ISSN 1982 - 0283Escola de atenção às diferenças                   Ano XX boletim 03 - Abril 2010                 Secretari...
SumárioEscola de atenção às diferençasApresentação da série .................................................................
Escola de atenção às diferenças								APRESENTAÇÃO DA SÉRIE								                                                      ...
Escola de atenção às diferenças, esse é o tema da série que o programa Salto para o Futuro, daTV Escola, apresenta, propon...
PROPOSTA DA SÉRIEEscola de atenção às diferenças									                                                                 ...
va os sistemas de ensino devem se organizar    de se construir um ambiente acolhedor en-para oferecer a TODAS as crianças ...
to diretamente à gestão da sala de aula, mas    tarefa incontornável por parte do contextoestão relacionadas também à gest...
fim, o autor reforça a importância de traba-    aprendizagem, organizando os espaços, oslhar mediante uma sistemática de r...
aluno com deficiência foi investigada por       res consideram que o processo de inclusãoO’Donoghue e Chalmers (2000), que...
Na escola que organiza as situações de          ocorre quando um ou vários adultos, muitasaprendizagem considerando as dif...
sujeito autônomo. O professor pode ampliar                  criminação. Neste cenário, a democratiza-as possibilidades de ...
Texto 1: Políticas e marcos legais para a educação inclusivaO primeiro texto da série comenta a Política Nacional de Educa...
Os textos 1, 2 e 3 também são referenciais para   mendations for Principals. Intervention ino quarto programa, com entrevi...
Texto 1Políticas e marcos legais para a educação inclusivaConstruir a escola das diferenças – caminhando nas pistas daincl...
torno do que já conquistamos. A incapaci-      ano escolar são alternativas que desviam adade de “dominarmos” os conhecime...
cordância de que o nosso ensino precisa se       mera reprodução de conteúdos programá-qualificar, a atualização da formaç...
dos professores. Os futuros professores des-    professores de educação especial têm umaconhecem, no geral, o que a inclus...
“alunos diferentes” e diferenças de todos os     distintos para seus alunos, a partir de umaalunos. Em muitas redes de ens...
mais, e sua definição provém do processo        entende as diferenças como resultantes dapelo qual o poder se manifesta na...
A escola comum se desobrigou dos alunos          indefinidamente esses alunos nos serviços eespeciais por muito tempo e nã...
Uma das soluções para levantar o nível de       mente do processo escolar, segundo suas ca-desenvolvimento da educação esc...
didas excludentes que criam a necessidade       cialistas, pais e alunos e outros profissio-de existirem escolas para aten...
Texto 2Atendimento educacional especializadoSalas de Recursos Multifuncionais: espaço para o atendimentoeducacional especi...
•	 alunos com transtornos globais do          e formação específica na educação especial,     desenvolvimento: aqueles que...
No cotidiano das salas de recursos multi-              quanto ao uso de recursos, materiaisfuncionais, o professor identif...
Desenvolvimento da Educação Básica - FUN-      cas de educação especial surge por meio dasDEB ao atendimento educacional e...
BRASIL. Ministério da Educação. Conselho        GUATEMALA. Assembleia Geral, 29º perío-Nacional de Educação. Câmara de Edu...
Texto 3Práticas educacionais no contexto das diferençasEscola atenta às diferenças: gestão de redes e dos processosde ensi...
complementar à escola regular e oferecida             dificuldades de aprendizado. Assim sen-sempre no contraturno e respo...
Esta clareza é fundamental para o gestor e              não são. Como é possível escolher al-contribui para passar a limpo...
pode estar efetivamente oferecendo uma           situação desejada. Por exemplo, no contex-escola de qualidade para toda s...
no? Esta formação é realizada com metodo-       cola é o domínio exclusivo responsável pelalogias ativas e interativas par...
BIBLIOGRAFIA                                      nomia da escola: princípios e propostas. São                            ...
Presidência da RepúblicaMinistério da EducaçãoSecretaria de Educação a DistânciaDireção de Produção de Conteúdos e Formaçã...
Upcoming SlideShare
Loading in …5
×

19131803 escoladiferencas

1,024 views

Published on

0 Comments
0 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

No Downloads
Views
Total views
1,024
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
1
Actions
Shares
0
Downloads
19
Comments
0
Likes
0
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

19131803 escoladiferencas

  1. 1. ISSN 1982 - 0283Escola de atenção às diferenças Ano XX boletim 03 - Abril 2010 Secretaria Ministério da de Educação a Distância Educação
  2. 2. SumárioEscola de atenção às diferençasApresentação da série ........................................................................................................... 3Rosa Helena MendonçaProposta da série Escola de atenção às diferenças ................................................................. 5Rita Vieira de FigueiredoTexto 1 – Políticas e marcos legais para a educação inclusivaConstruir a escola das diferenças – caminhando nas pistas da inclusão .............................. 14Maria Teresa Eglér MantoanTexto 2 – Atendimento educacional especializadoSalas de Recursos Multifuncionais: espaço para o atendimento educacional especializadonas redes públicas de ensino ................................................................................................ 23Rosângela MachadoTexto 3 – Práticas educacionais no contexto das diferençasEscola atenta às diferenças: gestão de redes e dos processos de ensino . ............................. 28Maria Terezinha C. Teixeira dos Santos
  3. 3. Escola de atenção às diferenças APRESENTAÇÃO DA SÉRIE Rosa Helena Mendonça1 Eu desconfiava2 (...) Todas as guerras do mundo são iguais. Todas as fomes são iguais. Todos os amores, iguais iguais iguais. Iguais todos os rompimentos. A morte é igualíssima. Todas as criações da natureza são iguais. Todas as ações, cruéis, piedosas ou indiferentes, são iguais. 3 Contudo, o homem não é igual a nenhum outro homem, bicho ou coisa. Não é igual a nada. Todo ser humano é um estranho ímpar.De forma a um tempo sensível e radical, como é pertinente à linguagem poética, Carlos Drum-mond de Andrade nos fala talvez de solidão e, certamente, de singularidade. Afinal, todo serhumano é uma individualidade que na convivência cotidiana com outros seres humanos, emdiversas esferas da vida social, vai desenvolvendo seus desejos e suas potencialidades.E a escola é um dos espaços em que os ‘ímpares’ vão encontrar seus pares. Um lócus privile-giado de convivência. E, acima de tudo, um espaço de equidade de oportunidades para todos.1 Supervisora pedagógica do programa Salto para o Futuro/TV ESCOLA (MEC).2 Igual – desigual, in ANDRADE, Carlos Drummond de. A paixão medida. Rio de Janeiro: Record, 2002.
  4. 4. Escola de atenção às diferenças, esse é o tema da série que o programa Salto para o Futuro, daTV Escola, apresenta, propondo uma reflexão sobre a inclusão, não só para os professores daEducação Básica, mas para toda a comunidade escolar, assim como para a própria sociedade.A série, que conta com a consultoria da professora e pesquisadora Rita Vieira de Figueiredo(UFC), nos três eixos temáticos que são apresentados, tanto nos textos desta publicação, comonos programas televisivos que com ela dialogam, possibilita um debate que gira em torno depolíticas e marcos legais para a educação inclusiva, de atendimento educacional especializadoe de práticas educacionais no contexto das diferenças.Esperamos, dessa forma, contribuir para a formação de professores e professoras que são osprofissionais que farão, na prática, as profundas mudanças necessárias para a inclusão escolarde todos. 4
  5. 5. PROPOSTA DA SÉRIEEscola de atenção às diferenças Rita Vieira de Figueiredo1A construção de uma escola de atenção às mento que permita a cada um desses gruposdiferenças demanda uma política de inclu- desenvolver um saber e um saber fazer emsão a ser implementada pelas redes de ensi- que se valorize a participação de cada umno, com repercussões no interior da escola. como membro que contribui com as açõesA escola de atenção às diferenças mobiliza daquela comunidade educativa. Este mes-seus profissionais para o desenvolvimento mo preceito deve ser observado no interiorde uma cultura de inclusão e uma prática de da sala de aula, espaço pedagógico em queinclusão. O primeiro aspecto concebe a ideia cada aluno se constitui em sujeito de apren-de que TODO aluno tem lugar assegurado dizagem que contribui efetivamente para ana escola, o segundo reside na previsão e na elaboração de um saber que só tem sentidoorganização de recursos humanos e mate- quando compartilhado por todos os mem-riais que possibilitem a construção de práti- bros da classe. 5cas pedagógicas que permitam a interação ea participação dos alunos indistintamente. A A acessibilidade aos saberes escolares re-construção dessa escola requer a colabora- quer uma verdadeira transformação no in-ção entre os diversos agentes do meio esco- terior da escola. É dever das redes de ensinolar, tais como os gestores e a equipe técnica, e das políticas públicas criar as condiçõesos professores da sala comum e os profes- para que a escola se transforme em espaçosores do Atendimento Educacional Especia- verdadeiro de trocas que favoreçam o ato delizado. Esses profissionais devem aprender a ensinar e de aprender. Neste sentido, nossotrabalhar juntos e a orquestrar seus esforços país ainda tem um importante caminho aem favor do desenvolvimento de uma edu- percorrer para assegurar educação a todoscação sintonizada com as necessidades dos os jovens, crianças, adultos e adolescentesalunos e com as atuais demandas sociais que integram o sistema público de ensino.que permeiam o interior da escola. Faz-senecessário às redes de ensino conceberem De acordo com a nova Política de Educaçãoum modelo de formação e de acompanha- Especial na Perspectiva da Educação Inclusi-1 Professora da Universidade Federal do Ceará. Consultora da série.
