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  1. 1. UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA-UNEB DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA GISLEIDE MASCARENHAS CERQUEIRAIMPACTO DO EXERCÍCIO FÍSICO NA ORIENTAÇÃO ESPACIAL E MOBILIDADE DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL ALAGOINHAS 2010
  2. 2. GISLEIDE MASCARENHAS CERQUEIRAIMPACTO DO EXERCÍCIO FÍSICO NA ORIENTAÇÃO ESPACIAL E MOBILODADE DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL Monografia apresentada como requisito parcial para a conclusão do curso de licenciatura em educação física da Universidade do estado da Bahia, sob orientação do professor Ms. Luiz Rocha e co-orientação professora Drª Márcia Cozzani. ALAGOINHAS 2010
  3. 3. Dedico esse trabalho primeiramente aoEterno, que me deu a vida para que eupudesse apreciá-la vendo seus grandesfeitos.Aos meus pais que se esforçaram com muitoamor ,para que eu conseguisse mais essavitória .Às minhas irmãs pela dedicação e incentivo.Aos meus amigos que torceram por maisessa conquista.Um muito obrigado, amo todos vocês.
  4. 4. SUMARIO1. INTRODUÇÃO 052. A CONDIÇÃO DE DEFICIENTE VISUAL: UM BREVE CONTEXTO 08HISTÓRICO2.1.DEFICÊNCIA VISUAL:ASPECTOS CONCEITUAIS 112.2.ORIENTAÇÃO ESPACIAL E MOBILIDADE:CARACTERÍSTICAS 14NA DEFICIÊNCIA VISUAL2.3.TÉCINCAS DE ORIENTAÇÃO E MOBILIDADE:APLICAÇÕES 16PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA3. ATIVIDADE FÍSICA ADAPTADA 184. METODOLOGIA 224.1.PARTICIPANTES 224.2.PROCEDIMENTOS 235. RESULTADOS E DISCUSSÃO 245.1.CARACTERÍSTICAS GERAIS DA AMOSTRA PESQUISADA 245.2.CARACTERÍSTICAS DE ORIENTAÇÃO, MOBILIDADE EASPECTOS DA INCLUSÃO SOCIAL EM PESSOAS COMDEFICIÊNCIA VISUAL 256. CONSIDERAÇÕES FINAIS 307. REFERENCIAS 328. ANEXOS 35
  5. 5. RESUMOO exercício físico além de promover saúde e bem-estar para os deficientes visuais,pode proporcionar benefícios, principalmente, aos aspectos relacionados ámobilidade e orientação espacial, desenvolvendo mais segurança e autonomia aesses indivíduos. A deficiência visual, independente do grau, compromete acapacidade da pessoa de se orientar e de se movimentar no espaço com segurançae independência. O presente estudo teve como objetivo analisar as característicasgerais (demográficas) e o impacto da atividade física adaptada nos aspectos daorientação espacial, mobilidade e inclusão social dos deficientes visuais. A pesquisarealizada foi de natureza qualitativa e o procedimento metodológico foi do tipoexploratório. Para analise de dados foi utilizada uma entrevista como instrumento decoleta. A partir dos dados analisados a pesquisa demonstrou a necessidade dosdeficientes visuais serem submetidos a programas de atividade física queoportunizem melhorias nos aspectos de mobilidade e orientação espacial, pois alémde contribuir para esses aspectos reforça a relevância da inclusão social dessesindivíduos trazendo um novo olhar em relação às suas necessidades.Palavras-chaves: Exercício Físico. Deficiência Visual. Orientação Espacial.Mobilidade
  6. 6. 51.INTRODUÇÃOO corpo é um instrumento que utilizamos para nos relacionarmos com o meioambiente e o mundo. É através dele que é possível aprimorar as informaçõesindispensáveis para as funções de orientação e mobilidade que guiam ocomportamento perceptivo-motor. Quando o sistema não é capaz de extrairadequadamente as informações do ambiente isto altera a operação funcional geral emodifica a relação do indivíduo com o ambiente ao redor e com as tarefas que esteé capaz de desempenhar.Um dos instrumentos mais utilizados para trabalhar o corpo levando a superar suaslimitações e, ao mesmo tempo, possibilitar benefícios para o indivíduo emdesenvolvimento é a prática de atividade física.A atividade física é definida comoqualquer movimento corporal sendo exemplificados os jogos, lutas, danças,esportes, exercícios físicos, atividades laborais e deslocamentos.A atividade física pode ser considerada como um elemento indispensável para ainteração da sociedade com pessoas com deficiência, além de proporcionar umaproveitamento relevante, das funções motoras, cognitivas e sociais, levando aspessoas com deficiência a usufruir dos seus direitos em todos os aspectos tornando-o incluso na sociedade mediante sua participação em diversas áreas.A deficiência visual se caracteriza pela perda da visão total ou parcial do individuolevando-o a utilizar recursos para alfabetização e locomoção. Ainda, em função dadiminuição de suas possibilidades de exploração do ambiente ao redor e de umapobre estimulação precoce, esta condição leva, muitas vezes a uma serie dedefasagens no desenvolvimento social, afetivo, cognitivo e psicomotor provenientesde um relacionamento familiar e / ou social inadequado.É necessário que o deficiente visual através da locomoção e da orientaçãoidentifique-se no espaço em que está inserido, tendo conhecimento da existência deobjetos e da posição em que seu corpo se encontra dentro do espaço.
  7. 7. 6A orientação e mobilidade nada mais é do que um conjunto de técnicas que irápossibilitar a pessoa cega a ter noções de espaço, tempo, movimento e distancia.Através do treinamento dessas técnicas a pessoa cega desenvolvera maissegurança para locomoção, desenvolvera a autonomia, conhecerá o espaço emA atividade física esta relacionada diretamente com o trabalho corporal e se tornaum elemento indispensável para o desenvolvimento geral, que aumenta o potencialde experimentação corporal e de situações de aprendizagem, além de atuar comofacilitador de um desenvolvimento motor adequado. Ainda, desenvolve aautoconfiança, auto-iniciativa e a auto-estima se tornando uma forte aliada nainteração social, no incremento das funções da inteligência e principalmente dasfunções psicomotoras dos indivíduos com deficiência visual.A partir deste breve contexto introdutório este trabalho tem como objetivo geralanalisar as características gerais (demográficas) e o impacto da atividade físicaadaptada nos aspectos da orientação espacial, mobilidade e inclusão social depessoas com deficiência visual, buscando verificar os níveis de facilidade edificuldades de locomoção além de analisar os aspectos de inclusão nessesindivíduos.Na primeira etapa da pesquisa, foi realizada uma revisão bibliográfica de algunsautores ligados ao tema a fim de enriquecer o trabalho ampliando a visão acerca dosdeficientes visuais e suas possibilidades de lidarem com suas dificuldades e omundo buscando uma forma de superar essas barreiras.Na segunda etapa procedeu-se o planejamento de intervenção com um grupo depesquisa. Para a coleta de dados foi efetuada uma entrevista fechada e algunsvídeos onde relatam experiências vividas por alguns alunos da instituiçãopesquisada relacionado com as fontes utilizadas na construção do trabalho.O primeiro capítulo refere-se ao contexto histórico e conceitos da cegueiraabrangendo todos os conteúdos relacionados à definição da cegueira, como ela eravista na antiguidade, e como se desenvolveram as técnicas de mobilidade e no
  8. 8. 7segundo capitulo refere-se a atividade física e seus benefícios na orientaçãoespacial e mobilidade do individuo cego, enfatizando as suas defasagens e amelhora delas através da atividade física e como a sociedade deve lidar com esseindividuo valorizando o conceito de inclusão social.
