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Teste de Português- 12º ano- Felizmente Há Luar!

Teste de 12º ano (texto dramático) Felizmente Há Luar!, de Luís de Sttau Monteiro

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Teste de Português- 12º ano- Felizmente Há Luar!

  1. 1. 1 ANO LETIVO DE 2015-2016 Duração: 90 minutos Teste de avaliação de Português, 12º ano GRUPO I A Lê o texto que se segue com atenção e respondeàs questões que se seguem. 5 10 15 20 25 SOUSA FALCÃO Matilde: não sei o que lhe diga, nem sei que pense. Só sei que tenho coração dilacerado, apesar de saber, há anos, que tudo isto tinha de acontecer. (Pausa) O Reino caiu nas mãos duma gente mesquinha que chama alma ao estômago e que eleva regulamentos policiais à categoria de princípios sagrados… Eu bem lhes dizia que não voltassem!... Matilde: sempre que chega alguém de fora, abalam os alicerces do Reino! Os reis do Rossio vivem no pavor de toda e qualquer pessoa capaz de gritar que eles vão nus. MATILDE (Erguendo o rosto) António: você, que sempre foi o seu maior amigo e que o conhece há anos, sabe que ele não gritava. Olhe que nem saía de casa, com medo que o povo o aclamasse. Juro-lhe que nunca conspirou! SOUSA FALCÃO A sua vida inteira foi uma conspiração permanente contra o que esta gente representa! MATILDE Deus não permitirá que lhe façam mal! SOUSA FALCÃO Deus!? Esta gente concebeu um Deus à sua imageme semelhança!... O Deus deste Reino é um fidalgo respeitável que trata como amigo a Pôncio Pilatos. (Caminha em direção a Matilde) António de Sousa Falcão foi o amigo inseparável de Matilde e de Gomes Freire. Com desânimo. O desânimo de António é evidente. Pode exteriorizar-se pelos ombros descaídos e pelos braços pendentes.
  2. 2. 2 30 35 40 45 50 55 Vive num solar brasonado e dá esmolas, ao domingo, por amor de Deus. (Estaca junto de Matilde) Anda tão habituado a pisar tapetes, que lhe inchariam os pés se tivesse de voltar às estradas da Galileia! O Deus deste Reino, Matilde, não quer ouvir falar de Deus, e quando alguém lhe pergunta como se perdeu pelo caminho, entra em explicações tão profundas e tão complicadas, que só ele as entende... MATILDE (Levantando-se) Então, António, terei de recorrer aos homens. SOUSA FALCÃO Neste Reino, os homens fizeram Deus à sua imagem e semelhança e, depois, fizeram-se à imagem e semelhança desse Deus. MATILDE Hão de ouvir-me! SOUSA FALCÃO Eles só têm ouvidos para a sua própria voz! (Matilde dirige-se à cómoda e, enquanto fala, tira duma gaveta um xaile que põe à volta dos ombros.) MATILDE Serei, então, a voz da sua consciência. Ninguém consegue viver sem ouvir a voz da consciência, António. SOUSA FALCÃO E eu vou saber dele. Ainda que sem esperança, vou fingir que a tenho. Isso devo-lhe a ele e devo-me a mim. Vamos. MATILDE (Apoiando-se no braço de Sousa Falcão) Que estará ele fazendo a esta hora, fechado numa cela em São Julião da Barra? Adivinho-lhe os gestos e os pensamentos. Está preocupado por minha causa. Sabe que nunca o deixei sozinho e a maior das suas dores é o conhecimento que tem da minha dor.
  3. 3. 3 60 65 SOUSA FALCÃO (Com ternura) Todos somos chamados, pelo menos uma vez, a desempenhar um papel que nos supera. É nesse momento que justificamos o resto da vida, perdida no desempenho de pequenos papéis indignos do que somos. Chegou a nossa hora, Matilde. Vamos. (Avançam para a frente do palco enquanto desaparece gradualmente a luz que iluminava a cómoda e a cadeira. A meio caminho, António de Sousa Falcão afasta-se e sai pela esquerda. Matilde fica isolada ao centro, e à frente do palco.) Luís de Sttau Monteiro, Felizmente Há Luar! 1. Localiza a ação na estrutura interna e externa da obra e refere a importância do excerto no desenrolar da ação. 2. Atenta nas notas à margem e nas didascálias e refere a sua importância no texto, em particular, e no teatro épico, em geral. 3. Reflete sobre as críticas políticas, religiosas e sociais presentes nas palavras de Sousa Falcão. B Lê atentamente o poema que se segue e responde às questões: “Porque” 4. Neste poema de forte crítica social, Sophia aponta certas críticas aos “outros”. Justifica esta afirmação, recorrendo a expressões textuais. 5. Identifica um recurso expressivo, clarificando a sua expressividade no contexto geral do poema. 5 10 Porque os outros se mascaram mas tu não Porque os outros usam a virtude Para comprar o que não tem perdão Porque os outros têm medo mas tu não Porque os outros são os túmulos caiados Onde germina calada a podridão. Porque os outros se calam mas tu não. Porque os outros se compram e se vendem E os seus gestos dão sempre dividendo. Porque os outros são hábeis mas tu não. Porque os outros vão à sombra dos abrigos E tu vais de mãos dadas com os perigos. Porque os outros calculam mas tu não.
