Apostila Empreendedorismo - Prof. Ivan Jacomassi Junior

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Apostila Empreendedorismo - Prof. Ivan Jacomassi Junior

  1. 1. EmpreendedorismoEmpreendedorismo Conceito, Processos de Formação SocialConjuntura Internacional e Estudos de Caso Prof. Ivan Jacomassi Junior Material de apoio para disciplina junto aos cursos de formação superior. Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 1
  2. 2. Empreendedorismo ÍndiceTema 01 – Por que Estudar Empreendedorismo 04Parte 01 – Evolução HistóricaTema 02 – Conceitualização: “Empreendedor” 06Tema 03 – História do Empreendedorismo no Mundo 07Tema 04 – História do Empreendedorismo no Brasil 09Tema 05 – Estudo de Caso – Barão de Mauá (Profª Camila Lopes) 11Tema 06 – Pesquisa Complementar – Delmiro Gouveia (Prof. Oswaldo) 30Parte 02 – Formação Social de EmpreendedoresTema 07 – Perfil Empreendedor 37Tema 08 – Educação Empreendedora 41Tema 08 – Debate sobre Modelo Educacional 47Tema 09 – Estudo de Caso – Voando como a Água (Prof. Gretz) 47Tema 10 – Pesquisa Complementar – Pirâmide de Maslow 49Parte 03 – Ambiente e EmpreendedorismoTema 11 – Empreendedorismo no Mundo 51Tema 12 – Fatores de Pressão sobre a Atividade Empreendedora 52Tema 12 – Debate sobre a Divisão da Riqueza no Mundo 57Tema 13 – Características do Empreendedorismo no Mundo 58Tema 13 – Debate sobre a Conjuntura Internacional 65 Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 2
  3. 3. EmpreendedorismoTema 13 – Debate sobre os Fatores de Pressão no Brasil 65Tema 14 – Estudo de Caso – Empreend. e Desenvolvimento (Prof. Ronney) 66Tema 15 – Pesquisa Complementar – Agregando Conhecimentos 79Parte 04 – Especial – Empreendedorismo, Burocracia e LegalidadeTema 16 – Legalidade de Empreendimentos 80Tema 17 – Documentação 82Tema 18 – Questão para Discussão – Burocracia Necessária 90Tema 19 – Estudo de Caso – Desburocratização 90 Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 3
  4. 4. EmpreendedorismoTema 01 – Por que estudar Empreendedorismo ? Preliminarmente, antes de iniciarmos nossos estudos, devemos situar a disciplina frenteao curso, bem como as expectativas inerentes à mesma. Veja, quando pensamos emempreendedorismo, podemos ser induzidos a pensar que iremos aprender a abrir um negócio,pois empreendedor é aquele que abre empresas, correto ? Errado ! Com certeza podemos antecipar a você aluno, que o foco desta matéria NÃO É AABERTURA DE EMPRESAS, embora inevitavelmente tratemos deste assunto de forma atérotineira ao longo do conteúdo. Seja em qual curso você estiver, existem duas classes dedisciplinas: - Específicas; e - Generalistas. As matérias específicas são típicos ferramentais de trabalho do profissional, quando omesmo exerce seu ofício. Exemplo: Para o curso de Engenharia existe a disciplina específica de“Elaboração de Projetos”, que é ferramenta básica de trabalho do engenheiro. Já no mesmocurso podemos dizer que a disciplina “Matemática” é generalista, pois não se trata da aplicaçãodas fórmulas em si, pois são vistas de forma abstrata, o que se faz é criar uma visão geral nodiscente que possibilite a aplicação do ferramental futuramente. O mesmo podemos dizer de “Empreendedorismo”, não estamos aqui buscando o fimem si, mas criando o meio. Aqui temos a pergunta correta: Qual meio busca a disciplina Empreendedorismo ? Pois bem, estaremos estudando, de forma geral, algumas dinâmicas 1: - Comportamento Humano; - Psique profissional; - Conjuntura nacional; - Mercados; - Legislação; Assim, nesta matéria estaremos buscando a construção junto ao aluno, de paradigmas 2pessoais de comportamento favoráveis. Estaremos analisando o perfil de um indivíduoempreendedor, suas características e individualidades.1 Por “dinâmica” estamos inferindo relações entre diversos processos e procedimentos, no sentido desituações em constante mudança, ou seja, não estáticas.2 Modelo, padrão de regras, segundo as quais as pessoas procuram solucionar seus problemas e obtersucesso. Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 4
  5. 5. Empreendedorismo Analisaremos o perfil profissional procurado pelas empresas, e cruzando-o com ascaracterísticas empreendedoras, ou seja, veremos o empreendedor frente ao mercado detrabalho. Faremos uma avaliação da conjuntura estrutural do país e os fatores que interferemdiretamente na criação e fomento empreendedor, através de dois estudos básicos: a) Asinteligências humanas frente ao modelo educacional brasileiro e b) Os fatores defomento/regresso da classe empreendedora no Brasil. Após, faremos ainda um estudo complementar comparado da dinâmica nacional (letra“b” parágrafo anterior) frente a outras economias no mundo e avaliaremos as conseqüênciaseconômico-sociais destas combinações. Ainda, realizaremos um diagnóstico do cenário brasileiro da burocracia x incolumidadepública x celeridade empresarial.Estrutura de Tópicos junto a Disciplina:Parte 01 – Evolução Histórica  Conceitualização: “Empreendedor”;  História do Empreendedorismo no Mundo;  História do Empreendedorismo no Brasil;  Estudo de Caso: “Empreend. no Brasil e o Processo de Inovação – Profª Camila Lopes”;  Pesquisa Complementar – Delmiro Gouveia.Parte 02 – Formação Social de Empreendedores  Perfil Empreendedor;  Educação Empreendedora;  Estudo de Caso: “Voando como a Águia – Prof. Gretz”;  Pesquisa Complementar – Pirâmide de Maslow.Parte 03 – Ambiente e Empreendedorismo  Empreendedorismo no Mundo;  Fatores de Pressão sobre a Atividade Empreendedora;  Características do Empreendedorismo no Mundo;  Estudo de Caso: “Empreendedorismo e Desenvolvimento – Prof. Ronney R. Mamede”.Parte 04 – Especial: Empreendedorismo, Burocracia e Legalidade  Legalidade de Empreendimentos;  Documentação;  Desafio Governamental: Equilíbrio entre Segurança e Celeridade.  Estudo de Caso: “Desburocratização - Prof. Ivan Jacomassi Junior”. Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 5
  6. 6. EmpreendedorismoParte 01 – Evolução Histórica Nesta parte estaremos posicionando o discente quanto ao conceito de “Empreendedor”,“Empreendedorismo” e “Intra-Empreendedorismo”, para depois realizar uma análise históricado objeto de estudo, entendendo seu reconhecimento pelos estudiosos, sua evolução ecompreendendo seu papel e postura frente à sociedade atual.Tema 02 - Conceitualização: “Empreendedor”;Definições:  Empreender: Intentar, levar à efeito, dar princípio;  Empreendedorismo: Designa estudos relativos ao Empreendedor, seu perfil profissional e pessoal, suas origens, seu sistema de atividades e universo de atuação.  Empreendedor: “O Empreendedor é aquele que faz as coisas acontecerem, se antecipa aos fatos e tem uma visão futura da organização” (José Carlos Assis Dornelas). “Empreendedor” qualifica o indivíduo com características de:  Pró-atividade;  Inovação;  Dedicação à gestão e ao trabalho;  Visão de mercado;  Geração de riquezas.  Intra-Empreendedorismo: O conceito de intra-empreendedorismo foi estabelecido há duas décadas, mas as empresas não estavam dispostas a dar aos empregados a liberdade para criar e, conseqüentemente, errar e oferecer-lhes um orçamento para financiar inovação. Além do mais, não queriam arcar com os custos dos erros que inevitavelmente acontecem no percurso. Hoje esse conceito já está muito difundido e valorizado nas organizações. O intra-empreendedorismo (intrapreneuring) é um sistema para acelerar as inovações dentro de grandes empresas, através do uso melhor dos seus talentos empreendedores. É um sistema que oferece uma maneira saudável para se reagir aos desafios empresariais do novo milênio. Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 6
  7. 7. Empreendedorismo Ainda, a visão do capital em uma economia moderna sofreu profundas alterações. Financeiro ($) Capital Intelectual Veja, o empreendedor muitas vezes possui pouco capital financeiro, mas maciço capitalintelectual. Empreendedorismo, sob o prisma social está além do simples ato de criar empresas,está vinculado à geração de valor para a nação. O Administrador e o Empreendedor, embora semelhantes quanto ao ato de gerirnegócios, não se confundem enquanto personagens atuantes no mundo econômico, pelo fatode a Administração ser uma Ciência Social Aplicada, um verdadeiro conjunto de técnicas emétodos para melhoria dos negócios, enquanto que o Empreendedor corresponde a umaespécie de habilidade, nata ou adquirida, ou um verdadeiro estado de espírito, masrelembrando que ambas se encontram (Administração e Empreendedorismo) no objetivocomum do desenvolvimento econômico do mercado. “O empreendedor é alguém capaz de desenvolver uma visão, deve saber persuadir terceiros, sócios, colaboradores, investidores, convencê-los de que sua visão poderá levar todos a uma situação confortável no futuro. Utilizando energia e perseverança, e uma grande dose de paixão constrói algo a partir do nada e continua em frente, apesar de obstáculos, armadilhas e da solidão. O empreendedor é alguém que acredita que pode colocar a sorte a seu favor, por entender que ela é produto de trabalho duro”.Tema 03 - História do Empreendedorismo no Mundo “Se considerarmos a evolução humana, pode-se dizer que o homem primitivo já possuía uma veia empreendedora. Naquela época, para sobreviver era necessário construir diversas ferramentas que tinham por objetivo agilizar a caça de animais. Para se ter uma idéia, o Homo Habilis, um dos ancestrais da atual raça humana, surgiu há aproximadamente 2 milhões de anos, e já possuía hábitos de caça. Milhares de anos se passaram e um importante salto para o empreendedorismo ocorreu com as grandes civilizações antigas. Um bom exemplo são os egípcios, famosos por suas pirâmides. Para construir Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 7
