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AGRADECIMENTOSA Deus por ser o meu escudo e a minha fortaleza, pelo dom da vida, pela força,coragem e sabedoria que me deu...
A minha avó materna, Maria Boaventura (in memoriam) que nunca desistiu demim e acreditou a todo instante nos meus estudos....
Não tenho nem palavras para agradecer, só posso desejar que Deus iluminecada vez mais a vida de vocês.A Arissandra, Érica ...
A vida é como um jogo de futebol, cada lance pode definir sua trajetória.                                                 ...
RESUMOCaracterizado inicialmente como prática esportiva, com o intuito de entreteraqueles que jogavam, o futebol ao longo ...
ABSTRACTCharacterized initially as sports, in order to entertain those who threw thefootball over the years assumed an imp...
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SUMÁRIO1. INTRODUÇÃO                                                152. PROCESSO HISTÓRICO DO FUTEBOL                    ...
151 INTRODUÇÃO       O futebol é uma das paixões do brasileiro. Trata-se de uma práticaesportiva que envolve emocionalment...
16popular do planeta. Apesar da pouca repercussão que é oferecida ao futebolbaiano, ultimamente os dois grandes clubes do ...
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18   2. PROCESSO HISTÓRICO DO FUTEBOL      Este capítulo traz um panorama da historicidade do futebol visandoestabelecer p...
19      Como citado anteriormente não há certezas e sim polêmicas acercade qual nação descobriu o futebol.                ...
20      As primeiras regras do futebol ainda que não estruturadas foramintroduzidas na Itália devido a violência da época ...
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23cricket, introduziria, em seu espaço lúdico, em 1887, a nova modalidadeesportiva importada por Charles Miller. O primeir...
24Cox, o Fluminense Foot-ball Club (1902), o Rio Foot-ball Club (1902), oBotafogo Foot-ball Club, o America Foot-ball Club...
25clubes, mas mesmo com esse avanço, ainda houve impedimentos. Aparticipação dos negros nos times de futebol pode ser cons...
26correspondia à tensão que existia entre a tradição elitista e amadora dosprimórdios da prática esportiva e a necessidade...
27      A história do futebol está intrinsecamente ligada à política. No Brasilnão foi diferente, desde o início quando o ...
28reafirma simbolicamente que o melhor, o mais capaz, e o que tem maismérito pode efetivamente vencer.      Desta forma, o...
293 AS PRÁTICAS FUTEBOLÍSTICAS NOS CAMPOS DA BAHIA      No capítulo anterior foi relatada a inserção do futebol no Brasil ...
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31Ypiranga (1906); Botafogo Sport Club (1914) e outros mais. Alguns tiveramvida curta, outros duraram tempo maior, mas da ...
32campeonato. Essa 1ª edição do campeonato baiano foi um sucesso e contoucom grande participação do público, formado por p...
33soteropolitana, se transformando no esporte de maior aceitação, até aatualidade. Tempos depois, não só a capital baiana,...
34marcante que pode alavancar o sucesso profissional dos chamados timespequenos.3.2 CATUENSE FUTEBOL S/A: PASSADO E PRESEN...
35organizações políticas alternativas. Foi a partir dessas relações sociais que oclube Catuense Futebol S/A surgiu nas prá...
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455 A CATUENSE E SEUS SUJEITOS SOCIAIS: MEMÓRIAS DEUM CLUBE BAIANO        Durante a pesquisa de campo foram entrevistados ...
46      A diversidade do futebol é algo que o torna um fenômeno único quepossui diversas formas de organização e possui um...
47      Inserido no mundo dos negócios, o futebol faz parte do contextocapitalista, transformou-se em mercadoria e o capit...
48                     Catuense lá, mesmo o centro de treinamento sendo em                     Alagoinhas. (INFORMAÇÃO ORA...
49                     Fizemos grandes amistosos internacionais, jogamos nos                     EUA, Portugal, Itália, na...
50                    com isso ela usa a mesma filosofia que eu seguia, dirigindo                    o clube com orgulho. ...
51preencher vaga no mercado de trabalho, (padronização, disposição, eobediência).        O mundo do futebol é enriquecido ...
52de treinamento, ônibus da equipe), e no endosso e fornecimento deequipamentos esportivos a jogadores individuais de reno...
53       Sobre as possibilidades existentes do retorno da Catuense para aelite do futebol baiano diz:                     ...
54presidente, a Catuense tem que procurar trabalhar sério. Acrescenta aindaque os professores do clube são capacitados e t...
55FIGURA 05: Infra- estrutura da Catuense Futebol S/A. Fonte: Arquivopessoal.      A infra - estrutura de um time de futeb...
56trabalho, com estruturas amplas e desenvolvidas, para a sua preparação erecuperação.      As escolinhas de futebol repre...
Catuense Futebol S.A: história de clube nômade
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Ariane Boaventura Pinto

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  1. 1. UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃOCURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA ARIANE BOAVENTURA PINTO CATUENSE FUTEBOL S.A.: HISTÓRIA DE UM CLUBE NÔMADE Alagoinhas 2012
  2. 2. ARIANE BOAVENTURA PINTO CATUENSE FUTEBOL S.A.:HISTÓRIA DE UM CLUBE NÔMADE Monografia apresentada ao Colegiado do curso de Licenciatura em Educação Física da Universidade do Estado da Bahia – Campus II, Alagoinhas, como requisito parcial para a obtenção do título de Licenciada em Educação Física, sob a orientação do Prof. Dr. Augusto Cesar Rios Leiro. Alagoinhas 2012
  3. 3. MONOGRAFIA - ARIANE BOAVENTURA PINTO CATUENSE FUTEBOL S.A.: HISTÓRIA DE UM CLUBE NÔMADE BANCA AVALIADORAProf. Dr. Augusto Cesar Rios Leiro (Orientador) Prof. Ms. Alan Aquino Rocha Prof. Ms. Ubiratan Azevedo de Menezes
  4. 4. Dedico este trabalho às pessoas mais importantes da minha vida: meuspais: Aurea Boaventura Pinto e Carlos Roberto Pinto. Obrigado por fazeremparte da minha vida e que, se hoje, estou aqui é para vocês e por vocês. Essaconquista é nossa! À minha mãe, mulher guerreira, que toda a vida lutou por mim e pelomeu irmão, sempre me incentivou, me animando e não deixando que naprimeira barreira eu desistisse, acreditou nos meus sonhos e decisões emtodos os momentos. Te amo demais! Ao meu pai, homem guerreiro, de gênio forte, que sempre colocou obem estar da família em primeiro lugar, batalhando para nos dar sempre omelhor. Amo você!
  5. 5. AGRADECIMENTOSA Deus por ser o meu escudo e a minha fortaleza, pelo dom da vida, pela força,coragem e sabedoria que me deu durante este percurso de minha vida,permitindo que eu continuasse minha caminhada mesmo com todos osobstáculos que a vida me ofereceu; e pelas pessoas que colocou no meucaminho, que me ajudaram a tornar este momento possível. Enfim, por cadadia que iniciava e pela certeza de que tudo podia Naquele que me fortalece.Aos meus pais, que são a razão do meu viver e estiveram ao meu lado emtodos os momentos de minha vida, me ajudando a crescer e ser uma pessoamelhor a cada dia.A meu irmão, Carlos Alberto Boaventura Pinto que me deu sempre todo amor eapoio necessário nesses anos de luta. Saiba que você é o responsável pelaminha escolha profissional. Se não fosse você talvez, não me apaixonassepelos esportes, pra ser mais precisa pelo futebol, pelo nosso mengão. Depoisde descobrir o quanto o futebol é um esporte maravilhoso e contagiante, resolvipraticá-lo com a sua ajuda, é claro. E a partir daí não larguei mais o futebol,apesar dos vários preconceitos que sofri. Quando eu estava dando início àprodução desse trabalho, nossa família foi tomada de surpresa, você adoeceu.Sei o quanto você lutou pela vida meu irmão. Aquele não era o momento decontinuar esse trabalho e nem conseguiria, meus pensamentos estavam todosvoltados a sua saúde. Por isso, agradeço primeiramente a Deus, pois só elesabe de todas as coisas, a você por ter lutado pela vida e as suas “anjas”mainha e Netinha que estiveram o tempo todo ao seu lado. Hoje, possoagradecer por você existir e fazer parte da minha vida.A minha avó paterna, Dona Lourdes pela presença física e pelas preocupaçõesdemonstradas cada vez que eu saia de casa rumo a UNEB. A sua ajudasempre será bem-vinda. Deu tudo certo minha vó, obrigada por tudo.
  6. 6. A minha avó materna, Maria Boaventura (in memoriam) que nunca desistiu demim e acreditou a todo instante nos meus estudos. Me mostrou a força e abeleza da família Boaventura. A ti, mãe, essa vitória.Às especiais Alda e Lúcia, minhas tias, mas podem sim serem consideradasminhas mães. Obrigada, meus amores, por cuidarem de mim, quando meuspais tinham que trabalhar. O amor e o carinho de vocês foram muitoimportantes na minha vida e sempre serão. A educação que tenho hoje sedeve também a tia Alda e tia Lucinha.Às minhas tias, Nadja Célia, Raimunda, Isabel, Regina e aos meus tios, osEdvaldos e Luiz Carlos pelo incentivo, força, amizade, carinho quecompartilharam durante a minha caminhada.Aos meus tios, Ana e Florisvaldo (in memoriam) que partiram quando eu estavana metade do meu curso. A minha família tinha acabado de perder dois dosseres mais divertidos, que me proporcionaram em vida momentos que jamaisesquecerei. Foi muito difícil continuar, mas sei que vocês estavam me dandoforças e sei também o quanto estariam orgulhosos de mim nesse momento.A minha cunhada, Anete que entrou nas nossas vidas para ser um anjo e quehoje é como uma irmã pra mim. Obrigada por cuidar do meu irmão e está aolado da minha mãe, quando ele mais precisou e por me emprestar o seu PCquando o meu me deixou na mão para produzir este trabalho.Aos meus primos e primas carnais ou não pelas horas de incentivo, ajuda,descontração, amor e carinho.Não posso deixar de citar em especial, minhas duas irmãs: Izandra Pereira daSilva e Shirlei Taline Ribeiro dos Santos. Foram laços tão fortes de amizade,companheirismo e cumplicidade que o tempo e a distância não irá desfazer.
  7. 7. Não tenho nem palavras para agradecer, só posso desejar que Deus iluminecada vez mais a vida de vocês.A Arissandra, Érica Paula, Janilma, Juliana, Milena, Rita, Tatiane que duranteesses anos foram grandes companheiras. Juntas passando por váriosmomentos somos tijolos de uma parede, se um for retirado à parede cai.A Silas Reis e José Guilherme, dois queridos.A Antonio Geraldo, um amigo alegre, otimista e prestativo que sempre estevedisposto a me ajudar.A Raimundo da Glória, Antônio Pena, Maria Aparecida Pereira Pena e Elzondos Santos que colaboraram na construção desse trabalho com alegria esatisfação.Ao meu orientador Augusto Cesar Rios Leiro pela ajuda e paciência econhecimentos transmitidos.A todos os professores que fizeram parte de minha trajetória, possibilitando aconstrução do conhecimento e meu engrandecimento como pessoa.
