A primeira geração do modernismo brasileiro

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A primeira geração do modernismo brasileiro

  1. 1. HISTÓRIA DA LITERATURA Manoel Neves PRIMEIRA GERAÇÃO DO MODERNISMO BRASILEIRO
  2. 2. LINHAS GERAIS
  3. 3. LINHAS GERAIS DA PRIMEIRA GERAÇÃO DO MODERNISMO fase iconoclasta [quer romper com o passado literário-cultural]; anarquismo [não sabemos o que queremos]; eleição do moderno como um valor em si; busca da originalidade a qualquer preço; luta contra o tradicionalismo; juízos de realidade sobre a realidade brasileira; valorização da poética do cotidiano; nacionalismo.
  4. 4. Estou farto do lirismo comedido Do lirismo bem comportado Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente [protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor. Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no dicionário o [cunho vernáculo de um vocábulo. Abaixo os puristas BANDEIRA, Manuel. Poética. In.: Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008. Primeira parte. Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis Estou farto do lirismo namorador Político Raquítico Sifilítico De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo lirismo metalinguístico: discute o fazer poético versos livros e brancos, estrofes irregulares crítica à previsibilidade do lirismo parnasiano Estou farto do lirismo comedido Do lirismo bem comportado Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente [protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor. Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no dicionário o [cunho vernáculo de um vocábulo. Abaixo os puristas Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis Estou farto do lirismo namorador Político Raquítico Sifilítico De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo defesa da liberdade [linguística e poética] Estou farto do lirismo comedido Do lirismo bem comportado Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente [protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor. Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no dicionário o [cunho vernáculo de um vocábulo. Abaixo os puristas Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis Estou farto do lirismo namorador Político Raquítico Sifilítico De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo paralelismo sintático crítica à previsibilidade do lirismo romântico Estou farto do lirismo comedido Do lirismo bem comportado Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente [protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor. Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no dicionário o [cunho vernáculo de um vocábulo. Abaixo os puristas Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis Estou farto do lirismo namorador Político Raquítico Sifilítico De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo
  5. 5. BANDEIRA, Manuel. Poética. In.: Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008. Segunda parte. De resto não é lirismo Será contabilidade tabela de cossenos secretário do amante exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes maneiras de agradar às mulheres etc. Quero antes o lirismo dos loucos O lirismo dos bêbados O lirismo difícil e pungente dos bêbedos O lirismo dos clowns de Shakespeare – Não quero mais saber do lirismo que não é libertação. critica à previsibilidade do lirismo romântico De resto não é lirismo Será contabilidade tabela de cossenos secretário do amante exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes maneiras de agradar às mulheres etc. Quero antes o lirismo dos loucos O lirismo dos bêbados O lirismo difícil e pungente dos bêbedos O lirismo dos clowns de Shakespeare – Não quero mais saber do lirismo que não é libertação. defesa do lirismo moderno De resto não é lirismo Será contabilidade tabela de cossenos secretário do amante exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes maneiras de agradar às mulheres etc. Quero antes o lirismo dos loucos O lirismo dos bêbados O lirismo difícil e pungente dos bêbedos O lirismo dos clowns de Shakespeare – Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.
  6. 6. AS REVISTAS DO MODERNISMO BRASILEIRO
  7. 7. QUANDO SURGEM? As revistas modernistas surgem imediatamente após a Semana de Arte Moderna e congregam artistas por afinidade ideológica. COMO OPERAM? Tal qual ocorria nas Vanguardas Europeias, os artistas se reúnem, publicam manifestos e põem em prática seus conceitos por intermédio de obras estéticas de várias naturezas. AS REVISTAS DO MODERNISMO BRASILEIRO QUAL O OBJETIVO? As revistas alavancam o movimento modernista e põem ideias e textos em circulação. QUAIS AS MAIS RELEVANTES? Klaxon, a primeira revista do modernismo; a Revista de Antropofagia, que reuniu autores como Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Raul Bopp; e a Revista Verde, que trazia textos de Raul Bopp e de Carlos Drummond de Andrade.
  8. 8. Capa da revista “Klaxon”. Disponível em: http://www.wikipedia.org. Acesso em 02 jan. 2016.
  9. 9. Capa da “Revista de Antropofagia”. Disponível em: http://www.wikipedia.org. Acesso em 02 jan. 2016.
  10. 10. Capa da “Revista Verde”. Disponível em: http://www.wikipedia.org. Acesso em 02 jan. 2016.
