UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS                INSTITUTO DE ARTES E DESIGN                      DESIGN GRÁFICO            ...
HELEN PINHO DE SOUZA              Desenvolvimento SustentávelUma abordagem social do design gráfico no Programa Vizinhança...
3Banca examinadora_____________________________________Profª. Drª. Lúcia Bergamaschi Costa Weymar_________________________...
4                             Para               todos que pensam          seis coisas impossíveis         antes do café d...
5Agradecimentos        Mãe, me orgulho te ser tua filha, tua força é uma inspiraçãoconstante. Te ofereço a minha graduação...
6       À Universidade Federal de Pelotas e seus funcionários, queproporcionaram a mim mais do que apenas uma graduação.  ...
7                    “Têm coisas que tem seu valor              Avaliado em quilates, em cifras e fins                    ...
8ResumoVivemos em uma sociedade capitalista, centrada no mercado,extremamente desigual que acaba por marginalizar parte de...
9ResumenVivimos en una sociedad capitalista, orientada al mercado, muy al contrario queen última instancia, marginar a par...
10Lista de FigurasFigura 1: Áreas do design .................................................................................
11Lista de QuadrosQuadro 1: Análise sustentável Campanha do Agasalho (2010) ............................................ 3...
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141. Introdução         A evolução do sistema econômico mundial marcou a história dahumanidade de diversas maneiras e uma ...
15        Porém, o sistema capitalista não faz parte da natureza, tampouco asestruturas empresariais. Estes conceitos fora...
16países já denominados desenvolvidos. Deixando claro que, neste trajeto,discurso e ação, existem desconexões, falhas, inv...
17                       mais a seus fundamentos epistemológicos do que propriamente a                       especificidad...
18construção e abrangência de sua atuação. Trataremos, também, da relaçãocom o design e, consequentemente, com o profissio...
192. Design e Design Gráfico         O marco histórico do advento do design no mundo é motivo dediscussões. Enquanto algun...
20        Com a mudança no quadro social os objetos que interagem com essasociedade ganharam valores subjetivos e, nesse c...
21         Deste modo, o design já estava sendo praticado anteriormente àdécada de 1960 no país, principalmente por profis...
22Figura 1: Áreas do designFonte: adaptado de VILLAS-BOAS, 2003        O Design Gráfico faz parte da sub-área de Programaç...
232.1 Função social do Design            A soberania do sistema capitalista e da sua forma de gestãohorizontalizou a busca...
24designer britânico Ken Garland, porém sua repercussão foi tímida. Assim, em1999 um grupo formado por: Kalle Lasn, Chris ...
25         E o resultado nos é conhecido, um país inteiro acredita na soberania daraça ariana e promoveram o genocídio de ...
26         Será que poderíamos, por exemplo, colaborar para a diminuição dosacidentes de trânsito? É uma problemática real...
27       No final da leitura do FTF2000 tem-se um pedido: reflitam e geremações. Posicionem-se a favor ou contra, mas que ...
283. Noções sobre sustentabilidade         Sustentabilidade é uma palavra que ouvimos em diversas situações, ereferindo-se...
29           A partir do entendimento da abrangência do conceito sustentável,compreendemos que é impossível agir de modo c...
30desses fundamentos possui áreas de sobreposição específicas com o design.Mostraremos as principais relações por nós iden...
31trabalhos de qualidade, ocorrerá uma seleção natural que beneficiará osindivíduos com formação profissional.       Abord...
32jornal, mas de informação” (RANGEL, 2007, p. 13), mas a rotina e acomodidade acabam por encobrir a avaliação crítica das...
33         O designer brasileiro Dalcacio, em entrevista recente a revistaABCDesign, foi questionado sobre a questão do cu...
34       4. Análise         Com o intuito de entrelaçar a teoria apresentada à prática do designgráfico iremos realizar um...
35diminuindo o panorama sempre é possível identificar novas regiõesmarginalizadas. No Brasil, especificamente, poderíamos ...
36Figura 4: Cartaz Campanha do Agasalho (2010)Fonte: GOOGLE. Palavra de busca: campanha do agasalho, 2010.4.1 Análise sust...
37        Ambiental        A iniciativa trabalha nos dois pontos ambientais: extração de matéria-prima e descarte de resíd...
38        Analisando pela ótica dos produtos doados vemos que a economia éalcançada de maneira indireta – através das doaç...
39sepultados, permitindo assim a conservação dos corpos por séculos.                      Asmúmias popularmente tornaram-s...
40       O    design   é   uma   ferramenta    claramente   utilizada   para   seufortalecimento junto à sociedade, com um...
415. Prática           Como objeto de análise utilizamos o estágio realizado pela graduanda,no Programa Vizinhança da Pró ...
42quebra das empresas e o enfraquecimento do porto de Pelotas ocorreu odesemprego massivo da comunidade. Uma vez que o des...
43         Ressaltamos que ao se instalar no prédio a universidade foirecepcionada com a banda de um dos colégios locais, ...
44         Ambas as situações relatadas são apontadas como ações da empresaprivada associada à universidade15, contudo acr...
455.1 BriefingCliente: Programa VizinhançaServiço: Projeto de extensãoDADOS DO CLIENTEA. Perfil do clienteAtividade: progr...
46RESTRIÇÕESValores negativos a serem evitados: diferença social, hierarquia.Preferências a fotografias ou ilustrações? Re...
47fonte Alice de autoria de Carolina Moraes Marchese17. A tipografia possui acaracterística de união entre os caracteres p...
48Logotipo principal:Redução máxima:Logotipo secundário, com indicação da ação específica:        Ilustração        Como e...
49        Mas, durante o processo de criação, foi solicitado o acréscimo de maisdetalhes, como pessoas e animais, para ten...
50Resultado final da ilustração:5.3 Aplicativos        Durante o estágio desenvolvemos aplicativos para o fortalecimento d...
51Dimensão original: 1,2 x 1 m           A iniciativa repercutiu de maneira positiva no grupo, uma vez que osavaliadores d...
52adaptar o modelo do Vizinhança ao modelo do evento (disponibilizado o site docongresso), este possuía duas barras uma no...
53– para uma estampa para camisetas. Nós entendemos que o Vizinhança é umprojeto sustentável, que trabalha para estruturar...
54como principal ganho da segunda proposta a redução de duas cores para uma,assim como um resultado mais simples.
555.4 Avaliação sustentável         Analisaremos por fim, nossa produção, de acordo com os princípiossustentáveis, classif...
56       Acreditamos que o princípio territorial é fortemente trabalhado, pois écontemplado na própria estruturação do pro...
576. Finalizações       Nosso objetivo neste capítulo é alinhavar ideias, sintetizar nossosprincipais anseios e mostrar ao...
58entre as áreas e sua importância para a construção de um ambiente maissaudável para vivermos.        Realizamos, para um...
59          •    Prática – a realização da prática da pesquisa se deu no local deestágio da graduanda, assim esteve suscet...
60ReferênciasABC DESIGN. Entrevista: Dalcacio Reis. Disponível em:<http://abcdesign.com.br/design-de-produto/entrevista-da...
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  1. 1. UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS INSTITUTO DE ARTES E DESIGN DESIGN GRÁFICO Trabalho de Conclusão de Curso Desenvolvimento SustentávelUma abordagem social do design gráfico no Programa Vizinhança HELEN PINHO DE SOUZA PELOTAS / 2010
  2. 2. HELEN PINHO DE SOUZA Desenvolvimento SustentávelUma abordagem social do design gráfico no Programa Vizinhança Monografia apresentada ao Instituto de Artes e Design ao Curso de Artes Visuais Bacharelado em Design Gráfico da Universidade Federal de Pelotas, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Design Gráfico. Orientadora: Mônica Lima de Faria PELOTAS / 2010
  3. 3. 3Banca examinadora_____________________________________Profª. Drª. Lúcia Bergamaschi Costa Weymar_____________________________________Profª. Drª. Maria de Lourdes Valente Reyes_____________________________________Profª. Me. Mônica de Lima Faria_____________________________________Profª. Me. Roberta Barros
  4. 4. 4 Para todos que pensam seis coisas impossíveis antes do café da manhã(adaptado de alice in wonderland)
  5. 5. 5Agradecimentos Mãe, me orgulho te ser tua filha, tua força é uma inspiraçãoconstante. Te ofereço a minha graduação como uma pequena retribuição portoda a dedicação que tens por mim. Amo-te com todo meu coração. Mana, tu és a estrela da minha vida, tua luz me ilumina e me guia, ocaminho que trilho é marcado pelos teus passos. Amo-te eternamente,obrigada por me amar da mesma forma e saber tão bem o demonstrar. Pai, a tua simplicidade é invejável, tu consegues encontrar afelicidade no mais trivial acontecimento. Obrigada, amo-te. Marcel, agradeço pelos bons momentos que tu me concedeu, pelasrisadas e pelos sorrisos e por compartilhar comigo o Wesley e a Joana,tornaste os meus dias mais fáceis e leves. À roda de chimarrão da Administração – Édila, Talita, Cátia, André,Aline, Renan, Max – minhas saudações por compartilharem momentosagradáveis, tornar as aulas mais atrativas e aumentarem minha capacidadede fazer um bom mate. Aos colegas que foram amigos – Copiador, Henrique, Anta, Rafita,Pi, Carol, Dani, Ana, Cintia, Barbi – todos vocês foram fundamentais para aminha formação, sou grata pelos os momentos que compartilhamos.Sucesso. À Ana, tu és a minha mala querida, obrigada pela amizade leve esincera, pela tua risada (ela me faz rir) e por cantar comigo “Não dá paracontrolar Não dá! Não dá prá planejar Eu ligo o rádio E blá, blá Blá, blá, blá, bláEu te amo!” (Lobão). À Dani, por compartilhar os ideais, por colaborar com o meu trabalhoe me incentivar. Por entrar na maior fria – literalmente – do ano comigo,incomodar bastante, me lembrar das aulas e ser tão perdida quanto eu.
  6. 6. 6 À Universidade Federal de Pelotas e seus funcionários, queproporcionaram a mim mais do que apenas uma graduação. Aos professores que se dedicaram ao ensino com seriedade, quedividiram seus conhecimentos, e fizeram a diferença. Ao professor Fernando Igansi, por crer na capacidade de seusalunos, nos oferecer oportunidades maravilhosas e pensar mil coisas aomesmo tempo. A minha homenagem a ti. À professora Lucia Weymar, obrigada por crer na minha capacidade,por me orientar em diversas situações e se mostrar sempre carinhosa. Ao professor Marcio Rodrigues, sou grata por nos dizer “o mundo éum moinho / vai triturar teus sonhos tão mesquinhos / vai reduzir as ilusões apó” (Cartola), meu querido a minha graduação foi transformada pela tuachegada, obrigada. Desejo que os nossos sonhos possam ser semprerenovados. Á banca, por me tratar com tanto carinho, colaborar para oengrandecimento da minha pesquisa, foi gratificante a experiência. Obrigada. Ao Estúdio Sul Design e ao Programa Vizinhança pelo estágio e aoportunidade de exercer o meu trabalho de acordo com as minhas convicções,por auxiliar no meu amadurecimento sou grata. À querida orientadora Mônica Faria, minha gratidão por ti é imensa, ésurpreendente tua dedicação, preocupação e apoio constante. Tu fizestetoda a diferença, muito obrigada.