  9. 9. 82. A CONDIÇÃO DE DEFICIÊNCIA VISUAL: UM BREVE CONTEXTO HISTÓRICOPara escrever um trabalho sobre deficiência visual, é importante relatar algunsmomentos históricos porque tais fatos nos ajudam a entender um pouco sobre ocomportamento de pessoas com esse tipo de deficiência, bem como as relações eas atitudes entre seus pares ditos “normais”.No período pré-histórico o instinto prevalecia, os mais fracos eram eliminados. Asmulheres, pessoas com deficiência, pessoas com doença mental, e incapacitada(animais, em igual condição) a maioria era eliminada naturalmente (MOSQUERA,2000).Segundo os diários dos exploradores Stanley e Livingstone, em algumas tribosafricanas o nascimento de alguma criança com deficiência anunciava “carestia efome”. De acordo com os costumes da tribo essas crianças eram lançadas nos riosou abandonadas em lugares distantes (MOSQUERA, 2000). Devido a essesabandonos, alguns especialistas acreditam que surgiram as técnicas de orientação emobilidade.Em outras culturas os cegos eram vistos como profetas e adivinhos. O fato de nãoenxergar lhes dariam o poder de uma segunda visão, sendo assim reverenciados.No período da segunda grande guerra a lei do extermínio (Unheilhanenkraken),estabelecida pelo nazismo, determinava o extermínio de todas as pessoas comdoenças crônicas e incapacitadas para o trabalho. Situação semelhante aos rituaisdas tribos africanas (MOSQUERA, 2000).Após a segunda grande guerra, devido ao número elevado de soldados mutilados,vários países participante da guerra, principalmente os Estados Unidos, decidiraminvestir na recuperação desses indivíduos afim destes voltarem à vida social ativa(MOSQUERA, 2000).A “Veterans Administration” introduziu o uso de bengala para os veteranos de guerracegos, depois de ter observado que, por várias razões, muitos indivíduos cegos não
  10. 10. 9queriam ou não podiam adaptar suas vidas ao uso do cachorro como guia.Entretanto, quinze anos de experiência com cachorros como guias, na Army MedicalCorps and Veterans Administration, revelaram que eram necessárias instruçõesespeciais onde os instrutores deveriam ser selecionados depois de uma tiragemcuidadosa, ter determinadas características e necessitariam de um treinamentoespecial depois da seleção (ADAMS et. al., 1985).Nesse período surgiram materiais de alta tecnologia, avanços científicos, na área dasaúde e desenvolvimento de novas técnicas de mobilidade e orientação para facilitare proteger os deficientes visuais tais como: novas cadeiras de rodas, muletasadaptadas, novas próteses e órteses e técnicas cirúrgicas (MOSQUERA, 2000).O período pós-guerra trouxe à sociedade uma nova visão em relação aos indivíduosportadores de deficiência que devido às circunstâncias da segunda grande guerrasurgiram novas perspectivas de vida contribuindo para um avanço aos princípios decidadania. Em 1972, no Brasil a educação especial foi considerada prioridade. Em1973, foi criado o Centro Nacional de educação (CENESPE) hoje é a CoordenadoriaNacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência (CORDE) que éresponsável pelas ações dessa área (MOSQUERA, 2000).Segundo Mosquera (2000, p.16) uma nova visão em relação aos deficientes só foimesmo estabelecida em 1975, quando a ONU (Organização das Nações Unidas)lançou a Declaração dos Direitos da Pessoa Deficiente, que dizia em seu artigo 1º: O termo pessoas deficientes refere-se a qualquer pessoa incapaz de assegurar por si mesma, total ou parcialmente, as necessidades de uma vida individual ou social normal, em decorrência de uma deficiência congênita ou não, em suas capacidades físicas ou metais.Em 1980, foi estabelecida uma nova classificação internacional esclarecendomelhor Deficiência, Incapacidade, Impedimento, definindo assim as conseqüênciasdas enfermidades:  Deficiência: è uma perda temporal ou permanente de uma estrutura oufunção psicológica, fisiológica ou anatômica.