  11. 11. MOVIMENTO PAU-BRASIL: 1924
  12. 12. O Carnaval. O Sertão e a Favela. Pau-Brasil. Bárbaro e nosso. A formação étnica rica. A riqueza vegetal. O minério. A cozinha. O vatapá, o ouro e a dança. Contra a fatalidade do primeiro branco aportando e dominando diplomaticamente as selvas selvagens. Citando Virgílio para tupiniquins. O bacharel. País de dores anônimas. De doutores anônimos. Sociedade de náufragos eruditos. Donde nunca a exportação de poesia. A poesia emaranhada na cultura. Nos cipós das metrificações. A língua sem arcaísmos. Sem erudição. Natural e neológica. A contribuição milionária de todos os erros. Contra a argúcia naturalista, a síntese. Contra a cópia, a invenção e a surpresa. Bárbaros, pitorescos e crédulos. Pau-Brasil. A floresta e a escola. A cozinha, o minério e a dança. A vegetação. Pau-Brasil. ANDRADE, Oswald de. Manifesto Pau-Brasil. In.: Pau-Brasil. São Paulo: Globo, 2005. Fragmentos.
  13. 13. Todos têm remédio de vida E nenhum pobre anda pelas portas A mendigar como nestes Reinos ANDRADE, Oswald de. País do ouro. In.: Pau-Brasil. São Paulo: Globo, 2005. REVISÃO CRÍTICA DO PASSADO HISTÓRICO-CULTURAL: primitivismo crítico
  14. 14. Dê-me um cigarro
 Diz a gramática
 Do professor e do aluno
 E do mulato sabido
 Mas o bom negro e o bom branco
 Da Nação Brasileira
 Dizem todos os dias
 Deixa disso camarada
 Me dá um cigarro ANDRADE, Oswald de. Pronominais. In.: Pau-Brasil. São Paulo: Globo, 2005. COLOQUIALISMO/ORALIDADE
  15. 15. O cavalo e a carroça Estavam atravancados no trilho E como o motorneiro se impacientasse Porque levava os advogados para os escritórios Desatravancaram o veículo E o animal disparou Mas o lesto carroceiro Trepou na boleia E castigou o fugitivo atrelado Com um grandioso chicote ANDRADE, Oswald de. Pobre alimária. In.: Pau-Brasil. São Paulo: Globo, 2005. BASE DUPLA: PRIMITIVO X MODERNO
  16. 16. Aprendi com meu filho de dez anos Que a poesia é a descoberta Das coisas que eu nunca vi. ANDRADE, Oswald de. 3 de maio. In.: Pau-Brasil. São Paulo: Globo, 2005. DESAUTOMATIZAÇÃO DA PERCEPÇÃO
  17. 17. – Qué apanhá, sordado? – O quê? – Qué apanhá? Pernas e cabeças na calçada. ANDRADE, Oswald de. O capoeira. In.: Pau-Brasil. São Paulo: Globo, 2005. FLASH CINEMATOGRÁFICO
  18. 18. No Pão de Açúcar de cada dia Dai-nos, Senhor a poesia de cada dia ANDRADE, Oswald de. Escapulário. In.: Pau-Brasil. São Paulo: Globo, 2005. APROPRIAÇÃO PARÓDICA DO DISCURSO EUROPEU
  19. 19. Se Pedro Segundo Vier aqui Com história Eu boto ele na cadeia ANDRADE, Oswald de. Senhor feudal. In.: Pau-Brasil. São Paulo: Globo, 2005. REVOLTA E IRREVERÊNCIA
  20. 20. AMOR humor ANDRADE, Oswald de. Amor. In.: Pau-Brasil. São Paulo: Globo, 2005. SÍNTESE, EQUILÍBRIO E SURPRESA: poema pílula
  21. 21. AMARAL, Tarsila do. Estrada de ferro Central do Brasil. Disponível em: http://www.wikiart.org. Acesso em: 02 jan. 2016.
  22. 22. AMARAL, Tarsila do. A negra. Disponível em: http://www.wikiart.org. Acesso em: 02 jan. 2016.
  23. 23. AMARAL, Tarsila do. O pescador. Disponível em: http://www.wikiart.org. Acesso em: 02 jan. 2016.
  24. 24. VERDE-AMARELISMO E ANTA: 1926-1928
  25. 25. Os tupis desceram para serem absorvidos. Para se diluírem no sangue da gente nova. Para viver subjetivamente e transformar numa prodigiosa força a bondade do brasileiro e o seu grande sentimento de humanidade. Seu totem não é carnívoro: Anta. É este um animal que abre caminhos, e aí parece estar indicada a predestinação da gente tupi. [...] A filosofia tupi deve ser forçosamente a não filosofia. O movimento da Anta baseava-se nesse princípio. Tomava-se o índio como símbolo nacional, justamente porque ele significa ausência de preconceito. [...] O grupo ‘verdamarelo’, cuja regra é a liberdade plena de cada um ser brasileiro como quiser e puder; cuja condição é cada um interpretar o seu país e o seu povo através de si mesmo, da própria determinação instintiva; o grupo ‘verdamarelo’, à tirania das sistematizações ideológicas, responde com a sua alforria e a amplitude sem obstáculo de sua ação brasileira […] Aceitamos todas as instituições conservadoras, pois é dentro delas mesmo que faremos a inevitável renovação do Brasil, como o fez, através de quatro séculos, a alma da nossa gente, através de todas as expressões históricas. Nosso nacionalismo é ‘verdamarelo’ e tupi. RICARDO, Cassiano. Manifesto nheengatu verde amarelo. Disponível em: http://www.wikipedia.org. Acesso em: 02 jan. 2016. Fragmentos.
