Seminário Mitos - Mestrado em Comunicação.

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Apresentação do seminário sobre Mitos e Mitologias, aplicados ao Programa Catalendas da TV Cultura. Autor da dissertação: Gabriel Lage. Apresentação: Rodrigo Volponi, Janaíra Franca, José Geraldo, Marcos Ribeiro. Prof. Dimas Kunsch.

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Seminário Mitos - Mestrado em Comunicação.

  1. 1. • Criado em 1999;• 1 ano de planejamento na TV Cultura do Pará;• O Catalendas procura refletir a realidade sociocultural brasileira;• Ambientado no universo de histórias do Amazonas;• A linguagem usada é da própria região;• Tradicionalidade das narrativas;• Personagens: Dona Preguiça e Macaco Preguinho;• Cenários são pensados detalhadamente com elementos naturais a floresta;• Conta com consultoria pedagógica e pesquisa sobre as narrativas.
  2. 2. • As lendas são ouvidas das pessoas da região;• Depois são escritas por roteiristas e inseridas nos livros de história da Dona Preguiça;• Por meio da oralidade, são transmitidas pela personagem ao macaco Preguinho;• Crianças e adultos levam adiante as narrativas.• Histórias fundamentais: a mitologia amazônica, Curupira, Matinta Perera e o meio ambiente;• Quadro efeito dicionário;• Gramática dos símbolos aplicada às narrativas;• Episódios estudados: Matinta Perera e Novo Mundo.
  3. 3. • Alguns autores foram estudados na busca pela compreensão das teoriassobre mito e mitologias e como a mídia se utiliza de suas narrativas:• Joseph Campbell• Mircea Eliade,• Karen Armstrong,• Maleia Segura Contrera,• Mônica Martinez,• Eric Havelock,• Roland Barthes,• Christopher Vogler,• Dimas Künsch.
  4. 4. • Entende que é preciso que a expressão mito seja desvinculada da ideia de pura história de ficção, folclore, lenda, imaginação, irrealidade ou associações do gênero.• Mito e mitologia são bem mais do que simples histórias. São umaforma de ordenar o caos da vida.• Para Künsch, “compreender, de comprehendere, evoca originalmente a idéia de abranger, abraçar ou pegar junto”. (2005:46) Mitos, nesse mesmo sentido, são verdadeiros instrumentos de compreensão do mundo. Produzem e abraçam significados.
  5. 5. • Depois da pesquisa bibliográfica buscou-se a compreensão das teorias sobre mito e mitologias e como a mídia se utiliza das narrativas míticas.• Descrição completa do programa Catalendas, de sua história e de sua produção;• Entrevistas em profundidade com a equipe de produção;• Uma visão geral dos temas dominantes, os tratamentos, o modo comoessas histórias ganham corpo na TV;• Estudo aprofundado de episódios específicos, com a finalidade de investigar, o modo como o programa trata as narrativas míticas.
  6. 6. De acordo com Marilena Chauí:“a palavra mito vem do grego, mythos,e deriva de dois verbos: do verbo mytheyo(contar, narrar, falar alguma coisa para outros)e do verbo mytheo (conversar, contar,anunciar, nomear, designar)”. (2000:32)Assim, desde a origem da palavra,mito e narrativa caminham juntos,são indissociáveis.
  7. 7. • Barreira: domínio da racionalidade e lógica na reprodução dos mitos;• São histórias verdadeiras;• Histórias que buscam a verdade, o sentido de nossas vidas e o que representamos neste mundo;• Mitos não são estudos do passado, são tão contemporâneos quando nosso pensamento científico;• Mitologia planetária.
  8. 8. • Na cultura amazônica existe o personagem Curupira. Seu primeiro registro escrito foi feito por José de Anchieta, no século XVI;• É dado ao Curupira a função social de guardar, de preservar a flora e a fauna;• O personagem representa mitologicamente a preservação da natureza.
  9. 9. • Mitologias e rituais permitem que o ser humano avance:"As lendas são a poesia do povo; ellas correm de tribu em tribu,de lar em lar, uma história doméstica das idéas e dos factos;como o pão bento da instrucção familiar. (...)Mas o povo crê, e nãoconvém destruir as fábulas do povo (...)Este cultivo dos mythos, não é,talvez, o aguardar laboriosodas verdades eternas?"(Machado de Assis, 2008:41)
  10. 10. • As grandes interrogações humanas – filosofia;• Contato com a experiência de estar vivo – lendo mitos alheios: "O mito ajuda a colocar sua mente em contatocom essa experiência de estar vivo. Ele lhe diz o que a experiência é”. (Campbell, 2007:6)
  11. 11. • As sociedades contemporâneas também praticam mitos;• Campbell afirma que vivemos os tempos míticos;• Pensamento mítico faz parte de nossa vida social;• A necessidade humana de narrar é vital e contribuiu para o surgimento da mídia;• Narrar o mundo, dar ordem ao caos;• Vida sem mito, vida esvaziada de sentido.
