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RAUL RYFF E MÁRIO LAGO As homenagens da                                                                 BETINHO O ex-Presi...
Editorial                                                                                                    DESTAQUES DES...
ESPECIAL                                                                                                                  ...
ESPECIAL A IMPRENSA QUE NÃO PERDEU A CAPACIDADE DE SE INDIGNAR                                                            ...
A REVELAÇÃO DE PERSONAGENS IGNORADOS    As publicações alternativas também          pela redemocratização. Não que estives...
ESPECIAL A IMPRENSA QUE NÃO PERDEU A CAPACIDADE DE SE INDIGNAR                                                            ...
interessados. As matérias ocupavam           DEPOIMENTOS EMOCIONADOS               F OTOS N IVALDO H ONÓRIO DA S ILVA     ...
ESPECIAL A IMPRENSA QUE NÃO PERDEU A CAPACIDADE DE SE INDIGNAR     RICARDO MARANHÃO                            chamado Lul...
Jornal da ABI 369
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A presente edição do Jornal da ABI celebra um dos momentos mais ricos da História da Imprensa no Brasil, o qual é também, paradoxalmente, aquele em que a atividade jornalística mais dificuldades enfrentou nestes mais de dois séculos em que se editam periódicos entre nós. Esse momento é o do surgimento e funcionamento da chamada imprensa alternativa, produzida em condições extremamente adversas, para a defesa de idéias que correspondiam ao melhor interesse nacional e à necessidade de transformação do quadro de brutalidades e iniqüidades impostas ao País desde a deflagração do golpe militar de 1º de abril de 1964. OUTROS DESTAQUES: - As homenagens em comemoração ao centenário de Raul Ryff e Mário Lago. - Os 30 anos do Ibase, criado por Betinho. - Grupo Globo abre o debate público sobre o papel e a ética do jornalismo - Walter Abrahão, o prazer da narração - Rodolfo Fernandes, o príncipe.

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Jornal da ABI 369

  1. 1. RAUL RYFF E MÁRIO LAGO As homenagens da BETINHO O ex-Presidente Lula tira o chapéu para o ABI a dois destacados militantes do progresso social criador do programa de combate à fome e à miséria PÁGINAS 12, 13, 14, 18, 19, 20 E 21 PÁGINAS 30 E 31 Órgão oficial da Associação Brasileira de Imprensa Órgão oficial da Associação Brasileira de Imprensa369 A GOSTO 2011 Um grande e minucioso inventário sobre a participação da imprensa alternativa nas lutas contra a ditadura militar acaba de vir a público em São Paulo, mostrando o heroísmo com que jornalistas e outros segmentos da sociedade civil sustentaram as idéias libertárias afinal vitoriosas. PÁGINAS 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 E EDITORIAL NA PÁGINA 2 PÁGINAS 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12 E 13 LYGIA TELLES DESAFIOU A MORTE DA JUÍZA REVELA QUE O ESTADÃO SOB A ROLHA DA GRUPO GLOBO DEFINE SEUS CENSURA DE BUZAID CRIME IGNORA LIMITES CENSURA HÁ DOIS ANOS PRINCÍPIOS EDITORIAIS EX-INTEGRALISTA, ELE ASSUMIU O MINISTÉRIO A CORAGEM DE PATRÍCIA ACIOLI NAS SENTENÇAS O STF É CÚMPLICE DESSA GRAVE LESÃO À DISCUSSÃO INTERNA ELABORA NORMAS PARADA JUSTIÇA COM O PROPÓSITO DE VETAR TUDO. CONTRA O CRIME ORGANIZADO ARMOU O CARTA QUE ULISSES G UIMARÃES CHAMOU DE UM PADRÃO DE TÉCNICA JORNALÍSTICA E DEMAS ELA DENUNCIOU AS TORTURAS. PÁGINA 10 BRAÇO DE SEUS ASSASSINOS . PÁGINA 28 "CONSTITUIÇÃO C IDADÃ ". PÁGINAS 26 E 27 POSTURA ÉTICA . P ÁGINAS 22 E 23
