A Idade Média

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A Idade Média

  1. 1. HISTÓRIA MEDIEVAL INTRODUÇÃO LINHA DO TEMPO OS FRANCOS O ISLÃ O FEUDALISMO
  2. 2. Idade Média – Séculos V – XVA Idade Média começou com a queda do ImpérioRomano do Ocidente, em 476, e se encerrou com atomada da capital do Império Bizantino, Constantinopla,pelos turco-otomanos, em 1453. Costuma ser dividida emduas: Alta e Baixa Idade Média.A Alta Idade Média estendeu-se do século V ao X. Foi aépoca de consolidação, na Europa Ocidental, dofeudalismo, sistema socioeconômico predominante naera medieval. No Oriente, porém, em vez dadescentralização política feudal, o período foi marcadopor dois fortes impérios: o Bizantino e o Árabe.A Baixa Idade Média vai do século XI até o fim do períodomedieval, no século XV. É quando o feudalismo chegou aoauge e entrou em decadência. Lentamente, ele começoua sofrer transformações que só se concluiriam na IdadeModerna, quando seria substituído, no campo político,pelas monarquias nacionais, e, no econômico, pelosistema mercantilista.
  3. 3. Por séculos, a Idade Média foi tida como uma épocade insignificante desenvolvimento científico,tecnológico e artístico. Essa visão nasceu durante oRenascimento, no século XVI, quando o períodomedieval foi apelidado de Idade das Trevas.Porém, a Idade Média foi responsável porimportantes avanços, sobretudo no que diz respeitoà produção agrícola: inventaram-se o moinho, acharrua (um arado mais eficiente) e técnicas deadubamento e rodízio de terras. Outra herançamedieval são as universidades, que começaram asurgir na Europa no século XIII. Além disso,desenvolveram-se importantes movimentosartísticos, como o românico e o gótico; viveraminfluentes filósofos, como Santo Agostinho e SãoTomás de Aquino; e, graças ao trabalho dos monges,preservou-se a cultura greco-romana - o quepossibilitaria, aliás, o surto de revalorização daAntiguidade Clássica ocorrido durante oRenascimento.
  4. 4. Num momento de auge da civilização maia, é erguidaCronologia 650 uma das mais impressionantes construções por ela deixada: o Templo das Inscrições. Os maias instalam-se na península do Yucatán, no atual México, a partir de 700 a.C. Séculos depois, fundam cidades-Estado independentes, com governos teocráticos. Utilizam avançadas técnicas de irrigação e realizam trocas comerciais. Criam um calendário que determina com482 precisão o ano solar, adotam a escrita hieroglífica e Nasce o Reino Franco inventam as casas decimais e o conceito do valor zero. Conflitos internos, entre outras razões, levam ao colapso da civilização por volta do ano 900. Com a coroação de Justiniano, o Império O papa João XII nomeia Otto I imperador do 527 962 Bizantino começa a viver seu auge. O Sacro Império Romano-Germânico, numa imperador reconquista territórios tentativa de conter os ataques húngaros à bárbaros no Ocidente, estimula as artes e Europa cristã. Seus domínios abrangem elabora o Código de Justiniano, que porções das atuais França, Holanda, Suíça, revisa e atualiza o direito romano. Ao fim Alemanha, Áustria e Polônia. Acentua-se a de seu governo, em 565, o império corrupção, e a Igreja Católica torna-se mais começa a decair. Em 1204, a capital, suscetível ao poder político, promovendo a Constantinopla, é conquistada pelos venda de cargos eclesiásticos (simonia). A cruzados, e o restante do império é partir de 1250, o império compreende um repartido entre príncipes feudais. Em conjunto de pequenos Estados, nos quais o 1453, a cidade é subjugada pelos turcos. poder local do príncipe supera a autoridade central do imperador - situação que se estende até o século XIX.
  5. 5. 1066 1163987 É iniciada a construçãoApós a morte de Luís V, William I (também chamado de Guilherme, o da Catedral de Notre-último rei da dinastia Conquistador), duque da Normandia, invade a Dame, em Paris, umcarolíngia, nobres Inglaterra, na Batalha de Hastings, e submete dos mais belosfranceses elegem Hugo os saxões a um poder centralizado. É o início exemplares do estiloCapeta, conde de Paris, da monarquia Inglesa. arquitetônico quesoberano da França. marca a Idade Média:Inicia-se o processo de 1096 o gótico.formação da monarquiafrancesa. Começam as Cruzadas 1075 O Sacro Império Romano-Germânico e o papa Gregório VII travam uma disputa conhecida como a Querela das Investiduras.1054 A Igreja Oriental (Igreja Procurando diminuir a participação do Cristã Ortodoxa Grega) e a imperador nas decisões da Igreja, o papa Igreja Ocidental (Igreja proíbe a investidura leiga (nomeação de Católica Apostólica Romana) bispos e padres pelo imperador). O rei rompem entre si no Cisma Henrique IV desacata a ordem e é do Oriente. excomungado. Após um conflito armado, é definida a Concordata de Worms, em 1122, que mantém a proibição da investidura leiga e determina a não-interferência do papa em questões políticas.
  6. 6. 1215 Sob pressão da nobreza e O sultão Otman I funda o Império 1281 do alto clero, o rei inglês Turco-Otomano. No século XVI, o João II, conhecido como império vive seu auge, ocupando João Sem-Terra, assina a o norte da África, a região do mar Magna Carta. Em vigor até Vermelho e a faixa do golfo hoje, é o primeiro Pérsico até a Hungria. A partir do documento escrito da século XVII, a retração econômica história a limitar os dá início à decadência, mas o poderes da monarquia e a sultanato só é abolido após a fixar os direitos dos derrota na 1ª Guerra Mundial vassalos. (1914-1919). 1231 São instaurados os tribunais do Santo1206 Oficio, ou Inquisição, por meio dos quais Gêngis Khan unifica tribos da Ásia Central a Igreja Católica, alegando agir em nome (atual Mongólia) e inicia o Império de Deus, persegue, tortura e mata Mongol, que se estende da China até as milhares de pessoas consideradas cercanias da Hungria. Suas conquistas são hereges. consolidadas pelo neto Kublai Khan, que funda na China a dinastia Yuan. Ele impulsiona o comércio com a Europa. Em 1368, os mongóis são expulsos da China pela dinastia Ming, que isola a nação do contato com o mundo mediterrâneo. O Império Mongol se desagrega no século XIV.
  7. 7. 1309 A pretensão do rei inglês Eduardo III de 1337 disputar a sucessão do trono francês é oPor causa da intromissão da estopim da Guerra dos Cem Anos, queIgreja em assuntos do reino, o opõe França e Inglaterra. O conflitorei da França Felipe IV prende o envolve disputas em torno de territóriospapa Bonifácio VIII e nomeia que os duques da Normandia, ingleses, 1453em seu lugar o francês tinham na França. No fim da guerra, em A tomada deClemente V. O evento é 1453, a França recupera as possessões Constantinoplaconhecido como Cativeiro de sob o domínio inglês. O embate pelos turcos-Avignon (localidade na França impulsiona o nacionalismo francês e otomanos marcaonde o novo papado é contribui para o fortalecimento do poder o fim da Idadeinstalado). real. Média. Os astecas fundam Começa a expansão da civilização 1325 1400 Tenochtitlán, atual Cidade do 1385 inca, instalada em Cuzco, no atual México, a partir de onde criam Peru. O império se estende pela A Revolução região de Equador, Chile e um império no centro-sul de Avis dá Bolívia. Ele viabiliza a agricultura mexicano. Possuem uma início à nas montanhas e regiões sociedade altamente monarquia desérticas, com técnicas de hierarquizada. Desenvolvem nacional irrigação. Os incas são o único importantes obras de portuguesa, povo pré-colombiano a drenagem e técnicas de inaugurada domesticar animais. Erguem irrigação e cultivo. Estudam a pelo rei João I centros religiosos e cultuam o astronomia, a astrologia e a matemática. No século XVI, o deus Sol. Abalados por guerras império é destruído pelos internas, são dominados pelos espanhóis. espanhóis em 1532.
