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Redações nota 1000 no enem 2015 por Manoel Neves

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  • @jusoare5 Oi... Eu não tenho foto dos textos manuscritos, mas eu citei a fonte. Os textos foram publicados no UOL. Grande abraço! Bons estudos!
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  • Olá, estava a procura de alguns textos nota 1000 de 2015, obrigada. Você tem como disponibilizá-los digitalizados, escritas à mão pelo próprio autor?
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Redações nota 1000 no enem 2015 por Manoel Neves

  1. 1. 1 ENEM NOTA 1000 Informação e criatividade destacam alunos com a nota 1000 na redação do ENEM “Folha de S. Paulo”, 20/03/2016 01) “Dói, um tapinha dói”, de Fábio Lopes Júnior A Revolução Francesa foi responsável por levar ao mundo os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. Desde lá, de fato, o movimento feminista busca a universalização dos direitos civis e sociais, promovida pela Revolução. Entretanto, é notório que os valores patriarcalistas, os quais consideram a mulher inferior ao homem, insistem em permear as diversas instâncias sociais brasileiras, inserindo a inverdade de um possível controle masculino sobre o corpo da mulher, o que desemboca em crimes de violência e assédio contra elas. Nesse sentido, a educação familiar e escolar oferecida aos meninos difere, ainda, da oferecida às meninas. Dessa maneira, é possível observar que desde pequenas, as crianças recebem valores conservadores que separam socialmente homens e mulheres por diferenças biológicas, oferecendo privilégios aos primeiros. Assim, quando adultos, os indivíduos ajudam a propagar o machismo, de modo que a superioridade idealizada pelo homem chega a passar despercebida pela sociedade civil, como a exemplo do sucesso obtido por músicas que incitam, claramente, a violência contra as mulheres. Ademais, as políticas públicas de combate à violência doméstica e ao feminicídio, por exemplo, encontram dificuldades na falta de denúncias. Nesse contexto, os diversos assédios morais e físicos sofridos diariamente pelas mulheres não recebem a devida punição. Isso pode ser ilustrado pela campanha lançada nas redes sociais, em outubro de 2015, intitulada “#PrimeiroAssédio”, na qual as mulheres traziam à tona relatos de atos de violência masculina que não foram devidamente punidos. Em suma, a violência é fruto de valores machistas persistentes na sociedade. Portanto, é necessário que a escola e as famílias, como agentes educadores, mostrem aos seus filhos que as diferenças biológicas entre homens e mulheres não são fatores de superioridade e inferioridade, consoante o pensamento da filósofa ilumina Mary Wollstonecraft, “a mente não tem gênero”. Além disso, ONGs de defesa da mulheres devem, por meio das redes sociais, apresentar as diversas formas de denúncia e os direitos garantidos a elas pela Constituição. Por fim, é importante que as grandes mídias apresentem em suas novelas e programas exemplos de mulheres bem-sucedidas e independentes de uma presença masculina, de modo a atenuar o machismo. 02) “Sem título”, de Ana Santana Moioli Figuras como Simone de Beauvoir, pensadora francesa, revolucionaram a discussão sobre igualdade de gênero em escala global, dando grande força ao movimento feminista nas últimas décadas. Inspirada na teoria existencialista de seu parceiro Sartre, Simone propôs que a existência precede a essência em todos os seres humanos, homens ou mulheres, de modo que a hierarquização ligada ao sexo biológico fosse uma completa convenção social. Apesar disso, no Brasil, o gênero feminino ainda encontra grandes dificuldades a serem superadas, com ênfase na persistente violência contra a mulher.
