Artigo Marketing De Lugares

8,966 views

Published on

Diagnóstico do município mineiro Nova Era sob o ponto de vista do Marketing de Lugares

Published in: Business
0 Comments
4 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

No Downloads
Views
Total views
8,966
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
21
Actions
Shares
0
Downloads
242
Comments
0
Likes
4
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Artigo Marketing De Lugares

  1. 1. IÚRI PEREIRA LOPES Diagnóstico da cidade mineira Nova Era sob a perspectiva do Marketing de Lugares Belo Horizonte 2007
  2. 2. 2 “O futuro depende daquilo que fazemos no presente.” Mahatma Ghandi
  3. 3. 3 AGRADECIMENTOS Ao meu Orientador, Prof. Sérgio Arreguy, pela disposição em ajudar no momento em que lhe contei do meu propósito e pelos valiosos toques finais. Ao meu tio Márcio Moreira, grande exemplo de profissional de sucesso, interlocutor valioso, crítico e grande incentivador deste estudo, desde as primeiras idéias. Ao meu tio Ubiraci Pereira, que prestimosamente me repassou suas experiências de vida, orientando-me com sua sólida visão organizacional e de marketing, ajudando-me a refletir e construir minhas próprias convicções acerca das possibilidades de nossa Nova Era. À simpática funcionária do Instituto Terra, que nos recebeu com carinho e dedicação, demonstrando, em todas as suas atitudes, o compromisso e a dedicação que tem com a causa ambiental. Ao meu pai, Werton Lopes, em quem me inspiro para ser um grande administrador, homem ético, honesto e honrado, merecedor do respeito alheio. Ele sabe o quanto é importante para mim. À minha mãe Juçana, interlocutora e confidente, com quem “troco figurinhas” sobre os meus projetos de vida e de quem recebo estímulo e inspiração para seguir em frente, tornando-me a pessoa que quero ser e vivendo a vida que quero viver. E, em especial, ao Dr. Eliezer Batista, que com toda generosidade me recebeu em sua sala no Rio de Janeiro, envolvendo-me numa verdadeira aula sobre vida, mundo e negócios, ensinando-me a valorizar, cada vez mais, a aquisição do conhecimento como o grande patrimônio para a construção de um mundo mais humano e fraterno. Suas palavras ecoam dentro de mim e serão sempre um fio condutor de minhas buscas e ações, seja na vida pessoal ou na vida profissional. “É no junto dos bão que a gente aprende o mió.” (Guimarães Rosa)
  4. 4. 4 LISTA DE FIGURAS Figura 1: Três gerações de planejamento estratégico....................................... Figura 2: Elementos do Marketing Estratégico de Lugar.................................. Figura 3: Analisando as forças e fraquezas....................................................... Figura 4: Matriz da importância do desempenho............................................... Figura 5: Afirmações de posicionamento de imagem........................................ Figura 6: Os quatro principais públicos alvo...................................................... Figura 7: Fatores de atração concretos e abstratos........................................... Figura 8: Participantes do Marketing de Lugares............................................... Figura 9: Distâncias de Nova Era aos principais centros econômicos............... Figura 10:Distâncias de Nova Era por vias de acesso...................................... Figura 11:Fazenda do Rio de Peixe................................................................... Figura 12:Ponte Benedito Valadares................................................................. Figura 13:Estação Ferroviária............................................................................ Figura 14:Garimpo de Capoeirana em 1988...................................................... Figura 15:Igreja Matriz São José – referência cultural e religiosa de Nova Era Figura 16:Fazenda da Vargem............................................................................ Figura 17: A Lagoa São José.............................................................................. Figura 18: Ponte Benedito Valadares................................................................. Figura 19: Rua do Comércio............................................................................... Figura 20: Congado de Nova Era......................................................................... Figura 21: Evolução demográfica do município .................................................. Figura 22: Mapa Econômico da Bacia do Rio Piracicaba..................................... Figura 23: Ferro Silício destinado à exportação................................................... Figura 24: Projeção das encostas........................................................................ Figura 25: Sede do Projeto Aimorés .................................................................... Figura 26: Estratégias utilizadas, objetivos e resultados alcançados ........................................
  5. 5. 5 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1: Taxa de Urbanização....................................................................... Gráfico 2: Distribuição da população novaerense........................................... Gráfico 3: Crescimento Populacional................................................................ Gráfico 4: Acesso da população a serviços básicos......................................... Gráfico 5: Acesso da população a bens de consumo........................................ Gráfico 6: Contribuição das Empresas por massa salarial ............................... Gráfico 7: Distribuição de salários em Nova Era................................................. Gráfico 8: Indicadores de renda, pobreza e desigualdade................................ Gráfico 9: Distribuição da população novaerense por faixa etária.................... Gráfico 10: Composição do PIB novaerense...................................................... Gráfico 11: Comparação da renda per capta novaerense....................................
  6. 6. 6 LISTA DE TABELAS Tabela 1: Ocupação do território em Nova Era..................................... Tabela 2: Nível Educacional da População Jovem.............................. Tabela 3: Nível Educacional da População Adulta (25 anos ou mais) Tabela 4: Indicadores de Renda, Pobreza e Desigualdade..................
  7. 7. 7 SUMÁRIO CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO............................................................................ 11 CAPÍTULO 2 REVISÃO DA LITERATURA .................................................... 14 2.1 Conceituando o Marketing e o Marketing de Lugares ................................ 14 2.2 Marketing Estratégico de Lugares .............................................................. 15 2.2.1 Pontos a considerar no planejamento estratégico de marketing............ 16 2.2.2 Estabelecendo os fatores de atratividade................................................ 18 2.2.3 Identificando as principais tendências...................................................... 18 2.2.4 Analisando as forças e fraquezas e identificando as oportunidades e ameaças ................................................................................................. 19 2.2.5 Questões mais relevantes, Visão e objetivos e Estratégia ...................... 20 2.3 Estratégias Amplas.................................................................................... 21 2.3.1 Estratégia de Marketing de Imagens........................................................ 21 2.3.1.1 Construindo a Imagem do Lugar........................................................... 22 2.3.2 Estratégia de Marketing de Atrações........................................................ 25 2.3.3 Estratégia de Infra-Estrutura..................................................................... 25 2.3.4 Estratégia de Marketing de Pessoas........................................................ 26 2.4 Abordagens de Desenvolvimento de Lugar............................................ 27 2.4.1 Desenvolvimento de serviços comunitários............................................. 27 2.4.2 Reforma e planejamento urbanos............................................................ 28 2.4.3 Desenvolvimento econômico................................................................... 28 2.4.4 Planejamento Estratégico de mercado..................................................... 28 2.5 Públicos-Alvo dos profissionais de Marketing de Lugares.................. 29 2.5.1 Visitantes.................................................................................................. 30 2.5.2 Moradores e trabalhadores....................................................................... 30 2.5.3 Comércio e indústria ............................................................................... 31 2.5.4 Mercados de Exportação......................................................................... 33 33 2.6 Participantes do Marketing de Lugares................................................... 2.6.1 Os participantes do Setor Público............................................................ 34 2.6.2 Os participantes do Setor Privado ........................................................... 35
  8. 8. 8 CAPÍTULO 3 DIAGNÓSTICO DO LUGAR...................................................... 38 3.1 Caracterização física ................................................................................... 38 3.1.1 Relevo e uso do solo................................................................................ 40 3.2 O passado................................................................................................... 41 3.2.1 O surgimento do Povoado....................................................................... 41 3.2.2 Séculos XVIII e XIX: no tempo das Fazendas......................................... 42 3.2.3 Ambiente histórico e cultural de Nova Era.............................................. 42 3.2.4 Século XX: Tempos da ferrovia, da siderurgia......................................... 43 3.2.5 A descoberta das esmeraldas na Mina de Capoeirana .......................... 45 3.3 O presente ................................................................................................... 46 3.3.1 Atrações arquitetônicas ............................................................................ 47 3.3.2 Atrações turísticas e culturais................................................................... 50 3.3.2.1 A hotelaria em Nova Era....................................................................... 51 3.3.3 Demografia............................................................................................... 52 3.3.3.1 População por Faixa etária.................................................................... 52 3.3.3.2 Crescimento populacional...................................................................... 53 3.3.3.3 Acesso a serviços básicos..................................................................... 54 3.3.3.4 Acesso a bens de consumo................................................................... 55 3.3.3.5 Ocupação e renda.................................................................................. 55 3.3.3.6 Indicadores de Renda, Pobreza e Desigualdade................................... 57 3.3.4 Economia.................................................................................................. 58 3.3.4.1 Prestação de Serviços........................................................................... 60 3.3.4.2 Atividades industriais............................................................................. 61 3.3.4.3 Atividades de agropecuária e extração mineral..................................... 62 3.3.5 Educação.................................................................................................. 62 3.3.6 Saúde........................................................................................................ 63 3.3.7 Qualidade de vida em Nova Era............................................................... 63 3.4 O Futuro: Século XXI - Novos investimentos............................................... 64 CAPITULO 4 RELATO DA PESQUISA DE CAMPO: APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS.................................................................................... 66 4.1 As entrevistas............................................................................................... 66 4.1.1 Habitabilidade........................................................................................... 67
  9. 9. 9 4.1.2 Vantagens comparativas........................................................................... 67 4.1.3 Cenário Econômico................................................................................... 69 4.1.4 Reflorestamento........................................................................................ 72 4.2 Visita ao Instituto Terra................................................................................ CAPÍTULO 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................... 5.1 Públicos-Alvo................................................................................................ 5.1.1 Público Atual - Empresas instaladas no município................................... 5.1.2 Público Atual – Cidadãos......................................................................... 5.1.3 Público Atual - Produtores rurais.............................................................. 5.1.4 Público Potencial - Novos moradores com alto nível de educação......... 5.1.5 Público Potencial - Empresas relacionadas à Indústria do Silício.......... 5.1.6 Público Potencial - Empresas da Indústria Metal-mecânica .................... 5.1.7 Cliente Potencial - Pessoas da terceira idade.......................................... 5.1.8 Cliente Potencial – Visitantes................................................................... 5.2 Projeção de Cenários................................................................................. 5.2.1 Cenário 1 – Desfavorável........................................................................ 5.2.2 Cenário 2 – Crescimento modesto............................................................ 5.2.3 Cenário 3 – Planejamento Estratégico de Marketing................................ CAPÍTULO 6 CONCLUSÃO ............................................................................ REFERÊNCIAS.................................................................................................
