Anderson Rodrigues

3,650 views

Published on

0 Comments
0 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

No Downloads
Views
Total views
3,650
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
2
Actions
Shares
0
Downloads
10
Comments
0
Likes
0
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Anderson Rodrigues

  1. 1. UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA ANDERSON LIMA RODRIGUESANÁLISE DO PROJETO DO CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA - CAMPUS II - ALAGOINHAS Alagoinhas 2010
  2. 2. 1 ANDERSON LIMA RODRIGUESANÁLISE DO PROJETO DO CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA UNIVERSIDADE DO ESTADO DA BAHIA - CAMPUS II ALAGOINHAS Monografia apresentada como requisito para obtenção de graduação no curso de Licenciado em Educação Física pelo Departamento de Educação da Universidade do Estado da Bahia – Campus II. Orientadora: Profª. Ms. Martha Benevides da Costa Alagoinhas 2010
  3. 3. 2Dedico a Agina, mulher guerreira e sábia mãe que muito me ensinou na escola da vida.
  4. 4. 3 AGRADECIMENTOSA meu Deus, sempre. Razão de minha eterna gratidão.A minha vó Emilía, meu pai Rodrigues, minha mãe Agina, e aos meus irmãosAdelson, e Adson, são mais que irmãos. Sou grato.Aos amigos da trajetória antes de tudo isso aqui, os quais se despediram semquerer, e que me deixaram lembranças de muitos momentos e que por vezes asaudade me apertava o peito na falta de vocês de cada um de vocês.Aos amigos dessa aventura de pés no chão, que juntos vivemos tudo e tudointensamente. Não os esqueço.As minhas amizades na cidade de Alagoinhas, em especial a Gilberto, Raimunda,Naara e aos demais desta casa que mesmo sem me conhecerem me deram umacama, uma mesa de estudos e um quarto. Acolheram-me como a um filho.A Rebeca, pois, dela não mereço tamanha amizade e carinho. A “rainha”, a “SeuEdy”, e aos amigos irmãos.A minha professora Martha, nossa! Quanto puxão de orelha. Mas, que enxergoualém de mim mesmo o quanto eu poderia ir mais longe. Beijo minha pró.Aos professores, agradeço, sim a todos, quantos exemplos de personalidade, e devida!A turma da república: “PRISON”.Aos “companheiros” do(s) “movimento(s)”, a Marcelo(Rato), sempre perto, nuncadistante; ao Sandro, que ao final do “segundo tempo”, se mostrou amigo, cúmplice, eaguerrido companheiro de luta; a Isa “xodó”; a “Line’, com ela também muitoaprendi, melhor não seria, não poderia ser diferente.A Camila, que é companheira, amiga de turma, de risos e tristezas, e sem vocêquerida não seria metade de tudo que aconteceu.Aos inseparáveis: Vini, Ramom, e Nilton(cajá). Eu não consegui nada fazer sem queestes não consentissem, não opinassem, e com risos e birras, por vezes inquietoscom minha “displicência”, me “apertavam” dizendo que sim que poderia ser/fazermais. Eu só agradeço, não tenho mais como por conta das lágrimas.Agradeço aos sujeitos do meu cotidiano. Juntos permitiram sem ao menos saber metornar o que sou. Agradeço a todos os sujeitos que são comprometidos com outromundo. Com uma nova realidade.Sou grato a vida!!!
  5. 5. 4Enquanto não soubermos claramente quemé o homem não saberemos nada sobrequalquer outra coisa. Elton Trueblood
  6. 6. 5 RESUMOO presente estudo tem como objetivo analisar o processo de formação deprofessores em Educação Física na Universidade do Estado da Bahia - Campus IIAlagoinhas. Investiga ainda sobre em quais pressupostos se baseia o projeto políticopedagógico do curso, os aspectos epistemológicos, e, sobretudo qual o projeto deformação humana que o mesmo propõe aos seus egressos. Os objetivos específicosnos remetem a um entendimento mais real tendo como referência um quadropanorâmico que apresenta o atual processo de formação de professores nessainstituição. Surge a problemática a partir do questionamento sobre as implicações daatual conjuntura na formação docente, atentando para o projeto de educaçãoproposto pela nova ordem mundial, as concepções em Educação Física, e possíveisavanços na perspectiva de mudança social e/ou superação do homem que se insereno presente contexto histórico mais geral. Os caminhos metodológicos deram contade levantar dados por meio da entrevista, adotando como modelo a análise deconteúdo; em seguida o questionário, e por fim a análise da proposta curricular, jáesta, por meio do esquema paradigmático, que se ocupa em analisar a partedocumental. Reúno esses instrumentos com o intuito de exprimir ao máximo arealidade desse estudo de caso. Em primeira mão concluo que o projeto do curso édefinido a partir de atuais concepções em Educação Física, por vezes contraditórias,e que inclui uma proposta de formação humana contemporânea. Nesse processo,identifica-se que a proposta do curso de Educação Física da UNEB de Alagoinhaspauta-se nas referencias críticas de educação e busca uma formação ampliada parao futuro professor de Educação Física.Palavras-chave: Formação Docente. Educação Física. Formação Humana.
  7. 7. 6 LISTAS DE SIGLASANFOPE Associação Nacional pela Formação dos Profissionais de EducaçãoCFE Conselho Federal de EducaçãoCNE Conselho Nacional de EducaçãoCONFEF Conselho Federal de Educação FísicaCREF Conselho Regional de Educação FísicaEF Educação FísicaENEFD Escola Nacional de Educação Física e DesportoIBGE Instituto Brasileiro de Geografia e EstatísticaIES Instituições de Ensino SuperiorJUCEB Junta Comercial do Estado da BahiaMEC Ministério da Educação e CulturaUCSAL Universidade Católica do SalvadorUNEB Universidade do Estado da Bahia
  8. 8. 7 LISTAS DE QUADROSQUADRO I - FREQUÊNCIA TEMÁTICA NAS ENTREVISTAS 40QUADRO II - FREQUÊNCIA TEMÁTICA DOS QUESTIONÁRIOS 43
  9. 9. 8 SUMÁRIO1 .INTRODUÇÃO ............................................................................................... 92. A FORMAÇÃO EM EDUCAÇÃO FÍSICA UM BREVE RELATO ................ 113. CONCEPÇÕES EM EDUCAÇÃO FISICA ................................................... 174. IMPLICAÇÕES DAS REFORMAS EDUCACIONAIS A PARTIR DE 1990 AOSDIAS ATUAIS .................................................................................................. 225. METODOLOGIA .......................................................................................... 306 .ANÁLISE DE DADOS .................................................................................. 34 6.1 Análise do Projeto ............................................................................................. 34 6.2 Análise da Entrevista ......................................................................................... 40 6.3 Análise dos Questionários ................................................................................. 447. CONSIDERAÇÕES FINAIS ......................................................................... 48REFERÊNCIAS ................................................................................................ 50APÊNDICES ............................................................................................................. 52APÊNDICE A – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido ........................... 53APÊNDICE B – Entrevista....................................................................................... 54APÊNDICE C – Questionário.................................................................................. 55ANEXO A Anexo do Projeto Político Pedagógico do Curso (Recorte) ...............56
  10. 10. 9 1 INTRODUÇÃO O presente estudo, no âmbito da formação docente em Educação Física,busca analisar o projeto de formação humana no processo de formação inicial deprofessores no curso de Educação Física da UNEB-campus II, Alagoinhas, Bahia. O processo de redemocratização da sociedade brasileira, na década de 1980,motivou debates teóricos nos mais variados campos e com a Educação Física nãofoi diferente. A formação de novos docentes de EF passou a propor uma quebracom o modelo hegemônico o qual limitava a Educação Física à mera reprodução demovimentos, o preparo físico, ao adestramento e à disciplina do corpo. Todavia, as perspectivas educacionais de caráter crítico enfrentam,contemporaneamente, entraves advindos das perspectivas que articulam Educaçãoe mercado. O mundo e sua nova ordem, com projetos de formação humana para otrabalho, impuseram suas estratificações, segmentos e alienações com o objetivo defortalecer e expandir o modelo dominante. O corpo, através dessa lente, é um retratodesse projeto de mundo, em que o consumir, o ter e o individualismo são expoentesnessa relação, ofuscando o sujeito enquanto ser humano e o exercício pleno desuas faculdades. O estudo, por meio de análise documental e também entrevista, se ocupa derefletir a partir de uma análise do projeto do curso de Educação Física naUniversidade do Estado da Bahia - Campus II Alagoinhas, sobre o desenrolar doprojeto de formação de novos docentes, bem como a concepção de formaçãohumana e político-pedagógica do curso. Entendo que esse estudo trará à tonarespostas sobre as bases epistemológicas e ontológicas e a sua proposta em formarprofessores de Educação Física. É de extrema importância a análise da formação de novos professores emEducação Física, face à realidade, que se encontram os cursos da Bahia e do Brasil.Historicamente, percebe-se que, ao tentar assumir uma nova postura para aformação em Educação Física, após crise na década de 1980, e ao propor umaprática pedagógica que rompesse com o modelo vigente, a Educação Física marcouuma trajetória aliada aos desejos de mudanças da sociedade brasileira. Isto trouxe
  11. 11. 10implicações para a formação e criou dilemas que até hoje se estendem no campo dadiscussão teórica e na concretização da formação. Quando se pensa em formação acadêmica deve existir um projeto políticopedagógico que traz, implícita ou explicitamente um projeto histórico que o embasa.Esse trabalho é relevante para os docentes e os novos discentes que desejarementender o processo de formação de professores de Educação Física, pois permite,sobretudo, refletir sobre paradigmas presentes na formação em Educação Física. Além disso, a minha trajetória no movimento estudantil possibilitou contatos ediálogos diversos sobre a formação em Educação Física. O mesmo debateacontecia em muitos espaços, como o CONBRACE/2009, corredores dauniversidade, e na sala de aula. Essa realidade me inquietou no que se refere aessa temática e à compreensão da realidade que vivo cotidianamente. Nesses debates, um dos temas que mais emerge é a fragmentação do cursode Educação Física em licenciatura e bacharelado, sendo que as proposiçõescríticas suscitam a luta pela retomada de uma formação ampliada. No entanto, omundo do trabalho e suas demandas pela subserviência ao capital dirigem os rumosdos cursos e de suas atribuições no que diz respeito aos conteúdos e as propostasda formação. O conflito existente me impulsiona à reflexão sobre as questões do campo daformação, como também à compreensão das necessárias “crises”, fazendoreferência a Medina (1983), com o fim de por elas alcançar respostas sobre formasde contemplar uma Educação Física que prime pela formação para a emancipação. O objetivo geral deste estudo é analisar o projeto do curso de EducaçãoFísica da Universidade do Estado da Bahia - Campus II Alagoinhas no sentido decompreender a concepção de formação humana presente no projeto do referidocurso. Portanto, são objetivos específicos: identificar a proposta político-pedagógicae suas bases epistemológicas e ontológicas; e, apresentar um quadro panorâmicodo processo de formação em Educação Física na UNEB- Campus –II /Alagoinhas.