  8. 8. Invasões bárbaras: Séculos V-VI Século VI Reinos Reconquistapovos Invasão dos Pressão bárbaros germânicos Hunos bizantina
  9. 9. INVASÕES Bárbaros – Séc. V Ocupação da parte Reforço do poder Medo e Despovoamento ocidental do da Igreja (defesa e insegurança das cidades Império Romano cristianização) Dependência dos Formação dos Ruralização da Enfraquecimento camponeses face aos reinos bárbaros economia do comércio grandes senhores Aumento da instabilidade Regressão econômica Economia de subsistência Ataques dos muçulmanos, dos normandos (vikings) e dos magiares (húngaros) – Séc. VIII-X
  10. 10. Os FrancosO Reino Franco foi, dentre os bárbaros, ode maior duração e estabilidade fundadono Ocidente. Formou-se no século V,quando, após várias tentativas, os francosfinalmente conseguiram instalar-se naantiga província romana da Gália - atualFrança. Ele se estendeu até o século IX,fragmentando-se depois da morte de seumais célebre líder, Carlos Magno.
  11. 11. Mapa animado: A expansão dos francos
  12. 12. Dinastia merovíngia Após se fixarem na Gália, os francos permaneceram divididos em tribos, cada qual com seu chefe. Em 482, Clóvis, um desses líderes, unificou os grupos e tornou-se o primeiro rei, fundando a dinastia merovíngia (cujo nome deriva de seu avô, Meroveu). Clóvis empenhou-se em conquistar territórios e converteu-se ao cristianismo, formalizando uma aliança com a Igreja Católica. Após sua morte, seus quatro filhos dividiram o reino entre si, enfraquecendo-o. Na época, a Europa vivia um processo de ruralização e descentralização do poder, com a formação do feudalismo .  Batismo de Clóvis
  13. 13. Os monarcas que sucederam a dinastiamerovíngia ficaram conhecidos como reisindolentes, por demonstrar pouca habilidadepolítica. O poder de fato passou então a serexercido por altos funcionários da corte, osprefeitos do palácio, denominadosmajordomus.O majordomus Carlos Martel ganhou prestígiocom a vitória contra os muçulmanos na Batalhade Poitiers, em 732, que impediu o avançoislâmico sobre a Europa Ocidental. Após suamorte, seu filho, Pepino, o Breve, depôs oúltimo monarca merovíngio, Childerico III, e,com o apoio da nobreza e do papa, tornou-serei, iniciando a dinastia carolíngia.
  14. 14. Império Carolíngio O Reino Franco atingiu o apogeu durante o reinado de Carlos Magno, filho de Pepino. Em 800, ele foi coroado imperador pelo papa Leão III, adquirindo, assim, a incumbência de disseminar e defender a fé cristã. Para conduzir o agora Império Carolíngio, Magno dividiu-o em centenas de unidades administrativas dotadas de certa autonomia - os condados -, governadas por nobres de confiança - os condes. Também aumentou o poder dos missi dominici, altos funcionários reais, em geral membros do clero, encarregados de fiscalizar a aplicação das leis capitulares (decretos emitidos em capítulos pelo imperador).
  15. 15. IMPERADOR fidelidade nomeia fidelidade MISSI DOMINICIfidelidade controla controla fidelidade NOBRES BISPOS fidelidade fidelidade VASSALOS SERVOS LIVRES
  16. 16. Além de continuar a políticaexpansionista do pai, Magnopromoveu o RenascimentoCarolíngio, uma grande renovaçãoeducacional, artística, monetária,jurídica e administrativa. Estimulou afundação de escolas e tornou-se umdos responsáveis pela continuidadeda cultura greco-romana. Morreu em814, sendo substituído pelo filho,Luís, o Piedoso.
  17. 17. Mais tarde, com a morte de Luís,guerras sucessórias entre seus filhosresultaram no Tratado de Verdun,de 843, que estabeleceu a divisão doimpério em três reinos: Carlos, oCalvo, recebeu a partecorrespondente à França; Luís, oGermânico, ficou com o territórioalemão; e a Lotário coube a partecentral. A desintegração levou a umaumento do poder da nobreza local,fato que, somado às novas invasõesbárbaras, de normandos (origináriosda Escandinávia) e magiares (vindosda atual Hungria), permitiu aconsolidação do feudalismo naEuropa.
  18. 18. ...e em 880 ... em 870 Tratado de Verdum, 843
  19. 19. Islã: uma fé, uma naçãoA civilização árabe surgiu no século VII, na península Arábica, a partir de tribos deorigem semita. Anteriormente, elas já compartilhavam algumas características, comoa língua, mas foi somente nessa época que obtiveram união política, conquistada naesteira da pregação do Islã, religião então recém-nascida. Logo os árabes fundaramum extenso império que só se desintegraria no fim da Idade Média e deixaria forteinfluência cultural nas áreas por onde se estendeu.
  20. 20. Antes de MaoméInicialmente, o povo árabe (também conhecido como sarraceno) estava dividido emcerca de 300 tribos rurais e urbanas, chefiadas pelos xeques. As que habitavam odeserto - denominadas beduínas - eram nômades e se dedicavam sobretudo à criaçãode camelo e ao cultivo de tâmara e de trigo. Faziam constantes peregrinações embusca de lugares férteis para sobreviver, os oásis, e guerreavam entre si. Já aquelasque moravam nos centros urbanos da faixa costeira do mar Vermelho se ocupavamprincipalmente do comércio, com a organização de caravanas de camelo para otransporte de produtos. Ao encontrarem melhores condições climáticas e solo maisfavorável à agricultura, esses grupos se fixaram e formaram cidades como Meca eIatreb - a atual Medina.
  21. 21. A religião pré-islâmica era politeísta. Osárabes cultuavam cerca de 300 astros,representados por ídolos. O maior centroreligioso da península era Meca, queabrigava o templo da Caaba, com todos osídolos tribais e a pedra negra -provavelmente um pedaço de meteorito,considerado sagrado. Todos os anos,milhares de beduínos e comerciantes sedirigiam à cidade para visitar o santuário,que era administrado pelos coraixitas,tribo de aristocratas que lucravam com asperegrinações e o comércio realizado naregião.Apesar de compartilharem algumastradições, as tribos envolviam-sefreqüentemente em conflitos e guerras,prejudicando o comércio. A unificaçãoviria com o surgimento e a disseminaçãode uma nova religião: o Islã.
  22. 22. Nasce o profeta...Em 570 nasceu Maomé ( ). Criado em umramo pobre da tribo coraixita, tornou-semercador. Aos 25 anos, ele se casou com umaviúva rica e mais velha e conseguiu certaestabilidade financeira, o que lhe permitiuviajar muito. Nesses deslocamentos, entrouem contato com cristãos e judeus. Aos 40anos, começou a ter visões e a ouvir vozes,que acreditava serem do anjo Gabriel.Os chamados que Maomé recebia oapontavam como profeta de um deus único eonipotente, Alá. Dois anos depois, quando jáera aceito pela esposa e pela família comoprofeta, ele começou a pregar o monoteísmoe a abominação dos ídolos a todas as tribos deMeca, revelando-lhes a religião islâmica. Seusensinamentos foram compilados no Corão (ouAlcorão), livro sagrado dos muçulmanos,usado por muitos países como código demoral e justiça.
  23. 23. Ao condenar a peregrinação à Caaba, Maomé ganhou muitos inimigos em Meca epassou a sofrer perseguições. Em 622, fugiu para Iatreb - atual Medina ("cidade doprofeta"). O episódio, conhecido como hégira, marca o início do calendário árabe. EmMedina, Maomé tornou-se líder político, religioso e militar. Organizou um Exército edeu início a uma guerra - dita santa, a jihad - para tomar Meca e propagar a novareligião. Em 630, a cidade sagrada foi tomada; os ídolos da Caaba, destruídos; e osopositores, aniquilados. Ao morrer, dois anos depois, Maomé havia deixado as tribosárabes politicamente unificadas sob uma mesma religião.
