3 revista literária voo da gralha azul numero 3 marco abril 2010 final

4,165 views

Published on

0 Comments
1 Like
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

No Downloads
Views
Total views
4,165
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
5
Actions
Shares
0
Downloads
41
Comments
0
Likes
1
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

3 revista literária voo da gralha azul numero 3 marco abril 2010 final

  1. 1. no 3 - Ano 0 Paraná, março/abril de 2010Esta revista é gratuita, sendo proibido qualquer tipo de comercialização de seus artigos sem autorização dos respectivos autores.
  2. 2. SUMÁRIOACADEMIAS XXIII Jogos Florais de Ribeirão Preto .................... 98Academia de Letras de Rondônia..............81 XI Jogos Florais Estudantis de Ribeirão Preto ........... 98ANÁLISE DE OBRAS ENTREVISTAMario de Andrade Alberto Paco (Maringá/PR)Contos Novos ............................................. O Escritor em Xeque................................................. 89BIOGRAFIAS ESTANTE DE LIVROSAnayde Beiriz............................................................93 ALUÍSIO AZEVEDOAntonio Augusto de Assis...........................................54 O cortiço .................................................... 106Antonio Brás Constante..............................................4 ÁLVARES DE AZEVEDOAntonio Roberto de Paula ..........................................15 Noite na taverna ....................................... 106 ALVARO CARDOSO GOMESAparecido Raimundo de Souza...................................52 Fase terminal ............................................ 108Branca Tirollo...........................................................80 ANTONIO CALLADOCaio Porfírio Carneiro ...............................................58 A expedição Montaigne ............................. 107Clarice Lispector........................................................70 GUIMARÃES BERNARDO GUIMARÃES A escrava Isaura ....................................... 108Dinair Leite ...............................................................81 O seminarista............................................ 109Franklin Ras Lopes....................................................51 CAMILO CASTELO BRANCOHelena Kolody...........................................................43 Amor de perdição ...................................... 107José Carlos Capinan ...................................................28 EDUARDO BUENO A viagem do descobrimento ...................... 107Luiz Otávio................................................................36 Capitães do Brasil – A saga dos primeirosMario de Andrade......................................................21 colonizadores ............................................. 107Nilto Maciel...............................................................13 Náufragos , traficantes e degredados ....... 107Oswald de Andrade....................................................6 O descobrimento das Índias...................... 107 ELIAS JOSÉPedro Ornellas ..........................................................79 Um pássaro em pânico.............................. 109Pedro Silva ...............................................................18 ELISABETH LOIBLTatiana Belinky ........................................................29 O mistério do índio voador........................ 110Tchelo D’ Barros........................................................57 O segredo do ídolo de barro....................... 110 GUILHERME DE OLIVEIRA FIGUEIREDOVicência Jaguaribe ....................................................3 Tratado geral dos chatos........................... 108CONCURSOS COM INSCRIÇÕES ABERTAS HERNÂNI DONATOXX Concurso de Trovas de Pindamonhangaba ...........94 Brasil 5 séculos ......................................... 108VI Concurso de Trovas da UBT-Maranguape/2010 ......94 IVAN ÂNGELO A face horrível ........................................... 106Jogos Florais UBT Seccional Mérida – Venezuela.......95 JOÃO GUIMARÃES ROSA JOÃOJogos Florais de Cambuci/RJ – 2010 ........95 Grande sertão: veredas ............................. 109Concurso Internacional de Literatura Para 2010. .......95 Primeiras estórias ..................................... 109Concursos da UBT São Paulo - 2010 (100 Anos do Sagarana ................................................... 109Nascimento de Noel Rosa) ...................................96 JORGE AMADO A descoberta da América pelos turcos ...... 105IX Concurso de Trovas de Caicó -2010..................... 97 A morte e a morte de Quincas Berro D’Água............... 105IV Jogos Florais de Balneário Camboriú / SC ...........97 ABC de Castro Alves................................. 105V Jogos Florais de Cantagalo / RJ ............ 97 Dona Flor e seus dois maridos .................. 105Xl Jogos Florais de Niterói .................................97 O sumiço da santa..................................... 106Concurso de Trovas de Taubaté ................97 Os pastores da noite.................................. 105XXX Concurso Estadual/Nacional e I Concurso Interno de Trovas São Jorge dos Ilhéus ................................. 106da Academia de Trovas do Rio Grande do Norte................. 97 Tenda dos milagres ................................... 106 Terras do sem fim ..................................... 106 Esta revista é gratuita, sendo proibido qualquer tipo de comercialização de seus artigos sem autorização dos respectivos autores.
  3. 3. Tieta do agreste .........................................106 De como Malasartes passa adiante a carneirada ......... 12Tocaia grande: a face obscura ...................106 O Saci ........................................................ 98JORGE CALDEIRAMauá, empresário do Império ...................107 HAIKAISJOSÉ DE ALENCAR Helena KolodyIracema: a lenda do Ceará.........................104 Último........................................................ 42Lucíola .......................................................104 Aplauso...................................................... 42O garatuja: crônica dos tempos coloniais..104 Alegria ....................................................... 42O guarani...................................................104 Flecha de Sol ............................................. 42O sertanejo.................................................105 Ipês Floridos.............................................. 42Senhora......................................................105 Qual? ......................................................... 42Til...............................................................105 Poesia Mínima........................................... 42JOSUÉ GUIMARÃES Manhã ....................................................... 42Camilo Mortágua.......................................109 Arco-Íris..................................................... 42Os tambores silenciosos.............................109 Jornada ..................................................... 42LÚCIA MACHADO ALMEIDA Ressonâncias ............................................. 43As viagens de Marco Pólo ..........................105 Noite .......................................................... 43 GARCIA-LUIZ A. GARCIA-ROZA Repuxo Iluminado..................................... 43O silêncio da chuva....................................108 Depois........................................................ 43MANOEL ANTÔNIO DE ALMEIDA Alquimia.................................................... 43Memórias de um Sargento de Milícias......105 Manhã ....................................................... 43MARIA DEZONE PACHECO FERNANDES No Mundo da Lua ..................................... 43Sinhá moça ................................................108 Sem Poesia ................................................ 43MARIA JOSÉ DUPRÉ Noturno ..................................................... 43Éramos seis................................................108 Felicidade .................................................. 43MÁRIO DE ANDRADE Dom ........................................................... 43Macunaíma: o herói sem nenhum caráter 106 NOSSO PORTUGUÊS DE CADA DIANILO ALGE Expressões Redundantes .......................... 49Mergulho no fim ........................................105 NOTÍCIASORÍGENES LESSAA pedra no sapato do herói........................109 Academia de Letras do Brasil/ Estado do ParanáO feijão e o sonho.......................................109 Imortais ..................................................... 111Rua do sol ..................................................109 Tatiana Belinky toma posse na AcademiaTio Pedro....................................................109 Letras..................................... 110 Paulista de LetrasPAULO LINS O ESCRITOR COM A PALAVRACidade de Deus .........................................109 Anayde BeirizPAULO MENDES CAMPOS Carta de Amor........................................... 92Cartas do meu moinho ..............................107 Antonio Brás ConstantePEDRO BLOCH O Homem, o Carteiro e o Cachorro .......... 3Cara nova ou beleza pura..........................106 Aparecido Raimundo de SouzaRUBEM FONSECA O Homem Só ............................................. 51O doente Molière .......................................108 Artur de AzevedoRUY CASTRO A Filosofia do Mendes ............................... 88Bilac vê estrelas.........................................108 Branca TirolloVERA FERREIRA/ ANTONIO AMAURY Não Brinque com o Fogo ........................... 79De Virgolino a Lampião.............................108 Caio Porfírio CarneiroZÉLIA GATTAI Vingança.................................................... 57Anarquistas graças a Deus........................108 Clarice LispectorJardim de inverno .....................................108 Ruído de Passos......................................... 70FOLCLORE Franklin RAS LopesAventuras de Pedro Malasartes (3) O Inesperado Aprendizado nas CurvasUma das de Pedro Malasartes ....................................11 Femininas do Preconceito ......................... 50 Machado de AssisDe como Malasartes fingiu que se Matava....................12 A Cartomante............................................ 38