  2. 2. Editorial DESTAQUES DESTA EDIÇÃO 03 Especial - A imprensa que não perdeu a capacidade de se indignar A HISTÓRIA QUE FICA ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 10 Resistência - Sem temer Buzaid, Lygia denunciou a tortura no auge da ditadura Médici ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 11 História - Memórias amargas, por Rodolfo Konder ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ A PRESENTE EDIÇÃO DO Jornal da ABI cele- ponsabilidade pelo atraso do País em diferen- 16 Ressurreição - Renascente, o Pen Clube reage à fragilidade da atividade de escritor bra um dos momentos mais ricos da História da tes campos, entre os quais o aprofundamen- ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ Imprensa no Brasil, o qual é também, parado- to de uma desigualdade social de que ainda 18 Centenário - Mário Lago: O homem que não fugiu do tempo xalmente, aquele em que a atividade jornalísti- não nos libertamos. ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ca mais dificuldades enfrentou nestes mais de 21 Mobilização - Luta anticorrupção vai às ruas dois séculos em que se editam periódicos entre É ESTIMULANTE ASSINALAR que, sob o pálio ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 22 Novidade - Globo abre o debate público nós. Esse momento é o do surgimento e funci- das liberdades afinal restauradas, a valorização sobre o papel e a ética do jornalismo onamento da chamada imprensa alternativa, desse momento da nossa imprensa é promovi- ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 32 Renovação - A agência da infância é revista produzida em condições extremamente adver- da com esmero e competência por importantes e ampliada instituições da sociedade civil, como o Institu- ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ sas, para a defesa de idéias que correspondiam 35 Enigmas - Jornalista argentino está ao melhor interesse nacional e à necessidade de to Vladimir Herzog, que, honrando a memória reescrevendo a História desse mártir da luta libertária, promoveu o in- ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ transformação do quadro de brutalidades e ini- 38 Documentário - Roberto Marinho, num dvd qüidades impostas ao País desde a deflagração ventário do que se fez nesse campo de contes- sem apologia nem censura tação da ditadura, através do levantamento e ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ do golpe militar de 1º de abril de 1964. 40 Livros - A redescoberta de Mariátegui edição de materiais preciosos, como os resul- ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ SEÇÕES DESPROVIDOS DE RECURSOS econômicos e tantes da realização do Projeto Resistir é Preciso, 0 A CONTECEU NA ABI suportes materiais, os responsáveis por esse ex- que, como se verá na nossa principal matéria de 12 Os 100 anos de Raul Ryff, uma referência traordinário fenômeno da vida política e cultu- capa, mostra os protagonistas da história da im- como exemplo de vida ral do País, homens e mulheres de variada ori- prensa alternativa, clandestina e no exílio, no ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 15 Pioneirismo de Nelson Werneck realçado gem social e de diferentes concepções e vincu- período 1964-1979 (do golpe à Anistia), sua his- em ato marcado de emoção lações políticas, filosóficas e religiosas, movidos tória, seus padecimentos, o fruto de sua atuação. ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 16 Advogados da União aliam-se à ABI contra pela ânsia de recuperação da liberdade que lhes a censura prévia fora arrebatada, encontraram no meio social, a É IGUALMENTE RELEVANTE consignar que essa ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 26 LIBERDADE DE IMPRENSA despeito das condições adversas, o apoio neces- notável realização do Instituto Vladimir Her- A censura prévia ao Estadão fez dois anos sário para assegurar a continuidade da resistência zog contou com o apoio de destacadas insti- ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ DIREITOS HUMANOS à ditadura e sua superação. tuições do Poder Público, como o Memorial da 28 Para o crime, agora vale tudo Resistência de São Paulo, o Governo de São Paulo ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 29 “É possível apurar já os crimes da ditadura” NÃO FOI ESSE UM ESFORÇO comum. Sob o e a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, e ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 30 Lula tira o chapéu para Betinho guante da repressão, suas violências, suas ame- o patrocínio da Petróleo Brasileiro S.A.-Petro- ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ VIDAS aças, sob o cerco permanente em que era man- bras. Com sua saga, a imprensa alternativa con- 42 Abrahão, o prazer da narração tida a cidadania, era preciso coragem, criati- tribuiu para que se produzisse essa mudança ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ 43 Cláudio Melo e Sousa, o esteta da palavra vidade, capacidade de articulação e cautelas radical: o Estado nacional perdeu seu caráter ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ em ações que o regime não tolerava. Suas vir- repressor e se tornou um instrumento podero- 44 Rodolfo Fernandes, o príncipe ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ tudes cívicas desembocaram na materializa- so de apoio à luta pela construção de um Brasil 46 Procópio Mineiro, o jornalista que não se ção daquilo que derrotaria a ditadura: a pala- melhor. É essa História que fica da presença da rendeu à Proconsult ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ vra de denúncia de seus crimes, de sua res- imprensa alternativa na vida nacional. 47 Riomar, um mestre Jornal da ABI DIRETORIA – MANDATO 2010-2013 Francisco Pedro do Coutto, Itamar Guerreiro, Jarbas Domingos Vaz, José Pereira da Presidente: Maurício Azêdo Silva (Pereirinha), Maria do Perpétuo Socorro Vitarelli, Ponce de Leon, Salete Lisboa, Vice-Presidente: Tarcísio Holanda Sidney Rezende, Sílvio Paixão e Wilson S. J. Magalhães. Diretor Administrativo: Orpheu Santos Salles Conselheiros Suplentes 2010-2013 Diretor Econômico-Financeiro: Domingos Meirelles Adalberto Diniz, Alfredo Ênio Duarte, Aluízio Maranhão, Arcírio Gouvêa Neto, Daniel Número 369 - Agosto de 2011 Mazola Froes de Castro, Germando de Oliveira Gonçalves, Ilma Martins da Silva, José Diretor de Cultura e Lazer: Jesus Chediak Diretora de Assistência Social: Ilma Martins da Silva Silvestre Gorgulho, Luarlindo Ernesto, Marceu Vieira, Maurílio Cândido Ferreira, Sérgio Editores: Maurício Azêdo e Francisco Ucha Caldieri, Wilson de Carvalho, Yacy Nunes e Zilmar Borges Basílio. Diretora de Jornalismo: Sylvia Moretzsohn Projeto gráfico e diagramação: Francisco Ucha Conselheiros Suplentes 2009-2012 Edição de textos: Maurício Azêdo CONSELHO CONSULTIVO 2010-2013 Antônio Calegari, Antônio Henrique Lago, Argemiro Lopes do Nascimento (Miro Ancelmo Goes, Aziz Ahmed, Chico Caruso, Ferreira Gullar, Miro Teixeira, Nilson Lage e Lopes), Arnaldo César Ricci