  10. 10. 10 INTRODUÇÃO A Revolução Industrial, no século XVIII, redefiniu completamente o modo de produção, criando novos padrões de vida e provocando êxodos dos campos em direção às cidades. No século XXI, a revolução da informação cria novas dinâmicas e acelera ainda mais o modo de produção. As novas tecnologias de telecomunicações possibilitam a troca de informações, em tempo real, de lugares tão distantes quanto o Brasil e o Japão. A diminuição nos custos de transporte, viabilizada pelos portos super-eficientes e pelo controle logístico on-line criam condições para a descentralização da produção em âmbito global. Um carro pode ter a sua carroceria feita com aço produzido em Minas Gerais, utilizar pneus feitos no México, ser equipado com um aparelho de som Made in China e receber os seus cabos elétricos de uma fábrica italiana – tudo isso sob o sistema Just-in-time, com níveis baixos de estoque. Ou ainda, o pedido de compra de um computador efetuado através da internet, no site de uma empresa americana, será encaminhado para a fábrica chinesa, que o enviará para o cliente através de uma empresa de transporte aéreo. A globalização impôs uma nova dinâmica ao comércio mundial, derrubando barreiras alfandegárias, estimulando as empresas a instalarem suas fábricas em locais onde existem vantagens de custo, resultando em várias regiões especializadas em diferentes indústrias. Esta nova realidade tornou obsoletas as políticas protecionistas, que pretendem manter as indústrias internas e os seus empregos, estabelecendo sobretaxas a produtos estrangeiros concorrentes. Diante deste novo contexto, os lugares precisam avaliar sua posição mantendo-se atentos às mudanças de cenários e elaborar estratégias para promover a sua prosperidade. Este estudo tem o propósito de fazer um diagnóstico do município de Nova Era sob a perspectiva de marketing de lugares e elaborar propostas que possam proporcionar uma melhoria na imagem do município diante de seus diversos públicos. A relevância desta pesquisa está na possibilidade concreta de demonstrar, através de pesquisa científica coerente com o pensamento de especialistas em
  11. 11. 11 marketing e negócios, que existem condições de transformar Nova Era num ambiente privilegiado em habitabilidade, aproveitando o seu potencial natural e atraindo pessoas qualificadas que buscam qualidade de vida interiorana. Para isso, procedeu-se a uma extensa pesquisa bibliográfica sobre marketing de lugares, amparada, principalmente, em Philip Kotler e seus seguidores como Keller, Gertner, Rein e Haider. A partir deste estudo, enveredou-se por ampla pesquisa documental nos arquivos da Prefeitura Municipal, no site do IBGE, e em obras produzidas sobre o município de Nova Era, com o propósito de fazer um diagnóstico mais preciso do lugar. Uma obra que ofereceu grande suporte foi um estudo produzido em 1985 pelo ex-Prefeito de Curitiba, Jaime Lerner, que, a convite da então Companhia Vale do Rio Doce, desenhou uma proposta arquitetônica para embelezamento e restauração da essência do lugar. Infelizmente, tal projeto ainda se encontra engavetado e poucas pessoas no município têm conhecimento de sua existência. Feito o estudo teórico e o diagnóstico do município, procedeu-se a uma pesquisa de campo que se deu em duas fases: a primeira constituiu-se de três entrevistas em profundidade com pessoas ligadas a Nova Era e com respeitável conhecimento sobre economia, marketing e negócios. O segundo momento, acatando proposta de um dos entrevistados, foi uma visita à Fazenda Bulcão, do Instituto Terra, no município de Aimorés – MG, onde foi possível ver o resultado de ações simples, porém constantes e sistemáticas que transformaram um lugar pela recuperação de seus valores naturais, favorecendo economicamente a centenas de pequenos produtores rurais. Esta monografia está organizada em seis capítulos. A este, que é introdutório, segue-se a revisão da literatura. Na seqüencia, o terceiro capítulo traz o diagnóstico do município e o quarto, por sua vez, relata a pesquisa de campo. No quinto capítulo são feitas algumas considerações finais e, finalmente, o sexto capítulo conclui todo o trabalho.
  12. 12. 12 2 REVISÃO DA LITERATURA 2.1 Conceituando o Marketing e o Marketing de Lugares Kotler (2006), considerado o pai do marketing, define o marketing como sendo “um processo social pelo qual indivíduos e grupos obtêm o que necessitam e desejam por meio da criação, da oferta e da livre troca de bens e serviços de valor com outros.” O estudioso (2006, p.50) acrescenta ainda que "um bom marketing é a arte de encontrar, desenvolver e lucrar a partir de oportunidades". Já o Marketing de Lugares, na concepção de Kotler et. al. (2006), consiste em utilizar ferramentas do marketing para enfrentar o desafio do crescimento no âmbito de lugares atraindo investimentos, moradores e visitantes, demonstrando como as comunidades e as regiões podem competir na economia global. Assim, os administradores devem cuidar de estabelecer uma estratégia clara que possa direcionar os seus esforços no sentido de criar uma oferta de valor que seja relevante para os seus públicos-alvo. A definição dos públicos-alvo é crucial para o sucesso do planejamento. Kotler et. al. (2006) observam que cada local enfrenta o desafio de entregar alguma coisa boa ou inusitada, que seja relevante para o comprador e que esteja acessível para a experimentação (promoção e distribuição). O mercado está apinhado de opções, milhares de cidades se oferecem para proporcionar um valor excepcional para o comprador. O lugar deve formular uma boa combinação de ofertas e benefícios, que sejam adequadas às expectativas de seus públicos-alvo. O marketing de lugares abrange basicamente quatro atividades: 1- Desenvolver um posicionamento e uma imagem fortes e atraentes; 2- Estabelecer incentivos atraentes para os atuais e possíveis compradores e usuários de seus bens e serviços; 3- Fornecer produtos e serviços locais de maneira eficiente; 4- Promover os valores e a imagem de local de uma maneira que os possíveis usuários conscientizem-se realmente de suas vantagens diferenciadas.
  13. 13. 13 2.2 Marketing Estratégico de Lugares Kotler et.al. (2006) afirmam que os lugares, se quiserem ter um bom posicionamento no mercado, devem fazer o que as empresas já fazem há muitos anos – um planejamento estratégico de mercado. As estratégias de promoção do desenvolvimento econômico evoluíram de uma abordagem de erros e acertos para uma postura mais inteligente, baseada em ofertas direcionadas para públicos específicos, conforme se vê na FIG. 1. Geração Objetivos Metodologia Justificativa de marketing Primeira geração: - Empregos na produção - Atrair fábricas de outras - Baixos custos operacionais Em busca da indústria pesada localidades - Subsídios governamentais Segunda geração: - Empregos na produção e na - Retenção e expansão das - Custos operacionais Definição do mercado-alvo prestação de serviços das empresas existentes competitivos indústrias-alvo em crescimento - Melhoria do treinamento - Adequação da comunidade lucrativo vocacional para as indústrias-alvo - Melhoria da infra-estrutura - Parcerias público-privadas - Boa qualidade de vida (ênfase física em recreação e no clima) Terceira geração: - Preparação da comunidade - Retenção e expansão das - Preparação para crescimento Desenvolvimento de produto para os empregos da década empresas existentes na economia mundial de 1990 e dos anos seguintes - Incentivo do contemporânea - Empregos na produção e na empreendedorismo e dos - Custos operacionais prestação de serviços de alta investimentos locais competitivos qualidade das indústrias-alvo - Recrutamento seletivo de - Recursos humanos e que continuarão crescendo no instalações de outras intelectuais adaptáveis à futura futuro localidades mudança - Seletividade, sofisticação e - Parceria público-privada mais - Boa qualidade de vida (ênfase objetivos-chave intensa no desenvolvimento cultural e - Desenvolvimento de recursos intelectual) de tecnologia - Melhoria da instrução comercial e técnica Figura 1 – Três gerações de planejamento estratégico Fonte: Kotler et.al. (2006, p.125) A primeira geração se concentrou em atrair empreendimentos da indústria pesada. A principal estratégia adotada era a oferta de pacotes de custos baixos - mão de obra barata e terra barata aliadas a certas isenções de impostos. Apesar de muitos lugares ainda utilizarem esta abordagem, muitas vezes os prejuízos à sociedade são maiores do que os ganhos. A segunda geração teve lugar nas décadas de 70 e 80, quando os lugares verificaram o surgimento de outros grupos-alvo nos esforços de planejamento. Os planejadores incrementaram suas atividades, passando da abordagem de erros e acertos para estratégias mais sofisticadas. Nesta fase buscou-se atender às
  14. 14. 14 expectativas e demandas das empresas existentes, propiciando a retenção e expansão de indústrias-alvo. Na década de 90, uma nova compreensão da economia global levou os lugares ao “conceito de desenvolvimento de nicho competitivo”. Os lugares começaram a se definir como distintos, oferecendo vantagens específicas para as indústrias-alvo. Conglomerados locais de indústrias afins foram estimulados. A qualidade de vida passou a ter maior importância e fatores como ambiente intelectual, receptividade e incentivo ao empreendedorismo se tornaram atrativos importantes. Em decorrência da grande concorrência por investimentos, os lugares estão se tornando mais profissionais e orientados para o mercado em suas estratégias de desenvolvimento econômico. 2.2.1 Pontos a considerar no planejamento estratégico de marketing Kotler et. al. (2006) apontam três tópicos fundamentais que um grupo de planejamento precisa considerar para que se obtenha sucesso num projeto de marketing de lugares. São eles: 1 - Definir e diagnosticar as condições da comunidade – forças e fraquezas, oportunidades e ameaças; 2 - Desenvolver uma estratégia para solucionar os problemas da comunidade sob uma visão de longo prazo baseada em avaliações realistas. Esta estratégia deve ser exclusiva e comercialmente viável e deve servir como base para que novos planejamentos sejam feitos de modo a agregar valor à comunidade; 3- Elaborar um plano de ação de longo prazo, com várias etapas intermediárias de investimento e transformação. Kotler destaca que um período de 10 a 15 anos serve como horizonte real para a maioria dos casos. Os autores salientam que o marketing estratégico de lugar envolve uma série de elementos, ilustrados na FIG. 2. Primeiramente o processo deve assegurar o fornecimento de serviços básicos e a manutenção de uma infra-estrutura satisfatória para os cidadãos, empresas e visitantes. Segundo, o local pode precisar de atrações para manter os negócios atuais e atrair novos investimentos, empresas e pessoas.
