Teste diagnóstico de Português -12ano-2016-2017

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Teste diagnóstico de Português, 12º ano

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Teste diagnóstico de Português -12ano-2016-2017

  1. 1. 1 ANO LETIVO DE 2016-2017 Duração: 90 minutos Teste Diagnóstico de Português, 12º ano GRUPO I A Lê o poema seguinte: AS PALAVRAS 5 10 15 20 São como um cristal, as palavras. Algumas, um punhal, um incêndio. Outras, orvalho apenas. Secretas vêm, cheias de memória. Inseguras navegam: barcos ou beijos, as águas estremecem. Desamparadas, inocentes, leves. Tecidas são de luz e são a noite. E mesmo pálidas verdes paraísos lembram ainda. Quem as escuta? Quem as recolhe, assim, cruéis, desfeitas, nas suas conchas puras? Eugénio de Andrade Apresenta, de forma clara e bem estruturada, as tuas respostas aos itens que se seguem. 1. Interpreta o sentido da primeira estrofe. 2. Identifica um recurso estilístico presente no poema, citando um exemplo do texto e referindo a sua expressividade. 3. Relaciona o conteúdo da última estrofe com as reflexões apresentadas nas três estrofes anteriores.
  2. 2. 2 B Lê atentamente o texto que se segue e responde às questões. Se necessário, consulta o vocabulário: 5 10 15 20 25 MARIA – “Menina e moça me levaram de casa de meu pai”1 é o princípio daquele livro tão bonito que minha mãe diz que não entende; entendo-o eu. Mas aqui não há menina nem moça; e vós, senhor Telmo Pais, meu fiel escudeiro, “faredes o que mandado vos é”. E não me repliques, que então altercamos2 , faz-se bulha, e acorda minha mãe, que é o que eu não quero. Coitada! Há oito dias que aqui estamos nesta casa, e é a primeira noite que dorme com sossego. Aquele palácio a arder, aquele povo a gritar, o rebate dos sinos, aquela cena toda... oh! Tão grandiosa e sublime, que a mim me encheu de maravilha, que foi um espetáculo como nunca vi outro de igual majestade!... À minha pobre mãe aterrou-a, não se lhe tira dos olhos: vai a fechá-los para dormir e diz que vê aquelas chamas enoveladas em fumo a rodear-lhe a casa, a crescer para o ar, e a devorar tudo com fúria infernal... O retrato de meu pai, aquele do quarto de lavor tão seu favorito, em que ele estava tão gentil-homem3 , vestido de Cavaleiro de Malta4 com a sua cruz branca no peito, – aquele retrato, não se pode consolar de que lho não salvassem, que se queimasse ali. Vês tu? Ela que não cria em agouros, que sempre me estava a repreender pelas minhas cismas, agora não lhe sai da cabeça que a perda do retrato é prognóstico fatal de outra perda maior que está perto, de alguma desgraça inesperada, mas certa, que a tem de separar de meu pai. E eu agora é que faço de forte e assisada, que zombo de agouros e de sinas... para a animar, coitada!... que aqui entre nós, Telmo, nunca tive tanta fé neles. Creio, oh! se creio! que são avisos que Deus nos manda para nos preparar. E há... oh! há grande desgraça a cair sobre meu pai... decerto, e sobre minha mãe também, que é o mesmo. TELMO (Disfarçando o terror de que está tomado) – Não digais isso... Deus há de fazê-lo por melhor, que lho merecem ambos. (Cobrando ânimo e exaltando-se) Vosso pai, D. Maria, é um português às direitas. Eu sempre o tive em boa conta; mas agora, depois que lhe vi fazer aquela ação, – que o vi, com aquela alma de português velho5 , deitar as mãos às tochas e lançar ele mesmo o fogo à sua própria casa, queimar e destruir numa hora tanto do seu haver, tanta coisa do seu gosto, para dar um exemplo de liberdade, uma lição tremenda a estes nossos tiranos... Oh, minha querida filha, aquilo é um homem! A minha vida, que ele queira, é sua. E a minha pena, toda a minha pena é que o não conheci, que o não estimei sempre no que ele valia. 1 Com estas palavras inicia uma novela sentimental de Bernardim Ribeiro (séc. XVI). Nela são relatados os amores infelizes de dois jovens e também nela se observam vários enigmas. 2 discutimos. 3 Fidalgo. 4 A Ordem de Malta só admitia cavaleiros da mais distinta fidalguia, o que confirma a estirpe social de Manuel de Sousa. 5 Português de antigamente.
