BR 380006 1                                     1/2E15/B/M/KVMINISTERIO DA AGRICULTURA. PORTO ALEGRE. RS (BRAZIL). DIRETOR...
A  N  A  I  S                         - DO -1.º Congresso Cooperativista                        - DO -              Rio Gr...
AGRADECIMENTO A Comissão Executiva das Deliberações      do     1. Co ngres so Co operativista do Rio Grande do Sul cumpre...
1.°   Congresso Cooperativista             do Rio Grande do Sul                 SESSÃO DE INSTALAÇÃO           QUINTA FEIR...
- 4 -4— Cooperativa Alcool e Aguardente "Ijuiense" - Ijuí      Paulo Kloeman5- Cooperativa dos Funcionarios Publicos de Sã...
- 5 -24- Banco Papular do Lageado- Lageado       Dr.Arthur Fischer25- Cooperativa Alcool "Farroupilha"- Alfredo Chaves    ...
- 6 -44- Cooperativa Madereira Federada de Pulador- Passo      Fundo      Baptista Valaiati45- Cooperativa Madereira Feder...
- 7 -61- Cooperativa Banha Sul Brasileira Ltda.- Dois Lageados      João Tremarin, Rubinho Marroni e Marcos Aiolfi62- Coop...
- 8 -      Será uma data remarcada na historia economica de nossapatria, porquanto já nos distanciamos muito dos outrospai...
- 9 -interesses que nos congragam neste Congresso não permanecemnos limites estreitos do particularismo e do regionalismo ...
- 10 -fé inabalavel nos princípios da cooperação. - Graças aessas     qualidades,      minúscula     organisação      dos ...
- 11 -fluencia na sociedade. Apenas com o objetivo materialimediato e sem o fator moral, a movimento cooperativonão teria ...
- 12 -       — No campo social o cooperativismo provê asfalhas e necessidades morais do associado, assistindo-ocom os serv...
- 13 -ciedade e 0 mundo voltarão a gozar a tranquilidade e apaz, por cuja posse todos porfiam com tanta ansiedade.       M...
- 14 -si os governados. O que, entretanto, é certo e fóra dedúvida, o que o interesse de Governo e povo, no desejolouvavel...
- 15 -      Poderá parecer contraditoria tal afirmação, siconsiderármos que é o próprio governo, a mesmaautoridade que leg...
- 16 -      Ha de testemunhar este Congresso ao Rio Grande eao Brasil inteiro, que o cooperativismo gaúcho já é umarealida...
- 17 -      O     Sr. Presidente — Não havendo mais quemqueira fazer uso da palavra, declaro encerrada a sessãode instalaç...
- 18 -                     1.ª SESSÃO PLENÁRIA                  8 DE DEZEMBRO DE 1938       A    primeira     sessão     d...
- 19 -cimento, que certamente se refletirá beneficamente no vastoe patriótico programa da administração do Estado Novo”.  ...
- 20 -      Proponho que se aprove a Comissão com uma salvade palmas.                            ( Palmas prolongadas)    ...
- 21 -                     2.ª SESSÃO PLENÁRIA                  9 DE DEZEMBRO DE 1938       A segunda sessão plenária aber...
- 22 -      Ilmos.   Srs.    Edison   Cavalcanti   Maia,   vice-presidente e Dr. Artur Fischer, Secretário do PrimeiroCong...
- 23 -      Ilmo. Snr. Dr. Gaspar Ochôa, D. Membro doConselho Técnico. - Nesta Capital.      Temos   a   satisfação   de  ...
- 24 -      O     Sr. Presidente — Está em discussão oparecer desta moção.      O     Sr. João Manoel Ataíde — Peço a pala...
- 25 -      Não sei como determina o regimento, mas se tenhodi reito á voto, voto no sentido de serem lidas astéses.      ...
- 26 -      Devemos convir em que os pareceres são muitasvezes as saz lacônicos e não dão uma idéia fundamentalda tése, o ...
- 27 -      Em relação propaganda do cooperativismo aprovaa sugestão alvitrada, sem dispensar a colaboraçãopreciosa da im ...
- 28 -   S U G E S TÕ E S Q U E FA Z A C O O FE R A T IV A DE P R OD U T OSS U I N OS D O C A Í S U P E RI O R , S O B RE ...
- 29 -em nosso estado, diversas CAIXAS RURAIS COM depósitosacima de 2. 000 contos, e os bancos que verificamanualmente gra...
- 30 -em cada cooperativa de produtos suínos, um funcionárioque goza a absoluta confiança da fábrica, afim de queas cooper...
- 31 -                        TÉSE N.° 2                    P A R E C E R            Sobre as sugestões apresentadas pela ...
- 32 -tivas organizadas de acôrdo com o Dec. lei 581, de 1.°de   Agosto   de   1938.   Esta  isenção    deve   atingirprin...
- 33 -      Pleitear junto á Delegacia da D.O. D. P. que essarepartição   estude   e   proponha   ao   Ministério   daAgri...
- 34 -                          TÉSE N.° 4                      P A R E C E R       O      Primeiro Congresso Cooperativis...
- 35 -      Logo, para se obter o bem dos cooperativados, nãopóde existir diferença de preço na aquisição da materiaprima ...
- 36 - de credito de 1. 000 constando na mesma um debito de500$000 fornecidos como adiantamento. Chega "B" que tambem é as...
- 37 -       O Sr. Edison Cavalcanti Maia - Sr. Presidente,esta tése gira esclusivamente sôbre a fòrma como ascooperativas...
- 38 -A cooperativa paga o preço do produto de acôrdo com a suaqualidade e, assim, naturalmente, o melhor produto deverá s...
- 39 -essenciais   —  o   intermediário   inescrupuloso,  queexplora, em muitos casos, o produtor.                        ...
- 40 -páginas incomparaveis de Domingos Boreo, pioneiro docooperativismo na Argentina, de Luiz Amaral, de Artur TorresFilh...
- 41 -       "Aliás, o colono, com o seu espírito maisesclarecido porque atualmente êle não mais zero áesquerda dos algari...
- 42 -gerente comercial da absoluta confiança dos associados, que nãofaça especulações mercantis, nunca se chegará áquele ...
- 43 -dutor. Todos nós aqui estamos para defender ocooperativismo adotado por todos os que seguem risca oideal dos 28 tece...
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Me003032
Upcoming SlideShare
Loading in …5
×

Me003032

882 views

Published on

0 Comments
0 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

No Downloads
Views
Total views
882
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
86
Actions
Shares
0
Downloads
1
Comments
0
Likes
0
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Me003032

  1. 1. BR 380006 1 1/2E15/B/M/KVMINISTERIO DA AGRICULTURA. PORTO ALEGRE. RS (BRAZIL). DIRETORIA DE ORGANIZACAO E DEFESA DA PRODUCAO1. CONGRESSO COOPERATIVISTA DO RIO GRANDE DO SULPORTO ALEGRE. RS (BRAZIL)8 DEC 1938 ANAIS DO 1. CONGRESSO COOPERATIVISTA DO RIO GRANDE DO SUL [BRASIL]PORTO ALEGRE. RS (BRAZIL)1938 203 P. (PT)BR 380006 1 2/2/G514MICROECONOMIAS; COOPERATIVA; COOPERATIVA DE PRODUTORES; RIO GRANDE DO SUL 205
  2. 2. A  N  A  I  S  - DO -1.º Congresso Cooperativista - DO - Rio Grande do Sul Realizado nos dias 8, 9, 10 e 11 de Dezembro de 1938ORGANIZADO PELA DELEGAÇÃO TECNICA DA DIRETORIA DE ORGANIZAÇÃO E DEFESA DA PRODUÇÃO DO m I N I ST ER I O D A AGRICULTURA no RIO GRANDE DO SUL e com a colaboração as Secretaria da Agricultura, Industria e Comercio PUBLICIDADE AMERICANA
  3. 3. AGRADECIMENTO A Comissão Executiva das Deliberações do 1. Co ngres so Co operativista do Rio Grande do Sul cumpre o grato dever de agradecer a todas as Cooperativas que tão gentilmente colaboraram para a confecção destes anais, permittindo desta fórma apresentarmos presente trabalho, fruto do esforço e abnegação das nossas entidades cooperativistas.
  4. 4. 1.° Congresso Cooperativista do Rio Grande do Sul SESSÃO DE INSTALAÇÃO QUINTA FEIRA, 8 DE DEZEMBRO DE 1938 A sessão de instalação, ou inaugural, do 1.°Congresso Cooperativista do Estado do Rio Grande do Sulteve lugar no dia 8 de Dezembro do ano de 1988, ás 8,40horas, na sala de reu niões da séde da Federação dasAssociações Rurais do Rio Grande do Sul, sob apresidência do Dr. Manoel Luiz Pizarro, que convidoupara fazer parte da mêsa as seguintes pessoas: MajorFagundes Teixeira, representante do Sr. Interventor Federal; Dr. jardelino Oliveira, representante do Sr.Secretário da Agricultura; Dr. Antonio Lopes Dias,representante do Sr. Secretário da Fazenda; Dr. SerafimMachado, representante do Sr. Chefe de Polícia; Sr.Edison Cavalcanti Maia, Delegado da Diretoria deOrganização e Defesa da Produção do Ministério daAgricultura Dr. Adolpho Ernesto Garcia Gredilha,Inspetor da Diretoria de Organização e Defesa daProdução, ambos representando o Dr. Arthur TorresFilho, Diretor daquele Departamento; Dr. ArturFischer, Secretário Geral da União das Cooperativasde Ploclutob Suinos do Rio Grande do Sul e Dr.Cassiano Fernandes, êste, convidado para secretariaro Congresso. Achavam-se presentes, além de grande númerode visitantes e representantes da imprensa, maisos seguintes senhores congressistas: DELEGADOS PRESENTES AO "Primeiro Congresso Cooperativista do Rio Grande do Sul"1— Cooperativa Sul Riograndense de Banha — Cruz Alta Carlos Schaffazick2 — Caixa Rural de Neu-Wurttemberg — Cruz Alta Carlos Schaffazick.3 — CooperativaViti-Vinicola Marcelinense — JoséBonifácio Waldemar Holleben
  5. 5. - 4 -4— Cooperativa Alcool e Aguardente "Ijuiense" - Ijuí Paulo Kloeman5- Cooperativa dos Funcionarios Publicos de São Gabriel Dr. Delfim Mesquita Barbosa6- Cooperativa Laticínios Pelotense -- Pelotas Dr.Delfim Mesquita Barbosa7- Cooperativa Bassanense de Produtos Suinos Domingos Todeschini e Carlos Pieta8- Cooperativa U. Colonial de produtos Suinos- Borges de Medeiros José Michelon, Pedro Billi, Luiz Fonini e Armando Secco.9- Cooperativa viti-Vinicola Pratense- Prata Domingos Todeschini10- Cooperativa Viti-VinicolaTamandará- Garibaldi josé Gava11- Cooperativa Alegretense de Carnes - Alegrete Simplicio Dorneles Dr. João Maximo dos Santos12- Cooperativa Viti-Vinicola Garibaldi - Garibaldi Humberto Lotti13- cooperativa de Laticinios Garibaldi- Garibaldi Humberto Lotti14- Cooperativa Federada de Canela Leon Vervacke15- Cooperativa Consumo Proletario das MInas Arroi dos Ratos- S. Jeronimo João Conceição de Souza16- Cooperativa Consumo idem Butiá- S. Jeronimo João Conceição de Souza17- Cooperativa Viti-Vinicola Riosinho- S. Antonio da Patrulha Guerini Pandolpho18- Cooperativa Viti-Vinicola São Pedro- Flores da Cunha Antonio Boff19- Cooperativa Banha Santa Izabel- José bonifacio Antonio Sirena20- Cooperativa Viti-Vinicola Barrense- José Bonifacio Antonio Sirena21- Cooperativa Produtos Suinos Santo Antonio- Palmeira João Muniz Reis22- Cooperativa Agraria São JOsé- Jaguary Maximiliano Cortiana23- Caixa Rural de Serro Azul- São Luiz Gonzaga Dr.Arthur Fischer
  6. 6. - 5 -24- Banco Papular do Lageado- Lageado Dr.Arthur Fischer25- Cooperativa Alcool "Farroupilha"- Alfredo Chaves Andre Argenta26- Cooperativa de Laticínios Bagéense- Bagé Dr. Cassiano Fernadez27- Cooperativa Rural Gabrielense- São Gabriel Dr. Manoel Luiz Pizarro28- Cooperativa dos funcionarios Publicos Portoalegrense Pedro Manoel Simon29- Cooperativa de produção dos Alfaiates e Costureiras- Porto Alegre Pedro Manoel Simon30- Cooperativa Sananduvense de Produtos Suinos- La- gôa Vermelha Rodolpho Lazzaroti e Antonio Navarini31- Cooperativa Viti-Vinicola "Aurora"- Bento Gonçalves João Marcon e virgilio Roman Ross32- Caixa Rural de Serro Azul- São Luiz Gonzaga Albano Wolkemer33- Caixa Rural de Arroi Grande Albano Wolkemer34- Cooperativa União Colonial de Igrejinha- Taquara Edmundo Kichler35- Cooperativa de Herva Matte Taquaryense Ltda.- Ta- quary Galdino Alves de Lima36- cooperativa Vitio-Vinicola Nova Bassano Ltda.- Prata Luiz Mattiolo e Humberto Simonato37-Cooperativa Agricola "São Paulo" Ernesto Turcato38- Cooperativa Federada de Erechim- Getulio Vargas Domingos Donida Filho39- Cooperativa Madeireira Federada de Cruz Alta José João Galias40- Cooperativa Madereira Federada de Passo Fundo Waldemar Langaro41- Cooperativa Madereira Federada de Carasinho Aloysio Stein42- Cooperativa Madereira Federada de Coxilha- Passo Fundo Ernesto MOrch43- Cooperativa Madereira Federada de Capo-erê- José Bonifacio Leopoldo Friedrich