  4. 4. 4 GRUPO II (Exame Nacional de 2014, 2ª fase-com adaptações) Lê o seguinte texto. Em caso de necessidade, consulta o vocabulário que se apresenta. 5 10 15 20 25 O Padre António Vieira foi um «político total». Tendo a sua vida atravessado quase todo o século XVII, a multiplicidadedepapéis desempenhadosao serviço da Igreja e do Reino de Portugal, nomeadamente como missionário, embaixador, pregador, conselheiro político, escritor, confessor e professor, teve sempre no horizonte trabalhar pela construção de um homem novo e de uma sociedade nova. Vieira gizou1 , a partir de um diagnóstico lúcido dos problemas do presente político, social, económico e religioso, aquilo que o especialista Aníbal Pinto de Castro denominou como sendo uma «cidadania do futuro». Em tudo Vieira trabalhou para aperfeiçoar a vida do homem na sociedade do seu tempo. Denunciou as estruturas de corrupção, que considerava uma espécie de cancro que afetava gravemente a missão dos governos e o superior interesse do Reino e dos súbditos do rei. Defendeu maior equidade social, exigindo o fim da discriminação entre cristãos- novos e cristãos-velhos que criava uma situação de desigualdade de tratamento no acesso aos cargos, a regalias e a direitos sociais. Não se conformou com esta divisão social que gerava a existência do que hoje em dia poderíamos chamar de cidadãos de primeira e de segunda categoria. Nesta linha, criticou fortemente a atuação da Inquisição e propôs uma reforma séria dos estilos, isto é, de algumas práticas judiciais deste tribunal, nomeadamente o facto de manter sob anonimato os denunciantes e realizar o confisco prévio dos bens dos arguidos. Por outro lado, Vieirafoi um precursor de uma reflexão crítica que favoreceria a emergência de uma consciência moderna do que se veio a designar mais tarde por Direitos Humanos. Neste sentido, criticou as condições opressivas do trabalho escravo em vigor no seu tempo e praticado por todas as potências coloniais europeias. E, nessa esteira, defendeu a humanização do trabalho de índios e de negros escravizados e a salvaguarda da dignidade de todos os escravos como seres humanos plenos e iguais perante Deus. As ideias de Vieira e as suas propostas reformistas, se bem que apreciadas por alguns, encontraram muitos opositores poderosos no seu tempo, os quais, em grande medida, acabaram por boicotar a sua aplicação plena. Só mais tarde os diagnósticos e as soluções deste jesuíta serão justamente reconhecidos como válidos e até urgentes. O magistério2 crítico de Vieira ainda faz sentido nos dias de hoje e pode inspirar-nos em cada tempo para não desistirmos de construir uma sociedade mais justa e mais fraterna. José Eduardo Franco, «Um político total», Jornal de Letras, 17 a 30 de abril de 2013, p. 25 (adaptado) Seleciona, em cada um dos itens de 1 a 7, a única alternativa que permite obter uma afirmação adequada ao sentido do texto. Escreve, na folha de respostas, o número de cada item, seguido da letra que identifica a alternativa correta. 1 Gizar:delinear; traçar. 2 Magistério:cargo de professor; didatismo; que tem por fim instruir. Sophia de Mello Breyner Andresen
  5. 5. 5 1.1. A caracterização de Padre António Vieira como um «político total» (linha 1) exclui a referência A) às várias funções que desempenhou ao longo da sua vida. B) às suas propostas relativamente à extinção da Inquisição. C) à capacidade de analisar o modo de vida do seu tempo. D) à sua preocupação com a transformação da sociedade. 1.2. A expressão «cidadania do futuro» (linhas 6 e 7) sugere que Vieira A) resolveu muitos dos problemas com que se confrontou. B) defendeu ideais incompreendidos no tempo em que viveu. C) focou a sua atenção nos problemas das gerações seguintes. D) foi incapaz de compreender a sociedade da sua época. 1.3. No contexto em que ocorre, a expressão «Por outro lado» (linha 16) é equivalente a A) em contrapartida. B) por sua vez. C) assim. D) além disso. 1.4. Relativamente ao conteúdo do terceiro parágrafo, o quarto parágrafo apresenta uma A) comparação. B) generalização. C) exemplificação. D) síntese. 1.5. Os processos de formação das palavras «cristãos-novos» (linha 10) e «confisco» (linha 15) são, respetivamente, A) derivação e composição. B) composição e truncação. C) amálgama e parassíntese. D) composição e derivação. 1.6. No contexto em que ocorre, a palavra «emergência» (linha 16) significa A) aparecimento. B) aceitação. C) relevância. D) urgência. 1.7. No excerto «Denunciou as estruturas de corrupção, que considerava uma espécie de cancro que afetava gravemente a missão dos governos e o superior interesse do Reino e dos súbditos do rei.» (linhas 7 a 9), as palavras sublinhadas são A) um pronome e uma conjunção, respetivamente. B) uma conjunção e um pronome, respetivamente. C) pronomes em ambos os contextos. D) conjunções em ambos os contextos. 2. Responda aos itens apresentados.
