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O presente artigo aborda como principal questão o movimento da ecopsicologia,atualmente em discussão, que tem como princip...
nova corrente dentro da Psicologia que passa a analisar o Homem como parte integrante eativa da Natureza.3. Os Três Elemen...
Ao contrário dos outros seres vivos, o Homem não tem natureza, ou melhor, anatureza humana é a história. Sabe-se que o Hom...
Apesar de alguns estudiosos manifestarem grande preocupação com o risco doesgotamento dos recursos naturais disponíveis no...
entre o ser humano e a natureza, fazendo um comparativo entre a subjugação das mulherespelos homens e a sua similaridade c...
CARAVANTES, Geraldo. Readministração: pensando recursos humanos. Rio de Janeiro,  Revista Decidir n.4, p. 32-34, set/1995....
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Ecopsi homem natureza

  1. 1. O REPENSAR DA RELAÇÃO HOMEM-NATUREZA, A PARTIR DA ECOPSICOLOGIA: UMA CONTRIBUIÇÃO PARA A ERGONOMIA Maria Cristina Rath Bonazina, mestranda Universidade Federal de Santa Catarina - Departamento de Engenharia de Produção e Sistemas Rua Jaime de Arruda Ramos - 997 - 88 056 730 Fpolis/SC e-mail: bonazina@matrix.com.br Karina De Déa Roglio, mestranda Universidade Federal de Santa Catarina - Departamento de Engenharia de Produção e Sistemas Rua Antônio Dib Mussi - 522/1102 - 88 015 110 Fpolis/SC e-mail: dea@mbox1.ufsc.br Karen Silvia S. S. Klöckner, mestranda Universidade Federal de Santa Catarina - Departamento de Engenharia de Produção e Sistemas Cx.Postal 476 - Cep: 88 010 970 - Florianópolis/SC Maria Alice Lagos Thé, doutoranda Universidade Federal de Santa Catarina - Departamento de Engenharia de Produção e Sistemas Cx.Postal 476 - Cep: 88 010 970 - Florianópolis/SC Francisco Fialho, Dr. Eng. Universidade Federal de Santa Catarina - Departamento de Engenharia de Produção e Sistemas Cx.Postal 476 - Cep: 88 010 970 - Florianópolis/SC e-mail: ffialho@matrix.com.brAbstractIn a fast changing world where technology advances, mass production and naturedestruction are part of men environment, it is urgently needed a meditation on the way weare and the way we do things. This article proposal is to search, based on a reflection onman nature relationship, since its beginnings, emphasizing its consequences in theindividual, society, and in its relations with the environment, for the meaning of the societywe are living in and the consequences of letting the blind evolution to guide our future. Thetheoretical basis of our research are supported in several knowledge areas, mainlyPsychology that, in the turning of the century, is being more and more used to help in re-thinking men in their holistic dimension. Echopsychology (Roszack et al, 1995) brings anew perspective on the analysis of the relation between man and his habitat. HumanSubjectivity, Social Relations and Environment are enrolled in a continuous interactionprocess that can only be split for pedagogical purposes. Adding the environment toErgonomics, as a living being and not only as dead scenario where the several actors ofthe “man work game” play their roles, promises to enrich the ergonomics approachturning its focus from an anthropocentric approach toward an biocentric one.Key Words: Man, Nature, Perception, Echopsychology.1. Introdução
  2. 2. O presente artigo aborda como principal questão o movimento da ecopsicologia,atualmente em discussão, que tem como principal propósito o resgate da natureza nasubjetividade humana. Para tanto apresenta, inicialmente, uma análise do movimento da ciência, desdeseus primórdios até a atualidade, haja visto que o movimento em questão surge dentro deuma ciência e sofre, assim, influências do modo de pensar do meio científico. Em segundo lugar, aborda os três elementos básicos da relação Homem - Natureza:Subjetividade Humana, Relações Sociais e o Meio Ambiente, tendo em vista que estarelação acompanha a humanidade desde sua existência, configurando-se de diversasmaneiras em períodos distintos, de acordo com as relações socio-econômicas estabelecidasentre os homens. Em terceiro lugar, apresenta os principais estudos desenvolvidos pelo movimentoda ecopsicologia, despertados pelas conseqüências danosas da postura do Homem frente aNatureza. Com isto, levantou-se algumas reflexões a respeito deste movimento,contextualizando-o no momento histórico em que a humanidade se encontra e apontandoas tendências para o futuro, que se configura como um momento de