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Introdução à história da áfrica

Introdução aos estudos sobre historia da Africa

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Introdução à história da áfrica

  1. 1. Introdução à História da África
  2. 2. A diversidade Africana: são muitas as “Áfricas” • O continente africano é múltiplo. É diverso. Nele, na verdade, existem várias “Áfricas”. • Vários povos, etnias, línguas, tradições, religiões, economias, enfim, várias sociedades compõem o mosaico africano e possuem características próprias que, quando tornadas homogêneas, empobrecem a compreensão do que é a África.
  3. 3. • A África é, também, uma terra de contrastes. Considerada o continente mais pobre do mundo, possui riquezas naturais e humanas inesgotáveis. Não podemos deixar de considerar, da mesma forma, sua diversidade religiosa, suas múltiplas formas de expressão artística, suas festas, seus sons e sabores
  4. 4. I-Uma história de resistências • Todos os modelos de dominação colonial impostos à África sofreram resistências de Variadas formas. • De norte a sul, chefes tradicionais e guerreiros pegaram em armas para enfrentar a praga “branca”, vinda do norte e que aparentemente não cessava nunca.
  5. 5. • Para levar a cabo a conquista da África, os europeus foram muito criativos e se utilizaram de todas as vias possíveis que estivessem ao seu alcance: fosse por meio da guerra; por meio de alianças não compreendidas pelos chefes africanos como o estabelecimento de acordos diplomáticos duvidosos, fosse utilizando-se da velha política do “dividir para dominar” com intensa utilização de africanos contra africanos, num curto período de tempo, a maior parte do continente estava em suas mãos.
  6. 6. • Num curto período de tempo, a maior parte do continente estava em suas mãos. A rigor, apenas duas unidades políticas mantiveram se completamente independentes na África, a Libéria e a Etiópia.
  7. 7. Monrovia, Liberia (Oeste da Africa)
  8. 8. Libéria – Processo de independência • O estado da Libéria teve as suas origens no outro lado do Atlântico, nos Estados Unidos da América • Em 1821 a Sociedade Americana de Colonização, uma entidade privada, adquiriu propriedades numa área então vinculada a Serra Leoa e deu início ao projeto de “repatriação” de ex-escravos. O local escolhido inicialmente recebeu o nome de Monróvia, uma homenagem ao presidente norte- americano James Monroe.
  9. 9. • O projeto foi apenas parcialmente bem sucedido, se assim podemos dizer, uma vez que relativamente poucos negros retornaram para a África e os que lá chegaram encontraram grandes dificuldades de entrosamento com as populações autóctones e com as condições locais, uma vez que muitos padeceram sob o impacto da malária e de outras doenças tropicais.
  10. 10. • Mesmo assim, em 1847 foi proclamada formalmente sua independência e fundada a República da Libéria, conseguiu manter-se independente, mesmo no período áureo de expansão do colonialismo europeu, graças a relativa proteção dos Estados Unidos.
  11. 11. Joseph Jenkins Roberts (1809-1876) – Foi eleito,em 1848, o primeiro presidente da Libéria.
  12. 12. Addis Ababa, capital da Etiópia
  13. 13. Nazret
  14. 14. Mekele
  15. 15. Dire Dawa
  16. 16. Aldeia etíope
  17. 17. Etiópia- processo de independência • A chegada dos europeus e as disputas entre eles e comerciantes árabes e asiáticos, sobretudo na busca pelo controle do comércio no Índico, associado a fatores internos, deixou a Etiópia um tanto fragilizada e em processo de relativa decadência. • No final do século XIX, com a chegada ao trono do Imperador Menelik II, as coisas começam mudar
  18. 18. • Menelik II consegue consolidar o seu reinado e toma atitudes que levaram à modernização do estado Etíope. • A Itália, que havia passado por um processo de unificação nacional tardio (década de 1860), e entrou na corrida colonial estabelecendo seus objetivos territoriais entre eles conquistar também os territórios etíopes
  19. 19. • Já tendo enfrentado investidas britânicas, o desafio colocado pela Itália foi aceito e o Imperador Menelike II, ao invés de fugir ou capitular, lançou seu exército e frustrou os planos de uma vasta área colonial italiana no chifre da África. • Em 1906, por meio de acordos diplomáticos, Inglaterra, França e Itália reconheceram formalmente a independência e as fronteiras da Etiópia.
  20. 20. Milhares de etíopes, como Jagama Kello, no centro da foto e na época contando com apenas quinze anos, alistaram-se para lutar contra os invasores italianos.
  21. 21. • Vale lembrar que sob o regime fascista de Benito Mussolini, a Itália voltou a invadiu a Etiópia em 1936 e por lá permaneceu até 1941. A dominação fascista não se deu, contudo, sem que houvesse uma forte resistência dos etíopes, naquele momento liderados pelo imperador Hailé Sélassie.