Jacob, Ernesto Vianna, Hildeberto Lopes Aleluia, Jordan Apoio à produção editorial: Alice Barbosa Diniz, Teixeira Heizer. Amora, Jorge Nunes de Freitas (in memoriam), Luiz Carlos Bittencourt, Marcus Antônio André Gil, Conceição Ferreira, Guilherme Povill Mendes de Miranda, Mário Jorge Guimarães, Múcio Aguiar Neto, Raimundo Coelho Vianna, Maria Ilka Azêdo, Ivan Vinhieri, Mário Luiz de CONSELHO FISCAL 2011-2012 Adail José de Paula, Geraldo Pereira dos Santos, Jarbas Domingos Vaz, Jorge Neto (in memoriam) e Rogério Marques Gomes. Freitas Borges. Saldanha de Araújo, Lóris Baena Cunha, Luiz Carlos Chesther de Oliveira e Manolo COMISSÃO DE SINDICÂNCIA Publicidade e Marketing: Francisco Paula Freitas Epelbaum. Carlos Felipe Meiga Santiago, Carlos João Di Paola, José Pereira da Silva (Coordenador), Queli Cristina Delgado da Silva, MESA DO CONSELHO DELIBERATIVO 2011-2012 (Pereirinha), Maria Ignez Duque Estrada Bastos e Marcus Antônio Mendes de Paulo Roberto de Paula Freitas. Presidente: Pery Cotta Miranda. Primeiro Secretário: Sérgio Caldieri COMISSÃO DE ÉTICA DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO Diretor Responsável: Maurício Azêdo Segundo Secretário: Marcus Antônio Mendes de Miranda Alberto Dines, Arthur José Poerner, Cícero Sandroni, Ivan Alves Filho e Paulo Totti. Associação Brasileira de Imprensa Conselheiros Efetivos 2011-2014 COMISSÃO DE DEFESA DA LIBERDADE DE IMPRENSA E DIREITOS HUMANOS Rua Araújo Porto Alegre, 71 Alberto Dines, Antônio Carlos Austregésilo de Athayde, Arthur José Poerner, Dácio Alcyr Cavalcânti, Antônio Carlos Rumba Gabriel, Arcírio Gouvêa Neto, Daniel de Rio de Janeiro, RJ - Cep 20.030-012 Malta, Ely Moreira, Hélio Alonso, Leda Acquarone, Maurício Azêdo, Milton Coelho da Castro, Geraldo Pereira dos Santos,Germando de Oliveira Gonçalves, Gilberto Telefone (21) 2240-8669/2282-1292 Graça, Modesto da Silveira, Pinheiro Júnior, Rodolfo Konder, Sylvia Moretzsohn, Magalhães, José Ângelo da Silva Fernandes, Lênin Novaes de Araújo, Lucy Mary e-mail: presidencia@abi.org.br Tarcísio Holanda e Villas-Bôas Corrêa. Carneiro, Luiz Carlos Azêdo, Maria Cecília Ribas Carneiro, Mário Augusto Jakobskind, Conselheiros Efetivos 2010-2013 Martha Arruda de Paiva, Sérgio Caldieri, Wilson de Carvalho e Yacy Nunes. REPRESENTAÇÃO DE SÃO PAULO Diretor: Rodolfo Konder André Moreau Louzeiro, Benício Medeiros, Bernardo Cabral, Carlos Alberto Marques COMISSÃO DIRETORA DA DIRETORIA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL Rodrigues, Fernando Foch, Flávio Tavares, Fritz Utzeri, Jesus Chediak, José Gomes Ilma Martins da Silva, Presidente; Manoel Pacheco dos Santos, Maria do Perpétuo Rua Dr. Franco da Rocha, 137, conjunto 51 Talarico (in memoriam), Marcelo Tognozzi, Maria Ignez Duque Estrada Bastos, Mário Socorro Vitarelli, Mirson Murad e Moacyr Lacerda. Perdizes - Cep 05015-040 Augusto Jakobskind, Orpheu Santos Salles, Paulo Jerônimo de Sousa e Sérgio Cabral. Telefones (11) 3869.2324 e 3675.0960 REPRESENTAÇÃO DE SÃO PAULO e-mail: abi.sp@abi.org.br Conselheiros Efetivos 2009-2012 Conselho Consultivo: Rodolfo Konder (Diretor), Fausto Camunha, George Benigno Adolfo Martins, Afonso Faria, Aziz Ahmed, Cecília Costa, Domingos Meirelles, Jatahy Duque Estrada, James Akel, Luthero Maynard e Reginaldo Dutra. REPRESENTAÇÃO DE MINAS GERAIS Fernando Segismundo, Glória Suely Álvarez Campos, Jorge Miranda Jordão, José Diretor: José Eustáquio de Oliveira Ângelo da Silva Fernandes, Lênin Novaes de Araújo, Luís Erlanger, Márcia Guimarães, REPRESENTAÇÃO DE MINAS