  24. 24. O ImpérioApós Maomé, o poder da Arábia passouàs mãos dos califas, que, como ele,tinham poder religioso, político emilitar. A necessidade de conquistarterras férteis, o interesse dos grandescomerciantes e a crença no islamismocomo a única possibilidade de salvaçãofizeram os árabes se engajar na guerracontra povos estrangeiros. Sob ogoverno dos quatro primeiros califas, oimpério atingiu a Síria, a Palestina, aPérsia e o Egito. Os povos dominadosnão eram obrigados a se converter aoislamismo, mas sofriam certa pressão -cobrava-se um imposto especial dosinfiéis, por exemplo -, de modo que acrença em Alá acabou por se tornarpredominante nas áreas ocupadas.
  25. 25. Com a dinastia dos Omíadas (661-750), aexpansão árabe ganhou novo impulso,avançando em direção à Índia e ao norte daÁfrica. O auge das conquistas ocorreu quandoos árabes atravessaram o estreito deGibraltar, entre a África e a Europa, eocuparam a península Ibérica - ondepermaneceriam por séculos. Seu avanço sófoi barrado com a derrota na Batalha dePoitiers, em 732, vencida pelos francos.Com os califas da dinastia Abássida (750-1258), o império alcançou o máximo da suaextensão, tendo Bagdá como a nova capital ecentro do comércio entre o extremo Orientee o Ocidente. No entanto, o sucesso duroupouco. No período final da dinastia, conflitospolíticos e religiosos desmembraram ocalifado em grupos independentes.
  26. 26. A perda da unidade política veioacompanhada da desagregação religiosa,com o surgimento de duas seitasprincipais: a xiita e a sunita - que até hojemantêm fortes divergências. A primeira sóadmitia como fonte de ensinamentos oCorão e defendia a idéia de que o poder doEstado deveria se concentrar em um únicodescendente direto de Maomé. Já ossunitas fundaram sua crença no Suna -livro com os ditos e atos de Maomé - eacreditavam na livre escolha dosgovernantes pelos crentes.Com governo fraco e desmembrado, osabássidas perderam o poder de Bagdá, em1258, para os mongóis - guerreirosnômades vindos da Ásia. A derrota finalocorreria no século XV, quando os turco-otomanos conquistaram a parte orientaldo império e os espanhóis dominaram oúltimo reduto árabe na península Ibérica,expulsando-os definitivamente da Europa.
  27. 27. A Islã no mundo hoje.Com cerca de 1,2 bilhão de seguidores, o islamismo é a segunda maior religião do mundo em númerode fiéis. O termo "islã" vem do árabe e significa submissão. Uma pessoa se submete à vontade deDeus, conhecido no Islã como Alá, para viver e pensar como Alá deseja. Islamismo é mais do que ummero conjunto de convicções religiosas. A fé islâmica proporciona um sistema social e legal eestabelece diretrizes para administrar a vida em família. O islamismo oferece ainda códigos devestimenta, higiene e ética, lei e ordem, assim como rituais religiosos e devoção a Deus.
  28. 28. FeudalismoO feudalismo foi o sistema político, social e econômico que predominou na Europadurante a Idade Média. Era marcado pela descentralização política, pouca mobilidadesocial e auto-suficiência econômica dos feudos - as unidades de produção da época.Começou a se desenvolver após a queda do Império Romano do Ocidente, no séculoV, consolidou-se no século X, atingiu o auge no século XII e a partir do século XIIIentrou em colapso. Durante a Baixa Idade Média, iniciou-se a transição que osubstituiria pelo capitalismo, sistema dominante na História até hoje.
  29. 29. Formação A partir do século V, com o enfraquecimento do Império Romano, a Europa passou a sofrer diversas invasões dos povos bárbaros - como os vândalos, pioneiros, que atravessaram a península Ibérica de norte a sul e chegaram à África; os anglo-saxões, que desembarcaram na Inglaterra; e os lombardos, que se instalaram na Itália. Eles destruíram as instituições romanas mas, com exceção dos francos - cujo reino se desmoronou no século IX -, não conseguiram substituí-las por outro Estado forte. A tomada do controle do comércio no mar Mediterrâneo pelos árabes, nos séculos VII e VIII, deixou os europeus ainda mais enfraquecidos.
  30. 30. O clima de insegurança einstabilidade prosseguiu até o séculoIX, quando ocorreu uma nova ondade invasões, realizadas peloshúngaros magiares e pelos vikings(também conhecidos comonormandos). Como forma de defesa,os nobres construíram grandescastelos, que funcionavam comofortalezas, em torno dos quais apopulação pobre se instalou,buscando proteção. Essaspropriedades ficaram cada vez maisisoladas umas das outras, o que crioua necessidade de produzir ali mesmoo que era preciso para sobreviver. Aagricultura se tornou a atividadeeconômica mais importante e osdonos das terras, os grandes chefespolíticos e militares. Era o início dofeudalismo.
  31. 31. Política A principal característica política do feudalismo era a descentralização do poder. O rei tinha pouca ou nenhuma autoridade e, em troca de ajuda militar, era comum que cedesse grandes porções de terra (os feudos) a membros da nobreza. Esse costume, o beneficium, se tornou hábito entre os nobres, e eles passaram a doar terras entre si. Numa cerimônia denominada homenagem, o proprietário que recebia o terreno - vassalo - prometia fidelidade e apoio militar ao doador - suserano. Esse, por sua vez, jurava proteção ao vassalo.
  32. 32. A homenagem “Eis dois homens frente a frente: um, que quer servir; o outro. que aceita. ou deseja ser chefe. O primeiro une na mãos e, assim juntas, coloca-as nas mãos do segundo: claro símbolo de submissão (...). Ao mesmo tempo, o personagem que oferece as mãos pronuncia algumas palavras, muito breves, pelas quais se reconhece ‘o homem’ de quem está na sua freme. Depois, chefe e subordinado beijam-se na boca: símbolo de acordo e amizade”. Marc Bloch
  33. 33. AS RELAÇÕES FEUDO-VASSÁLICAS Relações de dependência mútua entre dois senhores SUSERANO VASSALO [nobre mais poderoso] [nobre menos poderoso] Contrato de vassalagem (momentos) Homenagem Juramento de Fidelidade Investidura[O vassalo encomenda-se [Jura-lhe fidelidade e [Em troca o suserano ao suserano] promete servi-lo com concede-lhe um benefício homens e armas] ou feudo]
  34. 34. Essa obrigação recíproca, uma das características mais marcantes do feudalismo, teveorigem nas tradições dos invasores germânicos, que praticavam o comitatus -fidelidade mútua entre chefes tribais e guerreiros. Outros costumes que influenciarama estruturação da ordem feudal vieram de Roma, como o colonato, que impunha afixação do homem à terra e virou prática fundamental no regime da Europa medieval.Por essa dupla herança, pode-se dizer que o feudalismo é resultado do choque dedois mundos: o romano e o germânico.
  35. 35. DEVERES DO VASSALO  Auxílio militar e monetário  Fidelidade e conselhoDEVERES DO SUSERANO Proteção Concessão do feudo
  36. 36. O poder dos senhores O sistema feudal, com efeito, é edificado como uma pirâmide em que cada senhor é o vassalo de um senhor mais poderoso. No topo encontra-se o rei, que procura, aliás, afastar-se cada vez mais do sistema; na base, estão os menores dos vassalos, os sub-vassalos, personagens que os romances de cavalaria apresentam como modelos de lealdade, amabilidade e sabedoria. Entre os dois extremos, há toda uma hierarquia de grandes e pequenos barões, desde duques e condes até os proprietários de modestos castelos. O poderio de um senhor mede-se pela extensão de suas terras, o número de vassalos e o porte de sua ou suas fortalezas.
