Redesesustentabilidade

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Apresentação super interessante sobre a temática sustentabilidade.

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Redesesustentabilidade

  1. 1. Uma observação desconcertante... Os departamentos de responsabilidade social das empresas estão tentando juntar ações setoriais que não têm muita relação entre si, como se combinando 800 miligramas de operação econômica, com 150 miligramas de preocupação ambiental e 50 miligramas de ação social, pudéssemos desencadear algum tipo de reação química capaz de catalisar um processo sustentável.
  2. 2. Por que?Porque, infelizmente, ao que tudo indica,fórmulas como essa não poderão produzir1 grama de sustentabilidade...
  3. 3. Os desafios da sustentabilidadeVamos ver aqui os principais desafioscolocados para as empresas quequiserem se manter na busca dasustentabilidade neste início do século 21a partir de uma única constatação básica:a de que tudo que é sustentável tem opadrão de rede.
  4. 4. Tudo que é sustentável...... Tem o padrão de rede!Todas as evidências disponíveiscorroboram essa afirmativa.Ecossistemas, organismos vivos e partesde organismos são os melhores exemplosde entidades sustentáveis.
  5. 5. E...Todos esses tipos de sistema têm opadrão de organização de rede:estruturam-se e funcionam como redes.Essa constatação nos leva a duasconclusões...
  6. 6. Primeira conclusãoAbandonar agora nossas velhas maneirasde tratar a questão, desvencilhando-nosdaquelas idéias e tentativas de formularteorias sobre a sustentabilidade que nãotenham como foco a organização, aestrutura e a dinâmica de rede.
  7. 7. O que não devemos fazer?10 idéias (ou crenças)e práticas (oucomportamentos)sobresustentabilidadeempresarial quedevemos abandonar.
  8. 8. Primeira idéia para jogar no lixoReduzir asustentabilidade àsua dimensãoambiental.Sustentabilidade nãoé propriedade doambientalismo
  9. 9. Segunda idéia para jogar no lixoDirigir todas asnossas preocupaçõescom asustentabilidade para“salvar o planeta”.É mais provável queo planeta se canse denos salvar...
  10. 10. Terceira idéia para jogar no lixoAvaliar que o queestá em risco éapenas a vida comorealidade biológica.A vida é um valorprincipal, mas não oúnico!
  11. 11. Quarta idéia para jogar no lixoEncarar asustentabilidadecomo resultado dasoma artificial deações setoriais(econômicas,ambientais e sociais)que têm comoobjetivo garantir quea empresa continuedando lucro.
  12. 12. Tríplice ResultadoQuando Elkington propôs, em 1998, oconceito de “Tríplice Resultado”, eleestava sugerindo que as empresasavaliassem o sucesso não só com baseno desempenho financeiro (lucro, retornosobre o investimento ― ROI ou valor paraos acionistas), mas também sob o pontode vista de seu impacto sobre a economiamais ampla, o meio ambiente e asociedade em que atuam.
  13. 13. Uma definição insustentável“Empresa sustentável é aquela que geralucro para os acionistas, ao mesmo tempoem que protege o meio ambiente emelhora a vida das pessoas com quemantém interações”.Andrew Savitz e Karl Weber (2006)
  14. 14. Uma definição sustentávelEmpresa insustentável é aquela em que oempresário (ou os acionistas e seusrepresentantes) age apenas visando olucro e seus empregados trabalhamapenas para receber um salário ou umavantagem material qualquer.
  15. 15. Quinta idéia para jogar no lixo Tomar a sustentabilidade como uma espécie de programa (ou conjunto de idéias) que possa ser aplicado independentemente de ação política.
  16. 16. Sexta idéia para jogar no lixoImaginar que asustentabilidade podeser obtida por meiodo exercíciotradicional daresponsabilidadesocial.Responsabilidadesocial como marketingnão adianta muito!
  17. 17. Sétima idéia para jogar no lixoPensar que asustentabilidade é umobjetivo a seralcançado no futuro.O modelo daempresa que“funciona bem” nãoserve!
  18. 18. Oitava idéia para jogar no lixo Definir sustentabilidade como durabilidade. Nada pode durar para sempre: sustentável é o que muda, não o que permanece como está!
  19. 19. Nona idéia para jogar no lixoTentar encontrar umafórmula ou umcaminho para que asustentabilidade sejaalcançada.Não existe umcaminho parasustentabilidade: elaé o caminho.
  20. 20. Décima idéia para jogar no lixoAcreditar que asustentabilidade seráalcançada sefizermos algumacoisa a mais semmudar realmentenosso modo de ser.Não é um know-how,não é um “saber-fazer”...