  8. 8. Empreendedorismo uma dessas maravilhas, estima-se que eram necessários 30 mil homens e 20 anos de trabalho. Na agricultura pode-se observar a perspicácia desse povo, que aproveitava a cheia do rio Nilo para preparar a terra para o plantio da safra seguinte. Além disso, eles foram muito importantes para áreas como a matemática e a engenharia.” 3 Aproximando-nos da fase contemporânea, no início da teoria econômica com Adam 4Smith até muito recentemente, os economistas explicavam o desenvolvimento das naçõescomo resultado de três variáveis: “Mão-de-obra barata, matéria prima abundante e capital disponível para investimentos.” Hoje se sabe que existem duas outras variáveis, provavelmente mais importantes que asdemais: A “Tecnologia” 5 e o “Empreendedorismo”. Muito embora o ato de empreender exista há milênios, o termo Empreendedor surgiuoriginalmente na França (Entrepreneur), para designar indivíduos que incentivavam brigas.Posteriormente, entre os séculos XVII e XVIII, passou a ser empregada com objetivo de designarpessoas ousadas, que auxiliavam no processo de desenvolvimento econômico do país, pelassuas práticas adequadas. Posteriormente, no século XIX o economista francês Jean Baptiste Say conceituou oEmpreendedor como verdadeiro agente econômico, um indivíduo capaz de elevar recursos debaixa para a alta produtividade. Peter Ferdinand Drucker 6 (1909 – 2005), filósofo e economista Austríaco, considerado opai da Administração Moderna, ampliou o conceito de empreendedorismo, articulando junto aoconceito do profissional inovador e pró-ativo, capaz de gerar valor conforme expôs Jean, aqueleindivíduo que é capaz de aproveitar oportunidades para promover mudanças.3 Fonte: http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/empreendedorismo-origem-e-desafios-para-o-brasil-do-seculo-xxi/33075/4 Pai da economia moderna, é considerado o mais importante teórico do liberalismo econômico. Autor de"Uma investigação sobre a natureza e a causa da riqueza das nações", a sua obra mais conhecida, e quecontinua sendo referência para gerações de economistas, na qual procurou demonstrar que a riqueza dasnações resultava da atuação de indivíduos que, movidos apenas pelo seu próprio interesse (self-interest),promoviam o crescimento econômico e a inovação tecnológica.5 Termo que envolve o conhecimento técnico e científico e as ferramentas, processos e materiais criadose/ou utilizados a partir de tal conhecimento6 Uma importante teoria de Drucker afirmava que a empresa que apresentasse condições de vender oproduto/serviço certo, para o cliente certo, com distribuição adequada, preço justo e momento oportunoteria um esforço de vendas equivalente à zero, pela correta equação da oferta pela demanda. Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 8
  9. 9. Empreendedorismo E este é um dos pontos chave do ato empreendedor, pela capacidade de responder afórmula do “problema”, ou seja, enquanto a maioria das pessoas a interpreta da seguinte forma: Problema = Frustração Par o empreendedor: Problema = Oportunidade ou Problema + Solução = Riqueza + Satisfação Enquanto a maioria das pessoas entra em profundo estado de abalo emocional diantede circunstâncias desfavoráveis, o sujeito empreendedor vislumbra a chance de criar soluções,conseqüentemente realizando bons negócios e instaurando um Status Quo 7 de satisfação socialpela problemática resolvida. Importante também diferenciar historicamente o Empreendedor do Capitalista, sendoque o segundo, após a revolução industrial iniciada no século XVIII 8, demonstrou sua verdadeiravocação, ou seja, a financeira pura e simples, enquanto que o primeiro possui uma conotação devocação ao verdadeiro desenvolvimento econômico-social.Tema 04 – História do Empreendedorismo no Brasil Foi a partir do século XVII que os portugueses, percebendo a imensidão e o grandepotencial de exploração do território brasileiro, começaram a ocupar definitivamente essasterras, distribuindo-as aos cidadãos portugueses, vindos principalmente da região de Açores. Dentre os homens que realizaram os mais diversos empreendimentos (muitos deles àcusta de trabalho escravo degradante), um merece destaque: Irineu Evangelista de Sousa, oBarão de Mauá. Descendente dos primeiros empreendedores portugueses, ele foi responsávelpela fabricação de caldeiras de máquinas a vapor, engenhos de açúcar, guindastes, prensas,7 Expressão Latina que significa “na situação” ou “no estado”. Comumente empregada para designar umacaracterística de situação ou estado emocional.8 A revolução industrial consistiu em um conjunto de mudanças de ordem técnica e tecnológica, querevolucionaram a sistemática dos meios de produção, ampliando sobremaneira a capacidade de criaçãode bens de consumo, mas também minimizando o papel da mão de obra. Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 9
  10. 10. Empreendedorismoarmas e tubos para encanamentos de água. Foi responsável também pelos seguintesempreendimentos:  Organização de companhias de navegação a vapor no Rio Grande do Sul e no Amazonas;  Implantação, em 1852, da primeira ferrovia brasileira, entre Petrópolis e Rio de Janeiro;  Implantação de uma companhia de gás para a iluminação pública do Rio e Janeiro, em 1854;  Inauguração do trecho inicial da União e Indústria, primeira rodovia pavimentada do país, entre Petrópolis e Juiz de Fora, em 1856. Seu legado foi tamanho que ele ainda hoje é reconhecido como uns dos primeirosgrandes empreendedores do Brasil. Entretanto, o empreendedorismo começou a ganhar força de forma geral no país apartir da década de 1990. Com grande volume de produtos importados, especialmente pela intensificação daglobalização econômica e instituição de uma moeda estável e valorizada (Real - R$) houverelativo controle dos preços, mas criou-se também condições de competitividade por diversasvezes desfavoráveis às empresas brasileiras, favorecendo a atuação de estrangeiros com perfildiferenciado (Empreendedores). Destacam-se as condições adversas especialmente nos setores de brinquedos,eletrônicos e roupas. Portanto, com a formação de um novo paradigma de mercado, ações antesconsideradas eficientes do ponto de vista mercadológico precisaram ser redesenhadas,repensadas e redirecionadas, fato possível somente entre empresas com posturas inovadoras,flexíveis e visionárias. Mudanças na postura e políticas internacionais brasileiras favoreceram a vinda deinvestimentos estrangeiros, que potencializaram a criação de renda e PIB Nacional. O Brasil demonstra grande vocação empreendedora, segundo o relatório executivo de2000 do Global Entrepreneurship Monitor (GEM 2000), o país possui uma relação entre adultosque começam um novo negócio em relação ao total populacional bastante aguerrida:  Brasil: 1/8 (leia-se hum para cada oito adultos);  EUA: 1/10;  Austrália: 1/12;  Alemanha: 1/25;  Reino Unido: 1/33; Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 10
  11. 11. Empreendedorismo  Finlândia e Suécia: 1/50;  Irlanda e Japão: 1/100. Evidente que alguns fatores influenciam iniciativas deste tipo, como renda médiaassalariada e estabilidade de emprego, fato que por vezes desacelera o processo empreendedorem países ricos, mas ressalte-se que nos EUA, grande potência mundial, o empreendedorismo ébastante difundido. Outro ponto a mencionar-se é que a atividade empreendedora no país está relacionada,proporcionalmente, na sua grande maioria junto ao público jovem, sendo que mais da metadedos empreendedores brasileiros possuem menos de 35 anos de idade, e somente 3% dosempreendedores possuem idade acima dos 55 anos. Esta jovialidade certamente possui ligação direta com o fato de o empreendedorismoter se acelerado somente recentemente, como demonstrado no início do presente tema. Ainda, este perfil empreendedor demonstra fatores favoráveis e desfavoráveis: Prós:  Iniciativa;  Adaptabilidade;  Criatividade;  Facilidade de lidar com tecnologia. Contra:  Inexperiência;  Baixa visão de risco;  Impulsividade;  Recusa à metodologias antigas.Tema 05 – Estudo de Caso - O Empreendedorismo no Brasil e o Processo de Inovação:O Caso Mauá 9Transcrição do Artigo: Este artigo mostra um exemplo de empreendedorismo que alia conhecimento einovação, ao relacionar a vida de Irineu Evangelista de Sousa (Barão de Mauá) com o tema9 Artigo Publicado em: http://www.ead.fea.usp.br/semead/11semead/resultado/trabalhosPDF/197.pdf.Autores: LOPES, Camila Papa. SANTOS, Moacir Bispo dos. CLARO, José Alberto Carvalho dos Santos. Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 11
  12. 12. Empreendedorismodo empreendedorismo, passando pelas leituras de McClelland, Schumpeter, Vries,Thimmmons, Say, Dornellas, Empretec pelo Sebrae, que tratam do comportamentoempreendedor e Caldeira, que aborda especificamente a história de Mauá, utilizando-separa tal a análise comparativa entre estes para mostrar a contribuição do Barão de Mauápara o desenvolvimento do Brasil, pelos negócios estabelecidos no século XIX, identificandoa capacidade administrativa e o pioneirismo no processo de industrialização brasileira.Questiona-se como o processo de inovação no Brasil deve sua história aoempreendedorismo a partir de pioneiros que alavancaram nossa economia eadministração? Adotou-se o exemplo de Irineu Evangelista de Sousa como o empreendedorda inovação a partir de um estudo qualitativo descritivo, de forma a contextualizar arealidade do empreendedorismo no Brasil e como foi consolidada sua estrutura. A pesquisaentre o que a literatura estabelece como comportamento empreendedor e a postura doBarão de Mauá mostra quais características são consideradas no empreendedor para definira competência para o sucesso nos negócios, como um exemplo de que a inovação éperpetuada pelas características empreendedoras. “Palavras-chave: Empreendedorismo. Administração. Barão de Mauá”Introdução O empreendedorismo é um tema que ganhou espaço nos estudos administrativosnos últimos anos. A globalização e as modificações nas relações de trabalho fazem com queindivíduos partam para áreas inexploradas, dando importância às idéias e sonhos e criandoo próprio negócio. Esse contexto, denominado empreendedorismo, pode ser definido comoum conjunto de hábitos e características pessoais que tem como base a captação de idéias einiciativas, transformando-as em oportunidades de negócio. Este trabalho tem como premissa que o empreendedorismo também é umacaracterística pessoal, uma vez que muitos estudos realizados sobre a personalidade dosempreendedores concluem que o sucesso do empreendimento depende dos seuscomportamentos. Pela história de empreendedores famosos, observa-se que estes indivíduosultrapassaram seus limites, enfrentando e superando as dificuldades, tanto da época quantopessoais e desenvolveram negócios lucrativos e duradouros. Mesmo quando não tiveram Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 12