  3. 3. 3 MARIA (Com lágrimas nos olhos e tomando-lhe as mãos) – Meu Telmo, meu bom Telmo!... É uma glória ser filha de tal pai: não é? Dize. TELMO – Sim, é. Deus o defenda! Almeida Garrett, Frei Luís de Sousa 1. Nas suas palavras, Maria deixa transparecer sentimentos diferentes dos da sua mãe em relação ao incêndio do palácio onde ambas habitavam. Justifica esta afirmação. 2. Telmo confessa ter ocorrido nele determinada mudança relativamente ao modo como considerava Manuel de Sousa Coutinho. Explicita a natureza dessa alteração. GRUPO II Lê o texto seguinte. Em caso de necessidade consulta o glossário apresentado. AS PALAVRAS QUE SÓ ELES ENTENDEM 5 10 15 20 Se alguma vez um polícia lhe disser que cometeu uma contraordenação e o vai autuar, não se assuste com as palavras caras, mas entenda que violou uma regra de trânsito e está prestes a ser multado. E se um médico lhe perguntar se tem cefaleias, o que ele quer saber é se tem dores de cabeça. Pior é se administração da sua empresa mencionar a palavra downsizing. Nesse caso, leve o assunto a sério. Provavelmente, vai haver despedimentos. Vários grupos profissionais têm aquilo a que a linguística chama socioletos: códigos de linguagem próprios partilhados por um grupo etário, social ou laboral. “Isso permite que as pessoas desse núcleo se entendam melhor e pode ser também uma forma de um profissional se afirmar entre os seus pares6 ”, explica o professor universitário Eduardo Prado Coelho. O pior é quando estes profissionais falam para uma plateia de leigos. Nessa altura, compreender o que dizem os protagonistas do futebol, da política, do direito, da economia, do marketing ou da medicina pode ser um quebra-cabeças. Nalguns casos, a mensagem é confusa até para os próprios elementos desse grupo. A maioria dos inquiridos (54%) de uma sondagem realizada […] pela empresa britânica YouGov considera que a linguagem técnica é um problema até no local de trabalho. Das 2900 pessoas que participaram na pesquisa, 39% dizem que este tipo de vocabulário reduz o nível de confiança em quem as utiliza. E 18% dos interrogados veem o recurso a estas palavras como uma forma de tentar esconder alguma coisa. Essa é, aliás, uma das teses defendidas pelos autores do livro Why Business People Speak Like Idiots (Porque é que os homens de negócios falam como idiotas). De acordo com eles, frases 6 parceiros de profissão, área, formação.
  4. 4. 4 complicadas são muitas vezes utilizadas para disfarçar fraudes ou comportamentos negligentes7 . […] Mas a utilização de frases pomposas8 nem sempre tem um objetivo tão negro. Podem ser usadas apenas para dar a um pequeno avanço de uma empresa a dimensão empolada de uma grande conquista do mercado. Nesta matéria, há palavras que dão para tudo. […] Rita Garcia, in Sábado, 16 de agosto de 2007 (adap. e com supressões) 1. Para responder a cada um dos itens 1.1. a 1.7., seleciona a única opção que permite obter uma aformação correta. Escreve, na folha de respostas, o número de cada item e a letra que identifica a opção escolhida. 1.1.O uso por parte de alguns grupos profissionais entre si daquilo a que a linguística chama “socioletos” (linha 6) tem por objetivo (A)fazer com que sejam facilmente entendidos pelo púbico geral. (B) levá-los a afirmarem-se perante os outros e a compreenderem-se melhor. (C)permitir-lhes arranjar par com mais facilidade. (D)impedir que os leigos os percebam. 1.2. Na sondagem referida no texto, a maioria dos entrevistados considera que (A)o uso da linguagem técnica pode não ser aconselhável nem no local de trabalho. (B) a linguagem técnica descredibiliza quem recorre a ela. (C)o uso da linguagem técnica só é aconselhável no local de trabalho. (D)a linguagem técnica é sempre utilizada para esconder algum problema. 1.3. Relativamente ao raciocínio desenvolvido nos parágrafos anteriores, o último parágrafo anuncia (A)uma consequência. (B) uma ideia equivalente. (C)um outro ponto de vista. (D)uma explicação. 1.4. No contexto em que ocorrem, as expressões “Isso” (linha 7) e “eles” (linha 18) contribuem para a coesão (A)interfrásica. (B) temporo-aspetual. (C)lexical. (D)referencial. 1.5. Na frase “Provavelmente vai haver despedimentos.” (linhas 4-5), a primeira palavra desempenha a função sintática de (A)modificador do grupo verbal. (B) modificador de frase. (C)modificador do nome. 7 desleixados; pouco cuidadosos. 8 aparatosas; que chamam muito a atenção pela sua aparente grandiosidade.
