ANO XVIII • NÚMERO 49 • janeiro / junho • 2010                                                • Destaque • Festa da Fé: Ro...
Leiria-Fátima       Órgão Oficial da DioceseANO XVIII • NÚMERO 49 • JANEIRO / JUNHO • 2010
Ficha Técnica|             Director | Luís Inácio João   Chefe de Redacção | Luís Miguel Ferraz       Administrador | Henr...
Índice                                                                                             . editorial .	         ...
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EditorialRumo ao digital    Tal como anunciado anteriormente, este será o último ano da publicaçãoem papel da revista “Lei...
Editorial
Documentos  . decretos . documentos pastorais .     . escritos episcopais . diversos .
. decretos .                                                                                DocumentosNomeações episcopais...
. decretos .Nomeações episcopaisCáritas Diocesana de Leiria    António Augusto dos Santos Marto, Bispo de Leiria-Fátima, f...
. decretos .Decreto de Aprovação dos Estatutos doConselho Pastoral Diocesano    Dom António Augusto dos Santos Marto, bisp...
. decretos .dos seus deveres, vivam e operem em comunhão de caridade” (CD 16). E,para que possam desempenhar com solicitud...
. decretos .                                Capítulo I                                Natureza                            ...
. decretos .   d) Dar parecer sobre o programa anual de acção pastoral da Diocese.   e) Avaliar periodicamente os resultad...
. decretos .          toral juvenil e escolar, pastoral familiar, liturgia, vocações cristãs e          pastoral social.  ...
. decretos .                             Capítulo IV                            Organização                               ...
. decretos .                             Artigo 17.ºCompete ao Secretário do CPD:a) Moderar as reuniões plenárias do CPD e...
. decretos .                             Capítulo V                           Funcionamento                              A...
. decretos .Nomeação episcopalPároco da Ortigosa    D. António Augusto dos Santos Marto, Bispo de Leiria-Fátima, faz saber...
. decretos .   Membros eleitos:   P. Dr. Rui Acácio Amado Ribeiro   P. Dr. Orlandino Barbeiro Bom   P. Dr. José Henrique D...
. documentos pastorais .Mensagem dos Bispos das Dioceses do Centroaos Padres das suas DiocesesAno Sacerdotal - Quaresma de...
. documentos pastorais .ricórdia, proporcionando aos penitentes acolhimento fraterno, compreensãopaciente e orientação seg...
. documentos pastorais .Mensagem quaresmalQuaresma Ecológica1. Para uma ecologia espiritual                               ...
. documentos pastorais .entre si e a promover a comunhão e a corresponsabilidade em cada comuni-dade cristã. Para isso é n...
. documentos pastorais .mesmos. É-se peregrino antes de mais com a mente e com o coração em or-dem a um encontro libertado...
. documentos pastorais .Orientações PastoraisCelebrações da Eucaristia Dominical   Aos sacerdotes diocesanos,   Aos sacerd...
. documentos pastorais .da Eucaristia e se proceda à reorganização deste serviço litúrgico em cadaparóquia.    O princípio...
. documentos pastorais .   4. Nos casos de assembleias dominicais reduzidas, havendo uma ou mais     igrejas a curta distâ...
. escritos episcopais .Homilia de Ano NovoCuidar da criação, caminho para a paz                                           ...
. escritos episcopais .águas poluídas, solo explorado e degradado, desertificação que avança pro-gressivamente, alterações...
. escritos episcopais .expressão maravilhosa e penetrante a este respeito: “Há uma espécie de reci-procidade: cuidando da ...
. escritos episcopais .   - promover uma educação ecológica, uma pedagogia do ambiente, atra-      vés duma aliança entre ...
. escritos episcopais .Homilia nas exéquias deMonsenhor Henrique Fernandes da FonsecaHomem de fé e pastor exemplar        ...
. escritos episcopais .no qual empenhou toda a sua existência até à morte, incutindo-lhe coragem elevando-o às fontes da v...
. escritos episcopais .    O amor recebido de Cristo é restituído aos irmãos e toma as várias formasdos dons do Espírito S...
. escritos episcopais .Discurso na tomada de posseComissão Diocesana Justiça e Paze Cáritas Diocesana    Congrega-nos aqui...
. escritos episcopais .substitui ao Estado. Não é um partido político nem um força política. Respei-tando as competências ...
. escritos episcopais .acção da Comissão Diocesana Justiça e Paz em ordem a promover o conhe-cimento da doutrina social e ...
. escritos episcopais .Apelo do Bispo diocesanoPeregrinação do Santo Padre a Fátima    Caros irmãos e irmãs:              ...
. escritos episcopais .Homilia da Missa CrismalPresbitério em comunhãoe ao serviço da comunhão     É um verdadeiro momento...
. escritos episcopais .lizada resultante da exploração mediática de tais casos. O pecado de algunsnão ofusca a abnegação e...
. escritos episcopais .afectivas e espirituais entre os sacerdotes; uma graça que se expande, penetrae se revela e concret...
. escritos episcopais .provérbio africano: “Se queres ir depressa, corre sozinho; se queres chegarlonge, caminha com os ou...
. escritos episcopais .    Testemunho da comunhão e promoção vocacional    Tudo isto assume um relevo particular na promoç...
. escritos episcopais .Visita Papal ao Santuário de FátimaSaudação do Bispo de Leiria-Fátima    Santo Padre,    É com imen...
. escritos episcopais .Festa da FéDiscurso inaugural    1. Ao cair da noite deste dia 21 de Maio, véspera do aniversário d...
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Revista "Leiria-Fátima - Órgão Oficial da Diocese" - N.º 49 (Jan-Jun 2010)

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Leiria fátima digital 49

  1. 1. ANO XVIII • NÚMERO 49 • janeiro / junho • 2010 • Destaque • Festa da Fé: Rosto(s) da Igreja Diocesana • pág. 63 Fé na beleza espiritual e moral da vida • Decretos • aprovação • pág. 11 Estatutos do Conselho Pastoral Diocesano • Documentos • Orientações Pastorais • pág. 26 Celebrações da Eucaristia Dominical • Teologia/Pastoral • Ordem da Visitação foi fundada há 4 séculos • pág. 99 Entrega a Deus, na humildade e simplicidade de vida • História • Saul Gomes • pág. 109 Diocese de Leiria – contributos documentaisDOCUMENTOS • decretos • escritos episcopais • VIDA ECLESIAL • notícias • entrevistas • REFLEXÕES • teologia/pastoral • história • DO
  2. 2. Leiria-Fátima Órgão Oficial da DioceseANO XVIII • NÚMERO 49 • JANEIRO / JUNHO • 2010
  3. 3. Ficha Técnica| Director | Luís Inácio João Chefe de Redacção | Luís Miguel Ferraz Administrador | Henrique Dias da SilvaConselho de Redacção | Belmira de Sousa, Jorge Guarda, Luciano Cristino, Manuel Melquíades, Saul Gomes Capa/Grafismo | Luís Miguel Ferraz Propriedade/Editor | Diocese Leiria-Fátima / Gabinete de Apoio aos Serviços Pastorais Sede | Seminário Diocesano de Leiria • 2414-011 Leiria Tel.: 244832760 • Fax: 244821102 Correio Elec.: revista@leiria-fatima.pt Periodicidade | Semestral Tiragem | 330 exemplares Preço | 6 euros (avulso) • 12 euros (assinatura anual) Impressão | Tipografia de Fátima Depósito Legal | 64587/932 | LEIRIA-FÁTIMA • 49 |
  4. 4. Índice . editorial . Rumo ao digital 5 Documentos••• . decretos . Nomeações episcopais • Comissão Diocesana Justiça e Paz 9 Nomeações episcopais • Cáritas Diocesana de Leiria 10 Decreto de Aprovação dos Estatutos • Conselho Pastoral Diocesano 11 Nomeação episcopal • Pároco da Ortigosa 19 Decreto de nomeação para o triénio 2010/2013 • Conselho Pastoral Diocesano 19 . documentos pastorais . Mensagem dos Bispos das Dioceses do Centro • Ano Sacerdotal - Quaresma de 2010 21 Mensagem quaresmal • Quaresma Ecológica 23 Orientações Pastorais • Celebrações da Eucaristia Dominical 26 . escritos episcopais . Homilia de Ano Novo • Cuidar da criação, caminho para a paz 29Homilia nas exéquias de Monsenhor Henrique Fernandes da Fonseca • Homem de fé e pastor exemplar 33 Discurso na tomada de posse • Comissão Diocesana Justiça e Paz e Cáritas Diocesana 36 Apelo do Bispo diocesano • Peregrinação do Santo Padre a Fátima 39 Homilia da Missa Crismal • Presbitério em comunhão e ao serviço da comunhão 40 Visita Papal ao Santuário de Fátima • Saudação do Bispo de Leiria-Fátima 45 Festa da Fé • Discurso inaugural 46 Festa da Fé • Acolhimento da Virgem Peregrina 49 Homilia • Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo 51 . diversos . Comunicado da Diocese • Santo Padre nomeia Monsenhor Manuel Gonçalves Janeiro 53 Comunicado da Diocese • Pia União das Escravas do Divino Coração de Jesus 55 Comunicado da Diocese • P Marcin Strachanowski . 57 Comunicado da Diocese • Nomeações episcopais 58 Comunicado do Conselho Presbiteral • Ano dedicado ao serviço à pessoa 60 | 49 • LEIRIA-FÁTIMA | 3
  5. 5. Índice Vida Eclesial••• . destaque . Diocese de Leiria-Fátima mobilizou-se para a festa • Fé na beleza espiritual e moral da vida 63 Falecimento • Monsenhor Henrique da Fonseca 67 . especial . Visita Pastoral do Bispo à Diocese • Pela vigararia de Ourém… 69 . serviços e movimentos . 25 anos da sua fundação • Escola de Formação Teológica de Leigos 79 Centro de Formação e Cultura e Escola Diocesana Razões da Esperança 86 Serviço Diocesano de Pastoral da Saúde 87 Serviço Diocesano de Catequese 87 Grupo Missionário Ondjoyetu 88 Movimento dos Cursos de Cristandade 89 Convívios Fraternos Diocesanos 91 Movimento das Equipas de Nossa Senhora 92 . entrevistas . Entrevista ao diácono Miguel Sottomayor “Espero que a minha vida seja uma constante entrega a Cristo” 93 Reflexões••• . teologia/pastoral . Entrega a Deus, na humildade e simplicidade de vida 99 Ordem da Visitação foi fundada há 4 séculos - Visita “guiada” ao interior do Convento da Batalha: O peso da idade, a leveza de Deus - D. António Marto preside à celebração festiva na Batalha: “Oásis espiritual no deserto do mundo” - Entrevista à Superiora do Convento da Batalha: “Fazer subir até ao trono de Deus o «aroma das virtudes»” - . história . Diocese de Leiria – contributos documentais para a sua história 109 Novos e antigos elementos para a história do castelo de Leiria 1414 | LEIRIA-FÁTIMA • 49 |
  6. 6. EditorialRumo ao digital Tal como anunciado anteriormente, este será o último ano da publicaçãoem papel da revista “Leiria-Fátima – Órgão Oficial da Diocese”. A justifica-ção foi já apresentada na nossa edição número 47, de Janeiro/Junho de 2009,e prende-se, sobretudo, com a optimização de recursos materiais e rapidez deresposta que nos é, actualmente, permitida pelo formato das edições digitais. A edição presente, relativa ao primeiro semestre de 2010, apresenta-se jácom algumas opções editoriais condicionadas por essa perspectiva de altera-ção de formatos. Assim, na secção Documentos registamos, como usual, a documentaçãooficial da Diocese, os escritos episcopais e outros documentos de relevânciapastoral. Quanto à Vida Eclesial, inclui-se ainda algum conteúdo noticioso, pen-sando sobretudo em deixar o registo histórico desse grande acontecimentoque foi a “Festa da Fé – Rosto(s) da Igreja Diocesana”. Publicam-se tambémas entrevistas aos párocos das comunidades onde o Bispo diocesano passouem Visita Pastoral, dando seguimento ao trabalho iniciado anteriormentenesta rubrica, bem como as informações enviadas pelos vários serviços emovimentos diocesanos. Mas não se apresentam já as notícias do resumodo semestre na Diocese e no Santuário de Fátima, tanto pelo desfasamentotemporal entretanto registado, como pelo facto de existirem outros meios defácil acesso a essas informações. Finalmente, na secção Reflexões, publica-se um trabalho de fundo relativoaos 400 anos da fundação da Ordem da Visitação e dois artigos de divulgaçãode documentação histórica da Diocese. O número respeitante ao segundo semestre de 2010 está já na fase final deprodução, pelo que, em breve, se dará por concluído este projecto no modeloaté agora disponibilizado aos leitores. Nessa altura, divulgaremos a forma eas condições do novo projecto editorial do Órgão Oficial da Diocese. A Redacção | 49 • LEIRIA-FÁTIMA | 5
  7. 7. Editorial
  8. 8. Documentos . decretos . documentos pastorais . . escritos episcopais . diversos .
