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O diário e a memória

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O diário e a memória

  1. 1. Textos autobiográficos: o diário, as memórias e a autobiografia Madalena Fernandes ESPAN 2013/14
  2. 2. Terça-feira, 11 de Abril de 1944 Querida Kitty: Sinto como que marteladas na cabeça! Nem sei por onde começar. Sexta-feira (Sexta-feira Santa) à tarde, e no sábado também, fizemos vários jogos. Esses dias passaram-se sem novidade e bastante depressa. No domingo pedi ao Peter que viesse aqui e mais tarde subimos e ficámos lá em cima até às seis horas. Das seis e quinze até às sete horas ouvimos um belo concerto de música de Mozart; do que mais gostei foi da «K'eine Nachtmusik». Não consigo escutar bem quando há muita gente à minha volta, porque a boa música comove-me profundamente. Excerto do Diárioà Anne Franko Peter e eu fomos ao sótão. Para Domingo de noite estarmos sentados confortavelmente, levamos umas almofadas que pusemos em cima de um caixote.
  3. 3. 1ª atividade É uma entrevista? É uma notícia? É uma carta? Ou é um outro tipo de texto?
  4. 4. É um diário.
  5. 5. Já ouviste a expressão «segredo guardado a sete chaves»?
  6. 6. O diário funciona assim – é algo de secreto e de confidencial.
  7. 7. O diário é, como o nome indica, o registo quotidiano de eventos e vivências (pensamentos, observações, opiniões, ideias, sentimentos, segredos, etc. ). O diário funciona como um confidente – o “eu” precisa de comunicar consigo mesmo.
  8. 8. SUAS CARACTERÍSTICAS  normalmente é datado;  os registos são ordenados por ordem cronológica de ocorrência.  pode ou não ser dirigido a alguém;  o autor dirige-se ao diário como a um confidente, sendo frequente a utilização “Querido diário” ou até a criação de um nome para o saudar.
  9. 9. Suas características  O protagonista e o narrador são coincidentes, ou seja, são a mesma pessoa.  É escrito geralmente na 1ª pessoa (eu/nós).  Os verbos podem estar no presente e/ou no passado.  o discurso é subjectivo, a escrita é confessionalista.  A linguagem varia de acordo com o locutor, podendo ser formal ou informal.  A assinatura é facultativa.
  10. 10. Dois tipos de diários • Diário pessoal – este diário é íntimo e destina-se apenas a ser lido pelo seu autor. Não existem grandes preocupações literárias e a linguagem é fluida e familiar. Poderá ser mais repetitivo em termos de forma (repetições a nível do registo escrito que traduzem a fluência da oralidade) e de conteúdo (referência aos mesmos episódios…) que o diário de ficção; • Diário de ficção - como o próprio nome indica este não se trata de um diário genuíno, cujo autor regista as emoções e vivências quotidianas. O diário de ficção é uma obra literária apresentada na forma de anotações pessoais.
  11. 11. O diário é um texto autobiográfico porque:  é um texto em que alguém fala de si próprio e sobre a sua vida,  é um texto redigido na 1ªpessoa,  é um texto em que se narram acontecimentos, se exprimem sentimentos e se expõem reflexões, com base em vivências pessoais.
  12. 12. autobiografia auto “eu” Sobre si próprio bio vida grafia Escrever/escrita
  13. 13. Um texto autobiográfico é um texto subjetivo. Um texto subjetivo expressa, geralmente, sentimentos, emoções, vivências, opiniões, pontos de vista, … E, como todo o texto subjetivo, aparece escrito na 1ª pessoa (“eu”/”nós”).
  14. 14. Terça-feira, 11 de Abril de 1944 Querida Kitty: data Destinatário/confidente do diário. “Kitty” é um nome ficticio Sinto como que marteladas na cabeça! Nem sei por onde começar. Sexta-feira (Sextafeira Santa) à tarde, e no sábado também, fizemos vários jogos. Esses dias passaramregisto de eventos se sem novidade e bastante depressa. No domingo pedi ao Peter que viesse aqui e mais tarde subimos e ficámos lá em cima até às seis horas. Das seis e quinze até às sete horas ouvimos um belo concerto de música de Mozart; do que mais gostei foi da «K'eine Nachtmusik». Não consigo escutar bem quando há muita gente à minha volta, porque a boa música comove-me profundamente. o “eu” fala dos seus sentimentos Domingo à noite o Peter e eu fomos ao sótão. Para estarmos sentados confortavelmente, levamos umas almofadas que pusemos em cima de um caixote. O sítio é estreito e estávamos muito apertados um contra o outro… Utilização da 1ª pessoa Protagonista e autor do diário são a mesma pessoa Tua Anne