  12. 12. 11 2 A FORMAÇÃO EM EDUCAÇÃO FÍSICA: UM BREVE RELATO A reflexão sobre o processo de formação de professores de Educação Físicase inicia na contextualização histórica e nas aspirações por mudanças na sociedadebrasileira resignada ante aos modelos de dominação. A análise do processo de formação superpõe às angústias, e anseios dasdemandas acadêmicas. Têm relações diretamente proporcionais as aspirações dasociedade que cerca os muros da universidade e para além destes. Os espaçosoutorgados e de inserção do professor de Educação Física, os entraves e aspossibilidades, reúnem um conjunto de propostas e ações que implicam diretamentena formação desse profissional. As características dos cursos de graduação em EF são balizadas pelocontexto histórico que os cercam. As concepções e reformulações dentro daconstrução de novos currículos ainda se aproximam do proposto pela EscolaNacional de Educação Física e Desportos (ENEFD). Isso consta na dissertação demestrado de Azevedo (1999), que é citada por Malina (2004). A formação em Educação Física no Brasil origina-se no meio militar. Nos anosde 1930, começaram a funcionar cursos de Educação Física em vários estados doBrasil. Todos esses cursos ministrados pelos oficiais da Marinha e do Exército atéser criada em 1939 a (ENEFD), no Rio de Janeiro. Ao fazer um apanhado histórico a partir de onde já começamos nos deparamoscom a década de 1960. Esse período é recheado de fatos históricos marcantes nocenário nacional e internacional e os rumos das demandas políticas, sociais,econômicas e educacionais são repensados e contextualizados pautados num idealnacionalista. Na Educação e na Educação Física, as interferências decorrentes das leis,estabeleceu uma regularidade no que diz respeito à responsabilidade do Estadopara com o projeto educacional. Na Educação Física, por exemplo, exigiu-se aobrigatoriedade da disciplina nas séries iniciais e no ensino básico.
  13. 13. 12 As implicações na graduação do profissional em EF decorrem da instalação docurrículo mínimo para todas as licenciaturas. Em 1962, segundo Malina (2004,p.133), foi aprovado pelo Conselho Federal de Educação (CFE), o parecer 292/62,estabelecendo as matérias pedagógicas que deveriam compor os currículosrelativos aos cursos de licenciatura. O estudo de Santos Junior (2005) verifica as continuidades e descontinuidadesnas modificações curriculares ocorridas em 1969 e 1987 no curso de graduação emEducação Física, partindo da criação da ENEFD. Foram utilizadas as pesquisasbibliográficas e documentais e do depoimento oral como procedimentosmetodológicos. Os dados obtidos demonstraram como o processo indutivo deherança cultural se fez tão presente, permanecendo sem grandes alterações aprescrição curricular em Educação Física, a não ser em termos de inclusão,exclusão e/ou fusão de disciplinas, com ênfase no enfoque técnico-biológico eesportivo. Sobre isso, ressalta Bracht (1998, p.12) [...] nas décadas de 60 e 70, o discurso humanista da EF foi substituído por outro tipo cientificista, com base nas Ciências do Esporte (CE), sob influência dos EUA. [...] o esporte se tornou o fenômeno dominante nessa área. [...] Além disso, também a Pedagogia Esportiva, como outra sub-disciplinas da Ciência Esportiva, vai ser funcionalizada a partir dos interesses da instituição esportiva [...]. Alguns detalhes da modificação curricular do curso de Educação Física em1987, e por aqui paramos para fazer algumas reflexões, tendo em vista quediscutiremos em um posterior capitulo sobre as implicações das reformaseducacionais a partir de 1990. Aqui se marca o fim de um período de domínio militarno Brasil, as frentes populares, as organizações das entidades de classe, comooperários, professores, discutiam sobre a educação no país e os possíveis caminhospara reoganizar o processo educacional brasileiro.
  14. 14. 13 Comissões de fomento às discussões e debates no âmbito da formação seorganizaram em diferentes espaços e lugares inclusive no exterior, neste caso, naAlemanha, em que um grupo segundo Alfredo Faria Junior, citado por Malina (2004,p. 137), cuidam em observar e propor contribuindo para o processo de reformacurricular. Ainda Malina (2004, p. 137), afirma que: “Nesses países, é concedida acada instituição a competência de elaborar o currículo que atenda os objetivoseducacionais, e o perfil do profissional que se deseja formar”. Diante disso surgem novas características no processo de formação docente.Os conteúdos são pensados a partir de fundamentos filosóficos, sociológicos e decunho humanístico. O formato de cada currículo criado encontra-se diretamenterelacionado ao contexto histórico atual e tendo origem nas propostas passadas,pois, determinados elementos persistem nas concepções dos projetos de formaçãoda área, valorizando aspectos mais técnicos que pedagógicos Mesmo entre os intelectuais há muito persistem os elementos que configurama prática desportiva, a saúde e o esporte de rendimento. Criou-se uma idéia decorpo a partir dos aspectos biológicos, ou seja, educar para a saúde, construindo-otambém para a disciplina e para a educação moral. Continua Bracht (1998, p. 14). [...] As características da formação de instrutores de ginástica, inicialmente, e de professores de EF, mais recentemente, fortemente marcada pela idéia de treinamento, através da execução de movimentos, fizeram retardar o aparecimento do intelectual da EF [...]. Diante disso, a formação passou a ter como principal característica areprodução das técnicas existentes nas modalidades esportivas, onde o professorteria de dar conta de executar os movimentos e treiná-los passando adiante asmesmas técnicas. Vale ressaltar que dentro da Educação Física esse caráterexclusivamente esportivo fortalecia a proposta educacional durante aquele período,que por sua vez se harmonizava com as políticas educacionais de nacionalismo, denação forte, e o esporte surge como possibilidade de promover esse fenômeno.
  15. 15. 14 Sobre o que se produzia de conhecimento em Educação Física, do que se trataessa ciência e se é mesmo uma ciência, ou uma disciplina, era e é debatido no meiocientífico como princípio para fundamentar a área e alocá-la, agregá-la aos modeloscientíficos. O mesmo acontece quando se discorre sobre o que vem a ser essa área doconhecimento: O que é Educação Física? Em resposta, o senso comum apontaconceitos que se restringem apenas ao esporte e ao adestramento dos corpos. ”Oque prevalece na Educação Física é a consciência ingênua, corroborando amaterialização de uma Educação Física convencional, apoiada na visão do sensocomum, corriqueira e simplista”(SANTOS JUNIOR, 2005, p 47). A não pouco falada, e necessária “crise” (MEDINA, 1992, apud SANTOSJUNIOR, 2005), da Educação Física no Brasil, na década de 1980, resultou emvariadas discussões, debates, trabalhos científicos, artigos, que preconizaram novasações pautadas em discussões aprofundadas sobre as propostas curriculares e aperspectiva de uma práxis educacional no âmbito da Educação Física [...] Na década de 80, vivendo o processo de redemocratização da sociedade brasileira percebeu-se a abertura de discussões teóricas para todos os campos e assim também para a Educação Física. Nesse período, duas questões fizeram modificar paradigmas, reestruturar práticas: para que Educação Física e para quem Educação Física (MEDINA, 1983; OLIVEIRA, 1983). Assim a década de 80 trouxe questionamentos de fundo para essa área no terreno das modificações por que passava a sociedade brasileira daquela época [...] (CAPARROZ, 1997, p. 138). Epistemologicamente, a Educação Física ampliou suas discussões em torno doseu objeto de estudo, os muitos questionamentos sobre os parâmetros científicoscorroboraram para as denominações e terminologias tais como: Ciência daMotricidade Humana, Ciência do Movimento Humano, ciência do Esporte. Anomenclatura ainda persiste como Cultura Corporal, ou Cultura Corporal de
  16. 16. 15Movimento apresentada no livro Educação Física e Ciência: cenas de umcasamento (in)feliz (1999), especificadamente Bracht ( 1989, p. 13): [...] No seu sentido “amplo” tem sido designado para ser utilizado para designar inadequadamente a meu ver, todas as manifestações culturais ligadas a ludomotricidade humana, que no conjunto parecem-me serem melhor abarcadas com termos como cultura corporal ou cultura corporal de movimento[...]. O rumo que a educação e a Educação Física percorreram nas duas últimasdécadas, as densas criticas que surgem envolvendo os aspectos teóricos, e tambémmetodológicos da Educação Física, resultou numa maior compreensão,sistematização, e propostas de ensino mais amarradas aos projetos da educaçãobásica, da mesma forma que superou alguns estigmas, consolidou espaços edesenvolvimento de temáticas que refletissem uma formação e atuação a altura doseu tempo. Sob forte influência da Escola Nacional de Educação Física e Desporto-ENEFD - a primeira escola civil do país, ligada a Universidade do Brasil, e combagagem predominantemente militar, surgiu o primeiro curso da área na Bahia,pertencente à Universidade Católica do Salvador. A organização e o desenvolvimento da Educação Física baiana se devem emsuma a essa escola considerada na época “Escola Padrão de Educação Física oBrasil.” O contexto histórico deu base para que a EF agisse em conformidade com aépoca. Dessa “escola”, surgiram os cursos de formação ao redor do país e ahegemonia espotivizadora calcada também pelas premissas do Estado permaneciacomo alicerce dentro do projeto de formação. O que se tem aqui na Bahia é um retrato fiel ao modelo pensado nos quatrocantos do país, no que tange à formatação do currículo, à proposta de ensino, oaprimoramento das técnicas para o desporto; aos aspectos biologicistas com origemnas ciências médicas e ao distanciamento entre a teoria e a prática. A concepção ao
  17. 17. 16menos do curso da UCSAL, era de uma Educação Física centrada na aptidão física,privilegiando os esportes. Assim defende Pires (2001, p.78). Pouco se discute sobre a Educação Física na Bahia. Em 1991, foi publicadauma obra que tratou desse assunto, de autoria do professor Alcyr Naidiro FragaFerraro, A Educação Física na Bahia: memórias de um professor. Que por sinal éum dos pioneiros na implantação do curso superior em Educação Física no estado. Efetivamente o primeiro curso público superior da área surge na UniversidadeFederal da Bahia (UFBA), vinculado a Faculdade de Educação, e pela primeira vezem convívio com outras áreas de conhecimento e com suas instalações fixas. Antes,os cursos se desenvolviam em espaços isolados e em Escola ou Instituto de Saúde.Foi criado em 1987, sob os pressupostos da Resolução Federal nº 69/69, e que,mais tarde, implicou numa revisão do currículo, para se adaptar a proposta daResolução n°03/87 do Conselho Federal, pois esta não vigorava no momento defundação do Curso. Em linhas gerais, percebemos que a história dos cursos de Educação Física foinorteada pelas Resoluções e Reformulações nas leis 69/69 e 03/87. E que alinhadasao seu momento histórico impuseram e propuseram normas das quais são base asnovas sanções. A inclusão de disciplinas e exclusão ou ajustamento dão conta de adaptarem-se as perspectivas atuais em Educação e Educação Física. Esse fenômeno éconstante, pois toda conjuntura política, econômica, social e educacional seencontram em permanente transformação.