  7. 7. - 6 -44- Cooperativa Madereira Federada de Pulador- Passo Fundo Baptista Valaiati45- Cooperativa Madereira Federada de Getulio Vargas Matias Lorenzon46- Cooperativa Madereira Federada de Pinheiro Machado Juvenal Morais47- Cooperativa Madeireira Federada de Sertão- Passo Fundo Humberto Heidrick48- Cooperativa Viti-Vinicola "Boavistense"- José Boni- facio Achiles Callefi49- Cooperativa de Produção Agro-Pecuária Serrana- Tu- paceretã Baldomero Fernandes50- Cooperativa dos Empregados da Viação Ferrea- San- ta Maria Domingos Branco Ribas,Dr. João Manoel Atahyde e Gumercino G. Silva51- Cooperativa Agricola São Pedro Francisco Hainzenreder, Gervasio Arasio Bernd e Gustavo Valeriano Santos52- Cooperativa Viti-Vinicola Antagordense- Ecantado Cicero Cavalcanti Rios53- Cooperativa Viti-Vinicola Pedro Alvares Cabral- En- cantado Cicero Cavalcanti Rios54- Cooperativa Bagéense de Carnes e Derivados Antonio Candido Franco e João Leoncio Vaz55- Cooperativa Prod. de Trigo e Outros Cerais Pratense - Prata Agostinho Tarosconi56- Cooperativa Madereira Rio das Antas Ltda. Atilio Lenzi57- Cooperativa Fruticultura Sulina Manoel Ferreira Cardoso58- Federação das Cooperativas Vinhos Sul Riograndense - Caxias Agostinho Zandomeneghi e Luiz Baron59- Cooperativa Viti-Vinicola Aliança Ltda.- Caxias Antonio Zanini60- Cooperativa Produção Banha SantAna- Getulio Var- gas Guido Giacomazzi
  8. 8. - 7 -61- Cooperativa Banha Sul Brasileira Ltda.- Dois Lageados João Tremarin, Rubinho Marroni e Marcos Aiolfi62- Cooperativa Alcool e Aguardente " Marcelinense" - José Bonifacio Julio Keller63- Central de Caixas Rurais- P. Alegre Gaston Englert, Dr, Albano Wolkmer, Vitor Half- ner e Roberto Kalmond64- Cooperativa Viti-Vinicola Ltda. Nova Milano- Farrou- pilha65- Cooperativa Madeireira Caxiense Ltda.- Caxias Giacomet66- Cooperativa Viti-Vinicola de Nova Milano Ltda. José Baungaertner67- Caixa Rural da M. Popular de Tamandaré- Carazinho Augusto F. Dihel68- Cooperativa Agraria de Consumo Santo Christo. Edmundo Brod69- Cooperativa produtos Suinos do Cahy Sup.- Harmonia Fredolino Fred.° e João Hugo Hartmann70- Cooperativa Viti-Vinicola Alfredo Chavense Ltda. Egydio Martini e Orlando Galeazzi71- Caixa Rural União Popular de Parecy Novo. Alfredo Finck e J. Alfredo Marx72- Cooperativa M. C. Sander- Taquara L.Edwino Krumenauer e Willy Laus73- Federação Associações Ruraes do R.G.S. Geraldo suel F.°,Dr. Irio do Prado Lisbôa, Dr. Del- phim Mesquita Barbosa e Dr. Gasper Ochôa74- Sociedade Cooperativa Viti-Vinicola Ltda.- Nova Vi- cenza. Ulysses J. Castagna75- Liga das Uniões Coloniaes Rgds. Adolar Lichtemberg76- Cooperativa M. C. Padilha. Sr. PRESIDENTE - Meus senhores. Jamais se me deparou melhor portunidade do queestá para reafirmar que a grandeza de nossa patriareside na solução de seu problema agrario, e esta sópoderá ser suficiente e rápida dentro dos postulados docooperativismo.Porisso, consideri um dos dias mais felizes de minhavida - e comigo vós outrtos, obreiros desta grandeza -o assistir o primeiro Congresso de Cooperativismo noRio Grande do Sul e no Brasil.
  9. 9. - 8 - Será uma data remarcada na historia economica de nossapatria, porquanto já nos distanciamos muito dos outrospaises civilizados que, dentro da cooperação, encontraram ummeio de solucionar seus problemas. Declaro, portanto, com muita satisfação, inaugurado o1º Congresso de Cooperativismo do Rio Grande do Sul e doBrasil. (Palmas prolongadas) Tem a palavra, pela ordem, o Dr. Artur Fischer, oradoroficial. Sr. Artur Fischer ___ exmo. Sr. Representante de S,Ex. o Sr. Coronel Interventor Federal, Exmos. Srs.Representantes de SS. Eex. os Srs. Secretarios de Estado edemais autoridades, Ilmos. Srs. Representantes da Imprensa,Srs. Congressistas. A designação de minha pessoa, para proferir nainstalação deste magnifico conclave cooperativista a oraçãooficial constituiu para mim distinção tão honrosa, quanto éardua e espinhosa a tarefa de bem desempenhar a incumbenciarecebida. Coloquei ao serviço deste honroso mandato toda a minhaboa vontade de cooperativista e os apoucados recursos daminha inteligencia, para corresponder, tanto quantopossível, á confiança dos generosos mandantes e áespectativa da distinta assembléa. Srs. Congressistas. escutai os aplausos que se fazem ouvir sem cessar. __E’ o Rio Grande cooperativo que, em seu desejo incontivo emexpandir-se e de prosperar, aplaude intusiasticamente ainiciativa da realisação do Primeiro CongressoCooperativista do Rio Grande do Sul. E’ um acontecimento sem precedentes para a vidaeconomica do estado. A sua importancia decorre danecessidade imperiosa e reconhecida pelos poderes públicosde organisar as forças produtoras e, ressalta aindaeloquente desta assembléa, onde os mais altos dignatarios dopoder constituido e os legitimos representantes do povo seconfundem num mesmo idealismo contrutor – num mesmo desejopatriotico de bem servir o povo e o Estado. Sobre as bases da cooperação, da solidariedade e dajustiça social, poderá contruir-se uma nova era deprosperidade e de paz, por todos aspirada com tantaansiedade. Não se trata srs. congrassistas, de um conclavevulgar, em que um determinado grupo ou classe deinteressados debatem assuntos particulares e interesses degrupos ou regiões. Os
  10. 10. - 9 -interesses que nos congragam neste Congresso não permanecemnos limites estreitos do particularismo e do regionalismo –Extravam esse âmbito e se pojetam sobre todo o Estadotocando interesses vitais da coletividade. Trata-se, senhores, de um Congrasso Cooperativista,cuja convocação estabeleceu ao leit-motif de servir o Estadoe de prestar serviços a coletividade, pela discussão edivulgação da doutrina dos principios e das virtudes sociaisda cooperação. E’ o Primeiro Congresso Cooperativista na especie quese realisa em terras riograndenses e, quiçá, em terrasbrasileiras, o que deve ser motivo de justo orgulho para oscooperativistas gaúchos e para o proprio governo do Estado. Deve-se a sua realisação á iniciativa de um pequenogrupo de verdadeiros apóstolos do cooperativismo, ao apoiointegral dos governos da União e do Estado e á simpatia detodo o Rio Grande produtor. Srs. congressistas, o cooperativismo não é, apenas,uma espécie ou forma de organisação social, êle é um“sistema” de organisação economica, difundido em todo mundoe que se baseia na solidariedade e na igualdade dos homens. A sua existencia data de quase um século. – Surgiu em1844, por assim dizer, das necessidades materiais e moraisda época e da humanidade. Os seus fundadores, 28 modestos tecelões de Rochdale,eram simples operários, sem maiores conhecimentos deeconomia do que os da privação e sem outra ilustração sobreassuntos sociais do que a da dura experiencia da vida. Quanto mais acentuava a crise de sua situação social,sem emprego e esem recursos financeiros para prover asnecessidades de sua subsistencia, irmanados na sorte e nodestino, conceberam a genial idéia de se unirem todos numa“societas fraternis”, com a finalidae de alcançarem, pelaconjugação de esforços e de sacrificios uma melhora de suasituação economica. – Reuniram com grande espírito derenuncia,depois de alguns meses de severa economia, umpequeno capital de 28 libras correspondendo uma libra porassociado. – Com esse capital inicial, iniciaram as suasoperações. escolheram entre si um associado, para fazer ascompras e distribuição dos artigos entre os demaiscompanheiros, conforme as necessidades de cada um. Instalavam assim, os operáros de Rochdale a primeiracooperativa de consumo de que nos fala a historia docooperativismo. releva mencionar que os tecelões de Rochdale erampossuidos de um profundo sentimento de solidariedade e deuma
  11. 11. - 10 -fé inabalavel nos princípios da cooperação. - Graças aessas qualidades, minúscula organisação dos deRochadale se desenvolveu e veio a constituir uma dasmais poderosas sociedades econômicas da Inglaterra. A prática da cooperação instituida pelospioneiros rochadaleanos foi repetida dentro de certasregras fundamentais, estabelecidas nos estatutos,regras essas subordinadas aos princípios democráticos editames da solidariedade humana. — Os resultadosobtidos como foi dito, foram surpreendentes, asociedade se desenvolveu e encontrou imitadores, e,assim, de uma simples organisação de emergencia paradefesa de interesses imediatos, foi surgir, lentamente,uma sociedade poderosa, cujos princípios básicos ecujos métodos funcionais, deviam servir de fundamento aum novo sistema de organisação econômica, que, em menosde um século havia de difundir-se por todo 0 mundo econstituir uma das correntes econômicas mais fortes emais simpáticas á quantas tem aparecido. As características essenciais do sistemaresultam, desde, logo, de sua própria estrutura efuncionamento. As cooperativas são sociedades de pessoas e nãode capitais, em que vale o elememto homem, que sesobrepõe ao elemento capital, apenas considerado comoelemento auxiliar. São organisações econômicas de caraternitidamente popular, visando fins de interessecoletivo, que são alcançados pelo emprego do métododemocrático e pela observancia dos princípios tecnicossancionados pelos princípios de Rochdale. Frola, em seu livro “Cooperação livre"caracterisa a ação cooperativa pelos seguintes trêselementos básicos: ——— 1) - E — uma associação dehomens desinteressados: -—— 2) -—- os intuitos dessaassociação são os de negociar em fórma coletiva oconsumo próprio ou a produção própria: —— 3) — adistribuição dos lucros se realisa na base da produçãosegundo a qual a sociedade e seus serviços sãoutilisados pelos associados. São êsses os pontos diferenciais que distingue acooperativa das demais organisações econômicas. Entretanto, não reside nesses pontos diferenciaisindicados a sua superioridade como organisaçãoeconômica. A sua maior força, a sua preferencia asuperioridade institucionais residem na sua altafinalidade social — no fim moral e cultural. A cooperativa, além de prever as necessidadesmateriais e econômicas do associado, visa e sepreocupa, tambem, com as suas necessidades morais. E na verdade, quanto mais cooperativa fizer pelodesenvolvimento das forças morais e culturais, maior será a sua in-
  12. 12. - 11 -fluencia na sociedade. Apenas com o objetivo materialimediato e sem o fator moral, a movimento cooperativonão teria força essa simpatia, — seria um corpo semalma. A alma do movimento cooperativo é pois a sua açãomoral — Em verdade não se conhecem outros institutoseconômicos que, a par de seus objetivos econômicos quedefendem com vantagem, amparem tambem, com tantaeficiencia, os seus associados em suas necessidadesmorais e culturais. O cooperativismo tem creado organizações que sãoverdadeiras potencias econômicas e, ao mesmo tempo,instituições de benemerencia social. O que o indivíduo isolado não consegue jamaisalcançar no setor de suas necessidades morais, ocooperativismo consegue, graças aos efeitos dacooperação e diretrizes de sua ação social segundo osprincípios de Rochdale. A cooperação bem compreendida e bem orientadapóde realisar no campo econômico-social verdadeirosmilagres. Quem duvidar da ação benéfica e construtora dacooperação e descrer de sua eficacia funcional naeducação e assistencia social, desconhece a realidadedos fatos. Na sua ação economica a cooperativa visa excluiros in termediários excessivos e desnecessários,procurando adquirir para os associados os bens de uso econsumo pessoal e doméstico, dirétamente nas fontes deprodução, e colocar, do mesmo modo, dirétamente, nosmercados consumidores, os produzidos pelos associados,depois de classificados e padronizados. Essa exclusão do intermediário parasita, não trazsómente uma diminuição no preço de aquisição e umamajoração no preço de colocação dos produtos para oassociado cooperativado; mas principalmente constitueuma maior garantia para o consumidor, no sentido dereceber um produto qualitativamente melhor equantitativamente mais exato. Ora, srs. congressistas na concurrencia excessivae desor denada entre os intermediários, para nãosucumbirem nessa luta de primazía, estes, muitas vezesse vêm forçados a recorrer ao expediente da qualidadedo peso, quando com o preço não pódem resistir. E um fenômeno natural e humano, mas deconsequencias danosas e anti-sociais. São êsses males e excessos da circulação edistribuição dos bens que o cooperativismo combate. E sem dúvida são êsses males da distribuição dosbens uma das causas principais do desequilibrio emiséria da sociedade contemporânea.
