Manual do escuteiro

48,191 views

Published on

3 Comments
17 Likes
Statistics
Notes
No Downloads
Views
Total views
48,191
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
91
Actions
Shares
0
Downloads
736
Comments
3
Likes
17
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Manual do escuteiro

  1. 1. http://sanchoscouts.no.sapo.pt/ A tua Patrulha e o teu Agrupamento Como Escuteiro, há alturas em que estás por tua conta. Identificas objectivospessoais e esforças-te por os atingir. Aprendes técnicas ao teu próprio ritmo e decides aque velocidade queres trabalhar para dominar tudo o que um Escuteiro deve saber. Como membro de uma Patrulha, já não estás sozinho. Podes canalizar a tuaenergia para os esforços de Patrulha e transformar planos interessantes em realidadesexcitantes. Com uma Patrulha, podes ir para o monte, caminhar e acampar. Poderásconseguir muito mais do que sozinho. O teu Agrupamento é ainda maior. Com a força de muitas Patrulhas, umAgrupamento é uma comunidade de Escuteiros. Tem o tamanho e a liderança para levara cabo grandes projectos e aventuras. O Agrupamento é a estrutura onde te podesdesenvolver como Escuteiro, Cristão, e um líder.A tua Patrulha Uma Patrulha é um grupo de bons amigos a trabalharem juntos para tornar ideiasem realidades. Porque sois todos diferentes, cada um tem muito para partilhar com osoutros. Em reuniões, podeis ensinar uns aos outros as técnicas que sabeis. Em campo,podeis-vos ajudar mutuamente a montar tendas, cozinhar e limpar. Como amigos,tomais conta uns dos outros. Diz aos outros quando uma situação insegura sedesenvolver. Anima-os quando estão cabisbaixos. Dá-lhes os parabéns quandodesempenham algo bem. Amizade, alegria, aventura - é isso uma Patrulha.Símbolos da PatrulhaTabela 1 – Principais símbolos dos Bandos, Patrulhas, Equipas de Pioneiros eEquipas de Caminheiros Nome do Secção Totem ou Patrono Distintivo pequeno grupo
  2. 2. Cores do Lobo Triângulo equilátero, com um vértice pa Bando Bando (ex. Bando Castanho) Triângulo equilátero, com as pontas arredon Totem animal baixo, partido verticalmente, com a silhueta à partição Patrulha (ex. Patrulha Pinguim) Totem animal Triângulo equilátero, com as pontas arredon baixo, partido horizontalmente, com a s ou sobreposta à partição Patrono Equipa (de Pioneiros) (Santo da Igreja, Benemérito da Humanidade, ou representação do Patrono num círculo b ou Herói Nacional) Patrono Triângulo equilátero, com as pontas arredon baixo, representação do Patrono num círcu Equipa (Santo da Igreja, vermelho Benemérito da (de Caminheiros) Humanidade, ou Herói Nacional) Totem e Bandeirola de Patrulha Muitas Patrulhas têm um animal como totem. Talvez sejas membro da PatrulhaPantera, ou um dos Tigres, Lobos, Cavalos, ou Pinguins. Outras Patrulhas escolhemcomo Patrono uma pessoa, como Santos, notáveis e afins. Cada Patrulha tem a sua Bandeirola, com um emblema que representa o seunome. Tu podes ter a hipótese de ajudar a desenhar e a fazer uma Bandeirola para a tuaPatrulha, e levá-la para as reuniões e actividades. Além disso, usas uma insígnia nobraço esquerdo, com o símbolo ou o nome da tua Patrulha. Practica desenhar o vosso símbolo em poucas linhas simples, para que o possasjuntar à tua assinatura Escutista. O símbolo da tua Patrulha, aquela que estás a ajudar atornar na melhor Patrulha que há. Embora hoje em dia seja possibilitado às Patrulhas e Equipas o desenho econcepção da sua Bandeirola, esta é tradicionalmente triangular, branca debruada com a
  3. 3. cor da Secção. À semelhança do distintivo de Bando, Patrulha ou Equipa, a Iª Secçãoapresenta uma cabeça de lobo da cor do Bando; na IIª a silhueta do animal totem; na IIIªa silhueta do animal totem ou uma representação do patrono; na IVª Secção umarepresentação do Patrono.Fig. 1 – A bandeirola como símbolo do Bando e da Patrulha O Lema é escolhido pelos membros do pequeno grupo, e deve evocar o Totemou Patrono – os Bandos de Lobitos habitualmente não possuem lema. Além destes, deve existir ainda um ‘Livro de Ouro’, onde devem ser registadositens como as características do animal totem ou a biografia do Patrono, biografia doselementos pertencentes, grandes momentos da vivência Escutista, tradições e histórias, eafins.Grito de Patrulha Cada Patrulha tem o seu grito. Se a tua Patrulha tem um animal como totem, usao seu som - o uivo de um lobo, ou o pio de um mocho. As Patrulhas que não têm umanimal como totem podem escolher o seu grito, mesmo entre os gritos de animais. Soltai o vosso grito de Patrulha quando ganheis um concurso ou jogo numareunião. Em campo, o cozinheiro da Patrulha pode soltá-lo quando o jantar estiverpronto. O teu Guia fá-lo para reunir a Patrulha. Os membros da Patrulha compreendem,mas os outros pensam que estão apenas a ouvir os sons da floresta.O Guia de Patrulha
  4. 4. Cada Patrulha elege um dos seus membros para ser o seu Guia. Esta é umaposição importante com muita responsabilidade. Tu vais querer escolher alguém querespeites e cuja liderança estejas disposto a seguir e apoiar. Um Guia precisa da energiae da vontade de ajudar a fazer da vossa Patrulha a melhor. O teu Guia é o responsável pela Patrulha, em reuniões e durante as actividades.Ele sugere Boas Acções e projectos, e encoraja a Patrulha na sua execução. Quando omoral vai abaixo, ele é o que diz “vinde lá” e recomeça. Trabalhando com o Chefe daUnidade, o teu Guia concebe maneiras de todos progredirem no Escutismo, e seralguém. Há muitas responsabilidades numa Patrulha. Para ajudá-lo nos seus deveres, oGuia escolhe um Sub-guia. Este lidera a Patrulha sempre que o Guia esteja ausente. O teu Guia e vós decidis que responsabilidades da Patrulha ficam com quem.Um Escuteiro com jeito para a escrita e/ou desenho poderá ficar responsável pelo Livroda Patrulha. Outro que cozinha bem poderá ficar encarregue de transmitir os seusconhecimentos a outros que o ajudarão a preparar as refeições numa actividade. Um bom Guia partilha os deveres da liderança. Ele poderá deixar a ti a tarefa deencontrar uma rota para a excursão de bicicleta do próximo mês, para seres ocozinheiro-chefe, ou para ensinar aos outros Escuteiros como usar um fogareiro decampo. Partilhando a liderança com todos vós, o teu Guia permite-vos aprender o quesignifica ser responsável. Algum dia, quando tiveres experiência e tiveres demonstradoa tua maturidade e sabedoria, os outros Escuteiros poderão escolher-te para Guia. Todos os membros da tua Patrulha deverão apoiar o Guia em todas as ocasiões.Haverá alturas em que não quererás participar nos planos da Patrulha. Chuva podearrefecer um raid, ou uma Boa Acção pode ser mais difícil de levar a cabo do que oesperado. Mas lembra-te que o Escutismo é baseado na cooperação e na boa disposição.Por vezes terás que pôr para o lado os teus confortos para benefício da Patrulha. Um“Escuteiro de Verão”, que só aparece quando o tempo está bom não tem muito valorpara uma Patrulha. É o “Escuteiro de todas as estações” que aproveita o Escutismo aomáximo e põe a sua Patrulha a mexer. Quando tu e o resto da Patrulha superaminconvenientes em conjunto, a satisfação e a recompensa aumentam.Reuniões de Patrulha
  5. 5. As Patrulhas são uma componente tão fundamental do Escutismo que parte dasreuniões de Agrupamento deve ser para estas se reunirem. Uma Patrulha pode tambémreunir-se na casa de algum dos seus membros ou outro local adequado. Durante as reuniões de Patrulha, os Escuteiros ajudam-se mutuamente acompreender técnicas Escutistas. Também podeis planear as vossas actividades ereuniões futuras. À medida que o planeamento é levado a cabo, cada um de vós terá aresponsabilidade de preparar a sua parte.Actividades de Patrulha Uma Patrulha vive de aventuras. Algumas são passadas dentro de casa, comopreparar equipamento, practicar Primeiros Socorros, e dar nós. A tua Patrulha também pode ter muita diversão ao ar livre. Com a aprovação dosvossos Chefes, podeis realizar acampamentos e saídas. O teu Guia deve ter aexperiência e a formação para encabeçar essas actividades por sua conta, ou a tuaPatrulha pode ser acompanhada por Dirigentes ou Pais. As saídas e os acampamentos são os pontos altos das vossas actividades. Essassão as alturas em que podes pôr os teus conhecimentos a uso. Longe da escola e de casa,tens tempo para desenvolver as tuas amizades e o vosso gosto pelo Portugal Natural. Oespírito de Patrulha atinge o seu máximo quando todos os membros da Patrulha sãobons amigos, acampam juntos, cozinham as suas refeições, e disfrutam do tempo quepassam assim. Em aventuras de Patrulha, estais perto do cerne do escutismo.O teu Agrupamento Nenhuma Patrulha está só. Cada uma faz parte de um Agrupamento, constituídopor Unidades, que possuem até cinco Patrulhas cada. Podes considerar as Patrulhascomo os tijolos com que é feito o Agrupamento. Quanto mais fortes e activas forem asPatrulhas, melhor será o Agrupamento.