  7. 7. 7 “Têm coisas que tem seu valor Avaliado em quilates, em cifras e fins E outras não têm o apreço Nem pagam o preço que valem pra mim”. Guto Teixeira“Todos têm ideias diferentes sobre o que seja design. Alguns pensam que é a gravata do pai, outros pensam que é a camisola da mãe”. Paul Rand
  8. 8. 8ResumoVivemos em uma sociedade capitalista, centrada no mercado,extremamente desigual que acaba por marginalizar parte de seupopulação. Assim esta pesquisa propõe uma reflexão sobre o design e opapel dos designers para a formação da estrutura social, investigamos acapacidade do design se configurar em uma ferramenta dedesenvolvimento social, tendo como base os cinco princípiossustentáveis de Sachs – social, ambiental, econômico, territorial epolítico –. Metodologicamente operacionamos a pesquisa através daabordagem qualitativa e do método hermenêutica de profundidade(THOMPSON, 1995), assim na fase de análise sócio-históricaapresentamos uma pesquisa bibliográfica sobre design gráfico,sustentabilidade e as relações entre os temas, na fase da análise formalavaliamos a Campanha do Agasalho do Governo do Rio Grande do Sulsob a ótica do desenvolvimento sustentável e na terceira e última fasedo método, interpretação/re-interpretação, apresentaremos a práticadesenvolvida no Programa Vizinhança – projeto de extensão de cunhosocial da Universidade Federal de Pelotas –. Desde modo concluímosque o design pode ser uma ferramenta em prol do desenvolvimentosocial e que o designer, a partir de um posicionamento crítico, possui acapacidade de colaborar a transformação da estrutura social atual.Palavras-Chaves: design gráfico, sustentabilidade, desenvolvimentosocial, Programa Vizinhança.
  9. 9. 9ResumenVivimos en una sociedad capitalista, orientada al mercado, muy al contrario queen última instancia, marginar a parte de su población. Por lo tanto, propone unareflexión sobre el papel del diseño y los diseñadores para la formación de laestructura social, se determinó la capacidad del diseño se encuentra en unaherramienta de desarrollo social, basado en los cinco principios del desarrollosostenible Sachs (2204) - sociales, ambientales, económicos, territorial ypolítica -. Metodologías operacionales para buscar a través del enfoquecualitativo y el método de la hermenéutica de profundidad (Thompson, 1995)sólo en la fase de análisis socio-histórico se presenta una búsqueda en laliteratura sobre diseño gráfico, la sostenibilidad y las relaciones entre los temasen la etapa de análisis formal de evaluación Campaña de Invierno del Gobiernode Rio Grande do Sul, desde la perspectiva del desarrollo sostenible y latercera y última etapa del método, interpretación y reinterpretación-, sepresenta la práctica de sarrollada en el Programa Vizinhança - Proyecto deExtensión social de la Universidad Federal de Pelotas -. De esta manerallegamos a la conclusión de que el diseño puede ser una herramienta para eldesarrollo social y diseñador que, desde una posición crítica, tiene la capacidadde colaborar para transformar la estructura social actual.Palabras clave: diseño gráfico, la sostenibilidad, el desarrollo social, ProgramaVizinhança.
  10. 10. 10Lista de FigurasFigura 1: Áreas do design ............................................................................................ 21Figura 2: Evento Nazista ............................................................................................. 23Figura 3: Redesign do semáforo ................................................................................... 25Figura 4: Cartaz Campanha do Agasalho (2010) .............................................................. 35Figura 5: Reportagem do Diário Popular, dezembro de 1913 ............................................... 41Figura 6: Panorama da região ...................................................................................... 42Figura 7: Logotipo em construção .................................................................................. 46Figura 8: Prédios do campus Anglo ................................................................................ 48
  11. 11. 11Lista de QuadrosQuadro 1: Análise sustentável Campanha do Agasalho (2010) ............................................ 37Quadro 2: Quadro semântico ........................................................................................ 45Quadro 3: Análise sustentável do Programa Vizinhança ..................................................... 54
  12. 12. 12SUMÁRIO1 Introdução ............................................................................................................ 132 Design e Design Gráfico ...................................................................................... 182.1 Função Social do Design ................................................................................. 223 Noções sobre sustentabilidade ......................................................................... 273. 1 Design e sustentabilidade .............................................................................. 284 Análise .................................................................................................................. 334.1 Análise sustentável .......................................................................................... 355 Prática .................................................................................................................. 405.1 Briefing .............................................................................................................. 445.2 Identidade Visual .............................................................................................. 455.3 Aplicativos ........................................................................................................ 495.4 Avaliação sustentável ...................................................................................... 546 Finalizações ......................................................................................................... 566.1 Considerações .................................................................................................. 566.2 Limitações ......................................................................................................... 576.3 Sequência ......................................................................................................... 58Referências ............................................................................................................. 59Anexos .................................................................................................................... 61
  13. 13. 13
  14. 14. 141. Introdução A evolução do sistema econômico mundial marcou a história dahumanidade de diversas maneiras e uma das mais impressionantes foi aretirada do poder das mãos do Estado para as mãos das empresas. Podemoscitar a Revolução Industrial como um marco definitivo desta transição, porém énecessário entender que apenas com o desenvolvimento da sociedademoderna e de sua ideologia racionalista foi possível a criação e odesenvolvimento do sistema econômico vigente e, consequentemente, daestrutura social ocidental. Para tanto, citamos alguns fatos históricos comomomentos ímpares para a disseminação e desenvolvimento dos princípioscapitalistas, são eles: reforma protestante e movimento iluminista, a já citadarevolução industrial e a revolução francesa (RODRIGUES, 2009a). A reestruturação do sistema produtivo e da estrutura social foifundamental para o desenvolvimento do mundo capitalista e para a mudançana forma de dominação dos indivíduos, que deixa de ser pela força e passa aser estabelecida pela ideologia1, divulgada na forma de discurso. Comoexposto por Rodrigues (2009b), a mídia estabelece uma relação restrita com odiscurso, pois é um meio de propagação com abrangência mundial: Com efeito, para que a ideologia possa ganhar generalidade suficiente para homogeneizar a sociedade no seu todo é preciso que a mídia cumpra seu papel de veicular a informação não de um pólo particular a outro pólo particular, mas de um foco central circunscrito que se dirige ao todo indeterminado da sociedade (RODRIGUES, 2009b, p. 04) O discurso é efetivo, pois é realizado de forma pacífica (em oposição,por exemplo, às guerras), gradual e contínua, assim não distinguimos nossosdesejos da política vigente de comportamento e encaramos a estrutura socialatual como um fato social (Durkheim, 2001).1 Definição do Aurélio: s.f. Ciência que trata da formação das idéias. / Conjunto de idéiaspróprias de um grupo, de uma época, e que traduzem uma situação histórica: a ideologiaburguesa dicionário.
  15. 15. 15 Porém, o sistema capitalista não faz parte da natureza, tampouco asestruturas empresariais. Estes conceitos foram criados, desenvolvidos esustentados por homens e podem ser modificados pelos homens e para oshomens, Kazazian (2005) explicita este pensamento: [...] a empresa poderia estar na origem de uma profunda mutação e passagem de uma sociedade de consumo baseada no produto para uma sociedade de utilização cuja principal modalidade seria o serviço, e que teria por finalidade uma economia leve (KAZAZIAN, 2005, p. 27). Assim sendo, acreditamos que é possível o estabelecimento de umanova ordem e, principalmente, que a academia tem possibilidades de alavancá-la, através da formação de profissionais qualificados e socialmente críticos.Para tanto, é importante o fomento da pesquisa com caráter transdisciplinar eno desenvolvimento de uma postura profissional responsável. Pensando em um futuro desenvolvido a partir da estrutura vigente, osdesigners ocupam uma posição de fundamental importância nesta transição.Como afirma Victor Papanek “a única importância, no design, é sua relaçãocom as pessoas” (PAPANEK, 1971 apud KAZAZIAN, 2005, p. 21). Assim suasbases necessariamente têm de estar na ecologia, no homem e na ética: O desenvolvimento sustentável obedece ao duplo imperativo ético da solidariedade com as gerações presentes e futuras, e exige a explicitação de critérios de sustentabilidades social e ambiental e de viabilidade econômica. Estritamente falando, apenas as soluções que considerem estes três elementos, isto é, que promovam o crescimento econômico com impactos positivos em termos sociais e ambientais, merecem a dominação de desenvolvimento [...] (SACHS, 2004, p. 36). Insere-se aqui um conceito base para o trabalho que se segue, asustentabilidade possui um escopo maior que a questão ambiental,teoricamente difundida. Para Sachs (2004), há cinco pilares fundadores: oeconômico, o social, o ambiental, o territorial e o político. Assim, apesar da questão da sustentabilidade não ser novidade, aindavemos de modo simplista sua problemática e nossas ações são igualmenteparciais. Prova disso é o aumento dos problemas ambientais, o fortalecimentoda desigualdade social e o fato de o desenvolvimento ocorrer apenas nos
  16. 16. 16países já denominados desenvolvidos. Deixando claro que, neste trajeto,discurso e ação, existem desconexões, falhas, inverdades: [...] fundamentalistas de mercado, eles implicitamente consideram o desenvolvimento como um conceito redundante. O desenvolvimento virá como resultado natural do crescimento econômico, graças ao “efeito cascata” (trickle down effect). [...] A teoria do “efeito cascata” seria totalmente inaceitável em termos éticos, mesmo se funcionasse, o que não é o caso. Num mundo de desigualdades abismais, é um absurdo pretender que os ricos devam ficar mais ricos ainda, para que os destituídos possam ser um pouco menos destituídos (SACHS, 2004, p. 26). A presente investigação pretende que, a partir da perspectivasustentável, seja possível instituir o desenvolvimento social em busca de umaestrutura social digna e justa – no presente e no futuro – bem como,demonstrar que o design pode se configurar em uma ferramenta para oalcance deste objetivo. Assim sendo, a questão problema geradora desta pesquisa é: “Como odesign pode configurar-se em instrumento promovedor do desenvolvimentosocial a partir da perspectiva sustentável?”. Para responder esta questão, temos como objetivo geral analisar odesign como instrumento promovedor do desenvolvimento social a partir daperspectiva sustentável. Para alcançar o objetivo geral nos utilizamos dosseguintes objetivos específicos: compreender as noções sustentáveis,apresentar o campo do design e do design gráfico, salientar a relevância socialdo design gráfico, realizar a análise da campanha do agasalho do Rio Grandedo Sul através da perspectiva sustentável, aplicar na prática do ProgramaVizinhança o design social a partir da perspectiva sustentável. Metodologicamente, pretendemos alcançar o objetivo geral e osespecíficos fazendo uso da abordagem qualitativa: Quando se fala de pesquisa quantitativa ou qualitativa, e mesmo quando se fala de metodologia quantitativa e qualitativa, apesar da liberdade de linguagem consagrada pelo uso acadêmico, não se está referindo a uma modalidade de metodologia particular. Daí ser preferível falar-se de abordagem quantitativa, de abordagem qualitativa, pois como essas designações, cabe referir-se a conjuntos de metodologias, envolvendo, eventualmente, diversas referências epistemológicas. São várias metodologias de pesquisa que podem adotar uma abordagem qualitativa, modo de dizer que faz referência
