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Ricardo Reis

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  • Cagalhomon escolho te e ati
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  • tas a jogar o LOL?
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  • se quiserem
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  • vaq... mas saco na msm
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Ricardo Reis

  1. 1. Ricardo Reis Heterónimo
  2. 2. <ul><li>Neste trabalho vamos sintetizar as características de Ricardo Reis, o heterónimo de Fernando Pessoa, quais as características estilísticas que ele sua na escrita. Vamos analisar as partes lógicas de um poema de Ricardo Reis «vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio», a utilização de símbolos, de vários recursos expressivos, a utilização de palavras negativas ou de conotação e o uso dos tempos verbais no poema. </li></ul>Introdução
  3. 3. <ul><li>É um poeta clássico, da serenidade epicurista, que aceita com calma lucidez, a relatividade e a fugacidade de todas as coisas. ”Vem te sentar comigo Lídia, à beira do rio” </li></ul><ul><li>A filosofia de Ricardo Reis é a de um epicurista triste, pois defende o prazer do momento “carpem diem” como caminho para a felicidade. Apesar deste prazer que procura e a felicidade que deseja alcançar, considera que nunca se consegue a verdadeira calma e tranquilidade, ou seja, a ataraxia sente que tem de viver em conformidade com as leis do destino, indiferente à dor e ao desprazer numa verdadeira ilusão da felicidade, conseguida pelo esforço estóico lúcido e disciplinado. </li></ul>
  4. 4. <ul><li>A tentativa de iludir o sofrimento resultante da consciência aguda da precariedade da vida, do fluir continuo do tempo e da fatalidade da morte, através do sorriso, do vinho e das flores. </li></ul><ul><li>A intemporalidade das suas preocupações: a angustia do homem perante a brevidade da vida e a inevitabilidade da Morte e a interminável busca de estratégias de limitação do sofrimento que caracteriza a vida humana. </li></ul>
  5. 5. EPICURISMO - Busca da felicidade - Moderação dos prazeres - Fuga à dor (aponia) - Ataraxia (tranquilidade capaz de evitar a perturbação) ESTOICISMO (conformismo) - Aceitação das leis do destino (apatia) - Indiferença face às paixões e à dor - Abdicação de lutar - Auto disciplina Motivos poéticos de Ricardo Reis
  6. 6. HORACIANISMO - Carpe diem: vive o momento - Aure mediocritas: a felicidade possível está na natureza PAGANISMO - Crença nos deuses - Crenças na civilização da Grécia - Intelectualização das emoções - Medo da morte Neoclassicismo - Poesia construída com base em ideias elevadas - Odes
  7. 7. <ul><li>Submissão da expressão ao conteúdo: a uma ideia perfeita corresponde a uma expressão perfeita. </li></ul><ul><li>Estrofes regulares e versos brancos. </li></ul><ul><li>Recusa frequente à assonância, à rima interior e à aliteração. </li></ul><ul><li>Predominância da subordinação. </li></ul><ul><li>Uso frequente do hipérbato. </li></ul><ul><li>Uso frequente do gerúndio e do imperativo. </li></ul><ul><li>O uso latinismo: atro, ledo, infero. </li></ul>Características estilísticas
  8. 8. <ul><li>Vem sentar-te comigo, Lídia, á beira do rio. </li></ul><ul><li>Sossegadamente fitemos o seu curso e aprendemos </li></ul><ul><li>Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas. </li></ul><ul><li>(Enlacemos as mãos). </li></ul><ul><li>Depois pensemos, crianças adultas, que a vida </li></ul><ul><li>Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa, </li></ul><ul><li>Vai para um mar muito longe, para ao pé do Fado, </li></ul><ul><li>Mais longe que os deuses. </li></ul><ul><li>Desenlacemos as mãos, porque não vale a pena cansarmo-nos. </li></ul><ul><li>Quer gozemos, quer não gozemos, passamos como o rio. </li></ul><ul><li>Mais vale saber passar silenciosamente </li></ul><ul><li>E sem desassossegos grandes. </li></ul>Vem sentar-te comigo, Lídia, á beira do rio.