  6. 6. Os teus Chefes. O Chefe de Unidade é o responsável pela Secção que dirige. Eletrata de providenciar aprendizagem, aventura e diversão para ti e para osoutros Escuteiros. Ele está presente em quase todas as reuniões e vai à maioriadas actividades. Os Guias consultam-no para conselhos. Hás de vir a conhecê-locomo um amigo mais velho a quem podes pedir ajuda e opiniões. Nenhum Dirigente é pago pelo tempo que dedica ao Escutismo. Ele vê o valordo método Escutista, e quer ter mão na administração deste a ti e aos outros jovens daParóquia. Podes valorizar o tempo gasto pelos teus Chefes fazendo o que puderes portornar a tua Patrulha e do teu Agrupamento um sucesso. Uma Unidade tem outros Dirigentes que ajudam o teu Chefe de Unidade,constituindo a Equipa de Animação. Por vezes, substituem-no na condução de reuniõese actividades. O teu Guia de Unidade é um Escuteiro experimentado escolhido pelo Chefe deUnidade ou pelo Conselho de Guias para coordenar e presidir a este.O Conselho de Guias. As actividades da tua Unidade são planeadas pelo Conselho deGuias, que é constituído pelo Guia de Unidade, pelos Guias de Patrulha e pelosDirigentes da Unidade. O Conselho reúne-se para discutir todos os assuntos de interesse para a Unidade.O teu Guia de Patrulha representa a tua Patrulha, partilhando as vossas ideias com osoutros membros do Conselho. Juntos, os membros do Conselho de Guias consideram assugestões e necessidades dos Escuteiros, e daí estabelecem o plano de actividades.Reuniões. Quando vais a uma reunião semanal, podes esperar actividade. Muitas vezeshaverá jogos que melhoram os teus conhecimentos de Escutismo. Demonstrações econcursos ajudam-te a aprender novas técnicas. Durante parte da reunião, as Patrulhas
  7. 7. podem-se reunir por si. Com canções, pequenas cerimónias e orações, a reunião deveser interessante para todos. Nem todas as reuniões acontecem no mesmo sítio, ou à mesma hora. Aqui ealém, uma reunião pode ter lugar num quartel de Bombeiros, por exemplo, parasaberdes como é que a tua cidade é protegida dos incêndios. Noutra ocasião, podeis-vosreunir na piscina municipal e trabalhar para alguma insígnia.Saídas e acampamentos. Um Agrupamento forte e saudável têm muitas actividades aoar livre. Uma vez por mês, deves ter um acampamento, ou uma actividade do género.Na maior parte das saídas, deveis sair em Patrulha. Actividades com outras Patrulhasfornecem uma oportunidade para ver se a vossa Patrulha está a trabalhar bem, e se astécnicas são correctamente aprendidas e postas em prática. A tua Patrulha é tão boa quanto os membros que a compõe estão dispostos atorná-la. De igual modo, o sucesso do teu Agrupamento depende da energia de cadaEscuteiro ao usar o número do seu Agrupamento na manga direita. Tu podes manter asreuniões vivas e interessantes chegando a horas, participando nelas a sério. Aparecepara as actividades marcadas como quer que esteja o clima. Faz teu objectivo ser umdos melhores Escuteiros do teu Agrupamento. Lembra-te que tudo o que acontece na Patrulha e no Agrupamento aconteceporque tu e outros tem orgulho em ser Escuteiros. Tu és a tua Patrulha e Agrupamento.Eles são uma reflexão tua, enquanto Escuteiro. Quanto mais te deres ao Escutismo, maiso Escutismo te dará.O teu Núcleo e a tua Região A área da tua Diocese onde o teu Agrupamento está localizado é uma Região.Quando o número de Agrupamentos o justifica, é criada uma estrutura intermédiachamada um Núcleo, e que corresponde mais ou menos à área de um arciprestado.Núcleos de grandes dimensões podem-se dividir em Zonas, para a organização deactividades.Actividades de Núcleo e Regionais. Muitas Zonas, Núcleos e Regiões organizamacampamentos para todos os Agrupamentos da sua área. Através de jogos e concursos,os Escuteiros travam conhecimentos e desenvolvem-se. Outros organizam também festivais, exposições, demonstrações ecomemorações. Nos últimos anos, tem-se assistido a um esforço das Regiões para que
  8. 8. cada uma consiga ter pelo menos um Centro Escutista, disponível para todos osEscuteiros, do CNE e não só.Insígnias e distintivosAs insígnias no teu uniforme mostram até onde avançaste na tua Vida Escutista.Distintivos de Identificação. Os primeiros distintivos que usas indicam a tua Patrulha,o teu Agrupamento, o teu Núcleo e a tua Região. Distintivo Exemplo PatrulhaAgrupamento Núcleo RegiãoInsígnias de Progresso. Adesão, Bronze, Prata e Ouro - as etapas do Sistema deProgresso revelam os teus conhecimentos Escutistas. As insígnias de Competêncialevam-te a explorar os teus interesses em muitas áreas. As insígnias de etapa usam-se nobraço esquerdo, e as de competência no braço direito. Etapa de Bronze / Etapa de Prata / Etapa de Ouro / Animação Autonomia Responsabilidade
  9. 9. Insígnias de Função. Algum dia, os Escuteiros da tua Patrulha poderão reconhecer astuas capacidades de liderança e técnicas, escolhendo-te para Guia - é uma grande honrae uma grande responsabilidade. Usa as tuas duas fitas no bolso esquerdo com orgulho edevoção. Enquanto esse dia não chega, cumpre as tuas funções dentro da Patrulha. Usaa tua insígnia de função acima do botão da pala do bolso esquerdo. Guarda do RelaçõesAnimador Cozinheiro Secretário Socorrista Tesoureiro Material PúblicasFunções Funções Funções Funções Funções Funções FunçõesInsígnias específicas. Quando tomas parte de uma actividade especial, como umAcampamento Nacional, podes receber uma insígnia para usar no braço direito (até ummáximo de duas insígnias) até um ano depois de a receberes. Estas insígniastemporárias mostram aos outros o que fizeste, e recordam-te do que te divertiste eaprendeste.
  10. 10. Outras insígnias. Quando tiveres andado nos Escuteiros há algum tempo, e tiverespertencido a mais do que uma Secção, podes colocar no teu braço esquerdo as Insígniasde Secção a que pertenceste. Quando tiveres alguma experiência de acampamentos, podes receber a Insígniade Campo, que reconhece as tuas 25, 50, 75 e 100 noites de campo. Vamos acampar! Veste o teu uniforme e calça as tuas botas. Mete a mochila às costas. És umEscuteiro, e isso quer dizer que vais acampar! Podes apostar que não há nada melhorque montar a tenda e passar a noite ao ar livre. Que vais encontrar num acampamento? Apenas algumas das melhores aventurasda tua vida! Podes usar as tuas técnicas Escutistas para seguir trilhos nos montes,através de pedregulhos e sobreiros. Abre os teus olhos, olha e vê, poderás ver falcões,lebres e talvez até um lobo. Sobe ao alto ventoso de um monte, desce ao fundo de umrio.
  11. 11. Depois de um dia cheio, vais fazer o teu jantar. Que tal um assado nas brasas, ouum pão com chouriço feito por ti? Após o jantar, mais um pouco de lenha transforma asbrasas quentes em chamas acolhedoras, e com os teus amigos revives as vossasmelhores histórias. O Fogo de Conselho tem sido uma tradição calorosa no Escutismo, emuito Velho Lobo relembra com saudade o seu tempo à volta de uma fogueira. Depois mete-te no teu saco-cama. O cansaço de um dia vivido em plenoressente--se, mas antes de adormeceres olha para o céu. Alguma vez viste tantasestrelas? Ouve, escuta os sons da noite - ao longe um carro, mais perto de ti e do teucoração o pio de um mocho, o bater de asas de um morcego. Não te esqueças deagradecer Àquele que te deu um dia tão bom, e de pedir que guarde a ti e aos teusamigos e familiares. O Escutismo faz-se ao ar livre. Escutismo é acampar. Escutismo é andar debicicleta, nadar, fazer canoagem, vela, orientação, primeiros socorros, e muitos outrosdesafios. O Escutismo tem o seu campo de acção na Natureza, no ar livre. Este trabalho tenta ensinar-te a ser um bom campista. O teu Chefe, o teu Guia eos outros Escuteiros também te hão de ajudar, e tu, por tua vez, hás-de ajudar outros. Ecom a tua energia e boa disposição, nada te poderá impedir. Por isso, deixa de sonhar e vai fazer a tua mochila. A maior aventura da tua vidacomeça quando pões os teus pés ao caminho.O Desafio do mínimo impacto "Quando fordes acampar, não deixeis nada além de agradecimentos aoproprietário, e não tireis nada a não ser fotografias." - é este o desafio que te é postocomo Escuteiro. Quando o Escutismo surgiu, podia-se quase acampar em qualquer lado. Fora dascidades, a maior parte da terra era terreno agrícola ou florestal. As necessidades de umanação em crescimento alterou essa situação - barragens para fornecimento de energiasubmergiram terrenos e casas, novas e melhores estradas rasgaram montes e vales,chegando a pontos de Portugal de difícil acesso. Montados foram arrasados parafornecimento de recursos, casas surgiram em terrenos de cultivo. Muitas das mudançasforam positivas, outras nem por isso, mas todas tiveram impacto no Portugal Natural. O facto de a nossa Pátria se ter desenvolvido rapidamente nos últimos anoscausou muitos danos, pois não houve tempo de adaptação às novas circunstâncias. Noinício do século, o lixo podia ser deitado em quase qualquer lado, pois erabiodegradável, e a própria Natureza se encarregava de o fazer desaparecer. Agora amentalidade persiste, mas o lixo também - os plásticos, borrachas e outras substânciasnão são facilmente biodegradáveis, e cabe-nos fazer a reciclagem desses produtos, umavez que eles não são naturais.
  12. 12. O Portugal Natural é a casa de muitas espécies de animais e plantas - daqui vemo ar puro e a água limpa, e nos lembramos como costumava ser a nossa terra. Quando aspessoas querem fugir da cidade, têm ao dispor parques, reservas, florestas, e muitoterreno natural. Com a liberdade de sair para o Portugal Natural, vem a responsabilidade decuidar dele. Essa responsabilidade é de todos os Portugueses, mas especialmente tua.Como Escuteiro é teu dever especial conservar esses tesouros naturais, e ajudar outros afazê-lo, para que todos possamos ter uma qualidade de vida melhor ainda. Quando sais para o campo, deves ter o cuidado de causar o mínimo impacto.Milhares de Escuteiros saem para o campo todos os anos, e que seria de nós e da nossaTerra, se eles não tentassem preservar o que ainda resta! Faz tudo o que puderes paraque o Portugal (e o Mundo) Natural fique tão maravilhoso quanto antes de tu e os teusamigos o encontrardes, ou melhor.Experimenta estes tipos de acampamentoBivaque é um acampamento curto, geralmente de fim-de-semana ou três dias. Oobjectivo do teu Agrupamento deve ser fazer um destes mais ou menos todos os meses.No Inverno pode parecer difícil, mas tens os Parques Escutistas à vossa disposição, emuitos destes têm casas que vos podem abrigar, se o tempo estiver mau.Acampamento de longa duração é o preferido para o Verão. Uma semana ou duas(talvez até mais...) com os teus amigos Escuteiros, ou planeia umas expedições baseadasno local de acampamento. Não deixes passar oportunidades de férias para acampar, oVerão pode estar longe...Acampamento volante combina acampar com viajar, seja a pé, de bicicleta, de canoa oude outro meio. Excelente diversão para os Escuteiros mais experimentados, éparticularmente apropriado a projectos específicos, como levantamentos ecológicos, depatrimónio, etc.Planeia o teu acampamento Se fores como a maioria dos Escuteiros, deves estar mortinho por ir acampar.Mas antes de partires com a tua Unidade ou Patrulha, precisas de fazer as seguintesperguntas. As tuas respostas vão-te ajudar a planear uma aventura interessante, divertidae em segurança. Onde quereis ir? Todas as partes do País tem boas áreas onde Escuteiros podem acampar. Os teus Chefes conhecerão algumas. Mas tu também podes conhecer outras. Pedindo educadamente, muitas pessoas deixarão os Escuteiros acampar nos seus terrenos. Há água disponível para beber, cozinhar e higiene? Em muitos locais é possível obter água da rede pública ou de fontes e minas seguras. Quando em dúvida, ferve a água
  13. 13. por alguns minutos, tendo a certeza que borbulha bem. É permitido fazer fogo? Entre Junho e Setembro é proibido fazer fogo em qualquer área florestal, devido ao risco de incêndio. Em alguns locais é proibido fazer fogo durante o ano inteiro. Usa sempre o local apropriado, e toma sempre as medidas de segurança para evitar que a tua fogueira danifique o Portugal Natural . De que tamanho é o teu grupo? Locais de acampamento especializados conseguem aguentar o impacto de muitos Escuteiros, mas a maioria dos locais não. Muitos pés pisoteiam e devastam a vegetação, assim como as muitas tendas necessárias. Para minimizar o impacto, as Patrulhas devem acampar e deslocar-se separadamente. O que queres fazer? Pioneirismo, natação, raids, cozinha selvagem, observação natural, plantio de árvores - as possibilidades são infinitas! Os teus Chefes podem sugerir actividades para o local para onde quereis ir, e vice-versa: podem sugerir um local baseado no que quereis fazer. Como é que ides? A pé, de bicicleta são opções viáveis para aqueles sítios próximos. Para distâncias maiores, há sempre os transportes públicos, ou algum bom parente que ajuda com a sua carrinha. Quanto é que vai custar? Acampar deve ser simples, barato, e divertido. Vais precisar de algum material próprio, mas a maior parte pode ser comprado nos Depósitos de Material e Fardamento do CNE, ou em lojas por eles recomendadas. O teu Agrupamento deve ter tendas, material de cozinha, etc. Provavelmente, ser-te-á pedido que comparticipes nos custos das refeições e viagens. Se não tens dinheiro que chegue, fala com o teu Chefe - nenhum Escuteiro deve ser impedido de participar em actividades por falta de dinheiro. Tens autorização? Conta aos teus Pais ou Encarregados os detalhes da actividade, explica o que vais fazer, quando vais, quando voltas. Os teus Chefes devem contactá- los (ou vice-versa) para garantir a tua presença. Como vais proteger o terreno? Orgulhai-vos de deixar o local de acampamento melhor do que estava quando o encontrastes. Apanhai todo o lixo, e perguntai aos proprietários se há algum serviço que possais fazer como retribuição pela sua gentileza em vos deixar acampar nas suas terras. Como ides ser Escuteiros? Quando as pessoas vêem um grupo de jovens acampados, antes de verem o uniforme pensam nos Escuteiros. E também pensam que bom é tê- los ali! Cabe a ti e aos teus amigos provar-lhes que tem razão - fazei as vossas actividades sem importunar ninguém, convidai as pessoas para o Fogo de Conselho ou as crianças da terra para alguma actividade que possa ser participada.. Fazei uma Boa Acção - qualquer coisa simples, como limpar o lixo de um localpúblico, ou qualquer outra tarefa útil. Perguntai ao Pároco, ou ao Presidente da Junta deFreguesia. Participai activamente na Eucaristia, fazendo uma leitura, por exemplo, e daimostras da vossa Fé, como Escuteiros Católicos. Estas mostras podem ser para oexterior, mas que sejam mais do que tudo, para vós mesmos - lembrai-vos de Deus emtodas as vossas horas: foi Ele que criou os locais onde estais, é Ele que vos proporcionaesta actividade, é Ele que, dia após dia, toma conta de vós.