  2. 2. 2 Embora já tenha havido notáveis avanços nessa luta, a mulher brasileira ainda é vítima de diversos tipos de agressões. A Lei Maria da Penha, que estabelece punições aos agressores, é um exemplo de conquista do movimento, tendo levado à justiça mais de 330 mil casos entre setembro de 2006 e março de 2011, segundo dados divulgados pela revista “IstoÉ”. Por outro lado, neste mês de outubro, discute-se no poder legislativo a ideia de tornar novamente proibido o aborto em casos de estupro. Isto representa o risco de inúmeras mulheres (sobretudo as menos favorecidas), cuja dignidade já foi ferida no abuso sexual, perderem suas vidas em abortos clandestinos. Desse modo, é importante reconhecer que já houve, sim, vitórias, mas ainda se veem fortes resistências à batalha feminina. Algo que contribui para o enraizamento da noção de inferioridade da mulher na mente dos brasileiros e, portanto, para a persistência de tal violência é a representação feminina na mídia. Mesmo em 2015, comerciais de cerveja, por exemplo, reduzem a figura das brasileiras a objetos sexuais, cujo único objetivo é servir os homens. Ao mesmo tempo, propagandas de produtos de limpeza a reproduzem a ainda existente relação aparentemente natural entre a mulher e a cozinha, sendo o marido o único capaz de trabalhar na sociedade e sustentar a família. Assim, a diferenciação entre gêneros torna-se quase inconsciente, o que acaba servindo como justificativa para que os números de mulheres agredidas não sejam levados tão a sério. Os apontamentos acima evidenciam a necessidade de que sejam tomadas medidas a fim de proteger a mulher brasileira. O Estado deve ampliar a legislação voltada para a publicidade que expõe a figura feminina. É também preciso que escolas públicas e privadas invistam em discussões sobre gêneros, visando desconstruir convenções sociais. A mídia, na mesma linha, em vez de reificar a mulher, deveria promover programas de conscientização sobre o tema. Por fim, cabe à sociedade pressionar o governo em nome da regulamentação da prática do aborto, cuja proibição representa a falta de reconhecimento de uma violência em massa contra as mulheres. 03) “Desconstruindo ideologias: sob a égide da democracia”, de Amanda della Togna Torres O preconceito contra o sexo feminino é um problema que assola o cotidiano pós- moderno, sendo inúmeras as formas por meio das quais tal discriminação se apresenta. Seja por meio da violência física, psicológica, sexual ou patrimonial, as mulheres têm sofrido nas mãos de agressores que veem no sexo feminino um elemento "frágil", ideologia que é a completa antítese das democracias contemporâneas, supostamente liberais e igualitárias. Nesse contexto, deve-se discutir a persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira. Desde os primórdios da civilização, foi criado um estereótipo que reservava às mulheres apenas as funções domésticas e de procriação, excluindo a possibilidade de seu ingresso nas esferas da política ou mesmo do trabalho. Todavia, tal estereótipo vem sendo desconstruído, ao passo que as mulheres conquistam mais espaço nas relações sociais, políticas e econômicas ao redor do mundo. Toma-se como exemplo as lideranças políticas alemã, argentina e, principalmente, brasileira: hoje, tais cargos são exercidos por mulheres, realidade improvável há algumas décadas.
  3. 3. 3 Todavia, ideologias preconceituosas e agressivas ainda são inerentes à sociedade brasileira, constituindo um entrave ao progresso da nação como um todo. Este quadro se torna evidente ao serem apresentados dados disponibilizados no site da revista "Istoé": no período de setembro de 2006 a março de 2011, mais de 330 mil processos com base na Lei Maria da Penha foram instaurados nos juizados e varas especializados. É no mínimo incoerente que, em pleno século XXI, junto a um cenário pautado pelas ideias de igualdade e liberdade como base fundamental de toda e qualquer democracia, ainda existam milhares de mulheres sofrendo por agressões de natureza absolutamente injustificável. Assim, é imprescindível que medidas sejam tomadas para a compleição de uma democracia justa e igualitária em sua plenitude. Desse modo, cabe ao Governo tornar mais rígida a legislação concernente ao bem-estar do sexo feminino, tomando as devidas providências quando algo estiver em desacordo com o que prega a Lei; às escolas, cabe o dever de instruir as gerações futuras quanto à igualdade entre os cidadãos de uma democracia, conscientizando-os do caráter absurdo presente em atos discriminatórios e agressivos. Por fim, lança-se um apelo às vítimas, ressaltando-se que a denúncia é a forma mais eficiente de se combater o problema. Afinal, à guisa de Simone de Beauvoir, o opressor não seria tão forte se não encontrasse cúmplices entre os próprios oprimidos. 