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Apresentação para décimo primeiro ano de 2012 3, aula 109-110

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Apresentação para décimo primeiro ano de 2012 3, aula 109-110

  1. 1. Há semelhanças na caracterizaçãodas duas mulheres sobre que os poemasse debruçam, a «libidinosa Marta» de«Lúbrica» e a «mulher fatal» do texto deVasco Graça Moura. Ambas contrariamum perfil de mulher frágil mais comum nolirismo e evidenciam sensualidade,irreverência, desinibição.
  2. 2. No entanto, enquanto, nas oitoquadras de Cesário, a mulher é odestinatário, o «tu» a quem se dirige osujeito poético, no outro texto é mesmoa figura feminina que assume a 1.ªpessoa. Talvez por isso, a últimaquintilha de «Fado da mulher fatal»mostra um momento de inflexão, derecuo, de súbita tristeza: «Sou a mulherfatal [...] deixaria porém de sê-lo sehouvesse quem de amor me desse umsinal».
  3. 3. décadas do passado de Afonso da Maiae da formação e vida de Pedrodois capítulos (I-II)
  4. 4. vários anosuma única frase («Mas esse ano passou,outros anos passaram» [l. 61 da p. 249do nosso manual]) no início do cap. III
  5. 5. um dia de abril em Santa Oláviaum capítulo (III)
  6. 6. dois anos da vida de Carloscatorze capítulos (IV-XVII)
  7. 7. vários anos (viagem de Carlos e Ega;regresso de Ega a Lisboa)três páginas iniciais do capítulo XVIII(cfr. elipse nas ll. 1-2 da p. 241 do texto Bdo manual)
  8. 8. algumas horas de Carlos regressado aLisboaquase todo um capítulo (XVIII)
  9. 9. 2 1820-18751 18753 1875-18774 1877-18795 1879-1887 (embora quase elidido)6 1887
  10. 10. Isocronia — duração do tempo dodiscurso igual à do tempo da história.Anisocronia — desproporção entre tempodo discurso e da história (sumários,elipses).Anacronia — alteração na ordemcronológica (analepses, prolepses).cfr. pp. 281-283
  11. 11. a A ação dOs Maias2 não se distribui, ao nível do discurso,de modo ordenado nem uniforme.
  12. 12. b A longa analepse que relata o tempovivido pelos antecessores de Carlos daMaia5 serve fundamentalmente para explicaro seu aparecimento em Lisboa, em 1875.
  13. 13. c O ritmo narrativo assumido pelodiscurso6 relaciona-se com a valorização a quesujeita a história contada: consoante osfactos rela-tados o sejam de forma maisou menos demorada, assim serão,respetivamente, mais destacados oumenos realçados.
  14. 14. d Através das elipses,4 são omitidos, no discurso, períodosmais ou menos longos da história, assimdesva-lorizados.
  15. 15. e A analepse processada por MariaEduarda1 tem como função reconstituir aexistência já vivida por uma personagemessencial para o desenrolar da intriga.
  16. 16. f O uso da isocronia7 procura conferir ao tempo do discursouma duração idêntica à da história,destacando acontecimentos dotados degrande impacto na sequência da história.
  17. 17. g Com o recurso à técnica narrativa dosumário, os eventos narrados3 são comprimidos e referidos, nodiscurso, de modo abreviado.
  18. 18. h A velocidade narrativa8 abranda a partir de 1875, parapossibilitar a valorização dos episódiosvividos por Carlos em Lisboa.
  19. 19. O quadro, que procura interpretar aestrutura global de Os Maias, tem duasmolduras horizontais («Os Maias — Históriada família», em cima, e «Sociedade Lisboeta— “Episódios da vida romântica”», embaixo) que correspondem ao título e aosubtítulo do romance (Os Maias; «Episódiosda vida romântica»). Com efeito, são essesos dois objetivos enquadradores do livro:traçar a história de uma família ao longo devárias gerações; mostrar como era asociedade lisboeta à entrada no últimoquartel do século XIX.
  20. 20. A intriga desdobra-se em duashistórias passionais, a que o esquemareserva colunas específicas: a intitulada«novela» (dedicada às peripécias docasamento de Pedro e Maria Monforte); e,sob o título «romance», a que diz respeitoà relação de Carlos e Maria Eduarda.
  21. 21. Afonso é a personagem que aglutinaestes dois enredos amorosos, a queassiste (mais do que os vive). Quanto aCarlos, surge como a personagem quepermite a ligação aos diversos episódiosde crónica social (entre outros: jantar noHotel Central, corrida no hipódromo,sarau da Trindade).

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