  14. 14. De que material precisas? Nos tempos de antanho, os nossos navegadores partiam em jornadas queduravam anos, indo a locais pouco ou nada explorados, em barcos pequenos. Todo omaterial que seria necessário ao longo dessas viagens tinha que ser transportado nosbarcos, bem como os mantimentos. Mas as reservas nem sempre chegavam até ao fimdas viagens, especialmente quando começaram as que iam cada vez mais longe. Mashavia a esperança e Fé em Deus, que os havia de prover. A água doce era recolhida das chuvas quando as havia, mas na sua falta erapreciso ir a terra buscar água e comida. Por vezes, era possível obter esses bens portroca com os nativos, mas muitas vezes era preciso buscá-los no interior dessas terrasnovas, usando o material que tinham trazido. Hoje, a situação é outra para os nossos Escuteiros - mas ainda tens de levar o teumaterial para as actividades. Como possivelmente vais carregar tudo às costas,interessa-te levar o menor peso. Mete na mochila aquilo que realmente precisas para teruma boa actividade, e deixa o resto em casa. Como os antigos exploradores, em breveapreenderás a viver com pouco.O Essencial O material essencial descrito abaixo são as ferramentas que deves trazer contigoem todas as actividades. Tornam uma viagem agradável melhor ainda, e numaemergência, podem ajudar a salvar vidas.Canivete - um canivete é a ferramenta pessoal mais útil. mantém o teu limpo e afiado.Estojo de Primeiros Socorros - além do estojo completo que alguém terá que trazer,deves ter o teu a postos para as pequenas feridas. Bastam coisas como pensos rápidos,creme para bolhas e calos, um desinfectante, uma pinça, alguns trocos e um cartãotelefónico para um telefonema de emergência (já que muitos telefones públicos nãoaceitam moedas).Inclui um lenço ou compressa limpo, para hemorragias maiores, bem como um cartãocom os números de telefone mais importantes: casa, Chefe, emergência (112), incêndiosflorestais (117). Acrescenta também comida energética, como chocolate e/ou frutossecos, para uma emergência (e só!).Roupa sobresselente - ter frio ou estar molhado num raid é horrível, e pode ser mau paraa saúde. Uma camisola grossa e um impermeável resolvem a maioria dos problemas;em tempo mais frio, um anorak, umas luvas e um gorro. Quando faz mais calor, nãoserá necessária tanta roupa, mas cuidado com as noites orvalhadas do Verão e os Verõesde S.Martinho - bonitos mas frios.Impermeável - um poncho protege-te a ti e à mochila. Em caso de chuvada inesperada,um saco do lixo pode ser transformado depressa numa protecção.
  15. 15. Cantil ou garrafa de água - no Verão é fácil desidratar, mas mesmo no tempo maisfresco isso pode acontecer numa actividade mais longa. Leva sempre um cantil cheio ouuma garrafinha plástica (pesa menos) e vai-os re-enchendo. Bebe golos pequenosLanterna - dá muito jeito onde não há luz eléctrica, como em tendas! De igual modo, emactividade no escuro. Uma lanterna resistente que usa duas pilhas AA é ideal: pesapouco e é mais do que suficiente. Mantém-na à mão na mochila, e toma cuidado paraque não se ligue sem dares conta. As pilhas recarregáveis são mais vantajosas.Boné/chapéu - no Verão é fácil apanhar uma queimadura, uma insolação ou um golpede calor. Um chapéu de abas largas protege o teu rosto e a tua cabeça, e em sol forteuma camisa de mangas compridas é a melhor opção (não te esqueças do protectorsolar). No Inverno, as abas também ajudam a proteger da chuva (especialmente seusares óculos).Mochila - onde levar o material, de tamanho conforme o que é preciso levar. Umamochila é, basicamente, um saco com asas para transporte. Ajuda a carregar peso eliberta as tuas mãos. Usa sempre as duas asas, e se a mochila tiver cinto, aperta-o - tudoisso contribui para a melhor distribuição do peso, e evita dores e cansaços.Mapa - se viajares em áreas desconhecidas, uma carta topográfica, preferivelmenteacompanhada de uma bússola ser-te-á de muito uso.Em Bivaque O teu material essencial acompanha-te em todas as saídas, e é a parte maisimportante do teu equipamento. Quando pretenderes passar a noite debaixo das estrelas,precisas de levar mais qualquer coisa para pernoitar.Saco-cama - em casa, o colchão e as cobertas mantém-te quente. Fora da tua cama, umpar de cobertores faz o mesmo. Dobra os cobertores em forma de envelope, e prende aspontas com alfinetes de segurança. Mas se tens escolha, usa um saco-cama. Como éum saco, detém o calor melhor do que cobertores. além disso é mais leve e mais fácil delevar na mochila. Se fores acampar no Inverno e o teu saco-cama for muito fino, podessempre meter um cobertor dentro do saco, á tua volta. Se tiveres calor, podes sempreusar esse cobertor extra como colchonete. Colchonete - um colchão de ar ou um colchonete melhorarão o teu conforto e ajudarãoa manter-te quente (o colchonete é preferível por uma questão de peso e facilidade dearrumação). Estes protegem-te do frio do chão, o que é mais importante do queprotecção do frio do ar, e tornam um solo duro mais confortável. Para ajudar a isolar ocolchonete podes usar um plástico grosso - até o poderás prender à parte de baixo docolchonete. Será bom para resguardar-te da humidade do solo.Faz a tua cama
  16. 16. Chegaste ao campo e jantaste. Agora preparas-te para a noite. Qual é o melhormodo de arrumar a tua tralha para uma noite confortável? Encontra um local razoavelmente plano. Se for debaixo de uma árvore, menosorvalho se condensará na tua tenda ou saco-cama. Arbustos e pedras podem funcionarcomo tapa-ventos. Remove pedras e paus que possam rasgar a tenda ou o saco-cama,mas deixa folhas e pruma - vão-te servir como colchão e minimizar o teu impacto nolocal. Estende o teu plástico/chão, e põe o colchonete por cima, seguido do saco-camaou dos cobertores. Queres uma almofada? Pega na tua roupa e mete-a dentro de umacamisola. Em tempo húmido será melhor usares uma tenda, mas se a não tiveres trazido,deixa as tuas coisas arrumadas até à hora de deitar, para evitar que absorvam humidade.Se tiveres tenda, aproveita para estender o saco-cama, para que ganhe a sua forma Quando te meteres no saco-cama, mantém as tuas botas perto. Mete pequenosobjectos, relógio e óculos numa delas, e na outra a tua lanterna. Usa a língua da botapara que o orvalho não humedeça o interior das botas. De manhã, antes de as calçares,sacode-as bem; os nossos pequenos amigos animais podem entrar nelas para seaquecerem, e provavelmente ficarás admirado com a quantidade de terra e pedrinhasque entrou durante as actividades do dia anterior. Se estiver mesmo fresco (mesmo dentro da tenda), um gorro, meias grossas, umacamisola e mesmo luvas podem tornar uma noite de frigorífico numa experiência maisagradável. Os sacos-cama são quentes porque o seu acolchoado guarda ar, que éaquecido pelo próprio corpo. A qualidade isolante do material ajuda a conservar atemperatura. Por último, não vás para a cama sem fazer uma ceia - o corpo "queima" caloriaspara te manter quente, mas só se tiveres calorias, nem sem aquecer a alma com algumasorações.Utensílios para comer As refeições em campo têm que ser substanciais, e a maioria pode ser comidacom utensílios simples. Um prato resistente, preferivelmente de sopa (serve para sopa ecomida sólida), um copo ou caneca, de preferência com medidas marcadas (útil nacozinha) e talheres: garfo, colher, e faca. Em actividades invernais, uma caneca isolada (termos) mantém a sopa e asbebidas quentes, e não queima os teus lábios e mãos de segurar. Se te tiveres esquecidodos teus utensílios (vê a lista, da próxima vez) podes sempre deitar mão do MétodoEscutista, e fazer os teus próprios. Com o teu canivete, podes experimentar talhar numramo um garfo numa ponta e uma colher noutra (o canivete serve-te de faca). E já agora,se os Orientais conseguem comer com dois pauzinhos, porque não experimentar.