  9. 9. <ul><li>Sem amores, nem ódio, nem paixões que levantam a voz, </li></ul><ul><li>Nem invejas que dão movimento demais aos olhos, </li></ul><ul><li>Nem cuidados, porque se os tivesse o rio sempre correria, </li></ul><ul><li>E sempre iria ter ao mar. </li></ul><ul><li>Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos, </li></ul><ul><li>Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias, </li></ul><ul><li>Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro </li></ul><ul><li>Ouvindo correr o rio e vendo-o. </li></ul><ul><li>Colhamos flores, pega tu nelas e deixa-as </li></ul><ul><li>No colo, que o seu perfume suavize o momento </li></ul><ul><li>Este momento em que sossegadamente não cremos em nada. </li></ul><ul><li>Pagãos inocentes da decadência. </li></ul>
  10. 10. <ul><li>Ao menos, se for sombra antes, lembrar-te-ás de mim depois </li></ul><ul><li>Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova, </li></ul><ul><li>Porque nunca enlaçamos as mãos, nem nos beijamos </li></ul><ul><li>Nem fomos mais do que crianças. </li></ul><ul><li>E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio, </li></ul><ul><li>Eu nada terei que sofrer ao lembrar-me de ti. </li></ul><ul><li>Ser-me-ás suave á memória lembrando-te assim – á beira – rio, </li></ul><ul><li>Pagã triste e com flores no regaço. </li></ul>
  11. 11. <ul><li>O poema pode - se dividir em três partes: </li></ul><ul><li>1ª - Desejo epicurista de usufruir o momento presente (duas primeiras estrofes); </li></ul><ul><li>2ª - Renuncia ao próprio gozo desse momento que é a vida (terceira à sexta estrofe); </li></ul><ul><li>3ª - Explicação dessa renúncia como única forma de anular o sofrimento causado pela antevisão da morte (duas últimas estrofes); </li></ul>Interpretação do poema
  12. 12. <ul><li>Rio </li></ul>à beira do O seu curso Cenário de beleza natural em que se enquadra a situação amorosa Sossegadamente fitemos o seu curso E aprendemos que a vida passa Símbolo da fugacidade dos bens terrenos Enlacemos as mãos I
  13. 13. <ul><li>Nesta primeira parte podemos ver a atitude amorosa que resulta da interpretação dela como símbolo de fugacidade, interpretação que a razão comanda ( aprendamos, pensemos) na constante obsessão do nada. </li></ul><ul><li>Por um lado determina um poeta um desejo de fruir o presente e de aproveitar o fugaz momento, único bem que nos é dado possuir, por outro lado reveste o amor de uma gélida frieza, pelo calculado e pensando sentido que retira toda a espontaneidade ao mais simples gesto de ternura. </li></ul>
  14. 14. <ul><li>II </li></ul>Desenlacemos as mãos Amemo – nos tranquilamente Sentados ao pé um do outro Atitude amorosa Símbolo de Ouvindo correr o rio e vendo - o Passividade
  15. 15. <ul><li>Nesta segunda parte do poema, é nítido o afrouxar do impulso amoroso, a tal ponto que, do gozo do momento presente, mas não fica contida uma emoção que aos poucos se anula para terminar numa atitude de quase indiferença e de irremediável incomunicabilidade ( sentados ao pé um do outro ). </li></ul><ul><li>E mais uma vez essa recusa é símbolo mais amplo de um desencantado viver que nega qualquer paixão mais forte e todo o esforço que se sabe impotente para alterar a força do destino cruel, numa passividade à margem da vida, quase fora dela. </li></ul>
  16. 16. III … se for sombra antes E se antes do que eu levares o óbolo ao barqueiro sombrio Antevisão da morte … lembrar – te – as de mim depois Sem que a minha lembrança te arda ou te fira ou te mova Eu nada terei que sofrer ao lembrar – me de ti Ser – me – ás suave à memória Vitória sobre ela
  17. 17. <ul><li>Aqui podemos ver o remédio ilusório para a obsessão da morte que, no final do poema, Reis antevê e disfarça em eufemísticas perífrases clássicas. </li></ul><ul><li>É para exactamente superar a morte, ou superar – lhe pelo menos o cortejo do sofrimento e saudade que acompanha, que ele opta por essa vivência atrás definida, que nada deixe que se lamente ou se deseje. </li></ul>
  18. 18. <ul><li>Ricardo Reis usa, neste poema: </li></ul><ul><li>O vocativo da segunda pessoa ( «Vem sentar-te comigo, Lídia, á beira do rio») associado ao modo imperativo : vem, pega, deixa-as. </li></ul><ul><li>O uso da primeira pessoa do plural do presente do conjuntivo com sentido de imperativo - fitemos, aprendamos, enlacemos, pensemos, desenlacemos, amemo-nos, colhamos, relaciona-se com a existência de um interlocutor (Lídia),a quem o discurso é dirigido. </li></ul>
  19. 19. <ul><li>Nas duas primeiras partes, o presente do indicativo aparece, ao lado do gerúndio , para traduzia a permanência da transitoriedade que é preciso encarar serenamente: </li></ul><ul><li>«… a vida passa e não estamos de mãos enlaçadas». </li></ul><ul><li>«…a vida </li></ul><ul><li>Passa e não fica, nada deixa e nunca regressa, </li></ul><ul><li>Vai para um mar muito longe…» </li></ul><ul><li>«…pensando que podíamos…» </li></ul><ul><li>«ouvindo correr o rio e vendo-o» </li></ul>
