nos longes de nossa terra, para difundir e popularizar o uso das Sagradas Escrituras. Ele é
  55. 55. O AVIVAMENTO E A SOBERANIA DAS SAGRADAS ESCRITURAS considerado, com justa razão, um dos mais dinâmicos col- portores da Bíblia em nossa terra. Entremos a ver, agora, o que é uma necessidade; em se­ guida, aplicá-la-emos às Sagradas Escrituras. 1. O que é necessidade. Oriunda do vocábulo latino necessariu, a palavra necessidade significa: aquilo que não se pode dispensar, pois essencial e indispensável. Quando M oisés afirmou que nem só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus, deixava ele bem claro aos israelitas que as Sagradas Escrituras são absolu­ tamente necessárias (Dt 8.3). Não podemos passar sem elas. A alma, verdadeiram ente avivada, recusa-se a existir sem um contato diário e intenso com a Palavra de Deus. 2. Definição teológica. A necessidade das Escrituras, portanto, é o caráter de sua essencialidade e urgência para a vida espiritual e prática do ser humano; sem elas jamais entraremos de posse da vida eterna. 3. A Bíblia dá testemunha de sua necessidade. A Bíblia mesma testifica de seu caráter essencial e absolutamente necessário. Em seus arcanos, proclama Joel: "E há de ser que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será sal­ vo; porque no monte Sião e em Jerusalém haverá livramen­ to, assim como o SENHOR tem dito, e nos restantes que o SENHOR cham ar" (J1 2.32). Sentindo-se isolado e quase que ao desamparo, excla­ ma o salmista: "Lâm pada para os meus pés é a tua palavra e luz, para o meu cam inho" (SI 119.105). Eis com que afei­ ção e ternura Moisés fala acerca da indispensabilidade da Palavra de Deus: "Porque esta palavra não vos é vã; antes, é a vossa vida; e por esta mesma palavra prolongareis os dias na terra, a que, passando o Jordão, ides para possuí- la" (Dt 32.47). Por que a Bíblia é absolutamente necessária? Porque é toda-suficiente em si mesma, para dar-nos todas as respos­ tas de que precisamos, a fim de que tenhamos uma vida plena em Cristo Jesus.

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