  15. 15. 15 Terceiro, a comunidade deve divulgar suas características e benefícios por meio de uma imagem e um programa de comunicação vigorosos. E finalmente, para que o lugar se torne hospitaleiro, é fundamental que conte com o apoio tanto dos governantes quanto das instituições, lideranças locais e toda a sociedade. O entusiasmo de todos contribuirá fortemente para atrair novas empresas e investimentos. Figura 2: Elementos do Marketing Estratégico de Lugar Fonte: Kotler et al. (2006) 2.2.2 Estabelecendo os fatores de atratividade Kotler et.al. (2006) ressaltam que as características do lugar devem ser conhecidas e combinadas. Para eles, o lugar deve analisar as suas características econômicas e demográficas, bem como qualificar seus aspectos de saúde, educação, qualidade de vida e atrativos naturais e buscar combinações que representem benefícios comercializáveis. Com criatividade, o grupo de planejamento pode, por exemplo, descobrir que os moradores idosos da região procuram lugares tranqüilos e acessíveis, lucrando com o atendimento a esse público.
  16. 16. 16 2.2.3 Identificando as principais tendências O planejamento estratégico de mercado é um processo de longo prazo, portanto é preciso considerar tendências e acontecimentos que podem afetar o lugar. Kotler et.al. (2006) apontam para algumas tendências: - Os lugares serão cada vez mais afetados por acontecimentos e mudanças globais. Por isso, eles precisam controlar ativamente e prever acontecimentos em outras partes do mundo; - De um lado, os cidadãos relutam em pagar os impostos e, de outro, os governos lidam com escassos recursos financeiros – os cidadãos precisam saber que os impostos serão bem empregados; - Forças e leis ambientais; - Área de tecnologia da informação em expansão. (Kotler et.al., 2006, p.131) É preciso ainda observar acontecimentos tais como as mudanças de estilo de vida, aumento da população de idosos, aumento da autonomia em níveis locais, integração entre as nações em blocos (América do Sul), entre outros. É importante avaliar o impacto dessas mudanças e adotar medidas proativas. 2.2.4 Analisando as forças e fraquezas e identificando as oportunidades e ameaças Além de catalogar as características do lugar, é preciso também classificá-las. Para Kotler et.al. (2006, p.134), o lugar precisa olhar para si sob uma perspectiva de fora para dentro e então “identificar quais de suas características representam uma força principal, uma força menor, um fator neutro, uma fraqueza menor ou uma fraqueza principal à luz do que investidores específicos estão buscando”. Para isso sugerem uma matriz, conforme mostra a FIG. 3.
  17. 17. 17 Força Força Fator Fraqueza Fraqueza Principal menor neutro menor principal Fatores Concretos Estabilidade econômica Produtividade Custos Conceito de propriedade Serviços e redes de apoio local Infra-estrutura de comunicação Localização estratégica Esquemas de incentivos Fatores abstratos Desenvolvimento de nicho Qualidade de vida Competências profissionais e de mão de obra Cultura Pessoal Gestão Flexibilidade e dinamismo Profissionalismo no contato com o mercado Empreendedorismo Figura 3 - Analisando as forças e fraquezas Fonte: Kotler et.al. (2006, p.135) A posição competitiva do lugar deve refletir dois conjuntos de condições: 1. Forças externas, que estão além das influências locais e regionais; 2. Características de localização que possam ser influenciadas por ações específicas. Os fatores de atração não têm a mesma importância para os vários grupos- alvo, portanto é importante que se avalie a importância e o desempenho atual de cada um dos fatores. Um lugar não precisa corrigir todas as suas fraquezas ou promover todas as suas forças. Tal afirmativa tem amparo nas palavras de Kotler et.al.: “O essencial é investigar profundamente quais forças e fraquezas afetam mais as percepções e o comportamento dos mercados-alvo”. A FIG. 4 ilustra este raciocínio.
  18. 18. 18 Figura 4 – Matriz da importância do desempenho Fonte, Kotler et.al. (2006, p.136) Após se inventariar as características do lugar, o próximo passo é identificar oportunidades e ameaças que o lugar enfrenta. Kotler et.al. definem oportunidade como “uma arena para a ação em que um lugar tem uma chance razoavelmente boa de alcançar uma vantagem competitiva”. Ao traçar um quadro das principais ameaças e oportunidades para um lugar, é possível categorizar sua atratividade global. 2.2.5 Questões mais relevantes, Visão e objetivos e Estratégia Não é fácil escolher entre os muitos projetos de valor agregado que podem ser imaginados. E, sem uma visão coerente, fica difícil definir as prioridades dos vários projetos. Kotler et.al. (2006, p.142) explicam que os objetivos são afirmações claras sobre o que o lugar quer realizar enquanto as metas acrescentam as magnitudes e o timing específicos a esses objetivos. Para os autores, uma visão será mais operacional se, por exemplo, o objetivo de „gerar mais empregos‟ for transformado na meta: “Antes de 2010, pelo menos sete novos empreendimentos deverão ser iniciados, criando 400 empregos e trazendo 800 novos moradores”.
  19. 19. 19 2.3 Estratégias Amplas 2.3.1 Estratégia de Marketing de Imagens A imagem de um lugar determina a forma como os cidadãos e as empresas reagirão ao lugar e, portanto, esse ativo deve ser gerenciado de forma estratégica. Kotler et. al. (2006, p. 182) definem a imagem como “um conjunto de atributos formado por crenças, idéias e impressões que as pessoas têm desse local”. Muitas vezes, como relatam Kotler et.al. (2006, p.183), os lugares lidam com estereótipos – “uma crença amplamente difundida, muitas vezes distorcida, simplista e profundamente arraigada”. Eles citam o caso da Colômbia, que apesar de ter uma história e herança cultural notáveis, é mais conhecida por suas lutas relacionadas às drogas. Nesse sentido, Gertner (2006) afirma que a imagem de um lugar é o resultado de suas inúmeras características geográficas, históricas e de seu patrimônio artístico, cultural, musical e dos costumes de seus cidadãos. O especialista ressalta, no entanto, que a imagem de um lugar pode ou não ser baseada na realidade e tende a persistir mesmo quando a realidade do lugar já se transformou. Gertner lembra que a imagem determina „atitudes e comportamentos‟1 em relação ao lugar. A atividade de marketing de lugares, sob a perspectiva de Gertner (2006), propõe que cidades, estados, países, etc. adotem as mesmas ferramentas de planejamento estratégico e de gerência de produto e marca que já há são utilizadas pelas empresas há algum tempo. Para se elaborar as estratégias de marketing, é necessário entender o „processo de compra‟ de investidores, turistas e etc. e desenvolver propostas de valor mais atraentes que aquelas de lugares concorrentes. A imagem é um conjunto de impressões e experiências não lineares acumuladas pelo sujeito durante o seu relacionamento com o objeto. Diante desta constatação, a marca será administrada de maneira a criar uma imagem forte e coerente. As partir da delimitação de públicos-alvo, deverão ser traçadas estratégias 1 As atitudes possuem uma dimensão cognitiva, qual seja baseada em idéias e crenças, uma dimensão afetiva, baseada em emoções, e uma dimensão comportamental, baseadas em experiências e ações.