  20. 20. <ul><li>Na terceira parte do texto, a antevisão da morte impõe o surgimento de outros tempos e modos verbais: </li></ul><ul><li>o futuro do indicativo : lembrar-te-ás, terei ser-me-ás; </li></ul><ul><li>o presente do conjuntivo : arda, fira, mova; </li></ul><ul><li>o futuro do conjuntivo : for, levares. </li></ul>
  21. 21. <ul><li>De notar ainda a abdicação angustiada da fruição do amor provocada pela toma de consciência da constante iminência da morte, assinalada por: </li></ul><ul><li>Palavras negativas ou de conotações pessimistas : </li></ul><ul><li>« A vida passa» = nada deixa = nunca regressa = vai </li></ul><ul><li>Passar = correr </li></ul><ul><li>«sempre correrias = «sempre iria ter à...»; </li></ul><ul><li>Não (cinco vezes); nada (três vezes); sem (três vezes); nunca (duas vezes); nem (seis vezes); </li></ul>
  22. 22. <ul><li>Sempre (duas vezes utilizada para traduzir a passagem inexorável do tempo); </li></ul><ul><li>« Pagãos inocentes da decadência», «Pagã triste». </li></ul>
  23. 23. A utilização de símbolos predominantemente de origem clássica mitológica , como é característico deste heterónimo: <ul><li>O rio, que sugere passagem, efemeridade eou morte e aparece já na filosofia de Heraclito; </li></ul><ul><li>O «barqueiro sombrio», Caronte, que, na mitologia grega, transportava as almas dos mortos que tinham sido incinerados ou enterrados através dos rios infernais (o Estige ou o Aqueronte), mediante um óbolo (pequena moeda grega), que a família do defunto lhe colocava na boca para pagar a passagem; </li></ul><ul><li>O Fado e os deuses pagãos; </li></ul>
  24. 24. <ul><li>O enlaçar/desenlaçar das mãos; </li></ul><ul><li>As flores no colo e o seu perfume para sugerir um bem efémero; </li></ul><ul><li>A sombra, para traduzir morte. </li></ul>
  25. 25. A utilização de vários recursos expressivos: <ul><li>Advérbios ou expressões adverbiais , como: sossegadamente (duas vezes), silenciosamente, sem desassossegados grandes, tranquilamente; </li></ul><ul><li>A repetição de palavras da família de laço: «enlacemos»,» desenlacemos», «nunca enlaçamos»; </li></ul><ul><li>A predominância da função apelativa que o vocativo inicial logo sugere; </li></ul>
  26. 26. <ul><li>O ritmo lento, pausado e plangente , sugerido pela pontuação, pelos advérbios de modo que atrás referidos, pelo uso de sons fechados e nasais; </li></ul><ul><li>A metáfora do « antes» (a vida) e do «depois» (a morte) e o papel da memoria/lembrança, na terceira parte do texto. </li></ul>
  27. 27. <ul><li>Outros recursos estilísticos que contribuem para que a tradução da angústia do poeta perante a morte: </li></ul><ul><li>A frequência por vezes, aliterante dos sons « v » e « s », sugestivos de arrastamento e que, associados ao som « ê », contribuem para a acentuação do tom plangente do texto; </li></ul><ul><li>A hipérbole : «mais longe que os deuses»; </li></ul><ul><li>A metáfora : «Pagãos inocentes da decadência»; </li></ul><ul><li>«Nem fomos mais do que crianças» </li></ul><ul><li>«Sem que a minha lembrança te arda ou te fira»; </li></ul>
  28. 28. <ul><li>A comparação : «Passamos como o rio»; </li></ul><ul><li>A enumeração . «Sem amores, nem ódios, nem paixões </li></ul><ul><li>(…) </li></ul><ul><li>Nem invejas (…) </li></ul><ul><li>Nem cuidados…» </li></ul><ul><li>A gradação com síndeto: </li></ul><ul><li>«trocar beijos e abraços e carícias» </li></ul><ul><li>«… te arda ou te fira ou te mova»; </li></ul>
  29. 29. <ul><li>A perífrase de matiz clássica mitológica: </li></ul><ul><li>«levares o óbolo ao barqueiro»(morreres); </li></ul><ul><li>O eufemismo </li></ul><ul><li>«se sombra antes» (= se eu morrer antes). </li></ul>
  30. 30. <ul><li>Concluímos que Ricardo Reis é um epicurista triste, pois defende o prazer do momento “carpem diem” como caminho para a felicidade. Reis Procura a felicidade que deseja alcançar, considerando que nunca se consegue a verdadeira calma e tranquilidade com as leis do destino. </li></ul><ul><li>A sua forma de expressão vai buscá-la aos poetas latinos, de acordo com a sua formação. </li></ul><ul><li>Podemos obter assim, de forma mais concreta, as características estilísticas que Ricardo Reis utiliza e perceber a interpretação o poema que nos foi proposto </li></ul>Conclusão
  31. 31. <ul><li>Edições Sebenta </li></ul><ul><li>nescritas.nletras.com/.../1974-24composition.jpg </li></ul><ul><li>www.geocities.com/marco_lx_pt/odsnamoro.jpg </li></ul>Bibliografia
  32. 32. Escola Secundária Pª Benjamim Salgado 2006/2007 Trabalho elaborado por : Andreia nº3 Angélica nº4 Cláudia nº7 Patrícia nº13 12ºK

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