Inclusão Digital das Pessoas com Deficiência

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  • vai vestir roupa menino!!!!!!!!!!!!!!!!!
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Inclusão Digital das Pessoas com Deficiência

  1. 1. UNIVERSIDADE DE SOROCABA PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO CURSO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÃO Hudson Augusto LimaINCLUSÃO DIGITAL DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS NAS INSTITUIÇÕES SUPERIORES DE ENSINO - UNISO. Sorocaba/SP 2009 Hudson Augusto Lima
  2. 2. INCLUSÃO DIGITAL DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS NAS INSTITUIÇÕES SUPERIORES DE ENSINO - UNISO. Trabalho de Prática de Pesquisa apresentado como exigência parcial para obtenção do Diploma de Graduação em Sistemas de Informação, da Universidade de Sorocaba. Orientador: prof. Dr. Carlos Gustavo Gonzales Sorocaba/SP Dezembro/2009
  3. 3. DEDICATÓRIA Dedico esse trabalho aos meus filhos Wendel, Wesley e Sara, minha esposa Graziele Gomes, meus pais (in memorian) Hélio e Augusto Lima e Marta Maria Lima, minha irmã Silvia Helena Lima, ao Prof. Dr. Carlos Gustavo González e a todos meus amigos que me apoiaram nesta fase de minha vida e a todos os comprometidos com a Inclusão Sociodigital
  4. 4. AGRADECIMENTOS Tenho tanto a agradecer e para tantas pessoas que, desde já, me desculpo se, porventura, esquecer alguém. Assim sendo agradeço em nome de todos: A Deus, por estar sempre ao nosso lado
  5. 5. "Deficiente" é aquele que não conseguemodificar sua vida, aceitando as imposiçõesde outras pessoas ou da sociedade em quevive, sem ter consciência de que é dono doseu destino."Louco" é quem não procura ser feliz com oque possui."Cego" é aquele que não vê seu próximomorrer de frio, de fome, de miséria. E só temolhos para seus míseros problemas epequenas dores."Surdo" é aquele que não tem tempo deouvir um desabafo de um amigo, ou o apelode um irmão. Pois está sempre apressadopara o trabalho e quer garantir seus tostõesno fim do mês."Mudo" é aquele que não consegue falar oque sente e se esconde por trás da máscarada hipocrisia."Paralítico" é quem não consegue andar nadireção daqueles que precisam de sua ajuda."Diabético" é quem não consegue ser doce."Anão" é quem não sabe deixar o amorcrescer.E, finalmente, a pior das deficiências é ser:"Miseráveis" são todos que não conseguemfalar com DEUS."A amizade é um amor que nunca morre.“ (Mário Quintana)
  6. 6. Sumário1. Introdução .............................................................................................................. 12. Terminologia sobre as deficiências..................................................................... 23. Conceitos sobre Deficiência ................................................................................ 44. Exclusão Social e Inclusão Digital ....................................................................... 8 4.1 Inclusão Digital no município de Sorocaba ......................................................115. Desenho Universal ..............................................................................................126. Acessibilidade ..................................................................................................... 127. Acessibilidade e alunos com necessidades educacionais especiais emInstituições de Ensino Superior............................................................................. 14 7.1 - As exigências das leis sobre acessibilidade no ensino superior ....................158. Normas de Acessibilidade .................................................................................. 179. Acessibilidade Digital .........................................................................................1810. Acessibilidade à Web ........................................................................................1911. Ambientes digitais e suas barreiras ................................................................2212. Tecnologia Assistiva .........................................................................................25 12.1 - Utilizando A Tecnologia Assistiva em Ambiente Computacional ................. 29 12.2 - Tecnologia Assistiva para Deficientes Visuais ............................................. 31 12.2.1 - Interfaces para usuários com baixa visão: Hardware ....................................... 31 12.2.2 - Interfaces para usuários com baixa visão: Software ........................................ 31 12.2.3 - Interfaces para usuários cegos: Hardware ....................................................... 32 12.2.4 - Interfaces para usuários cegos: Software ........................................................ 34 12.2.5 - Leitores de Tela ............................................................................................... 39 12.3 - Tecnologia Assistiva para Deficientes Auditivos.................................... 45 12.3.1 -Tecnologia baseada na Oralização ................................................................... 45 12.3.2 - Tecnologia baseada na LIBRAS ...................................................................... 45 12.3.3 - Dicionários: ...................................................................................................... 47 12.3.4 - Tecnologia baseada na Escrita da Língua de Sinais ........................................ 50
  7. 7. 12.4 - Tecnologia Assistiva para usuários com limitações motoras e/ou na fala.................................................................................................................................. 55 12.4.1 - Interfaces para usuários com limitações motoras e/ou na fala: Hardware 55 12.4.2 - Interfaces para usuários com limitações motoras e/ou na fala: Software . 61 12.4.3 - Comunicação Alternativa e Aumentativa (CAA)........................................ 65 12.4.4 - Programas baseados na CSA................................................................... 66 12.4.5 - Programas geradores de pranchas de comunicação e auxiliares na comunicação alternativa: .......................................................................................6813. O Trabalho prático.............................................................................................69 13.1 Conhecendo a ASUS (Associação dos Surdos de Sorocaba). ......................70 13.2 - Conhecendo a rede social ASUS. ................................................................7114. Conclusões até o momento.............................................................................. 7315. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................... 7716. APÊNDICE .......................................................................................................... 80 16.1 – Legislação, Decretos, Resoluções e Portarias sobre pessoa com deficiência ...............................................................................................................................80 16.2 – Cartas, Convenções, Declarações e Tratados Internacionais sobre pessoas com deficiência. ..................................................................................................... 84 16.3 – Datas Comemorativas das pessoas com deficiência. ................................. 86 16.4 – Normas sobre Acessibilidade. ..................................................................... 87
  8. 8. Resumo na língua vernáculaA tecnologia como acesso à informação e conhecimento é uma das formasordenadoras da sociedade contemporânea, numa era em que as informações fluemem quantidades e velocidade sem precedentes na história. Elas contribuem para anossa transformação como humanos e, portanto, para uma alteração profunda nanossa autocompreensão e das relações humanas. A questão fundamental destetrabalho pode ser expressa nas seguintes palavras: qual a importância da tecnologiaas pessoas com de necessidades especiais? Diante disso, a disponibilidade deacesso amplo a utilização das tecnologias digitais por parte das pessoas portadorasde deficiência no cenário atual é uma poderosa arma contra a exclusão social e umaexcelente oportunidade para as organizações / Entidades exercerem suaResponsabilidade Social. Os conceitos que baseiam este trabalho são: Deficiências,Acessibilidade, Tecnologia Assistivas, Inclusão Digital, Desenho Universal,Usabilidade e a acesso a informações das pessoas com necessidades especiais.Resumo em língua estrangeiraThe technology of, and the access to information and knowledge is one relevantstructuring factor for todays society, an era in which information flows in quantity andspeed unprecedented in history. They contribute to our transformation as humanbeings and also yield a profound change as in the self-understanding of theindividuals as in the human relationships. The main question is the following: whatabout technology with relation to people with special needs? In this sense, theavailability of broad access to the digital divide for people with disabilities in thecurrent scenario is a powerful weapon against social exclusion and an excellentopportunity for organizations / entities to exercise their social responsibility. The maintheoretical concepts in which this work are based are: Disability, Accessibility,Assistive Technology, Digital Inclusion, Universal Design, Usability and access toinformation for people with Special needs.
  9. 9. 11. IntroduçãoUm grande número de pessoas em todo o mundo tem algum tipo de deficiênciafísica, mental ou sensorial, que limita sua habilidade para as atividades diárias. Nãoexistem dados precisos sobre a quantidade de indivíduos neste contexto, apenaspercentuais estimados, como o da Organização Mundial da Saúde. No Brasil, autilização deste percentual revela que 10% da população, perfazendo um total de14.500.000, compõem-se de pessoas portadoras de deficiência.Durante muitos anos os portadores de deficiência viveram às margens dasociedade. Mais recentemente observa-se uma conscientização respaldada pornovas atitudes de ordem governamental ou de parte de outras organizações,visando habilitar os portadores de deficiência a um ritmo de vida mais normal. Noentanto, os números ainda retratam um grupo em grande parte imerso na exclusãosocial.A própria sociedade encarrega-se de desenvolver preconceitos em relação aosdeficientes, cuja origem estaria principalmente ligada ao pressuposto de que apalavra deficiência, e não ineficiência refletiria o contrário de eficiência. Além disto,uma deficiência é, em geral, vista como um todo e não como uma parte, emboraestejam sendo concentrados esforços para a conscientização de que as deficiênciasestão nas pessoas, não são as pessoas.Ao lado dos preconceitos, que se formam das idéias premeditadas, caminham asdiversas dificuldades que enfrentam os portadores de deficiência pra a suaintegração na sociedade. Um sistema educacional cuja modalidade educativa deveser especial, serviços de saúde capacitados a prover tratamentos adequados eadoção de normas que garantam acessibilidade arquitetônica, é apenas algumasdestas dificuldades.Um dos problemas mais críticos, enfrentados pelos portadores deficiência, dizrespeito à sua formação profissional, como base para a inserção no trabalho aintegração social.Observa-se que, embora o Brasil disponha de uma legislação das mais avançadas,faltam incentivos à sua aplicação em relação à formação profissional. Esta falta deincentivos estende-se da parte governamental à iniciativa privada, dificultando ainserção dos portadores de deficiência no sistema produtivo. O acesso á formaçãoprofissional é bastante reduzido e, quando efetuado, geralmente tem como basemetodologias de capacitação que não correspondem à realidade do mercado detrabalho.Nesta era da informação, onde saber utilizar um dispositivo tecnológico(computador) é essencial para inserção ao mercado de trabalho, alguns portadoresde deficiência têm contato com a tecnologia desde cedo, permitindo ir sempre maisalém.Isso faz pensar na progressão que boa parte da população portadora de deficiência,que não pertencem a essa geração digital, precisando ainda adquirir, possibilitandoaos mesmos uma melhor qualificação como uma melhor interação em seu ambientesocial com uso das atuais tecnologias digitais que podem proporcionar uma melhorqualidade de vida aos mesmos.