  11. 11. 10  Incapacidade: redução ou ausência da capacidade de realizar umaatividade considerada normal devido a uma deficiência provocando excessos ouinsuficiências no desempenho e no comportamento de atividades do dia-dia.  Impedimento: é quando um indivíduo devido a uma deficiência ouincapacidade é limitado ou impedido de realizar uma atividade considerada normal.A divulgação desta classificação contribuiu para o esclarecimento de algunsconceitos sobre deficientes. A mais recente manifestação de reconhecimento àeducação especial é a Declaração de Salamanca sobre os princípios, política eprática em Educação Especial. Essa declaração abrange todos aqueles comdificuldades de aprendizagem; a Política Nacional de Educação Especial (PNEE)classifica o alunado da educação especial como: indivíduos com deficiência (mental,física, visual, auditiva, múltipla) indivíduos com problemas de conduta esuperdotados (MOSQUERA, 2000; CAIADO, 2003).Esta declaração reafirma a necessidade de incluirmos em nossa sociedade aspessoas especiais, que são muitos. No Brasil estima-se que a população dedeficientes é de dez a quinze por cento, número mais elevado do que os países deprimeiro mundo.Atualmente, mediante uma sociedade leiga e exclusivista, muitos consideram que apalavra deficiente está relacionada a uma pessoa que não é eficiente e sim incapaz,preguiçosa, incompetente e sem inteligência. A ênfase recai no que falta, nalimitação, no defeito, gerando sentimentos como desprezo, indiferença, chacota,piedade ou pena (GIL, 2000). DE SORDE (2006) afirma: Como manter acesa a utopia de incluir pessoas portadoras de algum tipo de necessidade especial ou deficiência em uma sociedade que resolveu sequer (se é que pretende fazê-lo) a questão da inclusão das pessoas normais?(apud in CAIADO, 2006, p.1)A palavra deficiência adquire um valor cultural que vai direcionar um ciclo decomandantes e comandados. Apesar disso muitos cegos fizeram história. Aexemplo, Luís Braille, criador do sistema de escrita e leitura para cegos que leva seunome – Braille. Uma das primeiras escolas para cegos foi criada em Paris por
  12. 12. 11Valentin Haüy. No Brasil a primeira instituição criada em 1600 chamava-se SantaCasa de Misericórdia, em São Paulo. Em 1854, surge o Instituto dos MeninosCegos. Em 1938, no estado do Paraná inaugurou o Instituto Paranaense de Cegos.Mais tarde, outras foram fundadas em todo o país com seus próprios objetivos.Assim, a luta contra a exclusão, as limitações da cegueira e suas conseqüênciasrevelam a necessidade de empreender a prevenção, ações educacionais e acessoao trabalho através de um novo projeto político, bem como da constituição de umanova sociedade (CAIADO, 2006).2.1. DEFICIÊNCIA VISUAL: ASPECTOS CONCEITUAISSegundo Diehl (2008, p.61.) a visão do ser humano é fator de grande estímulo nabusca da satisfação de sua curiosidade e que leva a um desenvolvimento mais ágil eindependente. Quando bebês, nossos pais nos estimulam a desenvolver a visão,quando nos apontam algum objeto ou animal, ou nos impulsiona a procurar umbrinquedo (GIL, 2000).Na concepção de Barraga (1986), o funcionamento visual é um comportamentoaprendido. Quanto mais experiências visuais uma criança tiver, mais condutascerebrais serão estimuladas enriquecendo o conjunto de imagens visuais e tambémde recordações. (JUNIOR; MANZINI; 2008 apud in Souza, 2007)O desenvolvimento das funções vitais ocorre nos primeiros anos de vida. É nesseperíodo também que a cegueira ocorre com mais freqüência. O período pré-natal eneonatal são períodos que se inicia mais comumente. (ADAMS et. al., 1985)A deficiência visual, expressão que se refere ao espectro que vai da cegueira até avisão subnormal, é a perda total ou parcial da visão, necessitando o individuodeficiente, de recursos específicos para alfabetização e sociabilização, como o usode bengalas, métodos Braille e sorobã dentre outros recursos. (MOSQUERA; 2000)A visão subnormal ou baixa visão refere-se a alteração da capacidade funcionaldecorrentes de fatores como rebaixamento significativo da acuidade visual gerando
  13. 13. 12dificuldades para percepção de objetos, cores formas e com limitadas condiçõespara ver de longe. Embora apresentem distúrbios de visão, possuem resíduosvisuais que lhes permitem ler textos impressos amplificados por lentes ou com letrasde tamanho aumentado. (JUNIOR; MANZINI; 2008)A cegueira esta caracterizada desde a ausência total da visão até perdas parciais nasensibilidade para a projeção da luz. Mesmo com o auxilio na orientação emobilidade através da percepção luminosa, não adquirem o conhecimento sobre oseu ambiente através da visão. (MAUERBERG-DECASTRO, 2005)A deficiência visual pode ser congênita, o individuo já nasce com ela. Dependendodo caso, há indivíduos que nascem com uma pequena deficiência, e esta tende a seagravar com o passar dos anos, levando-o a perda total da visão. Esses indivíduosconseguem lembrar-se das imagens, luzes e cores que conheceu facilitando suareadaptação. (GIL, 2000). Quem nasce com cegueira total jamais poderá formaruma memória visual, possuir lembranças, tornando-se mais difícil a elaboração deconceitos.A deficiência adquirida é caracterizada por indivíduos que a obtiveram em algumperíodo de sua vida, portanto, nasceram sem deficiência. Segundo Gil (2000) entreos dois extremos da capacidade visual estão situadas algumas patologias que nãoconstituem necessariamente deficiência visual, mas que na infância devem seridentificadas e tratadas o quanto antes, para não interferirem no processo dedesenvolvimento e aprendizagem. Essas patologias podem ser a miopia,astigmatismo, ambliopia e hipermetropia.Esses atrasos no desenvolvimento, quando apresentados, são mais enfatizados naárea perceptivo-motora devido à limitação de experiências com o ambiente ao redor.Mauerberg-deCastro (2005) afirma que: o desenvolvimento perceptivo-motordepende da aquisição de conhecimentos sobre si próprio, o meio ambiente e ascompetências em tarefas básicas da vida diária.O treinamento perceptivo-motor inclui atividades motoras planejadas eseqüenciadas, atividades que busquem trabalhar com a expressão, imitação e
  14. 14. 13cognição, ou seja, engloba as funções sensório-motoras. As funções perceptivo-motoras podem ficar bastante comprometidas se houver problemas de integraçãosensório-motora ou falhas posturais. (MAUERBERG-DE CASTRO, 2005)O tato, as cinestesias, a audição e o olfato se não forem estimuladosadequadamente, não atuarão naturalmente de maneira fidedigna na diminuição dadefasagem, na captação e elaboração dos estímulos ambientais.O quadro a seguir mostra algumas das características de atraso nas funçõesadaptativas experimentadas por pessoas com deficiência visual. É possível perceberuma predominância de atrasos em funções motoras levando em consideração aimportância da atividade física adaptada para que o indivíduo possa superar taiscondições (MENESCAL, 2001) DEFASAGENS DEFASAGENS DEFASAGENS PSICOMOTORAS COGNITIVAS SÓCIO-AFETIVAS - A limitação na - Autoconfiança - Imagem corporal capitação de - Esquema corporal estímulos, assim - Auto-estima - Esquema como a falta de cinestésico relação entre o objeto - Sentimento de - Equilíbrio dinâmico visualmente menos valia e estático percebido e a palavra - Postura e a falta de - Insegurança em - Mobilidade experiências relação às suas - Marcha praticas, podem possibilidades - Locomoção causar uma - Expressão corporal defasagem no nível - Apatia - Expressão facial cognitivo que tem -Coordenação como característica - Dependência motora(mais básica a dificuldade acentuada na na formação e - Medo de situações e coordenação utilização de ambientes