  13. 13. - 12 - — No campo social o cooperativismo provê asfalhas e necessidades morais do associado, assistindo-ocom os serviços e instituições de beneficencia, numaedificante demonstração de solidaridade humana. Graças ás suas vantagens e qualidades econômico-sociais incontestáveis, o cooperativismo floresceu epropagou-se pelos países e continentes afóra, e hojetem a sua existencia legal, como sistema de organizaçãoeconômica, assegurado em quasi todas as legislações domundo civilizado. A eloquencia sugestiva dos números convencemmelhor da superioridade do sistema, do que a vozautorisada do mais abalisado dos técnicos. Eis, srs. congressistas, como falam os números domovimento cooperativista mundial: as estatisticasafirmam existir número aproximado a 640.000cooperativas de toda a espécie, com um total superiorde 140.000.000 de associados, de todas as classes,credos, profissões e nacionalidades.Na legislação pátria, ha mais de 30 anos, vêmconsignado no seu corpo de leis, dispositivos especiaisa respeito do cooperativismo, regulando a suaconstituição e funcionamento e concedendo-lhes favoresfiscais. — Prova isso o interesse que o governobrasileiro tem pelo cooperativismo a sua expansão. E si o cooperativismo não se acha maisdesenvolvido no paiz é devido ao indeferentismo e ámentalidade retardada do nosso produtor, masprincipalmente do nosso operário, que desconhece aindaas vantagens da cooperação. Entre os Estados brasileiros, é o Rio Grande queocupa o primeiro logar em número de cooperativas, emsua quasi totalidade cooperativas agrícolas. — Segundo dados estatisticos é de 300 mais oumenos o número délas — com 45 a 50. 000 associados —Ocupa o segundo logar o grande Estado bandeirante, ondeexistem cooperativas modelares, como a "CooperativaAgrícola de Cotia". No sistema cooperativo, a cooperativa de consumoé a organização básica. Antes do produtor 0 homem éconsumidor. E a lacuna no nosso movimento cooperativose verifica precisamente nesse setôr. Organisa-se aprodução agrícola e a classe proletária, consumidorapor excelencia, continua indiferente ao movimento econtinua escravisada no reimen capitalístico. Segundo a doutrina dos pioneiros de Rochdale, aatividade produtora do homem devia estar subordinadaaos interesses e necessidades do consumo. E o dia em que os princípios dessa doutrina, a par dê umajusta distribuição, forem realisados entre os homens, a so-
  14. 14. - 13 -ciedade e 0 mundo voltarão a gozar a tranquilidade e apaz, por cuja posse todos porfiam com tanta ansiedade. Meus senhores, não se pode negar aocooperativismo a benéfica influência no campo dasatividades agrícolas e produtoras. Mas a sua açãosocialmente mais eficaz e mais benéfica é no meio daclasse proletária, entre os mais fracos e maisnecessitados. Nêsse setôr, organisando o operário emcoopera tivas de consumo, as possibilidades docooperativismo são inesgotáveis. O fenômeno a expanão unilateral do cooperativismobrasileiro no campo da produção e atividade agrícolas,encontra a sua explicação nas condições peculiares aonosso paíz, de imensa extensão territorial, onde aagricultura e a pecuaria constituem ainda a fonteprincipal da nossa riqueza econômica. A organisação das massas proletárias das grandecidades e dos centros industriais em cooperativas deconsumo, e a cen tralisação das cooperativas agrícolasnuma grande organisação central, constituem um vastoprograma de ação cooperativa, cuja realisação será aconsolidação do movimento. Constituirão êsses dois pontos objeto de exame ediscussão do plenário do Congresso. Si a legisiação cooperativa anterior era motivode receio para recomendar a fundação de cooperativas,por falta de garantias e por motivo de entraveislegais, o recente decreto-lei 581, de 1.º de agosto,adaptado ás necessidades do nosso meio, veio dissiparêsses receios. A legislação cooperataiva vigente, consignando adoutrina da cooperação livre, instituindo o registro ea fiscalisação obrigatoria das cooperativas, ofereceliberdade e garantia para a maior expansão docooperetivismo. A fiscalisação prevista na nova lei nãoé burocrática. Ela prevê cominações e penas, que vãodesde a aplicação de multa pecuniária até a cassação doregistro. Com essas providencias legais, o governo forneceao interessado a segurança de que a organisaçãocooperativa não poderá desvirtuar a sua finalidadeprecípua e fundamental — a prática da verdadeira elegítima cooperação. A importancia do cooperativismo na vida econômicado Estado e suas vantagens incontestaveis na vidasocial justificam plenamente a iniciativa da realisaçãode um Congresso Cooperativo, com o apoio moral ematerial que a êle emprestam o governo da União e doEstado. E com efeito, srs. congressistas, não se póde afirmarperentoriamente quem o maior interessado na expansão edesenvolvimento do legítimo cooperativismo, si o próprio Governo
  15. 15. - 14 -si os governados. O que, entretanto, é certo e fóra dedúvida, o que o interesse de Governo e povo, no desejolouvavel de alcançar o bem estar e a felicidaderelativa nesta vida é igual e comum. E diante das reiteredas e inequívocasmanifestações pú blicas do Chefe da Nação, exprimindoas suas preferencias e a sua confiança nocooperativismo, podemos esperar para o movimentocooperativo nacional, uma nova fase de desenvol vimentoe prosperidade. A organisação das nossas forças produtoras pelafórma cooperativa, num sistema peculiar e compativelcom 0 nosso regimen democrático, constitue uma dascaracterísticas do Novo Estado Brasileiro. O Estado Novo libertou a administraçãopública da influencia perniciosa e esteril da políticapartidária dos regimens passados, restituiu a ordem, atranquilidade e a segurança ao paíz, que desde entãoentrou num período de grandes e fecundas realisações. E, srs. congressistas, nêsse trabalho consitutivoda grandeza econômica e moral da nossa terra a da nossagente, os produtores do Rio Grande querem participarcom toda a sua bôa vontade. O primeiro Congresso Cooperativista do Rio Grandedo Sul, que se está instalando, neste momento, sob osmelhores e mais promissores auspícios, tem por esopotrazer ao Governo da União e do Estado, nessa arrancadapatriótica de iniciativas e realisações, a sua modestacolaboração. A colaboração consistirá em fócar, discutir adeliberar, com isenção de ânimo e elevação depropósitos, no plenario do Congresso, os problemas maispalpitantes que dizem respeito ao cooperativismo nomeio gaucho a aos legitimos interesses da produção. O Governo, interessado e preocupado em conhecer opensamento as necessidades da classe produtora, paramelhor orientar a sua ação administrativa no sentido deampará-la e assistí-la em sua atividade e iniciativas,conhecerá êsse pensamento dos produtores, atravéz dasconclusões e resoluções, que serão tomadas nêsteCongresso. Srs, Congressistas, as necessidades que, porventura, a classe produtora tem a registrar, sãovenciveis, sem auxilio ofi- cial. Mas 0 que constitueum obstáculo invencivel, sem colaboração dos própriospoderes públicos, são Os impedimentos de ordem legal eadministrativa, que tolhem o desenvolvimento daprodução em fórma cooperativa.
  16. 16. - 15 - Poderá parecer contraditoria tal afirmação, siconsiderármos que é o próprio governo, a mesmaautoridade que legisla e que administra, que desseja epatrocina a propagação do cooperativismo entre asclasses produtoras, especialmente en os agricultores ecriadores. Como poderá êsse mesmo governo causar entravesexpansão cooperativa!. Não póde pairar a minima duvida sobre a rétaintenção do governo e seus titulares de vêr propagado ocooperativismo. Os entraves são os decorrentes da imprecisão determos nas leis fiscais e orçamentarias no referente ásisenções para às cooperativas. As leis consignam .favores, mas na pratica esses favores são inacessiveispara as favorecidas, ou porque as exigencias econdições não pódem ser preenchidas ou porque asautoridades fiscais e arrecadadoras negam a concessão dofavor por emprestar outra interpretação aos termosda lei. Êsse estado de dúvida e incerteza, e umtratamento de sigual, é que prejudica sobremaneira onosso cooperativismo incipiente. E sobre êsse assunto oCongresso irá manifestar se com a franqueza esinceridade que devem caracterisar toda a açãocooperativista. Será menos prejudicial negar-se quaesquer favoresás cooperativas, do que consigná-los em lei e - não osconceder ou tornar impossivel a sua obtenção. Aos delegados das cooperativas, vindos de toclosos qua drantres do Estado, homens simples, mas de sensoprático, já familiarisados com a cooperação em nossomeio produtor, o Congresso oferece oportunidade paraexpor e demonstrar no plenário onde ha falhas e quaisos meios para os sanar ou remediar. o Congresso desempenhará, assim a funçãoaltamente patriótica de uma Câmara de autênticosrepresentantes da classe produtora, que debaterá, doponto de vista coletivo, os grandes e palpitantesproblemas econômicos e cujas resoluções servirão desubsidlo para a fixação das diretrizes, que o governodeverá adotar com relação aos problemas discutidos. E’ uma maneira democrática do produtor manifestare transmitir o seu pensamento aos representantes daadministração pública, prática que o Estado Novorecomenda em seu estatuto básico. Eis, srs. congressistas, o que deverá ser oPrimeiro Congresso Cooperativista do Rio Grande do Sul. — Uma escola de civismo e de educaçãocooperativa, e uma fonte valiosa de subsídios ecolaboração para a administração pública!
