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© Tehnica Schweiz, Gergely László & Rákosi Péter, da série Identikit, 2007.                                               ...
02     Falso cobrador de facturas     Um agressor ainda não     identificado cobrou dinheiro     a várias famílias no dia 2...
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04ciclo Restos,rastos e traços:Práticas de documentação nacriação contemporâneaDa documentação de um processo de          ...
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06Ciclo Restos, rastos e traços. Práticas de documentação na criação contemporâneaAtelier Real, 26 de Setembro, 21H30 (Ent...
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12Ciclo Restos, rastos e traços. Práticas de documentação na criação contemporânea Identikit, 2007                        ...
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16       Dinheiro para troco       O quartel-general da polícia de       Dabas abriu um processo contra       um delinquen...
Atelier Real Set/Out 2009   17
18Ciclo Restos, rastos e traços. Práticas de documentação na criação contemporâneaPETER WATKINS                           ...
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20RESIDÊNCIASARTÍSTICASAs residências artísticas promo-               o artista no seu percurso profissio-    contactos com...
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  1. 1. © Tehnica Schweiz, Gergely László & Rákosi Péter, da série Identikit, 2007. Set/Out 2009 Atelier Real Set/Out 2009 www.atelier-real.org atelier real
  2. 2. 02 Falso cobrador de facturas Um agressor ainda não identificado cobrou dinheiro a várias famílias no dia 20 de Março de 2003, declarando ser um cobrador de facturas de electricidade, e que quem lhe pagasse pessoalmente teria um desconto de 20%. Segundo informações da polícia, o homem não identificado cometeu abusos semelhantes em mais duas outras cidades. Suspeita-se o jovem da fotografia de ter cometido a fraude. Tehnica Schweiz / Gergely László & Rákosi Péter, da série Identikit, 2007.
  3. 3. Atelier Real Set/Out 2009 03 Uma breve introdução ao Atelier Real O Atelier Real é uma iniciativa da deslocar o centro de gravidade da sobre a sociedade contemporânea e RE.AL, estrutura que está a tran- actividade da RE.AL, que se tem como objectos de mediação entre o sitar do modelo de companhia de centrado sobretudo na criação ar- público e o trabalho dos artistas. autor(es), que vigorou desde a sua tística e na difusão de obras, para o A programação do Atelier Real, fundação, para uma estrutura mais espaço ocupado pela "investigação até finais de 2010, foi desenhada a aberta, vocacionada para a progra- nas artes" [research in the arts] – ex- partir de dois eixos transversais: o mação de objectos experimentais e pressão de Henk Borgdorff que se primeiro consiste na programação de iniciativas ligadas à investigação refere a uma modalidade de investi- de um ciclo de 8 eventos em torno artística. gação que não assume separação entre do tema Restos, rastos e traços, que se Este movimento acontece por es- sujeito e objecto e que não quer saber de propõe reflectir sobre as práticas de tarmos convencidos que o modelo distâncias entre o investigador e a prá- documentação na criação contem- em que se coloca a figura do autor tica artística. Pelo contrário, a própria porânea. Concretamente, debruçar- no epicentro da actividade de uma prática artística constitui uma com- se-á sobre estratégias artísticas que estrutura, fazendo-a girar única e ponente essencial não só do processo de se desenvolvem tendo como pre- exclusivamente em torno das suas pesquisa mas também dos seus resulta- missa documentar (um)a realidade. necessidades, já não traduz a forma dos. Esta abordagem, finaliza o autor, O segundo consiste num programa como os artistas criam, se encon- baseia-se na compreensão de que nas de residências artísticas que culmi- tram e colaboram actualmente. So- artes não existe diferença fundamen- nam na apresentação dos materiais bretudo, não reflecte a forma como tal entre teoria e prática [1]. resultantes da investigação e das ex- se geram parcerias, cumplicidades Será esse o objectivo do Atelier perimentações realizadas, de forma e relações com outros artistas ou Real: colocar em perspectiva a ri- a dar a conhecer os questionamen- investigadores, e mesmo críticos, queza dos questionamentos que tos que atravessam um processo de espectadores ou programadores. As atravessam a criação contemporâ- pesquisa artística. artes e as políticas culturais sempre nea em geral, bem como gerar novas Entre os eventos do ciclo e os re- se desenvolveram tendo em consi- ideias, confrontos e diálogos entre sultados das residências teremos, deração a existência de um produto práticas e pensamentos, proporcio- no Atelier Real, a apresentação de acabado, a ser consumido mais tar- nando ao público a experiência de um projecto por mês. Esta rotina de ou mais cedo, por mais ou menos outros modos de percepção. parece-nos ser a condição neces- pessoas. É uma lógica legítima mas Esse é, aliás, um pensamento her- sária para estimular o encontro e o que desvirtua, a nosso ver, uma ou- deiro do trabalho de experimentação debate, objectivos últimos do nosso tra vertente fundamental da criação artística iniciado nos anos 1990 pela trabalho. artística: o trabalho continuado de RE.AL, com projectos pioneiros na reflexão e de experimentação, inde- área da transdisciplinaridade (dos David-Alexandre Guéniot pendentemente das pressões e dos quais se destacam o LAB/Projectos Direcção artística do Atelier Real interesses do mercado. em Movimento, entre 1993 e 2006) O facto de comemorarmos 20 e será a partir desse espírito que o João Fiadeiro anos de actividade em 2010 serve de Atelier Real se afirmará como espa- Direcção artística da RE.AL referência simbólica para nos repo- ço de trabalho e de fruição artística, sicionarmos, e a programação de- onde a programação não será mol- [1] Excertos do artigo de Henk Borgdorff, senvolvida através do Atelier Real, dada a partir de espectáculos mas The Debate on Research in the Arts, consul- que este primeiro número anuncia de propostas artísticas. Propostas tável em: http://www.ahk.nl/fileadmin/download/ahk/ e divulga, é um importante passo essas que serão consideradas simul- Lectoraten/Borgdorff_publicaties/The_deba- nessa direcção. Esperamos assim taneamente como meios de reflexão te_on_research_in_the_arts.pdf (03.09.2009).