  37. 37. "(...) a própria vocação do nobre lheproibia qualquer atividadeeconômica direta. Ele pertencia decorpo e alma à sua função própria: ado guerreiro. (...) Um corpo ágil emusculoso não é o bastante parafazer o cavaleiro ideal. É precisoainda acrescentar a coragem. E étambém porque proporciona a estavirtude a ocasião de se manifestarque a guerra põe tanta alegria nocoração dos homens, para os quais aaudácia e o desprezo da morte são,de algum modo, valoresprofissionais." Bloch, Marc. A sociedade feudal.
  38. 38. Sociedade: características gerais Antes de mais nada, a sociedade do século feudal é uma sociedade cristã; para fazer parte dela, mesmo como cidadão, é necessário ser cristão. Pagãos, judeus e muçulmanos, ainda que sejam às vezes tolerados, são sempre excluídos. O Ocidente vive ao ritmo da mesma fé. Cada domínio senhorial, cada cidade, cada entidade política, participa mais da cristandade universal do que um reino determinado. Daí a intensidade das trocas, a maleabilidade das fronteiras, a ausência de nações e nacionalismo; daí também o caráter universalista, não apenas dos costumes e da cultura, mas também das estruturas sociais e mesmo das instituições.
  39. 39. Um mundo ruralA Europa feudal é um mundo rural em que a riqueza repousa na terra. A sociedade édominada pelos proprietários de latifúndios, os senhores, cujo poder é ao mesmotempo econômico e político.
  40. 40. Sociedade A sociedade feudal estava dividida basicamente em três grupos: senhores feudais, que detinham o poder sobre as terras e o monopólio militar; o clero e camponeses. A mobilidade social é pequena, e a legitimidade da divisão era garantida pela amplamente difundida doutrina católica, que atribuía a estratificação à vontade divina. “A razão (de ser) dos carneiros é fornecer leite e lã; a dos bois é lavrar a terra; e a dos cães é defender os carneiros e os bois dos ataques dos lobos. Se cada uma destas espécies de animais cumprir a sua missão, Deus protegê-la-á. Deste modo, fez ordens, que instituiu em vista das diversas missões a realizar neste mundo. Instituiu uns os clérigos e os monges para que rezassem pelos outros (...). Instituiu os camponeses para que eles, como fazem os bois com o seu trabalho, assegurassem a sua própria subsistência e a dos outros. A outros, por fim, os guerreiros, instituiu-os para que (...) defendessem dos inimigos, semelhantes a lobos, os que oram e os que cultivam a terra.” Bispo Eadmer de Canterbury.
  41. 41. Realeza Alta nobreza e alto clero Nobreza média Separação entre (cavaleiros, etc.) privilegiados e povo Grupos médios (artesãos, Grupo intermediário comerciantes e (camponeses com lavradores ricos, terras, artesãos, profissionais liberais pequenos comerciantes, etc.) Servos, jornaleiros, etc.Marginalizados
  42. 42. Os camponeses Os camponeses que usufruem de concessões dividem-se juridicamente em dois grupos: os vilões e os servos. O vilão goza de completa liberdade pessoal; embora dependa politicamente do senhor, tem direito a circular livremente, morar onde quiser e às vezes até mudar de senhorio. O servo, ao contrário, está preso ao solo, privado de certas capacidades e sujeito a maiores encargos. Paga impostos mais pesados que os devidos pelo simples vilão; não pode testemunhar num processo contra um homem livre, entrar no clero ou beneficiar-se plenamente dos bens comunais. Sua condição, porém, é diferente da dos escravos da Antigüidade; ele goza de uma certa personalidade jurídica e pode possuir um patrimônio; o senhor, que lhe deve justiça e proteção, não pode espancá- lo, matá-lo ou vendê-lo.
  43. 43. As obrigações servis As obrigações servis ou melhor, direitos senhoriais, eram consagrados pela tradição e variavam de acordo com a região. Os principais são: Corvéias: era prestação de serviço gratuitos nas terras do senhor além de outros serviços. Talha: era a entrega de parte da produção do servo. Parte da colheita do servo devia ser entregue ao senhor feudal. A talha também se aplicava às criações do servo: porcos, ovelhas, aves, ettc. Banalidades: eram taxas diversas, pagas em dinheiro ou produtos. Por exemplo, o pagamento do uso dos equipamentos do feudo como o moinho e os fornos.
  44. 44. O escritor Luchaire descreve, no livro A Sociedade Francesa nosTempos de Felipe Augusto, os direitos senhoriais, na localidade deVerson:“Em São João (24 de junho), os camponeses de Verson, na Normandia,devem ceifar os prados do senhor e levar os frutos ao castelo. Depois,devem cuidar dos fossos. Em agosto, colheita do trigo que devem levarà granja. Eles próprios não podem recolher os seus feixes senão depoisque o senhor tirou antecipadamente a sua parte. Em setembro, devema porcagem; um porco, em oito, e dos mais bonitos. Em São Diniz (9 deoutubro), pagam o censo, depois o direito de fechar o seu campo. Nocomeço do inverno, corvéia sobre a terra senhorial, para prepará-la,semear e passar a grade. Em Santo André (30 de novembro), paga-seuma espécie de bolo. Pelo Natal, ‘galinhas boas e finas’. Depois, umacerta quantidade de cevada e trigo. Se o camponês vender a sua terra,a décima parte do preço da venda pertence ao senhor. No Domingo deRamos deve ele a carneiragem – um certo número de carneiros – euma nova corvéia de trabalho. Depois deve ir para a forja, ferrar oscavalos; ao bosque, cortar as árvores para o senhor e fazer a corvéiado carreto. Ainda mais: o moleiro do castelo, para moer o grão docamponês, cobra um alqueire de grão de uma certa quantidade defarinha; no forno é preciso pagar também, e o ‘forneiro’ jura que, senão tiver o seu pagamento, o pão do camponês ficará mal cozido e mal‘virado’.”
  45. 45. Os clérigosA sociedade eclesiástica éextremamente diversificada, e suasfronteiras com o mundo dos leigos nãosão sempre nítidas. Clérigo é todohomem que recebeu a primeira dasordens menores; ele deve, além disso,ter sido tonsurado e vestir o longohábito que caracteriza seu estado. Éuma condição bastante imprecisa,havendo muitos graus intermediáriosentre as pessoas mundanas e osverdadeiros membros do clero.Todo mundo almeja ser clérigo, pois oclericato proporciona diversosprivilégios.
  46. 46. Os clérigos titulares de um cargo desfrutam de bens cujos rendimentos servem parasustentá-los: são os benefícios. Há os benefícios menores (paróquias, priorados,castelanias) e os maiores (arcebispados, dioceses, abadias). Tanto na França como naInglaterra, a Igreja é o proprietário mais rico do reino e concede, enquanto tal, partede seus domínios àqueles que estão a seu serviço. A importância do benefício éproporcional à da função ocupada.
  47. 47. A cavalaria A cavalaria é uma instituição que se implantou no sistema feudal por volta do ano 1000. No sentido estrito, cavaleiro é todo homem de armas que se submeteu aos ritos de uma cerimônia de iniciação específica: a sagração do cavaleiro. Contudo, não basta ter sido ordenado; deve-se também obedecer a certas regras e sobretudo seguir um modo de vida particular. Os cavaleiros não formam uma classe jurídica, mas uma categoria social que reúne especialistas em combate de cavalaria - o único eficaz até o final do século XIII -, e que dispõe dos meios de levar essa existência à parte, que é a vida de cavaleiro.