profunda transição devalores, atitudes e ações.2. Da Ciência Clássica ao Pensamento Holístico A origem do questionamento que se faz, hoje, sobre a postura do ser humano emrelação ao seu meio ambiente pode ser entendida a partir de uma análise docomportamento humano ao longo do seu desenvolvimento histórico. Os diferentes períodos da história da humanidade evidenciam uma clara mudançadesta postura. No início, o Homem posicionava-se como parte do sistema Natureza, numaposição submissa e de respeito aos fenômenos da mesma que eram cultuados por ele. Com o passar do tempo, o Homem passou a questionar alguns fatores que ocircundavam e desenvolver algumas “explicações” para os mesmos, dando início à “eracientífica”, onde torna-se clara a mudança para uma postura antropocêntrica e atéeconomicista-predatória, em que o ser humano coloca-se como o centro do Universo. É a partir desta nova postura assumida pelo Homem e da sensação de capacidade dedomínio e controle sobre o mundo que a Natureza perde sua harmonia, surgindo ameaças àsobrevivência da humanidade na Terra. Na base dessa transformação, encontram-se novos valores sociais quepreconizavam ser a busca da satisfação de interesses próprios o meio de se atingir o bemcomum, conforme nos aponta Adam Smith em sua célebre obra “ A Riqueza das Nações” [ Lux, 1993 ]. O Ser do homem, composto por sua subjetividade, seus valores pessoais, dilui-se apartir da introjeção de valores, normas e crenças propagadas pela ideologia dominante dogrupo do qual faz parte. Guattari [1993 ] afirma: “...a época contemporânea, exacerbando aprodução de bens materiais e imateriais em detrimento da consciência de Territóriosexistenciais individuais e de grupo, engendrou um imenso vazio na subjetividade que tendea se tornar cada vez mais absurda e sem recursos.” Diante dessa realidade, alguns cientistas (Prigogine, Capra...) começam aquestionar os pressupostos básicos da ciência clássica. Surge uma nova visão de mundonão mais mecânica, mas agora integradora, a visão holística, baseada no princípio de que otodo é maior que a soma das partes, já que estas se relacionam dinamicamente. E, baseadas nesta nova visão de mundo, surgem novas correntes nos diversoscampos das ciências existentes, dentre as quais cabe salientar a Ecopsicologia, como uma
  3. 3. nova corrente dentro da Psicologia que passa a analisar o Homem como parte integrante eativa da Natureza.3. Os Três Elementos Básicos da Relação Homem-Natureza: Subjetividade Humana,Relações Sociais e Meio Ambiente3.1 Subjetividade Humana Um dos principais aspectos relacionados ao modelo de desenvolvimento baseadono paradigma de mercado é a supremacia da racionalidade instrumental sobre aracionalidade substantiva e a conseqüente supressão do julgamento de valores baseado emuma consciência ética. O ser humano vive, hoje, em uma sociedade que concede espaço apenas aoexercício da racionalidade instrumental ou funcional, em que “ [...] não se apreciapropriamente a qualidade intrínseca das ações, mas o seu maior ou menor concurso, numasérie de outras, para atingir um fim preestabelecido, independente do conteúdo que possamter as ações” [Guerreiro Ramos, 1989]. Os resultados atuais do processo de modernização- a insegurança psicológica, a degradação da qualidade de vida, a poluição, o desperdício, aexaustão dos limitados recursos do planeta demonstram o caráter inconseqüente destaconcepção. Neste contexto, o modo capitalista de produção caracteriza-se não apenas pelodomínio absoluto das linhas de produção em série, mas pela “ [...] serialização dasubjetividade humana, que lamina os sistemas particulares de valor e coloca num mesmoplano de equivalência os bens materiais, os culturais e as áreas naturais” [Guattari,1993],modificando profundamente a relação dos homens entre si e com a Natureza. A ruptura da relação Homem-Natureza é, portanto, conseqüência direta desseprocesso de reificação, onde não se questionam os valores éticos das ações, e de umapostura antropocêntrica, em que o Homem se considera superior à Natureza e às demaisespécies, com o direito de fazer destas o que bem entender. É premente, portanto, a necessidade de se resgatar as dimensões humanashistoricamente ocultas pelo domínio da racionalidade instrumental, que em sua essênciadesconsidera o caráter subjetivo da psiqué humana. Trata-se de rever os valores impostos àconduta individual, analisar a finalidade do trabalho e das atividades humanas em funçãode critérios diferentes daqueles do