  4. 4. 04ciclo Restos,rastos e traços:Práticas de documentação nacriação contemporâneaDa documentação de um processo de Interessa-nos assim promover de um mundo presente. O mesmo uma reflexão prática sobre as po- é dizer que a prática da documenta-criação à realização de trabalhos artísticos tencialidades artísticas do resto tal ção na criação contemporânea podeque usam protocolos de arquivamento como existe, por exemplo, ao nível também ser vista como motivo epara se constituir em realidade ficcional, do cinema experimental, com fil- móbil do processo criativo, processo mes que só usam materiais encon- no qual o que constituía a pesquisae passando por propostas que questionam trados ou filmados por anónimos preliminar de um trabalho artísticoa forma do documentário em termos (found footage). Mas interessa-nos passou a definir a própria matéria e também reflectir sobre a relação a predeterminar a forma do objectoartísticos, os termos restos, rastos e que o artista estabelece com os ma- artístico.traços permitem dinamizar as noções de teriais ou as suas "proto-obras" quedocumento e de documentação através de ficaram inacabadas, abandonadas Traços (de realidades): por defi- ou esquecidas. nição (numa abordagem tradicio-uma abordagem pluri e transdisciplinar, nal, analógica), o documento é umbem como abrir a compreensão e a análise Rastos (de ficções): de manei- traço. O documento recebe a inscri- ra geral, o rasto pode ser definido ção de um acontecimento, ou seja,do tema a especulações teóricas e artísticas. como o que fica de uma actividade transporta um significado, preservaNeste sentido, um tal conjunto de termos num dado local e num dado tempo. uma informação, constitui-se en- A “documentação do rasto” consiste quanto testemunho de algo. A "do-serve mais como catalisador de reflexão então em mostrar os indícios dessa cumentação" dos traços consiste em(ou seja, de "poetização da problemática") actividade, transformando/materia- recolher e exibir documentos quedo que como mote assertivo e exacto lizando esses indícios em vestígios, comprovam a existência e a realida- e organizando-os de forma a re- de de um acontecimento. No entan-sobre as propostas que se esperam para o constituir uma realidade comple- to, a documentação dos traços le-ciclo. Representam sobretudo hipóteses ta ou parcialmente desaparecida, vanta a questão da intencionalidade parcial ou totalmente inventada. O dos documentos. À semelhança dode trabalho, já que a distinção entre documento-rasto constitui-se assim documento fotográfico (e do uso darestos, rastos e traços se revela na prática como uma mostra, ou como um ex- legenda), o documento-traço cons-quase impraticável... já que cada um dos tracto a partir do qual é possível (re) titui-se enquanto prova material de constituir/(re)inventar a acção ou a um acontecimento (isto aconteceu),termos parece implicar sempre os outros, realidade que originou o rasto. Em mas é também a manifestação deinterferir constantemente com os outros. relação às práticas artísticas na arte referências estéticas, sociais, ideo- contemporânea, a noção de docu- lógicas… que o documento absorve mento-rasto tem sido trabalhada na da sociedade e transporta com ele.Restos (de processos): se definir- voluntária ou involuntária do resto sua vertigem documental (simulta- Neste sentido, o "documento-traço"mos o resto como a parte inutilizada, enquanto resultado de uma escolha neamente manifestação e prova), constitui-se enquanto marcador dea parte que sobra de um processo de artística ou da ausência dela. Quer descontextualizando documentos uma representação da realidadefabricação/criação, a "documenta- isto dizer que no contexto artístico de uma realidade pré-existente ou social e política, onde o que não éção dos restos" consistirá em reflec- abordaremos o resto (e os seus "do- criando documentos de uma reali- mostrado é tão importante como otir sobre o uso (e o não-uso), a uti- cumentos") enquanto parte inexplo- dade imaginada, ou seja, criando que é mostrado.lidade e/ou inutilidade desses exce- rada de uma obra já constituída ou uma espécie de arqueologia de umdentes, bem como sobre a natureza em curso de criação. mundo ausente, ou de falsificação David-Alexandre Guéniot
  5. 5. Atelier Real Set/Out 2009 05 MANUAL DE INSTRUÇÕES Ao longo dos próximos meses, se- rão organizadas 7 residências ar- tísticas para receber, desenvolver e apresentar projectos artísticos originais ligados ao tema da docu- mentação. Essas residências artís- ticas são essencialmente de natu- reza experimental. Ou seja, o que é apresentado no final da residência são os resultados práticos de uma investigação e de experimenta- ções acerca do tema Restos, rastos e traços e da problemática práticas de documentação na criação con- temporânea. Essas apresentações não são produtos ou objectos (tal como um espectáculo ou uma ex- posição), mas propostas artísticas, plataformas de reflexão e de ques- tionamento mediadas por "objec- tos artísticos parciais". Pretendem potencializar um diálogo entre as diferentes práticas artísticas e as várias abordagens adoptadas e apresentadas ao longo do ciclo, para resolver as questões levanta- das pela sua problemática. A for- ma de apresentação é livre. Depen- dendo dos conteúdos da proposta, pode apresentar-se sob a forma de uma conferência, de uma perfor- mance, um filme, uma exposição de documentos e/ou de obras, uma publicação ou qualquer outro tipo de suporte ou de experiência. Os participantes foram seleccio- nados através do envio de propos- tas. No total, foram enviadas mais de 170 propostas, das mais diver- sas origens geográficas, bem como de (quase) todas as disciplinas ar- tísticas. Os artistas seleccionados recebem, para além de um espaço de trabalho, de material técnico e das condições logísticas pro- porcionadas pelo atelier real, um apoio financeiro para a realizaçãoJanez Janša, Janez Janša e Janez Janša, Waiting for JJ (Los AngelesInternational Airport/LAX/), Los Angeles, 2007 das suas propostas.Digital Photography, 2448x3264 px. Courtesy: artists.Lançamento do ciclo: 26 de SetembroO ciclo Restos, rastos e traços. Práticas de documentação na criação contempo- si Péter, será apresentado às 18h; o projecto NAME Readymade, de Janezrânea tem início no dia 26 de Setembro com a apresentação de dois pro- Janša, Janez Janša e Janez Janša, artistas da Eslovénia, Itália e Croáciajectos, em estreia nacional, convidados especialmente para o lançamento/ respectivamente, será apresentado às 21h30.inauguração do ciclo: Nesse dia, será possível jantar no atelier real, a partir das 20h00, de formaO Tehnica Schweiz Project, dos artistas húngaros Gergely László & Ráko- a poder ver os dois projectos.