  4. 4. Nilto Maciel Pronominais .............................................. 5Hiroito........................................................12 Vício na Fala ............................................. 5Pedro Silva Balada do Esplanada ................................ 5Uma Viagem na Época dos Descobrimentos ..............16 Escapulário ............................................... 5Tatiana Belinky Ocaso ......................................................... 6O Diabo e o Granjeiro ................................29 Brasil ......................................................... 6Tchelo D’ Barros Relicário .................................................... 6“M” E “H” no 609 ...................................... ...................................... ......54 Senhor Feudal........................................... 6Vicência Jaguaribe Paulo Vieira PinheiroMãe, ela parece um gatinho! .....................2 A régua que mede...................................... 68 Adverso...................................................... 68POESIAS Amores à letra dalma............................... 68Alberto Paco ( (Maringá/PR) Chuvisco .................................................... 69Fruto do Carnaval .....................................86 Cintilar (Estudo 080608-1) ....................... 67Antonio Augusto de Assis (Maringá/PR) De pé me deito........................................... 69Carnaval ....................................................53 Desabafo.................................................... 69Luolhar ......................................................53 Esperanças (Exercício 21042008-3) .......... 67Terceira infância........................................53 Já ............................................................... 66Aurora bela ................................................54 Momentos de insensatez ........................... 66Por um beijo...............................................54 Tanto tempo que nem sei.......................... 66Antonio Cândido da Silva ( (Porto Velho/RO) Tempos de Inocência ................................. 69Bar do Zizi .................................................85Antonio Manuel Abreu Sardenberg ( (São Universo das Palavras (Exercício 21042008-1)............ 66 Veneta ....................................................... 66Fidélis/RJ) Xadrez ....................................................... 66Namorar em Sonhos ..................................85 Ramsés Ramos ( (Teresina/PI)Antonio Roberto de Paula (Maringá/PR)O Silêncio de Maringá ...............................13 Sete Pecados do Amor ............................... 86Cabrito na Horta ......................................14 Samuel Castiel Jr. ( (Porto Velho/ RO) Flor Tropical.............................................. 87Emir Simionato Sabião (Ubiratã/PR) Tatiana Belinki ( (São Paulo/ SP)Procura .....................................................2 O Grande Cão-Curso................................. 86Desejo.........................................................2 Os "Limerick" ........................................... 87José Carlos Capinan (Esplanada/BA)Mudando de Conversa ...............................24 SOPA DE LETRASAlgumas Fantasias ...................................24 A Origem da Escrita ................................. 58Madrugadas de Narciso.............................25 TROVASOutras Confissões......................................25 Alberto Paco (PR)Didática......................................................25 Quadro Trovadoresco ................................ 89Poesia Pura................................................25 Dinair LeiteO Rebanho e o Homem ..............................26 Trovas........................................................ 80Ponteio .......................................................26 João Paulo Ouverney (SP)Clarice........................................................26 Quadro Trovadoresco ................................ 104Papel Machê ..............................................27 Luiz OtávioMachado de Assis ( (Rio de Janeiro/RJ) 100 Trovas................................................. 31A Mosca Azul .............................................84 Pedro OrnellasMaria Eliana Palma ( (Maringá/PR) A Lágrima na Trova.................................. 77Albatroz .....................................................87 Wilma Mello Cavalheiro (RS)Olga Agulhon ( (Maringá/PR) Quadro Trovadoresco ................................ 50Ridícula......................................................84Oswald de Andrade (São Paulo/SP) INDICAÇÃO DE SITES DE LITERATURA ........... 112Relógio .......................................................4Erro de Português......................................4 FONTES .................................................... 113 ....................................................Canto de Regresso à Pátria .......................5
  5. 5. Revista Literária “O Voo da Gralha Azul” março/abril n0. 3 – Paraná, março/abril 2010 Idealização, seleção e edição: José Feldman Contatos, sugestões, colaborações: pavilhaoliterario@gmail.comhttp://singrandohorizontes.blogspot.comQue a humanidade possa aprender com a nossa Gralha-azul e entender que oequilíbrio e o respeito ecológico entre fauna e flora é fundamental para a existênciado Homem na face da Terra!!! Prezado LeitorEsta revista não tem a pretensão e nunca poderá ser considerada como substituição aos livros, jornais,colunas, etc. que circulam virtualmente ou não, mas sim como mola propulsora de incentivo aocidadão para buscar novos conhecimentos, ou relembrar aqueles perdidos na névoa do passado.Por que o Voo da Gralha Azul? A poetisa norte-americana Emily Dickinson, que viveu no século XIX, diz“Não há melhor fragata do que um livro para nos levar a terras distantes”. No caso da revista, estafragata é a Gralha Azul, que assim como semeia o pinheiro, ela alça voo e semeia no coração de cadaum que alcançar, o pinhão da cultura, em todas as suas manifestações.Ao leitor, novos conhecimentos.Ao escritor ou aspirante a tal, sejam poetas, trovadores, romancistas, dramaturgos, compositores, etc.,um caminho de conhecimento e inspiração. Obrigado por me permitir dividir consigo estes breves momentos, José Feldman
  6. 6. 2 Emir Simionato Sabião (Poesias)PROCURA DESEJOProcurei tudo e não encontreiTentei tudo e não consegui No fundo dos olhos de alguémFalei tudo e não ouvi mergulhei e me perdiOlhei pra tudo e nada vi Nos lábios de alguém me entregueiAndei muito, mas não saí e mesmo assim eu resistiToquei em tudo, mas não senti No corpo de alguém eu me esquenteiPerguntei muito e não respondi e nunca mais esqueciEntão não sei Porém não sei o que fazerporque ainda estou aqui! se nada disso está aqui! Vicência Jaguaribe (Mãe, ela parece um gatinho!) gatinho!) Nega do cabelo duro, / qual é o pente segurava o barrigão inchado. Às vezes, soltavaque te penteia, / qual é o pente que te penteia um gemido. A menina olhava-a e sentia que/ qual é o pente que te penteia, ó nega... algo estava errado – aliás, sentia isso há algum A menina ouvia a voz de uma das tias tempo, já. Primeiro aquela barriga que todo diabrincando com ela e com a irmã. Depois de crescia um pouco, até ficar daquele tamanho,adulta, sempre que ouvia o samba de Ary ameaçando explodir. O que ela tinha naquelaBarroso, Rubens Soares e David Nasser, barriga? Ninguém lhe dizia nada, e ela sentialembrava-se daquele dia. Mas, principalmente, vergonha de perguntar. Há algum tempo, vira alembrava-se da tia. Aquela música havia mãe vomitando e perguntara-lhe se ela comeraaderido à figura da tia como a areia adere ao alguma coisa estragada. A mãe confirmou.corpo molhado. A coisa que ela tinha mais medo no Ela e a irmã estavam na casa da avó, mundo era de perder a mãe. Quando ouviaporque a mãe fora buscar o irmão delas, que dizer que morrera uma mãe, ela passava o dianasceria naquele dia. Quando ela chegasse, seguindo a sua. E era preciso que a mãe amandaria buscá-las. Foi isso o que lhes pusesse no colo, conversasse com ela,disseram. Ela só tinha cinco anos quando o explicasse que não ia morrer, porque nãoirmão nasceu, mas se lembra perfeitamente do estava doente, para que ela voltasse ao normal.que aconteceu. A irmã, com três anos, não Enquanto a irmã ria brincando com aatinava para a situação nem guardou nenhum tia, ela ficou sentada no chão, de frente para orecordação. corredor, observando o movimento, para tentar Mas ela, a mais velha, pressentia entender alguma coisa. De vez em quando,alguma coisa anormal no ar. Não sabia o que entrava um tio ou uma tia com cara deera. Mas que havia, havia. De manhã bem preocupação. A avó estava todo o tempocedo, a mãe acordou-as, ajudou-as a escovar ajoelhada em frente ao santuário, rezando paraos dentes; preparou-lhes o café e mandou a os santos dela. Mais tarde, perto do almoço,empregada levá-las para a casa da avó uma das tias chegou chorando, entrou nopaterna. Mas a menina observara que ela não quarto e disse alguma coisa à mãe. A meninaestava bem. De vez em quando, curvava-se e apurou os ouvidos, mas só ouviu uma palavra: Revista Literária “O Voo da Gralha Azul” – n.3 – Paraná, março/abril de 2010.
  7. 7. 3hemorragia, que ela não sabia o que era. Mas no carro, depois de despedir-se de seu pai, e oviu quando a avó começou a chorar. A tia que carro partir. O pai não entrou em casa, veiohavia chegado chamou a irmã que brincava para a casa da mãe. Ao vê-la sentada nacom as meninas, cochichou alguma coisa. E a calçada, botou-a no braço. Ele estava com airmã ficou com cara de enterro. cara alegre: A menina não sabia precisar, mas intuía - Seu irmão chegou, e sua mãe agoraque algo grave acontecia com a mãe. O pai está bem. Daqui a pouco você pode ir vê-la.havia, poucas horas atrás, entrado na casa da A menina começou a chorar, como semãe, dizendo que mandara buscar um médico alguém houvesse apertado um botão liberadorna cidade vizinha. Logo depois, alguém lhe de lágrimas.dissera que não precisava mais, já estava tudo - Mas por que essa menina estábem. O pai, no entanto, não mandara o carro chorando? – Perguntou à irmã, que sevoltar. aproximava. Então, se o pai mandara chamar um Os adultos pensavam o que dasmédico era porque alguém estava doente. E só crianças? Que eram burras, insensíveis? Epodia ser a mãe dela, raciocinou a menina. quanto mais tomava consciência de que nemTeve vontade de chorar, mas se controlou. passara pela cabeça do pai que ela podia estarOlhou para a irmã, que continuava rindo e sofrendo, mais chorava. Só se calou quando acantando. O pai foi para casa, e a menina ficou tia, mesmo sem o consentimento do irmão,mais preocupada ainda. Mas ninguém ali se levou-a a ver a mãe.importava com a sua tristeza. Parecia até que A mãe abraçou-a e jurou que estavaninguém a via. bem. Mas percebeu que a sua menina não era Foi à cozinha, tentar escutar alguma tão ingênua como se pensava. Teve certeza decoisa das empregadas. Ela sabia – de ouvir que percebera que a mãe quase se fora. Edizer – que empregada sabe de tudo e mandou que ela fosse ver o irmão no berço.conversa tudo na frente das crianças. Mas, A menina ficou de ponta de pé e olhou odaquela vez, nada. A tia aproximou-se e falou irmão, que lhe pareceu um embrulho branco. Eem almoço. A menina, que normalmente quase o primeiro sentimento que experimentou pornão comia, disse não estar com fome. Mas foi ele foi raiva. Se não fosse ele, a mãe não tinhaobrigada a engolir alguns bocados, à força, a ficado doente. Mas, de repente, ele mexeu-se etia fazendo bolinhos na mão. E aí ela se abriu os olhos – uns grandes e belos olhoslembrou dos perus que a mãe engordava para azuis. Foi nesse momento que ela seo Natal. Era exatamente assim que ela dava descontraiu e, sorrindo, disse para a mãe:comida aos bichos. Deus a livrasse de ser peru! - Mãe, ele parece um gatinho!Ave Maria! Quando a tia achou que ela haviacomido – à força – o suficiente, ou cansou detentar, liberou-a, e ela foi para a calçada.Sentou-se à sombra do fícus benjamim, virada Vicência Jaguaribepara o lado de sua casa, que ficava umas nove Vicência Maria Freitas Jaguaribe, natural decasas à frente. Viu, parado em frente à casa, o Jaguaruana-Ce. Professora de Literatura e Estilísticacarro que fora buscar o doutor. Mais ou menos da Universidade Estadual do Ceará. Mestra emuma hora depois – e durante esse tempo ela Literatura pela UFC. Trabalhos publicados nas áreasficou na quentura da calçada, sem ninguém se de Literatura, Estilística e Lingüística do Texto.incomodar –, viu um homem de branco entrar Antonio Brás Constante (O Homem, o Carteiro e o Cachorro) O cachorro é o melhor amigo do primeiramente vamos tentar explicar para essahomem, com exceção do carteiro. Mas juventude que só conhece internet o que é um Revista Literária “O Voo da Gralha Azul” – n.3 – Paraná, março/abril de 2010.
