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Daise

  1. 1. 1 UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA DAÍSE SALES DE OLIVEIRAESTUDO SOBRE A CONCEPÇÃO DE ESPORTE DO “PROGRAMA DE CRIANÇA PETROBRAS” NO MUNICÍPIO DE ENTRE RIOS – BA AGOINHAS 2010
  2. 2. 2 DAÍSE SALES DE OLIVEIRAESTUDO SOBRE A CONCEPÇÃO DE ESPORTE DO “PROGRAMA DE CRIANÇA PETROBRAS” NO MUNICÍPIO DE ENTRE RIOS - BA Monografia apresentada ao Curso de Licenciatura em Educação Física da Universidade do Estado da Bahia – UNEB, Campus II, Alagoinhas, como requisito parcial para obtenção do grau de Licenciado em Educação Física, sob orientação do Prof.º Ms. Luiz Carlos Rocha. ALAGOINHAS 2010
  3. 3. 3Aos meus avós paternos e maternos.
  4. 4. 4 AGRADECIMENTOSA Deus, pelo discernimento, sabedoria e livramentos concedidos em minhacaminhada. Aos meus pais, pelas contribuições na formação de meu caráter e pelosensinamentos que mim fazem ser o que sou hoje. Aos irmãos, que apesar dasrusgas são como pilares nos momentos bons e nos nem tão bons assim.Ao amigo Tom, que dentre os amigos tornou-se irmão e que assim como os meusconsangüíneos terá que me suportar até os últimos dias.As amigas Selma e Leidy, pelos conselhos, incentivos, paciência e confiança quesempre chegam em momentos oportunos.Ao Keu, pelas risadas e reggaes que em muitos momentos me fizeram esquecer osproblemas enfrentados.A meu grande mestre professor Luiz Rocha, por acreditar que eu podia produzir umpouquinho mais, até quando nem mesmo eu acreditava, pelo compromisso, pelaserenidade e humildade com a qual consegue passar os ensinamentos. Porconseguir despertar em mim a vontade de aprender e de produzir.A minha antiga turma de Educação Física 2005.2 e a minha atual galera EducaçãoFísica 2006.2 pelo carinho a acolhimento que demonstraram para comigo.A coordenação do Programa de Criança pela confiança conferida para a realizaçãoda pesquisa. Em fim, a todos que de um modo geral possam ter colaborado deforma direta ou indireta para o meu processo de formação.
  5. 5. 5Os pais e os professores lutam pelo mesmosonho: torna seus filhos e alunos felizes,saudáveis e sábios. Mas jamais estiveram tãoperdidos na árdua tarefa de educar. Cury (2008, s/p)
  6. 6. 6 RESUMOO presente estudo foi desenvolvido na unidade do Programa de Criança Petrobrasno município de Entre Rios – BA. Tendo como objetivo analisar e discutir aconcepção de esporte do referido programa. Para tanto, tomamos à dialética comobase na compreensão da realidade pesquisada, onde por meio de uma abordagemqualitativa utilizamos o método de Estudo de Caso, e mediante a aplicação deinstrumentos como: entrevistas estruturadas, questionários e observação. Tornou-sepossível chegar a resultados que sugerem que a visão acerca do fenômenoesportivo desenvolvida neste programa é composta por um mix de abordagensmetodológicas. O que nos faz concluir que há necessidade de se repensar as basesteóricas que fundamentam o projeto, bem como, é necessário investir emqualificação profissional afim de maximizar a concepção de esporte.Palavras Chaves: Esporte, Abordagem Metodológica, Programas de criança.
  7. 7. 7 LISTA DE ABREVEATURAS E SIGLASBA – Bahia.CEPE – Clube de Empregados da Petrobras.CT – Conselho Tutelar.SECEL – Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer.
  8. 8. 8 LISTA DE ILUISTRAÇÕESGráfico 1 Atividades Preferidas dos Educandos 37Gráfico 2 Concepção de Esporte dos Educandos 37Gráfico 3 O esporte e o aprendizado 39Gráfico 4 O que motiva a ida ao programa 39Gráfico 5 As evasões 40Gráfico 6 Motivos das evasões 41Gráfico 7 Conhecem pessoas que gostariam de freqüentar o programa 41Gráfico 8 Fatores que motivam as pessoas a querer participar do programa 42Gráfico 9 Interesse por outros esportes 42Gráfico 10 Relacionamento entre educandos e funcionários 43Gráfico 11 Pedidos dos alunos ao programa 43
  9. 9. 9 SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO 92 O ESPORTE E SUAS CONCEPÇÕES 112.1 Dimensões Política do Esporte 143 A BUSCA POR NOVOS CAMINHOS 184 O MUNICÍPIO, O ESPORTE, O PROGRAMA E SUAS RELAÇÕES 25 HISTÓRICAS5 O MÉTODO 316 DESCORTINANDO O PROGRAMA 336.1 O Programa aos Olhos da Coordenação 336.2 O Programa Pela Ótica do Educador Social 356.3 O Programa na Concepção dos Alunos 377 CONSIDERAÇÕES FINAIS 45 REFERÊNCIAS 47 APÊNDICE A - Entrevista à Coordenação 50 APÊNDICE B - Entrevista Para o Professor 52 APÊNDICE C - Questionário Para os Educandos 53
  10. 10. 101 INTRODUÇÃOO presente trabalho surge a partir do interesse em aprofundar meus estudos nocampo das políticas públicas, particularmente, aquelas situadas no âmbito doesporte e lazer. Decorre também, do fato de está atuando junto a Secretária deCultura, Esporte e Lazer da cidade de Entre Rios - BA.Justificasse ainda, pela relevância deste tema para o campo da Educação Física,uma vez que o esporte tem se colocado historicamente como o principalconhecimento trabalhado pelos profissionais da área. Não podemos também, deixarde reconhecer, a sua importância social, uma vez que, no cenário das políticaspúblicas o esporte se apresenta como um instrumento capaz de proporcionar umatransformação social, principalmente nos segmentos da população que vive emcondições de vulnerabilidade, especialmente, crianças e jovens.Portanto, é diante da escassez de projetos que atendam o público infanto-juvenil dasociedade entrerriense, que o Programa de Criança Petrobrás ganha visibilidade.Sendo assim, o objetivo desse trabalho será analisar e discutir a concepção deesporte desenvolvida neste programa, além de buscar compreender seu processode elaboração e execução.Ao longo de seus seis capítulos este estudo irá esquadrinhar e analisar o programaa fim de elucidar questões intrínsecas as concepções desenvolvida neste projeto,onde para tanto foi estabelecido um dialogo junto a coordenação, educadores eeducandos que o compõem, na busca de trazer respostas as perguntas formuladas.O primeiro capítulo, intitulado O esporte e Suas Concepções irá apresentar umadiscussão acerca das compreensões que norteiam o esporte na atualidade. Onde sepretende esclarecer alguns dos efeitos dessa manifestação cultural no meio social.Já no segundo, A Busca Por Novos Caminhos, traz uma discussão voltada àstransformações ocorridas no âmbito da Educação Física, a partir de uma análise dasabordagens metodológicas que no decorrer da década de 80 surgiram para atenderas novas demandas sociais.
  11. 11. 11O terceiro, O município, O esporte, O programa e Suas Relações Históricas, traçaum panorama entre as relações existente entre estas categorias, com o intuito demostrar o cenário no qual o programa encontra-se circunscrito.O quarto denominado O Método, apresenta os caminhos percorridos nestainvestigação, a metodologia, as técnicas e instrumentos utilizados, através dos quaisfoi possível responder as questões levantadas no decorrer do trabalho.O quinto, Descortinando o Programa, traz os dados encontrados e a discussãodestes, na perspectiva de compreender de maneira mais aprofundada os processosque orientam a implantação e execução do Programa de Criança Petrobras. Paratanto, estruturou-se a discussão em três etapas: • O Programa aos Olhos da Coordenação, nesta é possível constatar o entendimento da coordenação acerca do esporte. • O Programa Pela Ótica do Educador Social, esse apresenta a forma como o professor de esporte concebe este fenômeno. • O Programa na Concepção dos Alunos traz a visão dos educandos sobre o programa e o esporte.Por último, é possível encontrar as considerações finais do trabalho, onde é posto osacertos e limitações do programa, além de apresentar propostas com o intuito desubsidiar mudanças no cenário atual.
