Prescrição de medicamentos durante a consulta de enfermagem

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Prescrição de medicamentos durante a consulta de enfermagem

  1. 1. Prescrição de Medicamentosdurante a Consulta deEnfermagem
  2. 2. Novo contextoO trabalho de enfermagem tornou-se maistécnico e mais especializado e o enfermeiropassou a ter maior destaque como membroda equipe multidisciplinar, com seu própriocorpo de conhecimentos para a prestaçãode cuidados ao cliente.
  3. 3. Novo contextoContexto: Contenção de custos para a saúde e, Aumento da demanda para novos edispendiosos tratamentosEnfermeiros vêm desenvolvendo seu papel de formainovadora, ora expandindo ora estendendo suasfunções, e a prescrição de medicamentos pode servista como uma dessas inovações da profissão deenfermagem, que vem sendo implementada na práticados enfermeiros em muitos países, desde o início dadécada de 1990.
  4. 4. Modelos de EnfermeirosPrescritores1) Independente, autônomo ou substitutivo;2) Dependente, colaborador, semi-autônomo, complementar ou suplementar;3) Grupo protocolo4) Prescrição alterando horário e dosagem.
  5. 5. Independente, autônomo ousubstitutivo O profissional de saúde assume toda a responsabilidadepela avaliação do cliente, usualmente fazendo umdiagnóstico diferencial dentro de uma série depossibilidades sugeridas pelos sinais e sintomas e indicaa medicação e tratamento adequados, efetuando aPRESCRIÇÃO. Essa categoria de prescritor, na maioria dos países, élimitada a médicos, dentistas e veterinários, mas tambémenfermeiros em vários países têm esse direito. Exemplo: muitos estados dos Estados Unidos.
  6. 6. Dependente, colaborador, semi-autônomo, complementar ousuplementar O prescritor dependente é aquele que pode prescrever emcolaboração com o prescritor independente, geralmentemédico, mas sem necessidade de supervisão direta. Não assume a responsabilidade pelo diagnóstico ou examede avaliação do cliente. É muito útil nas consultas subseqüentes do cliente, após elejá ter passado por um médico na primeira consulta. Mas, oenfermeiro não deve se limitar a repetir a medicação, poisdeve ter competência para alterar alguns aspectos daprescrição, como dose ou freqüência.
  7. 7. Grupo protocolo Segue uma instrução escrita específica para administraçãode determinados medicamentos em uma determinadasituação clínica. Essa instrução pode ser elaborada dentro de qualquerinstituição, pública ou privada, e aprovada pelo dirigentelocal. É aplicado para grupos de clientes ou usuáriospreviamente identificados. Usado no Reino Unido, Austrália e Nova Zelândia e Brasil. Não deve ser visto como prescrição independente, porqueapenas permite que o enfermeiro prescreva medicamentosdentro dos termos de um determinado protocolo.
  8. 8. Prescrição alterando horário edosagem O protocolo é por cliente e não por grupo e admite queenfermeiros alterem o horário e a dose demedicamentos específicos. É modelo comumente usado por enfermeiros atuandocom pacientes psiquiátricos, diabéticos e de cuidadospaliativos. Esse tipo também não é caso de prescriçãoindependente, mas administração de medicação sob aautoridade e responsabilidade do médico.