  8. 8. 4carteiro. O carteiro seria uma espécie de irrita e maltrata seu cão, que em contrapartidaprovedor de e-mails biológico. Quando ele morde o carteiro em sinal de represália.entrega as correspondências a pé, isto Uma forma de contemporizar oequivaleria a uma conexão discada e lenta. Se problema de donos de cães que deixam osele estiver de moto poderia ser considerado animais soltos ou mal trancados (facilitandocomo uma conexão ADSL (banda larga), e o ataques aos carteiros) seria fazer esses donosSEDEX é a internet empresarial, rápida, passarem um dia na função de carteiroseficiente e muito mais cara. auxiliares, entregando cartas somente em O carteiro poderia entendido (na ótica residências com grandes e ferozes cães. Umdos cães) como uma espécie de válvula de bom castigo, já que eles sentiriam na pele (queescape para o cachorro, que muitas vezes sofre é o primeiro lugar que sente a mordida dosde forma obediente a crueldade de seu dono, e cachorros) o problema enfrentado todos os diaspor não poder pagar um psicólogo canino, pelos entregadores de cartas.resolve descontar suas frustrações no carteiro, Enfim, no mato sem cachorro em quevisto que ele, na teoria, é a imagem e vivemos, onde quem não tem cão caça comosemelhança do seu dono. Ou seja, a profissão um gato, nós estamos rumando para umde carteiro acaba sendo um negócio bom pra mundo sem cartas, ou carteiros, ou mesmocachorro, literalmente falando. cachorros. E neste futuro, quando percebermos Talvez o cachorro entenda que o carteiro que a idéia de que tínhamos as cartas na mesa,é como algum tipo de ave de mau agouro, algo era falsa, e que fizemos uma grande cachorradaparecido com um corvo, como descrito pelo com nosso fiel e amigável planeta, não haveráescritor Edgar Alan Poe. O cão já deve ter mais como reescrever a história, e a cartadapercebido que muitos dos papéis deixados pelos final de nossa existência já estarácarteiros têm símbolos que quando unidos derradeiramente selada.formam a frase: “C-O-N-T-A-S-A-P-A-G-A-R”, eque cada vez que seu dono lê essas mensagensescritas fica aborrecido, irritado, chegandoalgumas vezes a amassar o papel. E o que odono do cachorro geralmente faz depois? Chutaseu pobre companheiro de patas, Antonio Brás Constanteprovavelmente por achá-lo culpado pelo carteiro Antonio Brás Constante, natural de Porto Alegre. Residente em Canoas/RS. Bacharel em computação,ter conseguido entregar aquela infeliz bancário e cronista de coração, escreve commensagem para ele. naturalidade, descontraída e espontaneamente, Este é um dos ciclos da vida, o carteiro sobre suas idéias, seus pontos-de-vista, sobre otrás as contas para o dono da residência que se panorama que se descortina diferente a cada instante, a nossa frente: a vida. Membro da ACE (Associação Canoense de Escritores). Oswald de Andrade (Poesias) Oswald, pintura de Tarsila do Amaral RELÓGIO As horas Vão e vêm As coisas são Não em vão As coisas vêm As coisas vão ERRO DE PORTUGUÊS As coisas Vão e vêm Quando o português chegou Não em vão Debaixo duma bruta chuva Revista Literária “O Voo da Gralha Azul” – n.3 – Paraná, março/abril de 2010.
  9. 9. 5 Vestiu o índio Uma balada Que pena!Fosse uma manhã de sol Antes de ir O índio tinha despido Pro meu hotel. O português É que este Coração CANTO DE REGRESSO À PÁTRIA Já se cansou De viver só Minha terra tem palmares E quer então Onde gorjeia o mar Morar contigo Os passarinhos daqui No Esplanada. Não cantam como os de lá Eu queria Minha terra tem mais rosas Poder E quase que mais amores Encher Minha terra tem mais ouro Este papel Minha terra tem mais terra De versos lindos É tão distinto Ouro terra amor e rosas Ser menestrel Eu quero tudo de lá No futuro Não permita Deus que eu morra As gerações Sem que volte para lá Que passariam Diriam Não permita Deus que eu morra É o hotel Sem que volte pra São Paulo É o hotel Sem que veja a Rua 15 Do menestrel E o progresso de São Paulo Pra me inspirar PRONOMINAIS Abro a janela Como um jornal Dê-me um cigarro Vou fazer Diz a gramática A balada Do professor e do aluno Do Esplanada E do mulato sabido E ficar sendo Mas o bom negro e o bom branco O menestrel Da Nação Brasileira De meu hotel Dizem todos os dias Deixa disso camarada Mas não há, poesia Me dá um cigarro Num hotel Mesmo sendo VÍCIO NA FALA Splanada Ou Grand-Hotel Para dizerem milho dizem mio Para melhor dizem mió Há poesia Para pior pió Na dor Para telha dizem teia Na flor Para telhado dizem teiado No beija-flor E vão fazendo telhados No elevador BALADA DO ESPLANADA ESCAPULÁRIO Ontem à noite No Pão de Açúcar Eu procurei De Cada Dia Ver se aprendia Dai-nos Senhor Como é que se faziaRevista Literária “O Voo da Gralha Azul” – n.3 – Paraná, março/abril de 2010.
  10. 10. 6 A Poesia À espera de visitas que não vêm De Cada Dia (Primeiro caderno do aluno de poesia) OCASO Em 11 de janeiro de 1890 nasce em São Paulo José Oswald de Sousa Andrade, filho No anfiteatro de montanhas único de José Oswald Nogueira de Andrade e Os profetas do Aleijadinho Inês Henriqueta Inglês de Sousa Andrade. Monumentalizam a paisagem Inicia seus estudos, em 1900, na Escola As cúpulas brancas dos Passos Modelo Caetano de Campos, ainda marcado E os cocares revirados das palmeiras pelo fato de haver presenciado a mudança do São degraus da arte de meu país século. Onde ninguém mais subiu Em 1901, vai para o Ginásio Nossa Senhora do Carmo. Tem como colega Pedro Rodrigues BRASIL de Almeida, o “João de Barros” do”Perfeito Cozinheiro das Almas desse mundo...”. O Zé Pereira chegou de caravela Em 1903, transfere-se para o Colégio São E perguntou pro guarani da mata virgem Bento. Lá tem como colega o futuro poeta - Sois cristão? modernista Guilherme de Almeida.- Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da Morte Em 1905, com o São Paulo em ebulição — Teterê tetê Quizá Quizá Quecê! surge o bonde elétrico, o rádio, a propaganda, Lá longe a onça resmungava Uu! ua! uu! o cinema — participa da roda literária de O negro zonzo saído da fornalha Indalécio Aguiar da qual faz parte o poeta Tomou a palavra e respondeu Ricardo Gonçalves. - Sim pela graça de Deus Em 1908, conclui os estudos no Colégio São Canhem Babá Canhem Babá Cum Cum! Bento com o diploma de Bacharel em E fizeram o Carnaval Humanidades. De família abastada, Oswald, em 1909 inicia sua vida no jornalismo como redator RELICÁRIO e crítico teatral do “Diário Popular”, assinando a coluna "Teatro e Salões". Ingressa na No baile da corte Faculdade de Direito. Foi o conde d’Eu quem disse Em 1910, monta um atelier com o pintor Pra Dona Benvinda Oswaldo Pinheiro, no Vale do Anhangabaú. Que farinha de Suruí Conhece o Rio de Janeiro, e fica hospedado na Pinga de Parati residência de seu tio, o escritor Inglês de Fumo de Baependi Souza. Passa o primeiro Natal longe da família É comê bebê pitá e caí em Santos, numa hospedaria de carroceiros das docas. SENHOR FEUDAL No ano seguinte, com a ajuda financeira de sua mãe, funda “O Pirralho”, cujo primeiro Se Pedro Segundo número é lançado em 12 de agosto, tendo Vier aqui como colaboradores Amadeu Amaral, Voltolino, Com história Alexandre Marcondes, Cornélio Pires e outros. Eu boto ele na cadeia Conhece o poeta Emílio de Meneses, de quem se torna amigo. Lança a campanha civilista em torno de Ruy Barbosa. Passa uma temporada em Baependi, Minas, nas terras da família de seu avô. Em 1912, viaja à Europa. Visita vários países: Oswald de Andrade Itália, Alemanha, Bélgica, Inglaterra, França, Espanha. Conhece durante a viagem a jovem Senhor dançarina Carmen Lydia, (Helena Carmen Que eu não fique nunca Hosbale) que Oswald batiza em Milão. Morre Como esse velho inglês em São Paulo sua mãe, no dia 6 de setembro. Aí do lado Retorna ao Brasil, trazendo a estudante Que dorme numa cadeira francesa Kamiá (Henriette Denise Boufflers).Revista Literária “O Voo da Gralha Azul” – n.3 – Paraná, março/abril de 2010.