  18. 18. 173 CONCEPÇÕES EM EDUCAÇÃO FÍSICA As concepções em Educação Física acompanham o tempo em que estálocalizada. Sendo assim, as tendências nos projetos dos cursos afirmam e conflituacom posturas condizentes com as características e princípios do momento político,econômico e social. A atual conjuntura permite identificar, possibilita apontar o eixo norteador dasconcepções contemporâneas no campo da Educação Física, e as articulações como projeto maior, mais global, que cadencia o processo de formação em sintonia comas proposições capitalistas. Mas traz, também, as contradições e embates de ummovimento contra hegemônico que se articula no interior da Educação Física. A Educação Física que se quer, precisa traçar um paralelo entre asocialização e humanização pelo corpo e para o corpo. [...] Partimos da hipotése de que o discurso oficial de valorização do magistério, e da Educação Física, encobre o processo de radicalização da desqualificação e desvalorização do professor e, com isso, limitam-se as possibilidades de acesso aos bens culturais-incluso aqueles do âmbito da cultura corporal como esporte, ginástica, dança, etc. - á maioria da população brasileira e que as alternativas construídas no sentido de corrigir a proposições sintonizadas com a pedagogia do capital [...] e/ou aquelas situadas no campo utópico são inviáveis para garantir à qualificação necessária a formação humana que permita constatar, interpretar, compreender, explicar e intervir na realidade [...]. (SANTOS JÚNIOR, 2005, p. 20) A fragmentação da profissão dá margem ao cooperativismo e cria privilégiossuprimindo cada vez mais as possibilidades de emprego. [...] Por isso, a importância do estabelecimento de uma base comum nacional para os cursos de formação de professores que incorpore os princípios de uma formação unificada dos
  19. 19. 18 profissionais de educação, dando suporte para múltiplas experiências, sem as limitações de um currículo mínimo [...]. (SCHEIBE, 2001, p.1) Prevalece ainda a articulação com os interesses da globalização, e, portanto,a ideologia presente nos cursos através de seus conteúdos e disciplinas afins éaquela que sustenta essa alternativa. Entra em cena o neoliberalismo. SegundoAnderson (1995), citado por Santos Junior (2005), o neoliberalismo constitui-senuma estratégia de reanimar o capitalismo em escala planetária. A globalização, é importante conceituar aqui, trata-se de um projeto de ordemmundial, onde a política, a economia, a educação abrange significados muitos maisamplos, consiste na ampliação do mundo do capital, e domínio do poderhegemônico sem fronteiras. Tudo é global. O capitalismo é o modelo econômico atual que mesmo em crise subsiste. Omodelo do capital se caracteriza pela dominação e pela exploração, muitos compouco e poucos com muito, a extrema riqueza e a profunda pobreza. Em meio àcrise criam-se os atalhos, os desvios no sentido de reorganizar o modelo opressordo capital, de maneira a minimizar o impacto nas esferas sociais, econômicas,políticas, educacionais e sociais, e são essas características do novo modelo políticoeconômico mundial, processo pelo qual se pensa o progresso antes pautado numaperspectiva de liberalismo nacional, e que agora tem sua hegemonia noimperialismo dos Estados Unidos da América. O neoliberalismo. A discussão persiste buscando o entendimento do processo de formação, asimplicações dessa nova ordem nessa relação, e a possibilidade de rompimento coma imposição do capital sobre o processo de formação do ser humano. As concepções desenvolvidas em Educação Física podem ser constatadasem dois ramos: a primeira diz respeito ao conceito de movimento, abrangefundamentalmente o estudo mecânico e biológico do corpo. A segunda concepçãoassume um perfil caracterizado pela reflexão pautada na cultura corporal a partir deaspectos que se explicam historicamente e no cotidiano da sociedade.
  20. 20. 19 Durante muito tempo a ênfase desenvolvida nas graduações, elencava asdisciplinas nos seus currículos que conceituava em primeira mão os aspectosbiológicos. Os programas propunham conteúdos a partir das ciências naturais, éimportante apontar que, nesse contexto, as ciências médicas, pois muito do que seproduz em Educação Física, advém das experiências, e pesquisas médicas, e nopassado muito dos cursos eram alocadas em instituições de estudos médicos.Então, a proposta curricular era montada para atender em aspectos geraisconhecimentos que dominassem a técnica, ampliação das habilidades, e educar ocorpo do homem e da mulher por meio da aptidão física para se adquirir umapretensa qualidade de vida. As disciplinas eram dispostas em sua maioria com grande ênfase no eixobiológico: anatomia humana, biologia aplicada à educação física, bioquímica,fisiologia humana, fisiologia do exercício, cinesiologia, psicologia do esporte, epráticas esportivas de caráter coletivo e individual, e desenvolvimento motor emgeral. Cursos como da UCSAL, por exemplo, das suas 36 disciplinas, quecompunham o currículo inicial, “cinco disciplinas organizam seus conteúdos á luzdas Ciências Humanas, seis disciplinas tratam do conhecimento pedagógico, oitodisciplinas organizam seu conteúdos á luz das ciências Biológicas, e 17 que tratamdo desporto”. Em linhas gerais a primeira concepção é pautada numa perspectiva“dual” de ser humano, pois implicitamente o currículo baseia-se nos conhecimentostécnicos sobre saúde corporal, desenvolvimento das habilidades motoras e apreocupação com o alto rendimento. Na outra concepção, o perfil do egresso deve ser pautado dentro projeto deformação humana, em que o indivíduo seja sujeito crítico-reflexivo, leitor doprocesso histórico e do comportamento social, proponente de uma mudança darealidade, mediante as intervenções práticas e estudos da e sobre a sociedade. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996 delineia sobreesse projeto de homem conhecedor, contemporâneo, e interventor e promotor dodesenvolvimento social brasileiro. Os diálogos entre a legislação e as propostascurriculares devem convergir, com o fim de alinhar a educação no país. Entende-seque esse comportamento fluirá em um processo educacional que culminará na
  21. 21. 20emancipação da educação e, portanto, da realidade das atuais e futuras geraçõesno Brasil. Esse perfil apresentado em consonância com as Regulamentações,destacando-se as Resoluções CNE/CP 01/2002, que institui: “Diretrizes CurricularesNacionais para Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior,curso de Licenciatura, de Graduação Plena, disposto na Lei 4.024 de 20 dedezembro de 1961 com redação dada pela Lei 9.131 de 25 de novembro de 1965”;02/2002, que “institui a duração e a carga horária dos cursos de Licenciatura,graduação Plena, de formação de Professores de Educação Básica em Nívelsuperior”; como também os movimentos sociais reconhecidos pela sociedade emgeral, e as estratégias para se transformar a realidade social de desigualdade, éafirmativa nas concepções atuais em diversos cursos de Educação Física. A proposta político-pedagógica amarra entre seus conceitos disciplinas quesustentem a proposta geral de formação docente determinada pela legislação. Sobreessa discussão Bracht, (1998), apresenta um artigo especial nos 20 anos do CBCE,que fomenta essa discussão dentro do CBCE, principal entidade científica deEducação Física no país, onde propõe a reorientação curricular que atue nasesferas das “ciências sociais e humanas, e problemáticas da EF enquanto práticapedagógica”. Em Educação Física no Brasil: a história que não se conta, por Lino CastellaniFilho (1988), consta concepções que pelo estudo histórico e emancipação daeducação é possível uma nova concepção dentro da Educação Física, “afinada” áConcepção Histórico-Crítica. O resgate crítico na Educação Física tem sido perseguido pelas entidadescientificas que a representam, criticidade essa por vezes esquecida no tocante asformação docente e a prática docente. Do professor se espera uma atuaçãoprofissional transformadora, com claras convicções do seu papel enquanto educadorno seio da sociedade, e de seu entendimento enquanto transmissor de idéias. As aspirações por uma educação superadora e uma Educação Físicavinculada às mesmas relações-ações, definem entre outros aspectos, uma rupturacom uma prática educacional que a muito persistiu nessa área. Seja a ênfase na
  22. 22. 21técnica, no corpo biológico dissociado do homem enquanto ser social; dohigienismo, da preparação para um corpo “sarado”, a mesma Educação Física àserviço dos modelos hegemônicos com ideais positivistas, desconssoantes comáquela que se quer: “livresca”, “humanista”.
