101.    INTRODUÇÃO      A dança afro chegou ao Brasil no período Colonial, trazida pelos africanosque retirados a força do...
11histórico-cultural da dança afro existente nos quilombos Catuzinho e Buri na cidadede Alagoinhas?      Diante dos fatos ...
12      No terceiro capítulo faz-se uma trajetória histórica da dança, iniciando dosprimórdios até os dias atuais e perpas...
132.    QUILOMBOS: ASPECTOS CONCEITUAIS      O que vem a ser um Quilombo? Essa é a pergunta que várias pessoas fazemainda ...
14literários nessa área é importante que sejam feitos mais estudos nesse âmbito, a fimde evidenciar essa cultura por vezes...
15em seus costumes e seu território. Os locais que hoje se intitulam remanescentes dequilombos, estabeleceram a sua perman...
16Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), da Presidência da República,assessorada pelo MDA e o INCRA que age n...
173.    A DANÇA E SUA HERANÇA CULTURAL      Através     do movimento corpóreo realizamos        vários   atos,   possuímos...
18       Segundo a autora o homem paleolítico, desenhava acreditando que aquelapintura podia se profetizar, que aquela rea...
19      De acorde com Silva (2005) as danças acabaram chegando aos castelosfeudais na França e na Itália, em meados do séc...
20com os pés diretamente ao chão, sem sapatos, o povo africano acreditava que aisenção desse contato bloqueava a energia v...
21pensar que existe uma técnica para sua realização, em alguns lugares existem atémódulos para esses cursos. Antes disto, ...
22   3.1     A Cultura Corporal da Dança no Âmbito da Educação Física         Antigamente dançava-se por vários motivos, d...
23mais descontraída e inovadora, estimulando assim o desenvolvimento e aparticipação dos alunos nas atividades.           ...
244     CULTURA: O TRADICIONAL E O CONTEMPORÂNEO      Recentemente, tem sido amplo o debate sobre o tema cultura, na busca...
25essa cultura esse legado é de suma importância para as gerações futuras, para quetenham oportunidade de conhecer o que f...
26momentos, ao questionar a cultura contemporânea ele se remete aos meios decomunicação de massa. Isso quando não está lig...
27      Essas culturas são incomuns as da maioria levando em consideração queessa multiplicidade cultural fez-nos o que so...
28no ano. Esse fato denota o preconceito com que essa cultua é tratada, pois nas suaspalavras essa é a “herança de uma rac...
295 METODOLOGIA      O presente trabalho tem como objeto a análise da dança afro nos quilombosde Alagoinhas, trata-se de u...
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366     O QUE FOI VISTO NO CAMPO      Neste capítulo será disposta a relação dos elementos presentes no campo depesquisa a...
37      O segundo acompanhamento ao grupo foi feito no dia 25.05.2010, Durante oevento Africae, que foi preparado a fim de...
38       O terceiro acompanhamento ao grupo de samba de roda do buri aconteceuno dia 29 de agosto de 2011, Alagoinhas part...
39             Figura 7 - Crianças na Roda de Samba da Comunidade Catuzinho.      O segundo encontro foi no dia 23.10.10, ...
40                     Figura 9 - Altar dos Santos no Terreiro de Candomblé      O terceiro acompanhamento ao Grupo de Sam...
41              Figura 11 - Reunião do Grupo na Comunidade do Catuzinho.                   Figura 12 - Grupo do Catuzinho ...
42do samba e tocam a qualquer momento os vários ritmos existentes, as pessoas quegeralmente iam observar as apresentações ...
43                    pode acontecer ou não a depender do ânimo das pessoas (LIMA e                    outros, 2004, p.19)...
44                    Não se pode dizer que a cultura seja algo independente da vida                    social, algo que n...
457     CONSIDERAÇÕES FINAIS      A trajetória histórica da dança é repleta de sentidos e significados dentro dascivilizaç...
46trabalharem essa possibilidade em nossos conteúdos, já que é uma praticaagradável e satisfatória em seus resultados, poi...
47REFERÊNCIASABIB, Pedro Rodolpho Jungers. Cultura Popular, Educação e Lazer. Texto, 2004.Disponível em:http://www.grupome...
48MOURA, Clóvis. Os quilombos e a rebelião negra. 3ª ed., São Paulo, editoraBrasillense, 1987. (Coleção tudo é história)OL...
49APÊNDICE A
50                         UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA                     DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO - CAMPUS II       ...
51APÊNDICE B
52                  UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA                DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO- CAMPUS II              CURSO ...
53APÊNDICE C
54                                TABELA DE CATEGORIAS    CATEGORIA                     NÚCLEO DE SENTIDOS                ...
55ANEXOS
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DANÇA AFRO NOS QUILOMBOS DE ALAGOINHAS: IDENTIFICAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE UMA HERANÇA CULTURAL

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SILVANA MARIA DE SOUZA

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DANÇA AFRO NOS QUILOMBOS DE ALAGOINHAS: IDENTIFICAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE UMA HERANÇA CULTURAL

  1. 1. 101. INTRODUÇÃO A dança afro chegou ao Brasil no período Colonial, trazida pelos africanosque retirados a força do seu país, adentraram aqui trazendo só o que podiamcarregar, sua forma de viver e sua cultura. Esse estilo de dança foi primeiramenteregistrado, nas manifestações religiosas africanas, ao se instalar aqui essa culturanão ficou imóvel, o que é normal, sofreu várias mutações até se tornar esse mistocontemporâneo. Revoltados pela forma como foram arrancados de seu país de origem e como descaso que eram tratados pelos senhores de engenho no Brasil, os negros nuncaaceitaram passivamente a escravidão, se rebelavam como podiam, planejavamestratégias de fuga, a desobediência programada, a sabotagem na plantação, ademora no cumprimento dos afazeres. A capoeira, por exemplo, muitas vezes ficouescondida, por iniciar como uma luta disfarçada em dança, ela se camuflouinicialmente através da cultura, como naquela época ninguém tinha interesse sobrea cultura negra, a não ser o próprio negro ninguém notava que aquela simplesdança, brincadeira e ritual era na verdade a luta marcial dos escravos, que seocultava para poder permanecer ativa, esta também era uma aspecto dainsubordinação. Foi no ímpeto das revoltas e das fugas que surgiram os quilombos, locais quese organizavam e viviam os negros fugidos. Sozinhos ou em grupos, sempre haviamtentativas de fugas dos negros, que ao escapar procuravam um lugar escondido,onde pudessem viver em liberdade e praticar livremente a sua cultura. A cultura sesobressaia fortemente nas tribos quilombolas, já que não existiam senhores deescravo para proibir seus feitos, eles se expressavam livremente com danças, rituaisreligiosos, com a capoeira, cantos e oferendas. Esclarecidos os conceitos de dança, cultura e quilombo e fazendo a junçãodas três vertentes para chegar a um denominador comum. O trabalho intituladoDança Afro nos Quilombos de Alagoinhas: identificação da existência de umaherança cultural objetiva verificar a existência da cultura e da dança afro nosquilombos do Catuzinho e Buri na cidade de Alagoinhas e quais os vestígios daherança deixada pelos quilombolas. Indaga o seguinte problema: Qual a herança
  2. 2. 11histórico-cultural da dança afro existente nos quilombos Catuzinho e Buri na cidadede Alagoinhas? Diante dos fatos a pesquisa deseja averiguar a permanência e odesenvolvimento desta cultura nos quilombos do Catuzinho e Buri na cidade deAlagoinhas. O universo escolhido para a realização da pesquisa, como já falado,foram os remanescentes de quilombos Catuzinho e Buri, que ficam localizados nazona rural do município de Alagoinhas. O interesse pelo objeto de estudo surgiu a partir de uma conversação namesa redonda realizada na disciplina de Corpo e Cultura, disciplina do componentecurricular do curso de Licenciatura em Educação Física, através dessa atividadeampliou-se o conhecimento sobre a cultura e por estar trabalhando com o conteúdodança no momento, resolvi fazer a junção das duas vertentes, chegando assim aomeu tema. A pesquisa contribui veemente para a desmistificação dos modelos e padrõesvinculados ao fenômeno dança. Através disso, expõe um maior conhecimento sobreas possibilidades do dançar, aguçando a vontade de todos que queiram usufruirdessa cultura corporal. Esse tema promove a sociabilidade e a transformação dosconceitos tradicionais contidos na dança afro, oportunizando todos a conhecer maissobre a cultura, os costumes e as praticas corporais e populares da região. O Estudo acompanhou os grupos de dança do Catuzinho e Buri, em suasatividades corriqueiras, apresentações, ensaios, criando assim um vínculo com oambiente estudado, o que possibilitou a observação não-participante. Na suaformação o trabalho teve caráter qualitativo. Como complemento na coleta de dadosutilizou a entrevista semi-estruturada que foi realizada somente com oscoordenadores dos grupos de dança. Ao fim do processo de observação foi feita aanálise de conteúdo onde os dados foram interpretados, juntamente com osrecursos bibliográficos. Após a introdução no capítulo seguinte foi feita uma explanação referente aosQuilombos, iniciamos falando do que seria o quilombo na visão do negro e na dossenhores, depois foi feita uma síntese desses conceitos, relatando assim a visão donegro que vivenciou aquela realidade, e a dos Senhores que impôs a sua autoridadenaquele ambiente. Ao final o capítulo encerra com o decreto responsável pelaregulamentação legal dos remanescentes de quilombos e as suas cláusulas.
  3. 3. 12 No terceiro capítulo faz-se uma trajetória histórica da dança, iniciando dosprimórdios até os dias atuais e perpassando por várias civilizações. Falando da suarelevância e seu sentido em cada ambiente e época. Ao final do capítulo se faz umbreve apanhado da importância da dança como componente da Cultura Corporal naEducação Física. O quarto capítulo aborda a relação do tradicional e o contemporâneo nacultura. Fala referente a sobreposições das culturas, das culturas de minoria e as demaioria. Das representações culturais na atualidade. E no encerramento do capítulodiscorre sobre a “folclorização” da dança e cultura popular, enfatizando a priorizaçãoda mesma no ambiente escolar. Dando continuidade ao trabalho, os capítulos conseqüentes descrevem osprocedimentos metodológicos, relatam as observações feitas em campo e sinalizamas considerações finais.