  6. 6. va os sistemas de ensino devem se organizar de se construir um ambiente acolhedor en-para oferecer a TODAS as crianças não so- tre as crianças, contrapondo-se à punição emente o acesso e a permanência na escola, à repreensão. Em estudo por nós realizadomas também, os serviços educacionais que (FIGUEIREDO, 2008) em uma escola públicaforem necessários para garantir a aprendi- em contexto de inclusão escolar, constata-zagem escolar. A articulação entre o ensino mos que o tipo de convivência estabelecidacomum e a educação especial, sobretudo na classe independe da presença de alunosatravés do atendimento educacional espe- com deficiência, bem como as dificulda-cializado, visa à aprendizagem dos alunos des de inserção não estão relacionadas àque se beneficiam desse serviço. Transfor- deficiência, mas à forma como a criança émar a escola significa criar as condições educada. No espaço da sala da aula a con-para que TODOS os alunos possam atuar efe- vivência se torna mais harmoniosa quandotivamente nesse espaço educativo, focando a professora consegue estabelecer com seuas dificuldades do processo de construção grupo um ambiente no qual as crianças sedo conhecimento no ambiente escolar e não sentem seguras, respeitadas, acolhidas enas características particulares dos alunos. percebem o reconhecimento do outro sobre as suas ações. Para isso, o professor deve ser 6 uma referência de segurança sobre a qual aEm relação ao ambiente escolar favorável à criança pode se apoiar, estabelecendo roti-inclusão, Soodak (2003) sugere que este deve nas de trabalho cotidiano da sala de aula,contemplar a organização de um espaço no assegurando a participação de todos os alu-qual os alunos se sentem acolhidos, seguros nos nas atividades da classe. Ainda no con-e apoiados. A escola deve criar uma comu- texto da convivência da classe, é importantenidade inclusiva, promover o sentimento de reconhecer que a criança é fonte de um sa-pertença, facilitar a aproximação das crian- ber e de uma cultura, logo ela participa daças, desenvolver a colaboração entre pais construção de um saber coletivo, de modoe professores e entre professores e outros que a participação de cada aluno nas ativi-membros da escola. dades da classe é reconhecida pelos demais colegas. O acolhimento é garantido quandoBloom e Perlmutter (1999) acrescentam o professor faz o acompanhamento das es-que problemas relacionados às dificuldades tratégias utilizadas pelas crianças em suasnos comportamentos dos alunos devem ser aprendizagens, sendo capaz de ouvi-las, ma-abordados como problemas que dizem res- nifestando interesse e afetividade por elas,peito a toda a classe e não apenas ao pro- pelos seus sucessos, suas dificuldades, suasfessor. Os autores ressaltam a importância preocupações. Estes aspectos dizem respei-
  7. 7. to diretamente à gestão da sala de aula, mas tarefa incontornável por parte do contextoestão relacionadas também à gestão da es- escolar. De acordo com o autor, quatro prin-cola. Esses dois aspectos se constituem ele- cípios devem fundamentar o trabalho do di-mentos centrais na mudança de uma escola retor na perspectiva da construção de umaque exclui para aquela que inclui. escola que inclui. O primeiro diz respeito à manutenção de uma comunicação aberta com o corpo docente da escola, bem comoA gestão da escola e a estimular e intermediar a comunicação livreatenção às diferenças e honesta. Dentro deste princípio, ele enxer-Mudanças na gestão da escola se configu- ga seis atividades que devem ser sugeridasram no sentido de torná-la mais democrá- aos professores: compartilhar experiênciastica e participativa para alunos, professores bem sucedidas, agendar tempo para plane-e demais atores desse espaço pedagógico. jamento conjunto, registrar suas atividades,Significa compartilhar projetos e decisões e suas preocupações e o modo como conse-desenvolver uma política que compreenda o guiram resolvê-las, visitar outras institui-espaço da escola como um verdadeiro cam- ções que tenham experiência no processo depo de ações pedagógicas e sociais, no qual inclusão, coletar material de fontes diversas sobre a temática da inclusão e, finalmente, 7as pessoas compartilham projetos comuns,cada um deles representando uma oportuni- comemorar cada acerto, como forma de va-dade real de desenvolvimento pessoal e pro- lorizar as pequenas conquistas.fissional. A gestão na escola inclusiva tem O segundo princípio consiste em compar-um caráter colaborativo que implica o de- tilhar a liderança e estimular a troca desenvolvimento de valores que mobilizam as conhecimento. Empoderar os professores,pessoas a pensarem, viverem e organizarem fazendo-os capazes de compartilhar suas ex-o espaço da escola, incluindo nele todos os periências como professores especializados,alunos. de modo a estimular a união de forças e nãoSegundo Hines (2008), a atuação da direção a concorrência entre eles. O terceiro princí-é fundamental para o sucesso na transfor- pio refere-se ao estabelecimento de metasmação de uma escola para uma perspectiva viáveis e objetivos comuns. Neste ponto, oinclusiva. A ação da direção é importante autor reforça a ideia de trabalho conjuntono sentido de guiar, estimular e facilitar a entre os professores do ensino comum ecolaboração entre os professores do ensino aquele(a) do ensino especial, sugerindo ati-comum e entre estes e os professores espe- vidades que podem ser divididas ao mesmocializados, tendo o trabalho coletivo como tempo em sala de aula por todos eles. Por
  8. 8. fim, o autor reforça a importância de traba- aprendizagem, organizando os espaços, oslhar mediante uma sistemática de resolução tempos e os agrupamentos pertinentes àsde conflitos. O diretor deve esforçar-se para suas propostas didáticas, constituindo-seexplorar de forma aprofundada as estraté- ele mesmo em mediador entre os conteúdosgias de resolução dos conflitos que surgirão. escolares e aqueles trazidos pelos alunos. AOuvir cada professor, estimular a comunica- escola que está atenta à questão das diferen-ção entre eles, esclarecer pontos de diver- ças dispensa grande relevância ao ensino e àgência, deixando claro para cada um a fonte gestão da sala de aula, uma vez que a grandedo problema e sugerindo que cheguem a um marca dessa escola é a valorização do papelponto em comum que deve ser parte indis- social do aluno, quaisquer que sejam suaspensável do trabalho de uma gestão esco- características, pois tem como referêncialar inclusiva. O aspecto da comunicação e o princípio da contribuição. Deste modo,da colaboração também foi identificado por a classe do ensino regular se constitui emPenaforte (2009) como fundamental no pro- um agrupamento no qual cada aluno devecesso de construção de uma escola inclusi- colaborar com o processo de construção dova. A gestão compartilhada aumenta as pos- conhecimento dentro de suas possibilida-sibilidades dos atores escolares assumirem des. A valorização do papel social do alunoos projetos da escola como de todos, mini- só é possível na medida em que ele é reco- 8mizando as dificuldades do contexto e aque- nhecido por seus pares como uma pessoalas enfrentadas pelos alunos, favorecendo as que traz uma contribuição, mesmo que sejamudanças necessárias para a gestão da sala modesta, ao desenvolvimento de saberes, dede aula e, consequentemente, para as práti- saber-fazer e do saber ser coletivo. A criançacas pedagógicas. Isto significa transformar percebe-se como um indivíduo que contri-as práticas que temos hoje (na sua maioria bui para o desenvolvimento de saberes e dopautadas no conceito de homogeneidade) saber-fazer coletivo e retira disso múltiplasem práticas que atentem para as especifici- vantagens. Entretanto, essa participaçãodades dos alunos. ativa do aluno com deficiência no contexto da sala regular só é possível se o professor perceber esse aluno como sujeito de apren-A gestão da sala de aula na dizagem e se conseguir organizar propostasescola das diferenças didáticas que favoreçam essa participação.A gestão da sala de aula corresponde à ca- A percepção de professores de classes regu-pacidade do professor para orquestrar a lares a respeito de como eles organizam ointeração entre os alunos em situação de trabalho tendo em vista a presença de um