  48. 48. O povo das cidades As cidades geralmente não passam de aldeias ampliadas. No entanto, a partir do século XI verifica-se em todo o Ocidente um inegável crescimento urbano, em decorrência da retomada do comércio e das atividades de troca, do desenvolvimento do artesanato e de certas formas de indústria, da multiplicação das associações profissionais e municipais. As cidades passam a atrair novos contingentes de população, adquirem importância, ampliam suas muralhas.
  49. 49. De um lado, nobres, comerciantesafortunados, mestres artesãos e“capitalistas”, que têm o poder político,criam e cobram impostos, possuem casas eterrenos de que retêm o aluguel. Do outro, agente comum, pequenos artesãos, operários,biscateiros, aprendizes e miseráveis de todotipo, que, como as tecelãs libertas por Yvainno romance Chevalier au lion, não podemsenão lamentar a própria sorte:“Haveremos sempre de tecer panos de seda ejamais estaremos mais bem vestidas.Seremos sempre pobres e nuas; teremossempre fome e sede. Jamais ganharemos osuficiente para melhorar nossa alimentação[...]Pois quem ganha vinte soldos por semananão consegue sair da miséria [...]E, enquanto vivemos na penúria, aquele paraquem trabalhamos enriquece às nossascustas...“.
  50. 50. SOCIEDADE RURALIZADA E TRIPARTIDA [A terra é a principal fonte de riqueza e poder] CLERO NOBREZA POVO Serviço religioso Guerras Comerciantes CAMPONESES Ensino Torneios ArtesãosAssistência aos pobres Caçadas e doentesPossuem terras e direitos sobre os camponeses Trabalham a terra- Cobram impostos Pagam renda, corvéias, talhas, banalidades- Aplicam a justiça e outros impostos Estão ligados por relações de vassalagem Estão dependentes dos senhores
  51. 51. Economia O senhorio é o conjunto das terras sobre as quais o senhor - seja qual for sua fortuna e poder - exerce os direitos de propriedade e soberania. Representa a entidade política e econômica de base numa sociedade quase exclusivamente rural. Há senhorios de todas as dimensões e de todas as formas. É o cenário da vida cotidiana.
  52. 52. O senhorio está dividido em duas partes: asconcessões e a reserva. As concessões sãopequenas porções de terra arrendadas pelosenhor a camponeses, que em troca lhedevem uma parte de sua produção (paga innatura ou em dinheiro, conforme asmodalidades extremamente variáveis deuma região à outra) e a prestação deserviços nas terras do senhor, a chamadacorvéia (lavoura, colheita, vindima,transporte).
  53. 53. A reserva é o domínio diretamenteexplorado pelo senhor. Ela compreende ocastelo e suas dependências, terrasaráveis cultivadas pelos servosdomésticos ou pelos camponeses nacorvéia, pastagens, bosques e rios sobreos quais todos os habitantes do senhoriopossuem direitos de uso relativamenteamplos.
  54. 54. Sobre o conjunto das concessões e da reserva,o senhor representa a autoridade pública: eleadministra a justiça, exerce os direitos depolícia, assegura a defesa militar. Somado aesse poder geral de comando, há um podereconômico decorrente de seu status deproprietário: por um lado, cobra taxas sobretodas as atividades de troca (direitos depassagem, feiras, mercados); por outro, possuicertas oficinas e aparelhos de produção (forja,moinho, prensa para espremer frutos, forno),que os habitantes são obrigados a utilizar,pagando uma taxa. Esse monopólio,denominado “banalidade”.
  55. 55. Bosques Castelo Reserva servil Reserva senhorial PedágioMoinho Vilarejo Igreja
  56. 56. O poder da IgrejaNenhuma instituição foi tão rica, bem organizadae influente na Europa feudal quanto a IgrejaCatólica. Com a transformação do cristianismo emreligião oficial do Império Romano, em 391,durante o reinado de Teodósio, a Igreja passou aacumular fortunas e vastos territórios. No séculoV, a instituição tinha uma organização hierárquicadefinida - com padres e sacerdotes na base dapirâmide, bispos logo acima e o papa no topo - eestava bem instalada pelo continente. Osreligiosos dedicaram-se a converter os bárbaros ea promover sua integração com os romanos,ganhando prestígio e passando a assumir funçõesadministrativas nos novos reinos.
  57. 57. Além de deterem poder político eeconômico, os sacerdotes formavam aelite que sabia ler e escrever e passarama encerrar em si o monopólio doconhecimento. Não à toa, os maioresexpoentes da filosofia medieval sãoreligiosos: Santo Agostinho e São Tomásde Aquino. O pensamento filosófico daépoca foi intensamente influenciadopelo cristianismo, confundindo-se com ateologia.
  58. 58. Com tanto poder nas mãos, asautoridades católicas fizeram detudo para aumentá-lo ainda mais.Para isso, muitas vezes usavamcomo pretexto o suposto combateà heresia (prática contrária àdoutrina da Igreja). O símbolomáximo dessa repressão foi ainstauração, em 1231, dosTribunais do Santo Oficio, ouInquisição, que tinham poderespara julgar e condenar à morte osréus considerados infiéis.
  59. 59. A intensa participação dos clérigosnas questões terrenas provocoureações de alguns cristãos, quedecidiram isolar-se para viver deforma simples, sob votos decastidade e pobreza. Desse setornasceram as ordens monásticas,cujos membros habitavammosteiros e se dedicavam aotrabalho intelectual e à oração. AOrdem dos Beneditinos, fundadapor São Bento, em 525, consolidoua estrutura dessas organizações.
  60. 60. Organização da Igreja Católica Romana DEUS ARCEBISPOS ABADESDIOCESES PAPA BISPOS CARDEAIS (Bispo de Roma) CARDEAIS PRIORES CÚRIA ROMANA COLÉGIO CARDINALÍCIO FRADES MONJAS - MONGESPARÓQUIAS SACERDOTES Cidade Campo CLERO SECULAR CLERO REGULAR
  61. 61. Cisma do Oriente (1054)O Grande Cisma do Oriente, Cisma do Oriente ou CismaOcidente-Oriente foi a cisão formal da unidade da igrejacristã em Igreja Católica e Igreja Ortodoxa, que tornou-se documentalmente evidente em 1054.Cisma do Ocidente (1378-1417)Cisão na Igreja Católica, durante a qual houve doisPapas ao mesmo tempo, um estabelecido em Roma,outro em Avinhão. Em 1409, houve até um terceiroPapa, em Pisa. O Concílio de Constança (1414) e,depois, a eleição do Papa Martinho V puseram-lhe fim.Querela das Investiduras (1085-1122)Disputa político-religiosa entre o Imperador do SacroImpério Romano-Germânico e o Papa, envolvendo odireito de nomeação para os cargos eclesiásticos. Adisputa encerrou-se em 1122 com a Concordata de Worms que limitou o poderdo imperador e afirmou o a supremacia do papado. Começava o período desupremacia do poder papal sobre o poder político dos governantes da Europa.
  62. 62. Decadência do feudalismoA partir do século XI, as invasões da Europacomeçaram a cessar. Além disso, a Igrejaconseguiu diminuir os conflitos entre senhoresfeudais. A principal medida tomada nessesentido foi a Paz de Deus: para evitar osprejuízos causados pelos embates, a Igrejaproibiu os confrontos em determinados dias dasemana.A Europa entrou num período de relativa paz esegurança. A agricultura se desenvolveu, o quepossibilitou um conseqüente crescimentopopulacional. Porém, a partir do fim do séculoXIII, aproximadamente, o sistema feudal deixoude dar conta da sociedade em expansão.Sobretudo após as Cruzadas, que liberaram oMediterrâneo aos europeus, a pressão peloaumento do comércio e pela urbanização levou,aos poucos, à substituição do feudalismo por umnovo sistema econômico: o capitalismo, que seconsolidaria na Idade Moderna.