  4. 4. 132. QUILOMBOS: ASPECTOS CONCEITUAIS O que vem a ser um Quilombo? Essa é a pergunta que várias pessoas fazemainda nos dias atuais, e a reposta desencadeia vários conceitos. Por não existir umúnico ponto de vista, em geral, tentamos nesse estudo distinguir o que seria oquilombo para o negro que viveu naquele ambiente e para o “Senhor” que oobservou pela sua visão e seus interesses. Em seguida, discorreremos sobre o quese intitula quilombo e como se dá seu reconhecimento nos dias atuais.A resposta dada abaixo retrata como eram vistos os quilombos naquela época: Quilombo era "toda habitação de negros fugidos que passem de cinco, em parte despovoada, ainda que não tenham ranchos levantados nem se achem pilões neles", segundo resposta do Rei de Portugal a consulta do Conselho Ultramarino datada de dois de dezembro de 1740 (MOURA 1987, p.16). A afirmação acima mostra que para os reis e senhores esses núcleos eramajuntamentos em sua maioria de negros fugidos, que escapavam dos cativeiros. Navisão dos mesmos, os negros tinham que os servir e por obrigação trabalhar paragarantir o que comer. Eles achavam que isso era o suficiente para sua sobrevivênciae quando acontecia o caso de um dos negros fugir, eram encarados como ingratos. Para o negro a visão de um Quilombo era diferente, eles que conheciam asprivações, o sofrimento e as punições que recebiam, algumas vezes somente pelofato de vivenciar sua cultura através da dança, dos cantos, ou da capoeira. Viamaquele lugar como um paraíso, onde tinham o direito de exercer sua liberdade empaz, um lugar onde poderiam trabalhar para si mesmo e viver do seu sustendo. Já que os brancos definiam o Quilombo como esconderijo dos escravos queconseguiam fugir dos Senhores. Para os negros era um local de difícil acesso, ondepoderiam se beneficiar da mata para viver, da terra para plantar e colher. E ondepodiam regressar a seus costumes e origens africanas: dançar, cantar, cultuarreligião, orixás, sem serem perseguidos. Hoje podemos dizer que a cultura dos negros é um dos nossos maioreslegados, muito do que carregamos não só na herança genética, mas generalizandonos costumes, crenças e culinária, herdamos dessa cultura, sabendo daabrangência da história e do legado negro e tendo em vista a carência de registros
  5. 5. 14literários nessa área é importante que sejam feitos mais estudos nesse âmbito, a fimde evidenciar essa cultura por vezes escondida. Não temos noção, na grandemaioria dos casos, da importância do reconhecimento dessa cultura paradistinguirmos melhor nossas origens. “O quilombo é uma constante histórica e a suaimportância social é muito maior do que já foi computada pelos nossos historiadorese sociólogos” (MOURA apud MENDONÇA, 1987 p.17). Pode-se dizer que o quilombo tinha existência provisória, pois se descobertos,os quilombolas tinham que fugir para outro esconderijo, sem deixar vestígios, seeram pegos sofriam fortes torturas, com chibatadas, mutilação de membros oupodiam pagar até com a própria vida, tendo por muitas vezes seus corpos expostosem praça pública para intimidar os que desejavam vivenciar o sonho de umacomunidade quilombola. Se o quilombo ainda permitia alguma convivência, embora incômoda e perigosa com o sistema, as revoltas significavam ruptura absoluta e quase sempre trágica para os escravos nelas envolvidos (REIS e SILVA, 1989, p.9). A cultura é algo tão forte que mesmo sem querer ou sem sentir, ela estáinerente ao ser humano, sendo carregada no seu íntimo para onde quer que vá,mesmo que ao longo dos tempos os costumes não permaneçam imunes asmudanças. Mesmos distantes da terra de origem, os negros carregavam consigo astradições e costumes. Pois sempre existe, uma cultura que persistir e prevalecerdentro de nós. O trecho abaixo explica um pouco da interação do ser humano comcultura: Mais tarde, nas Américas, demonstrou-se até que ponto estas concepções estavam bem enraizadas no pensamento africano. Aí, sempre que algum grande grupo de africano conseguia escapar à escravatura e reconstruir a sua vida em liberdade, procurava imediatamente orientação na sua própria cultura. No Brasil, os antigos escravos quilombos, e ainda mais as famosas república de Palmarés do século dezassete, apoiavam-se em leis e costumes retirados principalmente dos povos bantos do Oeste. As associações candomble de certas cidades brasileiras eram, e até certo ponto ainda são profundamente africanas no conteúdo embora exóticas na forma (DAVIDSON, 1969, p.55). Mesmo com todas as perseguições e humilhações sofridas pelos escravos,algumas comunidades remanescentes de quilombos conseguiram manter-se viva
  6. 6. 15em seus costumes e seu território. Os locais que hoje se intitulam remanescentes dequilombos, estabeleceram a sua permanência de várias formas, através deheranças, doações, ocupações de territórios despovoados, inclusive compra. Hojeesses ambientes perduram com uma ambigüidade de sentidos, o de garantir suasobrevivência, e o de fortalecer e preservar a sua cultura, o que não é simples. Nosdias atuais os quilombos querem ser respeitados e reconhecidos socialmente, nãocomo uma comunidade afastada e remota, e sim como parte constituinte dasociedade que estão inseridos. Para se definir uma comunidade como Quilombola é necessário uma certidãode auto-reconhecimento, que é possível conseguir com o cumprimento dascláusulas do decreto 4.887/03, que trata de regulamentar e reconhecer terrasremanescentes de quilombos através de alguns critérios pré-estabelecidos. Veremoso seu desenvolvimento abaixo. O decreto 4.887/03 regulamenta titulação de terras quilombolas, publicaçãono Diário Oficial nº 227, de 21/11/2003. O Presidente da República decreta, em uso de suas atribuições, contidas noart. 84 da Constituição e em ação conjunta com o presente no art. 68 do Ato dasDisposições Constitucionais Transitórias, que: A partir do decreto 68, disposto acima, serão ditados os procedimentos paraa titulação dos ambientes povoados pelos remanescentes das comunidades dosquilombos, que se encarregarão de definir, reconhecer e demarcar esses territórios,devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos. Para os descendentes dos quilombolas serem reconhecidos legalmente énecessário considerar as clausulas do decreto que alegam: os grupos étnico-raciaisdevem se auto-atribuir um passado histórico, cobertos de relações territoriaiscaracterísticas, com certeza de ter uma herança negra enraizada em um histórico desofrimento e exploração. Os órgãos responsáveis por encontrar, reconhecer, demarcar e titular terraspovoadas por descendentes de quilombos são, o Ministério do DesenvolvimentoAgrário (MDA), com o auxilio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária(INCRA). A garantia dos direitos territoriais e a regularização de posse das terras dosremanescentes dos quilombos são reconhecidas pela Secretária Especial de
  7. 7. 16Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), da Presidência da República,assessorada pelo MDA e o INCRA que age nos limites de sua autoridade legal. Para certificar os direitos de regularização territoriais é necessário ainda queseja assegurada a preservação da herança cultural encontrada nas comunidadesquilombolas, cabe ao Ministério da Cultura mediante a Fundação Cultural dosPalmares atuar em parceria e auxiliando o MDA e o INCRA, assim como paraauxiliar as tarefas processuais, caso haja contestação ao método de assimilação ereconhecimento contidos no decreto. O decreto assegura também, que durante todo o processo dereconhecimento, pode e deve ter um representante dos remanescentes dacomunidade quilombola, para participar de todas etapas juntamente com a gestãoadministrativa. Sem definição preestabelecida de acordo com a cultura popular dosQuilombos um ambiente repleto de manifestações culturais e sociais refletidas nainfluência africana. Partindo para a vertente da cultura corporal os costumes e agarra do povo africano, se habituavam a comemorar todos seus acontecimentoscom a dança em plena diversidade de ritmos, sons e movimentos, a transmissão dacultura é passada para os dias atuais e a dança como forma de expressão é trazidanessa cultura de modo predominante, se destacando em rituais de todos os tipos.Sendo assim, no próximo capítulo discutiremos a trajetória histórica e cultural dadança até os dias atuais.
  8. 8. 173. A DANÇA E SUA HERANÇA CULTURAL Através do movimento corpóreo realizamos vários atos, possuímoshabilidades corporais que podem passar despercebidas, pelo fato de nãoexplorarmos mais os fenômenos motores. Dentre as diversas culturas corporais estáà dança, que por ser uma manifestação instintiva do ser humano, não se sabe aocerto qual a sua origem. Porém, expressamo-nos corporalmente desde onascimento, daí a associar a expressão corpórea com os sinais sonoros leva poucotempo, na verdade cada indivíduo executa isso ao seu tempo, mas ainda nainfância. Ao fazer essa associação o individuo passa a conhecer a dança. Há relatosque nos primórdios as pessoas dançavam para se aquecer, outros dizem quedançavam para conquistar o sexo oposto, diz-se também sobre a dança em rituais,para cultuar religiões e espíritos ancestrais, enfim são muitas as consideraçõeslançadas em prol desta vertente, mas o que não se pode contestar é que, desde aexistência humana existe dança, por isso é considerada uma das mais antigasformas de arte. A dança fazia parte de todos os acontecimentos importantes da sociedade, como nos nascimentos e funerais, nas colheitas e nas homenagens de caráter místico (religioso) que se prestavam aos elementos da natureza, o Sol, o Fogo, a Chuva e a Terra, consideradas seres supremos. Esses momentos eram celebrados com intensa participação corporal, em que o corpo era pintado ou tatuado e cheio de emoção, expressava, nos movimentos de dança, seus sentimentos (BREGOLATO, 2000, p.67). A dança é introduzida no contexto histórico civilizacional como uma dasmanifestações mais antigas. No período paleolítico ela já existia, época em que ohomem agia instintivamente, já havia sinais da dança executada naquele ambienteque se mostrava através das pinturas que existiam nas paredes e nas rochas. A respeito do histórico da dança diz Silva (2005) que a dança manifestou-seinicialmente na era primitiva, sendo utilizada em rituais de oferendas, invocações,celebração, atração do sexo oposto, assim como era retratado nas pinturas dascavernas pré-históricas.
