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Invocação

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Invocação

  1. 1. ANÁLISE DA INVOCAÇÃO
  2. 2. INVOCAÇÃO <ul><li>E vós, Tágides (ninfas do Tejo) minhas, pois criado Tendes em mi um novo engenho ardente, Se sempre em verso humilde ( género lírico) celebrado Foi de mim vosso rio alegremente, Dai-me agora um som alto e sublimado, Um estilo grandíloco (grandíloquo, grandioso) e corrente, (fluente) Porque de vossas águas, Febo (Apolo) ordene </li></ul><ul><li>(Apolo, deus do Sol e das Musas) Que não tenham enveja às de Hipocrene. (fonte grega nascida no monte Hélicon da patada de Pégaso, cavalo montado por Apolo. Seria poeta quem das suas águas bebesse. </li></ul>
  3. 3. <ul><li>Dai-me hua fúria (inspiração) grande e sonorosa, E não de agreste avena ou frauta ruda, (agreste avena = frauta ruda – flauta de pastor – poesia bucólica) Mas de tuba canora e belicosa, (trombeta guerreira de som forte = inspiração épica) Que o peito acende e a cor ao gesto (rosto) muda ; Dai-me igual canto aos feitos da famosa Gente vossa, que a Marte tanto ajuda; Que se espalhe e se cante no universo, Se tão sublime preço cabe em verso. Os Lusíadas (I, 4-5) </li></ul>
  4. 4. <ul><li>Na proposição, o poeta apresentou o assunto que vai tratar e, dado o carácter excepcional, a grandiosidade desse assunto, sente necessidade de pedir às entidades protectoras auxílio para a execução de tarefa tão grandiosa. </li></ul>
  5. 5. <ul><li>Naturalmente, Camões, sendo um poeta cristão, não acreditava nas entidades míticas de que lançou mão. Utilizou-as sempre como um simples recurso poético. Isto é, a Invocação , para Camões, é mais um processo de engrandecimento do seu herói. De facto, é a grandiosidade do assunto que se propôs tratar que exige um estilo e uma eloquência superiores. </li></ul>
  6. 6. <ul><li>Agora, precisa, não do “ verso humilde ”, por ele tantas vezes utilizado, mas de um “ um som alto e sublimado ”. O carácter sublime do assunto justifica, portanto, a Invocação e é afirmado ao longo do texto, em mais do que uma expressão: famosa gente vossa , digna de apreço pelos seus méritos guerreiros ( que a Marte tanto ajuda ) é como o poeta se refere ao seu herói. </li></ul>
  7. 7. <ul><li>E termina, insinuando que esses feitos são tão espantosos que, possivelmente, nem com o auxílio das Tágides poderão ser transpostos, com a devida dignidade, para a poesia ( Que se espalhe e se cante no Universo, / Se tão sublime preço cabe em verso. ). </li></ul>
  8. 8. <ul><li>O poeta não se limitou a invocar as ninfas ou musas conhecidas dos antigos gregos e romanos. Embora as Tágides não sejam criação sua, adoptou-as como forma de sublinhar o carácter nacional do seu poema. Independentemente do interesse universal que possam ter, todos os feitos cantados, todos os agentes, são portugueses. </li></ul>
  9. 9. <ul><li>Isso tinha já ficado claro na Proposição, mas reforça-se essa ideia na Invocação. E, pela fórmula utilizada ( Tágides minhas ), identifica-se pessoalmente com esse nacionalismo, estabelecendo, através do possessivo, uma espécie de relação afectiva com as ninfas do Tejo. A força expressiva do possessivo é reforçada pela inversão. </li></ul>
  10. 10. <ul><li>Como poeta experiente que é, sabe que a tarefa a que agora se propôs exige um estilo e uma linguagem de grau superior, por isso estabelece ao longo destas duas estrofes um confronto entre a poesia lírica, há muito por ele cultivada, e a poesia épica, a que agora se propõe. </li></ul>
  11. 11. <ul><li>POESIA LÍRICA </li></ul><ul><li>verso humilde </li></ul><ul><li>agreste avena </li></ul><ul><li>frauta ruda </li></ul><ul><li>POESIA ÉPICA </li></ul><ul><li>novo engenho ardente </li></ul><ul><li>som alto e sublimado </li></ul><ul><li>estilo grandíloco e corrente </li></ul><ul><li>fúria grande e sonorosa </li></ul><ul><li>tuba canora e belicosa </li></ul>
  12. 12. Em suma: <ul><li>Para poder cantar devidamente tão altos feitos, necessito que vós, Tágides minhas, ninfas amadas do meu rio Tejo, já por mim cantado em muitos poemas líricos, me ajudeis a encontrar o estilo grandioso, um estilo grandíloco adequado à celebração dos Portugueses. Se me ajudardes, ficareis ainda mais célebres e afamadas do que a antiga fonte de Hipocrene, nascida de uma patada do cavalo de Pégaso, condutor do carro de Apolo, deus do sol, da poesia e das artes. Essa fonte dava inspiração poética a quem dela bebia. </li></ul><ul><li>in Os Lusíadas em prosa (adaptação) de Amélia Pinto Pais </li></ul><ul><li>Lurdes Martins </li></ul>

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