rendimento, do lucro e do crescimento e recuperar arelação Homem-Natureza, desvinculando-a da necessidade de controle e dominação.Somente a partir daí será possível buscar o desenvolvimento de uma consciência ecológicae de um modelo de crescimento sustentável. Desta forma, a criação de uma consciência ecológica passa, necessariamente, porum questionamento dos atuais paradigmas e valores que delineiam nossas percepções ecomportamentos, em busca de uma ética da convicção, de uma ética ecológica, que permitao desenvolvimento sustentável da humanidade. “Nós humanos não estamos, de fato,separados ou somos superiores a natureza, e nem temos o domínio total de a explorarmosalém do que é necessário às nossas necessidades imediatas. Nós somos parte da natureza,estamos na Terra, não sobre ela. Somos como as células no corpo de um vasto organismovivo que é o Planeta Terra...” [Metzner, 1995].3.2 Relações Sociais
  4. 4. Ao contrário dos outros seres vivos, o Homem não tem natureza, ou melhor, anatureza humana é a história. Sabe-se que o Homem, ao nascer, apresenta grandedesvantagem em relação aos outros animais. Desprovido de características essenciais desua condição, só as desenvolve, hominizando-se, quando encontra circunstânciasfavoráveis de um meio sui generis. Esse meio é a sociedade. O Homem não se apresenta como um universo fechado em si mesmo, com essênciaque reúne suas qualidades e determina sua natureza, mas como universo com muitoscérebros, cujo equilíbrio e dinâmica configuram suas perspectivas intelectuais, afetivas ede ação [Mitroff, 1994]. As coisas materiais e funcionais não são indiferentes à sociedade; ao contrário, asociedade não tem substância própria, precisa dos indivíduos para ser o que é, e estes,precisam da sociedade para existir. A realidade do mundo social não transcende asubjetividade humana; sua objetividade exige a participação pessoal para tomar corpo eessência. Muito mais que a experiência, a vida em sociedade é a superação de vivências,visando explicar e constituir uma objetividade. Em nenhum nível é possível separar oobjeto do sujeito, neste caso, separar o indivíduo da sociedade [Merani, 1977]. Para Sewall [1995], “o foco de nossa atenção interna e externa é influenciada ecriada por uma realidade subjetiva da percepção de vários objetos, relacionados ediferenciados uns dos outros. Neste contexto o papel da consciência e da conduta é noscolocar numa situação de perpetuação da nossa crise ecológica”. Segundo Caravantes [1996], “A civilização trouxe consigo um tipo de escassez -esta sim, vinculada à satisfação de necessidades criadas pelo próprio Homem. Noselvagem, no primitivo, não há estoque, não há acumulação. O estoque de bens é a própriaNatureza e a todos pertence, que dela se utilizam com parcimônia. O dito civilizado, aocontrário, acumula, e daí faz um meio de vida; tira partido da escassez”. Neste contexto, a Ecologia social deverá trabalhar na reconstrução das relaçõeshumanas em todos os níveis do socius. Não apenas junto a vida social, econômica ecultural, mas também nos espaços subjetivos mais inconscientes, visto que a ideologiareinante está imbuída em nossa própria existência individual e coletiva [Guattari, 1993].3.3 Meio Ambiente As mudanças que ocorrem, hoje, em um ritmo cada vez mais acelerado, provocamo desenvolvimento de inovações tecnológicas que apresentam conseqüências não só sobrea natureza do trabalho, mas exercem impacto sobre a base de recursos naturais dacivilização ao longo de todo ciclo de exploração e extração de matérias-primas, suatransformação em produtos, consumo de energia, geração de resíduos, uso e eliminaçãodos produtos pelos consumidores. Tais impactos podem ser positivos, melhorando aqualidade de um recurso ou ampliando seus usos ou podem ser negativos, devido àpoluição causada pelo processo e pelo produto, ou ainda ao esgotamento ou deterioraçãodos recursos. Durante determinado período, considerou-se o saldo entre estes impactos comopositivo para a humanidade, porém, de algumas décadas para cá, o mesmo está sendoconsiderado negativo, já que seus reflexos têm ameaçado a sua própria sobrevivência. Neste sentido, coloca Guattari [1993] que: “ No momento se vive no Planeta Terra,um período de intensas transformações técnico científicas, em contrapartida das quaisengendram-se fenômenos de desequilíbrios ecológicos que, se não forem remediados, nolimite, ameaçam a continuidade da vida em sua superfície devido a uma progressivadeterioração do Planeta”.
