Música e ensino de ciências

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Música e ensino de ciências

  1. 1. SBEnBio - Associação Brasileira de Ensino de Biologia. II Encontro Nacional de Ensino de Biologia. Universidade Federal de Uberlândia. Uberlândia. 12 a 15 de Agosto de 2007.
  2. 2. Mini-curso: A música popular brasileira e o ensino de ciências naturais. Marcelo Diniz Monteiro de Barros. Professor Assistente III do Núcleo de Docência do Departamento de Ciências Biológicas da PUC Minas.
  3. 3. 1 – Considerações iniciais acerca da educação em ciências naturais. <ul><li>Mas... o que é ciência? </li></ul><ul><li>Ensino de ciências e educação básica no Brasil. </li></ul><ul><li>Como estamos trabalhando? </li></ul><ul><li>É possível utilizar a música como um recurso auxiliar no ensino de ciências naturais? </li></ul>
  4. 4. 2 – Os quatro eixos temáticos para a apresentação de conteúdos em ciências naturais. <ul><li>Terra e Universo. </li></ul><ul><li>Vida e Ambiente. </li></ul><ul><li>Ser Humano e Saúde. </li></ul><ul><li>Tecnologia e Sociedade. </li></ul>
  5. 5. <ul><li>Ética. </li></ul><ul><li>Saúde. </li></ul><ul><li>Meio-ambiente. </li></ul><ul><li>Orientação sexual. </li></ul><ul><li>Pluralidade cultural. </li></ul><ul><li>Trabalho e consumo. </li></ul><ul><li>Temas locais. </li></ul>3 – Os temas transversais propostos para o trabalho nas escolas.
  6. 6. <ul><li>Procurando bem , todo mundo tem pereba, marca de bexiga ou vacina </li></ul><ul><li>E tem piriri, tem lombriga, tem ameba, só a bailarina que não tem </li></ul><ul><li>E não tem coceira , berruga nem frieira, nem falta de maneira ela não tem </li></ul><ul><li>Futucando bem, todo mundo tem piolho, ou tem cheiro de creolina </li></ul><ul><li>Todo mundo tem um irmão meio zarolho, só a bailarina que não tem </li></ul><ul><li>Nem unha encardida, nem dente com comida, nem casca de ferida ela não tem </li></ul><ul><li>Não livra ninguém, todo mundo tem remela, quando acorda às seis da matina </li></ul><ul><li>Teve escarlatina, ou tem febre amarela, só a bailarina que não tem </li></ul><ul><li>Medo de subir, gente, medo de cair, gente, medo de vertigem quem não tem </li></ul><ul><li>Confessando bem, todo mundo faz pecado, logo assim que a missa termina </li></ul><ul><li>Todo mundo tem um primeiro namorado, só a bailarina que não tem </li></ul><ul><li>Sujo atrás da orelha, bigode de groselha, calcinha um pouco velha, ela não tem. </li></ul><ul><li>O padre também pode até ficar vermelho, se o vento levanta a batina </li></ul><ul><li>Reparando bem, todo mundo tem pentelho, só a bailarina que não tem </li></ul><ul><li>Sala sem mobília, goteira na vasilha, problema na família, quem não tem </li></ul><ul><li>Procurando bem, todo mundo tem... </li></ul>Ciranda da bailarina Composição: Edu Lobo / Chico Buarque
  7. 7.   Coração de Estudante Composição: Wagner Tiso / Milton Nascimento   Quero falar de uma coisa Adivinha onde ela anda Deve estar dentro do peito Ou caminha pelo ar Pode estar aqui do lado Bem mais perto que pensamos A folha da juventude É o nome certo desse amor Já podaram seus momentos Desviaram seu destino Seu sorriso de menino Quantas vezes se escondeu Mas renova-se a esperança Nova aurora a cada dia E há que se cuidar do broto Pra que a vida nos dê Flor e fruto Coração de estudante Há que se cuidar da vida Há que se cuidar do mundo Tomar conta da amizade Alegria e muito sonho Espalhados no caminho Verdes, planta e sentimento Folhas, coração, Juventude e fé.
  8. 8. Passaredo Francis Hime - Chico Buarque Ei, pintassilgo Oi, pintaroxo Melro, uirapuru Ai, chega-e-vira Engole-vento Saíra, inhambu Foge, asa-branca Bico calado Toma cuidado Que o homem vem aí O homem vem aí O homem vem aí Ei, quero-quero Oi, tico-tico Anum, pardal, chapim Xô, cotovia Xô, ave-fria Xô pescador-martim Some, rolinha Anda, andorinha Vai, patativa Tordo, tuju, tuim Xô, tié-sangue Xô, tié-fogo Xô, rouxinol, sem-fim Some, coleiro Anda, trigueiro Te esconde, colibri Voa, macuco Voa, viúva Utiariti Te esconde, bem-te-vi Voa, bicudo Voa, sanhaço Vai, juriti Bico calado Muito cuidado Que o homem vem aí O homem vem aí O homem vem aí
  9. 9. Sapato Velho Composição: Mu / Claudio Nucci / Paulinho Tapajós   Você lembra, lembra Daquele tempo Eu tinha estrelas nos olhos Um jeito de herói Era mais forte e veloz Que qualquer mocinho de cowboy Você lembra, lembra Eu costumava andar Bem mais de mil léguas Pra poder buscar Flores de maio azuis E os seus cabelos enfeitar Água da fonte Cansei de beber Pra não envelhecer Como quisesse Roubar da manhã Um lindo por de sol Hoje, não colho mais As flores de maio Nem sou mais veloz Como os heróis É talvez eu seja simplesmente Como um sapato velho Mas ainda sirvo Se você quiser Basta você me calçar Que eu aqueço o frio Dos seus pés.