  15. 15. 14 grossa) conceitos.Ressalve- desconhecidos - Lateralidade se que a defasagem - Direcionalidade cognitiva é uma - Dificuldade de - Inibição voluntária situação conjuntural e estabelecimento de -Maneirismos não estrutural no relações básicas do peculiares desenvolvimento da seu “EU” com as - Resistência física pessoa cega. pessoas e com o -Dificuldade de ambiente relaxamento - Tônus muscular - Auto-iniciativa para - Maior espaço de ação motora tempo entre prontidão postural e - Ansiedade estado o movimento inerente -Flexibilidade articulatória (Lazer, atividades físicas e esportivas para portadores de deficiência; MENESCAL; 2001; Cap.4; p.140)A atividade física trabalhada de uma forma especifica levará o individuo cego oucom baixa visão a dotar-se de elementos psicomotores, afetivos, e cognitivos que olevem a perceber seu corpo, suas possibilidades de uma forma inovadora, como serinédito, aumentando suas possibilidades de experimentação ativa através de umprocesso gradual e progressivo, de ampliação de seu mundo particular e restritopela falta de informações (MENESCAL, 2001).2.2. ORIENTAÇÃO ESPACIAL E MOBILIDADE: CARACTERÍSTICAS NADEFICIÊNCIA VISUALA imagem do corpo, bem como sua relação com o meio ambiente, para a pessoacom deficiência visual é construída a partir das sensações táteis, olfativas eauditivas (DIEHL, 2008, p.68). A orientação e mobilidade no espaço têm a
  16. 16. 15característica de possibilitar as pessoas com deficiência visual a liberdade de semovimentar em espaços do seu convívio diário como, por exemplo, em sua casa, navizinhança, nos bairros ou em lugares mais distantes. Para isso é fundamental que odeficiente visual tenha habilidade pra se orientar, caracterizando assim um contextode desempenho. (KYRILLOS, 2005). Para se falar em orientação e mobilidade énecessário se ter uma idéia dos que essas palavras significam. A seguir umapanhado de alguns autores sobre essas definições: (SOUZA et al. 2005)De acordo com FELIPPE e FELIPPE (1997, p.13) entende-se por : Orientação espacial: Habilidade de individuo para perceber o ambiente que o cerca, estabelecendo as relações corporais e temporais com esse ambiente, através dos sentidos remanescentes. A orientação do deficiente visual é alcançada através da utilização da audição, aparelho vestibular, tato, consciência cinestésica, olfato e visão residual nos casos de pessoas com baixa visão. Mobilidade: “capacidade ou estado inato do individuo de se mover reagindo a estímulos internos ou externos, em equilíbrio estático ou dinâmico. A mobilidade do deficiente visual é alcançada através de um ensino-aprendizagem e de um método de treinamento que envolve a utilização de recursos mecânicos, ópticos, eletrônicos, animal (cão guia) em vivências contextualizadas, favorecendo o desenvolvimento das habilidades e capacidades perceptivo-motoras do indivíduo”.(SOUZA et. al, 2005)De acordo com DIEHL (2008, p.68): Orientação: é a utilização dos sentidos remanescentes para estabelecer a posição do próprio corpo e o relacionamento com todos os outros objetos significativos do ambiente.
  17. 17. 16 Mobilidade: é a resposta, através de movimentos, a estímulos de origem interna ou externa.Mauerberg-deCastro (2005) afirma que dois aspectos básicos da orientação podemser generalizados, sendo o primeiro referido às noções conceituais abstraídas darelação entre o ser e o ambiente podendo o individuo deficiente compreender o seuespaço geográfico e o segundo aspecto determina que a deficiência visual encerraas possibilidades de controle visual sobre o espaço durante ações vinculadas amobilidade impactando gravemente na navegação em ambientes complexos ou comrotas irregulares.Para trabalhar com os deficientes é indispensável que o professor ou instrutorconheça as técnicas de mobilidade para realizar seu trabalho com maiordesenvoltura e garantir a autonomia dos deficientes visuais. (DIEHL, 2008)2.3. TÉCNICAS DE ORIENTAÇÃO E MOBILIDADE: APLICAÇÕES PARAPESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUALMuito antes de existir as técnicas para orientação e mobilidade dos deficientesvisuais, a maioria deles se desenvolveu de formar independente obtendo sucessocomo empregos, relações sociais estáveis, atividades esportivas intensas e muitomais. (MOSQUERA, 2000)Mas essas técnicas desenvolvidas particularmente não proporcionam independênciae segurança suficiente, deixando-os mais vulneráveis a qualquer acidente, além dedemorarem mais tempo para percorrer um percurso relativamente fácil em relação aum percurso feito por um deficiente visual que utiliza essas técnicas. (MOSQUERA,2000)As técnicas de orientação e mobilidade mais utilizadas são cão-guia, guia humano ebengala, geralmente utilizada por pessoas cegas, mas também por pessoas com avisão bastante reduzida. (DIEHL, 2008)
  18. 18. 17  O cão-guia: o cão-guia surgiu no período neolítico,quando o homem já dominava o fogo .Nessa época o cego temia viver sozinho e então decidiu educar seu melhor amigo – o cão. Ele utilizava o topo de arvores para se proteger evidenciando que tem domínio do seu espaço e a sua mobilidade deixa de ser uma barreira. (MOSQUERA, 2000) O emprego do cão-guia só é praticado por cinco por cento dos cegos, pois o cão não orienta para um determinado destino, a pessoa deve saber para onde está indo e como chegar. Ele apenas indica o espaço que a pessoa cega pode se deslocar com segurança. (DIEHL, 2008)  Bengala: dentre os recursos utilizados pelos deficientes visuais para a locomoção, a bengala apresenta-se como um dos mais seguros.A bengala longa (ou bengala de Hoover – seu criador) ou a bengala articulada nãotem função ortopédica ou de sustentação, mas de proteção, orientação e detecçãodas informações ambientais captadas por sensações táteis e percebidas pelosreceptores localizados na mão do individuo cego, sendo enviadas ao seu cérebro.(HOFFMAN, 2003)O individuo cego devera ter uma bengala adequada a sua estatura, que deverá ter ocomprimento da altura do peito até o chão. A bengala proporciona ao cego caminharcom segurança e ter confiança em andar em lugares desconhecidos. (DIEHL, 2008)  Guia Humano ou Vidente: na técnica do guia vidente ou guia humano utiliza-se uma pessoa vidente para orientar o deficiente visual.De acordo com Hoffman (2003) essa técnica deve ser emprega quando a pessoadeficiente visual estiver impossibilitada de usar a bengala, estiver na fase inicial dastécnicas de O&M ou em situações em que somente o uso da bengala não érecomendado como, por exemplo, atravessar uma rua ou ir ao cinema.