04) “Violação à dignidade feminina”, de Cecília Maria Lima Historicamente, o papel feminino nas sociedades ocidentais foi subjugado aos interesses masculinos e tal paradigma só começou a ser contestado em meados do século XX, tendo a francesa Simone de Beauvoir como um dos expoentes do movimento por igualdade de gênero. Conquanto tenham sido obtidos avanços no que diz respeito aos direitos civis, a violência contra a mulher é uma problemática persistente no Brasil, uma vez que ela se dá–na maioria das vezes– no âmbito doméstico. Esse fato se deve às dificuldades em denunciar o agressor e à vergonha de se expor e assumir a condição de vítima. Com efeito, ao longo das últimas décadas, a mulher ganhou notável destaque nas representações políticas e no mercado de trabalho. As relações na vida privada, contudo, ainda obedecem a uma lógica machista em muitas famílias. Nesse contexto, a agressão parte de um pai, irmão, marido ou filho, condição de parentesco essa que desencoraja a vítima a prestar queixas, visto que há um vínculo sanguíneo e afetivo que ela teme romper. Outrossim, é válido salientar que a violência de gênero está presente em todas as camadas sociais. Ela se revela não apenas nas marcas físicas de um assassinato ou estupro, mas também nos atos de misoginia e ridicularização da figura feminina em hábitos culturais como piadas e músicas populares. Essa é a opressão simbólica da qual trata o sociólogo Pierre Bourdieu: a violação aos Direitos Humanos não consiste somente no embate físico, ela está, sobretudo, no ato de perpetuar preconceitos que atentam contra a dignidade de um grupo social. Destarte, o Brasil está alguns passos à frente de outros países em relação ao combate à violência contra mulheres, tendo em vista, por exemplo, a Lei Maria da Penha. Entretanto, é necessário endurecer as penalidades para coibir essa prática. Assim, uma iniciativa plausível tomada pelo Congresso Nacional no intuito de tipificar o feminicídio como crime de ódio e hediondo deve fazer com
  4. 4. 4 que agressores tenham penas maiores a cumprir. Em contrapartida, o Estado deve aumentar o número de delegacias de apoio à mulher com turnos de 24 horas para que a sociedade também colabore denunciando. O debate sobre essa questão deve ser permanente nas escolas e no meio social, pois só assim é possível transformar maus preconceitos em uma cultura de paz. 05) “Sem título”, de Isadora Furtado A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira é um problema muito presente. Isso deve ser enfrentado, uma vez que muitas mulheres sofrem diariamente com esta questão. Nesse sentido, dois aspectos fazem-se relevantes: o legado histórico-cultural e o que é previsto por lei. Segundo a História, a mulher sempre foi vista como inferior e submissa ao homem. Prova disso é o fato de elas poderem exercer direitos políticos, ingressarem no mercado de trabalho e escolherem suas próprias roupas muito tempo depois do gênero oposto. Esse cenário, juntamente aos inúmeros casos de violência contra as mulheres, corroboram a ideia de que elas são vítimas de um legado histórico-cultural. Nesse ínterim, a cultura machista foi a que prevaleceu ao longo dos anos e enraizou-se na sociedade contemporânea, mesmo de forma implícita à primeira vista. Conforme previsto pela Constituição Brasileira, todos são iguais perante à lei, independente de cor, raça e gênero, sendo a isonomia salarial, aquela que prevê o mesmo salário para os que desempenham a mesma função, também garantida por lei. No entanto, o que se observa em diversas partes do país é a gritante diferença entre os salários de homens e mulheres, principalmente se esta for negra. Esse fato causa extrema decepção e constrangimento a elas, as quais sentem-se inseguras e sem ter a quem recorrer. Desse modo, medidas fazem-se necessárias para solucionar a problemática. Diante dos argumentos supracitados, é dever do Estado proteger as mulheres da violência, seja física ou moral, criando leis mais rígidas e punições mais severas para aqueles que cometem agressões contra as mulheres. Some-se a isso investimentos em educação, valorizando e capacitando os professores, no intuito de formar cidadãos mais comprometidos com o bem-estar de todos. 06) “Sem título”, de Luana Natália de Sena Simone de Beauvoir, filósofa francesa e nome importante do feminismo do século XX, já advertiu: não se nasce mulher, torna-se. Ou seja, não há nada na biologia feminina que determine sua inferioridade frente aos homens. Essa submissão, creditada pelo machismo e imposta socialmente às garotas desde a tenra infância, faz da mulher objeto e, por isso, alvo de inúmeras atrocidades, como a violência. Tal pensamento arcaico de que mulheres são posses de terceiros e não seres autônomos é decisivo para a existência dessa realidade. É preciso uma união entre mulheres cientes de seus direitos e uma sociedade que preze pelo bem estar dos seus cidadãos para mudar o atual quadro brasileiro. Ditados populares, como o famoso "em briga de marido e mulher ninguém mete a colher", demonstram a falta de empatia em relação às mulheres que vivem em relacionamentos abusivos, tidos por muitos como fato normal. Não raro a violência chega a ser romantizada, principalmente em novelas: se bateu é porque ama. Toda essa alienação contribui para a existência de mulheres inseguras e