  10. 10. 2Muitas pessoas ainda apresentam uma relação muito distante com esses recursostecnológicos, seja por medo ou por falta de oportunidades de conhecê-los melhor, oque gera certo desconforto de sua parte quando se deparam com situações em quea utilização dos mesmos é essencial (bancos, supermercados, caixas eletrônicos,cartões de crédito, etc.).A tecnologia tem um papel importante em nosso dia-a-dia. Mesmo quem não temcomputador em casa ou no trabalho convive com recursos tecnológicos e delesdepende direta ou indiretamente.Analisando esta situação elaborou-se a presente proposta visando proporcionar acomunidade do município de Sorocaba, um estudo de como se realiza a inclusãodigital aos portadores de necessidades especiaisO intuito deste estudo é fazer com que os portadores de deficiência deste municípiotenham maiores acesso a essa tecnologia e dela possa se beneficiar seja em seusafazeres, no trabalho, em casa, na escola, no auxílio aos filhos, ou simplesmentepara que se sintam melhor inseridos no contexto em que vivemos.Devemos destacar que na presente proposta entende-se a Inclusão Digital como umprocesso mais amplo do que apenas ensinar a utilização da tecnologia. O projetopretende identificar as demandas dos participantes de forma a desenvolvercontextos significativos do uso dos aplicativos.Pretendemos que este projeto de ação social desenvolvido por nós alunos destainstituição, seja uma contribuição no processo de democratização da informação,formando cidadãos melhor informados e garantindo uma maior participação na vidada sociedade. Nesse sentido, estimulando o debate e avaliação das ações dacomunidade.2. Terminologia sobre as deficiênciasMuitos denominam a pessoa que possuí alguma deficiência como portador denecessidades especiais. Essa denominação não é completamente correta, aspessoas com necessidades especiais são todos aqueles que necessitam deadaptações realizarem tarefas cotidianas, nesse grupo incluem-se as grávidas, osobesos, os idosos e as pessoas com deficiência.A denominação “pessoa com necessidades especiais”, geralmente é utilizada demaneira indevida, para todo e qualquer caso e situação de pessoa com deficiência.Na realidade, sua origem é a Declaração Internacional de Salamanca (1994), que noâmbito da educação, definiu o conceito de “pessoas com necessidades educacionaisespeciais”, como “todas aquelas crianças e jovens cujas necessidades educacionaisespeciais se originam em função de deficiências ou dificuldades de aprendizagem”.Já o termo “Deficiência” é todo e qualquer comprometimento que afeta a integridadeda pessoa e traz prejuízos na sua locomoção, na coordenação de movimentos, nafala, na compreensão de informações, na orientação espacial ou na percepção econtato com as outras pessoas.
  11. 11. 3A deficiência gera dificuldades ou impossibilidades de execução de atividadescomuns às outras pessoas. Diante disso, a Constituição Federal de 1988 dispensoutratamento diferenciado às pessoas com deficiência.A maior parte do movimento brasileiro da área da deficiência, por sua vez, prefere adenominação “pessoa com deficiência”, por ser julgada mais respeitosa e considerara deficiência como uma característica que apenas se acrescenta à pessoa, e não adiminui.Há pessoas que acreditam que a pessoa com deficiência é incapaz devido à suaslimitações. Porém, assim como todos nós, eles apresentam dificuldades equalidades.Portanto, a legislação assegura à pessoa com deficiência todos os direitosfundamentais, além de possibilidades de adaptações físicas, espaciais,instrumentais e tecnológicas que facilitem a execução de tarefas.Criando assim a denominada Sociedade Inclusiva, ou seja, uma sociedade aberta atodos, onde estimula a participação de cada um, aprecia as diferentes experiênciashumanas e reconhece o potencial de todo cidadão, a fim de oferecer oportunidadesiguais para que cada pessoa, reconhecendo todos os seres humanos como livres,iguais e com direito a exercer sua cidadania.No Brasil, como no mundo, a história da pessoa com deficiência e os tratamentosvoltados para ela permitem entender as principais idéias, os principais conceitos eos preconceitos que percorrem a sociedade humana até os dias de hoje.Em Esparta, na Grécia antiga, as pessoas com deficiências eram abandonadas, poiseram consideradas inúteis. Somente a partir do século XIX, que com ofortalecimento do espírito religioso, de compaixão e piedade, as ações deassistência em relação às pessoas com deficiências (por meio de doações, deatendimento ou de enclausuramento em centros especializados), as mesmas setornam-se dignas de pena, e são consideradas como totalmente dependentes dasoutras para viver.No século XX, com o domínio de políticas que criaram centros e espaços isoladosde atendimento e de vivência no interior da sociedade, as pessoas com deficiênciasão invisíveis para a maior parte da população. Elas existem, mas quase nãoaparecem na cidade, deixando pensar que a razão está nas próprias pessoas,incapazes de se integrarem à sociedade, quando é a própria sociedade que lhesimpede o acesso.Os preconceitos são inúmeros. Além de imperfeita, inútil, incapaz e dependente,costuma-se pensar que a pessoa com deficiência é doente e precisa essencialmentede cuidados médicos ou de cura. Pensa-se que ela não tem vontade própria, quenão tem sexualidade e às vezes nem sexo, e que não pode ter filhos. Seguem-se osestigmas para cada deficiência: a do surdo, de que é mudo; a do cego, de que nãoouve; a do paralisado cerebral, de que é deficiente mental; a da pessoa comseqüelas de hanseníase, de que é um “leproso” contagioso.
  12. 12. 4Não podemos deixar de ter em mente essas idéias, que guiam nossos pensamentose nossas ações e podem contribuir, mesmo inconscientemente, para discriminar eexcluir as pessoas com deficiências. É fundamental “desconstruir” essespreconceitos a respeito delas, utilizar as denominações apropriadas para entenderrealmente o que significa ser uma pessoa com deficiência. Antes de tudo, umapessoa com deficiência é uma pessoa - igual a todas as outras e ao mesmo tempodiferente -, com características e limitações próprias, como todos nós temos, emgraus e natureza variados.Carregamos conosco valores e crenças que nos acompanharam durante nossa vida.Muitas vezes eles vieram gerações passadas e tiveram uma razão para seremcriados. Mesmo que não tenham mais sentido na sociedade de hoje, muitas vezescrescemos com estes valores e não questionamos de onde vêem e nem porqueexistem.3. Conceitos sobre DeficiênciaExistem muitas denominações relativas à pessoa com deficiência, muitas delasincorretas como as expressões “aleijado”, “débil mental”, “mongolóide”, “doentemental”, “capenga”, “coxo”, “surdo-mudo”, os diminutivos “ceguinho”, “mudinho”, ououtras denominações do gênero, que estigmatizam e inferiorizam a pessoa; e outrasmais apropriadas como pessoa com deficiência visual (pessoa cega ou com baixavisão), pessoa com deficiência auditiva (pessoa surda) ou ainda uma pessoa comdeficiência mental (pessoa com síndrome de Down).Tais denominações sempre foram alvo de grandes debates no decorrer das últimasdécadas e levaram a diversas interpretações, sendo utilizada oficialmente no Brasil(legislação) a expressão “pessoa portadora de deficiência”.É considerada “pessoa portadora de deficiência” a que se enquadra em uma dasseguintes categorias contidas no Decreto no 3.298, de 20 de dezembro de 1999 ereafirmadas no Decreto-lei no 5.296, de junho de 2004:Será apresentadas as definições que estão estabelecidas pelo Decreto Federal3.298 de 20 de dezembro de 1999 e reafirmadas pelo Decreto 5.296 de 02 dedezembro de 2004. A Lei nº 13.465, de 12 de Janeiro de 2000, estabelece o conceito de pessoaportadora de deficiência para fins de concessão de benefícios pelo Estado.Deficiência física: é a alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos docorpo humano, acarretando o comprometimento da função física, não abrangendoas deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenhode funções.Apresenta-se sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia,tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia,amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros comdeformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades e as que nãoproduzam dificuldades para o desempenho de funções.
  13. 13. 5Deficiência mental: é o funcionamento intelectual significativamente inferior àmédia, com manifestação antes dos dezoito anos e limitações associadas a duas oumais áreas de habilidades adaptativas, tais como:  comunicação;  cuidado pessoal;  habilidades sociais;  utilização dos recursos da comunidade;  saúde e segurança;  habilidades acadêmicas;  lazer;  trabalho.Deficiência visual: pode apresentar um leque de gradações, indo da cegueira totalà baixa visão, dependerá da acuidade visual, ou seja, a nitidez da visão, a qual variada visão completa à ausência de visão. Normalmente, a acuidade visual é medidaem uma escala que compara a visão da pessoa a 6 metros com a de alguém quepossui uma acuidade visual máxima.  Cegueira: a acuidade visual é igual ou menor que 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica;  Baixa visão ou visão residual: acuidade visual entre 0,3 e 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica;  Casos nos quais a somatória da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60º; Isto é o que vê uma pessoa com visão normal Isto é o que vê uma pessoa com baixa visão Isto é o que vê uma pessoa que só enxerga a luz Isto é o que vê uma pessoa completamente cegaDeficiência auditiva: é a perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um decibéis*(dB) ou mais, aferida por audiograma** nas freqüências de 500Hz, 1.000Hz,2.000Hz e 3.000Hz.