  19. 19. 183. ATIVIDADE FÍSICA ADAPTADAA atividade física enfatiza o conhecimento e domínio corporal buscando através deatividades lúdicas e esportivas, servir como instrumento fundamental dodesenvolvimento geral, acrescentando a potencialidade de experimentação corporalde situações de aprendizagem e de aquisição de conceitos básicos. (SOUZA, 2007).A atividade física adaptada não foge dos padrões da atividade física para aspessoas ditas “normais”. Para os deficientes principalmente os deficientes visuais,que apresentam defasagens psicomotoras significativas, a atividade física torna-se oinstrumento mais importante para que haja um aumento nas capacidades dessesindivíduos, além de contribuir nas áreas motoras, sócio-afetivas e cognitivas.Duarte e Werner (1995) afirmam que na escola a atividade física adaptada é umaárea da educação física que tem como objetivo de estudo a motricidade humanapara as pessoas com necessidades especiais, utilizando metodologias de ensino deacordo com as características de cada pessoa com deficiência, levando emconsideração suas diferenças individuais. (SEABRA et al, 2004)A atividade física adaptada na escola não se diferencia da educação física em seusconteúdos levando-se em consideração as limitações físico-motoras, sensoriais ementais impostas pelas respectivas deficiências, utilizando-se de técnicas, métodose formas de organização e planejamento, buscando atender às necessidades doeducando. (FREITAS et al, 2004)É necessário observar as características de cada aluno para que se desenvolva umexcelente trabalho, não alimentando as diferenças, mas proporcionando a interaçãodesse aluno nas aulas, alem da aceitação dele com o grupo, desenvolvendo acompreensão e estimulando a inclusão.A educação física é uma área riquíssima em subsídios essenciais para um programade educação motora voltada às pessoas deficientes visuais. (SOUZA et. al. 2005)Ela contribui de uma forma significativa desenvolvendo a potencialidade dessealuno, levando-o a enriquecer seu conhecimento sobre seu próprio corpo.
  20. 20. 19De acordo com Menescal (2001) a estimulação essencial, a psicomotricidade, aeducação física e a orientação e mobilidade constituem a área da educaçãopsicomotora da pessoa com deficiência visual.Levando-o a estimular suas capacidades auditivas e táteis, gerando o conhecimentodo seu espaço, fazendo-o se tornar mais independente e seguro, construindo umaautonomia antes enfraquecida pela falta de vivências com um mundo em que serelaciona.A precaridade de estímulos auditivos e táteis inibirá o deficiente visual no sentido debuscar seu espaço. Quando esses estímulos são suficientes, seus movimentos setornam mais naturais e as suas condutas de base afloram no tempo certo(MOSQUERA, 2000).Em todos os tempos, mesmo nos dias de hoje, os cegos que não são orientadospara se deslocarem com mais independência e segurança e que devem tomar aspróprias decisões tornam-se vulneráveis a qualquer acidente, o que os obriga aestarem constantemente solicitando ajuda, além de demorarem mais tempo naexecução de percursos relativamente fáceis na sua execução (MOSQUERA, 2000).Esses argumentos explicam facilmente a importância de organizar algumasestratégias para melhorar seus deslocamentos bem como aumentar a segurançanos trajetos.A seguir alguns exercícios que podem facilitar a orientação espacial:Deslocamentos variados: à frente, para trás, para os lados, em círculo etc.Posicionar-se em frente a um objeto fixo e movimentar-se de acordo com asorientações do professor: 180 graus, 360 graus, ¼ de volta, meia volta etc.Encontrar objetos ou semelhantes no ambiente, sempre seguindo determinações depistas.Movimentar-se no ambiente, seguindo os pontos de referência, que serão sempre
  21. 21. 20fixos.Posicionar-se sobre uma caixa, depois ao lado, na frente e atrás, sempre seguindoa referencia.Caminhar em linha reta e, a cada dois passos, fazer giros de 360 graus e continuarandando.(Educação Física para deficientes visuais; MOSQUERA; 2001;cap. 4, p. 61)Devido o despreparo dos pais, pouca orientação dos profissionais, muitos mitostambém, o individuo cego acaba crescendo com uma marcha insegura, instável eimprodutiva. Alguns exercícios que de acordo com Mosquera (2000; p.50-52) podemmelhorar a mobilidade e a marcha das pessoas cegas são:  Deixar as palmas das mãos voltadas para baixo na frente dos quadris.O aluno deverá andar, levantando os joelhos até encostar-se às mãos. Estesmovimentos devem ser executados o mais naturalmente possível, apenas com umaelevação acentuada dos joelhos.  Agora o aluno deverá ser capaz de andar,levantando osjoelhos,alternadamente com braços.  O aluno deverá andar, elevando os joelhos e abduzindo os braços, commovimentos sincronizados.  Estabelece-se um comprimento da passada e colocam-se objetos nochão para que o aluno possa pisar exatamente onde foi preestabelecido. Com esteexercício daremos a dimensão da passada.  A corrida é um excelente exercício para melhorar a marcha, comotambém subir e descer escadas.  Saltos em distancia e em alturaPara que se obtenha sucesso nas aplicações das atividades é necessário que oprofessor tenha bastante criatividade estimulando a busca por alternativas para quese inicie o processo de desenvolvimento das habilidade motoras e sensoriais.Menescal (2001) afirma também que utilizando a atividade física adaptada comoconhecimento, controle e domínio do próprio corpo, ela contribuirá para:
  22. 22. 21  Diminuição da defasagem psicomotora geralmente apresentada;  Desenvolvimento da autoconfiança, da auto-estima, auto-iniciativa esentimento de mais valia;  Diminuição da ansiedade;  Elaboração de conceitos  Utilização plena de todo potencial sensorial;  Utilização do corpo e do movimento em descobertas, superandosituações-problemas;Segundo Souza (2007) a educação física para a pessoa com deficiência visual éuma ferramenta importante na interação social, no desenvolvimento das funçõescognitivas e, principalmente, das condições motoras podendo atingir os trêsdomínios, cognitivo, sócio-afetivo e psicomotor, melhorando a qualidade de vidadessas pessoas.