  8. 8. A vida é como um jogo de futebol, cada lance pode definir sua trajetória. Mikael Johnathan
  9. 9. RESUMOCaracterizado inicialmente como prática esportiva, com o intuito de entreteraqueles que jogavam, o futebol ao longo dos tempos assumiu um papelimportante de derrubar barreiras sociais e integrar pessoas. Assim,considerado como prática social, o futebol encontra-se de tal modo enraizadona cultura brasileira que estudá-lo implica em considerar diversaspossibilidades de abordagens. Desta forma, o presente trabalho toma o clubeCatuense Futebol S/A como objeto de estudo a partir de uma investigação denatureza qualitativa do tipo descritiva. Trata-se de um clube de futebol comsede em Alagoinhas com uma trajetória marcada por diferentes momentos. Oestudo buscou identificar e compreender os aspectos mais relevantes dahistória da Catuense desde sua origem até a contemporaneidade. Após arevisão de literatura foram feitos levantamento documental e entrevistas semi–estruturadas com dirigentes e jogadores do time em foco como procedimentosmetodológicos. Os sujeitos entrevistados apontaram as opções de mudançasde sede como principal motivo das dificuldades financeiras vivenciadas peloclube. No decorrer do estudo foi possível perceber que a Catuense é um clubemarcado por (in) visibilidade e revelou que a falta de títulos recentes emcampeonatos vem gerando sua desvalorização na mídia e na sociedade tantono âmbito nacional, quanto regional e local.PALAVRAS – CHAVE: Catuense Futebol S/A, história, futebol.
  10. 10. ABSTRACTCharacterized initially as sports, in order to entertain those who threw thefootball over the years assumed an important role in breaking down barriers andintegrate social people. Thus, considered as a social practice, football is sorooted in Brazilian culture to study it involves considering several possibleapproaches. Thus, this paper takes the club Catuense Football S / A as anobject of study from a qualitative investigation of the descriptive type. This is afootball club based in Alagoinhas with a path marked by different moments. Thestudy sought to identify and understand the relevant aspects of the history ofCatuense from its origins to the contemporary. After reviewing the literaturewere made documentary surveys and semi-structured interviews with managersand players on the team in focus as methodologic instruments. Theinterviewees pointed to the possible changes of thirst as the main reason of thefinancial difficulties experienced by the club. During the study it was revealedthat the Catuense is marked by a club (in) visibility and revealed that the lack ofrecent titles in the championships has been generating its devaluation in themedia and in society at both national, and regional and local levels.WORDS-KEY: Catuense Football S/A, history, football.
  11. 11. LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLASCBF - Confederação Brasileira de FutebolFBF - Federação Bahiana de FutebolFIFA - Fédération Internationale de Football AssociationS/A - Sociedade AnônimaUNEB - Universidade do Estado da Bahia
  12. 12. LISTA DE QUADROSQUADRO 1 – Conquistas da Catuense Futebol S/A...................................36QUADRO 2 – Jogos inesquecíveis da Catuense Futebol S/A.....................39
  13. 13. LISTA DE FIGURASFIGURA 01 - Antônio Pena, fundador da Catuense.....................................34FIGURA 02 - Escudo atual da Catuense......................................................35FIGURA 03 - Mascote da Catuense.............................................................35FIGURA 04 - Placa de inauguração e vista interna do Estádio MunicipalAntonio Pena, na cidade de Catu..................................................................37FIGURA 05 - Centro de Treinamento da Catuense......................................39FIGURA 06 - Infra - estrutura da Catuense..................................................54
  14. 14. SUMÁRIO1. INTRODUÇÃO 152. PROCESSO HISTÓRICO DO FUTEBOL 18 2.1. FUTEBOL EM MEMÓRIA 18 2.2. FUTEBOL NO BRASIL 223. AS PRÁTICAS FUTEBOLÍSTICAS NOS CAMPOS DA BAHIA 29 3.1. ROLANDO A BOLA: ORIGEM DO FUTEBOL NA BAHIA 29 3.2. CATUENSE FUTEBOL S/A: PASSADO E PRESENTE 344. INVESTIGAÇÃO DAS RAZÕES QUE INTERROMPERAM UM SONHO 425. A CATUENSE E SEUS SUJEITOS SOCIAS: MEMÓRIAS DE UM CLUBE 45 BAIANO6. CONSIDERAÇÕES FINAIS 66REFERÊNCIAS 68ANEXOS 73ANEXO A – ESCUDO ANTIGO DO CLUBE 74ANEXO B – ASSOCIAÇÃO DESPORTIVA CATUENSE NO ANO DE 1984 74ANEXO C – ÔNIBUS DA CATUENSE FUTEBOL S/A 75ANEXO D – ASSOCIAÇÃO DESPORTIVA CATUENSE NO ANO DE 1985 75ANEXO E – CATUENSE X VITÓRIA (PARTIDA VÁLIDA PELO ESTADUAL 76DE 2003)ANEXO F – HINO DA CATUENSE FUTEBOL S/A 77APÊNDICES 78APÊNDICE A - TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO 79APÊNDICE B - ENTREVISTA COM ANTONIO PENA (FUNDADOR DO 81CLUBE)APÊNDICE C - ENTREVISTA COM MARIA APARECIDA PEREIRA PENA 82(ATUAL PRESIDENTE DO CLUBE)APÊNDICE D - ENTREVISTA COM RAIMUNDO DA GLÓRIA (EX- 83JOGADOR DO CLUBE)APÊNDICE E - ENTREVISTA COM ELZON DOS SANTOS (EX - JOGADOR 84DO CLUBE)
  15. 15. 151 INTRODUÇÃO O futebol é uma das paixões do brasileiro. Trata-se de uma práticaesportiva que envolve emocionalmente aqueles que a executam e aquelesque a assistem, despertando sentimentos de variada natureza nas pessoas. Nesse sentido, é um esporte que desde a sua chegada ao Brasil, nofinal do século XIX, encantou distintas classes sociais. A sua prática foidifundida nas classes elitizadas e proliferou entre as classes maisempobrecidas, tornando-a, com o passar do tempo, significado de identidadepara toda uma nação. Esse esporte consegue tornar homogêneas asdiferenças que existem no interior da nação, estabelecendo um discurso depovo unificado em torno de ideais comuns. Ainda que o futebol se relacione a algumas estratégias políticasdurante alguns episódios da história do Brasil, como foi o caso da Copa de1970, onde o Brasil sagrou-se tri-campeão, estando sob o regime ditatorial,sua riqueza também consiste em ser socialmente um esporte queproporciona momentos de descontração e confraternização a exemplo dapelada aos finais de semana, com os amigos e da partida no campinho deterra improvisado, com bola de meia e trave de bambu, entre outros. Desta forma, o futebol desperta tanto nos mais apaixonados comonos menos aficionados um sentimento de coletividade, em que os fatoresraciais, religiosos e sociais são dissolvidos e harmonizados em meio aosentimento de pertencer a um time em específico ou de torcer pela seleção.O futebol representa a identidade nacional e também consegue darsignificado aos desejos de potência da maioria absoluta dos brasileiros e épura construção histórica, gerado como parte indissociável dosdesdobramentos da vida política e econômica do Brasil. Todas as considerações feitas acima em relação ao futebol sãoválidas em todo território nacional, entretanto, no que tange a Bahia, ofutebol pode representar também uma das poucas formas de chamar aatenção do resto do país, para as potencialidades variadas deste estado, jáque esse, em geral, só é foco para milhões de brasileiros notoriamente emépoca de carnaval, quando a Bahia é exaltada pela grandeza da maior festa
  16. 16. 16popular do planeta. Apesar da pouca repercussão que é oferecida ao futebolbaiano, ultimamente os dois grandes clubes do estado, obtiveram resultadossatisfatórios e participações importantes em competições de cenárionacional. O retorno do Esporte Clube Bahia à 1ª divisão do CampeonatoBrasileiro da série A e a participação do Esporte Clube Vitória na final daCopa do Brasil de 2010, podem favorecer a uma reorganização interna nofutebol baiano. Além desses dois clubes, há na Bahia um time que também éconsiderado um grande clube das práticas futebolísticas do estado, aCatuense Futebol S/A, que assim como outros clubes brasileiros, surgiu apartir dos babas nos campos de várzeas na cidade de Alagoinhas, a qual é asua atual sede. É um time que possui uma bela história de conquistas e quepor questões políticas já teve como sede a cidade de Catu, quando então,ficou mais conhecido e chegou ao status de terceiro melhor clube da Bahia.Apesar de ter adquirido destaque, esse time atualmente enfrenta grandesdificuldades no que se diz respeito ao seu momento no futebol da Bahia. O interesse pelo tema escolhido se deve ao fato de que me identificocom a modalidade esportiva citada, além de praticá-la, como também há umdesejo meu em realizar um aprofundamento a cerca da história de sucessodo clube de futebol que leva o nome da cidade em que reside e que hoje seencontra numa situação bem diferente de outros anos. Estes fatos aliados àrelevância social e econômica que o futebol apresenta se configuram comomotivos para a escolha da temática, onde esse esporte propõe uma relaçãode interdependência entre os sujeitos, representando algo além de umproduto de consumo e de acumulação do capital. Portanto, justifica-se otrabalho pela necessidade de identificar os motivos que favoreceram aausência da Catuense Futebol S/A na elite do futebol baiano, principalmentenum período em que o Brasil passou a conhecer a bravura dos timesbaianos na disputa de campeonatos nacionais importantes. Assim,despertou-me o interesse em investigar quais os processos que levaram aCatuense da visibilidade à invisibilidade no cenário do futebol baiano. Para tanto, o presente trabalho teve como objetivo compreenderaspectos mais relevantes da história da Catuense da sua origem até a
  17. 17. 17contemporaneidade, bem como, suas contribuições para o crescimento dofutebol baiano. Este trabalho foi pensado e organizado na tentativa de contribuir paraa história escrita referente à temática e se encontra estruturado em seiscapítulos descritos da seguinte forma: introdução em que é feita uma síntesegeral sobre o delineamento da pesquisa fundamentando-a com bases nosprincipais teóricos desta temática; no segundo capítulo será apresentadauma discussão histórica acerca do futebol e sua expansão no Brasil; segue-se um capítulo que apresenta uma discussão teórica, abordando aspectosrelacionados à prática do futebol na Bahia e o processo histórico daCatuense Futebol S/A, desde a sua origem até os dias atuais; o quartocapítulo se refere à metodologia mostrando o tipo de pesquisa utilizada, osmétodos para a construção e o desenvolvimento da mesma; o quintocapítulo consistirá na análise da pesquisa de campo fundamentando com osreferenciais teóricos; e em seguida, são retomadas brevemente as principaisconstatações no item considerações finais.