GERAIS Nacif Elias Hidd Sobrinho, Pery de Araújo Cotta e Wilson Fadul Filho. José Mendonça (Presidente de Honra), José Eustáquio de Oliveira (Diretor),Carla Impressão: Gráfica Lance! Kreefft, Dídimo Paiva, Durval Guimarães, Eduardo Kattah, Gustavo Abreu, José Bento Rua Santa Maria, 47 - Cidade Nova Conselheiros Suplentes 2011-2014 Teixeira de Salles, Lauro Diniz, Leida Reis, Luiz Carlos Bernardes, Márcia Cruz e Rio de Janeiro, RJ Alcyr Cavalcânti, Carlos Felipe Meiga Santiago, Edgar Catoira, Francisco Paula Freitas, Rogério Faria Tavares. O JORNAL DA ABI NÃO ADOTA AS REGRAS DO A CORDO O RTOGRÁFICO DOS P AÍSES DE L ÍNGUA PORTUGUESA, COMO ADMITE O D ECRETO N º 6.586, DE 29 DE SETEMBRO DE 2008.2 Jornal da ABI 369 Agosto de 2011
  3. 3. ESPECIAL MONTAGEM FRANCISCO UCHA A IMPRENSA QUE NÃO PERDEU A CAPACIDADE DE SE INDIGNAR Lançado pelo Instituto Vladimir Herzog, o projeto Resistir é Preciso pretende resgatar a memória da imprensa alternativa, clandestina e no exílio, do golpe à anistia. Uma história literalmente escrita com riscos, em gráficas improvisadas e sob perseguição implacável do regime. P OR M ARCOS S TEFANO Abril de 1973. O clima no Brasil era de tensão metido. Os jornais foram proibidos de dar mais es- mostrei o desenho ao censor. Ele aprovou”, con-total e a agitação política, uma das maiores desde clarecimentos sobre o assunto. Para alguns, até falar ta Elifas Andreato, então Diretor de Arte do jor-que os militares tomaram o poder, nove anos an- sobre a missa celebrada em sua memória, na Ca- nal. O detalhe é que a prova revisada era em pre-tes, instaurando a ditadura no País. No mês ante- tedral da Sé, pelo Arcebispo de São Paulo, Dom to e branco, mas, na hora da impressão, a gráficarior, o estudante de Geologia da Universidade de Paulo Evaristo Arns, e que contou com a presença colocaria uma cor a mais na capa. Quando pegouSão Paulo, Alexandre Vannuchi Leme, fora preso de mais de cinco mil pessoas, muitos artistas, lí- o jornal impresso na boca da máquina, o censorpela Operação Bandeirantes por causa de sua mi- deres sindicais e estudantis que protestavam contra levou um susto: o manto de Dom Paulo Evaristolitância na Ação Libertadora Nacional-ALN. E só o regime, era fora de questão. Arns aparecia justamente na cor que mais causa-saiu do Doi-Codi morto. Primeiro, as autoridades Com o jornal Opinião não era diferente. Mas va arrepio aos militares: o vermelho.disseram que o jovem fora atropelado por um ca- mesmo censurada, a publicação daria um jeito de “Ele se sentiu traído porque não sabia dessaminhão, quando tentava fugir. Depois, que teria noticiar o que houve com a sempre usual criativi- cor a mais. Não adiantou explicar que o mantose suicidado com uma lâmina em sua cela. dade. Para escapar dos vetos, os textos não cita- que os cardeais usam é vermelho. Ele mandou parar Nenhuma das versões convenceu. A desconfi- vam o nome de Leme. E para a capa, nada melhor tudo. Queria apreender o jornal e me estapear”,ança geral, quase certeza na verdade, era que ele do que a imagem do Cardeal, um símbolo de paz. completa Andreato, que teve de correr para nãomorrera devido às bárbaras torturas a que fora sub- “Fiz a ilustração com os traços de Dom Paulo e apanhar do irado censor. Jornal da ABI 369 Agosto de 2011 3