  6. 6. 06Ciclo Restos, rastos e traços. Práticas de documentação na criação contemporâneaAtelier Real, 26 de Setembro, 21H30 (Entrada livre)[apresentação em Inglês] Os espectadores podem jantar no atelier real a partir das 20h00. NAME Readymade de Janez Janša, Janez Janša, Janez Janša (Eslovénia)É preciso imaginar três artistas por- digna desse nome deve – até por impe- mente ocupadas por uma única pessoa ção intitulada NAME Readymade.tugueses que já tivessem represen- rativo constitucional – permear todas – Janez Janša. (...) Através da multi- As obras apresentadas nesta expo-tado Portugal na Bienal de Veneza; as restantes áreas de acção do Gover- plicação do nome Janez Janša, a fun- sição (bilhetes de identidade válidos,que já tivessem actuado em festivais no. Que concorressem a uma bolsa ção do primeiro-ministro adquiriu, no passaportes, cartões multibanco ede dança ou de teatro de renome da Fundação Calouste Gulbenkian âmbito desta acção artística específica, cartões de crédito, cartas de condu-internacional; que tivessem sido ou um apoio pontual da Direcção uma posição semelhante à das latas de ção, certificados de nascimento e deobjecto de exposições antológicas Geral das Artes. É preciso imagi- sopa Campbell nas obras de Andy Wa- casamento, e assim por diante) sãoem centros culturais nacionais e nar que esses 3 artistas portugueses, rhol. geradas pela própria realidade. Nainternacionais. Três artistas que, de repente, só responderiam pelo Zdenka Badovinac, NAME história da arte, não existiam taisdepois de se terem inscrito no Par- nome de José Sócrates – deixando Readymade, Outubro 2008 [2] ready-mades. Documentos pessoaistido Socialista Português, mudas- em aberto o enigma dessa mudança como bilhetes de identidade, passa-sem oficialmente os seus nomes de nome. Todos os projectos de Janez Janša, portes, cartões da segurança social,para José Sócrates e que, a partir A conferência-demonstração as suas vidas privadas e públicas, cartões de crédito, etc., não podemdaí, vivessem, casassem, pedissem NAME Readymade apresenta um numa palavra, toda a vida de cada simplesmente comprar-se nas lo-empréstimos e assinassem planos percurso através das diferentes eta- um deles passou desde então a ser jas, ser contextualizados, virados dode poupança reforma em nome de pas do projecto artístico NAME Re- vivida com este nome. avesso, expostos e produzidos comoJosé Sócrates. Três artistas chama- adymade, focando os aspectos des- ready-mades. Para os obter temosdos José Sócrates que aparecessem poletados pelo gesto de mudar de (...) o gesto encontra-se – a partir que iniciar um processo: é precisoem cerimónias oficiais, em inaugu- nome levado a cabo por três artistas deste momento – em processo constan- dar início a um processo adminis-rações de exposições ou em catálo- eslovenos que em 2007 mudaram te: será semioticizado em conexão com trativo para os adquirir.gos ao lado de Pedro Almodóvar, de oficialmente os seus nomes, com os cada novo trabalho artístico e apresen-Wong Kar Wai, de Anne Teresa De devidos certificados e selos, para o tação pública, por isso tomará alguns O uso de documentos pessoais comoKeersmaeker, do Wooster Group, nome do primeiro ministro eslove- aspectos nunca vistos em outras formas objectos de exposição é sem dúvida umou ainda de Bruce Nauman ou Nan no da altura, da direita liberal con- de afirmação subversiva. caso liminar; explora certas fronteiras.Goldin. Que assinassem o Manifes- servadora: Janez Janša. Rok Vevar, Večer, 1 de Setembro 2007 [3] É liminar no sentido em que não é cla-to Por Uma Cultura Para o Século XXI ro se um tal uso de documentos pessoais[1] com os seus nomes intercalados Quando os três artistas mudaram os Janez Janša, Janez Janša e Janez respeita ou não os direitos que adquiri-entre o do José Miguel Rodrigues, seus nomes para Janez Janša, adopta- Janša conduzem-nos através de uma mos quando nos emitiram esses docu-da Faculdade de Arquitectura da ram de facto uma posição crítica em re- série de acções artísticas, políticas, mentos. Não podemos queimar docu-Universidade do Porto, e o do Luís lação ao estado. Em relação ao governo administrativas e mediáticas que mentos porque é um delito criminoso,Miguel Cintra, actor e encenador, a esloveno, no qual até há pouco tempo desempenham, com uma atenção mas será que podemos usar documentosreivindicar que uma política cultural todas as funções pareciam verdadeira- particular para a sua última exposi- para fins artísticos? Isso não é, por cer-
  7. 7. Atelier Real Set/Out 2009 07to, algo que uma pessoa séria faria para ma maneira que lançaria um seguro de no vosso caso a condição que possibilita Badiou pôde definir o séc. XX comojustificar uma perseguição em nome do viagem – um tal seguro exigiria a emis- esse ready-made é a sua autenticidade paixão pelo real), enquanto Janša,estado; mas quer dizer que toda a gen- são de novos documentos. Para além do no quotidiano – a sua credibilidade e Janša e Janša visam o contrário, dete sabe que vocês não trazem os vossos mais, o que também é interessante é o autenticidade. Se alguém comprasse forma a que os seus métodos pene-documentos convosco, ou seja, que não facto de esses documentos serem obras essa obra de arte estaria a comprá-la trem profundamente nas suas vidasestão a usá-los em conformidade com de arte, ready-mades. O original de como autenticidade, juntamente com o materiais e nas vidas do seu enqua-as condições pressupostas na sua emis- Fountain perdeu-se, partiu-se, e Du- seu valor funcional de ‘ready-made’.” dramento imediato.são. Até um banco pode anular os vos- champ fez outros, assinou-os de novo e Lev Kreft, "Name as Readymade",sos cartões se descobrir que os andam até fez uma versão em miniatura para Uma entrevista com Janez Janša, (...) o gesto absolutamente subtil e aoa usar de forma inapropriada. Estão a sua malinha; mas vocês não podem Janez Janša e Janez Janša, NAME que parece despretensioso de três artis-a pisar uma zona a que não chamaria fazer novos documentos, que só podem Readymade, Outubro 2008 [4] tas mudando os seus nomes para Janezpropriamente ‘perigosa’, mas que con- ser feitos por uma organização acredi- Janša, afecta fundamentalmente o es-sidero suspeita. Isto faz precisamente tada chamada estado, com o seu minis- Janez Janša, Janez Janša e Janez paço artístico e mais largamente o es-parte do risco a que antes me referia. tério do interior. Mas o próprio minis- Janša mergulham em pleno centro paço social e político. Talvez possamosPodemos ver aqui várias coisas que tério não pode funcionar ilegalmente das suas próprias realidades e da re- daqui aprender uma lição, a saber quepoderiam desenvolver-se a partir daí. e reproduzir esses documentos como alidade espacial e temporal na qual as grandes criações artísticas se encon-Bem vistas as coisas têm que fazer um obras de arte, por exemplo. E depois? trabalham. Nesta proposta usam tram por vezes em gestos mínimos apa-esforço especial para descobrir como é Eles só são obras de arte na medida em procedimentos típicos em arte: a rentemente marginais.que a segurança vai funcionar durante que são igualmente documentos autên- transformação, tradução, represen- Jela Krečič, Delo, 29 de Dezembro 2007 [5]a exposição. Expor gráficos numerados ticos. Aqui atingimos uma contradição tação e mímica. Invertem o esque- [1] http://umaculturaparaoseculoxxi.blogspot.com (27de 1 a 100, cobertos por uma companhia – a contradição própria ao mundo da ma relacional clássico entre a arte de Julho 2009). [2] NAME Readymade - THE BOOK.de seguros, é uma coisa completamente arte. e a vida, tal como se desenvolveu Museum of Modern Art Ljubljana, Outubro 2008. Au- tores: Amelia Jones, Catherine Soussloff, Zdenka Ba-diferente. Duvido que uma companhia Um ready-made enquanto obra de no século XX. No século passado, a dovinac, Antonio Caronia, Janez Janša, Janez Janša,de seguros viesse a lançar uma política arte é algo não autêntico; é a prova de arte é redefinida através da entrada Janez Janša, Tadej Kovačič, Jela Krečič, Lev Kreft, Blaž Lukan, Aldo Milohnić, Misko Šuvaković. 208 pp.de segurança relativa ao valor funcio- uma falta de autenticidade: com um re- da realidade em contextos artísti- INGLÊS. www.aksioma.org/name_book. [3] Diário es-nal dos documentos expostos, da mes- ady-made, a ‘aura’ desaparece. Só que cos, sem mediação (a tal ponto que loveno. [4] cf. [1]. [5] Diário esloveno.Janez Janša, Signature (Copacabana), Rio de Janeiro, 2008. Foto: Janez Janša. Cortesia: Maska.