  17. 17. 17 mais a seus fundamentos epistemológicos do que propriamente a especificidades metodológicas (SEVERINO, p. 119, 2007). Especificamente, usamos o método proposto por John B. Thompson(1995) denominado hermenêutica de profundidade (HP). Este método possuium caráter cíclico de reflexão teórica e prática, sendo especialmente indicadopara estudos na área das ciências sociais e em estudos em que se pretendeavaliar de maneira prática a teoria pesquisada e desenvolvida. A HP apresenta-se dividida em três fases: análise sócio-histórica,análise formal ou discursiva e interpretação/re-interpretação: Como eu entendo, a HP é um referencial metodológico amplo que compreende três fases ou procedimentos principais. Essas fases devem ser vistas não tanto como estágios separados de um método seqüencial, mas antes como dimensões analiticamente distintas de um processo interpretativo complexo (THOMPSON, 1995, p. 365). Para a execução da pesquisa, usamos ferramentas que possibilitam acaminhada por todas as fases da hermenêutica e o entrelaçamento entre asmesmas. Na análise sócio-histórica, trabalhamos com a pesquisa bibliográfica, afim de construir uma base teórica sobre o design, sustentabilidade edesenvolvimento. Na análise formal nos utilizaremos do estudo de caso e dainterpretação semiótica. Para a interpretação/re-interpretação, analisamos aprática desenvolvida e sua relação com as etapas anteriores. Explicitamos ainda, sucintamente, como se dá o encaminhamento doleitor por este trabalho. No primeiro capítulo, apresentamos nossa questão problema, objetivose motivações para a realização da investigação, assim como o processometodológico utilizado. No capítulo dois, “Design e Design Gráfico”, tratamos das questõesformais e conceituais da área, demonstrando a capacidade de aplicação dosconhecimentos teóricos a fim de promover empresas, marcas, ações eespecificamente o desenvolvimento social. No capítulo terceiro, “Noções sobre Sustentabilidade”, explanamossobre o complexo campo do sustentável, seus objetivos, conceitos em
  18. 18. 18construção e abrangência de sua atuação. Trataremos, também, da relaçãocom o design e, consequentemente, com o profissional da área. No capítulo quarto, realizamos a análise sustentável de uma campanhasocial que objetiva promover o desenvolvimento igualitário. Escolhemos umaação com abrangência regional, com o intuito de identificar e inferir a relaçãodo design com as mesmas e os resultados identificados. No capítulo quinto, apresentamos a prática realizada no ProgramaVizinhança – projeto de extensão da Universidade Federal de Pelotas – localem que a graduanda realiza estágio. O programa visa o estreitamento dasrelações entre a instituição e a comunidade situada no entorno do campusporto. Desenvolvemos aplicativos gráficos para a criação de uma identidadevisual do grupo e analisamos essa prática de acordo com a análise sustentável,utilizada no estudo de caso. Finalizamos com a apresentação das considerações finais ediscussões sugeridas ao longo da realização da pesquisa, a fim de fomentar acontinuação de estudos na área e do desenvolvimento de práticas quecolaborem para o desenvolvimento social e para a criação de uma sociedadejusta e includente.
  19. 19. 192. Design e Design Gráfico O marco histórico do advento do design no mundo é motivo dediscussões. Enquanto alguns autores defendem expressões de elementos dedesign já nas sociedades primitivas, outros só aceitam o surgimento da áreaapós a Revolução Industrial, mas “toda versão histórica é uma construção e,portanto, nenhuma delas é definitiva” (CARDOSO, 2008, p. 17). Contudo, acreditamos que apenas com a transformação da estruturasocial, dos meios de produção e do sistema econômico houve a necessidadedo design. Cardoso afirma que “o design é fruto de três grandes processoshistóricos que ocorreram de modo interligado e concomitantemente, em escalamundial, entre os séculos 19 e 20” (CARDOSO, 2008, p. 22), que são: aindustrialização, a urbanização moderna e a globalização. Até então, o modo de produção artesanal e de manufatura erasuficiente para atender a demanda da sociedade e, segundo Villas-Boas(2003), este tipo de produção não caracteriza um produto de design. Estenecessariamente deve ser produzido em escala e especialmente desenvolvidopara a sociedade de massas. Outro ponto importante para caracterizar odesign é a separação entre o processo produtivo e o projeto (CARDOSO,2008). Villas-Boas (2003) ainda ressalta a importância do fenômeno dafetichização de Marx para o processo: No mundo da sociedade de massas, uma música não é uma música; um tapete não é um tapete; uma camisa não é uma camisa: são produtos de trabalhos individuais que, pelo trabalho alienado, se configuram em produtos do trabalho social que se relacionam entre si através de um jogo de valores que lhes dá vida própria e que acaba por reger as relações sociais destes mesmos produtos de trabalho individual (ou seja, os homens) (VILLAS-BOAS, 2003, p. 28).
  20. 20. 20 Com a mudança no quadro social os objetos que interagem com essasociedade ganharam valores subjetivos e, nesse contexto, o design tornou-sefundamental. Contudo, vemos que o surgimento da área só foi possível pelopercurso histórico da humanidade durante os séculos anteriores, conceitosaplicados em diversas áreas (arte, arquitetura, literatura, artesanato) foram sedesenvolvendo e permitiram o advento do design. No Brasil, a abertura da Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI)inaugurada em 1963 no Rio de Janeiro é o marco institucional da consolidaçãoda área no país, mas “na verdade, na época da fundação da ESDI poucotempo depois, já se buscava implantar o ensino sistemático do design no Brasilhá mais de uma década” (CARDOSO, 2008, p. 190). As tentativas precedentes mais lembradas foram as realizadas em1951 no Instituto de Arte Contemporânea do MASP, que funcionou por trêsanos; a da Escola Técnica de Criação do MAM, nunca consolidada realmente ea realizada pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP em 1962, quecriou uma linha de formação de Desenho Industrial no curso de Arquitetura.Porém, Cardoso enfatiza: Enquanto alguns ainda disputam diferenças de meses entre a inauguração dos cursos de graduação da ESDI e da FAU/USP, a grande maioria ignora ou silencia a atuação pioneira de instituições, como o Serviço Nacional da Aprendizagem Industrial (...); a Escola Técnica Nacional (...); o Curso de Desenho a Artes Gráficas da Fundação Getúlio Vargas, (...); a Escola IDOPP, (...); ou até mesmo o velho Liceu de Artes e Ofícios (...). A importância de tais indivíduos e instituições na abertura das atividades ligadas ao design no Brasil é demasiada para ser relegada aos porões do esquecimento (CARDOSO, 2008, p. 196). Assim, compreendemos que a história é mais complexa do quenormalmente nos é transmitida. A ESDI é fruto de todas essas tentativas, doserros e acertos, e ressaltamos que este é apenas o lado institucional: a históriado design como prática é ainda mais controverso: Perdura na consciência nacional o mito de que o design brasileiro teve sua gênese por volta de 1960. Como todo mito, trata-se de uma falsidade histórica patente. Como todo bom mito de origem, trata-se de uma verdade profunda (...) Surgiu nessa época não o design propriamente dito – ou seja, as atividades projetuais relacionadas à produção e ao consumo em escala industrial – , mas antes a consciência do design como conceito, profissão e ideologia (CARDOSO, 2005, p. 07).
  21. 21. 21 Deste modo, o design já estava sendo praticado anteriormente àdécada de 1960 no país, principalmente por profissionais estrangeiros e porbrasileiros formados no exterior, especialmente nas áreas de embalagem eeditorial. Contudo, a profissão é relativamente jovem quando comparada àhistória da humanidade e de outras profissões. No Brasil, o quadro é maisrecente ainda. Por questões culturais, políticas e sociais não temos aformulação conceitual e prática da área claramente resolvida e uma daspeculiaridades nacionais já começa na própria nomenclatura: Design é uma palavra inglesa originária de designo (as-are-avi-atum), que em latim significa designar, indicar, representar, marcar, ordenar. O sentido de design lembra o mesmo que, em português, tem desígnio: projeto, plano, propósito (Ferreira, 1975) – com a diferença de que desígnio denota uma intenção, enquanto design faz uma aproximação maior com a noção de uma configuração palpável (ou seja projeto). Há assim uma clara diferença entre design e o também inglês drawing – este, sim, o correspondente ao sentido que tem o mesmo termo desenho (VILLAS-BOAS, 2003, p. 48-49). Desde a instituição da ESDI já se discutia esta terminologia. Procurou-se expressões nacionais mais adequadas e até mesmo a criação de uma novapalavra, mas o estrangeiro termo design foi o mais aceito e difundido. Apesarde questões como o significado inadequado (incompleto) e a soberba naturalde termos ingleses no Brasil é improvável que haja uma movimentação capazde modificar o vocábulo. A importância central dessa discussão - para o presente trabalho - estána subdivisão da área, pois seguindo a tendência mundial do ensino superioros cursos de Desenho Industrial foram progressivamente se desmembrandoem cursos específicos e a profusão de áreas dificulta a localização doestudante e profissional dentro do todo. Tendo como base a posição defendida por Villas-Boas, apresentamosna Fig. 1 um esquema da área e principais sub-áreas do design brasileiro. Oreferido autor se utilizou da terminologia utilizada pelo Ministério da Educação eas resoluções do V Endi (VILLAS-BOAS, 2003):
  22. 22. 22Figura 1: Áreas do designFonte: adaptado de VILLAS-BOAS, 2003 O Design Gráfico faz parte da sub-área de Programação Visual assimcomo o Design Informacional e o Design Institucional, e se distingue dosmesmos por questões projetuais e por metodologia de trabalho: É justamente pela busca de uma definição o mais precisa possível (e portanto restrita) que a delimitação do design gráfico envolve quatro aspectos básicos: formais, funcionais-objetivos (ou simplesmente, funcionais) metodológicos e finalmente, funcionais-subjetivos (ou simbólicos). Um objeto só pode ser considerado fruto de design gráfico se responder a estas quatro delimitações (VILLAS-BOAS, 2003, p. 08). Como ressaltado pelo citado autor, o conceito é restritivo, pois em umarealidade um tanto caótica é necessário conceituar para localizar e a partir deuma realidade organizada atender às necessidades heterogêneas dasproduções. Assim, em um primeiro momento se delimita concretamente oespaço/área, mas o intuito não é a setorização definitiva dos objetos e sim alocalização dos indivíduos para um entendimento particular e global: (...) um projeto gráfico é um conjunto de elementos visuais – textuais e/ou não textuais – reunidos numa determinada área preponderantemente bidimensional e que resulta exatamente da relação entre estes elementos (VILLAS-BOAS, 2003, p. 12). Tendo em vista as explanações acima ressaltamos que no presentetrabalho analisamos projetos de design gráfico assim como desenvolvemospeças gráficas. Desta maneira a conceituação formal da área e daconfiguração de seus produtos é valorizada.