  17. 17. Apoia um dos paus na cova do polegar e na ponta do dedo anelar, e segura-ocom o polegar. O outro deve ser seguro com o polegar e com o dedo médio, e movidocom a ajuda do indicador.Toma conta de ti Parte da alegria de uma actividade é não te preocupares em sujar-te ou manter-telimpo. Se for só um bivaque, não há problema, quando chegares a casa tomas um bomduche. Mas se a actividade durar mais, vais querer limpar-te. Se te lavares antes dedeitar, sentir-te-ás melhor, e o teu saco-cama ficará mais limpo. Não te esqueças detrazer as seguintes peças de equipamento, e não te esqueças de as usar.Sabão/sabonete - tanto quanto necessário, mas não é preciso um novo nem para umacampamento de uma semana; uma barra pequena ou uma grande que esteja quaseusada chegam. Guarda dentro de uma caixa ou saco plástico. Toalha e esfrega - a esfrega molhada serve para tomar o "banho à Escuteiro" quandonão há instalações; esfrega-te com força e com sabão para tirar bem o sujo. A toalha épara te secares. Escolhe-as de cor escura, para não se ver tanto o sujo, e se ficares maisde uma semana em campo, lava a toalha. Escova, fio e pasta dos dentes - um bocado de pasta dentífrica lava muitos dentes;arranja um tubo pequeno, ou um grande perto do fim. Arranja uma escova média, e lavaos dentes pelo menos duas vezes por dia, ou se puderes, no fim de todas as refeições; ofio dental garante a limpeza entre dentes, que é onde muito bom dente se arruina.Extras Uns poucos extras podem melhorar ainda mais uma actividade. Talvez queirastrazer alguns dos seguintes:máquina fotográfica e rolo (guarda em saco plástico)bloco de notas e lápisrepelente de insectosfato de banho
  18. 18. óculos de solbinóculoslivrolivro de orações ou BíbliaQue mochila? Há vários géneros de mochila: desde aquela que se leva para a escola e serveperfeitamente para uma saída de um dia, à outra gigante que se destina a meter vivendasinteiras, sem esquecer a ligação à rede de esgotos. Uma mochila pequena dá para conter todos os essenciais para um dia em campo.Qualquer coisa um pouco maior já dá para um bivaque, e depois há mochilas maiorespara actividades mais compridas, com estrutura metálica que pode ser exterior ouinterior. A capacidade das mochilas mede-se em Litros. Uma mochila pequena (tipoescolar) tem em média 10 litros, uma média 32, e uma grande (a mochila típica) cercade 65 litros. Mas cabe a cada um escolher o tamanho que lhe dá mais jeito. Quantomaior uma mochila, mais tentados estamos em a encher, e portanto a aumentar o pesoque vamos levar às costas. Por outro lado, também não é aconselhável ter uma tãopequena que quando lhe colocamos o material essencial fique prestes a rebentar,esperando apenas o momento pior possível para o fazer. Mais vale portanto escolheruma mochila mais para o pequeno que para o grande.
  19. 19. Fazer a mochila As mochilas da nova geração são em forma de marco, que se abre comum fecho de correr, como uma mala. O formato tradicional das mochilas carrega-se pelaparte de cima, com um cabeção, geralmente com um bolso, a fazer de tampa. Comoestas ainda continuam a ser a grande maioria, vamos falar sobre estas, embora osprincípios sejam os mesmos. Em casa és capaz de ter um armário, ou gavetas com as tuas coisas. Em campo, atua mochila funciona como armário. Em vez de gavetas, podes usar sacos plásticos paramanter tudo junto e seco. Fazer isto é particularmente importante se há a possibilidadede chover. Nenhuma mochila neste mundo continua impermeável depois de várias horasde chuva. Por consequência, nenhuma roupa que tu lá tenhas continua seca! Usa ossacos plásticos. Quando precisares de mudar de roupa, já sabes que no saco azul estãoas meias, no verde os agasalhos, etc. Ou podes fazer os teus próprios sacos, com as pernas de calças velhas queestejam em mau estado (e portanto não podem ser dadas a quem precisa). Corta umaperna, e cose o fundo com linha grossa, ou com uma máquina de coser. Na boca dosaco, dobra uns dois centímetros, fazendo-lhe uma gola. Faz dois pequenos buracos nomesmo extremo dessa gola, e insere uma corda por um, dá a volta, e faz a corda sairpelo outro buraco. Cose a gola, para que o fio não escape. Vira o saco do avesso, e estápronto! Quando fazes a mochila, lembra-te das palavras de Jesus: "Os primeiros serão osúltimos e os últimos serão os primeiros" (Mt 20, 16* ). Neste contexto, quer dizer queaquilo que puseres dentro da mochila primeiro terá que sair em último, e vice-versa,logo deixa aquilo que pensas precisar cedo para ser posto por último. Se fores carregar com a tua mochila, o material mais leve deve ser colocadomais para o fundo da mochila, pois quanto mais acima e mais próximo das tuas costasestiver a maior parte do peso, menos curvado terás que andar, devido ao centro degravidade. Também por cima devem ficar coisas como um agasalho ou umimpermeável, caso ameace arrefecer ou chover. Nos bolsos laterais que as mochilas maiores tem podes guardar aqueleequipamento essencial que te falamos acima, para estar facilmente à mão. O saco-cama,por ser leve, deve ser das primeiras coisas a entrar na mochila. Siga-se a roupa, e depoiso equipamento mais pesado. Além das tuas coisas poderás ter que carregar algum do material da Patrulha. Atua parte pode incluir cantinas, tendas, e alguma comida. Uma mochila não é uma árvore de Natal - leva o material dentro da mochila, enão pendurado no lado de fora Levar carga a mais é tão mau como levar material a menos. A responsabilidaderecai sobre os teus ombros (literalmente!) - todo o caminho para lá e para cá. A carga
  20. 20. máxima que alguém deve carregar é igual a um quarto do peso do seu corpo; isto é, sepesas 50 Kilogramas, não deves carregar mais de 12, 5 Kilos. O famoso Escuteiro e campista americano Steward E. White tinha um métodopara decidir o que levava. Quando voltares de um acampamento, divide o teu materialem três pilhas: 1 - o que usaste todos os dias (inclui aqui o teu estojo de higiene e o de primeirossocorros) 2 - o que usaste ocasionalmente 3 - o que nem sequer usasteDa próxima vez, deixa a terceira pilha, e pensa bem sobre a segunda...Regular e carregar a mochila As mochilas modernas tem a particularidade de serem reguláveis, isto é, depermitirem distribuir o seu peso de forma a que este fique o mais equilibrado possível, ese torne, pois, mais fácil de carregar. O truque é simplesmente carregar a mochila tendo por apoio a zona das ancas,enquanto que as correias servem sobretudo para manter o equilíbrio. O segundo ponto ater em conta é que todas as correias com regulação tem uma razão de existir. Para regular uma mochila, põe-na às costas, e dá folga às correias até que acorreia da cintura fique ao nível da largura máxima das ancas. Fecha a correia dacintura, de modo a que todo o peso da mochila fique nas ancas. Pega então nas outrascorreias, e puxa-as até que sintas o peso da mochila ficar repartido entre a bacia e osombros. Se sentires uma compressão ao nível dos ombros, é porque as correias ficaramdemasiado apertadas. A correia estreita que une as duas ombreiras ao nível do peito tempor função repartir melhor estes esforços. Nas mochilas grandes, um par de tiras liga as ombreiras ao bolso da tampa. Estaspermitem deslocar o sentido de gravidade da mochila, em função do relevo do terrenoonde se caminha. Numa subida, apertam-se para aproximar o peso dos ombros; numadescida, alargam-se para fazer descer o peso do saco ao nível dos rins.Abrigo Há muitos anos, os campistas de então, pioneiros e bandeirantes na sua maioria,quando precisavam de abrigo, cortavam ramos e árvores e construíam abrigos "em A".Demorava algum tempo e causava danos permanentes à Natureza.
  21. 21. Hoje, um oleado ou uma tenda fornecem protecção dos elementos rapidamente,em qualquer lugar. Protegem-te do mau tempo, dos insectos, e dão-te privacidade.Quando te queres ir embora, é só desmontar a tenda; ao contrário do abrigo "em A", éum método que deixa poucos vestígios, e menos ainda se fores consciente. O grande segredo para passar um acampamento sem frio é saber que na maiorparte dos casos, o frio vem do chão. Um dos desenhos de BP no Escutismo para rapazesexemplifica muito bem essa regra. A condução é o fenómeno físico que ocorre quando um objecto mais quenteentra em contacto com um mais frio. É o que acontece se tu pegares num objecto demetal frio e o segurares na tua mão durante tempo suficiente - ele aquece e a tua mãoarrefece ligeiramente. Como o teu corpo está sempre a produzir calor (necessário paraas reacções que se dão nas tuas células, e produto delas mesmas) e o objecto metálico épequeno ou se calhar não estava muito frio, pouco notaste. Mas se em vez de um objecto frio na mão te deitares em cima de um chãorealmente frio, o calor produzido pelo teu corpo pode não ser suficiente, e arrefecerásdurante a noite, o que pode resultar numa constipação ou pior. Assim, a conclusão atirar é que é realmente importante isolares-te do chão, com cobertores, colchonetes,folhas de papeis ou ervas secas, fetos ou pruma. Também a chuva e o vento são factores a ter em conta, porque agravam osefeitos do frio e são elementos de desconforto.Toldos O abrigo mais simples em campo é um toldo grande, que pode ser de lona ou deplástico. Os de lona são mais antigos, e chamam-se ainda panos de tenda, por seremusados como chão nas tendas antigas, que o não tinham - se não lhes tocares e osesticares bem, podem ser quase tão impermeáveis quanto os de plástico. Os de plásticopodem vir em várias cores e transparente. São adequados para cobrir a área dasrefeições, ou a cozinha. Os panos de tenda e alguns linóleos vêm com aneis de metal, chamados ilhós,que servem para prender cordas. Se não tiverem isso, com uma pedra média ou umapinha pequena e corda fina podes fazer uma improvisação, usando o nó de barqueiro (vêo desenho). Para tornar um desses panos num tecto para a cozinha ou para a "sala de jantar",usa uma corda para atar duas árvores, e deitar por cima dessa corda o toldo. Com asespias (cordas usadas para prender algo como linóleos, e tendas) esticas os cantos. Se otempo piorar, baixas a corda central, e regulas as espias. Para usá-lo como abrigo de dormir, é só baixar o toldo - se as bordas forem maisbaixas do que o resto, proteger-te-á melhor contra o vento.
  22. 22. Tendas As tendas costumavam ser feitas de lona, e poderás encontrar ainda muitas feitasnesse material, que foi a origem da ganga que hoje se usa para fazer calças (e não só).As tendas eram impermeabilizadas por uma variedade de métodos, que podiam incluirparafina e gordura entre outros. Hoje, as tendas são feitas de materiais artificiais que não precisam deimpermeabilização, e oferecem várias alternativas conforme a intenção pretendida. Sejaqual for o tipo escolhido, o modo de montar e utilizar obedece sempre aos mesmosprincípios. A resistência ao vento e a impermeabilização dependem da correctaobservação desses princípios. O tecido deve ficar completamente esticado e sem rugas. Para isso a tenda deveficar correctamente presa ao chão. Nem sempre é fácil espetar os espeques (ou estacas)num solo pedregoso ou demasiado duro. Do mesmo modo pode ser difícil manter osespeques espetados num solo demasiado mole. Um martelo e alguma atenção podemresolver os problemas da dureza excessiva, enquanto que a substituição do espeque porpedras pesadas pode ser a solução para os terrenos moles. A condensação é um dos maiores inconvenientes das tendas ligeiras. A nossarespiração liberta vapor de água para a atmosfera (podes fazer o teste respirando paraum espelho ou vidro, que ficará embaciado devido ao vapor de água contido no ar queexpiras), e numa tenda fechada este vapor terá tendência a condensar nas paredes datenda. Se dormires com outros Escuteiros na mesma tenda, poder-te-á parecer umaverdadeira fuga de água. Para evitar isto, dorme com a porta da tenda entreaberta. Aliás,fechar a tenda por completo só se justifica no caso de frio intenso, chuva ou insectos. Nunca acendas um fogo dentro de uma tenda! Mesmo uma vela ou um isqueiro não deve ficar mais do que alguns segundos dentro de uma tenda. Os materiais de que são feitas as tendas não são à prova de fogo, e podem arder em poucos segundos, com resultados muito graves, e até mortais, para quem está no seu interior! O modelo canadiano foi durante muitos anos o modelo de tenda mais popular,mas hoje em dia, os novos materiais utilizados permitem outros formatos, muito maishabitáveis e leves, como os igloos e os túneis.