  10. 10. Solar Composição: Milton Nascimento / Fernando Brant   Venho do sol, a vida inteira no sol Sou filha da terra do sol, hoje escuro O meu futuro é luz e calor, de um novo mundo eu sou E o mundo novo será mais claro Mas é no velho que procuro, o jeito mais sábio de usar A força que o sol me dá, canto o que eu quero viver É o sol, somos crianças ao sol A aprender a viver e a sonhar, e o sonho é belo Pois tudo ainda faremos, nada está no lugar Tudo está por pensar, tudo está por criar Saí de casa para ver outro mundo, conheci Fiz mil amigos nas cidades de lá Amigo é o melhor lugar, mas me lembrei do nosso inverno azul Eu quero é viver o sol, é triste não ter o sol É triste não ter o azul todo dia A nos alegrar Nossa energia solar Irá nos iluminar O caminho
  11. 11.   Querelas do Brasil Composição: Maurício Tapajós, Aldir Blanc   O Brazil não conhece o Brasil O Brasil nunca foi ao Brazil Tapir, jabuti, iliana, alamanda, ali, alaúde Piau, ururau, aki, ataúde Piá-carioca, porecramecrã, Jobim, akarone, jobim-açu Uou, uou, uou Pererê, camará, tororó, olerê Piriri, ratatá, caratê, olará O Brazil não merece o Brasil O Brazil tá matando o Brasil Jereba, saci, caandradea Cunhãs, ariranha, aranha Sertões, guimarães, bachianas, águas Imarionaíma, ariraribóia, Na aura das mãos de jobim-açu uou, uou, uou Jererê, sarará, cururu, olerê Blá-blá-blá, bafafá, sururu, olará Do Brasil, SOS ao Brasil Tinhorão, urutu, sucuri Ujobim, sabiá, bem-te-vi Cabuçu, Cordovil, Cachambi, Madureira, Olaria e Bangu, Cascadura, Água Santa, Acari, Ipanema e Nova Iguaçu, Olerê Do Brasil, SOS ao Brasil Do Brasil, SOS ao Brasil
  12. 12.   Cigarra Composição:   Milton Nascimento / Ronaldo Bastos Porque você pediu uma canção para cantar Como a cigarra arrebenta de tanta luz E enche de som o ar Porque a formiga é a melhor amiga da cigarra Raízes da mesma fábula que ela arranha Tece e espalha no ar Porque ainda é inverno em nosso coração Esta canção é para cantar Como a cigarra acende o verão E ilumina o ar
  13. 13. Sobradinho Composição: Sá e Guarabyra   O homem chega e já desfaz a natureza Tira a gente põe represa, diz que tudo vai mudar O São Francisco lá prá cima da Bahia Diz que dia menos dia vai subir bem devagar E passo a passo vai cumprindo a profecia Do beato que dizia que o sertão ia alagar O sertão vai virar mar Dá no coração O medo que algum dia O mar também vire sertão Vai virar mar Dá no coração O medo que algum dia O mar também vire sertão Adeus remanso, casa nova, sento-sé Adeus pilão arcado vem o rio te engolir Debaixo d'água lá se vai a vida inteira Por cima da cachoeira o Gaiola vai subir Vai ter barragem no salto do Sobradinho E o povo vai se embora com medo de se afogar O sertão vai virar mar Dá no coração O medo que algum dia O mar também vire sertão Vai virar mar Dá no coração O medo que algum dia O mar também vire sertão
  14. 14. O Relógio Composição: Vinicius de Moraes / Paulo Soledade   Passa, tempo, tic-tac Tic-tac, passa, hora Chega logo, tic-tac Tic-tac, e vai-te embora Passa, tempo Bem depressa Não atrasa Não demora Que já estou Muito cansado Já perdi Toda a alegria De fazer Meu tic-tac Dia e noite Noite e dia Tic-tac Tic-tac Dia e noite Noite e dia
  15. 15. Lindo Balão Azul Composição: Guilherme Arantes   Eu vivo sempre no mundo da lua Porque sou um cientista O meu papo é futurista é lunático eu vivo sempre no mundo da lua Tenho alma de artista Sou um gênio sonhador e romântico Eu vivo sempre no mundo da lua Porque sou aventureiro Desde o meu primeiro passo pro infinito Eu vivo sempre no mundo da lua Porque sou inteligente Se você quer vir com a gente, venha que será um barato Pegar carona nessa cauda de cometa Ver a Via Láctea, estrada tão bonita Brincar de esconde-esconde numa nebulosa Voltar pra casa nosso lindo balão azul
  16. 16. Rosa de Hiroshima Composição: Vinícius de Moraes / Gérson Conrad   Pensem nas crianças Mudas telepáticas Pensem nas meninas Cegas inexatas Pensem nas mulheres Rotas alteradas Pensem nas feridas Como rosas cálidas Mas, oh, não se esqueçam Da rosa da rosa Da rosa de Hiroshima A rosa hereditária A rosa radioativa Estúpida e inválida A rosa com cirrose A anti-rosa atômica Sem cor sem perfume Sem rosa sem nada