  18. 18. 18 2. PROCESSO HISTÓRICO DO FUTEBOL Este capítulo traz um panorama da historicidade do futebol visandoestabelecer posteriormente uma relação entre os seus momentos históricos,observando as transformações sofridas por esse esporte ao longo dostempos, como também a sua chegada ao Brasil e o processo que o tornou apaixão dos brasileiros. Diversas foram as mudanças que ocorreram ao longodos anos no que diz respeito à função do futebol decorrentes da modificaçãonas características políticas e econômicas do país. 2.1 FUTEBOL EM MEMÓRIA O futebol tornou-se uma linguagem compreensível em quase todas aspartes do mundo contemporâneo. Praticado em centenas de países, esteesporte desperta tanto interesse em função de sua forma de disputaatraente. Embora não se tenha muita certeza sobre os primórdios do futebol,historiadores descobriram vestígios dos jogos de bola em várias culturasantigas. Estes jogos de bola ainda não eram o futebol, pois não havia adefinição de regras como há hoje, porém demonstram o interesse do homempor este tipo de esporte desde os tempos antigos. São várias as suposições quanto às origens desse fenômenomundial, mas para muitos historiadores o futebol teria começado naInglaterra. China, Japão, Grécia, Roma, a Idade Média e finalmente aInglaterra constituem alguns dos percursos realizados por esse esporte nomundo durante a sua história. Muitos são os que afirmam que as origens do futebol se perdem no tempo. Supostamente, tais origens estariam situadas entre os Maias, que praticavam um jogo com a cabeça dos adversários derrotados; ou entre Egípcios, que se divertiam com uma brincadeira na qual tinham que chutar a bola; e talvez na China, onde existiram indícios de um jogo muito parecido com o futebol moderno [...]. (MELO, 2000, p. 13)
  19. 19. 19 Como citado anteriormente não há certezas e sim polêmicas acercade qual nação descobriu o futebol. Existem muitas histórias e “estórias” sobre a origem do futebol. Mas a verdade é que o futebol no início assustava. Isso principalmente entre os séculos VII e XIX, quando se jogava o massfootball (futebol de massa), em que a violência imperava e o número de atletas era indefinido. (DARIDO E JÚNIOR, 2007, p.28). Na China Antiga, por volta de 3000 a.C, os militares chinesespraticavam um jogo que na verdade era um treino militar. Após as guerras,formavam equipes para chutar a cabeça dos soldados inimigos. Com otempo, as cabeças dos inimigos foram sendo substituídas por bolas de courorevestidas com cabelo. Formavam-se duas equipes com oito jogadores e oobjetivo era passar a bola de pé em pé sem deixar cair no chão, levando-apara dentro de duas estacas fincadas no campo. Estas estacas eram ligadaspor um fio de cera. (SILVA, 2005). No Japão Antigo, foi criado um esporte muito parecido com o futebolatual, porém se chamava Kemari. Praticado por integrantes da corte doimperador japonês, o kemari acontecia num campo de aproximadamente200 metros quadrados. A bola era feita de fibras de bambu e entre as regras,o contato físico era proibido entre os 16 jogadores (8 para cada equipe).Historiadores do futebol encontraram relatos que confirmam o acontecimentode jogos entre equipes chinesas e japonesas na antiguidade. (SILVA, 2005). Na Grécia clássica, o Episkiros era jogado pelo menos desde o séculoIV a.C. em campo retangular entre dois grupos de nove ou de quinzeparticipantes, que deviam introduzir em determinado espaço a bola de ar eareia. Dessa prática grega surgiu em Roma, talvez no século III a. C., oharpastum, destinado inicialmente a aperfeiçoar os soldados na suacapacidade atlética e tática. (JÚNIOR, 2007)
  20. 20. 20 As primeiras regras do futebol ainda que não estruturadas foramintroduzidas na Itália devido a violência da época e o termo cálcio queoriginou o futebol no país é utilizado até hoje para designar o esporte. “Em 1850, em Florença, jogava - se o cálcio – 27 atletas por time, com regras proibindo empurrões e pontapés.” (DARIDO E JÚNIOR, 2007, p.28). No século XVII, é a vez da Inglaterra praticar o futebol. No início eracomparado com o rugby, sendo praticado apenas pelas classes populares,pois a aristocracia o achava violento. Contudo, esse esporte já eravivenciado em várias regiões da Inglaterra e no século XIX, começa a serexperimentado, pelos alunos das escolas da aristocracia e da alta burguesiainglesa em seus horários livres, como também pela classe operária.Percebendo que a proibição ao esporte não ia adiante, os aristocratasresolveram regulamentar o futebol. No ano de 1846, numa conferência emCambridge, estabeleceu-se um único código de regras para o futebol. Nodizer de (GALEANO, 2002), em Cambridge, o futebol se havia divorciado dorugby: era proibido conduzir a bola com as mãos, embora fosse permitidotocá-la e era proibido chutar os adversários. Vale frisar que a profissionalização do futebol na Inglaterra não foialgo tão simples, pelo contrário houve resistência dos adeptos eparticipantes do esporte pertencentes à elite inglesa. Apesar da resistência imposta pela elite inglesa, as equipes profissionais emergentes ganharam notoriedade, e a profissionalização do esporte tornou-se um fato irreversível a partir de 1885 [...]. (REIS E ESCHER, 2006, p.32). O futebol se tornou uma forma de identificação para as massastrabalhadoras das grandes cidades inglesas. Em 1863, foi fundada na Inglaterra a Football League, fazendo comque se criassem regras para a prática do jogo entre as equipes. Formavam-
  21. 21. 21se assim tabelas, datas dos jogos, ou seja, controlava-se a prática desteesporte. Os times eram formados pelas fábricas espalhadas pelas diversascidades do país. (LIMA, 2002). No ano de 1904, foi criada a FIFA (Fédération Internationale deFootball Association) que organiza até hoje o futebol em todo mundo. Ela éresponsável pela organização dos grandes campeonatos de seleções eclubes. Conforme o site da FIFA, esta se trata de uma associação regidapela legislação suíça, fundada em 1904 e sediada em Zurique. Consideradacomo o órgão máximo do futebol, é composta por 208 federações nacionaise tem como objetivo, de acordo com os seus Estatutos, a melhora contínuado futebol em todo o mundo. A FIFA conta com aproximadamente 310colaboradores procedentes de 35 países e é formada pelo Congresso (órgãolegislativo), pelo Comitê Executivo (órgão executivo), pela Secretaria Geral(órgão administrativo) e pelos comitês (que auxiliam o Comitê Executivo). Percebe -se que foi nesse país que o jogo ganhou regras diferentes efoi organizado e sistematizado. De acordo com Melo (2000), foi nesse país,que as antigas práticas da população começaram a se organizar enquantoum campo relativamente autônomo, com uma lógica interna específica, umcalendário próprio, um corpo de técnicos especializados, gerando ummercado de consumo com sentido completamente diferente das práticasanteriores. É preciso salientar que o processo de profissionalização do futebol foium marco para o seu entendimento como esporte-espetáculo. A intensidade,a vitalidade e a criatividade do futebol possibilitaram a visão do espetáculocomo uma fonte não só de observação social, mas também de prazerestético. É o esporte da modernidade e da globalização que abrangeimportância econômica e política, sendo um dos mecanismos de mobilidadesocial mais eficaz dos dias atuais.
  22. 22. 222.2 FUTEBOL NO BRASIL O futebol é o esporte por excelência do brasileiro. O futebol reflete osdiversos momentos pelos quais passou nosso país, ganhando espaço e seconsolidando como “esporte nacional” ao mesmo tempo em que a nossaprópria identidade brasileira é construída. Ele é uma prática social queexpressa a nossa sociedade, com todas as suas aspirações mais antigas,seus desejos mais profundos e suas contradições mais camufladas, sendoconsiderado membro legítimo do nosso país que penetra na vida dapopulação brasileira e também no espírito de cada cidadão. Para DaMatta(2006, p.163), com o futebol, experimentamos alternadamente a inteligênciae a estupidez, a esperteza e a pasmaceira, a fraqueza e a força, o queproduz, não somente a vivência de um mundo mutável, mas a experiênciada sociedade capaz de proporcionar reversões significativas no plano dasdefinições e classificações coletivas. Assim, o futebol brasileiro não é apenas uma modalidade esportivacom regras próprias, técnicas determinadas e táticas específicas, mas simuma forma que a sociedade brasileira encontrou para se expressar. Há consensos e controvérsias acerca da chegada do futebol no Brasil,todavia a origem que é mais difundida no país está em torno de CharlesMiller, brasileiro filho de ingleses que estudava em Londres. Porém, Proni(1998) afirma que existem indícios de que o jogo foi introduzido, já nadécada de 1870, por padres e alunos do Colégio São Luís em Itu, interior deSão Paulo, por marinheiros britânicos em cidades portuárias brasileiras, emespecial no Rio de Janeiro, e por funcionários de companhias inglesas,como a City e a São Paulo Railway. A hipótese de que Miller foi o introdutor do futebol neste paísfundamenta-se no fato de que ao retornar ao Brasil em 1894, Miller trouxe nasua bagagem uma bola de futebol. Logo, tratou de difundi-lo entre osingleses residentes em São Paulo que se interessavam mais pelo jogo decricket. Aos poucos, porém, os ingleses, altos funcionários da Companhia deGás, do Banco de Londres e da São Paulo Railway iriam aderir ao futebol.Assim é que o São Paulo Athletic, fundado especialmente para a prática do
  23. 23. 23cricket, introduziria, em seu espaço lúdico, em 1887, a nova modalidadeesportiva importada por Charles Miller. O primeiro “grande” jogo foi realizadoem São Paulo, em 1899, na presença de 60 torcedores. (CALDAS, 1994). Esse esporte começou como algo apenas praticado pela elite, sendovedada a participação de negros em times de futebol. A aristocraciadominava ligas de futebol, enquanto o esporte começava a ganhar asvárzeas. Durante muito tempo as elites brasileiras entenderam o futebol,como “ópio do povo”. Para os aristocratas, o futebol tinha o poder demanipular as pessoas onde deixariam de lado a realidade e com ela os“problemas mais importantes” da sociedade. No Rio de Janeiro, então capital do Brasil, ficou para Oscar Cox opapel de introduzir o esporte no estado. Assim como Miller, trouxe o futebol“na mala” em seu retorno da Europa. Porém, isso não era suficiente paraconsolidar o esporte no país. Nesse aspecto, foi Cox quem percebeu que opapel dos clubes era fundamental. No Rio de Janeiro, o primeiro a ser criadopara a prática do futebol foi o Fluminense em 1902. Ele era formado apenaspor brasileiros, todos eles, claro, membros da elite. A Liga Metropolitana deFootball do Rio de Janeiro foi fundada tempos depois, em 1905.(MAGALHÃES, 2010). Em seu primeiro momento, o futebol era definitivamente umentretenimento para as elites. De qualquer forma, logo se tornou umaimportante diversão para as elites e, em pouco tempo, já era praticado emvários locais do país. Esse foi um fato importante, conforme demonstra Reise Escher (2006, p.35): “o Brasil não importou da Inglaterra apenas o jogo defutebol, mas também as tradições inglesas.” E enquanto estivesse nas mãosdas classes mais altas, o caráter amador do esporte seria mantido, a fim demanter, assim, sua restrição a poucos. Daí, sempre entre a elite, foram surgindo os primeiros times deverdade. Em 1896, o São Paulo Athletic Club, fundado oito anos antes, seriao primeiro a aderir ao novo esporte, logo seguido do Sport Club Germania(1889), de Mackenzie Athletic Association (1898), Sport Club Internacional(1898), Clube Atlético Paulistano (1900), já com nome aportuguesado. EmCampinas, fundou-se a Associação Atlética Ponte Preta (1900). No Rio de