  9. 9. . decretos . DocumentosNomeações episcopaisComissão Diocesana Justiça e Paz António Augusto dos Santos Marto, Bispo de Leiria-Fátima, faz saberquanto segue: Sendo necessário constituir uma nova Comissão Diocesana Justiça e Pazpara o triénio 2010-2012, havemos por bem nomear as seguintes pessoas paraa integrar: Doutor Eugénio Pereira Lucas (Presidente), Dr.ª Mavíldia Carreirada Costa Frazão, Dr.ª Maria Ana Carvalho de Castro Barradas Toledo Rolla,Dr. Carlos Magalhães de Carvalho, Ambrósio Jorge dos Santos, P. Dr. LuísInácio João. Esta Comissão é um organismo laical da Igreja diocesana com os seguin-tes objectivos: sensibilizar a comunidade diocesana e a sociedade para osproblemas de justiça nela sentidos; promover e defender os valores da justiçae da paz, numa reflexão de inspiração cristã; reflectir e divulgar a DoutrinaSocial da Igreja; incentivar o compromisso dos cristãos na construção da so-ciedade, da política e da economia; promover uma análise crítica, inspiradano humanismo cristão, dos fenómenos sociais. Na sua acção deverá ter emconta as orientações do Magistério da Igreja, nomeadamente do PontifícioConselho Justiça e Paz, procurando agir em coordenação com a ComissãoNacional Justiça e Paz. Fazemos votos de que esta Comissão possa dar um bom contributo para arealização destes objectivos. Leiria, 2 de Fevereiro de 2010 † António Augusto dos Santos Marto, Bispo de Leiria-Fátima | 49 • LEIRIA-FÁTIMA | 9
  10. 10. . decretos .Nomeações episcopaisCáritas Diocesana de Leiria António Augusto dos Santos Marto, Bispo de Leiria-Fátima, faz saberquanto segue: Sendo necessário constituir novos corpos sociais da Cáritas Diocesana deLeiria, para o triénio 2010-2012, nomeamos os seguintes elementos: Direcção Presidente: Dr. Júlio Coelho Martins Vice-Presidente: Dr.ª Margarida Maria Oliveira Faria Marques Ramos Secretário: Dr. Lúcio Manuel Santos Ribeiro Alves Tesoureiro: Dr. Pedro Manuel de Melo Nogueira Santos Vogais: Joaquim Madaíl Brilhante Pedrosa Dr.ª Luciana Margarida Lopes Almeida dos Santos Dr. Manuel Nogueira Gonçalves dos Santos Nuno Miguel Vieira dos Santos Pedro José Grasina Barros Eng.º Pedro Nuno Carreira Ascenso Conselho Fiscal Presidente: Dr.ª Rosa Maria de Sousa Brilhante Pedrosa Vogais: Carlos Pereira Mendes Henrique Dias da Silva Assistente: P. Dr. Luís Inácio João Estes cargos devem ser exercidos de acordo com os Estatutos, respeitandoas normas diocesanas e as orientações do Bispo diocesano. Leiria, 2 de Fevereiro de 2010 † António Augusto dos Santos Marto, Bispo de Leiria-Fátima10 | LEIRIA-FÁTIMA • 49 |
  11. 11. . decretos .Decreto de Aprovação dos Estatutos doConselho Pastoral Diocesano Dom António Augusto dos Santos Marto, bispo de Leiria-Fátima, faz sa-ber quanto segue: Tendo sido oportuna e cuidadosamente revisto, em sede própria e de acordocom as normas canónicas em vigor, o texto dos Estatutos do Conselho Pastoral DocumentosDiocesano aprovado pelo meu predecessor em 1 de Agosto de 1997, de modoa torná-lo um instrumento mais adequado às actuais exigências e necessidadespastorais da nossa Diocese, havemos por bem, por meio deste Decreto: 1. Aprovar e promulgar os presentes Estatutos do CONSELHO PASTO-RAL DIOCESANO de Leiria-Fátima, que entrarão de imediato em vigor; 2. Mandar que se proceda, de acordo com as disposições estatutárias, àsrespectivas eleições previstas nos artigos 9-10, e que os resultados consigna-dos em acta nos sejam comunicados. Leiria, 26 de Fevereiro de 2010 † António Augusto dos Santos Marto, Bispo de Leiria-Fátima ESTATUTOS PREÂMBULO 1. São Paulo, ao escrever aos cristãos de Éfeso a propósito do papel doscarismas e ministérios na edificação e organização da Igreja como corpo vi-sível de Cristo, recorda-lhes: “A cada um de nós foi dada a graça, segundo amedida do dom de Cristo. (...) E foi Ele que a uns constituiu como Apóstolos,Profetas, Evangelistas, Pastores e Mestres, em ordem a preparar os santospara uma actividade de serviço, para a construção do Corpo de Cristo, até quecheguemos todos à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, aohomem adulto, à medida completa da plenitude de Cristo. (...) É por Ele queo Corpo inteiro, bem ajustado e unido, por meio de todas as junturas, opera oseu crescimento orgânico segundo a actividade de cada uma das partes, a fimde se edificar na caridade” (Ef 4, 7.11-13.15). 2. O decreto sobre O Múnus Pastoral dos Bispos na Igreja (Christus Do-minus), do Concílio Vaticano II, reconhecendo os Bispos como legítimossucessores dos Apóstolos, exorta-os a serem para os seus fiéis, no exercíciodo seu múnus, “bons pastores que conhecem as suas ovelhas e por elas sãoconhecidos como verdadeiros pais (...), de tal modo que todos, conscientes | 49 • LEIRIA-FÁTIMA | 11
  12. 12. . decretos .dos seus deveres, vivam e operem em comunhão de caridade” (CD 16). E,para que possam desempenhar com solicitude esta missão que lhes foi con-fiada por instituição divina, o mesmo documento aconselha-os a conhecerembem as necessidades dos seus fiéis, dentro das circunstâncias sociais em quevivem, mostrando interesse por todos, reconhecendo-lhes a obrigação e o di-reito de colaborarem activamente na edificação do Corpo místico de Cristo efavorecendo as várias formas de apostolado em toda a diocese e em cada umadas suas partes, coordenando a união de todas as obras apostólicas (cf Idem),de maneira que – sublinha – “todas as iniciativas e instituições de carácter ca-tequético, missionário, caritativo, social, familiar ou escolar, e qualquer outrotrabalho com finalidade pastoral, tenham um desenvolvimento harmónico,o que ao mesmo tempo fará sobressair mais a unidade da diocese” (CD 17). 3. Acolhendo a referida doutrina eclesiológica de São Paulo, o mesmodecreto conciliar recomenda aos Bispos que em todas as dioceses se estabe-leça um Conselho pastoral, presidido pelo Bispo diocesano e formado porclérigos, religiosos e leigos (cf CD 27), definindo como sua principal missão“investigar e apreciar tudo o que diz respeito às actividades pastorais e for-mular conclusões práticas” (ibidem). Esta recomendação foi acolhida peloCódigo de Direito Canónico, sob a forma de lei universal para toda a Igreja,nos cânones 511-514, os quais sublinham o seu carácter necessário comoórgão consultivo do Bispo. 4. Assim, podemos definir o Conselho Pastoral Diocesano (CPD) comoum órgão significativo de ajuda ao Bispo, no desempenho do seu ministérioapostólico, no qual, a participação eclesial de todos os fiéis (que é um direitoe dever de todos os baptizados), através do aconselhamento na Igreja, não sóé necessária como fundamental, em vista a um discernimento para o serviçodo Evangelho que deve ser preocupação comum. De facto, em virtude da suaincorporação na Igreja pelo Baptismo, todos os fiéis – leigos, clérigos e reli-giosos – estão habilitados a participar realmente e a construir, dia-a-dia, a co-munidade diocesana, pelo que o seu contributo é precioso e imprescindível. 5. O CPD tem pois, um duplo significado na vida e organização da Igreja:por um lado, representa a imagem da fraternidade e da comunhão da Igrejadiocesana, da qual é expressão na variedade dos seus membros; por outrolado, e apesar do carácter consultivo que o caracteriza, o CPD deve ser uminstrumento privilegiado da comum decisão pastoral, onde o ministério dacabeça, próprio do Bispo - no desempenho da presidência -, e a co-responsa-bilidade de todos os seus membros, devem encontrar a sua síntese, de modoque, todos “vivam e operem em comunhão de caridade” (CD 16).12 | LEIRIA-FÁTIMA • 49 |
  13. 13. . decretos . Capítulo I Natureza Artigo 1.° O Conselho Pastoral Diocesano (CPD) é um órgão consultivo auxiliar doBispo, que a ele preside, como expressão da co-responsabilidade apostólicade todos os baptizados na comunhão eclesial. Documentos Artigo 2.° O CPD rege-se pelo Direito e demais orientações universais da Igreja,por estes Estatutos e outras normas que vierem a ser estabelecidas pelo Bispodiocesano. Artigo 3.° O CPD tem voto consultivo. Pode, porém, o Bispo diocesano atribuir-lheforça deliberativa, comunicando previamente ao Conselho essa sua decisão. Artigo 4.° O CPD tem a sua sede no Seminário Diocesano de Leiria. Capítulo II Competências e funções Artigo 5.º É da competência do CPD estudar e apreciar o que diz respeito às princi-pais orientações e actividades pastorais na Diocese, em ordem a tornar maisadequado e frutuoso o cumprimento da missão eclesial em favor das pessoas(cf cân. 511). Artigo 6.° São funções do CPD: a) Ajudar o Bispo diocesano a definir as orientações pastorais comuns a todos, mediante o projecto pastoral e outros instrumentos. b) Promover o discernimento da realidade da Diocese, tirar conclusões práticas sobre ela e indicar os caminhos pastorais a seguir. c) Possibilitar a partilha de experiências, projectos e preocupações dos di- versos grupos ou agentes da pastoral profética, litúrgica e sócio-caritativa. | 49 • LEIRIA-FÁTIMA | 13
  14. 14. . decretos . d) Dar parecer sobre o programa anual de acção pastoral da Diocese. e) Avaliar periodicamente os resultados das orientações definidas, dos programas e das actividades realizadas. Artigo 7.° No exercício das suas funções, o CPD contará com o apoio e colaboraçãode todas as estruturas do Povo de Deus, públicas ou privadas, podendo mes-mo constituir comissões especiais. Capítulo III Constituição Artigo 8.º O CPD é constituído por leigos, clérigos e membros dos Institutos de VidaConsagrada, de modo a retratar a variedade do Povo de Deus na Diocese,segundo as condições sociais, culturais e de apostolado, e as diferentes zonas(cf cân. 512). § único. Só devem ser escolhidos fiéis que estejam em plena comunhãocom a Igreja Católica e se distingam pela firmeza de fé, bons costumes eprudência (cf cân. 512 § 3). Artigo 9.° São membros do CPD: § 1. Em função do seu cargo: a) Vigário Geral. b) Vigário judicial. b) Reitor do Seminário. c) Reitor do Santuário de Fátima. § 2. Por eleição: a) Um representante do Conselho Presbiteral. b) Um representante dos Vigários da vara. c) Um representante do Conselho de Coordenação Pastoral. d) Um leigo representante de cada vigararia, eleito em assembleia constituída pelos conselhos pastorais paroquiais, presidida pelo res- pectivo vigário. e) Um representante de cada um dos seguintes departamentos dioce- sanos, indicados pelos respectivos directores: educação cristã, pas-14 | LEIRIA-FÁTIMA • 49 |