  6. 6. 6 2.1. Identifica a expressão de que o pronome «aquilo» (linha 6) é uma catáfora. 2.2. Transcreve, do penúltimo parágrafo (linhas 21 a 24) uma oração subordinada adverbial concessiva. 2.3. Identifica a função sintática desempenhada pelo pronome pessoal em «pode inspirar-nos em cada tempo» (linha 25). GRUPO III SELECIONA UM TEMA: A) Há celebridades que desempenham papéis cruciais na divulgação ou resolução de certas crises, humanas ou ecológicas, entre outras. Num texto bem estruturado, entre 180 e 240 palavras, disserta sobre a projeção que as pessoas famosas e mundialmente conhecidas podem ter na sociedade globalizada atual. Fundamenta o teu ponto de vista recorrendo, no mínimo, a dois argumentos e ilustra cada um deles com, pelo menos, um exemplo significativo. B) A corrupção é um tema muito atual e debatido nos meios de comunicação social. Num texto bem estruturado, entre 180 e 240 palavras, disserta sobre o combate exercido pelos meios de comunicação social à corrupção nacional e/ ou internacional. Fundamenta o teu ponto de vista recorrendo, no mínimo, a dois argumentos e ilustra cada um deles com, pelo menos, um exemplo significativo. C) Diz um provérbio estrangeiro que “Uma maçã por dia mantém o médico afastado” (An apple a day keeps the doctor away). Num texto bem estruturado, entre 180 e 240 palavras, disserta sobre a alimentação saudável e os seus benefícios para a saúde. Fundamenta o teu ponto de vista recorrendo, no mínimo, a dois argumentos e ilustra cada um deles com, pelo menos, um exemplo significativo. observações: 1. Para efeitos de contagem, considera-se uma palavra qualquer sequência delimitada por espaços em branco, mesmo quando esta integre elementos ligados por hífen (ex.: /dir-se-ia/). Qualquer número conta como uma única palavra, independentemente dos algarismos que o constituam (ex.: /2014/). 2. Um desvio dos limites de extensão indicados implica uma desvalorização parcial (até 5 pontos) do texto produzido; − um texto com extensão inferior a oitenta palavras é classificado com zero pontos. COTAÇÕES: GRUPO I- 100 pontos GRUPO II- 50 pontos GRUPO III 50 pontos1. 20 (C12+F8) 2. 20 (C12+F8) 3. 20 (C12+F8) 4. 20 (C12+F8) B. 20 (C12+F8) 1 a 10 5 cada 50 ETD-30 CL-20 BOM TRABALHO!!!!!!!!!!! A PROFESSORA: Lucinda Cunha
  7. 7. 7 Teste de avaliação de 12º ano- Felizmente Há Luar!, Luís de Sttau Monteiro GRUPO I Aspetos de conteúdo (C) ................................................................................................................. 12 pontos Níveis Descritores do nível de desempenho Pontuação 4 Responde, adequadamente. 12 3 Responde, de modo não totalmente completo ou com pequenas imprecisões. 9 2 Responde, de modo não totalmente completo e com pequenas imprecisões. OU Responde, de modo incompleto ou com imprecisões. 6 1 Responde, de modo incompleto e com imprecisões. 3 • Aspetos de estruturação do discurso e correção linguística (F) ......................... 8 pontos Estruturação do discurso (E) ............................................................ 4 pontos Correção linguística* (CL)1................................................................ 4 pontos Cenários de resposta: 1. A ação localiza-se no Ato II e diz respeito ao diálogo empreendido por duas das personagens que representam o antipoder — Matilde de Melo e Sousa Falcão— que, após a prisão do general Gomes Freire de Andrade (que ocorre na elipse temporal que se situa entre os dois atos), denunciam o caráter arbitrário da prisão do general, realçando a injustiça cometida (“Juro-lhe que nunca conspirou!”, l. 16). Matilde decide, então, dirigir-se aos governadores do reino para pedir a libertação do marido (“Hão de ouvir-me!”, l. 39), mas sabemos que, apesar de todas as diligências, o general Gomes Freire acabará por ser julgado, condenado e executado no final da peça, pelo que a esperança revelada por Matilde neste excerto (“Ninguém consegue viver sem ouvir a voz da consciência”, ll. 45-46) não se justificará. 