  23. 23. 224 IMPLICAÇÕES DAS REFORMAS EDUCACIONAIS: DE 1990 AOS DIASATUAIS Na década de 1990, muitas foram as mudanças e as tentativas em escalamundial para dar conta de ajustes na educação. Os conceitos mais técnicos sãoquestionados e redirecionados, com vistas numa formação mais prolongada, e odesenvolvimento de um processo educacional mais abrangente. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) de 1996 busca atuarnessa perspectiva. O ensino médio, a formação técnica e a organização curricularsão demandas da União, do poder público e, portanto, estabelece-se o parâmetropara educação que reflita a economia da nova ordem mundial. Essa préviacontextualização permite compreender a gestão política da educação nacontemporaneidade. Ao aprofundar este capítulo, vale pontuar que os parâmetros curriculares têmrelações diretas com o desenvolvimento de competências na formação profissionale: [...] Este processo complexo e contraditório influenciou e continua influenciando o fato de passada a crise da Educação Física se é que ela passou nossos cursos de formação de professores continuarem, ainda, a desqualificar o futuro professor já no seu processo de qualificação [...] (TAFFAREL apud SANTOS JUNIOR, 1993, p.18). As resoluções e os parâmetros estabelecidos prosseguem em dicotomizar, edivide, não une as áreas de conhecimento. O acúmulo das discussões sobre asreformulações não se acaba, avolumam-se. São realizadas pesquisas, realizam-se fóruns, seminários, estreitam-se osdebates entre a comunidade científica e entidades de classe, e pensa-se, porexemplo, propostas para o ensino da Educação Básica e possíveis articulações comos cursos de licenciatura.
  24. 24. 23 Na sua tese, Santos Junior (2005), aborda que as relações gerais atingem asmais específicas. Aparece assim: “Afinal, as relações e mediações, entre o maisgeral - modo de produção capitalista - influenciam o processo de formação dosprofessores enquanto trabalhadores – específico.” Acontece que há um projeto de Mundialização da Educação (MELO 2004).Nesse sentido, ressalta Santos Junior (2005): [...] Atualmente delineado pelas relações internacionais estabelecidas em acordos comerciais que põem na ordem do dia a exigência da formação da formação de um novo tipo de trabalhador que corresponda às necessidades da mundialização do capital, bem como, em função dos avanços das propostas teóricas que buscam associar a análise histórico-social dos determinantes da Educação a uma teoria pedagógica capaz de orientar o trabalho dos professores de modo a se construir possibilidades de intervenção política consistente para a construção coletiva de um projeto histórico e político-pedagógico e alternativo, nas condições objetivas colocadas[...] (SANTOS JUNIOR, 2005). No bojo das discussões, não ficam de fora os movimentos sociais, queorganizados, elaboram propostas políticas e científicas que defendem a qualidadeda formação de novos professores. Isso se mostra nas contribuições da AssociaçãoNacional Pela Formação dos Profissionais da Educação (ANFOPE), Instituições deEnsino Superior (IES), e Fóruns da Sociedade Brasileira, que se refletem nasproposições principalmente nas décadas de 80 e 90, sobre a reformulação doscursos de licenciatura. As reformas educacionais têm relação direta com a formação docente. Foiassim com a Resolução nº 69/69 (BRASIL, 1969), com a 03/87, a LDB em 96, e a01/2002 Resolução do CNE/CP 2, de fevereiro de 2002 que reiterou a duração e acarga horária dos cursos de licenciatura, e de graduação plena, de professores deEducação Básica em nível superior e constituiu carga horária mínima a serefetivada, no mínimo, em 3 (três)anos letivos, de acordo o que é determinado pelaLDB. Desse modo, os projetos pedagógicos dos cursos podem ficar circunscritos ao
  25. 25. 24limite de tempo proposto ou ultrapassá-lo, tendo em vista a tônica escolhida para ocurso de licenciatura plena ministrado. [...] Esta resolução por sua vez temrebatimento na resolução de graduados em Educação Física, assinada por Edsonde Oliveira Nunes - Presidente da Câmara de Educação Superior em exercício, aResolução nº 07, de 31 de março de 2004, que instituiu as Diretrizes CurricularesNacionais para os cursos de graduação em Educação Física. A década de 1990 suscitou essa avalanche de reformas na educação àsquais moveram um novo cenário nos vários níveis e modalidades de ensino. Aorganização do trabalho capitalista é a mola impulsionadora desse processo dereestruturação e domínio hegemônico. Ao contextualizar a o surgimento da principal reforma educacional nos anos1990, no Brasil, devemos atentar para o que acontecia em escala mundial. O mundose globalizava, o neoliberalismo surge ante a queda dos regimes socialistas, e dá-sefracasso do estado de bem estar social. As reformas institucionais contemplam a política que se forma nesse novocenário. O Estado se encarrega de diminuir barreiras existentes no mercado e seprojeta dentro de uma lógica que se alinha com o processo de mundo global. Naeducação não foi diferente. O Estado minimiza as ações no âmbito educacional,permitindo maior investimento e controle do capital privado. As ideologias convergiram para esse novo formato no campo da educação,ampliaram-se os interesses de organismos internacionais em dirigir esse processode mercadorização da educação, com vistas prioritariamente no EnsinoFundamental, pois os investimentos dariam conta de complementar à qualificaçãoprofissional, de curta duração e de baixo custo (GENTILI, 2001), isso sob influenterecomendação do Banco Mundial. Aqui no Brasil, afirma Bracht (1998) e Fogaça (2001, p. 55) como citaGalvanin (2005), a corrida começa atrasada em relação aos países industrializados,e organizados, com alta tecnologia, e ciência avançada, perceberam o mercadoglobalizado e concluíram que:
  26. 26. 25 [...] deveria priorizar dali para frente, reformas nos sistemas educacionais, dos países industrializados ou em processo de industrialização, de forma a preparar melhor seus recursos humanos para essa nova etapa da produção capitalista na qual a escola cumpriria seu papel na qualificação profissional básica de todos os segmentos da hierarquia ocupacional. (FOGAÇA, 2001, p.55 apud GALVANIN, 2005, p.2). Então, percebe-se a inter-relação entre política e educação e aspectoseconômicos e que necessariamente implicam no processo de formação naeducação. E mediante os estudos se nota o quanto o desenvolvimento econômicoestá palmo a palmo com o planejamento educacional do país, pois objetiva formar oprofissional que atenda ao mercado desde o seu processo de formação acadêmica. Explica-se, por exemplo, o motivo pelo qual cercam como objeto de estudo daárea, o Movimento Humano, e daí se desenvolvam as técnicas, o fazer,principalmente ter habilidades motoras, “não existe o que ensinar; apenas o quetreinar” (SANTOS JUNIOR, 2005 p.57). Acima, se descreve uma das questões, a que se trata do objeto de estudo,mas, ainda temos a tratar sobre a concepção de ciência; a relevância nas“Competências”, isto é, o foco centra-se no individualismo, a competição acima detudo, a projeção do individuo para se ter habilidades profissionais exigidas pelomercado dentro da formação; e, a fragmentação da formação afirmada peladicotomia licenciatura x bacharelado. As “Competências’ montam um cenário de disputa dos mais qualificados eque ocuparão o mercado, fortalecendo o neoliberalismo com suas projeções deorganização da educação no mundo, e tornando o sujeito cada vez maisindividualizado, passivo, desligado criticamente do entendimento das relaçõessociais locais e globais”. A fragmentação e aligeiramento dos cursos culminam num processo dequebra da formação já na formação. A ruptura não atende a proposta da ANFOPEque, estabelece uma relação de integralidade e igualdade no processo de formaçãode professores. Trata-se de dois eixos de base comum nacional:
  27. 27. 26 [...] A) Formação teórica de qualidade: Diz respeito à formação sólida calcada nos elementos que permite, já na formação, a análise da educação (Educação Física) enquanto disciplina, seus campos de estudo, estatuto epistemológico, buscando empreender a compreensão da totalidade do trabalho docente [...]; B) Docência como base da identidade profissional. Que implica o reconhecimento de seis pontos fundamentais: 1) base teórica sólida e interdisciplinar sobre o fenômeno educacional [...] 2) unidade teoria/prática; gestão democrática; compromisso social do professor [...]; trabalho coletivo e interdisciplinar; indissociabilidade entre formação inicial e formação continuada [...] (SANTOS JUNIOR, 2005, p. 59). Sobre a concepção de ciência, o texto das Diretrizes Curriculares Nacionaisde Educação Física (DCNEF), consta na Resolução do CNE Nº 07 de 31 de marçode 2004, da Educação Física é fundamentalmente empírico-analítica. Prossegue: [...] Falamos em fundamental porque a flexibilidade alcançada permite uma série de outras vertentes que não tenham uma perspectiva teleológica- multiculturalismo, pós- estruturalismo, neo-pragmatismo e outras tendências que podem ser agrupadas, como subdivisões, na alcunha de pós- mordenismo por terem em comum “... a atitude cética em relação à razão, a ciência, ao marxismo, e à possibilidade de o capitalismo ser superado por uma sociedade que lhe seja superior [...] (DUARTE, 2004: 219, apud Santos Junior, 2005). O Conselho Nacional de Educação determina com a resolução nº 04/99, quesão dois os níveis da educação no país: a Educação Básica e a Educação Superior.A primeira, diz respeito, à Educação Infantil ao Ensino Fundamental com suas oitoséries, mais Ensino Médio. Atende a regência da LDB, e do Plano Nacional deEducação. Ainda, no capitulo IV, artigo 43º, item III, a LDB determina que a EducaçãoSuperior tem por finalidade:
  28. 28. 27 [...] Incentivar o trabalho de pesquisa, e investigação cientifica, visando o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e da difusão da cultura, e, desse modo, desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive [...] (LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL, cap. IV, 1996). O Estado que, em tese, deveria agir na perspectiva de responsabilizar-se pelaEducação, legisla em prol do afastamento do poder público, e contrariamente,diminui-se enquanto Estado dando suporte às instituições mercadoras da educação.O que se segue é a instauração de um Estado mínimo, e o alicerçamento do idealliberal. As reformulações no campo da educação têm profundas relações com omodelo hegemônico. Estas elaboram mecanismos sustentáveis no projeto deeducação delineada pela atual conjuntura mundial desde a autonomia na criação docurrículo, o aumento dos cursos técnicos, alinhados as Diretrizes CurricularesNacionais, como também as brechas já no processo de formação, reúneinstrumentos que favorecem a inércia do poder público sobre a educação no Brasil,e outorga a iniciativa do poder capital, atribuições e deliberações sobre o processode formação educacional nacional. Esse novo projeto de mundo, o globalizado, se encarregou de engendrar osrumos das principais instituições. Com a educação ao seu dispor a possibilidade demassificação do pensamento liberal, de reordenamento do capital, de invisibilidadeda (des)ordem, das disposições que agora vigora legalmente, isso é: tá na lei, ospilares dos ideais democráticos neoliberais. Dentro dessa realidade que Nozaki(2004) disserta: [...] a educação física atua de forma mediata para compor o novo quadro de formação humana que o capital demanda, ao tornar-se um distintivo de classe, na escola, para os que podem consumi-la, perdendo centralidade para as práticas corporais do meio não-escolar as quais compõem a ideologia
  29. 29. 28 da empregabilidade, por meio do trabalho precário.(NOZAKI, 2004).1 O conjunto de referenciais teóricos que abordam sobre essa temática, trazelementos suficientes para embasar a discussão aqui apresentada. Hajime Nozaki(2004) discute sobre: Educação Física e reordenamento no mundo do trabalho:Mediações da regulamentação da profissão; inclusive elencando fatores como acriação dos conselhos de área, neste caso o sistema CREF/CONFEF, reformacurricular, que se traduzem em ações estratégicas que dêem sustentabilidade aomundo do capital e do projeto de mundo. Observando o passado tão presente percebe-se que o modelo adotado pelaspolíticas de Educação implicou diretamente no formato dos novos cursos deEducação Física, e que arrojado aos ideais neoliberais encontram-se o projeto deformação humana. Sem se distanciar, as variadas pesquisas decorrentes de estudos sobre oprocesso histórico das reformas educacionais no Brasil, as implicações dessasreformas em educação, destaco um trabalho de conclusão de curso queproblematiza: Formação de professores: Caminhos e Descaminhos da PráticaDocente, por Silvia Souza de Melo, (2001). A prática docente embrionada no projeto de formação de professores noprocesso inicial se limita as barreiras do sistema distanciando o papel transformadorda educação na e para a sociedade. Sociedade esta que é tangível busca sempreser, e as mudanças permeiam o cotidiano desta que se projeta constantemente. A problemática consiste em formar um profissional que na sua formaçãoinicial atue em conformidade com o mundo contemporâneo suas exigências eadequações e resignados persistam em manter modelos já estabelecidos. Não há uma congruência no que diz respeito à formação critíco-humanistícacom a proposta mercadológica da educação. Pensar uma formação abrangente, econtextualizada é um exercício que exige profundo esforço. As concepções dehomem são referencias para todo e qualquer novo projeto que orienta a formação1 Texto presente no resumo da Tese de Doutorado de Hajime Nozaki (2004).
  30. 30. 29inicial e continuada, com o fim de formar um individuo critíco-reflexivo, consciente doseu papel enquanto educador e interventor nas demandas sociais da atualidade. Ainda em artigos, teses, existem extensos capítulos que versam sobrereformas educacionais e Educação Física, em: Formação de professores deEducação Física no quadro de mundialização da educação: A mediação dasdiretrizes curriculares para uma formação mínima ou para o mínimo da formação,por Santos Junior, (2005), se faz uma descrição das interferências ocasionadas pelomundial no que se refere à educação. O Estado descompromete-se com o seu papelde garantir o ensino público e de qualidade e converte a responsabilidade ao capitalprivado, e este dar conta de cumprir o seu papel, emoldurando o novo perfilprofissional e de ser humano ante a nova ordem mundial. Outros, não poucos, buscam entender as nuances as feições e afeiçõesrelacionadas ao processo de formação de professores de Educação Física. Ocaminho é quase sempre o mesmo, no que diz respeito ao método o estudo inicialtrata de analisar a história, em seguida as reformas na educação e acontextualização com a proposta atual de formação humana.
  31. 31. 305 METODOLOGIA A pesquisa apresenta características qualitativas, porque a análise deconcepção de formação humana de um curso de nível superior não tem como serquantificada. Além disso, pretende-se levantar dados a partir da análise documentale entrevista cujos resultados não podem, da mesma forma, ser matematizados. Os estudos qualitativos propõem um aprofundamento nos estudos queinterpretam as relações entre o ser humano e a sua visão de mundo, como aconstrução do individuo, das coisas por ele criadas, suas representações,sentimentos e aspirações. Empiricamente e sistematicamente promove oconhecimento, possibilitando uma compreensão ampla e lógica do estudo. Tambémpodemos nos utilizar com o fim de levantar novas hipóteses, outros indicadores,variáveis (MINAYO, 2006). O estudo será realizado tendo por base a perspectiva materialista-histórica deciência e pesquisa. Esta possibilitou uma melhor compreensão do processo históricoe entendimento daquilo que essa pesquisa objetiva. Fundamento essa relação apartir dos princípios da dialética, que são a totalidade, que compreende a relaçãoentre um fenômeno particular e questões históricas, políticas, culturais; a negaçãoda negação, que entende a existência do dinamismo presente da realidade, ou seja,ela se movimenta. A dupla negação propõe a transitoriedade, nada é absoluto,definitivo e que o processo dialético se desenvolve, tem continuidade através denegações; passagem da quantidade à qualidade ou mudança qualitativa, que traz aidéia de que as coisas mudam em ritimos diferentes. O processo, às vezes, é lento ede quando em quando existem “saltos” de qualidade; interpenetração dos contrários,contradição ou luta dos contrários, que reafirma que nada pode ser compreendidoisoladamente, os lados são contrários no entanto se estabelece uma unidade. O estudo em perspectiva dialética reconhece os fenômenos sociais comoresultados da concepção de mundo e da capacidade do homem de transformar asua realidade. Resumindo, a prática social e o trabalho como ferramentas paramudar e se afirmar enquanto sujeito na construção da sociedade. Trata-se de um estudo de caso, pois a realidade a ser pesquisada delimita-sena compreensão do processo de formação de professores no curso de EducaçãoFísica da UNEB de Alagoinhas. O Estudo de Caso se caracteriza pelo estudo de
  32. 32. 31uma ou poucas realidades, e, portanto, as considerações tecidas não poderão sergeneralizadas para todo o universo de escolas de formação em Educação Física. A cidade de Alagoinhas é um dos municípios baianos em que a Universidadedo Estado da Bahia tem um dos seus 24 campus. É uma cidade territorial, compostapor pequenos distritos e pequenas cidades que se aninham formando uma região,segundo dados oficiais da prefeitura, que se encontra em crescentedesenvolvimento como em outras realidades Brasil afora. Localiza-se na região lesteda Bahia, a 93 km da capital baiana. Conforme registros na Junta Comercial deEstado da Bahia - JUCEB, existem 666 indústrias, ocupando o 13º lugar na posiçãogeral do Estado da Bahia, e 3.711 estabelecimentos comerciais, 14ª posição nocampo da economia dentre os municípios baianos. A cidade tem, conforme últimocenso do IBGE, 137.810 habitantes. No que diz respeito ao campo educacional,segundo Censo realizado em 2004, há no Ensino fundamental, 26.463 matrículas,no Ensino médio, 8.739 Matrículas e 1.119 Docentes no Ensino Fundamental e 400no Ensino Médio. A cidade possui um campus da Universidade do Estado da Bahia, em que ocurso de Licenciatura em Educação Física começou a funcionar no segundosemestre de 2005, com a realização do vestibular para a primeira turma, que seformou em 2009. A coleta de dados será realizada através de três técnicas: a primeira é aanálise documental do projeto do curso; a segunda, um questionário fechado paraos alunos egressos; e, a terceira, entrevista semi-estruturada com os professoresque participaram da comissão de elaboração do projeto do curso. A utilizaçãodessas técnicas tem o objetivo de possibilitar o conhecimento do curso desde seuplanejamento até sua execução, de modo que se obteve um panorama geral daformação no curso em questão. Segundo Gil (2007), a elaboração de um questionário consiste basicamenteem traduzir os objetivos específicos da pesquisa em itens redigidos. Naturalmente,não existem normas rígidas a respeito da elaboração do questionário. Para Minayo (1994), a entrevista é um procedimento bem utilizado notrabalho de campo. Para essa pesquisa constitui um instrumento relevante, isso,pensando em obter informações contidas nas falas dos protagonistas do curso emanálise.