  12. 12. 122 O ESPORTE E SUAS CONCEPÇÕESDentre os elementos que compõe a Educação Física é notável o destaque que oesporte ganha dentro da cultura corporal, sendo assim não pode ser negada suaimportância no processo de formação histórico-cultural do individuo, o que por suavez nos remete a buscar compreender a relevância e abrangência deste no meiosocial.Norbert Elias (1992) citado por Júnior (2005, p. 127) analisa o esporte da seguinteforma: [...] as sociedades revelam meios compensatórios para aliviar as tensões provenientes do autocontrole das tenções, e o esporte seria um desses meios. O esporte responderia de maneira catártica e controlada à emoção mimética das relações, riscos e tensões do cotidiano. O que caracterizou o esporte moderno é o seu impulso civilizador no processo de esportivização dos pensamentos lúdicos.Já, Tubino (1999) concebe o esporte classificando-o em três dimensões sociais,sendo estas: esporte-performance, esporte participação e esporte educação.O esporte-performance seria a manifestação do esporte que dirigiu o conceito dofenômeno esportivo por muitos anos, sendo que esta é na atualidade tão somenteuma das dimensões deste fenômeno, tendo sido a partir dele que surgiu o “esporteolímpico e o esporte como instrumento político-ideológico”, não esquecendo queesta manifestação esportiva é disputada seguindo rigorosamente códigos e leispreviamente estabelecidos.Quanto ao esporte-participação este se configura como sendo a manifestação quese apóia no lúdico, no uso do tempo livre, não tendo obrigações com regrasestabelecidas por instituições, podendo esta propiciar por meio de sua vivenciaamenidade aos seus praticantes, além de poder proporcionar integração social,fortalecimento das relações pessoais.Já o esporte-educação este deve ser compreendido como sendo um preparo para acidadania, tendo um “caráter formativo”. Este deve esta em ambientes formais e não
  13. 13. 13formais de ensino, desvencilhando-se da seletividade e a competição acirrada,tomando como base “princípios educacional como: participação, co-educação,integração e responsabilidade”. Para Thomaz (2005, p.328) “o esporte-educacionaltem sido interpretado como um esporte escolar, na mesma lógica de entidades deprática esportiva, para formar equipes e disputar competições”.Na busca de elucidar o que seria competição Lawther (1973) apresenta seguintecontribuição: A palavra competição vem do latim, competere, que significa “buscar juntos” (com, juntos e petere, buscar). Ela normalmente subentende uma disputa com outro ou outros, e muitas vezes inclui a avaliação do desempenho da própria pessoa em termos comparados; isto é, em comparação com o desempenho de outros. A pessoa pode competir com seu próprio recorde ou com o estabelecido anteriormente por outros, na mesma prova. Talvez um meio comumente aceito seja o esforço para provar a si mesmo que se é superior a outrem, obter alguma recompensa, louvor ou honra superando outrem. O impulso para superar terceiros não é, necessariamente, de natureza hostil e, mais comumente, não inclui ira. À medida que a importância de superar terceiros aumenta, e que o impulso para vencer outras pessoas se acentua, a competição pode começar a transforma-se em agressão [...] (p.32)Já Maria Cagigal (1981) citada por Júnior (2005, p. 128) salienta que: [...] não é possível definir com aceitação geral o que é o desporto, nem como realidade antropocultural, nem como realidade social. Torna-se cada vez mais árida esta tarefa, tendo em vista que o desporto moda e amplia incessantemente seu significado, tanto no que se refere atitude de atividades humana quanto ao entendimento de uma realidade social complexa.Cristan (2000) ao buscar compreender o porquê do esporte ter passado a ser umdos elementos de maior relevância dentre os que compõem a cultura corporal nasociedade moderna tendo este adquirido valor simbólico e econômico, realiza umdesdobramento, onde apontará à “expansão do consumo generalizado do esporte”conferindo essa expansão ao tempo livre que os trabalhadores passaram a gozar dedireito, e com isso a enquadrar o esporte dentro de suas atividades, sendo que em
  14. 14. 14seus tempos livres os trabalhadores não só passaram a poder vivenciar o fenômeno,mas também se tornaram consumidores.A autora ainda define o esporte como sendo “um meio especifico de atividadesfísicas competitivas baseadas nos elementos do jogo e que se coloca sob umaperspectiva normativa orientada para objetivos específicos.” Comportandoelementos que lhe são “endógenos e exógenos”. São os elementos endógenossegundo a autora: [...] Poderíamos destacar não apenas os elementos já conhecidos – tempo, espaço e regras próprias – mas uma dinâmica da competição composta por elementos de tensão que tem seu apíce, comportando catarse e seu alívio, introjetando na atividade desportiva potenciais de constituição de mecanismos de projecção e identificação social, capazes se unificarem na criação de um capital simbólico particular à toda sociedade de massa. Esta maneira exclusiva de recriar laços de solidariedade – caráter endógeno – seria um dos mais genuínos aspectos do esporte enquanto fenômeno da sociedade moderna, principalmente porque através deste potencial o esporte pôde revelar sua faceta mercantil, tornando-se um bem altamente comercializável e sob o qual estruturou-se um mercado bastante complexo [...] (CRISTAN, 2000, p.79)Elucidando os elementos exógenos Cristan (2000, p.80) diz: [...] A constituição de condições históricas especifica a um dado tempo, cultura e região geográfica [...] foram responsáveis pela criação de um ambiente propicio à difusão do esporte como prática corporal e de consumo consagrada dentro da cultura de massa contemporânea. Mesmo assim, um outro dado deve ser amplamente considerado: a questão é que para conseguir se expandir – como cultura corporal praticada e consumida – novos atributos foram dados ao esporte, uma vez que nem todos são dotados das habilidades portadas pelos super-atletas. Nesse sentido, a competição exacerbada que funcionava como o aspecto mais atraente das disputas dos torneios teve que ser melhor controlada para que a prática das atividades esportivas em tempo de lazer – e o consumo correlato de equipamentos e uma série de outros produtos desportivos – pudessem atingir um público ainda maior.Segundo a autora dessa forma o esporte passa a ter um maior alcance no meiosocial o que por sua vez acaba lhe concedendo uma dada hegemonia dentro dacultura corporal, “praticada e espetacularizada – inclusive pelo brasileiro”. Adotando
  15. 15. 15este um caráter que transcende a estratificação social de algumas camadas o quepor sua vez confere-lhe certa “mobilidade dentro da pirâmide social”.De acordo com Vaz (2005) o esporte da atualidade está muito mais caracterizadocomo mercadoria do que anos atrás, e atribui esse feito aos meios de comunicaçãode massa e a chamada “indústria do entretenimento” havendo segundo o autor umaestreita relação entre estas. Ele ressalta ainda que dentro da sociedade industrialtem mais valor o “resultado e não o sujeito que o realiza”, “a ação e não o ator”.Compartilhando de uma visão similar de pensar a trajetória histórica do esporte esua abrangência no meio social Oliveira (2005, p.15) diz: A influência do esporte sobre a educação física tem um grande crescimento após a Segunda Guerra Mundial, afirmando-se como elemento hegemônico da cultura corporal. No Brasil, é o período do fim do Estado Novo, do avanço do processo de urbanização, com o desenvolvimento industrial e dos meios de comunicação de massa. Registra-se, ainda, como importante para o avanço dessa influência no Brasil a difusão do método denominado “Educação Física Desportiva Generalizada”, criado pelo Instituto Nacional de Esporte da França e que aqui chegou por volta dos anos de 1940. Foi difundido principalmente nos cursos de aperfeiçoamento técnico- pedagógico ministrados pelo professor Auguste Listello, ficando conhecido como “Método Desportivo Generalizado”.Contudo, buscar perceber as possíveis relações/ligações entre esporte e políticatambém se faz necessário para melhor compreender o alcance desse junto àsociedade e os avanços históricos envolvendo este fenômeno. Sendo assim,discorreremos a seguir acerca de algumas concepções que permeia o campo dapolítica e do esporte.2.1 Dimensões Política do EsporteAo fazermos uma análise cuidadosa do esporte perceberemos o quanto este estáhistoricamente ligado à política e veremos também o quanto ambos utilizam um aooutro para galgar seus status e justificar-se socialmente.
  16. 16. 16Na perspectiva de compreender a política do esporte podemos lançar mão aqui dacontribuição de Thomaz (2005, p. 327) que a define assim: É o conjunto de princípios, de diretrizes e de ações estratégicas desenvolvidas pelos poderes públicos e pela iniciativa privada no objetivo da promoção e desenvolvimento da cultura do esporte, seja em suas atitudes formativas (educativas), de lazer (recreativo ou contemplativo) ou performáticas ou de rendimento (espetáculo e resultados atléticos – recordes e vitórias), profissionalizadas ou não.Com o advento do projeto neoliberal acompanhamos a redução ou até mesmo emalguns casos a inexistência da intervenção estatal junto a algumas demandassociais, com isso foi possível perceber um crescimento significativo de projetossociais que buscam atender tais demandas. Projetos estes que ajudam a comporaquilo que chamamos de “terceiro Setor” e o que para Montaño. Se dá da seguinteforma: [...] no que concerne ao novo trato da “questão social”, a orientação das políticas sociais estatais é alterada de forma significativa. Por um lado, elas são retiradas paulatinamente da órbita do Estado, sendo privatizadas transferidas ao mercado e/ou alocadas na sociedade civil. Por sua vez, essas políticas sociais estatais são focalizadas, isto é, dirigidas exclusivamente aos setores portadores de carências pontuais, com necessidades básicas insatisfeitas. Finalmente, elas são também descentralizadas administrativamente; o que implica apenas em uma desconcentração financeira e executiva, mantendo uma centralização normativa e política. Em idêntico sentido, os serviços sociais, a assistência estatal, as subversões de produtos e serviços de uso popular, os “complementos salariais” etc., se vêem fortemente reduzidos em quantidade, qualidade e variedade. O que significa que os “sérvios estatais para pobres” são “pobres serviços estatais. (MONTAÑO, 2001, P. 3)Dentre os projetos sociais que vimos avolumar-se nos últimos anos está os projetosesportivos, o que possibilitou à ampliação deste fenômeno através de movimentosque visavam sua popularização tornando ainda mais perceptível seu potencial nocombate as mazelas sociais, o que acabou por colaborar para a utilização destespor alguns agentes políticos que passaram a empregá-lo em suas ações buscandopreencher as lacunas deixadas pelo Estado no que tange as políticas públicas deesporte. Em sua maioria os agentes políticos estão alocados na sociedade civil,Maar, W. L. (1986, p. 64) nos mostra que “para exercer a atividade política, asociedade civil tem suas próprias instituições, onde procura desenvolver direções
  17. 17. 17políticas para ser levada ao estado, a “instituição das instituições”. Fazendo partesdestas os partidos, os sindicatos, as empresas... sendo que embora essa últimatenha contribuído para a ampliação da prática esportiva no Brasil Tubino (2001, p.27) nos mostra que: “... não se pode esquecer é que uma empresa deve serentendida como uma célula social básica, como tal deveria constituir-se comoepicentro social e cultural em todos os domínios de desenvolvimento de suacomunidade.”De acordo com a Constituição Federal de 1988 em seu artigo 217º, no qual dispõemsobre o dever do Estado acerca do desporto trás em seus incisos I, II, e III aseguinte colocação: I - a autonomia das entidades desportivas dirigentes e associações, quanto a sua organização e funcionamento; II - a destinação de recursos públicos para a promoção prioritária do desporto educacional e, em casos específicos, para a do desporto de alto rendimento; III - o tratamento diferenciado para o desporto profissional e o não profissional.Oleias, acredita que a partir dessa constituição surgiu “uma nova forma de concebero esporte” tanto por parte dos “governantes” quanto por parte dos “empresários”. Emseu trabalho o autor mostra que: [...] Os investimentos que as elites empresariais deslocam para benefícios sociais, neste particular ao desenvolvimento do esporte, estão aquém das reais necessidades. Por esse motivo, mesmo havendo o relacionamento entre ambos, o Estado continua deslocando recursos para o setor. Tais argumentos conduzem os profissionais em Educação Física a uma discussão sobre a definição do papel do Estado e da iniciativa privada no desenvolvimento da Educação Física e do esporte, observando a relevância que deve ser dada a participação da sociedade civil neste processo, por ser um assunto político-social de grande repercussão, mas que tem sido visualizado de maneira pouco democrática [...] (OLEIAS, S.d. p. 4)Atualmente os projetos esportivos nos são apresentados na carapaça de “projetosesportivos educacionais”, onde o desporto é apresentado na modernidade comodiria Bracht (2002) como uma pedagogia moral, através do qual seria possível umaaprendizagem das virtudes. Já Lawther mostra que:
  18. 18. 18 Para desenvolver o desportismo, os incentivos para o aprendizado de valores sociais desejáveis devem ser parte da situação de aprendizado total. Além disso, deve-se dar importância a esse aprendizado, no comportamento esportivo, em termos de reconhecimento e recompensas, para que ele seja importante e permanente. (LAWTHER, 1973, p.35)Todavia a humanização dos indivíduos, a tão almejada educação torna-se possívelsegundo Medina havendo uma apropriação do corpo pela cultura, o que para eleocorreria da seguinte forma: [...] O corpo é apropriado pela cultura. Vai sendo cada vez mais um suporte de signos sociais. É modelado como projeção do social. As instituições assumem seu papel. Como dizem é necessária a preparação (do corpo) para o convívio em sociedade. É preciso aprender as regras sociais. Começa a divisão. Começa a educação. O corpo da criança vai sendo violado por um conjunto de regras socioeconômicas que sufoca, domestica, oprime, reprime, “educa” [...] (MEDINA, 1987, p. 66)Compreendendo que o esporte moderno tem trilhado novos caminhos que o fazemser visto não só como performance, mas também na dimensão educacional,participação... E, entendendo ainda, que a política de hoje é fruto de um passado eque ela não esta pronta, portanto sujeita a transformações devido a suadinamicidade isso nos remete a vislumbrar novas investigações cientificas a fim dedescortinar questões intrínsecas tanto no âmbito político quanto no âmbito esportivo,para que por meio destas seja possível trazer a luz a dimensão social do fenômenoesportivo.