  8. 8. 08Ciclo Restos, rastos e traços. Práticas de documentação na criação contemporânea UmaThe more we are, aventurathe faster we will nominalreach the goal! David-Alexandre Guéniot Entre todas as interpretações pos- síveis [1], o projecto NAME Rea- dymade pode (também) definir-se… quanto mais indivíduos com o nome Janez Janša houver, mais depressa podemos atingir como performance invisível ouo objectivo de esvaziar o sujeito, a sua de-subjectivização e o estabelecimento do significante como obra de arte em estado per- manente de “potência”. Uma obravazio. O objectivo – mais ou menos des-conceptualizado, colateral – do acto de mudar de que se manifestaria de vez emnome é então, neste caso, de minar o poder real ideológico, económico e político do portador, quando, por intermédio de pro-e isto implica desistir da sua própria identidade pessoal, íntima, artística ou pública. cessos burocráticos ou mediáticos, através da simples transubstancia-"The Janez Jansa Project" de Blaz Lukan, in NAME Readymade. Museum of Modern Art Ljubljana, Outubro 2008. p. 22 ção do nome JANEZ JANŠA num suporte qualquer. Como uma assi- natura deposta sobre os objectos, que imediatamente os transfor- maria – pela magia do readymade veg.com para promover um website duchampiano – em obras de arte.Afinal o que é uma mudança de nome? vegetariano. A pessoa cujo nome é Mas também podemos conside- Kentucky Fried Cruelty.com dispen- rar que os objectos transformadosEm termos legais, é um direito civil para o sa comentários, tal como o homem pela matriz nominativa JANEZqual virtualmente não existem quaisquer que teve de pagar uma multa de 20 JANŠA não são apenas obras derestrições formais na Eslovénia [1]. Resulta livras injustamente imposta e mu- arte, mas também indícios de um dou de nome para Yorkshire Bank crime mais vasto, as provas deportanto da decisão completamente PLC Are Facist Bastards [Yorkshire uma conspiração ou de uma en-pessoal do indivíduo, que é legalizada Bank PLC São Cabrões Fascistas]. cenação artística. Os documentos Também podíamos mencionar o que vêm provar a materialidadepor uma instituição oficial [2]. tipo que se chamava David Fearn, da aventura nominal experiencia- mas cujo novo nome inclui os títulos da por Janez Janša, Janez Janša eA situação nos Estados Unidos, por bie Hoffman mudou de nome para de todos os filmes de James Bond... Janez Janša, e que expõem os tra-exemplo, é diferente, tal como po- america Hoffman, com a primei- Isto tudo para dizer que a mudança ços irrefutáveis da ficção crítica [2]demos constatar se lermos a entra- ra letra de America em minúscula, de nome tem um lugar especial que denominada “Janez Janša”, que osda da Wikipedia para mudança de para sublinhar o seu patriotismo depende das (várias) estratégias e artistas fizeram emergir na reali-nome (1 de Outubro 2007). A Amé- não chauvinista. Num outro caso, o está relacionada com as razões da dade. E a forma como essa ficção,rica tem um sistema legal comple- candidato Byron Looper mudou de nomeação. O anonimato é um prin- pela lógica narrativa e reflexivaxo que regulamenta a mudança de nome – por razões relacionadas com cípio pré-identitário, mas adoptar que lhe é própria, desafia certosnome, e a decisão encontra-se no a sua pré-campanha – para Byron um pseudónimo equivale a adoptar mecanismos sociais, e principal-poder discricionário do tribunal. Low Tax Looper; enquanto a mu- uma identidade criptográfica. Uma mente a ordem biopolítica, buro-Uma vez que se trata de um domí- dança de nome pode tê-lo ajudado alcunha confere ao alcunhado uma crática e mediática, que presidenio não só legalmente incontorná- a obter a posição de assessor dos im- identidade brincalhona e protésica, (entre outras coisas) ao controle evel mas também, frequentemente, postos, o assassínio de 1998 pôs um que – dependendo da escolha do à gestão da identidade dos indiví-de entretenimento, valerá a pena fim abrupto a essa ascensão políti- nome – pode ocasionar várias asso- duos. NAME Readymade toma en-termos em conta alguns exemplos ca. Por razões políticas menos am- ciações com o nome do seu porta- tão dimensões heróicas de aventu-ilustrativos. Nos Estados Unidos, os biciosas mas não menos motivadas, dor. ras identitárias, de interrogações enomes mudam-se geralmente por um homem chamado Rob mudou debates entre ficção e realidade, derazões políticas, mais transparentes de nome para Free Rob Cannabis, "The Janez Jansa Project" terreno de jogos e confrontações,do que as que estão em jogo no caso enquanto um outro se chama pre- de Blaz Lukan, in NAME onde a arte pretende rivalizar comque nos interessa. Por exemplo, o sentemente Nigel Freemarijuana, e Readymade. Museum of Modern a política de igual para igual.filho do famoso activista social Ab- um outro ainda adoptou o nome Go- Art Ljubljana, Outubro 2008.[1] A resposta oficial à questão colocada a um corpo nome é um direito pessoal de cada cidadão. Todas as de um certificado de nascença.” (http://e-uprava.gov. [1] Sobre este aspecto, consultar o já referido livroadministrativo esloveno no portal e-uprava, em 3 de pessoas são obrigadas a utilizar o seu nome. O nome si/e-uprava?2did=110&sid=147; 25 de Setembro 2007). NAME Readymade, Moderna galerija / Museum ofOutubro 2007 – sobre se existe, por exemplo, uma consiste num nome próprio e num nome de família. [2] Verificam-se restrições nos casos de indivíduos en- Modern Art Ljubljana 2008, disponível no Gabine-lista de nomes para os quais os cidadãos não podem O nome pode ser mudado. [...] As decisões relativas à volvidos em processos legais; não se pode mudar para te de Leitura do atelier real. [2] Crítica nos dois sen-mudar os seus nomes – confirma: “Uma tal lista não mudança de nome são tomadas pelo corpo adminis- o nome de uma pessoa famosa com a intenção de tidos do termo: experiência limite da mistura entreexiste.” Há contudo uma declaração num capítulo da trativo ao qual foi apresentado o requerimento. [...] obter benefícios ou de troçar; não é possível adoptar a arte (pública) e a vida (privada), mas também ex-página de e-uprava intitulada A Questão da Regula- Quando o nome é mudado, todos os documentos pes- um nome protegido por direitos de autor ou que seja periência cívica de uma tomada de consciência dasmentação relativamente à Mudança de Nome, no soais utilizados para fins de identificação têm que ser insultuoso, etc. lógicas de controle dos indivíduos (da sua função,Portal Estatal da República da Eslovénia, que diz: “O mudados. O nome anterior pode ser verificado através identidade e história) pelo estado.