  21. 21. Segunda conclusãoSe tudo que é sustentável tem o padrão derede, então, temos que parar de ficarcontornando o problema e ir direto ao ponto.Vamos falar a verdade: nossas empresas nãoestão organizadas como redes. Elas não têmum funcionamento compatível com a estruturade rede. Logo... elas não são sustentáveis.Ponto.
  22. 22. O que devemos fazer?Não é viável desmontar os modelos degestão hierárquicos atuais ―predominantemente baseados emcomando e controle, mas que mal ou bemestão funcionando ― sem ter o quecolocar no lugar.
  23. 23. O que devemos fazer?A mudança para uma empresa-rede nãopoderá ser feita abruptamente ou de umavez.O que significa que um novo padrão (emrede) terá de surgir convivendo com ovelho padrão (hierárquico) e que,portanto, deverá haver uma transição.
  24. 24. A primeira coisa que devemos fazer...... para iniciar a transição da organização-mainframe para a organização-network:Em primeiro lugar, procurar saber o que éuma rede, como ela se organiza,estrutura-se e funciona e procurarconhecer as relações entre seufuncionamento (fenomenologia da rede) esua estrutura (topologia).
  25. 25. A segunda coisa que devemos fazer...... para iniciar a transição da organização-mainframe para a organização-network:Em segundo lugar, procurar saber o que éuma rede social (pois as empresas sãoorganizações sociais) e aprender a fazernetweaving em redes sociais, quer dizer,aprender como articular e animar essasredes.
  26. 26. A terceira coisa que devemos fazer...... para iniciar a transição da organização-mainframe para a organização-network:Em terceiro lugar, tentar, então, aplicaresses conhecimentos para iniciar atransição da empresa-pirâmide para aempresa-rede.
  27. 27. Netweaving Netweaving é: articulação e animação de redes sociais!• Mas o que são redes?• E o que são redes sociais?• Como as redes sociais se estruturam e funcionam?• E como articulá-las e animá-las?
  28. 28. O que são redes?Redes são sistemas de nodos e conexõesExistem muitos tipos de redes:• Redes biológicas (a teia da vida nos ecossistemas, as redes neurais)• Redes de máquinas• Redes sociais
  29. 29. Rede Neural
  30. 30. Rede Urbana
  31. 31. Rede de uma turma de escola
  32. 32. Rede Social
  33. 33. O que são redes sociais?Seres humanos vivendo em coletividadesestabelecem relações entre si.Tais relações podem ser vistas comoconexões, caminhos ou dutos pelos quaistrafegam mensagens.Os nodos são pessoas e as conexões sãorelações entre as pessoas.
  34. 34. Qualquer coletivo de três ou mais sereshumanos pode conformar uma redesocial, que nada mais é do que umconjunto de relações, conexões oucaminhos.Há rede quando são múltiplos oscaminhos entre dois nodos.
  35. 35. Redes distribuídasRedes propriamente ditas são apenas asredes distribuídasEm geral (> 90% dos casos)denominamos indevidamente de redeestruturas descentralizadas que tentamconectar horizontalmente organizaçõesverticais (hierárquicas)
  36. 36. Topologias de Rede Diagramas de Paul Baran
  37. 37. Colocando os“óculos de ver rede”As conexões existem em outro espaço-tempo: no espaço-tempo dos fluxos (quenão é visível para os olhos).É necessário colocar “os óculos de verrede”...
  38. 38. Fluxos luminosos
  39. 39. Os grafos sãomeras representações
  40. 40. Fenomenologia da redeA partir de certo número de conexões emrelação ao número de nodos começam aocorrer na rede fenômenossurpreendentes.Tais fenômenos não dependem doconteúdo das mensagens que trafegampor essas conexões.
  41. 41. Quanto mais distribuída (ou menos centralizada) for a topologia da rede, maiores são as chances de tais fenômenos ocorrerem:• Clustering (aglomeramento)• Swarming (enxameamento)• Crunch = Redução do tamanho (social) do mundo (amassamento)• Autoregulação sistêmica• Produção de ordem emergente bottom up (a partir da cooperação)
  42. 42. ClusteringA tendência que têm dois conhecidoscomuns a um terceiro de conhecer-seentre si.Tudo “clusteriza”: idéias (que “dão emcachos, como as uvas”), gruposcriativos, doenças...