  20. 20. 20 complementares com mensagens específicas para cada grupo de interesse. Kotler et.al (2006, p.182) postulam que “o lugar que pretende construir uma imagem atraente deve ajudar investidores, potenciais moradores e visitantes a descobrir essa imagem”. Para se administrar a imagem do lugar, Kotler et.al. sugerem que deve ser adotada a Gestão Estratégica da Imagem (GEI), que é um processo contínuo de pesquisar a imagem do lugar entre os vários públicos, segmentando-os e posicionando as atrações do lugar de forma a respaldar a imagem desejada e em seguida comunicando essas atrações aos públicos-alvo. 2.3.1.1 Construindo a Imagem do Lugar Para se construir a imagem de um lugar, Kotler et.al. (2006) recomendam que deve ser cuidadosamente elaborada uma mensagem que corresponda ao posicionamento real da comunidade. Em primeiro lugar devem ser escolhidos os segmentos de públicos cuja percepção se quer avaliar. Kotler et.al. mostram sete públicos amplos, que podem se interessar em viver, visitar ou investir no lugar: 1 Moradores: a maioria dos lugares quer atrair novos moradores para que possa aumentar a base de impostos da comunidade. Compreender como pensam os potenciais moradores é parte vital das informações estratégicas no marketing de lugares. 2 Visitantes: apenas alguns lugares muito populares não desejam aumentar o número de visitantes, mas é preciso conhecer as imagens que os visitantes têm de um lugar específico. 3 Gerências: os lugares querem saber o que os potenciais grupos-alvo gerenciais sabem e pensam sobre eles. 4 Investidores: os lugares podem querer atrair investidores, como construtoras e outros financiadores, que demonstrem confiança no futuro do lugar ao fazer empréstimos e investimentos generosos. 5 Empreendedores: pequenas empresas e empreendedores são importantes e os lugares precisam saber como eles vêem o local como comunidade para morar e trabalhar. 6 Investidores estrangeiros: produtos e serviços – mesmo no mercado global – podem estar ligados a um lugar específico. A imagem desse lugar pode agregar valor para investidores estrangeiros. 7 Especialistas em lugares: vários especialistas em lugares desempenham papéis importantes na equação destino-atração – tanto o papel de investidor quanto o de promotor de lugar. Um lugar precisa conhecer as opiniões desses especialistas. (Kotler et.al., 2006, p.186)
  21. 21. 21 Os autores acrescentam que após se determinar os públicos de interesse, devem ser aplicados os testes para medir a percepção de cada grupo. Após se compreender a atual imagem do lugar, os planejadores podem decidir qual imagem eles irão utilizar para convencer os diversos públicos-alvo. Para que a imagem escolhida seja bem sucedida, Kotler et.al. expõem cinco critérios que devem ser atendidos: 1 Ser válida: Se um lugar promove uma imagem que não corresponde à realidade, sua chance de sucesso é mínima. Por exemplo, quando a agência de promoção de Barbados promove o país como “Barbados, o paraíso do investivos, pode-se dizer que a imagem foi exagerada. 2 Ser crível: Ainda que seja válida, a imagem proposta pode não ser crível. Quando a Bahamas Investment Authority promove Bahamas como “A oportunidade de investimento perfeita”, isso pode até ser verdade. O problema é que os investidores podem não estar preparados para acreditar nessa mensagem. No longo prazo, a exaltação exagerada das qualidades do lugar pode ser perigosa. 3 Ser simples: Se um lugar divulga muitas imagens de si mesmo, isso pode gerar confusão. Sem elaborar nenhuma estratégia, a maioria dos lugares divulga qualquer imagem que pareça vagamente positiva. Nesse cenário não há prioridades e tudo acaba sendo promovido. Na melhor das hipóteses, o resultado é a confusão. 4 Ser atraente: A imagem deve sugerir por que as pessoas gostariam de morar, investir ou trabalhar no lugar ou por que gostariam de visitá-lo. O Chile explora seu desempenho nos rankings com relação a diferentes atributos, tais como estabilidade econômica, qualidade de vida, infra- estrutura, etc., para atrair visitantes com um apelo contundente, permanente. 5 Ser diferenciada: A imagem é mais eficaz quando é diferente de outros temas comuns. Existe um excesso de slogans como „Um lugar hospitaleiro‟, „Paraíso das Férias‟, ou „Melhor ambiente empresarial‟. Outras cidades e comunidades da ALC podem encontrar diversos espaços inovadores para explorar abordagens reais e diferenciadas. (Kotler et.al., 2006, p.190-191) Para se construir a imagem do lugar, Kotler et. al. (2006) sugerem três ferramentas úteis. São elas: 2.3.1.1.1 Slogans, temas e posicionamento Para Kotler et.al. (2006), um slogan é uma frase curta, abrangente, que incorpora a visão global de um lugar. Se forem integrados ao plano de marketing
  22. 22. 22 estratégico, os slogans podem gerar entusiasmo, motivação e idéias novas. Um bom slogan serve de base para que a imagem do local seja ampliada. Uma alternativa à utilização do slogan abrangente é explicar detalhadamente os temas para alavancar um programa de marketing dirigido a um público-alvo definido. Kotler et.al. (2006) enfatizam que os temas mais eficazes são “versáteis e flexíveis, mas baseados na realidade”. Os especialistas contam que o Instituto Costarriquense de Turismo (ICT) desenvolveu várias iniciativas a partir do tema “Não contém ingredientes artificiais”, que tinha a finalidade de atrair ecoturistas. Foram criadas várias ações com o objetivo de proteger os recursos naturais da Costa Rica, como as praias, a flora e a fauna. Outra ferramenta apresentada pelos autores é o posicionamento da imagem, que é o posicionamento do lugar “em termos regionais, nacionais e internacionais como um local para certos tipos de atividade ou como atração viável a outro que possa ter uma imagem mais forte ou mais estabelecida”. Algumas afirmações de posicionamento são exibidas na FIG. 5. Buenos Aires A Paris do Sul Chile A capital mundial do vinho de qualidade Guiana Onde o Caribe encontra a América do Sul Jamaica A capital do call Center Uruguai A Suíça das Américas São Paulo A melhor cidade da América Latina para se fazer negócios Figura 5: Afirmações de posicionamento de imagem Fonte: Kotler et.al., 2006, p. 194 2.3.1.1.2 Símbolos Visuais Kotler et.al. comentam que os símbolos visuais têm sido utilizados nas estratégias de marketing de lugares com bastante freqüência e a imagem deles fica gravada na mente das pessoas. O Pão de Açúcar é uma representação mental do Rio de Janeiro, e a Igreja de São Francisco de Assis é referência visual que traz à mente do expectador lembranças de seus conhecimentos alusivos à história, ao projetista, enfim, as informações sobre a cidade de Belo Horizonte.
  23. 23. 23 2.3.1.1.3. Eventos e realizações Kotler et.al. (2006) lembram que as imagens podem ser comunicadas por meio de eventos e realizações. Os autores relatam o caso de Viña Del Mar, no Chile, que há mais de 40 anos promove um festival de música internacional no esforço para se tornar um destino cultural e de entretenimento atraente. 2.3.2 Estratégia de Marketing de Atrações Alguns lugares são dotados de atrações naturais impressionantes – a beleza dos corais no Arquipélago de Fernando de Noronha ou as águas cristalinas de Bonito, no Mato Grosso do Sul. Outros lugares se beneficiam de um notável patrimônio histórico – Cuzco e Machu Picchu, no Peru, por exemplo. Outros ainda abrigam edifícios mundialmente famosos, como Brasília, a capital do Brasil. Uma estratégia muito comum para reforçar a atratividade de um lugar é a construção de centros de convenção gigantescos. Outro tipo de atração bastante utilizado é a conversão de uma área do centro da cidade em calçadão para pedestres. 2.3.3 Estratégia de Infra-Estrutura A infra-estrutura desempenha um papel importante em quase todo marketing de lugares. Kotler et.al. (2006) endossam que os investimentos nessa área não são apenas desejáveis, mas ainda ajudam a reduzir o desemprego e têm o apoio de instituições de desenvolvimento multilaterais. Ruas, rodovias e redes de telecomunicações são as melhorias mais freqüentes em infra-estrutura. Enfatizam ainda que a tecnologia da informação, área em franco crescimento, demanda importantes investimentos em infra-estrutura. O Chile, relatam os autores, possui diferentes redes de fibras que permitem a comunicação em alta velocidade com o resto do mundo.
  24. 24. 24 2.3.4 Estratégia de Marketing de Pessoas A quarta estratégia apontada por Kotler et.al. (2006) é promover o seu povo. Os teóricos demonstram cinco maneiras de fazer o marketing de pessoas: 1. Pessoas famosas [...] A associação de um rosto famoso a um lugar oferece um meio rápido e eficaz de criar um elo positivo. Por exemplo, Pelé é o jogador de futebol mais famoso do mundo e inexoravelmente associado ao Brasil. [...] Como tal, atletas, atores, músicos, escritores e pintores famosos podem servir de porta-vozes e promover suas pátrias e até mesmo o país de seus pais. 2. Líderes entusiasmados A fama pode se espalhar rapidamente para aqueles lugares que têm líderes empresariais e políticos habilidosos. Um exemplo desses líderes é Jaime Lerner, arquiteto e urbanista que por três vezes foi prefeito de Curitiba [...]. O projeto inovador de Lerner para equipamentos urbanos, os programas de transporte e as soluções engenhosas para problemas implacáveis, como coleta seletiva de lixo em bairros de baixa renda, têm sido replicados em todo o mundo. 3. Pessoas competentes O acesso a pessoas competentes pode ser um fator de forte atração no marketing de lugares da ALC [América Latina e Caribe]. Ao se decidir por um mix de indústrias, o lugar precisa atrair as pessoas qualificadas compatíveis a ele. A disponibilidade de pessoas competentes é um problema sério nas nações da ALC, a ponto de colocar em risco as perspectivas de crescimento sustentável e as carências podem ser especialmente acentuada nas economias com menor número de instituições de ensino superior. [...] 4. Pessoas com perfil empreendedor [...] O perfil empreendedor de um lugar pode ser sustentado de várias maneiras: patrocínio de programas educacionais especiais, incentivo a novas redes e marketing ativo do perfil de um lugar. Tal marketing pode fortalecer a identidade interna de um lugar e, ao mesmo tempo, atrair empreendedores e suas empresas. [...] 5. Pessoas que se mudaram para o lugar Uma abordagem que pode ser mais bem descrita como „fenômeno siga-me‟ é usada em muitos casos. Pessoas que se mudaram para determinado lugar conseguem gerar um atrativo. Vemos pelo menos três abordagens diferentes a esses perfis. Primeiro, podemos contar a história de toda uma família que se mudou para um lugar novo. Os membros da família descrevem suas experiências em sua nova cidade e a mensagem, em geral, gira em torno de uma melhor qualidade de vida. A segunda abordagem é concentrar-se em um determinado especialista, cientista ou empresário que decidiu se mudar para determinado lugar. Essas pessoas costumam ser citadas, e inúmeros atributos atraentes são mencionados. Terceiro, informações pessoais de uma pesquisa de opinião podem ser apresentadas para mostrar como as pessoas se sentem vivendo e trabalhando naquele lugar. Os atributos que mais lhes agradam são, então, resumidos. (Kotler et.al., 2006, p.80)
  25. 25. 25 Kotler et.al. (2006) lembram ainda que, além de fazer o marketing de pessoas específicas, o lugar precisa ainda incentivar os seus cidadãos a serem mais simpáticos e atenciosos com os visitantes e os novos moradores. 2.4 Abordagens de Desenvolvimento de Lugar Para Kotler et.al. (2006) existem quatro abordagens de desenvolvimento de lugares. Tais enfoques serão mostrados a seguir. 2.4.1 Desenvolvimento de serviços comunitários A idéia básica é criar um ambiente de alta qualidade para dois mercados: (a) cidadãos atuais, que moram e trabalham na comunidade; b) potenciais cidadãos (compradores externos). A criação de serviços comunitários implica em boas escolas, serviços de saúde adequados, creches, serviços administrativos acessíveis e outros serviços que contribuam para a qualidade de vida da comunidade. Ao mesmo tempo em que os serviços devem apresentar bom desempenho, o custo deles não deve ser superior ao que os cidadãos e compradores estão dispostos a pagar. Portanto, as comunidades devem buscar métodos inovadores de prestar bons serviços públicos a custos razoáveis. 2.4.2 Reforma e planejamento urbanos A reforma e o planejamento urbanos se concentram em melhorar o design de um lugar – a arquitetura, os espaços abertos, o layout das ruas, as áreas de pedestres, a limpeza, o transporte e a qualidade do meio ambiente.