  9. 9. aluno com deficiência foi investigada por res consideram que o processo de inclusãoO’Donoghue e Chalmers (2000), que identifi- modifica a vida escolar e a relação com oscaram três categorias de comportamentos: demais membros da sua escola. Figueiredo1) os que realizavam adaptações seletivas (2008) constatou que os(as) professores(as)com ênfase na organização da sala de aula, em contexto de inclusão atribuem transfor-2) os que realizam o trabalho dando ênfa- mações não somente na gestão da sala dese às metodologias (estratégias) de ensino e aula mas também em sua vida pessoal. Es-3) aqueles que baseavam suas modificações sas mudanças não se fazem de modo simi-tendo como foco os conteúdos curriculares. lar nem nas crenças dos(as) professores(as)Tais categorias foram definidas a partir da quanto às próprias capacidades de efetua-forma como os professores elaboravam suas rem a mudança, nem nos aspectos de inves-estratégias de manejo de sala de aula tendo timento dessa mudança. Alguns professoresnela um aluno com deficiência. De acordo aderem rapidamente e demonstram con-com os autores, a adaptação das estratégias fiança na possibilidade de desenvolveremde sala de aula utilizadas pelos professores uma pedagogia que contemple as diferençasevoluíram nas seguintes etapas: 1) apresen- de todos os alunos. Outros, ao contrário,tando uma certa resistência frente ao in- resistem a essa ideia. E há aqueles que vãogresso do aluno; 2) analisando o impacto da se apropriando paulatinamente dessa con- 9presença desse aluno na sua prática de sala cepção e aos poucos vão implementandode aula e no seu trabalho como um todo e pequenas mudanças no ensino e na gestãoiniciando uma apreciação das alterações da classe. Os aspectos de investimento dasem sua atividade em sala para realização do mudanças também se diferenciam. Algunstrabalho; os professores definitivamente en- atentam rapidamente para a organização dagajam-se (ou não) no processo de inclusão classe e para as formas de agrupamento dede seus alunos e nesta etapa eles definem seus alunos, outros priorizam o desenvolvi-um ponto de vista e começam a racionalizar mento de atividades com diferentes propos-sua execução; 4) os professores começam a tas didáticas que favoreçam as diversas pos-identificar as práticas que deverão ser mo- sibilidades de aprendizagem por parte dosdificadas para acomodar o aluno incluído, alunos e há aqueles que começam a trans-desenvolvem estas práticas e reorganizam o formação pelo desenvolvimento da pedago-trabalho de acordo com os resultados obti- gia de projetos. A autonomia dos alunos sedos. E, por último, os professores fazem uma constitui no aspecto mais difícil a ser imple-estimativa das mudanças realizadas em suas mentado pelos(as) professores (as) (FIGUEI-salas e dos resultados positivos do trabalho. REDO, 2008b).A pesquisa revela, ainda, que os professo-
  10. 10. Na escola que organiza as situações de ocorre quando um ou vários adultos, muitasaprendizagem considerando as diferenças vezes um professor especializado, encontra-dos alunos, o ensino e os apoios ao ensino se regularmente com o professor de sala dese integram para orquestrar a aprendiza- aula para trocar informações sobre o pro-gem, garantindo a participação efetiva dos gresso de estudante, avaliar a necessidadealunos em todas as práticas educativas. Tais de adaptar ou complementar materiais e depráticas se embasam na implementação solucionar problemas em conjunto. Essasde um ensino que leve em conta as especi- ações certamente se constituem em estraté-ficidades de cada sujeito e que faz apelo à gias eficientes para a gestão da sala de aulacooperação entre os alunos em situação de que contempla todos os alunos da turma,aprendizagem. O professor deve respeitar os permitindo ao professor seguir a evoluçãodiferentes ritmos de aprendizagem dos alu- do desenvolvimento das competências dosnos, favorecendo a atividade conjunta entre alunos. Muitas outras formas de colabora-alunos com e sem deficiência no momento ção são possíveis de serem implementadasda realização de projetos comuns. A cola- no contexto de uma classe que vive o princí-boração estabelecida entre os professores, pio da colaboração em detrimento da com-conforme já descrita anteriormente, é outro petição e compreende o processo de cons-aspecto que deve ser ressaltado também na trução do conhecimento como um processo 10escola das diferenças. cooperativo, com o qual todos podem con- tribuir, independentemente de limites ouThousand e Villa (2006) acrescentam que dificuldades.quando os professores trabalham em coope-ração no seu planejamento e em suas ati-vidades práticas de ensino, eles tornam-se Considerações finaismais capazes de suprirem as necessidades Para finalizar, podemos concluir que a in-específicas de seus alunos e podem cumprir clusão se traduz pela capacidade da esco-melhor os objetivos propostos. Os autores la em dar respostas eficazes à diferença deexplicitam os diferentes modos de colaborar aprendizagem dos alunos, considerando oe co-ensinar, inclusive tendo os estudantes desenvolvimento dos mesmos como priori-como parceiros colaborativos. Esta colabo- tário. A prática da inclusão implica o reco-ração pode ser efetivada: 1) pelo suporte na- nhecimento das diferenças dos alunos e atural do colega, como por exemplo quando concepção de que a aprendizagem é cons-os colegas podem facilitar a comunicação, truída em cooperação a partir da atividadeajudar na locomoção, dentre outras possi- do sujeito diante das solicitações do meio,bilidades; 2) pelo suporte consultivo que tendo o sujeito de conhecimento como um
  11. 11. sujeito autônomo. O professor pode ampliar criminação. Neste cenário, a democratiza-as possibilidades de aprendizagem do aluno ção do ensino e a inclusão escolar só serãoa partir de diferentes propostas didáticas, concretizadas quando os sistemas de ensinoas quais ele pode organizar no desenvolvi- garantirem educação de qualidade. Para quemento das práticas pedagógicas. Para isso, é a nova política de inclusão se traduza emimportante refletir sobre os desafios do co- ações concretas no curso dos próximos anostidiano escolar. Este novo olhar e esta nova se faz necessário que o Brasil adote um con-forma de atuar ampliam as possibilidades junto de ações que fortaleça a escola públi-de desenvolvimento profissional e pessoal ca e, consequentemente, a ação pedagógicado(a) professor(a). dos professores. A educação de qualidade passa pela organização do sistema públicoA Política Nacional de Educação Especial na de ensino, dos espaços escolares, da gestãoPerspectiva da Educação Inclusiva 01/2008 da escola e da sala de aula. A escola cumpri-propõe a mudança de valores, de atitudes e rá seu papel de agência de formação quandodas práticas educacionais para atender a to- for capaz de EDUCAR todos os alunos e nãodos os estudantes, sem nenhum tipo de dis- apenas parte deles. 11 3Textos da série ESCOLA DE ATENÇÃO ÀS DIFERENÇASA série Escola de atenção às diferenças tem como proposta discutir a inclusão escolar de crian-ças com necessidades educacionais especiais, a partir de uma perspectiva filosófica e político-cultural. Filosófica, porque parte do princípio de que o espaço da escola deve ser dado paratodas as crianças, independente de raça, cor, religião, condição social ou de desenvolvimento,e político-cultural, porque visa à garantia do direito de todos os cidadãos de se beneficiaremdos bens materiais e culturais da sociedade. A escola que inclui é a escola que acolhe e garanteo espaço de aprendizagem e de crescimento para todos os alunos. Nessa série serão discutidosas políticas e os marcos legais para a educação inclusiva, o Atendimento Educacional Especia-lizado e as tecnologias assistivas e, ainda, a formação de professores e práticas educacionaisno contexto das diferenças.2 Estes textos são complementares à série Escola de atenção às diferenças, com veiculação no programa Saltopara o Futuro/TV Escola (MEC) de 26 a 30 de abril de 2010.
  12. 12. Texto 1: Políticas e marcos legais para a educação inclusivaO primeiro texto da série comenta a Política Nacional de Educação Especial, na Perspectiva daEducação Inclusiva. O caráter complementar da Educação Especial, trazido por essa Política,retraça os projetos que visam à transformação das escolas em busca da qualidade de seu en-sino. Se antes as escolas comuns se organizavam para atender apenas aos alunos que apren-diam, excluindo os que não conseguiam aprender, agora elas devem acolher todos os alunos,nas suas diferenças. Há, então, que ser revista e reinterpretada a sua organização pedagógica,para que se reconstruam suas propostas e se avance na qualidade e no atendimento à deman-da de mais vagas para todos os alunos nas suas turmas.Texto 2: Atendimento educacional especializadoEste texto tem por objetivo subsidiar professores e gestores das redes de ensino no que se refe-re ao ambiente escolar denominado sala de recursos multifuncionais. Esse ambiente tem comofinalidade desenvolver as atividades do atendimento educacional especializado – AEE. Tendopor base a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva do 12Ministério da Educação, o texto apresenta o conceito de sala de recursos multifuncionais, sualigação com o AEE e o trabalho do professor dessa sala. As palavras-chaves do texto são: salasde recursos multifuncionais, atendimento educacional especializado, redes públicas de ensino.Texto 3: Práticas educacionais no contexto das diferençasO terceiro texto da série discute a importância de que a escola de atenção às diferenças estejaem sintonia com as transformações necessárias para atender às demandas do mundo atual.Esta é uma responsabilidade inerente à cidadania e uma preocupação obrigatória de todos ossistemas de ensino. Ao se propor a construir escolas inclusivas que se preocupam com todosos alunos, devem ser feitas inovações nos processos de organização de ensino e aprendizagem,passando a considerar o ritmo de aprendizagem, a flexibilização dos tempos e dos espaços es-colares, a implementação de recursos de acessibilidade, o enriquecimento curricular, a opera-cionalização da oferta do AEE, o uso de metodologias ativas e interativas e o caráter processualda avaliação.
