A Emigração Cabo-verdiana para a Itália

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A Emigração Cabo-verdiana para a Itália

  1. 1. Emigração cabo-verdiana para a ItáliaUNIVERSIDADE DE CABO VERDE Departamento de Ciências Sociais e Humanas Delegação de São Vicente Curso: Licenciatura em Filosofia – 4º Ano – IIº Semestre Trabalho de grupo: CULTURA CABOVERDIANA Tema:“A EMIGRAÇÃO CABO-VERDIANA PARA A ITÁLIA” Docente: Prof. MESTRE Marina Ramos Discentes: Arlindo Rocha Hélida Lopes Roberto Andrade Zenaida Cruz Junho de 2010 2 Elaborado pelos alunos do curso de filosofia: Arlindo Rocha; Hélida Lopes; Roberto Andrade; Zenaida Cruz
  2. 2. Emigração cabo-verdiana para a ItáliaÍNDICEINTRODUÇÃO ................................................................................................................ 5BREVE HISTÓRIA DA EMIGRAÇÃO CABO-VERDIANA ....................................... 6A GÉNESE DA MIGRAÇÃO CABO-VERDIANA PARA ITÁLIA ............................. 7O IMPACTO DAS REMESSAS DOS EMIGRANTES .................................................. 9A GÉNESE DA REDE CABO-VERDIANA EM ITÁLIA: .......................................... 10A IGREJA CATÓLICA E O INICIAR DE REDES MIGRATÓRIAS ......................... 12A EVOLUÇÃO DA IMIGRAÇÃO CABO-VERDIANA EM ITÁLIA ........................ 13ITÁLIA COMO NÚCLEO DA CIRCULAÇÃO MIGRATÓRIA CABO-VERDIANA........................................................................................................................................ 16PARTE PRÁTICA ......................................................................................................... 18CONCLUSÃO ................................................................................................................ 22BIBLIOGRAFIA ............................................................................................................ 25 3 Elaborado pelos alunos do curso de filosofia: Arlindo Rocha; Hélida Lopes; Roberto Andrade; Zenaida Cruz
  3. 3. Emigração cabo-verdiana para a ItáliaPARTIDAEu queria deixar a minha terra,Meus olhos só viam os horizontes distantesOs meus ouvidos só escutavam a “sabura” da emigraçãoO meu coração amava ver os envelopes vindos do estrangeiroCom margens adornadas de vermelho e azulE um certo dia decidi partir.Queria também ficarMas entre esse ficar e partirExistia um vazio e uma incertezaUma incerteza de sucessoUma alma vazia de esperançaE um certo dia resolvi partir. Domingos Barbosa da Silva (Silva e Silva, 1993: 363). 4 Elaborado pelos alunos do curso de filosofia: Arlindo Rocha; Hélida Lopes; Roberto Andrade; Zenaida Cruz
  4. 4. Emigração cabo-verdiana para a ItáliaINTRODUÇÃO A marca principal da cultura crioula, deriva da sua incessante emigração. Ahabitual dispersão geográfica (quase) global das famílias, levou a emigração contínua econtinuada de uma parte importante da sua população ao longo dos últimos séculos. A emigração é um dos fenómenos que ocorre em todo o arquipélago Cabo-verdiano, porque as condições socioeconómicas e climáticas não proporcionavacondições de sobrevivência dos Cabo-Verdianos. Este fenómeno teve início em Cabo Verde muito cedo para colmatar osproblemas socioeconómicos que se vivia no nosso arquipélago. O nosso trabalho tem como tema “A Emigração dos Cabo-Verdianos para aItália”, enquadra na disciplina de Cultura Cabo-verdiana II, tem por objectivo ter umconhecimento mais alargado desta temática e conhecer suas causas, consequências ebenefícios, tanto para Cabo Verde como para os cabo-verdianos em particular. Para elaborar este trabalho baseamos em pesquisas bibliográficas, e na internet.Sendo assim, vamos tratar de alguns pontos referentes ao tema: começaremos porabordar um breve historial da emigração cabo-verdiana; génese dessa emigração, para aItália em particular; seguidamente debruçaremos sobre o papel da igreja católica e oiniciar de redes migratórias; o caso das pioneiras do Sal; a evolução da imigração cabo-verdiana em Itália; A inserção laboral: dos anos 60 até hoje; os mercados locais deemprego Itália como núcleo da circulação migratória cabo-verdiana e o impacto dasremessas dos emigrantes. Por último, a parte prática, onde faremos uma análise dealgumas entrevistas de pessoas que tiveram a experiencia de participar nesse processode emigração. 5 Elaborado pelos alunos do curso de filosofia: Arlindo Rocha; Hélida Lopes; Roberto Andrade; Zenaida Cruz