  23. 23. 232.1 Função social do Design A soberania do sistema capitalista e da sua forma de gestãohorizontalizou a busca por aspectos, antes ligados apenas a empresas, como:a busca por resultados, eficiência, eficácia e lucro. Esse processo já eraapontado por Weber (WEBER, 1982 apud RODRIGUES, 2009) como umatendência, uma vez que a racionalidade voltada para fins torna-se o centro daadministração moderna. Essa racionalidade objetiva faz com que argumentos nãomercadológicos não sejam aceitos como legítimos, pois foge da lógicacapitalista e, portanto, não é entendida. A dimensão social do design estádiretamente ligada a esse fato, pois em um mundo centrado no mercado, nãose entende – amplamente – o motivo para uma profissão ter a sociedade como“cliente final” e não o mercado. Contudo, a disseminação da utilização da expressão “design social”potencializa a discussão no meio acadêmico e até mesmo no mercado detrabalho. Enquanto uns crêem que o social está intrinsecamente ligado a áreae, portanto, é indissociável da mesma, independente da postura crítica doprofissional. Outros vêem que para se ter o lado social contemplado no projetoé necessário uma atuação conscientemente voltada para esta direção. Acreditamos que a consciência2 - característica que nos difere dosdemais animais - é um aspecto essencial para o nosso posicionamento nomundo, seja no âmbito profissional ou particular. Independente do ladodefendido e os argumentos utilizados, todos, a princípio, são válidos. Um dos momentos ímpares desta polêmica discussão foi apublicação do manifesto First Things First (ANEXO 1) revisado, no ano de 2000(FTF2000). O documento foi originalmente publicado em 1964, sob autoria do2 Homo sapiens sapiens – sapiens do latim designa “o sábio” ao repetir o adjetivo, caracterizaa raça hominídea como aquela que possui consciência de sua existência e à racionaliza
  24. 24. 24designer britânico Ken Garland, porém sua repercussão foi tímida. Assim, em1999 um grupo formado por: Kalle Lasn, Chris Dixon, Tibor Kalman, KenGarland, Rick Poynor, Max Bruinsma e Rudy VanderLans têm a ideia dereeditar o documento e publicá-lo nas principais revistas de design do mundo(REYS, 2005). O manifesto FTF2000 configura-se de maneira tão importante, poistrava uma discussão direta entre a função social e a mercadológica do design.Acreditamos que seu conteúdo é extremamente relevante para a presentepesquisa, desta forma, a seguir iremos pontuar alguns aspectos consideradosfundamentais para uma análise crítica sobre o assunto e disponibilizamos omesmo na íntegra no Anexo 1 do presente trabalho. No trecho “Existem ocupações mais corretas para nossas habilidadesem solucionar problemas. Uma crise sem precedentes do ambiente social ecultural demanda nossa atenção” (ANEXO 1), o designer é colocado como umagente comunicador responsável por sua produção e pelo seu impacto, indoassim diretamente contra a lógica do mercado. Pois, de maneira geral, somos“projetados” (por nossas escolas e mercado de trabalho) para atender os clientessem questionar, ou no máximo questionar apenas aspectos estéticos. Um exemplo clássico do impacto que uma identidade visual podeprovocar é o movimento nazista alemão (1933), é fato que a ideologia deAdolfo Hitler foi difundida utilizando-se de conceitos de marketing, propaganda edesign (Figura 2).Figura 2: Evento nazistaFonte: GOOGLE. Palavra de busca: nazismo.
  25. 25. 25 E o resultado nos é conhecido, um país inteiro acredita na soberania daraça ariana e promoveram o genocídio de pessoas que eram até então seusvizinhos, amigos, semelhantes: A propaganda Nazista foi baseada, entre outras coisas, na panfletagem, nos desenhos profissionais e na criação de uma identidade visual (...) Tudo foi pensado para causar impacto visual. Identidade Visual sim! E não preciso nem falar se a mensagem foi passada com sucesso! Basta relembrar o movimento de um homem que levou um país inteiro a acreditar em valores estapafúrdios, iconoclastas e bestiais. Foi a primeira vez que um governo, um regime, se utilizou de estratégias de Marketing sólidas, massificadas, para mudar a forma de pensar de uma nação. Alterou valores culturais, sociais, educacionais e psicológicos (NETO, 2008). Obviamente, não estamos afirmando que iremos criar uma barbáriedessa magnitude trabalhando em um escritório de design – ou empresas dogênero – mas ao defender uma postura de obediência cega ao cliente,podemos colaborar para a disseminação de artefatos, ideias e posturas quesão prejudiciais, compreender e aceitar essa responsabilidade é umanecessidade. Outra questão importante é levantada quando se cita – de forma irônica– alguns trabalhos que realizamos: “os designers então usaram suashabilidades e imaginação para vender biscoitos de cachorro, designer coffee,diamantes, detergentes, gel para cabelo, cigarros, cartões de crédito, tênis,tonificadores para glúteos, cerveja light e veículos de carga para passeio” (ANEXO1). Entendemos que o intuito é chocar o leitor, mostrar que trabalhamos – àsvezes mais do que seria saudável – para solucionar problemas que não sãorelevantes. Ou seja, produtos e serviços que foram criados apenas com o intuito defomentar cada vez mais um mercado já saturado por inutilidades, preencher asgôndolas dos mercados, supermercados, hipermercados, espaços cada vezmaiores para preencher os espaços (infinitos) vazios de nossas vidas.Enquanto questões, em que os designers poderiam realmente fazer adiferença, são relegados a segundo plano.
  26. 26. 26 Será que poderíamos, por exemplo, colaborar para a diminuição dosacidentes de trânsito? É uma problemática realmente grande, em 2008 tivemos36.6663 vítimas fatais no território brasileiro. Acreditamos que poderíamoscolaborar para a diminuição de acidentes e mortes, através dodesenvolvimento de uma sinalização mais eficiente em nossas ruas oucontribuir para a criação de uma ideia diferente de diversão, em que bebidaalcoólica junto com carro, não seja um modo de tornar os meninos e meninasmais atraentes. Na figura 3, mostramos o projeto da designer Thanva Tivawong,constituído de uma nova proposta para os semáforos. A funcionalidade éaguçada pela forma do artefato, pela maneira que se utiliza as corestradicionais deste tipo de sinalização, assim como a relação forma versustempo, que permite ao motorista uma identificação imediata da situação. Tem,ainda, um apelo estético alto e promove a economia de energia, uma vez que éproduzida em LED4.Figura 3: Redesign do semáfaroFonte: http://www.hypeness.com.br/2010/12/semaforo-ampulheta-led/. Acesso em 10 dez.2010, 21:00.3 CESVI BRASIL: Centro de Estudos Automotivos. Disponível em:<http://www.cesvibrasil.com.br/seguranca/biblioteca_dados.shtm#brasil >. Acesso em: 10 nov.2010, 21:23.4 Do inglês Light Emitting Diode, traduzido como: Diodo Emissor de Luz
  27. 27. 27 No final da leitura do FTF2000 tem-se um pedido: reflitam e geremações. Posicionem-se a favor ou contra, mas que algo nos toque. Tire-nos dainércia, do “conforto” da tela de nossos computadores. Entendemos que oobjetivo é fomentar o pensamento crítico, e que a partir deste ponto possamosagir de modo a realizar mudanças que beneficiem a sociedade, uma vez que aestrutura em que vivemos – econômica, política, cultural – foi criada por nós,nós a mantemos. Acreditemos, mudá-la é possível. Uma das críticas mais proclamadas contra o FTF2000 refere-se aosseus assinantes, profissionais dedicados a atender clientes institucionais quese diferem em muito dos empresários e clientes do mercado em geral. Assim,segundo Michael Bierut, os designers que pedem uma posição crítica diante domercado não possuem problemas para agir deste modo, pois trabalham parainstituições culturais que já possuem uma visão e um objetivo social diferentedas indústrias (REYS, 2005). A crítica realmente é fundamentada, realmente algumas instituiçõespossuem objetivos que proporcionam um trabalho muito mais institucional e decomunicação do que mercadológico e de persuasão. Porém, é importantelembrar que muitos destes ambientes estão tornando-se extremamentecomerciais. Bierut coloca este fato como sendo a prova de que as estratégiasde mercado são eficientes e por tanto adequadas. Mas será que nãopoderíamos encontrar soluções melhores? Vivemos em um mundoextremamente capitalizado, tornar todas as organizações empresas é ter acerteza de que o sistema capitalista é o melhor modo de vida para todos. Acreditamos que podemos criar com critério, informar de formasdiferentes, procurar soluções para os problemas da nossa sociedade. Fazertudo isso com consciência e, mesmo assim, oferecer um serviço de qualidadepara nossos clientes e participar do mercado. O design é intrinsecamentesocial, mas ao não refletir sobre a sociedade retiramos a sua essência eficamos apenas com o invólucro, de algo que parece design.
  28. 28. 283. Noções sobre sustentabilidade Sustentabilidade é uma palavra que ouvimos em diversas situações, ereferindo-se a uma enorme quantidade de coisas: produtos, empresas, ações.Porém, seu conceito nem sempre é claro e, na maioria das vezes, seusignificado não é compreendido. Em uma busca ao dicionário percebemos adificuldade de definição: sustentabilidade “a qualidade de sustentável”,sustentável “o que pode ser sustentado”5. O que é então sustentabilidade? Acreditamos que mais que uma palavra, é uma noção, um modo devida, de produção, de ação. Ser sustentável é agir de modo responsável com asociedade e as gerações futuras, de forma inclusiva. Assim cria-se um modode vida que é sustentável, ou seja, que não entrará em colapso com o passardo tempo. Para tanto, a questão não é mais focada em apenas um setorespecífico de nossas vidas. Compartilhamos dos ideais de Sachs que define oscinco pilares do desenvolvimento sustentável: a – Social, fundamental por motivos tanto intrínsecos quanto instrumentais, por causa da perspectiva de disrupção social que paira de forma ameaçadora sobre muitos lugares problemáticos do nosso planeta; b – Ambiental, com as suas duas dimensões (os sistemas de sustentação da vida como provedores de recursos e como „recipientes‟ para a disposição de resíduos); c – Territorial, relacionado à distribuição espacial dos recursos, das populações e das atividades; d – Econômico, sendo a viabilidade econômica a conditio sine qua 6 non para que as coisas aconteçam; e – Político, a governança democrática é um valor fundador e um instrumento necessário para fazer as coisas acontecerem; a liberdade faz toda a diferença ( SACHS, 2004, p. 15).5 Disponível em: <http://michaelis.uol.com.br/> Acesso em: 26 de setembro de 2010 às 16:18.6 Tradução Google: A condição necessária. Disponível em: <http://translate.google.com.br/#>.Acesso em: 26 de setembro de 2010 às 22:12.