  19. 19. 193 A BUSCA POR NOVOS CAMINHOSDurante já algum tempo os profissionais da área de Educação Física tem buscadonovos caminhos que norteie sua prática pedagógica, com o intuito atender as novasdemandas sociais impostas, as quais os métodos tradicionais de ensino daEducação Física já não dão conta de atender. Segundo Oleias, quando trabalhadosdentro dessas perspectivas esses métodos preocupa-se com: [...] A introdução dos movimentos estereotipados, ritmados e seriados na ginástica, o uso do cronômetro com objetivos classificatórios e seletivos, a utilização de critérios “científicos” no treinamento e “adestramento” de indivíduos, além da presença do profissional técnico-especializado manipulando o desempenho físico, é um retrato perfeito da presença do método taylorista na Educação Física e nos esportes [...] (OLEIAS, S.d. p. 4) [...] o cumprimento do programa traçado do que com o nível de compreensão, sistematização e produção pelos alunos. Assim, a aprendizagem desenvolvida por profissionais tecnicistas através do método tradicional é obtida pelo alunos basicamente por duas situações: a) pela insistência na repetição dos movimentos; b) pela cópia de um modelo a ser seguido (executado) [...] (OLEIAS, S.d. p. 5)Havendo por tanto nesse tipo de abordagem do esporte a falta de problematizaçãoque possibilite ao aluno relacionar-se de forma critica com o objeto daaprendizagem.Paulatinamente novas abordagens metodológicas foram surgindo, o que por sua vezacabou contribuindo para uma ampliação na forma de se conceber o fenômeno, etrazendo em seu bojo um cuidado diferenciado aos conhecimentos até entãotratados por essa área de conhecimento.Soares, et al (1992) nos propõem uma nova forma de conceber o universo deconteúdos pertencentes à Educação Física, a fim de promover mudanças sociais,nas quais os sujeitos da aprendizagem sejam capazes de compreender que oconhecimento é algo provisório e que, portanto estes indivíduos deve esta aptos ase reconhecerem como seres sócio-histórico com envergadura para sistematizaruma nova realidade, tanto no âmbito social, econômico e/quanto político, além depossibilitar a esses sujeitos o desenvolvimento de identidade de classe. E para
  20. 20. 20tanto os autores fazem uso de macro temas da cultura corporal, onde os conteúdosdevem ser tratados de forma cíclica e espiralados, contudo salientam que autilização destes deve seguir uma ordem arbitrária. A essa forma de pensar osconhecimentos pertencentes à Educação Física os proponentes chamaram deabordagem Crítico-Superadora. Tendo o esporte em foco dentro dessa perspectivade abordagem, este deve ser percebido em suas diferentes vertentes e efeitos, jáque este estará sujeito a códigos e signos sociais, os quais precisam ser levados emconsideração quando trabalhados em uma perspectiva educacional. Buscandosempre corroborar para a desmistificação do fenômeno, almejando dessa forma queele não venha ter fim nele mesmo.Ainda segundo o Soares et al: Se aceitamos o esporte como fenômeno social, tema da cultura corporal, precisamos questionar suas normas, suas condições de adaptação à realidade social e cultural da comunidade que o pratica, cria e recria. Na escola, é preciso resgatar os valores que privilegiam o coletivo sobre o individual, defendem o compromisso da solidariedade e respeito humano, a compreensão de que jogo se faz “a dois”, e de que é diferente jogar “com” o companheiro e jogar “contra” o adversário. (SOARES et al, 1992, p. 49)Dando seguimento à visão crítica de se pensar o esporte, podemos lançar mão dascontribuições de Kunz (2001) que propõe modificações concretas ao ensino destefenômeno, nos chamando a atenção à necessidade de uma transformação didático -pedagógica para seu ensino, onde seja feito o uso de ferramentas que façam odialogo entre o esporte, cultura, economia, política e o social de um modo geral.Nutrindo os sujeitos da aprendizagem com elementos que os possibilitem um agirpara além da prática, por meio de subsídios que os permitam desenvolver visãocrítica, a partir da qual seria possível contribuir com a criação de seres livres eemancipados. Contudo o autor nos mostra que: A teoria tem a capacidade de antecipar ações prática, mas é a partir, também, de propostas práticas concretas que o desenvolvimento teórico pode tomar novo impulso. E é nessa dialética de interação entre teoria e a prática que se pode chegar a uma pedagogia consistente para o ensino dos esportes na Educação Física Escolar. (KUNZ, 2001, p. 30)
  21. 21. 21De acordo com Oleias (S.d. p. 7) [...] a função do professor de Educação Física não esta pautada apenas na transmissão de um dado conhecimento, mas na mobilização para a construção do conhecimento, tendo como base três necessidades: a) conhecimento da realidade; b) clareza dos objetivos; c) relacionamento entre teoria e prática. Considerando essas três necessidades como fundamentais no desenvolvimento da prática de ensino da Educação Física é importante frisar que o relacionamento entre teoria e prática pode ser considerada a essência do método inovador.No mesmo trabalho Kunz tece críticas ao que ele denomina de "visão dualista" doColetivo de Autores, os quais fazem uso do termo “cultura corporal” para designar a"área de conhecimento" da Educação Física. [...] porém, com toda certeza esses autores sabem que, pela concepção dualista de homem, se existe uma cultura humana que é apenas corporal, devem existir outras que não o são, que devem ser então mentais ou espirituais e, certamente, não incluíam a cultura corporal do jogo, do esporte da ginástica e da dança como cultura "corporal" na concepção dualista. Embora esse conceito de "cultura corporal" esteja sendo utilizado por muitos teóricos da Educação Física e Esporte, parece-me destinado apenas a reforçar uma cultura desenvolvida pela via do movimento humano. É, de qualquer forma um conceito tautológico, um vez que não pode existir nenhuma atividade culturalmente produzida pelo homem que não seja corporal. (KUNZ, 2001. p. 19)Sendo assim Kunz propõe uma nova abordagem para o ensino da Educação Física,e a intitula de Crítico – Emancipatória, através da qual vislumbra a “cultura domovimento” como conhecimentos/conteúdos a ser tratado pelos profissionais daárea. Configurando-se o esporte como um fenômeno sócio cultural estaria ele,portanto, imbuído nas propostas dessa abordagem. Todavia o autor sugeri/apresentamudanças ao tratá-lo pedagogicamente. [...] Transformações devem ocorrer, acima de tudo, em relação às insuficientes condições físicas e técnicas do aluno para realizar com certa “perfeição” a modalidade em questão. Essa “perfeição” se concretiza no nível do prazer e da satisfação do aluno e não no modelo de competição, pois não é tarefa da escola treinar o aluno, mas ensinar-lhe o esporte, de forma atrativa, o que inclui a sua efetivação prática [...] (KUNZ, 2001. p. 126)