  5. 5. Emigração cabo-verdiana para a ItáliaBREVE HISTÓRIA DA EMIGRAÇÃO CABO-VERDIANA Pode-se afirmar que o cabo-verdiano já nasceu (e) migrante, dito de outro modo,que a emigração é um dos fenómenos mais antigos e estáveis da sociedade cabo-verdiana, antecedendo em muitas décadas a independência do país que ocorreu em1975. Neste sentido, Cabo Verde é um exemplo, talvez único, de um Estado que nascejá transnacionalizado. De facto, pensamos que, a emigração é de tal forma estrutural à formação daNação Cabo-verdiana que, para uma análise correcta, se torna necessário recuar até aoinício, até ao século XV, à descoberta ou achamento de Cabo Verde pelos portugueses. As características da emigração cabo-verdiana contemporânea não podem sercompreendidas sem uma análise da história desta mesma emigração secular. É a partir de meados do século XV que começa a dispersão dos nativos cabo-verdianos, primeiro emigração forçada, através da escravatura e, num segundomomento, emigração espontânea, a partir dos séculos XVIII-XIX, como recurso paracolmatar as privações sentidas pelos habitantes do Arquipélago. Paradoxalmente, CaboVerde começou por ser terra de imigração dado que, como era um arquipélagodesabitado à época das descobertas, num primeiro momento da sua história acolheusucessivos fluxos de colonos, comerciantes e escravos para depois, e de formaprogressiva, dar origem, após um longo e secular processo de adaptação, aculturação ede afirmação cultural, a uma sociedade que podemos caracterizar como eminentementeemigratória. É desta componente imigratória, constituída por diferentes grupos étnicosque vão migrar para diferentes ilhas do arquipélago e, sobretudo, do modo como essesgrupos se vão miscigenando biológica, cultural e socialmente, que resultam asespecificidades socioculturais dos habitantes de diferentes grupos de ilhas, separando deforma evidente, a cultura das ilhas do barlavento da das ilhas do sotavento. 6 Elaborado pelos alunos do curso de filosofia: Arlindo Rocha; Hélida Lopes; Roberto Andrade; Zenaida Cruz
  6. 6. Emigração cabo-verdiana para a ItáliaA GÉNESE DA MIGRAÇÃO CABO-VERDIANA PARA ITÁLIA O fluxo migratório de Cabo Verde para Itália é antigo e precedeu de outrosfluxos migratórios de Cabo Verde para a Europa. Neste contexto devemos encarar asimigrantes cabo-verdianas como uma das comunidades imigrantes pioneiras. Estasimigrantes foram predecessoras de toda uma imigração para Itália que ocorreria a partirdos anos 80, altura em que a Itália se integrou no sistema internacional de troca detrabalho, na sua vertente de importador de força de trabalho e já não na tradicionaldinâmica exportadora de mão-de-obra. Por outro lado, as cabo-verdianas dos anos 60 a80 em Itália foram também, como uma tendência emergente das migraçõesinternacionais e que conferia à mulher um papel nuclear. Os novos fluxos de migração já não são dominados por homens, hoje, há umacrescente procura de trabalho feminino e, novas necessidades criaram uma procura paraserviços nos quais só as mulheres imigrantes estão preparadas para trabalhar. No caso da migração de cabo-verdianas para Itália, esta realidade emergiu trêsdécadas mais cedo. A emigração cabo-verdiana para Itália possui um conjunto decaracterísticas que a distingue de outros fluxos migratórios cabo-verdianos nas últimasdécadas e individualiza este movimento no seio das migrações cabo-verdianas globais:Em primeiro lugar, trata-se de uma migração que é, desde o início é maioritariamentefeminina, o que contraria as tradicionais lógicas da emigração em geral e da emigraçãocabo-verdiana em particular. A maioria das mulheres cabo-verdianas pioneiras, quemigraram inicialmente para Itália, detinham uma origem geográfica semelhante,provinham da (s) mesma (s) ilha (s) (São Nicolau ou Sal) e tinham como destino laboraluma mesma profissão: empregada doméstica interna junto de famílias italianas. Estainserção laboral especializada nos serviços pessoais e domésticos. Actualmente, este é oprincipal sector de inserção para as mulheres migrantes na União Europeia. É um fluxomigratório que antecipou algumas das características contemporâneas das migrações, aaceleração, diversificação, feminização e globalização das migrações actuais. Asprimeiras imigrantes de Cabo Verde chegaram em Itália muito cedo e a suaconcentração no sector dos serviços pessoais e domésticos nos principais centrosurbanos (cidades) antecipou também o que seria teorizado como uma característica dasmigrações actuais ao nível global, antecipando a própria conceptualização de Milãocomo cidade global e a polarização inerente do seu mercado de trabalho, ou seja, antesde se ouvir falar de globalização as cabo-verdianas já estavam ao seu serviço. 7 Elaborado pelos alunos do curso de filosofia: Arlindo Rocha; Hélida Lopes; Roberto Andrade; Zenaida Cruz