  23. 23. 224. METODOLOGIACom o intuito de conhecer as características das pessoas com deficiência visual emrelação às características gerais (demográficas) e o impacto da atividade físicaadaptada nos aspectos da orientação espacial, mobilidade e inclusão social depessoas com deficiência visual esta pesquisa utilizou-se, como instrumento paracoletas de dados da pesquisa exploratória e para os procedimentos técnicos foiutilizada a análise qualitativa dos dados coletados.Para analise dos dados coletados, será utilizada a abordagem qualitativa, osresultados são os que enfatizam o conhecimento da realidade. A tarefa doinvestigador neste contexto é estabelecer relações constantes entre determinadascondições e determinados eventos, observados e comparados .Segundo Gil (2002) a pesquisa exploratória tem como objetivo tornar o problemamais familiarizado, tornando-o mais explícito ou exposto a construção de hipóteses,ou seja, seu objetivo principal é o aprimoramento de idéias ou a descoberta deintuições.Para tanto, será feita a relação entre a pesquisa exploratória com a pesquisa decampo, com o objetivo de avaliar as características gerais (demográficas) e oimpacto da atividade física adaptada nos aspectos da orientação espacial,mobilidade e inclusão social de pessoas com deficiência visual.4.1 PARTICIPANTESParticiparam desta pesquisa 10 indivíduos com deficiência visual com idade entre 21e 54 anos, sendo cinco do sexo masculino e cinco do sexo feminino. Os indivíduosforam selecionados na Escola Nova Esperança em Alagoinhas, Bahia. A escolhados participantes não obedeceu a nenhum critério de seleção, sendo todos osdeficientes visuais da instituição convidados e inseridos no projeto. Esta instituiçãofoi escolhida por ser a única conhecida e especializada em trabalhar com a inclusãode pessoas com deficiências sensoriais (visual e auditiva).
  24. 24. 234.2. PROCEDIMENTOSComo procedimentos metodológicos da pesquisa foram utilizados o levantamentobibliográfico em livros e artigos referidos ao tema proposto e a entrevista quesegundo GIL (2002) de todas as técnicas de interrogação é a que apresenta maiorflexibilidade.Na primeira etapa foi feito o levantamento bibliográfico das características dosparticipantes da pesquisa, além dos aspectos de mobilidade e orientação espacial etambém foram coletadas informações sobre atividade física adaptada. Na segundafase da pesquisa foi elaborada uma entrevista aberta com seis perguntas com afinalidade de colher informações fidedignas ao tema estudado. Essesquestionamentos tiveram por finalidade levantar informações sobre a presença ounão de problemas de saúde, classificação e nível da deficiência, dificuldades delocomoção e a concepção dos indivíduos entrevistados em relação à inclusão sociale os preconceitos advindos da sociedade.A entrevista aberta foi escolhida como instrumento de coleta porque segundoLakatos e Marconi (1985) é um procedimento usado na investigação social paracoletar dados, ou ajudar no diagnóstico ou tentar solucionar problemas sociais.Acontece em um colóquio entre duas pessoas em que uma delas vai passarinformações para a outra.A entrevista aberta é o instrumento da análise da enunciação que se apóia nadinâmica da entrevista e nas figuras de retórica como a metáfora, o paradoxofacilitam a interpretação e a compreensão. A produção das palavras é espontânea,porém existe constrangimento devido a situação de se estar sendo entrevistado(PAULILO, 2007).
  25. 25. 245. RESULTADOS E DISCUSSÃOO objetivo do trabalho foi analisar as características gerais e o que a atividade físicapode proporcionar para a melhoria da mobilidade, da orientação espacial e inclusãosocial dos deficientes visuais. Segundo a pesquisa realizada os deficientes visuaisafirmaram não ter dificuldades em relação ao deslocamento e orientação espacial,mas afirmaram serem excluídos socialmente.5.1 CARACTERÍSTICAS GERAIS DA AMOSTRA PESQUISADAOs dados demográficos e da condição de deficiência visual são apresentados natabela 1.Tabela 1: Características dos participantes do estudo Participantes Idade Sexo Condição Nível Tempo na (código) (anos) da condição deficiência de deficiência (anos) GS 54 M AD CT 46 BL 25 F AD CT 10 US 22 F C BV 22 VF 47 M AD CT 22 NM 20 F C BV 20 DS 21 M C CT 21 MD 29 M AD CT 8 JF Negou-se a M AD CT Mais de 10 informar anos ES 28 F AD BV 6
  26. 26. 25 GF 32 F C CT 32 Legenda: M: masculino / F: feminino - AD: adquirida / C: congênita CT: cego total / BV: baixa visãoDe acordo com os dados coletados a maioria dos participantes tem idade entre vintee trinta anos, com exceção de dois participantes, um com quarenta e sete anos e ooutro com cinqüenta e quatro anos. A maioria dos entrevistados adquiriu adeficiência no período entre oito a trinta e dois anos, sendo que cinco destesapresenta cegueira total e apenas um tem baixa visão. Em relação aos quenasceram com a deficiência (cegueira congênita), dois apresentam cegueira total edois, baixa visão.Pode-se observar com o quadro que a maioria dos participantes possui cegueiratotal adquirida.5.2. CARACTERÍSTICAS DE ORIENTAÇÃO, MOBILIDADE E ASPECTOS DAINCLUSÃO SOCIAL EM PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUALDe acordo com aspectos de mobilidade e orientação do deficiente visual e a inclusãosocial seguem as falas dos entrevistados onde estes relataram sobre suashabilidade de mobilidade e orientação seguido de suas opiniões em relação ainclusão social. 1. Locomove-se de maneira independente?  GS: “Sim”.  BL: “Sim”.  US: “Só durante o dia, de noite eu não enxergo direito.”  VF: “Sim.”  NM: “Sim.”  DS: “Sim.”
  27. 27. 26  MD: “ Só acompanhado e usando a bengala.”  JF: “Sim.”  ES: “Sim”.  GF: “ Em lugares desconhecidos não.”A maioria afirma que não possui dificuldades para sair de casa, ir para escolasozinhos, só para viagens é necessário um acompanhante. 2. Quais as principais dificuldades para se locomover no dia-dia?  GS: “Nenhuma.”  BL: “Nenhuma, só no início, na fase de adaptação.”  US: “Nenhuma, só a noite que não enxergo aí tenho que sair comalguém.”  VF: “Nenhuma.”  NM: “Nenhuma dificuldade.”  DS: “Nenhuma, só a falta de informação.”  MD: “Com degraus e orelhão.”  JF: “Atravessar a rua em alguns lugares e também em lugares quenunca fui.”  ES: “Pegar ônibus.”  GF: “À noite pegar a claridade dos carros me incomoda.”Nesse caso a maioria afirma que não tem dificuldades na orientação espacial emobilidade percebe-se através das respostas que as dificuldade são particulares enão gerais. 3. Usa transporte para se deslocar?Qual?quais as deficiências nesse transporte para atender as necessidades da pessoa cega?  GS: “Sim. A gente se adaptar é bem mais fácil do que eles seadaptarem a nós. A única dificuldade é saber o destino do ônibus.”