  9. 9. Atelier Real Set/Out 2009 09 Bios Janez Janša (1964 Rijeka, Croácia) é escritor, encenador de performances interdisciplina- res, e intérprete. Estudou sociologia e encenação teatral na Universidade de Ljubljana, na Es- lovénia, e teoria da performance na Universidade de Antuérpia, na Bélgica. Encenou Camillo - Memo 1.0: Construction of Theatre no Piccolo Teatro de Milão, Itália, em 1998. Drive in Camillo inaugurou a Bienal Europeia de Arte Contemporânea, Manifesta 3, em 2000. As suas peças recentes incluem We are all Marlene Dietrich FOR, uma performance para soldados em missões de paz (com Erna Omarsdottir); uma reconstrução da peça de 1969, Pupilija, Papa Pupilo, and the Pupilecks – Reconstruction, em 2006, e Slovee National Theatre em 2007. Foi intérprete no projecto de improvisação At the Table, comissionado por Meg Stuart, e realizou uma série de performances piloto em torno do estatuto da performance nas sociedades neoliberais, sob o título Program!. O trabalho de Janez Janša inclui igualmente obras de arte visual, multimédia e performance, nomeadamente The Cabinet of Memories, uma sessão de doação de lágrimas; The First World Camp (com Peter Šenk), um projecto artístico e de investigação interdiscipli- nar; a performance interactiva Miss Mobile; a acção de reconstrução Mount Triglav on Mount Triglav e o projecto interdisciplinar Signature Event Context (ambos com Janez Janša e Janez Janša). Janša comissiona frequentemente workshops interdisciplinares através da Europa e dos EUA, e fundou (juntamente com Mare Bulc) P.E.A.C.E. – Peacekeepers’ Entertainment, uma organização de intercâmbio artístico e cultural. Publicou vários ensaios sobre arte e tea- tro contemporâneos, incluindo um livro sobre o artista e fazedor de teatro flamengo Jan Fa- bre. Trabalhou como editor chefe da revista de artes performativas Maska entre 1999 e 2006, e editou uma antologia de teoria do teatro contemporâneo, uma antologia de teoria da dança contemporânea, e vários outros títulos. Desde 1999 que é director da organização sem fins lucrativos Maska, com base em Ljubljana, na Eslovénia, que gere actividades de publicação, de produção e de educação. Janez Janša (1970 Bergamo, Itália) é um artista conceptual, intérprete e produtor, que se formou na Academia de Belas Artes de Milão, em Itália. O seu trabalho tem fortes conota- ções sociais e caracteriza-se por uma abordagem intermédia. É co-fundador e director de Aksioma, Instituto de Arte Contemporânea de Ljubljana, e o início da sua actividade artís- tica em 1996 deu-se com a instalação urbana I Need Money to Be an Artist, que foi primeiro apresentada em Ljubljana, na Eslovénia, e depois em Veneza, Itália. Em 2001, elaborou (com I. Štromajer) Problemarket.com – the Problem Stock Exchange, uma plataforma virtual na qual as acções de companhias com problemas são negociadas. No ano seguinte, Janša produziu machinaZOIS, um patrono electromecânico que apoia financeiramente artistas e produções artísticas. Em seguida deu início ao desenvolvimento de DemoKino – Virtual Biopolitical Agora, um parlamento virtual, que através de parábolas fílmicas da actualidade dá aos votantes a oportunidade de decidir sobre assuntos que estão a tornar-se na essência da política moder- na – as questões da vida. Em 2005, Janša elaborou a plataforma RE:akt!, que analisa o papel dos media na manipulação da percepção e na criação de mitos históricos (pós-)modernos e de mitologias contemporâneas. Uma parte desta plataforma corresponde ao projecto Mount Triglav on Mount Triglav de Janez Janša, Janez Janša, e Janez Janša. Paralelamente a estes projectos sociopolíticos, Janša investigou o campo da realidade virtual e das tecnologias de neuro-feedback, e entre 2000 e 2002 desenvolveu e interpretou (com Darij Kreuh) Brainscore – Incorporeal Communication, uma performance para dois operadores actuando num ambiente de realidade virtual através das suas incarnações. Entre 2004 e 2007, dirigiu o projecto Brain- loop, uma plataforma de performance interactiva que permite navegar através de um espaço virtual imaginando simplesmente comandos motores específicos. Janez Janša é igualmente co-editor (com Ivana Ivković) da antologia de texto e imagem DemoKino – Virtual Biopolitical Agora, publicada por Maska e Aksioma em 2005. Janez Janša (1973 Ljubljana, Eslovénia) representa a nova geração de artistas que proble- matiza o campo da pintura através do uso de imagens dos media e de uma relação livre com vários processos tecnológicos. O seu principal interesse não é tanto expandir o campo da pin- tura; interessa-lhe mais a ideologia inerente à própria pintura. Janez Janša desconstrói a fun- ção social da pintura e a posição do observador. Os temas das suas pinturas têm geralmente uma conexão com os media, especialmente o filme, que continua a modelar a sua percep- ção da actualidade. A exposição mais radical do seu trabalho teve lugar na Bienal de Veneza 2003, quando pendurou as suas pinturas nas casas de proprietários temporários. Os quadros tinham câmaras embutidas que transmitiam à galeria imagens em tempo real. Tratava-se de pinturas da série intitulada Terror=decor, que analisa a forma como tanto as imagens artísti- cas como as imagens dos media, especialmente as imagens modernas, se transformam em decoração ao serviço do capitalismo.1Janez Janša, Janez Janša and Janez Janša 3 Janez Janša, Janez Janša and Janez Janša Mais informações sobre o projecto002199616 (Identity Card)Ljubljana, 2007 002293264 (Identity Card) Ljubljana, 2007 NAME Readymade, consultar:Print on plastic, 5,4 x 8,5 cm Print on plastic, 5,4 x 8,5 cmCourtesy: aksioma Original lost; 2nd version: http://www.aksioma.org/jj/2 002359725 (Identity Card) http://www.aksioma.org/name/Janez Janša, Janez Janša and Janez Janša Ljubljana, 2008 Print on plastic, 5,4 x 8,5 cm http://www.maska.si/en/productions/visual_intermedia/name_readyma-002199341 (Identity Card)Ljubljana, 2007 Courtesy: aksioma de/Print on plastic, 5,4 x 8,5 cm http://www.aksioma.org/name_book/index.htmlCourtesy: aksioma
  10. 10. 10Ciclo Restos, rastos e traços. Práticas de documentação na criação contemporânea Role Play Assassino Em Maio de 2005, um dos membros de um grupo de seis no autocarro N°21, no segundo bairro de Budapeste, agrediu um jovem com um objecto afiado, su- postamente uma espada. O jovem foi operado. Segundo o seu testemunho, o gang vestia "roupa militar variada", incluindo uniformes tanto da Primeira Guerra como da Segunda. A seguir ao crime, o agressor e os seus cúmplices fu- giram do local a pé. O delinquente é um homem de 25 anos com cabelo escuro, rosto estreito e barba arredondada, ves- tindo um blusão de cabedal e botas da tropa. O gang incluía igualmente um jo- vem de cerca de 24 anos de idade, com um capacete de aço verde, um casaco verde do exército húngaro e botas da tropa. Os membros do grupo levavam dois escudos de madeira, um redondo e outro em forma heráldica, duas espadas e uma faca do exército. Tehnica Schweiz / Gergely László & Rákosi Péter, da série Identikit, 2007.