  43. 43. Aglomeramento
  44. 44. Clusters centralizados e descentralizados
  45. 45. SwarmingDistintos grupos e tendências, nãocoordenados explicitamente entre si,vão aumentando o alcance e avirulências de suas ações...Exemplo: 11 a 13 de março de 2004na Espanha (papel do SMS = celular).
  46. 46. Insetos enxameando
  47. 47. Nuvem de insetos
  48. 48. Cupins enxameando
  49. 49. CrunchRedução do tamanho (social) do mundoSmall-World NetworksExperimento de Milgram-Travers (1967): 5,5graus de separação.Experimento de Duncan Watts et all. (2002): seisgraus de separação.
  50. 50. Rede “amassando”
  51. 51. Milgram: 160 pessoas que moravamem Omaha tentaram enviar cartaspara um corretor de valores quetrabalhava em Boston utilizandoapenas intermediários que seconhecessem pelo nome de batismo.Watts: 60 mil usuários de e-mailtentaram se comunicar com uma dedezoito pessoas-alvo em 13 países,encaminhando mensagens a alguémconhecido.
  52. 52. Autoregulação sistêmicaCapacidade de mudar o próprio programa deadaptação conservando seu padrão deorganização.Exemplos: organismos, partes deorganismos, ecossistemas, redes sociaiscom alto grau de distribuição.
  53. 53. EmergênciaProdução de ordem emergentebottom up (a partir da cooperação)Capital SocialJane Jacobs (1961)
  54. 54. A “rede-mãe”Diferença entre a rede que existe e asredes que articulamos voluntariamenteAs redes que articulamos são interfacespara “conversar” com a “rede-mãe”A “rede-mãe” é o ‘social’: uma rededistribuída nisi quatenos não está rodandoprogramas verticalizadores...
  55. 55. As redes sociais sempre existiramNão é agora que a sociedade está seconstituindo como uma sociedade-redeToda vez que sociedades humanasnão são invadidas por padrões deorganização hierárquicos oupiramidais e por modos de regulaçãoautocráticos, elas se estruturamcomo redes (distribuídas)
  56. 56. A Sociedade-RedeA convergência de fatores sociais,econômicos, culturais, políticos etecnológicos está possibilitando aconexão em tempo-real (= sem-distância)entre o local e o globalE está acelerando e potencializando osseus efeitos e tornando visível suafenomenologia!
  57. 57. Redes sociaisnão são redes digitaisNão são Bebo, hi5 e OrkutNão é Internet (interconected network)Não estão no mundo digitalComo o nome está dizendo: estão nasociedade...
  58. 58. Redes sociaisnão são “clubes de anjos”Não são associações de pessoascooperativasAs pessoas não tem que ficar “menoscompetitivas” para se conectar às redesÉ a dinâmica da rede (distribuída) queconverte competição em cooperação
  59. 59. Para fazer netweaving Condição 1 - Conectar pessoas (ou redes distribuídas de pessoas) e não instituições hierárquicas. Condição 2 - Conectar pessoas entre si e não apenas com um centro articulador.
  60. 60. As 4 tentações...1 – Fazer redes de instituições (em vez depessoas)2 – Fazer reunião para discutir e decidir oque os outros devem fazer (em vez defazer)3 – Tratar os outros como “massa” a sermobilizada (em vez de amigos a seremconquistados)4 – Monopolizar a liderança (em vez deestimular a multiliderança)
  61. 61. As redes não duram para sempreRedes voluntariamente articuladas são eventoslimitados no espaço e no tempoCada rede tem um tempo de vidaElas são móveis: se fazem e se refazemSomem e reaparecem, muitas vezes comooutras redes
  62. 62. As redes não crescem indefinidamenteAs redes são móveis: crescem até certoponto e depois param de crescerDepois de certo tempo, tendem a diminuirou até a desaparecerPor que elas deveriam crescerindefinidamente?
  63. 63. A rede não é um instrumentoA rede não é um instrumento para fazerqualquer coisaNem mesmo para fazer a mudança socialA rede já é a mudançaEssa mudança não é uma transformaçãodo que existe em uma coisa que nãoexiste e sim a liberdade para o que o quejá existe possa regular a si mesmo!
  64. 64. Uma rede só funciona quando existeQuando se configura segundo amorfologia de rede (distribuída) emanifesta a dinâmica de redeNenhuma tecnologia pode construir umarede (celular, Internet, blogs etc.) se aspessoas não constituírem umacomunidade
  65. 65. Uma rede começasempre com uma redeUma hierarquia não pode construir umaredeSe uma organização hierárquica quiserarticular uma rede, deve dar autonomia aum grupo inicial estruturado segundo umpadrão de rede
  66. 66. Animando a redeA rede é o ambiente. Seu papel éamplificar e processar em paralelomiríades de estímulos provenientesde seus nodos, transformá-los erecombiná-los em inúmerasvariações, reverberando, pulsando,para estabelecer uma regulaçãoemergente...