  22. 22. 22 [...] não é apenas uma transformação prática do esporte que deve acontecer (de uma prática exigente para uma prática menos exigente em relação ao aluno, o que acontece também na busca de alternativas para introduzir ou iniciar melhor o aluno em alguma modalidade) mas, principalmente, a compreensão das possibilidades de alteração do sentido dos esportes [...] (KUNZ, 2001. p. 127)De acordo com Soares et al (1992, p. 71) o processo de ensino-aprendizagem nasaulas de Educação Física tem se configurado da seguinte maneira: [...] está condicionada pelos significados que lhe são atribuídos tanto pela legislação vigente, quanto pelo processo de trabalho estabelecido no interior da escola e pelos conhecimentos e concepções dos professores e alunos envolvidos. Nesse confronto, onde entram em questão projetos pedagógicos diferentes e até antagônicos, tem prevalecido a “orientação oficial” advinda do sistema esportivo. Essa “orientação oficial” determina as condições organizacionais das escolas, as quais condicionam a prática pedagógica da Educação Física, dando-lhe um significado, uma finalidade, um conteúdo e uma forma. O significado é a meritocracia, a ênfase no esforço individual. A finalidade é a seleção. O conteúdo é aquele advindo do esporte, e a forma são os testes esportivo-motores.Tendo como arcabouço a abordagem Crítico-Emancipatoria sugere-se que o esporteseja esmerilado por meio de um esquadrinhamento, o que por sua vez contribui paraque os aprendizes desse fenômeno ultrapassem as barreiras das técnicas ehabilidades fazendo com que concebam o esporte dentro de suas necessidades epossibilidades, as quais o autor mostra que muitas das vezes acabam sendomanipuladas para atender os interesses de uma minoria. “É notório que o esporte,para ser praticado nos padrões e nos princípios do alto rendimento, requerexigências de que cada vez menos pessoas conseguem dar conta, mesmo assimele é o modelo que todos querem seguir.” (KUNZ, 2001, p.34) e que em algunscasos os profissionais da área acabam mesmo que de forma inconscientementeagindo como agentes legitimadores da “coerção auto-imposta”Lawther nos mostra que: Aquilo que a pessoa é motivada a aprender depende das suas finalidades e dos seus objetivos pessoais. O aprendizado de valores sociais, particularmente do desportismo, deve ser parte da finalidade
  23. 23. 23 do indivíduo. Para que haja aprendizado, seus resultados devem ser reconhecidos e devem ser tornados satisfatórios. (LAWTHER,1973, p.34)Kunz (2001) ainda nos mostra que no trato com o esporte, torna-se imperativopensarmos não só a realidade material onde se desenvolve a práxis pedagógica,mas também aponta a necessidade de perceber o individuo da aprendizagem emsua totalidade, compreendendo que o movimentar-se não envolve apenas corpos,mas toda uma subjetividade e carga emocional que deve ser considerada durante oprocesso de ensino-aprendizagem. Haja vista esta influenciarem durante a execuçãodos movimentos.Comungando da mesma linha de pensamento de Kunz no trato com o processo deensino-aprendizagem o antropólogo e sociólogo Frances Edgar Morin diz: [...] o racionalismo que ignora os seres, a subjetividade, a afetividade e a vida é irracional. A racionalidade deve reconhecer a parte de afeto, de amor e de arrependimento. A verdadeira racionalidade conhece os limites da lógica, do determinismo e do mecanismo; sabe que a mente humana não poderia ser onisciente, que a realidade comporta mistérios. Negocia com a irracionalidade, o obscuro, o irracionalizável. (MORIN, 2000, p. 23).Ao abordar questões inerentes ao campo da educação, o psiquiatra Cury esclareceo quanto à “emoção determina a qualidade do registro” na memória [...] nos só conseguimos dar detalhes das experiências que envolve perdas, alegrias, elogios, medos, frustrações. Por quê? Porque a emoção determina a qualidade do registro. Quanto maior o volume emocional envolvido na experiência, mais chance terá de ser registrado. Onde eles são registrados? Na UMC, que é a memória de uso continuo ou memória consciente. As experiências tensas são registradas no centro consciente, e a partir daí são lidas continuamente. Com o passar do tempo, elas vão deslocadas para a periferia inconsciente da memória, chamada de ME, memória existencial. Em alguns casos, o grau de ansiedade ou sofrimento pode ser tão grande que provoca bloqueio na memória. Este bloqueio é uma defesa inconsciente que evita o resgate e a reprodução da dor emocional... Normalmente as experiencias com alta carga emocional ficam disponíveis para serem lidas e gerarem milhares de novos pensamentos e emoções. Uma ofensa não-trabalhada pode estragar o dia ou a semana. Uma rejeição pode encarcerar uma vida. Uma criança que fica presa num quarto escuro pode desenvolver
  24. 24. 24 claustrofobia. Um vexame em público pode gerar fobia social [...] (CURY, 2008, p.78)Oliveira resumiu as criticas ao esporte em duas dimensões são elas: A primeira dimensão diz respeito a essa relação de exclusividade (sem espaço para outros temas), primazia (propriedade quanto ao tempo e a organização do espaço) ou hierarquia (outros temas tratado em função dele) na organização das aulas de Educação Física. A segunda dimensão da crítica diz respeito a função do esporte na escola, sustentando-se, por um lado, na idéia de que o esporte que acontece na escola está a serviço da instituição esportiva e, por outro lado, na dimensão axiológica, nos valores que ele transmite, perpassa e constrói. (OLIVEIRA, 2005, p.16)Mais adiante Oliveira mostra creditar que as duas dimensões da crítica “não seexcluem e se articulam” embora estas tenham segundo o autor “problemas dematrizes diferentes”. De um lado, verifica-se um problema que é de ordem metodológica, que remete ao trato com o conhecimento esporte baseado em uma determinada perspectiva da Educação Física. Ou seja, são questões decisões no plano da organização e da seleção de conteúdos de ensino, considerando o tempo e o espaço pedagógico e as finalidades da escola. De outro, temos um problema de ordem teórica, no sentido mesmo e explicação e interpretação da realidade, que é a própria caracterização do esporte, a leitura que se faz do seu surgimento e desenvolvimento. (OLIVEIRA, 2005, p.17)Diante das discussões e polêmicas que cercam o campo da Educação Física e doesporte OLIVEIRA (2005), apresenta o que ele chama de “pressuposto” dereinvenção do fenômeno esportivo, enxergando a escola como lócus “privilegiado”para essa reinvenção, já que esta é um “espaço de intervenção”, onde há apossibilidade de ser feitas críticas ao modelo vigente.Esse “novo esporte” ou esse “esporte reinventado” deve apresentar elementos taiscomo: “... uma visão crítica em relação aos códigos, valores e sentido do esportemoderno, valores e sentidos fundamentais da sociedade capitalista... pesá-lo a luzde um determinado projeto político-pedagógico...” (OLIVEIRA, 2005, p.20) [...] O pressuposto da possibilidade de reinvenção do esporte, além de fincado na critica ao capitalismo e na compreensão da escola
  25. 25. 25 como espaço de contradições, conflitos e disputas, articula uma determinada perspectiva teórica, de explicação e interpretação do esporte como dado cultural com necessidade de um trato com esse conhecimento, no âmbito da escola, que seja capaz de promover sua explicação, negação e superação. A possibilidade de reinvenção como pressuposto é, ao mesmo tempo, impulso fascinante e o limite desafiador este estudo, pois se, em geral, há resistência às mudanças, no caso do esporte predomina uma postura como se tudo fosse passível de ser alterado, exceto ele, tornando-o, assim, algo que, de tão humano, porque competitivo, tornou-se estranho ao próprio homem [...]Para concluir essa parte da discussão trago as contribuições de Oliveira (2005, p.88)“... Sem dúvidas, qualquer que seja a abordagem, desde que numa perspectivacrítica, não há o que discordar do caráter alienante com que o esporte se reveste ese desenvolve na sociedade industrial.Sendo assim, espera-se que as contribuições teóricas aqui abordadas permitamuma análise mais cuidadosa do nosso objeto de estudo, compreendendo-o nas suasmúltiplas possibilidades de se manifestar no meio no qual está inserido.