  13. 13. Empreendedorismoêxito em um primeiro momento, não desistiram e recomeçaram. Nesse sentido seapresenta a história do Barão/Visconde de Mauá. Os empreendedores são pessoas diferentes, com comportamentos que sediferenciam do senso comum, possuem motivação singular, são apaixonados pelasatividades que desenvolvem, não se contentam em ser mais, querem ser reconhecidos,admirados, referenciados e imitados, querem deixar seu legado, sua história, e muitos odeixam. O estudo do empreendedorismo compreende a análise do ser humano a partir dodesenvolvimento e execução de idéias e oportunidades, bem como a criação do negóciopelas iniciativas individuais. Este campo de estudos tem sido explorado de forma crescentenos últimos anos, à medida que se passou a enxergar a importância do indivíduo e doestímulo à criatividade. No geral, os empreendedores são pessoas que se dispõem a vislumbrar e criaroportunidades e fazer acontecer, lutar pela sua consecução, para por em prática suas idéiase gerar um ou mais negócios. Além disso, os empreendedores são essenciais no mercado,pois eles são agentes de inovação, estimulam a criatividade. Considerando que os indivíduos se desenvolvem a partir de sua relação com o meioambiente, a partir da conduta cultural e social, observa-se que seu comportamento podeser definido como “contínuo desenvolvimento orgânico” constituído pela produção de umaforma particular de padrão cultural, ou seja, como a cultura influencia comportamentosdirecionados a criação de negócios e como este comportamento contribui para definir oambiente de negócios de forma temporal e regional. Faz-se uma reflexão sobre a relação do comportamento humano e a atitudeempreendedora, como um fator intrínseco ao conhecimento, algo que pode serdesenvolvido ao decorrer da vida de um indivíduo e da cultura onde ele cresceu,conceituada como uma programação coletiva da mente, conhecimentos, que distinguem osindivíduos. Os empreendedores realizam leituras e interpretações diferenciadas da realidade ecolocam em prática seus conhecimentos para gerar inovação com diferentes aplicações, emespaços e momentos históricos distintos. O conhecimento traz a capacidade de identificaroportunidades e o empreendedorismo de colocá-las em prática, a partir decomportamentos humanos. Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 13
  14. 14. Empreendedorismo Este artigo aborda o comportamento empreendedor pela história de IrineuEvangelista de Sousa, o Barão de Mauá, cujo título é atribuído às suas obras inovadoras, quecontribuíram para o processo de desenvolvimento do Brasil.Metodologia O artigo foi desenvolvido a partir de pesquisa qualitativa descritiva, definida porCharoux (2006) como pesquisa que descreve e classifica características de uma situação eestabelece conexões entre a base teórico-conceitual existente ou mesmo de outrostrabalhos já realizados. Para a autora: “Esse tipo de pesquisa pressupõe uma boa base deconhecimentos anteriores sobre o problema estudado, já que a situação-problema éconhecida, bastando descrever seu comportamento. As respostas encontradas nesse tipode pesquisa informam como determinado problema ocorre”. A descrição baseia-se na história de Irineu Evangelista, o Barão de Mauá, suatrajetória no mundo dos negócios e como seu comportamento empreendedor influenciouno processo de inovação no Brasil. Parte-se do conteúdo teórico sobre empreendedorismo e comportamentoempreendedor, em seguida é feito um levantamento histórico sobre as inovaçõespropiciadas por Mauá e por fim é apresentada uma análise comparativa entre ascaracterísticas do comportamento do Barão de Mauá evidenciadas na obra de Caldeira comas teorias sobre o empreendedorismo como forma de identificar quais dessas característicasembasaram o alcance do sucesso nos negócios, também para mostrar a relação entreconhecimento, empreendedorismo e inovação.O Estudo teórico do Empreendedorismo O empreendedorismo pode ser analisado por meio de focos de estudo, destacando-se a fenomenologia, que observa atitudes e características do indivíduo, que formam suascompetências para conduzir a teoria a partir do que o indivíduo faz, o que o motiva; eoutros que focam o comportamento empreendedor por uma definição e a ele sãorelacionadas atitudes concernentes a atividade empresarial. O conceito deempreendedorismo provém da palavra empreendedor (Entrepreneur) tem origem francesa esignifica “aquele que assume riscos e começa algo novo” (HIRISH, 1986). Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 14
  15. 15. Empreendedorismo Para Carland, Hoy e Boulton (1984), o empreendedorismo constitui-se em umconjunto de comportamentos e de hábitos que podem ser adquiridos, praticados ereforçados nos indivíduos, ao submetê-los a um programa de capacitação adequado deforma a torná-los capazes de gerir e aproveitar oportunidades, melhorar processos einventar negócios. O espírito do empreendedorismo compreende a busca permanente denovos produtos, conceitos, métodos e mercados, aliados com habilidades na execução detodas as atividades operacionais, contemplando um plano gestor para gerir as compras,produção, vendas, entregas, administração, planejamento, cronogramas, orçamentos,contabilidade etc. Filion (1997) conceitua o empreendedor como um indivíduo criativo, que possui acapacidade de determinar e alcançar objetivos, com alto nível de consciência do ambienteem que atua, usando as mudanças como forma para identificar oportunidades de negócio. Mintzberget al (2000) relaciona o empreendedorismo a estratégias de inovação,definindo como características do empreendedor a busca por oportunidades, centralizaçãode poder, capacidade de lidar com o risco para conquistar lucros e sucesso nos negócios,sendo estimulado pela necessidade de realização. Segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE,2008), o empreendedorismo é a arte de fazer acontecer com criatividade e motivação. Consisteno prazer de realizar com sinergismo e inovação qualquer projeto pessoal ou organizacional, emdesafio permanente às oportunidades e riscos. É assumir um comportamento proativo diante dequestões que precisam ser resolvidas. O empreendedorismo é o despertar do indivíduo para oaproveitamento integral de suas potencialidades racionais e intuitivas. É a busca doautoconhecimento em processo de aprendizado permanente, em atitude de abertura paranovas experiências e novos paradigmas. A teoria relacionada ao empreendedorismo considerada mais importante é a doeconomista austríaco Schumpeter, que associa o empreendedor ao desenvolvimentoeconômico, a inovação e ao aproveitamento de oportunidades em negócios. Os estudossobre o comportamento do empreendedor versam pela hipótese de que o sucesso do novoempreendimento depende essencialmente disto. “O empreendedor é o agente do processode destruição criativa. É o impulso fundamental que aciona e mantém em marcha o motorcapitalista, constantemente criando novos produtos, novos mercados e, implacavelmente,sobrepondo-se aos antigos métodos menos eficientes e mais caros” (SCHUMPETER, 1934). Para Schumpeter (1934), o empreendedorismo constitui-se na busca de inovaçõescomo um diferencial competitivo, a partir da percepção e identificação de oportunidades de Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 15
  16. 16. Empreendedorismonegócio, no desejo de concretizar e tornar um sucesso novo ou novos empreendimentos,mas também de gerar inovação em processos e utilizar recursos de formas variadas visandoresultados positivos. Neste foco, o autor define o empreendedor como o agente doprocesso de “destruição criativa”, um indivíduo que tem como competência a criação denovidades de forma que estas possam contribuir para o desenvolvimento de um país, omotor do capitalismo que gera riquezas e cria produtos, processos e mercados sustentáveis. Say (1983), representante da escola clássica francesa - que estuda o empreendedore o lucro, define o empreendedor como aquele que é remunerado pelo lucro. Para o autor,o empreendedor é responsável por reunir todos os fatores de produção e descobrir, novalor dos produtos, a reorganização de todo capital empregado, o valor dos salários, osjuros, o aluguel, bem como os lucros que lhe pertencem, ou seja, uma definição deempreendedorismo centrada nos negócios. Para McClelland (1961) não existe uma relação condicionante entreempreendedorismo e a abertura de negócios, mas o que contribui para essa associação é anecessidade de realização do indivíduo, que é o ponto chave para o desenvolvimento desuas demais características que o tornam empreendedor.Comportamento Empreendedor Os indivíduos considerados como empreendedores têm um comportamentodiferenciado, conforme se observa nas definições de empreendedorismo. Neste contexto,são analisados e discutidos seus comportamentos para facilitar o entendimento dasvariáveis do empreendedorismo, como um conjunto de características psicológicas e sociaisrelativamente estáveis que influenciam a maneira pela qual o indivíduo interage com seuambiente (LEZANA; TONELLI, 1998) Para Gerber (1996), a personalidade empreendedora transforma uma condiçãoqualquer em oportunidade, como por exemplo, mudanças no ambiente físico, uma chuva,pode representar uma oportunidade para um indivíduo de vender guarda-chuva, enquantoque a grande maioria dos indivíduos irá reclamar pelo incômodo. Um dos primeiros trabalhos realizados sobre as características comportamentais dosempreendedores foi desenvolvido por David McClelland, na Universidade de Harvard, em1961, uma teoria sobre a motivação psicológica, baseada na crença de que o estudo damotivação contribui significativamente para o entendimento do empreendedor. Segundosua teoria, os indivíduos são motivados por três grupos de necessidades: Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 16
  17. 17. Empreendedorismo 1. Necessidade de realização 2. Necessidade de poder 3. Necessidade de afiliação Um estudo mais direcionado para a formação do empreendedor foi elaborado apartir da teoria de McClelland, resultando num curso realizado pelas Organizações dasNações Unidas - ONU para a formação de empreendedores que pudessem criar negócios desucesso. Este curso foi trazido para Brasil na década de 80, sendo denominado Empretecpelo Sebrae, com uma metodologia que testa os comportamentos empreendedores. Estescomportamentos foram divididos em quatro grupos de características: necessidades,conhecimentos, habilidades e valores, gerando quarenta características empreendedoras,conforme Quadro 1 (NANNI et al., 2006). GRUPO DAS NECESSIDADES GRUPO DOS CONHECIMENTOS 1. Aprovação/Reconhecimento 9. Aspectos técnicos relacionados com o negócio 2. Independência/Autonomia 10. Experiência na área comercial 3. Desenvolvimento pessoal 11. Escolaridade 4. Segurança 12. Experiência em empresas 5. Auto-realização 13. Formação complementar 6. Qualidade e eficiência 14. Vivência com situações novas 7. Poder/Status 8. Inovação/iniciativa GRUPO DAS HABILIDADES GRUPO DOS VALORES 15. Identificação de novas oportunidades- 28. Existenciais visionárias 16. Valoração de oportunidades 29. Estéticos 17. Criatividade 30. Intelectuais 18. Comunicação persuasiva 31. Morais 19. Negociação 32. Éticos 20. Aquisição de Informações 33. Religiosos 21. Resolução de problemas 34. Autoconfiança 22. Alcançar metas 35. Autenticidade Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 17