  13. 13. Os textos 1, 2 e 3 também são referenciais para mendations for Principals. Intervention ino quarto programa, com entrevistas que refle- School and Clinic, v. 43, n. 5, 2008, p. 277-tem sobre esta temática (Outros olhares sobre 282.a escola de atenção às diferenças) e para as O’DONOGHUE, T. A. and R. CHALMERS. Howdiscussões do quinto e último programa da teachers manage their work in inclusivesérie ( Escola de atenção às diferenças em de- classrooms. Teaching and Teacher Educa-bate). tion, v. 16, n. 8, nov. 2000, p. 889-904.Referências bibliográficas PENAFORTE, Selene. A gestão para a inclu- são: uma pesquisa-ação colaborativa noBLOOM, L. A.; J. C. PERLMUTTER et al. The meio escolar. Tese (Doutorado em Educa-general educator: applying constructivism ção). Fortaleza: Universidade Federal do Ce-to inclusive classrooms. Intervention in ará, 2009.School and Clinic, v. 34, n. 3, jan. 1999, p. SOODAK, L. C. Classroom Management in132-36. Inclusive Settings. Theory into Practice v.BRASIL. Ministério da Educação. Política de 42, n. 4, Autumn 2003, p. 327-33 (ISSN: 0040- 13Nacional de Educação Especial na Perspec- 5841).tiva de Educação Inclusiva. MEC/SEESP, 2008. THOUSAND, J. S.; VILLA, R. A. et al. The ManyFIGUEIREDO, Rita Vieira. (Relatório de pes- Faces of Collaborative Planning and Tea-quisa) Gestão da Aprendizagem na Diver- ching. Theory into Practice, v. 45, n. 3, 2006,sidade. Fortaleza: Universidade Federal do p. 239-48.Ceará, 2008. Divulgamos a seguir o link onde podem serFIGUEIREDO, Eliene Vieira. Práticas de Lei- encontradas diversas sugestões de filmestura e de Escrita na Diversidade da Sala de com temas relacionados à proposta da sérieAula. Dissertação (Mestrado em Educação Escola de atenção às diferenças:Brasileira). Fortaleza: Universidade Federaldo Ceará, 2008. http://portal.mec.gov.br/setec/arquivos/pdf/HINES, J. T. Making Collaboration Work in sugestoesfilmescomtemasabrangendoalgu-Inclusive High School Classrooms: Recom- mtipodefiencia.pdf
  14. 14. Texto 1Políticas e marcos legais para a educação inclusivaConstruir a escola das diferenças – caminhando nas pistas dainclusão Maria Teresa Eglér Mantoan1A Política Nacional de Educação Especial na ticulares de ensino básico, assim como a for-Perspectiva da Educação Inclusiva de 2008 mação de nossos professores são alguns deles.é um importante mar- Por outro lado, essaco legal, político-social Política traz nas suase cultural da educação diretrizes proposições O progresso, em todasbrasileira. Os avanços que podem solucionarprovocados por suas as frentes das iniciativas esses problemas.diretrizes extrapolam humanas, aconteceo ensino especial e im- pela criação de novas Neste texto, abordare- 14plicam/provocam pro- alternativas de transpor mos, ainda que suma-fundas modificações na riamente, como a Edu- barreiras, que estãoescola comum, rever- cação Especial poderá constantemente setendo conceitos e práti- contribuir para uma formando em torno do virada na nossa educa-cas antes consagradas,nas suas turmas. que já conquistamos. ção, ao se re-orientar segundo os princípiosPelo fato de ter se adian- da inclusão escolar.tado e constituído umconjunto de documentos reorientados para O fracasso escolara escola inclusiva, a Educação Especial revelagraves problemas relativos à escolarização. O O progresso, em todas as frentes das ini-fracasso escolar, a avaliação do desempenho ciativas humanas, acontece pela criação deescolar dos alunos da escola brasileira, a quali- novas alternativas de transpor barreiras,dade do ensino das instituições públicas e par- que estão constantemente se formando em1 Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP - Faculdade de Educação- Laboratório de Estudos ePesquisas em Ensino e Diferenças – LEPED/ UNICAMP.
  15. 15. torno do que já conquistamos. A incapaci- ano escolar são alternativas que desviam adade de “dominarmos” os conhecimentos organização pedagógica e a formação dose de agirmos segundo uma fórmula final e professores – inicial e continuada –, das me-universal (que tanto buscamos!), nos move didas a serem tomadas para que as escolase nos impulsiona diante das perturbações comuns se debrucem sobre o modo de mi-com as quais o meio nos confronta. nistrar o ensino, os conteúdos curriculares e a análise do desempenho escolar dos alu-Os problemas, as perturbações, são, portan- nos, especialmente daqueles que não conse-to, imprescindíveis para que possamos cres- guem o sucesso pretendido.cer e evoluir no que conhecemos e no que fa-zemos, em nossos ambientes de vida pessoal Além dessas consagradas soluções compen-e profissional. Embora jamais consigamos satórias, existem ainda as práticas adapta-deduzir uma fórmula final, uma resposta de- das de ensino especial, que têm como ob-finitiva para os problemas de aprendizagem, jetivos equiparar o desempenho escolar dosnegar essas perturbações e/ou ignorá-las fi- alunos considerados “especiais” ao dos cole-xou os sistemas de ensino, as escolas e pro- gas “normais” e/ou protegê-los da exclusão,fessores em modelos e soluções superados, nas turmas de ensino regular.que os mantêm presos a saídas velhas e ino- 15perantes, impedindo-os de visualizar novos Ao retirar das turmas comuns os alunos commodelos educacionais possíveis. e sem deficiência, que colocam em xeque o modo como planejam e executam seus pla-A Educação Especial influiu significativa- nos de ensino, os professores se eximem damente para neutralizar os desafios que le- responsabilidade de buscar os motivos pe-variam o professor a rever suas práticas e a los quais esses alunos não atendem às suasavaliar a aprendizagem escolar, na busca de exigências educacionais, equivocando-se aoum ensino mais avançado e qualificado para considerar essas exigências como as que ca-todos os alunos. racterizam um ensino de qualidade. E, en- tão, admite-se o fracasso escolar do alunoNa nossa percepção, a preocupação com o na escola, quando seria o caso de se exami-fracasso tem conduzido a escola por desca- nar as razões do fracasso da escola diante dominhos que vão do diagnóstico impreciso do insucesso dos alunos.insucesso do aluno aos encaminhamentosàs escolas e classes especiais. A formação inicialCompensar, reforçar a aprendizagem, fazer Apesar do descontentamento com os re-equivalência de desempenho entre idade e sultados alcançados pelos alunos e da con-
  16. 16. cordância de que o nosso ensino precisa se mera reprodução de conteúdos programá-qualificar, a atualização da formação inicial ticos sequenciados, categorizados, transmi-pela adoção de alternativas pedagógicas, tida aos alunos. Os alunos desenvolvem osque transpõem fronteiras e projetam o en- temas de estudo entrelaçando suas experiên-sino para o futuro, são ainda muito tímidas. cias com novos conhecimentos, construídos segundo seus interesses e capacidades.É patente, nos cursos de Pedagogia, a resis-tência dos formadores em romper paradig- As alternativas de modernização, contudo,mas que impedem as manobras necessárias estão se transfigurando em “receitas” de en-para que possamos imprimir uma nova dire- sino, de tanto serem aclamadas em vão comoção aos destinos de nossa educação, propon- saídas para que o ensino se redirecione emdo uma resposta decisiva aos problemas que suas estratégias, processos, dimensões. Nãoa afligem. A questão não está apenas em re- há mais o que sugerir para que as escolas segular as relações entre teoria e prática peda- tornem inclusivas. A maioria dos professoresgógicas, mas em outras formas de se pensar se sente insegura em adotar novos rumose de se fazer a educação, em uma sociedade educacionais, uma vez que são tributários dedo conhecimento, da comunicação e da tec- uma formação e do exercício de uma profis-nologia, alinhada aos propósitos inclusivos. são. De um modo geral, consideram que o 16 ensino precisa mudar para melhor, mas per-Educar na escola, principalmente no ensino sistem no enrijecimento dos mesmos méto-básico, é uma atividade complexa, que en- dos que os levaram ao fracasso!volve o desenvolvimento de novas atitudesfrente ao mundo e aos seus recursos; trata- Os cursos de formação inicial de professo-se de encontrar uma combinação harmonio- res para a educação comum têm se decla-sa entre conteúdos e práticas culturais, que rado a favor de uma educação para todos emarcam a vida dos alunos e dão sentido à de qualidade, introduzindo disciplinas nossua aprendizagem. seus currículos que tratam da inclusão es- colar. Ora, a inclusão não cabe em uma ouA transversalidade dos estudos acadêmicos, duas disciplinas, nem mesmo em todas elas,por exemplo, é uma nova proposição que en- como mais uma novidade, um modismo,volve essa combinação entre os processos de que precisa ser aventado, para que essesensino e de aprendizagem, afetando o modo cursos se atualizem.como as aulas são planejadas e ministradas.No ensino transversal, as disciplinas não se Esse equívoco sustou o impacto que o poderfragmentam e a aprendizagem deixa de ser inovador da inclusão teria sobre a formação
  17. 17. dos professores. Os futuros professores des- professores de educação especial têm umaconhecem, no geral, o que a inclusão repre- formação pedagógica de base e se especia-senta para os sistemas que a adotam devi- lizam no atendimento educacional a alunosdamente, suas implicações na concepção e com deficiências, transtornos globais dena execução dos serviços que a escola presta desenvolvimento e altas habilidades. As di-aos alunos, professores, pais e nos conheci- retrizes da Política são claras e conclusivas,mentos exigidos para sua concretização em quando preceituam que os seus professoressala de aula. não são mais especialistas em uma dada de- ficiência e não ensinam os conteúdos curri-Outro equívoco se evidencia na continuida- culares a esses alunos. Suas atribuições sede de cursos para formação de professores resumem em complementar a formação doem educação especial, com ênfase em uma aluno, analisar seus problemas. Estudando-única deficiência. Apesar do número redu- os e buscando atendê-los nas suas peculia-zido, esses cursos contribuem para que os ridades e necessidades, os professores desistemas de ensino mantenham em sua educação especial apoiam os alunos a ul-organização serviços e profissionais, que trapassar barreiras que encontram dentroseccionam o atendimento desses alunos e das escolas para que tenham acesso e par-contribuem para que a exclusão marque o ticipação ativa, autônoma e independente 17processo de escolarização como um todo. nas turmas do ensino regular.O que mais nos surpreende nesses cursos O ensino itinerante, as classes especiais, osé que proponham uma formação em edu- currículos e atividades adaptados, as avalia-cação especial, que perpetua propósitos e ções e demais tópicos do processo de escola-métodos excludentes, opostos ao que a in- rização constituem serviços e recursos queclusão designa. Se os professores e seus for- incorrem em discriminação desses alunosmadores não perceberam as ambiguidades por excluí-los por diferenciação por uma de-e os enganos que precisam ultrapassar para ficiência ou outra categorização. São remi-que se dê um salto qualitativo na formação niscências do entendimento excludente dapedagógica e na reorientação dos sistemas educação especial, existindo paralelamenteescolares, a educação especial e a comum ao atendimento educacional especializado –não poderaão se adiantar nem se aprimorar, AEE, um novo serviço da educação especial.como se espera. Essas reminiscências têm precedência no modo equivocado de se entender o direito àPela Política Nacional de Educação Especial, educação inclusiva, como o direito à diferença,na Perspectiva da Educação Inclusiva, os na igualdade de direitos e na distinção entre