  26. 26. 26 2.4.3 Desenvolvimento econômico Profissionais do setor econômico com a ajuda de agências de financiamento multilateral, como o Banco Mundial e o BID, dedicam-se a ajudar o lugar a melhorar sua competitividade. Eles analisam os pontos fortes e fracos, as oportunidades e ameaças, e então propõem vários projetos. 2.4.4 Planejamento Estratégico de mercado A primeira tarefa da equipe responsável é compreender profundamente porque a comunidade é como é. Fatores de atração objetivos e subjetivos precisam ser analisados em um contexto comparativo. A equipe deve procurar separar esses fatores em forças e fraquezas competitivas e, depois, fazer um acompanhamento e relacioná-los a oportunidades e ameaças, fornecendo, portanto, a base para visões e objetivos. O planejamento estratégico de mercado pressupõe que o futuro é bastante incerto, mas pode ser influenciado por ações e planos estratégicos. 2.5 Públicos-Alvo dos profissionais de Marketing de Lugares Os lugares têm a vontade de aumentar a sua base de impostos e, para isso, é interessante atrair pessoas e investimentos que contribuam para o emprego sustentável e que agreguem valor à base de impostos local. Desta maneira deve-se distinguir as pessoas e negócios que valem a pena ser atraídos daqueles que devem ser evitados ou não estimulados. Os principais públicos-alvo dos profissionais de marketing de lugares são os Visitantes (empresariais ou turismo); Moradores ou Trabalhadores; Comércio ou Indústria; e Mercados de Exportação.
  27. 27. 27 A FIG.6 expõe os principais públicos-alvo: 1. Visitantes Visitantes a negócios (participando de uma reunião ou convenção, visitando uma fábrica ou vindo comprar ou vender algo) Visitantes a passeio (turistas) 2. Moradores e Trabalhadores Pessoas de alto poder aquisitivo Investidores Empreendedores Trabalhadores não-qualificados Cidadãos idosos e aposentados 3. Comércio e Indústria Indústria Pesada Indústria „Clean‟ (montagem, alta tecnologia, empresas prestadoras de serviço, etc) Empreendedores 4. Mercados de Exportação Outras localidades dentro dos mercados regionais Mercados internacionais Figura 6: Os quatro principais públicos alvo Fonte: Kotler et.al, 2006, p.53 2.5.1 Visitantes Kotler et.al. relatam que o mercado de Viagens e Turismo (V&T) se expandiu mundialmente nas últimas décadas. Segundo os autores, estima-se que a atividade continuará a crescer e as moedas depreciadas da América Latina estimularão as viagens intra-regionais e o turismo de europeus e norte-americanos. O mercado de visitantes, para Kotler et.al. (2006), é constituído por dois grandes grupos: visitantes a negócios e turistas. Os primeiros se congregam em um lugar para participar de uma reunião ou convenção, para inspecionar o local ou para comprar ou vender algo. Já os turistas são aqueles que têm como objetivo conhecer
  28. 28. 28 o lugar ou visitar a família ou os amigos. Nesses dois grupos existem importantes subgrupos que apresentam características distintas e devem ser segmentados. Muitas vezes, no entanto, a segmentação recebe pouca atenção e as ofertas (mala direta, e-mails, etc) são enviadas indistintamente. Para obter o máximo retorno, é necessário que os profissionais de marketing façam uma análise cuidadosa das necessidades e diferenças de mercado e criem uma oferta de marketing sistemática, e com o prazo suficiente para estimular e desenvolver atributos naturais e potenciais do local. 2.5.2 Moradores e trabalhadores Kotler et.al. (2006) relatam que no passado os países desenvolvidos buscavam mão de obra barata nos países menos desenvolvidos e a educação não era priorizada. Hoje, no entanto, as coisas mudaram. Há falta de trabalhadores especializados e a procura por engenheiros, pesquisadores, inventores e cidadãos ricos e saudáveis que paguem impostos tornou-se importante. Os autores enfatizam ainda que os lugares que “compreendem a importância de atrair talentos, investem em pessoas jovens e brilhantes em busca de educação do mais alto nível, e oferecem bolsas de estudo em suas instituições”. Outros lugares patrocinam a educação de seus habitantes em instituições renomadas de outras localidades, exigindo ou esperando que eles voltem após concluírem o treinamento. Kotler et.al. (2006, p.61) expõem ainda ou outra abordagem para atrair moradores ou prováveis investidores. “Um guia norte-americano de promoção de cidades pequenas resume essa estratégia perguntando: „Você está farto da vida na cidade grande? Quer começar vida nova em um lugar com ar puro, ruas seguras, boas escolas e vizinhos hospitaleiros? Em caso afirmativo, veja aqui cem pequenas cidades tipicamente norte-americanas onde você pode realizar seu sonho!”.
  29. 29. 29 2.5.3 Comércio e indústria Kotler et.al. (2006, p. 61) afirmam que este público é o mais concorrido atualmente. As cidades procuram atrair estes públicos como resposta aos altos índices de desemprego que se verifica na América Latina atualmente. Como resultado da abundância de ofertas, os comércios e indústrias estão se profissionalizando na busca e seleção do lugar certo. Em conseqüência disso, estão surgindo consultorias que prestam serviços de criação de estratégias de lugar, avaliação do mercado de trabalho, comparações dos custos e das condições operacionais, comparações dos impostos, entre outros. Kotler et.al. (2006) apresentam algumas ferramentas que são usadas pelos lugares para atender às necessidades das empresas que desejam investir: Seminários de Investimentos, Eventos Promocionais em mercados de alta prioridade ou Agências de Desenvolvimento que disponibilizam as informações para os interessados. No entanto, antes de se investir na atração dos públicos-alvo, Kotler et.al. (2006) lembram que os profissionais de marketing de lugares devem conhecer os critérios que as empresas levam em consideração ao decidir-se sobre a realização de um investimento. Segundo a lógica dos autores, os compradores classificam os lugares como potenciais depois de analisar os fatores que definem seu clima empresarial. Estes indicadores são chamados „fatores de atração‟ e são divididos em „concretos‟ e „abstratos‟. Os fatores concretos podem ser medidos em termos mais objetivos, enquanto os fatores abstratos não são tão fáceis de medir e representam características mais subjetivas do lugar, conforme resume a FIG. 7. Fatores concretos Fatores abstratos Estabilidade econômica Criação de nichos Produtividade Qualidade de vida Custos Competências profissionais e de mão de obra Conceito de propriedade Cultura Serviços e redes de apoio local Relacionamentos pessoais Infra-estrutura de comunicação Estilo de gestão Localização estratégica Flexibilidade e dinamismo Esquemas e programas de incentivo Profissionalismo no contato com o mercado Empreendedorismo Figura 7: Fatores de atração concretos e abstratos Fonte: Kotler et.al, 2006, p.63
  30. 30. 30 Kotler et.al. (2006) sugerem três atitudes que os lugares precisam ter para sustentar e fortalecer e fortalecer sua base econômica:  Primeiro, o lugar precisa reter seus negócios atuais ou pelo menos os favoritos e para isso precisa manter um diálogo regular com as suas empresas;  Em seguida devem elaborar planos e serviços para ajudar as empresas existentes a se expandir. “Quando vendem mais produtos e serviços a mercados mais distantes, as empresas produzem mais renda e empregos para a economia local”;  Terceiro, o lugar precisa facilitar a abertura de novos negócios. Existem inúmeros programas para incentivar as pequenas e médias empresas (PMEs): treinamento e assessoria a empreendedores; concessão de empréstimos; promoção de centros de pesquisa; aproximação de investidores de risco e empreendedores; etc.  Por último, o lugar precisa atrair projetos de desenvolvimento pertinentes, pois a interação de negócios complementares gera contatos valiosos e vantagens comerciais. 2.5.4 Mercados de Exportação Para Kotler et.al. (2006, p.68), a expansão do mercado de exportação é a “capacidade de uma cidade ou região de produzir mais bens e serviços que outras pessoas e empresas querem comprar”. As estratégias de exportação nos lugares emergentes são utilizadas para criar empregos, promover o crescimento e amenizar a pobreza.
