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I SIMPÓSIO DE PESQUISA EM ENSINO E HISTÓRIA DE CIÊNCIAS DA TERRA
III SIMPÓSIO NACIONAL SOBRE ENSINO DE GEOLOGIA NO BRASIL
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III SIMPÓSIO NACIONAL SOBRE ENSINO DE GEOLOGIA NO BRASIL
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III SIMPÓSIO NACIONAL SOBRE ENSINO DE GEOLOGIA NO BRASIL
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  1. 1. I SIMPÓSIO DE PESQUISA EM ENSINO E HISTÓRIA DE CIÊNCIAS DA TERRA III SIMPÓSIO NACIONAL SOBRE ENSINO DE GEOLOGIA NO BRASIL TRABALHANDO LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS NAS AULAS DE CIÊNCIAS: UM ESTUDO DE CASO COM UMA TURMA DA 5ª SÉRIE DO ENSINO FUNDAMENTAL SOBRE A TEMÁTICA TERRA READING AND INTERPRETATION OF TEXTS IN THE SCIENCE CLASSES: A CASE STUDY WITH 5TH GRADE STUDENTS OF ELEMENTARY SCHOOL INVOLVING SUBJECT “EARTH” CLÁUDIA DE O. LOZADA Programa de Mestrado em Ensino de Ciências e Matemática, Universidade Cruzeiro do Sul Rua Galvão Bueno, 868, 01506-000 – São Paulo, SP E-mails: clalloz@yahoo.com.br Abstract In this work we center the focus for the question of the reading and interpretation of texts in the Science classes, with the objective to stimulate the interest of the students for the thematic ones that they involve the study of the planet Earth. For in such a way, we present a qualitative research carried through with a group of students of 5th grade of elementary school. The results demonstrate that the students do not possess the habit to read scientific texts, what certainly he can influence in the agreement of some concepts that if he intends to develop in the Science classes. Keywords planet Earth, reading and interpretation of texts, science classes, elementary school, science education Resumo Neste trabalho centramos o foco para a questão da leitura e interpretação de textos nas aulas de Ciências, com o ob- jetivo de estimular o interesse dos alunos pelas temáticas que envolvem o estudo do planeta Terra. Para tanto, apresentamos uma pesquisa qualitativa realizada com uma turma de alunos da 5ª série do Ensino Fundamental de uma escola da rede pública estadual. Os resultados demonstram que os alunos não possuem o hábito de ler textos científicos, o que certamente pode influen- ciar no entendimento de alguns conceitos que se pretende desenvolver nas aulas de Ciências. Palavras-chave Planeta Terra, leitura e interpretação de textos, aulas de Ciências, Ensino Fundamental, Ensino de Ciências Linha temática Ensino de geociências na educação básica e no ensino superior  Sendo assim, todos estes tópicos que aqui cita- 1 Introdução mos sucintamente permitem ao professor estabelecer diversas formas de se trabalhar o conteúdo planeta Terra, desenvolvendo competências e habilidades, as O contato mais efetivo que os alunos do Ensino Fun- quais preceituam os PCN, um dos principais docu- damental possuem com o estudo do planeta Terra mentos norteadores da Educação Nacional. ocorre na 5ª série, momento em que podem estudar Acreditamos contudo que as aulas de Ciências de modo mais aprofundado a Ecosfera e seus subsis- não devem se ater apenas a copias de textos e tipos temas (Atmosfera, Hidrosfera, Biosfera e Litosfera), de exercícios cujas respostas encontram-se imediata- bem como temáticas ambientais, importantes para a mente no texto. É preciso mobilizar as estruturas Educação Ambiental e a formação cidadã. cognitivas de nossos alunos, levando-os a compreen- Ao enfocar-se o tópico Litosfera, os alunos estu- der os fenômenos abordados, bem como discuti-los, dam os diferentes tipos de rochas, os agentes exter- visando à formação de um aluno crítico e reflexivo. nos que influenciam a transformação da crosta terres- Sendo assim, as aulas de Ciências devem pressupor tre, os