  26. 26. 264 O MUNICÍPIO, O ESPORTE, O PROGRAMA E SUAS RELAÇÕES HISTÓRICASEntendendo que as relações sociais se constituem ao longo da história e que essasimprimem muitas marcas nas vidas dos sujeitos que delas fazem parte,influenciando inclusive em suas ações no meio social. É que convidamos o leitor afazer um breve mergulho histórico, buscando compreender as relações entre omunicípio de Entre Rios – BA, o esporte nele desenvolvido e o Programa de Criança– Petrobras.Antes de imergirmos em “águas mais profundas” da histórica de Entre Rios – BAgostaria de descrever o atual quadro social do município, o qual conta hoje com umapopulação estimada de 40.524 habitantes segundo dados do IBGE – InstitutoBrasileiro de Geografia e Estatísticas. Sendo que aproximadamente 43% dessapopulação é composta por crianças e adolescente. No que tange a ações voltadas aesse público, estas são escassas e em alguns casos até mesmo inexistente, como éo caso de programas que viabilizem geração de emprego e renda, acesso a práticaesportiva continuada, dentre outros. Embora o PIB Per capita da população até 2007tenha sido calculado em R$ 5.728 (cinco mil setecentos e vinte oito reais), boa parteda população local ainda vive em situação de pobreza ou abaixo da linha desta.Alguns dos problemas sociais mais freqüentes envolvendo os jovens do municípioestão relacionados com os altos índices de criminalidade, que segundo a PolíciaCivil do Município (2010) estes chegam a preocupar devido ao grande númeroparticipação de menores nas ocorrências, configurando entre as infrações maispraticadas: participação no tráfico de drogas, furtos, roubos, agressão física,arrombamentos, homicídios, etc.Outro dado preocupante é a irresponsabilidade de pais no trato com seus filhos (faltade escola, falta de companhia, falta de alimentação), nos três últimos anos esta temsido a queixa que lidera o ranck de denuncia do CT - Conselho Tutelar do município,seguido de perto pela indisciplina escolar.Em se tratando do esporte, de acordo com a SECEL - Secretaria de Cultura, Esportee Lazer do município, são poucas as ações realizadas hoje no âmbito esportivo,
  27. 27. 27estando estas bem mais ligadas a atividades esporádicas, tais como: torneios defutebol, corridas rústicas, Jipe Cross, doações de material esportivo, dentre outrosRocha et al (2008) descrevem que os investimentos esportivos deste municípioestão mais voltados para construção de espaços para as práticas esportivas efomento de campeonatos. De acordo com o Relatório Resumido da ExecuçãoOrçamentária do município, no primeiro bimestre do corrente ano a despesa liquidacom o esporte e lazer corresponde a R$ 14.229,80 (quatorze mil, duzentos e vinte enove reais e oitenta centavos).Embora haja neste poucas ações no âmbito das políticas públicas de esporte quebeneficiem seus munícipes a lei orgânica do município em seus artigos (166, 167 e168) faz referência ao tema e reconhece o esporte como um direito que deve serassegurado pelo município, contudo as poucas ações que mantém um certo grau deregularidade são oriundas de programas do Governo Federal.De acordo com Rocha et al (2008, p. 4) em estudo acerca das políticas públicas deesporte e lazer oferecido à população de alguns municípios do território 18 (agrestede Alagoinhas): [...] É possível reconhecer a tecnocracia e o centralismo como tendência hegemônica na gestão pública dos municípios investigados. A partir dos dados coletados e das entrevistas realizadas, foi possível perceber a indisponibilidade de diálogo permanente dos gestores com as comunidades e observar que as ações municipais estão desarticuladas da realidade concreta. Identificou-se também, na maioria das prefeituras a ausência de uma política permanente de financiamento e ações desordenadas referentes aos programas municipais de esporte e lazer... foi possível identificar, ainda, que o processo de participação da comunidade local na elaboração e implementação das políticas é difuso e pontual. Isto remete a uma compreensão de que a participação da população se dá eventualmente, quando chamada pelo poder público local para tratar de questões de interesses específicos e imediatos [...]Ao longo de seus 139 anos o município de Entre Rios - BA tem dado mostra dequanto seu povo se identifica com a prática esportiva, seja ela convencional ou não,este fenômeno se faz presente na vida dos entrerrienses por meio de suasdiferentes dimensões. Na perspectiva do rendimento (amador ou profissional) tantono passado quanto na atualidade os atletas locais se destacam em diferentes
  28. 28. 28modalidades configurando entre estas: futebol, triátlon, atletismo, natação... tendoestes representado o esporte local em competições intermunicipais, estaduais e emalguns casos até mesmo internacionais. Segundo dados da SECEL (2010). No queconcerne o esporte – educacional no município este encontra-se deixado de lado jáalgum tempo, sua prática só pode ser vista em duas escolas estaduais, duasescolas privadas, que funcionam na sede do município, também em um programado Governo Federal1 e no Programa de Criança Petrobras, quanto as escolas domunicípio de acordo com levantamento feito pela SECEL (2009), apenas uma escolatem aula de “esporte” ou melhor de futebol em suas aulas de Educação Física,devido a esse ser o único material esportivo disponível para as aulas, embora aescola disponha da melhor quadra existente no município essa praticamente nãotem sido utilizada nas aulas, quanto as demais escolas se detêm a apenas a aulasteóricas, ou por falta de material ou por falta de espaço físico, somando-se a essaquestão o fato da inexistência de profissionais de Educação Física na rede públicamunicipal de ensino. Há alguns anos atrás o esporte nas escolas de Entre Rios tinhaseu lugar garantido dentro das aulas de educação física onde era comum arealização de Jogos da Primavera, intercolegiais dentre outros eventos quecostumavam mobilizar a população em torno destes.É na dimensão da participação que o fenômeno encontra-se melhor disseminadoentre os munícipes, objetivando o entretenimento e o lazer, não é difícil encontraralgumas modalidades sendo praticadas livremente nos mais diferentes espaços. E éjustamente entre o esporte participação que se configura algumas práticasesportivas com raízes rurais comumente apreciadas na região tais como:vaquejadas, rodeios, corridas de argolas, pareia... com tudo é válido ressaltar quenão só a cultura rural que tem dado suas contribuições as práticas esportivas local,mas também a cultura quilombola e costeira.Ao longo da historia do município a extração petrolífera destacasse como sendouma das principais bases econômica deste, o que por sua vez contribui para aexistência do elo entre a Petrobras e Entre Rios - BA. A importância da exploração1Este programa (Projovem) no momento encontra com atividades suspensas por falta deestagiário.
  29. 29. 29do petróleo é tão grande para a economia local que este chega ser exaltado na letrado hino2 do município composto pelo maestro português Santa Isabel. [...] É Por isso o que digo e não erro Esta cidade formosa e baiana, Tem petróleo e tudo d’belo E com garbo seu povo se ufana [...]Tendo sido esclarecido em parte à importância da Petrobras para o município, assimcomo a relação da população local com o esporte e as carências gritantes daspolíticas públicas no âmbito no seguimento esportivo. É nesse cenário que oPrograma de Criança Petrobras, ganha visibilidade. Sendo assim, adentraremosagora no universo e na historia deste Programa.Segundo informações da Petrobras o Programa de Criança Petrobras 3 foi implantadono país em 1983, hoje ele está presente em nove estados brasileiros, dentre osestados beneficiados está o estado da Bahia. De acordo com a empresa o programacaracterizasse como um projeto de longo alcance, o qual investe em“complementação educacional de meninos e meninas carente de idades entre 7 e 14anos... promovendo atividades esportivas, artísticas, recreativas, além de ministrarnoções de saúde e higiene”. [...] “Trata-se de um projeto preventivo, o que sepretende é evitar que a criança ingresse na marginalidade”.Na Bahia o programa tem suas atividades desenvolvidas nos município de:Candeias, São Sebastião do Passé, Catu, Alagoinhas, Araçás, Entre Rios, Pojuca,Madre de Deus e mais recentemente em Cardeal da Silva. Segundo informaçõesconcedidas pela Coordenação do Programa de Criança no estado, até o momento oprograma só é implantado em municípios que tem unidades de exploração daPetrobras. Ainda em consonância a informações fornecidas pela coordenação doprograma, este foi implantado no estado a aproximadamente 19 anos, tendo2Ano de composição ignorado.3A empresa ainda é responsável pelo desenvolvimento de programas na região tais como:Jovem Aprendiz, Programa de Criança, Projeto Tamar, dentre outros, além de patrocinaralgumas manifestações culturais.
  30. 30. 30chegado a Entre Rios há 11 anos. O programa oferece suas atividades duas vezespor semana no contra-turno escolar, é também de responsabilidade do programa adisponibilização de material didático, fardamento, bem como alimentação etransporte.Por meio do programa a empresa já beneficiou um universo de “aproximadamente5.000 crianças” em nove estados e “aposta no programa para retirar as crianças dasruas, fazendo com que elas descubram suas potencialidades, através das aulas”.Segundo informações da Coordenação no Estado, somente no ano passado oprograma atendeu aproximadamente cerca de 1020 crianças em seus 8 pólosespalhados pelo estado, sendo que entre estas 100 foram atendidas na unidade deEntre Rios – BA.No município de Entre Rios – BA segundo informações concedidas pelaCoordenação. O programa funciona duas vezes por semana (terça e quinta),atendendo atualmente o número 100 alunos, sendo que 50 no turno da manhã e 50no turno da tarde, os quais são selecionados obedecendo às seguintes condições:ter oito a dez anos de idade no ano de ingresso no programa, está devidamentematriculado e freqüentando a escola e ser considerado de baixa renda. Para tãosomente após esse processo ter acesso atividades como: apoio pedagógico, artes,horticultura e esporte. Os participantes podem fazer parte programa atécompletarem os treze anos, após atingirem essa idade devem deixar o programapara possibilitarem o ingresso de novos participantes.Os planos de aulas dos facilitadores das atividades devem estar embasados deacordo com planejamento maior que ocorre uma vez por mês no Clube deEmpregados da Petrobras - CEPE no município de Catu - BA. Onde reunisse osprofessores de todos os pólos que funcionam no estado, juntamente comcoordenação do programa, para discutir e planejar as atividades do mês.Na busca de obter um controle do desenvolvimento corporal das crianças estascostumam ser pesadas e medidas a cada ciclo do programa, ou seja, em seuingresso, na saída para o recesso e no retorno das atividades.Quanto à infra-estrutura que o programa de Entre Rios dispõem para as aulas deesporte, atualmente esta é composta por uma sala de aula e uma quadrapoliesportiva, quadra esta que se encontra em péssimas condições de conservação(com fissuras no piso, mato em alguns pontos, além de não dispor de cobertura nem
  31. 31. 31arquibancada). Contudo é válido ressaltar que segundo o professor de esporte embreve o programa ganhará a construção de uma piscina ampliando dessa forma aestrutura esportiva.Portanto, é nesse cenário que se dão as atividades do Programa de CriançaPetrobras, que serão objeto de análise dos nossos estudos. Espera-se entretanto,que as interpretações oriundas deste estudo, contribuam para refletirmos e quemsabe intervirmos de maneira mais qualificada no programa, para que este atingaefetivamente seus objetivos.