  14. 14. 6Deficiência múltipla: é a associação, no mesmo indivíduo, de duas ou maisdeficiências primárias (mental / visual / auditiva / física), com comprometimentos queacarretam conseqüências no seu desenvolvimento global e na sua capacidadeadaptativa.Pessoa com mobilidade reduzida: é aquela que tenha, por qualquer motivo,dificuldade de movimentar-se, permanente ou temporariamente, gerando reduçãoefetiva da mobilidade, flexibilidade, coordenação motora e percepção. NÃO seenquadrando no conceito de pessoa portadora de deficiência.A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 10% da população mundialsejam constituídos de pessoas com algum tipo de deficiência.No Brasil, o censo do ano 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE) incorporou, pela primeira vez, perguntas específicas sobre deficiência. Oresultado foi, no mínimo, surpreendente. Existem 24,5 milhões de pessoas comalgum tipo de deficiência no país, ou seja, 14,5% da população nacional. Dessetotal, 48,1% possuem deficiência visual; 22,9% deficiência motora; 16,7%apresentam deficiência auditiva; 8,3% deficiência mental e 4,1% deficiência física.O Nordeste é a região que concentra a maior proporção de pessoas com deficiência:16,7% em relação a 12,9% na região Sudeste, 13,7%, na região Sul, 14,1% naregião Centro-Oeste e 16,1% na região Norte. É no Nordeste que também seencontra o maior número de pessoas cegas. Pessoas com deficiência constamainda em maior proporção na população negra, na indígena, entre as mulheres, naspessoas idosas.De maneira geral, há uma relação direta e recíproca entre deficiência e pobreza. Apobreza contribui diretamente para o aumento do número de pessoas comdeficiência. As pessoas com deficiência, por sua vez, encontram difícil acesso àeducação, à saúde e notadamente ao trabalho, o que contribui para suapermanência na condição de pobres, excluídas e, no melhor dos casos, assistidas.Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), 82% das pessoas comdeficiência vivem abaixo da linha de pobreza, e cerca de 400 milhões de pessoascom deficiência vivem em condições precárias em países em desenvolvimento.Outro fato importante, é que as definições adotadas pelo IBGE são menosespecíficas que as que contêm no decreto, sendo divididas em:  Deficiência física: tetraplegia, paraplegia ou hemiplegia permanente;  Deficiência em membros: falta de perna, braço, mão, pé ou polegar ou de partes dele;  Deficiência visual: permanente incapacidade / dificuldade grande ou média de enxergar;  Deficiência auditiva: permanente incapacidade / dificuldade grande ou média de ouvir;  Deficiência motora: permanente incapacidade / dificuldade grande ou média de caminhar ou subir escadas.Abaixo os percentuais das categorias referidas pelo IBGE divididas em regiões:
  15. 15. 7Os percentuais das categorias referidas pelo IBGE divididas em gênero:Os percentuais das categorias referidas pelo IBGE divididas em deficiênciasmúltiplas:Os percentuais das categorias referidas pelo IBGE comparando o Estado de SãoPaulo em relação ao Brasil:
  16. 16. 84. Exclusão Social e Inclusão DigitalAs pessoas com deficiência usufruem os mesmos direitos que os demais cidadãos ecidadãs, mas, a discriminação por elas enfrentada é resultado de longo processo,histórico, de exclusão, que faz desse grupo da população um dos mais vulneráveisda sociedade atual.Avanços significativos foram registrados nas últimas décadas no Brasil e no mundo,e são revelados, por exemplo, por textos legislativos adotados nacional einternacionalmente.O processo de construção dos direitos humanos das pessoas com deficiência, noentanto, assim como o de outros grupos discriminados da população, não começacom a legalidade de textos, mas com a legitimidade de ações de pessoas e gruposorganizados que, por meio da pressão social, reivindicam direitos humanos eimpulsionam a mudança, adequação e implementação da legislação.Essa é a essência da nova cidadania, reivindicada, vivenciada, exercida e praticadapor pessoas e movimentos sociais em todo o mundo.Este novo modelo social está ligado a uma nova fase de políticas, denominada deinclusão. Enquanto na integração é apenas a pessoa com deficiência quem deve seadaptar para integrar a sociedade, a inclusão visa qualificar a sociedade para quepossa incluir a todos.Sociedade inclusiva é aquela que se adapta e se transforma para que asnecessidades e diferenças de cada um sejam respeitadas e consideradas,permitindo a igualdade de oportunidades. É principal-mente a sociedade que deveevitar a exclusão.Uma sociedade inclusiva é aquela que é capaz de contemplar toda a diversidadehumana e encontrar meios para que qualquer um, privilegiado ou vulnerável, possater acesso a ela, preparar-se para assumir papéis e contribuir para o bem comum.A idéia de inclusão é ligada a outros conceitos, como o da autonomia, de vidaindependente, ou ainda do empoderamento das pessoas com deficiência.A exclusão social dependerá da condição socioeconômica e da situação geográficada população, fatores importantes para que ocorra a exclusão digital, aprofundandoa exclusão sócio-econômica e afastando ainda mais as populações menospreparadas das exigências do mercado de trabalho e do acesso à informação.No entanto, a exclusão das pessoas com deficiência à informática não se dá apenaspor condição socioeconômica. Mesmo quando é oferecida gratuitamente emespaços públicos, esta parcela da população pode ter limitações motoras, sensoriaise/ou cognitivas que dificultam ou impedem a utilização dos equipamentos.Assim sendo, para que as pessoas com deficiência se beneficiem de todo opotencial positivo das TICs, sendo preciso eliminar barreiras ambientais e sociais;criar e adotar programas adequados a elas; divulgar conteúdos em formatosalternativos e oferecer dispositivos de tecnologia de apoio.
  17. 17. 9Podemos definir inclusão digital como a falta de capacidade técnica, social,cultural, intelectual e econômica de acesso às novas tecnologias e aos desafios dasociedade da informação. Essa incapacidade não deve ser vista de formameramente técnica ou econômica, mas também cognitiva e social.Essa inclusão deve ser de forma integral na vida deste cidadão, buscandopreferencialmente as populações que têm menores condições sócio-econômicas. Ainserção digital não deve ser apenas uma capacitação num determinado software, esim um processo amplo, levando em consideração questões mais importantesocialmente. O acesso apenas não basta, um computador pessoal não basta, aInternet – por si só, não basta. Deve haver projetos de inserção levando-se em contaa capacitação e a apropriação dos meios.O cidadão que vive hoje nas grandes metrópoles utiliza, querendo ou não, diversosdispositivos eletrônicos – caixa de banco, smart cards, cartões eletrônicos, etc. -sendo, de alguma forma, obrigado a incluir-se/aprender a usar as diversasferramentas da era da informação.A vivência na “sociedade da informação” coloca os cidadãos em meio ao queestamos chamando de inclusão espontânea, sendo uma forma induzida na criaçãode espaços, projetos, dinâmicas educacional por iniciativas governamentais,privadas ou do terceiro setor (telecentros, cibercafés, SACs, ONGS, etc.) visandoinduzir a formação, o acesso e a destreza no manuseio das novas tecnologias decomunicação e informação.A inclusão digital para as pessoas com deficiência é mais importante do que para asdemais, em virtude do potencial para gerar oportunidades e desdobramentospositivos que tal inserção possui. Porém, é exatamente esta parcela da populaçãoque não é devidamente considerada quando se elaboram políticas públicas deinclusão digital.E esses serviços devem ter como pressupostos: acessibilidade, competência,eficiência, flexibilidade (serem capazes de atender a necessidades individuais) elevarem em conta a opinião das pessoas com deficiência.As políticas e programas governamentais voltadas à inclusão digital têm comoprincipais objetivos propiciar acesso físico regular aos recursos de tecnologia digital;oferecer oportunidade para que as pessoas adquiram os conhecimentos necessáriospara utilizar as TICs e acessar a Internet com um mínimo de proficiência.Os governos deveriam investir mais na inclusão digital, pois fortalece o crescimentodas empresas dedicadas às tecnologias de informação e, além disso, a utilização daInternet pode ser uma meio muito eficiente para democratizá-la a informação, compotencial para colocar o governo em linha direta com a população, desde que estatenha acesso aos equipamentos e domínio dos recursos de tecnologia digital.A inclusão digital não se faz por meio de cursos, mas, sim, através da criação decontextos para a utilização do computador. Faz-se necessário identificar asdemandas da população e, por meio do trabalho de monitores, permitindo que aspessoas tenham acesso às informações de que necessitam e às quais têm
  18. 18. 10interesse, como, por exemplo, serviços de saúde, serviços bancários, receitas deculinária, busca de emprego, informações sobre serviços públicos etc.Os governos dos diversos Estados brasileiros têm reconhecido a importância depolíticas públicas para combater a exclusão digital.Atualmente, uma das iniciativas mais difundidas, no País, são os telecentros. Otermo telecentro engloba projetos, desenvolvidos em diversas partes do mundo, cujoobjetivo é universalizar o acesso às tecnologias digitais e capacitar as pessoas parao uso dos computadores e da Internet, através de oficinas e cursos oferecidosgratuitamente.O telecentro tem como proposta propiciar a inclusão digital a pessoas de classeseconômicas desfavorecidas, de modo a que esta população ganhe maior poder eparticipação social, à medida que aumenta seu acesso à informação. Assim, ostelecentros constituem-se numa ferramenta útil para diminuir a situação dedesvantagem de populações que vivem nos grandes centros urbanos.O grande desafio das propostas estratégicas de inclusão digital é o acessouniversal. Dentre as ações afirmativas que visam o acesso de minorias ao mundovirtual, encontram-se os telecentros comunitários, espaços que vêm permitindoacesso à informação, comunicação, capacitação, entretenimento de parcelas info-excluídas da população. Algumas vantagens do acesso aos Telecentros comunitários por pessoascom necessidades especiais (PNEs) são apontadas pelo projeto Telecentros paraTodos (2006):  contribuem para a inclusão digital dessas pessoas e, em muitos casos, para sua inclusão social, desenvolvendo, inclusive, habilidades para o ingresso no mundo produtivo;  contribuem para o fortalecimento de atitudes de auto-estima, convivência social e estímulo para aprendizagem;  contribuem para o processo de reabilitação física (estudos indicam que a utilização do teclado e/ou do mouse, por exemplo, exercita a motricidade fina de forma lúdica);  contribuem para a utilização das capacidades de memória, atenção, concentração;  estimulam o convívio e a sociabilidade entre pessoas com e sem deficiência, desmistificando preconceitos;  estimulam o exercício da cidadania, por meio do acesso a informações de interesse público, nos sites do governo eletrônico e em outros, com conteúdo pertinente a direitos e deveres;  estimulam o protagonismo de setores marginalizados da população (pessoas com deficiência, idosos, pessoas com baixo letramento ou sem acesso a computadores), abrindo canais de expressão e comunicação;  contribuem para diminuir atitudes discriminatórias e/ou preconceituosas, por meio da disseminação de informações de qualidade e da promoção da convivência;  contribuem para a visibilidade das entidades envolvidas com este produto e para o cumprimento de suas respectivas missões institucionais.