  24. 24. 24Cox, o Fluminense Foot-ball Club (1902), o Rio Foot-ball Club (1902), oBotafogo Foot-ball Club, o America Foot-ball Club, o Bangu Athletic Club (ostrês últimos em 1904). Flamengo e Vasco da Gama já existiam desde o fimdo século, ambos dedicando-se ao remo: o primeiro, só criaria seudepartamento de futebol em 1911; o segundo, em 1923. Em Porto Alegre, foifundado o Esporte Clube Rio Grande (1900); em Minas, o Sport Club BeloHorizonte (1904); em Recife, o Club Náutico Capeberibe (1901); emSalvador, o Vitória Foot-ball Club (1905). (MÁXIMO, 1999). Semelhante com o que aconteceu na Inglaterra, o futebol foi usadocomo válvula de escape para as classes trabalhadoras, e com issotranqüilizava as elites. As classes mais altas perceberam que com apopularização do futebol haveria uma forma de controlar a massatrabalhadora cada vez mais aglomerada nos centros urbanos, entretantopassava-se a exigir mais direitos e maior participação na vida do país. Na visão de Proni (1998), o futebol vinha deixando de se restringir aosclubes e colégios de elite e passando, progressivamente, a ser praticado poroperários e trabalhadores de classes populares, apesar do caráter elitistadas ligas. Com o surgimento de equipes em fábricas de subúrbio como foi ocaso pioneiro da equipe do Bangu no Rio de Janeiro, formada em 1904, oucom o aparecimento de equipes em bairros de famílias proletárias a exemplodo Corinthians Paulista, em 1910, a prática foi se popularizando e sedifundindo como um novo elemento do meio social urbano. Emcontraposição ao futebol dos clubes de elite, começava a proliferar ochamado “futebol de várzea”. Pode - se dizer que a fundação desses clubes representou a aberturado futebol para as massas. O Brasil estava se urbanizando e as classesmais baixas, começavam a buscar espaço tanto na sociedade como napolítica. Com o avanço da indústria e o crescimento do operariado houve adifusão do esporte pela classe operária. Tempos depois, o futebol começavaa se popularizar e se difundir pelo país, a questão social foi ganhando força,assim como a própria identidade nacional do brasileiro. A partir de 1908, homens de diferentes classes socias passaram a terdireito à prática do futebol. Isso só foi possível com a criação de vários
  25. 25. 25clubes, mas mesmo com esse avanço, ainda houve impedimentos. Aparticipação dos negros nos times de futebol pode ser considerada umdesses avanços, porém isso só foi possível na década de 20 quando elescomeçaram a ser aceitos por outros clubes, sendo o Vasco da Gama que foifundado em 1898, o primeiro dos clubes grandes a vencer títulos com umaequipe repleta de jogadores negros e pobres. (MAGALHÃES, 2010). Entende-se que os anos que antecederam o governo Vargas forammarcados por duas disputas no futebol brasileiro. De um lado, a elitedefendendo seu caráter amador e do outro o povo que buscavademocratizá-lo e lutava pela sua profissionalização. Esses conflitos, emtermos de compreensão do futebol, eram o reflexo de importantes questõessociais e políticas que estavam surgindo no país. No período da Era Vargas, o futebol representou um modelo desociedade a ser alcançado, ao mesmo tempo em que era um dos moldes dasociedade brasileira. Foi um instrumento ideológico extremamente útil, queatendia aos objetivos do chamado “governo dos pobres” do referidopresidente. Vargas estimulou a profissionalização do futebol no esforço deque o Estado controlasse o esporte no país. Assim, conseguiria ampliar abase social do governo e criar a ilusão de um Brasil democrático. Em Proni(1998, p. 197), vamos encontrar o seguinte esclarecimento: Durante a primeira era Vargas o futebol profissional estruturou-se de forma semelhante a uma “autarquia” e que adquiriu uma forte relação com a política local e nacional, relação que se manteria desde então (mesmo nos períodos de maior autonomia). No Brasil, o profissionalismo no futebol foi introduzido em 1933, eassim como aconteceu na Inglaterra foi um acontecimento inevitável e alvode resistência. As ligas e as associações passaram a exigir dos jogadores acomprovação de vínculo empregatício ou comprovação de ser estudante, afim de dificultar aos trabalhadores e aos que não estudavam a prática doesporte. Segundo Ribeiro (2003), a profissionalização do futebol
  26. 26. 26correspondia à tensão que existia entre a tradição elitista e amadora dosprimórdios da prática esportiva e a necessidade de regulamentar nos clubes- numa conjuntura de popularização do futebol - a crescente participação dejogadores remunerados, de sua maioria de origem pobre e negra. Foi a partirdessa década que houve um crescente êxodo de jogadores brasileiros paraa Europa. Para Rosenfeld (1993 apud REIS e ESCHER, 2006), aprofissionalização no Brasil foi uma forma de evitar a saída de jogadoresbrasileiros para outros países, que já haviam introduzido o futebolprofissional, principalmente a Itália e a Espanha. Com o crescente interesse da população pelo futebol, houve anecessidade da construção de estádios com grande capacidade de público.Foi nessa perspectiva que em 1940 e 1950 que surgiram os estádios doPacaembu e o Maracanã, respectivamente. Devido a sua profissionalização,esse esporte deixou de ser apenas um fenômeno de massa para seconverter no espetáculo que ele representa nos dias atuais, atraindomultidões para as suas práticas. E esse processo foi se intensificando comas participações da seleção brasileira nas copas do mundo e dos timesbrasileiros em campeonatos internacionais. (MAGALHÃES, 2010). Nos tempos da ditadura militar o futebol já era o “esporte do povo”,por isso os militares utilizaram a sua importância a seu favor. O auge doesporte nesse período no país se deu através da conquista da Copa doMundo de 1970. Conforme Ribeiro (2003), a vitória em 1970, no México, emplena vigência do regime autoritário, fortaleceu o imaginário de uma naçãomoderna e reconhecida como potência mundial. "Ninguém segura esse país"era a palavra de ordem que impulsionava o regime militar. A imagem do paísestava forjada na conquista do campeonato mundial. O Brasil passara a serconhecido como o país do futebol. Após o período da ditadura, o Brasil, passou por um processo deredemocratização, e tanto o país quanto o futebol sofreram importantestransformações a partir de então. Mas, assim como em todo o seu processohistórico o futebol se adaptou a essas mudanças. O novo definidor dasrelações do esporte passava a ser o capital gerado pelo futebol não só noBrasil como no mundo.
  27. 27. 27 A história do futebol está intrinsecamente ligada à política. No Brasilnão foi diferente, desde o início quando o mesmo chegou ao país, ascidades que aderiram a esse novo esporte foram justamente São Paulo eRio de Janeiro respectivamente a capital do café e a capital da República,onde a presença de empresas inglesas, a instalação de fábricas de pequenoporte, a formação de um operariado e o intenso fluxo de imigrantespropiciavam condições adequadas à contagiante atração exercida pelo novoesporte e a sua popularização. O esporte brasileiro, principalmente o futeboljá mantinha ligações com o governo há alguns anos. Logo, pode - se afirmarque uma das razões para que até os dias atuais os maiores clubes quedetém toda a atenção da mídia, do povo e da política são pertencentes aesses dois estados. (SILVA, 2006). Hoje, o futebol é o maior fenômeno social do Brasil. Representa aidentidade nacional e também consegue dar significado aos desejos damaioria dos brasileiros. Essa relação é vista como parte da própria naturezado país. Segundo Lucena e Proni (2002), o futebol seria uma das rarasoportunidades para sociedade brasileira organizar-se coletivamente emtorno de um objetivo comum, atuando de modo coordenado em contrastecom as representações políticas e econômicas tradicionais. No Brasil, o futebol se impõe nos quatro cantos, fazendo parte da vidada sociedade brasileira. Esse esporte é uma forma que a sociedadebrasileira encontrou para se expressar sendo caracterizada como: Uma maneira de o homem nacional extravasar características emocionais profundas, tais como paixão, ódio, felicidade, tristeza, prazer, dor. Fidelidade, resignação, coragem, fraqueza e muitas outras. (DAOLIO, 2006, p.143). Esse pode representar uma possibilidade de desenvolver formassolidárias e cooperativas de organização da sociedade. De acordo com DaMatta (2006, p. 164), “[...] essa prática proporciona à sociedade brasileira aexperiência da igualdade e da justiça social.” Pois produzindo um espetáculocomplexo, mas governado por regras simples que todos conhecem, o futebol
  28. 28. 28reafirma simbolicamente que o melhor, o mais capaz, e o que tem maismérito pode efetivamente vencer. Desta forma, o futebol traduz-se em uma prática social que expressaa nossa sociedade, com todas as suas aspirações mais antigas, seusdesejos mais profundos e suas contradições mais camufladas, sendoconsiderado membro legítimo do nosso país que penetra na vida dapopulação brasileira e também no espírito de cada cidadão. Entretanto, é necessário pensar o futebol como algo ainda maiscomplexo e poderoso do que um instrumento de ideologia das massas e domercado. Em adição, o futebol brasileiro, vive um momento de profundareorganização, muito prejudicada pelas mundialmente conhecidas estruturasde corrupção e má gestão. A lógica instrumental globalizadora vemprevalecendo sobre a tradição local, alterando profundamente a estrutura dofutebol, e tentando reduzir o torcedor a mero consumidor. (JESUS, 2003). O futebol brasileiro durante a sua história passou por diferentes fases.E estas, refletem o que o esporte vem representando ao longo do tempo nasociedade brasileira, primeiro era visto como um passatempo de poucos, daío esporte da elite, depois elemento de integração e paixão do povo, setornou uma profissão, posteriormente meio de afirmação da identidadenacional e instrumento político, uma arte brasileira e por fim um objeto daglobalização dentro do qual o Brasil representa importante papel.