  17. 17. - 16 - Ha de testemunhar este Congresso ao Rio Grande eao Brasil inteiro, que o cooperativismo gaúcho já é umarealidade e marcha na vanguarda, a passos apressados,rumo ao seu gran dioso destino, no movimentocooperativo nacional. Em nome do Primeiro Congresso do Rio Grande doSul, agradeço a sua excia., o Interventor federal noEstado, o se fazer representar, o que é de excepcionalsignificação para este conclave, agradeço tambem, aoilustre titular da Pasta da Agricultura e presidente dehonra do Congresso, enfim, o comparecimento das demaisautoridades, representantes da imprensa e de entidadesde classes, que deram ao conclave o seu brilho esua expressão. Concluindo a minha oração, quero, ainda, em nornedo Primeiro Congresso Cooperativista do Rio Grande doSul, saudar São Paulo Cooperativista, na pessoa dodiretor do Departamento de Assistencia aoCooperativismo, dr. Octacilio Tomanick, e nas dosdiretores das grandes e modelares cooperativaspaulistas como leaders que são de idêntico movimento emterras bandeirantes. A saudação é extensiva, enfim, a todos oscooperativistas do Brasil. E o apelo da consciência cooperativa despertadaque, nessa saudação, concita e conclama a toclos oscompanheiros do mesmo credo e ideal, a seguirem oexemplo e de prestar a valiosa e indispensavelcolaboração patriótico movimento. Assim o Congresso marcará o início de um novoperíodo de desenvolvimento da cooperação e logrará oseu objetivo mais remoto, a vitoria integral docooperativismo no Brasil. E o nosso desejo e são os nossos votos". (Palmas prolongadas) O Sr. Presidente - Tem a palavra o representantedo sr. Secretário da Agricultura. O Sr. Jardelino Oliveira — Meus senhores. Devodeclarar que o sr. Secretário da Agricultura desejava,com muito empenho, comparecer sessão inaugural desteCongresso, porém foi impedido, em vista de ter, com oSecretariado e o Interventor Federal, de assistir áscomemorações que se realizam, agora á noite, naAssociação dos Funcionários Públicos. Por isso, deixou de comparecer pessoalmente, comoera seu desejo e aqui se acha por mim representado.
  18. 18. - 17 - O Sr. Presidente — Não havendo mais quemqueira fazer uso da palavra, declaro encerrada a sessãode instalação do 1.º Congresso Cooperativista do RioGrande do Sul e ao mesmo tempo peço aos representantesdas cooperativas que permaneçam no recinto, afim deiniciarmos, dentro em pouco, o ciclo de nossostrabalhos de plenário. (A sessão foi levantada ás 21,15 horas).
  19. 19. - 18 - 1.ª SESSÃO PLENÁRIA 8 DE DEZEMBRO DE 1938 A primeira sessão de instalação do 1.° Congresso Cooperativista do Rio Grande do Sul,com a presença de todas as pessoas que assistiram o atoinaugural, foi presidida pelo Dr. Manoel Luiz Pizarro. O Sr. Presidente — Está aberta a 1.ª sessãoplenária do 1.º Congresso Cooperativista do Rio Grandedo Sul. Convido para me auxiliarem, á Mesa, nos trabalhosdêste Congresso, os Srs. Dr. Arthur fischer, EdilsonCavalcanti Maia. Adolfo Ernesto Gredilha ha e, comoSecretário, o Sr. Cassiano Lourenço Fernades. (As pessoas acima mencionadas pelo Presidentetomam assento á Mesa). Dando inicio aos nossos trabalhos, convido a todos ossenhores congressistas que tenham trabalhos, tais comoteses, moções, sugestões, etc., que os enviem a Mesa,afim de que possam ser discutidos e votados. O Sr. Artur Fischer Peço a palavra, Sr. Presidente. O Sr. Presidente Tem a palavra o Dr. ArthurFischer, digno Secretário da das Cooperativas dosProdutos Suinos. O Sr. Artur Fischer —— Sr. Presidente, proponhoque sejam expedidos telegramas de comunicação dainauguração dêste Congresso e, bem assim, decongratulações, por êste auspicioso fato, ao Exmo.Sr. Dr. Getúlio Vargas, digno Chefe da Nação e ao EXmo.Sr. Ministro da Agricultura. Aliás, a organização decongressos, como o que óra realizarmos, foi sempredesejo do Exmo. Sr. Dr. Presidente da República, o quemelhor justifica a minha proposta. Era esta proposta que eu desejava formular. O Sr. Presidente -— Está em discussão a propostaformulada pelo Dr. Artur Fischer. (Ouve-se no recinto uma viva salva de palmas). Está aprovada unanimemente, por aclamação,a proposta apresentada pelo Dr. Arthur Fischer. O Sr. Secretário redigirá os telegramas, nostermos da proposta. (Foram assim vazados os telegramas em apreço): "Dr. Getúlio Vargas —— Temos a satisfação de vos comunicara instalação do 1.° Congresso Cooperativas do Rio Grande do Sul,comparecendo delegados de mais de cem cooperativas,congratulando-nos com v. excia, por tão auspicioso aconte-
  20. 20. - 19 -cimento, que certamente se refletirá beneficamente no vastoe patriótico programa da administração do Estado Novo”. “Dr. Fernando Costa — Com a presença de delegadosde mais de cem cooperativas dêste Estado, instalou-se o1.° Congresso Cooperativista, o qual se congratulandocom v. excia. manifesta o seu decidido propósito decolaborar com vossa fecunda e patrióticaadministração". Ambos os telegramas foram assinados pelos drs. ManoelLuiz Pizarro e Cassiano Fernndes, respectivamente,presidente o secretário do conclave. o Sr. Edison Cavalcanti Maia — Peço a palavra,Sr. Presidente. o Sr. Presidente — Tem a palavra o Sr. EdisonCavalcanti Maia. o Sr. Edison Cavalcanti Maia — Sr. Presidente,pedi a palavra apenas para avisar aos senhorescongressistas — cuja maioria, aliás, já me conhece, devez que já tivemos contato nestes últimos dois dias —que enviem á Mesa, afim de entrarem em discussões, seustrabalhos, suas téses e sugestões. Sei que muitos dos senhores tem trabalhos aapresentar, já escritos. Peço, pois, que os enviemagóra á Mesa. Os senhores que não os têm ainda passadosá máquina, ou mesmo manuscritos, poderão encaminhá-losá Mesa amanhã. Insisto em que os senhores que tem seus trabalhosprontos que os enviem á Mesa, afim de que a comissão aser nomeada possa desde já ir estudando os assuntos edar parecer, adiantando assim os seus trabalhos. Peço Também aos senhores congressistas que nãotenham o menor acanhamento em escrever as suassugestões, ou aquilo que desejam trazer ao nossoconhecimento. Sem nenhum constrangimento, deverão manifestarseus pontos de vista, pois so assim poderemos atingiraquilo que objetivamos. O Sr. Presidente — Vou ler assembléa a lista dosmembros da Comissäo que se encarregará de examinar astrabalhos apresentados e aprensentar conclusões sôbreos mesmos. E’ ela composta dos seguintes congressistas: ARTUR RECK DOMINGOS RIBAS ANTONIO ZABENEDETTI Dr. DELFIM MESQUITA BARBOSA Dr. ADOLFO ERNESTO GREDILHA AQUILES CALEFI ANTONIO CANDIDO FRANCO ATALIBA COUTINHO.
  21. 21. - 20 - Proponho que se aprove a Comissão com uma salvade palmas. ( Palmas prolongadas) Teremos amanhã uma reunião ás 9 horas, afim decoordenar os trabalhos relativos ás téses jáapresentadas. Dependendo do volume do trabalho, amanhãde manhã mesmo se marcará outra reunião dos membros daComissão, para á tarde. A’ noite, então teremos asegunda sessão plenária, como a de, hoje, em que serãolidos os pareceres dados e as conclusões relativas ástéses hoje apresentadas. Assim, peço aos senhores congressistas que nãofaltem á sessão de amanhã de noite, a realizar-se cominício ás 20,30, pois que se trata de uma reunião muitoimportante. Se os trabalhos não forem concluidos amanhã,haverá outra sessão sábado, quando, então marcaremos asessão de encerramento. Peço a todos os membros deste congresso a suamelhor colaboração, no sentido de atingirmos o melhorêxito possível, neste Congresso que, para se realizar,demandou, par certo, alguma soma de sacrifíciosdaqueles que vieram de longe, deixando seus afazerespara tratar de assuntos que dizem respeito ácoletividade. Cumpre-me mais agradecer a genlileza dadeferência de me elegerem Presidente dêste Congresso. Considero isso uma honraria acima das minhaspossibilidades e dos serviços que até hoje, porventura,haja prestado ao cooperativismo no Estado. Termino, agradecendo, antecipadamente, acolaboração venho de solicitar. Se algum dos senhores quizer fazer uso dapalavra, poderá fazê-lo. O Sr. Delfim Mesquita Barbosa —— Peço a palavra,Sr. Presidente. O Sr. Presidente -—— Tem a palavra o nobre congressista. O Sr. Delfim Mesquita Barbosa — Sr. Presidente,pedí a palavra para propôr á Assembléa que o ilustrePresidente, Dr. Manoel Luiz Pizarro seja incluido nacomissão encarregada de estudar os trabalhosapresentados a êste Congresso. (Palmas prolongadas) O Sr. Presidente — Mais uma vez agradeço estapróva de consideração e afianço que procurarei empregartodos os meus esforços no sentido de corresponder áconfiança da Assembléa. Muito obrigado. E estáencerrada a sessão. (A sessão encerrada ás 22,10 horas).
  22. 22. - 21 - 2.ª SESSÃO PLENÁRIA 9 DE DEZEMBRO DE 1938 A segunda sessão plenária aberta ás 20, 45 horas,na sala de reuniões da séde da Federação dasAssociações Rurais, com a presença de todos, ossenhores congressistas, sob a presidência do Dr. ManoelLuiz Pizarro. O Sr. Presidente - Declaro aberta a segunda sessãoordinária do 1.° Congresso Cooperativista do Rio Grande do Sul. O Sr. Secretário vai procéder á leitura do EXPEDIENTE (O Secretário lê): Ilmo. Sr. Presidente do 1.° Congresso Cooperativista do RioGrande do Sul. — Nesta Capital. Impossibilitado de comparecer Sessão inauguraldêsse importante Congresso, faço-me representar peloAgrônomo Jardelino V. Ribeiro, Diretor da Diretoria daIndustria e Comércio desta Secretaria de Estado, aomesmo tempo que augúro o máximo êxito aos seustrabalhos. Aproveito o ensejo para apresentar-vos os meusprotestos de elevado apreço e de especial consideração. Saúde e Fraternidade. (ass.) Ataliba de F. Paz Secretário da Agricultura. Presidente Primeiro Congresso Cooperativista. —Casa Rural. — P. Alegre. Em nome Sindicato Agronômico, cumprimento Mesa1.° Congresso Cooperativista Rio Crande do Sulinauguração trabalho, almejando importante conclave serevista máximo bri lhantismo, com resultados altamentesignificativos economia Estado. Respeitosas saudações (ass.) Claudio Osorio Pereira Presidente. Ilmo. Snr. Presidente do Congresso dasCooperativas. — Nesta. , Ao serem instalados os trabalhos do Congresso soba presidência de V. S., este Instituto, que tem a honrade congregar a quasi totalidade das cooperativas viti-vinicolas do Estado, apresenta os melhores votos defeliz êxito. Atenciosas saudações. Instituto Rio Grandense do Vinho.