  32. 32. 325. O MÉTODOO presente estudo foi desenvolvido na unidade do Programa de Criança Petrobrasno município de Entre Rios - BA. O programa é considerado importante por ser umdos mais abrangentes da cidade no uso do fenômeno esportivo, por apresentarregularidade em suas atividades e atender um número significativo de crianças.Trata-se de uma investigação de campo e se configura como uma pesquisaqualitativa, por possibilitar uma análise do comportamento humano, levando emconsideração sua subjetividade e as influências por esses sofridas em interação como meio (MOREIRA, 2002).O método adotado foi o estudo de caso, que Triviños (2007, p. 103) define comosendo “uma caracterização para designar uma diversidade de pesquisas quecoletam e registram dados de um caso em particular ou de vários casos a fim deorganizar um relatório ordenado e crítico de uma experiência”. De acordo com oautor caracteriza-se ainda como um Estudo de Caso Observacional, já que o focopara análise pode ser uma organização, sendo que não será esta como um todo queinteressa ao estudo, mas sim uma parte.A coleta de dados se deu por meio da técnica de observação, na qual nos detivemostão somente a ser um participante observador. Para tanto Moreira (2002) salientaque é necessário que se tenha uma autorização previa dos sujeitos os quais sedeseja observar onde estes sejam conhecedores do nosso papel enquantopesquisador. Utilizamos ainda a entrevista estruturada, a qual foi feita aocoordenador e ao professor de esporte do programa. Este tipo de entrevistasegundo Triviños (2007) possibilita ao investigador desvendar informações por meiode perguntas, as quais supostamente dão conta de elucidar o assunto, sendo queestas são feitas a indivíduos aptos a respondê-las. Contudo, devemos ressaltar quea entrevista realizada com a coordenação foi feita por meio eletrônico em virtude daimpossibilidade de fazê-la presencialmente por incompatibilidade de horários dacoordenação.
  33. 33. 33Nesse estudo também realizamos a coleta de dados por meio da análisedocumental, a qual foi utilizada junto a Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer domunicípio que serve de sede para o programa investigado, o que possibilitou aconstrução de parte do referencial teórico que retrata o município de Entre Rios - BAe sua relação com o esporte, esta ainda seria utilizada na busca de maximizar acompreensão acerca da concepção de esporte desenvolvida no Programa deCriança, contudo essa técnica acabou sendo restringida pela Coordenação doPrograma, que alegou que esta feria as diretrizes de segurança da empresa.Outro instrumento utilizado foi o questionário, por ser uma técnica que segundo Gil(1987) possibilita atingir um número maior de pessoas durante uma investigação,além proteger a identidade do pesquisado. Tendo os questionários sido aplicadosjunto a um grupo de 34 alunos o que representa 34% de participantes do programa.A amostra selecionada para aplicação do referido instrumento foi feita a partir dosalunos que participavam das aulas de quinta feira pela manhã, por ser esse o únicodia e horário permitido pela coordenação para a realização da investigação.No que diz respeito ao trato com os dados coletados foi utilizado a análise deconteúdo, já que segundo Berelson (1952, p. 13) citado por Gil (1987, p. 163) trata-se de “uma técnica de investigação que, através de uma descrição objetiva,sistemática e quantitativa do conteúdo manifesto das comunicações, tem porfinalidade a interpretação destas mesmas comunicações”. Já Minayo (1994, p.74)diz que: [...] através da análise de conteúdo, podemos encontrar respostas para as questões formuladas e também podemos confirmar ou não as afirmações estabelecidas antes do trabalho de investigação (hipótese). A outra função diz respeito à descoberta do que está por trás dos conteúdos manifestos, indo além das aparências do que esta sendo comunicado [...]Portanto, a organização metodológica do trabalho permitiu alcançarmos asfinalidades da pesquisa de maneira criteriosa e estruturada, buscando discutir oobjeto a partir de diferentes olhares dos sujeitos envolvidos no processo. Dessaforma, esperamos ter contribuído para o aprofundamento de discussão.
  34. 34. 346. DESCORTINANDO O PROGRAMAApós coleta de dados foi possível chegar a informações que colaboram paradescortinar a concepção de esporte desenvolvida pelo o Programa de CriançaPetrobras no pólo de Entre Rios – BA. Para tanto criamos três categorias que nosajudarão a compreender nosso objeto de estudo, são elas: Concepção do Esporte,Abordagem Metodológica e Processo de Elaboração e Execução, por meio dasquais ordenamos as proposições encontradas nos discursos.6.1 O Programa aos Olhos da CoordenaçãoEm se tratando da concepção de esporte desenvolvida pelo programa na visão dacoordenação, não é difícil perceber que esta concebe o fenômeno esportivovislumbrando a saúde física dos seus educandos. Isso pode ser comprovadoquando essa diz: ”o projeto oferece atividade esportiva, objetivando melhoria nasaúde física das crianças, sem pretensões competitivas”. Demonstrando por sua vezuma aparente limitação na percepção dos benefícios sócio-educacionais que podemser alcançados por meio de atividades esportivas.Compreender que o esporte moderno está estreitamente ligado ao capitalismo e aosavanços tecnológicos torna-se imprescindível para potencializar seus benefícios,requerendo dos sujeitos envolvidos no processo disseminação do esporte, umavisão dinâmica e macro acerca do fenômeno esportivo, para que dessa forma sejapossível alargar o alcance deste no meio social.Em relação à categoria abordagem metodológica, a fala da coordenação seaproxima das abordagens higienista e militarista, já que ambas apóiam-se em umdiscurso médico para justificar a importância da atividade física. Discurso este oqual pode ser percebido quando a coordenação responde: “Temos tambémindicadores de melhor desempenho escolar e melhoria na saúde das crianças”.Elementos como a saúde dos educandos são utilizados para mensurar odesempenho do programa.
  35. 35. 35O período higienista dentro da Educação Física foi marcado segundo Soares et al(1992) pela busca dos cuidados físicos do corpo, onde era necessário propagarnoções de higiene como: tomar banho, lavar mãos, escovar dentes, dentre outros.Os cuidados com o corpo nesse período é visto como cuidar de uma sociedade emconstrução.Já o período militar de ensino dentro da Educação Física, foi fortemente marcadosegundo Soares et al (1992) por meio de um projeto que buscava disciplinar ohomem tornando-o respeitador da estratificação social. Tendo como auge dessemétodo de ensino a ditadura militar.Ao confrontarmos a concepção de esporte da coordenação, com a proposta daPetrobras para Programa de Criança, podemos perceber que esta pode estasofrendo inferências do discurso posto pela empresa. A qual almeja por meio doprograma ofertar atividades educacionais complementares e noções de higienepara, seus participantes.Contudo, é válido recordar que este programa foi criado em 1983 e, portanto,desenhado para atender as necessidades e demandas do grupo de vulnerabilidadesocial do período supracitado. Sendo assim, cabe questionar se as propostas deintervenção social do programa estão dando conta de atender as necessidades donovo cenário social moldado ao longo desses 27 anos.Na categoria processo de elaboração e execução, o discurso da coordenação é queo desenvolvimento social e o desenvolvimento escolar dos alunos têm igualrelevância e que, portanto estes devem ser priorizados dentro Projeto Pedagógico eno Plano Anual.O que por sua vez traz o entendimento de que por ser o objetivo do programasegundo a Petrobras ofertar ao público beneficiado por este, atividadeseducacionais, por meio das quais almeja evitar que os educandos ingressem namarginalidade. Sendo assim, seu processo de elaboração é feito ancorado na buscapor tais desenvolvimentos, para através desses chegar aos objetivos desejados pelaempresa. O planejamento das ações pedagógicas conforme já citado anteriormenteacontecem uma vez por mês no CEPE do município de Catu – BA, onde todos os
  36. 36. 36educadores sociais dos oito pólos do programa se reúnem para planejar atividadesfuturas que serão executadas.Ao termino de cada ano é realizada a avaliação do desempenho do programa, pormeio da qual é possível constatar se os objetivos têm sido alcançados. A avaliação écomposta por: reunião com os pais dos educandos, preenchimento de formulários eindicadores do desempenho escolar dos alunos.6.2 O Programa Pela Ótica do Educador SocialAo realizar a análise da categoria concepção do esporte, conjecturas como: “oesporte serve para ocupar o tempo ocioso, é vida, socialização, rendimento do alunoe esporte como fuga dos problemas”. Aparecem repetidas vezes na fala doprofessor, surgem ainda expressões como: “interação social, desvincula das drogase chamar a atenção pelo esporte”.Diante de tais ocorrências torna-se notório que a concepção de esporte do professorencontra-se impregnada pelo senso comum, o que por sua vez influênciadiretamente sua prática pedagógica.Na busca de explicar o aspecto de recompensa do esporte Lawther (1973) descreveeste como uma possibilidade de fugir do tédio, sendo, portanto o esporte umaespécie de subterfúgio, onde através do envolvimento do individuo com o jogo épossível desprender-se de irritações, e problemas do cotidiano.Contudo, o que não podemos é restringir os benefícios do esporte, sendo assim faz-se necessário compreender o fenômeno como um elemento histórico e, portanto,caracterizado por diferentes nuances ao longo da história de diversas culturas, o quetorna imperativo desprendesse de concepções obsoletas, a fim de se ter uma melhorpercepção das contribuições do esporte na sociedade atual.Ao realizar análise dos dados não foi difícil constatar que falta teor critico ao seconceber o fenômeno esportivo dentro do programa, tanto por parte dacoordenação, quanto por parte do educador social de esporte.Kunz (2001) mostra que perceber o esporte por um viés critico, coopera para acriação de seres livres e emancipados, os quais se tornam capazes de fazer umaleitura mais clara do meio social, possibilitando a este autonomia em seu agircotidiano.