  23. 23. Como escolher um local de acampamento Quando vais acampar, precisas de encontrar um local para passar a noite. Eisalguns factores a ter em conta na escolha desse local.Impacto ambiental - sempre que possível, o melhor é usar parques Escutistas,especialmente se for um grupo grande. Uma Patrulha tem outra liberdade, mas deveisser conscenciosos.Segurança - evita perigos. Não montes a tua tenda debaixo de uma árvore morta nemde árvores isoladas ou com ramos secos, que podem cair com o vento ou atrair raios.Distancia-te de linhas de água e regos, que podem "entrar em funcionamento" com umachuvada. Mantém-te longe de cumes altos e vales fundos pelas mesmas razões, e nãoacampes perto de trilhos e zonas de caça.Tamanho - um local de acampamento deve ter tamanho suficiente para as vossas tendase áreas de cozinha e afins. Guarda os locais pequenos para os acampamentos e bivaquesde Patrulha, não de Agrupamento.Abrigo - vê se tem protecção do vento e do Sol. À noite, insectos e ar húmido têmtendência a concentrar-se nos vales. Um acampamento numa encosta poderá ser maisventoso, mas mais seco e com menos insectos. Os cumes são adequados em bom tempo,mas proibidos em caso de mau tempo.Água - precisais de água para beber, cozinha e lavar, o que quer dizer vários litros pordia por pessoa. A água da rede de abastecimento pública é a melhor opção, mas verificasempre com as pessoas do lugar se assim é, e se há outras fontes seguras É boa ideiaferver toda a água. Acampar em áreas secas é estupidez, pois força-vos a levar toda aágua que necessitais.Relevo - o terreno é levemente inclinado para boa drenagem de águas? Vegetação,folhas, pruma e outro coberto natural evitam que o terreno se torne lamacento, e ajudama prevenir enxurradas - nunca o removas propositadamente, apenas aquele como rochase ramos que te podem magoar. … abrigado do vento?
  24. 24. Combustível - é preferível levar de casa pequenas botijas de gás. Vê se o proprietáriotem uma pilha de lenha e se te deixaria usar um pouco - usa o mínimo possível! Se oterreno tiver madeira vê a que podes usar sem cometer excessos. Lembra-te sempre dorisco de incêndio.Privacidade - o campismo é uma actividade popular, não só com quem pratica, comocom quem vê! Respeita a privacidade de outros grupos acampados; árvores e arbustospodem isolar o teu acampamento de outros e do exterior. Privacidade pode querer dizersegurança!Permissão - nunca acampes sem pedir as permissões necessárias: ao proprietário/responsável, ao teu Chefe, aos teus Pais ou Encarregados. Cuidado com a Terra Muitas áreas do nosso Portugal são especialmente delicadas, e como tal,protegidas. Essa protecção especial é necessária devido ao pouco cuidado que a maioriadas pessoas tem na sua utilização, ou à existência de espécies ou ecossistemas raros. Em algumas dessas áreas, os Escuteiros podem acampar, e ter experiênciasúnicas. A nossa responsabilidade é portanto dupla: em primeiro lugar, somosEscuteiros; em segundo, temos uma oportunidade que não é para todos. Mesmo fora dessas áreas protegidas, é necessário cuidado especial em partes doPortugal Natural. Especialmente no que diz respeito à água. Rios, ribeiros, linhas deágua, lagoas, mar - todos os ambientes aquáticos têm vida, e são muito necessários aesta.Limpeza Muito trabalho e muita diversão podem deixar-te sujo. Lava sempre as mãoscom água e sabão antes de comer. Num bivaque, não precisarás de mais do que isso e delavar os dentes antes de ires dormir. Podes-te lavar quando chegares a casa. Em aventuras mais compridas, sentir-te-ás bem melhor se tomares banhofrequentemente. Fazê-lo correctamente evita danos ao meio ambiente.
  25. 25. Muitos tipos de sabonetes e produtos afins contem químicos que fazem mal àsplantas e animais, especialmente aquáticos. Sabão biodegradável é mais seguro, masmantém todo o género de produto de limpeza a mais de 200 passos de qualquer massade água, seja nascente, ribeiro ou lagoa. Enche uma bacia com água, e lava-te com essa água. Quando acabares, espalha-a pelo terreno, ou deita-a numa fossa para líquidos. Toma as mesmas precauções quando lavares algo, sejam roupas ou coisas decozinha. Mistura detergente à água quente ou morna, e mete aí o que pretenderes lavar,deixando uns minutos ou mais para soltar o grosso do sujo. Com roupa, depois esfrega-abem, torce-a e põe-na a secar. Com pratos e panelas, usa uma esfregona ou escovaprópria e seca-os.Latrinas É preciso algum cuidado no tratamento dos produtos de excreção humanos. Emlocais com casas de banho, usa-as. Quando não as houver, cava uma latrina. A latrinadeve ficar a 200 passos de qualquer água (poça ou curso), e colocada a jusante* dovento. Cava-a com uma enxada ou semelhante, para que a largura não seja maior que30 ou 40 centímetros. A profundeza das latrinas dependerá do tempo que pensas ficarno mesmo sítio. O mínimo de profundidade que uma latrina deve ter é de 30centímetros. Guarda o solo que escavares, para servir para ir tapando a latrina. ¿ medida quefor sendo usada, é importante cobrir todos as fezes com uma camada de solo, ou o maucheiro começará a incomodar os campistas e a atrair insectos. O uso da latrina pode ser tornado mais fácil com o uso de alguns apoios, bastaum para as pernas e um para as costas - vê mais à frente como fazer isso. Se a latrina encher, aumenta-a para o lado. Usa pouco papel higiénico, pois estenão é tão biodegradável quanto os excrementos. Nunca te esqueças de lavar as mãos nofim de usares a latrina. Um Código pessoal de Ambiente Este código é-te proposto pelo Secretariado da Organização Mundial doMovimento Escutista como um desafio para a tua vida. Segue-o e colabora com aCriação de Deus.
  26. 26. Respeitarei todos os seres vivos, pois cada um é um elo na corrente que mantém a Vidana TerraRetirarei da Natureza apenas o que pode ser substituído, para que nenhuma espéciedesapareçaNunca poluirei o ar, a terra ou a águaNão comprarei produtos feitos com plantas, animais ou de florestas em perigoManterei a minha área de residência limpa, e respeitarei o ambiente onde quer que váChamarei a atenção para casos de poluição e qualquer outro abuso da NaturezaNão desperdiçarei água, combustível ou energiaDarei exemplo de preservação da Natureza, e mostrarei aos outros as razões porque éimportante que todos o façamCelebrarei a beleza e maravilha da Criação de Deus todos os dias da minha vida As 7 chaves do mínimo impactoPlaneamentoa) guardem a comida em contentores que trareis para casa no final da viajemb) levai sacos do lixo, e usai-osc) planeiem actividade para uma ou duas Patrulhas (até 14 Escuteiros)Viajema) mantenham-se nos trilhosb) evitem atalhosc) usem terreno duro para corta-mato
  27. 27. Locala) evitem campismo selvagem em áreas protegidasb) não acampem em, ou logo ao lado de, trilhos e linhas de águac) não cavem regos à volta das tendasFogoa) usem fogões ou façam fogueiras apenas onde adequadob) usem locais já utilizados para fogueirasc) queimem madeira miúda apanhada do chãod) assegurem-se que apagam bem todos os fogose) tenham cuidado com o risco de incêndio, e respeitem as indicações legaisHigienea) usem todos os produtos de limpeza a 200 passos de águab) deitem a água utilizada numa fossa de líquidosc) cavem as latrinas a 75 passos do acampamento e a 200 de águad) tapem latrinas e fossas quando levantarem campo e reponham a coberturae) tragam todo o lixoRespeitoa) desviem-se de animais e bicicletasb) não apanhem plantas silvestres. Apreciem o que há, e deixem para os outros veremc) façam o mínimo de barulho perto de outros campistas e excursionistas, e nãoassustem os animais. Deixem rádios e equipamentos do género em casa, ou usem-nosmoderadamente
  28. 28. * Mt 20, 16- Evangelho de S. Mateus, capítulo 20, versículo 16* diz-se jusante ou montante conforme algo está para o lado do destino ou da origem derios e afins. Assim, montante significa para o lado da nascente, e jusante para o lado dafoz. Homem à água!“Anda lá, a água está óptima.” Um grito familiar, muito ouvido em acampamentos àbeira-mar, beira-rio, beira-piscinas...beira-água, basicamente! Num dia quente de Verão,nada sabe tão bem como nadar, chapinhar e diversão na água. Nadar é algo importante a saber. Aprende a nadar, e serás capaz de tomar contade ti próprio se alguma vez caíres de um barco ou escorregares para um rio. Com treinode salva-vidas, podes acudir a alguém que se afoga. Há uma maneira correcta de nadar. Emprega tempo a aprender o básico, e depoispratica sempre em segurança. Começa aprendendo umas regras simples.Regras de segurança:1. Nunca nades sem um adulto responsável a supervisionar. Este deve ser treinado emmétodos de salvação, ou ter assistentes que o sejam. Os assistentes devem ser osmelhores nadadores.
  29. 29. 2. Pelo menos duas pessoas devem estar fora da água, com um meio de auxílio (cordaou bóia). Um vigilante deve estar onde possa ver e ouvir toda a área.3. Cada nadador deve garantir a sua boa saúde, entregando uma ficha de saúde assinadapelo Encarregado de Educação e por um médico.4. A área de natação deve estar demarcada. Para não-nadadores, a água não deve termais do que um metro de profundidade (ou conforme a altura de cada um), pouco maisfunda para principiantes (sabe flutuar e nadar 30 metros), e sem pé para aqueles quesabem nadar (sabe mergulhar e nadar 100 metros ou mais). Mantenha-se a área longe dezona de pesca e/ou mergulhos.5. Os Escuteiros devem nadar em grupo nas áreas conforme o seu nível de natação.6. Mantenha-se a disciplina na área de natação. Todos devem compreender as regras eobedecer prontamente aos responsáveis. Obedece sempre às bandeiras na praia. Permitido tomar banho e nadar Proibido nadar e Praia desde que tomar banho; Proibido nadar temporariamentecumprindo todas as proibido entrar na sem vigilância regras e água recomendações O Instituto de Socorros a Náufragos recomenda:REGRAS DE SEGURANÇA: 1. Frequente praias vigiadas. 2. Respeite os sinais das bandeiras. 3. Respeite as instruções dos nadadores salvadores. 4. Evite tomar banho antes de decorridas 3 horas após as refeições. 5. Nunca nade contra a corrente. 6. Ao nadar não se afaste demasiado, nade paralelamente à costa.RECOMENDAÇÕES: 1. Vigie atenta e permanentemente as suas crianças. 2. Após longos períodos de exposição ao sol, não entre de rompante na água. 3. Procure nadar acompanhado.
  30. 30. 4. Em caso de aflição não hesite em pedir imediatamente socorro. 5. Procure conhecer as praias que frequenta.Aprende a nadar A melhor maneira de aprender a nadar é fazer um curso organizado porinstituições autorizadas, com instrutores credenciados. Entidades como clubesdesportivos e as Piscinas Municipais são os organizadores mais comuns. Pergunta napiscina pública mais perto de ti. Pergunta ao teu Chefe se conhece onde te podes informar, e quais os requisitospara a Insígnia de Competência de Nadador. Quando já souberes nadar razoavelmentebem, pede ao teu instrutor que te avalie nas provas necessárias. Sabes que podes flutuar? Eis uma maneira de o provar. Entra em água poucoprofunda (até à tua cintura) com alguém que saiba nadar bem ao lado. Segura o fôlego,dobra-te e enrola-te como uma bola. Abraça as tuas pernas. Vais ver que vens à tona! Vira-te de cara para a borda da água e agarra-te a algo (a borda de uma piscina,ou os braços de alguém). Segurando o fôlego, tenta espalhar-te na água, com as pernasabertas. Relaxa-te, e larga uma mão, abrindo os braços. Quando te sentires confiante datua flutuabilidade, experimenta largar a outra mão. Agora experimenta o mesmo, mas desta vez deita-te de costas. Podes não gostarda sensação de um pouco de água a entrar para os teus ouvidos, mas a experiência deflutuar e respirar, e ver a cara sorridente do teu companheiro de natação vale a pena.Estilos de natação Um estilo muito comum na Natureza é o que nós chamamos nadar “à cão”. Istoporque os cães usam-no, bem como quase todos os animais de quatro patas. Consisteem bater os braços debaixo do teu tronco, para manter a cabeça fora de água, ao mesmotempo que bates os pés. Muitos nadadores que aprendem sozinhos começam assim. Mas este não é um método muito eficiente: cansa muito, e impulsiona pouco.Assim desenvolveram-se outros estilos: bruços, crawl, e mariposa são os mais comuns.Destes, bruços é o mais confortável, e mariposa o mais rápido. O crawl é um óptimointermédio. Todos os estilos tem 3 partes: a respiração, o golpe de braços e o golpe depernas.