  5. 5. Apesar de alguns estudiosos manifestarem grande preocupação com o risco doesgotamento dos recursos naturais disponíveis no planeta, os homens em geral, encontram-se inseridos em uma sociedade tecnológica de tal forma que não percebem os impactos datecnologia na realidade social e ambiental, tendo-se como exemplos a contaminação porradioatividade, epidemias de câncer, falhas na camada de ozônio, extinções culturais ebiológicas [Kanner, 1996]. Essa realidade nos coloca diante de uma era caracterizada por uma nova revoluçãoindustrial. As organizações, à luz de pressupostos sistêmicos, deverão aliar agora recursosnaturais, gerenciamento ambiental, produção, mercado, qualidade de vida edesenvolvimento sustentável como desafios para o século XXI, com prudência diante deuma economia altamente globalizada. Os problemas e crises sócio-ambientais, culturais, político-institucionais eeconômicos que a sociedade têm experimentado nesse final de século e num mundo cadavez mais globalizado, sugere que saiamos do nível de tratamento corretivo, remedial eimediatista dessas questões no sentido de prevenção. Porquanto, a ecologia deixou de sermodismo e se inscreveu como fundamental para os destinos da vida em âmbito planetário epara a concepção de uma nova era baseada numa bio-estética e no respeito ao tempo deauto-organização dos diversos sistemas. Entretanto, essa transformação só ocorrerá a partir de uma consciência ecológica,cuja preocupação básica será reduzir o consumo, distribuir mais eqüitativamente, reutilizare reciclar os recursos do planeta, isto é, deverá contemplar aspectos não só da esferaeconômica, mas também da justiça social e do próprio meio ambiente.4. Movimento da Ecopsicologia A Ecopsicologia surge como um ramo da Ciência que parte de uma análise dasubjetividade humana, das relações que caracterizam o convívio social e das relações dohomem com o meio ambiente, para a construção de uma “nova psicologia do meioambiente, que nos ajude a entender o que devemos fazer e continuar fazendo, individual ecoletivamente, de forma que possamos mudar nossa conduta, local e global, parasalvarmos a vida do planeta” [Mack,1995]. Dentro desta nova concepção da psicologia, já existem alguns estudos que estãosendo desenvolvidos, dentre os quais podemos citar o trabalho de Laura Sewall [1995],“The Skill of Ecological Percepcion”, no qual ela aponta a nossa “miopia coletiva” comoa maior causa da atual crise ambiental. Essa miopia consiste na falta de percepção dosdanos que, em nome do desenvolvimento, causamos continuamente à Natureza. Ralf Metzner [1995], em seu trabalho intitulado “The Psychopatology of thehuman-nature relationship” desenvolve “metáforas diagnósticas” a partir das categoriaspsicológicas [vício, dissociação, autismo, amnésia] para explicar a alienação entre aespécie humana e a natureza. Seu objetivo maior é discernir a natureza do distúrbiopsicológico que o Homo Sapiens tem em seu poder, para que possamos aplicar técnicaspsicoterapêuticas e tratamento de melhoramento das atuais ecocatástrofes. Nesta mesma linha de estudo, Chellis Glendinning [1995] busca a aplicação dosconceitos de trauma e vício às crises ecológicas. Sua análise parte de um questionamentoacerca do lugar que a tecnologia ocupa, atualmente, em nossas vidas. Acerca do domínioque a tecnologia possui, hoje, sobre todos os aspectos da vida humana, ela coloca que “atotal imersão, a perda de perspectiva, a perda de controle nos dá um aviso da ligação entreo processo psicológico de vício e do sistema tecnológico.” Outro trabalho desenvolvido pelas eco-psicólogas Mary E. Gomes e Allen D.kanner [1995], “The Rape Of the Well-Maidens”, questiona as relações de dependência
  6. 6. entre o ser humano e a natureza, fazendo um comparativo entre a subjugação das mulherespelos homens e a sua similaridade com a sujeição da Terra pelo ser humano.5. Considerações Finais A necessidade de compreender o ser humano em sua totalidade e de resgatar arelação Homem-Natureza sob a luz da Psicologia, que serve de arcabouço para oentendimento e aprofundamento desta relação, requer uma análise holística dasubjetividade humana, das relações que caracterizam o convívio social e das relações doHomem com a Natureza. Abre-se, assim, um espaço mais complexo que parte da essência da Psicologia epassa a ser repensado à partir da necessidade de desenvolvimento de uma nova