  37. 37. 37Em se tratando da categoria abordagem metodológica o professor diz fazer uso doteórico João Batista Freire para planejar suas aulas, diante desta afirmativa ficariafácil constatar que suas aulas estariam ancoradas/apoiadas dentro da abordagemmetodológica construtivista. Contudo, é válido ressaltar que as observações decampo possibilitaram perceber traços de uma postura profissional permeada poratos, próximos a metodologias, higienistas, militaristas e tecnicistas, além da járeferida construtivista.Atentando para a categoria do processo de elaboração e execução do programa,além dos planejamentos citados pela coordenação, onde o desenvolvimento social épriorizado, o professor se reporta “aos problemas de cada educando e ao progressoafetivo destes”. Demonstrando preocupação na busca de contemplar tais variantesno planejamento de suas aulas, as quais não podem fugir do planejamento maiorrealizado no CEPE.Ao abordar a unidade e diversidade humana Morin (2000) traz a luz o entendimentode que o educador do futuro deve está atento para as condições que tornam oshomens uno a exemplo do traço biológico da espécie. Contudo, ressalta que existemparticularidades mesmo em tais traços, e que estes também precisam serconsiderados. Mostrando dessa forma que a diversidade não esta tão somente emquestões psicológicas, afetivas, intelectuais e culturais. Já que mesmo “culturasdiferentes” têm pontos em comum que as unem. Portanto, devemos está atentos a“unidade na diversidade e sua diversidade na unidade”.6.3 O Programa na Concepção dos AlunosTendo sido apresentado o olhar tanto da coordenação quanto do professor, faz-senecessário também mostrar a visão dos educandos quanto ao entendimento destesacerca do esporte, sendo assim apresento o olhar dos pequeninos ilustrado porgráficos tendo em vista facilitar a compreensão e discussão dos dados coletados.Gráfico 1 - Atividades Preferidas dos Educandos
  38. 38. 38Apesar de terem acesso a outras atividades dentro do programa, a maioria dosalunos prefere as aulas de esportes em detrimento às demais atividades, o que nosfaz compreender que isso aumenta ainda mais a responsabilidade do esporte nacomplementação educacional dessas crianças, acarretando também em umacobrança maior ao agente educacional de esporte na transmissão dos ensinamentosde valores sociais e no alcance dos objetivos propostos da empresa.Gráfico 2 - Concepção de Esporte dos EducandosEmbora 46% dos educando consigam perceber que a prática esportiva lhes traz umleque de possibilidades de movimento, ao somarmos os alunos que não conseguem
  39. 39. 39enxergar o esporte para além da diversão (folguedo) aos que percebem o fenômenoapenas como vitrine para suas habilidades motoras, é possível notar que mais dametade dos educandos tem foco de formação esportiva arraigado no senso comum,onde o esporte teria fim nele mesmo.Segundo Lawther (1973, p. 47) Muitas teorias têm sido apresentadas às razões para os folguedos. Visto que muitas das espécies superiores de animais, bem como homens, brincam, pode-se considerar a origem do folguedo como a expressão de alguns impulsos inatos. O homem desenvolve padrões de movimento para satisfazer necessidades vitais, mas também exercita esses padrões para se divertir, expressar o excesso de energia, como expressão franca da alegria de viver [...] A vida é atividade, mas não se precisa de grande parte dessa atividade para satisfazer necessidades ou exigências utilitárias; eis por que é folguedo. Uma hipótese comum sobre o impulso para atividade é que nenhuma outra razão motiva qualquer pessoa a ser ativa, se não a de que está vivo e se tem excesso de energia [...] [...] Além da expressão impulso vitais e do excesso de energia, o folguedo tem sido considerado como um escoadouro para impulsos que, de outro modo, seriam prejudiciais, um impulso para dominar, um treinamento para os aspectos mais sérios da vida, um tipo de realização de desejo e uma imitação do comportamento serio dos adultos.Sendo assim, mais uma vez percebemos a falta de um trabalho que desenvolva avisão crítica dos alunos, onde estes sejam capazes de concatenar outraspossibilidades de perceber as diferentes vertentes deste mesmo fenômeno.Gráfico 3 - O esporte e o aprendizado
  40. 40. 40Apenas a menor parte dos educandos consegue perceber que ganhar não é o maisimportante quando se prática um esporte, em contra partida metade acredita que omaior aprendizado esta na descoberta do prazer de jogar com o colega que jogarsozinho. Contudo, ao que parece falta relacionar os aprendizados do esporte com oconvívio social, pois as observações de campo possibilitaram ver que tal conjecturaainda consegue ser feita por parte dos alunos.Gráfico 4 - O que motiva a ida ao programaPor se tratar de um programa que atende um público considerado de vulnerabilidadesocial, esperava-se que um dos maiores atrativos dos alunos ao programa sedevesse ao fato desses terem acesso duas refeições nos dias de suas atividades,porém apenas a minoria aponta este como fator motivador. Os resultados apontaainda que estes freqüentam o programa por gostarem das atividades e das pessoasque desenvolvem os trabalhos. Tendo sido possível constatar tal aspecto nasobservações de campo.
  41. 41. 41Gráfico 5 - As evasõesA maior parcela dos educandos conhecem alguém que desistiu de ir ao programa, equando indagados acerca dos motivos que levaram esses alunos a desistirem defreqüentar-lo, quase metade dos pesquisados atribuem a evasão de seus colegas,ao fato dos pais das crianças não gostarem que elas fossem ao programa.O atual cenário da relação entre pais e filhos do município apresenta sinais de umaenorme fragilidade na qual está imersa, sendo esta comprovada pelos dados do CTque mostrando que nos últimos 3 anos a irresponsabilidade dos pais (falta deescola, falta de companhia, falta de alimentação) tem sido a principal causa dedenuncias registradas em seus livros de ocorrências.Cury (2008) afirma que bons pais se detêm em educar a parte lógica de seus filhos,mas que somente pais brilhantes educam a sensibilidade de seus rebentos.Motivando-lhes em suas metas, nos estudos, nas relações sociais de um nodo geral,preparando-lhes de tal modo, que estes não tenham medo dos insucessos que porventura venham cruzar seus caminhos.
  42. 42. 42Gráfico 6 - Motivos das evasões Gráfico 7 - Conhecem pessoas que gostariam de freqüentar o programaOs números mostram que a maior parte dos educandos conhecem pelo menos umapessoa que gostaria de participar do programa, comprovam ainda, que as atividadespropostas são atraentes aos olhos do público infanto-juvenil, já que metade dosalunos revelam que essas pessoas gostariam de freqüentar o espaço por tambémalmejarem ter acesso às atividades oferecidas.
  43. 43. 43Gráfico 8 - Fatores que motivam as pessoas a querer participar do programa Gráfico 9 - Interesse por outros esportesEmbora a maior parte dos alunos tenha demonstrado interesse em praticar lutas, oprograma contemplará brevemente os que têm interesse em atividades aquáticas,pois já encontra-se em andamento na unidade do programa de Entre Rios – BA oprojeto de construção de uma piscina semi-olímpica.
  44. 44. 44 Gráfico 10 - Relacionamento entre educandos e funcionáriosDiante da expressiva aprovação dos alunos em relação aos funcionários doprograma, torna-se ainda mais evidente a boa relação entre estes e os laços deafetividade que os unem.Gráfico 11 - Pedidos dos alunos ao programa
  45. 45. 45Nesse ponto da pesquisa foi possível perceber uma aparente discrepância entre odiscurso da coordenação e interesses dos educandos. Em entrevista a coordenaçãoalega que os alunos deixam o programa ao completarem 13 anos. “em geral ascrianças perdem o interesse quando completam 13 e 14 anos. Nesta idade afloramoutros interesses, inerentes a adolescência”. Contudo, o que percebemos que se faznecessário pelo menos uma revisão diante desse conceito, já que a maioria dospesquisados demonstram interesse em permanecer no programa por mais tempo.
  46. 46. 467 CONSIDERAÇÕES FINAISO presente estudo buscou analisar e discutir a concepção de esporte desenvolvidana unidade do Programa de Criança Petrobras no Município de Entre Rios – BA,além de buscar compreender o seu processo de elaboração e execução. Foipossível alcançar por meio deste os objetivos pretendidos, através dos quaisconstatamos que o esporte desenvolvido neste espaço encontra-se fortementeinfluenciado por conceitos que emanam do senso comum e de correntesmetodológicas que atravessam a história da Educação Física e do esporte. O quecorrobora para que estejam presentes nas aulas de esporte, um mix de abordagensmetodológicas, muitas dessas acríticas, que por sua vez acabam cooperando para odesenvolvimento de uma visão reducionista do fenômeno.No entanto, as atividades propostas se apresentam como atraentes ao público alvo,configurando-se o esporte como a atividade preferida dos educandos, portanto,podendo ser utilizado para alcançar as metas de desenvolvimento social propostaspela empresa por meio do programa.Neste sentido, pensando em contribuir com o programa entendemos que uma açãoque sem dúvidas irá cooperar para o melhor aproveitamento dos benefícios oriundosdo esporte será o investimento na qualificação profissional do educador social deesporte, pois dessa forma este conseguirá desvencilhar-se das amarras que limitasua práxis sócio-pedagógica.A mesma observação é válida para a coordenação, a qual poderia buscar aproximar-se um pouco mais não só das concepções que cercam o esporte, mas a educaçãocomo um todo. Essa medida forneceria subsídios que possibilitariam um melhoradministrar/coordenar não só da unidade do programa de Entre Rios – BA, mas dosdemais núcleos implantados no Estado.Em se tratando do processo de elaboração, embora exista um planejamento o qualserve de suporte para as ações do professor de esporte e demais profissionaisenvolvidos no processo de complementação educacional dos alunos, percebemos afalta de dialogo entre as atividades propostas pelo programa e a comunidade local, oque por sua vez pode contribuir para um limitado desenvolvimento social.Sendo assim, sugerimos que nos planejamentos posteriores o dialogo com asociedade entrerriense possa ser uma vertente contemplada dentro do arcabouçoprogramático, com o intento de potencializar o alcance dos objetivos pretendidos
  47. 47. 47pela empresa, já que essa estratégia pode colaborar para que os alunos consigamrelacionar as atividades propostas com o meio onde vivem.Outra sugestão é que esse processo de delineamento das ações também, possatrazer em seu bojo estratégias/táticas que visem absorver por mais tempo oseducandos que tenham interesse em permanecer no programa mesmo depois decompletarem os 13 anos de idade. Como por exemplo, que esses possam torna-semonitores voluntários do programa, auxiliando os educadores sociais nas atividades,onde passariam a ser colaboradores dentro do processo ensino-aprendizagem,partilhando com os demais alunos suas experiências e aprendizado. O que semdúvidas contribuirá para esmerilar o exercício da cidadania, da auto-estima e dodesenvolvimento sócio-afetivo e cognitivo do aluno.Podemos dizer que dentro do processo de elaboração há espaço ainda paradiscussões acerca da própria proposta de intervenção social do programa, já queessa pode esta defasada para atender demanda social vigente.Contudo, diante dos dados levantados torna-se inegável ainda que o processo deensino-aprendizagem desenvolvido nessa unidade do programa é fortementemarcado por um caráter humanizado e humanizante, o que por sua vez acabainfluenciando de forma positiva no gosto das crianças pelo programa.Por fim, é válido recordar que o Programa de Criança não se constitui somente pelasatividades de esporte e que o presente estudo, mas que respostas abriramcaminhos para que novas pesquisas sejam realizadas, o que possibilitará um maioraprofundamento e entendimento do tema discutido.