  31. 31. Crawl O crawl pode ser usado para distâncias relativamente curtas, mas cansa ao fimde um certo tempo.Para o golpe de pernas, segura-te a algo (borda de uma piscina ou braços de alguém), ouapoia as mãos em água rasa. Mexe as tuas pernas desde as ancas, levantando e descendoos pés. Mantém as pernas na mesma posição, mas não presas. Experimenta ir-temovendo impulsionado pelo golpe das pernas, boiando de cabeça para baixo e mexendosomente as pernas. Para o golpe de braços, entra em água que te dê pela barriga/peito. Dobra-te epõe-te numa posição de nadador. Estende o teu braço direito para a frente o mais quepuderes. Com os dedos fechados, puxa o teu braço até à tua anca. Levanta o cotovelo eestica o teu braço outra vez. Alterna com o teu braço esquerdo, e depois tenta fazer comos dois ao mesmo tempo. Começa a deslizar pela água. Uma os golpes de pernas e de braços ao mesmotempo para te mover pela água. Quando precisares de ar, vira a tua cabeça para o ladodo braço que estás a levantar fora da água, e inspira pela boca. Expira debaixo de águapelo nariz.Outros estilos Depois de aprenderes o crawl, e de melhorares o teu estilo até conseguiresatravessar uma piscina sem pôr o pé no chão, podes começar a experimentar outrosestilos. Bruços, de costas e de lado são três estilos que te darão confiança na água e maistécnica.Bruços. Na posição de flutuar de cara para baixo, estende as tuas mãos para a frente.Com os dedos fechados, puxa as tuas mãos até ao teu peito. Junta-as e estende-as outravez. Quando puxas as tuas mãos, a força deve ser suficiente para levantar a tua cabeçafora de água para que inspires. Expira pelo nariz enquanto estendes os braços. Com ospés dá pontapés para trás de ti. Como as tuas mãos, enquanto fazes a força estãoseparados, junta-los para os retrair.Costas. Na posição de flutuar de cara para cima, estende o teu braço direito para trás deti, e puxa-o até à tua anca (como no crawl, mas de costas). Para os pés, dá pontapéscomo no estilo bruços.Lateral. Um forte pontapé em tesoura é a força deste estilo. A tua cara deve estarsempre acima da água, por isso não há problemas com a respiração. Deitado de lado,puxa os joelhos para o peito. Estica as tuas pernas uma para cada lado e fecha-as, comose estivesses a fechar uma tesoura. Ao mesmo tempo, estica o braço do lado sobre queestás deitado, e puxa-o até à tua anca. O braço que fica de fora da água pode contribuirpara o impulso, mas pode também ser usado para puxar alguém.
  32. 32. Se já sabes nadar bem, porque não experimentas aprender técnicas de salvação?Podes desenvolver por ti o estilo lateral, e algumas técnicas, mas não tentes socorreralguém a nado sem ter formação específica dada pelo Instituto de Socorros a Náufragosou outra entidade credenciada.Resgates na água Muitas pessoas morrem afogadas todos os anos, especialmente no Verão. Tupodes tratar de ti na água se souberes nadar, e respeitares as indicações de segurança. Para ajudar pessoas em dificuldades, precisas de aprender as técnicas antes de teaventurares a fazê-lo. Pratica resgates na piscina com os Escuteiros, ou tira um cursoespecializado - podes receber a Insígnia de Competência de Nadador-Salvador. Mesmocom treino especializado, nunca tentes resgates a nadar se existem outras possibilidades. Os métodos mais seguros são: alcançar, atirar ou ir apoiado.Alcançar. A maioria dos acidentes aquáticos ocorrem perto da beira da água. Tentaalcançar a vítima com algo como um ramo, vara, ramo, toalha, corda, ou a tua mão.Atirar. Há alguma bóia disponível? Um colchão de ar, um colete de salvação, ou umabola de praia? Atira-o à vítima. Ou atira uma corda, tendo a certeza que prendeste umdos extremosIr apoiado. Quando uma vítima não pode ser resgatada alcançando-a ou atirando-lhealgo, então vai ter com ela com apoio. Com alguém, vai até à vítima remando numbarco, canoa, prancha de surf ou bodyboard.Se tudo o resto falha. Sob circunstâncias extremas, poderás ter que ir a nadar até àpessoa. Nunca experimentes isto a menos que sejas um bom nadador! Pode-te pôr emrisco de afogares também ! Vai apenas se já tiveres praticado métodos de salvação. Uma pessoa que lutapela vida entra em pânico. Nessa situação, ela poderá agarrar-te e não mais largar. Amenos que saibas o que fazer, isso poderá afogar-te com ela. Quando não há outro meio de resgatar alguém, tira a camisa e leva-a nos dentes.Usa o estilo bruços para chegar até à vítima, e mantém-te longe o suficiente para lheatirares uma ponta da camisa. Atira-lhe uma manga, segurando a outra, e reboca apessoa até a um ponto seguro. Se a vítima ameaça a tua segurança, afasta-te e espera que ele se acalme mesmoque isso signifique que perca a consciência ! Depois reboca-a. Se te chegaresdemasiado e a pessoa te agarrar, mergulha até a pessoa te largar. Em último caso,poderás ter que lhe bater.
  33. 33. Flutuar para sobreviver Os marinheiros são treinados para usarem a flutuação como método de sobrevivência, para se manterem seguros por minutos ou mesmo horas, à espera de socorro. Inspira, e relaxa-te completamente, flutuando na vertical e com a cara dentro de água. Quando precisares de ar, dá impulso com um golpe de pernas e braços, e levanta a cara. Relaxa e volta a flutuar verticalmente.Jogar na água Diversão na água aumenta a tua confiança, a tua natação e as tuas técnicas.Depois de aprenderes a nadar, experimenta alguns destas ideias.Snorkeling. Este é o nome dado a nadar com máscara, respirador (snorchel, palavraalemã que se lê senórquel) e barbatanas. Estes aumentam a tua velocidade e a tua visãosubaquática. Num rio ou mar podes apreciar a vegetação e animais aquáticos. Podesfazer uma corrida de obstáculos submarina, ver quem consegue trazer objectos do fundomais depressa, etc. Se gostares, poderás fazer um curso de mergulho, onde te poderãoensinar a utilizar botijas de oxigénio, o que te permitirá nadar debaixo de água duranteum longo período.Resgates. Experimenta trazer amigos teus que finjam estar-se a afogar para pontosseguros. Usa o estilo lateral, e com o braço livre, segura-o pelo queixo. Não vale fazerisso onde seja perigoso, e não vale usares os pés para andar.Alternativamente, podes usar o estilo de costas. Pedes ao teu amigo que dê as mãos àvolta das tuas costas, e que ajude o teu impulso batendo com as suas pernas. Cuidado,não lhe batas com força com os teus pés.Sobre a água Os Portugueses sempre estiveram muito ligados ao Oceano, desde que este seapresentou como uma fronteira entre Mundos, até que se revelou uma ponte entre essesmesmos Mundos. Torna-te um bom nadador antes de experimentares qualquer actividade náutica.Testa a tua capacidade e auto-confiança numa piscina. Usa sempre um colete desalvação sempre que pratiques desportos aquáticos
  34. 34. JangadasConstruir uma jangada é uma das actividades que todo o Escuteiro deverá fazer pelomenos uma vez na sua vida Escutista. Além de ser divertida de usar, uma jangada édivertida de fazer, mas requer bom conhecimento das técnicas Escutistas. Utiliza umajangada apenas em águas calmasBasicamente, uma jangada é uma plataforma colocada em cima de (e presa a) objectosque flutuam.Para flutuadores, podes usar bóias ou câmaras de ar de pneus, de preferência grandes.Deves prender bem as bóias umas às outras, por forma a que não se soltem. Osremadores podem mesmo sentar-se nas bóias, mas não é muito seguro ou estável.A plataforma, que deve ser mais pequena do que o conjunto dos flutuadores, pode serfeita de madeira. Algumas tábuas atadas ou pregadas (muito cuidado com os pregos –podes furar as bóias!) serão suficientes.Uma jangada pode ser governada através de remos, ideal quando se trata de umaPatrulha, ou por uma vara, adequado para quando só há um ou dois marinheiros. Comos remos, os remadores devem-se sentar ou ajoelhar nos lados da jangada, e remar aomesmo ritmo. No caso da vara, vais empurrar a jangada, por isso é importante que aágua não seja muito funda. Toma cuidado para que a vara não fique presa no fundo,rodando-a antes de a levantares. Mantém-te sempre bem equilibrado, apoiando a vara natua coxa se precisares de mais força. Se tiveres apenas um remo, poderás impulsionar ajangada fazendo movimentos em 8 com a face plana do remo virado para trás.Canoagem B.P. é quem to diz Impele a tua própria canoa Não te deixes ir à toa, Impele a tua própria canoa.
  35. 35. Eis o coro de uma velha canção Escutista que podes cantar quando estiveres aremar a tua canoa com a pagaia (o remo duplo que se usa na canoagem) num dos nossosrios. Com golpes suaves e poderosos da pagaia, a tua canoa desliza suavemente pelasuperfície da água. Na albufeira de um rio, no Oceano ou noutra massa de água, uma canoa dá-tehoras de entretenimento. Podes flutuar calmamente numa albufeira, ou descer rápidos. Durante gerações, os nativos da América construíram canoas de diversos feitios,conforme as suas necessidades, a partir de materiais como peles e madeira. Hoje, ascanoas são feitas de alumínio, madeira e materiais artificiais mais resistentes, mas o seudesenho básico mudou pouco. O kayak dos Esquimós, a canadiana dos Peles-vermelhas são os mais comuns, com algumas alterações. Quando usas uma canoa, estása impulsionar a história de centenas de anos. Não te esqueças de usar sempre o colete de salvação, e usa também um capacete,especialmente se vais praticar canoagem em cursos de água ou onde a profundidade nãofor grande. Se alguma vez virares, segura-te à canoa. Além de ser muito mais visível doque tu, uma canoa flutua, mesmo que esteja cheia de água e seja feita de metal! Comalgum cuidado, podes tentar voltar para dentro dela, e voltar à margem - cuidado nãovires a canoa...para cima de ti.A canoa Uma canoa tipo canadiana tem a grande vantagem de poder transportar mais deuma pessoa e carga, mas ser quase tão fácil de manobrar mesmo se estiveres sozinho. Numa canoa deve entrar uma pessoa de cada vez, ocupando o lugar correcto.Para melhor controlo, não te deves sentar no banco, mas sim apoiares-te num joelho, oumesmo nos dois, encostando as costas ao banco. O teu peso deve estar bem ao centro, enão te deves inclinar ou debruçar. Nas canoas, rema-se sempre do mesmo lado, excepto quando estais a manobrar,ou quando estás sozinho. Os remadores, normalmente dois, devem coordenar os seusmovimentos, para que a canoa se desloque em linha recta. Agarra a cabeça do remo com a mão oposta ao lado em que vais remar, com osdedos sobre o topo, e o polegar de lado. A mão do lado em que estás a remar deve estarmais ou menos a meio do remo, ou seja no início do cabo. Com a mão do lado em queestás a remar vais puxar o remo para trás, enquanto que com a outra vais empurrar otopo para a frente, e do final de cada impulso rodar a pá do remo para que este saiaverticalmente. Lembra-te: a pá entra de lado e sai verticalmente. Para manobrar a canoa, terás que te coordenar com o outro remador. Para virar àdireita, aquele que rema do lado esquerdo continua, enquanto que o do lado direito páraou deixa o remo dentro de água, e vice-versa. Para uma inversão de marcha, o remadordo lado para onde se vira pode remar para trás, afim de acelerar o processo.