  29. 29. 29 A partir do entendimento da abrangência do conceito sustentável,compreendemos que é impossível agir de modo completo em um e de modoindiferente nos demais. Eles estão intrinsecamente relacionados e sãointimamente dependentes. Acreditamos que os ideais sustentáveis deveriamestar no centro dos debates em prol da construção de um novo modo deestrutura social. Por esta razão, devem ser incluídos na prática do designer.Sendo nós designers, agentes comunicadores, podemos em nossas práticastanto aplicar os conceitos como promover a sua inclusão nas demais áreassociais: Portanto, o design gráfico não é apenas programar ou projetar produtos com mensagens aleatórias, mas interpretar restrições para um projeto com função social, já que a sociedade diretamente ligada a ele deve beneficiar-se a partir dessa produção, como o homem primitivo beneficiava-se do fogo para as suas necessidades básicas (RANGEL, 2007, p. 08). Rangel mostra que o design gráfico é mais do que apenas aorganização eficiente e agradável de informações em um determinado suporte.Precisamos resolver problemas. Compreender o conteúdo que estamostrabalhando para dar uma forma coerente ao material, trabalhar em cima dasrestrições: de espaço, de recursos (financeiros, materiais, sociais), denecessidades e desejos. Enfim, é um trabalho objetivo – projetar – que envolvevariáveis objetivas e subjetivas, a comunicação passa por inúmeros filtrossociais e individuais e precisamos dar conta desse complexo todo. Por fim, afirmamos que podemos em cada projeto alcançar odesenvolvimento social, a inclusão e exercitar nossa responsabilidadeprofissional e de cidadãos diante da comunidade que é, em última instância, osverdadeiros clientes/consumidores de nosso trabalho.3.1 Design e sustentabilidade O design como prática profissional e a sustentabilidade como norteideológico se entrelaçam neste capítulo. Relembramos os cinco pilaressustentáveis: social, ambiental, territorial, econômico e político. Cada um
  30. 30. 30desses fundamentos possui áreas de sobreposição específicas com o design.Mostraremos as principais relações por nós identificadas. No artigo 4º, capítulo 1, do Código de Ética Profissional do DesignerGráfico7 regulamenta-se que o profissional da área “terá sempre em vista ahonestidade, a perfeição e o respeito à legislação vigente e resguardará osinteresses dos clientes e empregados, sem prejuízo de sua dignidadeprofissional e dos interesses maiores da sociedade”. Pensamos que, para seatender os “interesses maiores da sociedade”, necessariamente, o designerdeverá abranger as noções de sustentabilidade em seu projeto, para assimrealmente cumprir o objetivo do artigo. Infelizmente, o Código de Ética da nossa profissão é muito superficial epraticamente todo seu conteúdo refere-se a questões básicas de,simplesmente, ter uma boa educação. Acreditamos que essa postura é reflexoda não regulamentação da profissão, situação que apresenta como principalproblema - em nossa opinião - a insegurança do cliente e da sociedade frente àqualidade do trabalho do designer. Sabemos que a questão da regulamentação é bastante polêmica egera pretensões irreais em alguns indivíduos como, por exemplo, a criação debase legal para reserva de mercado, que permitiria apenas aos designers odireito de praticar o design profissionalmente: (...) enquanto alguns designers insistirem em um discurso de exclusão e de privilégio com base não em critérios de capacidade profissional, mas em títulos e genealogias, permanecerá a tendência de desagregação e facciosismo que tem afetado de modo tão negativo a consolidação do campo entre nós (CARDOSO, 2008, p. 196). Não é nosso intuito legitimar a atuação de profissionais sem formaçãosuperior, contudo nosso principal anseio é garantir os direitos dos clientes e dasociedade visto que, apenas com a regulamentação, o designer responderálegalmente por seus projetos de maneira efetiva. Pensamos que ao buscarmaiores deveres iremos encontrar também maiores direitos e, ao se exigir7 Disponível em: <http://www.adg.org.br/downloads/ADGBrasil_CodigoEtica.pdf>. Acesso em:27 set. 2010, 15:41.
  31. 31. 31trabalhos de qualidade, ocorrerá uma seleção natural que beneficiará osindivíduos com formação profissional. Abordando outro aspecto da relação, sabemos ser recorrente quando oassunto relaciona-se ao consumismo, ouvir comentários sobre o design comoum dos elementos fomentadores e causadores da prática. Tendo em vista quepopularmente a atuação do designer se restringe à finalização do produto, ouseja, à maquiagem, ao embelezamento. Porém, é sabido que o papel do designer assim não se restringe.Devemos interferir e desenvolver o projeto da peça ou produto desde a suaconcepção. Adequando a ergonomia à funcionalidade, a vida útil à matéria-prima, como afirma Raymond Loewy “o desenhista industrial astucioso é aqueleque, com lucidez, sente a zona de choque em cada problema específico”(LOEWY, 1951 apud KAZAZIAN, 2005, p.16). Podemos dizer que para Hollis essas “zonas de choque” configuram-senas três funções básicas do design, elementos que permeiam a profissãodesde sua gênese: A principal função do designer gráfico é identificar: dizer o que é determinada coisa, ou de onde ela veio (...) Sua segunda função, conhecida no âmbito profissional como Design de Informação, é informar e instruir, indicando a relação de uma coisa com outra quanto à direção, posição e escalas (....) A terceira função, muito diferente das outras duas, é apresentar e promover (...) aqui, o objetivo do design é prender a atenção e tornar sua mensagem inesquecível (HOLLIS, 2000, p. 4 [grifo do autor]). Assim, para identificar, informar e apresentar o profissional precisa,necessariamente, dominar o tema que está trabalhando. Não trata-se portantode uma função de acabamento e sim de projeto holístico, ou seja, queconsidera a totalidade, entendendo que o todo está na parte e a parte está notodo igualmente. Deste modo, devemos procurar o desenvolvimento constante, tendoem vista que “podemos dizer que o ecodesign – ou a ecoconcepção – é umaabordagem de melhora contínua, já que nenhum estado é definitivo ouencerrado” (KAZAZIAN, 2005, p. 55). Existe, por exemplo, uma infinidade deprodutos que encobrem a necessidade social real “(...) não precisamos de um
  32. 32. 32jornal, mas de informação” (RANGEL, 2007, p. 13), mas a rotina e acomodidade acabam por encobrir a avaliação crítica das coisas: Você já pensou de onde vem todas as coisas que compramos e para aonde vão quando jogamos tudo fora? [...] o que o livro falou é que as coisas passam por um sistema: de extração à produção, distribuição e disposição. [...] essa não é a estória [sic] completa. Tem muita coisa faltando nessa explicação. De fato, o sistema parece estar bem. Sem problemas. Mas a verdade é que o sistema está em crise. E a razão pela qual está em crise é porque é um sistema linear e vivemos num planeta finito e você não pode operar um sistema linear num planeta 8 finito indefinidamente (LEONARD, The history of stuff , 2007). Entendemos que nosso modo de vida está destruindo o planeta,precisamos rever nossos conceitos, nossos meios de produção, de distribuição,de uso e de descarte. Nesse sentido, o design entrelaça-se com três pontossustentáveis em especial: o social, o ambiental e o econômico. Vemos quepara buscar alternativas e articular mudanças subjetivas e objetivas é precisoprimeiramente legitimar socialmente essa postura. O indivíduo, independentede sua profissão, precisa se relacionar com os ideais sustentáveis para assimcolocá-los em prática e, como mostrado para o designer, essa postura éimprescindível. Entretanto, entendemos que ao se identificar com as noçõessustentáveis e desejar que estas façam parte de sua vida, a prática passa a seruma grande problemática. Um exemplo bastante banal na área gráfica é o dopapel reciclado. Inúmeras marcas no mercado intitulam-se “eco”, mas nãousam em sua composição nem 1% de papel pós-uso. Claro que a reutilizaçãodas aparas e sobras de produção é importante, mas alertamos para a busca deinformação para conhecermos o que estamos realmente produzindo econsumindo. Ainda utilizando o exemplo do papel, abordamos a viabilidade de talvezaumentar o custo de uma peça em 10% sem avaliar realmente o “lucro”ambiental dessa ação. Ratificamos, assim, que a prática sustentável exige maisque boa vontade, é fundamental um envolvimento profundo com dedicação aoestudo e a pesquisa.8 LEONARD, Annie. The history of stuff. Disponível em:<http://www.youtube.com/watch?v=3c88_Z0FF4k>. Acesso em: 15 abr. 2010, 16:24.
  33. 33. 33 O designer brasileiro Dalcacio, em entrevista recente a revistaABCDesign, foi questionado sobre a questão do custo dos projetossustentáveis: Custo sempre foi um empecilho, para produto sustentável ou não. Com certeza, e você tem toda razão, precisamos mudar e rever muitos valores e conceitos, mas para que os produtos sustentáveis “decolem” não podemos nos basear “apenas” numa mudança de valores, precisamos também da ajuda do governo para incentivar, facilitar e legislar em favor de empreendedores com esta visão. Nós designers também podemos e devemos fazer muito, primeiro precisamos nos informar mais sobre o tema, incentivar o desenvolvimento de projetos sustentáveis dentro das universidades 9 e formar novos designers com estes valores (REIS, 2010 ). Entendemos que a questão econômica é um fator importante. Asociedade capitalista é voltada para fins e não para meios, a racionalidade donosso sistema econômico é amoral. Assim sendo, podemos identificar nessapostura um grande problema sustentável, pois argumentos subjetivos não sãoaceitos. Contudo, por outra ótica é uma oportunidade, pois qualquer projetoque seja eficiente para o capital será aceito. Ser sustentável ou não, será umaescolha dos profissionais responsáveis pelo seu desenvolvimento. Apesar do modo de exposição simplista sabemos que existem muitasbarreiras a serem transpostas. A luta sustentável ganhou corpo a partir de 1960quando os movimentos ecológicos começam a alertar a sociedade sobre aproblemática “o principal mérito dos movimentos ecológicos terá sido plantar adúvida nas consciências dos governantes e da população” (KAZAZIAN, 2005,p. 23). Existe muito a ser realizado, modificado e até mesmo destruído a fim dealcançar o que certamente seria o nosso ideal: [...] num futuro que espero estar bem próximo, não precisaremos falar em „design para a sustentabilidade‟ ou mesmo ecodesign, falaremos simplesmente „design‟, no qual já estará embutido todo um pensamento mais saudável e sustentável (REIS, 2010). Acreditamos que o design deveria ser símbolo de sustentabilidade,responsabilidade, desenvolvimento e inclusão. Porém, a realidade não condizcom nosso anseio. Sendo assim utilizamos expressões que desejamos que setornem, o mais breve possível, uma redundância.9 Disponível em: <http://abcdesign.com.br/design-de-produto/entrevista-dalcacio-reis/> Acessoem: 06 out 2010, 22:23.