  4. 4. ESPECIAL A IMPRENSA QUE NÃO PERDEU A CAPACIDADE DE SE INDIGNAR FRANCISCO UCHA A história soa quase surreal, mas é apenas uma entre muitas ou- tras que fazem parte da coleção Os Protagonistas desta História, Três apaixonados formada por 12 dvds com os pela história da imprensa depoimentos de jornalistas que clandestina e fizeram a imprensa alternativa, clandesti- perseguida no na e no exílio. Aquela que resistiu e comba- Brasil: Vladimir teu a ditadura militar entre 1964 e 1979, do Sacchetta, Editor golpe à anistia. Para conseguir o material, o de Pesquisa, Instituto Vladmir Herzog selecionou e Ricardo Carvalho, entrevistou 60 profissionais, a maior par- Editor de Conteúdo te num período de três meses, no começo e José Luiz Del deste ano. Nomes de peso como Raimun- Roio, Editor de do Rodrigues Pereira, um dos idealizado- Contexto do projeto Os res dos jornais Opinião e Movimento; Omar Protagonistas de Barros Filho, o Matico, que junto com desta História. Marcos Faerman, produziu Versus; os dese- nhistas Laerte, com importante participa- ção na imprensa sindical, Ziraldo, uma das colunas do Pasquim; e Ana Arruda Callado, Editora de O Sol, celebrizado nas bancas de ções como o jornal Unidade, do Sindica- Público do Estado de São Paulo e o Arqui- previamente entre 1972 e 1975; a revis- revista pela música de Caetano Veloso. Ape- to dos Jornalistas de São Paulo, o Coojor- vo Público da Cidade do Rio de Janeiro. ta Veja só escapou em dois períodos: 1968 nas para ficar entre alguns deles. nal, primeira grande experiência de coo- As próximas etapas do projeto incluem a e 1976; a Tribuna da Imprensa não teve a “É uma lista ampla, mas poderia tran- perativa de jornalistas no País, realizada publicação de livros, lançamento de um mesma sorte e conviveu com as proibi- qüilamente ser três vezes maior. Só não no Rio Grande do Sul, e o próprio Jornal portal na internet, produção de documen- ções sem trégua durante dez anos. Reali- foi porque, a princípio, tivemos que fazer da ABI. Infelizmente, na véspera de seu tários e realização de exposições. dade, a revista das grandes reportagens, uma seleção por motivos óbvios de espa- depoimento, o Presidente Maurício Azêdo, “Uma contribuição necessária à verda- chegou a ter uma edição inteira apreen- ço. Dessa forma, adotamos critérios para ativo participante de vários jornais clandes- de. Começamos a dá-la com o recorte nos dida por conta de uma pesquisa sobre escolher os participantes, como abrangên- tinos e alternativos no período, ligou para jornalistas. Por quê? Porque eles foram sexualidade. Já o Jornal do Brasil aprendeu cia mais nacional das publicações, títulos dizer que não poderia dar seu testemunho personagens centrais durante os anos a trabalhar com o eufemismo para retra- mais importantes – e aí me refiro aos con- porque se recuperava de uma gripe muito mais difíceis da repressão. Sem eles, o tar o clima no País. Assim, ao lado da teúdos publicados, longevidade e sucesso forte. Assim que possível, queremos tomar cerne da história, a imprensa alternativa, manchete sobre o AI-5 e da reportagem com leitores –, e equilíbrio entre as diversas seu depoimento e divulgá-lo no portal do simplesmente não existiria. Diferente que se limitava a destacar a movimentação correntes políticas, impulsionadoras de Instituto por causa da importância de sua das grandes empresas, os veículos meno- nos quartéis do Rio de Janeiro e a mobili- grande parte dessa ação da imprensa”, biografia”, diz Carvalho. res não representavam consolidadas ins- zação das diversas polícias, um quadrinho destaca Ricardo Carvalho, Editor de Con- Um dos alvos do Instituto Vladimir tituições”, completa Ivo Herzog. informava que, na véspera, fora o “Dia dos teúdo da obra. Foi ele quem tomou os