  9. 9. 18 Segundo a autora o homem paleolítico, desenhava acreditando que aquelapintura podia se profetizar, que aquela realidade fosse acontecer, nesse intuito eledesejava exercer domínio sobre a natureza. A dedução de dança que se tem,relacionada a esses poucos desenhos é que eles traziam uma pratica simples, compoucos movimentos, na maioria das vezes repetidos, com imitações, queaconteciam geralmente em círculos. Nas organizações civilizacionais egípcias, a dança segundo Silva (2005)possuía traços religiosos, era representada por mulheres, em épocas de colheitas echeias do rio Nilo e em festejos que venerassem os deuses Ísis e Osíris. Já naGrécia a dança estava atrelada a representações cênicas, aliada com a poesia,assim originou-se à tragédia. Que Homero dizia ser danças realizadas emcasamentos, em sua origem eram circulares, só homens dançavam e intitulavam-secomo choreia. Em Esparta, aconteciam nos festejos de Dionisus, uma variedade dedança nomeada de Emméleia, essas danças eram em veneração aos Deuses.Nelas reproduzia-se o movimento das guerras, de combate e proteção. As mulheresconsideradas virgens, só podiam se apresentar em cerimônias mais simples, semplatéia. Ainda segundo Silva (2005), em Roma a dança tinha uma valorização menorque na Grécia, por isso as representações eram poucas, também estavam maisligadas a religião, com rituais de purificação das terras e por uma colheita ou emreverencia ao deus Marte, eram feitas dança de soldado. Até o inicio da Idade Media, Silva (2005) afirmava que os camponeses aindadançavam em rituais, em colheitas, nascimento, em reverências. A partir do séculoXI, as danças populares assumiram uma postura de mudança, principalmente nascamponesas. Em certos funerais as pessoas entoavam cantos que culminavam emdanças, era uma dança que desencadeava um êxtase que era contagioso, emquestão de minuto as pessoas estavam em procissões, cantando, dançando e sejogando pelo chão. Houve esse fato na Inglaterra, Alemanha e Itália, espalhando-semais tarde por quase toda Europa. Eram conhecidas como danças macabras, oudança da morte. Ao mesmo momento a dança dos camponeses perseveravam emsua prática no século XV, essa dança desenvolvia-se em duplas, em movimentoscirculares e lineares, em quadrilhas, agitadas e eufóricas, praticadas em ocasiões decomemoração.
  10. 10. 19 De acorde com Silva (2005) as danças acabaram chegando aos castelosfeudais na França e na Itália, em meados do séc. XV e XVI e assumiram algunsformatos que por tempos ficou inerente a ela, como os palhaços ou bobos da corteque misturavam danças e acrobacias em números engraçados. Quando ela foitrazida para os castelos como entretenimento dos nobres no séc. XV na França eItália, ela passou a ter um sentido de espetáculo. O termo “ballet” passou a serpronunciado (do Italiano, que significar bailar, dançar) e depois daí foi sofrendomudanças até se transformar no que é nos dias atuais. Pode-se perceber que a cultura usada como referência nas citações dosparágrafos passados tem influência européia, pois no seu discurso histórico dadança em nenhum momento pronunciou a dança afro ou folclórica. A única dançatida como popular pronunciada nesse discurso foi a camponesa, é como se paraalgumas camadas sociais e trajetórias históricas, essas danças de caráter popularnão existissem, muitas vezes pelo fato de não serem conhecidas ou negligenciadasexistencialmente. Apesar de várias referências sobre a importância da dança na sociedade, poucos foram os estudos que se dedicaram a compreender a dança com elementos afro-brasileiros e seu simbolismo, assim como também escrever sobre profissionais que contribuíram e contribuem para a valorização desta arte (OLIVEIRA, 2006, p.81). Oliveira (1991) apresenta uma visão ampla da cultura e da dança oriunda dopovo negro, em seu discurso ela a discorre com grande propriedade. Ela explica quenos festejos em meio a era do escravismo a dança no Brasil exibia característicasmísticas ou lúdicas. Os negros escravizados de várias etnias interagiam a partir dasmanifestações culturais, através de cantos, danças religião, dentre essasmanifestações a religião que prevalecia era o candomblé. Segundo a autora ainda nos dias atuais há quem queira justificar a dança afrocomo dança dos Orixás, Voduns e Inkises. Entretanto essa fala decorre daignorância ou amnésia das pessoas referente a existência das danças criadas pornegros católicos (Moçambique), por negro e índio (caboclinhos), por negro escravo(capoeira), também como por negro e branco. Ela afirma que o poder do movimento da dança afro provém de três pontosenergéticos, sendo eles: cabeça, tronco e pés. A Dança afro geralmente é exercida
  11. 11. 20com os pés diretamente ao chão, sem sapatos, o povo africano acreditava que aisenção desse contato bloqueava a energia vinda da terra. Nessa dança a mudançados ritmos é ministrada pelos aparelhos de percussão, estimulando o corpo aexpressar-se diversamente em formas.Alguns princípios dos passos e características da Dança Afro são: - Pés paralelos e descalços (quando fora do chão ficam dobrados). - Coluna ereta (sem rigidez) inclinada para a frente ou lados. - Quadris relaxados para trás. - Movimentos requebrados, soltos e independentes. - Ritmo variado, rico, percutido em contratempo com os pés no chão. - Pouquíssimas mudanças de níveis (OLIVEIRA, 1991, p. 20). Ainda com Oliveira (1991), dizia no seu discurso que no ocidente a concepçãoque se tinha de Balé era o de ser uma dança com um desenvolvimento coreográficooriginal, criada pelo homem que tinha um querer interminável de novas formas de seexpressar. Porém fazendo uma relação com as danças afro brasileiras, da mesmaforma, requer e retém bastante criatividade coreográfica e as formas de movimentosde expressão corporais são amplas e criadas pelo homem, sendo assim as dançasafro brasileiras, podem se comparar ao Balé. Se no ocidente a dança tem como objetivo a graça, a beleza e a autêntica estética, assim como uma grande criação coreográfica, partindo de uma simples idéia, na comunidade religiosa do Candomblé, aprende-se ainda mais a cantar e a dançar, como se aprende a falar. Nesta religião cada passo evoca um ritmo, e cada canção está relacionada com a estória e com a evolução coreográfica tal e qual nas comunidades rurais africanas (OLIVEIRA, 1991, p.22). Assim Oliveira (1991) contava que o negro se educou ao longo dos anos,entendendo que seu corpo era impróprio para as danças clássicas, que seus quadriseram avantajados, seus pés chatos. Foi assim que o negro se aproximou ainda maisdas danças folclóricas ao longo dos anos, como: samba (proveniente da palavraafricana semba, que significa umbigada), maculelê e capoeira.De acordo com ela,nas décadas de 60 e 70 a dança afro já existia na Bahia, porém sem o exibicionismoe sem apelação turística dos dias atuais, mais voltada a sua prática cultural. Em meio à década de 80, Oliveira (1991) expõe que começam a aparecerescolas em Salvador, oferecendo cursos de dança afro ao público, fazendo-se
  12. 12. 21pensar que existe uma técnica para sua realização, em alguns lugares existem atémódulos para esses cursos. Antes disto, a dança do negro se encontrava nasperiferias, nos terreiros nos locais remanescentes de quilombos, onde eramdesenvolvidas as culturas populares. A sua visibilidade social começou através deMercedes Baptista. Numa de suas apresentações Mercedes Baptista, foi vista pelaantropóloga, dançarina e coreógrafa norte-americana, Katherine Dunham, que apóso espetáculo ofereceu uma bolsa de estudos a Mercedes em New York em suaacademia onde era professora de dança. Depois de estudar nos Estados Unidos,Mercedes resolveu voltar e desenvolver as danças folclóricas e de origem negrasnas academias. Ela resolveu utilizar a dança afro em espetáculos, e dessa formanasceu Balé Afro brasileiro, e ficou conhecida historicamente como a “Mãe do BaléAfro”. Ainda seguindo o pensamento de Oliveira (1991) vários movimentosaconteceram ao mesmo tempo na Bahia na década de 60, em Salvador foramcriados os grupos folclóricos, Viva Bahia e Olodum. Grupos estes, que desenvolviame demonstravam a cultura e a expressividade através da dança com influenciaafricana. O Candomblé, a Puxada de Rede, o Maculelê, a Capoeira, o Samba de Roda, entre outras danças, eram, e ainda hoje são, as manifestações mais exploradas pelos grupos que se dedicam à atividade (OLIVEIRA, 1991, p.33). Contanto, segundo Oliveira (1991) pode-se dizer que o grupo Viva Bahia foiresponsável pela disseminação da Dança Afro. Para o desenvolvimento coreográficodo espetáculo eram chamadas as pessoais da própria comunidade, mais velhas ouexperientes, que carregavam a tradição cultural da dança, aprendida com seusantepassados. Então surgiram outros grupos folclóricos na Bahia, dandocontinuidade aos trabalhos e modernização as indumentárias, dando novas cor es aobalanço e nova cara a nossa cultura, mas sem perder a essência.