  15. 15. . decretos . toral juvenil e escolar, pastoral familiar, liturgia, vocações cristãs e pastoral social. f) Um representante dos institutos de vida consagrada masculinos, ou- tro dos femininos e outro dos seculares, indicados pela respectiva conferência diocesana (CIRP) ou equivalente. g) Três representantes das associações de fiéis, movimentos apostó- licos e novas comunidades, eleitos em assembleia de responsáveis, convocada e presidida pelo director do departamento diocesano das Documentos vocações cristãs. § 3. Por nomeação: Os que o Bispo diocesano queira designar, sendo desejável que o seu número não ultrapasse um décimo do total e que as pessoas escolhi- das provenham de áreas não abrangidas pelo § 2. Artigo 10.º § 1. De cada uma das eleições a que se refere o § 2 do artigo 9.º, deve-rá lavrar-se uma acta, assinada pelo presidente ou pelo secretário, na qualdevem constar os resultados do escrutínio, com a indicação do número depresenças e ausências, nome dos eleitos, sua data de nascimento, profissão,endereço postal e electrónico e número de telefone e/ou de telemóvel. O pre-sidente providenciará pelo envio, o mais rápido possível, dessa acta à Secre-taria episcopal. § 2. As eleições serão feitas por sufrágio directo, escrito e secreto. § 3. Todos os membros eleitos deverão ser confirmados pelo Bispo Dio-cesano. Artigo 11.º § 1. O CPD é constituído pelo prazo de três anos. § 2. Os membros do CPD podem sempre ser nomeados de novo ou reeleitos. §3. Ao vagar a Sede Episcopal, o CPD cessa as suas funções (cf cân. 513 § 2). Artigo 12.º § 1. Os membros do CPD cessam o mandato: a) Por demissão ou por renúncia aceite pelo Bispo diocesano; b) Por cessação do respectivo cargo, os membros natos; c) Por deixarem de pertencer ao grupo que os elegeu. § 2. As vagas serão preenchidas da mesma forma da anterior designação,mas apenas para completar o mandato. | 49 • LEIRIA-FÁTIMA | 15
  16. 16. . decretos . Capítulo IV Organização Artigo 13.º São órgãos constitutivos do CPD: a) O Presidente. b) O Secretariado Permanente. c) O Plenário. Artigo 14.º Compete ao Presidente, que é sempre o Bispo Diocesano: a) Aprovar e promulgar os Estatutos. b) Confirmar os membros a que se refere o artigo 9.º § 2. c) Designar os membros da sua escolha, conforme o artigo 9.° § 3. d) Nomear o Secretário. e) Convocar as reuniões do Plenário e aprovar a agenda de trabalhos. f) Presidir, por si, por seus vigários ou delegados, a essas reuniões. g) Aprovar e tornar públicas as conclusões tomadas nas reuniões plenárias. h) Coordenar superiormente toda a actividade do CPD. Artigo 15.º O Secretariado Permanente é constituído pelo Secretário e mais doismembros do CPD, eleitos pelo Plenário na sua primeira reunião ordinária; omais votado será o Secretário-Adjunto. Artigo 16.º Compete ao Secretariado Permanente: a) Recolher as manifestações e desejos, opiniões e pareceres dos diocesa- nos, através dos membros do CPD e por outros meios legítimos. b) Preparar as reuniões, incluindo a agenda, tendo em conta os elementos recolhidos segundo a sua importância e urgência. c) Colaborar, segundo as suas competências, na execução das decisões tomadas nas reuniões plenárias. d) Dar parecer ao Presidente, sempre que solicitado, disponibilizando-se para todas as formas de colaboração pastoral. § único. O Secretariado Permanente reunir-se-á de acordo com as neces-sidades para o cumprimento das tarefas que lhe incumbem.16 | LEIRIA-FÁTIMA • 49 |
  17. 17. . decretos . Artigo 17.ºCompete ao Secretário do CPD:a) Moderar as reuniões plenárias do CPD e do Secretariado Permanente.b) Orientar a preparação da agenda de trabalhos das reuniões ordinárias do Plenário e submetê-la à aprovação do Presidente, em conformidade com os artigos 15.º e) e 16.º b).c) Convocar as reuniões do Secretariado Permanente e fixar a agenda de trabalhos. Documentosd) Dinamizar o trabalho, quer do Plenário, quer do Secretariado Perma- nente, em ordem a ao funcionamento eficiente do CPD. Artigo 18.ºCompete ao Secretário-Adjunto:a) Auxiliar o Secretário em tudo o que lhe for solicitado e substituí-lo em caso de impedimento.b) Redigir as actas das reuniões do Secretariado Permanente e do Plená- rio.c) Enviar as convocatórias e demais correspondência.d) Ordenar e guardar os documentos na sede do CPD, nomeadamente relatórios, informações e correspondência.e) Assinar com o Presidente e o Secretário as actas do Plenário e com o Secretário as actas do Secretariado Permanente, rubricando todos os documentos do Conselho. Artigo 19.ºCompete ao Plenário:a) Fornecer a mais completa informação sobre as necessidades, desejos, problemas e opiniões (cf LG 37) relativos à agenda de trabalhos.b) Colaborar no estudo e programação de projectos e acções pastorais e propor iniciativas.c) Pronunciar-se sobre o trabalho e projectos de comissões eventuais, se- gundo o artigo 7.°.d) Debater propostas e formular conclusões práticas, através de votação ou outra forma adequada (cf LG 37; CD 27). | 49 • LEIRIA-FÁTIMA | 17
  18. 18. . decretos . Capítulo V Funcionamento Artigo 20.º O CPD reunir-se-á, ordinariamente, duas vezes por ano, e, extraordinaria-mente, sempre que necessário. Artigo 21.º A reunião ordinária do CPD deverá ser convocada com um mínimo deum mês de antecedência, devendo, nessa ocasião, ser enviada a agenda detrabalho. § único. No caso de julgar insuficiente a documentação sobre os temas daagenda, cada membro poderá requerer ao Secretariado Permanente as infor-mações que lhe parecerem necessárias para estudar os assuntos a debater. OSecretariado Permanente ajuizará da oportunidade de as facultar. Artigo 22.º Cada membro do CPD procurará actuar com eficácia e de modo respon-sável, quer tomando parte activa nas reuniões, quer enviando ao SecretariadoPermanente propostas, notas escritas, relatórios, comunicação de experiên-cias, resultados de inquéritos e entrevistas, quer por outros meios legítimos. Capítulo VI Disposições finais Artigo 23.º Estes Estatutos entram em vigor após a promulgação pelo Bispo Diocesa-no e serão revistos sempre que for julgado necessário. Artigo 24.º Nos casos omissos ou duvidosos destes Estatutos, compete ao Bispo dio-cesano o esclarecimento dos mesmos.18 | LEIRIA-FÁTIMA • 49 |
  19. 19. . decretos .Nomeação episcopalPároco da Ortigosa D. António Augusto dos Santos Marto, Bispo de Leiria-Fátima, faz saberquanto segue: Tendo em consideração o pedido de dispensa, por motivos de saúde, quenos foi apresentado pelo Rev.º Padre Fernando Pereira Ferreira, dispensamo- Documentoslo do múnus de pároco da Paróquia de Ortigosa e nomeamos o Rev.º PadreIsidro da Piedade Alberto como administrador paroquial da referida paróquia,de acordo com os cân. 539 e 540 do C.I.C.. Esta nomeação tem efeitos a partir da presente data e é válida até à tomadade posse do novo pároco. Leiria, 28 de Março de 2010 † António Augusto dos Santos Marto, Bispo de Leiria-FátimaDecreto de nomeação para o triénio 2010/2013Conselho Pastoral Diocesano António Augusto dos Santos Marto, Bispo da Diocese de Leiria-Fátima,faz saber quanto segue: Tendo em conta que a comunhão eclesial, para poder ser uma realidadeviva, orgânica e articulada, deve dispor de instrumentos de participação; sa-bendo que o Bispo da Diocese exerce o ministério da síntese ou da comunhãoe não a síntese dos ministérios, havemos por bem, de acordo com os cân. 511e 512 do C.I.C., constituir um novo Conselho Pastoral Diocesano, por tercessado o mandato do anterior. De acordo com o Art.º 9.º dos Estatutos desteórgão, nomeio os seguintes elementos para o integrarem: Em função do seu cargo: P. Dr. Jorge Manuel Faria Guarda (Vigário Geral) P. Dr. Fernando Clemente Varela (Vigário Judicial) P. Dr. Manuel Armindo Pereira Janeiro (Seminário Diocesano) P. Dr. Virgílio do Nascimento Antunes (Reitor do Santuário de Fátima) | 49 • LEIRIA-FÁTIMA | 19
  20. 20. . decretos . Membros eleitos: P. Dr. Rui Acácio Amado Ribeiro P. Dr. Orlandino Barbeiro Bom P. Dr. José Henrique Domingues Pedrosa Gonçalo Nuno Caetano da Silva Joaquim Carrasqueiro de Sousa Dr.ª Isabel Maria de Bastos Reis Maria Idalina Costa dos Santos Gaspar Joaquim Oliveira da Silva Abílio Teixeira da Cruz Manuel Alexandre Gameiro António Araújo Monteiro Maria Vitória Cordeiro Ferreira Silva Ir.ª Maria Alzira Martins da Costa Dr. Diogo Carvalho Alves P. Dr. José Augusto Pereira Rodrigues P. Doutor Carlos Manuel Pedrosa Cabecinhas Sérgio Manuel dos Santos Dr. Júlio Coelho Martins P. José Augusto Leitão Ir.ª Maria da Trindade Machado Lucinda de Lurdes Gonçalves Teixeira Cristóvão Conceição Ginja Joaquim Manuel de Magalhães Mexia Alves Fernanda de Jesus Ferreira Pedrosa Membros designados pelo Bispo: Doutor Eugénio Pereira Lucas Ambrósio Jorge dos Santos Dr.ª Maria de Fátima dos Santos Sismeiro O Conselho Pastoral Diocesano funcionará de acordo com os cân. 513 e514 do C.I.C e segundo os seus Estatutos em vigor. Entrará em funções naprimeira sessão, para a qual serão convocados todos os membros. Esta nomeação é válida pelo período de três anos. Leiria, 29 de Junho de 2010. † António Augusto dos Santos Marto, Bispo de Leiria-Fátima20 | LEIRIA-FÁTIMA • 49 |
  21. 21. . documentos pastorais .Mensagem dos Bispos das Dioceses do Centroaos Padres das suas DiocesesAno Sacerdotal - Quaresma de 2010 Documentos Como sabeis, nós, os Bispos das vossas Dioceses, como expressão decomunhão entre nós, reunimo-nos todo os meses, indo a cada diocese, pararezar, conviver, partilhar e reflectir os problemas pastorais comuns, sentidose vividos no dia-a-dia. Como estamos no Ano Sacerdotal e a iniciar o tempo da Quaresma, decidi-mos, numa das nossas últimas reuniões, dirigir-vos uma mensagem fraterna eamiga, como expressão de estima e de gratidão pela vossa colaboração diária e,ao mesmo tempo, como palavra de estímulo para o trabalho pastoral acrescidoque a todos é pedido neste tempo quaresmal, rumo à Páscoa do Senhor. A Quaresma é para vós tempo de maior esforço e ajuda mútua, porquesois agora especialmente chamados a celebrar o sacramento da Reconcilia-ção, com todo o significado que ele tem para a Igreja, para cada um de nós epara os cristãos em geral. Parte essencial do exercício do ministério sacerdotal, tal como a cele-bração da Eucaristia, a celebração da Reconciliação convida-nos, não só adeixarmo-nos penetrar de entranhas de misericórdia para os que procuram operdão de Deus, mas, também, ao exercer tão maravilhoso serviço pastoral, aprocurar a nossa própria santificação. Falando aos confessores da diocese de Roma (20.3.1989), João Paulodisse-lhes: “Ao comunicarmos aos fiéis a graça e o perdão no sacramento daPenitência, realizamos a acção cimeira do nosso sacerdócio, depois da cele-bração da Eucaristia… Eu diria que o sacerdote, ao perdoar os pecados, vaide certo modo para além do já sublime ofício de embaixador de Cristo, umavez que quase alcança uma identificação mística com Cristo”. Esta palavra étambém para todos nós, ministros do perdão de Deus. O exemplo do Santo Cura de Ars é, particularmente neste campo, mui-to estimulante. Para além do cumprimento dos outros deveres pastorais, eletornou-se, como confessor, ponto de encontro com Deus de todos os peniten-tes que, idos de muitos lados, o procuravam atraídos pela sua santidade. Elesabia traduzir, de modo simples, um profundo sentido de Deus, rico em mise- | 49 • LEIRIA-FÁTIMA | 21
