Successfully reported this slideshow.
We use your LinkedIn profile and activity data to personalize ads and to show you more relevant ads. You can change your ad preferences anytime.

Nightfall wishes natasha

O conto surgiu a partir da inspiração em nossos ex-alunos Natasha Hernandez Almeida – Felipe Sousa – Camila Santos e outros.
Neste conto você constrói o desfecho da história e confere com o final do autor.
Até hoje recebo recados de pessoas que querem conhecer a misteriosa Natasha...

  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

Nightfall wishes natasha

  1. 1. ALLENCAR RODRIGUEZ3ª. EdiçãoSão PauloEcel Editora Educação e Letras2006TE CONTO NO ÔNIBUSSEGREDOS: A DO HOMEMALMA
  2. 2. Ficha CatalográficaRodriguez, AllencarTe conto no ônibus: segredos a alma/arma do homemAllencar Rodriguez : São Paulo, ECEL, 1ª. Edição,200678p.ISBN 85-906554-1-5ISBN 978-85-906554-1-1I – Ficção II – literatura brasileira
  3. 3. ALLENCAR RODRIGUEZSão Paulo2006www.katcavernum.com.brTE CONTO NO ÔNIBUSSEGREDOS: A DO HOMEMALMA
  4. 4. Copyright © 2004 Allencar RodriguezFUNDAÇÃO BIBLIOTECA NACIONALMINISTÉRIO DA CULTURAREGISTRO NÚMERO: 334.890Coordenação editorial: Paula BarbozaCapa: Terminal Rodoviário TieteFoto : Allencar RodriguezArte: Leopoldo PavanRevisão: Sueli SanchezTodos os direitos reservadosECEL – Editora Ceacamp Educação e Letras2011Impresso no Brasil
  5. 5. ÍNDICE:I – O MITO 01II – O PESO DA CRUZ 06III – A VIAGEM 11IV – TENTAÇÕES DO TÚMULO 18V – NATASHA 27VII – RIO DO PEIXE 42VIII – AVESTRUIZ 49IX – TÃO PRÓXIMO... E TÃO DISTANTE 52X – ENCRUZILHADA DA COR 57XI – CUMPLICIDADE 63NATASHA: conto do livro “Te conto no ônibus”.Livro selecionado no concurso literário “CASADAS AMÉRICAS” (CUBA-2006). Livroclassificado entre os 50 dos 533 inscritos no“PRÊMIO PORTUGAL TELECON” (PORTUGAL-2007). “NATASHA”, conto selecionado noconcurso literário da UFSJ (UniversidadeFederal de São João Del Rei-2008).
  6. 6. NATASHAVindo de trás, quem contorna a belíssima catedral doCarmo, de estilo gótico, pela frente, no seu lado esquerdo, eatravessa o jardim em frente pelo lado direito em direção aoCafé da Fazenda que fica na próxima esquina, vai notar quedo lado oposto a cafeteria, o dono, de uma loja de cosméticostinha bom gosto.Era um sobrado bonito com características da década detrinta. A delicadeza das cores roxo, lilás e rosa, além daexuberante apresentação de suas vitrines com blindex verdebem clarinho e o fantasioso nome: odores da alma,impresso numa multicolorida e iluminada placa que ornava aparte superior em frente da loja onde arandelas azuis cor docéu balançavam penduradas ao vento apresentava comocartão de visita que a loja tinha uma dona e não um dono.Natasha.Escultural morena, cabelos longos, lisos e quentes. Belos esuculentos quadris. Altura de fada e olhar furtivo de fuinha.Culta, graduada em farmácia, escritora – escreveu dois livrosde poesia e um de contos -, discretíssima, introvertida,misteriosa e gentil.Seus tributos personificavam nos homens a ganância daconquista, a obsessão carnal, a fome e a sede do cérebropeniano da exacerbação masculina. No bar ou restaurantejunto com amigas na menor tentativa de uma cantada diziaum sonoro e agressivo, “obrigada”, “não quero”, “nãoposso”, “não insista”. E por um descuido da natureza que
  7. 7. 08 ALLENCAR RODRIGUEZas ciências humanas e biológicas ainda não conseguiramdesvendar, quanto mais arredia era ela, mais a burricemachista se materializava em curiosidade, paixão e presentes.Sua clientela era grande e eclética, fiel e crescente. Juntoàs grandes marcas do setor de cosméticos fixava seu brilhoem marca própria, descoberta e registrada ainda nagraduação quando em que numa viagem para Campos doJordão, o cheiro da serra e um namoradinho passageiroderam inspiração ao nome: sabores do corpo.Treze funcionários cuidavam do bom andamento doatendimento, apresentação, reposição, promoção, vendas erecebimentos. Natasha administrava e conduzia com punhofirme, típico de grandes empreendedores, a oficina dearomas, como ela chamava seu cantinho sagrado de trabalho.Em outra parte da cidade, um pequeno laboratório sob suaresponsabilidade técnica produzia os cosméticos com a suamarca. Xampus, sabonetes e perfumes formavam a base desua produção.Natasha morava numa grande casa sobradada de esquinaque ostentava colunas gregas na entrada e nas laterais. Umenorme jardim contornava uma das faces do sobrado. Dooutro lado, uma piscina, uma churrasqueira e um pequenocampo de vôlei mostravam o quanto alegre era a casa emdias de folga. Tudo foi conquistado em apenas dois anosquando se mudou para a cidade vinda de outro estadotrazendo a tira colo um, assim como ela apresentava, discretoar de solitária.