  28. 28. 27  BL: “Sim. Encontro dificuldade em informar os bairros que estãopassando.”  US: “Sim. Eu encontro dificuldade em ler o letreiro do ônibus porque ásvezes ele passa rápido aí não da pra ler.”  VF: “Sim. Eu não encontro dificuldade em pegar ônibus não, só oshorários dos ônibus que andam atrasados.”  NM: “Sim. Eu encontro dificuldade em saber pra onde vai o ônibus , obairro.”  DS: “Sim. Eu encontro dificuldade pra saber o lugar que o ônibus vai.”  MD: “Sim. Eu encontro dificuldade em saber pra que bairro o ônibusvai.”  JF: “Sim. Deixa a desejar. Chegamos no ponto o motorista não querresponder, o ônibus está sujo,cheio de sacolas,também não cedem os lugares pragente sentar.  ES: “Sim. O tratamento não é bom,ignoram o deficiente no ponto,dentro do ônibus também,não dão informação.”  GF: “Sim. Um pouco porque tem que perguntar pra onde o ônibus vai.”Em relação aos aspectos de orientação espacial, através das respostas dosentrevistados, nota-se que os mesmos encontram dificuldades de localizaçãoquando estão utilizando transporte público devido a falta de informação.Em relação a mobilidade, a maioria não encontra dificuldades em locomover-sesozinhos, afirmam que só para viagens ou lugares desconhecidos precisam estaracompanhados. 4. Como se sente em relação à inclusão da pessoa cega na sociedade?Quais são os seus maiores desafios e dificuldades?  GS: “Deve melhorar muito, na verdade não existe. O governo federaldeveria tomar algumas posições. A sociedade é bastante preconceituosa, discriminao cego e não oferece oportunidades de emprego e com isso acaba não dando
  29. 29. 28condições pra mostrarem suas capacidades. Já passei por varias situações e vi quenão muda e não vai mudar.”  BL: “É uma fachada. Se a pessoa for esperta e desenvolvida ela não seenrola. Tem que ser ativo.”  US: “Sinto discriminação principalmente dentro da escola,pois osprofessores não dão atenção por causa da minha deficiência, vê que não toenxergando direito e escrevo errado,essas coisas.”  VF: “Somos mal visto. O povo não acostuma, coloca apelidos, e nãonos ajuda.”  NM: “Sinto discriminação principalmente na área de trabalho, praarranjar emprego é difícil.”  DS: “Em alguns lugares existe aceitação, mas ainda deixa a desejar,existe muito preconceito e discriminação, as pessoas não querem ajudar e issodificulta ir em alguns lugares.”  MD: “Sinto discriminação, indiferença das pessoas.”  JF: “Inclusão não existe.”  ES: “Claro que tem preconceito, para o surdo não que tem emprego,mas pra quem é cego tem preconceito, não arranja emprego.  GF: “O problema é só estudar, que não tem material apropriado.”No aspecto de inclusão social a maioria afirma que se sente excluída e discriminadadevido a falta de oportunidades que enfrentam de emprego, e também dos direitosde cidadania.Para se fazer um trabalho que possa melhorar os aspectos de orientação emobilidade desses indivíduos seria necessário que o professor de educação físicautilizasse exercícios que representem a realidade de alguns percursos fazendo-osvivenciar experiências inusitadas, com a sua devida proteção estimulando-os abuscar novas alternativas, a pensarmos próprios erros e a refazer algunsmovimentos. (MOSQUERA, 2000)
  30. 30. 29Atividades que desenvolvam aptidões voltadas à saúde, como força, flexibilidade,agilidade, resistência muscular localizada e resistência cardiorrespiratória para queeles tenham uma vida mais saudável. (DIEHL, 2008)Segundo GIL (2000, p.11): A independência alcançada graças um bom programa de atividades da vida diária vai muito mais alem das necessidades pessoais básicas [...]. Significa desenvolvimento da autoconfiança, e valorização das próprias capacidades, aquisição de naturalidade, eficiência e desenvoltura no universo social e uma atitude que favorece a conscientização da sociedade em relação às potencialidades do portador de deficiência.Segundo BUENO (1996) incluir significa: “abranger; compreender; envolver; implicar;somar”. De posse dessas afirmações pode-se dizer que incluir o deficiente nasociedade significa envolve-lo juntamente com as pessoas ditas “normais” fazendo-oparticipante dos direitos de cidadania e dando-lhes as mesmas oportunidades queos outros indivíduos tem.Nessa perspectiva, é possível entender o que o GS diz em relação á inclusão social: [...] na verdade não existe [...] a sociedade é bastante preconceituosa, discrimina o cego e não oferece oportunidades de emprego e com isso acaba não dando condições para mostrarem suas capacidades. (idem, p. 24 )De acordo com as informações obtidas conclui-se que em relação ao espaçodemográfico utilizado pelos deficientes visuais há um despreparo para atender asnecessidades dessas pessoas que acaba acarretando em uma exclusão social quede acordo com DUPAS (1999) se define como uma incapacidade de satisfazer asnecessidades básicas dificultando o acesso real aos bens e serviços mínimosadequados a uma sobrevivência digna.
  31. 31. 306. CONSIDERAÇÕES FINAISO presente trabalho buscou analisar as características das pessoas com deficiênciavisual em seus diversos aspectos tanto de mobilidade e orientação como também osaspectos sociais relacionados a inclusão desses indivíduos levando o leitor à umareflexão sobre o sistema que tem regido as leis e em conjunto fazendo um paralelode como profissionais da área de educação física podem contribuir para garantiruma maior mobilidade e inserir na sociedade um individuo que possui umadeficiência. Ainda, contribuir para que a pessoa com deficiência se torne cada vezmais autônoma, capaz de realizar suas funções na sociedade com independência.A metodologia utilizada permitiu um novo olhar sobre os aspectos sociais e de comopequenas ações do cotidiano, como pegar um transporte publico, devido adeficiência, torna-se para o individuo cego um transtorno em conseqüência da faltade informação. As técnicas de mobilidade são de grande importância para garantirmaior confiança e desempenho na função de locomoção e na independência nasatividades da vida diária.O professor de educação física de posse das técnicas de mobilidade e utilizandoexercícios que envolvam o desenvolvimento da consciência corporal, direcionalespacial, temporal e imagem corporal, pode melhorar a percepção, coordenação eafetividade, desenvolver conceitos, levando o indivíduo a conhecer seu corpo noespaço, diminuindo dessa forma, as defasagens nas áreas sócio-afetivas, cognitivase principalmente psicomotoras onde se encontram em maior índice.Constatamos através da coleta de dados que a maioria dos indivíduos entrevistadosnão apresenta dificuldades de locomoção no espaço geográfico o que chamou umpouco a atenção por encontrar em quase todas as literaturas ênfase sobre amobilidade dos cegos sendo que estes devem ser estimulados desde cedo para quesejam mais autônomos e possam se locomover com mais facilidade. Importantedizer que para a maioria sair para lugares distantes exige um acompanhante.Em relação à inclusão social desses indivíduos é necessário repensar os conceitosde sociedade e cidadania, buscar conhecer um pouco mais a realidade de pessoas
  32. 32. 31com deficiência, suas necessidades e potencialidades para contribuir no processode inclusão sócio-educacional de maneira consciente e, sobretudo, garantir osdireitos já conquistados por pessoas com deficiência ao longo dos últimos ano.Ressalta-se que esta investigação nos desperta para a necessidade de dosprofissionais da área assumir ainda mais suas responsabilidades com a educaçãode todos, através de estratégias que permitam a inclusão de pessoas comnecessidades educativas especiais. É preciso ainda, derrubar as barreiras daignorância e preconceito que permeiam essas relações, para que se possa pensarem um cenário onde o respeito e a diversidade humana estejam no centro dasdiscussões.