  7. 7. Emigração cabo-verdiana para a Itália 8 Elaborado pelos alunos do curso de filosofia:Arlindo Rocha; Hélida Lopes; Roberto Andrade; Zenaida Cruz
  8. 8. Emigração cabo-verdiana para a ItáliaO IMPACTO DAS REMESSAS DOS EMIGRANTES As comunidades emigradas têm assumido um papel de interesse relevante, tantoa nível do sustento das famílias, como também no próprio desenvolvimento económicodo país. Uma vez que os rendimentos são muito superiores aos da população cabo-verdiana. O fenómeno emigratório constitui, um factor de dinamização da vida social eeconómica, além do acesso a melhores condições de vida. Pela natureza não definitiva da emigração, por parte do emigrante cabo-verdiano, mantém laços sociais, políticos e culturais com o país de origem, não serestringindo apenas ao aspecto económico. As relações dos emigrados com Cabo Verde, principalmente as de naturezaeconómica, permanecem fortes e efectuam através de transferências, factor relevante naredução da pobreza e importante contributo na economia doméstica e à contribuiçãopara o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo o Banco Mundial, entre 1987 a 1992, as remessas de emigrantesatingiram uma media de três milhões de contos anuais e representa um papelfundamental na economia e na redução da pobreza. Na distribuição em função de países de onde provem as remessas financeiras, nocaso concreto da Itália, figura como sendo uma dos quatros primeiros que mais dinheirotem vindo a transferir para Cabo Verde através de vales- postais ou do Banco, o que dáa dimensão do contributo dessa comunidade essencialmente feminina na edificação econsolidação da economia do país. 9 Elaborado pelos alunos do curso de filosofia: Arlindo Rocha; Hélida Lopes; Roberto Andrade; Zenaida Cruz
  9. 9. Emigração cabo-verdiana para a ItáliaA GÉNESE DA REDE CABO-VERDIANA EM ITÁLIA: Pelo menos desde os anos 60, mulheres cabo-verdianas migraram para Itáliaatravés, não de uma, como é habitualmente referido, mas de duas cadeias migratóriasparalelas ou, mais correctamente, de dois elos iniciais, que se tornaria numa únicacadeia migratória: o primeiro elo, foi estabelecido inicialmente pela Igreja Católica,particularmente pelos Frades Capuchinhos italianos, presentes na ilha de São Nicolau, eestabeleceu um canal migratório. O segundo elo desta cadeia migratória, raramentereferido nos estudos sobra a imigração cabo-verdiana em Itália, teve origem na ilha doSal em duas causas complementares, a primeira, em 1961, teve como origem os pilotosda Alitália. A segunda, que tem igualmente origem na ilha do Sal, promoveu a migraçãoindividualizada de algumas raparigas quando, por altura da construção do aeroportointernacional do Sal, a cargo de construtoras italianas, alguns dos quadros italianos alicolocados recrutaram as suas empregadas em Cabo Verde para irem com eles paraItália. Explicitemos melhor o funcionamento destes dois elos da cadeia migratória: Nocaso do elo inicial da primeira cadeia migratória para a Itália, despoletada pelaintermediação da igreja católica. O processo era extremamente simples: as famíliasitalianas enviavam para Cabo Verde o dinheiro necessário para a passagem aérea e ospadres capuchinhos cuidavam de dar toda a ajuda necessária para que as imigrantescabo-verdianas chegassem a Itália. A origem destas pioneiras era quase exclusivamente a ilha de São Nicolau. Oprimeiro grupo, de raparigas, terá sido constituído pelas catequistas da paróquia, peloque são ainda hoje facilmente identificadas e consideradas como pioneiras peloselementos da comunidade em Itália. De acordo com os dados disponíveis, as primeirasmulheres a migrarem para Itália fizeram-no no início do ano de 1963, sobretudo para asregiões de Roma e de Turim. O segundo elo da cadeia migratória é igualmente simples, mas tem sidomenosprezada na história das migrações cabo-verdianas para Itália. Teve origem nasmulheres que trabalhavam para os italianos que viveram no Sal durante a construção doaeroporto, ou em pilotos da Alitália. Tratava-se de raparigas provenientes do Sal recrutadas directamente pelatripulação da Alitália que, ao tempo, escalava regularmente o aeroporto dessa ilha, paraprestação de trabalho doméstico em casa de pilotos e seus amigos, na zona da Latina, 10 Elaborado pelos alunos do curso de filosofia: Arlindo Rocha; Hélida Lopes; Roberto Andrade; Zenaida Cruz