  11. 11. Atelier Real Set/Out 2009 11Atelier Real, 26 de Setembro, 18H00 (Entrada livre)[apresentação em Inglês]TEHNICASCHWEIZPROJECTde Gergely László & Rákosi Péter (Hungria)Tehnica Schweiz é, desde 2004, o Para além de apresentar alguns zação de um levantamento fotográ- lento desaparecimento do Kibbutz.nome do projecto de colaboração dos seus trabalhos fundadores, tais fico (o mais exaustivo possível) dos Consciente desse facto, começou aentre Gergely László & Rákosi Péter. como Group-photo in Lak (2005- interiores das garagens existentes; a debruçar-se sobre a organização sis-Esta dupla de fotógrafos tem vindo 2006) e Identikit (2007), Gergely criação de interiores que imaginam, temática dos arquivos fotográficosa desenvolver projectos originais László & Rákosi Péter apresentarão juntamente com amigos e familia- do comité do Kibbutz, adicionando-inspirados em processos de recons- também mais detalhadamente dois res, poder encontrar por trás das os às fotografias e à documentaçãotituição de realidades presentes ou projectos mais ambiciosos, que se portas fechadas de uma garagem e, que pôde encontrar através das suaspassadas. Interessam-se pelo poten- encontram ainda em processo: Ga- por fim, a organização de um Garage ligações familiares (correspondên-cial político da fotografia enquanto rage project e Jad Hanna project. Festival, em Setembro de 2008, com cia, jornais do Kibbutz, formuláriosmédium: enquanto ferramenta de Garage project toma como ponto a participação da quase totalidade oficiais, etc.).propaganda, de manipulação e de de partida um subúrbio da cidade das bandas amadoras locais (que Ao mesmo tempo, esta recolhafalsificação, bem como meio de do- de Dunaújváros (a 50 km a sul de ensaiam em garagens) e com o alu- serve também de casting para ascumentação, de arquivo e de pesqui- Budapeste), em cujas ruas (agencia- guer de 5 garagens que foram trans- cenografias, os adereços, as perso-sa infinita. Os seus trabalhos rara- das numa grelha perfeita) existem formadas em museu, cinema, palco nagens, os figurinos e a localizaçãomente se apresentam como simples cerca de 1200 garagens. Essas gara- livre, escritório do festival e bar. de um filme em preparação, que en-séries de fotografias, e as estratégias gens, construídas no final dos anos O Jad Hanna project tem a sua volverá as várias comunidades queartísticas a que recorrem variam 1960 para os trabalhadores de uma origem no Kibbutz Jad Hanna, em vivem actualmente em Jad Hannaconsideravelmente. Tais estratégias fábrica de metalurgia, pólo econó- Israel, oficialmente inaugurado no (kibbutzniks, colonos da Cisjordâ-implicam frequentemente que os ar- mico principal da cidade, são actu- dia 10 de Abril de 1950 e construído nia, refugiados sudaneses e traba-tistas atravessem a experiência de lu- almente um sítio onde os homens por jovens húngaros sobreviventes lhadores imigrantes da Tailândia).gares e de comunidades específicas, se encontram para escapar à vida do Holocausto. Alguns familiares O filme evocará cenas de uma peçae se integrem em contextos culturais familiar, ou onde a cena cultural al- de Gergely László faziam parte dos de teatro gravada há alguns anos poralheios para realizar as suas obras. ternativa se pode afirmar. Cada uma fundadores do Kibbutz e fazem par- altura da celebração da festa judaicaOutras vezes trabalham a partir de dessas garagens esconde segredos, te da centena de pessoas que ainda de Purim, e introduzirá igualmentenotícias triviais, acontecimentos de espaços privados, hobbies e profis- lá vivem. O artista visitou-os 3 ve- cenas reconstituídas de momentostodos os dias. No entanto, o que de- sões. O projecto dos artistas consis- zes ao longo dos últimos 15 anos, chave dos últimos 50 anos da exis-fine o seu trabalho é mais o processo tiu, até ao momento, em 3 etapas/ tendo-se gradualmente tornado tência de Jad Hanna, interpretadasdo que o resultado final. projectos complementares: a reali- testemunha da transformação e do pelos actuais habitantes do kibbutz.