  17. 17. <ul><li>Quem vai querer comprar caranguejo? </li></ul><ul><li>Caranguejo uçá caranguejo uçá </li></ul><ul><li>apanho ele na lama e boto no meu caçuá (2x) </li></ul><ul><li>Tem caranguejo tem gordo guaiamum </li></ul><ul><li>cada corda de dez, eu dou mais um </li></ul><ul><li>eu dou mais um, eu dou mais um </li></ul><ul><li>cada corda de dez eu dou mais um. (2x) </li></ul><ul><li>Eu perdi a mocidade com os pés sujos de lama </li></ul><ul><li>eu fiquei analfabeto mais meus “fio criô” fama </li></ul><ul><li>pelo gosto dos “menino” </li></ul><ul><li>pelo gosto da “mulé” </li></ul><ul><li>eu já ia descansar </li></ul><ul><li>não sujava mais os “pé” </li></ul><ul><li>os “bichinho tão criado”, satisfiz o meu desejo </li></ul><ul><li>eu podia descansar, </li></ul><ul><li>mas continuo vendendo caranguejo. </li></ul>Vendedor de caranguejo Composição: Waldeck Artur de Macêdo (Gordurinha) Caranguejo uçá / tem gordo guiamum / cada corda de dez / eu dou mais um, cada corda de dez, eu dou mais um, eu dou mais um, eu dou mais um, cada corda de dez eu dou mais um, eu dou mais um, mais um, mais um, cada corda de dez eu dou mais um. Caranguejo uçá caranguejo uçá apanho ele na lama e boto no meu caçuá (2x) no meu caçuá (uçá) gordo guiamum (mais um) no meu caçuá (uçá) quem vai querer comprar caranguejo?
  18. 18. <ul><li>Debulhar o trigo </li></ul><ul><li>recolher cada bago do trigo </li></ul><ul><li>forjar no trigo o milagre do pão </li></ul><ul><li>e se fartar de pão. </li></ul><ul><li>Decepar a cana </li></ul><ul><li>recolher a garapa da cana </li></ul><ul><li>roubar da cana a doçura do mel </li></ul><ul><li>se lambuzar de mel. </li></ul><ul><li>Afagar a terra </li></ul><ul><li>conhecer os desejos da terra </li></ul><ul><li>cio da terra propícia estação </li></ul><ul><li>e fecundar o chão </li></ul>O cio da terra Composição: Milton Nascimento / Chico Buarque
  19. 19. <ul><li>Trabalhando o sal </li></ul><ul><li>É amor, o suor que me sai </li></ul><ul><li>Vou viver cantando </li></ul><ul><li>O dia tão quente que faz </li></ul><ul><li>Homem ver criança </li></ul><ul><li>Buscando conchinhas no mar </li></ul><ul><li>Trabalho o dia inteiro </li></ul><ul><li>Pra vida de gente levar </li></ul><ul><li>Água vira sal lá na salina </li></ul><ul><li>Quem diminuiu água do mar </li></ul><ul><li>Água enfrenta o sol lá na salina </li></ul><ul><li>Sol que vai queimando até queimar </li></ul>Canção do sal Composição: Milton Nascimento Trabalhando o sal Pra ver a mulher se vestir E ao chegar em casa Encontrar a família a sorrir Filho vir da escola Problema maior é o de estudar Que é pra não ter meu trabalho E vida de gente levar
  20. 20. <ul><li>Ainda é cedo amor </li></ul><ul><li>Mal começaste a conhecer a vida </li></ul><ul><li>Já anuncias a hora de partida </li></ul><ul><li>Sem saber mesmo o rumo que irás tomar </li></ul><ul><li>Preste atenção querida </li></ul><ul><li>Embora eu saiba que estás resolvida </li></ul><ul><li>em cada esquina cai um pouco a tua vida </li></ul><ul><li>Em pouco tempo não serás mais o que és </li></ul><ul><li>Ouça-me bem amor </li></ul><ul><li>Preste atenção o mundo é um moinho </li></ul><ul><li>Vai triturar teus sonhos tão mesquinho </li></ul><ul><li>Vai reduzir as ilusões à pó </li></ul><ul><li>Preste atenção querida </li></ul><ul><li>De cada amor tu herdarás só o cinismo </li></ul><ul><li>Quando notares estás à beira do abismo </li></ul><ul><li>Abismo que cavaste com teus pés </li></ul>O mundo é um moinho Composição: Cartola
  21. 21. <ul><li>Amo os peixes e os bichos da água </li></ul><ul><li>Amo as aves e os bichos do céu </li></ul><ul><li>Amo as flores e os seres da Terra </li></ul><ul><li>Tudo o que vive e se move nela. </li></ul><ul><li>Há sempre andorinhas por onde eu vou </li></ul><ul><li>Brincam no vento, nas asas do amor </li></ul><ul><li>Amo a vida em toda a extensão </li></ul><ul><li>Há um São Francisco no meu coração. </li></ul><ul><li>As pessoas, plantas e os animais </li></ul><ul><li>São canteiros do mesmo jardim </li></ul><ul><li>Querem a alegria, o amor e a paz </li></ul><ul><li>Ao beijo da vida, todos dizem sim. </li></ul>Andorinhas Composição: Marcus Viana
  22. 22. Pombo Correio Composição: Moraes Moreira / Dodo / Osmar Pombo correio voa depressa E essa carta leva para o meu amor Leva no bico que eu aqui fico esperando Pela resposta que é prá saber se ela ainda gosta de mim Pombo correio se acaso um desencontro Acontecer não perca nem um só segundo Voar o mundo se preciso for O mundo voa mas me traga uma notícia boa Pombo correio voa ligeiro Meu mensageiro e essa mensagem de amor Leva no bico que eu aqui fico cantando Que é prá espantar essa tristeza Que a incerteza do amor traz Pombo correio nesse caso eu lhe conto Por estas linhas a que ponto quer chegar Meu coração o que mais gosta Volta pra mim seria assim a melhor resposta boa.