  22. 22. . documentos pastorais .ricórdia, proporcionando aos penitentes acolhimento fraterno, compreensãopaciente e orientação segura para as suas vidas. Estamos conscientes, apesar das dificuldades pastorais sentidas neste minis-tério, em razão de uma tradição pouco esclarecida, bem como da crescente insen-sibilidade ao pecado, que a confissão sacramental é sempre um acontecimentode graça para os que procuram a graça do perdão e da reconciliação com Deus. Sede, caríssimos padres, diligentes e generosos, não só no tempo qua-resmal, mas ao longo do ano pastoral, proporcionando aos cristãos temposadequados, frequentes e com horários acessíveis para que se possam abeirardo sacramento da Reconciliação. Se procurarmos nós próprios ser fiéis à celebração pessoal da Reconcilia-ção, a misericórdia de Deus, pela experiência espiritual vivida, molda o nossocoração e, à imitação de Cristo para com os pecadores, conduz-nos à maiorcompreensão dos penitentes e ao acolhimento fraterno. Todos temos experi-ência da alegria pessoal sentida, ao vermos um pecador que se converte e en-contra paz interior no perdão recebido e no amor reencontrado. Quantos frutosproduz este apostolado silencioso do confessionário! Nem nós, mediadores deDeus, Pai rico em misericórdia, o saberemos alguma vez por completo. Este apelo à generosidade e prontidão na celebração da Reconciliaçãopretende, também, ajudar a fidelidade de cada um ao dom recebido na or-denação sacerdotal. Se na celebração sacramental se experimenta ao vivo afidelidade de Jesus Cristo, Redentor do homem pecador, não pode este seugesto ser senão mais um estímulo à nossa fidelidade a Deus e aos irmãos. A dignificação do Sacramento da Penitência, em relação ao qual se vaisentindo menor apreço por parte de muitos cristãos, não se poderá operarsem o contributo pessoal e colectivo dos ministros da Igreja que nele operam,como mediadores necessários do perdão de Deus. Preparai-vos espiritualmente para cada celebração, ajudai também os pe-nitentes a prepararem-se para sentirem, em verdade, a dor pelos pecados co-metidos e o propósito de conversão, e fazei que cresça em todos a confiançana misericórdia de Deus, nosso Pai. Desejamos que a Páscoa que se aproxima aumente em vós a alegria do vossosacerdócio e, a exemplo de Cristo, a contínua e generosa dedicação aos irmãos. Unidos ao Senhor e procurando ser fiéis ao seu projecto de salvação uni-versal, vos saudamos com a expressão da nossa estima fraterna. 16 de Fevereiro de 2010 Os Bispos, diocesanos e eméritos, de Aveiro, Coimbra, Guarda, Leiria-Fátima, Portalegre e Castelo Branco e Viseu22 | LEIRIA-FÁTIMA • 49 |
  23. 23. . documentos pastorais .Mensagem quaresmalQuaresma Ecológica1. Para uma ecologia espiritual Documentos Na Quarta-feira de Cinzas, nós, os cristãos entramos em Quaresma. É umtempo de interioridade de 40 dias que prepara a festa da Páscoa, a celebrar decoração purificado e renovado. Reveste a forma de um retiro, pessoal e comunitário, de um itinerário es-piritual para pôr ordem na confusão, para estabelecer relações transparentes,justas e fraternas, para saborear o repouso e o silêncio meditativos afinandoos critérios de vida pelo Evangelho. Numa palavra, para experimentar a exis-tência autêntica que nos dá a felicidade. Assim entendida, a Quaresma adquire a tonalidade de uma verdadeiraecologia do espírito. Como diz o Santo Padre Bento XVI: “ Tal como existeuma poluição atmosférica que envenena o ambiente e os seres vivos, assimexiste uma poluição do coração e do espírito que mortifica e envenena a exis-tência espiritual”. Nós e o nosso mundo temos necessidade de uma ecologiaespiritual para regenerar as nossas energias espirituais e morais. Para isso, a pedagogia da Quaresma sugere-nos três exercícios espirituaisclássicos: a oração, como escuta de Deus; o jejum, como sobriedade de vidae de consumo; e a esmola, como partilha fraterna. São três palavras-atitudes agravar no nosso coração, como verdadeiro caminho para uma ecologia espi-ritual que nos permita respirar o ar puro do espírito, que é o amor na verdade,e crescer na abertura a Deus e aos outros.2. “Viver em comunhão na Igreja”: retiro espiritual do povo de Deus Porém, é na escuta mais frequente da Palavra de Deus que melhor seexprime o espírito da Quaresma. Com efeito, a Palavra desperta a fé, suscitaa vontade de conversão, propõe o significado do mistério pascal de Cristopara nós hoje, provoca o diálogo da oração, gera a comunhão na Igreja e nomundo. O presente Ano Pastoral é dedicado a descobrir a beleza da Igreja deJesus como mistério de comunhão de Deus com os homens e dos homens | 49 • LEIRIA-FÁTIMA | 23
  24. 24. . documentos pastorais .entre si e a promover a comunhão e a corresponsabilidade em cada comuni-dade cristã. Para isso é necessário, antes de mais, cultivar a espiritualidade dacomunhão como dom de Deus que purifica e liberta todas as nossas relaçõesdo egoísmo e do individualismo, da indiferença e da divisão, e nos abre ocoração à universalidade do amor e do serviço. Neste sentido, continuamos a propor o “retiro do Povo de Deus”, in-titulado “Viver em comunhão na Igreja”, sob a forma da leitura orante efamiliar da Palavra de Deus (lectio divina) em pequenos grupos. Peço aospárocos o melhor empenho na sua preparação e promoção. E faço votos deuma participação cada vez maior. Este retiro contribui para a ecologia das relações interpessoais, familiarese comunitárias.3. Fraternidade e entreajuda: a renúncia quaresmal O Santo Padre lembra-nos uma outra dimensão da Quaresma na sua men-sagem para este ano, sobre a justiça, o amor e a reconciliação. Aí afirma:“Fortalecido por esta experiência (do Amor que recebe de Deus), o cristão élevado a contribuir para a formação de sociedades justas, onde todos recebemo necessário para viver segundo a dignidade própria da pessoa humana eonde a justiça é vivificada pelo amor”. É um chamamento à justiça como virtude pessoal e social. Mas não bastaa justiça para construir uma sociedade fraterna. Torna-se necessária a gratui-dade do dom, do amor, da partilha, da entreajuda. Este aspecto dá uma maioractualidade à Quaresma cristã neste “Ano de combate à pobreza e à exclusãosocial”. Assim, por decisão do conselho presbiteral, a colecta da renúncia quares-mal é destinada à reconstrução do povo e da Igreja do Haiti, devastados pelacatástrofe do recente terramoto. Também este gesto é expressão da ecologia espiritual da justiça e da fra-ternidade.4. Peregrinação da esperança: acolher o Papa peregrino de Fátima Um outro gesto da caminhada quaresmal é a tradicional PeregrinaçãoDiocesana a Fátima, no próximo dia 21 de Março. Uma peregrinação é uma longa oração feita porventura a pé e com ospés. Mas é sobretudo uma experiência espiritual no mais profundo de nós24 | LEIRIA-FÁTIMA • 49 |
  25. 25. . documentos pastorais .mesmos. É-se peregrino antes de mais com a mente e com o coração em or-dem a um encontro libertador com Deus. Na peregrinação, tudo começa porum pôr-se a caminho, por um despertar espiritual em resposta a um apelo ouimpulso divino. A peregrinação diocesana é uma marcha solidária de um povo de pere-grinos que caminham juntos ao encontro da Mãe do Bom Conselho para comela renovarem a sua fé, fazerem a revisão de vida, saborearem a experiênciaviva daquela comunhão que constitui o coração da Igreja. Documentos Em Maio será o próprio Papa que virá em peregrinação a Fátima, comoSucessor do Apóstolo S. Pedro, que preside à caridade e à comunhão da Igre-ja universal. “Quando o Papa se faz peregrino, na qualidade de Pastor universal daIgreja, é toda a Igreja que peregrina com ele. Por isso, esta sua peregrinaçãoreveste um grande significado pastoral, doutrinal e espiritual”, afirmam osbispos em nota pastoral. A este aspecto acresce a feliz coincidência com odécimo aniversário da beatificação dos pastorinhos e o centésimo aniversáriodo nascimento da beata Jacinta. Nós, diocesanos de Leiria-Fátima, somos os primeiros anfitriões de tãoilustre e estimado peregrino. Queremos pois acolhê-lo com alegria, entusias-mo e devoção filial. O melhor testemunho do nosso afecto e acolhimento seráa participação nas celebrações de 12 e 13 de Maio, dando assim expressãoviva ao lema escolhido para a visita do Papa a Portugal: “Contigo, cami-nhamos na esperança”. Vamos colocar, desde já, o feliz êxito desta peregrinação do Santo Padrena nossa oração pessoal e na oração universal dos fiéis em cada domingo:“Para que a próxima peregrinação do Santo Padre a Fátima ajude a reavivar afé, a animar a esperança, a dinamizar a caridade e a fortalecer a nossa comu-nhão, oremos ao Senhor”. Nossa Senhora de Fátima, Mãe da confiança e Estrela de esperança, nosacompanhe no caminho da conversão quaresmal! Leiria, 17 de Fevereiro de 2010 † António Marto, Bispo de Leiria-Fátima | 49 • LEIRIA-FÁTIMA | 25
  26. 26. . documentos pastorais .Orientações PastoraisCelebrações da Eucaristia Dominical Aos sacerdotes diocesanos, Aos sacerdotes religiosos, Às religiosas, Aos conselhos pastorais paroquiais Jesus, quando realizou a Última Ceia, ordenou aos seus discípulos: “Fa-zei isto em memória de Mim” (Lc 22,19; 1 Cor 11,25). A Igreja, sob a orienta-ção do Espírito Santo, obedecendo àquele mandado, deu continuidade ao actoe ao dom de Jesus com a celebração da Eucaristia. Nela, cada comunidade defiéis encontra-se com o seu Senhor, recebe o dom que Ele faz de si mesmo eacolhe, na fé, a revelação do amor infinito de Deus por cada pessoa. A Eucaristia é assim, para os fiéis católicos, expressão e alimento da fé,memorial de Cristo vivo e acto de louvor a Deus, fonte de vida segundoDeus e de testemunho do seu amor no mundo (cf. Bento XVI, Sacramentoda Caridade). Reconhecendo nela um preciosíssimo dom espiritual, a Igreja, sob a pre-sidência de um sacerdote, celebra-a em cada dia e, de modo mais festivo, emtodos os domingos e solenidades. Ao Domingo, efectivamente, por ser o dia da Ressurreição do Senhor, éimportante que os fiéis cristãos se reúnam para a celebração da presença vivado Ressuscitado no meio deles e ainda para exprimir a própria identidadeeclesial como “assembleia convocada pelo Senhor ressuscitado”. A Eucaris-tia, a que se chama também Missa, é, na verdade, a “alma do Domingo” (cf.João Paulo II, O Dia do Senhor). Por isso, nesse dia, todo o cristão deveráfazer o possível para participar na celebração eucarística. Ao longo do tempo, multiplicaram-se os lugares onde os fiéis se reúnem“no amor de Cristo”, para a Santa Missa. Presentemente, todavia, deparamo-nos, por um lado, com uma maior exigência de qualidade litúrgica e espiritualem relação às celebrações e, por outro, com uma diminuição da frequênciadas celebrações litúrgicas por parte de muitos católicos, bem como com adiminuição acentuada do número de sacerdotes. Tudo isto aconselha a que naDiocese se revejam as condições em que se realizam celebrações dominicais26 | LEIRIA-FÁTIMA • 49 |