2. Neste excerto as didascálias dão indicações cénicas sobre a forte emotividadee a angústia presentes no discurso das personagens (“Pausa”, l. 4) e sobre a movimentação das personagens (“Caminha em direção a Matilde”, l. 25, etc.). Destacam, também, a amizade que une as duas personagens e que surge traduzida nos gestos afetuosos que trocam (“Apoiando-se no braço de Sousa, Falcão”, l. 51; “Com ternura”, l. 58). O excerto termina com a referência à luz que “desaparece gradualmente” (l. 63), deixando de iluminar a cómoda e focando unicamente Matilde, dando realce a esta personagem, que irá ficar “isolada no centro, e à frente do palco” (l. 65) antes de iniciar um monólogo, técnica muito usada pelo teatro épico. Por outro lado, as notas à margem dão destaque à relação de forte amizade que une António de Sousa Falcão e o general Gomes Freire de Andrade e à reação de “desânimo” deste face à prisão do “amigo inseparável”. Este sentimento de impotênciae frustração é realçado “pelos ombrosdescaídos e pelos braços pendentes” que, no teatro épico, revela a preocupação do dramaturgo com a correta interpretação do público. 3. No discurso de Sousa Falcão estão presentes várias críticas de cariz político,religioso e social. Assim, o “amigo inseparável de Matilde e de Gomes Freire” denuncia, com sarcasmo, o autoritarismo da regência e a relação duvidosa entre os poderes político e religioso (“eleva regulamentos policiais à categoria de princípios sagrados”, l. 6), frisando a passividade da Igreja diante das arbitrariedades cometidas (“ O Deus deste Reino é um fidalgo respeitável que trata como amigo a Pôncio Pilatos.”, ll. 23-24). Relembra também o modo negativo como eram vistos os estrangeirados (“Eu bem lhes dizia que não voltassem”, ll. 6-7) e os seus ideais de progresso associados à revolução francesa que “abalam os alicerces do Reino” (ll. 7-8). Sousa Falcão realça ainda o caráter forte e honrado do general como sendo “uma conspiração permanente contra o que esta gente representa”, ll. 18-19)
  8. 8. 8 por se tratar de um homem justo, inteligente e progressista, por oposição à mentalidade conservadora e mesquinha nacional. 4. No poema “Porque”, Sophia põe em confronto um “tu” e “os outros” (v. 1), denunciando os comportamentos destes por oposição à atuação íntegra e justa do destinatário do poema. Assim, critica a hipocrisia (“se mascaram”, v. 1), a corrupção (“usam a virtude para comprar o que não tem perdão”, vv. 2-3; “se compram e se vendem”, v. 8), a cobardia (“têm medo”, v. 4) e o calculismo (“são hábeis”, v. 10; “calculam”, v. 13). Critica, assim, ainda a “podridão” (v. 6) moral dos “outros” e o seu conformismo (“se calam”, v. 7) resultante da ambição (“os seus gestos dão sempre dividendo”, v. 9). 5. Tópicos de resposta: Anáfora e paralelismo antitético- realça a diferença de comportamentos entre o destinatário do poema e “os outros”, aqueles que são ambiciosos e calculistas, sem integridade nem ética. Metáfora- comportamentos apresentados de modo metafórico: “se mascaram”; “São os túmulos caiados/ onde germina calada a podridão”, etc.- coloca em destaque a degradação dos valores morais, da corrupção, da mentira e ambição, como forma de ascensão social e política; Ironia- “túmulos caiados”: realça a hipocrisia, a falsidade, a aparência, a mentira… GRUPO II Item VERSÃO 1 1 B 2 B 3 D 4 C 5 D 6 A 7 C 2.1. (uma) cidadania de futuro 2.2. “se bem que apreciados por alguns” 2.3 complemento direto GRUPO III Cenário de resposta Dada a natureza deste item, não é apresentado cenário de resposta.

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