  19. 19. 114.1 Inclusão Digital no município de SorocabaA cidade de Sorocaba conta com um serviço de inclusão digital: os centros deinclusão digital, denominados Sabe Tudo, que são mantidos pela Prefeitura e com aparceria da ONG Pérola.Segundo dados do site http://www.sorocaba.sp.gov.br da cidade de Sorocaba, até ofinal de 2009, serão 30 Sabe Tudo abertos nas dependências das escolasmunicipais.O "Sabe Tudo" tem como objetivo principal a inclusão digital. São centros de estudosequipados com 20 computadores avançados, que utilizam a Internet comoferramenta de pesquisa, além de disponibilizar à comunidade jornais e revistas emirante de observação. O projeto é da Secretaria da Educação da Prefeitura local,com o apoio da Secretaria de Governo e Planejamento.O "Sabe Tudo" é um centro de inclusão digital, com oferta gratuita à população decursos de Informática e acesso à Internet. Para o gerenciamento do programa, aPrefeitura firmou convênio com a ONG "Projeto Pérola", que é a responsável pelamão-de-obra qualificada, material didático e aplicação das aulas. O projetoapresenta também espaços para leitura, disponibilizando jornais e revistas.Em uma edificação vertical, com design moderno e arrojado, os espaços funcionamanexos às unidades de Ensino Fundamental, em uma área deaproximadamente 200 metros quadrados, para serem utilizadas pelos alunos e pelacomunidade. Os computadores do "Sabe Tudo" estão em funcionamento por meiodo sistema pré-Wimax, que é a tecnologia "wireless" (sem fio), com conexão via IP(Internet Protocol) de banda larga.Segundo dados da prefeitura, cada unidade do Sabe Tudo possui 10 computadoresmodelo Pentium IV, ou equivalentes, conectados à Internet banda larga, que permiteque o usuário utilize gratuitamente o serviço por trinta minutos.Das 21 unidades do Sabe Tudo, somente uma é que tem software paraacessibilidade instalado nos computadores, sendo que esta unidade foi inauguradano mês de Setembro de 2009. Neste Sabe Tudo, um dos 20 computadores àdisposição dos estudantes e da comunidade é dotado de um sistema de hardwarescomposto por teclado em braile, com caixa de som e fone de ouvido. As letras,números e símbolos do teclado estão em alto relevo e o sistema avisa o que ousuário está fazendo, auxiliando os deficientes no uso do computador ou durante anavegação.O conhecimento de informática e internet é uma ferramenta a mais para inserir odeficiente no mercado de trabalho. Veiga destaca que muitas empresas abremespaço, "mas saber informática é um requisito que ajuda bastante".
  20. 20. 125. Desenho UniversalA história da acessibilidade surgiu com o movimento pela eliminação de barreirasarquitetônicas no início da década de 1960. Algumas universidades norte-americanas foram pioneiras em se preocupar com a existência de barreiras físicasnos próprios prédios escolares, nos espaços abertos dos campus e nos transportesuniversitários e urbanos. Inicialmente, o movi mento começou a chamar a atençãoda sociedade para a existência desses obstáculos e para a necessidade de eliminá-los ou de, pelo menos, reduzi-los ao mínimo possível.Foi então que se começou a falar em “adaptação do meio físico”. O importante eraadaptar os (já existentes) ambientes físicos, transportes e produtos, de modo queeles se tornassem utilizáveis pelas pessoas com deficiências.Surgiu em seguida a idéia de desenho acessível (universal) que é acessibilidadevoltada especificamente para as pessoas com deficiência física, auditiva, mental,visual ou múltipla, de maneira tal que possam utilizar, com autonomia eindependência, tanto os ambientes físicos (espaços urbanos e edificações) etransportes, agora adaptados, como os ambientes e transportes construídos comacessibilidade já na fase de sua concepção.O desenho universal pode ser chamado de “desenho para todos”, ou “arquiteturapara todos”. Dentro do movimento de inclusão social, o desenho universal tambémpode ser chamado de desenho inclusivo, ou seja, projeto que inclui todas aspessoas. Os produtos e ambientes feitos com desenho universal, ou inclusivos, nãoparecem ser feitos especialmente para pessoas com deficiência. Eles podem serutilizados por qualquer pessoa, com ou sem deficiência.6. AcessibilidadeAcessibilidade é simplesmente o direito de ter o acesso, ou seja, o acesso dequalquer pessoa, incluindo as pessoas com deficiência e com mobilidade reduzida,ao meio físico da sociedade, ao transporte e à comunicação, garantindo suasegurança e sua autonomia.A palavra acessibilidade é definida na legislação brasileira como “possibilidade econdição de alcance para utilização, com segurança e autonomia, dos espaços,mobiliários e equipamentos urbanos, das edificações, dos transportes e dossistemas e meios de comunicação, por pessoa portadora de deficiência ou commobilidade reduzida”.A Lei Federal no 10.098 de 19/12/2000 ainda define a pessoa portadora dedeficiência ou com mobilidade reduzida: a que temporária ou permanentemente temlimitada sua capacidade de relacionar-se com o meio e de utilizá-lo.O conceito de acessibilidade está intrinsecamente ligado ao direito constitucional deir e vir. Torna-se, portanto, essencial ao cumprimento de praticamente todos osdemais direitos das pessoas com deficiência.São múltiplas as dimensões da acessibilidade. A ISO assim define seis de suasdimensões:
  21. 21. 13  acessibilidade arquitetônica;  acessibilidade de comunicação;  acessibilidade metodológica (ou seja, sem barreiras de métodos e tecnologias nas questões de estudo, trabalho, vida social...);  acessibilidade instrumental (sem barreiras nos instrumentos e ferramentas de estudo, trabalho, lazer...);  acessibilidade programática (sem barreiras invisíveis incluídas em políticas públicas, normas, regulamentos...);  acessibilidade atitudinal.Outras dimensões ainda podem ser pensadas em determinados casos, como a daacessibilidade financeira, aspecto determinante no acesso ao transporte, porexemplo.As pessoas com deficiência enfrentam barreiras de diversas naturezas, quefuncionam como obstáculos e impedem ou limitam, seu acesso à sociedade. Apromoção da acessibilidade visa, nesse sentido, eliminar ou reduzir o impactodessas barreiras. Tais barreiras podem ser sociais e atitudinais, como tambémfísicas, de comunicação e de transporte.As barreiras sociais e atitudinais são as atitudes e comportamentos de indi-víduose da sociedade em geral em relação às pessoas com deficiência em diversos níveis:desde a aceitação destas, com suas características diferentes, até a garantia doacesso ao trabalho, à educação, à saúde e ao lazer. As barrei-ras de atitudeassemelham-se a obstáculos físicos. São, contudo, obstácu-los discriminadorescapazes de excluir a pessoa com deficiência do conví-vio coletivo. Nesse contextodiscriminador existirá sempre um olhar que denotará a curiosidade pelo que édiferente, pelo que algumas pessoas não estão acostumadas a ver com freqüêncianas ruas, e que consideram fora do “padrão da normalidade”.As barreiras físicas e de acessibilidade podem, por sua vez, ser arquitetônicas,urbanísticas ou de transporte.As barreiras arquitetônicas se caracterizam por serem obstáculos ao acessoexistentes em edificações de uso público ou privado, bem como na sua uti-lizaçãointerna. Essas construções podem ser de saúde, educação, cultura, lazer, locais detrabalho ou moradia.Exemplos de barreiras arquitetônicas:  escadas de acesso aos prédios sem elevador;  portas de circulação estreitas;  elevadores pequenos e sem sinalização em Braille;  inexistência de banheiros adaptados;  balcões altos para atendimento de pessoas em cadeira de rodas etc.As barreiras urbanísticas são as dificuldades encontradas pelas pessoas emespaços e mobiliários urbanos, sítios históricos e locais não edificados de domíniopúblico e privado. São os obstáculos que um cidadão enfrenta para circular demaneira tranqüila e independente pelas calçadas e ruas de uma cidade.
  22. 22. 14Qualquer entrave ou obstáculo que limite ou impeça o acesso, a liberdade demovimento, a circulação com segurança e a possibilidade de as pessoas secomunicarem ou terem acesso à informação (Decreto n° 5.296/2004).Exemplos de barreiras urbanísticas específicas para pessoas com deficiência:  desníveis ou revestimentos inadequados em calçadas que dificultam a locomoção de uma pessoa em cadeira de rodas, ou com muletas e andadores;  desníveis no meio-fio ou na pista de rolamento em locais de travessia;  calçadas estreitas, com pavimento deteriorado e com obstáculos difíceis de serem detectados por pessoas com deficiência visual;  inexistência de vagas de estacionamento para automóvel que transporta pessoa com deficiência. O espaço insuficiente de uma vaga pode dificultar a entrada e a saída do carro de usuários de cadeira de rodas e muletas;  inexistência de mobiliário urbano (telefone público, caixas de correio etc.) em altura adequada para pessoas que se locomovem em cadeira de rodas.7. Acessibilidade e alunos com necessidades educacionais especiais emInstituições de Ensino Superior.Realizamos a divisão entre acessibilidade Permanente e Temporária, para auxiliarno entendimento em relação ao ensino destes alunos:Permanentes: Exigem adaptações generalizadas do currículo, adaptando-o àscaracterísticas do aluno. As adaptações mantém-se durante grande parte ou todo opercurso escolar.Exemplos: Deficiência mental, deficiência auditiva/surdez, deficiênciavisual/cegueira, deficiência física ( paralisia cerebral, espinha bífida, distrofiamuscular, problemas motores, etc.) , altas habilidades/superdotação, síndromes (deDown, do Autismo, etc); psicoses e problemas graves de comportamento ; algunscasos de dificuldades de aprendizagem; problemas de saúde (AIDS, diabete, asma,hemofilia, problemas cardiovasculares, câncer, epilepsia, etc).Temporárias: Exigem modificação parcial do currículo escolar, adaptando-o àscaracterísticas do aluno num determinado momento do seu desenvolvimento. 1. Problemas ligeiros ao nível do desenvolvimento das funções superiores : desenvolvimento motor, perceptivo, lingüístico e sócio-emocional; 2. Problemas ligeiros relacionados com a aprendizagem da leitura, da escrita, da linguagem e do cálculo.Em função de que o todo "alunos com NEEs" não se trata de um grupo homogêneo,cada grupo de necessidades educacionais especiais(NEEs) vai demandaradaptações diferenciadas, de diferentes ordens e níveis. Há, portanto, relativizaçõesentre as necessidades científico-tecnológicas, que oferecem acessibilidade a estesalunos, de acordo com as necessidades efetivamente conseqüentes desta oudaquela deficiência e/ou quadro atípico. A partir desta análise inicial é que a
  23. 23. 15educação precisará prover acessibilidade arquitetônica, urbanística, de transporte ouna comunicação / informação.É necessário, contudo, perceber que a tecnologia pressuposta nesta educaçãoespecializada não seja "naturalizada" numa visão da técnica como simples objetoem oposição ao humano, explorando-o e restringindo-o, pois na educação daspessoas com necessidades educacionais especiais tem-se proposto uma superaçãodesta visão reducionista, partindo-se para uma nova, em que a técnica é percebidacomo potencializadora do humano.7.1 - As exigências das leis sobre acessibilidade no ensino superiorO processo cita principalmente a portaria nº 1.679, de 2 de dezembro de 1999,assinada pelo ministro Paulo Renato Souza. Diz a lei:O Ministro de Estado da Educação, considera o disposto na Lei nº 9.131, de 24 denovembro de 1995, na Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e no Decreto nº2.306, de 19 de agosto de 1997, e considerando ainda a necessidade de asseguraraos portadores de deficiência física e sensorial condições básicas de acesso aoensino superior, de mobilidade e de utilização de equipamentos e instalações dasinstituições de ensino.Em seu art. 1º, determina que sejam incluídos nos instrumentos destinados a avaliaras condições de oferta de cursos superiores, para fins de sua autorização ereconhecimento e para fins de credenciamento de instituições de ensino superior,bem como para sua renovação, conforme as normas em vigor, requisitos deacessibilidade de pessoas portadoras de necessidades especiais. No art. 2º aSecretaria de Educação Superior, com o apoio técnico da Secretaria de EducaçãoEspecial, estabelece requisitos, tendo como referência a Norma Brasil 9050, daAssociação Brasileira de Normas Técnicas, que trata da Acessibilidade de PessoasPortadoras de Deficiências e Edificações, Espaço, Mobiliário e EquipamentosUrbanos.Para alunos com deficiência visual a lei exige, um compromisso formal da instituiçãode proporcionar, caso seja solicitada, desde o acesso até a conclusão do curso, salade apoio contendo:  máquina de datilografia braille, impressora braile acoplada a computador, sistema de síntese de voz;  gravador e fotocopiadora que amplie textos;  plano de aquisição gradual de acervo bibliográfico em fitas de áudio;  software de ampliação de tela;  equipamento para ampliação de textos para atendimento a aluno com visão subnormal;  lupas, réguas de leitura;  scanner acoplado a computador;  plano de aquisição gradual de acervo bibliográfico dos conteúdos básicos em Braille.