  23. 23. <ul><li>Quando, seu moço, nasceu meu rebento, não era o momento dele rebentar </li></ul><ul><li>Já foi nascendo com cara de fome e eu não tinha nem nome pra lhe dar </li></ul><ul><li>Como fui levando, não sei lhe explicar, fui assim levando ele a me levar </li></ul><ul><li>E na sua meninice, ele um dia me disse que chegava lá </li></ul><ul><li>Olha aí, olha aí, olha aí, ai o meu guri, olha aí, olha aí, é o meu guri e ele chega. </li></ul><ul><li>Chega suado e veloz do batente e traz sempre um presente pra me encabular </li></ul><ul><li>Tanta corrente de ouro, seu moço, que haja pescoço pra enfiar </li></ul><ul><li>Me trouxe uma bolsa já com tudo dentro, chave, caderneta, terço e patuá </li></ul><ul><li>Um lenço e uma penca de documentos, pra finalmente eu me identificar, olha aí </li></ul><ul><li>Olha aí, ai o meu guri, olha aí, olha aí, é o meu guri e ele chega </li></ul><ul><li>Chega no morro com o carregamento, pulseira, cimento, relógio, pneu, gravador </li></ul><ul><li>Rezo até ele chegar cá no alto, essa onda de assaltos tá um horror </li></ul><ul><li>Eu consolo ele, ele me consola, boto ele no colo pra ele me ninar, de repente acordo, </li></ul><ul><li>olho pro lado, e o danado já foi trabalhar, olha aí, olha aí, ai o meu guri, olha aí, olha aí, </li></ul><ul><li>é o meu guri e ele chega, chega estampado, manchete, retrato, com venda nos olhos, </li></ul><ul><li>legenda e as iniciais, eu não entendo essa gente, seu moço, fazendo alvoroço demais. </li></ul><ul><li>O guri no mato, acho que tá rindo, acho que tá lindo de papo pro ar, desde o começo, </li></ul><ul><li>eu não disse, seu moço, ele disse que chegava lá, olha aí, olha aí, olha aí, ai o meu </li></ul><ul><li>guri, olha aí, olha aí, é o meu guri . </li></ul>O meu guri Composição: Chico Buarque
  24. 24. <ul><li>Anda, quero te dizer nenhum segredo </li></ul><ul><li>Falo nesse chão, da nossa casa, vem que tá na hora de arrumar </li></ul><ul><li>Tempo, quero viver mais duzentos anos, quero não ferir meu semelhante, nem por isso quero me ferir </li></ul><ul><li>Vamos precisar de todo mundo prá banir do mundo a opressão </li></ul><ul><li>Para construir a vida nova vamos precisar de muito amor </li></ul><ul><li>A felicidade mora ao lado e quem não é tolo pode ver </li></ul><ul><li>A paz na Terra, o pé na Terra, a paz na Terra, amor, o sal da... </li></ul><ul><li>Terra, és o mais bonito dos planetas, tão te maltratando por dinheiro, tu </li></ul><ul><li>que és a nave nossa irmã </li></ul><ul><li>Canta, leva tua vida em harmonia, e nos alimenta com seus frutos, tu que és do homem a maçã </li></ul><ul><li>Vamos precisar de todo mundo, um mais um é sempre mais que dois </li></ul><ul><li>Prá melhor juntar as nossas forças é só repartir melhor o pão </li></ul><ul><li>Recriar o paraíso agora para merecer quem vem depois </li></ul><ul><li>Deixa nascer o amor, deixa fluir o amor </li></ul><ul><li>Deixa crescer o amor, deixa viver o amor, o sal da Terra. </li></ul>O sal da Terra Composição: Beto Guedes / Ronaldo Bastos
  25. 25. <ul><li>Quando oiei a terra ardendo, quá fogueira de São João </li></ul><ul><li>Eu perguntei a Deus do céu, ai, pruque tamanha judiação </li></ul><ul><li>Qui brasero, que fornaia, nem um pé de prantação </li></ul><ul><li>Por falta d'água, perdi meu gado, morreu de sede, meu alazão </li></ul><ul><li>Inté mesmo a asa branca, bateu asas do sertão </li></ul><ul><li>Entonce eu disse adeus Rosinha, guarda contigo meu coração </li></ul><ul><li>Hoje longe muitas légua, numa triste solidão </li></ul><ul><li>Espero a chuva cair de novo, pra mim vortá pro meu sertão </li></ul><ul><li>Quando o verde dos teus óio, se espraiá na prantação </li></ul><ul><li>Eu te asseguro num chore não, viu? </li></ul><ul><li>Que eu voltarei, viu, meu coração </li></ul>Asa Branca Composição: Humberto Teixeira / Luiz Gonzaga