  13. 13. 22 3.1 A Cultura Corporal da Dança no Âmbito da Educação Física Antigamente dançava-se por vários motivos, dependendo da cultura e dacivilização a qual se pertencia, vários rituais, cerimônias, manifestações envolviamdança. Porém, como diz a citação abaixo, a dança vem passando por diversasmodificações, na contemporaneidade ela possui um sentido diferente, o ser humanoencontrou o contentamento, o prazer, a entrega e os benefícios inerentes a dança eagora a pratica mais por uma satisfação pessoal. É importante que essamanifestação continue sendo difundida, nesse sentido, para que todos, semdistinções, tenham acesso a essa cultura corporal e passem por essa experiência aolongo de sua formação ao menos uma vez, e assim possam decidir praticá-la ounão. A dança vem sofrendo profundas e significativas transformações: a técnica, os conteúdos e a pesquisa do movimento corporal assumem novas perspectivas e estão sendo redimensionados para participarem efetivamente da formação histórico-cultural da criança, do adolescente e de todo ser humano (FERREIRA, 2008, p. 100/101).Segundo Soares (1992) e outros: Na perspectiva da reflexão sobre a cultura corporal, a dinâmica curricular no âmbito da Educação Física, tem características bem diferenciadas das da técnica anterior. Busca desenvolver uma reflexão pedagógica sobre o acervo de formas de representação do mundo que o homem tem produzido no decorrer da história, exteriorizadas pela expressão corporal: jogos, danças, lutas, exercícios ginásticos, esporte malabarismo, contorcionismo, mímica e outros, que podem ser identificados como forma de representação simbólica de realidades vividas pelo homem, historicamente criadas e culturalmente desenvolvidas (SOARES e outros p.38). Vemos hoje a necessidade de incluir novos paradigmas a Educação Física eromper com velhos conceitos, as culturas corporais expostas acima pelos autores,são formas criativas e estimulantes de trabalhar o conteúdo da Educação Física.Entre elas está a dança, essa cultura corporal é pouco explorada, principalmente noambiente escolar. Porém é inegável a necessária importância da dança nessecampo, haja visto que ela trabalha o conteúdo da Educação Física numa perspectiva
  14. 14. 23mais descontraída e inovadora, estimulando assim o desenvolvimento e aparticipação dos alunos nas atividades. Faz-se necessário o resgate da cultura brasileira no mundo da dança através da tematização das origens culturais, sejam do índio, do branco ou do negro, como forma de despertar a identidade social do aluno no projeto de construção da cidadania (SOARES e outros 1992,p.83). Por se encontrar como a uma das maiores expressão cultural que se tem, adança demonstra um amplo destaque no que diz respeito ao social, tornando-aassim um ato popular que desencadeia naturalmente o envolvimento dos praticantesnessa cultura corporal. A linguagem corporal que é passada através da dança temvalor substancial na aprendizagem do indivíduo, por conta de tocar o íntimo dapessoa, aguçando assim a sua sensibilidade. Essa cultura deve ser introduzida nodesenvolvimento humano desde a infância, pois ela esta e sempre esteve envolvidaem várias vertentes sociais. Considera-se a dança uma expressão representativa de diversos aspectos da vida do homem. Pode ser considerada como linguagem social que permite a transmissão de sentimentos, emoções da afetividade vivida nas esferas da religiosidade, do trabalho, dos costumes, hábitos, da saúde, da guerra etc.(SOARES e outros 1992, p.82). Não esquecendo que a dança é uma das manifestações corporais que maisevidencia a cultura, no próximo capítulo decorreremos sobre a cultura e suastransformações ao longo dos tempos.
  15. 15. 244 CULTURA: O TRADICIONAL E O CONTEMPORÂNEO Recentemente, tem sido amplo o debate sobre o tema cultura, na busca pelosentido desta palavra nos vem vários questionamentos. Como ela é compreendida?Como ela se modifica? Como esse conhecimento perpassa pelas gerações? Aolongo deste capítulo discutiremos a relação que tem o tradicional e ocontemporâneo, dentro disto, tentaremos explanar esses questionamentos. Quando discutimos o termo Cultura, vem a mente inúmeras situações,pensamos nos muitos caminhos que nos conduziram até aqui, as mutações quehouveram no sentido das coisas até chegarem ao que são, os diferente tipos deorganizações que já existiram na sociedade, a significância e a amplitude que temnesse universo são indescritíveis, como diz esse trecho: A riqueza de formas das culturas e suas relações falam bem perto a cada um de nós, já que convidam a que nos vejamos como seres sociais, nos fazem pensar na natureza dos todos sociais e que fazemos parte, nos fazem indagar das razões da realidade social de que partilhamos e das forças que as mantêm e as transformam (SANTOS, 1994, p.9). Apesar da pluralidade cultural existente em nosso país, há culturas queprevalecem em relação a outras, sendo seguidas por toda uma civilização, que crê erespeita esses preceitos culturais e os defende de todas as formas cabíveis. De fatoas culturas não devem ser imortalizadas, no entanto deve-se ter o conhecimentodessa cultura para o ser humano poder identificar sua origem. As culturas deminoria, chamadas culturas populares, são em grande parte sobreposta, pelo fato dacategoria de classe favorecer a maioria, as que obtêm mais poder, mais organizadaspoliticamente e mais fundamentadas no capitalismo. As tradições e as leis são culturais, são criadas por grupos, que possuem mais poder e prestígio para fazer valer sua vontade. Esses interesses particulares são colocados como leis para todos os outros (GUARESCHI, 2007, p.96). Dentro dessa perspectiva, surge a necessidade de evidenciar cada vez maisa cultura popular, pois ela nos remete a nossa acanhada origem, aquela que seesconde nas muitas facetas da sociedade contemporânea. Reconhecer e difundir
  16. 16. 25essa cultura esse legado é de suma importância para as gerações futuras, para quetenham oportunidade de conhecer o que foi e em que se transformou nossasociedade. Entretanto não cabe a nós eternizar as culturas de minoria,principalmente as que procederam da indigência ou da exploração, pois pela leinatural das coisas, nada fica imutável ao tempo, as coisas vão se transformando, eassim deve ser, porém essa cultura faz parte da construção histórica de umacivilização e deve ser lembrada como tal, essa diversidade cultural não pode passardespercebida no episódio histórico-social. Assim, tanto no estudo de culturas de sociedades diferentes quando das formas culturais no interior de uma sociedade, mostrar que a diversidade existe não implica concluir que tudo é relativo, apenas entender as realidades culturais no contexto da história de cada sociedade, das relações sociais dentro de cada qual e das relações entre elas. Nem tudo que é diverso o é da mesma forma. Não há razão para querer imortalizar as facetas culturais da miséria e da opressão. Afinal, as culturas movem-se não apenas pelo que existe, mas também pelas possibilidades e projetos do que pode vir a existir (SANTOS, 1994, p.20). De acordo com Santos (1994) a sociedade coexiste culturalmente através deaspectos desiguais. As influências estrangeiras demonstram que a disparidade depoder acaba estabelecendo influência em todos os setores, os quais acabamcategorizando a sociedade. Estes aspectos são típicos da contemporaneidade nãose pode cogitar a hipótese de explanar a cultura, sem remeter-se asdessemelhanças encontradas. Cabe-se somente evidenciar os problemas e procurasoluções para os mesmos Mesmo com a cultura de maioria contrapondo alguns preceitos da culturapopular, podemos dizer que não existe cultura melhor ou pior que outra, existe sim,demonstrações culturais mais socializadas e também atos históricos e reais quedesencadearam situações de imposição cultural. [...] Não há superioridade ou inferioridade de culturas ou traços culturais de modo absoluto, não há nenhuma lei natural que diga que as características de uma cultura a façam superior a outras [...] (SANTOS, 1994, p.16/17). Na concepção de Santos (1994) muitos acreditam que a cultura somenterefere-se às representações artísticas, a dança, o canto, artes cênicas. Em outros
  17. 17. 26momentos, ao questionar a cultura contemporânea ele se remete aos meios decomunicação de massa. Isso quando não está ligado aos mitos e crendices, aoscultos, aos cultos e religiões, ao vestuário ou comidas, a linguagem. Porém ele se remete a cultura de uma forma mais abrangente, focando osaspectos que caracterizam o ser humano ou a humanidade. A amplitude de sentidosnão deve afetar o foco real, devemos nos importar com o que desencadeou essaamplitude e localizar as teorias onde essa variedade se apóia. Através disso elecoloca que deve fechar as lacunas e procurar o real significado da concepçãocultural, como se deu seu desenvolvimento, só assim, entendemos o verdadeirosentido da cultura. Sendo assim ele acredita que a cultura é a generalização de fatos quedistinguem a forma de existir de uma sociedade, grupos ou povoações, tudo que serelacionam com o cotidiano de uma sociedade é cultura. Dentro da vertente existencial da sociedade, podemos dizer que osconhecimentos culturais são passados de gerações para outras de forma relativa,dada a importância que essa cultura exerce no local em que ela está inserida, assimcomo os traços tradicionais e contemporâneos se fundem ao longo dos tempos.Uma cultura pode ser conservada ao longo dos tempos, porém, ao viver essa culturanos dias atuais sempre vamos incorporar a ela traços o qual convivemos nopresente. Assim a cultura tradicional e a contemporânea sempre vão carregar algouma da outra, por que vivemos em dinamicidade e sendo assim podem se modificara qualquer instante. [...] se a cultura não mudasse, não haveria o que fazer senão aceitar como naturais as suas características e estariam justificadas assim as suas relações de poder (SANTOS, 1994, p.83). A diversidade cultural da sociedade é incalculável, porém, dentro de nossopaís também são estabelecidas de várias divisões. No interior de nossa sociedadeexistem diversas formas culturais distintas / desconhecidas pelas pessoas que apovoam, elas são vistas como culturas equívocas, fora do comum, isso acontececom as comunidades que ficam mais afastadas dos centros urbanos, como gruposindígenas, comunidades rurais, quilombos, grupos religiosos isolados, ciganos,ripes.