  27. 27. . documentos pastorais .da Eucaristia e se proceda à reorganização deste serviço litúrgico em cadaparóquia. O princípio a seguir, tanto por parte dos sacerdotes e seus colaboradorescomo pelos restantes fiéis, será o de, se necessário for, celebrar menor quan-tidade de Missas para celebrar melhor. O objectivo a atingir será o de asse-gurar o bem espiritual de todos os fiéis e, ao mesmo tempo, salvaguardar asaúde física e espiritual dos próprios sacerdotes. É que, além de presidirem àliturgia, eles deverão ter tempo e capacidade para se dedicarem pessoalmente Documentosà oração e ao cuidado da própria vida espiritual, e ainda para desenvolverema evangelização e a vida cristã das pessoas, grupos, comunidades e movi-mentos. Ano após ano, há padres idosos ou doentes que deixam os serviços pasto-rais, as novas vocações sacerdotais são insuficientes para as necessidades e,em múltiplos lugares, diminui o número de pessoas que frequentam a Missadominical. Acontece então haver igrejas com poucos fiéis e, não distante dali,encontrar-se outra onde também se celebra a Eucaristia. Juntando as duascomunidades poderia até conseguir-se uma melhor qualidade da celebração.Assim, nas circunstâncias actuais, não será possível continuar a manter a ce-lebração dominical da Santa Missa em todos os lugares em que ela acontecia. Tendo em consideração o que foi dito e as sugestões dos próprios sacer-dotes, dou as seguintes orientações e critérios para as opções, quanto aoslugares, onde se deverá manter ou não a celebração da Eucaristia dominical: 1. No processo de discernimento para a decisão de reorganizar o serviço litúrgico dominical, os párocos deverão solicitar o contributo dos res- pectivos conselhos pastorais e dos outros párocos da sua vigararia. Nes- te sentido, em espírito de colaboração fraterna e de co-responsabilidade na missão eclesial, os presbíteros ajudem-se mutuamente para o melhor bem dos fiéis. A decisão pastoral do pároco deve estar suportada no parecer favorável de ambas as instâncias mencionadas. 2. Na igreja paroquial, deverá assegurar-se, quanto possível sempre, a celebração eucarística. 3. Nas outras igrejas (capelas), dar-se-á prioridade aos lugares onde funciona um centro de catequese. Considera-se centro de catequese, normalmente, onde houver a frequência de, pelo menos, 50 crianças e adolescentes. | 49 • LEIRIA-FÁTIMA | 27
  28. 28. . documentos pastorais . 4. Nos casos de assembleias dominicais reduzidas, havendo uma ou mais igrejas a curta distância, os fiéis serão convidados a congregarem-se na igreja que reúna melhores condições para nela se celebrar a Santa Missa. Se tal for oportuno, pode admitir-se a alternância ou rotatividade anual dos lugares de celebração. 5. Sem prejuízo da obrigação que compete aos familiares, nas comunida- des paroquiais onde for necessário e possível, organize-se um serviço de transportes para as pessoas que tenham dificuldades de deslocação e que desejam participar na celebração da Santa Missa. 6. Onde se justificar, por impossibilidade de haver a Santa Missa ou de as pessoas se deslocarem a outra igreja, os párocos podem promover a realização da “celebração dominical na ausência de sacerdote”, condu- zida por um ministro leigo competente (cf. Bento XVI, Sacramento da Caridade, 75). Esta solução, no entanto, deve ter sempre um carácter extraordinário, e só se há-de recorrer a ela quando estiverem esgotadas as outras possibilidades e exclusivamente nos lugares onde as distân- cias entre as igrejas (ou capelas) forem de facto consideráveis. Confio ao Serviço Diocesano de Pastoral Litúrgica a missão de cuidar da formação e credenciação dos ministros para presidirem a tais celebrações. No desempenho de tal missão, os ministros devem reger-se por quanto está estabelecido no Directório para as celebrações dominicais na ausên- cia do presbítero (1988) e no livro litúrgico para a Celebração dominical na ausência do Presbítero, da Conferência Episcopal Portuguesa. Os párocos apresentarão ao Serviço Diocesano de Pastoral Litúrgica os nomes dos candidatos a ministros das celebrações dominicais na au- sência de presbítero, que só poderão ser nomeados após completarem a formação específica. 7. As comunidades religiosas com Eucaristia dominical que possam par- ticipar na Santa Missa com a comunidade local mais próxima, libertem os sacerdotes, mesmo religiosos, “para irem servir a Igreja nos lugares onde houver necessidade, sem olhar a sacrifícios” (cf. Bento XVI, Sa- cramento da Caridade, 25). Leiria, 26 de Fevereiro de 2010 † António Marto, Bispo de Leiria-Fátima28 | LEIRIA-FÁTIMA • 49 |
  29. 29. . escritos episcopais .Homilia de Ano NovoCuidar da criação, caminho para a paz Documentos A “carícia” de Deus, bênção para o novo ano No início do Ano Novo, a liturgia da Palavra convida-nos a começar onosso caminho e a prossegui-lo, dia após dia, com a bênção do Senhor: “OSenhor te abençoe e te proteja. O Senhor faça resplandecer sobre ti o seurosto e te seja favorável”. Estas palavras são como uma “carícia” que Deus reserva para todos ecada um de nós: é-nos comunicada no rosto terno do Menino em Belém e norosto materno de Maria, cuja Maternidade Divina hoje celebramos. Sim, umacarícia de Deus que testemunha o seu amor terno, a sua proximidade de Pai eAmigo, o seu tomar-nos pela mão e acompanhar-nos, passo a passo, na vida,a sua resposta solícita às nossas invocações, o seu conforto nas dificuldades,a sua consolação nos momentos de provação e de solidão, a sua misericórdiasem limites para com as nossas infidelidades... Uma carícia que tem uma for-ça extraordinária de nos impulsionar a viver o novo ano na fé e na caridade,no amor verdadeiro. À bênção do Senhor pertencem ainda estas palavras: “O Senhor voltepara ti o seu olhar e te conceda a paz”. Também este “voltar o olhar” – quesó pode ser olhar de amor – é expressão da carícia de Deus. Só dela nos podechegar o grande dom da paz. Neste Dia Mundial da Paz, o Santo Padre convida-nos a reflectir sobreum tema que interpela toda a humanidade: “Se queres cultivar a paz, guardaa criação”. É um apelo à nossa responsabilidade ecológica pela salvaguardado ambiente e de toda a criação perante as ameaças que afligem o mundo. Emergência ecológica e a causa da paz Não podemos esquecer que a nossa geração é talvez a primeira na históriaa estar consciente de que a vida e a morte dos seres do nosso planeta e, porconseguinte, da humanidade, dependem das opções que forem tomadas nopresente. Esta consciência deriva de evidências que se impõem: ar viciado, | 49 • LEIRIA-FÁTIMA | 29
  30. 30. . escritos episcopais .águas poluídas, solo explorado e degradado, desertificação que avança pro-gressivamente, alterações climáticas, recursos naturais e matérias-primas aesgotarem-se, novas doenças que surgem... Os atentados ao ambiente são tão preocupantes como as guerras, os actosterroristas e as violações dos direitos humanos, afirma Bento XVI. Trata-se de uma verdadeira crise ecológica, de dimensão planetária, que põe emcausa o presente e o futuro da criação e da humanidade. Por este caminho,o homem corre o risco de ser engolido pelo produto da sua obra ou de estar acavar o túmulo debaixo dos seus pés. Não podemos fechar os olhos peranteos sinais de alarme. Reflectir sobre a crise ecológica obriga-nos, antes de mais, a repensar arelação íntima do homem com a natureza. Esta é maltratada porque é malamada. O grande risco é olhar a natureza apenas com critérios de utilidade,produtividade e lucro; olhá-la como mero armazém de material, como “ummontão de resíduos espalhados ao acaso” a usar e consumir sem limites e semregras. O respeito pela natureza requer um novo olhar. Os cristãos, frente ao “deserto que avança”, anunciado por Nietzsche, eperante a terra cada vez mais desolada, deveriam aprender a descobrir naprofundidade da criação “a escritura das coisas”, as suas lágrimas e os seuslouvores. O jardim da criação: dom de Deus, promessa de vida e casa comum À luz da fé cristã no mistério da criação, a natureza não é fruto do acasocaprichoso ou do caos. É dom do amor de Deus; é promessa de vida; é casacomum dos homens e, por isso, motivo de contemplação, de louvor, de acçãode graças e de responsabilidade. A Bíblia apresenta-a com a bela imagem do jardim, onde Deus colocao homem para o cultivar e guardar. O jardim é uma grande metáfora da in-teligência e do amor de Deus. Esta inteligência de amor cuida da terra, masesta é destinada aos humanos. No jardim, o homem descobre os traços de umcuidado amoroso que o precedeu. O jardim mostra que a terra não é um mero depósito de matérias-primas.É um habitat para a circulação das pessoas, do pensamento, da inteligência,dos afectos; é uma morada a partilhar em paz, no equilíbrio entre o trabalhoe o recreio, entre os bens a consumir e a beleza a salvaguardar na sua biodi-versidade. Os homens que não cuidam e não têm paixão pela guarda do jardim tor-nam inabitável e inóspita a terra inteira. A mensagem do Papa contém uma30 | LEIRIA-FÁTIMA • 49 |
  31. 31. . escritos episcopais .expressão maravilhosa e penetrante a este respeito: “Há uma espécie de reci-procidade: cuidando da criação, constatamos que Deus, através da criação,cuida de nós”. Quanto mais olharmos a natureza como dom de Deus, tanto maior é a suapreciosidade e maior a nossa responsabilidade. O homem como criatura entreas criaturas é chamado a viver na solidariedade, numa comunhão amorosa ede respeito com toda a criação. Documentos Todos responsáveis pela criação: para uma nova cultura ecológica “Todos somos, pois, responsáveis pela protecção e pelo cuidado da cria-ção”. A ciência e a técnica, por si sós, não resolvem a crise ecológica. Ela temraízes culturais e éticas profundas. A falta de respeito pela natureza mostraque o homem não desenvolveu plenamente a sua própria humanidade. A humanidade global tem necessidade de uma profunda renovação cultu-ral e ética. É indispensável uma mudança cultural, de mentalidade, de crité-rios, de estilos de vida, que vá à raiz do problema ecológico como problemamoral. Com efeito, trata-se de uma responsabilidade individual e colectiva. Pro-teger e defender o ambiente não pode ser deixado só à boa vontade dos in-divíduos. Assim, esta crise pode ser uma “oportunidade histórica de discernimentoe projectação de novos caminhos”(n. 5). Inspirando-nos na mensagem doSanto Padre podemos indicar, sumariamente, alguns pontos concretos parauma consciência ecológica correcta, madura e responsável, como caminhopara paz: - viver a fraternidade, como atitude fundamental, a relação amorosa com todos os seres da natureza, à boa maneira de S. Francisco; - recuperar a consciência da interdependência entre homem e natureza, a solidariedade com toda a criação, “inspirada pelos valores da caridade, da justiça e do bem comum”; - mudar o nosso modelo de desenvolvimento que, muitas vezes, tem em vista míopes interesses económicos a qualquer custo, de modo a que economia e tecnologia fiquem enriquecidas com a componente ecoló- gica; - considerar a natureza como casa comum de todos os homens e de todas as gerações, que implica a solidariedade com as gerações vindouras de tal modo que não lancemos hipotecas sobre elas nem lhes leguemos em herança um deserto em vez de um jardim; | 49 • LEIRIA-FÁTIMA | 31