diferentes tipos de solo, a contaminação sofri- atividades de leitura e interpretação de textos, cola- da pelo solo, bem como fenômenos que comumente borando inclusive para minimizar as dificuldades que são divulgados pela mídia tais como vulcões. os alunos apresentam em outra disciplina, a Língua Também estabelecem um contato maior com a Portuguesa, uma vez que diversas pesquisas têm de- estrutura terrestre estudando suas diferentes camadas monstrado os baixos índices de aproveitamento em e como estas se formaram ao longo de bilhões de leitura e interpretação de textos. anos, percebendo inclusive que a Terra passou por Dessa maneira, pautando-se por um ensino base- uma série de transformações, portanto nem sempre ado na concepção de aprender a aprender (NOVAK e aparentando o que hoje vêem. GOWIN, 1999) e no ensino por pesquisa (CACHAPUZ, PRAIA e JORGE, 2000), que produ- za uma aprendizagem significativa crítica 153
  2. 2. I SIMPÓSIO DE PESQUISA EM ENSINO E HISTÓRIA DE CIÊNCIAS DA TERRA III SIMPÓSIO NACIONAL SOBRE ENSINO DE GEOLOGIA NO BRASIL (MOREIRA, 2005), desenvolvemos uma atividade de to e Princípio da participação ativa do aluno, nos leitura e interpretação de texto nas aulas de Ciências quais pautamos a intervenção relatada neste trabalho. da 5ª série do Ensino Fundamental, abordando a te- mática planeta Terra, visando construir conhecimen- 3. Metodologia tos, bem como desenvolver competências e habilida- des em Ciências. Este trabalho relata uma pesquisa qualitativa caracte- rizada por uma intervenção. O sujeitos envolvidos na 2. Fundamentação teórica intervenção são 39 alunos regularmente matriculados na 5ª série do Ensino Fundamental de uma escola O conteúdo abordado pela intervenção que realiza- pública da rede estadual paulista. mos junto a uma turma da 5ª série do Ensino Funda- Antes de procedermos à intervenção detectamos mental está amparado nos Parâmetros Curriculares que estes alunos apresentam dificuldades em leitura e Nacionais de Ciências (1998, p. 41), no eixo temático interpretação de textos, bem como em escrita, revela- “Terra e Universo” como se vê a seguir: do por respostas sem sentido em outras atividades “A estrutura interna da Terra é também dinâ- que haviam sido aplicadas anteriormente, bem como mica, originando vulcões, terremotos e erros de ortografia. Percebemos, que os alunos apre- distanciamentos entre os continentes, o que sentam estes problemas em decorrência de falhas no altera constantemente o relevo e a composição processo de alfabetização. das rochas e da atmosfera, seja pela deposição Com base no que observamos, procedemos à e- de gases das erupções, seja por mudanças laboração da atividade a ser utilizada na intervenção. climáticas drásticas, como glaciações e degelos. Em consonância com o conteúdo programático que Portanto, as paisagens, tal como são estavam estudando na ocasião referente ao planeta percebidas, representam apenas um momento Terra, selecionamos um texto denominado de “Terra: dentro do longo e contínuo processo pelo qual a um planeta vivo”, retirado de uma caixa – texto1 do Terra, em uma escala de tempo de muitos livro Ciências – Entendendo a natureza, com o obje- milhares, milhões e bilhões de anos: é a escala tivo de que os alunos percebessem que o planeta em de tempo geológico, como hoje é conhecida.” que vivem têm passado por diversas transformações ao longo dos bilhões de anos. O texto seguiu-se de E prosseguem destacando a importância dos fós- questões não muito diferentes do tipo daquelas a que seis: estavam acostumados a responder. Posteriormente, “O conhecimento de algumas dessas transfor- aplicamos um questionário para levantar dados acer- mações geológicas que ocorreram em tempos ca da leitura e interpretação do texto. Com base nos distantes foi sendo constituído conforme foram dados