  63. 63. As CruzadasA s Cruzadas foram uma série de expedições militares comandadas pela Igreja Católicae por nobres europeus, entre o século XI e o XIII, rumo à região de Jerusalém.Formalmente, tinham um objetivo religioso: retomar a cidade - considerada sagradapelos cristãos -, que fora dominada pelos turcos muçulmanos em 1071. Porém, suasprincipais motivações eram políticas e econômicas, e foi nesseúltimo campo que as Cruzadas obtiveram maiorsucesso: possibilitaram o renascimentodo comércio no mar Mediterrâneo -o que contribuiria decisivamentepara a crise do feudalismona Europa.
  64. 64. MotivosNo século XI, a Igreja Católica passava por crises internas. Havia sofrido forte golpe em1054, no Cisma do Oriente, quando o alto clero de Constantinopla rejeitou asupremacia papal de Roma, dando origem à Igreja Ortodoxa. Além disso, estavatravando uma disputa de poder com o Sacro Império Romano-Germânico, conhecidacomo Querela das Investiduras, que acabaria por restringir a atuação política do papa.Para completar, as peregrinações a Jerusalém haviam sido impedidas pelosmuçulmanos, e corriam boatos de queo Santo Sepulcro tinha sido destruído.Foi então que o papa Urbano II, emseu discurso durante o Concílio deClermont, na França, em 1096,conclamou todos os cristãos europeusa conquistar a Terra Santa.Era a oportunidade de a Igrejareafirmar seu poder.
  65. 65. Deus Vult!"A vós, abençoados homens de Deus, dirijo estas palavras. E que não sejam levadaslevianamente, pois são expressas pela Santa Igreja, que, pelo sagrado pacto com NossoSenhor, é sua santíssima voz na terra. (...) Não mais levantarão as espadas entre si,ceifando vidas e pecando contra o Evangelho. Aproximem-se guerreiros abençoados.Os que dentre vocês roubaram tornem-se agora soldados, pois a causa é suprema. Aquelesque cultivam mágoas juntem-se aos seus causadores, pois a irmandade é essencial aoobjetivo. Aproximem-se os que desejam vidaeterna, aproximem-se os que desejamabsolvição no sagrado. (...)Francos! A Palestina é lugar de leite e fluindo,território precioso aos olhos de Deus. Umlugar a ser conquistado e mantido apenaspela fé.Nós apelamos às vossas espadas! Lutai contraa amaldiçoada raça que avilta a terra sagrada,Jerusalém, fértil acima de todas outras. (...)O caminho será longo, a fé no Onipotentetorná-lo-á possível e frutífero.Que agora o exército do Deus único bradeem glória sobre os Seus inimigos!”
  66. 66. Para a nobreza - cuja participaçãoseria fundamental para o sucesso daempreitada -, a idéia vinha bem acalhar. O feudalismo começava a nãodar conta do aumento da produçãoagrícola e da população. Os senhoresfeudais precisavam de novas terras, eo restabelecimento do comércio como Oriente seria uma saída para aestagnação econômica que ocontinente vivia.
  67. 67. Os fiéis atenderam ao chamado dopapa. Ainda em 1096, uma multidão demendigos e pobres sem nenhumpreparo saiu caminhando em direção aJerusalém. Muitos morreram antes dodestino final e os que chegaram foramdizimados pelos turcos. A aventura,liderada pelo pregador Pedro, oEremita, ficou conhecida como aCruzada dos Mendigos.Essa, porém, ainda não era umacruzada oficial. A primeira foiorganizada naquele mesmo ano. Nototal, elas seriam oito e se estenderiamaté meados do século XIII. As quatroprimeiras foram as mais importantes.
  68. 68. Consequências das CruzadasAs Cruzadas não conseguiram o reconquistar a Terra Santa mas trouxeram muitasmudanças para a Europa. Dinamizaram o comércio, permitiram um maior intercâmbio com o Oriente deonde vieram novos produtos agrícolas (cana-de-açúcar, arroz), técnicas de cultivo e deprodução de tecidos. Os maiores beneficiados com a dinamização do comércio nomediterrâneo foram sem dúvida os italianos de Gênova e Veneza. Enfraqueceu o feudalismo.Os fracasso militares, oendividamento e a morte demuitos nobres permitiu oavanço do poder real e oenfraquecimento dos laçosde servidão.
  69. 69.  A intensificação do intercâmbio cultural com o Oriente (Islã e Bizâncio), além detrazer novas (e velhas) idéias para a Europa, auxiliou no “refinamento” da sociedadeeuropéia. Houve a fundação de várias OrdensMilitares, algumas delas, como a dosCavaleiros Teutônicos, existem aindahoje e teve uma grande atuação noleste Europeu, seja na evangelizaçãoseja na expansão dos interessescomerciais da Liga Hanseática. A agressão dos cristãos acirrou arivalidade com os muçulmanos que,por sua vez, começaram a diminuir asua tolerância em relação aos cristãos.
  70. 70. Renascimento Comercial e UrbanoA reabertura do Mediterrâneo ao comércio,consolidada na Quarta Cruzada, começou atransformar a economia feudal.Estabeleceram-se rotas comerciais ligandoregiões produtoras - como Flandres (ondeatualmente ficam Bélgica e Holanda), famosapor sua lã - e as cidades portuárias italianasque controlavam o contato com o Oriente -Veneza e Gênova. Nos cruzamentos dessasnovas rotas foram organizados centros decomércio temporários. Eram as feiras - comoa de Champanhe, na França -, que reuniammercadores de diversas partes da Europa.
  71. 71. Nas entradas de muitas cidades da Liga Hanseática, estava escrito: “O ar da cidade liberta”.
  72. 72. Para se protegerem de assaltos, os mercadores passaram a se estabelecer ao redor depalácios e mosteiros, formando os burgos (de onde, provavelmente, vem o termoburguês). Com o tempo, esses núcleos cresceram e ergueram novas muralhas a seuredor. Constituíam-se assim as cidades. No entanto, por viverem em áreas aindapertencentes aos feudos, os burgueses eram obrigados a pagar impostos aossenhores. A luta pela independência urbana ficou conhecida como movimentocomunal, e a emancipação era garantida pelas cartas de franquia, documento queassegurava às cidades direitos como o de cobrar impostos e organizar milícia.
  73. 73. Livres da tutela feudal, as novas cidades se organizaram em ligas (ou hansas), paraagilizar o comércio e congregar interesses. A mais importante foi a Liga Teutônica (ouHanseática), que chegou a reunir mercadores de mais de 80 pólos urbanos.Dentro das cidades, os burgueses também se organizaram em corporações, paragarantir o monopólio do comércio local. As mais conhecidas foram as corporações demercadores, ou guildas, que limitavam o comércio estrangeiro e controlavam ospreços, e as corporações de ofício, que agrupavam artesãos - com o objetivo deimpedir a concorrência de quem produzisse o mesmo artigo
  74. 74. Na hierarquia das corporações de ofício, os mestres eram osproprietários das oficinas e donos das ferramentas. Cabia-lhes estipularsalários e normas de trabalho. Abaixo deles estavam os oficiais,trabalhadores especializados remunerados, e, por último, osaprendizes, jovens sem experiência que recebiam roupas, alimento emoradia em troca de trabalho.
  75. 75. “A partir do século XI, aclasse artesã e a classe dosmercadores, que se haviamtornado mais numerosos emuito mais indispensáveis àvida de todos, afirmaram-secada vez maisvigorosamente no contextourbano, em especial a classedos mercadores, pois aeconomia medieval, a partirda grande renovação dessesanos decisivos, foi sempredominada, não peloprodutor, mas pelocomerciante.”BLOCH, Marc. A SociedadeFeudal.
  76. 76. Crise do feudalismoPara comprarem os produtos vendidos nas cidades e, assim, saciarem sua fome porluxo, os senhores feudais precisaram aumentar a produção. Explorado à exaustão, osolo começou a mostrar sinais de esgotamento, o que, somado a fortes chuvas doinício do século XIV, diminuiu gravemente a oferta de alimentos, causando a GrandeFome. A situação piorouentre 1348 e 1350, com aPeste Negra, uma epidemiade peste bubônica quematou cerca de um terçoda população européia.