  8. 8. Natasha 09- Não dá para entender Marina. Uma mulher tão bonita,inteligente, rica e sozinha.- Pois é. Ela é uma graça. Conversa de tudo. Sabe de tudo.Economia, moda, agronegócios... fundos de investimentos...só não fala de sua vida.- Há doze meses você trabalha com ela. Nunca ninguémdescobriu nada?- Um comentário existe.- Qual é? Me conta.- Dizem... dizem... Não sei se é verdade. Um dia ela pegouseu namorado... marido... sei lá, isso ninguém sabe, comoutra na cama. Ela terminou tudo e o cara se matou.- Ô loco! Verdade?- Não sei.Assim como seus tributos enervavam os caninoscomentários masculinos, as felinas fofocas femininasaumentavam o mito da mulher irresistível.Muitos de seus fregueses eram homens que tentavam seaproximar da fartura de mulher esculpida ou talhada porMichelangelos vindos de galáxias próximas dos campos dossonhos. Ricardo era um deles. Seu interesse surgiu um diaque por um lapso do descuido e da burrice, ao olhar umagarota que caminhava do lado oposto que ele, fincou a cabeçanum postinho de transito, escorregou e pateticamente caiuaos pés de Natasha que contornava a esquina da cafeteria,um pouco distraída.
  9. 9. 10 ALLENCAR RODRIGUEZ- Cuidado moço!- Desculpe. Eu estava distraído.- Sei! Eu posso imaginar qual foi sua distração.- Essa doeu – disse Ricardo se levantando meio sem jeito.- Nossa!- O que foi?- Está sangrando. Você teve um corte na testa. Venhacomigo.Na loja de cosméticos, Natasha com seu estojo deprimeiros socorros que mantém para alguma eventualidadefez um curativo no rapaz que ao deixar o local se derreteu emdesculpas pelo trabalho dado e agradecimentos esperandoagora fincar a cabeça num poste de luz.Amigo de duas funcionárias da loja começou aproveitar adeixa para se aproximar de Natasha as sextas feiras nashappy hours nos bares da região e no Café da Fazenda. Muitoextrovertido e galanteador, falava pelos cotovelos suasaventuras e anseios que deixavam implícitos a burriceadolescente carregado por um moleque de trinta anos. Nãoteve nenhum sucesso e nenhuma chance. Pior, seu amigoNewton parece ter atraído como um imã alguns olharestímidos e sorrisos na mesma amplitude de Natasha.Ao menos foi isso que todos notaram numa sexta apósduro dia de trabalho no Café da Fazenda e que se comprovoulogo na manhã de segunda.
  10. 10. Natasha 11- Lucínha! Foi legal sexta à noite lá no Café, não foi?- Verdade. Foi divertido. Eu a Rita e a Márcia comentamosisso pelo facebook no final de semana.- O que mais vocês comentaram?- Umas coisinhas.- Sei... sei... E aquele cara hem?- O Ricardo...- Não, não. O burro não... Quero dizer... O outro.- Ah, o Newton. (risos)- Que riso é esse, mulher?- Desculpe.- Deixa pra lá. Aposto que vocês comentaram alguma coisa aesse respeito no facebook.- Comentamos. Parece que deu um feed-back.- Um feed-back!- Entre você e ele.- Não, não. Não deu nada. Bom! ... Vamos trabalhar.E Newton passou a ser um novo freguês e assíduo doodores da alma. A compra que poderia ser feita em um únicodia, levava cinco, seis ou mais. Num dia comprava umconjunto de xampus, no outro creme e no outro alguma coisaque havia esquecido no dia anterior. O fato da compra não seconcretizava com a intenção do rapaz. Ela nunca estava noatendimento quando lá ele estava e foi num outro happy hourque ele tentou uma aproximação.- É difícil ver você.- Estou sempre na loja.- Ah, é! Onde? Eu... eu... às vezes apareço por lá e não tevejo.