  29. 29. 293 AS PRÁTICAS FUTEBOLÍSTICAS NOS CAMPOS DA BAHIA No capítulo anterior foi relatada a inserção do futebol no Brasil e nomundo. Agora é apresentada a discussão quanto à gênese do futebol baianoe a história da Catuense, através de documentos e; posteriormente,estabelecida uma análise do processo da pesquisa de campo.3.1 ROLANDO A BOLA: ORIGEM DO FUTEBOL NA BAHIA A história do futebol na Bahia se assemelha com a origem desseesporte no Brasil. Assim como Charles Miller, José Ferreira Júnior,conhecido como Zuza Ferreira, foi para a Inglaterra com o objetivo deestudar e quando retornou ao país, trouxe consigo a vontade de praticar oesporte em sua terra natal. Zuza Ferreira teria sido o primeiro a introduzir oesporte em Salvador no ano de 1901. A Bahia foi o primeiro estado doNordeste a acolher essa arte que hoje tanto divulga nosso país nas terrasalheias. (FEDERAÇÃO BAHIANA DE FUTEBOL, 2011). Conforme Santos (2009), de forma semelhante à Inglaterra e aoBrasil, o futebol nos seus dois anos iniciais era praticado apenas por jovensda elite soteropolitana, assim como se copiou a maneira de vestir de homense mulheres ingleses, os seus estilos de jogo, entre outros aspectos quecaracterizaram a forma da cultura futebolística na Bahia. Nesse início, ofutebol ao mesmo tempo em que foi aceito, sofreu resistência quando suaprática se dava entre populares. A partir do ano de 1903, o esporte estava adquirindo outra dimensãona sociedade baiana. Notícias nos jornais sobre regras de futebol, a venda ecompra de materiais esportivos importados eram pequenos indícios de que avisão que se tinha a respeito do futebol estava mudando. Nesse períodoainda não havia clube para as práticas futebolísticas. Os times eramformados por jovens que se reuniam nos finais de semana e feriados. A t ée n t ã o n ã o s e f or m a v a m cl u b e s d e
  30. 30. 30f ut e b ol e m S al v a d o r. A s a g r e m i a ç õ e so u cl u b e s e xi st e n t e s er a m o s d er e g a t a s, qu e pr ati c a v a m o r e m o o u 1e n t ã o o s cl u b e s d e cri c k e t. E s t a sd u a s pr átic a s e s p o r ti v a s er a m a sm a i s f a m o s a s e m S al v a d o r , n a sq u a i s a p a rti ci p a ç ã o p o p u l a r er aq u a s e i n e x i s t e n t e . Segundo Gama (1923 apud JÚNIOR;SANTO, 2011) foram os membros da colônia inglesa na Bahia que fizeram aintrodução de um jogo, cuja disputa, para eles, tinha já o cunho de Sport, -pois sendo a sua pátria o berço do Sport moderno - tinham a noção exata dasignificação do vocábulo. Esse jogo, foi o cricket, de origem genuinamenteinglesa [...]. O Sport Club Bahiano, em 1903 foi fundado por rapazes quetrabalhavam no comércio. Conforme é narrado na literatura, Rapazes do Comércio, animados, fundam o primeiro clube de futebol da Bahia. Foi ele o Sport Club Bahiano, fundado em 7 de setembro de 1903 e a quem a Bahia esportiva ficou a dever reais serviços. Os seus sócios realizavam todos os domingos partidas de futebol entre os times Branco e Verde e uma banda de música alegrava o público. No dia 15 de novembro um grande jogo foi realizado entre os já afamados times Verde e Branco. (MAIA, 1944 apud SANTOS, 2009, p. 7). Seguindo a tendência apontada por Franco Júnior (2007), outrosclubes foram criados em Salvador, times que podiam ainda ser de elite ou deorigem popular ou ainda, ter base nas colônias estrangeiras. Nessa lista,vemos clubes como: Club Internacional de Cricket (novembro de 1899); Clubde Natação e Regatas São Salvador (1902); Club de Regatas Itapagipe(1902); Sport Club Bahiano (1903); Sport Club São Paulo - Bahia (1903);Sport Club Santos Dumond (1904); Fluminense Foot-Ball Club; Sport Club1 Nome dado ao um esporte que utiliza bola e tacos, cuja origem remonta ao sul da Inglaterra, duranteo século XVI.
  31. 31. 31Ypiranga (1906); Botafogo Sport Club (1914) e outros mais. Alguns tiveramvida curta, outros duraram tempo maior, mas da mesma forma foramextintos e poucos são os que existem até hoje, com alguns tendo sido criadoem tempos mais recentes, como o Esporte Clube Bahia (1931). Além disso, convém salientar que a prática do futebol gerou muitacuriosidade em quem assistia aos jogos, cada vez mais frequentes, noscampos de Salvador. O processo de institucionalização do futebol baiano começara aacontecer. Logo, passou a ser necessário um local mais organizado, quepermitisse uma prática de cunho sistematizado, com uma inicial organizaçãode campeonatos. A essa altura era preciso satisfazer a população edesenvolver o esporte que acabou sendo adotado pelo povo soteropolitano. O São Paulo, clube baiano formando por paulistas, por já ter contato com o futebol no sudeste brasileiro percebeu que a criação de uma liga em Salvador seria de fundamental importância para o desenvolvimento do esporte naquele estado. Sendo assim o clube em parceria com o Bahiano, convida o Vitória e Internacional para fundarem, no dia 15 de novembro de 1904, a primeira liga de futebol da Bahia, chamada Liga Bahiana de Sports Terrestres, atual Federação Baiana de Futebol, a fim de organizar campeonatos de futebol. (SANTOS, 2009, p. 9). Depois desse acontecimento, passaram a desenvolver a idéia de quea formação dos primeiros clubes para a prática do futebol designada aosdesportistas era o que faltava no futebol baiano. Um torneio em que fossemrealizados jogos com mais freqüência e certa periodicidade. Através de umcampeonato mais partidas seriam disputadas, sendo que no final deste umcampeão seria declarado recebendo assim um troféu representando a suaconquista. No dia 9 de abril de 1905, começa o primeiro Campenato Baiano deFutebol com a participação de cinco clubes: Vitória, São Salvador,Internacional, Bahiano e São Paulo. O Internacional que foi fundado porimigrantes ingleses, acaba vencendo todas as partidas e conquistando o
  32. 32. 32campeonato. Essa 1ª edição do campeonato baiano foi um sucesso e contoucom grande participação do público, formado por pessoas da alta sociedadee populares. Houve em Salvador, um momento em que o mesmoexperimentou uma cultura “oficial” no futebol. Entre os anos de 1905 e 1912,o futebol representava diversão e lazer, e encontrava sentido na prática doamadorismo, possuidor de um caráter restrito, racista e selecionador.(SANTOS, 2009). Para muitos desportistas baianos o futebol como umaprática civilizada, contribuiria para o desenvolvimento da Bahia, baseado éclaro no comportamento dos burgueses e europeus. Em setembro de 1913, outra liga foi criada, a Liga Brasileira de SportsTerrestres. Em Salvador, existiram ainda outras ligas futebolísticas, como:Liga Sportiva Nacional, a Liga Itapagipana e a Liga Rio Branco de SportsTerrestres. (JUNIOR; SANTO, 2011). Com a criação dessas ligas, o futeboliniciou um período de transformação, a sua prática estava sendo realizadanos quatro cantos de Salvador, da elite às camadas mais populares.Entretanto, houve a tentativa de uma vivência futebolística que remetesseaos ideais da modernidade, porém tentou-se restringir os populares e negrospobres da vivência da própria modernidade. Nesse processo de uma práticadesportiva, um dos aspectos mais tensos foi a inserção do negro nos clubese nos campeonatos de futebol. A Liga Brasileira de Sports Terrestres ou a“Liga dos Pretinhos” pode ser considerada um marco para a inclusão dosnegros e populares nas práticas futebolísticas de Salvador. Para Santos(2009, p. 24), a “ L i g a d o s P r e ti n h o s” ate n d i aa s n e c e s sid a d e s d e s o ci ali z a ç ã o p o rp a rt e d o s p o p u l a r e s. N e s t e s e n t id o , ac ult u r a p o p u l a r d o f ut e b o l e mS a l v a d o r c o ntri b u i u p a r a ac o n s tit ui ç ã o d e u m a i d e n t i d a d ec ol eti v a e ntr e a s cl a s s e ss u b a lt e r ni z a d a s . Numa análise acerca do futebol em Salvador, identifica - se que emsua trajetória, este se desenvolveu como uma prática cultural que ganhou àsruas da cidade, relacionando-se com outros elementos da cultura
  33. 33. 33soteropolitana, se transformando no esporte de maior aceitação, até aatualidade. Tempos depois, não só a capital baiana, como também outrascidades do estado já haviam disseminado o futebol, adotando-o como ofenômeno da modernidade. Os times do interior do estado foram surgindo apartir dessa lógica e através dos campeonatos já existentes, amadores ounão. Dentre eles podemos citar: Atlético de AlagoinhasBahia de Feira, Camaçari, Feirense, Fluminense, Ipitanga, Juazeiro,Serrano, Colo-Colo, Vitória da Conquista, Poções, Catuense, entre outros. Os maiores clubes de futebol da Bahia e reconhecidos nacionalmentesão o Bahia e o Vitória, ambos de Salvador. O Bahia, maior vencedor dahistória do Campeonato Baiano, campeão brasileiro em 1959 e 1988,disputa, atualmente, a Série A. O Esporte Clube Vitória, segundo maiorvencedor do certame baiano, foi vicecampeão brasileiro de 1993 e vice -campeção da Copa do Brasil de Futebol de 2010 e se encontra, atualmente,na Série B do Campeonato Brasileiro. Atualmente as competições organizadas anualmente pela FBF, são:Campeonato Baiano de Futebol - Primeira Divisão , Campeonato Baiano deFutebol - Segunda Divisão, Torneio Seletivo para o Campeonato Baiano da2ª Divisão, Campeonato Baiano Sub-20, Campeonato Baiano de FutebolFeminino Amador, Campeonato Baiano Infantil da 1ª Divisão, CampeonatoBaiano Juvenil da 1ª Divisão, Campeonato Intermunicipal, Copa Governadordo Estado. (FEDERAÇÃO BAHIANA DE FUTEBOL, 2011). Em sua história mais recente, no ano de 2004 o futebol da Bahia foirepresentado na Copa do Brasil pela Catuense Futebol S/A, time interioranoque por várias veses ficou entre os quatro primeiros colocados doCampeoanto Baiano. O futebol na Bahia teve ainda como campeões, no seumais importante torneio, dois clubes do interior do estado: o Colo-Colo deFutebol e Regatas, em 2006 e o Bahia de Feira de Santana em 2011. Pelo que se percebe os times do interior do estado aos poucos vêmcrescendo e obtendo espaço na mídia esportiva e ganhando respeito dosoutros clubes. O fato do Bahia de Feira, clube natural de Feira de Santanater sido campeão baiano da 1ª divisão no ano de 2011, derrotando o Vitória,um dos grandes da Bahia no seu estádio e de virada foi um acontecimento
  34. 34. 34marcante que pode alavancar o sucesso profissional dos chamados timespequenos.3.2 CATUENSE FUTEBOL S/A: PASSADO E PRESENTE O futebol de várzea que é praticado de forma amadora e organizadafez surgir os primeiros times, também conhecidos como clubes de várzea.Esse futebol, da comunidade, da rua, cumpre um papel importante napersonalização singular do brasileiro como povo característico e criador deuma cultura própria, uma vez que este funciona como ponto de encontro deamigos para os fins de semana. Ele apresentava, no passado, umacontinuidade com o futebol oficial. A popularidade da sua prática, assimcomo o futebol oficial se deve a adequação ao gosto popular. A várzearepresentou um celeiro de grandes craques que, descobertos, vestiram acamisa de grandes clubes apesar da rusticidade de sua organização, pois, [...] qualquer várzea, em que se colocassem pedaços de pau como traves, e o improviso de bolas, que poderiam ser feitos de material barato (como bexigas de boi), adequavam-se perfeitamente à sua prática. (MELO, 2000, p.21). Considera-se que o futebol seria um esporte e uma prática corporalorganizado nas ruas, pelas comunidades locais, que pode se tornar a vitrinede nossa identidade nacional, capaz de fazer refletir sobre diferentesmaneiras de organização política e social. Esses times que se constituemnas relações sociais democráticas e solidárias, que objetivam a diversão e aintegração da comunidade, surgem como exemplos de possíveis