  48. 48. 48REFERÊNCIASASSIS DE OLIVEIRA, Sávio. Reinventando o esporte: possibilidade da práticapedagógica – 2ª e.d – Capinas – SP: Autores Associados, chancela, 2005.BRACHT, Valter. Esporte, história e cultura. In: PRONI, Marcelo Weishapt;LUCENA, Ricardo de Figueiredo (orgs). Esporte: história e sociedade – Campinas,São Paulo, Autores associados, 2002.BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de1988 Disposta emhttp://www.senado.gov.br/sf/legislacao/const/con1988/CON1988_05.10.1988/CON1988.htm às 20:00 acessada 31 de mai de 2010.BRASIL. Cidades: dados gerais dos municípios. IBGE, 2007. Disponível em:http://www.ibge.gov.br/cidadesat/painel/painel.php?codmun=291050#topo acessadoem 09 de março 2010.CURY, Augusto. Pais brilhantes, professores fascinantes. Rio de Janeiro,Sextante, 2008.CRISTAN, Mara. Estrela Cadente: A gestão de Esporte/Lazer na Seme Durante aAdministração Luiza Erundina (1989-1992), tese apresentada a UniversidadeFederal da Bahia 2000.ENTRE RIOS. Banco de Dados. Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer domunicípio de Entre Rios – BA, 2010.ENTRE RIOS. Lei Orgânica do Município de Entre Rios – Ba.ENTRE RIOS. Levantamento de Ocorrências. Conselho Tutelar, Entre Rios – BA,2010.ENTRE RIOS. Levantamento de Ocorrências. Policia Civil, Entre Rios – BA, 2010.ENTRE RIOS. Relatório Resumido da Execução Orçamentária. Disponível em:http://www.tmunicipal.org.br/, em: 08 jun. 2010GIL, Antonio Carlos. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. São Paulo, Atlas,1987.GOMES, Romeu. A Análise de Dados em Pesquisa Qualitativa. In: MINAYO, Céliade Souza (org.). Pesquisa Social: teoria, método e criatividade – Petrópolis, RJ:Vozes, 1994.
  49. 49. 49JÚNIOR, Wanderley Marchi. Desporto. In: GONZÁLEZ, Fernando Jaime;FENSTERSEIFER, Paulo Evaldo. (orgs.). Dicionário crítico de educação física. Ijuí,Unijuí, 2005.KUNZ, Elenor. Transformação didático-pedagógica do esporte, Ed. – Ijuí, Ed.Unijuí, 2001.LAWTHER, John D. Psicologia do Esporte, tradução JORGE, Edmond 1ª edbrasileira. São Paulo – SP, Lince, 1973ROCHA, L. Carlos et al. Ordenamento legal e políticas públicas de esporte elazer: o abismo entre gestão citadina e participação popular (colaboradores)MAAR, Wolfgang Leo. O que é política pública, 9ª ed. São Paulo, Brasiliense,1986.MEDINA, João Paulo Subirá. O brasileiro e seu corpo: educação e política docorpo. Campinas – SP, Parirus, 1987.MONTAÑO, Carlos Eduardo. O projeto neoliberal de resposta à “questão social”e a funcionalidade do “terceiro setor”. Disponível emhttp://www.pucsp.br/neils/downloads/v8_carlos_montano.pdf. Acesso ás 14:30h de10 de janeiro 2010 .MOREIRA, Daniel Augusto. O método fenomenológico na pesquisa. São Paulo,Pioneira, 2002.MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. TraduçãoCatarina Eleonora F. da Silva e Jeanne Sawaya. 2ª ed. São Paulo, Cortez, 2000.OLEIAS, V. J. Uma Metodologia Inovadora em Educação Física. Disposto emhttp://www.cds.ufsc.br/~valmir/mi.html acessado em 13 de mai 2010.PETROBRÁS.http://www2.petrobras.com.br/ri/port/ConhecaPetrobras/RelatorioAnual/relat99/b_soc.htm acessadas em: 13 jun. 2010.SOARES, Carmem Lúcia et al. Metodologia do ensino da Educação Física. SãoPaulo: Cortez, 1992.
  50. 50. 50THOMAZ, Florismar Oliveira. Política Esportiva. In: GONZÁLEZ, Fernando Jaime;FENSTERSEIFER, Paulo Evaldo. (orgs.). Dicionário crítico de educação física. Ijuí,Unijuí, 2005.TUBINO, Manuel José Gomes. O que é esporte. São Paulo, Brasiliense, 1999.TUBINO, Manuel José Gomes. Dimensões sociais do esporte, 2. ed. revista. SãoPaulo, Cortez, 2001.TRIVIÑOS, Augusto Nibaldo Silva. Introdução à pesquisa em ciências sociais: apesquisa qualitativa em ação. São Paulo, Atlas, 2007.VAZ, A. F. Teoria Crítica do Esporte: origens, polêmicas, atualidade. Disponívelem http://cev.org.br/biblioteca/esporte-sociedade-2006-n1-v1. Acesso em 18 de abr2010.
  51. 51. 51 APÊNDICE A Entrevista à Coordenação1 - Como surgiu a idéia do “Programa de Criança”?2 - Quais os objetivos deste Programa?3 - Quantas crianças são atendidas pelo Programa hoje em Entre Rios?4 - Qual(ais) o(s) critério(s) de seleção das crianças a serem atendidas peloprojeto?5 - O que vocês pretendem ofertar as crianças que participam do projeto?6 - Quem mantém o projeto financeiramente?7 - Existe algum Projeto Político Pedagógico que sirva de suporte para as atividadesdesenvolvidas ou algo similar?8 - As crianças costumam participar de competições esportivas? Em caso afirmativoqual a periodicidade de participação nesse tipo de evento? E o que o projeto almejaao fomentar a participação em campeonatos?9 - Existe um controle acerca da evasão das crianças do projeto? Vocês conseguemidentificar quais seriam os motivos dessas evasões?10 - Como vocês realizam a avaliação do projeto? Desde já agradeço a habitual atenção!
  52. 52. 52 APÊNDICE B Entrevista Para o Professor1 - Como o Sr. Organiza suas aulas, existe um planejamento para as atividadespropostas?2 - O Sr. Faz uso de algum referencial teórico para embasar as ações propostas?Qual (is)?3 - Qual a sua concepção de esporte?4 - O Sr. Acredita que o esporte possa causar mudanças na vida das crianças quefazem parte desse projeto. De que tipo?5 - O Sr. Acredita que as atividades aqui propostas poderiam ser melhor do que elassão? E de que dependeria para que elas fossem?6 - Como o Sr. Ver sua relação com as crianças?7 - As aulas de esporte dialogam com as outras aulas ministradas aqui noprograma?
  53. 53. 53 APÊNDICE C Questinionário Para os Educandos Idade _______ Sexo: F ( ) M ( )1 - Das atividades que vocês fazem aqui. Qual você mais gosta?( ) Horta ( ) Reforço Escolar ( ) Esporte ( ) Outras __________2 - Pra você o que é esporte?( ) Uma forma de me divertir( ) Um meio de apreender a fazer coisas novas com meu corpo( ) Um meio para fazer novos amigos( ) É só uma atividade chata onde eu fico suado (a) e cansado( ) Uma forma das pessoas verem o quanto eu sou “bom”3 - O que você aprendeu de mais importante na aula de esporte?( ) a jogar algum esporte que você não sabia( ) que ganha não é o mais importante quando se joga( ) as regras dos esportes( ) que é melhor jogar com os colegas do que jogar sozinho4 - Porque você vem ao projeto?( ) porque meus coleguinhas também vem( ) Porque meus pais querem( ) porque eu gosto( ) porque eu gosto do lanche5 - Você conhece alguém que desistiu de freqüentar o projeto?( ) Sim ( ) Não6 - Sabe o que motivou esse coleguinha a sair?
  54. 54. 54( ) ele não gostava do Programa( ) os pais dele não gostava que ele viesse( ) ele não gostava das pessoas que trabalhavam no programa7 - Você conhece alguém que gostaria de participar do projeto?( ) Sim ( ) Não8 - Sabe por que essa pessoa gostaria de participar?( ) porque os coleguinhas dela estão participando do programa( ) porque ela gostaria de fazer as atividade oferecidas pelo programa( ) porque ela também gostaria de provar do lanche( ) outros ___________________________9 - Qual esporte você gostaria de poder fazer aqui que você não faz?( ) natação ( ) capoeira ( ) karatê ( ) patinação/Skate ( ) Beisebol ( )outros _______10 - Você gosta ou não das pessoas que trabalham aqui? Por quê?( ) sim _______________________________________________________( ) não _______________________________________________________11 - Imaginemos que o gênio da lâmpada aparecesse aqui e que você pudessefazer apenas 1 pedido para o projeto. O que você pediria?( ) para continuar no programa por mais tempo( ) para sair do programa( ) para não ter mais aula de esporte( ) Outro __________________________________

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