  11. 11. 7Reassume sua atividade de redator de “O primeiro grupo modernista com Mário dePirralho”, onde publica crônicas em português Andrade, Guilherme de Almeida, Ribeiro Coutomacarrônico com o pseudônimo de Annibale e Di Cavalcanti. De 1917 a 1922 escreveScipione. regularmente no “Jornal do Comércio”. No ano seguinte, participa das reuniões da Trabalha em “A Gazeta”, em 1918. Começa aVila Kirial e conhece o artista plástico Lasar compor “O perfeito cozinheiro das almas desseSegall. Escreve “A recusa”, drama em três atos. mundo...”, diário coletivo escrito em Nasce o seu filho, José Oswald Antônio de colaboração com Maria de Lourdes CastroAndrade (Nonê), com Kamiá, em 1914. Torna- Dolzani de Andrade (Miss Cyclone), Guilhermese Bacharel em Ciências e Letras pelo Colégio de Almeida, Monteiro Lobato, Leo Vaz, PedroSão. Bento, onde foi aluno do abade Sentroul. Rodrigues de Almeida, Inácio Pereira da Costa,Cursa Filosofia no Mosteiro de São Bento. Edmundo Amaral e outros. Fecha a revista “O Em 1915, participa do almoço em Pirralho”.homenagem a Olavo Bilac, promovido pelos Bacharel em Direito, é escolhido orador daestudantes da Faculdade de Direito. Torna-se turma. Morre seu pai, em fevereiro. Casa-se, “inmembro da Sociedade Brasileira dos Homens de extremis”, com Maria de Lourdes Castro DolzaniLetras, fundada em São Paulo por Bilac. Chega de Andrade (Miss Cyclone).ao Brasil a dançarina Carmen Lydia, com quem Publica no jornal dos estudantes damantém um barulhento namoro. Faz viagens Faculdade de Direito, “XI de Agosto”, trêsconstantes de trem ao Rio a negócio ou para capítulos de “Memórias Sentimentais de Joãoacompanhar Carmen Lydia. Miramar”. No ano seguinte, publica em “A Cigarra” o No ano seguinte edita “Papel e Tinta”,primeiro capítulo — e, depois, lança, com assinando com Menotti del Picchia o editorial eGuilherme de Almeida, as peças teatrais escrevendo regularmente para o periódico.“Theatre Brésilien — Mon Coeur Balance” e Descobre o escultor Brecheret. Escreve em “A“Leur Âme”, pela Typographie Asbahr. Faz a Raposa” artigo elogiando Brecheret com textoleitura das peças em vários salões literários de ilustrado com fotos de trabalhos do artista.São Paulo, na Sociedade Brasileira de Homens 1921 – Em julho, publica artigo sobre ode Letras, no Rio de Janeiro e na redação “A poeta Alphonsus de Guimarães, ressaltando aCigarra”. Publica trechos de “Memórias forma de expressão, no seu entender,Sentimentais de João Miramar” na “A Cigarra” e precursora da linguagem modernista. (“Jornalna “A Vida Moderna”. Sofre de artritismo. A do Comércio” (SP), 07/1921). Faz a saudação aatriz Suzanne Després recita no Municipal Menotti del Picchia no banquete oferecido paratrechos de “Leur Âme”. Passa a colaborar políticos e poetas no Trianon. Revela Mário deregularmente em “A Vida Moderna”, que publica Andrade poeta, em polêmico artigo "O meuem 24 de maio, cenas de “Leur Âme”. Volta a poeta futurista". Principia a colaboração doestudar Direito, cujo curso havia interrompido “Correio Paulistano” até 1924.em 1912. Recebe o convite de Valente de Participa da caravana de jovens escritoresAndrade para fazer parte do “Jornal do paulistas ao Rio de Janeiro, a fim de fazerComércio”, edição de São Paulo e em 1º de propaganda do Modernismo. Torna-se o lídernovembro começa seu trabalho como redator. dessa campanha preparatória para a SemanaRedator social de “O Jornal”. de Arte Moderna. Continua a viajar intermitentemente ao Rio. Em 1922, participa da Semana de ArteNaquela cidade freqüenta a roda literária de Moderna no Teatro Municipal de São Paulo. FazEmílio de Meneses, João do Rio, Alberto de conferência, em 18 de setembro, comemorativaOliveira, Eloi Pontes, Olegário Mariano, Luis ao centenário da Bandeira Nacional. É um dosEdmundo, Olavo Bilac, Oscar Lopes e outros. participantes do grupo da revista “Klaxon”,Passa temporada em Aparecida do Norte. Está onde colabora. Integra o grupo dos cinco comescrevendo o drama “O Filho do Sonho”. Mário de Andrade, Anita Malfatti, Tarsila do Em 1917, conhece Mário de Andrade. Amaral e Menotti del Picchia.Defende a pintora Anita Malfatti das críticas Publica “Os Condenados”, com capa de Anitaviolentas feitas por Monteiro Lobato ("A Malfatti, primeiro romance de “A trilogia doexposição de Anita Malfatti", no “Jornal do exílio”. Viaja a negócios ao Rio. Em dezembroComércio”, São Paulo, 11/01/1918). Participa do Revista Literária “O Voo da Gralha Azul” – n.3 – Paraná, março/abril de 2010.
  12. 12. 8embarca para a Europa. Começa sua amizade Publica, em 1927, “A Estrela de Absinto”,com Tarsila do Amaral. segundo romance de “A trilogia do exílio”, pela No ano seguinte, ganha na justiça a custódia Editora Hélios com capa de Brecheret.do seu filho Nonê. Faz viagem a Portugal e Publica “Primeiro Caderno de Poesia doEspanha, com passagem pelo Senegal, Aluno Oswald de Andrade”, ilustrado pelo autor,acompanhado de Tarsila. Matricula seu filho no com capa de Tarsila. Começa no “Jornal doLicée Jaccard em Lausanne, Suiça. Reside em Comércio” a coluna "Feira das Quintas".Paris até agosto, no atelier de Tarsila. Disputa o prêmio romance, patrocinado pela Conhece o poeta Blaise Cendrars. Academia Brasileira de Letras, com “A Estrela Em Paris, de volta ao Brasil, é homenageado de Absinto”, que obteve menção honrosa.com um banquete pela Sociedade Amis des Publica trechos de “Serafim Ponte Grande” naLettres Françaises, sendo saudado pela revista “Verde”.presidente do grupo Mme.Rachilde. Em 1928, publica o “Manifesto Antropófago” Em 1924, no dia 18 de março publica no na “Revista de Antropofagia”, que ajuda a“Correio da Manhã” o “Manifesto da Poesia Pau fundar, com os amigos Raul Bopp e Antônio deBrasil”. Toma parte na excursão ao carnaval do Alcântara Machado.Rio de Janeiro e à Minas com outros intelectuais É expulso do Congresso de Lavradores,brasileiros e do poeta Blaise Cendrars, chamada realizado no Cinema República (SP) por proporde “Caravana Modernista”. Em Minas Gerais, um acordo com o trabalhador do campo.recebidos por Aníbal Machado, Pedro Nava e Separa-se de Tarsila do Amaral. Rompe comCarlos Drummond de Andrade, excursionam Mário de Andrade e Paulo Prado.pelas cidades históricas. No “Correio No dia 1º de abril de 1930 casa-se comPaulistano”, publica o artigo “Blaise Cendrars — Patrícia Galvão (Pagú) numa cerimônia poucoUm mestre da sensibilidade contemporânea". convencional. O acontecimento foi simbólico,Participa do V Ciclo de Conferência da Vila realizado no Cemitério da Consolação, em SãoKyrial falando sobre "os ambientes intelectuais Paulo. Mais tarde, se retrataram na igreja.da França". Publica “Memórias Sentimentais de Escreve "A casa e a língua", em defesa daJoão Miramar”, com capa de Tarsila. Faz uma arquitetura de Warchavchik. Nasce seu filholeitura do “Serafim Ponte Grande”, em casa de Rudá Poronominare Galvão de Andrade com aPaulo Prado para uma platéia de amigos escritora Pagú. É preso pela polícia do Rio demodernistas. Janeiro, por ameaçar o antigo amigo, poeta Viaja à Europa. Monta com Tarsila um novo Olegário Mariano.apartamento em Paris, conservando este Em 1931, escreve “O mundo político”.endereço até 1929. Começa a escrever ensaios políticos, Publica em Paris pela editora Au Sans Pareil geralmente sobre a situação e os problemas doo livro de poemas “Pau Brasil”. operário. Funda com Queiroz Lima e Pagú “O Retorna ao Brasil. Candidata-se à Academia Homem do Povo”. Publica o “Manifesto Ordem eBrasileira de Letras. Oficializa o noivado com Progresso”. Engaja-se no Partido Comunista.Tarsila do Amaral. No ano seguinte, redige o prefácio definitivo Recebido com outros brasileiros em de “Serafim Ponte Grande”.audiência pelo papa, a fim de tentarem a Em 1933, publica “Serafim Ponte Grande”.anulação do casamento de Tarsila. Patrocina a publicação de “Parque Industrial”, Casa-se com Tarsila do Amaral, em 30 de romance de Pagú.outubro, em cerimônia paraninfada pelo No ano seguinte, deixa Pagú e une-se àPresidente Washington Luis. pianista Pilar Ferrer. Publica “A Escada Publica na “Revista do Brasil” o prefácio de Vermelha”, terceiro romance de “A trilogia do“Serafim Ponte Grande”, primeira versão, exílio”, e “O Homem e o Cavalo”, com capa de"Objeto e fim da presente obra". seu filho, Oswald de Andrade Filho. No dia 24 Divulga em “Terra Roxa e Outras Terras” a de dezembro, assina contrato ante-nupcial em"Carta Oceânica", prefácio ao livro “Pathé Baby” regime de separação de bens com Julietade Antônio de Alcântara Machado e um trecho Bárbara Guerrini.do “Serafim Ponte Grande”. Em 1935, compra uma serraria. Escreve sátira política para “A Platéia”. Faz parte do movimento artístico cultural Revista Literária “O Voo da Gralha Azul” – n.3 – Paraná, março/abril de 2010.