  77. 77. A dizimação dos camponeses causou uma crise de mão-de-obra. Em algumas regiões,os servos foram ainda mais explorados, para manter o ritmo da produção, situaçãoconhecida como segunda escravidão. Em outras, passaram a exigir o recebimento desalários e diminuição nos impostos. As tensões sociais levaram a uma série de revoltascamponesas em várias partes do continente. Na França, elas ficaram conhecidas comojacqueries.
  78. 78. Evolução demográfica da Europa ocidental 1000 1100 1200 1300 1400 1500 Itália 5,0 5,75 7,25 10,0 7,0 10,0 Alemanha 3,5 4,0 6,0 9,0 6,5 9,0 França 6,5 7,75 10,5 16,0 11,0 15,0 Inglaterra 1,5 1,75 2,5 3,75 2,5 3,75 Espanha 4,0 4,5 5,5 7,5 5,5 6,5 Portugal 0,6 0,7 0,9 1,25 0,9 1,25 Totais 21,1 24,45 32,65 47,5 33,4 45,5 Valores arredondados, em milhões de habitantes.
  79. 79. A crise do feudalismo fez comque os senhores feudaisfossem lentamente perdendopoder político. Ao mesmotempo, fortaleciam-se aburguesia e o poder real. Essatransição só se conclui apartir da Idade Moderna,com a formação dasmonarquias nacionais e onascimento do capitalismo.
  80. 80. Formação das monarquias nacionais O fortalecimento dos monarcas nacionais dependia da neutralização de duas grandes forças: o universalismo, representado pela Igreja Católica, e o localismo, representado pelos senhores feudais. Na Idade Média, o poder dos reis era descentralizado e nominal, limitado a seus próprios domínios. Os reinos estavam fragmentados, ficando os poderes nas mãos de senhores feudais. No final da Idade Média, o crescimento comercial e urbano, as mudanças nas relações de trabalho e o surgimento da burguesia levaram ao enfraquecimento do poder local dos senhores e das cidades autônomas e do poder universal da Igreja (Papa), em benefício dos reis. Iniciava-se a formação dos Estados Nacionais.
  81. 81. Aliança rei e burguesiaInteressava à burguesia acabar com osobstáculos feudais ao comércio: pedágios,pesos e medidas, moedas, impostos e leisdiferentes. Percebendo que a unificação domercado nacional somente seria possível coma centralização do poder, a burguesia aliou-seao rei, fornecendo-lhe capital. Dessa forma, orei conseguiu força econômica e militar paravencer os senhores e a burguesia, condiçõesfavoráveis ao desenvolvimento das atividadesmercantis.
  82. 82. Características das Monarquias NacionaisOs monarcas organizaram exércitosprofissionais para enfrentar ossenhores e uma burocracia paraadministrar os novos Estados.Foram definindo as fronteiras deseus reinos e estabelecendo umalegislação e uma justiça nacionais.Além disso, promoveram aunificação do mercado nacional,estabelecendo moeda e impostosnacionais e um sistema único depesos e medidas.
  83. 83. FrançaNa França, a formação do Estado Nacionaldependeu do apoio da burguesia aos reisque, recorrendo à diplomacia e à guerra,ampliaram os domínios da Coroa ecentralizaram progressivamente o poder.O processo iniciou-se sob a dinastiaCapetíngia (987-1328) e completou-secom a Valois (1328-1589), que reorganizouo governo e recuperou territórios dosingleses ao vencer a Guerra dos Cem Anos(1337-1453.
  84. 84. Inglaterra Na Inglaterra, a realeza conseguiu manter a nobreza feudal submetida e estabeleceu um poder forte. No entanto, em 1215, os senhores impuseram a Magna Carta ao rei, limitando suas atribuições ao subordiná-lo ao Grande Conselho (Parlamento), formado por nobres e depois também por burgueses. A centralização monárquica completou-se no final da Guerra das Duas Rosas (1455- 1485), com a ascensão da dinastia Tudor.
  85. 85. Guerra dos Cem Anos (1337-1453) Problemas na sucessão do trono francês e a disputa pela Flandres (rica região produtora de tecidos) provocaram o longo conflito. Com a morte do rei da França, Filipe IV, não havia herdeiros do sexo masculino e o rei da Inglaterra Eduardo III (neto de Filipe IV, por parte de mãe) pretendeu o trono. Os franceses apoiaram Filipe VI de Valois (sobrinho do rei) e Eduardo III invadiu a França para fazer valer seu direito. Apesar das vitórias iniciais dos ingleses, coube aos franceses a vitória final. Destaca-se na guerra o papel da camponesa francesa Joana D’Arc, que acirrou o nacionalismo francês. Acusada de bruxaria, foi condenada à morte pelo Tribunal da Inquisição, em 1431.
  86. 86. Portugal e Espanha A centralização do poder real dependeu da Guerra de Reconquista dos territórios ibéricos ocupados pelos muçulmanos no século VIII. Partindo do reino de Astúrias, os cristãos foram formando vários reinos: Navarra, Castela, Aragão e Leão. Afonso Henriques libertou o Condado Portucalense do reino de Leão, dando origem ao reino de Portugal, no século XII. No final do século XIV, Portugal confirmou sua independência em relação a Castela com a Revolução de Avis (1383-1385), quando D. João recebeu o apoio da burguesia. A união dos demais reinos cristãos gerou a Espanha, em 1469, após o casamento entre Fernando de Aragão e Isabel de Castela — os Reis Católicos. A Reconquista concluiu-se em 1492, com a expulsão dos muçulmanos de Granada.
  87. 87. A Europa no séc. XIV
  88. 88. Cultura na Idade MédiaDurante muito tempo, a Idade Média foi considerada um período de ignorância esuperstições, tendo sido inclusive chamada de "Idade das Trevas". Realmente, nesseperíodo, houve um declínio nas atividades artísticas, literárias e científicas. Mas, seriaum exagero classificá-lo como um período de trevas. A destruição de bibliotecas pelos bárbaros, o medo de invasões e saques, a dificuldade nas comunicações e as constantes lutas entre senhores feudais contribuíram para criar um ambiente desfavorável ao desenvolvimento das artes e ciências. Assim mesmo, a Idade Média criou obras expressivas. Os mosteiros eram os únicos lugares onde se conservava a cultura antiga. O trabalho dos monges copistas, que passavam a vida inteira copiando obras da Antigüidade, preservou essa cultura. O homem medieval, de modo geral, não sabia ler nem escrever. Os homens da igreja eram os mais instruídos, que controlavam todas as atividades artísticas, literárias e científicas da época.
  89. 89. Visão Geral
  90. 90. LiteraturaA maior parte da literatura foi escrita em latim e tratavade temas religiosos. Por volta do século XII, a literaturacomeçou a ser escrita na língua própria de cada região ese manifestou a partir de três gêneros: poesia épica,poesia lírica e romance. A primeira valorizava acoragem, a honra e a fidelidade dos cavaleirosmedievais. A lírica ou trovadoresca, originária da regiãode Provença, no sul da França, tinha como temaprincipal o amor. O romance tinha como tema central oamor e também a aventura. A maior figura literária daIdade Média foi Dante Alighieri (1265-1321), natural deFlorença, Itália. Dante escreveu em latim e também emitaliano. Sua obra mais importante é A Divina Comédia.
  91. 91. Artes e ArquiteturaA arte medieval era também essencialmente religiosa.No campo das artes destaca-se a arquitetura, com aconstrução de templos, igrejas, mosteiros e palácios.Na arquitetura da Idade Média prevalecem doisestilos: o românico e o gótico.As construções em estilo românico(séculos X, XI e XII) caracterizam-sepelos arcos redondos, paredesbaixas e grossas, grandes colunas,janelas pequenas e interiorpouco iluminado.