  67. 67. Animando a redeA – Ter sempre campanhas e metasB – Ter sempre devolução ou retornoC – Disponibilizar amplamente todas asinformaçõesD – Estimular sempre a conexão P2P
  68. 68. A rede “acontecendo”A animação é um esforço permanentemas sempre inicialE como empurrar um carro sem partidaA rede só vai “acontecer” se o carro“pegar no tranco”Só se as pessoas gerarem uma novaidentidade no mundo...Ou só se a rede conseguir “conversar”com a “rede-mãe”
  69. 69. Como aplicar tudo isso em uma empresa?Não é muito fácil... A empresa-pirâmide é quasemonárquica, regida por modos deregulação autocráticos, próprios dasestruturas verticais de poder baseadasem comando-execução, ordem,hierarquia, disciplina, obediência,vigilância e sanção.
  70. 70. É um salto no escuroA empresa-rede é regida por modos deregulação democráticos, maiscompatíveis com a estrutura de rededistribuída.Mas não existem muitos exemplosconcretos de empresa-rede...
  71. 71. Resistir às tentações...... de querer usar as redes para crescer,para aumentar a produtividade ou alucratividade.As redes só devem ser “usadas” para aempresa se desenvolver, quer dizer, paraaumentar as suas condições desustentabilidade.
  72. 72. Abandonar a ilusão...... de urdir um marketing de rede – comoo chamado marketing viral – parasuplantar os concorrentes comerciais.Não podemos conhecer de antemãocomo desencadear um processo decontaminação viral capaz de atingir umtipping point!
  73. 73. Começando a conversaAfastadas as tentações de usar a redeinstrumentalmente para crescer e bater aconcorrência ou para descobrir uma“fórmula” milagrosa de marketing capazde provocar uma explosão nas vendas,podemos começar a conversarseriamente.
  74. 74. Não será sustentável nenhuma empresa:• enquanto unidade administrativo- produtiva isolada;• exclusivamente por razões de mercado;• em que seus empregados trabalhem apenas em troca de salário ou de outras recompensas materiais;
  75. 75. Não será sustentável nenhuma empresa:• sem uma causa capaz de mobilizar seus stakeholders;• que não invista no capital social;• que não promova o desenvolvimento (humano, social e sustentável); e• que não tenha um padrão de rede.
  76. 76. Sintetizando...Como tudo que é sustentável tem opadrão de rede, o último requisito da listadeve sintetizar os anteriores.Portanto, é na transição para a empresa-rede que tais requisitos devem serabordados.
  77. 77. Um roteiro para a transição• 1 - Tomar a decisão de iniciar a transição.• 2 - Constituir um grupo inicial de voluntários (embrião da rede).• 3 - Formular o propósito (“finalidade inicial”).
  78. 78. Um roteiro para a transição• 4 - Dar autonomia ao embrião da rede para começar a articular e animar a rede (netweaving) com outros voluntários de dentro e de fora da organização atual (envolvendo a diversidade dos stakeholders).• 5 - Executar ações concretas de promoção do desenvolvimento como exercício de responsabilidade corporativa.
  79. 79. Um roteiro para a transição• 6 - Definir uma causa para a nova empresa (“finalidade final”).• 7 - Redefinir a identidade da empresa (incluindo branding-em-rede).• 8 - Começar a ensaiar novos modelos de gestão e de governança da empresa- rede.
  80. 80. E depois?Se quisermos ir direto ao ponto, não há oque fazer depois.Por quê?Porque, na verdade, não sabemos, e,provavelmente, nem possamos fazer maisnada, além disso.
  81. 81. O objetivo é a própria redeO objetivo não é usar a rede para obterum resultado esperado ou para atingir umfim planejado (que não seja a própriarede).
  82. 82. O objetivo é mudar o padrãoO objetivo é mudar o padrão deorganização: de hierarquia (redecentralizada ou descentralizada) pararede (distribuída).
  83. 83. O objetivo é a sustentabilidadeNão há mais nada o que fazer depois.Não há nenhum “depois”.Por que haveria?Você acha pouco se manter nocaminho da busca dasustentabilidade?
  84. 84. Muito obrigadoAugusto de Francowww.augustodefranco.com.brEscola-de-Redeswww.escoladeredes.org.brwww.redes.org.br

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