  23. 23. - 22 - Ilmos. Srs. Edison Cavalcanti Maia, vice-presidente e Dr. Artur Fischer, Secretário do PrimeiroCongresso Cooperativista do Rio Grande do Sul. — CasaRural. Temos a satisfação de comunicar-vos, em atençãoao vosso gentil convite de 30 de novembro findo, queesta Federação far-se-á representar no PrimeiroCongresso Cooperativista pelos srs. Geraldo Snel F.°,Dr. Irio do Prado Lisbôa, Dr. Delfim de MesquitaBarbosa e Dr. Gaspar Ochôa. Formulando votos para que o presente conclavealcance os mais profícuos resultados para aintensificação e fortalecimento das nossas organizaçõescooperativistas, servimo-nos do presente paraapresentar á Mesa e aos srs. Congressistas as nossasmais cordiais saudações. (ass.) Homero Fleck, vice-presdente em exercício. Ilmo. Snr. Dr. Delfim de Mesquita Barbosa, D.Membro do Conselho Técnico. — Nesta Capital. Temos a satisfação de comunicar-vos que,atendendo a especial convite do Primeiro CongressoCooperativista a instalar-se na Casa Rural, ás 20 horasde 8 do corrente, fôstes designado para, junto dos srs.Geraldo Snel F.° dr. Irio do Prado Lisbôa e dr. GasparOchôa, representar esta Federação na sessão inaugural etrabalhos subsequentes dêsse importante conclave. Agradecendo vossa aquiescencia a esta indicação eformulando votos de brilhante atuação, enviamo-vos asegurança de nossa elevada estima e consideração. (ass.) Homero Fleck, vice-presidente em exercício. Ilmo. Snr. Dr. Irio de Prado Lisbôa, D. Membro doConselho Técnico. — Nesta Capital. Temos a satisfação de comunicar-vos que,atendendo a especial convite do Primeiro CongressoCooperativista, a instalar-se na Casa Rural, ás 20horas de 8 do corrente, fostes designado para, juntodos srs. Geraldo Snel F.°, dr. Delfim Mesquita Barbosae dr. Gaspar Ochôa, representar esta Federação nasessão inaugural e trabalhos subsequentaes dêsseimportante conclave. Agradecendo a vossa aquiescencia a esta indicaçãoe formulando votos de brilhante atuação, enviamo-vos asegurança de nossa elevada estima e distintaconsideração. (ass.) Homero Fleck, vice-presiderite em exercício.
  24. 24. - 23 - Ilmo. Snr. Dr. Gaspar Ochôa, D. Membro doConselho Técnico. - Nesta Capital. Temos a satisfação de comunicar-vos que,atendendo a especial convite do Primeiro CongressoCooperativista a instalar-se na Casa Rural, ás 20 horasde 8 do corrente, fostes designado para, junto dos srs.Geraldo Snel F.°, dr. Irio do Prado Lisbôa e dr. Delfimde Mesquita Barbosa, representar esta Federação nasessão inaugural e trabalhos subsequentes dêsse importante conclave. Agradecendo vossa aquiescencia a esta indicação eformulando votos de brilhante tuação, enviamo-vos aseegurança de nossa elevada estima e distintaconsideração. (ass.) Homero Fleck, vice-presidente em exercício. o Sr. Presidente — se algum dos senhorescongressistas quizer fazer uso da palavra, estou prontoa concedê-la. (Pausa)Ninguem desejando tomar a palavra, passamos á leituradas atas, respectivamente, da sessão inaugural e daprimeira sessão plenária. (O Secretário as atas aludidas) O Sr. Presidente — Estão em discussão as atas queacabam de ser lidas. O Sr. Edison Cavalcanti Maia — Peço a palavra,Sr. Presidente. O Sr. Presidente — Tem a palavra o nobre congressista. O Sr. Edison Cavalcanti Maia - Sr. Presidente,pedí a palavra apenas para pedir seja feita umaretificação relativa aos nomes dos membros da Comissãoencarregada de dar parecer sôbre as téses apresentadas,isso porque houve a omissão de um membro, o dignocongressista Sr. Antonio Zambenedetti. Era tão sómente o que me cumpria pedir a V. Ex. O Sr. Presidente — Perfeitamente, V. Ex. seráatendido. Continuam em discussão as atas. (Pausa) Não havendo quem faça uso da palavra, ponho-as emvotação. Os senhores que as aprovam, queiram conservar-se sentados. (Pausa) Aprovadas. O Sr. Secretário vai proceder á leitura dastéses apresentadas e dos respectivos pareceres. (O Sr. Secretário lê):
  25. 25. - 24 - O Sr. Presidente — Está em discussão oparecer desta moção. O Sr. João Manoel Ataíde — Peço a palavra Sr.Presidente. O Sr. Presidente — Tem á palavra o nobrecongressista. O Sr. João Manoel do Ataíde — Sr. Presidente,acho que o parecer está perfeitamente claro e resumede um modo, alías, brilhante todo o ponto de vista damoção apresentada. Vê-se, desde logo, que o quepretende a moção é de ordem restrita da própriaorganização da própria entidade. Por isso, requeiro,Sr. Presidente, que seja logo posto em votação oparecer. O Sr. Presidente — Perfeitamente. Está em votaçãoo parecer que vem de ser lido. (Pausa) Não havendo quem queira fazer uso da palavra,encerro a discussão e o ponho a votação. Os senhoresque o aprovam, queiram conservar-se sentados. (Pausa) Aprovado. O Sr. Edison Cavalcanti Maia — Peço apalavra, Sr. Presidente. O Sr. Presidente — Tem a palavra. O Sr. Edison Cavalcanti Maia — Sr.Presidente, proponho que seja dispensada a leitura dastéses apresentadas, por isso que ha algumas muitolongas e essa prática viria tomar um enorme tempo dosnossos trabalhos. Naturalmente, qualquer um dos senhorescongressistas que clesejar desejar exclarecimentopoderá pedi-lo, sendo imediatamente atendido. O Sr. Gastão Englert Peço a palavra, Sr. Presidente. O Sr. Presidente — Tem a palavra. O Sr. Gastão Englert Sr. Presidente, euentendo que é de grande valor a leitura das téses. Porexemplo, êste trabalho que foi lido há pouco, por bôaque seja a conclusão do parecer da comissão queexaminou o aasunto, me pareceu muito mais importante aleitura da tése-relatório do que propriamente doparecer da comissão, porquanto o relatório traz bemclara e nitidamente a prática do cooperativismo. Nem tudo o que parece bonito na teoria se realizana prática com a mesrna felecidade. E por isso, Sr. Presidente, que eu entendo queas téses, deste que não sejam de 10 ou 12 folhas, devemser lidas, porque é de sua leitura que o auditóriopoderá acompanhar, em todos os seus detalhes, asobservações feitas pelos cooperativistas da prática edo trabalho.
  26. 26. - 25 - Não sei como determina o regimento, mas se tenhodi reito á voto, voto no sentido de serem lidas astéses. (Pausa) O Sr. Delfim Mesquita Barbosa — Peço a palavra,Sr. Presidente. O Sr. Presidente - Tem a palavra. O Sr. Delfim Mesquita Barbosa — Sr.Presidente, em todos os congressos é praxe ler-sesómente as conclusões das téses. Seria enfadonho ecansativo para o auditório ler-se tudo. Os pareceres dacomissão resumem as conclusões das téses. H Ademais,qualquer dos senhores congressistas que quizerem tomarconhecimento mais detalhado dos assuntos pedirão aleitura da tése. Aliás, Sr Presidente, todas elas serãooportunamente publicadas para que todos tomemconhecimento das mesmas. Acho que devemos assim proceder, pois, casocontrário, não encerraremos o nosso Congresso em menosde uma semana. * Era o que eu tinha a dizer. (Palmas) O Sr. Presidente - Alguem mais quererámanifestar-se sôbre o assunto O Sr. Edison Cavalcanti Maia — Poderiarnos deixarde ler as téses longas. O Sr. Delfim Mesquita Barbosa — isso seria fazerexceções; ler umas e deixar de ler outras, Parece-meque sómente deverão ser lidas as que fossem solicitadaspelo plenário. O Sr. João Manoel Ataíde — Creio que a melhorsolução e a de se lerem apenas as téses, cuja leiturafor requerida pela assembléia. O Sr. Ronato Costa — Peço a palavra, Sr. Presidente. O Sr. Presidente — Tem a palavra. 0 Sr. Renato Costa —Sr. Presidente, comorepresentante de uma cooperativa de cebolas do RioGrande, e após ter ouvido a palavra do ilustrecooperativista Gastão Englert e compreendido o objetivoque o anima, qual seja o de que a assembléa tomeconhecimento de todas as téses apresentadas aoCongresso, quero, entretanto, ressaltar que, de fato,seria, como lembram alguns congressistas, muitocansativa a leitura de 10 ou 15 páginas de uma tése.Por outro ido, há problemas dentro dêste Congresso cujoconhecimento não póde deixar de tomar detidamente aatenção dos congressistas. De forma que me parece que a- sugestão apresentada pelo nobre representante daCooperativa da Viação Férrea, no sentido de serem lidasapenas as téses designadas pelo plenário, vemsolucionar perfeitamen- te a situação.
  27. 27. - 26 - Devemos convir em que os pareceres são muitasvezes as saz lacônicos e não dão uma idéia fundamentalda tése, o que poderá prejudicar, como muito bem lembrao Sr. Gastão Englert, o espírito do trabalho doscongressistas. São estas, Sr. Presidente, as minhas conclusões, quepediria fossem submetidas ao critério da assembléia. (Palmas) O Sr. Ernesto Morsch —- Peço a palavra, Sr. Presidente. O Sr. Presidente * Tem a palavra. O Sr. Ernesto Morsch — Sr. Presidente, tendoouvido com muita atenção todas as sugestõesapresentadas, sôbre o assunto em debate, eu queriaprôpor um meio termo, que julgo solucionar por completoo “impasse”. E’ que tenhamos conhecimento das téses,através de uma súmula. Caso esta não satisfaça, então,o plenário poderá reclamar a leitura integral. (Palmas) O Sr. Presidente — Eu pediria aos senhorescongressistas que fixassem o rumo da discussão. Sem querer impor a minha idéia, o meu ponto devista, lembro assembléia que a última sugestãoapresentada é perfeitamente viavel e peço licença parapô-la em votação. Os senhores que concordam com ela, queiramconservarse sentados. (Pausa) Aprovada. O Sr. Vice- Presidente vai auxiliar o Sr. Secretário,na leitura dos pareceres. (O Sr. Edison Cavalcanti Maia lê): TÉSE N.° 1 P A R E C E R O Primeiro congresso Cooperativista do RioGrande do Sul, reunido em 8 de Dezembro de 1939, emPorto Alegre, adota o seguinte voto:que as sugestões alvitradas na presente moção sãolouvaveis, mas a sua efetivação diz respeito á vidainterna das entidades, exceção feita da quota do valorde 500$000, não permitida por lei. Quanto ao financiamento ás cooperativas,constitue materia que vem intessando vivamente todas asentidades do territorio nacional e sua solução já seesboça atravéz a creação da carteira de CreditoAgrícola ultimamente creada pelo Governo Federal.
  28. 28. - 27 - Em relação propaganda do cooperativismo aprovaa sugestão alvitrada, sem dispensar a colaboraçãopreciosa da im prensa. No que se relaciona com ostécnicos e procura de mercados, é assunto que dependeda ação da diretoria executiva de cada entidade e que,no desempenho de suas funções não poderá se afastardo que, com muita elevação, é sugerido no trab-alho em apreço. Delphim Mesquita Barbosa, Presidente Manoel Pazarro, relator A. Caleffi Adolpho Gredilha Antonio Candido Franco.