  31. 31. 31 2.6 Participantes do Marketing de Lugares Kotler et.al. lembram que a estratégia de marketing de lugares começa pelo impulso de pessoas que enxergam oportunidades em termos globais e procuram desenvolvê-las localmente. Na FIG. 8 são listados os participantes mais ativos do esforço de Marketing de Lugares: 1. Participantes do Setor Público 1- Prefeito da cidade 2- Departamento de desenvolvimento empresarial na comunidade 3- Departamento de planejamento urbano da comunidade (transporte, educação, saneamento etc.) 4- Departamento e turismo 5- Departamento de convenções 6- Departamento de informações públicas 2. Participantes do Setor Privado 1- Cidadãos 2- Empresas líderes 3- Imobiliárias e incorporadoras 4- Instituições Financeiras (bancos e seguradoras) 5- Empresas de eletricidade, gás e telecomunicações 6- Câmaras de comércio e outras organizações empresariais 7- Setor de receptivo e varejista (hotéis, restaurantes, lojas de departamentos e outros varejistas, centros de exposição e convenções) 8- Agências de viagens 9- Organizações do mercado de trabalho 10- Arquitetos 11- Empresas de transporte (táxi, ônibus, trem, avião) 12- Mídia (jornal, rádio, TV) 3. Participantes regionais 1- Agências de desenvolvimento econômico 2- Governos municipal e estadual 3- Conselhos regionais de turismo 4. Participantes nacionais 1- Chefes de governo 2- Agências de investimento interno 3- Conselhos nacionais de turismo Participantes internacionais 1- Embaixadas e consulados 2- Agências de investimentos internos 3- Agências de desenvolvimento econômico especificamente ligadas a uma região ou cidade 4- Empreendimentos internacionais com elos com determinado lugar Figura 8: Participantes do Marketing de Lugares Fonte: Kotler et.al. (2006)
  32. 32. 32 2.6.1 Os participantes do Setor Público Em lugar de concentrar recursos na „distribuição de riquezas‟, os políticos devem se empenhar em gerar riquezas‟. Kotler et.al. afirmam que a „engenharia do crescimento‟ pode ser aprendida – “existe o benchmarking de estratégias locais para o crescimento. Os membros de uma comunidade visitam comunidades bem- sucedidas para aprender sobre o marketing estratégico de lugares”. Os administradores de cidades e outras autoridades políticas podem atuar como catalisadores da criação de um ambiente de negócios renovado. As habilidades de liderança, o talento e a capacidade de elaborar estratégias de longo prazo. 2.6.2 Os participantes do Setor Privado Para se desenvolver a „engenharia do crescimento‟, o lugar precisa contar com o consentimento e a participação ativa das organizações e dos cidadãos. O „orgulho do local‟ por parte da comunidade é evidente nos exemplos de Kotler et.al.: [A criação do orgulho] é um elemento básico na estratégia de marketing e pode ser aplicado ao engajamento da comunidade em grandes eventos como os jogos olímpicos, campeonatos mundiais, Dia da Independência, celebrações estaduais e municipais, festivais ou exposições internacionais. Quem já assistiu a um Grande Prêmio de Fórmula 1 em São Paulo ou testemunhou um desfile de escola de samba no Rio de Janeiro compreende o que significa despertar o orgulho na prática. Hoje a ALC está apinhada de lugares onde megaeventos desencadeiam a energia coletiva. (Kotler et.al., 2006, p. 85) Além do o orgulho de eventos de classe mundial, os membros da comunidade devem conhecer e se orgulhar de instituições que representem perfis diferenciados: escolas de qualidade, parques científicos com empresas empreendedoras associadas ou empresas lucrativas com produtos diferenciados ou uma história bem sucedida. A proposta de valor comercializável e o tema devem ser amplamente divulgados e aceitos por seus cidadãos.
  33. 33. 33 As empresas líderes são o segundo público do setor privado que devem ser focados na „criação do orgulho‟. São principalmente os bancos, imobiliárias, empresas de energia e telecomunicações, que sabem da importância da identificação com o local para o crescimento de seus negócios. No processo de melhoria do lugar estes serão atores bastante relevantes e cada vez mais estão abertos à cooperação. Os esforços dos empresários como „bons cidadãos‟ contribuem para conseguir a simpatia das comunidades e dos consumidores. As „instituições financeiras‟ atuam ativamente no desenvolvimento econômico local e regional e pretendem atender à comunidade por um longo período. Se o lugar crescer, a empresa também crescerá. As „imobiliárias‟ não apenas vendem e desenvolvem propriedades, mas também participam de esforços para melhorar o perfil de toda uma cidade. As „empresas de energia e telecomunicações‟ estão passando por um processo de abertura de mercado e agora estão adotando estratégias mais sutis de concorrência. O investimento em marketing está crescendo. As „câmaras de comércio e outras associações empresariais‟ podem oferecer grande apoio e representam uma boa possibilidade de interação no desenvolvimento econômico do lugar. Possibilitam o diálogo e parcerias entre os planejadores de marketing e os associados. Os „setores de receptivo‟ (hotéis, restaurantes, varejistas, centros de convenção, etc) também devem perceber que o seu sucesso depende da imagem local. Como são os funcionários destas empresas que dão aos visitantes a primeira e última impressão do lugar, é essencial que sejam bons comunicadores e que tenham uma atitude simpática. Os „arquitetos‟ podem também ajudar a criar e promover uma imagem de lugar, já que o estilo e o design definem as atitudes predominantes do local. Estes profissionais estão cada vez mais empenhados em interpretar o caráter especial de um lugar, restaurando mercados, restaurando a glória original ou criando espaços de convivência agradáveis. As „empresas de transporte‟ muitas vezes dão a primeira impressão sobre o lugar. Utilizar diferentes empresas significa comparar serviço e competência dos funcionários. Os terminais de embarque e desembarque também podem ser utilizados como „portão de entrada‟ para o Marketing de Lugares.
  34. 34. 34 3 DIAGNÓSTICO DO LUGAR 3.1 Caracterização física Nova Era é uma pequena cidade interiorana de quase 18 mil habitantes. Trata-se de uma cidade tradicional, situada a uma altitude de 526m. O clima é ameno na maior parte do ano variando entre 27ºC a 28ºC, de acordo com o Atlas Escolar e Mpva Era (2005). No inverno o tempo é seco e frio, e o mês de julho raramente chega a ficar com a temperatura abaixo de 12ºC.O município possui abundantes recursos naturais. O mesmo documento relata que o município tem uma área de 364 Km 2, sendo que 30% é ocupado por matas nativas. Um dos mais importantes elementos naturais no processo de ocupação de uma região é o seu relevo. Em torno de 70% do município de Nova Era se apresenta como montanhoso, cerca de 25 % é ondulado e apenas 5% é plano. Nova Era, Antônio Dias e Itabira se constituem nos municípios de relevo mais acidentado de toda a bacia do Rio Piracicaba. O município está localizado no centro do Quadrilátero Ferrífero, abundante em recursos minerais. A história de Nova Era foi bastante influenciada pelos empreendimentos de mineração e siderurgia na região, que deram bases para o desenvolvimento econômico das cidades vizinhas. Esta região tem início a poucos quilômetros de Belo Horizonte e se estende a leste, no sentido Vale do Aço, abrangendo Itabira a micro-região de Itabira e várias cidades próximas a Ouro Preto. O município está localizado na região central do estado de Minas Gerais, distante 140 km da capital Belo Horizonte e 80 km do Vale do Aço.