  18. 18. 27 Essas culturas são incomuns as da maioria levando em consideração queessa multiplicidade cultural fez-nos o que somos, devemos respeitar as culturasinternas, pois ela nos ajudará a entender o sentido da diversidade existente emnosso país. Estas culturas são muitas vezes remotas, até escondidas, mas seencontram dentro de um país ativo, em constantes transformações, atualizações. O reconhecimento da cultura popular como patrimônio histórico de nossasociedade é absolutamente necessário, porém esse sentimento e essereconhecimento deve ser internalizado naturalmente no indivíduo ao longo da suaformação através do conhecimento. A escola tem um papel importantíssimo nadisseminação dessa cultura, pois é um lugar onde se viabiliza o saber, sabemos queas instituições de ensino são em grande parte responsáveis pelo conhecimento quecarregamos conosco, nada mais justo que a cultura popular venha ter seu espaço noambiente escolar. Referente a este assunto, o Presidente da República, Luís Inácio Lula daSilva, em uso de suas atribuições sancionou a lei 10.639 em 9 de janeiro de 2003,alterando a lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996, de Diretrizes e Bases daEducação Nacional, afim de incluir obrigatoriamente o ensino da temática História eCultura Afro-Brasileira nos currículos escolares em todo Brasil. Este acontecimentogerou a necessidade de verbalização dessa cultura no espaço escolar, a fim defacilitar o processo de ensino-aprendizagem do aluno em relação as culturaspopulares. Segundo Abib (2004), a cultura popular não se encontra atrelada ao processode educação formal, acabam se distanciando destes procedimentos, por conta distonão acontecem com tempo regular, com conteúdo programado, não tem umcronograma de atividades nesse âmbito, porém, não se deve esquecer suarelevância, pois essa cultura introduz o sujeito em uma realidade diferente da que éoferecida na formal e possibilitar uma maior flexibilidade na sua execução. As culturas populares são caracterizadas como não-formais, e por isso muitasvezes acabam sendo descriminados pelos responsáveis em validar os processosformais, por ser uma cultura de minoria oriunda de comunidades, não sendoimplantadas com freqüência e instabilidade nas intuições de ensino. Abib (2004), diz ainda, que nunca houve uma legitimação da cultura popularno currículo da educação formal. Segundo ele, as manifestações populares sãodemonstradas de forma folclóricas, em festejos que acontecem uma ou duas vezes
  19. 19. 28no ano. Esse fato denota o preconceito com que essa cultua é tratada, pois nas suaspalavras essa é a “herança de uma racionalidade eurocêntrica”, que ainda exerceminfluência sobre os processos formais pedagógicos, ainda que haja ambientes queestejam sendo beneficiados com programas de incentivo a essa vertente.
  20. 20. 295 METODOLOGIA O presente trabalho tem como objeto a análise da dança afro nos quilombosde Alagoinhas, trata-se de um estudo de cunho qualitativo, por lidar com relaçõeshumanas, esse conteúdo não pode ser quantificado, pois não se encaixa com osentido social da pesquisa, que se volta para a natureza dos sentidos, atos erealizações do comportamento humano. A pesquisa qualitativa responde a questões muito particulares. Ela se preocupa, nas ciências sociais, com um nível de realidade que não pode ser quantificado. Ou seja, ela trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis (MINAYO, 1994, p.21). Essa pesquisa foi desenvolvida a partir de um Estudo Comparativo de Caso,possui caráter descritivo. Este tipo de estudo tende analisar não só um caso, masdois ou mais fazendo uma relação comparativa entre os mesmos. O Estudo de casose propõe a observar e entender determinados fenômenos. E a partir desseentendimento, avaliar uma dada realidade em um determinado local, nãogeneralizando o estudo, ele se apega a uma delimitada porção ou um caso particulardo ambiente, visando propiciar uma dimensão ampla de um problema ou mostrarindícios de acontecimentos que impactam em uma realidade. No parecercomparativo a análise deve abranger os casos definidos na pesquisa, este tipo deestudo permiti evidenciar diferentes situações em múltiplos ambientes. Um aspecto interessante do Estudo de Caso é o de existir a possibilidade de estabelecer comparações entre dois ou mais enfoques específicos, o que dá origem aos Estudos Comparativos de Caso. O enfoque comparativo enriquece a pesquisa qualitativa, especialmente se ele se realiza na perspectiva histórico-estrutural (TRIVIÑOS, 1928, p. 136). Por este estudo ser de cunho social a abordagem foi feita com base naSociologia Compreensiva, pois trata-se de uma analise das representações culturaisno ambiente do quilombo, ao qual pertence os determinados grupos de dança com
  21. 21. 30descendência africana. Essa corrente frisa a analise das relações e ações humanasatravés da realidade social em que os indivíduos estão inseridos. De acordo com Minayo (1994) os autores que trabalham com essa vertentenão estão interessados em quantificar, eles desejam identificar, entender e explanara manifestações sociais que são dispostas através de tradições e costumes, saberesrelacionados ao acúmulo de conhecimento absorvidos com o tempo, realidades deambientes a partir da influência humana, ele acredita que não se pode separar osocial do natural, haja visto que no seu entendimento um completa o outro. Num embate frontal com o Positivismo, a Sociologia Compreensiva propõe a subjetividade como o fundamento do sentido da vida social e defende-a como constitutiva do social e inerente à construção da objetividade nas ciências sociais (MINAYO, 1994, p.24). Referente ao espaço e sujeitos da pesquisa, o estudo foi realizado noambiente do Catuzinho e Buri, distritos do Município de Alagoinhas. Afastados daurbanização da cidade, ficam localizados na zona rural. Reconhecido como remanescente de quilombo no ano de 2004, pelaFundação Cultural dos Palmares (FCP), o Catuzinho tem uma população que vivebasicamente da produção rural e principalmente da agricultura familiar ou desubsistência. Nessa comunidade os registros que se tem de danças comdescendência africana é o Samba de Roda. A partir do Samba surgiu o Grupo deSamba Estrela do Catuzinho, contendo cerca de 30 componentes, alguns fixosoutros simpatizantes, nesse grupo são encontrados criança, jovens e idosos, nãoexiste uma faixa etária definida. Existia lá também a dança afro, porém o grupoformados por jovens meninas não teve continuidade por falta de incentivo. Segundo a Coordenadora de Reparação Social da (Secretaria Municipal deAssistência Social) SEMAS, Marizélia Soares dos Santos, a comunidade do Buri seencontra nos dias atuais em processo de reconhecimento de remanescente dequilombos. Seus habitantes, em sua maioria, ainda nos dias atuais subsistematravés da agricultura, da culinária por meio de iguarias como Beiju, pé de moleque,bolacha de goma, farinha de mandioca e outras. Nessa comunidade o registro dedança que se tem também é o Samba de Roda, o grupo que pratica essa culturacorporal é conhecido como Samba de Roda do Buri, é composto por jovens eadultos, porém prevalecem os jovens, tem cerca de 20 componentes.
  22. 22. 31 As comunidades quilombolas referidas acima são afastadas da região centraldo município de Alagoinhas, bem característicos de quilombo, suas particularidadessão a sobrevivência das raízes culturais destacados pelo tradicionalismo, asmanifestações sociais, essas comunidades vem mostrando a dança como umpatrimônio cultural. Além disso, mantém no seu cotidiano características não muitodiferente dos seus primórdios. Articulam-se como podem em grupos que sãoformados no intuito de melhorar a qualidade de vida da comunidade, a participaçãomaciça nas causas sociais, o interesse na divulgação dos diversos produtosconfeccionados pela população local, demonstra a união e a solidariedade contidaentre as pessoas nesses ambientes. O que fica claro dentro destes quilombos, é a capacidade que o quilombolatem em nutrir a essência de sua raiz africana revelada pela culinária, pelas histórias,pelo saudosismo e pelas manifestações culturais completadas no batuque dostambores, nas palmas, no canto e na alegria do povo que dança com amor emrespeito aos seus ancestrais e com grande preocupação em mostrar através dadança que ainda reside em alagoinhas à cultura afro-brasileira com costumestradicionais típicos dos quilombos. Na coleta de dados utilizou-se a observação não participante visando umcomportamento humano natural, relacionado ao cotidiano da comunidade, nesseintuito não foram feitas intervenções, para que o individuo continuasse vivenciandocomodamente as suas atividades rotineiras. Este tipo de observação possibilita aanalise do ambiente, grupo ou pessoa sem alterar a natureza dos fatos nelesexistentes, avaliando assim a legítima situação local, social, histórica e cultural semdeformações na realidade encontrada. [...] o observador é não participante: aparece como um elemento que “vê de fora”, um estranho, uma pessoa que não está envolvida na situação, como, por exemplo, um professor interessado em conhecer o comportamento dos alunos na hora do recreio e que os observa de uma janela (RUDIO, 2009, p.43). Na análise dos dados a pesquisa foi dividida em dois momentos, o primeiro serefere observação que foi feita aos grupos, a partir dos ensaios e apresentações dosmesmos que foram acompanhados. As observações aconteceram com oseguimento das atividades rotineiras dos grupos, no Buri foram realizados três
