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Teste de Português de 12º ano-com proposta de correção

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Teste de 12º ano: "Felizmente Há Luar!" e "Memorial do Convento"

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Teste de Português de 12º ano-com proposta de correção

  1. 1. 1 ANO LETIVO DE 2016-2017 Duração: 90 minutos Teste nº 5 de Português, 12º ano, Felizmente Há Luar! e Memorial do Convento GRUPO I TEXTO A Lê os textos com atenção e responde às questões com frases corretas: O facto de ser procurado por Matilde diverte o Marechal Estas afirmações são proferidas em tom de desafio, até porque não correspondem à verdade. Matilde, ao fazê-las, está a desafiar a sua própria consciência. O inimigo de Beresford é sempre, e só, Gomes Freire. Se o conseguir humilhar através da mulher, tanto melhor. Beresford ─ (Trocista) Vem, então, pedir-me clemência? Matilde ─ Venho pedir-lhe que o liberte. É-me indiferente que o faça por favor, por clemência ou por qualquer outro motivo. Às mulheres, senhor, pouco interessa a justiça das causas que levam os seus homens a afastar-se delas. A injustiça e a tirania, só as sente quem anda na rua, quem é homem ou quer ser homem. (Pausa) Que me importa, a mim, que o rei seja tirano e o país miserável e mal governado? Que me importa que as cadeias estejam cheias, o exército por pagar e o povo a morrer à fome? (Pausa) Quero o meu homem! Quero o meu homem aqui, ao meu lado! Quero acabar os meus dias em paz! (Pausa: domina-se) As mulheres, Sr. Marechal, estão sempre dispostas a colaborar com a tirania para conservarem os maridos em casa. (Pausa) Se não fosse o que lhe digo, já não haveria reis por essa Europa fora… Beresford ─ (Rindo-se) Que diria o general Gomes Freire se a ouvisse falar? Matilde ─ (Envergonhada) Prefiro não saber. Beresford ─ E porque pensa que devo fazer o que me pede? Matilde ─ Porque é o comandante do exército, governador do reino e… porque sabe que ele não cometeu qualquer crime. (Começam a ouvir-se sinos ao longe) Matilde ─ (exaltada) Porque dizem a verdade? Porque veem para além da cortina de hipocrisia com que os poderosos escondem a defesa dos seus interesses? (O ruído dos sinos aumenta de intensidade) Beresford ─ (Sorrindo) Porque… são incómodos, minha senhora! Matilde ─ (Com amargura) É incómodo todo aquele que não confunde a vontade de Deus com a vontade do rei… (Pausa) 5 10 15 20 25 30 35
  2. 2. 2 Ou que vê para além das medalhas que usais ao peito… (Pausa) Ou que olha para vós de frente, e sorri… Beresford ─ (Com ironia) Ou que, devendo, por nascimento e posição, defender certos interesses, defende outros… é o caso do general, minha senhora. (Ouve-se, fora do palco, o murmúrio de vozes humanas) Matilde ─ Que vão fazer dele, Sr. Marechal? Beresford ─ (Abrindo os braços para exprimir a impossibilidade de responder à pergunta) Julgá-lo e… fazer justiça! Matilde ─ (Com desespero e como quem pesa pela primeira vez na hipótese) Querem matá-lo! Diga-me, Sr. Marechal, por amor de Deus, diga-me: querem matá-lo? (As vozes aproximam-se do palco. Ouve-se, nitidamente, falar latim) Luis de Sttau Monteiro, Felizmente Há Luar! 40 45 1. Situa o excerto na estrutura interna e externa da obra. 2. Apresenta dois traços caracterizadores de Matilde, ilustrando-os com passagens textuais. 3. Refere o papel das notas à margem e das didascálias neste excerto. TEXTO B 5 10 Há muitos modos de juntar um homem e uma mulher, mas, não sendo isto inventário nem vademeco1 de casamentar, fiquem registados apenas dois deles, e o primeiro é estarem ele e ela perto um do outro, nem te sei nem te conheço, num auto de fé, da banda de fora, claro está, a ver passar os penitentes e de repente volta-se a mulher para o homem e pergunta, Que nome é o seu, não foi inspiração divina, não perguntou por sua vontade própria, foi ordem mental que lhe veio da própria mãe, a que ia na procissão, a que tinha visões e revelações, e se, como diz o Santo Ofício, as fingia, não fingiu estas, não, que bem viu e se lhe revelou ser