  9. 9. Países e Características Suécia Austrália Canadá Estados Unidos Reino Unido Nova Zelândia África do Sul Botsuana Irlanda Quêniaa) forte liderança e uma organização de enfermagemem nível nacional bem articulada e com experientese ativos lobistas que obtiveram a aprovação de leisb) sistema educacional na enfermagem que deu acapacitação, confiança e competência para assumiro direito de prescrever.c) um sistema de saúde e de enfermagemcomunitária bem estabelecida, com práticas efunções avançadas para enfermeiros.A prescrição de medicamentos por enfermeirosconstituía uma atraente opção para promover aassistência à saúde com recursos existentes econtenção de custos.CIE – Conselho Internacional de Enfermeiras
  10. 10. A Prescrição de Medicamentos porEnfermeiros no BrasilCOFEN: Lei do Exercício Profissional nº 7.498/86 Resolução n.º 195, de 18 de fevereiro de 1997 Resolução n.º 271, em 12 de Julho de 2002 Decreto 94.406/97
  11. 11. A legislação brasileira do Exercício Profissional deEnfermagem (Lei n.º 7.498, de 25 de Junho de1986) prevê a prescrição de medicamentos porenfermeiros, como integrantes da equipe desaúde, quando previamente estabelecidos emprogramas de saúde coletiva e em rotinaaprovada por instituição de saúde.LegislaçãoLei N.º 7498, em 25 de Junho de 1986
  12. 12. Regulamenta ações do enfermeiro: na consulta, prescrição de medicamentos e requisição de exames.O enfermeiro tem autonomia na escolha dosmedicamentos e respectivaposologia, respondendo integralmente pelosatos praticados.LegislaçãoResolução N.º 271, em 12 de Julho de 2002
  13. 13. Essa resolução encontra-se respaldada:Programas do Ministério da Saúde: Doenças Sexualmente Transmissíveis/AIDS daCoordenadoria de Assistência à Saúde; Viva Mulher; Assistência Integral; Saúde da Mulher e da Criança; Controle de Doenças Transmissíveis, dentre outros.LegislaçãoResolução N.º 195, de 18 de fevereiro de 1997
  14. 14. Essa resolução encontra-se respaldada:Manuais de Normas Técnicas publicados pelo Ministério: Capacitação de enfermeiros em Saúde Pública para Sistema Únicode Saúde Controle das Doenças Transmissíveis; Pré-natal de baixo risco (1986); Capacitação do instrutor/supervisor enfermeiro na área de controleda hanseníase (1988); Procedimento para atividade e controle da tuberculose (1989); Normas Técnicas e Procedimentos para utilização dos esquemas depoliquimioterapia no tratamento da hanseníase (1990); Guia de controle de hanseníase (1994); Normas de atenção à saúde integral do adolescente (1995)LegislaçãoResolução N.º 195, de 18 de fevereiro de 1997
  15. 15. LegislaçãoPortaria MS n. 648/2006, regulamenta a PolíticaNacional de Atenção Básica e a execução daEstratégia Saúde da Família.Portaria MS 1625/2007
  16. 16. Consulta de EnfermagemCompreende: histórico (entrevista), exame físico, diagnóstico de enfermagem, prescrição de enfermagem e evolução de enfermagem.Resolução COFEN N. 272/2002
  17. 17. A prescrição de medicamentos porenfermeiros não pode ser vista como umaatividade isolada, mas algo complementar àconsulta de enfermagem, com os objetivos deconhecer e intervir sobre os problemas desaúde/doença, englobando outras ações, taiscomo a solicitação de exames de rotina ecomplementares.Consulta de Enfermagem xPrescrição de Medicamentos?
  18. 18. Equipe de Saúde daFamília A Enfermagem tem exercido papel fundamental nodesenvolvimento do processo de cuidar nesta novaestratégia de saúde. Sua função peculiar de prestar atenção à comunidade edesempenhar atividades de promoção e educação emsaúde, manutenção e recuperação da saúde, prevençãoàs doenças, tratamento e reabilitação têm condicionadoaos Enfermeiros, grande autonomia no exercer daAPS, resultando numa significante ascensão social epolítica da profissão.
  19. 19.  Se a consulta de enfermagem é realizada como fim emsi mesma, ou seja, se não está inserida visando aobjetivos epidemiológicos e programáticos, torna-sereprodutora do modelo biomédico de assistência. Além disso, se essa consulta se centra namedicalização da assistência de Enfermagem e docliente, transforma-se numa pseudo-consulta médicabaseada no modelo clínicocurativo de assistência àsaúde individual.(XIMENES NETO et al, 2007)
  20. 20. PROTOCOLOSMinistério da Saúde
  21. 21. SAÚDE DA MULHER
  22. 22. PRÉ – NATAL DE BAIXO RISCODoenças e Agravos: Anemia Ferropriva Infecção Urinária IST Escabiose VômitosMedicamentos da Farmácia Básica: SULFATO FERROSO ÁCIDO FÓLICO METROCLOPRAMIDA
  23. 23. PRÉ - NATAL Anemia Hemoglobina < 11 g/dl e > 8 g/dl: diagnóstico deanemia leve a moderada. Solicitar exame parasitológico de fezes e tratarparasitoses, se presentes Prescrever sulfato ferroso em dose de tratamento deanemia ferropriva (120 a 240 mg de ferroelementar/dia), de três a seis drágeas de sulfatoferroso/dia, via oral, uma hora antes das principaisrefeições. SULFATO FERROSO: um comprimido = 200 mg, oque corresponde a 40 mg de ferro elementar.