  35. 35. 35organizações políticas alternativas. Foi a partir dessas relações sociais que oclube Catuense Futebol S/A surgiu nas práticas futebolísticas da Bahia. De acordo com Catuense (2011), a origem do clube Catuense FutebolS/A, também iniciou com essas “peladas”, como é conhecida as partidas dofutebol de várzea. Foi resultado de uma diversão entre amigos aos domingose feriados, na cidade de Alagoinhas. Antônio Pena (Figura 01), empresário,desportista, sócio e conselheiro de diversos clubes baianos e algumasagremiações do sul do país, como amante do futebol, resolveu fazer umcampo de peladas na área de sua chácara, em Alagoinhas onde aosdomingos e feriados, reunia atletas do passado e da época. Com odesenvolver das peladas, despertou o interesse de levar aquele time quedirigiu a se exibir no Estádio Municipal Antônio Carneiro, situado na cidadede Alagoinhas e em outras praças esportivas. Então, surgiu a idéia dafundação de um clube que pudesse mostrar o resultado da união entreatletas do passado e do presente. FIGURA 01 – Antonio Pena, fundador do clube. Fonte: Internet (site oficial do clube)
  36. 36. 36 Justamente em fins de 1973, conforme o Senhor Antônio Pena, no dia01 de janeiro de 1974, ele e os funcionários da empresa Catuense, DagmarGomes da Silva, Raimundo Stélio, Gerson Santos, José Joaquim, EdmiltonGalisa, José Luiz, Ademir Brito, Jucundino Freire e Eliseu Costa fundaram aAssociação Esportiva Catuense que se sagrou campeã no primeiro anodisputando o campeonato de amadores de Alagoinhas, voltou a sercampeão em 1976 e vice em 1975 e 1978 e mais tarde se tornaria uma dasgrandes forças do futebol baiano. Suas cores, conforme ilustrado na figura02, são o amarelo, vermelho e preto e tem como mascote o bem-te-vi(Figura 03). FIGURA 02 – Escudo atual da Catuense. Fonte: Internet (site oficial do clube) FIGURA 03 – Mascote da Catuense. Fonte: Internet (site oficial do clube
  37. 37. 37 De acordo com registros do clube, no início as partidas eram realizadas no Estádio Carneirão, na cidade de Alagoinhas, o que rendeu ao time o apelido de Laranja Mecânica, pois na época a cidade que sediava os jogos era uma grande produtora de Laranja. Devido a esse fato, o clássico entre Catuense e Atlético de Alagoinhas é chamado do Clássico da laranja. A década de 80 foi marcada por grandes feitos, conforme apresentado no quadro 01. Além do acesso a primeira divisão do Campeonato Baiano, o Catuense teve uma passagem positiva pela época. Nove anos após a sua Fundação, o time chegou à elite do Futebol Baiano, onde durante 26 anos fez uma história de sucesso, estando por dezessete vezes entre os cinco primeiros colocados, e ocupando por duas vezes a vice-liderança do campeonato.(CATUENSE, 2011).QUADRO 01 - CONQUISTAS DA CATUENSE FUTEBOL S/A ANO CONQUISTAS 1974/1976 Campeão do campeonato de amadores de Alagoinhas 1975/1978 Vice - campeão do campeonato de amadores de Alagoinhas 1977 Vice - campeão do Torneio Inter Clube 1980 Campeão do Campeonato de Acesso de Profissionais da 2ª divisão 1981/1982/1985/1989 4º lugar no Campeonato Baiano da primeira divisão 1983/1986/1987 Vice - campeão do Campeonato Baiano da primeira divisão 1984 Campeão na Categoria Júnior 1984/1988 3º lugar no Campeonato Baiano da primeira divisão 1987 Campeão da Taça Cidade de Salvador 1981/1990 Vice - campeão na Categoria Júnior 1990/1992/1994 3º lugar no Campeonato Baiano da primeira divisão 1993/1996 4º lugar no Campeonato Baiano da primeira divisão 1989/1994 3° lugar no Campeonato Brasileiro da série B 1990 Semifinalista do Campeonato Brasileiro da série B 1991/1993 Vice - campeão da Taça Bahia Júnior na categoria Juvenil 1994 Campeão da Taça Bahia Júnior na categoria Júnior e Juvenil
  38. 38. 381996 Venceu o amistoso contra o Peñarol do Uruguai na inauguração do Estádio Municipal Antônio Pena em Catu1998 Vice - campeão do Torneio de Almeria e 4º lugar no torneio de Albacete (Espanha)1999 Vice - campeão da Taça Estado da Bahia2001 Campeão da Taça Estado da Bahia2003 Vice - campeão do Campeonato Baiano da primeira divisão2004 Campeão Baiano do Interior Em 1996 é inaugurado o Estádio Antônio Pena, na cidade de Catu,(figura 04) construído pelo então prefeito do município e dono do clubeAntônio Pena, que no jogo inaugural recebeu o Peñarol do Uruguai. FIGURA 04 – Placa de inauguração e vista interna do EstádioMunicipal Antonio Pena, na cidade de Catu. Fonte: Internet (site oficial do clube) O estádio Municipal Antônio Pena já foi considerado um dos estádiosmais bonitos da Bahia. Com capacidade para 10.000 pessoas esse estádioatualmente passa por vários problemas de infra - estrutura, bem como a faltade estrutura nas cabines de imprensa, instalações internas, estruturasinternas comprometidas, arquibancadas sujas, as torres de iluminação comausência de algumas lâmpadas, dentre outros fatos. No dizer do próprioAntônio Pena, o estádio está abandonado, sujo, onde já depredaram partedo vestiário, levaram as tomadas, não tem mais água quente e fria para arecuperação dos jogadores, aquecedores, banheiras térmicas, enfim seencontra desprezado. O nome do estádio foi apagado da arquibancada e
  39. 39. 39esse local que já abrigou grandes jogos está servindo apenas para oscampeonatos amadores do município. No mesmo ano da inauguração, Catu passou a ser a sede do clube, jáque o seu fundador foi nomeado o prefeito da cidade. Segundo o site oficialdo clube, em 07 de novembro de 2001, seguindo uma tendência dosgrandes times brasileiros, a Associação Desportiva Catuense torna-se umaempresa, a Catuense Futebol S/A. Assim, percebe-se que A transformação dos clubes profissionais em sociedade anônimas supõe não só o estabelecer de um princípio de responsabilidade limitada dessas entidades, mais ainda, e o que é mais relevante, a existência de mecanismos que facilitem a percepção dessa entidade, favorecedores da transparência, o que ajuda a criar um clima de segurança (e garantia) nas relações jurídicas e econômicas que surjam com terceiros. (FILHO, 2002 apud PERRUCCI, 2006, p. 255). Esses clubes aderiram a um modelo de empresa, onde há a divisãodo capital social em ações que podem ser negociadas livremente e nãoquando o capital é atribuído a um nome em específico.Neste modelo de sociedade, não é necessário uma escritura pública(contrato social) ou outro ato oficial, assim esta sociedade de capital, vaiprever a obtenção dos lucros e distribuí-los aos acionistas. No ano de 2004, Antônio Pena concorreu à reeleição para prefeito nacidade de Catu, porém acabou sendo derrotado pela atual prefeita reeleitaGilcina Carvalho. Esse fato abalou o ciclo de sucesso da Catuense FutebolS.A, conhecida também como Catuca. Com isso a Catuense perdeuprestígio na cidade, mesmo disputando o Campeonato Baiano da 1ª divisão.Apesar de ter perdido as eleições, Antônio Pena continuou residindo nomunicípio. Mas, no ano de 2007 a Catuca acabou sendo rebaixada para asérie “B” do Campeonato Baiano. Então o ex-prefeito da cidade de Caturetornou para Alagoinhas levando a Catuense Futebol S/A. Por isso hoje asede do clube volta a ser a cidade de Alagoinhas. Hoje, a presidente do
  40. 40. 40 clube é Maria Aparecida Pereira Pena, que em dezembro de 2002 foi convidada por seu pai, Antônio Pena a assumir a presidência. A Catuense Futebol S/A tem uma escolinha de futebol que abriga futuros talentos ensinando as técnicas do futebol e ajudando na formação do cidadão pelo aprendizado de regras e normas de conduta. A Escola de Futebol da Catuca está sendo conhecida internacionalmente através do projeto de intercâmbio de jogadores. A Catuense possui três equipes: principal, juvenil e infantil. O Centro de Treinamento da Catuca, como ilustrado na figura 02, possui 12 quartos, uma enfermaria, uma rouparia, um refeitório, área de lazer com sala para TV e salão de jogos, uma lavanderia, um depósito, um vestuário, um escritório, além de um campo com dimensões oficial (105 x 75 metros). (VALLORY; BASTOS, 2011). FIGURA 05 - Centro de Treinamento da Catuense. Fonte: Internet (site oficial do clube) A Catuca durante a sua história participou de alguns amistosos e excursões internacionais segundo o quadro 02, que lhe trouxeram grandes vitórias sobre times já consagrados.QUADRO 02 – JOGOS INESQUECÍVEIS DA CATUENSE FUTEBOL S/A
  41. 41. 41 ANO JOGOS INESQUECÍVEIS DA CATUENSE 1988 Catuense 2x1 Flamengo 1991 Catuense 0x0 Maryland Bays dos EUA 1991 Catuense 3x0 Seleção Olímpica de El Salvador 1996 Catuense 2x1 Peñarol do Uruguai------------------------------- Severtte da Suiça 0x7 Catuense------------------------------ Olto da Alemanha Ocidental 1x5 Catuense Atualmente a Catuense que revelou Bobô, Vandick, Zanata, Naldinho e Clemer não se inscreveu para a 2ª divisão de 2011, segundo a presidente Cida Pena, os motivos são o trabalho focado na base e as mudanças da lei na FBF (Federação Baiana de Futebol) para os times que participam da segunda divisão. Conforme o ranking do site da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), terminada a temporada passada a Catuca foi reconhecida como o terceiro clube baiano melhor colocado, onde se encontra na 70º posição, na frente de equipes como o Grêmio Prudente (SP).
  42. 42. 424 INVESTIGAÇÃO DAS RAZÕES QUE INTERROMPERAM UMSONHO A pesquisa pode ser caracterizada como um processo de construçãodo conhecimento voltada para a descoberta de solução dos problemas. Ébasicamente um processo de aprendizagem tanto do indivíduo que a realizaquanto da sociedade na qual esta se desenvolve. A pesquisa também podeser definida como o conjunto de atividades orientadas e planejados pelabusca de um conhecimento. Fazer uma pesquisa científica significa investigar determinado assunto de interesse e relevância, observar os acontecimentos, descobrir respostas, conhecer o assunto com profundidade, utilizar métodos científicos para solucionar os problemas levantados e responder as questões que surgem no decorrer do estudo. (MATTOS, 2004, p.11) Esta pesquisa tem cunho qualitativo e foi desenvolvida através dapesquisa documental, da revisão de literatura e da pesquisa de campo. Temcomo característica o caráter descritivo, sendo este, um método queobserva, registra, analisa, descreve e correlaciona fatos ou fenômenos semmodificá-los. Segundo Uwe Flick (2009, p.8), “a pesquisa qualitativa visa aabordar o mundo “lá fora” e entender, descrever e, às vezes, explicar osfenômenos sociais “de dentro” de diversas maneiras diferentes”.