  11. 11. 12 ALLENCAR RODRIGUEZ- Sei – disse Natasha com um sorriso gelado.Por três horas a conversa rolou solta. O coquetel de chope,cerveja, vermute e outros embebedaram os sentimentos detodos que digeriam palavras e petiscos sem a complacênciada culpa da gula ou da timidez. Newton destilou docespalavras a Natasha que retribuía com enigmáticos sorrisos epalavras controladas por uma circunstância intra-pessoal.Ferido, Ricardo aproximou-se de Lucinha se escondendo nointerior de suas angústias, aflições e frustrações.Na passagem dos dias, casuais encontros entre Newton eNatasha aconteceram pela cidade e em um deles ele aconvidou para um cinema. Prontamente recusado com asfrases de sempre – não posso, não vai dar.- Você não quer. É isso.- Eu não disse isso.- É a mesma coisa.- Não é.- Vamos.- Não posso.Newton não se deu por vencido. Simulou um casualencontro na hora do almoço e sua intenção foi objetivada.- Não posso acreditar que estamos nesse restaurantealmoçando.- Já tentou dar um beliscão em você. – disse Natasha com umsorriso meigo e profundo.
  12. 12. Natasha 13- Não vai funcionar. Eu estou anestesiado. Não vou sentir.Talvez eu de um tiro na cabeça.- Que horror!- Brincadeirinha.Instantaneamente Natasha vestiu uma máscara séria, friae perdida. Newton se lembrou da história contada pelasamigas. Estremeceu. Quis se desculpar de joelhos. Foiinteligentemente impedido de tal vexame por ela. Pediumilhões de desculpas e fez outros tantos de promessas.Tentando se por em equilíbrio, abaixou sua cabeça e mostrousua face frágil numa lágrima solitária rolando sobre eladeixando transparecer sua ternura e sensibilidade.- Natasha. Eu... Eu... Alguma coisa muito estranha estáacontecendo comigo.- Estranha?- Acho que é paixão.- E isso é estranho?- Acho... Acho não... Tenho certeza... Estou apaixonado porvocê.Difícil descrever como foi o almoço dentro daquelascircunstâncias. Os dias se passaram rápidos como há de serquando se atingi certa idade de responsabilidades, direitos edeveres. Muitos telefonemas, muitos bilhetes e esperançasem nome de Newton. Chateado, tentou minimizar o estragosentimental de sua brincadeira com flores e chocolates.Demorou três happy hours para que, sem ser chamado,Newton se juntasse ao grupo novamente. Natasha, nosegundo happy hour, flechou Newton com alguns brevesolhares perdoáveis e chamativos. Com tímido entusiasmoencorajado pelo medo, num primeiro instante Newton era
  13. 13. 14 ALLENCAR RODRIGUEZtodo ouvido, e com raríssimas palavras procurava lançarsobre Natasha sorrisos tímidos, doces olhares e alguns levestoques, nas mãos sedosas e perfumadas.- Estou perdoado?- Seu bobo.- Diga que sim. Por favor.- Simmm.Ninguém pode imaginar o fascínio, a alegria, a surpresa, aansiedade, a bobeira que tomou conta das entranhasprofundas de Newton explícitos num largo sorriso e olhar.- Natasha. Vamos sair amanhã à noite?Mergulhado num profundo pensamento, Natasha pareciadelirar em instâncias inter-dimensões ou inter-surreais.Suportando seu rosto em uma das mãos tendo o cotoveloapoiado sobre a mesa, seu olhar se perdia entre os olhos deNewton e do movimento panorâmico do Café da Fazenda.- Aonde nós vamos?Finalmente, depois de meses, Newton respirou comsuavidade o ar da conquista que seria registrado eternamentena efeméride de sua mente.No sábado à noite, a pizza assada no forno à lenha era osabor divino dos deuses das cozinhas italianas. O vinho tintoanestesiava a alma e a razão prolongando sabores maculandopedaços de prazeres com a cor púrpura do Cairo.