  18. 18. Empreendedorismo 23. Motivação e decisão 36. Lealdade 24. Organização 37. Ambição 25. Flexibilidade 38. Disposição ao risco 26. Controle racional dos impulsos 39. Perseverança – persistência 27. Resiliência 40. Familiares De acordo com McClelland (1961), a necessidade de realização é a que o indivíduotem de testar seus limites, de executar um bom trabalho. É a necessidade relativa àsrealizações pessoais. Indivíduos com alta necessidade de realização geram mudanças emsuas vidas, estabelecem metas realistas e realizáveis e buscam situações competitivas. Oestudo comprovou que a necessidade de realização é a primeira identificada entre osempreendedores bem sucedidos. A segunda é a necessidade de realização que impulsionaas pessoas a criar um empreendimento. A necessidade de afiliação existe apenas quando háalguma preocupação em estabelecer, manter ou recuperar relações emocionais positivascom outros indivíduos. A necessidade de poder é caracterizada principalmente pela fortepreocupação em exercer poder sobre outros indivíduos. McClelland (1972) relaciona o comportamento dos empreendedores à necessidadede sucesso, de reconhecimento, e ao desejo de poder e de controle, pela vontade doindivíduo de se superar e evoluir, o que relaciona características psicológicas e atitudinaistais como tendência ao risco, iniciativa e desejo de reconhecimento. Outro enfoque sobre o comportamento dos empreendedores é a pesquisa deAbraham Zaleznik e Manfred Kets de Vries (KETS DE VRIES, 1997), que caracterizaram osempreendedores como pessoas profundamente influenciadas por uma infância turbulenta econflitante, cujas vidas eram sofridas com temas reais ou imaginários de pobreza,depravação, morte significativa e solidão. Deste modo, acreditam que o empreendedor émotivado por sentimentos persistentes de insatisfação, rejeição e impotência, derivados deconflitos relacionados com os pais. Esta situação geraria uma ação psicológica quenecessitaria de compensação para aliviar estes conflitos dolorosos, os quais poderiaminduzir a uma ação auto-destrutiva, impulsionando-o à esforços criativos e inovativos. Estesúltimos se associam com o desenvolvimento de esforços relacionados com a criação edesenvolvimento de empreendimentos. Os autores também consideram o empreendedor como um ator em um teatroempresarial, que inclui necessidade de aplauso, e defesas psicológicas, tais como projeção eruptura. Assim estabeleceram seis elementos constituintes da personalidade Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 18
  19. 19. Empreendedorismoempreendedora: meio ambiente turbulento; esquiva em relação as normas autoritárias dospais; sentimento de rejeição; sentimentos dolorosos de raiva, hostilidade e culpa;identidade confusa (identificação com a personalidade causadora de dor); adota modelosreativos para sentimentos dolorosos (culpa, rebelião e impulsividade). A partir dos seis elementos, acreditam que o sucesso do negócio é afetado pelapersonalidade do empreendedor, que precisa se identificar fortemente com oempreendimento e depende disto para manter sua auto-estima e sua necessidade decontrole (MANTOVANI; BORGES, 2006). Outro estudioso sobre comportamento empreendedor é Thimmons (1994), quejunto com seus colaboradores, pesquisou os atributos de personalidade dosempreendedores. Seu estudo representa uma síntese de mais de 50 pesquisas compiladasda literatura acerca de atributos e comportamentos dos empreendedores bem sucedidos.Verifica-se a seguir uma síntese de suas constatações: 1. Comprometimento, determinação e perseverança; 2. Guiados pela auto-realização e crescimento; 3. Senso de oportunidade e orientação por metas; 4. Tomam iniciativas por responsabilidades pessoais; 5. Persistência na resolução de problemas; 6. Conscientização e senso de humor; 7. Buscam obter feedback; 8. Controle racional dos impulsos; 9. Tolerância ao stress, ambigüidade e incerteza; 10. Procuram correr riscos moderados; 11. Pouca necessidade de status e poder; 12. Íntegros e confiáveis; 13. Decididos, urgentes e pacientes; 14. Lidam bem com o fracasso; 15. Formador de equipes. Dornelas (2001) resume as características dos empreendedores no Brasil: 1. Busca de oportunidades e iniciativas; 2. Persistência; Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 19
  20. 20. Empreendedorismo 3. Correr riscos calculados; 4. Exigência de qualidade e eficiência; 5. Comprometimento; 6. Busca de informações; 7. Estabelecimento de metas; 8. Planejamento e monitoramento sistemático; 9. Persuasão e rede de contatos; 10. Independência e Autoconfiança. Segundo Bastos (1998), o comportamento empreendedor parte de um mecanismoque indivíduos utilizam para dar resposta a um determinado evento na busca de satisfazerum conjunto de necessidades relativas ao sucesso nos negócios. Assim, o processocomportamental do empreendedorismo tem início a partir da identificação de umaoportunidade com a necessidade de assumir riscos e estruturar o negócio, peloconhecimento e ação.Uma breve análise histórica de Irineu Evangelista de Sousa Para retratar a realidade histórica e de que forma este evoluiu no Brasil no âmbitodo empreendedorismo, faz um retrocesso por volta dos anos de 1680 e 1777, onde oslimites do Sul do Brasil eram disputados entre Espanhóis e Portugueses, e as diferençaseram resolvidas na guerra, ficando a divisa no lugar determinado pelo último combate, atéque uma nova investida ou tratado de paz negociado na Europa modificasse a situação.Nesta época, os Portugueses se instalaram às margens do Prata bem em frente a BuenosAires, os Espanhóis chegaram a tomar a ilha de Santa Catarina, mas nenhum dos dois ladosconseguia sacramentar suas vitórias, e a fronteira alterava-se a cada investida bem-sucedidado adversário. Desde o início, estas terras tinham se mostrado como excelentes criadouros naturalde gado, com milhares de cavalos e bois se multiplicando soltos e sem donos, atrativo paraaventureiros a busca de riqueza e brigas constantes. A coroa portuguesa, interessada naocupação do território, distribuía generosamente títulos de terra na zona de litígio (apesarde que a assinatura do Rei naquela região não dizia muita coisa), a maioria dos portugueseseram da região de Açores (super-povoada na época). Em meio a este contexto, em 1792,chegou o avô materno de Irineu Evangelista de Sousa, José Batista de Carvalho, que Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 20
  21. 21. Empreendedorismoestabeleceu um rancho numa sesmaria de 4 mil hectares entre o arroios Grande eChasqueiro a 500km de Montevidéu, logo depois o avô paterno, Manuel Jerônimo. Em 1810, o pai de Irineu Evangelista, João Evangelista de Ávila e Sousa casou-se comMariana Batista de Carvalho, e em 1813 nasceu Irineu. Para manter o crescimento de seusnegócios, João Evangelista de Ávila e Sousa, em 1819, saiu em uma excursão ao territóriouruguaio para a busca de mais gado e foi morto por um tiro (versões pouco claras chegarampara os familiares), ficando sua mãe viúva pela primeira vez com 24 anos. Tentou tocar osnegócios e preferiu ensinar Irineu a ler e escrever a ter que fazer os serviços da fazenda, eeste aproveitou o conhecimento oferecido pela mãe e logo dominou as letras e mostrouuma predileção pela matemática. Três anos após a morte do pai, sua mãe casa pela segunda vez com João Jesus eSilva, que não aceitava crianças de um outro pai. A solução foi casar sua irmã Guilhermina,com menos de doze anos com José Machado da Silva e mandar Irineu para o Rio de Janeiropara trabalhar no comércio com um tio seu (por parte de mãe) que tinha o mesmo nome deseu avô. Nesse contexto iniciou a história do empreendedor, que chegou no Rio com noveanos de idade e foi instalar-se na casa de n°155 da Rua Direita, que era o armazém e a sededos negócios de João Rodrigues Pereira de Almeida, onde aprendeu todas as funções doarmazém, sendo ensinado pelos mais velhos de casa que estranhavam a origem do menino,pois na época raros nativos do Brasil trabalhavam no comércio, sendo esta profissãoexercida por mão-de-obra vinda direta da Metrópole, fato este manipulado pela Coroa, poisevitava que habitantes da colônia controlassem a atividade comercial. Logo vislumbrou a possibilidade de ser o caixeiro de escritório, tendo que dominar acontabilidade e passar por um exame da Real Junta de Comércio e Navegação, para serreconhecido pelo patrão, que era de família importante do Sul e Pereira de Almeidanegociava charque com ela, seu tio era homem de grande prestígio e respeito por comandaruma Nau de Pereira de Almeida e este último tomava conta de seu armazém bem de pertoe conhecia seus funcionários e rendimentos. A empresa era bem prestigiada e estavaenvolvida em uma série de atividades complexas, negociando simultaneamente comcentenas de pessoas nos três continentes. Pereira de Almeida era ao mesmo tempocomerciante, banqueiro, industrial, armador, além de cortesão e manipulador político,trabalhar em uma empresa como esta na época era o objetivo de qualquer caixeiro quequisesse vencer na vida. Com uma frota registrada em seu nome de treze navios, a base detodo o comércio de Pereira de Almeida era o tráfego de escravos. Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 21