  43. 43. 43 O método da pesquisa documental vale-se de documentos originais,que ainda não receberam tratamento analítico por nenhum autor, ou seja,investiga fontes primárias que se constituem de dados que não foramcodificados, organizados e elaborados para estudos científicos. De acordocom Oliveira (2007, p. 69): a pesquisa documental caracteriza-se pela busca de informações em documentos que não receberam nenhum tratamento científico, como relatórios, reportagens de jornais, revistas, cartas, filmes, gravações, fotografias, entre outras matérias de divulgação. Desta forma no presente trabalho, para o apoio teórico, foramconsultados documentos indispensáveis à compreensão prévia do problema,tais como: a ata do clube, artigos da internet entre outros. A revisão de literatura segundo (GIL, 2002) é aquela baseada emlivros e artigos científicos, mediante análise minuciosa do material de sorte aaveriguar possíveis incoerências ou equívocos nele contidos além depossibilitar ao pesquisador melhor compreender os dados coletados,fundamentando-os ou refutando-os. A pesquisa de campo procede à observação de fatos e fenômenosexatamente como ocorrem no real, à coleta de dados referentes aosmesmos e, finalmente, à análise e interpretação desses dados, com basenuma fundamentação teórica consistente, objetivando compreender eexplicar o problema pesquisado. Para (MARCONI E LAKATOS, 1996), apesquisa de campo é uma fase que é realizada após os estudosbibliográficos, para que o pesquisador tenha um bom conhecimento sobre oassunto, pois é nesta etapa que ele vai definir os objetivos da pesquisa, ashipóteses, definir qual é o meio de coleta de dados e a metodologia aplicada.Ela se caracteriza pela busca de dados diretamente da fonte de origem epodem ser modificadas pelas condições ambientais.
  44. 44. 44 Assim, além da pesquisa bibliográfica e documental, utilizou-se paracoleta de dados, entrevistas semi – estruturadas que para Triviños (1987, p.146): Tem como característica questionamentos básicos que são apoiados em teorias e hipóteses que se relacionam ao tema da pesquisa, e que, em seguida, oferecem amplo campo de interrogativas, frutos de novas hipóteses que vão surgindo à medida que se recebem as respostas dos informantes. Assim, infere-se que esse tipo de entrevista permite que oentrevistado tenha liberdade para discorrer sobre a temática em questão eaborde aspectos que sejam relevantes sobre o que se pensa. As entrevistas consistiram de 5 a 10 questões fechadas e abertas,onde o indivíduo entrevistado teve a possibilidade de discorrer sobre o temaproposto, sem respostas ou condições prefixadas pela pesquisadora. Ossujeitos escolhidos para as entrevistas foram: o fundador da CatuenseFutebol S/A, dois ex- jogadores do clube e a atual presidente. O critério paraa seleção dos sujeitos foi baseado na aproximação que os mesmospossuem com o clube, onde participaram de forma direta na trajetória doclube, podendo então, fornecer informações fundamentais para conhecer ahistória da Catuense, as dificuldades que favoreceram para o seu declínio nofutebol da Bahia e do Brasil e as perspectivas para o seu futuro.
  45. 45. 455 A CATUENSE E SEUS SUJEITOS SOCIAIS: MEMÓRIAS DEUM CLUBE BAIANO Durante a pesquisa de campo foram entrevistados o fundador doclube, o senhor Antônio Pena, a atual presidente, a senhora Maria AparecidaPereira Pena e dois ex-jogadores, Raimundo da Glória e Elzon dos Santos.As entrevistas com os ex-jogadores aconteceram na manhã do dia 25 deagosto de 2011 em Catu-BA, sendo que a primeira durou cerca de 9 mim e asegunda 8 min. Já o fundador do clube e a atual presidente foramentrevistados na manhã do dia 12 de novembro de 2011 em Alagoinhas -BA, com duração de 40 min e 10 min respectivamente. As memórias do clube Catuense Futebol S/A começarão a serdescritas a partir do seu fundador que narrará a história do time desde a suafundação até as semelhanças e diferenças entre a sua gestão enquantopresidente e atual administração. Quando perguntado sobre o que motivou o grupo fundador daCatuense a tomar a iniciativa de criá-la, o senhor Antônio Pena2 diz que: Não tínhamos nos dias de domingo nenhuma opção de lazer, então nós reunimos os funcionários da empresa de ônibus Catuense criada por mim e transformamos os babas nos domingos pela manhã na Associação Desportiva Catuense. (INFORMAÇÃO ORAL).2 Depoimento obtido através de entrevista com o fundador Antônio Pena, em 12 de novembro de2011.
  46. 46. 46 A diversidade do futebol é algo que o torna um fenômeno único quepossui diversas formas de organização e possui uma íntima relação com asociedade. São várias pessoas que dedicam seu tempo disponível ao futebolenquanto prática, valorizando momentos de encontro e sociabilidade deforma informal, criativa e lúdica. De acordo com Bauler (2005 apud RIGO;JAHNECKA; SILVA, 2010), as práticas do futebol como lazer, continuam ater presença marcante, tanto nos grandes centros urbanos como nas médiase pequenas cidades brasileiras, ou ainda nas zonas rurais, onde, nãoraramente, ele é um dos poucos acontecimentos de lazer dos finais desemana. Segundo Antônio Pena, um dos motivos para a criação da Catuensefoi a vontade de disputar o Campeonato de Amadores de Alagoinhas. Para omesmo a Catuense enquanto amador tem sua origem em Catu e comoprofissional em Alagoinhas. Quando perguntado se após a criação do clube, ele imaginou que acatuense se tornaria uma das grandes forças do futebol baiano diz que: Sempre tive muita esperança porque sabia que o futebol no futuro seria um bom negócio. O futebol é uma paixão do povo, sobretudo brasileiro. Embora tenha sido descoberto na Inglaterra, as suas maiores glórias estão em poder dos brasileiros. (INFORMAÇÃO ORAL). Este trecho da entrevista vai ao encontro do que afirma Galeano(2002, p. 14), ao descrever o futebol como: O jogo se transformou em espetáculo, com poucos protagonistas e muitos espectadores, futebol para olhar, e o espetáculo se transformou num dos negócios mais lucrativos do mundo. Esse esporte também é uma “paixão”, um “estilo de vida” e uma instituição social que cultiva mitos, crenças que vende muito bem produtos como o “jogador de futebol”, e se constitui grande fonte de renda.
  47. 47. 47 Inserido no mundo dos negócios, o futebol faz parte do contextocapitalista, transformou-se em mercadoria e o capital gerado pelo mesmoassume papel central na produção de toda a riqueza existente. Para o povobrasileiro essa mercadorização trouxe um novo significado do esporte e,sobretudo no que diz respeito a sua identidade. Para argumentar qual teria sido o divisor de águas do apogeu edeclínio da Catuense, destaca que: O auge do clube foi fruto do meu trabalho juntamente com todos os funcionários da empresa Catuense e que não houve um declínio propriamente dito, o que aconteceu foi uma parada para observação, motivada pela queda da empresa que era o órgão que ajudava, sendo o parceiro e investidor. (INFORMAÇÃO ORAL). A Catuense Futebol S/A por se tratar de um clube-empresa teve aolongo da sua trajetória metas que alavancariam os outros negócios do clube,tais como: a obtenção de lucros e as conquistas em campo. Pode-se dizerque o fato da empresa de ônibus Catuense não existir mais, possibilitoumudanças nas pretensões do clube decorrentes da falta de patrocínio, o quefoi fundamental para a invisibilidade do clube nos cenários local, regional enacional. Do ponto de vista de Perruci (2006, p. 203), o clube-empresaconsiste numa atividade empresarial desenvolvida pelos clubes de futebolque desempenham atividades profissionais, coincidindo, então, com acorreta acepção da empresa, como objeto de direito, ou seja, a atividadeprofissionalmente exercida e organizada para a produção e circulação debens e serviços. Diante do questionamento de quais seriam os fatores que levaram àtransferência da sede da catuense para outra cidade, defende: [...] a sede da Catuense deveria ser no Catu, porque a origem do clube foi lá. Como amador o time começou em Catu e eu fui prefeito daquela cidade durante dois mandatos, construi um estádio e esperava continuar com
  48. 48. 48 Catuense lá, mesmo o centro de treinamento sendo em Alagoinhas. (INFORMAÇÃO ORAL). Então um dos fatores para a transferência da sede foi o fato dosenhor ter assumido a empresa Alagoinhas? Eu vim para Alagoinhas orientado pelo governo na época porque a empresa Alagoinhas não estava bem e a empresa Catuense estava em franca ascensão, desenvolvendo, crescendo. (INFORMAÇÃO ORAL). Através da fala do entrevistado percebe-se que não há objetividade eclareza quanto às causas da mudança de sede do clube, porém, pode-seconcluir que pela vontade do fundador do clube, a sede do mesmo seria emCatu, entretanto, houve a necessidade do próprio Antonio Pena assumir aempresa Alagoinhas, a fim de levá-la ao mesmo patamar que a empresaCatuense se encontrava. A Catuense foi uma equipe de grande sucesso desde a sua origematé o início desse século, porém houve no decorrer da sua históriamomentos que marcaram a memória dos seus sujeitos sociais. Quando sepergunta qual teria sido o momento mais marcante da trajetória da Catuensedurante a sua gestão, acredita que: Além da inauguração do estádio Municipal Antônio Pena houve os quatro vice-campeonatos baianos que para mim foram quatro títulos. Na inauguração do estádio nós trouxemos o Peñarol do Uruguai que naquela ocasião era bi- campeão do mundo. A catuense ganhou o jogo por 2 a 1 e isso está gravado na história do futebol da Bahia. (INFORMAÇÃO ORAL). Assim como outros times do Brasil, a Catuense participou de algunsamistosos internacionais que alavancaram o nome do clube pelo Brasil epelo mundo.