  32. 32. . escritos episcopais . - promover uma educação ecológica, uma pedagogia do ambiente, atra- vés duma aliança entre família, escola, universidade, organizações não governamentais e meios de comunicação social; - adoptar novos estilos de vida mais sóbrios “nos quais a busca do ver- dadeiro, do belo e do bom e a comunhão com os outros homens, em ordem ao crescimento comum, sejam os elementos que determinam as opções do consumo, da poupança e do investimento”(n. 11). O compor- tamento de cada pessoa tem sempre um peso e uma consequência. Se a pessoa se deixa cair no laxismo em numerosas formas de poluição ou desperdício, mesmo aparentemente insignificantes, contribui para uma atitude inconsciente, para o vandalismo ambiental, para a tolerância da destruição ou degradação; - cuidar e proteger, igualmente, a ecologia humana, afirmando o respeito pela vida humana em todas as suas fases, a dignidade da pessoa e a missão insubstituível da família fundada no casamento entre um ho- mem e uma mulher. “Quando a ecologia humana é respeitada dentro da sociedade, beneficia também a ecologia ambiental”(n. 12). Como pedir o respeito pela vida ambiental se não se respeita a vida humana? O testemunho de S. Francisco Neste ano de 2010 ocorre o 30º aniversário da proclamação de S. Fran-cisco de Assis como Padroeiro dos cultores da ecologia, que nos deixou obelíssimo e inspirado Cântico das Criaturas. Contemplando o seu exemploaprendemos a amar a criação e a descobrir nela o espelho do amor infinito doCriador: “Louvado sejas, meu Senhor, com todas as Tuas criaturas; Louvadosejas, meu Senhor, por aqueles que perdoam pelo Teu amor; louvai e bendizeio meu Senhor e dai-lhe graças e servi-O com grande humildade”! Com estes sentimentos desejo a todos vós e às vossas famílias um aben-çoado Ano Novo! Leiria, 1 de Janeiro de 2010 † António Marto, Bispo de Leiria-Fátima32 | LEIRIA-FÁTIMA • 49 |
  33. 33. . escritos episcopais .Homilia nas exéquias deMonsenhor Henrique Fernandes da FonsecaHomem de fé e pastor exemplar Documentos Surpreendendo a nossa expectativa humana, fomos abalados pela notíciadolorosa da morte tão célere do nosso caro Monsenhor Henrique da Fonseca.Foi como se um muro de silêncio caísse sobre nós tal como diz o salmista:“Estou perturbado; falta-me a palavra”(Sl 77,5). É humano sentir e dar expressão à dor pela separação de um sacerdotetão querido e estimado por toda a diocese e colaborador próximo, precioso eapreciado do bispo. Creio que o podemos fazer com as palavras de S. Bernar-do na morte do seu irmão, S. Gerardo: “Bem sabeis, meus filhos, quão razoável é a minha dor, quão digna delágrimas é a perda que acabo de sofrer, pois compreendeis que fiel amigo foiafastado do meu lado. Vós conhecestes como era a sua atenção pelo dever,a sua diligência pelo trabalho, a sua doçura e amabilidade de disposição...Estimámo-nos em vida; porque fomos pois separados pela morte?”. No entanto, depois deste grito do coração ferido, S. Bernardo confia-seao mistério santo e amoroso de Deus, dizendo: “Todavia, não esquecerei ne-nhuma das palavras do Santo... Deus é caridade e quanto mais se está unidoa Deus, mais se está cheio de caridade. Porque a caridade nunca acaba. Tu(meu irmão) não me esquecerás”. Com estes sentimentos de fé quero expressar as nossas condolências, emnome da Diocese e no meu pessoal, à irmã do Monsenhor Henrique, à auxi-liar doméstica, a Gracinda, que o acompanhou e assistiu durante tantos anose aos outros familiares. Com estes sentimentos de fé e de esperança queremos fazer memória,viva e cheia de gratidão, de Monsenhor Henrique junto do altar do Senhor,em comunhão de santos na eucaristia. Homem de fé e Pastor exemplar A leitura do livro do Deuteronómio apresenta-nos a figura de Moisés,chamado pelo Senhor a conduzir o longo e difícil caminho do povo de Deus, | 49 • LEIRIA-FÁTIMA | 33
  34. 34. . escritos episcopais .no qual empenhou toda a sua existência até à morte, incutindo-lhe coragem elevando-o às fontes da vida. Como Moisés, Monsenhor Henrique foi um grande crente, um grande ho-mem de fé, sólida, amadurecida e alimentada na sarça ardente do ministériopastoral nas várias mansões em que serviu. Como Moisés, foi um pastor generoso e exemplar. O seu serviço sa-cerdotal passou por múltiplas experiências do ministério - desde pároco nosPousos, na Marinha Grande, em Mira d’Aire e na Ortigosa até professor noSeminário, secretário episcopal, ecónomo diocesano, assistente da LOC e domovimento de casais, coordenador do Serviço de apoio ao clero e VigárioGeral durante dezanove anos – com disponibilidade permanente, semprepronto, a todo o momento, a acudir, animar e encorajar, atento a pôr de parteo que divide e a valorizar o que une. Foi verdadeiramente intenso o caminho que o Senhor o chamou a percor-rer nos 56 anos de sacerdócio ao serviço da nossa diocese que ele calcorreoue conheceu como ninguém e sempre ao lado dos seus bispos. Foi um traba-lhador incansável da vinha do Senhor! Só a falta de saúde o obrigou a retirar-se da actividade paroquial. Sobre a morte de Moisés, o livro do Deuteronómio refere: “Moisés, ser-vo do Senhor, morreu ali, na terra de Moab, segundo a disposição do Se-nhor”(34,5). São Gregório de Nisa comenta, esplendidamente, estas palavrassublinhando que o grande “amigo de Deus” é chamado “servo” precisamenteno momento supremo da vida quando já cumprira a missão que o Senhor lheconfiara. Servo é a palavra que resume toda a sua missão. Também Monsenhor Henrique procurou viver a sua missão como servo eserviço humilde, discreto e desprendido, sem olhar a honras e a títulos. Assimo deixou escrito: “Desejo assumir o ministério com todo o empenho e dedi-cação como servo e irmão no meio de uma comunidade que possa olhar-mecomo testemunha de serviço e amor”. Impelido pela caridade pastoral A leitura da segunda Carta aos Coríntios abre, precisamente, com umaexpressão que, neste nosso contexto, assume um significado particular: “Oamor de Cristo impele-nos”. Trata-se do amor que habita, penetra, possui e plasma a vida dos sacerdo-tes e faz deles “embaixadores de Cristo” e do seu mistério de amor e recon-ciliação. Envolve-nos e impele-nos a viver não para nós mesmos mas para osoutros. É a caridade pastoral.34 | LEIRIA-FÁTIMA • 49 |
  35. 35. . escritos episcopais . O amor recebido de Cristo é restituído aos irmãos e toma as várias formasdos dons do Espírito Santo, a saber, “amor, alegria, paz, paciência, benevo-lência, bondade, fidelidade, mansidão, autodomínio” – dons que caracteriza-ram o estilo e o ministério sacerdotais de Monsenhor Henrique. A caridade pastoral levava-o a fazer-se próximo e acessível a todos, aolhar a vida concreta da sua gente, com uma comunicação que conquistavaos fiéis até os mais pequeninos. É significativa a presença aqui dos acólitosda Ortigosa para lhe manifestarem a sua ternura. É também digno de registo Documentoso testemunho de D. Alberto Cosme do Amaral: “Monsenhor Henrique serviua Igreja com raro espírito de dedicação e entrega e num total esquecimentode si próprio. As missões oficiais não o impediram de se dedicar ao trabalhoescondido do confessionário e da direcção espiritual”. Desejaria ainda sublinhar o seu amor ao presbitério, a especial dedicaçãoaos irmãos sacerdotes como amigo, irmão e conselheiro atento e atenciosopara com todos, preocupado para que não faltassem as condições humanas eespirituais para o bom desempenho do ministério. Testemunho de paz e de alegria O Evangelho de S. João refere as palavras do Ressuscitado repetidas duasvezes: “A paz esteja convosco”. E depois fala da alegria dos discípulos aoverem Jesus ressuscitado. Paz e alegria foram dons que Monsenhor Henrique espalhou à sua volta.Era homem de paz que irradiou alegria serena. A sua presença foi semprepresença de paz. Irradiava alegria e bom humor com espontaneidade e creioque agora viva na plenitude da paz e da alegria ao contemplar o rosto de Jesusressuscitado. Que ele peça para nós ao Pai aquela serenidade própria de quem confiavida e morte, presente e futuro nas mãos do Deus da paz e da alegria. Obrigado, caro padre Henrique! Toda a diocese te está agradecida na horada despedida! Que a tua partida não nos faça esquecer o dom de termos tido a tua pre-sença, a tua companhia, o teu testemunho de sacerdote. Bendito seja Deuspelo seu servo! Catedral de Leiria, 23 de Janeiro de 2010 † António Marto, Bispo de Leiria-Fátima | 49 • LEIRIA-FÁTIMA | 35
  36. 36. . escritos episcopais .Discurso na tomada de posseComissão Diocesana Justiça e Paze Cáritas Diocesana Congrega-nos aqui a solene tomada de posse das novas direcções da Co-missão Diocesana Justiça e Paz e da Caritas Diocesana. Neste momento sig-nificativo da “passagem de testemunho” quero exprimir, antes de mais, emnome da Diocese e no meu pessoal, o mais vivo e sentido reconhecimentoàs direcções cessantes, na pessoa dos seus presidentes, Senhor Dr. TomásOliveira Dias e Senhor Ambrósio Jorge dos Santos, pela dedicação, com-petência e sentido eclesial com que desempenharam o seu mandato e a suamissão, não se tendo poupado a esforços e sacrifícios. Asseguro-lhes a minhasincera e constante estima pessoal e a fraterna comunhão. Que o Senhor osrecompense, os conforte e os acompanhe com as melhores bênçãos. Aos novos empossados, na pessoa dos respectivos presidentes, SenhorProf. Doutor Eugénio Lucas e Senhor Dr. Júlio Martins, agradeço a disponi-bilidade manifestada para este serviço à Igreja, endereço-lhes as mais cordiaisfelicitações e faço votos de um fecundo trabalho. Quero ainda expressar-lhesa minha alegria em tê-los como meus colaboradores próximos e assegurar-lhes toda a minha confiança e colaboração. A presente circunstância é também um momento propício para sublinhara relevância do lugar e da missão da Comissão Diocesana Justiça e Paz e daCaritas Diocesana na Igreja e no mundo. Quisemos propositadamente quea tomada de posse fosse simultânea porque são dois órgãos ao serviço damissão da Igreja no mundo: dão-lhe o rosto social, são dois braços sociais efundamentais para a operatividade da missão. De facto, a Igreja vive no mundo e na história com a consciência de que “asalegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens, sobretudo dospobres e dos que sofrem, são também as dos discípulos de Cristo e nada existede verdadeiramente humano que não encontre eco no seu coração”(GS 1). No desempenho da sua missão no mundo e no serviço às pessoas desfa-vorecidas ou carenciadas, a Igreja é movida unicamente pelo testemunho doEvangelho do Amor. Tem a consciência de que “evangelizando humanizae humanizando evangeliza”. A sua missão não é de ordem política. Não se36 | LEIRIA-FÁTIMA • 49 |