  15. 15. AS MEMÓRIAS  É o recontar de experiências do passado que se mantêm na memória.  O narrador dá-nos o seu testemunho do tempo e do espaço em que viveu, somando ao relato pessoal e familiar o de conhecimentos históricos e políticos..  Diferencia-se da biografia, pois não se pretende contar a vida de alguém em particular, mas sim narrar as suas lembranças.
  16. 16. “(…) Sempre fui vista pelos meus alunos como exigente (muito exigente para alguns). Guardo para outro post o aspecto dos comportamentos, cingindo-me neste à exigência no trabalho e na aprendizagem. Os alunos mais velhos (tive a experiência até ao 9º ano) sabem apreciar essa exigência, desde que acompanhada por todo o apoio e todas as oportunidades para superarem as dificuldades. Mas os mais novos, muitas vezes, só a apreciam quando a recordam posteriormente. Sobre isto, teria bastantes testemunhos para deixar. Fico por um, a título de exemplo. Quando ainda lecionava só no 2º Ciclo, encontrei no autocarro uma ex-aluna que tinha transitado para o 7º ano. Trunco o diálogo para não me alongar e também porque tenho que me cingir ao que a memória reteve: _ Setôra, tenho-me lembrado tanto de si! …… Confesso que cheguei a achar qua a setôra era injusta, eu trabalhava tanto e nunca mais me dava o cinco! ……. Agora é que eu vejo como era preciso que puxasse sempre mais por mim…… Eu agora vejo bem como teria dificuldades no 7º ano se não tivesse puxado por mim daquela maneira.(…)” Gostar do professor Memórias Soltas de Prof: memórias pedagógicas
  17. 17. AUTOBIOGRAFIA A autobiografia é como o próprio nome indica, uma biografia redigida pelo próprio. Sendo um relato que alguém faz da sua vida passada, é um tipo de texto em que se utiliza o modo narrativo, e no qual o autor conta, na primeira pessoa, acontecimentos, em regra, organizados cronologicamente.
  18. 18. Nasci no Porto mas vivo há muito em Lisboa. Durante a minha infância e juventude passava os verões na praia da Granja, de que falo em tantos dos meus poemas e contos. Estudei no Colégio Sagrado Coração de Maria, no Porto, e quando tinha 17 anos inscrevi-me na Faculdade de Letras de Lisboa, em Filologia Clássica, curso que, aliás, não terminei. Antes de 25 de Abril de 1974 fiz parte de diversas organizações de resistência, tendo sido um dos fundadores da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos. Depois de 25 de Abril de 1974 fui deputada à Assembleia Constituinte (1975-1976) e detesto escrever currículos... [...] Comecei a inventar histórias para crianças quando os meus filhos tiveram sarampo. Era no inverno e o médico tinha dito que eles deviam ficar na cama, bem cobertos, bem agasalhados. Para isso era preciso entretê-los o dia inteiro. Primeiro, contei todas as histórias que sabia. Depois, mandei comprar alguns livros que tentei ler em voz alta. Mas não suportei a pieguice da linguagem nem a sentimentalidade da "mensagem"; uma criança é uma criança, não é um pateta. Atirei os livros fora e resolvi inventar. Procurei a memória daquilo que tinha fascinado a minha própria infância. Lembrei-me de que quando eu tinha 5 ou 6 anos e vivia numa casa branca na duna - a minha mãe me tinha contado que nos rochedos daquela praia morava uma menina muito pequenina. Como nesse tempo, para mim, a felicidade máxima era tomar banho entre os rochedos, essa menina marinha tornou-se o centro das minhas imaginações. E a partir desse antigo mundo real e imaginário, comecei a contar a história a que mais tarde chamei Menina do Mar. Os meus filhos ajudavam. Perguntavam: - De que cor era o vestido da menina? O que é que fazia o peixe? Aliás, nas minhas histórias para crianças quase tudo é escrito a partir dos lugares da minha infância… in De que são feitos os sonhos Sophia de Mello Breyner Andresen
  19. 19. CONCLUSÃO O diário, as memórias e a autobiografia utilizam um discurso de 1ª pessoa, centrado num “eu” que se revela pela escrita. Há, no entanto, algumas diferenças…

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