Exercícios cda

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Exercícios cda

  1. 1. POEMA DE SETE FACESPOEMA DE SETE FACESQuando nasci, um anjo tortodesses que vivem na sombradisse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.As casas espiam os homensque correm atrás de mulheres.A tarde talvez fosse azul,não houvesse tantos desejos.
  2. 2. O bonde passa cheio de pernas:pernas brancas pretas amarelas.Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.Porém meus olhosnão perguntam nada.O homem atrás do bigodeé sério, simples e forte.Quase não conversa.Tem poucos, raros amigoso homem atrás dos óculos e do bigode,
  3. 3. Meu Deus, por que me abandonastese sabias que eu não era Deusse sabias que eu era fraco.Mundo mundo vasto mundo,se eu me chamasse Raimundoseria uma rima, não seria uma solução.Mundo mundo vasto mundo,mais vasto é meu coração.
  4. 4. Eu não devia te dizermas essa luamas esse conhaquebotam a gente comovido como o diabo.
  5. 5. TEORIZANDOTEORIZANDO
  6. 6. A palavra gauche, de origem francesa, significa “ladoesquerdo”. Aplicada ao ser humano, significa aquele quese sente às avessas, torto, estranho, que não consegueestabelecer uma comunicação com a realidade. Emboraseja uma novidade no contexto da poesia modernabrasileira, o gauchismo, como postura de negação críticado mundo, já existia desde Baudelaire, poeta pós-romântico francês.
  7. 7. Ao gauche não já saídas: nem o amor, nem a morte, nemmesmo o isolamento. Desesperado, ele busca comunicar-se com o mundo por meio do canto, mesmo que seja umcanto torto e gauche.Embora o gauche afirme que “a poesia é incomunicável”,é ela que estabelece a mediação entre o eu e o mundo, etalvez a saída, a única esperança, para ele, seja cantar opróprio canto ou cantar o silêncio, isto é, cantar o cantoque não existe.
  8. 8. EXERCÍCIOSEXERCÍCIOSDEDESALASALA
  9. 9. POEMA DE SETE FACESPOEMA DE SETE FACESQuando nasci, um anjo tortodesses que vivem na sombradisse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.As casas espiam os homensque correm atrás de mulheres.A tarde talvez fosse azul,não houvesse tantos desejos.1. Releia a 2ª estrofe.Nela, o mundo exterior édescrito pela ótica do eulírico. ANALISE:a)O eu lírico participadiretamente do mundoque descreve? Por quê?b)O que parece interessarmais às pessoas quefazem parte do mundoexterior?
  10. 10. POEMA DE SETE FACESPOEMA DE SETE FACESQuando nasci, um anjo tortodesses que vivem na sombradisse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.As casas espiam os homensque correm atrás de mulheres.A tarde talvez fosse azul,não houvesse tantos desejos.2. O gauchismo do eulírico é anunciado por um“anjo torto”. Os anjos sãocomuns nas históriasreligiosas, como na doanjo Gabriel que aparecea José e ordena que elefuja de Jerusalém com omenino Jesus. Diantedisso, redija um parágrafodissertativoCOMPARANDO os anjosdas histórias religiosascom o anjo do poema.
  11. 11. O bonde passa cheio de pernas:pernas brancas pretas amarelas.Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.Porém meus olhosnão perguntam nada.3. A 3ª estrofe surpreende com uma imagem insólita, incomum —“O bonde passa cheio de pernas” —, e estabelece ainda umaoposição entre de ideias quanto à forma como o eu lírico vê aspernas. Levando em conta que coração se relaciona com emoção eolhos com razão, dê uma interpretação coerente a essa contradiçãovivida pelo eu lírico.
  12. 12. O bonde passa cheio de pernas:pernas brancas pretas amarelas.Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.Porém meus olhosnão perguntam nada.4. Apesar de publicado em 1930, o poema apresenta característicasque o associam à produção dos primeiros modernistas, com aconstrução fragmentada, os flashes e a falta de pontuação no 2º versoda 3ª estrofe. Que correntes de vanguarda se associam a essascaracterísticas?
  13. 13. O homem atrás do bigodeé sério, simples e forte.Quase não conversa.Tem poucos, raros amigoso homem atrás dos óculos e do bigode,5. Na 4ª estrofe, é descrito o “homem atrás dos óculos do bigode”.Interprete:a)Que diferença há em dizer que o homem “usa óculos e bigode” eestá “atrás dos óculos e do bigode”?b)É possível afirmar que ele é gauche? Por quê?
  14. 14. Meu Deus, por que me abandonastese sabias que eu não era Deusse sabias que eu era fraco.6. A 5ª estrofe lembra uma passagem bíblica: quando Cristo, em ummomento de fraqueza, dirige-se ao Pai e se queixa de seu abandono edesamparo. Compare as duas situações, em que o Cristo e o gauchese dirigem a Deus e responda:a)Que semelhança há, nessas situações, entre o Cristo e o gauchequanto ao seu relacionamento com o mundo?b)Considerando o verso “se sabias que eu não era Deus”, por que sepode afirmar que a queixa do gauche é ainda mais dramática que ado próprio Cristo?
  15. 15. Mundo mundo vasto mundo,se eu me chamasse Raimundoseria uma rima, não seria uma solução.Mundo mundo vasto mundo,mais vasto é meu coração.a) O fato de mundo estar contido no nome Raimundo permitiria que o eulírico estivesse devidamente enquadrado no mundo exterior? Que versojustifica sua resposta?b) Nos versos “Mundo mundo vasto mundo / Mais vasto é meu coração”,pode-se supor um sentimento de superioridade por parte do eu lírico?Justifique.A 6ª estrofe apresenta umjogo de palavras. O gauchesupõe a possibilidade dechamar-se Raimundo (umnome que contém a palavramundo); no entanto,afirma, tal fato levariaapenas a uma rima, não auma solução. Interprete:
  16. 16. Eu não devia te dizermas essa luamas esse conhaquebotam a gente comovido como o diabo.Na última estrofe, é introduzido um interlocutor, até então ausente,identificado pelo pronome te: “Eu não devia te dizer”a)Levante hipóteses: quem poderia ser este interlocutor.b) De acordo com a estrofe, o conhaque e a atmosfera noturnadeixaram o eu lírico comovido. É como se todo o poema fosse frutoda bebedeira, não fosse uma coisa séria. Em sua opinião, o eu líricoestaria falando sério ou blefando? Por quê?
  17. 17. 9. O poema está organizado em sete estrofes. Observe a relaçãoexistente entre elas.a)Por que o poema se intitula “Poema de sete faces”?b) Apesar de não estar explícito, existe um fio condutor que liga, noplano do conteúdo, todas as estrofes do poema. Qual é o fio?10. A introdução do nome Carlos na 1ª estrofe parece situar o poemae o gauchismo no plano autobiográfico. Contudo, o assunto abordado— o “estar-no-mundo”, o eu perante is valores sociais, acomunicação, o outro, etc. — é particular ou universal? Por quê?

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