  29. 29. - 28 - S U G E S TÕ E S Q U E FA Z A C O O FE R A T IV A DE P R OD U T OSS U I N OS D O C A Í S U P E RI O R , S O B RE 0 SE U DE S E N VO L V IMENTO E EXPERIÊNCIA, DESDE A SUA CONSTITUIÇÃO ATE UM ANO DEPOIS DE FUNCIONAMENTO. NOÇÃO DO PROGRAMA DA COOPERATIVA O programa da Cooperativa em 29 de julho de 1935data da fundação de nossa cooperativa, não foiconcebido pela compreensão dos gricultores do nossoambiente, daí a enorme relutãncia para os propagadoresdo cooperativismo. —— Cooperativa: era um termocompletamente desconhecido. A noção foi infiltrada aospoucos pelas repetidas explicações nas assembléiasgerais: por visitas aos agricultores pelos membros doConselho Administrativo etc. Os favores fiscais ás cooperativas eram ignoradospelos agricultores, daí o desinteresse e o retraimentodos mesmos. A consecução do registro das cooperativasera um enredo de dificuldades, nas diversasrepartições, e, precedia a fundação de um respectivoConsórcio, tambem desconhecido, etc. — Estes e maisoutros fatores entravaram o rápido alastramento doCOOperativismo e é por mesmo que 0 sucesso ainda estábastante retardatário. FINANCIAMENTO E IRREGULARIDADE DE QUOTAS Na nossa cooperativa a tomada de quotasirregular. A parte dos nossos associados subscreveramsómente uma quota-parte, daí a grande falta de capital.Temos 550 sócios que tomaram parte no capital socialcom apenas 100$000 ou, seja uma quota-parte. 0 valor deuma quota é de Rs. 100$000. Sôbre este ponto palpitante que é o patrimônio,pedimos venis, para sugerir que o valor de uma quota-parte deveria Rs. 500$000, embora que um ou outro,sócio, menos abastecido, não poderia realisar oimediato pagamento; poderiam, então estes, fazerpagamentos em 5 prestações realisaveis em cada entregade suinos. () máximo poderia ser de 10:000$000 ou seja20 quotas-partes de Rs. 500$000. Em adiantamento á questão financeira achamosconveniente pagar uma taxa de juros, aos associados,muito modica, porque em caso contrário, no fim doexercício as despezas serão muito grandes. E não é ojuro alto que induz os agricultores a levarern o seupatrimonio ás CAIXAS RURAIS e BANCOS e sim a confiançaadquirida pela longa existência dessas instituições decrédito. Pagam atualmente o juro de 4 e 5 % e têm,
  30. 30. - 29 -em nosso estado, diversas CAIXAS RURAIS COM depósitosacima de 2. 000 contos, e os bancos que verificamanualmente grandes lucros, porque não pagam 12 % dejuros não o fazem porque é préciso trabalhar comdinheiro a juros baratos. Outrosim seria aconselhável a seguinte medida:cada associado pagaria uma joia de admissão no primeiroano de Rs 10$000 e em todos os subsequentes Rs. 5$000até que fosse constituido um patrimônio mais ou menosdisponivel para negociar á vista. AO passo que isto seia alcançando, poderiam ser restituidos os empréstimose obrigações com os seus pesados juros. - O resultado seria cada vez mais satisfatórioporque a cooperativa trabalhava com um capital que nãovencia juros no fim do período. O patrimônio assim obtido tomaria o nome de:Reforçamento do Capital. Porque do resultado satisfatório do Balançodepende o ingresso de novos sócios e evita oretraimento de sócios antigos. Um sócio que se retira,arrasta um outro e o outro mais diversos, diminue,pois, a produção, diminue a movimento, estagna oprogresso e finalmente poderá advir daí odesmoronamento da sociedade. NORMA FINAL: Consecução de capital próprio ajuros módicos. PROPAGANDA DO COOPERATIVISMO Deve começar-se uma intensa propaganda docooperativismo, porém, não só pela imprensa e sim poração diréta de propagadores Distritais, isto é: em cadadistrito deveria existir uma pessoa de vontadedinâmica, idônea, culta e cooperatlvista que visitasse,periodicamente, os associados de sua área de, ação, dorespetivo distrito, controlando os produtos a fornecer,contribuindo a confecionar estatísticas da PropriedadeProdutiva, dando explicações aos associados e levandoas impressões sugestivas dos mesmos á DiretoriaExecutiva. Como tambem dar parte dos que violarem osestatutos, por exemplo: a venda de seus produtos a.terceiros recebedores, porque recebem algo mais,tornando-se assim sócios infieis e traidores daagremiação dos agricultores, e, infratores dasdisposições estatutárias. A remuneração desta pessoadevia ser custeada pelo Ministério da -Agricultura.APERFEIÇOAMENTO TÉCNICO NO REGIME INTERNO Um papel importante a desempenhar seria a contratar umtécnico de mão cheia no terreno das conservas, a ensinar,
  31. 31. - 30 -em cada cooperativa de produtos suínos, um funcionárioque goza a absoluta confiança da fábrica, afim de queas cooperativas possam competir com as demais fábricasque desfrutam bom renome e que já existem há longosanos. Pois é preciso que as cooperativas de produtossuinos produzam mui diversos produtos afim de que nãoseja laçada uma mercadoria nos mercados consumidores emsuper-produção e a outra em escassez. PROCURAR MERCADOS CONSUMIDORES EXTRAN- GEIROSConforme nos consta todas as cooperativas deprodutos suinos vendem os seus produtos manipulados nopróprio país; no tocante banha é este sistema umcaminho que leva á super-produção. Para evitar que os mercados nacionais fiquemdemasiadamente abarrotados do ouro branco, convenienteque haja regular exportação para o extrangeiro de sorteque a indústria suinocultora não define demais nosresultados e que não venha a inutilisar tantos esfôrçosconjugados nas cooperativas de produtos suinos, queultimamente, Sob a investidura de incalculaveissacrifícios, surgiram na prospera terra gaúcha. CONGRESSO DAS COOPERATIVAS: Congratulamo-nos imensamente com a nobreiniciativa do Congresso das Cooperativas que está sendopromovido por verdadeiros timoreiros dinâmicos docooperativismo gaúcho que precisa de esteio e amparo emtodas as suas formas e todos os terrenos. Oxalá que dos trabalhos sugestivos que todas ascooperativas hão de mandar ao Congresso seja tirado omais prático possivel afim de que o sistemacooperativista fique em breve melhormente adotado ásexigências da atualidade, passando por remodelações atéchegar ao nível básico que a prática e a experiênciaensinam. Fazemos votos que este primeiro congressocooperativista Riograndense seja coroado com o maisesplêndido sucesso e que o mesmo surta o efeito quetodos esperam dele. Reiteramos os nossos protestos de solidariedade eapôio aos organizadores do congresso, suscrevendo-noscom toda estima e apreço.Em nome da Cooperativa de Produtos Suinos do Caí Superior Fredolino Frederico Vogt Diretor-comercial.
  32. 32. - 31 - TÉSE N.° 2 P A R E C E R Sobre as sugestões apresentadas pela Sociedade Cooperativa de Fruticultura Ltd., de Montenegro. O 1.° Congresso Cooperativista do Rio Grande doSul, reunido em 8 de Dezembro do 1938, em Porto Alegre,adota o seguinte voto: que se tome em consideração as sugestõesapresentadas pela Sociedade Cooperativa de FruticulturaSulina Ltda., de Montenegro, e que o Congressoprovidencie para o seguinte:1.°) que se oficie á Secretaria da Agricultura do Estado no sentido de que esta estude as possibilidades de crear e manter um serviço de assistência técnica á citricultura riograndense a exemplo do que vem fazendo com a viti- vinicultura, para o qual o Estado mantem um corpo de instrutores-enologos que percorrern as zonas de produção ministrando ensinamentos culturais e de preparação.2.°) que o orgão, cuja creação vai ser estudada por este Congresso, inicie desde logo, as demarches no sentido de remover os males oriundos da falta e da deficiencia de transporte dos nossos produtos citricolas pare os mercedes platinos, males estes que anulam quasi por completo todos os esforços dos citricultores gauchos em prol da creação de uma citricultura racional e rendosa.3.°) que os favores de ordern tributaria pleiteados para as cooperativas em geral sejam extensivos as cooperativs citricolas. Sala das Sessões, 8de Dezembro de 1938. Delphim Mesquita Barbosa, Presidente Arthur Rech, Relattor Manoel Pizarro Aclilles Caleffi Adolpho Gredilha.Indicação apresentada pela Cooperativa de Fruticultura Sulina, de Montenegro, ao I Congresso Cooperativista do Rio Gránde do Sul. A Sociedade Cooperativa de Fruticultura Sulina Ltda.,com séde em Montenegro, pelos seus delegados abaixoassinados, vem trazer a este Congresso as seguintessugestões: 1.° — Este Congresso deve pleitear junto ao Governo doEstado a isenção de todos os impostos para todas as coopera-
  33. 33. - 32 -tivas organizadas de acôrdo com o Dec. lei 581, de 1.°de Agosto de 1938. Esta isenção deve atingirprincipalmente o imposto de vendas e consignações: 2.° — As Sociedades Cooperativas de fruticultura,deste Estado, para poderem progredir e valorizar afruticultura riograndense, necessitam por parte doGoverno Federal da localização nos municipios deprodução citricola, de um agronomo que, permanentementeoriente os colonos no plantio e tratamento dos seuspomares e na colheita das frutas, com poderes oficiaistambem para obrigar o combate sistematico ás formigas,assim como a organização de diversos laranjais modelosem diversos municipios para servirem de escola praticanos citricultores que desejam melhorar os seuslaranjais e organizarem novos pomares. Este Congressopelos seus dirigentes, deve pleitear do Governo Federalos beneficios acima apontados; 3.° — Sendo a produção da laranja deste Estado,quasi toda exportada para os mercados argentinos torna-se necessario, urgente e de capital importancia para avida das sociedades cooperativas de frutas a melhoriados nossos meios de transporte com camaras frigorificasafim de que possamos apresentar naqueles mercados umproduto são e sem as desvalorizações atuais causadaspelo nosso deficiente meio de transporte. EsteCongresso deve estudar o assunto e apresentar sugestõesao Governo do Estado. Finalmente esta sociedade req uer que sejaconsignado em ata um voto de louvor dignissima comissãopromotora deste Congresso que com tanta inteligencia epatriotismo vem desempenhando a sua ardua tarefa. Porto Alegre, 9 de Dezembro de 1938. (as.) Pedro Gallas — Presidente Raul A. F. da Cunha — Diretor-Gerente Manoel Ferreira Cardoso — Delegado. TÉSE N.° 3 P A R E C E R o Primeiro Congresso Cooperativista do Rio Grandedo Sul, reunido em 8 de Dezembro de 1938, em PortoAlegre, adota o seguinte voto: Pleitear junto ao Serviço de Fomento de ProduçãoVegetal do Ministerio da Agricultura que forneça asCooperativas Agricolas, onde existirem, sementesselecionadas para que essas entidades se incumbam darespectiva dlstribuição aos agricultores interessados.
  34. 34. - 33 - Pleitear junto á Delegacia da D.O. D. P. que essarepartição estude e proponha ao Ministério daAgricultura um meio do mais simples para os fins deregistro dos agricultores, com possibilidade derequerimentos coletivos por parte de entidadescooperativistas devidamente legalizadas. Delphim Mesquita Barbosa, Presidente Manoel Pizarro, Relator Adolpho Gredilha Antonio Candido Franco Domingos Branco Ribas.AO MINISTÉRIO DE AGRICULTURA — PORTO ALEGRE Para estudo a Caixa Rural União Papular DETamandaré remete a proposta abaixo: Iº Que as Cooperativas sejam encarregadas dadistribuição de Sementes colecionadas e outros favorese distribuições do Ministerio da Agricultura. MOTIVOS: 1) Por quasi em maioria os empregados publicos,recebedores destas sementes, não terem pratica algumaem seu cultivo, resultando com isso a má distribuição eseu máo desenvolvimento. 2) Por as Cooperativas serem compostas de socioscom um só fim: Exemplo: A’ Cooperativa de Fumos deverão serenviadas as sementes do fumo; Cooperativa de outroscongeneres, conforme sua cultura, ou sejam enviadasCooperativas de Crédito, pois seus socios são emmaioria agricultores. II.° Que os socios das Cooperativas sejam todosinscritos no Ministerio da Agricultura automaticamente,considerando todos os socios conforrne ListasNominativas inscritos. E para bons desenvolvimentos desejamos felizesresultados, firmando-nos com atenção. Pela Caixa Rural União Popular de Tamandaré: Miguel Boecher, Presidente Augusto Frich, Gerente R P. Dichl, Contador aux.