  5. 5. 5 (D)complemento oblíquo. 1.6. A palavra “até” (linha 12) é um advérbio (A)de tempo. (B) conectivo. (C)de inclusão. (D)de predicado. 1.7. Na frase “Das 2900 pessoas que participaram na pesquisa, 39% dizem que este tipo de vocabulário reduz o nível de confiança em quem as utiliza.” (linhas 14-15), (A)o primeiro “que”introduz uma oração subordinada adjetiva relativa e o segundo, uma oração subordinada substantiva completiva. (B) o primeiro “que” introduz uma oração subordinada substantiva completiva e o segundo, uma oração subordinada adverbial consecutiva. (C)os dois “que” introduzem orações subordinadas adjetivas. (D)as palavras destacadas pertencem à mesma classe. 2. Responde de forma correta aos itens apresentados. 2.1. Indica a função sintática desempenhada pelo pronome “o” (linha 1). 2.2. Refere a classe a que pertence a palavra “melhor” (linha 8). 2.3.Identifica o sujeito do complexo verbal “pode ser” (linha 11). GRUPO III A) A corrupção é um tema muito atual. Num texto bem estruturado, entre 180 e 240 palavras, disserta sobre a corrupção, a falta de valores éticos e morais na sociedade atual e as suas consequências. Fundamenta o teu ponto de vista recorrendo, no mínimo, a dois argumentos e ilustra cada um deles com, pelo menos, um exemplo significativo. observações: 1. Para efeitos de contagem, considera-se uma palavra qualquer sequência delimitada por espaços em branco, mesmo quando esta integre elementos ligados por hífen (ex.: /dir-se-ia/). Qualquer número conta como uma única palavra, independentemente dos algarismos que o constituam (ex.: /2014/). 2. Um desvio dos limites de extensão indicados implica uma desvalorização parcial (até 5 pontos) do texto produzido; − um texto com extensão inferior a oitenta palavras é classificado com zero pontos. COTAÇÕES: GRUPO I- 100 pontos GRUPO II- 50 pontos GRUPO III 50 pontos 1. 20 (C12+F8) 2. 20 (C12+F8) 3. 20 (C12+F8) 4. 20 (C12+F8) B. 20 (C12+F8) 1 a 10 5 cada 50 ETD-30 CL-20 BOM TRABALHO!!!!!!!!!!! A PROFESSORA: Lucinda Cunha CENÁRIOS DE RESPOSTA Teste diagnóstico de 12º ano GRUPO I Aspetos de conteúdo (C) ................................................................................................................. 12 pontos Níveis Descritores do nível de desempenho Pontuação
  6. 6. 6 4 Responde, adequadamente. 12 3 Responde, de modo não totalmente completo ou com pequenas imprecisões. 9 2 Responde, de modo não totalmente completo e com pequenas imprecisões. OU Responde, de modo incompleto ou com imprecisões. 6 1 Responde, de modo incompleto e com imprecisões. 3 • Aspetos de estruturação do discurso e correção linguística (F) ......................... 8 pontos Estruturação do discurso (E) ............................................................ 4 pontos Correção linguística* (CL)1................................................................ 4 pontos Cenários de resposta: 1. A primeira estrofe põe em evidência o caráter polissémico das palavras que são multifacetadas como o cristal e que, por isso mesmo, podem magoar, aquecer, destruir, refrescar. Tudo depende da forma como são utilizadas. 2. Por exemplo, a comparação (vv.1-2); a metáfora (vv.7-9); personificação (vv. 11-12); a antítese (vv.13-14); a interrogação retórica (vv. 17-20). A antítese presente nos versos “Tecidas são de luz/ e são a noite” (vv. 13-14) vem realçar o caráter contraditório que as palavras, muitas vezes, adquirem, dependendo do contexto em que surgem, ou seja, podem revestir-se de conotação positiva, mas também negativa. As palavras podem servir de conforto, de guia e de lucidez, mas também criar tristeza, angústia e desilusão em quem as ouve. 3. Dirigindo-se ao leitor, elemento fundamental na comunicação escrita, o sujeito poético procura chamar a atenção para a necessidade de tratar bem as palavras, responsabilizando cada um de nós pela utilização que delas fazemos. 4. Enquanto Maria diz ter-se sentido empolgada com o incêndio, que considera ter sido um espetáculo grandioso e “sublime”, D. Madalena, segundo a filha, viveu o acontecimento aterrada, pois entende que a destruição do palácio e do retrato do marido é sinal ou agouro de uma outra destruição que ocorrerá brevemente. 5. Trata-se de uma evolução no sentido positivo: Telmo não gostava de Manuel de Sousa Coutinho por ele ter vindo ocupar o lugar de D. João de Portugal, a quem Telmo venerava acima de tudo e de todos; contudo, ao ver o lado patriótico de Manuel de Sousa, Telmo curva-se perante a sua personalidade viril. GRUPO II..................................................................................................................... ...................................... 50 pontos Critérios específicos de classificação Item VERSÃO 1 PONTUAÇÃO 1 B 5 2 A 5 3 C 5 4 D 5 5 B 5 6 C 5 7 A 5 8 Complemento direto 5 9 Advérbio 5 10 “compreender o que dizem os protagonistas do futebol, da política, do direito, da economia, do marketing ou da medicina” 5 GRUPO III Critérios específicos de classificação •  Estruturação temática e discursiva (ETD) ....................................................................................................... 30 pontos •  Correção linguística (CL).................................................................................................................................. 20 pontos
  7. 7. 7 Cenário de resposta Dada a natureza deste item, não é apresentado cenário de resposta.

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