  10. 10. Emigração cabo-verdiana para a Itáliaonde residiam. Também as tripulações que se foram instalando no Sal, por necessidadedas mudanças de tripulações deu origem a que vários italianos passassem a viver commulheres cabo-verdianas e alguns ou levaram os filhos dessas relações ou levaram essascompanheiras para Itália. E essas são as primeiras mulheres que vão para Itália,efectivamente. Algumas aceitaram e emigraram para Itália onde trabalharam comoempregadas domésticas internas, em Roma, ou em cidades do norte do país como Milãoou Bergamo. 11 Elaborado pelos alunos do curso de filosofia: Arlindo Rocha; Hélida Lopes; Roberto Andrade; Zenaida Cruz
  11. 11. Emigração cabo-verdiana para a ItáliaA IGREJA CATÓLICA E O INICIAR DE REDES MIGRATÓRIAS Com a ajuda à migração de mulheres cabo-verdianas para Itália no início dosanos 60, inicia-se o envolvimento da Igreja Católica no sector da imigração, estando nagénese de uma verdadeira “instituição migratória”. Esta lógica de ajuda por parte daIgreja Católica subjacente ao início das migrações cabo-verdianas para Itália não é no,no entanto, exclusiva da migração cabo-verdiana na história das migrações. Foi jáestudada envolvendo outros fluxos migratórios, quer para Itália, quer para outros paíseseuropeus, outros países como os EUA ou países asiáticos. Diversos autores assinalaram o facto de algumas entidades religiosas terem umaimportância considerável no processo migratório, especialmente no que diz respeito aoacolhimento e aos contactos laborais, sem esquecer o papel que desempenham nacoesão social dos grupos. A dependência desse apoio inicial que permitia o acesso aocanal migratório duraria portanto pouco tempo e, após um curto período, estaria jáestabelecida uma autónoma cadeia migratória tradicional, que dispensava aintermediação religiosa. As regularidades sociais que podemos encontrar no extremo sul da cadeiamigratória permitem sustentar a ideia que a rede migratória, iniciada pelos padrescapuchinhos em Cabo Verde, fazia parte de uma estratégia mais vasta (consciente ouinconsciente) por parte da Igreja Católica Italiana que permitiu atrair para Itália umconjunto substancial de mulheres imigrantes. De acordo com Maria de Lourdes Jesus (1989: 85) esta procura foi directamenteactivada a partir das paróquias de Roma. Esta migração supriu as carências sectoriais detrabalhadoras para o serviço doméstico provocadas pelas mudanças sócio económicasverificadas na sociedade italiana desta época. A história da influência da Igreja Católica nas migrações para Itália demonstraque o caso dos capuchinhos da ilha de S. Nicolau ou do Sal fazia parte de um contextomais vasto de influência da Igreja Católica na sociedade italiana de que ofuncionamento como instituição migratória era um recurso estratégico. 12 Elaborado pelos alunos do curso de filosofia: Arlindo Rocha; Hélida Lopes; Roberto Andrade; Zenaida Cruz
  12. 12. Emigração cabo-verdiana para a ItáliaA EVOLUÇÃO DA IMIGRAÇÃO CABO-VERDIANA EM ITÁLIA A inserção no meio de trabalho das migrantes pioneiras, provenientes das ilhasde São Nicolau, Sal e também da Boavista, no mercado de trabalho italiano onde seprocurava mão-de-obra especialmente para o serviço doméstico, vai proporcionarestabelecimento e desenvolvimento de cadeias migratórias, muito activas dessas ilhas,em particular para um conjunto de outras regiões metropolitanas em Itália. Até aos anos 70 as mulheres cabo-verdianas entravam regularmente na Itália,passando pela polícia eram registadas no consulado de Portugal em Roma, isso porquetinham a nacionalidade portuguesa, e obtinham uma autorização de permanênciaindeterminada, mas isso trazia uma consequência visto que “impedia a fiscalizaçãosobre o empregador uma vez que a autorização de permanência não necessitava derenovação” (Monteiro, 1997: 346), isto é, trabalhavam na maior parte das vezes nomercado informal ou parcialmente informal. Com a independência de Cabo Verde, em 1975 os Cabo-verdianos perdem anacionalidade portuguesa, e isso coincidiu com um aumento das necessidadesburocráticas para entrar em Itália. Mas, apesar disso, o fluxo de Cabo Verde para Itália não diminuiu durante adécada de 70. Isso apesar de alguns constrangimentos como: a diminuição depossibilidades de destinos migratórios alternativos, de crise económica na Europa, etc.,a emigração cabo-verdiana para Itália aumenta exponencialmente ao longo das décadasde 70 e 80, crescendo a uma média