  5. 5. 5 assombradas, que não conseguem aproveitar plenamente sua liberdade com medo de represálias de um parceiro. Ademais, além da violência física por parte de cônjuges, a mulher é passível de outros tipos de violência no momento em que sai às ruas, haja vista a cultura do estupro e do assédio que vigora no país. Apesar de relatar o contexto de outra nação latino-americana, Isabel Allende, em "A Casa dos Espíritos", demonstra que, devido ao mesmo passado colonial, o Brasil assemelha-se bastante aos seus vizinhos, visto que o livro é palco de variados casos de estupros cometidos por um patrão que pensa ser dono de suas empregadas. A violência contra a mulher persiste no país, portanto, devido ao sexismo e ao machismo de suas instituições. Para reverter essa cruel realidade, é possível que as universidades criem cursos de extensão junto às áreas de Psicologia, Serviço Social e Filosofia destinados à realização de palestras que versem sobre as consequências do feminicídio na sociedade. Também, cabe ao governo melhorar o serviço das delegacias destinadas à mulher, a fim de que a vítima seja acolhida por profissionais preparados. Por fim, o movimento feminista, aliado à mídia, deve promover campanhas destinadas a empoderar cada vez mais mulheres, para que elas não sejam silenciadas como foram suas avós. 07) “Sem título”, de Paula Vitória Macedo Há algumas décadas, era comum que a mulher estivesse associada apenas aos papéis de mãe, esposa e dona de casa. Através dos movimentos sociais ocorridos entre as décadas de 1970 e 1980, essa situação mudou: a mulher conquistou seu espaço no mercado de trabalho e na sociedade, passando a ter direitos políticos, por exemplo. Entretanto, apesar das conquistas, entre elas a Lei Maria da Penha, a mulher continua a sofrer diversos tipos de violência, decorrentes do pensamento machista e patriarcal que ainda são perpetuados na sociedade brasileira. Ainda que a violência física e sexual sejam as mais óbvias, são várias as formas como se pratica a violência contra a mulher. Um dessas formas é a violência psicológica, praticada através dos ideais de beleza impostos pela mídia e pela sociedade, os quais reificam o corpo feminino. Prova disso é que as mulheres ainda são utilizadas como objetos para a satisfação e admiração masculina em propagandas de cerveja, por exemplo. Outra forma de violência é a moral: mulheres continuam sendo assediadas no trabalho, nas ruas e nos transportes coletivos. Somada ao assédio no trabalho, está ainda a disparidade de salários entre homens e mulheres: dados do IBGE apontam que o salário da mulher pode chegar a ser 30% inferior ao de homens que ocupam o mesmo cargo. Já a violência sexual é justificada socialmente através da cultura de estupro, por meio da qual a culpa é atribuída a vítima. Dessa maneira, mulheres continuam sendo privadas de sua liberdade para vestir sair ou ser o que quiserem. Sendo assim, essas formas de violência, que muitas vezes passam despercebidas pela sociedade, são frutos de uma cultura machista que ainda prevalece no Brasil. Afinal, apesar de todas as conquistas que a mulher obteve e das leis que a protege, não houve quaisquer reformas que possibilitassem a quebra das estruturas que sustentam e justificam essas violências. Dessa forma, meninos continuam sendo educados para comandar a mulher enquanto meninas continuam sendo educadas para serem donas de casa. Esse modelo binário de
  6. 6. 6 educação de gênero é o principal fator que permite a persistência da violência contra a mulher. Nesse contexto, faz-se necessário mudar o pensamento machista sob o qual a violência se sustenta. Assim, em primeiro lugar, o Estado deve regular as propagandas que reificam o corpo feminino. Somado a isso, deve promover a igualdade entre os salários bem como deve garantir segurança das mulheres nos transportes coletivos e nas ruas, através de investimentos em segurança pública. Em segundo lugar, deve-se implementar nas escolas e universidades uma educação de gênero por meio da qual se desconstrua, paulatinamente o pensamento patriarcal. 