Successfully reported this slideshow.
We use your LinkedIn profile and activity data to personalize ads and to show you more relevant ads. You can change your ad preferences anytime.

A crônica

2,376 views

Published on

  • Be the first to comment

A crônica

  1. 1. GÊNEROS NARRATIVOS: A Crônica Manoel Neves
  2. 2. A CRÔNICA conceito É um texto encontrado principalmente em jornais – apesar de muitas já estarem em livros – e expõe fatos, muitas vezes, colhidos no noticiário do próprio jornal ou da revista. A finalidade de um jornal diário é informar o leitor sobre acontecimentos daquele dia; logo, no dia seguinte, as notícias já estão velhas e o jornal cumpre outros objetivos pessoais. contexto de circulação a crônica é publicada no jornal, por isso ela é considerada um texto temporal e contemporâneo.
  3. 3. A CRÔNICA estrutura TÍTULO introdução ambienta história [tempo + espaço + personagens + início da ação] desenvolvimento complicador [detonador: conflito, obstáculo a ser superado] desenvolvimento clímax [detonador: ponto de tensão do conflito] conclusão desfecho [desenlace, solução do conflito, repouso da ação] NARRADOR ONISCIENTE NARRADOR-PERSONAGEM [observador distanciado] [protagonista ou testemunha]
  4. 4. A CRÔNICA considerações acerca da estrutura A crônica – gênero híbrido que oscila entre a literatura e o jornalismo – pode assumir diferentes faces, dependendo do tema a ser abordado. Então ouve-se falar de crônica humorística – visão irônica ou cômica de uma sociedade –; lírica – extravasamento pessoal do cronista –; filosófica – reflexão a partir de um fato ou evento –; jornalística – apresentação periódica de aspectos particulares de notícias ou fatos [pode ser esportiva, social, política]. Banalizando questões complexas, exagerando questões banais, ironizando aspectos sociais, o cronista interpreta a realidade e apresenta fatos [ou conta fatos] com humor, de uma forma mais breve, mais simples, mais objetiva; por isso, a crônica não se estrutura na forma de uma narrativa mais elaborada, em que há uma preocupação no como apresentar os fatos. A sua própria temática – o cotidiano – parece impor uma estrutura textual mais próxima do leitor, na qual se estabelece uma intimidade ou, talvez, cumplicidade e identificação entre texto e leitor. Assim, a linguagem utilizada em uma crônica é mais informal, com frases mais simples, mais curtas, conferindo ao texto um tom mais informal como do dia-a-dia, ou do momento do leitor.
  5. 5. A CRÔNICA um exemplo FAVELA, Joel Silveira O primeiro barracão não tem mais de um ano de vida. Nasceu do dia para a noite – milagre escuro de algumas tábuas enegrecidas, de um pouco de zinco e mais um pedaço de lona grossa. Mas hoje já são vinte ou trinta. Da janela do apartamento vejo o jeito que vai tomando o aglomerado miserável. É um jeito desarrumado: os barracos nascem como as plantas, sem simetria nem cuidados estéticos, uns quase atropelando os outros, e outros se afastando dos demais numa aparente atitude de repulsa e nojo. A cidade já forneceu alguns progressos. Primeiro foi aquela bica de água, subsidiária de um cano geral descoberto debaixo da terra e posto a serviço de um outro encanamento clandestino que hoje serve à “favela” em formação. Há questão de um mês alguém tomou a iniciativa de favorecer o mocambo com a luz elétrica. Puxaram um fio do poste mais próximo, levantaram postes novos, e agora, quando a noite chega, cinco ou seis lâmpadas brilham fortes no conjunto encardido e desarrumado. Também já há um ou dois rádios, que aos domingos enchem o largo terreno baldio com gritos e cantos. Talvez fosse fácil às autoridades cortar o crescimento daquela planta ruim quando ela deu o seu primeiro broto. Não mais agora, que a planta cresceu, deitou raízes e estendeu seus galhos sujos por quase todo o chão livre. Imagino o que será a pequena “favela” de hoje daqui a um ano, daqui a dois: se o crescimento continua assim, é certo que os barracos se multiplicarão até a fronteira do asfalto que separa o terreno baldio da cidade propriamente dita. Ainda no último domingo vi quando alguns homens descarregaram de um caminhão o sórdido material de que são feitas essas celas miseráveis: tábuas, zinco, pano grosso e encardido. A matéria- prima escura e velha lá ficou acumulada num canto do chão. E qualquer dia destes verei aquele amontoado informe transformado num outro barracão, pequeno, sujo e miserável como os demais.

×