  36. 36. O Kayak O kayak começou por ser uma versão fechada por cima e um pouco maispequena da canoa, sendo usados inicialmente em águas frias (como as do Ártico, ondevivem os esquimós) ou revoltas. Actualmente, os kayaks já não estão limitados apracticamente lugar nenhum – há kayaks especializados para águas calmas, para mar,etc. Um kayak deve ser transportado por duas pessoas utilizando as pegas. Secarregado por uma pessoa só, usa as duas mãos para pegar no cocpit e mantém ascostas direitas, usando as pernas para elevar e baixar o kayak. Para entrar no kayak, deves apoiar a pagaia transversalmente na parte de trás docockpit, e apoiando-te nela, deslizar para o interior, sem brusquidão. Agarra na pagaia com ambas as mãos no alinhamento dos ombros, com os nósdos dedos de cada mão alinhados pela pá do lado respectivo. Para remares, inclina ocorpo para a frente e mete a pá de lado o mais à frente que conseguires (sem tedebruçares demais). Mantendo a pá próxima do kayak, puxa a mão do lado em que estása remar, e empurra com a outra. Roda a pagaia o necessário para que a pá do outro ladorepita a mesma rotina. Inicialmente, poderá parecer-te que não consegues remar em linha recta, mas com a prática melhorarás. Apenas a prática e a instrução te conseguirão transformar num canoista, mas além de não deveres nunca praticar uma actividade aquática sozinho, deves fazê-lo com a supervisão de alguém com qualificação técnica para te aconselhar. Uma última chamada de atenção: por serem fechados e por serem relativamente fáceis de virar, não deves tentar fazer canoagem antes de aprenderes os procedimentos de segurança a cumprir nesses casos. Não te assustes – são fáceis, e não há registos de pessoas que ficaram presas nos kayaks virados ao contrário!Remo Remar é uma excelente actividade física para os teus braços, peitorais e sistemacardiovascular, se for feita correctamente. Numa emergência, remar dá-te uma forma desocorrer alguém que se afoga. Um barco pode-te levar a pontos nas margens ou emilhéus inacessíveis a pé e a pontos de pesca propícios. Em alguns parques há lagos artificiais onde qualquer pessoa pode alugar umbarco e aprender a remar. Em todas as actividades aquáticas deves ter o cuidado de usarum colete de salvação e um capacete - se virares a canoa e a água for rasa podes-temagoar, e mesmo ficar inconsciente. O capacete protege a tua cabeça de danos piores, eo colete mantém-te à superfície, voltado para cima para poderes respirar. Vais aprendero método certo de entrar num barco, e como usar os remos para impulso e direcção.
  37. 37. Remar exige prática e leva algum tempo, até te habituares aos movimentos e aosentares-te voltado de costas. Executa os movimentos devagar e vira a cabeça parasaberes em que direcção vais. Fixa os remos nos toletes e coloca a pá de cada remo dentro de água, bem atrásde ti, na direcção da proa. Inclina-te para a frente e estica os braços para a frente.Mantendo as costas bem direitas, dobra os braços e puxa os remos na tua direcção.Levanta os remos da água e empurra-os na direcção da proa para recomeçares. Paradirigires o barco poderás impulsionar apenas com o remo oposto ao lado para ondequeres virar, deixando o outro remo deslizar na água (sempre segurando-o bem).Vela
  38. 38. Velejar é um desporto olímpico que até à pouco tempo era exclusivodaqueles que tinham posses para comprar um barco. Hoje em dia, com osclubes náuticos e novos tipos de barcos, velejar está ao alcance de muitos denós. Este Manual não pretende ser de forma alguma um tratado sobre tudo, demodo que falar-te-emos apenas de alguns conceitos.O governo de uma embarcação à vela exige conhecimento das técnicas demareação e de manobra – em caso algum deves tentar fazê-lo sem umprofissional qualificado!Marear é orientar as velas em relação ao vento. As mareações são classificadasde acordo com o grau de incidência do vento na embarcação (0º sendo a frente,ou proa, da embarcação, e 180º a popa).
  39. 39. Aproximar a proa da linha do vento designa-se por orçar, enquanto que arribaré afastar a proa do vento. Barlavento é o lado de onde sopra o vento e sotaventoo lado para onde sopra o vento. Mareação Ângulo de Vento incidência do vento Bolina cerrada 0º – 67,5º De amura Bolina folgada 67,5º - 90º A um largo 90º - 157,5º À popa 157,5º - 180º De feiçãoÀ popa arrasada 180ºManobrar são as acções que visam alterar o movimento de uma embarcação –operar as velas, atracar (encostar e fixar uma embarcação a um cais) e largar ,fundear (ancorar) e suspender (levantar a âncora), virar de bordo, etc. Todasestas manobras requerem conhecimento das técnicas adequadas, por fáceis quepossam parecer, e nunca devem ser feitas sem pelo menos a supervisão de umadulto qualificadoMarésAs marés são causadas pelas forças da gravidade exercida pelo Sol e pela Lua, sendo aLua mais determinante (apesar do seu tamanho muito menor, está bastante maispróxima da Terra que o Sol).A altura do mar é variável conforme as marés. Em Portugal, as marés são semi-diurnas,isto é, acontecem duas marés altas (ou preia-mar, PM) e duas marés baixas (ou baixa-mar, BM) por dia, num ciclo de cerca de 24 horas e 48 minutos. Entre uma BM e a PMseguinte decorrem aproximadamente 6 horas e 12 minutos.O nível médio é a média dos níveis da água medidos ao longo do tempo. Seria o nívelconstante do mar se não houvesse marés, e constitui o ponto a partir do qual se medemaltitudes em terra.Zero hidrográfico é o plano horizontal imaginário que se situa abaixo da mais baixaBM. A partir do zero hidrográfico mede-se a preia-mar (o plano da água mais elevadoque o mar atinge) e a baixa mar (o plano da água mais baixo que o mar atinge).A amplitude da maré é a diferença de altura entre a PM e a BM. As amplitudes variamde acordo com as posições relativas da Lua, do Sol e da Terra:
  40. 40. quando os três astros estão em conjunção ou em oposição, formando uma linha (Lua Cheia ou Lua Nova) verificam-se as marés vivas, de grande amplitude. quando os três astros estão em quadratura (Quarto Crescente e Quarto Minguante) ocorrem as marés mortas, de pequena amplitude.As massas de água, ao movimentarem-se, dão origem às correntes de maré, que sedizem de afluxo ou enchente, e de refluxo ou vazante. Quando se atinge a PM ou a BMhá uma estabilização que se chama de estofo.Regulamento Internacional para EvitarAbalroamentosOs navegantes precisam de prestar muita atenção ao cumprimento das regras do RIEA,porque disso depende a segurança de todos. Aqui se reproduzem apenas os pontos maisimportantes é obrigatório manter uma vigia visual e auditiva permante em canais, as embarcações devem encostar a estibordo se duas embarcações à vela recebem o vento por bordos diferentes, aquele que o receber por bombordo deve dar passagem ao outro se duas embarcações à vela recebem o vento pelo mesmo bordo, aquele que estiver a barlavento deve dar passagem ao que estiver a sotavento as embarcações a motor devem guinar para estibordo afim de se desviarem de outras embarcações a cedência de passagem é feita através de abrandamento, paragem ou mudança de rumo a embarcação prioritária não deve alterar nem o rumo nem a velocidadeA ordem de prioridades é a seguinte: navio desgovernado (o mais prioritário) navio com capacidade de manobra reduzida * navio condicionado pelo seu calado * navio em faina de pesca navio à vela
  41. 41. navio a motor (o menos prioritário)SinalizaçãoAs embarcações de pequenas dimensões não necessitam de transportar luzes desinalização, mas devem ter uma lanterna potente para emergências no caso de haverpossibilidade de haver outras embarcações no local.Todas as embarcações devem possuir um ou mais dos seguintes faróis, de acordo com asua categoria: farol de mastro – uma luz branca projectando luz num arco de 225º para a frente da embarcação, centrado na linha proa-popa farol de popa (ou de caça) – uma luz branca projectanto luz num arco de 135º para ré da embarcação, centrado na linha proa-popa faróis de borda – uma luz verde colocada a estibordo e outra de luz vermelha colocada a bombordoAs embarcações têm prioridade sobre todas as embarcações que se aproximam do sectorvermelho, e dá prioridade a todas as que se aproximam do sector verde, devendomanobrar para as passar pela popa daquelas.Além daqueles, existem outros faróis: farol de reboque – como o farol de popa mas de cor amarela farol visível em todo o horizonte – arco de 360º farol de relâmpagos – com 120 ou mais relâmpagos regulares por minutoO número de faróis, e o alcance (potência) deles, varia conforme o tamanho, o tipo, e daactividade de cada embarcação.BalizagemA navegação na entrada de portos, barras e águas interiores (rios, lagos, canais) éorientada por um conjunto de marcas de sinalização, chamado Sistema de BalizagemMarítima - IALA.Existem dois tipos de marcas – a bóia e a baliza. A bóia está presa ao fundo por umaamarra, fixa a uma poita no fundo, e são bons indicadores da corrente de maré,inclinando-se para o lado contrário da corrente. A baliza é uma estaca fixo ao fundo. Denoite, as bóias e balizas devem ser iluminadas – as que o não são chamam-se cegas. Aidentificação das bóias e balizas faz-se através da sua forma, ou da forma do alvo (a
  42. 42. peça que coroa as bóias e balizas), a sua cor, a sua numeração e pela característica daluz que emitem de noite.As marcas laterais delimitam um canal navegável. As marcas de bombordo sãovermelhas, de formato cilíndrico, numeração par e de noite têm luz vermelha fixa. Asmarcas de estibordo são verdes, de formato cónico, numeração impar e de noite têm corverde fixa. Nota: Em Portugal, na Europa, África, Oceânia e Ásia (com excepção do Japão, República da Coreia do Sul e Filipinas) utiliza-se este sistema, em que o vermelho corresponde a bombordo. Todo o continente Americano, Japão, República da Coreia do Sul e Filipinas constituem a chamada Região B, em que o vermelho corresponde a estibordo – e o verde a bombordo.As marcas cardeais sinalizam a existência de perigos, indicando ao navegador a zona depassagem segura de acordo com os quatro pontos cardeais. Por exemplo, uma bóia‘Norte’ deve ser passada a Norte da bóia – pois a bóia (ou baliza) está colocada a Nortedo obstáculo.Código Internacional de SinaisINSERIR IMAGEM DAS BANDEIRAS MARÍTIMASComunicações