  35. 35. 35 CIDADE RODOVIA DISTÂNCIAS Belo Horizonte BR 381 140 Km João Monlevade BR 381 18 Km Itabira BR 120 35 km Reg. Met. Vale do Aço BR 381 60 km Vitória (ES) BR 262 510 km São Paulo BR 381 723 km Rio de Janeiro BR 040 572 km Brasília BR 381 886 km Figura 9: Distâncias de Nova Era aos principais centros econômicos Fonte: GUERRA, 2005. Nova Era tem uma localização geográfica estratégica, já que se interliga a importantes regiões e metrópoles através de farta malha viária, tanto ferroviária, como rodoviária e aérea. O QUÊ VIA DISTÂNCIA Ligação ferroviária com o porto de Estrada de Ferro Vitória- Minas (EFVM) 3 km Vitória (Vale) Ligação rodoviária com o porto de Rodovia BR 262 15 km Vitória; Ligação com o Rio de Janeiro e Rodovia BR 116 110 km Nordeste; Ligação com São Paulo BR 381 0 km Ligação com a Zona da Mata e o BR-120 0 km norte de Minas Aeroporto BR 381 75 km de Ipatinga Aeroporto Internacional BR 381 150 km de Confins Figura 10: Distâncias de Nova Era por vias de acesso Fonte: GUERRA, 2005. 3.1.1 Relevo e uso do solo Outro aspecto que merece destaque são os diferentes tipos de solos presentes na região e município (ora arenosos, ora argilosos e, portanto, com menor ou maior capacidade de reter a água das chuvas). Os solos arenosos, o relevo muito acidentado e o manejo inadequado das terras (o mau uso dos solos, com a retirada indiscriminada da vegetação e a utilização das queimadas) reúnem condições que favorecem e aceleram o silencioso processo de erosão, que ocorre na região há décadas. A retirada das matas de topo
  36. 36. 36 e das matas ciliares facilita muito o trabalho das enxurradas de carregar as partículas de solos para as partes mais baixas dos terrenos. A principal conseqüência é o assoreamento dos cursos d‟água. Tabela 1 - Ocupação do território em Nova Era PERCENTUAL DO OCUPAÇÃO ÁREA ( hectare) TERRITÓRIO Pastagens (braquiária e outras) 12.523 34% Matas (capoeira, capoeirão e remanescentes de Mata Atlântica) 11.000 30% Eucalipto 6.764 18% Outros (área urbana, distritos, rios, lagos, áreas industriais, 4.844 15% áreas de preservação, etc) Culturas (milho, feijão, cana de açúcar, arroz, banana,etc) 1000 3% TOTAL: 36.131 100% Fonte: Emater / IBGE, 2000. Uma comparação dos dados dos Censos Agropecuários do IBGE de 1970, 1975, 1980, 1985, 1991 (pesquisa municipal) e aqueles da Tabela 1 acima mostram que vem ocorrendo um crescimento contínuo e significativo das áreas de pastagens e também de eucalipto no município de Nova Era. Por outro lado, a área total coberta com lavouras vem diminuindo, sensivelmente. As matas nativas geralmente ocorrem em áreas de topografia muito acidentada, de difícil acesso para desenvolver uma atividade econômica e têm presença mais significativa nas direções sudeste e noroeste do sudeste e noroeste do município de Nova Era. 3.2 O passado 3.2.1 O surgimento do Povoado O pequeno arraial surgiu em 1703, em decorrência da passagem de bandeirantes paulistas seguidores de Fernão Dias se defrontaram com uma lagoa e ali se estabeleceram. Eram comuns nesta época as expedições pelo interior,
  37. 37. 37 motivadas pela descoberta de fartas minas de ouro na região de Ouro Preto. Os bandeirantes fundaram o arraial e o batizaram como “São José da Lagoa”, já que, dita a história que eles aqui chegaram em 19 de março, dia consagrado a esse Santo. A formação da vila se deveu à descoberta de ouro no Rio Piracicaba. Naquele início o povoado contava com apenas algumas dezenas de habitantes fixos, que cuidavam do comércio, do garimpo e de outros ofícios. O arraial se constituiu em importante pólo aurífero durante o histórico ciclo do ouro. Os historiadores estimam que as minas brasileiras produziam cerca de 50% de todo o ouro do mundo, porém, mais de 30% dele era contrabandeado. Com a descoberta das minas proliferaram-se os garimpos e foram surgindo novas plantações e formados os rebanhos de animais (gado e tropa de burros). A criação de animais era importante no transporte de mercadorias entre os arraiais, quase sempre distantes uns dos outros. 3.2.2 Séculos XVIII e XIX: no tempo das Fazendas Após a exaustão do ouro, seguiu-se um aumento na produção agro-pecuária nas fazendas, seguindo. Iniciou-se então a efetiva ocupação das terras com o aparecimento das primeiras grandes fazendas. Por volta de 1715, a primeira grande fazenda da Bacia do Rio Piracicaba, foi a Fazenda Rio de Peixe, conforme ilustração a seguir. Figura 11: Fazenda do Rio de Peixe Fonte: GUERRA, 2005, p. 12
  38. 38. 38 Os descendentes das famílias que foram se estabelecendo no arraial foram construindo outras fazendas como: Laranjeira do Rio de Peixe, Barra do Ribeirão das Cobras, Figueira que, por sua vez,deram origem a dezenas de outras, nas décadas seguintes. As fazendas tinham vida própria. Nelas produzia-se de tudo: cereais, café, cana de açúcar, rapadura, cachaça, etc. Festas, missas, casamentos eram realizados nas fazendas. Os fazendeiros e seus parentes compravam sal e querosene. Na época, dois símbolos eram muito fortes: a Igreja da Matriz de São José e o Rio Piracicaba, que ainda hoje testemunham a história local. 3.2.3 Ambiente histórico e cultural de Nova Era Em 1832, São José da Lagoa passou a subordinar-se à freguesia de Antônio Dias. Em 1846, criou-se a 1ª Escola Pública oficial do povoado. Em 1848, foi criado o distrito de São José da Lagoa, que recebeu sua paróquia e o Padre João Álvares Martins da Costa. Figura 12: Carnaval de Rua em 1923 Fonte: Pesquisa documental, PMNE, 2008 Em 13 de dezembro de 1938, o progressista povoado de São José da Lagoa foi elevado à categoria de município com o nome de Presidente Vargas, em homenagem ao então Presidente da República. Em 1942, o nome do município foi mudado para Nova Era, pela crença na perspectiva de grande desenvolvimento econômico e social da região.
  39. 39. 39 Em meados do século XIX, quando algumas fazendas estavam no auge de sua produção, arranjou-se uma nova indústria na cidade – a produção de chapéu de palha. Durante longo período esta atividade teve significativa importância para a geração de renda para o povoado e até os dias atuais é uma atividade cultuada como valor artesanal e cultural do município. 3.2.4 Século XX: Tempos da ferrovia, da siderurgia Em 1930 houve um surto de desenvolvimento por ocorrência da construção da Estrada de Ferro Vitória Minas, que possibilitava o escoamento do minério para os mercados internacionais através do Porto de Tubarão, em Vitória. A cidade se tornou então um importante entreposto comercial para esta região. Figura 13: Estação Ferroviária Fonte: GUERRA, 2005 A Estrada de Ferro Vitória-Minas (EFVM) foi a grande desbravadora e a principal referência no desenvolvimento de toda a região leste de Minas. A EFVM foi o eixo em torno do qual se estabeleceu a ocupação do grande “vazio verde” e o maior complexo siderúrgico da América Latina. Na cidade de Nova Era está a estação Desembargador Drumond, que recebe diversos passageiros que utilizam a viagem ferroviária como uma forma alternativa de transporte. Como o município de Nova Era está localizado na Bacia do Rio Piracicaba, região central de Minas Gerais, usufrui da sua grande importância econômica, pois nela estão localizadas jazidas de minério de ferro da Companhia Vale do Rio Doce
  40. 40. 40 (CVRD) – atual Vale - e grandes siderúrgicas: Acesita e Belgo Mineira (hoje duas unidades da ArcelorMittal (em Timóteo e em João Monlevade) e a Usiminas (em Ipatinga). Mais tarde, em 1970, foi inaugurada uma fábrica de celulose em Belo Oriente (a 90 km, próxima ao Vale do Aço) e, desde então, a CENIBRA adquiriu grandes porções de terra para o cultivo de eucalipto. Ainda na década de 70 havia um empreendimento de exploração mineral na localidade de Piçarrão que, após esgotamento do minério, foi convertida em uma indústria de ferro silício, a Eletrovale, posteriormente chamada Nova Era Silicon. A presença de tais empreendimentos e o subsequente desenvolvimento da infra-estrutura logística para escoamento da produção, determinou o desenvolvimento de toda a região. A estrada de ferro Vitória Minas representou a possibilidade econômica de entregar o minério de Itabira em mercados tão distantes quanto o Japão. A crescente demanda pelo ferro deu fôlego à Companhia Vale do Rio Doce (atual Vale) para se tornar um importante player global, a segunda maior mineradora do mundo. 3.2.5 A descoberta das esmeraldas na Mina de Capoeirana Em 1988, na localidade de Capoeirana, teve efeito uma descoberta que iria afetar profundamente o destino da pacata cidade. Havia tempos que algumas pessoas se ocupavam da busca por pedras preciosas naquela região, mas foi em 1988 que se encontrou boa quantidade de pedras brilhantes aflorando na terra, como esmeraldas e águas marinhas. A notícia se espalhou rapidamente e, no dia seguinte 800 garimpeiros ocuparam aquela área em busca das cobiçadas esmeraldas. As pedras ali encontradas são de cor verde-amarelada, com boas condições de formação, o que a coloca em posição de destaque no mercado mundial. Pedras de qualidade similar são encontradas em raras regiões no globo. E no Brasil, as pedras encontradas em Nova Era são as melhores e mais abundantes.
  41. 41. 41 Figura 14: Garimpo de Capoeirana em 1988 Fonte: Emeralds Around The World, 1992 Desde então, a cidade atrai turistas de todo o mundo, pela beleza das pedras preciosas. Ali naquela localidade se formou rapidamente um vilarejo e os efeitos da descoberta não tardaram a afetar a cidade. Hoje, apesar de parte da comunidade novaerense reconhecer que o garimpo contribui para dinamizar a economia municipal, há muitas críticas ao seu caráter informal e seu custo social. Outra parcela menor da comunidade defende a possibilidade de reorganização do garimpo e a implantação de um programa de qualificação de mão de obra em design, lapidação e ourivesaria visando beneficiar e industrializar a produção, o que poderia criar um pólo de pedras preciosas, agregando valor à cadeia produtiva local. 3.3 O presente Nova Era é um município muito rico em bens culturais, fazendo parte hoje do Circuito do Ouro e sendo membro da Associação das Cidades Históricas de Minas Gerais. Infelizmente, parte do seu patrimônio histórico-cultural encontra-se em estado de conservação precário. É curioso observar que os bens culturais de Nova Era são pouco divulgados e valorizados, inclusive na própria cidade. Entre eles merecem destaque:  Conjunto arquitetônico e paisagístico da Praça da Matriz de São José (tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional);
  42. 42. 42  Fazenda da Vargem;  CEAM - Lagoa São José;  Gruta São José;  Ponte Benedito Valadares;  Corporação Musical Euterpe Lagoana ;  Grupos de Congadas Reinado Nossa Senhora do Rosário;  Festa de São José Padroeiro;  Calçamento de paralelepípedo da Rua Governador Valadares;  Prédio da antiga Estação Ferroviária. 3.3.1 Atrações arquitetônicas 3.3.1.1 Praça da Matriz A Igreja da Matriz foi tombada, individualmente, em 1953, pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). O Conjunto paisagístico e arquitetônico da Praça da Matriz foi tombado em 1973. A Praça da Matriz é o mais importante cenário das tradicionais manifestações populares, como a Festa do Padroeiro, em 19 de março, feriado municipal. Este é o maior evento popular do município e uma manifestação forte de sua religiosidade. Cabe observar que, desde a década de 90, a Igreja da Matriz vem sendo cuidada por um movimento comunitário ligado à Igreja Católica, que tem como uma de suas peças mais importantes, “o pastel da 4ª feira”. Organizado pela comunidade local em bases voluntárias, a venda dos pastéis e as barraquinhas montadas toda 4a feira depois da missa das 19 horas, vem garantindo a continuidade dos vários trabalhos de restauração da Igreja.