coletados, reorientamos a intervenção, pro- sendo decifradas a composição e a formação da pondo duas novas atividades sobre o mesmo texto, litosfera. Fósseis de seres vivos extintos suge- visando identificar outros aspectos da aquisição dos rem ambientes terrestres organizados de formas conhecimentos. muito diferentes daquelas conhecidas atualmen- te, mas que propiciaram o surgimento da vida, 3.1. A intervenção e os resultados fato exclusivo em todo o Universo conhecido até Para a aplicação das atividades que compuseram o momento.” a intervenção foram utilizadas quatro horas -aulas. A primeira parte da atividade consistia na leitura Assim, os PCN explicitam a relevância da abor- e interpretação do texto a seguir: dagem desta temática no Ensino Fundamental, pois implicam em convergência com outros sub-temas que Parte A - certamente podem despertar o interesse dos alunos em pesquisá-los. TEXTO: “TERRA:UM PLANETA VIVO” No que tange à questão da pesquisa nas escolas, é urgente que esta se constitua como um hábito, co- Quando observamos extensas formações montanho- mo um princípio norteador do ensino, como pressu- sas, grandes vales e imensos oceanos, temos a sen- põe Demo (2003). Assim, o ensino por pesquisa em sação de que todo esse cenário é imutável e de que a Ciências preconiza uma formação conceitual, proces- Terra está pronta e acabada. Na verdade, o pano- sual, ética, social e cultural, levando o aluno a uma rama de nosso planeta sofre transformações cons- autonomia de pensamento e de ação, inserindo-se tantes. A Terra está sendo permanentemente reescul- criticamente no mundo que o cerca. Esta postura de- pida, permanentemente alterada, mas numa lentidão sencadeia o que Moreira (2005) denominou de A- tal, que raramente somos capazes de perceber qual- prendizagem Significativa Crítica, a qual é norteada por 9 princípios, dentre os quais destacamos os se- 1 Caixas-textos referem-se aos boxes com textos informativos guintes: Princípio da interação social e do questio- sobre temáticas de Ciências. Nos livros didáticos, aparecerem namento – ensinar/aprender perguntas ao invés de como complementares ao texto abordado pelo capítulo ou como textos que não se referem ao tema abordado no capítulo, mas se respostas, Princípio da não centralidade do livro tex- referem a outras temáticas da área de Ciências. 154
  3. 3. I SIMPÓSIO DE PESQUISA EM ENSINO E HISTÓRIA DE CIÊNCIAS DA TERRA III SIMPÓSIO NACIONAL SOBRE ENSINO DE GEOLOGIA NO BRASIL quer modificação. Os geólogos descobriram que os O passo seguinte foi solicitar que os alunos res- continentes estão à deriva, ou seja, deslocam-se len- pondessem ao questionário reproduzido abaixo: tamente com o passar do tempo (fique tranqüilo, esse 1- Você possui dificuldade em interpretação de movimento é tão lento que ninguém vai sair prejudi- textos? cado), a uma velocidade de alguns centímetros por a) às vezes b) freqüentemente c) raramente século. 2 – Você possui o hábito de leitura? Os cientistas encontraram semelhanças entre fósseis a)sim b) não colhidos no Brasil e na áfrica do Sul, entre rochas 3 – Você tem o hábito de ler textos científicos? encontradas no Brasil e no Congo e entre fósseis a)sim b) não encontrados na Austrália e na Índia. Assim, foi pos- 4 – Você achou o texto “Terra: um planeta vivo” sível descobrir que os continentes outrora formavam difícil de interpretar? um único e grande continente, chamado PANGÉIA, a)sim b) não o qual provavelmente fragmentou-se há mais ou me- 5 – Você precisa de um dicionário quando reali- nos 300 milhões de anos. Além dessas grandes trans- za leitura? formações, outras menores estão acontecendo na a)sim b) não superfície da Terra. A ação da água e dos ventos é a 6 – Você apresenta dificuldade em expressar su- principal responsável pelo trabalho superficial da as