  23. 23. 32encontros formais, estes foram registrados por meio de filmagens e fotografias e noCatuzinho foram realizados quatro encontros formais, também registrados damesma forma, não esquecendo os encontros informais que aconteceram de formaespontânea ao longo da pesquisa nos dois espaços. O que foi observado nosencontros foi registrado no diário de campo. A entrevista semi-estruturada foi utilizada como complemento na coleta, elapossibilita uma maior liberdade ao indivíduo na sua execução, e permiti uma amplaflexibilidade aos novos questionamentos que surgem ao decorrer da mesma.Transformando o ambiente propício a uma conversação mais aberta no sentido dasformalidades, obtendo assim de forma espontânea uma liberdade no discurso doentrevistado. A partir disso pode-se ter um conteúdo maior nas informações contidasna conversação, que poderiam passar despercebidas pelo pesquisador se àsquestões fossem pré-estabelecidas sem flexibilidade. Essa liberdade que o autorrelata abaixo consiste na essência dessa técnica, pois, existe a possibilidade deserem acrescentados novos contextos, dependendo do entrevistado, podem serlevantadas questões complementares ao assunto discorrido. Entrevista semi-estruturada: fica entre os dois extremos discutidos. O entrevistador pergunta algumas questões em uma ordem pré- determinada, mas dentro de cada questão é relativamente grande a liberdade do entrevistado (MOREIRA, 2002, p.55). A entrevista semi-estruturada foi analisada em quatro categorias sendo essas:Identificação do Entrevistado, Envolvimento com a Dança, Desenvolvimento daDança na Comunidade e a Relação do Tradicional e o Contemporâneo. As mesmasforam aplicadas a cinco sujeitos, sendo três do Catuzinho e dois do Buri. A fim demanter sigilo em relação aos nomes dos sujeitos, os mesmos ficaram identificadoscomo: (ES), (MC), (GN), (MI), (AC), disponíveis nessa ordem, todos os indivíduosresponderam as perguntas de espontânea vontade, contendo a assinatura dosmesmos no termo de consentimento livre esclarecido. A análise dos dados da pesquisa foi feita a partir da análise de conteúdo.Seguindo o pensamento de Minayo (1994), na análise de conteúdo temos acapacidade de resolucionar questionamentos dispostos no estudo e nos certificar deconceitos preestabelecidos antes mesmo da pesquisa de campo. Podemos tambémdepois da análise fazer a comparação real do que foi dito no discurso e descobrir
  24. 24. 33alguma contradição que poder ser abordada. Sendo assim a análise de conteúdo e ainvestigação são complementos unidos um ao outro nesse sentido. Essa análisepode se dá de várias formas indo da avaliação de uma grande obra até um simplesdepoimento e acolhe tanto o método qualitativo quanto o quantitativo. Ainda para aautora a análise de conteúdo permite analisar as entrelinhas do que foi dito. Por issoé uma das técnicas que mais se utiliza em pesquisas qualitativas. [...] através da analise de conteúdo, podemos encontrar respostas para questões formuladas e também podemos confirmar ou não as afirmações estabelecidas antes do trabalho de investigação (hipótese). A outra função diz respeito à descoberta do que está por trás dos conteúdos manifestos, indo além das aparências do que está sendo comunicado (MINAYO, 1994, p.74). A análise dos dados se deu de forma sistemática depois dos primeirospassos, contidos acima se desenvolveu a análise de conteúdo que foi feita a partirda categorização do discurso contido nas entrevistas realizadas com oscoordenadores dos grupos de dança, foram emitidos sentidos as respostas contidasna entrevista sendo priorizada sempre a fala que mais se repetia. No segundomomento com a observação, foi gerado um capitulo, sendo ele: O que foi visto nasComunidades, a fim de destacar e esclarecer as observações feitas no campo depesquisa. A categorização consiste na organização dos dados de forma que o pesquisador consiga tomar decisões e tirar conclusões a partir deles. Isso requer a construção de um conjunto de categorias descritivas [...] (GIL, 2002, p.134). Para manter sigilo referente aos sujeitos da pesquisa, os mesmos, foramidentificados como: AS, MC, GN, MI e AC. A entrevista foi realizada com oscoordenadores dos grupos de dança e a observação se deu com acompanhamentodas atividades rotineiras dos grupos, no Buri foram realizados três encontrosformais, estes foram registrados por meio de filmagens e fotografias e no Catuzinhoforam realizados quatro encontros formais não esquecendo os encontros informaisque encontros de forma espontânea ao longo da pesquisa. Na primeira categoria referente a Identificação do Entrevistado, notou-se quea maior parte dos coordenadores, sendo três em sua totalidade tem formação nomagistério, tendo os dois restante segundo grau completo. Na segunda categoria
  25. 25. 34que é o envolvimento com a dança quando os entrevistados foram questionadossobre com se deu o seu envolvimento com a dança a maioria disse que se deudesde a infância sendo esses três sujeitos ES, MG e GN os outros dois disseramque foi quando começaram a freqüentar a comunidade, no segundo questionamentoonde se questionou o tipo da dança que é trabalhada na comunidade os cincosujeitos; ES, MC, GM, MI e AC responderam unanimidade que era o Samba deRoda sendo que três desses: GN, MI e AC cogitaram a presença que houve apresença da dança afro, mas que esse grupo não teve continuidade. Ainda namesma categoria perguntou-se a quanto tempo os entrevistados trabalhavam com adança três deles responderam, entre cinco á sete anos ES, GN e AC. Na categoria, Desenvolvimento da Dança na Comunidade o primeiroquestionamento; como surgiu o grupo; três pessoas acreditam que foi como resgatecultural MC, MI e AC, sendo que os outros dois acreditam que surgiu como umaproposta de lazer; ao perguntar quem fundou o grupo três pessoas, MI, MC e ACresponderam que foi a comunidade em conjunto, os outros dois citaram nomes deparentes, no último questionamento desta categoria foi perguntado, em quem elesse inspiraram, a resposta foi unânime, os cinco ES, MC, GN, MI e AC, afirmaram tersido nos ancestrais. Em a Relação do Tradicional e o Contemporâneo, essa categoriadesencadeou quatro perguntas uma delas foi qual a diferença da dança de hoje coma de antigamente, os sujeitos tiveram respostam diferentes, porem só um deles (MI)respondeu referente a dança, os outros fugiram do tema, quando questionados setinha figurino e se ele era baseado no tradicional ou no contemporâneo, os trêsresponderam no contemporâneo e dois disseram ser no tradicional porém os doisúltimos disseram ter traço contemporâneo na dança afro quando era realizado lá aose perguntar o que mudou na dança de antigamente para os dias atuais trêspessoas disseram ser mudou a maneira de vestir, a ginga e instrumentos GN, MI eAC e quando questionou-se o que prevaleceu no grupo que não pode ser alterado aresposta homogênea foi a manutenção da cultura e do tradicionalismo não pode seralterados onde AS, MC, GN, MI e AC responderam da mesma forma. Essa ultima categoria não foi planejada, porém surgiu ao longo dasdiscussões chama-se Auxilio Governamental tinha como questionamento qual oapoio político que eles recebiam para o desenvolvimento das atividades, todosresponderam que não recebia nenhum tipo de incentivo financeiro.
  26. 26. 35 Os dados coletados os dados para pós-entrevista foram interpretados,juntamente com o auxílio dos recursos bibliográficos. Esse instrumento contribuiupara a análise do grupo e das vertentes culturais.
  27. 27. 366 O QUE FOI VISTO NO CAMPO Neste capítulo será disposta a relação dos elementos presentes no campo depesquisa através da observação. Nele tentaremos mostrar não só o ambiente dosquilombos como também todos os espaços e situações que a pesquisa nos levou.Iniciaremos descrevendo os encontros com os grupos de Samba de Roda e oslocais onde os mesmos aconteceram. O primeiro encontro com o grupo de samba de roda do Buri, se deu durante aSemana de Arte: Encontro de todas as linguagens do Agreste ao Litoral Norte, queaconteceu entre os dias 21 e 28 de maio, foi um encontro a fim de juntar eevidenciar as várias linguagens artísticas da cidade, oportunizando a população oacesso a cultura com preços populares. Esse encontro aconteceu no Centro deCultura de Alagoinhas, no dia 21 de maio de 2010, sendo que o grupo fez a aberturadas apresentações. Figura 1 - Grupo de Samba de Roda do Buri no Centro de Cultura. Figura 2 - Tocadores do Buri, acompanhando o Samba com palmas.
  28. 28. 37 O segundo acompanhamento ao grupo foi feito no dia 25.05.2010, Durante oevento Africae, que foi preparado a fim de receber e homenagear o Embaixador e oMinistro do Congo aqui em Alagoinhas, esse evento foi organizado pela Prefeitura,juntamente com a SECEL (Secretaria de Cultura Esporte e Lazer) e a SEMAS(Secretaria Municipal de Assistência Social), no intuito de formar uma aliança doCongo com Alagoinhas, abordando a troca de saberes econômicos e culturais.Nessa noite apresentaram-se no Horto Neandertal, o Samba de Roda do Buri, comotambém os grupos Filhos do Congo e a Capoeira Filhos de Maré. Figura 3 - Samba de Roda do Buri no Horto Neanderthal. Figura 4 - Homenageados da noite no Horto, (da esquerda para direita) Ministro do Congo, Prefeito de Alagoinhas e Embaixador do Congo.
  29. 29. 38 O terceiro acompanhamento ao grupo de samba de roda do buri aconteceuno dia 29 de agosto de 2011, Alagoinhas participou da XI Caminhada do Folclore deFeira de Santana, com uma comissão de 70 pessoas, membros de grupos decapoeira, o Samba de Roda do Buri e outras entidades da região.Figura 5 – Caminhada do Folclore em Feira, Baianas à frente Grupo do Buri atrás. Figura 6 - Uma das Cantadoras do Samba do Catuzinho, na própria Comunidade O primeiro encontro com o grupo de Samba Estrela do Catuzinho aconteceuno dia 16.10.10, na própria comunidade do Catuzinho, O Samba foi programado praacontecer a noite em um espaço chamado Bar de Alex. Além da participação dogrupo também contou com a presença das pessoas da comunidade e de outrosremanescentes de quilombos.
  30. 30. 39 Figura 7 - Crianças na Roda de Samba da Comunidade Catuzinho. O segundo encontro foi no dia 23.10.10, à noite, em um Terreiro deCandomblé na Cidade de Alagoinhas, no Bairro de Alagoinhas velha, onde o Grupode Samba Estrela do Catuzinho, juntamente com os freqüentadores do terreiro,praticaram a cultura através de canto, dança e religião. Figura 8 - Mãe de Santo do Terreiro na Roda de Samba.