  22. 22. Empreendedorismo Com menos de cinco anos de experiência e com quatorze anos de idade, Irineu jáassumia a complexa rede de negócios do patrão. Por volta de 1828, houve um revés e ascoisas mudaram para Pereira de Almeida, pois o tráfico de escravos estava acabando e aguerra com a Argentina, tornando a província Cisplatina no Uruguai, levaram o Banco doBrasil a ser um alvo para as perdas governamentais, fazendo com que o comercianteperdesse tudo que tinha, para consolar o Imperador que distribuía títulos de nobrezacriados a granel, concedeu-lhe o título de Barão de Ubá, onde foi morrer (1830) em suafazendo defendida por Irineu junto ao credor escocês Richard Carruthers. Assim, Irineucomeçou a trabalhar em 1829, Carruthers & CO, uma das maiores empresas de Carruthers,que o incentivou a aprender inglês e contabilidade da forma inglesa (em libras), e tevecontatos com a maçonaria. Logo se destacou dos demais, aprendendo as minúcias do ofícioe pela orientação de Carruthers. Leu muitos livros, dentre eles Adam Smith – A Riqueza dasNações - o original em Inglês que aproveitava para discutir com seu patrão. Após completar 22 anos, Irineu recebeu uma participação no capital da empresa euma procuração de Carruthers, que lhe deu todos os poderes para administrar os negócioscomo se a firma fosse apenas dele. Em 25 de Outubro de 1837, Irineu comprou sua primeiracasa. O cenário Nacional continuava complicado e várias revoltas eclodiam nas províncias(Cabanagem/PA, Balaiada/MA, Sabinada/BA, Carneiradas/PE, Farroupilhas/RS) sempre serepetindo a história: liberais contra conservadores republicanos. Irineu se envolveu em umadestas revoltas fornecendo roupas e dinheiro a revoltosos (na fortaleza de Santa Cruz/RJ) eisto lhe causou problemas em 1839, indo assim visitar seu amigo e sócio Carruthers naInglaterra a fim de acalmar os problemas. Em sua viagem à Inglaterra, apresentou grandeentusiasmo por novidades. Teve como anfitrião um amigo de juventude (João HenriqueReynell de Castro), que contribuiu para abrir o seu caminho da fortuna. Assistiu ainauguração da ferrovia em 1830, entre Liverpool e Manchester, viu que os inglesesproduziam fábricas com rapidez, mecanizando assim o desenvolvimento. Também notouque a ferrovia trazia consigo outros negócios (ferros e máquinas), sendo foco dosbanqueiros ingleses. Menos de 20 anos depois da inauguração do trecho entre Liverpool eManchester, havia 10 mil quilômetros de ferrovias na Inglaterra, com um investimentoaproximado de 250 milhões de libras esterlinas. Percorreu fábricas de tecidos, estaleiros, fundições, estradas de ferro e bancos, semostrava muito interessado em novos conhecimentos empíricos, perguntava sobre tudo eestudava manuais de funcionamento e catálogos, manteve também vários contatos Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 22
  23. 23. Empreendedorismoeconômicos, estudando os movimentos da época na Grande Potência Inglaterra. Em suapercepção, vislumbrava o desenvolvimento do Brasil e na volta de sua viagem da Inglaterra,abriu a empresa que deveria captar dinheiro na Inglaterra para ser investido no Brasil,visando a modernidade. Apesar da viagem para a Europa, os ânimos dos comerciantes dopartido Conservador continuavam os mesmos perante a posição de Irineu e estespublicaram uma carta em 21 de Outubro de 1842, no Jornal do Comércio, com a notícia deque não tinha conexões com os rebeldes do Rio Grande do Sul, que eram os únicos homensem armas que o governo central precisava derrotar para consolidar seu poder. O efeito detal carta foi devastador perante os amigos, pois a fama de traidor da causa logo seinstaurou. Apesar disto, Irineu foi tido como traidor pelos amigos e era mal visto pelosgovernantes da época. Em 11 de Agosto de 1846, adquiriu o estabelecimento de fundição e estaleiros daPonta de Areia em Niterói/RJ. Pensava em transformar a mesma em um estabelecimento deponta, a moda inglesa, para tanto, teve que trazer a preço de ouro (propriamente dito)trabalhadores ingleses, pois não existia mão de obra qualificada na época, além de ter aregra de que uma pessoa de tez branca, não carregava nada e tinha que sempre ter umescravo que o fizesse. A falta de matéria-prima também o fez pensar fora da caixa, fazendouma logística (hoje banal), mas que para a época saltava aos olhos, e passou a trazerminério de ferro de Minas Gerais no lombo de burros, importação de carvão, e peças paraos defeitos nas máquinas.Firmou um contrato com o ministério do Império para canalizar orio Maracanã com tubos de ferro, e como é de praxe, o governo não pagava e teve quediversificar a produção fazendo pregos, sinos para igrejas, máquinas de serrar, peças paraengenhos de açúcar, guindastes, etc. Passou a aceitar serviços de reparos em navios emontou uma empresa no Rio Grande do Sul para operar um vapor que havia sido construídopor ele. De forma inovadora na época, começou a administrar os funcionários de formaigualitária e distribuía lucros, incentivando que os mesmos abrissem seus próprios negóciosou aumentar o leque de opções (assumia prejuízos). Da mesma fábrica, saíram engenhos deaçúcar completos (movidos a vapor), pontes de ferro, canhões de bronze para navios deguerra, navios a vapor completos, fornos siderúrgicos e bombas de sucção. Em 1849, o Uruguai se viu em sérios problemas, pois nenhum dos países que osubsidiavam queriam continuar a fazê-lo, tendo neste momento o crescimento do temor deinvasão Argentina na figura do ditador na época (Juan Manuel de Rosas). O embaixador doUruguai no Brasil na época (Andrés Lamas) pediu ajuda e o governo viu na figura de Irineu a Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 23
  24. 24. Empreendedorismoforma de ajudar sem ser notado. Com isto, Irineu emprestou dinheiro para financiar aguerra contra a Argentina. Em Fevereiro de 1852 o exército de Rosas foi derrotado sem umúnico tiro, pois acertos monetários foram feitos nos bastidores com comandantesdesertores argentinos. Este fato fez com que o governo Uruguaio reconhecesse uma dívidapública junto a Irineu e a partir de 15 de Maio de 1852, ele tornou-se o maior credor dogoverno Uruguaio e com direito sobre a aduana. Com isto, a navegação do Rio Prata foiaberta, fluindo o comércio local. Aproveitando a situação do fechamento do tráfico de escravos e notando um grandevalor monetário na praça sem um destino certo, Irineu em 1851, abriu o Banco Commercial,vislumbrando as aplicações em um futuro promissor de progressos intermináveis (fábricas,telégrafos, estradas de ferro). Começou a comprar a moeda nacional (réis) fazendo umcâmbio favorável a quem vendia e trocava por libras esterlinas (moeda forte). A corrida aobanco foi muito grande, em pouco tempo estava quase que com toda moeda nacional emseus cofres ao troco da libra. Começou a faltar (réis) para negócios nacionais e ele mais quedepressa começou a vender (réis) e comprar (libras), dando primeiro golpe no câmbio.Nessa época, chegou no Brasil informes de que os americanos queriam abrir o Amazonaspara livre exploração e navegação, tal fato alarmou as defesas brasileiras e o governoconvocou mais uma vez Irineu, propondo que o mesmo abrisse na região norte umaempresa de exploração / navegação do rio Amazonas, explorando assim o comércio dospovoados ribeirinhos muito dispersos, desafio este aceito por ele. Em 1852, Irineu ganhou a concorrência entre três empresas para fornecer aIluminação a gás das ruas da cidade do Rio de Janeiro e fundou a empresa ImperialCompanhia de navegação a vapor e Estrada de Ferro de Petrópolis. Ainda neste ano, quatromeses antes do prazo prometido para o governo, começou a funcionar a Companhia deNavegação e Comércio do Amazonas. Em 1853, o dia da queda do gabinete de Itaboraí,Irineu levou um grupo de jornalistas e embaixadores para fazerem uma pequena viageminaugural, sendo esta a primeira viagem de trem a ser noticiada na história do Brasil. Foi assim que foi agraciado com o primeiro título de Nobreza – Barão de Mauá, em30 de Abril de 1854, em cerimônia pomposa com a presença da família Real, quandoinaugurou a Companhia de Navegação a Vapor e Estrada de Ferro de Petrópolis. Em 31 de Julho de 1854, três meses após a inauguração da estrada de ferro, o Barãode Mauá inaugurou uma nova forma de Banco, o Banco Internacional a Mauá Mac Gregor &CIA, com a proposta de auxiliar todas as operações na Europa e também fornecer crédito Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 24
  25. 25. Empreendedorismopara operações locais, onde iria competir com os financiadores tradicionais (os bancoseuropeus), criando assim a primeira agência de Câmbio a funcionar em âmbito nacional. No mesmo ano da inauguração do Banco Internacional Mauá, comprou uma fábricade velas e sabão de um francês com problemas financeiros. Adquiriu a CompanhiaFluminense de Transportes (34 carroças de burro, mais de 100 mulas). Entrou com umaporte técnico em uma concessão para explorar ouro no Maranhão. Também montou umafábrica de diques flutuantes, sugerido por um de seus funcionários de Ponta de Areia. EmAgosto de 1855, o Barão de Mauá assumiu uma posição de deputado (como suplente) pelopartido Liberal. Nunca compactuou com o discurso amoral que dominava a época (interessepúblico), colocando-se abertamente como empresário, colecionando derrotas atrás dederrotas nesta área. Com visão de negócios, estabeleceu para seus engenheiros a tarefa deestudarem os caminhos para nova estrada de ferro ligando o porto de Santos ao interiorPaulista, possibilitando assim o escoamento da produção. Em 1856, recebeu a concessão daconstrução da estrada de ferro. Decorridos 06 anos após o final da guerra no Uruguai, Mauáresolveu transformar seu escritório de representação em Montevidéu numa mistura deempresa comercial e casa bancária. Em 1857, algumas de suas aquisições não se mostravam lucrativas, entre elas aCompanhia Fluminense de Transporte, a Mineradora do Maranhão, a Santos-Jundiaí e aCompanhia de diques flutuantes. Além disso, grande incêndio (narrado pela família comocriminoso a mando dos ingleses) devastou a fábrica de Ponta de Areia, destruindo moldesda construção de navios. Em 1858 inaugurou mais um Banco, em Buenos Aires, naArgentina, expandindo os negócios do Uruguai. Em 1865 depois de vários percalços, vendeua Companhia de Iluminação a Gás do Rio de Janeiro e passou por sérias dificuldades. Em1867, criou a Mauá & CIA, uma empresa comercial como nas origens de sua formação,tendo como base a desativação de seu império para saldar dívidas e problemas sofridos.Juntou seu numerário e mesmo com a derrocada, possuía no conjunto da obra a quantia de115 mil contos de réis, equivalente a 12 milhões de libras esterlinas e 60 milhões de dólares. Em 1874, recebeu uma carta tornando-o o Visconde de Mauá, devido a seuempenho na instalação dos cabos submarinos de telégrafo que ligou o Brasil à Europa. Em1875, fechou o Banco do Uruguai e foi perseguido pelo povo, perdendo tudo, porémliquidou todos os seus negócios e saldou todas suas dividas, vendendo seus pertencespessoais. Afastou-se da vida pública e morreu completamente esquecido pela sociedade em21 de outubro de 1889, sendo levado de Petrópolis para ser enterrado no cemitério daOrdem Terceira dos Mínimos de São Francisco, em Catumbi, no Rio de Janeiro, sendo o Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 25