  92. 92. As construções em estilo gótico (final do século XII e século XIII) caracterizam-sepelos arcos em formato ogival (diversos arcos cruzados e colocados sobrecolunas), janelas maiores e mais numerosas, paredes altas e interior iluminado. Asjanelas eram ornamentadas com belíssimos vitrais. Estes eram formados porpequenas placas de vidro colorido, unidas por chumbo, formando desenhos, comomosaicos.
  93. 93. Na pintura destacam-se as miniaturasou iluminuras, feitas para ilustrarmanuscritos e os murais. Os muraiseram pinturas feitas nas paredes,geralmente retratando figurasreligiosas.Na escultura utilizaram o metal, omarfim, e a pedra. Um grande númerode imagens decorava o interior dostemplos.
  94. 94. FilosofiaNa filosofia, destacaram-se Santo Agostinho e São Tomás de Aquino. A principalpreocupação deles era tentar harmonizar a fé cristã com a razão. Santo Agostinho erade uma corrente filosófica denominada patrística. Já São Tomás de Aquino, conseguiureconstruir , dentro da visão cristã, boa parte das teorias deAristóteles.Santo Agostinho fez a síntese da filosofia clássica com aplatônica junto com a fé cristã. Segundo a teologiaagostiniana, a natureza humana é por essência corrompida.A remissão estava na fé em Deus , a salvação eterna. Suasprincipais obras foram: Confissões e Cidade de Deus.Essa visão pessimista em relação a natureza humana foisubstituída na Baixa Idade Média por uma concepçãomais otimista e empreendedora do homem, com afilosofia escolástica, que procurou harmonizar razão efé , partindo do fato que o progresso do ser humanodependia não só da vontade divina, mas do esforço dopróprio homem. Essa atitude refletia uma tendência avalorização dos atributos racionais do homem, nãodevendo existir conflito entre fé e razão, pois ambasauxiliavam o homem na busca do conhecimento.
  95. 95. A escolástica valorizou a razão e substituiu aidéia agostiniana de predestinação pelaconcepção de livre arbítrio, isto é, decapacidade de escolha. Mas o clero tinha opapel de orientar moralmente eespiritualmente a sociedade , condicionando aliberdade de escolha com as vontades daigreja. Desse modo ao mesmo tempo quebuscava assimilar as transformações sociais,tentava preservar os valores do mundo feudaldecadente, assegurando a supremacia de suamais poderosa instituição – a igreja.São Tomás de Aquino ( 1225- 1274), deu aulasna universidade de Paris, foi o mais influentefilósofo escolástico inspirado na tecnologiacristã e no pensamento de Aristóteles,elaboroua Suma teológica, obra em que discorreu sobreos mais diversos assuntos, como religião,economia e política. O pensamento de SãoTomás constituiu um poderoso instrumento deação do clero durante a Baixa Idade Média.
  96. 96. CiênciasAs ciências não se desenvolveram muito na sociedademedieval ocidental. Quase todos os estudiosos epensadores desta época deixaram de lado asobservações da natureza e a experimentação,preferindo limitar-se às obras já escritas. Osconhecimentos da Antigüidade continuaram a seraceitos como verdades infalíveis.Na Idade Média, a maior parte dos estudos foidedicada à teologia e à filosofia. A primeira estuda adivindade e a segunda, a compreensão da realidade.Os clérigos, os únicos estudiosos, não tinham nenhuminteresse pelo conhecimento da natureza."Discutir a natureza e a posição da Terra não nosauxilia em nossa esperança de vida futura", disse SantoAgostinho.Um dos grandes nomes da ciência medieval foi omonge franciscano Roger Bacon (1214-1294), queintroduziu a observação da natureza e o uso deexperimentação com métodos científicos. Ele ficouconhecido como doutor Admirável, Bacon conseguiudesenvolver estudos em diversas áreas como :geografia, filosofia e física.
  97. 97. Os alquimistas Em vários lugares da Europa, os alquimistas trabalhavam incansavelmente, procurando, entre outras coisas, transformar chumbo em ouro e descobrir o elixir da vida eterna. Faziam suas experiências escondidos em torres e subterrâneos, pois eram considerados bruxos e, como tal, corriam sérios riscos de serem apanhados e levados a um tribunal da Igreja. Do seu paciente trabalho ficou uma herança importante para a ciência: os alquimistas descobriram muitos elementos químicos e ligas metálicas. Eles foram os precursores dos químicos modernos.
  98. 98. UniversidadesJunto às catedrais de algumas cidades começaram a surgir, no século XII, escolas quese chamaram universidades. Pertenciam a corporações de alunos e mestres e eramdirigidas por elas, seguindo o exemplo das corporações de artesãos e mercadores.Com as universidades, o ensino e a cultura deixaram de ser privilégio apenas dosmembros da Igreja. Além disso, ampliou-se o campo de estudos com a fundação defaculdades de Teologia, Direito, Medicina, Filosofia, Literatura, Ciências eMatemática.Graças ao desenvolvimento cultural promovido pelas universidades, as obras da Antigüidade greco-romana começaram a ser estudadas e traduzidas. Entre elas estão as obras do filósofo grego Aristóteles, que influenciaram o pensamento religioso do final da Idade Média. Algumas delas são conhecidas até hoje como Oxford e Cambridge.
  99. 99. Inovações técnicasA sociedade medieval conheceu importantes inovações técnicas, principalmente entreos séculos VII e X. Foi nesse período que se inventou a charrua (arado pesado deferro) e o sistema de rotação de culturas em três campos. Desenvolveram-se novosmétodos de atrelar os animais e a integração entre a agricultura e a criação de gado,que possibilitava a adubação das terras com o esterco dos animais. Além disso,difundiu-se o uso dos moinhos de água (já conhecidos na Antigüidade Oriental, mas até então não utilizados na Europa) para moagem de grãos como o trigo e a cevada e para outros fins. Também o moinho de vento foi aperfeiçoado, de modo que as pás se movessem aproveitando o vento de qualquer direção.
  100. 100. A partir do século X, desenvolveu-seainda a extração mineral, devido ànecessidade de pedras para aconstrução (castelos) e de metais paraa fabricação de armas e instrumentosagrícolas.Como resultado desse grandedesenvolvimento técnico, houve emtoda a Europa, a partir do século X, umaumento da produção acompanhadode um progressivo aumentopopulacional.Também houve o aperfeiçoamento nanavegação, com a utilização dabússola, dos mapas de navegação, doastrolábio além de outrosinstrumentos.
  101. 101. Escolas existentes antes de 1200 logo transformadas em universidadesUniversidades fundadas no século XIIIUniversidades fundadas na primeira metade do século XIV
  102. 102. ECONOMIA SOCIEDADE POLÍTICA CULTURA Agrícola, de Divisão Poder local; Teocêntrica subsistência, estamental poder real (forteALTA IDADE MÉDIA manufaturas (nobreza, clero, limitado pela influência da caseiras povo) nobreza e pelo Igreja); arte alto clero românica Ressurgem as Nas cidades, os Fortalecimento Heresias e cidades: comerciantes progressivo dos movimentos centros (burguesia), reis. reformistas na econômicos; ganha espaço. Igreja;BAIXA IDADE MÉDIA aumento da Perdas universidades; produção; demográficas: gótico revitalização do fome, peste, comércio guerras
  103. 103. A Baixa Idade Média e a Crise do Feudalismo Caracteriza-se por... Dois momentos... MUDANÇAS EXPANSÃO RENASCIMENTO POLÍTICAS EXTERNA DAS CIDADES CRESCIMENTO (séc. XII-XIII) Aumento do  Cruzadas  Centros depoder real  Aumento do atividade CRISE comércio econômica (séc. XIV) oriente-  Centros de ocidente atividade cultural CAUSAS  Más colheitas  Peste Negra CONSEQÜÊNCIAS  Diminuição da população  Crise de valores

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