de 10% ao ano. Através da emigração, desde os anos 60-70 até hoje, assim também com a buscados familiares em Cabo Verde, e um processo de crescimento natural da comunidade jáem Itália, permitiu o crescimento da comunidade Cabo-verdiana em Itália, ou seja, foicrescendo de forma, primeiramente aritmética, pelo número reduzido de chegadas e,posteriormente, durante os anos 70, quando a cadeia migratória se torna mais activa, deforma geométrica, aumentando muito rapidamente o número de imigrantes Cabo-verdianas em Itália. A relação entre as redes sociais que ligam Itália a Cabo Verde ou aoutros países onde residem Cabo-verdianos, fluiu, ao longo do tempo, um conjuntoamplo de recursos. Desde informações, dinheiro ou outro tipo de bens e serviçosmateriais ou imateriais, possibilitaram que a emigração se realizasse ininterruptamente. As mulheres Cabo-verdianas em Itália são na maioria solteiras (ainda quepossam ter filhos), sendo que, de entre as casadas, é grande o número das que casaram 13 Elaborado pelos alunos do curso de filosofia: Arlindo Rocha; Hélida Lopes; Roberto Andrade; Zenaida Cruz
  13. 13. Emigração cabo-verdiana para a Itáliacom italianos. Também no caso dos homens é maior o número de solteiros, sendo ocasamento com mulheres italianas eram menos frequentes. Esse fluxo migratório atingiu seu ponto alto no início dos anos 80. A partir dosanos 90 esse movimento desacelerou novamente passando a migração para Itália, dar-sede diversos processos, num número de cabo-verdianos que não ultrapassará as 200-300pessoas por ano, isso devido a Lei de Estrangeiros (conhecida por Lei Martelli) foipromulgada em 1990 (Decreto-Lei n.º 146 de 30 de Dezembro 1989, posteriormentesujeita a modificações e convertida na Lei 39 de 28 de Fevereiro de 1990) e, adoptandouma política restritiva, que vai dificultar a entrada de estrangeiros para trabalharemlegalmente em Itália através de um maior controlo de fronteiras, uma regularizaçãomediante a atribuição de autorizações de residência, uma planificação dos fluxos deentrada e, complementarmente, um favorecimento da reunificação familiar para os quejá se encontram legalizados. Em 2000 o ministério do interior italiano apontava para um número de 4.004cabo-verdianos (81,3% dos quais mulheres). Se tomássemos como válidos apenas os números oficiais estaríamos a falar deuma população de cerca de 5.000 a 7.000 indivíduos. Mas esse número pode ser maiorporque não contabilizam os ilegais, ainda existe um grande número de cabo-verdianosque detêm já a nacionalidade italiana, alguns milhares que detêm a nacionalidadeportuguesa e algumas centenas de outros que possuem uma terceira nacionalidade. As especificidades da emigração cabo-verdiana para Milão Se concentrarmos a nossa atenção na história da imigração cabo-verdiana emMilão, damo-nos conta que esta apresenta genericamente as mesmas características jáenunciadas para a migração cabo-verdiana em Itália mas com algumas especificidades. Após um início simultâneo com a emigração cabo-verdiana para Roma, o fluxopara Milão mantém-se constante ao longo de décadas, crescendo de forma sustentadamas muito mais lentamente do que a emigração para Roma. Nos primeiros anos, 60 e 70, o fluxo vai-se renovando através de chegadascontínuas que vão compensando os regressos a Cabo Verde ou a re-emigração paraoutros países mas mantendo sempre um volume relativamente pequeno, na ordem dascentenas de unidades. No final dos anos 70 e anos 80 ocorre um maior número de 14 Elaborado pelos alunos do curso de filosofia: Arlindo Rocha; Hélida Lopes; Roberto Andrade; Zenaida Cruz
  14. 14. Emigração cabo-verdiana para a Itáliachegadas e diminui o número de retornos a Cabo Verde o que provoca um aumento dovolume total. Ao longo dos anos 90 o número de cabo-verdianos em Milão estabiliza e, nestesúltimos anos, começa a atrair um número crescente de cabo-verdianos de outras cidadesitalianas, sobretudo do sul da Itália. Milão é uma cidade onde os imigrantes apresentam um elevado nível deintegração, quer no que diz respeito a subordinação laboral, quer na concentração nosector de serviços, o que funciona igualmente como mecanismo de atracção. Mas, háum senão, isso porque, o preço e a escassez de oferta de habitação funcionam comomecanismo de repulsão. O facto de o salário ser em Milão, mais elevado do que noutras cidadesitalianas, e oferecer um maior enquadramento numa rede social de suporte co-étnica, éoutro factor de atracão para os emigrantes. 15 Elaborado pelos alunos do curso de filosofia: Arlindo Rocha; Hélida Lopes; Roberto Andrade; Zenaida Cruz