  26. 26. Empreendedorismoféretro deslocado de trem através dos trilhos da estrada de ferro de sal fundação, The Riode Janeiro & Northern Railway.Análise do comportamento do Barão de Mauá a partir das teorias sobre empreendedorismo O exemplo do Barão de Mauá retrata sua trajetória como o primeiro grandeempreendedor brasileiro numa época adversa, o Brasil no Século XIX. Analisando o contextohistórico do país, observa-se que muito de seu desenvolvimento deve-se a inovação criadapor Irineu Evangelista, que aproveitou as oportunidades que teve para trazer ao Brasilconhecimentos e desenvolvimento do capitalismo. Para Lira (2005), nos dias atuais, a administração possui a disposição uma infinidadede técnicas que visam diminuir ao máximo os riscos de insucesso de um novo negócio.Porém, no século XIX e início do século XX, os únicos meios possíveis de analisar um negócioeram alguns cálculos financeiros e o bom senso. Esta situação fazia com que os riscos,principalmente nos negócios pioneiros, fossem difíceis de mensurar por se tratar de umcaminho ainda não percorrido e, portanto, sem parâmetros de comparação. Embora as pesquisas na área de empreendedorismo constatem diferenças entreaspectos considerados cruciais pelo fato de que as características empreendedoras variamem função da atividade que o empreendedor desenvolve em uma dada época ou de acordocom a fase de crescimento da empresa, a análise histórica mostra Mauá como um ícone dainovação e seu comportamento é embasado pelas teorias do empreendedorismo, sendo seucomportamento distinto a outros empreendedores, que em alguns estudos, são observadoscomo indivíduos que não eram receptivos ao conhecimento. Segundo Caldeira (1990, p.35): “Em 38 anos de trabalho duro, tinha enfrentado muitas crises, e nelas venceu muito mais que perdeu. Sentia-se jovem o suficiente para ousar na hora das dificuldades, aproveitar os momentos complicados para triturar adversários mais fracos. Sempre sonhara grande, grande demais para que o conselho tornasse mais prudente seu estilo arrojado.” Mauá possui algumas características identificadas como comportamentoempreendedor nas teorias estudadas. Ainda segundo Caldeira (1990, p.17-18): Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 26
  27. 27. Empreendedorismo “Administrar sozinho tal volume de negócios e dinheiro era tanto uma obrigação imposta por seus métodos de trabalho quanto um prazer – ao menos em dias como aquele. Nas noites solitárias em seu escritório, Mauá sentia a grandeza dos criadores de mundo. Ninguém no Brasil havia chegado aonde chegou. Tinha todo o direito de agir como um verdadeiro imperador, pois não devia nada a ninguém. Enquanto a noite avançava, Mauá instigava os corajosos, punia os medrosos, ordenava batalhas de negócios – sem nunca ser contestado. Esse comportamento impositivo era para ele da natureza das coisas. Para quem começara rigorosamente do nada e lutara sempre sozinho, não era estranho o habito de contar apenas consigo mesmo.” Para Caldeira (1990), Mauá tinha dedicação ao conhecimento, estudando paraconseguir obter o dinheiro e antes de passar para a prática, ele precisava da certeza de quesuas impressões suportavam o crivo dos números. Enquanto o mercado corria atrás deopiniões, ele foi buscar o domínio do conhecimento e evidenciou suas característicasempreendedoras para alavancar o desenvolvimento do Brasil. Segundo Lira (2005, p.15): “... na biografia de Mauá notamos um foco no progresso com um direcionamento maior para o desenvolvimento industrial, logístico e estrutural do país. Com a criação das primeiras indústrias, primeira estrada de ferro e criação do primeiro banco a financiar novos empreendimentos, Mauá reforça sua condição de personalidade referência na história brasileira e com perfil voltado para o empreendedorismo.” A partir da análise sobre as características de Mauá com a literatura abordada, foifeito um quadro consolidado com a porcentagem de características empreendedorasapresentadas no seu exemplo, conforme comparativo adiante: Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 27
  28. 28. EmpreendedorismoCaracterísticas empreendedoras Características empreendedoras encontradas na literatura encontradas na Biografia por Caldeira resultado % atendido McClelland 3 3 100% Zaleznik & Vries 6 3 50% Thimmons 15 15 100% Dornellas 10 10 100% Empretec necessidades 8 8 100% Empretec conhecimento 5 5 100% Empretec habilidade 9 9 100% Empretec valores 7 7 100% Autores 63 60 95% Tomando como base o quadro 3 pela comparação percentual entre itens ressaltadosperante quesitos dos autores, presentes ao longo da pesquisa, entendemos que IrineuEvangelista de Sousa atende quase que na plenitude aos quesitos estipulados pelos autoresestudados na personalidade empreendedora. Assim, mostra-se que dentre os comportamentos evidenciados ao longo dapesquisa, o Barão de Mauá apresentava 95%, sendo considerado um exemplo potencialpara o estudo do empreendedorismo no Brasil, sendo que seus traços apontavam para odesenvolvimento em larga escala, não sendo limitado a um tipo de negócio ou empresa,mas contribuindo com a administração de um país. Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 28
  29. 29. EmpreendedorismoConsiderações Finais Este artigo mostrou o contexto de um empreendedor como forma de exemplificarcomo o empreendedorismo influencia a realidade dos negócios no Brasil. O comportamentoempreendedor é abordado sob a ótica dos indivíduos e da cultura onde se inserem, sendo ainovação, iniciativa e a resiliência traços que definem o sucesso dos negócios. O contexto analisado nos tempos contemporâneos mostra que a herança culturaldeixada pelos pioneiros que alavancaram os negócios no Brasil é a de que oempreendedorismo é um tema de nossa cultura, que traduz a necessidade de procuraroportunidades pela diversidade que possuímos. A administração de negócios nesse ambiente precisa de características ecomportamentos de indivíduos que conseguem lidar com adversidades e identificaroportunidades mesmo com a turbulência do mercado. O centro do poder associa-se com apolítica, gerando burocracias difíceis de serem colocadas em prática ao mesmo tempo emque se alcança o sucesso nos negócios, mas os empreendedores têm encontrado formas deconciliar tal cenário, a partir do próprio conhecimento, gerando inovações que podemmudar o rumo da história A análise sobre o Barão de Mauá permite observar que ele foi um dos homens maisricos em sua época no continente sul-americano, com a competência para identificaroportunidades e gerar inovação, alavancando a economia do Brasil a partir deconhecimentos obtidos em diferentes setores e colocando em prática tudo o que sabia emseus empreendimentos. Embora tenha terminado sua vida sem nada, a grande herança que deixou foi ainovação criada pelo conhecimento, que constitui um dos meios que consolida ocomportamento empreendedor, a busca incessante por oportunidades e por concretizarnegócios. Mauá apresentou formas de inovação que atualmente ainda geram dúvidasquanto a sua execução, tamanha inovação apresentada em seus empreendimentos, cujosresultados ainda podemos nos beneficiar.Ação dos Discentes no Estudo de Caso Os alunos deverão responder ao solicitado, de forma fundamentada pela matéria. Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 29
  30. 30. Empreendedorismo1) Quais características empreendedoras, na sua opinião, faltaram ao Barão de Mauá ?Justifique.2) Você concorda com todas atribuições positivas realizadas no artigo ao Barão de Mauá ?Justifique.3) Se tivéssemos uma parcela maior da população com características empreendedoras, oque mudaria em nosso país ?4) Comente as características do Barão de Mauá, considerando as qualidades doempreendedor apresentadas junto ao “Tema 02” da Apostila (Página 03 – Características doEmpreendedor).Tema 06 – Pesquisa Complementar 10Artigo: Delmiro Gouveia – Herói Esquecido 111) Pesquise e demonstre qualidades empreendedoras junto à outro personagem históricono empreendedorismo brasileiro, chamado Delmiro Gouveia. Observação: Esta comparaçãoé mais complexa, pois este personagem possui menor expressão do que o anterior (Barãode Mauá), além de uma passagem mais polêmica. O objetivo do trabalho é enriquecer oconhecimento pessoal e “provocar” o discente a uma reflexão sobre alguns pontospolêmicos na história brasileira.Texto 12 “Delmiro Gouveia foi o maior de todos os grandes empreendedores brasileiros.10 Autor: Oswaldo Pacetta. Publicado aos 05/07/2010.11 Fontes do Autor:  “Delmiro Gouveia e o sonho de industrialização do semi-árido” - AUTOR: JOSE ROMERO DE ARAUJO CARDOSO”.  “Delmiro Gouveia – O perfil do empreendedor” – AUTORA: TELMA DE BARROS CORREIA.  “CULTURA historia (14/07/2007) – “Gloria e tragédia de Delmiro Gouveia”. AUTOR: J.C. ALENCAR ARARIPE – Especial para Cultura, escritor e jornalista.  “Ousadia no Nordeste – a saga empreendedora de Delmiro Gouveia” AUTOR: DAVI ROBERTO BANDEIRA DA SILVA.12 Os fatos e opiniões expressados pelo autor são de responsabilidade exclusiva do mesmo, o presenteartigo encontra-se apenso para estudo das atitudes empreendedoras, não sendo nossa intenção fomentaro debate sobre ideologias políticas. Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 30
  31. 31. Empreendedorismo Suas prodigiosas realizações empresariais ocorreram no fim do século 19 e inicio doséculo 20, no nordeste, totalmente dominado pelos famigerados coroneizinhos da políticalocal, numa época em que dominavam o trabalho escravo, a ignorância, o atraso, a misériada população e onde, até a energia elétrica necessária a uma de suas empresas, teve queproduzi-la com seus próprios recursos. Essa sua indústria não foi seu maiorempreendimento, mas foi a menina de seus olhos e a causa principal de suas desavenças. Nasceu em junho de 1863, em Ipu, Ceará. Ao longo de sua laboriosa caminhada,dadas as condições e ambiente em que realizou sua obra, tornou-se o mais admirávelprotagonista da historia do empreendedorismo brasileiro. Não poupou esforços, coragem eousadia em sua luta para criar no nordeste um pólo de desenvolvimento econômico, comjustiça social e com a obstinada determinação de livrar a economia da região, primária eprimitiva, da mentalidade, costumes e práticas arcaicas. Foi, na sua juventude, bilheteiro de estação de trem, da “Pernambuco Railway”,servidor da Alfândega e também se dedicou à mecânica primária, o famoso “conserta tudo”,profissão que exerceu, como meio de sobrevivência. Iniciou-se, como empresário, no comércio de peles, vencendo nesse ramo que, naépoca, era dificílimo. Intensificou as exportações de peles (de bodes e cabras) para osEstados Unidos a tal ponto que precisou criar uma vasta rede de agentes, por todo onordeste para aquisição da matéria prima de seu negocio. Quando estabeleceu seu próprioabatedouro, toda a carne dos animais abatidos era distribuída gratuitamente aos seustrabalhadores e à população carente circundante. Destacou-se também pelo grande sucesso de sua usina açucareira, graças à adoçãode inovações tecnológicas dignas dos países mais industrializados de então. Na usinaBeltrão, além de refinar o açúcar, o vendia em tabletes, coisa muito “chique” no Brasil dessetempo. A criação do Mercado do Derby em Recife, já seria suficiente para defini-lo, em tudoe por tudo, como um empreendedor do século 21 nascido no século 19. Mediante acordo com o governador de Pernambuco, recebeu grande área pública,completamente abandonada, para dotá-la de todas as melhorias que o poder constituídohavia se esquecido de providenciar e, depois de fazer aterros, sanear o mangue e abrir ruas,criar esse empreendimento com tudo o que o caracterizava como uma variação, adaptada àépoca, é claro, do que seria, hoje, um misto de Supermercado, Shopping Center, Centro deConvenções e dos parques de diversão mais incrementados. O exploraria por 25 anos e,cumprido esse prazo, o entregaria para o Estado de Pernambuco. Esse “parque de diversão Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 31