  33. 33. 32 A entrevista tem suas pretensões, e esta se focaliza em uma determinadarealidade. E com esse procedimento pode se extrair dados objetivos e subjetivos.Optei pela entrevista semi-estruturada, pois articula as duas técnicas. A mesma permite por meio das perguntas previamente elaboradas oentendimento da temática abordada pelo investigador, bem como a liberdade paradepor no que diz respeito ao informante, pois, este pode durante a entrevistaapontar para questões que passaram despercebidas pelo pesquisador. A análise de dados será realizada a partir de duas técnicas: a análiseproposta pelo esquema paradigmático e a análise de conteúdo. A primeira foi usadapara analisar o projeto do curso. A segunda, para analisar os questionários e asentrevistas. O esquema paradigmático propõe investigar por meio do questionamento, dapergunta bem elaborada, concreta e que implicará na obtenção da resposta a seremcoletadas a partir dos registros e documentos e informações sobre o real, queconforme dito foi o Projeto Pedagógico do Curso de Educação Física. Este foianalisado como propõe Gamboa (2007), no nível teórico, que se referem aosfenômenos educativos e sociais privilegiados, núcleos conceituais básicos,pretensões críticas a outras teorias, tipos de mudança proposta, autores citados nospressupostos epistemológicos, que diz respeito aos critérios de cientificidade, comoconcepção de ciência, concepção dos requisitos da prova ou validez concepção decasualidade; e o pressuposto ontológico, que envolve concepções de homem, derealidade e de história e que entende a produção cientifica a partir de uma visão demundo (cosmovisão). A partir da proposição de Gamboa (2007), trabalhamos aanálise do projeto com base nos pressupostos ontológicos e, apesar de nãosugerido pelo autor, foi considerado também a concepção de Educação presente noProjeto do Curso já que se quer discutir a concepção de formação humana presenteno referido documento. Além disso, em relação aos questionários e entrevistas, utilizei como técnica aanálise de conteúdo. A mesma propõe a reunião de várias outras técnicas. SegundoMinayo (1994), duas funções são evidenciadas. A primeira diz respeito “à verificaçãode hipóteses e/ou questões”. A segunda se refere “à descoberta do que está por trásdos conteúdos manifestos”. O modelo adotado permite uma análise das mensagens contidas nasrespostas dos entrevistados. Mediante a classificação, isto é, por meio das
  34. 34. 33categorias, podemos destacar elementos que aparecem nas respostas aosquestionamentos e que, portanto vão encontrar relações diretas com a temáticaabordada. A análise de conteúdo possibilita ainda, uma leitura seja por “registro deunidade”, que pode ser uma palavra, uma frase, oração; reunir elementos suficientespara dar conta do objeto de estudo. Além das unidades de registro, precedemtambém as unidades de contexto, que faz uma referência mais ampla. E situa emoutras palavras o contexto da mensagem.
  35. 35. 34 6 ANÁLISE DE DADOS Parto do princípio proposto no esquema paradigmático para entender comesse estudo o Projeto Político Pedagógico do Curso de Licenciatura em EducaçãoFísica, que iniciou em 2005 e se encontra em vias de reconhecimento. 6.1 Análise do Projeto Determino aqui níveis, são em essência três princípios para a compreensãodesse trabalho no que diz respeito à formatação do projeto e suas concepções, deacordo com os objetivos proposta na pesquisa dispomos: NIVEL I- DA CONCEPÇÃO DE EF DO CURSO DE EDUCAÇÃO FISICA DAUNEB-CAMPUS II Pergunto qual a concepção de formação de professores defendida naproposta desse curso? Obtive como resposta: A formação defendida nesta proposta está marcada pelos reclames da população, pela responsabilidade da Universidade perante a sociedade, pelas mudanças necessárias reconhecidas pelos movimentos sociais e comunidades cientifica da Educação Física, Ciências do Esporte e Estudos do Lazer, representados pelas diversas entidades e pelo que preconizam as bases legais: Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional LDB 9394/96; Parecer 09/2001 e as resoluções CNE/CP 01/2002 e 02/2002) “que versam sobre as diretrizes curriculares para a formação de professores da Educação Básica”, bem como o Parecer 058/2004 e a resolução 07/2004, “que estabelece diretrizes curriculares para os cursos de formação profissional em Educação Física”. (PROJETO DO CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA, 2005, p.18). Aqui surge um elemento a ser observado; estamos diante da concepção deformação de professores em Educação Física, e esta se encontra embasada nosreferenciais da LDB.Continua:
  36. 36. 35 [...] Posto assim propõe-se uma formação do licenciado em Educação Física, que seja capaz de compreender o fenômeno educativo e apresentar soluções, o que exige um currículo que garanta uma formação sólida que oriente para a capacidade de fazer perguntas e buscar respostas, elegendo as práticas concretas como ponto de partida para a elaboração de conhecimentos que modifiquem as situações que se apresentem como problemáticas [...].PROJETO DO CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA, 2005, ). Sobre a proposta da formação de professores no referido curso deAlagoinhas, os conceitos; as bases epistemológicas; a preocupação com alocalização da Educação Física, na atual conjuntura política, educacional e social.Persiste a prerrogativa de pensar essa ciência focada na realidade do cotidiano,respaldada nas premissas das regulamentações, nas fundamentações teóricasconstruídas ao longo das atuais concepções em Educação Física, e mais: “Éessencial a contribuição das ciências e em particular da filosofia, sociologia,antropologia, psicologia, anatomia, fisiologia, biologia dentre outras, comoreferencias fundantes para compreensão da Educação Física”, essa perspectivadialoga com a proposta critico-superadora, defendida no último encontro cientifico daárea, realizado na cidade de Salvador-BA, o XVI COMBRACE, e que, firma a sendaelaborada e pensada pelo coletivo de autores para a formação, metodologia eensino da “cultura corporal de movimento”. NIVEL II- DA ORGANIZAÇÃO DO CURRICULO E A DISPOSIÇÃO DASTEMÁTICAS/DISCIPLINAS Sobre a proposta do currículo pergunto: Qual a estrutura curricular? A organização do currículo do curso de Educação Física da UNEB apresentauma formatação em oito semestres, e delineados por quatro eixos temáticos que sãoos princípios norteadores de todo o projeto de formação. Os “universos temáticos”,como constam no documento, comungam com a proposição de “temas geradores”.Metodologia essa que permite a “dialogicidade da educação” Observemos o recorte do projeto do curso: [...] Para efeito do presente projeto os Universos Temáticos ficaram assim anunciados: UNIVERSO TEMÁTICO I –
  37. 37. 36 FUNDAMENTOS; UNIVERSO TEMÁTICO II - CONHECIMENTO E METODOLOGIA; UNIVERSO TEMÁTICO III - SISTEMATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO e UNIVERSO TEMÁTICO IV - PRÁXIS PEDAGÓGICA [...]. (PROJETO DO CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA, 2005, P.24). A tabela abaixo expõe os eixos temáticos: Fundamentos basilares do curso/Campos de estudos: Anátomo - biológicoUNIVERSO Sócio – AntropológicoTEMÁTICO I Histórico – Filosófico Dimensão Didática Compreende os componentes curriculares que articulam o conhecimento das diversas especificidades do campo da Educação Física com suas respectivas metodologias. UNIVERSOTEMÁTICO II O foco é a sistematização do conhecimento, mediante a oferta de disciplinas que favoreçam a reflexão sobre a produção do conhecimento, a elaboração de projetos de pesquisa e sua execução, bem como a socialização de produções parciais na forma de resumos, resenhas, artigos e seminários, culminando com o UNIVERSO Trabalho de Conclusão do Curso (monografia).TEMÁTICO III Contempla a práxis pedagógica e preocupa-se com a criação de situações de aprendizagem para mobilizar os conhecimentos UNIVERSO relativos ao trabalho intelectual, articulado, mas não reduzido, aoTEMÁTICO IV mundo do trabalho.
  38. 38. 37 As disciplinas ficam dispostas dentro desses campos, orientadas numarelação de temas consensuais, e estes componentes curriculares, vãos além dasdisciplinas especificas. Essa orientação é congruente com as tendências atuais nocampo da educação, e que pressupõe a retomada da reflexão, da crítica e daemancipação do individuo que forma para formar. A proposta do currículo dispõe de fundamentos que em aspectos geraispropõe formação “ampla” que busque dar conta da demanda que se apresenta naárea. Isto implica numa formação docente que atentem para os ideais da instituição,para as reflexões mais profundas concernentes as temáticas sociais, e formaçãohumana. Essa afirmação se apresenta nestes termos: “Dominar os conhecimentosgerais e específicos da Educação Física e aqueles advindos das ciências afins,orientados por valores acadêmico-científicos e éticos- críticos próprios de umasociedade plural e democrática” O que se percebe no projeto curricular é uma relação de unificação no que dizrespeito à formação. Formação essa pautada na docência e que ratifica a atuaçãodo professor na dimensão da práxis pedagógica, ou seja, “nos distintos espaços nosquais se materializam as aprendizagens da cultura corporal”. ( PROJETO POLITICOPEDAGÓGICO DO CURSO, 2005, p.17). Independe dos espaços de atuação otrabalho é pedagógico. A idéia, observando o formato da proposta do currículo, é de não reproduzir,mas de caminhar contraria a lógica das especificidades e “competências”. Pretende-se ainda uma formação qualificada, não fragmentada, e contrária a reprodução detécnicas. O perfil do licenciado deverá contemplar com base na proposta do curso, umaformação ampliada, em que o egresso desenvolva experiências teórico-práticas, ecom concepções crítico-humanísticas. Caminha-se, portanto, ao lado do quedefende a ANFOPE, e pesquisadores do campo da Educação e Educação Física.