  24. 24. 16No art. 3º menciona-se a observância dos requisitos estabelecidos na forma destaPortaria vinda a ser verificada, a partir de 90 (noventa) dias da publicação, pelascomissões de especialistas de ensino, responsáveis pela avaliação a que se refere oart. lº, quando da verificação das instalações físicas, equipamentos, laboratórios ebibliotecas dos cursos e instituições avaliados.Isto vai muito além destas exigências, pois a lei não ordena que haja umacapacitação dos docentes e nem orienta por onde as Instituições devem começar otrabalho de inclusão. Alguns órgãos do governo ajudam com esclarecimentos, masainda é pouco levando em consideração a dimensão do problema.Um exemplo é a Coordenadoria Nacional para a Integração da Pessoa Portadora deDeficiência - CORDE. Este é o órgão de Assessoria da Secretaria Especial dosDireitos Humanos da Presidência da República, responsável pela gestão de políticasvoltadas para integração da pessoa portadora de deficiência, tendo como eixo focala defesa de direitos e a promoção da cidadania.A Lei nº 7.853/89 e o Decreto nº 3.298/99 balizam a política nacional para integraçãoda pessoa portadora de deficiência.A CORDE tem a função de implementar essa política e para isso, orienta a suaatuação em dois sentidos: primeiro é o exercício de sua atribuição normativa ereguladora das ações desta área no âmbito federal e, o segundo é desempenho dafunção articuladora de políticas públicas existentes, tanto na esfera federal como emoutras esferas governamentais.Existem também as intervenções do MEC para criar regras para atender portadoresde deficiências nas universidades.Todas as universidades, públicas ou particulares, terão de oferecer acessibilidadeem suas áreas físicas e nas comunicações para pessoas portadoras de deficiências."No momento de abrir um novo curso superior ou requisitar sua renovação, auniversidade terá de cumprir as exigências da lei. É uma medida de fundamentalimportância, porque vai facilitar o acesso dos portadores de deficiências ao ensinosuperior". (Claudia Pereira Dutra, Secretária de Educação Especial do MEC).Claudia Pereira destaca que muitos portadores de deficiência têm movido açõesjudiciais para garantir seus direitos. Com a medida, os direitos dessas pessoas ficamassegurados. A portaria determina que na avaliação das condições de oferta decursos superiores - para autorizá-los, reconhecê-los e renová-los - sejam incluídosrequisitos de acessibilidade de pessoas portadoras de necessidades especiais.Estes requisitos dizem respeito a carências de alunos portadores de deficiênciafísica, visual e auditiva. Eliminação de obstáculos para circulação do estudante,permitindo acesso aos espaços de uso coletivo; reserva de vagas emestacionamentos nas proximidades das unidades de serviço; construção de rampascom corrimãos ou colocação de elevadores e adaptação de portais e banheiros comespaço suficiente para permitir a circulação de cadeira de rodas são alguns dosrequisitos.Como foi citado acima, a portaria exige compromisso formal das instituições deensino superior para manter sala de apoio equipada com máquina de datilografia e
  25. 25. 17impressora em Braille acoplada ao computador, sistema de síntese de voz, gravadore fotocopiadora que amplie textos, software de ampliação de tela e outrosequipamentos para alunos portadores de deficiência visual.8. Normas de AcessibilidadeFundada em 1940, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é o órgãoresponsável pela normatização técnica no país.A norma brasileira NBR 9050 é a norma relativa à acessibilidade a edificações,mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Trata-se de um manual da ABNT quecontém o conjunto de Normas Técnicas para Acessibilidade de Pessoas comDeficiência a Edificações, Mobiliário e Equipamentos Urbanos.Tais normas, são um instrumento de consulta obrigatória para arquitetos eengenheiros que se preocupam, em seus projetos, com a acessibilidade daspessoas com deficiência. É também valioso, senão indispensável, para prefeituras esecretarias de obras.O objetivo da norma é fixar padrões e critérios que visam proporcionar às pessoascom deficiências condições adequadas e seguras de acessibilidade autônoma aedificações, espaços, equipamentos e mobiliário urbanos. Atendendo aos preceitosde desenho universal, a norma aplica-se tanto a novos projetos quanto aadequações em caráter provisório ou permanente.Na NBR 9050, os critérios de acessibilidade são analisados de acordo com cincoitens:  Comunicação e Sinalização;  Acesso e Circulação;  Sanitários e Vestiários;  Equipamentos Urbanos;  Mobiliário.A norma NBR 9050 fornece diversas orientações, como, por exemplo:  A largura livre das portas deve ser de, no mínimo, 80 cm.  As rampas devem ter a largura mínima de 1,20 m, com corrimãos dos dois lados, em duas alturas.  Os percursos devem estar livres de barreiras como postes e lixeiras.  As placas de sinalização devem ser instaladas a uma altura mínima de 2,10 m.  Obstáculos suspensos, cujo topo, situado entre 0,70 e 1,20 m de altura, seja maior que a base, devem ser identificados com sinalização de alerta nas bases, com cor e textura diferenciadas.Exemplo: telefones públicos do tipo orelhão., bancadas, mesas e balcões devem teruma altura que permita a aproximação de pessoas em cadeira de rodas.No Brasil, as normas técnicas de acessibilidade existem há mais de 20 anos (1985)e foram revisadas em 1994 e 2004. Atualmente, a norma técnica brasileira de
  26. 26. 18acessibilidade passou a ter força de lei, pois foi incorporada como texto dereferência técnica citado no Decreto no 5.296/2004.9. Acessibilidade DigitalÈ o processo de tornar disponível o conteúdo de internet para o maior grupo depessoas possível, gerando igualdade de oportunidades na sociedade da informação.A partir da constatação de que o acesso aos modernos meios de comunicação,especialmente a Internet, gera para o cidadão um diferencial no aprendizado e nacapacidade de ascensão financeira e com a percepção de que muitos brasileirosnão teriam condições de adquirir equipamentos e serviços para gerar este acesso,há cada vez mais o reconhecimento e o empenho (governamental, social, técnico,econômico) de se encontrar soluções para garantir tal acesso. Com isto pretende-segerar um avanço na capacitação e na qualidade de vida de grande parte dapopulação, bem como preparar o país para as necessidades futuras (InclusãoDigital).Este grupo inclui pessoas com deficiência ou que necessitem de alguma interfacediferenciada para o acesso. Um computador normal não está completamentepreparado para qualquer usuário. As pessoas com deficiência necessitam,freqüentemente, recorrer a adaptações ou interfaces especificas de forma acompensar limitações sensoriais e de manipulação.A necessidade de adquirir soluções adicionais constitui logo à partida umadesvantagem econômica e técnica. O computador, o software e a informação poreste processada serão considerados acessíveis se permitirem a utilização destasadaptações e interfaces específicas.Assim, Acessibilidade Digital para Todos trata-se da máxima de que toda e qualqueridéia ou projeto deve contemplar o conceito de "acessibilidade para todos". Todo equalquer cidadão - a pessoa idosa, a pessoa com deficiência, a gestante, o obeso, acriança - tem o livre direito de locomover-se pela cidade, usufruir dela, participar ecooperar no seu desenvolvimento.Os mesmos direitos se aplicam a acessibilidade à rede mundial de computadores:Internet. Conteúdos web acessíveis beneficiam usuários com diferentes dispositivosde acesso à Internet (ex.: telefones celulares, WebTV e browsers alternativos). Aspessoas que podem se beneficiar de projetos que contemplem os princípios daAcessibilidade Universal incluem tanto aquelas com deficiências e necessidadesespeciais como aquelas que não as possuem de maneira permanente.Em alguns casos, por exemplo, as pessoas também podem ter dificuldade emutilizar produtos, devido às características específicas do ambiente onde seencontram. Assim, os beneficiados pelo desenho universal incluem todas aspessoas.Os acessos às tecnologias da informação e de comunicação, abrange os váriosmeios de disseminação da informação e os diversos tipos de tecnologias, tais como:
  27. 27. 19  programas de computador e sistemas operacionais (Dosvox; Virtual Vision; Motrix; Jaws; etc);  informações e aplicações para internet (Inclusão Digital);  funções e produtos de telecomunicações (aparelho telefônico com impulsos transmissores de mensagem para surdos; etc);  produtos de vídeo e multi-meios;  produtos auto-portantes (como quiosques de informação, máquinas automáticas) ou encapsulados (como calculadoras, equipamentos de fax);  computadores de mesa, computadores portáteis e suas interfaces (teclado adaptado, ponteiras, tela, mouse; impressora Braille; scanner para digitalização de textos; etc);  a compatibilidade com equipamentos adaptativos geralmente utilizados por pessoas com deficiência (leitores de texto eletrônico: JAWS; displays de Braille, máquina de escrever em Braille; outros).  Pesquisas permanentes na remodelagem/modernização de recursos de comunicação já existentes: réguas-guia, pranchas de/para CSA; maquetes; etc.10. Acessibilidade à WebDe acordo com Cifuentes (2000), Caplan (2002) e Dias (2003), entende-se poracessibilidade à rede a possibilidade de qualquer indivíduo, utilizando qualquer tipode tecnologia de navegação (navegadores gráficos, textuais, especiais para cegosou para sistemas de computação móvel), poder visitar qualquer site e obter um totale completo entendimento da informação contida nele, além de ter total e completahabilidade de interação.Para Zunica (1999), a acessibilidade das páginas web depende da interação de trêselementos, quais sejam: os sistemas de acesso ao computador (ajudas técnicas), osnavegadores utilizados e o desenho das páginas que compõem os sites web.É um erro pensar que é necessária a criação de uma outra versão do site apenasem modo texto para torná-lo acessível, assim como é um mito dizer que websitesacessíveis têm um design limitado e pobre (SOARES, 2005). Outros mitos emrelação à acessibilidade à web são trazidos por Bartlett in Dias (2003), os quaisdestacam -se:  A acessibilidade na web é algo complexo para o projetista mediano: existem inúmeros recursos disponíveis na própria rede para auxiliar os iniciantes e não é necessário ser um expert em HTML ou folhas de estilo para projetar sites acessíveis. A aplicação de seus princípios só trará benefícios ao desenvolvedor, que aprenderá mais sobre o funcionamento da web e sobre o papel da mesma na sociedade como meio de comunicação.  Deficientes não utilizam a web: como afirmar isso sem a realização de pesquisas de satisfação com os usuários e questionamentos a respeito de supostas deficiências que os mesmos venham a ter? É preciso que os desenvolvedores de sites conheçam seus clientes.  Boas tecnologias assistivas podem resolver sozinhas os problemas de acessibilidade: por melhores que sejam, só conseguem traduzir para o usuário o conteúdo existente nas páginas. Links do tipo Clique aqui e