  49. 49. 49 Fizemos grandes amistosos internacionais, jogamos nos EUA, Portugal, Itália, na Suíça contra o Sevette. Enfim grandes partidas que nos deram grande satisfação e alegria, onde honramos o futebol da Bahia. (INFORMAÇÃO ORAL) É possível observar na fala do entrevistado que na memória dos seussujeitos sociais, a construção e inauguração do estádio, como também osamistosos realizados pela Catuca por todo o mundo, foram um marcohistórico para todos os envolvidos direta ou indiretamente a essesacontecimentos. Quando perguntado quais foram as dificuldades encontradas duranteo processo de formação da Catuense, Pena alega que: Não tive dificuldades, porque fazia o que gostava. Antes da Catuense eu era torcedor do Galícia e me convocaram para presidência e fui campeão com o clube. Na Catuense era eu quem decidia os recursos para bancar as despesas. (INFORMAÇÃO ORAL). O gosto pelo futebol, a sensação de prazer, de estar fazendo o queama serviu como um estímulo para que Antônio Pena viesse a formar oclube. A forma lúdica com ele apreciava o esporte pode ser explicada por(SALLES, 1998), quando diz que a escolha do futebol como fonte de lazerparece ter relação com o modo do indivíduo se relacionar com ele próprio ecom os outros, o modo como ele se vê, quais os seus objetivos e seusvalores. A gestão da Catuense Futebol S/A obedece a uma hierarquia, háquase dez anos a direção do clube está nas mãos da filha do senhor AntônioPena, Maria Aparecida Pereira Pena. Interrogado como está sendo a atualadministração e quais seriam as semelhanças e diferenças da sua gestão eda atual, o fundador do clube afirma que: A atual administração está sendo com muita responsabilidade, Cida absorveu bem as minhas idéias e
  50. 50. 50 com isso ela usa a mesma filosofia que eu seguia, dirigindo o clube com orgulho. Não há diferenças entre as gestões, é a continuidade, porém o poder de realização está comigo, quem administra sou eu. Ela tem um corpo de funcionários que a ajuda muito, dando continuidade a minha legenda que é a Catuense. (INFORMAÇÃO ORAL). Percebe-se claramente a satisfação e o orgulho do entrevistado aofalar do processo de administração da atual gestora do clube. Entretanto, háa certeza de que mesmo não sendo oficialmente o presidente da Catuense,Antônio Pena é o grande responsável pelos rumos futuros a serem tomadospela Catuca. A parte financeira está concentrada em suas mãos. Umagestão de futebol deve seguir um padrão onde se busque a lucratividade,assim como, o desempenho em campo com metas e resultados esperados.Na visão de (JUNIOR, 2001) este modelo de gestão está circunscrito amodalidade esportiva de futebol, o que de certa maneira dá um foco aonegócio. Então, já existe um projeto para que a catuense volte à elite do futebolbaiano? Sim, a catuense não morreu não, estamos nos reorganizando para depois reinvestir. (INFORMAÇÃO ORAL) Por muito tempo, a Catuense fez parte do cenário esportivo,conquistando torcedores e títulos. Hoje, a percepção da presidenteAparecida Pena em relação a sua integração dentro desse contexto é claraquando a mesma diz que a Catuense está fora do cenário esportivo atual,focando seu trabalho na base. Pelo que se pode notar o atual objetivo doclube é formar atletas com qualidades técnicas e táticas e inseri-los nomercado de trabalho. Como descrito por Souza (2001), as categorias debase têm como principais metas, permitir a possibilidade de correção técnicae tática do jovem jogador, incutir no jovem a predisposição para o trabalhofísico e adequar o jogador as normas do clube, requisitos básicos para
  51. 51. 51preencher vaga no mercado de trabalho, (padronização, disposição, eobediência). O mundo do futebol é enriquecido de questões com carátereconômico, sendo o patrocínio um núcleo de retorno e visibilidade. Osucesso dessas ações está diretamente ligado com o tamanho da torcida doclube, o sucesso nas competições dentro de campo e com o tamanho daexposição que ele vai ter na mídia. Entretanto, muitos são os clubes que nãoconseguem adquirir esse auxílio e acabam na instabilidade e sujeitos atensão das forças do mercado. É o caso da Catuense que no ponto de vistada presidente, desde que a mesma assumiu o cargo, o patrocínio sempre foia maior dificuldade do clube Segundo Apararecida, o fato de seu pai ser umempresário torna as negociações mais complicadas, pois acreditam quesendo ele um empreendedor pode resolver todos os problemas.E há essa procura por patrocínio? Sim, estamos procurando um patrocinador que realmente tenha responsabilidade e que queira fazer uma sociedade, sem que no final haja qualquer débito para o meu pai. (INFORMAÇÃO ORAL).3 Há um receio por parte de Cida Pena em conseguir patrocinadoresque cumpram com os seus deveres e por conseqüência, não deixem AntônioPena sobrecarregado com as despesas. O patrocínio é o meio mais conhecido e utilizado de investimento nomercado esportivo, inclusive do futebol. Os patrocinadores adquiremvalorização e o posicionamento da empresa, além de obterem retornoinstitucional e de vendas. Conforme Zunino (2006) no futebol, o patrocínioesportivo apresenta-se principalmente através da publicidade e propagandanos fardamentos dos clubes, nas dependências esportivas (estádios, centros3 Depoimento obtido através de entrevista com Maria Aparecida Pereira Pena, em 12 de novembro de2011.
  52. 52. 52de treinamento, ônibus da equipe), e no endosso e fornecimento deequipamentos esportivos a jogadores individuais de renome. Quanto à sua vontade em fazer parte da diretoria do clube e comoteria surgido esse interesse, sustenta que: Nunca tive vontade de fazer parte da diretoria, se eu pudesse tinha jogado uma bomba no time da Catuense (risos). Quando foi em dezembro de 2002, meu ex-esposo saiu da diretoria e meu pai tinha feito uma sociedade com a antiga firma Siema de Salvador. Então eu assumi e daí tomei gosto e nesse tomar gosto, quero largar, mas nunca consegui. A minha idéia é que em 2012 eu não esteja mais na presidência da equipe. (INFORMAÇÃO ORAL). É possível que a falta de interesse de Cida Pena em participar docorpo de dirigentes da Catuense se deva ao fato de que a mesma cresceuvendo a luta do pai e fundador do clube em administrá–lo e posteriormenteas suas dificuldades depois de ter transformado a Catuense em um clube-empresa. Provavelmente, após se deparar com a situação descrita por elana entrevista, sentiu-se no dever de assumir a presidência. Depois desseacontecimento, assim como todos os povos do mundo e principalmente obrasileiro, ela se rendeu ao fascínio do futebol, tentou deixar o cargo, masnão foi feliz, pois o futebol já tinha feito dela mais uma vítima do seuespetáculo. Em DaMatta (2006), vamos encontrar o seguinte esclarecimento,talvez o futebol seja capaz de tudo isso porque é uma atividade dotada deuma notável multidimensionalidade: uma densidade semântica complexaque permite entendê-lo e vivê-lo simultaneamente por meio de muitosplanos, realidades e pontos de vista. Embora seja uma atividade moderna,um espetáculo pago, produzido e realizado por profissionais da indústriacultural, dentro dos mais extremados parâmetros capitalistas ou burgueses,ele, não obstante, também orquestra componentes cívicos básicos,identidades sociais importantes, valores culturais profundos e gostosindividuais singulares.
  53. 53. 53 Sobre as possibilidades existentes do retorno da Catuense para aelite do futebol baiano diz: No momento eu não estou querendo participar de campeonatos para voltar a elite. Eu quero manter a antiga idéia da Catuense que é trabalhar só com a base. Fazer jogadores e mandar para os clubes que eu já tenho parceria, Santos, Corinthians e Mogi - Mirim. Fazendo isso já estou satisfeita. (INFORMAÇÃO ORAL). Com clareza e objetividade, a entrevistada afirma que a Catuense nãoirá participar de campeonatos para o acesso a primeira divisão. E comsatisfação, reforça a idéia do trabalho com as categorias de base. O clubeque formar jovens para serem futuros jogadores profissionais.E não tem perspectiva para a formação do time principal? Não, até porque a lei da federação foi mudada esse ano, Nós estamos na 2ª divisão, mas para ela não fazemos mais parte. Teríamos que participar de uma seletiva, chegar para a 2ª divisão novamente e depois tentar voltar a 1ª. (INFORMAÇÃO ORAL). Conforme o site da Federação Baiana de Futebol, a lei citada pelapresidente da Catuense é a Lei nº 10.671/03, de 15/05/2003 (Estatuto deDefesa do Torcedor). Entende-se que o torneio seletivo será na prática umaespécie de 3ª Divisão que dará acesso a 2ª Divisão do mesmo ano.Ascenderão ao Campeonato baiano de futebol profissional da segundadivisão, as associações classificadas em primeiro e segundo lugares dotorneio seletivo. Segundo Aparecida Pena, o funcionamento da política interna doclube está em trabalhar com investidores que realmente queiram ganhardinheiro com o futebol. Ela cita o caso Neymar, que hoje é o jogador maisbem pago do Brasil e possui um contrato de milhões. De acordo com a
  54. 54. 54presidente, a Catuense tem que procurar trabalhar sério. Acrescenta aindaque os professores do clube são capacitados e tomam curso em São Paulocom os melhores treinadores do país. Compreende-se que houve receio por parte da entrevistada emresponder a questão acima, logo informações importantes para entendercomo funciona a política interna da Catuense não foram reveladas. Ela voltaa insistir no patrocínio, o capital gerado no futebol, cita o jogador Neymarcomo sendo o símbolo nacional dessa relação e por fim fala, ainda queindiretamente sobre as categorias de base, salientando que os professoresque atuam no clube são altamente capacitados.Em relação à infra-estrutura como se encontra a Catuense? A infra-estrutura do clube é muito boa. Ela tem hoje dois campos oficiais, sendo o único time da cidade e do interior da Bahia com esse requisito. Possui quartos com ar – condicionado, todos têm banheiros, existe um ônibus para a viagem. Então a estrutura da equipe é uma das melhores do estado, só falta um bom investidor. (INFORMAÇÃO ORAL). A presidente em seu depoimento acredita que a Catuense possui umadas melhores estruturas do futebol baiano, apesar do momento atual doclube. Os dois campos mencionados por ela estão localizados no centro detreinamento do clube e na chácara do fundador, respectivamente, de acordocom a figura 05. Os demais espaços físicos, os quartos, além da enfermariae do ônibus do time também estão ilustrados na figura supracitada.
  55. 55. 55FIGURA 05: Infra- estrutura da Catuense Futebol S/A. Fonte: Arquivopessoal. A infra - estrutura de um time de futebol é todo um conjunto deespaços físicos destinados a melhoria dos atletas dentro e fora de campo.Uma boa estrutura inclui: campos, vestiários, academia de musculação,refeitório, salão de jogos, dormitórios. É importante o clube pensar nos seusatletas e saber que esse aglomerado de espaços pode interferir nas vitóriase derrotas em campo. O jogador de futebol precisa ter um bom local de
  56. 56. 56trabalho, com estruturas amplas e desenvolvidas, para a sua preparação erecuperação. As escolinhas de futebol representam uma grande oportunidade paraos times de futebol e seus alunos, futuros atletas. Questionada sobre quaisseriam os planos da diretoria da Catuense para os futuros atletas daescolinha defende: Na escolinha a criança fica até os 14 anos, depois vai para o infantil, passa para o juvenil e daí eu mando para o Corinthians, Santos e Mogi - Mirim. (INFORMAÇÃO ORAL).E já fez parcerias com times cariocas? Ainda não fechei nenhum, mas para mim o melhor lugar para desenvolver o futebol no Brasil é São Paulo, tanto é que a Copa São Paulo de Futebol Júnior é no estado, assim como os melhores cursos para treinadores. (INFORMAÇÃO ORAL). Como descrito por Aparecida Pena, a escolinha de futebol daCatuense atende em média, contando com bolsas em torno de 180 a 200alunos. Os treinos são aos sábados com turmas pela manhã e pela tarde. Acriança inicia as suas atividades aos 4 anos e fica até os 14 anos. Afirmaainda que nem todos os alunos são residentes de Alagoinhas. Existemalunos de Riacho da Guia, Pedrão, Aramari e de outros municípiospróximos. Do ponto de vista de (SOUZA, 2001), há uma tentativa de formarrapidamente o jogador para o mercado de trabalho. Isto faz com que setente levar os jovens jogadores, que são formados nestas categorias, aatingirem precocemente o “amadurecimento” do estado atlético e daassimilação dos sistemas de jogo, para serem lançados neste mesmomercado. Com a globalização o futebol se transformou num esporte -espetáculo e a necessidade de “formar” jogadores se tornou cada vez maior.Porém, nesse processo de formação o objetivo maior se resume a fazer comque o atleta esteja preparado para os noventa minutos de batalha, a fim de

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