  15. 15. Emigração cabo-verdiana para a ItáliaITÁLIA COMO NÚCLEO DA CIRCULAÇÃO MIGRATÓRIACABO-VERDIANA A Itália não é um dos principais nódulos da rede migratória Cabo-verdiana naEuropa. No entanto, por possuir um conjunto de nódulos secundários (cidades), emvirtude da especificidade da sua migração de género, uma ligação muito forte aos doisnódulos principais da Europa, Lisboa e Roterdão. Na fase inicial do ciclo migratório para Itália verificou-se uma constanterenovação da comunidade, com um grande número de retornos a Cabo Verde e comuma re-emigração, para outros países, sobretudo europeus, motivada, sobretudo, porconstantes reagrupamentos familiares. Como afirma Monteiro: “as raparigas chegavama Itália muito jovens, situando-se a idade da primeira entrada, em média, entre os 16 eos 20 anos, mas não permaneciam por um lapso de tempo superior a quatro ou cincoanos, o máximo seis, à excepção de alguns casos raros”. Passados alguns anos, algumascontraíam matrimónio, muitas vezes com Cabo-verdianos também emigrados noutrospaíses europeus e, retornavam a Cabo Verde, enquanto o homem, tendencialmente,mantinha a condição de emigrante. O fluxo renovava-se continuamente e caracterizava-se quase exclusivamente por mulheres em idade jovem. Na década de 70 e 80, fase de reagrupamento familiar no seio da comunidadeCabo-verdiana na Europa, a circulação migratória é igualmente importante. São oshomens que vêm da Holanda, de França ou da Suíça procurar noivas, ou visitarnamoradas em Itália e os filhos que se juntam às mães em Itália, “nos anos bons daemigração”. Paralelamente a emigração fluía para a Holanda e muitos dos jovens que iampara a Holanda iam passar férias em Itália e é daí que os primeiros homens se fixam emItália, porque arranjavam namoradas ou companheiras e acabavam por fixar-se. Os Cabo-verdianos imigrados em Itália mantêm um elevado nível de contactoscom Cabo Verde. O envio de remessas financeiras, as visitas regulares nas férias, ascartas, telefonemas, o investimento no país de origem, tudo são elementos que permitemcaracterizar uma comunidade com fortes ligações a Cabo Verde. No entanto, entre a geração dos que agora emigram de Cabo Verde para Itália omito do retorno está ainda bem presente e surge nas respostas com uma força que nãodeixa dúvidas. Cabo Verde é “nha terra, nha crecheu”, o projecto migratório é um 16 Elaborado pelos alunos do curso de filosofia: Arlindo Rocha; Hélida Lopes; Roberto Andrade; Zenaida Cruz
  16. 16. Emigração cabo-verdiana para a Itáliaprojecto de curto prazo e o objectivo é o de regressar. Por isso a vida entre dois países,um transnacionalismo é obrigatório, poque não se podem perder as referências. Esse transnacionalismo leva a que as referências sejam necessariamente mistasentre o país de origem e o país de acolhimento, uma vez que se projecta voltar, énecessário manter o contacto com a realidade da “nha terra”. A diferença em relação aopassado, é que este retorno será periódico de dois em dois ou de três anos. 17 Elaborado pelos alunos do curso de filosofia: Arlindo Rocha; Hélida Lopes; Roberto Andrade; Zenaida Cruz
  17. 17. Emigração cabo-verdiana para a ItáliaPARTE PRÁTICA 18 Elaborado pelos alunos do curso de filosofia: Arlindo Rocha; Hélida Lopes; Roberto Andrade; Zenaida Cruz
  18. 18. Emigração cabo-verdiana para a ItáliaEntrevista com um capuchinho Informado de que estávamos a procura dalgum capuchinho que nos pudesse darinformações concretas sobre a imigração para a Itália, ele, informa-nos que quase todosjá morreram, que talvez podíamos encontrar algum em São Nicolau. No entanto como otema de defesa do seu mestrado era Emigração e Imigração para e da Itália,disponibilizou para conversar um pouco connosco. Defende que a emigração para a Itália não se assentava sobre uma estruturaorganizada na época. Simplesmente os padres serviram de intermediários, com o intuitode ajudar, principalmente as raparigas a fugirem da pobreza e das constantes fomes queassolava o nosso território. Esses padres eram contactados pelos Italianos, que pediam para escolher alguémde boa índole para serem empregada doméstica. Estes por sua vez utilizavam comocritério de selecção de escolha desses emigrantes: valores morais, tinham de serpróximo dos padres, com valores bem definidos, mas também tinham de ser pessoasessencialmente com muitas dificuldades financeiras. Quanto ao apoio social aos emigrantes diz que isto não existia e até hoje épraticamente inexistente. Em relação a adaptação, defende que os padres não conseguiam fazer quase nadauma vez que estes eram enquadrados nas famílias, aonde iam prestar serviços. Houve muitos insucessos, alguns foram para Portugal, outros para EUA e algunsregressaram para Cabo verde. Muito poucos são os casos de sucesso, mas nãoconseguiram sozinhos, ou tiveram ajuda dos padres ou dalgum Político, poucos foramos que conseguiram entrar na universidade. O intermediário dos capuchinhos foi no inicio da década de 60 a 70, poucodepois as próprias emigrantes começaram elas mesmas a mandar chamar os seusfamiliares. 