  43. 43. 43 Figura 15: Igreja Matriz São José Fonte: Pesquisa documental, PMNE, 2008 3.3.1.2 Fazenda da Vargem Figura 16: Fazenda da Vargem Fonte: Pesquisa documental, PMNE, 2008 3.3.1.3 Centro Educacional e Ambiental Lagoa São José Com uma área de cerca de 12 hectares, o Centro Educacional e Ambiental Lagoa São José (CEALSJ) foi inaugurado em agosto de 2003, fruto de uma parceria entre a Prefeitura Municipal de Nova Era e a empresa CENIBRA. Seu objetivo é ser um centro de lazer e recreação, unidade de conservação e educação ambiental para
  44. 44. 44 a população de Nova Era. Ele pode também funcionar como um elemento incentivador das ações de preservação ambiental no município. Em maio de 2004, através de decreto do Prefeito Municipal, foi criado o Conselho Gestor do CEALSJ, que é formado por 13 pessoas, 6 representando órgãos governamentais, 6 a sociedade civil organizada e 1 a CENIBRA. Cabe ao Conselho Gestor participar da elaboração e aprovar o planejamento das atividades do Centro, como também zelar pela sua boa organização, funcionamento e manutenção. No CEALSJ, que é uma área de proteção ambiental municipal, foi também implantado pela PMNE um Viveiro de Mudas Ornamentais, que fornecerá espécies dessas árvores para a manutenção de praças e jardins da cidade. Em janeiro de 2005, o Centro foi totalmente equipado através de doação pela empresa CENIBRA de cadeiras, mesas, telões, equipamentos eletrônicos, enfim, todo o aparato necessário ao seu pleno funcionamento. O Centro Educacional e Ambiental Lagoa São José já está muito bem estruturado e equipado. Entretanto, sua instalação não garante que o mesmo vá exercer o papel de incentivar, agregar e reunir pessoas e somar esforços de instituições na preservação ambiental em Nova Era. Se ele não for aproveitado de forma objetiva, planejada e profissional será uma grande oportunidade perdida pela cidade. A empresa CENIBRA já manifestou sua preocupação com a correta utilização do Centro, uma vez que se tornou sua tutora, através de investimentos significativos ali realizados. Figura 17: A Lagoa São José Fonte: Pesquisa documental, PMNE, 2008.
  45. 45. 45 Figura 18: Ponte Benedito Valadares Fonte: Pesquisa documental, PMNE, 2008. Figura 19: Rua do Comércio Fonte: Pesquisa documental, PMNE, 2008 3.3.2 Atrações turísticas e culturais Nova Era é um município com grande potencial nas diferentes áreas do turismo sustentável (ecológico, rural, histórico e religioso). Entre as principais potencialidades estão: acervo histórico (conjunto arquitetônico da Matriz de São José e da Praça da Matriz), acervo cultural (festas religiosas e populares, folclore, artesanato, etc), fazendas antigas e sítios de rara beleza natural, hospitalidade, e alguns eventos relevantes como a Festa do Padroeiro e o Encontro de Motociclistas.
  46. 46. 46 Possuí uma infra-estrutura turística razoável, porém necessita de maiores investimentos públicos e privados. Iniciativas importantes foram desenvolvidas recentemente em Nova Era, como a criação do COMTUR (Conselho Municipal de Turismo) que divulgou e despertou o interesse de dezenas de pessoas no município. A realização do I Fórum de Turismo Sustentável de Nova Era, em setembro de 2003, foi uma iniciativa de sucesso, contando com uma boa participação da comunidade local. Este Fórum mostrou que a atividade não crescerá e se consolidará como interessante alternativa econômica no município se não for desenvolvida em bases profissionais. O que se percebeu é que faltam ainda muitos elementos como a organização, o pessoal qualificado, investimentos em infra-estrutura de hospedagem e alimentação, comunicação, sinalização etc. A Casa da Cultura de Nova Era é uma ONG criada em 1987 e que vem desenvolvendo o importante trabalho de divulgação e de lutar pela preservação do patrimônio histórico-cultural do município. Figura 20: Congado de Nova Era Patrimônio Cultural e orgulho da cidade Fonte: Pesquisa documental, PMNE, 2008 3.3.2.1 A hotelaria em Nova Era A cidade encontra-se carente de meios de hospedagem que ofereçam um serviço diferenciado e inovador, sendo que, nenhum deles disponibiliza a natureza e
  47. 47. 47 o lazer aos hóspedes. Estão implantados hoje na cidade, quatro hotéis, sendo três na região central e um na beirada da estrada e duas pousadas, uma também na região central e a outra na beirada da estrada (BR381). Importante ressaltar que as pessoas que freqüentam estes meios de hospedagem não têm nenhuma opção de lazer, pois a estrutura destes foi desenvolvida apenas para simples acomodações e pequenos restaurantes. Esteticamente falando, os hotéis apresentam-se em formato de pequenos prédios sem área de lazer e apenas alguns possuem estacionamento próprio. 3.3.3 Demografia A análise demográfica do município de Nova Era mostrou que a cidade tem tido uma melhora nos indicadores de qualidade de vida devido ao pequeno aumento da população e a alguma expansão dos serviços públicos. Gráfico 1: Taxa de Urbanização Fonte IBGE (2000) População total ............ 17.754 Taxa de Urbanização .... 15.325 População rural ............ 2.429 Taxa de Urbanização .... 86,32%
  48. 48. 48 3.3.3.1 População por Faixa etária Gráfico 2: Distribuição da população novaerense Fonte IBGE (2000) Menos de 14 anos ......... 5.172 15 a 24 anos ................. 3.641 25 a 65 anos ................. 7.731 65 anos e mais .............. 1.210 3.3.3.2 Crescimento populacional A população novaerense está crescendo a taxas muito baixas. Em 2001 a cidade tinha 17754 habitantes, aumentando em 0,42% até o período de 2004 e passando a 17932 habitantes em 2007. O crescimento populacional total neste período foi de 1,01%. Veja a comparação no Gráfico abaixo: Gráfico 3: Crescimento Populacional Fonte: IBGE, 2008
  49. 49. 49 Neste mesmo período a população mineira aumentou 7,94% e a população do país cresceu 8,9%, contando em 2007 quase 190 milhões de habitantes. ANO População 1942 8.000 1970 14.080 1991 17.605 2000 17.754 2007 17.932 2025* 18.614 Figura 21: Evolução demográfica do município Fonte: GUERRA, 2005, p.45 * Projeção aritmética baseada na média de 2001 a 2007 Observando a tendência demográfica podemos inferir que o jovem novaerense médio sai de sua terra natal em busca de oportunidades de emprego e estudo em outros lugares que apresentam maiores taxas de crescimento. 3.3.3.3 Acesso a serviços básicos Gráfico 4: Acesso da população a serviços básicos Fonte: GUERRA, 2005, p.48 1991 2000 Água Encanada 79,9 95,3 Energia Elétrica 91,3 98,7 Coleta de Lixo (urbanos) 65,5 93,0
  50. 50. 50 3.3.3.4 Acesso a bens de consumo Gráfico 5: Acesso da população a bens de consumo Fonte: GUERRA, 2005, p.48 1991 2000 Geladeira 68,4 89,3 Televisão 73,2 92,5 Telefone 20,8 25,8 Computador Nd 8,9 3.3.3.5 Ocupação e renda Conforme dados do IBGE, a massa salarial novaerense em 2004 foi de 20,9 milhões de reais. O grupo que responde pela maior parte dos salários é a indústria de transformação com 23%. As empresas da atividade Agropecuária e silvicultura contribuem com 18% do volume salarial, valor semelhante ao da Administração Pública.
  51. 51. 51 Gráfico 6: Contribuição das Empresas por massa salarial Fonte: IBGE,Cadastro Central de Empresas, 2005 Apesar de o maior número de pessoas atuar na atividade Agropecuária e exploração florestal (1169 pessoas), o salário médio destes trabalhadores é baixo, sendo pouco superior ao salário mínimo no ano de 2004. O Comércio ocupa 850 pessoas, o segundo maior grupo, respondendo por uma massa salarial de 2,65 milhões de reais. A maior massa salarial provém das Indústrias de Transformação, com 4,8 milhões de reais distribuídos para 509 pessoas que participam desta atividade. A maior média salarial é do grupo Intermediação Financeira, com média de 28.366 reais; 213 pessoas estão envolvidas nesta atividade. A administração pública, defesa e seguridade social é a 3ª massa salarial com 3,79 milhões de reais distribuídos para 237 empregados.

×