  18. 18. “alunos diferentes” e diferenças de todos os distintos para seus alunos, a partir de umaalunos. Em muitas redes de ensino convi- identidade específica, como também essesvem dois momentos da educação especial espaços estão organizados pedagogicamen-que se contradizem: o anterior a 2008, mar- te para manter tal separação, definindo ascado pela exclusão total e parcial, e o atual, atribuições de seus professores, currículos,caracterizado por sua perspectiva educacio- programas, avaliações e promoções dos quenal inclusiva. fazem parte de cada um desses espaços. Quando se classificam os alunos por atri-A diferenciação entre os butos que os definemalunos e que demarcam osA oposição binária en- seus espaços edu- Ambientes escolarestre alunos ditos “nor- cacionais, decide-se inclusivos são quem fica e quem sai,mais” e “especiais” serepercute na caracteri- fundamentados em uma quem é incluído ouzação da formação ini- concepção de identidade excluído dos agrupa-cial e continuada dos e diferenças, em que as mentos escolares. 18professores, na identifi- relações não se ordenamcação das escolas e pro- Ambientes escolares em torno de oposiçõesfessores da educação inclusivos são funda- binárias (normal/comum e especial. mentados em uma especial, branco/negro, concepção de identi-A Educação Especial ali- masculino/feminino, dade e diferenças, emmentou essa oposição pobre/rico). que as relações nãoao defender que certos se ordenam em tor-alunos, negativamente no de oposições biná-valorados por desem- rias (normal/especial,penhos acadêmicos que não atendem às branco/negro, masculino/feminino, pobre/exigências escolares, necessitavam de uma rico). Neles não se elege uma identidadeeducação substitutiva do ensino comum. como norma privilegiada em relação às de- mais.Os sistemas educacionais constituídos a par-tir dessa oposição excludente sentem-se aba- Em ambientes escolares excludentes, a iden-lados com a proposta inclusiva de educação, tidade normal é tida sempre como natural,pois não só criaram espaços educacionais generalizada e positiva em relação às de-
  19. 19. mais, e sua definição provém do processo entende as diferenças como resultantes dapelo qual o poder se manifesta na escola, multiplicidade, e não da diversidade, comoelegendo uma identidade específica através comumente se proclama. Trata-se de umada qual as outras identidades são avaliadas educação que garante o direito à diferença ee hierarquizadas. não à diversidade, pois assegurar o direito à diversidade é continuar na mesma, ou seja,Esse poder que define a identidade normal, é seguir reafirmando o idêntico.detido por professores e gestores mais próxi-mos ou mais distantes das escolas, é abala- [...] a diferença (vem) do múltiplo e nãodo e perde a sua força diante dos princípios do diverso. Tal como ocorre na aritmé-educacionais inclusivos, defendidos pela tica, o múltiplo é sempre um processo,Política Nacional de Educação Especial, na uma operação, uma ação. A diversida-Perspectiva da Educação Inclusiva. No en- de é estática, é um estado, é estéril. Atendimento da Política, a identidade não multiplicidade é ativa, é fluxo, é produ-é entendida como natural, estável, perma- tiva. A multiplicidade é uma máquina denente, acabada, homogênea, generalizada, produzir diferenças – diferenças que sãouniversal. Na visão da inclusão escolar, as irredutíveis à identidade. A diversidadeidentidades são transitórias, instáveis, ina- limita-se ao existente. A multiplicidade 19cabadas e, portanto, os alunos não são cate- estende e multiplica, prolifera, dissemi-gorizáveis, não podem ser reunidos e fixados na. A diversidade é um dado – da natu-em categorias, grupos, conjuntos, que se reza ou da cultura. A multiplicidade édefinem por certas características arbitra- um movimento. A diversidade reafirmariamente escolhidas. o idêntico. A multiplicidade estimula a diferença que se recusa a se fundir comPortanto, é equivocado atribuir a certos alu- o idêntico (Silva, 2000, p.100-101).nos identidades que os mantêm nos gruposde excluídos, ou seja, nos grupos dos alunos A diferenciação entre asespeciais, com necessidades educacionais es-peciais, portadores de deficiências, com pro- escolasblemas de aprendizagem e outros. Não cabe O questionamento constante dos processosfixar no outro uma identidade normal, que de diferenciação entre escolas e alunos, quenão só justifica a exclusão dos demais, como decorre da oposição entre a identidade nor-igualmente determina alguns privilegiados. mal de alguns e especial de outros, é umaA perspectiva da Política atual questiona das garantias permanentes do direito à di-a artificialidade das identidades normais e ferença.
  20. 20. A escola comum se desobrigou dos alunos indefinidamente esses alunos nos serviços eespeciais por muito tempo e não se posicio- ambientes do ensino especial convencionalnou, decisivamente, diante de seus procedi- e substitutivo.mentos de ensinar e de avaliar a capacidade Nesses dois casos de diferenciação, há equí-de aprender desses alunos, em suas diferen- vocos. Só se admite a diferenciação paraças, e de questionar essas diferenças. Limi- incluir. Em ambientes à parte dos demais etou-se a aceitá-las, a tolerá-las desde que em em situações que restringem e limitam asambientes educacionais segregados. possibilidades de desenvolvimento dos alu-Acomodada em sua zona de conforto, a edu- nos e das pessoas em geral, é um enganocação comum fez prosperar e multiplicar admitir-se a inclusão. Neles são excluídosas escolas e classes especiais e serviços que tanto os alunos normais, como os especiais.recolhem os alunos especiais, legando-lhes As orientações imprimidas pela Política Na-uma condição de escolaridade à margem do cional de Educação Especial, na Perspectivaprocesso comum a outros colegas da mes- da Educação Inclusiva, de 2008, esclarecemma geração. as dúvidas relacionadas às diferenciações favorecidas pela existência dos serviços eA proliferação dos serviços da educação espe- equipamentos do ensino especial. 20cial, na perspectiva de uma educação exclu-dente, tem peso quando se avaliam as razões O caráter complementar da Educação Espe-pelas quais a educação comum se exime de cial, trazido por essa Política, retraça os pro-assumir suas responsabilidades e de criar no- jetos que visam à transformação das escolasvas possibilidades de transformar o processo em busca da qualidade de seu ensino. Se an-educativo, de modo que se torne plenamen- tes as escolas comuns se organizavam parate inclusivo. A educação especial, em coro, a atender apenas aos alunos que aprendiam,acompanha em muitos sentidos, querendo se excluindo os que não conseguiam aprender,esquivar das diretrizes da nova Política. agora elas se veem premidas a acolher todos os alunos, nas suas diferenças. Há, entãoHá os que reagem a esse documento, afir- que ser revista e reinterpretada a sua orga-mando que os sistemas de ensino diferen- nização pedagógica, para que reconstruamciam os alunos em normais e especiais, para suas propostas e avancem na qualidade e noincluir esses últimos nas escolas comuns, fu- atendimento à demanda de mais vagas paraturamente, quando se equipararem aos co- todos os alunos nas suas turmas. Vivemoslegas sem problemas de aprendizagem. Há atualmente uma situação nova, com a qualsistemas de ensino e escolas que se conside- a escola comum nunca se defrontou.ram inclusivos, por receberem e manterem
  21. 21. Uma das soluções para levantar o nível de mente do processo escolar, segundo suas ca-desenvolvimento da educação escolar tem pacidades, e sem que nenhuma delas possasido a de remediar a situação dos alunos ser motivo para uma diferenciação que osespeciais. A remediação consistiu na criação excluirá das suas turmas.do reforço escolar, das classes de acelera- Como garantir o direito à diferença nas es-ção, das salas de recurso. colas que ainda enten-Esses programas preci- dem que as diferençassam ser questionados Como garantir o direito estão apenas em al-e serão suprimidos se a à diferença nas escolas guns alunos, naquelessituação de remediação que são negativamente que ainda entendemfor revertida, ou me- compreendidos e diag- que as diferenças estãolhor, quando as escolas nosticados como “pro-se propuserem a desen- apenas em alguns blemas”, “doentes”,volver um ensino em alunos, naqueles que “indesejáveis”, sendoque as diferenças dos são negativamente que para a maioria des-alunos sejam acolhidas. compreendidos e ses alunos tais condi-Esse acolhimento impli- ções são consideradas 21 diagnosticados comoca que todos os alunos “sem volta”? “problemas”, “doentes”,construam o conheci-mento escolar segun- “indesejáveis”, sendo Os alvos desse questio-do suas capacidades, que para a maioria namento devem recairexpressem suas ideias desses alunos tais diretamente sobre as práticas de ensino quelivremente, participem condições sãoativamente das tarefas as escolas comuns e consideradas “semde ensino e se portem especiais adotam e que volta”? servem para excluir.como cidadãos, nassuas diferenças. Os encaminhamentosNas escolas inclusivas, os alunos não são dos alunos às classes e escolas especiais, osidentificados como especiais, normais, co- currículos adaptados, o ensino diferenciado,muns. Todos se igualam pelas suas diferen- a terminalidade específica e outras soluçõesças! A inclusão escolar impõe uma escola excludentes precisam ser indagados em suasem que todos os alunos estão inseridos sem razões de adoção, interrogados em seus be-quaisquer condições pelas quais possam ser nefícios, discutidos em seus fins e eliminadoslimitados em seu direito de participar ativa- por completo e com urgência. São essas me-