  12. 12. • Morrer para o passado, viver o futuro;• A purificação do eu;• Quem se recusa a passar por esses rituais geralmente se afasta da comunidade ou não é bem visto dentro dela;• O Mito nos encoraja a viver o nosso mundo (participar da vida), a não temê-lo, porque outras pessoas já passaram por isso;
  13. 13. • Criamos heróis o tempo todo;"A linguagem da Jornada do Herói está nitidamentese tornando parte do conhecimento comum sobrenarrativas e seus princípios têm sido usados deforma consciente para criar filmes de grandealcance popular”. (Vogler, 2006:23)• A jornada do Herói e Indiana JonesIndiana Jones e os caçadores da arca perdida (1981),Indiana Jones no templo da perdição (1984),Indiana Jones e a última cruzada (1989),Indiana Jones e o reino da caveira de cristal (2008).
  14. 14. • Pseudo-heróis = celebridades;• Reality Shows• Durante a exibição alguns participantes são idolatrados;• O telespectador se vê dividido entre o prazer de assistir as intrigas causadas pelos “vilões” e a satisfação de vê-los serem eliminados pelos “mocinhos”;• O público decide quem é o herói;• O herói é premiado e desfruta uma fugaz fama;• Por que não nos sentimos motivados pelosnosso heróis contemporâneos?
  15. 15. • As narrativas míticas e seus heróis, fascinam e estimulam o homem comum, a encontrar forças em histórias infinitamente maiores que ele e a entender que pode, sim, planejar os rumos que sua vida irá tomar, com decisões que irão tornar a jornada mais agradável até que esta chegue a um desfecho sobre o qual ele, porém, não possui controle absoluto.
  16. 16. • Humberto Ecco afirma que nossos mundos são pequenos e confortáveis, que usamos as narrativas para criar mundos complexos, contraditórios e provocantes (mundos ficcionais).• Isso se explica na narrativa mítica, que, mesmo sendo predominantemente ficcional, trata de verdades absolutas.
  17. 17. • Mitos só existem quando fazem parte da cultura de oralidade de um povo;• A maior dificuldade é o foco na imagem (dinâmicas, sedutoras, predominantes) os indivíduos ficam sedentários, preferem apenas ver nas narrativas;• Importante para o desenvolvimento cognitivo das crianças.
  18. 18. • A relação desigual entre cultura oral e cultura escrita;• Meios de comunicação que tinham foco na oralidade: telefone, rádio e televisão;• Índios contemporâneos usam a oralidade para contar suas histórias, acreditam que conhecer sobre um determinado animal, objeto ou planta é o mesmo de deter um poder mágico sobre ele.
  19. 19. • Há uma visão de que essa atual sociedade não possui mitos, pela descrença neles;• Perda de valores: criminalidade, família (atos destrutivos);• O mito está presente no cotidiano, mesmo que não seja percebido;• Todos executam cotidianamente pequenos rituais;• O carnaval é um grande ritual;• Estamos intimamente ligados pelos mitos;• A relação mitologia e educação – mitos carregam significados de valor ao homem.
  20. 20. • As narrativas míticas seguem ajudando o homem a compreender, a viver, a ser melhor;• Seus heróis, além de fascinarem e estimularem o homem comum (o herói da vida real); ajudam a viver, a encontrar forças em histórias infinitamente maiores que ele e a entende que pode, sim planejar os rumos que sua vida irá tomar, com decisões que irão tornar a jornada mais agradável até que esta chegue a um desfecho sobre o qual ele, porém, não possui controle absoluto.
  21. 21. • Contribuir para um melhor entendimento do mito como forma de compreensão do mundo, no contexto de um pensamento e epistemologia de caráter compreensivo;• Desvinculação das narrativas míticas de conceitos como ficção folclore lenda , imaginação, irrealidade, ou associações do gênero;• O indivíduo que entra em contato com a mitologia inicia um processo de ver o mundo de outro modo: mais compreensivo, mais cordato, mais respeitoso e menos agressivo.
  22. 22. • Investiga a presença e força do mito no cotidiano• Ressalta a importância fundamental da compreensão da mitologia para a vida;• Analisa, seguindo os princípios de uma epistemologia de tipo compreensivo, a presença e força de elementos do campo da mitologia na produção dos grandes meios de comunicação;
  23. 23. • Cria o espaço teórico necessário para o estudo do programa Catalendas;• Destaca que O Catalendas caminha na contramão do modo de ver e tratar a sabedoria mítica dos povos pela mídia;• Questiona uma visão de mito reducionista e cientificista;• Exalta a importância de reorganização do caos para sobrevivência da humanidade por meio das narrativas.

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