  35. 35. - 34 - TÉSE N.° 4 P A R E C E R O Primeiro Congresso Cooperativista do Rio Grande doSul, reunido em Porto Alegre, adota o seguinte voto: Reconhece procedencia dos conceitos e pontos devista da Cooperativa Bassanense de Produtos SuinosLtda., entretanto, a adoção das medidas sugeridas emsua moção depende unicamente dos regulamentos internosdas respectivas entidades. - Delphim Mesquita Barbosa, Presidente Manoel Pizarro, Relator Antonio Candido Franco Achilles Caleffi Arthur Rech Domingos Branco Ribas.(Apresentada pela Sociedade Cooperativa Bassanense de Produtos Suinos Limitada) As Cooperativas chegarão sómente a obter o seu verdadeiro fim que é: “0 bem dos cooperativados", adquirindo a materia prima num preço unico entre seus associados. Com este assunto quero falar no verdadeirosistema das cooperativas em adquirir a materia primanum preço unico, com o fim de alcançar a sua verdadeirafinalidade, qual seja “() bem dos seus associados". Sendo este assunto, to, que mais, ou menos, quasiunicamente se relaciona as cooperativas de produção,rescindo das de consumo, escolares e outras pordiferirem do assunto em apreço, vindo, portanto,refletir sobre as cooperativas de produtos suinos, devinho, de trigo, todas enfim as que se referem áagricul- tura, ou por outra, aos agricultores. Inumeros são os adversarios das cooperativas dosagricultores, em modo especial dos suinocultores eviticultores, por serem os produtos por estas entidadeselaborados os que maiores lucros oferecem aosindustrialistas, motivo pelo qual OS cooperativistasdevem se esforçar para adotar todos os meios possiveisde cooperação, afim de alcançar o verdadeirodesideratum, que é: "O bem dos cooperativados”. — Cooperativa em si, significa a cooperação detodos os, seus associados para obter um unico fim: "Obem dos cooperativados". Ora, obtem-se 0 bem dos cooperativados, quando um as—sociado não causa prejuizo a outro associado, o que não se obtemexistindo diferença de preços na aquisição da materia prima.
  36. 36. - 35 - Logo, para se obter o bem dos cooperativados, nãopóde existir diferença de preço na aquisição da materiaprima ou por outra, a materia prima deve ser adquiridaa um preço unico. - Referindo-me á maior do meu argumento, quero dizer, que as cooperativas são organizadas, primeiramentepara melhorar e proteger a classe dos agricultores,sejam eles suinocultores, viticultores, cerealistas eoutros, a colocar esta classe em contato direto com asclasses consumidoras, deixando de lado osintermediarios; em modo especial, porém, organizadaspara conseguir a realização do bem comum doscooperativados. Na menor, afirmo que para se obter o bem doscooperativados, os associados não pódem causarprejuizos um com o outro, o que é inevitavel existindodiferença de preço na aquisição da materia prima.Tenho, portanto, qua comprovar esta afirmação. Tomocomo norma uma cooperativa de produtos suinos. Umaentidade desse genero, trabalhando um ano consecutivo,temos provas "ex-experiência", que os preços deaquisição da materia prima diferem, não poucas vezes,dum dia para outro, em consequencia da oscilação depreços nas vendas das mercadorias nas praçasconsumidoras. A banha, por exemplo, que a basefundamental do preço de aquisição da materia prima, éapurada á razão de 2$600 ao quilo, pagamos, portanto, amateria prima á rzâo de 1$300 ao quilo. Não poucasvezes sucede que dentro de quarenta oito horas esseartigo oscila para mais ou para menos. Suponhamos quaoscile para mais, ou seja, para 2$800 ao quilo. Como sepóde explicar que uma entidade seja verdadeiracooperativa, quando um associado vandeu (qua aliás emcooperativa não se diria vender mas sirn entregar)hontem a sua materia prima á cooperativa á razão de1$300 ao quilo, a o associado que vende hoje recebe1$400 ao quilo? Teremos neste caso o verdadeiro fim dacooperativa? Não. — Pois sempre maior vantagem terá oassociado que vende a sua materia prima a cem réis maisao quilo do que aquele que a vendeu anteriormente com adiferença de cem réis para menos, a existe, portanto,prejuizo entre um associado e outro, motivo pelo qualnão deve existir diferença de preço na aquisição damateria prima. Temos, portanto, que estabelecer entreos associados um preço unico. Alguem perguntará: Comoconseguir isto? Respondo: Adquirindo a materia primadurante um exercicio sem preço, dando ao associado, noato da entrega, uma pequena importancia comoadiantamento, a assim chegaremos á conclusão de umpreço unico. Trago este exemplo: “Á” é associado de umacooperativa e entrega sua matéria prima na séde damesma, que orça em 1.000 kgs. Necessita esse associadode 500$000; pela cooperativa ser-lhe-á fornecido umanota
  37. 37. - 36 - de credito de 1. 000 constando na mesma um debito de500$000 fornecidos como adiantamento. Chega "B" que tambem é associado e entrega 1. 200 kgs. de materia primae necessita de 1:000$000: igualmente ser-lhe-áfornecido uma nota de credito de 1.200 kgs. constandona mesma um debito de .... 1:000$000. No decorrer doexercicio as mercadorias serão ven didas pelacooperativa a diferentes preços, de acordo com asoscilações dos mercados consumidores. Tomando a banha por base, a qual atingindo umamédia no decorrer do exercício de 2$500 ao quilo, tanto‘‘A” como ‘‘B’’ perceberá de sua materia prima entregueo preço unico que será á razão de 1$250 ao quilo e maiso retorno de acordo corn a entrega de materia prima,não havendo, portanto, diferença de preço entre um eoutro associado. Sómente desta maneira é queconseguiremos 0 verdadeiro cooperativismo, pois não éjusto que um associado entregando hoje a sua materiaprima a 1$200, amanha um outro associado a entregue a1 $500, para no fim do exercicio ser dividido o retornode acordo com a materia prima entregue, porquanto si‘‘A’’ entrega 1.000 kgs. a 1$200 e o retorno no fim doano e $200 em quilo, receberá 200$000 e ‘‘B’’ queentrega a sua materia prima a 1$500 ao quilo, tambemnum total de 1.000 kgs., receberá um retorno de200$000: existe, portanto, uma diferença entre A e B,que entregaram a mesma quantia de materia prima, de300$000, pois A terá recebido 1:200$000, quanto Brecebeu 1:700. Fica, portanto, comprovada a menos domeu argumento, que afirma que não se obtem o bem doscooperativados existindo diferença de preços naaquisição da materia prima. Sómente assim é que conseguiremos alcançar 0verdadeiro fim das cooperativas. Para se obter isto, todas as cooperativas devemadoptar o sistema de adquirir a materia prima numunico preço, sejam elas de suinocultores, viticultores,cerealistas e outras que se relacionem aosagricultores. Isto conseguindo teremos entre outrasvantagens 0 evitar a concorrencia dos adversarios, armade que se servem para combater as cooperativas eobteremos tambem maior facilidade para o financiamentodas mesmas. Assim que incito a todas as congressistas aadotarem osistema de pagar a materia prima sem preço, (dando aoassociado no ato da entrega uma importancia comoadiantamento). de acordo com a argumentação expressa,para assim conseguirmos 0 verdaeiro fim dascooperativas, qual seja o bem dos cooperativados.
  38. 38. - 37 - O Sr. Edison Cavalcanti Maia - Sr. Presidente,esta tése gira esclusivamente sôbre a fòrma como ascooperativas devem operar com os seus associados.Propõe a Cooperativa Bassanen se que elas estabeleçamum preço único a materia prima e os produtos recebidosdos seus sócios. Desejaria fazer um esclarecimento sôbre este ponto. Naturalmente que é muito difícil adotarmos de ummodo geral esta medida. O Congresso não poderia demaneira alguma sugerir a todas as cooperativas queestabeleçam um preço unico para o recebimento dosprodutos, mesmo porque não devem elas estabelecer este"preço". Nós devemos fazer com que as cooperativasdeixem de “comprar” a produção do associado. Precisamosterminar com esse sistema que até aqui vem sendoadotado. As cooperativas não “compram”, em absoluto, aprodução do associado. Elas devem “receber” a produção.A teoria é esta e sei que na prática é difícil de seadotar. Temos de trabalhar no sentido de fazer com queos associados não "vendam" a produção, mas que aentreguem á cooperativa. E’-lhes, então, dada umadeterminada importância, a título de adiantamento, e,no fim do exercício, receberão a diferença existenteentre a quantia que já receberam, como adiantamento, eo re sultado verificado pela venda do produto. Isso é oque chamamos de “retorno”, a que muitos dos senhoresdenominam lucro, indevidamente. Tivemos oportunidade dediscutir êste assunto na comissão. Precisamos acabar deuma vez por todas com essas expressões. Lucro, emcooperativismo, não existe. Precisamos adotar umaterminologia diferente e nesse sentido vamosapresentar, numa das próximas reuniões, sugstões, paraque todos os senhores saiam daqui com essesesclarecimentos. Não devemos falar, em absoluto, em lucro ecompra. A cooperativa recebe o produto do associado edá-lhe um adianta mento sôbre o valor do produto e, nofim do ano, depois do produto vendido, recebe adiferença que se verificar, e que se chama retorno. Eram êstes os esclarecimentos que queria dar á Casa, emface da proposta apresentada pela Cooperativa Bassanense. O Sr. Irio do Prado Lisbôa — palavra; Sr.Presidente. O Sr. Presidente — Tem a palavra o nobre congressista. O Sr. Irio do Prado Lisbôa — Sr. Presidente,sôbre o mesmo ponto abordado pelo ilustre representantedo Ministério da Agricultura, eu tenho a dizer que ocooperativismo tem por objetivo o progresso e oaperfeiçoamento dos produtos, ou melhor, a melhoria daprodução. Em todos os países onde o cooperativismo seacha em estado de adeantamento esta é a noção básica.