  28. 28. 20 imagens não etiquetadas não fazem sentido para um usuário cego.  A acessibilidade à web beneficia apenas as pessoas deficientes: portais acessíveis podem ser utilizados pelas mais recentes tecnologias, são mais facilmente indexados pelos mecanismos de busca, são compatíveis com outros aplicativos e apresentam um esquema de navegação mais fácil e rápido para todos os usuários.Sendo que atualmente, alguns dos itens acima ainda resistem devido,principalmente, à falta de conhecimento e estudos na área, além da falta doexercício do princípio da alteridade, do colocar-se no lugar do outro.O desenvolvedor da página pode verificar se esta cumpre com as diretrizes deacessibilidade por meio de um validador on line, (conectado à Internet). Umvalidador on line é um serviço em linha, um software que detecta o código HTML deuma página web e analisa seu conteúdo, normalmente baseado na iniciativa deacessibilidade do W3C (SOARES, 2005[2]). O validador ajuda a comprovar se ainterface foi desenvolvida utilizando os padrões web (web sandards) deacessibilidade. Em caso negativo, aponta onde está o problema. Os métodosautomáticos são geralmente rápidos, mas não são capazes de identificar todos osaspectos da acessibilidade. Esses programas verificadores estão disponíveis naInternet.São alguns exemplos de verificadores automáticos:  WebXACT (antigo BOBBY) - (inglês)  Cyntia - (inglês)  Lift - (inglês)  W3C - (inglês)  Valet - (inglês)  Ocawa - (inglês)  TAW (Test Accesibilidad Web) - (espanhol)  Da SILVA - (português)  eXaminator - (português)  Hera - (português)De acordo com Soares (2006), a maioria dos avaliadores possuem versão onlinegratuita, mas só podem testar uma página HTML por vez. Alguns softwares como oBobby (WebXACT), têm, além da versão gratuita, outra, comercial, com maisrecursos e que pode testar um website inteiro de uma única vez.O avaliador DaSilva é brasileiro e permite que o teste de acessibilidade sejarealizado baseado nos padrões do W3C (WCAG 1.0) ou naqueles do e-Gov.O Hera, que disponibiliza uma versão em português (de Portugal) e que tambémutiliza a versão 1.0 da WCAG como base para suas avaliações, de acordo comSoares (2006) pode ser considerado como um dos avaliadores de acessibilidademais aderentes aos padrões web.Já o validador eXaminator, apesar de ser parecido com os outros, tem um foco umpouco diferente: além das diretrizes da WCAG 1.0 também valida o código HTML e
  29. 29. 21CSS da página diretamente no W3C, e, após o teste, ele fornece uma nota de zero adez para a acessibilidade do site analisado, com base nos três testes realizados.Caso a página esteja acessível, o programa avaliador concederá um selo deacessibilidade, denotando o nível de conformidade alcançado:  A (prioridade 1)  AA (prioridades 1e 2)  AAA (prioridades 1, 2 e 3).Para exemplificar utilizaremos o site da Uniso como exemplo no avaliador DaSilva: http://www.dasilva.org.br
  30. 30. 22Resultando assim, que o site da Uniso ainda não é acessível, sugerimos uma novareestruturação do mesmo, através de outro possível projeto de Prática de Pesquisados futuros alunos de TI da instituição.11. Ambientes digitais e suas barreirasInfelizmente, quando tratamos de ambientes digitais, muitas vezes percebemos queesses direitos ainda não são respeitados. Só para se ter uma idéia, apresentamosalgumas situações de uso, trazidos por Melo e Baranauskas (2005).Tratam-se de atividades do dia-adia que devem ser consideradas e contempladasquando da concepção de ambientes/sistemas, quais sejam, por exemplo:  usuário com tendinite crônica emite comandos ao computador via voz para preencher um formulário;  usuário com mobilidade reduzida realiza compras de livros via Internet;  pessoa idosa, com catarata e audição reduzida, acessa serviço de correio eletrônico mantido por seu provedor de acesso à Internet, com auxílio de um leitor de telas; seu sistema operacional é o Windows;  alunos de escola de ensino fundamental acessam sites com conteúdos educacionais; seu acesso à rede é lento e o Sistema Operacional que utilizam é o Linux; um desses alunos é cego;  participantes de um programa de inclusão digital acessam a Internet com máquinas e navegadores antigos;  estudante universitária, destra, está com seu braço direito engessado; prefere usar o teclado a ter que utilizar o mouse com a mão esquerda, para fazer pesquisas na biblioteca digital de sua universidade;  aluna cega realiza sua matrícula via Internet; para leitura das informações, utiliza seu leitor de telas preferido e o teclado como dispositivo de entrada;
  31. 31. 23 além disso, imprime seu comprovante de matrícula em Braille;  aluno surdo, cuja primeira língua é a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), participa em um curso a distância via web;  estrangeiro procura informações sobre programas de pós-graduação em um determinado site português (Brasil);  usuário afásico, com dificuldades em oralizar suas idéias, faz amigos em sala de bate-papo;  funcionária com baixa visão deseja conhecer as atividades oferecidas pela Faculdade de Educação Física no site da instituição; para isso, utiliza um ampliador e um leitor de telas;  usuário com paralisia cerebral, para participar de um fórum de discussões, utiliza o teclado com auxílio de uma ponteira de cabeça, além de um dispositivo apontador;  estudantes universitários acessam conteúdo disponibilizado na web, via interface de televisão digital interativa;  usuário deseja obter as últimas notícias de seu jornal preferido via celular.Caplan (2002) e Dias (2003) apontam as principais barreiras encontradas naspáginas da rede. O grupo W3C-WAI (W3C, 1999) refere também contextos variadosnos quais podem estar inseridos os usuários das páginas. Tais como:  Barreira imposta pela limitação: poderão ocorrer situações nas quais usuários não interpretarão ou não receberão alguns tipos de informações por limitações visuais, auditivas ou físico-motoras.  Barreira de interpretação e leitura: alguns usuários poderão apresentar dificuldades na leitura e compreensão dos textos.  Barreira idiomática: a grande maioria das páginas está disponível em um único idioma, geralmente a língua materna do autor, mas podem acontecer situações nas quais o usuário não fala ou não compreende, com fluência, o idioma no qual a página foi escrita. -Barreira de jargão: páginas web de uso geral devem apresentar linguagem fácil, evitando a utilização de jargões. - Barreiras de design: páginas com muitos gráficos, tabelas e planilhas podem não ser compreensíveis por um leitor de telas, por exemplo.  Barreiras de ferramentas de autoria e conversão de páginas web: páginas geradas utilizando programas não preparados para esse fim podem gerar imagens não etiquetadas com o texto alternativo, por exemplo.  Barreira da novidade: páginas desenhadas utilizando tecnologia muito avançada impedem seu acesso aos usuários que ainda não fazem uso da mesma.  Barreira educacional: torna-se imprescindível que as autoridades governamentais assegurem que, ao menos, a informação oficial esteja em formato legível.  Barreira da tecnologia utilizada: levar em consideração que alguns usuários não utilizam o mouse, e prever uma alternativa por meio do teclado; outros utilizam modems mais lentos, o que os faz desativar as representações gráficas; ou ainda equipamentos portáteis, ou sem saída de áudio. Contemplar também a utilização de navegadores antigos, pertencentes a outros sistemas operacionais, navegadores de voz, apenas de texto ou utilização de leitores de tela. É preciso prever também que alguns usuários poderão se encontrar em situações nas quais seus olhos, ouvidos ou mãos estejam ocupados.
  32. 32. 24  Barreira do desconhecimento: vários projetistas de sites desconhecem a problemática da acessibilidade.A seguir, exempleficamos as principais dificuldades enfrentadas por usuários comlimitações sensoriais, cognitivas e físicas, de acordo com SERPRO(2006):  Cegueira:  Imagens que não possuem texto alternativo, ou seja, aquelas imagens que não são descritas na página;  Imagens complexas, como gráficos ou mapas de imagem, que possuem um importante significado para entendimento da página, que não são descritas;  Vídeos que não possuem descrição textual ou sonora;  Tabelas que não fazem sentido quando lidas célula por célula ou em modo linearizado;  Frames que não possuem a alternativa noframe ou que não possuem nomes significativos;  Formulários que não podem ser navegados em uma seqüência lógica ou que não estão devidamente descritos (rotulados);  Navegadores e ferramentas de autoria que não possuem suporte de teclado para todos os comandos ou que não utilizam programas de interfaces padronizadas para o sistema operacional em que foram baseados;  Documentos formatados que não seguem o padrão de desenvolvimento de páginas, o que pode dificultar a interpretação dos mesmos por leitores de tela.  Baixa Visão  Páginas com tamanhos de fonte absoluta, que não podem ser redimensionadas facilmente;  Páginas que, devido ao layout inconsistente, são difíceis de navegar, quando ampliadas, devido à perda de conteúdos adjacentes;  Páginas ou imagens que possuem pouco contraste;  Textos que são apresentados como imagens, pois não quebram a linha quando ampliadas.  Se o grau residual de visão for muito baixo, as barreiras podem ser as mesmas das já citadas no item anterior (relativo aos cegos).  Daltonismo  Cor utilizada como único recurso para enfatizar o texto;  Contrastes inadequados entre cores de fonte e fundo;  Navegadores que não suportam a opção para o usuário utilizar sua própria folha de estilo. As folhas de estilo são um conjunto de declarações que especificam a apresentação do documento. Tratam-se de marcações que proporcionam efeitos de formatação em HTML, e não estruturais.  Deficiência Auditiva  Ausência de legenda ou transcrições de áudio;  Ausência de imagens suplementares relacionadas com o conteúdo do texto. Isso dificulta a compreensão por pessoas que tem, como primeira língua, a Língua de Sinais, e não aquela que está escrita ou a que é falada na página;  Ausência de linguagem simples e clara;  Requisitos para a entrada de voz.