  26. 26. <ul><li>A água arrepiada pelo vento </li></ul><ul><li>A água e seu cochicho </li></ul><ul><li>A água e seu rugido </li></ul><ul><li>A água e seu silêncio </li></ul><ul><li>A água me contou muitos segredos </li></ul><ul><li>Guardou os meus segredos </li></ul><ul><li>Refez os meus desenhos </li></ul><ul><li>Trouxe e levou meus medos </li></ul><ul><li>A grande mãe me viu num quarto cheio d'água </li></ul><ul><li>Num enorme quarto lindo e cheio d'água </li></ul><ul><li>E eu nunca me afogava </li></ul><ul><li>O mar total e eu dentro do eterno ventre </li></ul><ul><li>E voz de meu pai, voz de muitas águas </li></ul><ul><li>Depois o rio passa </li></ul><ul><li>Eu e água, eu e água </li></ul><ul><li>Eu cachoeira, lago, onda, gota </li></ul><ul><li>Chuva miúda, fonte, neve, mar </li></ul>Eu e água Composição: Caetano Veloso A vida que me é dada Eu e água... a água lava as mazelas do mundo... e lava a minha alma, lava minha alma.
  27. 27. <ul><li>Quanto nome tem a Rainha do Mar? Quanto nome tem a Rainha do Mar? </li></ul><ul><li>Dandalunda, Janaína, Marabô, Princesa de Aiocá, </li></ul><ul><li>Inaê, Sereia, Mucunã, Maria, Dona Iemanjá. </li></ul><ul><li>Onde ela vive? Onde ela mora? Nas águas, na loca de pedra, num palácio encantado, no fundo do mar. </li></ul><ul><li>O que ela gosta? O que ela adora? Perfume, flor, espelho e pente, toda sorte de presente pra ela se enfeitar. </li></ul><ul><li>Como se saúda a Rainha do Mar? Como se saúda a Rainha do Mar? </li></ul><ul><li>Alodê, Odofiaba, Minha-mãe, Mãe-d'água, Odoyá! </li></ul><ul><li>Qual é seu dia, Nossa Senhora? É dia dois de fevereiro, quando na beira da praia eu vou me abençoar. </li></ul><ul><li>O que ela canta? Por que ela chora? Só canta cantiga bonita. Chora quando fica aflita, se você chorar. </li></ul><ul><li>Quem é que já viu a Rainha do Mar? Quem é que já viu a Rainha do Mar? Pescador e marinheiro quem escuta a sereia cantar. É com o povo que é praieiro que dona Iemanjá quer se casar. </li></ul>Iemanjá Rainha do Mar Composição: Pedro Amorim e Paulo César Pinheiro
  28. 28. <ul><li>Dentro do mar tem rio... </li></ul><ul><li>Dentro de mim tem o quê? Vento, raio, trovão. As águas do meu querer. </li></ul><ul><li>Dentro do mar tem rio... lágrima, chuva, aguaceiro. Dentro do rio um terreiro. Dentro do terreiro o quê? </li></ul><ul><li>Dentro do raio trovão. E o raio logo se vê. </li></ul><ul><li>Depois da dor se acende. Tua ausência na canção. </li></ul><ul><li>Deságua em mim a paixão. No coração um berreiro. </li></ul><ul><li>Dentro de você o quê? Chamas de amor em vão. </li></ul><ul><li>Um mar de sim e de não. Dentro do mar tem rio. É calmaria e trovão. Dentro de mim tem o quê? </li></ul><ul><li>Dentro da dor a canção. Dentro do guerreiro a flor. Dama de espada na mão. Dentro de mim tem você. Beira-mar </li></ul><ul><li>Beira-mar, ê ê beira-mar. Cheguei agora, ê ê beira-mar. Beira-mar beira de rio, ê ê beira-mar. </li></ul>Beira-mar Composição: Roberto Mendes e Capinan
  29. 29. <ul><li>O menino e o velho Chico viagens </li></ul><ul><li>Mergulham em meus olhos </li></ul><ul><li>Barrancos, carrancas, paisagens </li></ul><ul><li>Francisco, Francisco </li></ul><ul><li>Tantas águas corridas </li></ul><ul><li>Lágrimas escorridas, despedidas, saudades </li></ul><ul><li>Francisco meu santo, a velha canoa </li></ul><ul><li>Gaiolas são pássaros </li></ul><ul><li>Flutuantes imagens deságuam os instantes </li></ul><ul><li>O vento e a vela </li></ul><ul><li>Me levam distante </li></ul><ul><li>Adeus velho Chico </li></ul><ul><li>Diz o povo nas margens </li></ul>Francisco, Francisco Composição: Roberto Mendes / Capinan