idéias (redigir um texto, por exemplo)? escultura. Ações vulcânicas também modificam nos- a) às vezes b) freqüentemente c) raramente sas paisagens, em virtude de grande quantidade de 7 – Você tem o hábito de emprestar livros da bi- matéria (magma) que é lançada na superfície da blioteca da escola? Terra vinda do manto. Algumas forças vindas do a)sim b) não espaço também provocaram mudanças profundas na 8 – Quando você lê um texto você costuma ima- Terra. Hoje se acredita, por exemplo, que o desapa- ginar o que você está lendo? recimento dos dinossauros está ligado à queda de a) às vezes b) freqüentemente c) raramente um grande cometa na superfície de nosso planeta. A Os alunos apresentaram as seguintes respostas ao força do impacto teria lançado uma enorme quanti- questionário: dade de poeira na atmosfera, que se espalhou prati- a) Questão 1: 30 alunos responderam camente por toda a Terra. Dificultando a chegada de que às vezes apresentam dificuldades de luz à superfície, essa poeira teria reduzido enorme- interpretação de textos; 1 aluno afirmou mente a capacidade de fotossíntese nas plantas, fa- que freqüentemente apresenta dificuldades zendo decrescer a população de dinossauros. Assim, de interpretação de textos e 8 alunos afir- quebrou-se o celeiro alimentar desses grandes rép- maram que raramente apresentam dificul- teis, que foram aos poucos desaparecendo. dades de interpretação de textos. Fenômenos físicos e químicos estão presentes em b) Questão 2: 28 alunos afirmaram todas essas transformações que ocorrem na Terra. que possuem o hábito de leitura e 11 afir- Quanto melhor entendermos esses processos, mais maram não possuírem o hábito de leitura. profundamente estaremos conhecendo o planeta em c) Questão 3: 4 alunos afirmaram ter que nascemos e vivemos e mais poderemos contribu- o hábito de ler textos científicos e 35 afir- ir para melhorar as condições de vida de todos nós. maram não possuir hábito de ler textos ci- entíficos. Trabalhando a leitura: d) Questão 4: 24 afirmaram que en- 1. Com que rapidez se movimentam os conti- contraram dificuldades para interpretar o nentes? texto dado e 15 afirmaram que não encon- 2. Como foi possível descobrir que os conti- traram dificuldades na interpretação do nentes formavam um único continente? texto proposto. 3. Há quanto tempo, aproximadamente, o e) Questão 5: em relação à utilização grande continente Pangéia fragmentou-se de dicionário como auxiliar na leitura, 1 em continentes menores? aluno afirmou que utiliza, 10 alunos afir- 4. Qual a causa aceita atualmente para a abrup- maram não utilizar e 28 afirmaram que o ta extinção dos dinossauros? utilizam às vezes. Em relação às questões propostas, os alunos não f) Questão 6: em relação a expressar encontraram dificuldades de respondê-las como pu- as idéias por meio da escrita, 29 alunos a- demos constatar, pois estão habituados com este tipo firmaram que apresentam dificuldades pa- de análise de texto. No entanto, identificamos ao todo ra expressá-las, 4 alunos afirmaram que 20 palavras escritas incorretamente o que denota que não apresentam dificuldades em expressá- problemas no percurso da alfabetização. las e 6 alunos afirmaram que raramente a- Contudo, acreditamos que este tipo de aborda- presentam dificuldades em expressá-las. gem limita a aprendizagem significativa crítica dos g) Questão 7: com relação ao emprés- conceitos em Ciências. timo de livros da biblioteca, 8 alunos afir- maram que o fazem e 31 afirmaram que não fazem. 155