  22. 22. • Os italianos, com um exército muito superior, levaram cerca de oito meses para conseguir estabelecer de fato o controle sobre o território da Etiópia. • Com a resistência interna, com a ajuda dos ingleses e depois de sucessivos desastres militares italianos em várias frentes durante a Segunda Guerra Mundial, a Etiópia retomou a condição de independência após a expulsão dos italianos e o Imperador retornou ao trono.
  23. 23. Tropas coloniais britânicas na África do Sul (1879)
  24. 24. • A presença européia na África, embora concentrada no litoral, era antiga. No entanto tudo começou a mudar profundamente com a penetração em direção ao interior do continente por parte dos europeus. • Nos relatos que ficaram daquele tenebroso período, fica evidente que os africanos eram obrigados a muitas humilhações e regimes severos de trabalho-
  25. 25. • Exemplos: trabalho forçado, obrigatoriedade de fornecimento de víveres (mesmo que para isso aldeias inteiras tivessem que passar fome), atividades de transporte, ou carrego, na qual os africanos eram obrigados a transportar pesados equipamentos e materiais do interesse dos europeus (seja em direção ao interior ou em direção ao litoral), pagamentos de impostos e taxas, dentre outros. Tudo isso forçou os africanos a uma adaptação nada fácil de aceitar e que só foi obtida por meio de muita brutalidade e violência.
  26. 26. Congo – exploração, racismo e violência
  27. 27. • No Congo, por exemplo, o sistema de dominação imposto pelos belgas foi um verdadeiro pesadelo para os africanos. • Houve o confisco de terras e o monopólio das atividades econômicas mais rentáveis, além da coação das populações locais que foram obrigadas a participar, a contragosto, da exploração das riquezas do território • Aqueles que se negavam a trabalhar para os belgas eram severamente punidos com chicotadas, castigos diversos, assassinatos, mutilações e, ainda, tinham suas aldeias e casas queimadas para servir de exemplo.
  28. 28. O Estado Livre do Congo foi definido, durante a Conferência de Berlim, como um domínio colonial belga, ou melhor, como uma propriedade privada do próprio Rei dos Belgas, Leopoldo II. Assim, o Congo foi administrado de forma privada até que, em 1908, o território foi formalmente transferido para a administração direta do estado belga. Os maus tratos, a violência e a brutalidade exercida pelos colonizadores levaram ao primeiro movimento internacional pelos direitos humanos. Ver HOCHSCHILD, Adam. O fantasma do reio Leopoldo – uma história de cobiça, terror e heroísmo na África Colonial. São Paulo: Cia das Letras, 1999
  29. 29. Hereros – Namíbia – O povo herero quase foi exterminado pelo colonialismo alemão
  30. 30. • Levou tempo para que os africanos se organizassem em termos políticos para combater o colonialismo. Antes que isso acontecesse, a religião foi um meio de resistência muito utilizado na África, seja de forma consciente ou inconsciente. • Depois, veio o período de uma incipiente organização sindical, resultado do processo de urbanização e da transformação gradativa do trabalho dos africanos nas atividades laborais nas cidades que iam se formando. A fase seguinte, e que promoveu • Uma mudança substancial nas modalidades de resistência ao colonialismo, foi o surgimento de partidos políticos que tinham como fundamento a luta pela liberdade.
  31. 31. Tradicionais guerreiros zulus
  32. 32. II - Descolonização e independência • Dentre os principais fenômenos que envolveram as relações internacionais nas décadas de 40 e 50 do século XX, como a guerra fria, a bipolarização do poder, a questão da energia atômica e da possibilidade da guerra nuclear, a descolonização apareceu com destaque devido à importância que assumiu no decorrer desses anos.
  33. 33. • Dentre os fatores que levaram à descolonização, destacaram-se, dois tipos de influências que atuaram positivamente: 1) As internas: os movimentos pela independência no interior da África; 2) As externas, como: o referido abalo sofrido pelas potências colonialistas durante a Guerra; a política externa adotada tanto pela URSS quanto pelos EUA; a ação da ONU que, desde a sua fundação, trabalhou pela autodeterminação dos povos e pelo fim do sistema colonialista.
  34. 34. A II Guerra desgastou expressivamente as metrópoles, o que se traduziu num abalo moral, econômico e humano e repercutiu nas áreas colonizadas, uma vez que estas logo foram chamadas a ajudar no esforço de guerra. A contribuição se deu com: • Aumento na produção de alimentos e matérias-primas que eram enviadas como suprimentos para os exércitos aliados • Organização de tropas oriundas das regiões colonizadas que se dirigiram ao front para combater junto aos aliados (milhares de africanos foram mobilizados para lutar contra o nazismo)
  35. 35. A ONU foi um foro privilegiado para o debate sobre a descolonização
  36. 36. A ONU se tornara a principal tribuna para as reivindicações de autodeterminação dos povos colonizados. Naquela arena, a ideia de independência foi bem aceita pela maioria dos seus membros e a Organização se constituiu numa forte aliada dos estados que demandavam pela emancipação. Nela, as nações colonialistas sofreram as mais pesadas críticas contra o domínio e a exploração dos povos colonizados
  37. 37. A Negritude e o Pan-Africanismo Foram dois movimentos de notada importância para a resistência africana. • Ao destacar a personalidade e realçar os valores negros, a Negritude atuou como resposta ao racismo e assumiu forte sentido de resistência à política de assimilação, ambos alicerces ideológicos do colonialismo. • O Pan-Africanismo, por sua vez,catalisou forças Políticas e acirrou o debate sobre a descolonização, renovando as esperanças e fortalecendo a luta política dentro e fora da África.