  24. 24. RECEITUÁRIOR/1- sulfato ferroso ------ 200mg------ 30cpsUso: 01 comp. Via oral uma horaantes do almoço.2- Ácido fólico ----- ------- 30cpsUso: 01 comp. Via oral antes doalmoço.AssinaturaCorenData
  25. 25. PRÉ - NATAL HematêmeseAntiemético Metoclopramida –10 mg de 4/4 h;RECEITUÁRIOR/1- Metroclopramida ------ 10mg------ 10cpsUso: 01 comp. Via oral de 4/4horas.AssinaturaCorenData
  26. 26. ABORDAGEM SINDRÔMICAMedicamentos da Farmácia Básica: NISTATINA creme vaginal MICONAZOL creme vaginal METRONIDAZOL creme vaginal METRONIDAZOL comp. 250mg METRONIDAZOL comp. 500mgPreventivo: Processo Inflamatório Gardenerella vaginallis Lactobacilos Cocos
  27. 27. Planejamento Familiar Norestin(noretisterona) Ciclo 21(levonorgestrel+ etinilestradiol) Mesigyna ContracepNorestin --------------------------- 1 cxUso: 01 comp. Via oral diariamenteno mesmo horário.Injetável mensalUso: 01 dose com validade de 28 a30 dias.Injetável trimensalUso: 01 dose com validade deaproximadamente 3 meses.OBS: seguir tabela da medicação.
  28. 28. ACOPrimeira cartela:Inicia as doses diárias no terceiro ouquarto dia da menstruação; após os 21comprimidos e 21 dias aguarda sete a oitodias para iniciar a próxima cartela;Planejamento Familiar
  29. 29. SAÚDE DO ADULTO
  30. 30. DiabetesFármaco PosologiaMetformina 500mg a 2550gr, fracionada em 1 a 3 vezes ao dia, nas refeiçõesSulfoniluréiasGlibenclamida 2,5mg a 20mg, 1 a 2 vezes ao dia, nas refeições.Glicazida 2,5 a 20 mg, 1 a 3 vezes ao dia, nas refeições.40mg a 320mg, 1 a 2 vezes ao dia, nas refeições.InsulinaNPH 10 U NPH ao deitar (ou 0,2U/kg), aumento gradual de 2U; reduzirem 4U quando houver hipoglicemia. Se necessário, adicionar 1 a 2injeções diárias.Regular Em situações de descompensação aguda ou em esquemas deinjeções múltiplas
  31. 31. HipertensosGrupos e representantes Dose diária(mg)Intervalo dedose (h)RiscosDiuréticosTiazídicosHidroclorotiazidaDe alçaFurosemida12,5 – 5020 - 3202412-24Hipocalemia, hiperuremiaHipovolemia, hipocalemiaAntagonistas adrenérgicosBloqueadores betaPropanolol 80 - 320 6-12Broncoespasmo, doençaarterial periférica,bradiarritmiasAntagonistas do SRAInibidores da ECACaptoprilEnolapril80 – 32012,5 – 1505 – 406-1212-24Tosse, hipocalemia
  32. 32. HANSENÍASE
  33. 33. HANSENÍASE Paucibacilar : 06 cartelas
  34. 34. HANSENÍASE Multibacilar : 12 cartelas
  35. 35. TUBERCULOSE
  36. 36. SAÚDE DA CRIANÇA
  37. 37. Saúde da Criança Febre Tosse Anemia Escabiose Verme de cachorro (bicho geográfico) IRA
  38. 38. Medicamentos AmoxilinaCç < 20kg 20 a 50mg/kg/dia 8/8hCç > 20Kg 250 a 500mg/dose 8/8h Cefalexina20 a 50mg/kg/dia 8/8h Eritromicina30 a 50mg/kg/dia 6/6h Nistatina oralLactentes 200.000U de 6/6h400.000 a 600.000U de 6/6h
  39. 39. Medicamentos Dipirona6 a 10mg/kg/dose Paracetamol0 a 3 meses 40mg/dose4 a 11 meses 80mg/dose12 a 23 meses 120mg/dose Metroclopramida0,5 a 1mg/kg/dia Diclofenaco resinato> 1 ano 0,5 a 2mg/kg/dose 8/8h e 12/12h
  40. 40. Medicamentos Mebendazol100mg de 12/12h por 3 dias consecutivosrepetir após 15 a 20 dias. Iodeto de Potássio SRO
  41. 41. “Urge, portanto, que os enfermeiros sedediquem com afinco a sua atividade e secapacitem cada vez mais, não só para umautilização racional de medicamentos, uma vezque a prescrição medicamentosa não é oaspecto essencial da assistência deenfermagem, mas para manter elevados osideais de sua profissão, diante de um cotidianotão desafiador que é o Programa de Saúde daFamília.”