  39. 39. - 38 -A cooperativa paga o preço do produto de acôrdo com a suaqualidade e, assim, naturalmente, o melhor produto deverá sermelhor pago. 0 aperfeiçoamento do produto é, pois, um dosfins do cooperativismo. O Sr. Renato Costa — O aperfeiçoamento do produto éum dos pontos vizados pelo cooperativismo, mas não é ø pontoessencial, por isso que o cooperativismo viza, antes de maisnada, proteger os agricultores contra os intermediariários... O Sr. lrio do Prado Lisbôa — Sim, mas a melhoriados produtos é um dos objetivos do Cooperativismo. O Sr. Renato Costa - Mas é secundário. O objetivoprimordial é exatamente o de afastar o intermediário,colocando o produtor ao alcance do consumidor. O Sr. Irio do Prado Lisbôa - Perfeitamente, mas aquestão da melhoria do produto deve ser encarada de frente.Assim procedem todas as cooperativas, pois que ao melhorproduto caberá melhor retribuição. Era o que eu desejava dizer. (Palmas) O Sr. Renato Costa - Peço a palavra. Sr. Presidente. o Sr. Presidente — Tem a palavra o Sr. Renato Costa. o Sr. Renato Costa — Sr. Presidente, em verdade, a defesado produtor, contra o intermediário como afirmei há pouco, emaparte, o que constitue a essência do cooperativismo. E eu querorevelar aspetos, senhores congressistas, quero ventilar aquiproblemas que, por assim dizer, representam a razão de nosacharmos aqui reunidos. Porque, senhores congressistas, ningum, talvez, commais amor, com mais interêsse, com mais arraigada afeição se temdedicado ao estudo do cooperativismo no Rio Grande do Sul do queêste modesto orador, que vos está falando, neste instante. (Muito bem. Muito bem). Tenho atravessado noites no estudo do sistemacooperativista, em todos os pontos em que êle temconstituido a base do desenvolvimento e de grandezaeconômica de povos, como a Bélgica, a Dinamarca, aAlemanha, a Itália, a Inglaterra e, aqui perto, aArgentina, onde o regime cooperativista corresponde, semdúvida, ás necessidades da produção e da economia local. Ora, eu desejo, precisamente, senhorescongressistas, apresentar a esta Casa duas moções, queconsidero fundamentais, para a vida e para o êxito docooperativismo entre nós. Ninguem póde ignorar que a cooperação de esfórçoscorresponde essencialmente á existência fundamental da produçãoentre nós, para que ela afaste — e isso é um dos objetivos
  40. 40. - 39 -essenciais — o intermediário inescrupuloso, queexplora, em muitos casos, o produtor. (Muito bem Muitto bem). Essa a essência do cooperativismo e ainda hápouco eu tive a, honra de, pelas colunas, do “Correiodo Povo”, fazer sentir ao Rio Grande do Sul ser êsse umdos problemas primordiais da sua vida rural. Ofazendeiro hoje está compreendendo o alcance e alargueza do problema econômico em toda a sua extensão,e, por isso, vae constituindo essas maravilhosasentidades econômicas por que nos batemos ardorosamente,e das quais a Cooperativa de São Gabriel é um padrão,pelo seu trabalho eficiente e pelos seus propósitos nomeio econômico do Rio Grande do Sul. (Muito bem. Muitto bem). Como ela, é a de Bagé, é a de Alegrete; como elaé a de D. Pedrito, todas, núcleos rurais de grandeimportância. O mal da pecuária é justamente êsse de nãoterem ainda os nossos fazendeiros compreendido anecessidade de se agremiarem, poque urge de todos paraa elaboração do produto, como defesa contra asindustrialistas, que, não sendo seus inimigos, são maisamigos dos seus próprios interesses, (Muito bem), quenão sendo inimigos da economia do Rio Grande, encaram oproblema sob o ponto de vista comercial, esquecendonaturalmente os interêsses dos fazendeiros... "Eu peço licença, Sr. Presidente. para tocar decheio na materia constante das minhas duas moções, quevou apresentar ao Congresso, para charnar a atençãodesta grande reunião, que também é uma reunião defraternidade humana, do quanto póde o cooperativismo. "Veja-se, por exemplo, a Dinamarca, que era umpaiz essencialmente cerealífero, que, tendo sidoacometida pela concorrência dos paizes sul-americanos,e dos Estados Unidos, teve de, em 24 horas, transformara sua mentalidade econômica e tornou-se um paísessencialmente agrícola, no sentido pecuário, do porco,dos ovos, da manteiga, abandonando completamente a suatradicional indústria cerealífera. “Mas, como . êsse milagre? Graças ao regimecooperativista! “Hoje, senhores congressistas, a Dinamarcafornece 80% do que come a estômago inglês. “E por que não fazermos nós a grandeza econômica danossa terra pelo cooperativismo? Por que não fazer umaeficiente propaganda em pról do seu desenvolvimento? "De sorte, senhores congressistas, que, como vêm, oassunto não nos póde ser extranho. Guardo na minha retina as
  41. 41. - 40 -páginas incomparaveis de Domingos Boreo, pioneiro docooperativismo na Argentina, de Luiz Amaral, de Artur TorresFilho, e de todos os grandes pioneiros do cooperativismobrasileiro, que pregam a necessidade de não se tornarem ascooperativas casas de negócio, rrias exclusivamente to umareunião de produtores. “Ora, meus senhores, se a máquina em si apresentacer tas dificuldades, se, pela sua complexidade, aindaapresenta embaraços á organização em cooperativas,preciso agir com os agricultores, (e os que estão aquipresentes ajam sempre com a maior bôa fé), afim decrear no colono o espírito cooperativista. Não querodizer com isto que o Departamento de assistência aocooperativismo tenha agido de má fé. Os que estão áfrente desta campanha nobilissima no Rio Grande têm,muitas vezes, sido mal orientados. E é preciso que nosorganizemos, porque há necessidade de esclarecer, deorientar os cooperativistas do Rio Grande para quefaçam o bom, o puro cooperativismo. “Cooperativa que compra a mercadoria aos seusassociados não é cooperativa, casa de negócio! (Muito bem.Muito bem). "E, contra isso que é preciso reagir o espíritopuro dos cooperativistas. “Eu vos posso falar como homem que ama ocooperativismo. Eu vos falo como banqueiro — e não hánessa revelação a delação de um segredo profissional,Mas, devo dizer a esta Casa do perigo imenso que há deuma Cooperativa entrar em negócio, em comprometer o seucapital. Isso todo o Rio Grande sabe. Aí está o exemplode Bôa Vista do Erechim, onde uma cooperativa viti-vinícola deu aos seus credores um prejuizo de 600 á 700contos... “0 Conselhos Administrativos têm aresponsabilidade precípua nos destinos de umacooperativa. Os Conselhos Técnicos não pódem ficarisolados do seu movimento; não pódem alejar-se das suasatividades e entregar os destinos dessa cooperativa nasmão exclusivas de um Diretor Técnico, por mais honestoe capaz que êle seja. “0 erro é fundamental, senhores congressistas,porque em cooperativa -— já a palavra está significando— deve haver cooperação de responsabilidades eassociação de esforços, de direção, de orientação, deauxílio permanente, porque a cooperativa é acima detudo um sacerdócio econômico. “A cooperativa não é uma associação paraespeculação de lucros, mesmo porque contra isso até alei prevê. Não vizavam lucros os 28 tecelões deRochdale quando se reuniram, legando aos homens a ideiaimortal da cooperação mútua.
  42. 42. - 41 - "Aliás, o colono, com o seu espírito maisesclarecido porque atualmente êle não mais zero áesquerda dos algarismos — percebe, com inteligência eintuição, o problema econômico. Em geral, os diretorescomerciais das cooperativas são homens esclarecidos,homens de bõa fé, honestos, capazes de dar ás suascooperativas o destino e a grandeza que elas merecem.Por isso, meus senhores, eu fiquei pêrplexo, aoexaminar agora alguns regulamentos e estatutos eencontrar que “a cooperativa paga ao associaclo o preçoda mercadoria”!! Paga aos associados!!! “Ora, meus amigos, não me consta que os cânones doCooperativismo prescrevam semelhante risco mercantil. “Uma cooperativa não póde comprar dos associados. Estesentregam a mercadoria e aquelas adiantam uma determina- daimportância razoável, para que êles não morram de fome esatisfaçam as suas necessidades mais imediatas. “0 perigo de comprar, vou dizer qual seja êle. E’que uma cooperativa não póde especular. E’ fundamentalem cooperativa êste preceito. "Uma cooperativa não deve absolutamente especular e ofazendo está cometendo um crime, está infringindo leis basilaresda economia, está se envolvendo numa operação ilícita, porque nãosó frauda o sistema, como o fisco. Vai contra a lei. E’ aespetativa da falência. (Muito bem. Muito bem). “Ora, meus senhores, não há necessidade deusarmos processos tais para fazermos do regimecooperativista uma obra prima de verdade, porquecooperativismo equivale, por assim dizer, a homens deconciência, a homens de bôa fé, educados no verdadeirosentido econômico, na defssa do produtor. “E’ assim que se faz cooperativismo, em benefíciode todos. Do contrário é agir em benefício de 3 ou 4pessôas sem escrúpulos, levando o cooperativismo áfalência e á ruína. (Muito bem. Muito bem). “Eu peço perdão ao auditório por estar insistindo nesteponto, mas considero-o fundamental. Entretanto, êste particulardeve ficar perfeitamente elucidado, afim de que não aconteça oque veio de se suceder, há pouco, com algumas das nossascooperativas agrícolas. “E’ público e notório que as dificuldades são imensas e oresultado é o seguinte: na hora precisa, em que a cooperativaestá desmoronando, apela-se para os bancos. Estes, como énatural, pedem garantias, e ninguem quer, então, assumirresponsabilidades... Existindo á frente duma cooperativa umConselho Técnico conscio das suas obrigações e esclarecido, e um
  43. 43. - 42 -gerente comercial da absoluta confiança dos associados, que nãofaça especulações mercantis, nunca se chegará áquele extremo. “E’ doloroso para um banqueiro, sobretudo para umhomem que ama a sua terra sôbre todas as cousas eacompanha, como eu tenho acompanhado, sem falsamodestia, a evolução do problema econômico do RioGrande; doloroso, repito, senhores dizer-vos dasituação constrangedora em quese encontram êsses homens, das sociedades arruinadas,completamente inocentes dos desmandos que se praticavamna sua cooperativa. Êles alegavam isso, de boca cheia:“nao temos culpa; pedimos apenas praso para pagar osnossos compromissos, oriundos de um máu diretorcomercial... . Em certa localidade cujo nome nãopreciso declarar, êste era um cidadão desconhecido, quese pôz á frente da cooperativa. E, como esta, possodeclarar que há outras com os mesmos tumoresapostemados... ‘‘Que é isto? Que significa isto? Tudo é resultadosimplesmente da prática ruinosa, profundamente ruinosa, daespeculação comercial. ( Muito bem. Muito bem). "Uma cooperativa não póde especular; não pódeentrar em negócios, sob pena de fraudar, de prostituiros cánones do cooperativismo! "E isto que me cumpre dizer aos senhorescongressistas, reunidos aqui neste memorável conclave:memorável, sim, porque não vi ainda outro igual. Tenhoassistido congressos da Federação das AssociaçõesRurais do Rio Grande do Sul, mas não assisti a umcongresso que mais me comovesse, porque se observa emtodos OS plhares o interêsse, o profundo apego á idéiacooperativista e o receio de que ela se perca. “A cooperativa é em verdade, meus amigos, uma grande armade defesa dos produtores contra os intermediários. “Se a cooperativa do nosso Presidente, porexemplo, paga pelo meu gado tanto por quilo e ofrigorífico e o xarqueador pagam mais, não ha mal queeu venda o meu gado para o frigorífico. Fico, no meuinterêsse: A cooperativa é como que um revolver quetrago na cintura: Apelo para êle, em caso de defesa. "Emquanto o intermediário paga bem, o fazendeiro lhevende o seu produto. Quando êsse baixa os preços de compra, o produtor entrega-o a cooperativa para que esta seencarregue de elaborar o produto e vender, adiantando-lhealgum dinheiro, para suas mais prementes necessidades até 0completo retorno do valor da mercadoria entregue. "Este é o verdadeiro cooperativismo e eu não creio quevenham congressistas defender 0 cooperativismo contra 0 pro
  44. 44. - 43 -dutor. Todos nós aqui estamos para defender ocooperativismo adotado por todos os que seguem risca oideal dos 28 tecelões de Rochdale. A minha primeira moção, senhores congressistas, éa seguinte: (O orador faz a leitura de sua 1.ª moção): "AO 1.° CONGRESSO DE COOPERATIVISMO: Considerando que as sociedades de cooperativassão “sociedades de pessôas" e não de “capitais”, comoexpressamente consigna o decreto 22. 239, de dezenovede dezembro de 1932, revigorado pelo decreto-lei n.0581, de 1.° de agôsto dêste ano, que sabiamenterestabeleceu no país o regimen do “cooperativismolivre"; Considerando que “a distribuição de lucros”, ousóibras, se faz, na fórma da lei, proporcionalmente aovalôr das operações efetuadas pelo associado com asociedade; Considerando que o regimen legal das cooperativasfoi instituido como arma de defesa contra ointermediário, detentor ilegitimo dos interêsses dosprodutores, em geral, e que a sociedade não visalucros, admitindo até a lei, “a ausência completa dedistribuição de lucros"; Considerando que na Cooperativa os direitos edeveres dos associados são rigorosamente harmonicas eiguais e que cada cooperativado só tem direito a umvóto, qualquer que seja a sua participação no capital; Considerando que a lei, excluindo dascooperativas “as comerciantes ou agentes de comercio”,que negociem com os mêsmos fins e objéto da sociedade,procurou evitar que as cooperativas se transformassemem casas de comercio e não entidades de fins ideaispara a defesa exclusiva do produtor, tanto que o art.°42.° dispoz que “ninguem poderá organizar uma sociedadecooperativa ou dela fazer parte, sómente no intuito degozar o lucro permitido ás quótas-partes do capital-social, ou com a intenção de explorar o trabalhoalheio, assalariado ou não"; Considerando, entretanto, que é comum verificar-se a pratica irregular de adquirirem sociedadescooperativas, de seus associados, a produção por êleselaborada, pagando-lhes um determinado preço,infringindo desta fórma os canones do cooperativismo etransformando a cooperativa numa casa comercial, com aviolação da lei, que confere excepcionais favores eregalias de ordem fiscal a essas entidades;

×