  4. 4. I SIMPÓSIO DE PESQUISA EM ENSINO E HISTÓRIA DE CIÊNCIAS DA TERRA III SIMPÓSIO NACIONAL SOBRE ENSINO DE GEOLOGIA NO BRASIL h) Questão 8: em relação a imaginar o o planeta Terra; 2 alunos desenharam fósseis; 2 alu- que se está lendo, 17 alunos afirmaram que nos desenharam apenas dinossauros; 2 alunos dese- o fazem às vezes, 13 alunos afirmaram que nharam prédios e apenas 1 aluno ilustrou a Pangéia o fazem freqüentemente e 9 alunos rara- ao lado de um desenho sobre fósseis. mente procedem ao processo de imagina- Alguns desenhos nos chamaram atenção pelo fa- ção o que se está lendo. to de que os alunos o fizeram fazendo uma alusão ao Pela análise do questionário, percebemos que os título do texto e não à interpretação do texto. Um dos alunos não possuem o hábito de ler textos científicos, alunos desenhou prédios. Pedimos ao autor deste embora realizem outros tipos de leitura, como de- desenho que nos explicasse o que o seu desenho re- monstrado pelas respostas à pergunta 2. Sugerimos presentava. Ele assim nos respondeu: “ O texto não é que os professores utilizem com mais freqüência tex- TERRA:UM PLANETA VIVO?Então, a Terra é um tos que abordem assuntos correlacionados ao conteú- planeta vivo, tem poste para acender a luz, tem pré- do que está sendo desenvolvido ou até mesmo a ou- dio para os seres vivos morarem!” tros conteúdos de Ciências, relacionados por exem- Outro aluno relacionou a palavra “vivo” com se- plo, ao Meio Ambiente e ao enfoque Ciência, Tecno- res vivos e desenhou o planeta Terra de modo logia e Sociedade. personificado, com braços, olhos e boca. Os alunos também apresentam dificuldades na Deste modo, inferimos que a representação pic- linguagem escrita como demonstrado pelas respostas tórica dos alunos demonstrou que eles não compre- à pergunta 6, bem como não costumam utilizar sua enderam o conceito de Pangéia exposto no texto e imaginação aliada ao processo de leitura. Recomen- que o trecho do texto que conseguiram assimilar de damos, então que os professores de Ciências estimu- modo mais fácil foi aquele relacionado ao desapare- lem os alunos a produzirem seus próprios textos por cimento dos dinossauros. No entanto, inferimos que meio de atividades como por exemplo, elaborar um eles, embora representassem devidamente por meio relatório sobre um experimento realizado em sala de do desenho o desaparecimento dos dinossauros, cer- aula ou após assistir a um filme relacionado aos te- tamente não conseguiram compreender que este fato mas de Ciências. provocou também mudanças no planeta Terra. Os A maioria dos alunos também afirmou ter encon- que desenharam prédios fizeram uma interpretação trado dificuldades na interpretação do texto “Terra: literal do título do texto, não o relacionando às trans- um planeta vivo”. Para este fato, sugerimos que o formações ocorridas pela deriva dos continentes. professor utilize leituras dirigidas em que leia e inter- Após a finalização dos desenhos, procedemos à prete verbalmente os parágrafos, inclusive com o discussão do texto, indagando verbalmente os alunos auxílio do dicionário, para que os alunos aprendam o que haviam entendido da leitura que efetuaram. também a utilizá-lo quando tiverem dúvidas sobre o Novamente, a maior parte das falas concentrou-se no significado das palavras. cometa e nos dinossauros e apenas 3 alunos aborda- Após a reflexão sobre os dados levantados pelo ram a questão da Pangéia. Então, procuramos focali- questionário, nas duas aulas seguintes apresentamos zar as discussões em torno da Pangéia de modo que duas outras atividades sobre o mesmo texto, que re- compreendessem a importância deste fenômeno e as produzimos a seguir: transformações que dele decorreram. Parte B – 4. Conclusão 1) Re-análise do texto: escreva com suas pró- prias palavras o que você entendeu do 2° pa- A intervenção relatada neste trabalho aponta que os rágrafo do texto “Terra: um planeta vivo”. alunos possuem dificuldades na interpretação de tex- 2) Faça um desenho demonstrando a sua inter- tos científicos o que pode influenciar certamente na pretação do texto “Terra: um planeta vivo”. assimilação dos