19 Elaborado pelos alunos do curso de filosofia: Arlindo Rocha; Hélida Lopes; Roberto Andrade; Zenaida Cruz
  19. 19. Emigração cabo-verdiana para a ItáliaEntrevista com uma emigrante Emigrar para a Itália não foi uma decisão pessoal, mas por uma influência deuma amiga, que lhe arranjou um lugar onde podia trabalhar em Itália . Nessa altura já tinha passaporte português, por isso era só comprar as passagense viajar logo. Foi duro durante os primeiros tempos, porque no princípio, tomava conta dealguns meninos, e isso não lhe permitia estudar. Também porque sofria por ter deixadoa sua terra. Era muito discriminada por ser doméstica. No entanto, não deixou Cabo Verde por falta de trabalho, porque antestrabalhava em São Vicente. Em Itália, estudou na escola salesiana de Roma, teve muita ajudaprincipalmente em livros para estudar. Terminou o liceu na Itália na escola SantoAntónio dos português em Roma. Depois ingressou na universidade com o apoio deuma família socialista. Fez depois uma segunda viajem para Itália para trabalhar com a famíliasocialista. Depois teve de ficar na companhia de uma velhinha, quando já estava nauniversidade. Não foi fácil, no princípio estudava numa universidade estatal onde pretendiafazer a faculdade de línguas, porque foi submetida a um teste de ingresso e foiaprovada. Mas não foi possível entrar nessa universidade estatal devido a uma grandedemora no despacho do seu certificado do décimo segundo Ano. Assim, ingressou nauniversidade privada com propinas elevadas que eram de 50000$00 escudos trimestrais.Não teve bolsa de estudo e por isso teve que trabalhar e estudar ao mesmo tempo,cuidando de um filho de um piloto. Além disso, ela apoiava também no ensino da línguaitaliana juntamente com os professores e conseguia com isso alguma remuneraçãodurante o primeiro e o segundo ano. Mas, depois tudo começou a complicar porque otrabalho já estava escasseando. Mas graças a ajuda da velhinha e de algumas pessoas dacomunidade como o Cônscio de Cabo Verde onde apoiava os filhos nos estudos emtroca de casa e comida para poder estudar. Dessa experiência, teve como vantagens: estudar, adquirir um diploma parapoder trabalhar em Cabo Verde, graças a emigração conseguiu resolver, pessoalmente, 20 Elaborado pelos alunos do curso de filosofia: Arlindo Rocha; Hélida Lopes; Roberto Andrade; Zenaida Cruz
  20. 20. Emigração cabo-verdiana para a Itáliaproblemas da pobreza, etc. Como desvantagem, é o facto de não conseguir ter filhosdurante a emigração devido a enumeras dificuldades.Segundo ela em Itália aos emigrantes cabo-verdianos têem apoio de:  Caritas que ajuda na assistência social  Associação dos cabo-verdianos em Itália  Associação das mulheres que difundem a cultura cabo-verdiana  Consulado  Rádio comunidade  O próprio estado italiano que apoia as organizações. 21 Elaborado pelos alunos do curso de filosofia: Arlindo Rocha; Hélida Lopes; Roberto Andrade; Zenaida Cruz
  21. 21. Emigração cabo-verdiana para a ItáliaCONCLUSÃO A emigração surgiu como uma estratégia marcadamente económica no seio dasociedade cabo-verdiana, pensamos ser parte da essência da identidade cabo-verdiana,ou se preferirem, da cabo-verdianidade. No entanto, aquela que foi outrora umaestratégia de sobrevivência tornou-se actualmente uma estratégia de multi-dependência(s), ou seja, provocou no país uma dependência cada vez maior dasremessas, nos seus emigrantes. A Nação Cabo-verdiana encontra-se espalhada pelo mundo. Esta estruturageográfica nos leva a afirmar que Cabo Verde é “um arquipélago mundial” e NaçãoMultipolar, desempenhando, a emigração, um papel fundamental nos problemas daidentidade. A emigração para a Itália iniciou-se primeiramente em São Nicolau e Sal, com oobjectivo de melhorar as suas condições de vida. A migração de cabo-verdianas para Itália emergiu três décadas mais cedo, possuium conjunto de características que a distingue