  13. 13. 9“Quarteirão”. Fichado na polícia civil do apresentada à cadeira de literatura brasileira daMinistério da Justiça, como subversivo. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da No ano seguinte, publica na revista “XI de Universidade de São Paulo, na qual oagosto”, "Página de Natal" do Marco Zero. biografado é livre-docente.em LiteraturaConclui o poema “O Santeiro do Mangue”, 1ª Brasileira. Nasce sua filha Antonieta Marília.versão, dedicado criticamente a Jorge de Lima e Reúne no volume “Ponta de Lança” artigosMurilo Mendes. esparsos. Publica "A sátira na poesia brasileira", Em dezembro casa-se com a escritora Julieta conferência pronunciada na Biblioteca PúblicaBárbara Guerrini, tendo como padrinho o Municipal de São Paulo.jornalista Casper Líbero, o pintor Portinari e Publica “Poesias Reunidas - Oswald deuma irmã da noiva, Clotilde. Passa a residir no Andrade”, editora. Gazeta e “Marco Zero: II —Rio de Janeiro. Chão”, pela José Olympio. Escreve “O país da sobremesa”, em 1937. É Inicia a organização da Ala Progressistafeita uma tentativa de encenação da peça “O Brasileira, programa de conciliação nacional.Rei da Vela” pela Companhia de Álvaro Lança um manifesto ao "Povo de São Paulo,Moreyra. Atua na Frente Negra Brasileira. Trabalhadores de São Paulo. Homens livres deEscreve na revista “Problemas” (São Paulo). São Paulo". Escreve o "Canto do Pracinha só".Publica “A Morta” e “O Rei da Vela”. No Rio de Rompe com o Partido Comunista do Brasil eJaneiro, a edição de “Serafim Ponte Grande” é Luis Carlos Prestes, seu secretário geral.dada como esgotada. Publica na “Gazeta de Limeira”, conferência Em 1938, publica o trecho "A vocação" da pronunciada em Piracicaba intitulada "A lição dasérie “Marco Zero: IV”, “A presença do Mar”. inconfidência"Está ligado ao Sindicato de Jornalista de São Em 1946, publica “O Escaravelho de Ouro”Paulo, matrícula nº. 179. Redige “Análise de (poesia). Assina contrato com o governo de Sãodois tipos de ficção”. Paulo para a realização da obra "O que fizemos 1939, Oswald ingressa no Pen Club do Brasil. em 25 anos", espécie de levantamento da vidaPublica no jornal “Meio Dia” as colunas "Banho nacional, em todos os setores da atividadede Sol" e "De literatura". É o representante do técnica e social à literária e artística.jornal “Meio Dia” em São Paulo. Escreve para o Apresenta o escritor norte-americano Samuel“Jornal da Manhã” (SP) uma série de Putnam, em visita ao Brasil, na Escola dereportagens sobre personalidades importantes Sociologia e Política (São Paulo). Participa emda vida política, econômica e social de São Limeira (SP) do Congresso de Escritores.Paulo. Candidata-se a delegado regional da Escreve “O lar do operário”. Candidata-se à Associação Brasileira de Escritores e perde aAcademia Brasileira de Letras pela segunda vez, eleição. Envia bilhete-aberto ao Presidente daenviando uma carta aberta aos imortais, em Seção Estadual, escritor Sérgio Buarque de1940. Holanda, protestando e desligando-se da Em 1941, monta um escritório de imóveis na Associação, em 1947.rua Marconi, com Nonê, o filho mais velho. Em 1948, pronuncia em Bauru a conferência 1942, publica “Cântico dos Cânticos para "O sentido do interior". Nasce seu filho PauloFlauta e Violão”, dedicado à sua futura mulher, Marcos.Maria Antonieta d’Alkmin. Lança, em 2ª edição Publica na revista Anhembi o texto "Opela Globo, “Os Condenados”, com capa de modernismo", em 1949. Profere conferência noKoetz. Centro de Debates Casper Líbero: "Civilização e Publica “Marco Zero: I A revolução dinheiro", e no Museu de Arte de São Paulo,melancólica”, pela José Olympio, capa de Santa “Novas dimensões da poesia". Realiza excursãoRosa. Começa a publicar no “Diário de S.Paulo” a Iguape, com Albert Camus, para assistir àsa coluna "Feira das Sextas". Casa-se com Maria tradicionais festas do Divino. É encarregado deAntonieta dAlkmin, em 1943. apresentar e saudar o escritor francês de Em 1944, inicia a série “Telefonema”, passagem por São Paulo para fazerpublicada no “Correio da Manhã”, até 1954. conferências. Escreve a coluna "3 linhas e 4 No ano seguinte escreve "O sentido da verdades" na “Folha de S.Paulo”, até 1950.nacionalidade no Caramuru e no Uruguai". Profere nova conferência na Faculdade dePublica "A Arcádia e a inconfidência", tese Direito em homenagem a Rui Barbosa. Revista Literária “O Voo da Gralha Azul” – n.3 – Paraná, março/abril de 2010.
  14. 14. 10 Em 1950, escreve “O antropófago”. É Andrade; é lançado o filme “Cemhomenageado com um banquete, no Automóvel Oswaldinianos”, de Adilson Ruiz e instaladoClube, pela passagem do 60º aniversário, painel na estação República do Metrô paulista”.saudado por Sérgio Milliet. Participa deconcurso para provimento da Cadeira de OBRASFilosofia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Humor:Letras da Universidade de São Paulo, ocasião - Revista “O Pirralho” — crônicas em portuguêsem que defende a tese "A crise da filosofia macarrônico sob o pseudônimo de Annibalemessiânica", sem êxito. Candidata-se a Scipione (1912 — 1917)deputado federal pelo PRT, com o seguinte Poesia:slogan: “Pão – Teto – Roupa – Saúde – - Pau-Brasil (1925)Instrução”. Pronuncia as seguintes - Primeiro caderno do aluno de poesia Oswaldconferências: "A arte moderna e a arte de Andrade (1927)soviética", "Velhos e novos livros atuais". - Cântico dos cânticos para flauta e violãoRedige "Um aspecto antropofágico da cultura (1945)brasileira — o homem cordial" para o 1º - O escaravelho de ouro (1946)Congresso Brasileiro de Filosofia. Apresenta a Romance:versão definitiva de “O Santeiro do Mangue”. - A trilogia do exílio: I — Os condenados, II —A Escreve, em 1952, “Introdução à estrela de absinto, III — A escada vermelhaantropofagia”. Profere discurso de saudação em (1922-1934)homenagem a Josué de Castro, representante - Memórias sentimentais de João Miramarda ONU, por iniciativa da Secretaria Municipal (1924)de Cultura de São Paulo. Escreve o artigo "Dois - Serafim Ponte Grande (1933)emancipados: Júlio Ribeiro e Inglês de Souza". - Marco Zero: I - A revolução melancólica, II — É membro da Comissão Julgadora do Salão Chão (1943).Letras e Artes Carmen Dolores, em 1953. - Memórias: Um homem sem profissão (1954)Saudou o escritor José Lins do Rego, pelo Teatro:prêmio recebido em torno do romance - A recusa (1913)“Cangaceiros”, patrocinado pelo Salão de Letras - Théâtre Brésilien — Mon coeur balance e Leure Artes Carmen Dolores Barbosa. Começa a Âme (1916) (com Guilherme de Almeida)publicar a série “A Marcha das Utopias” no - O homem e o cavalo (1934)jornal “O Estado de S.Paulo”. Tenta em vão - A morta (1937);vender sua coleção de quadros. - O rei da vela (1937). Em 1954, escreve o ensaio “Do órfico e mais - O rei floquinhos (1953)cogitações" e "O primitivo e a antropofagia”. Manifestos:Envia comunicação, por intermédio de Di - Manifesto da Poesia Pau-Brasil (1924)Cavalcanti, para o Encontro de Intelectuais, no - Manifesto Antropófago (1928)Rio de Janeiro. Publica o primeiro volume das - Manifesto Ordem e Progresso (1931)“Memórias — Um homem sem profissão”, com - Teses, artigos e conferências publicadas:capa de seu filho, Oswaldo Jr., pela José - O meu poeta futurista (1921)Olympio. Graças à interferência de Vicente Rao, - A Arcádia e a Inconfidência (1945)foi indicado para ministrar um curso de cultura - A sátira na poesia brasileira (1945)brasileira em Genebra. Retorna como sócio à Versões e adaptações:Associação Brasileira de Escritores (A.B.D.E.). - Filme “O homem do Pau-Brasil”, de Joaquim Falece em São Paulo, em 22 de outubro de Pedro de Andrade, baseado na vida de Oswald1954, na sua residência da rua Marquês de de Andrade (1980)Caravelas, 214. É sepultado no jazigo da - Filme “Oswaldinianas”. Formado por cincofamília, no cemitério da Consolação, em São episódios, dirigidos por Julio Bressane, LuciaPaulo (SP). Murat, Roberto Moreira, Inácio Zatz, Ricardo É homenageado postumamente pelo Dias e Rogério Sganzerla (1992)Congresso Internacional de Escritores, em Publicações póstumas:1954. Em 1990, no centenário de seu - A utopia antropofágica – Globonascimento, a “Oficina Cultural Três Rios” passa - Ponta de lança – Globoa se chamar “Oficina Cultural Oswald de - O rei da vela – Globo Revista Literária “O Voo da Gralha Azul” – n.3 – Paraná, março/abril de 2010.