este soldado maneta o homem que haveria de ser de sua filha, e desta maneira os juntou. Outro modo é estarem ele em Lisboa, ela Viena, ele dezanove anos, ela vinte e cinco, e casaram-nos por procuração uns tantos embaixadores, viram-se primeiro os noivos em retratos favorecidos, ele boa figura e pelescurita, ela roliça e brancaustríaca, e tanto lhes fazia gostarem-se como não, nasceram para casar assim e não doutra maneira, mas ele vai desforrar-se bem, não ela, coitada, que é honesta mulher, incapaz de levantar os olhos para outro homem, o que acontece nos sonhos não conta. José Saramago, Memorial do Convento 4. Dos “Muitos modos de juntar um homem e uma mulher” (linha 1), o narrador seleciona apenas dois. Explica porquê. 5. Comenta o sentido da oposição destes dois casais no contexto da obra. GRUPO II Lê o texto com atenção. De seguida, responde às questões: O tribunal do Santo Ofício foi estabelecido em Portugal pela bula Cum ad Nihil magis, do Papa Paulo III, a pedido do rei D. João III, a 23 de maio de 1536, fez há dias 472 anos. Criado em 1216, pelo Concílio de Latrão, para reprimir a heresia dos cátaros, no Sul de França, o seu objetivo era inquirir – daí ter ficado conhecido pelo nome de Inquisição – da existência de hereges, 1 de vade-mécum, obra que se consulta amiúdee que contém os principaiselementos de uma arte ou ciência
  3. 3. 3 5 10 15 20 25 persegui-los e castiga-los. A sua missão era garantir a uniformidade religiosa, base da ordem política e social. Cumpriu-a durante quase três séculos, criando um clima de medo e intolerância, assente na denúncia, na prisão, na tortura e no temor da morte na fogueira. A Inquisição só foi extinta no nosso país em 1821, na sequência da revolução liberal de 1820. Como por cá rareassem as heresias – o protestantismo não encontrou acolhimento em Portugal – , os inquisidores dirigiram o seu zelo contra os cristãos-novos (judeus convertidos), mouriscos, gentios (em Goa), blasfemos, possuidores de livros proibidos, praticantes de bruxaria, adúlteros, bígamos e sodomitas. A denúncia, anónima, era recompensada. A Inquisição dispunha de um corpo de funcionários – os familiares do Santo Ofício- e da força pública para fazer cumprir diligências e executar sentenças. (…) As penitências iam desde os açoites à condenação às galés, da prisão ao degredo, passando pelo uso do hábito penitencial, o sambenito, até à execução pelo fogo. O primeiro auto de fé em Portugal realizou-se em Lisboa, em 20 de setembro de 1540. O último também foi em Lisboa, em 1766, mas não teve execuções: o último queimado vivo foi o padre Jesuíta Gabriel Malagrida, em 1761, condenado por blasfémia, por dizer que o terramoto de 1755 tinha sido castigo divino. (…) Portugal pagou caro a Inquisição. Muitas das melhores cabeças e dos burgueses mais empreendedores fugiram e puseram o seu saber e os seus bens ao serviço de outros países, como a Holanda. Entre os réus mais célebres da Inquisição em Portugal contam-se o médico Garcia da Orta, o humanista Damião de Góis, o sapateiro-profeta Bandarra, o padre António Vieira, o dramaturgo António José da Silva, o escritor Cavaleiro de Oliveira e o poeta Bocage. João Ferreira, in Notícias Sábado, 31 de maio de 2008 1. O tribunal do Santo Ofício foi criado em (A) 1536. (B) 1216. (C) 1821. (D) 1540. 2. Os “familiares do Santo Ofício” (linha 14) eram (A) espiões ao serviço da Inquisição. (B) pessoas da família dos inquisidores. (C) pessoas condenadas pela Inquisição. (D) aspirantes a Inquisidores. 3. A Inquisição teve um papel devastador porque (A) pôs em fuga os melhores pensadores e investidores. (B) foram às centenas os condenados à morte, por ano. (C) veio separar o poder eclesiástico da coroa. (D) os cristãos-novos e outros sentenciados eram despojados dos seus bens. 4. Na frase “para reprimir a heresia dos cátaros” (linha 3) “para” é (A) uma forma do verbo “parar”. (B) uma preposição. (C) uma conjunção subordinativa final. (D) uma conjunção coordenativa disjuntiva. 5. Na linha 4, “inquirir” é sinónimo de (A) inquietar. (B) inabalar. (C) ameaçar.