  34. 34. 34 4. Análise Com o intuito de entrelaçar a teoria apresentada à prática do designgráfico iremos realizar uma análise sustentável de uma campanha de açãosocial, tendo como base os cinco pilares da sustentabilidade de Sachs (2004).Primeiramente, explanaremos sobre cada um dos pontos para na sequênciaapresentar o objeto e sua análise. O pilar social refere-se à problemática da desigualdade e o desrespeitoaos direitos universais humanos: Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle (DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS 10 HUMANOS , Artigo XXV - Parágrafo 1, 1948). A questão social é fundamental para a sustentabilidade, pois apenasuma comunidade com acesso aos seus direitos vitais básicos tem apossibilidade de se gerir ao longo do tempo. O quesito ambiental é o mais divulgado pelos meios de comunicação,já que as alterações climáticas que o globo terrestre vem sofrendo não sãopossíveis de serem ignoradas. Ainda é importante ressaltar que a temática éduplamente alarmante, tendo em vista que exaurimos o planeta para abastecero sistema produtivo, e após inúmeros processos físicos e químicos devolvemosos resíduos em formas complexas e tóxicas. A falta de soluções efetivasmostra que o discurso está em alta, mas a prática é com certeza insuficiente. O pilar territorial abrange a distribuição geográfica dos recursos emeios de subsistência das populações. Sabemos que globalmente existemregiões de pobreza generalizada como a África e o Oriente Médio, porém10 Disponível em: <http://portal.mj.gov.br/sedh/ct/legis_intern/ddh_bib_inter_universal.htm>.Acesso em: 13 nov. 2010, 17:14.
  35. 35. 35diminuindo o panorama sempre é possível identificar novas regiõesmarginalizadas. No Brasil, especificamente, poderíamos citar o Nordeste.Diminuindo ainda mais a área, para uma abordagem estadual, a região sul doRio Grande do Sul seria a área flagelada. Neste sentido, a valorização territorialbusca a igualdade de oportunidades entre as áreas e suas comunidades. O ponto econômico é fundamental para a instauração das noçõessustentáveis, pois estamos imersos em um sistema capitalista e apenaspráticas que favoreçam – ou pelo menos considerem - a economia, possuempossibilidade de tornarem-se fortes e universais. O último pilar é o político, colocando a democracia como base para asustentabilidade, tendo em vista a valorização da liberdade dos indivíduos. Énecessário a apreciação do posicionamento político nas comunidades, paraassim estas terem capacidade e possibilidade de buscar a melhoria daqualidade de vida contínua. O objeto de análise escolhido é a Campanha do Agasalho do Governodo Rio Grande do Sul11, que arrecada em todo o estado: roupas, cobertores ealimentos não perecíveis. A escolha da ação se deu pelo seu reconhecimentopopular e, por a partir de 2009 ser realizada por uma agência especializada,diferentemente dos anos anteriores quando era desenvolvida pelo comitê daprimeira-dama. Escolhemos para a análise o cartaz de divulgação da campanha de2010 (Figura 4), acreditamos ser esta a peça principal - de design gráfico - paraa promoção da ação, além de representar a temática geral da ação.11 Disponível em <http://www.clicrbs.com.br/especial/rs/portal-social/19,0,2916442,Campanha-do-Agasalho-2010-e-lancada-no-Rio-Grande-do-Sul.html>. Acesso 14 nov. 2010, 18:53.
  36. 36. 36Figura 4: Cartaz Campanha do Agasalho (2010)Fonte: GOOGLE. Palavra de busca: campanha do agasalho, 2010.4.1 Análise sustentável Social O pilar social está no próprio objetivo da campanha - promover adistribuição de roupas, cobertores e alimentos para a população carente -proporcionando condições de sobrevivência durante o rigoroso inverno gaúcho.Acreditamos ainda que ao receber doações de todos e qualquer cidadão arelação social é fortalecida, pois não há distinção entre os doadores.
  37. 37. 37 Ambiental A iniciativa trabalha nos dois pontos ambientais: extração de matéria-prima e descarte de resíduos. Promove o aumento da vida útil das peças deroupas e cobertores - que ao invés de serem descartadas e acumularem-se emalgum lixão são realocadas e utilizadas novamente – e assim,consequentemente, promove a diminuição do consumo de matéria-prima. Quanto à peça propriamente dita (cartaz) não há indícios de umapreocupação ambiental no projeto, o formato utilizado é o tradicional A3, aimpressão é em quatro cores e o suporte é um papel branco de gramatura alta.Porém ressaltamos que a peça é eficiente para se chegar ao objetivo dacampanha, apresenta qualidade estética e de comunicação, assim por esteângulo pode ser considerada sustentável. Territorial A campanha objetiva arrecadar roupas, cobertores e alimentos nãoperecíveis em todo o estado e distribuir nas regiões que apresentam condiçõesprecárias de subsistência. Quanto à distribuição as informações são bastanteprecárias, não sendo do nosso conhecimento especificidades sobre oprocesso, sabemos apenas que é destinada uma porcentagem da arrecadaçãopara instituições assistenciais e outra para distribuição por parte dasprefeituras. Ainda relacionado ao território, os canais de coleta abrangem tanto osetor privado quanto o setor público, colocando pontos nas prefeiturasmunicipais e em empresas parceiras; pensamos que nesse sentido ocorre umadistinção, pois não são todas as empresas privadas que possuem o direito deterem um posto de coleta. Obviamente existem questões econômicas e delogística para o fato, porém é uma forma de exclusão. Econômico Em relação ao cartaz, como visto no pilar ambiental, a peça é bastantetradicional, sua configuração não aparenta primar pela economia, porém emtermos de meios de comunicação, o cartaz é um modo econômico e eficaz dedivulgação.
  38. 38. 38 Analisando pela ótica dos produtos doados vemos que a economia éalcançada de maneira indireta – através das doações – tendo em vista que seinstiga a doação de roupas, cobertores e alimentos que não são essenciaispara uma parte da população, para repassar para a população que necessitadestes para sobreviver. Político O pilar político é o menos palpável, tendo em vista que para Sachs(2004) sua base está na difusão da democracia e da liberdade. Mas demaneira indireta, vemos que ações que promovem a igualdade socialalavancam também a liberdade, pois com a sobrevivência garantida o serhumano tem o direito a escolha. Resultado A partir da análise sustentável realizada, elaboramos uma tabela declassificação dos pilares em relação a sua presença na peça, usaremos amesma estrutura na análise da produção prática do projeto.Quadro 1: Análise Sustentável Campanha do Agasalho (2010)Fonte: pesquisa direta, 2010. Considerações A Campanha do Agasalho 2010 trabalha o universo lúdico através daimagem simbólica das múmias. Historicamente, referem-se aos cadáveresegípcios que passavam por vários processos químicos antes de serem
  39. 39. 39sepultados, permitindo assim a conservação dos corpos por séculos. Asmúmias popularmente tornaram-se personagens clássicos de filmes de terror eaté mesmo de desenhos animados como Scooby-Doo12. O terror transforma-se em diversão, através da composição de umaimagem colorida, alegre e com grande simbologia social. As criançastransmitem jovialidade e a fantasia utilizada por elas configura-se através dacomposição de vários pedaços de roupas, simbolizando a união dacomunidade em prol do combate ao frio, demonstrando a importância daparticipação de cada indivíduo no processo. O slogan da campanha “Não deixe o frio assustar nesse inverno”reforça o objetivo de doação e dialoga com a simbologia de terror trabalhadana ação. Além das mensagens verbais e não verbais de imagem, usa-se afonte como elemento gráfico, com um tipo fantasia e classicamente utilizadopara peças e produtos de terror, a agressividade da fonte é neutralizadaatravés de sua cor que remete mais ao lúdico e a diversão. A visualidade geral da peça é bastante limpa, apesar do uso de coresvibrantes e contrastantes. O resultado é obtido através da redução de informaçõese elementos, do uso de espaços livres e de uma organização eficiente. Amensagem é clara e direta, de fácil entendimento e grande apelo visual. De acordo com Niemeyer (2003) classificamos o processo decomunicação como manipulação, tendo em vista que “o objetivo do gerador éque o interpretador proceda algum tipo de ação. Há, portanto, um componentepersuasivo prévio na mensagem” (2003, p. 25) e usa-se a tática da sedução“em que há a tentativa e evocação de envolvimento afetivo” (2003, p. 26). Acreditamos que a peça gráfica é adequada para a ação e conseguefugir do comum, através de uma visualidade inovadora. O uso da tipografiafantasia para o título, ano e slogan exige um cuidado bastante expressivo porseu caráter agressivo. Contudo, através do uso da cor - como mencionadoanteriormente - se consegue um resultado positivo, reafirmamos assim aqualidade da peça e de sua contribuição para o fortalecimento da campanha.12 Scooby-Doo é um desenho animado americano produzido pela Hanna-Barbera, criado noano de 1969 por Iwao Takamoto (WIKIPÉDIA). Os personagens Fred, Velma, Daphne eSalsicha, e o cão Scooby-Doo, investigam casos misteriosos em lugares inóspitos, misturando:terror, comédia e fantasia.
  40. 40. 40 O design é uma ferramenta claramente utilizada para seufortalecimento junto à sociedade, com um trabalho bastante coeso e umaidentidade adequada, a ação apresenta um volume crescente de participaçãopopular e dos setores públicos e privados.
  41. 41. 415. Prática Como objeto de análise utilizamos o estágio realizado pela graduanda,no Programa Vizinhança da Pró Reitoria de Extensão e Cultura daUniversidade Federal de Pelotas. Salientamos que, com o intuito de amparar otrabalho realizado, a mesma está lotada no SulDesign Estúdio 13 – projeto deextensão do Instituto de Artes e Design - sob a supervisão da coordenadoraLúcia Weymar e da direção de arte do técnico Guilherme Tavares. O vínculo com a PREC deu-se a partir do mês de agosto do ano de2010. O objetivo principal do grupo está no desenvolvimento da identidadevisual do Programa Vizinhança. Assim como atender as demandas geradasnos diversos projetos que o integram – sendo principalmente peças referentesà comunicação e a propaganda –. O Programa Vizinhança14 começou suas atividades em maio de 2009,tendo como objetivo geral promover intervenções comunitáriasinterdisciplinares na área vizinha ao Campus Porto da UFPel, disponibilizandoo acúmulo de conhecimento da universidade, com vistas a melhorar aqualidade de vida daqueles que ali residem. A região referida é composta pelas comunidades da Balsa, AmbrósioPerret, parte da Várzea, fronteira com os bairros Fátima e Navegantes(especificamente as moradias à margem do Canal São Gonzalo e do Canal doPepino, popularmente denominados “sem-terra”), ainda soma-se algumasmoradias na área de pescadores (Estrada do Engenho) e da área portuária. Adifícil delimitação da área de atuação do programa se dá pela constituição precáriada região, contudo acredita-se que a população atendida é de 30.000 cidadãos. A população da região sofreu um duro golpe econômico e socialquando em 1991 o frigorífico Anglo encerrou suas atividades no local, levandoconsigo diversas empresas menores instaladas nas proximidades. Com a13 Denominado Escritório Experimental de Design Gráfico até o segundo semestre de 2010.14 Informações retiradas do catálogo do Programa Vizinhança, que será publicado em 2011.