  15. 15. 11- Pau Brasil – Obras completas – Globo - O perfeito cozinheiro das almas desse mundo- O santeiro do mangue e outros poemas – – GloboGlobo - Os condenados – A trilogia do exílio – Globo- Obras completas – Um homem sem profissão - Primeiro caderno do aluno de poesia Oswald– Memórias e confissões sob as ordens de de Andrade – Globomamãe – Globo - Os dentes do dragão – Globo- Telefonema – Globo - Mon coeur balance – Le Âme - Globo- Dicionário de bolso – Globo Aventuras de Pedro MalasartesUMA DAS DE PEDRO MALASARTES Tarde da noite, Pedro foi ao lugar onde estavam os perus, e matou-os a todos, Um dia, Pedro Malasartes foi ter com o labreando de sangue as ovelhas. O homem,rei e lhe pediu três botijas de azeite, indo-os buscar, achou-os mortos, e voltouprometendo-lhe levar em troca três mulatas muito aflito, dizendo: "Pedro, não sabe, asmoças e bonitas. O rei aceitou o negócio. Pedro ovelhas mataram os seus perus". Ouvindo isto,saiu e foi ter à casa de uma velha, ali pela Malasartes fez um grande espalhafato, gritandonoitinha; pediu-lhe um rancho, e que lhe que o homem tinha morto os perus do rei ebotasse as botijas no poleiro das galinhas. A recebeu seis ovelhas pelos perus. Largou-se,velha concordou com tudo. Alta noite, Pedro indo dormir na casa de um homem que tinhaMalasartes levantou-se, foi de pontinha de pé um curral de bois. Aí ele fez as mesmasao poleiro, quebrou as botijas, derramou o artimanhas, até pegar seis bois pelas seisazeite, lambuzando as galinhas. De manhã ovelhas.muito cedo Malasartes acordou a velha, e Mais adiante, ele encontrou unspediu-lhe as botijas de azeite. A velha foi vendilhões de ouro e trocou os bois por ouro.buscá-las, e, achando-as quebradas, disse: Mais adiante encontrou uns homens que iam "Pedro, as galinhas quebraram as carregando uma rede com um defunto. Pedrobotijas e derramaram o azeite". perguntou quem era, disseram-lhe que era uma – Não quero saber disso, -disse Pedro; - moça. Ele pediu para ir enterrá-la e eles deram.quero para aqui meu azeite, senão quero três Logo que os homens se ausentaram, elegalinhas. tirou a moça da rede, encheu-a de bastante A velha ficou com medo, deu-lhe as três ouro e de enfeites, e foi ter com ela nas costasgalinhas. Malasartes partiu e foi à noite à casa à casa de um homem rico que havia ali perto.de outra velha; pediu rancho e que agasalhasse Pediu rancho, disse às filhas do tal homem queaquelas três galinhas entre os perus. A velha, aquela era a filha do rei que estava doente, ecomo tola, consentiu. Alta noite, Pedro se ele andava passeando com ela, e pediu que alevantou, foi ao quintal, matou as três galinhas, fossem deitar.besuntando de sangue os perus. No dia Foram levar a moça para umaseguinte, bem cedo, acordou a velha, pedindo camarinha, indo Malasartes com ela, dizendoas suas galinhas, porque queria seguir viagem. que só com ele ela se acomodava. Deitou aA velha foi buscá-las e encontrou o destroço. moça defunta na cama e retirou-se, dizendo àsVoltou aflita, contando a Malasartes. donas da casa: "Ela custa muito a dormir, ainda Ele fez um grande barulho até levar seis chora como se fosse uma criança; quandoperus em troca das galinhas. Na noite seguinte, chorar, metam-lhe a correia."foi ter à casa de um homem que tinha um Alta noite, Pedro foi e se escondeuchiqueiro de ovelhas, e pediu-lhe para passar a debaixo da cama onde estava a moça e pôs-senoite em sua casa e que lhe agasalhasse a chorar como menino. As moças da casa,aqueles perus lá no chiqueiro das ovelhas, supondo ser a filha do rei, deram-lhe muito atéporque bicho com bicho se acomodavam bem. ela se calar, que foi quando Pedro se calou.O homem assim fez. Depois ele escapuliu e foi para o seu quarto. Revista Literária “O Voo da Gralha Azul” – n.3 – Paraná, março/abril de 2010.
  16. 16. 12 De manhã ele pediu a moça, que queria Quando o perseguidor chegou à toda, eir-se embora. Foram ver a filha do rei, e nada perguntou à lavadeira se tinha visto passar umde a poderem acordar. Afinal conheceram que homem tocando uma carneirada, elaela estava morta, e vieram dar parte a respondeu, quase sem poder falar, que PedroMalasartes. Ele pôs as mãos na cabeça dizendo: Malasartes havia feito o que ficou dito."Estou perdido; vou para a forca; me mataram E, porque Pedro já estava longe com oa filha do rei!…" rebanho, o homem voltou soltando um milhão Os donos da casa ficaram muito aflitos, de pragas.e começaram a oferecer cousas pela moça, ePedro sem querer aceitar nada, até que ele DE COMO MALASARTES PASSA ADIANTEmesmo exigiu três mulatas das mais moças e A CARNEIRADAbonitas. O homem rico as deu, e Pedro disseque dava uma desculpa ao rei sobre a morte de Já muito longe, encontrou um porqueirosua filha, e lhe dava de presente as três que vinha tocando também. Pedro Malasartesmulatas, para o rei não se agastar muito. que já previa que o fazendeiro havia de vir no Malasartes largou-se e foi logo para o seu rasto, propôs troca dos carneiros, (quepalácio, onde entregou o rei as três mulatas valiam menos, pelos porcos, que valiam mais).com este dito: "Eu não disse a vossa majestade Fecharam o negócio, tendo o porqueiroque lhe dava três mulatas pelas três botijas de feito uma volta em dinheiro.azeite? Aí estão elas". O rei ficou muito Malasartes seguiu com a porcada e oadmirado. outro com os carneiros, em direção oposta. O porqueiro foi pousar em casa do donoDE COMO MALASARTES FINGIU QUE dos carneiros. Ao ver o seu rebanho, o homemSE MATAVA avançou para o porqueiro, e exigiu entrega do que era seu. O porqueiro quis resistir, mas Vendo que a vitima vinha em sua vendo que o homem estava armado até osperseguição, deu tudo quanto tinha e, ao dentes e tinha muitos capangas, não teve outroaproximar-se de um riacho, encontrou uma remédio senão fazer a restituição, ficando nomulher a lavar roupa. Estava perdido, porque a prejuízo, e tocou pra trás a ver se encontrava olavadeira daria ao perseguidor a sua direção. Malasartes que já estava longe, tendo tomado Mais que depressa tocou a carneirada a por um atalho que foi dar numa fazenda. E, vaiatravessar o riacho, e tomando um dos então, vendeu a porcada por um precinhocarneiros, tirou-lhe as tripas e meteu-as barato, mas com a condição de o compradordebaixo da camisa. Quando a manada passou, deixar que ele cortasse a ponta do rabo deele arrancou da faca, fingiu que abriu o ventre cada porco.e deixou cair na água as tripas do carneiro, que Fecharam o negócio e Pedro Malasartesali levou ocultas. meteu no embornal os rabinhos dos porcos e A lavadeira deu um grito, caiu bateu o pé na estrada.desmaiada ao presenciar tal cena e Malasartesdesapareceu. Nilto Maciel Hiroito) (Hiroito) Japonezinho mirrado, já velho, sorria. Os moleques o chamavam de “japa”. Eleenrugado, banguela. Vigiava carros num se zangava, cuspia farelos e pingos de caldo.estacionamento. Em troca recebia minguadas Deitado no catre imundo, Hiroitomoedas. Quando a fome apertava, corria ao recordava a Grande Guerra. Dores, mortes,vendedor de pastéis. Esmigalhava com os dedos destruição. E a fuga para o Brasil. Dormia,a iguaria e enchia a boca de farelos de carne cansado, e sonhava horrores. Milhões de pulgasmoída e trigo assado. Pedia caldo de cana e a roê-lo vivo. Baratas e ratos fardados, Revista Literária “O Voo da Gralha Azul” – n.3 – Paraná, março/abril de 2010.