  22. 22. didas excludentes que criam a necessidade cialistas, pais e alunos e outros profissio-de existirem escolas para atender aos alunos, nais que compõem uma rede educacionalque se igualam por uma falsa normalidade em torno de uma proposta que é comum a– as escolas comuns – e que instituem as es- todas as escolas e que, ao mesmo tempo, écolas para os alunos que não cabem nesse construída por cada uma delas, segundo asgrupo – as escolas especiais. Ambas são es- suas peculiaridades.colas dos diferentes, que não se alinham aos O Projeto Político Pedagógico é o instrumen-propósitos de uma escola para todos. to por excelência para melhor desenvolver oQuando entendemos esses processos de di- plano de trabalho eleito e definido por umferenciação pela deficiência ou por outras coletivo escolar. Ele reflete a singularidadecaracterísticas que elegemos para excluir, do grupo que o produziu, suas escolhas e es-percebemos os equívocos, as discrepâncias pecificidades. Cada escola é única e, comoque nos faziam defender as escolas dos di- os seus alunos, deve ser reconhecida e valo-ferentes como solução privilegiada para rizada nas suas diferenças.atender às necessidades dos alunos. Com- Seguindo as pistas da inclusão não corre-preendemos, então, o sentido includente remos riscos de nos perdermos em atalhosdas escolas das diferenças. Essas escolas 22 que nos desviam da construção de uma es-reúnem, em seus espaços educacionais, os cola das diferenças. A Política de Educaçãoalunos tais quais eles são: únicos, singula- Especial é uma delas, neste momento. Che-res, mutantes, compreendendo-os como garemos mais além. Vamos em frente!pessoas que diferem umas das outras, quenão conseguimos conter em conjuntos defi-nidos por um único atributo, que elegemos Referências bibliográficas:para diferenciá-las.Nas pistas da inclusão BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Política Nacional deUm ensino para todos os alunos se distin- Educação Especial na Perspectiva da Educa-gue pela sua qualidade. O desafio de fazê-lo ção Inclusiva. Inclusão: Revista da educaçãoacontecer nas salas de aulas é uma tarefa especial, v. 4, n. 1, jan./jun. 2008. Brasília:a ser assumida por todos os que compõem MEC/SEESP, 2008.um sistema educacional. SILVA, Tomaz Tadeu da. Identidade e diferen-A qualidade do ensino provém de iniciativas ça: a perspectiva dos Estudos Culturais. 4. ed.que envolvem professores, gestores, espe- Petrópolis, RJ: Vozes, 2000.
  23. 23. Texto 2Atendimento educacional especializadoSalas de Recursos Multifuncionais: espaço para o atendimentoeducacional especializado nas redes públicas de ensino Rosângela Machadoi1As salas de recursos multifuncionais são es- ambiente e ao conhecimento escolares, porpaços localizados nas escolas públicas de meio do AEE.educação básica onde se realiza o Atendi-mento Educacional Especializado – AEE. Elas As salas de recursos multifuncionais permi-são constituídas de mobiliários, jogos peda- tem que o AEE, feito no turno oposto ao dagógicos, recursos de acessibilidade e equipa- sala de aula comum, seja realizado na pró-mentos específicos. pria escola em que o aluno frequenta. Se na escola do aluno não existir uma sala, o AEEA Política Nacional de Educação Especial na poderá ser realizado em outra escola próxi- 23Perspectiva da Educação Inclusiva, lançada ma à sua.em 2008 pelo Ministério da Educação, defineo AEE como um serviço da educação especial Os alunos atendidos na sala de recursos mul-que “[...] identifica, elabora e organiza recur- tifuncionais são os considerados público-al-sos pedagógicos e de acessibilidade, que eli- vo da educação especial:minem as barreiras para a plena participaçãodos alunos, considerando suas necessidades • alunos com deficiência: aqueles queespecíficas” (MEC, 2008). têm impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ouA Política sinaliza que a educação especial é sensorial, os quais, em interação comuma modalidade que perpassa todas as eta- diversas barreiras, podem obstruir suapas, as demais modalidades e os níveis de en- participação plena e efetiva na socieda-sino, sem substituí-los, ofertando serviços, de em igualdade de condições com asrecursos e estratégias de acessibilidade ao demais pessoas (ONU, Art. 01, 2006);1 Doutoranda em educação pela Universidade Estadual de Campinas - Unicamp. Coordenadora de EducaçãoEspecial da Rede Municipal de Ensino de Florianópolis no período de 2001 a 2008. Coordenadora-Geral de PolíticaPedagógica de Educação Especial da Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação no período de 2008a 2009. Professora da Rede Municipal de Ensino de Florianópolis.
  24. 24. • alunos com transtornos globais do e formação específica na educação especial, desenvolvimento: aqueles que apre- inicial ou continuada, para atuar com cada sentam um quadro de alterações no tipo de deficiência. desenvolvimento neuropsicomotor, comprometimento nas relações so- A educação especial na perspectiva da edu- ciais, na comunicação, ou estereo- cação inclusiva implica uma transformação tipias motoras. na formação de pro- Incluem-se nessa fessores, que neces- No cotidiano das definição alunos sita se adequar aos salas de recursos novos conhecimen- com autismo clás- sico, síndrome de multifuncionais, o tos que são próprios Asperger, síndro- professor identifica as do AEE. me de Rett, trans- necessidades específicas A formação de pro- torno desintegra- e as habilidades do tivo da infância fessores requer o aluno com deficiência, (psicose infantil) estudo da Tecnolo- faz um levantamento gia Assistiva e suas e transtornos in- vasivos sem outra de materiais e categorias: Comuni- 24 especificação. equipamentos existentes cação aumentativa e elabora o Plano de AEE e alternativa, infor- • alunos com al- mática acessível, re- para cada aluno. tas habilidades/ cursos pedagógicos superdotação: acessíveis, Sistema são aqueles que Braille, técnica do sorobã, produção de demonstram potencial elevado em materiais ampliados e em alto relevo, Lín- qualquer uma das seguintes áreas, iso- gua Brasileira de Sinais, Língua Portugue- ladas ou combinadas: intelectual, aca- sa na modalidade escrita para alunos com dêmica, liderança, psicomotricidade e surdez, entre outras categorias ligadas ao artes, além de apresentar grande cria- AEE. Essa formação deve estabelecer uma tividade, envolvimento na aprendiza- interlocução dos conhecimentos especiali- gem e realização de tarefas em áreas zados com as situações reais do cotidiano de seu interesse (MEC, 2008). escolar, em que o professor possa discutir o AEE com base nos recursos de acessibili-O professor que atua na sala de recursos dade e possa, em seguida, ter o aluno paramultifuncionais deve ter formação inicial atender.que o habilite para o exercício da docência
  25. 25. No cotidiano das salas de recursos multi- quanto ao uso de recursos, materiaisfuncionais, o professor identifica as necessi- e equipamentos utilizados pelo aluno.dades específicas e as habilidades do aluno • Articulação com a sala de aula comumcom deficiência, faz um levantamento de e articulação com a área clínica: con-materiais e equipamentos existentes e ela- siste na troca de informações entrebora o Plano de AEE para cada aluno. professores da sala de aula, professorO Plano de AEE resulta na organização do da sala de recursos multifuncionais eprofessor quanto às atividades de: profissionais da área clínica. • Atendimento ao aluno: consiste na • Avaliação do Plano: na execução do estruturação e execução das ativida- plano de AEE, o professor deverá ava- des desenvolvidas e na definição da liar sistematicamente o seu Plano, frequência e duração do atendimento revisando-o e atualizando-o, quando para cada aluno. necessário. • Produção de materiais: transcrição, É importante destacar que as atividades de- confecção, ampliação, gravação, en- senvolvidas pelo professor da sala de recur- sos multifuncionais não podem ser confun- 25 tre outros materiais, de acordo com as necessidades dos alunos. didas com as atividades dos profissionais do atendimento clínico. • Aquisição de materiais: consiste na indicação para a aquisição de: softwa- Para consolidar as orientações da Política res, recursos e equipamentos tecno- Nacional de Educação Especial na Perspec- lógicos, mobiliário, recursos ópticos, tiva da Educação Inclusiva e garantir o AEE dicionários e outros. nas redes públicas de ensino, foram lança- dos o Decreto n. 6.571/2008 e a Resolução • Acompanhamento do uso dos re- CNE/CBE N. 04/2009. cursos pelo aluno: refere-se às ações para verificação da funcionalidade e O Decreto n. 6.571/08, que dispõe sobre o da aplicabilidade do recurso: impacto, atendimento educacional especializado, efeitos, distorções, pertinência, negli- consolida diretrizes e ações já existentes, gência, limites e possibilidades do uso voltadas à educação especial na perspectiva na sala de aula, na escola e em casa. da educação inclusiva. Ele regulamenta o pa- rágrafo único do art. 60 da Lei n. 9.394/1996, • Orientação às famílias e aos professo- destinando recursos do Fundo Nacional de res: consiste nas ações de orientação
  26. 26. Desenvolvimento da Educação Básica - FUN- cas de educação especial surge por meio dasDEB ao atendimento educacional especiali- salas de recursos multifuncionais como umzado de alunos com deficiência, transtornos espaço escolar do AEE.globais do desenvolvimento e altas habilida-des/superdotação matriculados na rede pú- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASblica de ensino regular. BRASIL. Ministério da Educação. SecretariaDesta forma, serão de Educação Especial.contabilizados dupla- Política Nacional demente no âmbito do A Política Nacional de Educação Especial naFUNDEB, conforme Educação Especial na Pers­­ pectiva da Educaçãoregistro no Censo Perspectiva da Educação Inclusiva. Inclusão: revis-escolar/MEC/INEP do Inclusiva, o Decreto n. ta da educação especial,ano anterior, os alu- 6.571/2008 e a Resolução v. 4, n. 1, jan./jun. 2008.nos matriculados em Brasília: MEC / SEESP, CNE/CBE n. 04/2009 sãoclasses comuns de 2008.ensino regular públi- documentos oficiaisco que tiverem ma- que garantem o direito BRASIL. Ministério da 26trícula concomitante à educação de todos Educação. Secretaria deno AEE. os alunos e marcam Educação Especial. De- um novo tempo para a creto n. 6.571, de 17 deA Resolução CNE/CBE setembro de 2008. Bra- educação especial.n. 04 de 02 de outu- sília: MEC/SEESP, 2008.bro de 2009 instituias diretrizes opera- ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS – ONU.cionais para o Atendimento Educacional Es- Convenção sobre os Direitos das Pessoaspecializado na Educação Básica. com Deficiência, 2006.A Política Nacional de Educação Especial naPerspectiva da Educação Inclusiva, o Decre- BIBLIOGRAFIAto n. 6.571/2008 e a Resolução CNE/CBE n.04/2009 são documentos oficiais que garan- BATISTA, Cristina A. M. & MANTOAN, Mariatem o direito à educação de todos os alunos Teresa E. Educação Inclusiva: atendimentoe marcam um novo tempo para a educação educacional especializado para a deficiênciaespecial. Uma nova organização das práti- mental. Brasília: MEC/SEESP, 2005.