abordagem.Esta, independente de uma denominação específica - Ecopsicologia, Nova Psicologia,Psicologia do Meio Ambiente, Psicologia Relacional da Terra..., deverá buscar,essencialmente, restabelecer a relação do indivíduo com a Natureza. Num primeiro momento, é preciso repensar a nossa visão de mundo. O ser humanoé um símbolo, constituído por um conjunto de signos, imagens, metáforas e mitos que lheconferem uma significação de mundo particular. Como conseqüência, o foco de nossaatenção é guiado por uma percepção subjetiva da realidade, em função da qual se defineuma conduta baseada no que se vê. Se não houver um direcionamento desta percepçãopara a relação Homem-Natureza, através de novos hábitos e novas maneiras de ver eadmirar a beleza da Natureza, a sua destruição completa acontecerá sem que muitos apercebam como uma conseqüência de um processo evolutivo no qual todos tiveramparticipação. Encontra-se, aqui, o principal “papel” a ser desempenhado pela Psicologia que,como já afirmado, deverá deter seu foco no despertar da consciência do homem para a suaresponsabilidade sobre uma realidade criada por ele próprio. John E. Mack [1995] afirma que “nós precisamos explorar nosso relacionamentocom a Terra e entender como e porque nós criamos instituições para destruí-la. UmaPsicologia Relacional da Terra seria mais ampla do que a Freudiana, incluindo nossorelacionamento com as pessoas e outras criaturas do planeta Terra mesmo como umaentidade viva.” Trata-se, assim, de resgatar o ser humano na sua sensibilidade, reprimida pelopróprio uso da razão e de submissão aos valores da sociedade, que lhe rouba os elementosessenciais de sua estrutura enquanto indivíduo, despersonificando-o. Todos nós somosreprimidos, de alguma forma, pelo sistema social vigente. Até a Natureza é dominada poressa teórica “lei do mais forte”, ficando a mercê do homem. Por outro lado, esse novo enfoque da Psicologia não pressupõe a ruptura doprocesso de desenvolvimento tecnológico, mas a busca de um crescimento sustentável,capaz de resgatar o indivíduo como um todo, despertando uma nova postura a partir dapercepção e do julgamento baseados em uma consciência ética. A Ecopsicologia, interagindo com as demais ciências, terá como objetivo estimulara educação permanente, a busca do processo de auto-conhecimento, e a contribuiçãofundamental para uma verdadeira comunidade, onde as pessoas se energizam pelaeducação voltada a perceber o indivíduo como parte da Natureza que a contém, de acordocom a concepção holística de cosmos.6. Referências Bibliográficas
  7. 7. CARAVANTES, Geraldo. Readministração: pensando recursos humanos. Rio de Janeiro, Revista Decidir n.4, p. 32-34, set/1995.CHELLIS, Glendinning. Technology, Trauma and The Wild, In: ROSZAK, Theodore et al. Ecopsychology: restoring the earth, healing the mind. São Francisco, Sierra Club Books, 1995.DELAZARO, W. e BARBIERI, J.C. Geração de Empregos e Preservação do Meio Ambiente: o grande desafio. São Paulo: ERA, v.34, n. 6, p. 73-79, nov/dez 1994.GUATTARI, Félix. As Três Ecologias. Campinas, Papirus, 1993.KANNER, Allen D. et al. The Rape of the Well-Maidens: feminist psychology and the environmental crisis. In: ROSZAK, Theodore et al. Ecopsychology: restoring the earth, healing the mind. São Francisco, Sierra Club Books, 1995.LUX, K. O Erro de Adam Smith. São Paulo, Nobel, 1993.MACK, John E. The Political of Species Arrogance. In: ROSZAK, Theodore et al. Ecopsychology: restoring the earth, healing the mind. São Francisco, Sierra Club Books, 1995.MERANI, Alberto L. Psicologia e Alienação. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1977.METZNER, Ralph. The Psychopathology of the Human-Nature Relationship. In: ROSZAK, Theodore et al. Ecopsychology: restoring the earth, healing the mind. São Francisco, Sierra Club Books, 1995.MITROFF, Ian I et al. Framebreak - The radical redesign of American Business. São Francisco, Jossey-Bass, 1994.RAMOS, Alberto G. A nova Ciência das Organizações: uma reconceituação da Riqueza das Nações, Rio de Janeiro, FGV, 1989.SEWALL, Laura. The Skill of Ecological Perception. In: ROSZAK, Theodore et al. Ecopsychology: restoring the earth, healing the mind. São Francisco, Sierra Club Books, 1995.WOOD, T. Jr. Mudança Organizacional e Transformação da Função Recursos Humanos. XVIII ENANPAD - Recursos Humanos, 1994.

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