  12. 12. 12Ciclo Restos, rastos e traços. Práticas de documentação na criação contemporânea Identikit, 2007 Mais informações"Os desenhos Identikit foram produzidos a partir de subjacente não é apenas encontrar o delinquente, masdescrições fornecidas pelas testemunhas de uma cena alargar a procura a todas as pessoas susceptíveis de cor- sobre Tehnicade crime. São solicitados pelo inspector da polícia judi- responder à descrição, a partir da qual poderão ser con- Schweiz, consultar:ciária para facilitar a identificação de um criminoso. Os sideradas suspeitas.desenhos são realizados à mão ou recorrendo a software Contactámos a ZSARU [ver caixa], a revista da políciaapropriado, por especialistas formados para o efeito (ar- húngara, para obter os desenhos que foram publicados http://www.photolumen.hu/lgrp/tistas policiais). nos últimos 5 anos. Fizemos uma selecção. Para cada http://www.pocproject.com/ Essas imagens baseiam-se normalmente nas declara- desenho procurámos um modelo com característicasções de várias testemunhas oculares. Não pretendem semelhantes às da pessoa desenhada. Fizemos retratos Tehnica Schweiz é membro dofazer o retrato robot do delinquente, mas salientar ca- dessas pessoas com uma câmara fotográfica de grande POC [Piece of Cake], colectivo deracterísticas específicas do seu rosto e/ou corpo. A ideia formato (4”x5”)." Gergely László & Rákosi Péter fotógrafos europeus, desde 2007. Zsaru (Polícia) é a revista oficial semanal da força policial húngara, editada pelo Quartel General da Polícia Nacional. Contrariamente a muitas re- garo, incluindo os membros das ceitas, palavras cruzadas, artigos vistas da polícia na Europa e em equipas especiais. A revista Zsaru sobre moda e mesmo sobre vinhos. todo o mundo, não circula apenas cobre igualmente com frequência A Zsaru segue uma longa tradição no âmbito da força policial, mas histórias de crime no estrangeiro, de revistas policiais na Hungria. encontra-se à disposição do gran- casos de crime organizado, e infor- A primeira do género – Közbizton- de público em qualquer quiosque. ma os leitores sobre as actividades ság (‘Segurança Pública’) – apare- Os seus leitores não são apenas ou desenvolvidas por organizações ceu em 1869. A Zsaru – que antes maioritariamente polícias, mas policiais internacionais. Normal- se chamava Magyar Rendõr (‘Po- qualquer pessoa que se interesse mente trata também de questões lícia Húngaro’) saiu pela primeira pelo trabalho da força policial. de prevenção do crime, aconse- vez em Janeiro de 1992, a seguir O objectivo da revista é infor- lhando os leitores. Para além de às mudanças de democratização mar e ao mesmo tempo divertir, artigos profissionais à semelhança na Hungria e na Europa do Leste. cobrindo casos reais de crime, in- dos que tratam de armas e da ciên- vestigações, e os vários aspectos cia forense, publicamos também do trabalho de um polícia hún- entrevistas com celebridades, re- Fonte: http://www.zsaru.hu
  13. 13. Atelier Real Set/Out 2009 13 O Preço de uma Vida O quartel-general da polícia de Esztergom andava à procura de um suspeito desconhecido, que no dia 27 de Agosto de 2000 assassinaram a Sra F. Gy (71) com vários golpes de faca. O assassino levou duas pulseiras, três colares e cinco anéis em ouro, um par de brincos, um relógio de senhora e um gravador de cassetes Grundig. Tehnica Schweiz / Gergely László & Rákosi Péter, da série Identikit, 2007. O Ladrão dos Gritos O quartel-general da polícia do segundo bairro de Budapeste procura o homem que figura no desenho, por roubo. No dia 1 de Outubro de 2002, por volta das 8h15, roubou a mala da empregada de uma das lojas da Rua László, no segundo bairro. Fugiu do local a correr. Segundo os testemunhos de casos anteriores, o método bem estabelecido do ladrão consiste em lançar um grito forte e inarticulado enquanto rouba, para assustar assim a vítima. Tehnica Schweiz / Gergely László & Rákosi Péter, da série Identikit, 2007.
  14. 14. 14Ciclo Restos, rastos e traços. Práticas de documentação na criação contemporânea O Homem Aranha em Zugló A policia de Zugló procura o homem não identificado da imagem, que entre Março e Maio de 2002 pilhou pessoas idosas em várias ocasiões, nas proximidades de Zugló. O “Homem Aranha”, completamente mascarado de preto, trabalhava após o crepúsculo. O seu método era cair sobre as vítimas, atirando- se por exemplo de pontes para pedestres. Os idosos assustados e sem defesa eram presas fáceis para ele, e por isso podia facilmente escapar-se com os sacos ou com os casacos deles. Tehnica Schweiz / Gergely László & Rákosi Péter, da série Identikit, 2007.
  15. 15. Atelier Real Set/Out 2009 15
  16. 16. 16 Dinheiro para troco O quartel-general da polícia de Dabas abriu um processo contra um delinquente não identificado. O homem que falava alemão fluentemente apareceu pela tarde do dia 20 de Janeiro de 2003 na boutique Fashion Magic, e escolheu uma quantidade de peças no valor total de 124 900 forints. O malfeitor colocou sobre o balcão 12 notas de 10 000 forints e 5 de 2 000, antes de embalar a mercadoria num saco de compras às riscas. Entretanto, sem que ninguém notasse, conseguiu trocar o molho de notas por 13 de 200 forints e uma de 2 000, e saiu. O malfeitor não identificado causou assim um prejuízo de 120 300 forints. Tehnica Schweiz / Gergely László & Rákosi Péter, da série Identikit, 2007.
  17. 17. Atelier Real Set/Out 2009 17
  18. 18. 18Ciclo Restos, rastos e traços. Práticas de documentação na criação contemporâneaPETER WATKINS Gabinete Audiovisual: Peter WatkinsInventor de um génerocinematográfico: a docuficção Uma retrospectiva dos filmesNos seus filmes de ficção, Peter Wa- ais, de forma a nela introduzir uma tos de recepção que passa desperce-tkins utiliza técnicas geralmente margem crítica. Os filmes de Wa- bido. Watkins parece assim recordar do realizadorassociadas a um estilo documental(comentários em voz off, entrevis- tkins propõem sempre uma “versão não oficial” de certos temas da nos- subtilmente ao espectador, a forma como a ideia de representação é não em DVDtas, câmara ao ombro...). Baralhan- sa história contemporânea, que fo- só uma noção estética, mas tam-do as fronteiras entre a ficção e o ram (e ainda são) sistematicamente bém política. Já que as imagens au- Atelier Real, todos os dias dadocumentário, cria “documentários marginalizados, se não simplesmen- diovisuais que o espectador recebe semana, 12h00 às 18h00fictícios” ou “ficções documentais”, te ocultados por razões políticas (o não representam apenas um ponto (ENTRADA LIVRE)que questionam a legitimidade e a nuclear, a guerra, a repressão poli- de vista sobre o mundo, mas parti-credibilidade das informações tal cial). Denunciam a formatação das cipam nesse mundo formando-o,como são produzidas pelos media. estruturas narrativas dos telejornais informando-o e transformando-o.É que Peter Watkins não pretende e dos filmes hollyoodianos sob um E a questão é a de saber se essasapenas criar um efeito estilístico mesmo modelo a que Watkins cha- imagens representam “este” mundogratuito; ao contrário, propõe-se ma “Monoforma”, e o paradoxo do no qual vive “este” espectador.subverter a relação do espectador artifício ficcional, que se encontracom as representações audiovisu- tão bem integrado nos nossos hábi-La Commune (Paris 1871) de Peter Watkins, (1999). Foto: Corina Paltrinieri. DR.