  27. 27. BRASIL. Ministério da Educação. Conselho GUATEMALA. Assembleia Geral, 29º perío-Nacional de Educação. Câmara de Educação do ordinário de sessões, tema 34 da agen-Básica. Resolução n. 04 de 02 de outubro de da. Convenção interamericana para a elimi-2009. nação de todas as formas de discriminação contra as pessoas portadoras de deficiência,BRASIL. Ministério da Educação. Secreta- 1999.ria de Educação Especial. Portal de ajudastécnicas para a educação: equipamento e MACHADO, Rosângela. Educação especial namaterial pedagógico para a educação, capa- escola inclusiva: políticas, paradigmas e prá-citação e recreação para a pessoa com defi- ticas. São Paulo: Cortez, 2009.ciência física – recursos pedagógicos adap-tados. Brasília: MEC/SEESP, 2006. MANTOAN, Maria Teresa Eglér. O direitoBRASIL. Ministério da Educação. Secreta- de ser, sendo diferente, na escola. In: Revistaria de Educação Especial. Portal de ajudas de Estudos Jurídicos, Brasília, n. 26, jul./set.técnicas para a educação: equipamento e 2004.material pedagógico para a educação, capa- ______. Inclusão Escolar: O que é? Por quê?citação e recreação para a pessoa com defi- Como fazer? São Paulo: Moderna, 2003. 27ciência física – recursos para a comunicaçãoalternativa. Brasília: MEC/SEESP, 2006. MITTLER, Peter. Educação inclusiva: contex-BRASIL. Constituição da República Federativa tos sociais. Trad. Windyz B. Ferreira. Portodo Brasil: promulgada em 5 de outubro de Alegre: Artmed, 2003.1988 / obra coletiva de autoria de AntonioLuiz de Toledo Pinto, Márcia Cristina Vaz dos SILVA, Tomaz Tadeu da. Identidade e diferen-Santos Windt e Lívia Céspedes. 37. ed. atual. ça: a perspectiva dos Estudos Culturais. 4.e ampl. São Paulo: Saraiva, 2005. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2005.FÁVERO, Eugênia A. G. Direito das pessoas STAINBACK, Susan & STAINBACK, William.com deficiência: garantia de igualdade na Inclusão: um guia para educadores. Portodiversidade. Rio de Janeiro: WVA, 2004. Alegre: Artes Médicas Sul, 1999.
  28. 28. Texto 3Práticas educacionais no contexto das diferençasEscola atenta às diferenças: gestão de redes e dos processosde ensino Maria Terezinha C. Teixeira dos Santos1Uma escola atenta às diferenças caracteriza- do papel da escola na superação da lógi-se como o espaço verdadeiramente demo- ca da exclusão.crático e de cidadania que tem o compro-misso de efetivar o direito à educação para A partir dos referenciais para a constru-todos os alunos. ção de sistemas educacionais inclusivos, a organização de escolas e classes espe- [...] A educação inclusiva constitui um ciais passa a ser repensada, implicando paradigma educacional fundamentado uma mudança estrutural e cultural da na concepção de direitos humanos, que escola para que todos os alunos tenham 28 conjuga igualdade e diferença como va- suas especificidades atendidas (BRASIL, lores indissociáveis, e que avança em re- 2008, p. 1.). lação à ideia de equidade formal ao con- textualizar as circunstâncias históricas Uma rede de ensino - ou uma escola com da produção da exclusão dentro e fora atenção às diferenças - não é, portanto, uma dela. mera exigência legal, um modismo ou uma vontade isolada. É uma transformação ne- Ao reconhecer que as dificuldades en- cessária em face às demandas do mundo frentadas nos sistemas de ensino evi- atual, uma responsabilidade inerente à ci- denciam a necessidade de confrontar as dadania, e uma preocupação obrigatória de práticas discriminatórias e criar alter- TODOS os sistemas de ensino, quer no âmbi- nativas para superá-las, a educação in- to da escola regular que precisa se organizar clusiva assume espaço central no debate para atender às diferenças, quer na devida acerca da sociedade contemporânea e compreensão da educação especial como1 Doutora em Educação pela Universidade Estadual de Campinas – Unicamp. Consultora da Secretaria deEducação Especial do Ministério da Educação. Professora de Mestrado em Educação da Universidade do Vale do RioVerde de Três Corações.