  43. 43. Cartas de Navegador de RecreioSe as actividades aquáticas são para ti um interesse, porque não obter uma das Cartas deNavegador de Recreio? Para menores de 18 anos, só está disponível a Carta deMarinheiro, carta essa que te habilita a governar uma embarcação de recreio emnavegação diurna à vista da costa (com algumas limitações conforme a tua idade). Carta Condições de Área Tamanho da Potência navegação navegável à embarcação instalada distânciaMarinheiro (14 Navegação Até 3 milhas da Até 5 metros de 22,5 KW a 18 anos) diurna à vista costa e até 6 comprimento da costa milhas de um (30hp) porto de abrigo Marinheiro (+ Navegação Até 3 milhas da Até 7 metros de 45 KW de 18 anos) diurna à vista costa e até 6 comprimento da costa milhas de um (60hp) porto de abrigo Patrão Local Navegação Até 5 milhas da Até 24 metros Sem limite (diurna e costa e até 10 de nocturna) à milhas de um comprimento vista da costa porto de abrigoPatrão de Costa Navegação Até 25 milhas Até 24 metros Sem limite livre à vista da da costa de costa comprimentoPatrão de Alto Navegação Sem limite Até 24 metros Sem limite Mar oceânica de
  44. 44. comprimentoInsígnias de competênciaNadador (Grupo Amarelo)Nadador Salvador (Grupo Vermelho)Aquólogo (Grupo Azul)Barqueiro/Canoeiro (Grupo Azul)Navegador (Grupo Azul)Pescador (Grupo Azul)Velejador (Grupo Azul)Carpinteiro Naval (Grupo Anil) Ferramentas Alguma vez precisaste de cortar uma corda? E abrir uma lata de comida? Cortaruma fatia de pão ou fazer um furo num cinto? Precisas de apertar um parafuso? Um
  45. 45. canivete pode-te ajudar a fazer todas estas tarefas, e outras 1001! De facto, uma lâminatem tantos usos que é difícil imaginar um acampamento ou uma actividade sem uma. O canivete, a serra, a machada/o machado, são as mesmas ferramentas usadas àmuitos anos por profissões tão diversas como lenhadores, guardas florestais, jardineiros,exploradores, etc. Quando rachas lenha para o fogo, consertas equipamentos, ou limpasum trilho, as ferramentas tornam a tua tarefa mais fácil. Orgulha-te de aprenderes ométodo correcto de as usares. Tão importante quanto saber o que fazer com as ferramentas, é saber o que NÃOfazer com elas. Cortar ou talhar árvores pode matá-las. Brincadeiras de tiro ao alvopodem falhar e causar danos permanentes. Nunca brinques com ferramentas - são coisassérias. Nunca brinques com uma lâmina - não exponhas superfícies cortantes quandonão a estiveres a usar e assegura-te que as ferramentas são devolvidas ao seu sítiodevido depois de as usares O teu canivete Uma das melhores ferramentas ‘todo-o-terreno’ é um canivete, com uma ou duaslâminas para cortar, e utensílios especiais para abrir latas, apertar parafusos e fazerburacos (tipo Canivete Suíço). Segue sempre estas regras quando usares o teu canivete: mantém fechados os utensílios e lâminas que não estiveres a usar. corta no sentido para longe de ti mantém o teu canivete limpo e as lâminas afiadas. Uma lâmina afiada é mais fácil de controlar, e limpa dura mais. nunca andes com as lâminas cortantes abertas não uses as lâminas ou o canivete como martelo - podes partir ou torcer as lâminas ou mesmo desconjuntar o canivete nunca atires um canivete com lâminas abertas, nem nenhum objecto cortante não ponhas lâminas no fogo - estas são “temperadas”, ou endurecidas com a quantidade certa de calor. Reaquecê-las pode arruinar esse tratamento e enfraquecer a lâmina.Cuidados com o teu canivete A maioria dos canivetes actuais é feito com uma liga de aço que não enferruja(não oxida - é aço inoxidável). Mas o lixo que se vai acumulando dentro, e o uso normalvai tirando o fio à lâmina.Limpando o canivete. Abre todas as lâminas e utensílios, tomando cuidado com os teusdedos. Pega numa cotonete ou enrola um pouco de algodão ou papel higiénico na ponta
  46. 46. de um palito. Molha-a com óleo, e limpa o interior do canivete. Vê que limpes a juntana base de cada lâmina. Com um lenço retira o óleo a mais. Se usaste o teu canivetepara cortar comida ou espalhar cobertura no pão, lava a lâmina em água tépida com umpouco de sabão.Afiando o canivete. Podes afiar as lâminas com uma pedra de esmeril. A maior partedestas são feitas de granito e outros materiais mais duros que o metal das lâminas.Algumas são cobertas com pó de diamante. As pedras de afiar usam-se secas, ou comalgumas gotas de água ou óleo. Empurra a lâmina pela pedra como se estivesses a cortar uma fatia. A superfícieáspera da pedra vai afiar a lâmina, do mesmo modo que a lixa amacia a madeira. Paraafiar o outro lado, vira a lâmina, e repete os procedimentos. Limpa os pequenospedacinhos de metal que ficam na pedra batendo-a na tua mão ou na tua perna. Passa a lâmina algumas vezes pela pedra. Limpa a lâmina com um pano limpo, eolha para o fio da mesma ao Sol, ou debaixo de uma luz forte. Um fio pouco afiadoreflecte a luz e parece brilhante. Um bem afiado não. A pior coisa que pode acontecer a um canivete é ser perdido. Sabe sempre doteu, guardando-o numa bolsinha no teu cinto, ou prende-o com um fio. Arranja um fiode um metro de comprimento, e dá um lais de guia na argola que os canivetesgeralmente têm. Prende o outro extremo do fio a um passador das tuas calças com outrolais de guia. Ou então arranja um fio mais pequeno, ata-o com o nó direito ou com o nócarrigue, mas vê que o fio seja bem colorido - assim poderás vê-lo mais facilmente se odeixares cair no meio da erva. A serra A serra é o melhor instrumento para cortar madeira em campo. Os modelos emque a lâmina dobra para dentro do corpo principal são os mais seguros, e são mais fáceisde arrumar. A maioria possui um tubo metálico curvo com lâmina “sueca”.Segurança da serra Os dentes de uma serra são bem afiados. Trata as serras e todos os instrumentoscortantes como o teu canivete. Fecha todas as lâminas dobráveis quando não as estejas ausar, e guarda-as no sítio adequado, como a tenda do material/intendência.Manutenção da serra Podes proteger a lâmina de uma serra normal com um bocado de mangueiravelha, cortado longitudinalmente. Insere a lâmina pelo corte, e prende a mangueira com
  47. 47. um bocado de fio em cada ponta. Antes de guardares uma serra, unta-a com óleo paraque não enferruje.Usar a serra Atenta ao tipo de corte que queres fazer, e ao tipo de serra que tens - existemvários tipos, com dentes diferentes, pensados para vários géneros de trabalhos. Apoia bem a madeira a cortar. Começa devagar, até fazeres uns sulcos namadeira que te ajudarão a ‘entrar na madeira’. Segura a serra o mais perto possível dalâmina e usa movimentos suaves (golpes é para os machados) e longos (usa o podercortante de toda a lâmina). Dá uma pequena ajuda ao peso da serra para esta entrar namadeira. Mantém a serra direita, ou poderá partir. Quando fores cortar um ramo seco de uma árvore, faz um corte inicial por baixodo ramo, e depois serra de cima para baixo. O corte inicial evita que o ramo a cairarranque casca e madeira do tronco da árvore, deixando uma feia cicatriz. Quandocortares troncos pequenos (como de arbustos ou árvores pequenas) corta-os bem rentesao chão, para que ninguém tropece neles.Afiar a serra Podes afiar os dentes de uma serra com uma lima grossa, triangular depreferência. Usa luvas de protecção, e move a lima de baixo para cima em todos osdentes de um lado da serra. Depois repete do outro lado da serra. Os dentes de uma serra devem estar inclinados alternadamente. Caso contrário ocorte que a serra faz pode prender a serra, e parti-la. Com uma chave de fendas, roda-aum pouco entre os dentes da lâmina. O machado e a machada O machado é usado para cortar árvores e rachar lenha à muitos anos - para osEscuteiros, a machada é talvez a ferramenta cortante mais usada, e por isso vamo-nosreferir mais a ela - as técnicas envolvidas são quase iguais. Os Escuteiros de hoje estão mais interessados em preservar as árvores, do queem as deitar abaixo, mas saber utilizar estes instrumentos é do nosso interesse paravárias situações num acampamento, como para o pioneirismo.Segurança da machada
  48. 48. Devido à maneira como são utilizados, estas ferramentas podem ser maisperigosas do que outras. Remove a carneira ou bolsa de cabedal da cabeça do machadoapenas quando o fores usar. Dá-lhe toda a tua atenção. Um machado tem que estar afiado e em boa condição. Se a cabeça está solta,mergulha-a em água por umas horas. A madeira do cabo incha, e segura a cabeça poralgumas horas. Assim que puderes, arranja uma cunha para o cabo, ou substitui-o. Usa sempre botas sólidas quando utilizares o machado, e remove o lenço, ououtros itens como cachecóis. Não deves ter ninguém à tua volta no raio de dois metros,pelo menos. Mantém os teus olhos e a tua atenção no que estás a fazer. Apoia bem oque queres cortar, e nunca cortes no chão.Usar o machado Cortar os ramos de uma árvore caída chama-se limpá-la. Põe-te de um lado dotronco. Corta os da base para a copa, o mais perto do tronco possível, sem fazer entalhesneste. Se o machado falhar um ramo, os teus pés estão protegidos pelo tronco. Vai“saltitando” de um lado para o outro à medida que vais da base do tronco para o topo. Para cortar um tronco (ou um ramo bastante grosso) com o machado, coloca-tede frente para ele, com os pés afastados à largura dos ombros. No caso do machado,segura-o com uma mão perto da cabeça e com a outra perto da ponta do cabo. Levanta acabeça do machado acima da tua, e com a ajuda das tuas mãos para o apontar, deixa queo peso do metal faça a força (no caso do machado, deixa a mão deslizar, ajudando-te aapontar a lâmina). Levanta e repete do outro lado. No caso da machada (ramos grossos) segura-a o mais afastado da cabeça quepuderes sem perder aderência da mão e faz o mesmo que com o machado. O teu objectivo é fazer cortes em V - dá o golpe inclinado a ângulos de 60_ -ora de um lado, ora de outro. Nunca se bate com a lâmina a direito, pois apenasamassará a madeira, e fará “bocas” no fio do machado. Usa um cepo para apoiar o que vais cortar (apenas no caso de troncos grossosisso não é necessário). Um cepo é um bocado de madeira grosso, geralmente uma fatiade um tronco, preso ao chão ou bem pesado. Deve ter cerca de meio metro de altura,para não teres de te curvar para usar o machado. Um cepo é importante para tuasegurança - se falhares um golpe, provavelmente acertarás o cepo, e não as tuas pernas. Quando não estiveres a usar o machado temporariamente (como enquanto vaisbuscar outro pedaço de lenha para rachar), espeta a cabeça do machado no cepo - nuncao deixes ou craves no chão, pois as pedras e a humidade estragam a lâmina. À noite,guarda-o num lugar abrigado e seguro. Para rachar um bocado de madeira, põe-no no cepo de pé. Com um golpepequeno, espeta a lâmina no bocado. Se não abrir uma rachadura, retira o machado erepete. Se a cabeça do machado ficar presa, levanta machado e bloco apenas até à alturados teus ombros e deixa cair. A gravidade e o fio da lâmina devem fazer o resto - repeteaté rachar completamente.

×