  30. 30. <ul><li>Relíquia do folclore nacional </li></ul><ul><li>Jóia rara que apresento Nesta paisagem em que me vejo No centro da paixão e do tormento Sem nenhuma ilusão Neste cenário de tristeza Relembro momentos de real bravura Dos que lutaram com ardor Em nome do amor à natureza Cinzentas nuvens de fumaça Umedecendo meus olhos De aflição e de cansaço Imensos blocos de concreto Ocupando todos os espaços Daquela que já foi a mais bela cidade Que o mundo inteiro consagrou Com suas praias tão lindas Tão cheias de graça, de sonho e de amor </li></ul>Amor à natureza Composição: Paulinho da Viola Flutua no ar o desprezo Desconsiderando a razão Que o homem não sabe se vai encontrar Um jeito de dar um jeito na situação E se uma semente atirada Num solo tão fértil não deve morrer É sempre uma nova esperança Que a gente alimenta de sobreviver
  31. 31. <ul><li>O automóvel corre a lembrança morre, o suor escorre e molha a calçada </li></ul><ul><li>A verdade na rua, a verdade no povo, a mulher toda nua mas nada de novo </li></ul><ul><li>A revolta latente que ninguém vê, e nem sabe se sente pois é pra que </li></ul><ul><li>O imposto, a conta, o bazar barato, o relógio aponta o momento exato </li></ul><ul><li>Da morte incerta, a gravata enforca, o sapato aperta, o país exporta </li></ul><ul><li>E na minha porta ninguém quer ver, uma sombra morta pois é pra que? </li></ul><ul><li>Que rapaz é esse, que estranho canto, seu rosto é santo seu canto é tudo </li></ul><ul><li>Saiu do nada, da dor fingida, desceu a estrada subiu na vida </li></ul><ul><li>A menina aflita ele não quer ver , a guitarra excita pois é pra que? </li></ul><ul><li>A fome a doença, o esporte, a gincana </li></ul><ul><li>A praia compensa o trabalho, a semana </li></ul><ul><li>O chopp, o cinema, o amor que atenua, um tiro no peito, o sangue na rua </li></ul><ul><li>A fome a doença, não sei mais porque, que noite, que lua, meu bem pra que? </li></ul><ul><li>O patrão sustenta o café, o almoço, o jornal comenta um rapaz tão moço </li></ul><ul><li>O calor aumenta, a família cresce, o cientista inventa uma flor que parece </li></ul><ul><li>A razão mais segura pra ninguém saber, de outra flor que tortura </li></ul><ul><li>No fim do mundo tem um tesouro, quem for primeiro carrega o ouro </li></ul><ul><li>A vida passa no meu cigarro, quem tem mais pressa que arranje um carro </li></ul><ul><li>Pra andar ligeiro sem ter porque, sem ter pra onde pois é pra que. </li></ul>Pois é pra quê? Composição: Sidney Miller
  32. 32. <ul><li>Amor é um livro - Sexo é esporte </li></ul><ul><li>Sexo é escolha - Amor é sorte </li></ul><ul><li>Amor é pensamento, teorema </li></ul><ul><li>Amor é novela - Sexo é cinema </li></ul><ul><li>Sexo é imaginação, fantasia </li></ul><ul><li>Amor é prosa - Sexo é poesia </li></ul><ul><li>O amor nos torna patéticos </li></ul><ul><li>Sexo é uma selva de epiléticos </li></ul><ul><li>Amor é cristão - Sexo é pagão </li></ul><ul><li>Amor é latifúndio - Sexo é invasão </li></ul><ul><li>Amor é divino - Sexo é animal </li></ul><ul><li>Amor é bossa nova - Sexo é carnaval </li></ul><ul><li>Amor é para sempre - Sexo também </li></ul><ul><li>Sexo é do bom... Amor é do bem... </li></ul><ul><li>Amor sem sexo, é amizade </li></ul><ul><li>Sexo sem amor, é vontade </li></ul>Amor e Sexo Composição: Rita Lee / Roberto de Carvalho / Arnaldo Jabor Amor é um - Sexo é dois Sexo antes - Amor depois Sexo vem dos outros e vai embora Amor vem de nós e demora Amor é cristão - Sexo é pagão Amor é latifúndio - Sexo é invasão Amor é divino - Sexo é animal Amor é bossa nova - Sexo é carnaval Amor é isso, sexo é aquilo... e coisa e tal... e tal e coisa... Ai o amor... Hum, o sexo.