  33. 33. 25  Deficiência Física  Atividades em que o tempo de utilização é limitado;  Páginas em que várias janelas são abertas simultaneamente ou sobrepostas;  Navegadores e ferramentas que não possuem suporte para um teclado alternativo ou para botões relativos aos comandos efetuados pelo mouse podem causar dificuldades aos deficientes físicos. Isso ocorre quando da utilização de dispositivos apontadores especiais, como aqueles acionados por movimentos de cabeça, do olhar, ou da boca;  Formulários que não podem ser navegados com a tecla TAB em uma seqüência lógica.  Deficiência Mental  Ausência de alternativas para permitir o recebimento de informações: de texto alternativo que pode ser convertido em áudio, de imagens suplementares, ou de legendas para áudio;  Elementos visuais ou em áudio que não podem ser facilmente desligados;  Falta de clareza e consistência na organização das páginas;  Utilização de linguagem complexa sem necessidade;  Páginas com tamanhos de fonte absoluta, que não podem ser redimensionadas facilmente;  Uso de imagens trêmulas ou sinais com uma certa freqüência de áudio que podem causar desconforto.  Usuários com dificuldades de concentração, memorização, leitura ou percepção  Atividades em que o tempo de utilização é limitado;  Ausência de linguagem simples e clara;  Páginas com objetos gráficos sem legenda;  Falta de clareza e consistência na organização das páginas.12. Tecnologia AssistivaAtualmente todos nós usamos tecnologia no nosso dia-a-dia, sendo diretamente ouindiretamente, por exemplo, transações bancárias, assistindo televisão, jogos, etc.Seria impossível vivermos sem a tecnologia na nossa vida, pois viramos dependenteda mesma.A mesma coisa acontece com as pessoas com deficiência: ela também precisa detecnologia para facilitar sua vida e o computador é uma das ferramentas maisimportante em sua inclusão, tanto social como escolar, nos dia de hoje.Conforme o conceito adotado pelo Secretariado Nacional para a Reabilitação eIntegração das Pessoas com Deficiência de Portugal (SNRIPD) em seu CatálogoNacional de Ajudas Técnicas (CNAT), a tecnologia assistiva, também chamada deajudas técnicas, é: qualquer produto, instrumento, estratégia, serviço e prática,utilizados por pessoas com deficiência e pessoas idosas, especialmente produzidasou geralmente disponíveis para prevenir, compensar, aliviar ou neutralizar uma
  34. 34. 26deficiência, incapacidade ou desvantagem e melhorar a autonomia e a qualidade devida dos indivíduos. Podendo variar de um par de óculos ou uma simples bengala aum complexo sistema computadorizado.Utilizaremos que Tecnologia Assistiva é qualquer ítem, peça de equipamento ousistema de produtos, adquirido comercialmente ou desenvolvido artesanalmente,produzido em série, modificado ou feito sob medida, que é usado para aumentar,manter ou melhorar habilidades de pessoas com limitações funcionais, sejam físicasou sensoriais.A Tecnologia é considerada Assistiva quando é usada para auxiliar no desempenhofuncional de atividades, reduzindo incapacidades para a realização de atividades davida diária e da vida prática, nos diversos domínios do cotidiano. É diferente datecnologia reabilitadora, usada, por exemplo, para auxiliar na recuperação demovimentos diminuídos.Instrumentos são aqueles que requerem habilidades específicas do usuário paraserem utilizados, por exemplo, uma cadeira de rodas, que precisa ser conduzidapelo usuário. Equipamentos são os dispositivos que não dependem de habilidadesespecíficas do usuário, por exemplo, óculos, sistema de assento.A Tecnologia Assistiva pode ser comercializada em série, sob encomenda oudesenvolvida artesanalmente. Se produzida para atender um caso específico, édenominada individualizada. Muitas vezes é preciso modificar dispositivos detecnologia assistiva adquiridos no comércio, para que se adaptem a característicasindividuais do usuário.Pode ser simples ou complexa, dependendo dos materiais e da tecnologiaempregados.Pode ser geral, quando é aplicada à maioria das atividades que o usuáriodesenvolve (como um sistema de assento, que favorece diversas habilidades dousuário), ou específica, quando é utilizada em uma única atividade (por exemplo,instrumentos para a alimentação, aparelhos auditivos).A Tecnologia Assistiva envolve tanto o objeto, ou seja, a tecnologia concreta (oequipamento ou instrumento), quanto o conhecimento requerido no processo deavaliação, criação, escolha e prescrição, isto é, a tecnologia teórica.A Norma Internacional ISO 9999 classifica as ajudas técnicas ou tecnologia assistivaem 10 grupos diferentes:Classe 03 Ajudas para terapia e treinamentoClasse 06 Órteses e prótesesClasse 09 Ajudas para segurança e proteção pessoalClasse 12 Ajudas para mobilidade pessoal
  35. 35. 27Classe 15 Ajudas para atividades domésticasClasse 18 Mobiliário e adaptações para residências e outros móveisClasse 21 Ajudas para a comunicação, informação e sinalizaçãoClasse 24 Ajudas para o manejo de bens e produtosClasse 27 Ajudas e equipamentos para melhorar o ambiente, maquinaria e ferramentasClasse 30 Ajudas para o lazer e tempo livreAs novas Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC) vêm se tornando, deforma crescente, importantes instrumentos de nossa cultura e, sua utilização, ummeio concreto de inclusão e interação no mundo. (LEVY, 1999).Quando nos referimos a pessoas com deficiências, as Tecnologias de Informação eComunicação (TICs) podem ser utilizadas ou como tecnologia assistiva, ou por meiode tecnologia assistiva. Utilizam-se as TICs como tecnologia assistiva quando opróprio computador é a ajuda técnica para atingir um determinado objetivo. Porexemplo, o computador utilizado como caderno eletrônico para o indivíduo que nãoconsegue escrever no caderno comum de papel. Por outro lado, as TICs sãoutilizadas por meio de tecnologia assistiva, quando o objetivo final desejado é autilização do próprio computador, para o que são necessárias determinadas ajudastécnicas que permitam ou facilitem esta tarefa. Por exemplo, adaptações de teclado,de mouse, software especiais etc.E estas diferentes maneiras de utilização das TIC como Tecnologia Assistiva temsido sistematizada e classificadas de diversas formas, mas utilizarei a classificaçãode SANTAROSA, onde divide esta utilização em quatro áreas: 1. TIC como sistemas auxiliares ou prótese para a comunicação: sendo a área onde possibilita os avanços mais significativos, pois auxiliam a pessoa a comunicar-se com o mundo exterior, podendo explicitar os desejos e pensamentos. 2. TIC como controle do Ambiente: possibilita que a pessoa com comprometimento motora, possa comandar remotamente aparelhos eletro- doméstico, acender / apagar luzes, abrir / fechar portas, enfim, que a pessoa tenha um maior controle e independência nas atividades diárias. 3. TIC como ferramentas ou ambientes de aprendizagem: auxiliam o processo de desenvolvimento e aprendizagem das pessoas com necessidades educacionais especiais. 4. TIC como meio de inserção no mundo do trabalho profissional: auxilia as pessoas com grave comprometimento motor a se tornarem pessoas ativas e produtivas, em vários casos garantindo o seu sustento e desenvolvimento qualificado.Os produtos de tecnologia de apoio dividem-se nas seguintes categorias: produtosnacionais (24%); softwares gratuitos (17%); produtos internacionais semrepresentação no Brasil (20%) e produtos internacionais com representaçãonacional (39%).
  36. 36. 28Os produtos pesquisados apresentam uma contradição: ao mesmo tempo em quehá produtos extremamente caros, como os softwares e periféricos internacionais e,portanto, inacessíveis para a grande maioria da população atendida pelos serviçosde saúde e de reabilitação e, conseqüentemente, pela terapia ocupacional no Brasil,também foram possíveis encontrar softwares de excelente qualidade distribuídosgratuitamente.Desse modo, um dos grandes problemas parece ser a falta de divulgação, bemcomo, de acesso ao computador e de capacitação dos profissionais (terapeutasocupacionais, professores) que poderiam facilitar o uso desses produtos pelaspessoas com deficiências.Seria ideal que existissem outros meios de divulgação e que esses softwaresestivessem disponíveis em locais públicos como os Centros de Inclusão Digita domunicípio, e até projetos acadêmicos visando a identificação das necessidades daspessoas com deficiência e do levantamento de todos os recursos existentes noterritório nacional.A utilização das tecnologias de apoio, no processo de inclusão digital, é importante,mas não pode limitar-se somente à indicação e confecção dos dispositivos porterapeutas ocupacionais, mas sim, informar e capacitar os monitores dos centros deinclusão digital e professores da rede escolar, a fim de conscientizá-los a respeitodos aspectos específicos relacionados às dificuldades e potencialidade das pessoascom deficiência, bem como sobre a explicitação das possibilidades proporcionadaspelas TAs.O Ministério da Ciência e Tecnologia (2005), afirmou que o uso de tecnologias deapoio ainda é restrito pelos motivos abaixo:  Pessoas com deficiência não têm conhecimento sobre as tecnologias disponíveis;  Profissionais de reabilitação não estão suficientemente preparados para orientar sua clientela;  Não há investimento em pesquisas;  Há poucos produtos no mercado nacional e, principalmente, não há incentivo para o desenvolvimento desse tipo de tecnologia.Como, no Brasil, a fabricação e comercialização das tecnologias de apoio estão,geralmente, ligadas a centros de reabilitação, tais como a AACD, IOT (Instituto deOrtopedia e Traumatologia da FMUSP), Laramara (Laratec), o acesso, treinamento euso desses produtos ficam restritos a sua clientela. Esses centros de reabilitação,além de produzirem alguns produtos, acabam utilizando grandes marcas disponíveisno mercado. Como o mercado é escasso e não há competitividade, os preçostornam-se inacessíveis para grande parte da população.Dentre os produtos comercializados no País, cerca de 11% são importados e decusto muito alto. Sendo assim, seu uso fica restrito às classes mais privilegiadas esua comercialização contribui muito pouco para a inclusão digital, visto que, segundodados do IBGE, das vinte e cinco milhões de pessoas com deficiência, no Brasil,cerca de três milhões vivem com menos de um salário mínimo.