conceitos científicos presentes no Pela análise das respostas dadas à questão texto. É necessário, entretanto que os professores 1 da parte B da intervenção, percebemos que poucos trabalhem com freqüência textos científicos, inclusive alunos escreveram com suas próprias palavras o que textos de divulgação científica e textos de livros pa- entenderam sobre o 2° parágrafo do texto. A maioria radidáticos, procurando sempre promover o debate copiou no todo ou em parte o 2° parágrafo e o apre- sobre o texto, o que desenvolverá a criticidade e a sentou como resposta, o que demonstra a herança de reflexão. um ensino tecnicista, reprodutor de conhecimentos, Representar por meio de desenhos os conceitos no qual o aluno apenas reproduz e não questiona o físicos é uma estratégia potencializadora no ensino de que está sendo ensinado, não apresenta uma postura Ciências. crítica e reflexiva sobre o conhecimento. Esta forma de descrever conceitos científicos por Com relação aos desenhos, 20 alunos apresenta- meio de desenho nas séries iniciais é defendida por ram desenhos de um cometa se aproximando da Ter- Carvalho et al (1998,p. 24), que afirmam ser necessá- ra, sendo que esta aparece habitada por dinossauros; rio: 7 alunos apresentaram desenhos de um cometa se aproximando do planeta Terra; 5 alunos desenharam 156
  5. 5. I SIMPÓSIO DE PESQUISA EM ENSINO E HISTÓRIA DE CIÊNCIAS DA TERRA III SIMPÓSIO NACIONAL SOBRE ENSINO DE GEOLOGIA NO BRASIL “(...) nos primeiros anos da escola fundamental (...) dar aos alunos condições de desenvolver, de forma integrada, sua capacidade de expres- são.” Pela análise dos desenhos, como se referem Car- valho et al (op.cit), é possível identificar os conceitos científicos apreendidos e, sobretudo as concepções espontâneas e se as mesmas modificam-se ou convi- vem com novos conceitos, como sugere Mortimer (1994) em sua teoria de mudança de perfis conceitu- ais. Giordan e De Vecchi (1996, p. 120) sustentam que a análise dos desenhos, permite estabelecer uma tipologia de concepções dos alunos em relação ao assunto abordado, fornecendo elementos para que os professores optem por determinadas “decisões didáti- cas indispensáveis à transformação das concepções”. Ademais, nesta fase de desenvolvimento, as cri- anças desenvolvem a linguagem causal, um momento oportuno para se trabalhar interdisciplinarmente com a Língua Portuguesa, como sugerem Carvalho et al (op. cit) por meio de relatos verbais e escritos, cola- borando com o processo de alfabetização. Referências Bibliográficas BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Pa- râmetros Curriculares Nacionais: Ciências Natu- rais/Secretaria de Educação Fundamental – 3° e 4 ° ciclos. – Brasília:MEC/SEF, 1998, 138 p. CARVALHO, A . M. et al. Ciências no Ensino Fun- damental – O conhecimento físico. Coleção Pen- samento e ação no magistério. São Paulo: Scipi- one, 1998. CACHAPUZ, A .; PRAIA, J; JORGE, M. Reflexão em torno de perspectivas do ensino de Ciências, contributos para uma nova orientação curricular – Ensino por pesquisa. Revista de Educação, IX(1), 67-77, 2000. DEMO, P. Educar pela pesquisa. Campinas, SP: Au- tores Associados, 2003. GIORDAN, A . ; VECCHI, G. As origens do saber: das concepções dos aprendentes aos conceitos científicos. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996. MOREIRA, M. A . Aprendizagem Significativa Crí- tica. Porto Alegre, 2005. MORTIMER, E. F. Evolução do atomismo em sala de aula: mudança de perfis conceituais. Tese de Doutorado. Faculdade de educação, Universida- de de São Paulo, 1994. NOVAK, J.D. ; GOWIN, D. B. Aprender a aprender. Lisboa: Plátano, 1999. SILVA JR, C; SASSON, S; SANCHES, P.S.B. Ciên- cias – Entendendo a natureza – 8ª série. São Pau- lo: Saraiva, 2001. p.25-26. 157

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