  32. 32. Empreendedorismopermanente”, como então, era chamado, dispunha de hotel, mercado, chafarizes, águatratada encanada, sistema de esgotos, área livre ajardinada, de 400 metros, para ovelódromo, em frente a fachada principal do edifício. Em prédio a parte, instalações parajogos, café, teatro, carrosséis, barraquinhas, tudo permanentemente animado por retretas eiluminado pela luz elétrica, pela primeira vez introduzida na cidade do Recife. Além dos atrativos para hospedagem e entretenimento, o Mercado do Derby,comprando em grandes quantidades, diretamente das fontes produtoras, evitando osatravessadores que encarecem os produtos e mercadorias, vendia a preços bem inferioresaos da concorrência. Os concorrentes cartelizados, sem ter consciência do que fosse um cartel, mascientes de suas vantagens em - através de acordo de preço único entre os produtores oudistribuidores - eliminar a livre concorrência, um dos fundamentos do capitalismodemocrático, não gostaram nada desse “modernoso cabra da peste”. Não sabiam o que eranem morriam de amores por capitalismo democrático ou selvagem, mas se enfureceramcom a idéia de reduzir suas margens de lucro abusivas, por causa desse tal Delmiro. Estavamcriados os primeiros atritos graves entre o empresário à frente de seu tempo e oscoroneizinhos retrógrados de então. Informado de uma conspiração para matá-lo, viajou para o Rio de Janeiro ondetentou em vão, a interferência do Vice-Presidente da Republica. Este era chefe situacionistade Pernambuco e comandava, entre outros, o prefeito de Recife. Delmiro não aceitou o descaso do Vice-Presidente que, em vez de agir com adignidade do cargo, agiu como chefe da jagunçada. Num encontro casual entre ambos, em plena Rua do Ouvidor, aproximou-se dele e oresponsabilizou pelo que lhe viesse acontecer de mal. Destratado pelo Vice-Presidente,agrediu-o a golpes de bengala. Caiu na armadilha do coronelato de Pernambuco. Por essareação impensada deu pretexto a que fosse considerado um criminoso e passou a condiçãode “procurado pela policia”, para alegria de seus inimigos invejosos e venais. Resumindo,Delmiro chegou a ser preso. A prisão se deu com escandaloso aparato: um comandante e 50praças da policia. Enquanto estava na prisão, o Mercado do Derby, jóia preciosa tanto comoprojeto arquitetônico quanto como empreendimento sem igual no Brasil de então, foicriminosamente incendiado, na madrugada de 1º de janeiro de 1900 Valendo-se da liberdade concedida, três dias após o incêndio, através de habeascorpus, Delmiro Gouveia embarca para a Europa de onde volta no ano seguinte e se“refugia” em um vilarejo, no interior de Alagoas, onde pretendia continuar no comercio de Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 32
  33. 33. Empreendedorismopeles. Esse vilarejo por nome Vila da Pedra, distante 280 km de Maceió e 20 Km dacachoeira de Paulo Afonso era formada por meia dúzia de casebres em torno de um terminalferroviário, a estação de trem que ligava Jatobá a Piranhas e ficava na confluência de trêsEstados: Pernambuco, Alagoas e Bahia. Por essa época (1901/1902), Delmiro conheceu a filha da amasia do governadorpernambucano, S. Gonçalves. Apaixonaram-se, pô! Na época, casar-se com um homemseparado da esposa anterior, era inadmissível. A anterior não foi visitá-lo quando estevepreso, razão porque nunca mais voltou para seu lar. Em face da total resistência da famíliada moça e com a concordância da mesma, é claro, fugiram e foram morar na Usina Beltrão,fabrica de açúcar de Tacarauna, no bairro de Santo Amaro. Outra vez, o intrépidoempresário alimenta a ira torpe de seus inimigos. Acusaram-no de rapto e sedução: mobilizaram a policia e a Justiça para enquadrá-lo,”nos termos da lei” e o levarem pra cadeia. O casal não teve alternativa senão fugir. Forampara Vila da Pedra, Alagoas, que ficava próxima ao rio São Francisco, no sertão alagoanoonde pretendia continuar suas atividades empresariais. Em Pedra, não deu outra: o seu empreendimento teve tal sucesso que o levou a criar,em 1904, a firma IONA & CIA. para organizar e incrementar suas exportações de peles debode e de cabra, couros de boi, mamona em bagas e caroço de algodão. Para essa vila eram enviadas peles e couros vindos do Ceará. Rio Grande do Norte,Pernambuco, Paraíba, Sergipe, Alagoas e Bahia. Eram tratadas e enfardadas. Seguiam detrem até Piranhas. Desciam o São Francisco até Penedo e, por mar, seguiam até Maceió deonde eram embarcadas para os Estados Unidos. Delmiro tinha um sonho: a industrialização do semi-árido alagoano e, em 1909,iniciou estudos para a utilização econômica da cachoeira de Paulo Afonso. Quatro anosapós, janeiro de 1913 coroava de êxito mais um de seus audaciosos empreendimentos:captava energia da usina hidroelétrica, na queda de Angicos e iniciava o abastecimento daVila com água da cachoeira, Em junho de l913 a Vila passa a ser iluminada com a energiaelétrica da usina. Em 1914 inaugura em Vila da Pedra a fabrica de linha de coser da marcaEstrela, que iria vencer, na concorrência de mercado, a linha Corrente, produzida pelamultinacional inglesa Cotton Machine. Rítimo alucinante mesmo para nossos dias. Ele, que já enfrentava a prepotência das oligarquias estaduais e a violência doscoronéis, passou a enfrentar a fúria da multinacional poderosa. A linha de coser Estrelacomeçou a dominar o mercado não só no Brasil como também na Argentina, Equador ePeru. Chegou a exportar para colônias inglesas. Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 33
  34. 34. Empreendedorismo Não só para atender as necessidades de sua nova e prospera indústria, mas tambémna sua crença de que faria de Pedra, um pólo de industrialização do nordeste, abriu asprimeiras estradas no interior nordestino, ao todo, 520 km pelas quais rodaram também osprimeiros automóveis vistos na região, com os quais equipou seus vendedores-viajantes.Eram cinco importados, que, para a época, foram motivo de alvoroço e festas por ondepassavam. As estradas que construiu eram de tão boa qualidade “que sua frota podiadesenvolver a espantosa velocidade de 60 km por hora!”, dinamizando, assim, o trabalho devenda de sua produção. Mesmo empenhado na consolidação de sua fabrica de linhas, Delmiro não descuidoude outras áreas como a agricultura, a difusão da pratica de irrigação das terras secas, apecuária e a propagação da cultura da palma forrageira como alimento para os rebanhos. Agiu também nas áreas de desenvolvimento e saneamento urbanos, educação,saúde e projetos sociais. Dotou Pedra de água encanada, luz elétrica, vilas de casas para seus trabalhadores,médico, escolas, cinemas, parques de patinação e banda de musica. A par dessas iniciativas, atacou duramente os costumes retrógrados, indo às raias dopitoresco nessa sua obstinação: “em Pedra fez do banho uma obrigação diária; não sefumava em cachimbos de barro, não se podia cuspir no chão, não se entrava numa casa comchapéu na cabeça, não se tomava cachaça e não se explorava a prostituição. Homens emulheres tinham que andar limpos e calçados”. É claro que dava a seus empregados saláriose condições para cumprirem a risca esse código de conduta. É necessário atentar para a época, inicio do século passado e para o ambiente, ointerior de uma região dominada pelo atraso, pela ignorância e pela miséria extrema, paraentender que esse código não exprimia autoritarismo, mas preocupação em acelerar odesenvolvimento integrado do árido alagoano, como ponto de partida para odesenvolvimento integrado do nordeste. Na catastrófica seca de 1915, grande numero de flagelados chegava a Vila da Pedra,em busca de socorro. Delmiro Gouveia mandou montar tendas ao redor da vila e deu aosretirantes toda a acolhida e tratamento de que tanto careciam, sem descuidar de enquadrá-los no código de conduta já referido. O “coronel” José Rodrigues de Lima, de Piranhas, chefe político, fazendeiro,pecuarista e latifundiário, não se sentia bem com a vizinhança de Delmiro, industrial,atuando no seu “criatório” e comercializando, em Vila da Pedra, produtos agrícolas a preçosinferiores aos seus. Era o protótipo dos avôs dos coronéis do PFL, hoje conhecido como Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 34
  35. 35. EmpreendedorismoDEMO. O “coronézinho” José Rodrigues era o próprio DEMÔNIO. Foi um dos articuladoresde ciladas, armadilhas e emboscadas contra Delmiro Gouveia. Delmiro Gouveia, nas varias viagens que fez aos Estados Unidos e Europa, verificou anova revolução industrial decorrente do uso da energia elétrica. Quando conheceu a cachoeira de Paulo Afonso, no rio São Francisco, do qual Vila dasPedras ficava próxima, teve a visão audaciosa que só os grandes empreendedores acolhemcom fé e buscam tenazmente sua realização: construir ali uma usina hidrelétrica. Com o apoio dos irmãos Rossbach, da L. H. Rossbach Brothers, de Nova Iorque, queera a grande importadora dos produtos agrícolas e mercadorias produzidas pelas empresasde Delmiro, organizou a Cia. Agro-Fabril Mercantil através da qual concretizou a construçãoda hidrelétrica no salto de Angicos, da Cachoeira de Paulo Afonso, no lado alagoano que,quatro anos após sua concepção, passou a gerar energia elétrica em janeiro de 1913. Na Inglaterra pesquisou e escolheu as mais modernas máquinas da indústria Dobson& Barlow, que importaria para sua fábrica de linha de coser de alta qualidade e resistência,além de fios e cordões de algodão cru em novelos, fios encerados e fitas gomadas paraembrulhos. Inaugurada em 1914, foi mais um empreendimento de grande sucesso desseempresário do século 21 nascido no século 19. Essa fábrica, a Cia Agro-Fabril passou a vencer a concorrência e quebrar o monopóliodos ingleses no setor. Os ingleses, nessa época, eram os americanos do pós-guerra(1939/1945): donos ou pretensos donos do mundo, que impunham seu jugo aos paísessatélites ou através de dispendiosas operações militares ou através dos lacaios e traírasremunerados que eles tinham o hábito de entronizar nos seus domínios. Com a produção de mais de 20.000 carretéis/dia, as linhas Estrela ganharamrapidamente o mercado nacional além do de alguns países vizinhos. A Cotton Machine,produtora das linhas de coser Corrente, afamadas até hoje, partiu para a concorrênciadesleal. Por exemplo, aproveitando um vacilo do Delmiro, registrou a marca Estrela naArgentina e no Chile, causando alguns problemas e custos adicionais à Agro-Fabril que se viuobrigada a re-embalar com novo rotulo seus produtos já nas lojas desse dois vizinhos. A pouca eficiência dessa e outras rasteiras para derrubar o concorrente brasileirolevou a Cotton Machine a investir alto na tentativa obstinada de comprar o parqueempresarial de Vila da Pedra, em pleno sertão de Alagoas. Delmiro Gouveia recusou todasas propostas apresentadas e informou aos gringos que não venderia sua fabrica por dinheironenhum. Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 35