  26. 26. Ilha cheia de graça Ilha cheia de pássaros Ilha cheia de luz. Ilha verde onde havia mulheres morenas e nuas anhangás a sonhar com histórias de luas e cantos bárbaros de pajés em poracés batendo os pés. A grande Terra girassol onde havia guerreiros de tanga e onças ruivas deitadas à sombra das árvores mosqueadas de sol. Mas como houvesse em abundância, certa madeira cor de sangue cor de brasa e como o fogo da manhã selvagem fosse um brasido no coração noturno da paisagem e como a Terra fosse de árvores vermelhas e se houvesse mostrado assaz gentil. deram-lhe o nome de Brasil. ANDRADE, Oswald de. Manifesto Pau-Brasil. In.: Pau-Brasil. São Paulo: Globo, 2005. Fragmentos. crítica ao afrancesado movimento Pau-Brasil símbolos: anta, índio tupi [abrem caminhos] primitivismo ingênuo: defesa da colonização atitudes conservadoras e fascistas
  27. 27. MOVIMENTO ANTROPÓFAGO: 1928
  28. 28. Tupy or not tupy that is the question. A alegria é a prova dos nove. Nunca fomos catequizados. Fizemos foi o Carnaval. O índio vestido de Senador do Império. Fingindo de Pitt. Ou figurando nas óperas de Alencar cheio de bons sentimentos portugueses. Antes de os portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil havia descoberto a felicidade. Filhos do sol, mãe dos viventes. Encontrados e amados ferozmente, com toda a hipocrisia da saudade, pelos imigrados, pelos traficados e pelos touristes. No país da cobra grande. Nunca fomos catequizados. Vivemos através de um direito sonâmbulo. Fizemos Cristo nascer na Bahia. Ou em Belém do Pará. Contra a realidade social, vestida e opressora, cadastrada por Freud – a realidade sem complexos, sem loucura, sem prostituições e sem penitenciárias do matriarcado de Pindorama. ANDRADE, Oswald de. Manifesto Antropófago. Disponível em: http://www.manoelneves.com. Acesso em 2 jan. 2016. Fragmentos
  29. 29. No meio do caminho tinha uma pedra Tinha uma pedra no meio do caminho Tinha uma pedra No meio do caminho tinha uma pedra. ANDRADE, Carlos Drummond de. No meio do caminho. Disponível em: http://www.jornaldepoesia.jor.br. Acesso em: 2 jan. 2016. DEVORAÇÃO CULTURAL SELETIVA Nunca me esquecerei desse acontecimento Na vida de minhas retinas tão fatigadas Nunca me esquecerei que no meio do caminho Tinha uma pedra Tinha uma pedra no meio do caminho No meio do caminho tinha uma pedra.
  30. 30. Lá vai uma barquinha carregada de Aventureiros Lá vai uma barquinha carregada de Bacharéis Lá vai uma barquinha carregada de Cruzes de Cristo Lá vai uma barquinha carregada de Donatários Lá vai uma barquinha carregada de Espanhois REVISÃO CRÍTICA DO PASSADO HISTÓRICO CULTURAL: primitivismo crítico Paga prenda Prenda os espanhóis! Lá vai uma barquinha carregada de Flibusteiros Lá vai uma barquinha carregada de Governadores Lá vai uma barquinha carregada de Holandeses ANDRADE, O. História pátria. In.: Primeiro caderno de poesia do aluno Oswald de Andrade. São Paulo: Globo, 2007. Fragmento.
  31. 31. O mandacaru espiou a mijada da moça. SÍNTESE ANDRADE, O. Fazenda. In.: Primeiro caderno de poesia do aluno Oswald de Andrade. São Paulo: Globo, 2007.
  32. 32. PREFERÊNCIA PELA PARÓDIA Papai vinha de tarde Da faina de labutar Eu esperava na calçada Papai era gerente Do Banco Popular Eu aprendia com ele Os nomes dos negócios Juros hipotecas Prazo amortização Papai era gerente Do Banco Popular Mas descontava cheques No guichê do coração ANDRADE, O. Meus sete anos. In.: Primeiro caderno de poesia do aluno Oswald de Andrade. São Paulo: Globo, 2007.
  33. 33. AMARAL, Tarsila do. Urutu. Disponível em: http://www.wikiart.org. Acesso em: 02 jan. 2016.
  34. 34. AMARAL, Tarsila do. Antropofagia. Disponível em: http://www.wikiart.org. Acesso em: 02 jan. 2016.
  35. 35. AMARAL, Tarsila do. Cartão postal. Disponível em: http://www.wikiart.org. Acesso em: 02 jan. 2016.
  36. 36. AMARAL, Tarsila do. A cuca. Disponível em: http://www.wikiart.org. Acesso em: 02 jan. 2016.

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