  39. 39. 38 NIVEL III- DOS PRINCIPIOS E DOS OBJETIVOS O último questionamento é: Qual o objetivo do curso? O referido curso tem por princípio formar licenciados em Educação Física,conscientes da realidade que o cerca nas diferentes relações por meio dasmanifestações da “cultura corporal”. Objetiva formar professores que compreendam as dimensões da “docênciae pesquisa entendida como um princípio orientador das práticas; capaz dediagnosticar, propor, executar e avaliar o trabalho”. [...] O Curso de Licenciatura em Educação Física no Campus II - Alagoinhas da UNEB tem como objetivo a formação de professores para atuarem nos mais diferentes espaços na qual se materializam as aprendizagens relativas as culturas corporais, a partir de uma formação ampliada que possibilite ao licenciando, a luz da realidade social, produzir conhecimentos técnico-científicos, capazes de fundamentar, desenvolver e avaliar sua prática político-pedagógica [...].PROJETO DO CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA, 2005, ). Em linhas gerais, prepara o egresso, assim se diz a priori, para desenvolveruma concepção crítico-humanista, qualificando profissional e academicamente ecalcados na produção do conhecimento desenvolvido e acumulado na história e norigor da ciência. As referências a essas concepções se percebem nas propostas teórico-metodológicas em Educação Física, coletivo de autores (1992). São validados nasDiretrizes, que determina: “Estimular o conhecimento dos problemas do mundopresente, em particular os nacionais e regionais, prestar serviços especializados ácomunidade e estabelecer com essa uma relação de reciprocidade” (LDB, cap IV,art.. 43º, VI). É possível perceber que existe uma preocupação quanto á localização daárea da Educação Física quanto ao campo de atuação quando apresenta oseguinte: Educar, produzir e socializar conhecimentos no âmbito da Educação Física em uma sociedade concreta e ideologicamente situada é tarefa do curso, visto que essa área
  40. 40. 39 tornou-se socialmente abrangente. A formação acadêmica, por força de lei, visa, sobretudo, à formação de professores de Educação Física para trabalharem na escola. No entanto, a proposta do presente curso traz aberturas para a atuação do profissional nos diversos campos na qual o fazer educativo referente à cultura corporal ocorra, desde que possa atender a interesses e necessidades da população. (PROJETO DO CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA, 2005, p.15). Sublinho aqui que a proposta que norteia os objetivos do curso, bem comosua concepção, orienta toda a dinâmica das variadas relações no que tange aoprocesso de formação acadêmica. Com efeito, o curso de Educação Física, “atravésde sua proposta curricular, amplia o significado do processo educativo,ultrapassando a escolaridade formal, principalmente, no que diz respeito à análise ecompreensão das práticas sociais vinculadas às práticas educativas”. A formaçãopropiciada no curso permite que, através da análise, interpretação e produção deconhecimentos, o egresso seja capaz de atuar na escola e fora dela.Seja a pesquisa, o ensino, justamente esse que pressupõe atuar numa perspectivaampla que desenvolva uma relação com a comunidade fora dos muros dauniversidade.6.2 Análise da Entrevista A partir das entrevistas realizadas com os professores que participaram daelaboração do curso de Educação Física, os questionamentos sobre como se dá oprocesso de formação docente obtiveram suas respostas. A análise de conteúdo,proposta por Mynaio (2004), vai ajudar no entendimento do trabalho, pois a partir daclassificação das categorias das respostas dadas se soube a pretensão do projetocriado para este curso, bem como sua dinâmica no sentido de formar o professorconsciente do seu papel na sociedade.
  41. 41. 40 QUADRO I - FREQUÊNCIA TEMÁTICA NAS ENTREVISTAS FREQUÊNCIA CATEGORIA OCORRÊNCIAS NUMERADA CONCEPÇÕES CRITICO-SUPERADORA 2POLITCO- PEDAGÓGICA EMANCIPATÓRIA 1 CULTURA CORPORAL 1 PERSPECTIVA DUCACIONAL FORMAÇÃO AMPLIADA 3 PRÁXIS PEDAGÓGICA 1 CAMPO ESCOLAR 3 ATUAÇÃO PROFISSIONAL CAMPO NÃO ESCOLAR 2 As entrevistas foram feitas aos professores da comissão que pensou oProjeto do Curso. Os mesmos são aqui apresentados como sujeitos R, L, e Gprezando pelo direito de manter sigilo aos entrevistados. Desenvolvo a entrevista apartir do modelo proposto por Minayo (2004), quando defende que esse instrumentopode extrair elementos objetivos e subjetivos, pois, o foco é a realidade. Quando interrogado sobre o motivo pelo qual se pensou na implementaçãodesse curso em Alagoinhas, o professor R, um dos participantes da comissão deelaboração do projeto do curso, afirmou que surgiu de uma demanda local e dasregiões cirucuvizinhas e com o objetivo de formar com qualidade. O mesmo se deucom o professor L, que afirma que a reunião de três aspectos importantes contribuiupara o surgimento do curso. Ressalta: a demanda da comunidade local; osprofessores que atuavam no campus da UNEB desenvolvendo seminários na área,ministrando disciplinas nos cursos já existentes; e inclui o interesse dos gestores emoferecer essa formação no âmbito da educação na região. O professor, G outro participante da mesma comissão do projeto do cursodepôs que, a demanda do município de Alagoinhas, no que diz respeito à formaçãosuperior em Educação Física era necessária e que, pontuou, não era umapreocupação dos professores da área que se encontravam na instituição.
  42. 42. 41 Em todos os momentos na entrevista se confirma a necessidade do curso naregião de Alagoinhas, com o fim de trazer a esse território uma formação superiorpor conta das demandas locais em torno da profissão tanto no espaço escolar,quanto o não escolar, dado estes, levantados por pesquisa. A perspectiva do processo de formação nesse curso, já aparece aqui em umafala, que em linhas gerais dialoga com a LDB, a concepção critica em educação, eem Educação Física, quando diz que: “o objetivo é formar com qualidade”. Toda formação tem sua proposta político-pedagógica e que, portanto, define eorienta o trabalho a ser desenvolvido no processo de formação profissional. Nessequesito, dois dos professores disseram que a formação é cidadã, ética, democrática,política, sem preocupação de atender o mercado, e sim de formar cidadãos críticosque ultrapassem os modelos vigentes. “Não formar por formar”, e uma formação decaráter ampliado, isto é, o curso é de Licenciatura em Educação Física, mas,abrangendo conteúdos com origem nas ciências naturais. Essa preocupação com o projeto político-pedagógico, de fato é transcrito notexto da proposta curricular do curso, e nas respostas, mais uma vez dois dosentrevistados reforçam que o projeto se encontra aliado às demandas éticas, deformação cidadã, e qualificada, em conformidade com as aspirações dosmovimentos institucionais e sociais, e amarradas às políticas determinadas pelasReformas Educacionais no Brasil. Já, sobre essa sintonia com a legislação, não háum consenso. O professor G contrapõe dizendo que a perspectiva é de uma formaçãoampliada, mas, que isso mudou, e, portanto, o curso já não contempla a propostainicial por conta da legislação que atualmente vigora. Na continuidade do diálogo, pergunto em que perspectiva educacional estáfundada as práticas do curso, o professor R antecipa dizendo que a abordagem queorienta o “nosso projeto” é a da cultura corporal, e que propõe a transformação darealidade. Sobre o mesmo questionamento, acrescenta L que: é uma formação dapráxis pedagógica, da qual reúne elementos conceituais em educação, saúde,esporte e lazer, área esta, ainda a ser explorada no campo da Educação Física. O discurso de G, é de que a pretensão do projeto é atender a formação apartir de uma perspectiva ampliada, mas, reforça que a proposta é desatualizada eque é uma “mentira”, a idéia de uma licenciatura ampliada.
  43. 43. 42 Sobre o campo de atuação do profissional formado em Educação Física, osmesmos disseram que a universidade tem autonomia para elaborar seus cursos, eque, portanto, o curso em questão, prepara o profissional para diferentes campos, eem espaços formais e não formais. A licenciatura não é só para atuar na escola esim em diferentes campos prosseguiu o professor R, isso com base na LDB, ereferendados nas Resoluções 001/002-2001, e nos pareceres referenciais de marçode 2010. Na seqüência o professor L, salientou; “independe dos espaços de atuação otrabalho é pedagógico”. E abarca temas transversais, saúde, meio ambiente, e apráxis pedagógica, em síntese disse ele; teoria-prática. Existe sim a autonomia universitária, mas, refuta G, que, os pressupostos quenorteiam o atual projeto do curso é um equivoco, pois, o MEC, delimita, orienta, eestabelece o processo de formação e não de atuação do profissional. E que aformação na prática vai ser uma “formação deturpada que vai complicar a atuação.”A licenciatura não é “ampla”, na prática, o individuo licenciado atua na escola. Esse panorama aponta para o quadro dos cursos de formação superior emEducação Física. São múltiplas as concepções e propostas curriculares as quaisreforçam uma dualidade na formação desse profissional. Somado a esses aspectosque envolvem o cotidiano do curso, resgato aqui a colocação de Santos Junior(2005), quando diz: “A fragmentação... culmina num processo de quebra daformação já na formação”. No que se refere à perspectiva educacional que orienta as práticas dessecurso, as falas diferem completamente. A primeira ocorrência é uma abordagem daque pensa o modelo de educação em Educação Física, a partir da “cultura corporal”.No segundo momento, aparece a perspectiva pautada na práxis pedagógica. E porfim, surge o depoimento no qual compreende de modo geral que a perspectiva éviabilizar uma formação ampliada, mas, desintonizada com a legislação. Cada umadessas ocorrências, não são comuns umas as outras, propondo maiordiscussão/reflexão sobre os aspectos epistemológicos, os pressupostos ontológicose de fato, qual a real pretensão em formar novos professores nessa área no cursoda UNEB, Alagoinhas. Retomo esse debate porque a construção/criação de cursosde formação no ensino superior está ligada a uma discussão mais ampla sobre atomada da consciência dos indivíduos sobre as concepções atuais que implicam naformação humana.