08) “Equilíbrio aristotélico”, de Raphael Luan Carvalho de Souza Ao longo do processo de formação do Estado brasileiro, do século XVI ao XXI, o pensamento machista consolidou-se e permaneceu forte. A mulher era vista, de maneira mais intensa na transição entre a Idade Moderna e a Contemporânea, como inferior ao homem, tendo seu direito ao voto conquistado apenas na década de 1930, com a chegada da Era Vargas. Com isso, surge a problemática da violência de gênero dessa lógica excludente que persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela insuficiência de leis, seja pela lenta mudança de mentalidade social. É indubitável que a questão constitucional e sua aplicação estejam entre as causas do problema. De acordo com Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a agressão contra a mulher rompe essa harmonia, haja vista que, embora a Lei Maria da Penha tenha sido um grande progresso em relação à proteção feminina, há brechas que permitem a ocorrência dos crimes, como as muitas vítimas que deixam de efetivar a denúncia por serem intimidadas. Desse modo, evidencia-se a importância do reforço da prática da regulamentação como forma de combate à problemática. Outrossim, destaca-se o machismo como impulsionador da violência contra a mulher. Segundo Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que o preconceito de gênero pode ser encaixado na teoria do sociólogo, uma vez que, se uma criança vive em uma família com esse comportamento, tende a adotá-lo também por conta da vivência em grupo. Assim, o fortalecimento do pensamento da exclusão feminina, transmitido de geração a geração, funciona como forte base dessa forma de agressão, agravando o problema no Brasil. Entende-se, portanto, que a continuidade da violência contra a mulher na contemporaneidade é fruto da ainda fraca eficácia das leis e da permanência do machismo como intenso fato social. A fim de atenuar o problema, o Governo Federal deve elaborar um plano de implementação de novas delegacias especializadas nessa forma de agressão, aliado à esfera estadual e municipal do poder, principalmente nas áreas que mais necessitem, além de aplicar campanhas de abrangência nacional junto às emissoras abertas de televisão como forma de estímulo à denúncia desses crimes. Dessa forma, com base no equilíbrio proposto por Aristóteles, esse fato social será gradativamente minimizado no país.
  7. 7. 7 09) “Sem título”, de Valéria Alves A submissão da mulher em uma sociedade patriarcalista como a brasileira é um fato que tem origens históricas. Por todo o mundo, a figura feminina teve seus direitos cerceados e a liberdade limitada devido ao fato de ser considerada mais "frágil" ou "sensível", ainda que isso não pudesse ser provado cientificamente. Tal pensamento deu margem a uma maior subjugação da mulher e abriu portas a atos de violência a ela direcionados. Nessa perspectiva, a sociedade brasileira é pautada por uma visão machista. A liberdade feminina chega a ser tão limitada ao ponto que as mulheres que se vestem de acordo com as próprias vontades, expondo partes do corpo consideradas irreverentes, correm o risco de serem violentadas sob a justificativa de que "estavam pedindo por isso". Esse pensamento perdura no meio social, ainda que muitas conquistas de movimentos feministas –pautados no existencialismo da filósofa Simone de Beauvoir - tenham contribuído para diminuir essa percepção arcaica da mulher como objeto. Diante disso, as famílias brasileiras com acesso restrito à informação globalizada ou desavisadas a respeito dos Direitos Humanos continuam a pôr em prática atos atrozes em direção àquela que deveria ser o centro de gravitação do Lar. A violência doméstica, em especial física e psicológica, é praticada por homens com necessidade de autoafirmação ou dependentes de drogas (com destaque para o álcool) e faz milhares de vítimas diariamente no país. Nesse sentido, a criação de leis como a do feminicídio e Maria da Penha foram essenciais para apaziguar os conflitos e dar suporte a esse grupo antes marginalizado. Paralelo a isso, o exemplo dado pelo pai ao violentar mulher tem como consequência a solidificação de tal prática no psicológico dos filhos. As crianças, dotadas de pouca capacidade de discernimento, sofrem ao ver a mãe sendo violentada e tem grandes chances de se tornarem adultos violentos, contribuindo para a manutenção das práticas abusivas nas gerações em desenvolvimento e dificultando a extinção desse comportamento na sociedade. Desde os primórdios, nas primeiras sociedades formadas da Antiguidade até hoje, a mulher luta por liberdade, representatividade e respeito. O Estado pode contribuir nessa conquista ao investir em ONGs voltadas à defesa de direitos femininos e ao mobilizar campanhas e palestras públicas em escolas, comunidades e na mídia, objetivando a exposição da problemática e o debate acerca do respeito aos direitos femininos. É importante também a criação de um projeto de distribuição de histórias em quadrinhos e livros nas escolas, conscientizando as crianças e jovens sobre igualdade de gênero de forma divertida e interativa. Disponível em: http://temas.folha.uol.com.br/enem-nota-mil/redacoes-nota- mil/volta-aos-estudos-apos-quatro-anos.shtml. Acesso em: 20 mar. 2016.

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