  38. 38. IV A África hoje e sua inserção internacional • São diversas as regiões da África que vivenciaram ou ainda vivenciam conflitos armados e falência de estados, com um alto custo social. • Os estados africanos ainda hoje lutam contra toda sorte de adversidade no sentido de encontrarem soluções próprias e conjuntas para a superação do subdesenvolvimento e, acima de tudo, para melhorarem o seu pífio desempenho econômico e social, o que só será conseguido se primeiro atingirem a paz e conseguirem promover um ciclo virtuoso que possibilite crescimento econômico minimamente sustentado.
  39. 39. Guerrilhas e instabilidade ainda persistem em algumas partes do continente africano
  40. 40. A situação em Darfur, no Sudão, continua crítica
  41. 41. O Continente Africano, apesar de sua grande diversidade e das particularidades dos seus estados e regiões, apresenta alguns elementos que lhe dão nexo no que diz respeito à sua inserção internacional: • Grande déficit tecnológico; • Não conseguiram alcançar um perfil industrial e alguns estados se ressentem da falta de infraestrutura básica para o seu desenvolvimento; • No setor agrícola há defasagens gritantes no Continente. Nesse sentido, a África é o único continente que não conseguiu autossuficiência na produção de alimentos.
  42. 42. Africanos arriscando a vida para chegar à Europa. O desemprego no Continente acaba servindo como estímulo para que milhares de africanos tentem deixar a África todos os anos.
  43. 43. lideranças africanas se esforçam para conseguir superar dificuldades Além dos processos de integração econômica em andamento no continente, existem propostas que valorizam a democratização das sociedades africanas e um renovado sentimento de respeito aos direitos humanos • A ideia de Renascimento Africano (African Renaissance) • O Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e os credores mais ricos já sinalizaram com o perdão de parte da dívida externa de vários países africanos e da revisão de seus procedimentos com relação à África.
  44. 44. A copa do mundo de futebol ajudou a projetar a imagem internacional do Continente
  45. 45. O Apartheid • Apartheid (significa "vidas separadas" em africano) era um regime segregacionista que negava aos negros da África do Sul os direitos sociais, econômicos e políticos • Embora a segregação existisse na África do Sul desde o século 17, quando a região foi colonizada por ingleses e holandeses, o termo passou a ser usado legalmente em 1948 e perdurou até 1994
  46. 46. • No regime do apartheid o governo era controlado pelos brancos de origem européia (holandeses e ingleses), que criavam leis e governavam apenas para os interesses dos brancos. Aos negros eram impostas várias leis, regras e sistemas de controles sociais. • Este sistema vigorou até o ano de 1990, quando o presidente sul-africano tomou várias medidas e colocou fim ao apartheid. Entre estas medidas estava a libertação de Nelson Mandela, preso desde 1964 por lutar com o regime de segregação. Em 1994, Mandela assumiu a presidência da África do Sul, tornando-se o primeiro presidente negro do país
  47. 47. Entre as principais leis do apartheid, podemos citar: 1949- Proibição de casamentos entre brancos e negros ; 1950- Obrigação de declaração de registro de cor para todos sul-afriacanos (branco, negro ou mestiço), Proibição de circulação de negros em determinadas áreas das cidades; 1951 - Determinação e criação dos bantustões (bairros só para negros) 1953 Proibição de negros no uso de determinadas instalações públicas (bebedouros, banheiros públicos) 1953 - Criação de um sistema diferenciado de educação para as crianças dos bantustões -
  48. 48. "INVICTUS" - William E. Henley Tradução de André C. S. Masini Do fundo desta noite que persiste A me envolver em breu - eterno e espesso, A qualquer deus - se algum acaso existe, Por mi’alma insubjugável agradeço. Nas garras do destino e seus estragos, Sob os golpes que o acaso atira e acerta, Nunca me lamentei - e ainda trago Minha cabeça - embora em sangue - ereta.
  49. 49. Além deste oceano de lamúria, Somente o Horror das trevas se divisa; Porém o tempo, a consumir-se em fúria, Não me amedronta, nem me martiriza. Por ser estreita a senda - eu não declino, Nem por pesada a mão que o mundo espalma; Eu sou dono e senhor de meu destino; Eu sou o comandante de minha alma.
  50. 50. "Sonho com o dia em que todas as pessoas levantar-se-ão e compreenderão que foram feitos para viverem como irmãos." Nelson Mandela

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