  29. 29. complementar à escola regular e oferecida dificuldades de aprendizado. Assim sen-sempre no contraturno e responsável pela do, ela deve ser encarada como um com-oferta de Atendimento Educacional Especia- promisso inadiável das escolas, que terálizado. a inclusão como consequência (BRASIL, 2003, p.30).Quando uma rede de ensino se propõe aconstruir escolas in- Em nível de gestão,clusivas que se preo- quando se entende quecupam com todos os A autonomia e a gestão as diferenças existem ealunos, as inovações democrática fazem parte começa-se a trabalharsão óbvias nos pro- com elas como uma da própria naturezacessos de organização referência positiva, e político e pedagógica dode ensino e aprendi- não como obstáculo,zagem que passam a Projeto escolar inclusivo, o princípio democrá-considerar: o ritmo de desenvolvendo uma tico se efetiva, pois aaprendizagem, a flexi- formação cidadã efetiva instituição escolar sebilização dos tempos no cotidiano e não como especializa em todose dos espaços escola- os alunos e não apenas 29 uma abstração de umres, a implementação em alguns deles. futuro que virá.de recursos de aces-sibilidade, o enrique- O projeto da escola in-cimento curricular, a clusiva está inserido nooperacionalização da oferta do AEE, o uso de contexto das diferenças. Cada escola é únicametodologias ativas e interativas e o caráter e inédita e desenvolve um processo repletoprocessual da avaliação. de desafios e alternativas. Nada está pronto e as instituições são possibilidades a seremAo se construírem à luz deste novo paradig- construídas.ma, as redes atentas às diferenças efetivammudanças e transformações e, neste senti- A autonomia e a gestão democrática fazemdo, pode-se afirmar com convicção que uma parte da própria natureza político e peda-escola inclusiva é uma escola de qualidade. gógica do Projeto escolar inclusivo, desen- volvendo uma formação cidadã efetiva no A transformação da escola não é, por- cotidiano e não como uma abstração de um tanto, uma mera exigência da inclusão futuro que virá. escolar de pessoas com deficiência e/ou
  30. 30. Esta clareza é fundamental para o gestor e não são. Como é possível escolher al-contribui para passar a limpo algumas con- gumas das escolas, como referência?tradições existentes na realidade das escolas É possível ter cidadania em uma e nãohoje, como por exemplo: em outra? É para valer, ou não? Não é demais lembrar que o setor público • Como se pode justificar uma escola tem a responsabilida- para todos, de- de pelo salto de qua- mocrática e ci- lidade na educação dadã, que não O município, chão tão proclamado e tão admita a inclu- concreto onde a almejado na socieda- são? educação acontece, tem de do conhecimentoNão existe nenhum atribuições estabelecidas em que se vive. Os da-Projeto Político Peda- pela Constituição dos consolidados pela Pesquisa Nacional porgógico que tenha co- Brasileira de 1988 àragem de dizer que é Amostra de Domicílios luz dos parâmetroscontra a construção – PNAD, realizada pelo das políticas nacionais Instituto Brasileiro de 30de cidadania. É só con-ferir os objetivos exis- e estaduais e tem Geografia e Estatísti-tentes nos respectivos autonomia para analisar ca – IBGE, em 2008,Projetos e em todos sua realidade local e evidenciaram que de cada 10 estudanteseles aparece a afirma- decidir os atendimentosção democrática de brasileiros, oito estão necessários à suaque a escola é aberta matriculados em es- população. colas públicas! Isto dápara todos. E aí comofica? É possível cons- uma dimensão mui-truir cidadania quan- to profunda do graudo existem cidadãos que discriminam uns de responsabilidade da gestão de sistemase outros? Qual a consistência destas propos- e das políticas públicas a serem adotadas.tas? É na escola pública que se desenha 80% do país que se quer ter!!! • Outra contradição bastante comum nos sistemas de ensino é decretar que Portanto, quando o gestor de uma rede de uma ou algumas das escolas da res- ensino tem compromisso com a inclusão pectiva rede são inclusivas, e as outras e tem plena convicção de que só assim ele
  31. 31. pode estar efetivamente oferecendo uma situação desejada. Por exemplo, no contex-escola de qualidade para toda sua comuni- to do paradigma da inclusão:dade, as metas de trabalho são definidas eALGUMAS PRIORIDADES PRECISAM SER OPE- Quanto ao Acesso e à Permanência dos alu-RACIONALIZADAS em todos os processos. nos: o município dispõe de mapeamento de sua população escolar? Tem informaçõesO município, chão concreto onde a educa- sobre os alunos que devem ser público-alvoção acontece, tem atribuições estabeleci- da educação especial e dos serviços ofere-das pela Constituição Brasileira de 1988 à cidos que garantem a acessibilidade destesluz dos parâmetros das políticas nacionais alunos ao ambiente e ao conhecimento es-e estaduais e tem autonomia para analisar colares?sua realidade local e decidir os atendimen-tos necessários à sua população. Quanto à Infraestrutura: quais são as con- dições físicas dos espaços escolares e aNo nível do Planejamento, elaborar um Pla- acessibilidade existente? Nos espaços forano Municipal não deve ser um mero exercí- da escola (calçadas, ônibus, outros) existecio burocrático. É preciso fazer valer a capa- acessibilidade? Quais recursos de tecnolo-cidade de analisar, diagnosticar, organizar e gia e de comunicação são oportunizados? 31decidir a educação que se deseja. O transporte escolar é acessível? Os alunos têm acesso aos materiais escolares e livros?É necessário deixar claro aqui que o Plano A merenda escolar é de boa qualidade, ga-Municipal de Educação é um documento da rante uma alimentação saudável?maior importância para estar operaciona-lizando políticas públicas inclusivas para o Quanto ao Pedagógico: a aprendizagem émunicípio. o eixo central das escolas? O Projeto Políti- co Pedagógico é elaborado e vivenciado emNão se trata de restringir a preocupação ao gestão democrática? O trabalho com as di-domínio das escolas municipais, mas sim ferenças é contemplado em cada uma dasarticular o acesso, a permanência e a equa- escolas? Existe preocupação em flexibilizarlização de oportunidades para todos os ci- tempos e espaços? O Atendimento Educa-dadãos. cional Especializado está sistematizado e atende aos alunos que dele necessitam?Alguns indicadores concretos permitemidentificar como se encontra um determi- Quanto aos professores e especialistas:nado fenômeno, quando comparado com a existe formação continuada na rede de ensi-
  32. 32. no? Esta formação é realizada com metodo- cola é o domínio exclusivo responsável pelalogias ativas e interativas para a construção educação.do conhecimento? Os horários de estudo ede reuniões estão garantidos? Existe preo- A preocupação que deve estar no ar de umacupação com Plano de Carreira e valoriza- cidade cidadã em todos os momentos eção dos profissionais? em todos os setores é a de qual educação está se construindo, qual inclusão está seQuanto à gestão democrática: existem me- garantindo, ao se definir cada um dos servi-canismos de participação nos planejamen- ços prestados à comunidade. Por exemplo:tos, nos processos de execução e de avalia- quando se estabelece o transporte dos cida-ção das propostas da rede de ensino? Estão dãos, as prioridades na agricultura, as polí-garantidos mecanismos de comunicação e ticas de saúde e assim por diante, qual é ode transparência de informações para que grau de educação que está inserido em cadaa gestão democrática se efetive? Existem ór- uma destas propostas?gãos colegiados que funcionam de verdade? Este compromisso precisa estar explicitadoQuanto à dimensão social e cultural: exis- com MARCAS CLARAS DE ATENÇÃO ÀS DIFE-te articulação entre todos os setores da co- RENÇAS em toda cidade, em todos os servi- 32munidade, parcerias para o desenvolvimen- ços públicos.to da Educação como tarefa de cidadania?Existem práticas culturais valorizadas e de- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASsenvolvidas em toda comunidade? BRASIL. Ministério da Educação. SecretariaA gestão de políticas públicas inclusivas de Educação Especial. Política Nacional dedeve contar com a efetiva participação Educação Especial na Perspectiva da Educa-de todos os segmentos da sociedade, pois ção Inclusiva. Inclusão: Revista da educaçãouma efetiva transformação nas escolas só especial, v. 4, n. 1, jan./jun. 2008. Brasília:vai acontecer na hora em que a Educação MEC/SEESP, 2008.for entendida como a proposta de vida domunicípio, abraçada pelo Prefeito, demaissecretarias e outros poderes institucionais. BRASIL. Ministério Público Federal. Procu- radoria Federal dos Direitos do Cidadão. OQuando se dimensiona a construção de ci- acesso de pessoas com deficiência às classesdadania efetiva, não se pode contentar com e escolas comuns da rede regular de ensino.uma perspectiva fragmentada de que a es- Brasília, 2003.
  33. 33. BIBLIOGRAFIA nomia da escola: princípios e propostas. São Paulo: Cortez, 1997, p.117- 124.ARROYO, M. Trabalho-educação e teoria pe-dagógica. In: FRIGOTTO, G. (org.) Educação MANTOAN, M.T.E. (org.). Pensando e fazen-e crise do trabalho: perspectivas de final de do educação de qualidade. São Paulo: Editoraséculo. Petrópolis: Vozes, 1998. Moderna, 2001.AZANHA, J. M. P. Autonomia da escola: um _______. Inclusão Escolar: o que é? Por quê?reexame. Série Ideias, n.16, São Paulo: FDE, Como fazer? São Paulo: Editora Moderna,1993. 2003.BOFF, Leonardo. Ecologia, Mundialização e _______. (org.) O desafio das diferenças nas es-Espiritualidade. São Paulo: Ed. Ática, 2001. colas. Petrópolis: Editora Vozes, 2008.BRASIL. Constituição da República Federati- PINHEIRO, M. E. O Projeto Político Pedagó-va do Brasil. São Paulo: Editora Saraiva, 1998. gico e a formalização da gestão democráti- ca. In: Secretaria de Estado da EducaçãoBRASIL. Lei nº 9.394 de 20 de dezembro de de Minas Gerais, Coleção Veredas. Guia de1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Edu- 33 Estudo – Módulo 4, v. 3. Belo Horizonte,cação Nacional. Diário Oficial da União. Bra- 2003.sília, nº 248, 23/12/1996.BRASIL. Decreto nº 6.571 de 18 de setembro SANTOS, M.T.T. Bem vindo à escola: a inclusãode 2008. Dispõe sobre o Atendimento Educa- nas vozes do cotidiano. Rio de Janeiro: DP&A,cional Especializado. Brasília, 2008. 2006.BRASIL. Ministério da Educação. Conselho VEIGA, I. P. (org.) Projeto Político-PedagógicoNacional de Educação. Resolução n. 04 de 02 da escola: uma construção possível. Campi-de outubro de 2009. Brasília, 2009. nas: Papirus, 1995.GADOTTI, M. Uma escola, muitas culturas. _______. (org.) Escola: espaço do Projeto Políti-In: GADOTTI, M. & ROMÃO. J. E. (org.) Auto- co-Pedagógico. Campinas: Papirus, 1998.
  34. 34. Presidência da RepúblicaMinistério da EducaçãoSecretaria de Educação a DistânciaDireção de Produção de Conteúdos e Formação em Educação a DistânciaTV ESCOLA/ SALTO PARA O FUTUROCoordenação-geral da TV EscolaÉrico da SilveiraCoordenação PedagógicaMaria Carolina Machado Mello de SousaSupervisão PedagógicaRosa Helena MendonçaAcompanhamento PedagógicoGrazielle Avellar Bragança 34Coordenação de Utilização e AvaliaçãoMônica MufarrejFernanda BragaCopidesque e RevisãoMagda Frediani MartinsDiagramação e EditoraçãoEquipe do Núcleo de Produção Gráfica de Mídia Impressa – TV BrasilGerência de Criação e Produção de ArteConsultora especialmente convidadaRita Vieira de FigueiredoE-mail: salto@mec.gov.brHome page: www.tvbrasil.org.br/saltoRua da Relação, 18, 4o andar – Centro.CEP: 20231-110 – Rio de Janeiro (RJ)Abril 2010

×