  33. 33. <ul><li>Mandacaru quando 'fulora' na seca </li></ul><ul><li>é um sinal que a chuva chega no sertão </li></ul><ul><li>Toda menina que enjoa da boneca é sinal que o amor já chegou no coração </li></ul><ul><li>Meia comprida, não quer mais, sapato baixo, vestido bem cintado, não quer mais vestir timão. </li></ul><ul><li>Ela só quer, só pensa em namorar (2x) </li></ul><ul><li>De manhã cedo já tá pintada. Só vive suspirando sonhando acordada </li></ul><ul><li>O pai leva ao 'dotor' a filha adoentada </li></ul><ul><li>Não come, nem estuda, não dorme e nem quer nada </li></ul><ul><li>Ela só quer, só pensa em namorar (2x) </li></ul><ul><li>Mas o 'doto' nem examina, chamando o pai dum lado lhe diz logo em surdina: “que o mal é da idade e que pra tal menina não tem um só remédio em toda medicina!“ </li></ul><ul><li>Ela só quer, só pensa em namorar (2x) </li></ul>O xote das meninas Composição: Zé Dantas / Luiz Gonzaga
  34. 34. <ul><li>Os cidadãos no Japão, fazem, lá na China um bilhão, fazem </li></ul><ul><li>Façamos, vamos amar! Os espanhóis, os lapões, fazem, </li></ul><ul><li>Lituanos e letões, fazem, façamos, vamos amar! </li></ul><ul><li>Os alemães em Berlim, fazem e também lá em Bonn... </li></ul><ul><li>Em Bombaim, fazem, os hindus acham bom. </li></ul><ul><li>Nisseis, nikeis e sanseis, fazem, </li></ul><ul><li>lá em São Francisco muitos gays fazem </li></ul><ul><li>Façamos, vamos amar! </li></ul><ul><li>Os rouxinóis, os saraus fazem, irritantes pica-paus fazem </li></ul><ul><li>Façamos, vamos amar! </li></ul><ul><li>Uirapurus no Pará, fazem, tico-ticos no fubá, fazem </li></ul><ul><li>Façamos, vamos amar! </li></ul><ul><li>Chinfrins galinhas afins fazem e jamais dizem não... </li></ul><ul><li>Corujas, sim, fazem, sábias como elas são </li></ul><ul><li>E os perus, todos nus, fazem, gaviões, pavões e urubus, fazem </li></ul><ul><li>Façamos, vamos amar! </li></ul><ul><li>Dourados no Solimões, fazem Camarões em camarãs, fazem </li></ul><ul><li>Façamos, vamos amar! Piranhas, só por fazer, fazem, namorados, por prazer, fazem, façamos, vamos amar! </li></ul>Façamos (vamos amar) Composição: Chico Buarque / Elza Soares
  35. 35. <ul><li>Peixes elétricos bem, fazem, entre beijos e choques... </li></ul><ul><li>Garçons também fazem, sem falar nos hadocs </li></ul><ul><li>Salmões no sal, em geral, fazem, bacalhaus no mar em Portugal, fazem </li></ul><ul><li>Façamos, vamos amar </li></ul><ul><li>Libélulas em bambus, fazem, centopéias sem tabus, fazem </li></ul><ul><li>Façamos, vamos amar! </li></ul><ul><li>Os Louva-Deuses, com fé, fazem, dizem que bichos de pé, fazem </li></ul><ul><li>Façamos, vamos amar! </li></ul><ul><li>As taturanas também fazem, um ardor incomum </li></ul><ul><li>Grilos, meu bem, fazem e sem grilo nenhum. </li></ul><ul><li>Com seus ferrões, os zangões, fazem, pulgas em calcinhas e calções, fazem </li></ul><ul><li>Façamos, vamos amar! </li></ul><ul><li>Tamanduás e tatus, fazem, corajosos cangurus, fazem </li></ul><ul><li>Façamos, vamos amar! </li></ul><ul><li>Coelhos só e tão só, fazem, macaquinhos no cipó, fazem </li></ul><ul><li>Façamos, vamos amar </li></ul><ul><li>Gatinhas com seus gatões, fazem, dando os gritos de ais... </li></ul><ul><li>Os garanhões fazem, esses fazem demais </li></ul><ul><li>Leões ao léu, sob o céu, fazem, ursos lambuzando-se no mel, fazem </li></ul><ul><li>Façamos, vamos amar! Façamos, vamos amar! </li></ul>
  36. 36. <ul><li>Por ser de lá do Sertão, lá do Cerrado </li></ul><ul><li>Lá do interior, do mato </li></ul><ul><li>Da caatinga, do roçado. </li></ul><ul><li>Eu quase não saio </li></ul><ul><li>Eu quase não tenho amigo </li></ul><ul><li>Eu quase que não consigo </li></ul><ul><li>Ficar na cidade </li></ul><ul><li>Sem viver contrariado. </li></ul><ul><li>Por ser de lá </li></ul><ul><li>Na certa, por isso mesmo </li></ul><ul><li>Não gosto de cama mole </li></ul><ul><li>Não sei comer sem torresmo. </li></ul><ul><li>Eu quase não falo </li></ul><ul><li>Eu quase não sei de nada </li></ul><ul><li>Sou como rês desgarrada </li></ul><ul><li>Nessa multidão boiada </li></ul><ul><li>Caminhando a esmo. </li></ul>Lamento sertanejo Composição: Gilberto Gil / Dominguinhos