  17. 17. 13enormes, violentos. Prendiam-no, arrastavam- a vitória. O poderoso exército do Império do Solno, molestavam-no. Nascente. Quando a guerra terminasse, o Japão Mal amanhecia, pulava do gramado e, seria dono do mundo. E ele, Hirohito, o homemtonto, buscava a aurora. Fechava os olhinhos mais poderoso da Terra.sujos e enfiava as mãos na água da bacia. A E expirou.fome de novo. Imaginava pastéis macios. ---------–Esquecia os inimigos, a guerra, os insetos.Corria para pegar o ônibus. Precisava chegarcedo ao estacionamento. E disputar com osmoleques o direito de receber moedas dosdonos dos carros. Moedas e insultos. “Vaitrabalhar, vagabundo!” Nilto Maciel Um dia lhe disseram que no Japão havia Nasceu em Baturité, Ceará, em 1945.muita riqueza. Indústrias e mais indústrias. Obteve primeiro lugar em algunsComo em nenhum outro país. O povo vivia farto concursos literários nacionais e estaduais, come feliz. Nem parecia aquele povo destruído em o livro de contos Tempos de Mula Preta; livro45. Riu. Não acreditou naquilo. E, se fosse de contos Punhalzinho Cravado de Ódio; Averdade, mesmo assim preferia viver no Brasil, Última Noite de Helena; Os Luzeiros do Mundo;onde não havia guerra. A Rosa Gótica; conto “Apontamentos Para Um Noutro dia houve tiroteio entre policias e Ensaio”; “livro Pescoço de Girafa na Poeira;ladrões de carro. O estacionamento virou "Eça de Queiroz", livro Vasto Abismo.campo de batalha. Tiros a torto e a direito. Tem contos e poemas publicados emCorreria e gritaria. Um pandemônio. Assustado, esperanto, espanhol, italiano e francês. O Cabrao velho japonês correu. Talvez alcançasse a que Virou Bode foi transposto para a telabarraca dos pastéis. Quando aquilo acabasse, (vídeo), pelo cineasta Clébio Ribeiro, em 1993.mataria a fome. Porém, antes de alcançar Alguns livros:refúgio, uma bala se incrustou em seu peito. Itinerário, Tempos de Mula Preta, AAtirado ao chão, rolou para debaixo de um Guerra da Donzela, Punhalzinho Cravado decarro. Se sentia dor, não sabia. Na verdade, Ódio, Os Guerreiros de Monte-Mor, O Cabra quetudo parecia grandioso aos seus olhos semi- Virou Bode, Navegador, Vasto Abismo,abertos. Aviões devastavam céus. Tanques Panorama do Conto Cearense, A Leste darolavam sobre os inimigos, que viravam pastéis. Morte, etc.As tropas japonesas invadiam Ásias e Américas.E ele, Hirohito, imperador do Japão, comandava Antonio Roberto de Paula Poesias) (Poesias) O SILÊNCIO DE MARINGÁ Um motor ronca Rompendo uma reta É na noite Perdendo força Quando procuro o sono Nos meus ouvidos Fecho os olhos E tento ouvir Chega uma música O silêncio de Maringá Em baixo volume Um silêncio que dura Sobe poderosa A eternidade E se perde na escuridão De poucos segundos Logo outros sons Revista Literária “O Voo da Gralha Azul” – n.3 – Paraná, março/abril de 2010.
  18. 18. 14 Itinerantes de vozes Demarcava seu espaço sem pedir licença Passos e latidos Vêem e seguem Para Pedro Caveira era vencer ou morrer Sem dar boa-noite Dos homens ganhava o temor, o respeito Das mulheres conseguia tirar o prazer A noite passa veloz Era na marra, na força, de qualquer jeito O dia começa na madrugada Acelerações e freios Entre as tantas moçoilas submissas Buzinas e máquinas Havia uma que ocupava seu coração É a cidade de pé Era a bela , doce e estonteante melissa Em movimento Morena brejeira exalando amor e paixão Houve um tempo Por ela é que Pedro Caveira se derretia Em que a cidade Um caso conhecido em toda comunidade Dormia mais cedo Quando ela chegava seu sorriso se abria Não vagava tanto Para ela, ele pedia só amor e fidelidade E acordava no horário Na vida acontecem coisas inesperadas Tempo da poeira Por uma bronca sem grande repercussão Dos lampiões Caveira teve que tirar férias forçadas Das casas de madeira Fora de circulação, um ano de prisão E portões de balaústres Um dia antes de se entregar à justiça A noite era de poucos Pediu ao bando a palavra em penhor Só dos profissionais Chorou abraçado à querida Melissa Hoje o dia ficou pequeno Que lhe fez juras de eterno amor A noite é a extensão Chamou num canto o seu preferido É na noite O humilde amigo Zequinha Terceiro Quando procuro o sono Lhe pediu em lágrimas, comovido Fecho os olhos Que cuidasse de todo o seu terreiro E tento ouvir O silêncio de Maringá Zequinha levou à risca aquele pedido Um precioso silêncio Por sua conta incluiu a bela morena Um frágil silêncio Virou chefão do pedaço, cabra temido Que dura menos E botou as guampas no Pedro Caveira Que a pureza do instante Passou o tempo, cumprida a sentença A noite Caveira quis retornar ao antigo ninho Já não é mais noite Mas ninguém mais quis a sua presença É só o dia sem sol E até Melissa lhe negou os carinhos Entrando no outro dia (Antonio Roberto de Paula - Livro Maringânias - Humilhado, pobre, com medo de morrer2007 - Poesias comemorativas - Maringá 60 anos) Pedro Caveira abandonou aquela cidade Com ódio de Zequinha de endoidecerCABRITO NA HORTA Hoje perambula na estrada da infelicidade Patrono, manda-chuva, mandava brasa O mundo sempre foi e será dos espertos Pedro Caveira era o tipo de fazer tremer Zequinha agora é senhor, do alto escalão Nunca foi de levar desaforo para casa O pai e o avô na vida não deram certo Não havia homem que podia lhe conter Mas ele é o terceiro, o chefe, um campeão Na faca, na bala, no pau, na porrada E finalizando essa incrível história Pedro Caveira se valia da truculência Pra você não ser tomado de revolta A cada dia mais uma área era dominada Revista Literária “O Voo da Gralha Azul” – n.3 – Paraná, março/abril de 2010.
  19. 19. 15 E pra que a tua vida não seja inglória Regional do Bradesco-Maringá; e foi Não deixe o cabrito tomar conta da horta proprietário do Bar do Toninho ( 1985 a 1990), --- na avenida Dr. Alexandre Rasgulaeff, no Jardim Letra: Antonio Roberto de Paula Alvorada, em Maringá. Melodia: Helington Lopes Desde a adolescência escreve poesias, História contada por Cláudio Viola contos, crônicas e artigos, inclusive com A música "Cabrito na horta" , em versão publicações desde a década de 1970, nosreduzida, participou do Femucic, em 2005, com jornais O Diário do Norte do Paraná , O Jornalapresentação do grupo Receita do Samba de Maringá e Jornal do Povo . Sua primeira experiência efetiva no jornalismo ocorreu em 1975, no Colégio Estadual Dr. Gastão Vidigal, com o jornal Skeletus , do CETA (Centro Estudantil Tristão de Athaíde). Publicado até 1977, o Skeletus tinha Antonio Roberto de Paula como editores, além de De Paula, seus amigos O jornalista Antonio Roberto de Paula, Mário Sérgio Recco, José Miguel Grillo, Nivaldosócio-proprietário da TV Clipping Maringá, Gôngora Verri, Edson Cemensati e Edson Luiznasceu na cidade paulista de Lupércio, em 17 Matias. Em 1981, foi colaborador do Vôo Livre ,de junho de 1957. É o primogênito dos quatro suplemento de O Diário publicado às sextas-filhos de Alcebíades de Paula Neto e Rita feiras, editado por Mário Sérgio Recco.Andrade de Paula. A mudança para Maringá Seu primeiro emprego efetivo naocorreu em 1959. De Paula concluiu o curso imprensa foi no Jornal do Povo, em 1991, comoprimário em 1967, em Engenheiro Beltrão (PR), colunista de futebol amador, passando depoisonde a família residiu até meados de 1972. para a editoria de esportes e escrevendo a Em 1968 estudou no Seminário Verbo coluna Visão de jogo. Neste mesmo ano atuouDivino, em Ponta Grossa. De 1969 a 1976, fez o como comentarista da extinta Rádioginásio e o científico, como eram chamados na Metropolitana (Rádio Jornal).época os ensinos fundamental e médio, nos Em 1992 e 1993 trabalhou comoseguintes estabelecimentos de ensino de comentarista em transmissões de futebolMaringá: Santo Inácio, Instituto de Educação, amador pela RTV Maringá. Em 1993, deixou oGastão Vidigal e Paraná. Jornal do Povo e se transferiu para a sucursal Foi aprovado no vestibular do curso de do Correio de Notícias, jornal curitibano queLetras na UEM (Universidade Estadual de encerrou as atividades na cidade no anoMaringá) em 1981, mas desistiu do curso. Em seguinte. Lá, foi colunista e editor de esportes.2001, formou-se em Jornalismo pelo Cesumar Ainda em 1993, deixou a RTV indo para(Centro Universitário de Maringá). Em 2003, fez a TV Maringá (Band) para ser editor, pauteiro eo curso de pós-graduação Língua Portuguesa – produtor do programa diário Esporte porTeoria e Prática, pelo Instituto Paranaense de Esporte , onde permaneceu até 1995.Ensino e Univale (União das Escolas Superiores Neste período, De Paula também foido Vale do Ivaí). Atualmente, cursa Mestrado produtor e comentarista do programa Atalaiaem Letras na UEM. Esportiva, da Rádio Atalaia de Maringá. De Sua monografia de conclusão do curso 1995 a 1997, trabalhou no O Diário exercendode graduação foi a apresentação do livro Os as funções de editor de esportes, colunista dohomens da Folha do Norte do Paraná , jornal DNP Esporte, repórter de matérias políticas emaringaense fundado em 1962, pelo primeiro locais, pauteiro e secretário de redação.arcebispo de Maringá, dom Jaime Luiz Coelho, De 1997 a 1998 foi repórter da Revistae que teve suas atividades encerradas em M-9. De 1997 a 1999 escreveu crônicas,1979. artigos, poesias e contos na coluna Linha Antes de atuar profissionalmente na Expressa, no Jornal do Povo. Em 1998 e 1999imprensa, De Paula foi escriturário na atuou como editor-chefe do departamento deTransparaná (1977), funcionário público jornalismo da TV Cidade – Sistema NET. Emmunicipal ( 1977 a 1979), tendo trabalhado na 2000, foi repórter, pauteiro e colunista doextinta Codemar (Companhia de jornal Hoje Maringá.Desenvolvimento de Maringá) e Secretaria deFazenda; bancário ( 1979 a 1985), no Centro Revista Literária “O Voo da Gralha Azul” – n.3 – Paraná, março/abril de 2010.