  37. 37. . escritos episcopais .substitui ao Estado. Não é um partido político nem um força política. Respei-tando as competências próprias do Estado esforça-se para que seja garantidoa cada ser humano a sua própria dignidade e uma vida condigna. No fundamento da missão e da acção social da Igreja está a convicção deque “a caridade na verdade que Jesus Cristo testemunhou... é a força propul-sora principal para o verdadeiro desenvolvimento de cada pessoa e da huma-nidade inteira. O amor é uma força extraordinária, que impele as pessoas acomprometerem-se, com coragem e generosidade, no campo da justiça e da Documentospaz”(CV 1), por conseguinte, a empenharem-se na construção de um futurodigno do homem, na realização de uma sociedade mais justa e fraterna. A caridade “é o princípio não só das microrrelações estabelecidas entreamigos, na família, no pequeno grupo, mas também das macrorrelações so-ciais, económicas, politicas”(CV 2). Este empenho torna-se cada vez mais urgente no mundo globalizadoonde parece prevalecer a lógica do lucro e do próprio interesse. Com efeito,“a sociedade cada vez mais globalizada torna-nos vizinhos mas não nos fazirmãos”(CV n. 19). Vivemos num mundo cheio de contradições e contrastes.Hoje a injustiça, a pobreza, a fome e a exclusão social são uma grande inter-pelação humana e cristã que brada aos céus. A situação que temos diante de nós é clara e arrepiante: mais de mil mi-lhões de pessoas vivem com menos de um dólar por dia; 20% da populaçãomundial absorve 82% dos recursos mundiais enquanto 80% da populaçãodispõe apenas de 18%; mais de 200 multinacionais controlam 27% da econo-mia e da finança mundiais. Segundo dados da FAO, morrem, por dia, 36.500crianças no mundo à fome ou por doença: o silencioso sacrifício de 13 mi-lhões de inocentes por ano! A tudo isto junta-se a crise ecológica, de dimen-são planetária, que põe em causa o presente e o futuro da humanidade. Entre nós e à nossa porta temos as vítimas da crise económica, financei-ra e social com as consequências dramáticas de desemprego e pobreza emcontrate escandaloso e gritante com o ordenado de alguns gestores de 2,5milhões de euros por ano! A Igreja “não pode nem deve colocar-se no lugardo Estado. Mas também não pode nem deve ficar à margem na luta pela jus-tiça...Toca à Igreja, e profundamente, o empenhar-se pela justiça trabalhandopela abertura da inteligência e da vontade às exigências do bem comum”(DCest n. 28). É nesta vertente que se insere a Doutrina Social da Igreja como“proclamação da verdade do amor de Cristo na sociedade” (CV n.5). Assimse entende a missão dos fiéis leigos no mundo em ordem a contribuir para aformação de sociedades justas. É também neste sentido que se desenvolve a | 49 • LEIRIA-FÁTIMA | 37
  38. 38. . escritos episcopais .acção da Comissão Diocesana Justiça e Paz em ordem a promover o conhe-cimento da doutrina social e a sua aplicação concreta aos vários âmbitos davida social, tendo como horizonte o desenvolvimento integral do homem,contribuindo para um despertar de forças morais e espirituais para esse efeito. A justiça, porém, nunca pode tornar supérfluo o amor de proximidade, nalinha do apoio concreto, do serviço, da partilha, do acolhimento e da conso-lação ao próximo carecido de ajuda, àquele que sofre, sobretudo os pobres,os humilhados, os desprotegidos. A caridade cumpre e transcende a justiça.Num mundo tão ferido como o experimentamos nos nossos dias não há ne-cessidade de demonstrar o que acabamos de dizer. O mundo espera o testemunho do amor cristão que nos é inspirado pelafé. Por isso, “a Igreja nunca poderá ser dispensada da prática da caridade en-quanto actividade organizada dos crentes, como aliás nunca haverá situaçãoonde não seja precisa a caridade de cada cristão, porque o homem além dajustiça, tem e terá sempre necessidade do amor” (DC est n.29). Eis o campoda missão da Caritas diocesana, enquanto expressão da actividade caritati-va organizada da nossa Igreja, actuando com todo o coração e com toda ainteligência, em ordem a promover a fraternidade e a solidariedade cristãs,sensibilizando e dinamizando as paróquias e colaborando com as instituiçõescivis para uma resposta mais eficaz. Como podemos verificar, os campos de acção da Comissão Justiça e Paze da Cáritas diocesana cruzam-se, tornado possível uma cooperação em pro-jectos comuns. O próximo biénio do projecto pastoral diocesano oferece umaboa oportunidade para isso, pois centrar-se-á na pastoral sócio-caritativa e notestemunho dos cristãos no mundo. Concluo citando um texto muito belo do Papa Bento XVI que poderáservir como motivação de fundo e inspiração permanente do vosso empenho: “A caridade é o distintivo dos cristãos. É a síntese de toda a sua vida: do quecrê e do que faz. É a luz que dá bondade e beleza à existência de cada homem.É o comportamento de quem responde ao amor de Deus e faz da própria vidaum dom de si a Deus e ao próximo. É o caminho da santidade. A vida dos san-tos, de cada santo, é um hino à caridade, um cântico vivo ao amor de Deus”! Nossa Senhora, Virgem e Mãe, no canto do Magnificat mostra-nos o quesão o amor e a justiça e donde têm a sua origem e recebem a sua força. À suaintercessão confio a vossa missão ao serviço da justiça, do amor e da paz nanossa querida Diocese. Muito obrigado! Leiria, 20 de Fevereiro de 2010 † António Marto, Bispo de Leiria-Fátima38 | LEIRIA-FÁTIMA • 49 |
  39. 39. . escritos episcopais .Apelo do Bispo diocesanoPeregrinação do Santo Padre a Fátima Caros irmãos e irmãs: Documentos Venho mais uma vez lembrar-vos a próxima visita do Santo Padre a Por-tugal. Ele vem sobretudo como peregrino do Santuário de Fátima tão queridoao nosso povo e a todo o mundo católico. Aqui somos nós, os diocesanos deLeiria-Fátima, os primeiros anfitriões a receber tão ilustre e amado peregrinona sua qualidade de Sucessor do Apóstolo S. Pedro e Pastor universal daIgreja. Queremos corresponder à honra da sua visita acolhendo-o com júbilo,entusiasmo e afecto e unindo-nos em oração às suas intenções pela Igreja epelos anseios da humanidade. É importante, nesta hora, darmos testemunhoda Igreja unida ao Papa e solidária com ele. Por isso, apelo do coração à vossa presença e participação pessoal nascelebrações de 12 e 13 de Maio, em Fátima, presididas pelo Santo Padre. Nãovos deixeis seduzir pelo comodismo de ver apenas pela televisão. Grato pela vossa atenção a este meu apelo, envio a todos uma saudaçãocordial e amiga. Leiria, 28 de Abril de 2010 † António Marto, Bispo de Leiria-Fátima | 49 • LEIRIA-FÁTIMA | 39
  40. 40. . escritos episcopais .Homilia da Missa CrismalPresbitério em comunhãoe ao serviço da comunhão É um verdadeiro momento de graça este que nos é dado viver juntos nestaliturgia da Missa Crismal, verdadeira festa da unidade da Igreja diocesanareunida à volta do seu Pastor. Nesta Quinta Feira Santa encontramo-nos recolhidos na nossa catedralpara celebrar a Eucaristia em que se benzem os santos óleos dos catecúme-nos, do crisma e dos enfermos. Em Cristo, todos nós fomos consagrados com o óleo da unção e unidosnuma comunhão que é mais forte do que todo o laço humano. É a comunhãode todo povo de Deus, que nos leva a exclamar com o salmista: “Vede comoé bom e agradável viver unidos como irmãos: é como o óleo perfumado der-ramado sobre a cabeça, a escorrer pela barba de Aarão até à orla das suasvestes” (Sl 133, 1-2). O óleo perfumado é o símbolo da força do Espírito, do perfume do amor eda santidade divina que Cristo derrama sobre a cabeça, o coração e os mem-bros de todos os fiéis baptizados e crismados e os torna morada de Deus; operfume de Cristo que inunda de amor a Igreja inteira e faz dela a Casa daComunhão entre Deus e os homens e dos homens entre si. Com este óleo são consagradas as mãos dos sacerdotes para oferecerem,em nome de Cristo, os dons da Palavra de Deus e dos Sacramentos da Graçaque alimentam a comunhão do Povo de Deus. Por isso, hoje é o dia sacerdo-tal, por excelência. Sacerdote como vós há trinta e oito anos e bispo no meio de vós há quasequatro, sinto este momento com o coração trepidante de emoção e de res-ponsabilidade. Neste Ano Sacerdotal, em meu nome e no de toda a Diocese,quero expressar-vos o afecto e a estima do bispo e de todo o povo de Deus,agradecer-vos e encorajar-vos pelo precioso serviço que ofereceis à Diocese,pelo zelo que vos move no ministério, por todo o bem que fazeis. Não percaiso ânimo neste momento doloroso em que pesa sobre nós o sofrimento e avergonha por crimes hediondos de alguns sacerdotes e a suspeição genera-40 | LEIRIA-FÁTIMA • 49 |
  41. 41. . escritos episcopais .lizada resultante da exploração mediática de tais casos. O pecado de algunsnão ofusca a abnegação e a fidelidade de que a imensa maioria dos sacerdotese religiosos dá prova quotidiana e que as nossas comunidades testemunhame reconhecem. Coragem! Acolhamos o apelo à santidade de vida e à purifi-cação da Igreja. Apraz-me fazer ecoar aqui, nesta hora, as palavras do Cardeal Montini(futuro Papa Paulo VI) em 1957: “Quinta Feira Santa! É o nosso dia, comosabeis. Se não o comemoramos nós sacerdotes, quem o pode fazer mais dig- Documentosnamente? E se não nos encontramos neste dia, qual será outro dia mais pro-pício? E se não o dizemos uns aos outros, como teremos plena consciênciadisto?”. Hoje é dia de acção de graças pelo dom do sacerdócio e, em particular,por quantos, neste ano, comemoram os 25 ou 50 anos da sua ordenação, comquem nos congratulamos. Lembramos também, com ânimo grato, aqueles que ao longo do ano nosdeixaram para voltarem à casa eterna do Pai. E ainda os que, por motivo dedoença ou outro, não puderam marcar presença. A memória da nossa ordenação neste dia confirma e corrobora a nossapertença ao único presbitério diocesano, como nossa segunda e verdadeirafamília. Atendendo ao tema do Ano Pastoral quero oferecer-vos uma reflexão so-bre “O presbitério em comunhão e ao serviço da comunhão”. Fisionomia do presbitério-comunhão O ministério apostólico é, antes de mais, um dom de Deus para o serviçodo mistério de comunhão que constitui a Igreja e para ser realizado e vividoem comunhão, precisamente enquanto membros de um presbitério. Este rostoda Igreja passa, em grande parte, pelo rosto do nosso presbitério e ministério. O presbitério não é uma mera categoria sociológica que designa a soma detodos os padres à disposição do bispo para as diversos cargos. É antes um cor-po de ministros, em comunhão de graça e de missão, ao serviço de uma Igrejaparticular, que está junto do bispo e nele encontra o seu princípio de unidade.“Na sua verdade plena, o presbitério é um mistério, quer dizer, uma realidadesobrenatural porque radica no sacramento da Ordem. Este é a sua fonte e a suaorigem. É o lugar do seu nascimento e do seu crescimento”(PDV 74). Daqui resulta a sua fisionomia própria: “a de uma verdadeira família, deuma fraternidade, cujos laços não são da carne e do sangue, mas da graça daOrdem: uma graça que assume e eleva as relações humanas, psicológicas, | 49 • LEIRIA-FÁTIMA | 41