  42. 42. 42quebra das empresas e o enfraquecimento do porto de Pelotas ocorreu odesemprego massivo da comunidade. Uma vez que o desenvolvimento daregião se deu no entorno deste núcleo produtivo (Figura 5), e por causa dele, apartir da ocupação ilegal (posse), em condições precárias de infra-estruturacomo: esgoto, água potável, eletricidade e transporte coletivo, situação que semantém ainda hoje.Figura 5: Reportagem do Diário Popular, dezembro de 1943.Fonte: arquivo Programa Vizinhança Através da recuperação da história da localidade entende-se aimportância simbólica atual das instalações do Frigorífico Anglo. Prédio em quea reitoria da universidade se instalou em 2008. Este local promoveu asubsistência da comunidade durante quase meio século, ao se instalar noprédio a UFPel acredita ter como dever moral e ético, restituir a dignidade epromover através da educação a reintegração social e econômica dasociedade.
  43. 43. 43 Ressaltamos que ao se instalar no prédio a universidade foirecepcionada com a banda de um dos colégios locais, o Ferreira Viana, pordirigentes locais e parte da comunidade, mostrando a receptividade para ainstituição. Porém, há também, situações de conflito entre os pólos, a UFPelrealizou um contrato com um grupo comercial privado para a exploração dolocal, assim se realizou mudanças estruturais no entorno do antigo prédio queprejudicaram a comunidade da região. Na frente do prédio do antigo frigorífico há um grande terreno baldioque apresenta em seu entorno arborização. Este espaço era utilizado para olazer da comunidade, porém com as reformas, os entulhos oriundos doprocesso, foram depositados neste local. Apesar do terreno ser de propriedadeprivada, essa atitude é prejudicial em vários sentidos, retira a possibilidade delazer da comunidade, promove uma paisagem de descaso, auxilia nadegradação ambiental e maximiza a possibilidade de proliferação de animaispeçonhentos e prejudiciais a saúde humana. Outro fato de grande relevância é a separação da comunidade da áreada universidade por um muro de concreto, que segrega o bairro da instituição,cortando a região a partir da margem do arroio pelotas em direção ao bairro.Na rótula que dá entrada a UFPel tem-se uma abertura que permite o tráfego,mas sua largura é tão restritiva que não permite a circulação de dois veículosao mesmo tempo.Figura 6 Panorama da regiãoFotos: Ana Maria Dacol, 2010.
  44. 44. 44 Ambas as situações relatadas são apontadas como ações da empresaprivada associada à universidade15, contudo acreditamos que a UFPel deve seposicionar em relação a situação e tomar atitudes que mostre para acomunidade seu real comprometimento com a melhoria da sua qualidade devida e com o desenvolvimento includente da população. Internamente, o Programa Vizinhança também tem uma importânciasignificativa, pois pretende instituir a prática da extensão na universidade demaneira efetiva, como exposto no propósito geral do setor 16: “A extensão é oprocesso educativo, cultural e científico que articula o ensino e a pesquisa deforma indissociável e viabiliza a relação transformadora entre a Universidade ea sociedade”. Assim, o programa é constituído de diversos projetos oriundos dasunidades acadêmicas da UFPel, o objetivo é que cada unidade esteja presenteno programa. Atualmente, possuímos por volta de dez projetos, oriundos dediversas áreas como: odontologia, arquitetura, administração, letras e design.Cada unidade ou curso desenvolve um projeto que promove a integração socialda instituição e da comunidade, assim como o desenvolvimento social dacomunidade pelotense. Nosso papel nesse sentido é desenvolver uma identidade que integreesse universo fragmentado, fortalecendo sua ação, tanto para a comunidadeuniversitária quanto para a sociedade em geral.15 Não há informação sobre a manutenção dessa parceria ou de sua dissolvição. Mas porobservação não se tem indícios da presença da referida empresa.16 Disponível em: <http://prec.ufpel.edu.br/>. Acesso em: 18 out. 2010, 23:02h.
  45. 45. 455.1 BriefingCliente: Programa VizinhançaServiço: Projeto de extensãoDADOS DO CLIENTEA. Perfil do clienteAtividade: programa socialPercurso histórico da organização: início das atividades em maio de 2009;financiamento do MEC através do PROEXT para 2010.Objetivos da organização a curto, médio e longo prazo: em curto prazofortalecer a identidade interna do grupo, médio prazo ser reconhecida pelacomunidade como um programa de integração com a universidade e a longoprazo tornar-se referência de extensão universitária e trazer desenvolvimentoeconômico e social para a região do porto.B. Público-alvoPerfil do público: comunidade em situação de risco, com renda per capita deaté um salário mínimo, em condições precárias de moradia e de subsistência.Qual a imagem que a organização tem do seu público? Cidadõesmarginalizados e pouco favorecidos pelas ações sociais governamentais.PROJETOA. RequisitosObjetivoProblema a ser resolvido: Identificar o programa internamente eexternamente.Principal diferencial a ser explorado: relação entre a comunidade euniversidade.Conteúdo conceitual que obrigatoriamente deve estar na proposta:relacionamentovizinhança.
  46. 46. 46RESTRIÇÕESValores negativos a serem evitados: diferença social, hierarquia.Preferências a fotografias ou ilustrações? Recomendado uso de ilustração.Quadro semântico referente a valores desejáveis da organização:Quadro 2: Quadro semânticoFonte: pesquisa direta, 2010.5.2 Identidade Visual O principal objetivo do estágio no Programa Vizinhança configura-se nodesenvolvimento da identidade visual do programa definido como “o conjuntode imagens composta pela marca e os elementos visuais adicionais quecombinados transmitem o padrão estético que identifica uma instituição ou umproduto” (MUNHOZ, 2009, p. 11). Logotipo A primeira peça produzida foi o logotipo da organização. Com o objetivoprincipal de transmitir o conceito de relação de vizinhança, trabalhamos com a
  47. 47. 47fonte Alice de autoria de Carolina Moraes Marchese17. A tipografia possui acaracterística de união entre os caracteres pela junção18 da fonte, essa estruturapermite a transmissão do conceito de vizinhança, elementos lado a lado que seunem e criam algo maior. Ressaltamos que a fonte Alice foi utilizada como ponto de partida, suaestrutura foi trabalhada (Figura 7) para aumentar sua legibilidade, maximizar oconceito defendido e tornar o logotipo um elemento mais coeso.Figura 7: Logotipo em construção.Fonte, pesquisa direta, 2010 Para a palavra “Programa” optou-se por uma fonte bastão, de altalegibilidade e menor peso estético: Century Gothic com bold. Sendo umatipografia com alto grau de legibilidade, podemos utilizá-la com o corpo bemmenor que a palavra “vizinhança” e mesmo assim alcançar uma reduçãomáxima adequada. E por ser uma fonte bastão, com uma estrutura verticalaguçada e bastante neutra, não ocorre a interferência negativa de uma palavracom a outra. Optamos por um alinhamento à direita e pelo preenchimento padrão dacor preta. Quanto a questão cromática não há a proibição do uso de qualquercor, desde que seja chapada e apenas uma (é vetado o uso de degradês oucores diferentes nas duas palavras componentes do logotipo).17 Graduanda de Design Gráfico da Universidade Federal de Pelotas. Disponível em:<http://www.diariopopular.com.br/site/content/noticias/detalhe.php?id=6&noticia=17408>.Acesso em: 10 ago. 2010, 02:05.18 Elemento da base da fonte, a junção é uma parte da serifa.
  48. 48. 48Logotipo principal:Redução máxima:Logotipo secundário, com indicação da ação específica: Ilustração Como exposto no logotipo optamos por uma abordagem conceitual datemática, porém, havia a necessidade de se criar um elemento comcaracterísticas representativas. Assim, desenvolvemos uma ilustraçãoindependente do logotipo, mas que deve ser utilizado nas peças do programasempre que possível. A intenção da ilustração é representar a região do Porto, contendo eressaltando os elementos: prédio da universidade, arroio pelotas e as casas(configurando assim a vizinhança). Tendo em vista, a complexidade e o volumede elementos que poderiam ser representados, optou-se por uma ilustraçãolinear, que cria apenas o contorno dessa região.
  49. 49. 49 Mas, durante o processo de criação, foi solicitado o acréscimo de maisdetalhes, como pessoas e animais, para tentar satisfazer os anseios do grupo.Uma questão importante foi a troca da estrutura do prédio, que representa aUFPel (Figura 8), a princípio se utilizou como referência o prédio que acomunidade estudantil utiliza para entrar no complexo, porém trocamos areferência para o lado do prédio orientado para a comunidade, pois apesar domuro tapar sua visão global o telhado desta parte é bastante característico.Figura 8: Prédios do Campus AngloFotos: Ana Maria Dacol, 2010. Outro aspecto trabalhado inúmeras vezes foi a representação doarroio, tendo em vista que geograficamente é o aspecto mais marcante e porser para a comunidade uma fonte de renda, alimentação e lazer. Na ilustração,não há divisões, os elementos estão lado a lado, configuração que esperamosser alcançada tanto fisicamente quanto culturalmente.Estudos da ilustração:
  50. 50. 50Resultado final da ilustração:5.3 Aplicativos Durante o estágio desenvolvemos aplicativos para o fortalecimento daidentidade visual do programa e seu reconhecimento, primando neste primeiromomento pela comunidade universitária. Pôsteres Para a apresentação de trabalhos acadêmicos em eventos normatizou-se o leiaute dos pôsteres, composto por uma orla que apresenta na base ailustração do programa, preenchida com a cor referente à unidade acadêmicaoriunda e o cabeçalho, que apresenta o logotipo do programa, a identificaçãoda PREC e o brasão da universidade. O primeiro evento em que utilizou-se o padrão foi para o 28º Semináriode Extensão Universitária da Região Sul (SEURS), em que o modelo sofreualgumas adpatações para adequar-se as exigências do evento. Ressaltamos que nesse pôster utilizamos a versão anterior dailustração final, tendo em vista que precisamos produzir peças durante oprocesso de criação da identidade visual.