  33. 33. 327. REFERÊNCIASADAMS, R.C; DANIEL, N.A; MCCUBIN, A.J; RULLMAN,L.Jogos, Esportes eExercícios para o deficiente físico.Barueri, SP; MANOLE, 1985.BARROS, Talma Bastos de. Conceitos em pesquisa cientifica. Em revista digitalhttp//WWW.webartigos.com;Outubro;2008.CAIADO, Kátia Regina Moreno. Aluno Deficiente Visual na Escola: Lembranças eDepoimentos. Campinas, SP; AUTORES ASSOCIADOS: PUC, 2006.DIEHL, Rosilene Moraes. Jogando com as diferenças: jogos para crianças ejovens com deficiência: em situação de inclusão e em grupos específicos; SãoPaulo, PHORTE, 2008.FREITAS, R.F.S.; ARAUJO, P.F.A.; ALMEIDA, J.J.G.; O fazer do professor deEducação Física no ensino regular e a inclusão; En Revista Digital.http://www.efdeportes.com. Buenos Aires, maio 2004.GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo; ATLAS,2002.GIL, Marta. Deficiência Visual (Cadernos da TV Escola);Brasília; MEC:SECRETARIA DE EDUCAÇÂO À DISTANCIA, 2000.HOFFMAN, Sônia B; SEEWALD, Ricardo.Caminhar sem medo e sem mito:Orientação e Mobilidade. En revista digitalhttp//WWW.bengalalegal.com/orienta.php. 2003.JUNIOR,W.R. & SANTOS, L.J.M. O judô como atividade pedagógica desportivacomplementar, em um processo de orientação e mobilidade para portadoresde deficiência visual. En Revista Digital. http//www.efdeportes.com.BuenosAires;Abril,2001.
  34. 34. 33KYRILLOS, Michel Habib Monteiro.O deficiente visual: considerações acerca daprática da Educação Física Escolar na educação inclusiva.Rio deJaneiro;2009.LAKATOS,E.M; MARCONI, M.A.: Fundamentos de Metodologia Científica . SãoPaulo.Ed. Atlas, 1985.LUBISCO,N.M.L; VIEIRA, S.C; SANTANA, I.V. Manual de estilo acadêmico:monografias, dissertações e teses. Salvador; EDUFBA, 2008.MAUERBERG-DECASTRO, Eliane. Atividade Física: Adaptada. Ribeirão Preto,SP; TECMEDD, 2005.MENESCAL, Antônio. A criança portadora de deficiência visual usando o seucorpo e descobrindo o mundo: atividades físicas e esportivas, apud in: LAZER,atividades físicas e esportivas para portadores de deficiência. Brasília; SESI-DN;MINISTÉRIO DO ESPORTE E TURISMO, 2001, cap.4, p.135-176.MOSQUERA, Carlos. Educação física para deficientes visuais. Rio de janeiro;SPRINT, 2000.PAULILO, M.A.S: A pesquisa qualitativa e a história da vida; Serviço Social pelaPUC-SP.2007. Disponível m http://www.ssrevista.uel.br/c_v2n1_pesquiza.htm.PITANGA, Francisco José Godim. Epidemiologia da atividade física, exercíciofísico e saúde. São Paulo; PHORTE, 2004.SEABRA, L.Junior; SILVA, R.F.; ARAUJO, P.F.; ALMEIDA, J.J.G; Educação FísicaEscolar e Inclusão: De que estamos falando? En Revista Digital.http//www.efdeportes.com. Buenos Aires; junho,2004.
  35. 35. 34SEABRA, M.O Junior; MANZINI, José Eduardo. Recursos e Estratégias para oEnsino do Aluno com Deficiência Visual na Atividade Física Adaptada. SãoPaulo; MARILIA, 2008.SOUZA,Michele Pereira de. Educação Física adaptada para pessoas portadoresde necessidades visuais especiais. En Revista Digital. http://www.efdeportes.com.Buenos Aires, agosto 2007.SOUZA, C.M; FILHO, C.W.O; FERREIRA, A.C.G.O; ALMEIDA, J.J.G. A EducaçãoFísica e suas contribuições em um programa de orientação e mobilidade paracrianças deficientes visuais. En Revista Digital. http//www.efdeportes.com. BuenosAires; Dezembro,2005.VARONOS, Cybelle. Principais benefícios da atividade física na saúde dapessoa com deficiência ou mobilidade reduzida. En revista digital.http//.deficientealerta.blogspot.com;Março,2009.
  36. 36. 35 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA – UNEB DEPARTAMENTO II – CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE ALAGOINHASTeste 1: Avaliação do perfil, desafios e necessidades da pessoa com deficiênciavisualNome:______________________________________código__________________________Data de nascimento:________________ Sexo: Feminino ( ) Masculino ( )Endereço:_________________________________________________________________________________________________________Cidade:__________________________________Telefone(fixo)________________________Telefone (cel):____________________________Classificação da deficiência visual: ( ) congênita ( ) adquiridaNível: ( ) cegueira total (utiliza o Braille) ( ) cegueira parcial (sub-normal) (aprendizado a tinta) 1) Quando adquiriu a cegueira/deficiência visual? 2) Apresenta algum problema de saúde? Qual(is)? 3) Você se locomove (anda no seu dia-a-dia) de maneira independente (sem auxílio de outra pessoa)?
  37. 37. 364) Quais as principais dificuldades para se locomover (andar no dia-a-dia)?]5) Usa transporte público para se deslocar? Qual? Quais as deficiências neste transporte para atender as necessidades da pessoa cega?6) Como se sente em relação à inclusão da pessoa cega na sociedade? Quais são seus maiores desafios e dificuldades?

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