  42. 42. . escritos episcopais .afectivas e espirituais entre os sacerdotes; uma graça que se expande, penetrae se revela e concretiza nas mais variadas formas de ajuda recíproca”(PDV74), espiritual e material, pastoral e pessoal, nas reuniões e na comunhão devida, de trabalho e de caridade (cf LG 28). Eis um programa de trabalho a desenvolver e pôr em prática! Ser bonspadres individualmente, não faz automaticamente um bom presbitério. A nova situação social do padre já não lhe possibilita viver num contextofamiliar protector como outrora, nem encontrar sempre um acolhimento pa-roquial confortável e confortador. Isto pode gerar uma solidão institucional eum desamparo afectivo por vezes graves. É necessário, pois, construir uma consciência de família sacerdotal dentroda qual cada sacerdote saiba e experimente que é alguém: acolhido, reconhe-cido e valorizado. Não se trata de restaurar um “corporativismo clerical”, masde reavivar uma fraternidade que ajude cada um a viver com aquela confian-ça, dignidade humana e espiritual e brio intelectual, que são necessários paraa missão evangelizadora. Esta fraternidade brota da paixão interior pelo mesmo dom recebido, pelomesmo ideal comungado, pela mesma missão partilhada. A gramática da comunhão: implicações e aplicações A comunhão presbiteral não é espontânea e nem sempre é fácil. Não seimpõe por decreto; é necessário construí-la juntos. Requer conversão espiri-tual e elaboração de uma gramática da comunhão para a pôr em prática. Em primeiro lugar, somos chamados a cultivar, com amor paciente e ge-neroso, relações pessoais verdadeiramente genuínas, de respeito, de estimae atenção recíprocas, de delicadeza, de confiança mútua, de conhecimentoe diálogo entre as diversas gerações e sensibilidades, capazes de eliminar asuspeita, a inveja e o distanciamento, tão inúteis como prejudiciais. Em segundo lugar, somos chamados a realizar a comunhão na missão,isto é, a partilhar intenções e projectos pastorais no trabalho em equipa. Paraisso são necessárias algumas atitudes e disposições humanas e espirituais:a participação interessada nas reuniões, a liberdade de uma escuta sem pre-conceitos, a franqueza para exprimir o próprio pensamento, o discernimentopastoral capaz de enuclear o bem comum e possível, a disponibilidade paraassumir tarefas, a decisão sincera de acolher e ser fiel aos critérios pastorais eàs decisões elaborados e tomados em conjunto para o serviço do Evangelho.Neste aspecto, a vigararia deve ser um lugar fundamental de referência comoespelho de comunhão entre os padres e entre as paróquias. Lembro aqui o42 | LEIRIA-FÁTIMA • 49 |
  43. 43. . escritos episcopais .provérbio africano: “Se queres ir depressa, corre sozinho; se queres chegarlonge, caminha com os outros”. Outro aspecto fundamental é a comunicação da fé e na fé entre os presbí-teros. O presbitério não se torna lugar de fraternidade sacramental onde nãose privilegiam as relações de fé ao serviço do ministério. De outro modo, asreuniões do clero podem assemelhar-se a assembleias empresariais, lugarespara fazer funcionar a empresa, espaço para distribuição de encargos. A capacidade de partilhar a fé é o princípio de todo o bom trabalho em Documentoscomum. Esta partilha realiza-se na oração em conjunto, na lectio divina par-tilhada, na preparação da homilia em grupo e de iniciativas pastorais, nosmomentos fraternos de convivialidade, na coragem humilde da correcçãofraterna... Para alcançar os objectivos da comunhão é ainda necessária uma autênti-ca ascese ou disciplina em ordem a combater e eliminar os modos de pensare os comportamentos que a impedem ou destroem. Antes de mais, é preciso vigiar perante algumas tentações que podemafectar ou desagregar esta comunhão: o isolamento do “orgulhosamente só”(eu faço sozinho e por minha conta); o espírito de indiferença (que me im-porta os outros?); a atitude de auto-suficiência (não preciso dos outros paranada); o narcisismo de quem põe o “ego” no centro de tudo; e o neoclerica-lismo derivado da sede de protagonismo ou da fragilidade da personalidade. Alem disso, é aconselhável uma “regra de vida “ pessoal que torne pos-sível um estilo de vida saudável e ordenada com método de trabalho e dis-ciplina. Ao serviço da comunhão na comunidade cristã A comunhão no presbitério está ao serviço da comunhão eclesial que émais vasta. Com efeito, o ministério é para a comunidade. Esta é o lugar nor-mal da comunhão do presbítero com os fiéis e onde é chamado a ser o “pivot”da comunhão em todas as dimensões. “O padre deve ser um homem de comunhão, aberto a todos, capaz defazer caminhar na unidade todo o rebanho que a bondade do Senhor lhe con-fiou, ajudando-o a superar as divisões, a reconciliar as roturas, a aplanar oscontrastes e as incompreensões, a perdoar as ofensas” (Bento XVI). O serviço da comunhão leva o padre também a promover a corresponsa-bilidade, suscitando colaborações, valorizando e integrando os diversos ca-rismas, serviços e ministérios para a edificação da comunidade. | 49 • LEIRIA-FÁTIMA | 43
  44. 44. . escritos episcopais . Testemunho da comunhão e promoção vocacional Tudo isto assume um relevo particular na promoção vocacional. Nenhumjovem poderá sentir um chamamento se os seus olhos não contemplam navida fraterna dos padres e das comunidades algum vestígio da beleza do Se-nhor e do sacerdócio, capaz de reunir os irmãos e alimentar a comunhão. “Se os jovens vêem padres isolados e tristes, não se sentem certamenteencorajados a seguir o seu exemplo. Ficam perplexos se são levados a pensarque é este o futuro do padre. É importante pois realizar a comunhão de vidaque lhes revele a beleza do sacerdócio. Então o jovem dirá: “Este pode ser umfuturo também para mim; assim, pode-se viver” (Bento XVI). Concluindo, o futuro da Igreja passa através da comunhão autêntica atodos os níveis. Nela está a força da missão mesmo quando as estruturas sãopobres e débeis. Um presbitério em comunhão é um reflexo da beleza deDeus-Amor Trinitário e da Igreja-Comunhão! Renovando agora as nossas promessas de fidelidade a Cristo e à Igrejapeçamos por intercessão da Virgem Mãe e do Santo Cura d’Ars: “Senhor,aceita-nos como somos e ajuda-nos a ser como Tu nos desejas” (João PauloI)! Ámen! Aleluia! Catedral de Leiria, 1 de Abril de 2010 † António Marto, Bispo de Leiria-Fátima44 | LEIRIA-FÁTIMA • 49 |
  45. 45. . escritos episcopais .Visita Papal ao Santuário de FátimaSaudação do Bispo de Leiria-Fátima Santo Padre, É com imensa alegria e profunda emoção que, como bispo de Leiria-Fá-tima, dou as boas vindas a tão ilustre e amado peregrino, o nosso Papa Bento DocumentosXVI. Saúdo-o e agradeço-lhe, de todo o coração, em nome pessoal e de todoeste povo aqui reunido, em multidão, no Santuário de Fátima, como num ce-náculo a céu aberto, onde pulsa o coração materno de Portugal. Bem-vindo,Santo Padre! Muito obrigado porque quis visitar este Santuário tão querido ao nossopovo e ao mundo católico, onde, no dizer de Vossa Santidade, “Maria ergueua sua cátedra para ensinar aos pequenos videntes e às multidões as verdadeseternas e a arte de orar, crer e amar” e onde nos “pede o abandono, cheio deconfiança, nas mãos do Amor que sustenta o mundo”. Muito obrigado pela oferta da Rosa de Ouro com que quis distinguir onosso Santuário, sinal do seu particular afecto. Muito obrigado por nos proporcionar esta extraordinária experiência de be-leza da comunhão que constitui a Igreja unida à volta do seu Pastor universal. Muito obrigado, por fim e de modo especial, porque vem confirmar-nosna fé, de acordo com o seu ministério de Sucessor de Pedro. A sua peregrinação ocorre, por feliz coincidência, no décimo aniversárioda beatificação dos pastorinhos e no centésimo do nascimento da pequenaJacinta. São conhecidos o carinho, a oração e os sacrifícios dos pastorinhospela pessoa do Santo Padre e pelos seus sofrimentos. Neste momento quero também assegurar-lhe, Santo Padre, a profunda co-munhão e o sincero afecto de todo o nosso povo católico pela sua pessoa epelo seu ministério na Igreja e na humanidade. Conte com a nossa oração, anossa docilidade na fé e o nosso afecto filial. Dispomo-nos a escutar a sua palavra que ilumina a mente e fala ao co-ração, que confirma na fé e conforta no amor, que é portadora de esperança. Que o Senhor, por intercessão de Nossa Senhora de Fátima – “Nossa Se-nhora dos tempos difíceis” (S. João Bosco) – e dos beatos Francisco e Jacinta,lhe dê força, coragem e fecundidade no seu ministério apostólico. Santuário de Fátima, 13 de Maio de 2010 † António Marto, Bispo de Leiria-Fátima | 49 • LEIRIA-FÁTIMA | 45
  46. 46. . escritos episcopais .Festa da FéDiscurso inaugural 1. Ao cair da noite deste dia 21 de Maio, véspera do aniversário da criaçãoda nossa Diocese e da nossa cidade de Leiria, é-me dada a feliz ocasião e ograto prazer de inaugurar esta “exposição” sui generis “Festa da Fé: Rosto(s)da Igreja Diocesana”. Saúdo com viva simpatia e cordial afecto o Senhor D. Serafim, o SenhorGovernador Civil, o Senhor Presidente da Câmara de Leiria bem como to-dos os outros Senhores Presidentes das Câmaras e das Juntas de Freguesia edemais autoridades civis, académicas e militares que nos dão a honra da suapresença. Saúdo ainda, afectuosamente, todos vós, caros amigos, irmãos e irmãs,que participais neste momento de alegria e de festa. Devo confessar que este era para mim um momento muito esperado. Tra-ta-se de um evento que culmina o Ano Pastoral da Diocese, dedicado a “ir aocoração da Igreja”, à profundidade do mistério de amor que a habita, a animae a configura no seu rosto visível: o rosto de um povo em comunhão comDeus, com os homens irmãos, com o mundo em que vive. O nosso rosto é sempre novo e diverso, nas diversas idades e estações davida e, contudo, é sempre o mesmo e único. Assim a Igreja de Deus no mundotem um rosto único formado de tantos rostos quantos são os seus membros, assuas comunidades, os seus movimentos e serviços nos lugares onde habitame trabalham. A Igreja somos nós, os vários rostos da Igreja: dos fiéis leigos aos sacer-dotes e religiosos(as), das crianças aos idosos, dos jovens aos adultos, dossolteiros aos casados e viúvos, dos sãos aos doentes, da vida contemplati-va nos mosteiros à vida activa numa multiplicidade de serviços do anúnciodo Evangelho, da celebração da fé e do testemunho da caridade fraterna, daparóquia à missão, à descoberta de um vasto mundo, todos animados pelamesma fé, levando uma mensagem de alegria, de comunhão, de fraternidade,de paz. Todos e cada um deles são como as peças preciosas de um mosaicomuito belo que Deus, como um grande artista, concebe dia após dia com ocontributo de cada um.46 | LEIRIA-FÁTIMA • 49 |

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