  31. 31. 40 Figura 9 - Altar dos Santos no Terreiro de Candomblé O terceiro acompanhamento ao Grupo de Samba Estrela do Catuzinho,aconteceu no km 12, Ba 110, a Caminho de Inhambupe, conhecido como “Os 12” ,olocal também é visto pela comunidade como remanescente de quilombo, porém nãoé regulamentado ainda. Este samba aconteceu no Espaço Bernadino, no dia13.11.10, ele fica localizado a beira da estrada, o Grupo foi convidado pra sambar nacomemoração de um aniversário. Figura 10 - Tocadores do Estrela do Catuzinho no Km 12. Quarto acompanhamento se deu no dia 12.12.2010, ao grupo foi no próprioCatuzinho, onde o grupo A Estrela do Catuzinho, se reuni a cada 2º domingo do mêsonde as seguintes questões foram abordadas: as futuras apresentações, asdespesas com transporte, lugares onde serão realizadas as apresentações,retrospectivas do ano de 2010, pontos a serem mudados no grupo, ensaio dascantigas e a busca pelo samba de raiz. Ficaram marcados três Sambas, nascomunidades do Cangula, Tombador, e Rio Branco. Na reunião encontra-se emmassa as pessoas mais velhas do grupo.
  32. 32. 41 Figura 11 - Reunião do Grupo na Comunidade do Catuzinho. Figura 12 - Grupo do Catuzinho na gravação do DVD. Pude perceber que no samba de roda do Catuzinho existem alguns costumesinerentes a dança, sendo utilizados três tipos de samba. Que são: o Chula, oSantamarense e o Batuque. No Chula e no Santamarense, quando o cantor estaem ação, o grupo não pode entrar na roda pra sambar, pode somente acompanharcom palmas, assim que terminam as cantorias trios ou duplas de mulheres podementrar pra sambar ao ritmo dos instrumentos, os homens dançam depois, tambémem trios ou duplas. O Batuque é o ritmo mais agitado, onde os tocadores animam opovo, o cantor canta e a platéia responde, nesse momento todos podem entrar naroda sambando, porém cada sexo por vez, mulheres primeiro e depois homens. Jáno Buri foi encontrado um samba mais solto e descontraído em relação aotradicionalismo, onde a qualquer momento podiam entrar pessoas na roda, deambos os sexos, sem estipular quantidade eles não fazem a separação dos ritmos
  33. 33. 42do samba e tocam a qualquer momento os vários ritmos existentes, as pessoas quegeralmente iam observar as apresentações acabavam entrando na roda também Em relação ao ambiente das apresentações, foi visto que no Catuzinho, ogrupo costuma se apresentar em Comunidade quilombolas e muitas vezes naprópria comunidade, em vários acontecimentos, aniversários, rezas, ou festejos semmotivos específicos, nessa vertente a dança estava mais voltada para o lazer. Já noBuri no período da pesquisa tiveram uma apresentação na Comunidade, sendo quetodas as outras aconteceram no centro da cidade em épocas festivas ou abertura deeventos, nessa vertente o Grupo trabalha mais com a divulgação da cultura atravésda dança espetáculo. O samba de roda ocorre em todo o Estado da Bahia. Apresenta inúmeras variações que parecem estar relacionadas com aspectos ecológicos, históricos e socioeconômicos das diferentes regiões do Estado (LIMA e outros, 2004, p.17). Sobre o figurino pôde-se observar que o figurino do Catuzinho é mais voltadopara o tradicional, as saias rodadas ainda vão até o pé, porém ess a vestimenta nãoé usada com freqüência pelo grupo, eles preferem ir para o samba com ropasnormais da atualidade, somente usando o figurino em apresentações de maiorvizibilidade social, como na gravação do DVD. O grupo do Buri costuma sempre seapresentar com seu figurino, porém ele é mais voltado para o contemporâneo, assaias são rodadas mais já se encontram no joelho e as blusa são personalizada erentes ao corpo. A religião, sobre ela o grupo do catuzinho afirma ter uma relação indireta coma mesma, hoje seus componentes são de religiões variadas, e eles não estabelecemrituais durante suas apresentações, porem como esperam convite para levar osamba para os locais, geralmente são chamados para Terreiros de Candomblé, e areligião nunca foi empecilho para que deixassem de sambar. No buri oscoordenadores afirmam que nos dias atuais na há envolvimento com a religião,houve sim antigamente, que toda reza terminava em samba, ou todo sambaterminava em reza. O samba também acontece depois de festas de candomblés de rito nagô ou angola, em alguns casos, já como tradição institucionalizada e, em outros casos, como algo espontâneo que
  34. 34. 43 pode acontecer ou não a depender do ânimo das pessoas (LIMA e outros, 2004, p.19). Em relação à faixa etária dos participantes foi visto que no Catuzinho, háparticipação de todas as classes, porém, destaca-se a presença de anciãos ecrianças. Interessante é que geralmente os sambas do Catuzinho costumamcomeçar a noite e terminar pela manhã e todos, sem distinções, acompanham osamba até terminar. No buri isso muda, existem no grupo adultos, jovens e anciãos,porém a prevalência maior das sambadeiras é de jovens, sobressai nesse aspecto osexo feminino, sendo que os homens se encarregam de tocar, geralmente o tempodas apresentações é mais curto, durando o tempo necessário para suaapresentação. É significante a ligação que o samba consegue entre todas as faixas etárias e entre os sexos, como também o fato de que formas de samba são ligadas, de uma ou outra maneira [...] (LIMA e outros, 2004, p.21). Os dois grupos afirmaram cada um do seu jeito, que a inspiração para osamba veio dos seus antepassados e descendentes, que o samba está no sangue,e na sua execução se encontram em estado de euforia total, sem cansaço, semdores, sem problemas, frase dita por uma componente do Samba de Roda do Buri,Nathy: “eu sambo com pé no chão até o dia amanhecer, na hora eu não sinto nada”. Visto o reflexo da sobrevivência de uma cultura afro brasileira, gruposorganizados em prol de um objetivo em comum, pois toda comunidade quilombolasabe sua história de luta pra sobreviver e manter a sua cultura, sobretudo o grandevalor sociocultural que as manifestações dessa uma origem têm e o quanto se faznecessário demonstrar e disseminar a competências dessas comunidades. Naturalmente encontra-se nos quilombos o empirismo a flor da pele a partirdas experienciais vividas, que valem mais do que dados, nesse sentido, sãoutilizados dentro do ambiente dos quilombos plantas medicinais que servem deremédio, como também uma invejável culinária típica dos remanescentes dosquilombos, a forte ligação com os dogmas e preceitos religiosos com maior força ocatolicismo que se aproxima através da dança como o samba de roda queantigamente acontecia nas rezas, pois os ritmos e os movimentos eram emreverência a Santos, isso revela que os ancestrais quilombolas tinham respeito eexiste um tradicionalismo por parte dos moradores condizendo com a sua realidade.
  35. 35. 44 Não se pode dizer que a cultura seja algo independente da vida social, algo que nada tem a ver com a realidade onde existe. Entendida dessa forma, cultura diz respeito a todos os aspectos da vida social [...] (SANTOS, 1994, p.44). Relatos evidenciaram a presença da cultura na comunidade quilombola desdea infância, eles carregam o Samba de Roda e o tradicionalismo preservando-os nosquilombos. As gerações se envolvem de modo geral tanto senhores idosos comocrianças e jovem de diversas faixas etária que é grande maioria, disseminam acultura local para que se tenha o devido reconhecimento social e seus valoresseculares. Nos dias atuais a cultura do samba de roda é desenvolvida na comunidadecomo método de lazer entre os jovens que revelam gostar da dança e entre outros éuma forma de demonstrar os valores culturais da comunidade com interesse depromoção da igualdade racial entre os projetos sociais que envolvem a comunidadequilombola, ou seja, vêem o samba como um produto de resgate cultural nacomunidade. Há uma preocupação no sentido de fazer manter essa cultura de geraçãopara geração, então a comunidade quilombola também troca experiências entre asdiversas comunidades de mesma matriz, com promoção de eventos e encontrodentro da comunidade para apresentação do grupo de samba de roda, pois existe anecessidade de manutenção da tradição e acreditam que se deixarem de praticaressa cultura morrerá e o processo de disseminação deve ser de berço de pais parafilhos, por isso, nesses encontros desenvolvem figurinos ligados ao contemporâneosem perder tradicionalismo das cores vivas e chamativas, para atrair o publico maisjovem assim como os cantos e instrumentos são misturados em modernos earcaicos, o que já denota a preocupação vigente em dar seguimento a tradiçãocultural. Estas comunidades possuem líderes que fazem toda a organização nosentido de planejar, elaborar de projetos e eventos, representação comunitária,desenvolvimento de figurinos, dentre outras necessidades do grupo, pois querem servistos como um grupo organizado e antes, segundo alguns relatos, não eram ou nãose caracterizavam como tal e acabava gerando descrédito tanto dentro dacomunidade como fora, hoje eles se encontram cientes da necessidade dessaorganização.