de outros fluxos migratórios nas últimasdécadas e individualiza este movimento no seio das migrações cabo-verdianas globais:trata-se de uma migração que é, desde o início maioritariamente feminina, o quecontraria as tradicionais lógicas da emigração em geral e da emigração cabo-verdianaem particular. As mulheres cabo-verdianas migraram para Itália através de duas cadeiasmigratórias paralelas, que se tornaria numa única cadeia migratória. As mulheres cabo-verdianas em Itália são na maioria solteiras, sendo que, deentre as casadas é grande o número das que casaram com italianos. Também no casodos homens é maior o número de solteiros, sendo o casamento com mulheres italianaseram menos frequentes. Nem todas as emigrantes cabo-verdianas conseguiam singrar no ensino, epoucos conseguiram obter um diploma universitário, as que conseguiram tiveram apoiode algumas famílias socialistas, da igreja e de alguns políticos. Em termos sociais, culturais e económicos, a comunidade emigrada em Itáliatêm assumido um papel de interesse relevante, tanto a nível do sustento das famílias,como também no próprio desenvolvimento económico do país. Uma vez que osrendimentos são muito superiores aos da população cabo-verdiana. O fenómeno 22 Elaborado pelos alunos do curso de filosofia: Arlindo Rocha; Hélida Lopes; Roberto Andrade; Zenaida Cruz
  22. 22. Emigração cabo-verdiana para a Itáliaemigratório constitui, pois, um factor de dinamização da vida social e promoção social eeconómica, além do acesso a melhores condições de vida, através de transferências,factor relevante na redução da pobreza, importante contributo na economia domésticae à constituição e crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Em termos de apoio social, Itália não lhes garantia nenhum tipo de apoio, noentanto, os que emigravam por intermediário da igreja tinham o apoio das instituiçõesligadas a igreja na Itália. Com a lei de 1990 que restringia a emigração e, com a mudança social, osemigrantes re-emigraram para outras paragens como Estados Unidos da América,Holanda, etc. Com o advento da emigração de muitas mulheres cabo-verdianas de SãoNicolau, fez com que houvesse uma mudança social, em que o homem vai assumir astarefas domésticas, que na altura era exclusivamente da mulher. Ao nosso ver, a emigração para Itália teve aspectos negativos e positivos: osnegativos são nomeadamente a dificuldade de inserção social, de estudar, de formarfamília na Itália, em São Nicolau diminuiu o número de mulheres em relação aoshomens existentes. Quanto aos aspectos positivos, podemos salientar a melhoria dascondições de vida, aumento do PIB, desenvolvimento urbanístico, acesso ao ensino paraas famílias cabo-verdianas. 23 Elaborado pelos alunos do curso de filosofia: Arlindo Rocha; Hélida Lopes; Roberto Andrade; Zenaida Cruz
  23. 23. Emigração cabo-verdiana para a ItáliaTERRA-LONGEAqui, perdido, distantedas realidades que apenas sonhei,cansado pela febre do mais além,suponhominha mãe a embalar-me,eu, pequenino, zangado pelo sonho que não vinha.“Ai, não montes tal cavalinho,tal cavalinho vai terra-longe,terra-longe tem gente-gentio,gente-gentio come gente”A doce toadameu sono caía de mansoda boca de minha mãe:“Cala, cala, meu menino,terra-longe tem gente gentiogente-gentio come gente”.Depois vieram os anos,e, com eles, tantas saudades!...Hoje, lá no fundo, gritam: vai!Mas a voz da minha mãe,a gemer de mansinhocantigas da minha infância,aconselha ao filho amado:“Terra-longe tem gente-gentio,gente-gentio come gente”.Terra-longe! terra-longe!...-Oh mãe que me embalaste-Oh meu querer bipartido! (PEDRO CORSINO AZEVEDO in Claridade, 1947). 24 Elaborado pelos alunos do curso de filosofia: Arlindo Rocha; Hélida Lopes; Roberto Andrade; Zenaida Cruz
  24. 24. Emigração cabo-verdiana para a ItáliaBIBLIOGRAFIA ANDRADE, Elisa. (2003). Diagnóstico do Movimento Associativo Cabo-verdiano na Diáspora para uma Estratégia de Intervenção do Instituto das Comunidades; Instituto das Comunidades: Praia. ARQUIVO HISTÓRICO NACIONAL (ANH) (1998) Descoberta das Ilhas de Cabo Verde, Editora ANH: Praia. GÓIS, Pedro. (2006) Emigração cabo-verdiana para (e na) Europa e sua inserção em mercados de trabalho locais: Lisboa, Milão, Roterdão. Editora Acime: Lisboa. MONTEIRO, César. (1997). Comunidade Imigrada Visão Sociológica o caso da Itália, Edição Do Autor. 25 Elaborado pelos alunos do curso de filosofia: Arlindo Rocha; Hélida Lopes; Roberto Andrade; Zenaida Cruz

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