  44. 44. 43 O último ponto que trago aqui, diz respeito à atuação profissional do egressoao curso, e quais pressupostos embasam essa relação. Os conteúdos das respostasse apresentaram aos moldes da proposta político-pedagógica do curso. O primeiromomento coincidiu com a segunda e a terceira ocorrência quando os entrevistadosreafirmam a autonomia universitária como base para formulação do projeto do curso. Duas ocorrências apontam que o campo de atuação profissional independedo espaço, a prática docente é a mesma, portanto, sejam os espaços formais ou nãoformais a atuação pedagógica permite ao egresso se desenvolver na ambiênciaescolar ou fora dela. Uma ocorrência, não torna as respostas congruentes. Oentrevistado salienta que, as bases que nortearam o projeto de criação do curso jánão correspondem mais aos pressupostos atuais. Nesse quesito percebo que há uma relação, em alguns aspectos, do projetolocal com a lógica do projeto hegemônico. São as relações mais amplas, sejam elaspolíticas, econômicas e sociais com interesses mais gerais e que implicamdiretamente nas relações mais especificas, por exemplo, o mundo global, mais geral,influencia o processo de formação de professores enquanto trabalhadores, aspectomais especifico.6.3 Análise dos Questionários Com a intenção de ampliar a discussão, fiz utilização dos questionários que, porsua vez, foram aplicados aos alunos egressos. Foram contactados, via endereçoeletrônico, nove dos estudantes formados dos quais quatro responderam aoquestionário. Analiso as respostas as questões, pautado no modelo sugerido porMinayo (2004), que apresenta a técnica de análise de conteúdo como técnica quepossibilita a leitura das mensagens contidas nas respostas às perguntas. QUADRO II - FREQÜÊNCIA TEMÁTICA NOS QUESTIONÁRIOS FREQUÊNCIA EM CATEGORIAS OCORRÊNCIAS NÚMEROS A- PERSPECTIVA DO FORMAÇÃO CURSO (PROPOSTA AMPLIADA 2 POLITICO -
  45. 45. 44 PEDAGÓGICA) CULTURA CORPORAL 2 DE MOVIMENTO B- CONCEPÇÃO EM CRITICO-SUPERADORA 4 EDUCAÇÃO FÍSICA C- ESPAÇO DE EDUCAÇÃO BÁSICA 2 ATUAÇÃO PROFISSIONAL EDUCAÇÃO SUPERIOR 1 (ATUAL CAMPO DE INTERVENÇÃO ) GINÁSTICA LABORAL 1 O questionário foi elaborado contendo cinco questões (Apêndice 2), dentre asquais obtive respostas sobre a concepção do egresso no que diz respeito a suaformação, o seu campo de atuação o qual pretende se inserir e o entendimento domesmo no que se refere a proposta político-pedagógica do curso. No primeiro questionamento surgem respostas semelhantes. Pergunto: Qualo seu entendimento sobre a proposta político-pedagógica do curso de EducaçãoFísica na UNEB em Alagoinhas? E o termo formação “ampliada” aparece duasvezes. Nas respostas, faz-se uma alusão à proposta descrita no projeto. Destacoessa: “É um curso que se propõe a atender as demandas sociais existentes daregião e por isso apresenta uma perspectiva de formação “ampliada” e continuada.”Na seqüência a resposta de outro questionário descreve o entendimento sobre oprojeto político pedagógico do curso: “O curso de Educação Física na UNEB emAlagoinhas tem seu projeto político-pedagógico baseado no entendimento daEducação Física enquanto manifestação da cultura, mas especificamente da culturacorporal, busca a formação baseada em princípios humanísticos, objetivando umaformação para além da Educação Física escolar, primando pelo profissional capazde ler criticamente o mundo a sua volta e de atuar dentro de tal realidade.” Com que concepção de Educação Física você se formou? Esta foi a segundapergunta do questionário. São quatro as ocorrências, três usam o termo “culturacorporal,” uma usa o coletivo de autores para referenciar essa resposta, “Me formeitomando como concepção de educação física a cultura corporal, baseada no
  46. 46. 45coletivo de autores.”: e uma descreve como concepção crítica: [...] “entendo aEducação Física enquanto meio de propiciar a releitura da realidade do sujeitopossibilitando-o uma transformação pessoal e social.” A compreensão dessas concepções por parte dos egressos que responderamao questionário permite identificar o entendimento que os mesmos têm quanto a suaformação. É isto que consta no projeto do curso que, por sua vez, encontra-se emsintonia com as proposições do chamado Coletivo de Autores, e que busca atenderàs atuais concepções no que diz respeito à formação como um todo numaperspectiva crítica e ampliada. Tomando como referência: O curso oportuniza ao egresso o desenvolvimento de experiências teórico-práticas acerca do movimento humano e suas relações com a sociedade através de métodos, técnicas e instrumentos que permitam ao egresso planejar, orientar, executar e avaliar as atividades em Educação Física.[...] (Projeto do Curso de Licenciatura em Educação Física, 2005, p.21). Sobre isso, retomo Bracht (1998, p.16) que “propõe a reorientação curricularque atue nas esferas das ciências sociais e humanas, e problemáticas da EFenquanto prática pedagógica.” A unanimidade das respostas do questionário em primeira análise possibilitaafirmar que no processo de formação, a proposta curricular está amarrada àperspectiva dos professores e, portanto, permite afirmar que existe sintonia na atualconjuntura idealizada para este curso. Diríamos que segue as mesmas interpretações do projeto político-pedagógico, que tem relações com algumas respostas das entrevistas feitas aosprofessores pertencentes à comissão que elaborou o projeto, e sem se distanciar osegressos entendem como formação o que sugere a qualificação inicial do curso, eabordam na mesma proporção às concepções de Educação Física deste curso nosseus respectivos espaços de atuação.
  47. 47. 46 O campo de atuação é um quesito problematizado nos debates em torno daformação. Como já dito anteriormente, a estrutura curricular aponta para apossibilidade de atuação profissional na e fora da escola. A terceira pergunta doquestionário procurou saber sobre: Qual o seu atual espaço de atuação profissional? Temos como ocorrências do campo de atuação dois egressos que atuam naEducação Básica, uma ocorrência para Educação Superior e uma para atuação forada ambiência escolar, este último desenvolve a Ginástica Laboral. Consoante a explicitação do currículo do curso sobre a prática profissional: O campo de atuação do professor de Educação Física se dá de modo coletivo e/ou personalizado na ambiência escolar, podendo ainda ser pedagogicamente desenvolvido em clubes, academias, hotéis, associações comunitária, centro sociais, condomínios, empresas, parques dentre outros, através do ensino, da pesquisa, da coordenação e direção (PROJETO DO CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA, 2005, p.22). Ainda: “Apesar de se tratar de um curso de licenciatura, “que por força de lei”,busca a formação de professores de Educação Física, ainda possibilita a atuaçãonos diversos campos profissionais que lidam com a ação educativa envolvendo acultura corporal.” Essa é uma resposta de uma egressa sobre as possibilidades deatuação profissional na EF. A possibilidade de atuação em diversos campos, que parece estar ocorrendoentre os egressos (mesmo que com conflitos), coaduna com a perspectiva de que aeducação física é uma pratica de intervenção social e imediata. Tudo isso nos deixa a par sobre as proposições do curso, o compromissocom a formação docente no que se relaciona aos valores políticos, e a éticaprofissional construída uniformemente às demandas sociais. As ligações mais geraiscom as idéias sobre formação docente e formação humana ficam explicitadas noreferido curso. O mesmo aborda a cultura corporal em suas variadas manifestaçõescomo importante patrimônio histórico constituindo como objeto do curso para aformação docente.
  48. 48. 477 BREVES CONCLUSÕES E NOVAS QUESTÕES Não se trata simplesmente de terminar um texto, de acabar uma redação edar por fim uma pesquisa que buscou refletir acerca do processo de formação doprofessor, e o projeto para a formação humana no Curso de Educação Física daUNEB de Alagoinhas. A organização das idéias surge a partir da história da Educação Física, e decomo o passado sustenta atuais conceitos e direcionam os rumos da formaçãodocente. Nesse contexto, o texto histórico pressupõe uma reflexão sobre aspossibilidades e os entraves na qualificação desse profissional que, de modo geral,se insere em uma sociedade modelada pelas presunções capitalistas as quaishistoricamente constroem ou destroem as instituições, com o fim de formar um“homem” que se atrofie, e mantenha, ou mesmo reproduza as práticas queperpetuem as perspectivas hegemônicas. No outro momento, trago as concepções contínuas e descontínuas emEducação Física. O militarismo, antecedido pelo biologicismo determinaram aspráticas, os conteúdos bem como a formatação dos currículos para a graduação naárea. Ao longo do tempo, tais conceitos se constituíram barreiras para a formação ecompreensão sobre o objeto de estudo dessa prática social. Impulsionados pelo novo/velho projeto de mundo a Educação, (sucedempolítica/ economia/ sociedade em geral), passa a atender as propostas neoliberais eafirmar por meios legais a construção de diretrizes que norteassem os currículos doscursos. Oferecendo uma formação desvinculada do poder público e atrelado asdeterminações da nova ordem mundial. As relações de mediação precedem dosparâmetros estabelecidos por leis que dão conta de reformar o sistema educacionalcom o fim de alinhar às demandas decorrentes do plano neoliberal. No confronto, são elaboradas novas concepções em Educação Física queimplicam diretamente na formação de professores que agora tem como objeto deestudo a “cultura corporal de movimento”, orientada pelas tendências crítico-humanísticas e de superação do regime do capital. Estas considerações montam o cenário para a compreensão do processo deformação de novos professores e do projeto de formação humana do Curso deLicenciatura em Educação Física da UNEB em Alagoinhas.
  49. 49. 48 O que temos como projeto de formação humana? O referido curso propõe umaformação pautada nos valores éticos que inspiram uma sociedade democrática, osestéticos que formam sensibilidades para olhar e intervir no mundo e os políticosque promovem a capacidade de dialogicidade. Assim, defende o Projeto do Curso(2005), diante dos conflitos econômicos, étnicos e de gênero próprios das relaçõeshumanas. A formação do ser humano é algo complexo que cerca o individuo comoum todo. Para além do corpo físico, isto é, biológico o homem é um ser psicológico,social e político. Ao analisar o Projeto Pedagógico do Curso, reflito sobre algumas questões.Tais como: O projeto do curso tem como pilar a práxis pedagógica, e não tem comoprincipal preocupação à prática da educação física a partir da reprodução demovimentos em seus aspectos mecânicos, e inclusive, mescla os conhecimentosafins com pretensão de formar dentro de uma perspectiva “ampliada” que contempleas áreas biológicas, da saúde e a possibilidade de atuação no âmbito daperformance esportiva. O curso possui quatro eixos temáticos os quais geram os conhecimentos aserem trabalhados. Estes fundamentos temáticos cuidam de elencar conteúdos quedentro das disciplinas curriculares abordam sobre ciências biológicas e da saúde, etemas originários das ciências sociais, humanas e filosóficas. Quanto ao egresso o curso pretende prepará-lo para atuar enquantoprofessor na área da educação. Entendendo que, as manifestações da culturacorporal na atual realidade tem se apresentado em variados espaços os quaispossibilitaria a intervenção do professor de Educação Física. O debate sobre a formação de professores é amplo e ao menos a estapesquisa não cabe dar conta de como se dá todo o processo. Procuro saber sobrequal professor de Educação Física estamos formando, e que professores queremos;e de como o novo projeto de mundo influencia nessa formação, à formação do serhumano. Foram recortes, este estudo sugere o aprofundamento de novas questões,portanto, proponho novos capítulos para essa história, porque ela acabou decomeçar.

×