  42. 42. É preciso trilhar pelo caminho da PRUDÊNCIA
  43. 43. Referências Brasil. Lei n.º 7.498, de 25 de Junho de 1986. Dispõe sobre a regulamentação do exercício da enfermagem edá outras providências. In: Conselho Regional de Enfermagem do Estado de São Paulo. Documentos básicosde enfermagem: enfermeiros, técnicos e auxiliares. São Paulo (SP): COREN-SP; 2001. Conselho Federal de Enfermagem (BR). Resolução 271/2002. Regulamenta as ações do enfermeiro naconsulta, prescrição de medicamentos e requisição de exames. Rio de Janeiro (RJ): COFEN; 2002. Conselho Federal de Enfermagem (BR). Resolução 195/1997. Dispõe sobre a solicitação de exames de rotinae complementares por enfermeiro. In: Conselho Regional de Enfermagem do Estado de São Paulo.Documentos básicos de enfermagem: enfermeiros, técnicos e auxiliares. São Paulo (SP): COREN-SP; 2001. Brasil. Decreto-Lei n.º 94.406, de 08 de Junho de 1987. Regulamenta a Lei n.º 7.498, de 25 de Junho de1986, que dispõe sobre o exercício da enfermagem. In: Conselho Regional de Enfermagem do Estado de SãoPaulo. Documentos básicos de enfermagem: enfermeiros, técnicos e auxiliares. São Paulo (SP): COREN-SP;2001. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações ProgramáticasEstratégicas. Área Técnica de Saúde da Mulher. Pré-natal e Puerpério: atenção qualificada e humanizada– manual técnico/Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de AçõesProgramáticas Estratégicas – Brasília: Ministério da Saúde, 2005. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Programa Nacional de DST e Aids. Manualde Controle das Doenças Sexualmente Transmissíveis / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância emSaúde, Programa Nacional de DST e Aids. Brasília: Ministério da Saúde. 2005. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Vigilância emSaúde: Dengue, Esquistossomose, Hanseníase, Malária, Tracoma e Tuberculose / Ministério daSaúde, Secretaria de Atenção a Saúde, Departamento de Atenção Básica / - Brasília : Ministério daSaúde, 2007. 199 p. : il. - (Série A. Normas e Manuais Técnicos) (Cadernos de Atenção Básica, n. 21)
  44. 44. Referências Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Hipertensãoarterial sistêmica para o Sistema Único de Saúde / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção àSaúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília : Ministério da Saúde, 2006. 58 p. – (Cadernos deAtenção Básica; 16) (Série A. Normas e Manuais Técnicos) Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. DiabetesMellitus / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília :Ministério da Saúde, 2006. 64 p. il. – (Cadernos de Atenção Básica, n. 16) (Série A. Normas e ManuaisTécnicos) Brasil. Ministério da Saúde. Unicef. Cadernos de Atenção Básica: Carências de Micronutrientes / Ministérioda Saúde, Unicef; Bethsáida de Abreu Soares Schmitz. - Brasília: Ministério da Saúde, 2007. 60 p. - (Série A.Normas e Manuais Técnicos) Brasil. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Controle dos cânceres do colodo útero e da mama / Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília :Ministério da Saúde, 2006. xx p. : il. – (Cadernos de Atenção Básica; n. 13) (Série A. Normas e ManuaisTécnicos) Carneiro, Alan D.et al. Prescrição de medicamentos e solicitação de exames por enfermeiros no PSF: aspectos, éticos e legais. Rev. Eletr. Enf. 2008;10(3):756-65. Available from:http://www.fen.ufg.br/revista/v10/n3/v10n3a21.htm OGUISSO, Taka; FREITAS, Genival F de. Enfermeiros prescrevendo medicamentos: possibilidades eperspectivas. Rev Bras Enferm, Brasília 2007 mar-abr; 60(2):141-4. XIMENES NETO, FRG et al. Olhares dos enfermeiros acerca de seu processo de trabalho naprescrição medicamentosa na Estratégia Saúde da Família. Rev Bras Enferm, Brasília 2007 mar-abr;60(2):133-40.

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