  51. 51. 51Dimensão original: 1,2 x 1 m A iniciativa repercutiu de maneira positiva no grupo, uma vez que osavaliadores do seminário observaram a aplicação do padrão e elogiaram ainiciativa. Para este evento, foram produzidos três banners, apesar de não serde nosso conhecimento o número total de trabalhos apresentados, sabemosque é maior do que o número de peças projetadas. Acreditamos que a nãoadesão à identidade é devido ao fato do custo da produção (R$) ser deresponsabilidade do grupo ou estudante apresentador, além da resistência dese passar o conteúdo do trabalho para outra pessoa (estagiária) realizar acriação. O evento seguinte em que produzimos banners foi para o XIXCongresso de Iniciação Científica (CIC) da UFPel. Neste caso, tivemos de
  52. 52. 52adaptar o modelo do Vizinhança ao modelo do evento (disponibilizado o site docongresso), este possuía duas barras uma no cabeçalho e outra no rodapé nacor da identidade visual. No cabeçalho, além da barra, havia o logotipo doevento. Desta maneira, utilizamos a orla do modelo anterior, já com a ilustraçãodefinitiva e com a cor padrão do CIC, desta forma, não fizemos a referênciacromática ao curso.Dimensão original: 1 x 0,9 m Camisetas Para a conclusão do ano foi solicitado o desenvolvimento de umaproposta de camiseta para o programa. As camisetas serão produzidas para osmembros do grupo, porém o desejo é fortalecer as ações na comunidade,identificando os estudantes como integrantes do Programa Vizinhança. A proposta inicial foi desenvolvida a partir da meta de criação de umaaplicação diferenciada dos dois elementos institucionais – logotipo e ilustração
  53. 53. 53– para uma estampa para camisetas. Nós entendemos que o Vizinhança é umprojeto sustentável, que trabalha para estruturar socialmente uma região, ouseja, deseja criar um mundo novo para a área do Porto, assim desenvolvemosuma ilustração onde a base linear transforma-se em um globo, que possui emseu centro o logotipo do programa. Esta proposta não foi aceita, os dirigentes entenderam que a ilustraçãodiferenciava-se demasiadamente da identidade visual do programa. E que oobjetivo da peça é marcar a presença do programa, sendo assim não exercia aprincipal função. Na segunda proposta, trabalhamos com a ilustração em seu formatooriginal. O principal receio referiu-se a sua posição na peça, de modo a nãotrazer desconforto para os usuários (marcar a barriga ou o colo). Salientamos
  54. 54. 54como principal ganho da segunda proposta a redução de duas cores para uma,assim como um resultado mais simples.
  55. 55. 555.4 Avaliação sustentável Analisaremos por fim, nossa produção, de acordo com os princípiossustentáveis, classificando-a a partir do quadro desenvolvido para a análise daCampanha do Agasalho do Governo do Rio Grande do Sul.Quadro 3: Análise sustentável da prática do Programa VizinhançaFonte: pesquisa direta, 2010. O Programa Vizinhança é um projeto que prevê o desenvolvimentosocial através da revitalização da comunidade do Porto. Nas peçasdesenvolvidas reafirmamos o compromisso, tendo o aspecto das relações devizinhança permeando a identidade institucional e seus aplicativos. Quanto ao quesito ambiental acreditamos que o logotipo e a ilustraçãocontemplam a questão, pois configuram-se de maneira bastante simples,utilizam poucas cores e podem ser utilizados de forma monocromática semprejuízos estéticos. No caso das aplicações, ressaltamos que, quanto aos pôsteres nãodecidimos o formato e nem o acabamento, tendo em vista que atendia asexigências dos eventos e a questões pessoais dos apresentadores, uma vezque a produção era de sua responsabilidade. Para as camisetas projetamosdois modelos, um com o uso de duas cores e outro com uma cor, emcamisetas brancas de algodão, pensamos que nesse aplicativo alcançamos oquesito ambiental de maneira mais efetiva.
  56. 56. 56 Acreditamos que o princípio territorial é fortemente trabalhado, pois écontemplado na própria estruturação do programa, que visa o trabalho em umadeterminada área de risco social, com o intuito de promover sua inclusão sociale econômica na cidade. A ilustração institucional prevê o reforço docompromisso ao representar geograficamente a região, objetivando aidentificação das pessoas com o projeto. O aspecto econômico novamente é parte do objetivo do ProgramaVizinhança, a atuação da universidade procura capacitar os moradores para omercado de trabalho e oferece serviços – ginástica, esporte, entretenimento –que geralmente são cobrados de forma gratuita. Nas aplicações reafirmamosque os aspectos de cor – indicados quanto à questão ambiental – trazembenefícios econômicos. Nos aplicativos, a situação também se repete, nospôsteres por não ser de nossa responsabilidade, nosso poder de decisão foicomprometido, e nas camisetas trabalhamos pensando neste aspecto. Acamiseta branca é a de menor custo, reduzimos o número de cor no modeloaceito e trabalhamos com duas impressões. Para finalizar, avaliamos o pilar político que apresenta-se de maneiramenos direta. Sua identificação nas peças é possível através do entendimentode que ao promover uma comunidade socialmente, estamos possibilitando adifusão da democracia e assim da inclusão política dessas pessoas.
  57. 57. 576. Finalizações Nosso objetivo neste capítulo é alinhavar ideias, sintetizar nossosprincipais anseios e mostrar ao leitor as reflexões latentes sobre a temática.Iremos apresentar um panorama geral da pesquisa, indicando as zonas maisrelevantes da discussão proposta. Relataremos também as dificuldades elimitações enfrentadas, assim como nossas pretensões para o futuro.6.1 Considerações O objetivo desta pesquisa foi investigar se é possível o designconfigurar-se em instrumento promovedor do desenvolvimento social a partir daperspectiva sustentável e como dá-se este processo. Acreditamos que, aolongo do trabalho, reafirmamos que o design pode ser utilizado como umaferramenta para a promoção de causas sociais – através da teoriaapresentada, da análise realizada e da nossa própria produção –. Afirmamostambém que ao longo dos capítulos fomos contemplando nossos objetivosespecíficos, comprovaremos a afirmação a seguir. Começamos por uma introdução ao campo do design até chegarmos anossa especialidade: o design gráfico. Decidimos por essa conceituação poranseios pessoais de delimitação e localização, assim como para realizar umpequeno levantamento histórico da nossa profissão. Dentro do mesmo capítuloprocuramos salientar o aspecto social do design, sua relevância profissional ede postura ética para com a sociedade. No capítulo seguinte, trabalhamos com as noções sustentáveis,apresentando pontos importantes sobre esta área em construção, sendoimportante (re)afirmar que para nós o desenvolvimento sustentável perpassaos cinco pilares conceituados por Sachs (2004) – social, ambiental, econômico,territorial e político –. Na seção sequente entrelaçamos a temática sustentávelcom o campo do design, ressaltando os aspectos positivos da aproximação
  58. 58. 58entre as áreas e sua importância para a construção de um ambiente maissaudável para vivermos. Realizamos, para uma apresentação mais prática, a análise daCampanha do Agasalho do Rio Grande do Sul, a fim de comprovar aimportância do design em ações filantrópicas e sociais. Confrontamos também,a peça representante da campanha, com as bases sustentáveis, identificandouma postura de acordo com os princípios de Sachs (2004). Para atingir o último objetivo específico apresentamos a práticadesenvolvida dentro do Programa Vizinhança e o analisamos à luz daperspectiva sustentável. Evidenciamos que procuramos desenvolver umaidentidade visual em concordância com as exigências e necessidadesrelatadas, com o intuito de fortalecer o programa dentro do meio estudantil epara a comunidade em geral. Nosso principal anseio – que fica – é o de ajudar a promover aconsciência crítica do profissional do design. Entendemos nossa importânciana construção social, e acreditamos que podemos utilizá-la de diferentesmodos e assim provocar diferentes reações, pensamos que o desenvolvimentosustentável é um caminho para se obter um ambiente mais agradável e porisso o recomendamos.6.2 Limitações As limitações colaboraram para a configuração final desta pesquisa,sendo um elemento limitador, porém formador, relataremos os pontosidentificados como os mais significativos: • Tempo – a duração de um semestre para a investigação limitasua abrangência e os métodos para sua realização, exigindo uma redução docampo de análise, dos objetivos e dos resultados. • Análise – procuramos a agência responsável pelodesenvolvimento da Campanha do Agasalho do Governo do Rio Grande doSul. A princípio, obtivemos resposta, porém o contato foi interrompido, assimrealizamos com informações levantadas na internet.
  59. 59. 59 • Prática – a realização da prática da pesquisa se deu no local deestágio da graduanda, assim esteve suscetível às limitações impostas pelaorganização. O principal problema refere-se à informação (objetivos,necessidades, operacionalização), agravado pelos fatores: liderançacompartilhada, tamanho do grupo e o desconhecimento sobre a área dodesign.6.3 Sequência Acreditamos na relevância da problemática discutida neste trabalho epensamos ser interessante a sua exploração tanto na graduação como na pós-graduação. É um campo com produção reduzida, ainda, e que é composto porinúmeros aspectos centrais da vida contemporânea. Sugerimos oaprofundamento no campo teórico da sustentabilidade, a exploração da análiseda prática sustentável em diversos setores, assim como a aplicação dospreceitos sustentáveis em outras especialidades do design e tipos deorganizações.
  60. 60. 60ReferênciasABC DESIGN. Entrevista: Dalcacio Reis. Disponível em:<http://abcdesign.com.br/design-de-produto/entrevista-dalcacio-reis/>. Acessoem: 06 out. 2010, 22:23h.ASSOCIAÇÃO DE DESIGN GRÁFICO. Código de Ética Profissional.Disponível em:<http://www.adg.org.br/downloads/ADGBrasil_CodigoEtica.pdf>. Acesso em:27 set. 2010, 15:41.CARDOSO, Rafael. Uma introdução à história do design. São Paulo:Blucher, 2008._______________ (org.). O design brasileiro antes do design: aspectos dahistória gráfica, 1870-1960. São Paulo: Cosac Naify, 2005.DICIONÁRIO MICHAELIS. Palavra de busca: sustentabilidade e sustentável.Disponível em: <http://michaelis.uol.com.br/>. Acesso em: 26 set. 2010, 16:18.DURKHEIN, Émile. Pragmatisme et sociologie. Paris: Vrin, 2001.HOLLANDA, Aurélio. Dicionário Aurélio. Palavra de busca: ideologia.Disponível em: <http://www.dicionariodoaurelio.com/>. Acesso em: 15 jun.2010, 23:15.HOLLIS, Richard. Design Gráfico: uma história concisa. São Paulo: MartinsFontes, 2000.KAZAZIAN, Thierry. Haverá a idade das coisas leves. São Paulo: Senac,2005.LEONARD, Annie. The history of stuff. 2007. Vídeo disponível em:<http://www.youtube.com/watch?v=3c88_Z0FF4k>. Acesso em: 15 abr. 2010,16:24.MUNHOZ, Daniella. Manual de identidade visual: guia para construção. Riode Janeiro: 2AB, 1ª ed. 2009.NETO, Wladimir. O Design do Nazismo. 2008. Disponível em:<http://wladimirneto.blogspot.com/2008/08/o-design-do-nazismo.html>. Acessoem: 10 nov. 2010, 04:18.

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