  36. 36. 457 CONSIDERAÇÕES FINAIS A trajetória histórica da dança é repleta de sentidos e significados dentro dascivilizações humanas. Ela se transforma a cada época e cultura. O registro da dançano contexto geral, na maioria das vezes está baseada na visão européia, porém,resta-nos a pergunta: Como ficam os registros e a história da danças e da culturapopulares? Geralmente quando se fala na história da dança, não se encontra inclusa aspopulares, e quando se acha um material ou registro dessa cultura corporal, é emum livro específico dessa temática. Resumindo a dança tida como popular semprese encontrou marginalizada e discriminada na sociedade por conta de suas origens.Porém, não são vistos incentivos nesse âmbito. Nas escolas, a cultura e a dançapopular ou com descendência africana só são vistas em épocas folclóricas. Se acultura existencial do indivíduo não é cultivada e nem internalizada dentro dele, aolongo de sua formação, ela não vai se destacar na vida do sujeito. Nessa perspectiva foi encontrado nos ambientes remanescentes dequilombos pesquisados a cultura e a dança afro, de modo predominante nacomunidade. E as heranças deixadas permanecem bem conservadas, nos diálogosdos quilombolas, nas lembranças deles, na vivência da cultura, em tudo que é vistonaquele ambiente, sempre são encontrados, vestígios de uma comunidadequilombola que mantêm um tradicionalismo em seu costumes. O empirismo ainda éforte, mas aliado aos saberes contemporâneos e a mídia, sofrem uma dadainfluência, mas que não abrange a todas as pessoas das comunidades. O desenvolvimento e a disseminação da dança na comunidade acontecem,de forma aliada uma a outra, as duas vertentes acontecem ao mesmo tempo nascomunidades, as pessoas costumam aprender e respeitar essa cultura corporaldesde a infância. O colégio existente na comunidade do Catuzinho, por já seremreconhecidos remanescentes de quilombos, recebe um material diferenciado,através de periódicos que abordam a herança cultural negra e sua intervenção naformação da comunidade. No buri também encontram-se periódicos nesse sentido,porém em menor quantidade e menos detalhados. No âmbito da educação física, essa cultura corporal ainda se encontra, poucodifundida e cabe a nós profissionais e/ou professores de Educação Física,
  37. 37. 46trabalharem essa possibilidade em nossos conteúdos, já que é uma praticaagradável e satisfatória em seus resultados, pois qualquer atividade que envolva adança, no ambiente escolar ou nos vários ambientes que a mesma pode serpraticada, gera uma compreensão corporal, desencadeia a expressividade e acriatividade do movimento, aflora estímulos desconhecidos nos sujeitos, mexe com oíntimo e a sensibilidade e provoca a aprendizagem de forma lúdica e espontânea. A pesquisa colabora fortemente com a quebra dos paradigmas vinculados aoelemento dança, seja ele em qualquer vertente. A partir disso, demonstra um amploconhecimento sobre as possibilidades do dançar, envolvendo a todos que desejemdesfrutar dessa cultura corporal. Esse também promove a sociabilização dosconceitos culturais e tradicionais contidos na dança afro, desenvolvendo umaaproximação histórica com a mesma. Movidos também pela necessidade de abordar a cultura regionalalagoinhense através da dança, a fim de favorecer o conhecimento desse legado acomunidade com o auxílio da pesquisa, essa pesquisa contribui com essa produçãoliterária para a cidade de Alagoinhas, instigando a construção de novas obras nesseâmbito, por acreditar que existe uma certa carência de estudos acadêmicos nestaárea. Além disso pesquisa quis aproximar a comunidade acadêmica da comunidaderural, visando sociabilizar ambas para que futuramente, sejam realizados maisestudos, projetos e pesquisa nesse âmbito, enriquecendo assim os dois ambientes.E em fim aflorando o desejo das pessoas de conhecer mais e praticar a dança afro,para que desfrutarem do contentamento e dos atributos inerentes a mesma. É preciso construir uma ação de permanência e disseminação dessa cultura,para tanto são colocadas as seguintes sugestões: que através desse estudo acomunidade acadêmica se aproxime da comunidade rural a fim de interagir nesserico e extenso campo; a partir da evidência dada, os governantes devem se dedicarmais a questão da subsistência e da preservação cultural quilombola; trabalhar maisas danças populares, a fim de demonstra e incorporar aos sujeitos sociais parte desua origem cultural; que se realizem mais pesquisas nesse âmbito para socializarmais produções no contexto social.
  38. 38. 47REFERÊNCIASABIB, Pedro Rodolpho Jungers. Cultura Popular, Educação e Lazer. Texto, 2004.Disponível em:http://www.grupomel.ufba.br/textos/download/cultura_popular_educacao_lazer.pdf.Acesso em 30/01/2011.ALBUQUERQUE, Wlamyra R. de. Uma história do negro no Brasil. Salvador:Centro de Estudo Afro-Orientais; Brasília: Fundação Cultural Palmares, 2006.BREGOLATO, Roseli Aparecida. Cultura Corporal da Dança. São Paulo, editoraÍcone, 2000. - (Coleção educação física escolar: no princípio de totalidade e naconcepção históricocríticasocial; v. 1)DAVIDSON, Basil. Os Africanos: Uma Introdução à sua História Cultural. Av.Duque de Ávila, 69, r/c. Esq.- Lisboa. Edições 70, 1969. Título original: The Africans.Na Entry to Cultural History. Todos direitos para a Língua Portuguesa reservados porEdições 70, Lisboa, Portugal. Tradução de Fernanda Maria Tomé da Silva.DECRETO 10.639. Altera a Lei n o 9.394, que estabelece as diretrizes e bases daeducação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino aobrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira". Disponível em:http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2003/L10. 639.htm. Acesso em 31/01/2011.DIÁRIO OFICIAL. Decreto 4.887/03, que regulamenta titulação de terrasquilombolas. Disponível em: <http://www.midiaindependente.org/eo/red/2003/11/268702.shtml>. Acesso em: 30 de mai. 2010.FERREIRA, Maria Zita. Dança Negro, Ginga a História. 2ª ed., Belo Horizonte,editora Mazza, 2008. (Coleção GRIÔ/Textos; 2).GIL, Antônio Carlos. Como Elaborar Projetos de Pesquisa. 4. ed. São Paulo,editora Atlas, 2002.GUARESCHI, Pedrinho. Sociologia Crítica: alternativas de mudança. 6ª ed., PortoAlegre: mundo jovem, editora PUCRS 2007.LIMA, Ari et all. Samba de roda do Recôncavo Baiano. Dossiê, 2004. Disponívelem: http://portal.iphan.gov.br/portal/baixaFcdAnexo. do?id=723. Acesso em30.01.2011.MINAYO. Cecília de Souza (Org.). Pesquisa Social: teoria, método e criatividade.Petrópolis, editora Vozes, 1994.MOREIRA, Daniel Augusto. O Método Fenomenológico da Pesquisa. São Paulo,editora Pioneira Thomson, 2002.
  39. 39. 48MOURA, Clóvis. Os quilombos e a rebelião negra. 3ª ed., São Paulo, editoraBrasillense, 1987. (Coleção tudo é história)OLIVEIRA, Nadir Nóbrega. AGÔ ALAFIJU, ODARA! A presença de Clyde WesleyMorgan na Escola de Dança da UFBA, 1971-1978. 2006, p. 81. Dissertação(Mestrado em Artes Cênicas) – Universidade Federal da Bahia, Salvador Bahia.OLIVEIRA, Nadir Nóbrega. Dança Afro: sincretismo de movimentos. Editora SantaMaria, Salvador: UFBA, 1991.REIS, João José; SILVA, Eduardo. Negociação e Conflito: a resistência negra noBrasil escravista. Editora Schwarcz, São Paulo, 1989.RUDIO, Franz Victor. Introdução ao Projeto de Pesquisa Científica. 36ª ed.Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2009.SANTOS, José Luiz dos. O que é cultura. 14ª ed. São Paulo, editora Brasiliense,1994. (Coleção primeiros passos).SILVA, Eliana Rodrigues. Dança e pós-modernidade. Salvador: EDUFBA, 2005.SOARES, Carmem Lúcia, et all. Metodologia do Ensino de Educação Física:coletivo de autores. Editora Cortez, 1992. (Coleção magistério. 2º grau. Sérieformação do professor).TRIVIÑOS, Augusto Nivaldo Silva. Introdução à Pesquisa em Ciências Sociais: apesquisa qualitativa em educação. 1ª ed. São Paulo, editora Atlas, 1928.
  40. 40. 49APÊNDICE A
  41. 41. 50 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO - CAMPUS II CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Eu, Silvana Maria de Souza, estudante do curso de Licenciatura em Educação Físicada Universidade do Estado da Bahia- UNEB, Campus ll, estou em processo de construçãoda minha monografia de conclusão de curso. O meu estudo será sobre a dança afro nosquilombos de Alagoinhas: identificação da existência de uma herança cultural. Para tanto,devo acompanhar e observar as atividades dos grupos de dança e realizar entrevistas comos coordenadores dos mesmos, nos quilombos do Catuzinho e Buri em Alagoinhas.Comprometo-me com o sigilo em relação aos nomes do(s) sujeito(s).( ) Aceito participar da pesquisa.( ) Não aceito participar da pesquisa. _______________________________________ Assinatura do (a) participante da pesquisa
  42. 42. 51APÊNDICE B
  43. 43. 52 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO- CAMPUS II CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA1. IDENTIFICAÇÃO DO ENTREVISTADO:1.1. Nome?1.2. Idade?1.3. Formação?1.4. Atuação?2. ENVOLVIMENTO COM A DANÇA:2.1. Como se deu seu envolvimento com dança?2.2. Que tipo de dança é trabalhada na comunidade?2.3. A quanto tempo você trabalha com a dança?3. DESENVOLVIMENTO DA DANÇA NA COMUNIDADE:3.1. Como surgiu o grupo?3.2. Quem fundou?3.3. Em quem vocês se inspiraram?4. A RELAÇÃO DO TRADICIONAL E O CONTEMPORÂNEO:4.1. Qual a diferença da dança de hoje com a de antigamente?4.2. Vocês usam figurino? Ele é baseado no tradicional ou no contemporâneo?4.3. O que mudou na dança de antigamente para os dias atuais?4.4. O que prevalece ou prevaleceu no grupo que não pôde ser alterado?
  44. 44. 53APÊNDICE C
  45. 45. 54 TABELA DE CATEGORIAS CATEGORIA NÚCLEO DE SENTIDOS QUANTIDADE Identificação do Formação Magistério 3 Entrevistado Desde a infância 3 Se trabalhada na comunidade o Samba de Roda 4 Envolvimento Com a Contato com a dança entre 5 e 7 anos 3 Dança Tem envolvimento com a religião 3 Como um resgate cultural 3 Fundação dos Grupos por todos da Comunidade 3 Desenvolvimento da Inspiração vinda de descendentes e ancestrais 5Dança na Comunidade A dança se encontra mais solta e aberta, sem 1 censuras. Figurino mais voltado pro contemporâneo 3 A Relação do Tradicional e o Mudou a maneira de vestir, a ginga e 3 Contemporâneo instrumentos A manutenção da cultura e do tradicionalismo 5 não pode ser alteradosAuxílio Governamental Sem incentivo econômico financeiro 5
  46. 46. 55ANEXOS
  47. 47. 56
  48. 48. 57
  49. 49. 58
  50. 50. 59

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