  4. 4. 4 (D) averiguar. 6. No excerto “– o protestantismo não encontrou acolhimento em Portugal – “ (ll. 9-10), os travessões isolam (A) uma passagem em discurso direto. (B) uma explicação. (C) uma oposição ao que foi dito anteriormente. (D) um modificador do nome apositivo. 7. No enunciado “por dizer que o terramoto de 1755 tinha sido castigo divino.” (ll. 20-21) a oração sublinhada classifica-se como oração subordinada (A) adjetiva relativa restritiva. (B) substantiva relativa. (C) substantiva completiva. (D) adverbial causal. 8. Identifica o antecedente dos pronomes no enunciado “persegui-los e castiga-los” (l. 5). 9. Qual é a função sintática exercida pelo constituinte “condenado por blasfémia” (l. 20)? 10. O texto termina com que recurso expressivo? GRUPO III Elabora uma reflexão sobre a sociedade dos nossos dias, partindo da perspetiva exposta no excerto a seguir transcrito. “A aparência vai tomando conta até da vida privada das pessoas. Não importa ter uma existência nula, desde que se tenha uma aparência de apropriação dos bens de consumo mais altamente valorizados.” Agustina Bessa-Luís Redige um texto de opinião, com um mínimo de cento e oitenta e um máximo de duzentas e sessenta palavras, no qual comproves esta perspetiva, apresentando, pelo menos, dois argumentos e respetivos exemplos. observações: 1. Para efeitos de contagem, considera-se uma palavra qualquer sequência delimitada por espaços em branco, mesmo quando esta integre elementos ligados por hífen (ex.: /dir-se-ia/). Qualquer número conta como uma única palavra, independentemente dos algarismos que o constituam (ex.: /2014/). 2. Um desvio dos limites de extensão indicados implica uma desvalorização parcial (até 5 pontos) do texto produzido; − um texto com extensão inferior a oitenta palavras é classificado com zero pontos. COTAÇÕES: GRUPO I- 100 pontos GRUPO II- 50 pontos GRUPO III 50 pontos 1. 20 (C12+F8) 2. 20 (C12+F8) 3. 20 (C12+F8) 4. 20 (C12+F8) 5. 20 (C12+F8) 1 a 10 5 cada 50 ETD-30 CL-20 BOM TRABALHO!!!!!!!!!!! A PROFESSORA: Lucinda Cunha
  5. 5. 5 CENÁRIOS DE RESPOSTA Teste de Português de 12º ano- Felizmente Há Luar! e Memorial do Convento Aspetos de conteúdo (C) ................................................................................................................. 12 pontos Níveis Descritores do nível de desempenho Pontuação 4 Responde, adequadamente. 12 3 Responde, de modo não totalmente completo ou com pequenas imprecisões. 9 2 Responde, de modo não totalmente completo e com pequenas imprecisões. OU Responde, de modo incompleto ou com imprecisões. 6 1 Responde, de modo incompleto e com imprecisões. 3 • Aspetos de estruturação do discurso e correção linguística (F) ......................... 8 pontos Estruturação do discurso (E) ............................................................ 4 pontos Correção linguística* (CL)1................................................................ 4 pontos CENÁRIOS DE RESPOSTA: 1. O excerto situa-se no Ato II, quando Matilde decide, corajosamente, confrontar os Governadores do Reino e implorar pela vida do general Gomes Freire, sabendo, intimamente, que ele nunca seria libertado, mas julgado injustamente, como bode expiatório, como sendo o cabecilha de uma revolução. 2. Matilde mostra-se uma mulher sensível e apaixonada que a tudo se sujeita, mesmo à humilhação, para ter de volta o homem que ama. É uma mulher corajosa, que não hesita em implorar pela vida do general, que ela sabe inocente. Mostra-se indignada com a condenação de inocentes e com o poder autoritário dos Governadores, que tudo fazem em seu benefício e para não perderem o poder.- comprovar com passagens textuais. 3. Enquanto as didascálias servem, sobretudo para revelar o estado de espírito das personagens (“Trocista”; l. 1; “Envergonhada”, l. 22), dar indicações sobre os sons (“Começam a ouvir-se sinos ao longe”, l. 26; “Ouve-se, fora do palco, o murmúrio de vozes humanas”, l. 41) e os gestos das personagens (“Abrindo os braços…”, l. 43), as notas à margem explicam a intencionalidade do dramaturgo com a indicação de certos gestos, o tom e as atitudes, pois preocupa-se com a interpretação que quer os atores, quer o público leitor fazem da obra. Perguntas (e cenários de resposta) 4 e 5 do Grupo I retiradas da página 254 do manual Entre margens12, da Porto Editora. 4. O narrador seleciona os dois “modos” em contraste na obra: a relação entre Blimunda e Baltasar e a que existe entre o Rei e a Rainha. Enquanto que o casamento entre estes últimos foi “arranjado” e feito por procuração, a união entre Baltasar e Blimunda foi “talhada no céu”, pois Sebastiana “bem viu e se lhe revelou ser este soldado maneta o homem que haveria de ser de sua filha e desta maneira os juntou” (ll. 6-7). 5. O casal régio, representante do Poder e da ordem estabelecida, vive uma relação puramente contratual, cujo único objetivo é dar um herdeiro à coroa portuguesa, opõe-se ao par Baltasar/ Blimunda, representante da classe oprimida – o povo - , que vive um amor sem regras, instintivo e genuíno. GRUPO II ............................................................................................................................................ 50 pontos Item Resposta PONTUAÇÃ O 1 B 5 2 A 5 3 A 5 4 C 5 5 D 5 6 B 5 7 C 5 8 hereges 5 9 modificador do nome apositivo 5 10 enumeração 5 GRUPO III Critérios específicos de classificação
  6. 6. 6 •  Estruturação temática e discursiva (ETD) ............................................................................................... 30 pontos •  Correção linguística (CL)........................................................................................................................ 20 pontos

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