  36. 36. Empreendedorismo A 10 de outubro de 1917, três anos após a inauguração do parque industrial dePedra, na calada da noite, no terraço de sua casa, o “empresário do século 21 nascido noséculo 19” era assassinado com três balaços disparados por pistoleiros de aluguel. O crimefoi desvendado, 66 anos depois, quando todos os envolvidos já eram falecidos. Nãofaltaram inocentes tomados como “bodes expiatórios”, que passaram longos anos na prisão,sem nada deverem. Finalmente, usando seus métodos preferenciais, os liberais de então que ainda nãoeram Neo, mas já agiam por meio de marginais contratados, usando matadores de ofício,conseguiram deter o inigualado empreendedor brasileiro e iniciar o desmantelamento damais notável experiência de industrialização que o nordeste havia conhecido até os anos 70do século passado. Como se vê, não é de hoje que a ALIANÇA de interesses estrangeiros escusos, comtraidores regiamente remunerados e partidos da entrega e da traição fartamentefinanciados, atua contra os interesses nacionais. Depois de sua morte, a Cotton Machine colocou em prática um indecoroso eprolongado dumping nos mercados de linhas de coser, vendendo suas mercadorias da marcaCorrente a preços 50% inferiores ao seu custo de fabricação, com o objetivo de quebrar aconcorrente e comprá-la a preço de banana podre em fim de feira. Há que se reconhecer quenão se tratou de Privataria já que a Cia Agro-Fabril não era estatal. Foi apenas uma grandepatifaria. Não precisavam mais enfrentar o destemido Delmiro Gouveia que os derrotariaoutra vez. Ele tinha sido “misteriosamente” abatido. Com a anuência do Presidente Washington Luiz, o complexo fabril de Vila da Pedrafoi vendido, em 1930, para a Cotton Machine, transação realizada em sua sede ou matriz,em Paisley, Escócia. Vale lembrar que a industrialização no Estado de São Paulo se iniciou nos anos 30,com o governo Vargas e se consolidou nos anos 60/70 do século passado e não na dinastiatucana como alguns querem nos fazer crer. Concretizada a transação, a empresa inglesa contratou, ainda em 1930, uma firmaespecializada em demolição, para por abaixo, a marretadas, o parque empresarial de Vila daPedra. As máquinas moderníssimas foram embarcadas para a Escócia. Os destroços do querestou foram levados em carros puxados por juntas de boi, numa viagem de 20 kilometros,até as barrancas do São Francisco, onde foram lançados. Num ato demagogo, pra acalmar a população local revoltada, o Presidente fantochee submisso, convenceu os ingleses a não levar adiante seu intento de dinamitar a usina Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 36
  37. 37. Empreendedorismohidrelétrica de Angicos, encravada nos penhascos do Rio São Francisco, onde pode ser vista evisitada, até hoje. Washington Luiz, representante fiel dos aristocratas rurais de S. Paulo dessa época,versões estilizadas dos coronéis do nordeste, foi o Presidente deposto e exilado pelarevolução de 1930, comandada por Getulio Vargas. Em 1932 tais aristocratas, com o apoio dos ingleses, que estavam perdendo seumando e desmandos no Brasil, tentaram uma contra-revolução para depor Getulio. Foramderrotados, para o bem do Brasil e dos brasileiros, que puderam ser retirados da Senzalaassim que os mandarins da Casa Grande foram contidos ... Mas essa é outra historia.”Parte 02 – Formação Social de Empreendedores Nesta parte estaremos estudando o processo social de criação e formação deempreendedores, ou seja, já conhecemos suas características e relevância coletiva, agoravamos aprender como a sociedade gera e fomenta esta classe de pessoas. Ainda, faremos uma análise do perfil educacional brasileiro frente a este desafio etrabalharemos na formulação de propostas. Trabalhando no processo de enriquecimento do perfil profissional dos discentes,faremos uma abordagem do comportamento de sucesso baseado na proposta do Prof.Gretz, chamada “As 20 Atitudes da Águia”.Tema 07 - Perfil Empreendedor Considere a frase: “O empreendedor não faz o que gosta e sim o que precisa ser feito” Ainda, vide um famoso provérbio chinês: “Há três coisas que nunca voltam atrás: A flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida.” Um empreendedor não apenas conhece, mas VIVE estes pensamentos. Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 37
  38. 38. Empreendedorismo Veremos mais sobre as qualidades empreendedoras (aprofundando o Tema 02) noestudo de caso.Estilos de Decisão – Empreendedor O empreendedor torna-se latente pelo seu estilo de decisão, notadamente agressivoquando necessário, mas com dificuldade de identificar, por vezes, momentos de necessárioretraimento e conservadorismo. Assim, o espírito empreendedor pode por vezes suplantar acautela, tornando-se perigoso se não “domesticado”. Devemos lembrar que embora oempreendedor esteja associado à diversas qualificações positivas, não vincula-se àperfeição. 13 Segundo Cohen existem oito estilos de decisão, todas aplicáveis aoempreendedor:  Intuitivo: tenta projetar o futuro;  Planejador: situa-se onde está e para onde quer ir;  Perspicaz: afirma que além da percepção necessita de conhecimento;  Objetivo: sabe qual o problema a ser resolvido;  Cobrador: tem certeza do que quer e deseja medir os resultados;  Mão-na-Massa: envolve-se de forma pessoal nas ações;  Meticuloso: agrega diversas opiniões para tomada de decisão;  Estrategista: decide sempre por ações que acompanham a estratégia geral. Não existe uma definição para o melhor ou pior tipo de decisão, cada situação criacondições para sua aplicação ou não. Entretanto, devemos citar inicialmente como maisfavoráveis às empresas modernas os estilos “estrategista” e “meticuloso”. Isto porque estas atitudes conduzem a decisão tomada em consonância às regrasgerais definidas na alta administração, mantendo a coerência dos departamentos frente aocliente, além de agregar opiniões dos membros da equipe, favorecendo o grupo. Isto pode significar, no caso da decisão estrategista, que a decisão tomada podemesmo não vir a ser a melhor para um departamento de forma isolada, mas que beneficie aempresa como um todo.13 Allan R. Cohen é vice-presidente acadêmico do Babson College, obteve o graduação na HarvardBusiness School e é autor de vários best-sellers. Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 38
  39. 39. EmpreendedorismoSíndrome do Empregado e Anti-Empreendedorismo Para sabermos melhor o que é ser um empreendedor, devemos também estudar oque NÃO é ser um. Esta terminologia surgiu com o personagem “Seu André”, do livro O Segredo deLuisa, autor Fernando Dolabela. “O livro: O Segredo de Luísa, escrito por Fernando Dolabela, publicado em 1999, trata da realização do sonho de abrir uma empresa. É um romance que envolve a vida sentimental da personagem principal Luísa, junto com a concretização da sua idéia de ter o seu próprio negócio. O autor relata desde a concepção da idéia de Luísa até a realização da abertura da empresa. No decorrer da narração, envolve outros personagens, que são essenciais na vida de Luísa. O livro expõe parte da vida da personagem principal, Luísa – uma moça muito inteligente - não só no lado profissional, mas também os seus sentimentos de amor, alegria, medo, solidão, tristeza e tantos outros que fazem parte da vida de qualquer pessoa.” http://pt.shvoong.com/books/792877-segredo-lu%C3%ADsa/ “Fernando Dolabela é Consultor e professor da Fundação Dom Cabral, ex-professor da UFMG, consultor da CNI-IEL Nacional, do CNPq, e da AED (Agência de Educação para o Desenvolvimento) e dezenas de universidades, participa com publicações nos maiores congressos nacionais e internacionais.” http://fernandodolabela.wordpress.com/curriculo/ O personagem, tentando explicar a ineficácia dos trabalhadores da indústria, disse:“eles estão contaminados pela síndrome do empregado”. Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 39
  40. 40. Empreendedorismo Diagnóstico:  Funcionário infeliz;  Visão limitada;  Não vê oportunidades;  Não é criativo;  Faz mais do que aprende;  Não possui auto-suficiência;  Não cria network;  Domina somente parte do processo;  Medo de assumir riscos;  Não identifica ameaças ao negócio. Esta problemática cria sérios transtornos, fazendo com que as pessoas não sedesenvolvam e não colaborem para o desenvolvimento de seu país. Em especial, podemos dizer que as condutas mais prejudiciais ao sucessoprofissional do indivíduo são a “não criação de network” e “infelicidade”, a primeira pelalimitação inerente ao isolamento e a segunda pelo comprometimento do rendimentointelectual, inclusive na vida pessoal. Ainda, existe o chamado “anti-empreendedorismo”, que corresponde a atitudes quenão apenas prejudicam o indivíduo em si, mas afetam toda a organização 14:  É fanático por modismos de gestão. Como forma de compensar a incapacidade natural, se utiliza disso para criar uma falsa imagem de dinamismo e engajamento empresarial.  Adora frases feitas. Com aversão a qualquer tipo de risco e enfrentamento, opta por equipar o palavrório com o obvio “lulante”, como forma de conseguir exposição e visibilidade falando muito e não dizendo nada.  Gosta de “performar”. Da mesma família da embromação, significa parecer fazer algo, mas sem nada conclusivo ou concreto. Trata-se apenas de um jogo de cena.14 Fonte: http://www.baguete.com.br/blog/negocios-e-gestao/20/08/2010/humor-corporativo-conheca-o-anti-empreendedor Prof. Esp. Ivan Jacomassi Junior - Pág. 40

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