  19. 19. Atelier Real Set/Out 2009 19Um cineasta maldito A MonoformaOs filmes de Peter Watkins sempre na Suécia, o filme é violentamente Comparo frequentemente a nar- Compreendemos assim que a pre-perturbaram o sistema estabelecido, atacado desde a sua saída, tal como rativa hollywoodiana a uma pista missa segundo a qual os filmes (inclu-nomeadamente pelas suas escolhas o serão na Dinamarca The Seventies de montanha russa, ao longo da sive os documentários) construídosformais subversivas e pelos seus te- People (1974) e Evening Land (1976), qual os sentimentos do espectador de acordo com este sistema são ‘en-mas abertamente políticos (contra que abordam o suicídio dos jovens são posicionados cuidadosamente, tretenimentos’ neutros, apolíticos,o nuclear e a violência policial, a e os métodos repressivos da polícia para uma viagem predeterminada não ideológicos e inofensivos, é umfavor da paz...). Culloden (Inglaterra, dinamarquesa. e cuidadosamente guiada. Os carris mito absoluto. Um mito cuidadosa-1964), a sua primeira longa-metra- Em 1979, o Instituo Sueco do Ci- correspondem à estrutura narra- mente alimentado – exactamente dagem, será, a par com Edvard Munch nema retira-lhe um projecto sobre tiva, movendo-se para cima e para mesma maneira que o mito da ‘ob-(Dinamarca, 1973), dos seus únicos August Strindberg que lhe tinha baixo numa série previsível de altos jectividade’ é perpetuado pelos res-filmes a conhecer um sucesso jun- encomendado (após dois anos e e baixos emocionais – as acalmias e ponsáveis editoriais que controlam ato do público e da crítica, e a bene- meio de pesquisa e de escrita), mas os clímaxes de uma história. A Mo- transmissão de notícias na televisão.ficiar de uma exploração e difusão que Watkins acabará por realizar noforma funciona como grelha siste-normais. A partir do seu segundo em 1992 no âmbito de um curso de mática reguladora que acompanha Peter Watkins, Role offilme, o realizador estará sistema- produção de vídeo leccionado num o espectador, controlando sempre a American MAVM, Hollywoodticamente sujeito aos ataques de liceu de Estocolmo. The Freethinker velocidade do input emocional, e a and the Monoformuma parte da imprensa e dos media, (filme de 4h35, dividido em três quantidade de espaço que é permiti- In: http://pwatkins.mnsi.net/independentemente do país onde partes) não beneficiará contudo de da para reflectir. hollywood.htm (Julho de 2009)decorram as filmagens: Inglaterra, nenhum apoio à sua difusão. EntreEstados Unidos, Suécia, Noruega, 1983 e 1986, Watkins filma The Jour-Dinamarca, Austrália, ou França. ney em doze países diferentes, umThe War Game (1965), que trata dos filme pacifista de 14 horas que ne-perigos das armas nucleares, é in- nhuma organização televisiva acei-terditado pela BBC durante mais tará emitir.de vinte anos, em consequência de Em 1999, La Commune marca o seuprováveis pressões do governo britâ- retorno a uma encenação que tinhanico. Punishment Park, filmado nosEstados Unidos em 1970, é retirado abandonado em 1994. Este projecto de 5h45 será finalmente emitido en- Mais informações Gabinete sobredos cinemas quatro dias após a sua tre as 22h e as 4h da manhã pelo ca- Audiovisualsaída em Nova Iorque, em conse- nal franco-alemão Arte, co-produtor Peter Watkins,quência da indignação da imprensaconservadora americana, que recu- que se recusará, ao contrário do que tinha pretendido, a "desarrumar a consultar: e Gabinetesa as suas críticas à política interiorrepressiva do presidente Nixon. The sua grelha de programas". de LeituraGladiators (1969) relata a criação de Alexandre Labarussiat“Jogos da Paz” em Estocolmo; com- http://pwatkins.mnsi.net Em complemento às apresenta-bates mortais entre soldados de dife- www.critikat.com/Peter-Watkins. ções e às aberturas públicas querentes países para desviar os instin- html (22 de Novembro 2006) O livro Media Crisis de Peter os artistas em residência podemtos agressivos do Homem. Filmado Watkins está disponível proporcionar ao público, o Atelier no Gabinete de Leitura real disponibiliza, durante tudo o (tradução em Francês). ciclo, um Gabinete audiovisual Mais informações sobre o e um Gabinete de leitura – dois livro, consultar o website da espaços de consulta em livre aces- editora Hominsphéres: so, onde os interessados podem http://homnispheres.info/article. consultar materiais audiovisuais php3?id_article=38 (Agosto 2009) e livros relacionados com o tema do ciclo, inclusive os que foram Media crisis de Peter utilizados ou referenciados pelos Watkins, tradução de Patrick participantes na elaboração das Watkins (Paris, Homnisphères, suas propostas. [2004] 2007, 247 p. Collection O Gabinete audiovisual desen- Savoirs Autonomes). volve também uma programação própria relacionada com o tema da documentação. Disponibiliza retrospectivas (em DVD) de cine- astas e artistas que trabalham a partir de uma postura documen- tal e numa reflexão crítica sobre o género documentário.La Commune (Paris 1871) de Peter Watkins, (1999). Foto: Corina Paltrinieri. DR.
  20. 20. 20RESIDÊNCIASARTÍSTICASAs residências artísticas promo- o artista no seu percurso profissio- contactos com colaboradores, onde vista a apresentação, no fim da re-vidas pelo atelier real obedecem a nal mas sobretudo da fase em que se acontece uma primeira aproxima- sidência, do resultado provenienteuma lógica em que se propõe ao ar- encontra o processo criativo de um ção à matéria, onde se improvisa e da investigação efectuada durantetista um distanciamento e um reposi- projecto em concreto. Pode encon- testa arranques através exercícios a residência ou de uma conferência-cionamento perante o seu trabalho e trar-se numa fase ainda preliminar soltos. demonstração mais alargada sobremodo de operação habitual. As re- de pesquisa e de especulação, a tac- São projectos de artistas ou de es- a obra do artista convidado.sidências proporcionam um tempo tear intuições, ou numa fase já mais truturas que vão directamente ao O programa de residências artís-de suspensão num processo criati- avançada de realização, a precisar encontro das linhas programáticas ticas tem apresentações públicasvo e um espaço de reflexão sobre os de um tempo curto e intenso para que o atelier real quer promover. regulares de dois em dois meses, in-motivos que atravessam e animam fazer um exame do percurso desen- São escolhidos em função de um tercaladas com as apresentações doa construção de uma obra. volvido e medir os eventuais desvios conhecimento prévio do trabalho ciclo Restos, rastos e traços. As modalidades desse distancia- ocorridos até o momento. Pode ain- e do desejo do(s) artista(s) em sermento e reposicionamento variam em da encontrar-se numa fase de pré- acolhido(s) em residência. Essas re-função da fase em que se encontra produção, onde se dão os primeiros sidências são escolhidas tendo emDo projecto "Fedón" de Jesús Barranco. Foto de Ana Zaragoza. DR.

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