  37. 37. <ul><li>Zabelê, zumbi, besouro, vespa fabricando mel </li></ul><ul><li>Guardo teu tesouro, jóia marrom, raça como nossa cor </li></ul><ul><li>Nossa linda juventude, página de um livro bom </li></ul><ul><li>Canta que te quero cais e calor, claro como o sol raiou </li></ul><ul><li>Claro como o sol raiou </li></ul><ul><li>Maravilha, juventude, pobre de mim, pobre de nós </li></ul><ul><li>Via Láctea, brilha por nós, vi...das pe..que..nas da esqui...na </li></ul><ul><li>Fado, sina, lei, tesouro, canta que te quero bem </li></ul><ul><li>Brilha que te quero luz andaluz, massa como o nosso amor </li></ul><ul><li>Nossa linda juventude, página de um livro bom </li></ul><ul><li>Canta que te quero cais e calor, claro como o sol raiou </li></ul><ul><li>Claro como o sol raiou </li></ul><ul><li>Maravilha, juventude, tudo de mim, tudo de nós </li></ul><ul><li>Via Láctea, brilha por nós, vi...das bo..ni..tas da esqui...na. </li></ul><ul><li>Zabelê, zumbi, besouro.... </li></ul>Linda juventude Composição: Flávio Venturini / Márcio Borges
  38. 38. <ul><li>O ouro afunda no mar </li></ul><ul><li>Madeira fica por cima </li></ul><ul><li>Ostra nasce do lodo </li></ul><ul><li>Gerando pérolas finas </li></ul><ul><li>Não queria ser o mar, me bastava a fonte </li></ul><ul><li>Muito menos ser a rosa, simplesmente o espinho </li></ul><ul><li>Não queria ser caminho, porém o atalho </li></ul><ul><li>Muito menos ser a chuva, apenas o orvalho </li></ul><ul><li>Não queria ser o dia, só a alvorada </li></ul><ul><li>Muito menos ser o campo, me bastava o grão </li></ul><ul><li>Não queria ser a vida, porém o momento </li></ul><ul><li>Muito menos ser concerto, apenas a canção. </li></ul>O ouro e a madeira Composição: Ederaldo Gentil
  39. 39. Amor de índio Composição: Beto Guedes / Ronaldo Bastos <ul><li>Tudo que move é sagrado e remove as montanhas </li></ul><ul><li>Com todo cuidado, meu amor </li></ul><ul><li>Enquanto a chama arder, todo dia te ver passar </li></ul><ul><li>Tudo viver ao teu lado, com o arco da promessa </li></ul><ul><li>No azul pintado prá durar </li></ul><ul><li>Abelha fazendo mel, vale o tempo que não voou </li></ul><ul><li>A estrela caiu do céu, o pedido que se pensou </li></ul><ul><li>O destino que se cumpriu, de sentir teu calor e ser todo </li></ul><ul><li>Todo dia é de viver, para ser o que for e ser tudo </li></ul><ul><li>Sim, todo amor é sagrado e o fruto do trabalho é mais que sagrado, meu amor </li></ul><ul><li>A massa que faz o pão, vale a luz do teu suor </li></ul><ul><li>Lembra que o sono é sagrado e alimenta de horizontes o tempo acordado de viver </li></ul><ul><li>No inverno te proteger, no verão sair prá pescar, no outono te conhecer, primavera poder gostar </li></ul><ul><li>No estio me derreter, prá na chuva dançar e andar junto </li></ul><ul><li>O destino que se cumpriu, de sentir teu calor e ser tudo </li></ul>
  40. 40. <ul><li>Sete em cores, de repente </li></ul><ul><li>O arco-íris se desata </li></ul><ul><li>Na água límpida e contente </li></ul><ul><li>Do ribeirinho da mata. </li></ul><ul><li>O sol, ao véu transparente </li></ul><ul><li>Da chuva, de ouro e de prata </li></ul><ul><li>Resplandece resplendente </li></ul><ul><li>No céu, no chão, na cascata. </li></ul><ul><li>E abre-se a porta da arca. </li></ul><ul><li>Lentamente surgem francas </li></ul><ul><li>A alegria e as barbas brancas </li></ul><ul><li>Do prudente patriarca. </li></ul><ul><li>Vendo ao longe aquela serra </li></ul><ul><li>E as planícies tão verdinhas, </li></ul><ul><li>Diz Noé: que boa terra </li></ul><ul><li>Pra plantar as minhas vinhas. </li></ul><ul><li>Ora vai, na porta aberta, </li></ul><ul><li>De repente, vacilante, </li></ul><ul><li>Surge lenta, longa e incerta </li></ul><ul><li>Uma tromba de elefante. </li></ul>A arca de Noé Composição: Vinícius de Moraes / Toquinho E de dentro de um buraco De uma janela aparece Uma cara de macaco Que espia e desaparece. &quot;Os bosques são todos meus!&quot;, Ruge soberbo o leão. &quot;Também sou filho de Deus&quot;, Um protesta, e o tigre - &quot;Não!&quot; A arca desconjuntada parece que vai ruir Entre os pulos da bicharada toda querendo sair. Afinal, com muito custo, indo em fila, aos casais; uns com raiva, outros com susto, vão saindo os animais. Os maiores vêm à frente trazendo a cabeça erguida. E os fracos, humildemente, vêm atrás, como na vida. Longe o arco-íris se esvai e desde que houve essa história, quando o véu da noite cai, erguem-se os astros em glória. Enchem o céu de seus caprichos, em meio à noite calada. Ouve-se a fala dos bichos na terra repovoada.
  41. 41. Depende de Nós Composição: Ivan Lins / Vitor Martins   Depende de nós Quem já foi ou ainda é criança Que acredita ou tem esperança Quem faz tudo pra um mundo melhor Depende de nós Que o circo esteja armado Que o palhaço esteja engraçado Que o riso esteja no ar Sem que a gente precise sonhar Que os ventos cantem nos galhos Que as folhas bebam orvalhos Que o sol descortine mais as manhãs Depende de nós Se esse mundo ainda tem jeito Apesar do que o homem tem feito Se a vida sobreviverá

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