  37. 37. 29Instituições como DMR e Quero-Quero também produzem, por exemplo,acionadores de teclado, cujo uso é limitado à própria clientela e cuja divulgaçãorestringe-se a apresentações em feiras e congressos.Tais produtos, em geral de baixo custo, poderiam beneficiar muitos usuários, sehouvesse maior distribuição e melhor divulgação. Para isso, seria importanteaumentar as trocas científicas entre instituições, universidades, empresas deinformática e serviços de inclusão digital, através de congressos, por exemplo.No entanto, ao contrário, nota-se uma divulgação restrita dos trabalhos relacionadosaos equipamentos, em prejuízo da população que necessita dos produtos detecnologia de apoio.Seria importante, também, que empresas e instituições criassem estratégias dedivulgação e venda de equipamentos usados e/ou de baixo custo, o que poderia serfeito em feiras, congressos ou sites destinados a pessoas com deficiência como aRede Saci (www.saci.org.br) e a Rede Entre Amigos (www.entreamigos.com.br).12.1 - Utilizando A Tecnologia Assistiva em Ambiente ComputacionalBusca-se apresentar aqui diferentes adaptações, recursos e formas de utilização datecnologia assistiva com a finalidade de possibilitar a utilização do computador daspessoas com diferentes graus de comprometimento motor, sensorial e/ou decomunicação e linguagem.Essas adaptações podem ser de diferentes ordens, como, por exemplo:[...] adaptações especiais como tela sensível ao toque ou ao sopro, detector deruídos, mouse alavancado à parte do corpo que possui movimento voluntário evarredura automática de itens em velocidade ajustável, permitem seu uso porvirtualmente todo por-tador de paralisia cerebral, qualquer que seja o grau de seucompro-metimento motor (CAPOVILLA, 1994; MAGALHÃES et al., 1998).Para esta apresentação, é utilizada a classificação proposta pelo Programa InfoEsp(Informática, Educação e Necessidades Especiais, das Obras Sociais Irmã Dulce),que sistematiza o estudo desses recursos propondo situá-los em três grupos: 1. Adaptações físicas ou órteses: São todos os aparelhos ou adaptações fixadas e utilizadas no corpo do usuário e que facilitam a interação do mesmo com o computador.  Pulseira de pesos  Estabilizador de punho e abdutor de polegar com ponteira para digitação  Ponteiros de cabeça  Hastes fixadas na boca ou no queixo 2. Adaptações de hardware: São todos os aparelhos ou adaptações presentes nos componentes físicos do computador, nos periféricos, ou mesmo quando os próprios periféricos, em suas concepções e construção, são especiais e adaptados.
  38. 38. 30  Acionadores especiais (switches)  Acionadores naturais do computador (mouse e microfone)  Máscara de teclado ou colméia  Máscara de teclado junto com “tampões” de papelão ou cartolina  Teclado para digitação com o pé  Acionadores especiais  Mouses adaptados  Teclados especiais  Impressoras Braille  Monitores com telas sensíveis ao toque 3. Softwares especiais de acessibilidade: São os componentes lógicos das TICs quando construídos como tecnologia assistiva, ou seja, são os programas especiais de computador que possibilitam ou facilitam a interação da pessoa com deficiência com a máquina.  Acessibilidade no sistema operacional Windows  Acessibilidade no sistema operacional Linux  Acessibilidade no sistema operacional Mac  Simuladores de teclado  Simuladores de mouse  Simuladores acionados por sopro ou ruído  Leitores de TelaMais poderíamos apresentar exemplos das adaptações aplicadas em áreas, taiscomo:  Adaptações para Atividades da Vida Diária: Dispositivos que auxiliam no desempenho de tarefas de auto-cuidado, como o banho, o preparo de alimentos, a manutenção do lar, alimentar-se, vestir-se, entre outras.  Sistemas de Comunicação Alternativa: Permitem o desenvolvimento da expressão e recepção de mensagens. Existem sistemas computadorizados e manuais. Variam de acordo com o tipo, severidade e progressão da incapacidade.  Dispositivos para Utilização de Computadores: Existem recursos para recepção e emissão de mensagens, acessos alternativos, teclados e mouses adaptados, que permitem a pessoas com incapacidades físicas operar computadores.  Unidades de Controle Ambiental: São unidades computadorizadas que permitem o controle de equipamentos eletrodomésticos, sistemas de segurança, de comunicação, de iluminação, em casa ou em outros ambientes.  Adaptações Estruturais em Ambientes Domésticos, Profissionais ou Públicos: São dispositivos que reduzem ou eliminam barreiras arquitetônicas, como por exemplo rampas, elevadores, entre outros.  Adequação da Postura Sentada: Existe um grande número de produtos que permitem montar sistemas de assento e adaptações em cadeiras de rodas individualizados. Permitem uma adequação da postura sentada que favorece a estabilidade corporal, a distribuição equilibrada da pressão na superfície da pele, o conforto, o suporte postural.
  39. 39. 31  Adaptações para Déficits Visuais e Auditivos: São os ampliadores, lentes de aumento, telas aumentadas, sistemas de alerta visuais e outros.  Equipamentos para a Mobilidade: São as cadeiras de rodas e outros equipamentos de mobilidade, como andadores, bengalas, muletas, e acessórios. Ao selecionar um dispositivo de auxílio à mobilidade, este deve ser adequado à necessidade funcional do usuário, avaliando-se força, equilíbrio, coordenação, capacidades cognitivas, medidas antropométricas e postura funcional.  Adaptações em Veículos: Incluem as modificações em veículos para a direção segura, sistemas para acesso e saída do veículo, como elevadores de plataforma ou dobráveis, plataformas rotativas, plataformas sob o veículo, guindastes, tábuas de transferência, correias e barras.12.2 - Tecnologia Assistiva para Deficientes VisuaisPara fins didáticos, dividimos esse item em dois grandes grupos: interfaces parausuários com baixa visão e interfaces para usuários cegos; apesar de que, algunsdesses equipamentos e/ou programas possam ser utilizados pelos dois grupos.12.2.1 - Interfaces para usuários com baixa visão: Hardware• Lupa Eletrônica para TV ou Lupa Eletrônica Manual: ampliador de imagens. Aparelho acoplado a um televisor que amplia, eletronicamente, material impresso. Tamanho e peso reduzidos (similar a um mouse). Alguns modelos funcionam sem a necessidade de energia elétrica. Possui chave para vídeo normal ou reverso (preto no branco ou branco no preto). O conjunto compõe-se de micro-câmera, 3 ou 4 tripés, fonte e conectores. Pode-se utilizar este dispositivo para ler livros e mapas comuns, ampliando em até 60 vezes (alguns modelos) o tamanho do material.12.2.2 - Interfaces para usuários com baixa visão: Software• LentePro: programa ampliador de telas desenvolvido por meio do Projeto Dosvox, pelo Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NCE-UFRJ). Permite o uso do computador por pessoas que possuem visão subnormal. Por meio dele, o que aparece na tela é ampliado em uma janela (como se fosse uma lupa). O índice de ampliação da imagem dessa janela pode variar de 1 a 9 vezes, permitindo assim que todos os detalhes sejam percebidos mesmo por aqueles com grau muito baixo de acuidade visual. O programa é
  40. 40. 32 simples de ser utilizado, ocupa pouco espaço de memória, além de permitir várias alternativas de configuração (PROJETO DOSVOX, 2009).• Magic: outro exemplo de ampliador de telas é o software Magic (Figura 5), da empresa Freedom Scientific, (EUA). Esse programa tem uma capacidade de ampliação de 2 a 16 vezes para ambiente Windows e todos os aplicativos compatíveis. Suas ferramentas permitem alteração de cores e contrastes, rastreamento do cursor ou do mouse, localização do foco do documento e personalização da área da tela antes ou após a ampliação. O aplicativo também pode fazer a leitura da tela por meio de voz sintetizada (BENGALA BRANCA, 2007).12.2.3 - Interfaces para usuários cegos: Hardware  Impressoras Braille: seguem o mesmo conceito das impressoras comuns de impacto e podem ser ligadas ao computador por meio das portas paralelas ou seriais. Há no mercado uma grande variedade de tipos, quais sejam: de pequeno ou grande porte; com velocidade variada; com impressão em ambos os lados do papel (braille interponto) ou não; algumas imprimem também desenhos e já existem modelos que imprimem simultaneamente caracteres Braille e comuns em linhas paralelas.  Thermoform: espécie de copiadora para material adaptado. Os deficientes visuais podem e devem utilizar desenhos, mapas, gráficos. Para isso, são confeccionadas matrizes dos mesmos, utilizando materiais com texturas diferenciadas (barbante, sementes, lixas, miçangas, entre outros) objetivando
  41. 41. 33 possibilitar a utilização dessas matrizes por diversas pessoas. As mesmas são reproduzidas no thermoform, que emprega calor e vácuo para produzir relevo em películas de PVC.• Braille Falado: sistema portátil de armazenamento e processamento de informação. A entrada de dados é feita mediante um teclado Braille de seis pontos, e a saída é efetuada por meio de um sintetizador de voz. Possui um editor de texto, agenda, calendário, cronômetro e calculadora. Seu peso é de, aproximadamente, 450 gramas; dispõe de sete teclas (uma para cada ponto Braille e uma para o espaço). Por meio desse equipamento, é possível enviar textos diretamente para uma impressora (SAPO, 2006).• Terminal Braille (Linha Braille): equipamento eletrônico ligado ao computador por cabo, que possui uma linha régua de células Braille, cujos pinos se movem para cima e para baixo e que representam uma linha de texto da tela do computador. O número de células Braille da régua pode ir de 20 a 80. Os terminais de acesso em Braille geralmente são encaixados a um teclado comum de computador, podendo ser manipulados como se fosse uma linha a mais de teclas, na parte superior ou inferior do teclado. (MANUAL DIGITAL, 2006).

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