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Poemas de Álvaro Magalhães e José Braga

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Poemas de Álvaro Magalhães e José Braga

  1. 1. Língua Portuguesa Texto poéticoO astronautaO espaço não tem segredos para ele,atravessa a via lácteaenquanto eu atravesso a ruae conhece cada nuvem, cada estrela,cada metro de infinito.só não sabe onde fica o céu…Lá em cima, onde nascem os relâmpagos,ele abre sucessivas portas no armas o céu não está atrás de nenhuma delas.Desiludido, regressa à Terracom pequenos meteoros na algibeirae restos de cometas nos cabelos.Está a contar as mais incríveis histórias,mas fica calado quando lhe dizem “o céu…”Um dia, porém, ele irá lá,sem o belo fato de amiantoe sem o fumegante foguetão.Ficará tão leve que os seus pés O Astrólogomal tocam a terracomo quando foi, em menino, Enquanto os namoradosvestido de anjo na procissão. fazem desenhos coloridos do futuro à luz dos candeeiros e os bêbados começam a esquecer a tristeza pelos bares, ele estende a mão para tocar os astros e as estrelas solitárias. Nada sabe da sombra, da penumbra ou das terríveis escuridões, porque os seus olhos só vêem as brilhantes, longínquas constelações. Quando o Sol nasce ele adormece e cai num leve sono diurno, sonha que no seu aniversário lhe vão oferecer o anel de Saturno. in Álvaro Magalhães, O reino perdido, Edições Asa, 1986
  2. 2. O universoUns dizem que é abertoOutros que é fechadoOutrosainda que é planoCada um consoante o seu desejoPara mim o universoTem a forma de um beijoVaivém Pó de estrelasDo cabo Canaveralvai partir mais um vaivém Somos feitosQuem me dera quem me dera da mesma matéria que as estrelasque me levasse também e os amores-perfeitosEu queria olhar a Terra Somos feitospequenina lá do espaço de pó de estrelasPassar uma tangente a Martedar a Io um abraçoEscrever o meu nome em Uranofazer figas a Tritãoesperar que Caronteme viesse comer à mão MizaarE depois ao regressar Há dentro de ti uma estrela– e no maior segredo Porque não a deixas brilhar?queria trazer de saturno Não receies cegar os outrosum anel para o teu dedo Nem que estes te possam cegar Há dentro de ti uma estrela Mesmo que a luz seja fria Brilha tanto como as outras E brilha de noite e de dia In Jorge Sousa Braga, Pó de Estrelas, Assírio & Alvim, 2004; com ilustrações de Cristina Valadas

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