  14. 14. Natasha 15Palavras macias navegavam nos odores ondulados daatmosfera cheirosa. Luzes e cores em nuanças incertascopiavam silhuetas de amantes nascentes.A luz verde de néon marcava quase meia noite nocanteiro central da avenida que margeia a cada de Natasha.- Não entendo porque você quis vir embora. À noite nemcomeçou – disse Newton.- Desculpe-me. Mas eu preciso dormir. Adorei sua companhia,a pizza, tudo estava tão...- Natasha, você precisa se soltar, esquecer o passado, viver aplenitude da alma e do corpo, você é jovem. – disse Newtontentando beijá-la.- Não, não. Newton eu não posso. Eu não pos - so. Escuta!Eu preciso entrar. Outro dia a gente conversa.- Mas porque não hoje. Deixe me entrar em sua casa e nósconversaremos.- Não posso. Por favor, não insista.- Você está apaixonada por outra pessoa.- Não é isso...- O que é então? Eu não entendo.- Quero você Newton. Mas isso não é possível. Não quero meenvolver. – disse Natasha passando carinhosamente suasmãos na face do rapaz e depois virou-se e foi se afastando emdireção ao portão de entrada de sua casa.- Natasha. A gente tem que conversar. Por favor. Eu precisode você. – disse Newton deixando lágrimas emotivas escorrerde seus olhos. – Me diga qualquer coisa. Eu aceito tudo.
  15. 15. 16 ALLENCAR RODRIGUEZ- Me perdoe Newton. Eu... Sou homem.Newton esbugalhou os olhos como se uma flecha emchamas tivesse atravessado seu coração.- Não brinque com isso Natasha.- Não é brincadeira Newton. Eu estou apaixonada por você,mas, eu... sou... homem.- Eu não acredito.- Não?! Venha e toque em mim.Newton, espantado como um pássaro com as asasquebradas e encurralado num canto cercado por gatosaproximou-se de Natasha e colocou as mãos entre as pernasda moça sobre o jeans apertado. Apalpou e apalpou.- Não senti nada.Natasha então, delicadamente desabotoou seu cinto, etambém o botão de sua calça. Depois abriu o zíper da calça eabaixou-a uns dois palmos abaixo da cintura.Newton olhou em direção a púbis da moça, depois tornouseus olhos para o lado da avenida virando-se. Passou a mãopelo rosto, pela cabeça e segundos depois se virou paraNatasha que já estava recomposta. Olhou profundamenteseus olhos, aproximou-se, colocou sua mão direita em seuombro esquerdo e disse:
  16. 16. Natasha 17PAUSA PARA REFLEXÃO:Meu caro leitor ou leitora. O que, numa situação dessas, Newtonpoderia dizer? O que você faria?Talvez,Desculpe Natasha, mas por mais que eu te ame, essa situaçãoeu não consigo agüentar. Adeus e vamos esquecer o queaconteceu. (Seria isso?) ou...Natasha, sua desgraçada, você me enganou. Vá para oinferno.Natasha: podemos então ser amigos?Natasha: eu não ligo. O importante é o amor.Natasha: Não acredito! Como você pode fazer isso comigo?!Estava apaixonado por você, mas não posso aceitar isso! AdeusNatasha.Natasha: Não tem problema, sempre quis experimentar algonovo.Natasha: Acho que ouvi minha mãe me chamando. Vou ver oque ela quer, a gente se vê por aí.Ô loco! Assim não da para brincar. O seu é maior que o meu!Bom meu caro leitor ou leitora: PENSE NUM FINAL PARA ANARRATIVA E DEPOIS continue sua leitura e veja o desfechodesse clímax formado a partir do enredo e da reflexão.
  17. 17. - Natasha! Você quer viver comigo?ALLENCARRODRIGUEZ
  18. 18. The author holds a BA in Letter (English and English Literature)from the Catholic University of Campinas and posting graduatingon MA in Applied Linguistic And Psychopedagogy PsicanalistInstitutional and Clinic in Education by UNESPHe has a large experience about cram schools (vestibulares)and he is engaged on studies of didactic books (English forsecondary students; writing and reading in Portuguese – in thearea of Applied Linguistic / Foreign Language Teaching andLearning and Linguistic / Acquisition Competence of Writing andReading.Moreover, he is engaged on gothic literature.(see: www.katcavernum.com.br) in the area of Literary Historyand Theory and his main work in this area is related to theuniverse of short stories.His short stories are a combination of gothic romance andhorror romance that incorporate the dark atmosphere ondescription and narrative from Middle Age. The obscure ofNature, mind, fear, mystery, imagination, darkness and deathare presented on our context as castles, roads and knights. Thestories bring fiction, romance, interest subjects and true reportsthrough a cultured vocabulary within three basic elements ofliterary gothic: terror: the physics mutilation and death; horror:the power of evil and the supernatural; and the mystery: thedisturbance of mind. Following the statements of Clara Reeve(1729 – 1807) disciple of Walpole – the supernatural arepresented on dreams, nightmares, the darkness of mind andmysteries dins as groan and murmur.

×