  20. 20. 16 De Paula e o jornalista Cláudio Viola são produtores do programa Beca TV , da TVparceiros em composições em que incluem os Clipping Maringá, com Guilherme Tadeu e Allanhinos do Maringá Futebol Clube (1996), do Oliveira, em 2004. Em 2003, publicou o livro DaGrêmio Maringá (2000) e as músicas Maringá minha janela, de crônicas, artigos, poemas,Velho, gravada em 2003 pela cantora contos inéditos e já publicados.maringaense Márcia Mara, e Cabrito na horta , Em 2004 lançou o livro A história políticaclassificada no Femucic (Festival de Música de um cabo de José, de Maria e de todos osCidade Canção), gravada por Helington Lopes Santos , em que narra a história do vereador(que também foi um dos compositores) e o maringaense Cabo Zé Maria e seus dez anos degrupo Receita do Samba. mandato. Em 2005, dirigiu o videodocumetário Em 2002, abriu com a jornalista Simone Crônica democrática de uma cidade brasileira ,Labegalini a TV Clipping Maringá. No início de sobre as Eleições 2004, numa produção da TV2003, De Paula trabalhou como produtor, Clipping Maringá, com roteiro de Guilhermerepórter e comentarista do programa Estação Tadeu de Paula e fotografia e montagem deComunitária , da Rádio Comunitária São Allan Oliveira.Francisco FM, do Jardim Alvorada, retornando Foi nomeado assessor de imprensa dano ano seguinte. Foi responsável juntamente Câmara Municipal de Maringá em 1997, vindo acom seu filho Guilherme Tadeu de Paula da ocupar a chefia do setor no final de 1999, ondesucursal em Maringá do jornal londrinense permanece até hoje.Paraná Shimbun, em 2003 e 2004, e um dos Pedro Silva (Uma Viagem na Época dos Descobrimentos)Um sonho de criança Mas o nosso Bartolomeu iria ser ainda mais famoso. Porém, nesta altura, ainda o não - Bartolomeu! Bartolomeu! – grita uma sabia.donzela formosa, com pouco mais de trinta Ao jantar, o seu pai, conhecedor por seranos. de poucos sorrisos e de poucas falas, dirigiu-se Por todo o lado procurava, mas o seu ao filho:filho não aparecia em sítio algum. - Bartolomeu, tua mãe contou-me que De repente, um franzino jovem surge. passaste o dia junto ao riacho. É verdade?Tinha um olhar simpático. O cabelo - Sim, pai, é verdade. Perdoe-me. – e odespenteado. Mas a sua maneira de ser era jovem baixou a cabeça, em tom triste.delicada: - Sabes que a vida não é só brincadeira, - Desculpe, mãe. Estava a brincar no não sabes?riacho. - Eu sei, meu pai, mas… - Outra vez, Bartolomeu? Mas tu só te - E olha que a nossa vida tem sido desentes bem junto à água? trabalho. Os sonhos são apenas para quando O jovem, envergonhado, encolhe os dormimos. A realidade é bem diferente quandoombros e responde: estamos acordados. – afirmou o pai de - Por acaso… sim! – e corre a abraçar a Bartolomeu Dias.sua mãe. - Desculpe, pai. Mas isto não é um Estávamos em 1465 e Bartolomeu Dias, sonho, eu serei mesmo navegador!nascido em Mirandela, uma belíssima localidade O pai não deixou de esboçar umtransmontana, dava os primeiros passos na sua pequeno sorriso. O empenho do seu filho erafutura vida de navegador. Apesar de ter apenas de louvar. Dentro do seu coração, o pai dequinze anos, já o seu pai o incentivava a seguir Bartolomeu desejava que este conseguisse seras pisadas de Dinis Dias, seu parente e também o mais famoso dos navegadores portugueses.famoso navegador. Mas também sabia as dificuldades que o filho Revista Literária “O Voo da Gralha Azul” – n.3 – Paraná, março/abril de 2010.
  21. 21. 17teria de enfrentar. “Porém, sonhar não custa”, - O que quereis de mim? – perguntou D.pensava de si para si. João II, o Príncipe Perfeito. - Senhor, eu gostaria… - a voz pareciaVivendo um sonho não sair, dada a sua timidez. – Eu gostaria de poder participar na próxima viagem a África. Pouco anos depois, Bartolomeu Dias O rei pensou um pouco e respondeu:despediu-se dos pais e rumou a Sul. O destino - Pois bem, embarcarás daqui a doisera a capital de Portugal, Lisboa. Era lá que dias, rumo a São Jorge da Mina, a nossa maistodos os sonhos seriam possíveis de conquistar. importante feitoria.Até então, passara os seus dias numa pequena E assim foi.povoação do interior do país. Nunca vira o mar, Cruzando mares pela primeira vezmas sonhara com ele todos os dias de sua vida. chegou em 1484 ao local estipulado pelo rei. Ali Deslocou-se para Lisboa. Ali estudaria esteve algum tempo, aperfeiçoando os seusmatemática e astronomia na Universidade de conhecimentos marítimos e aprendendo osLisboa. Mas, ainda antes de começar a estudar, costumes locais.a primeira atitude que teve ao chegar à capitalfoi deslocar-se à zona de Belém. A razão? A viagem de uma vidaQueria ver o local de onde as caravelas partiamrumo ao desconhecido. Tão rapidamente ganhou experiência “Que local magnífico!”, pensava que, dois anos depois, o rei João II confiou-lheBartolomeu, olhando para tanta agitação. Eram uma importante missão: descobrir o Prestemarinheiros que se despediam das suas João das Índias. Desde há alguns anos que emfamílias. Eram vendedores que apregoavam os Portugal se contava a história da existência deseus produtos. E, por fim, eram crianças que um rei muito rico que vivia na Etiópia. Esse rei,choravam de saudades ao ver a chegada dos ao contrário dos reis que o rodeavam, eraseus pais ou que brincavam indiferentes a tudo cristão. Portanto, poderia ajudar D. João II nao mais. conquista de novos territórios na África e na Com tudo isto sonhara o jovem Ásia.Bartolomeu Dias quando, pouco tempo antes, No entanto, este era o plano secreto.partira de Mirandela rumo a Lisboa. Na viagem Oficialmente, Bartolomeu Dias tinhanão parara de fazer perguntas a Dinis Dias, o como missão investigar as costas do continenteseu parente que ganhara alguma fama ao africano. Isto para se tentar perceber se seriacomando de caravelas. Queria saber tudo: possível chegar à Índia por mar.como se preparava uma expedição; quantos Nessa altura, em 1486, ninguém acreditava quemarinheiros levava a embarcação; e, mais fosse possível ultrapassar a zona conhecida porimportante, quando ele poderia participar. A Cabo das Tormentas. Este nome havia sidotudo respondia Dinis com a sua calma de ganho pelo fato de o mar ser muito perigoso esempre. À última pergunta, respondeu-lhe: “na de muitos barcos ali terem desaparecido.altura certa, chegará o teu momento de Mas Bartolomeu Dias não tinha medo deembarcar”. nada. Se o rei lhe havia solicitado essa missão, Os estudos passaram a correr. Tudo assim seria cumprida.aprendia a um ritmo louco tal a ânsia de largar Na verdade, o navegador, queterra firme e aventurar-se no alto mar. comandava duas caravelas, não chegou a Quanto os estudos terminaram, e encontrar qualquer notícia do mítico rei dasauxiliado pelo seu familiar Dinis Dias, entrou na Índias, o famoso Preste João. Porém, traziacorte portuguesa. À sua frente estava D. João relatos muito entusiasmantes para D. João II.II. Assim que o viu, Bartolomeu ajoelhou-se. Chegado à corte, Bartolomeu correuEra o seu rei que ali se encontrava. Portanto, para junto do seu rei e declarou:mandava a educação que lhe fizesse uma - Senhor, é possível dobrar o Cabo dasvénia. Tormentas. Eu sei! - Levantai-te. – afirmou o soberano. - Mas como tal será possível, - Obrigado, senhor. É uma honra poder Bartolomeu? – perguntou o monarca.estar aqui na tua presença. – disse Bartolomeu. - Acreditai em mim. Revista Literária “O Voo da Gralha Azul” – n.3 – Paraná, março/abril de 2010.

×