de- Herzog com a ação é tornar conhecidas as Cegos” e outro previa “tempo negro, com poimentos, sempre ao lado do Editor de memórias de um tempo que muitos prefe- CLANDESTINA DE BERÇO temperatura sufocante e ar irrespirável”. Contexto, José Luiz Del Roio, do Editor de riam esquecer. Tanto que se compromete Quando surgiu no Brasil, em 1808, a Segundo a previsão, o Brasil era varrido por Pesquisa, Vladimir Sacchetta, e da histori- a enviar a íntegra dos depoimentos gratui- imprensa já era clandestina. Para confir- ventos fortes e a temperatura em Brasília adora Juliana Sartori. Em alguns momen- tamente a quem pedir. Acompanhar horas mar isso, basta lembrar do Correio Brazi- seria máxima, com 38º C. Já nas Laranjei- tos, o grupo também esteve acompanhado e horas de relatos de sofrimentos e abusos liense, que nasceu no exílio, impresso em ras, mínima. Apenas 5ºC. pelo jornalista Carlos Azevedo, também pode ser difícil, mas pior é não ouvir e fingir Londres, e circulou por aqui contra a Verdade seja dita, esse tipo de atitude era um personagem dessa história. que acontecimentos tão decisivos simples- vontade das autoridades. Não muito tem- exceção, e não norma. Por isso, muitos jor- O que se assiste nos dvds é um conjun- mente não existiram. po depois, em 1822, João Soares Lisboa nalistas logo perceberam que já não teriam to de depoimentos nostálgicos e chocan- “Começamos a recuperar essa memó- criou o Correio do Rio de Janeiro e usou a mais espaço nos veículos tradicionais. tes. Relatos de pessoas que nunca tiveram ria no ano passado, quando lançamos em imprensa para defender pela primeira vez “Esses profissionais criticavam aquilo a oportunidade de falar sobre o trabalho parceria com a Imprensa Oficial do Esta- a convocação de uma Constituinte bra- que chamavam de complacência da grande que realizaram, sobre os riscos que corre- do de São Paulo a edição facsímile do jor- sileira. Com isso, teve também o privilé- imprensa para com a ditadura”, diz o pro- ram, as muitas gráficas precárias, quando nal Ex-. Queremos dar a dimensão do que gio de ser o primeiro jornalista processa- fessor Bernardo Kucinski, que participou de não totalmente improvisadas, que usaram foi a imprensa alternativa na ditadura e do por abusar da “liberdade” de impren- publicações como Opinião, Movimento, Em para reproduzir suas publicações, a vida na continuamos juntando material. Se al- sa em terras nacionais. Tempo e é autor do livro Jornalistas e Revolu- clandestinidade e a implacável persegui- guém tiver coleções particulares e quiser Apesar de conviverem com o fantasma cionários (Scritta Editorial). A saída para ção das forças de repressão. Ainda assim, contribuir pode nos doar o material ou da censura desde aquela época e passarem fazerem oposição intransigente ao regime é apenas uma parte do que foi gravado. A emprestar, para ser digitalizado e micro- por tempos complicados durante o Estado foi buscar novos rumos. Surgia assim a im- íntegra dos testemunhos dá mais de 100 filmado”, informa Ivo Herzog, Diretor do Novo, nenhum período foi tão duro para os prensa que passou a ser conhecida como “al- horas em vídeo em alta definição. De lon- instituto, deixando claro: os objetivos brasileiros quanto o da ditadura militar. ternativa”, “nanica”, “de leitor”, “indepen- ge, o trabalho de maior fôlego já realizado são ainda maiores. Somente nos dez anos em que o AI-5 vigo- dente” ou “underground”. Os nomes são sobre a imprensa alternativa brasileira. E A série de dvds Os Protagonistas desta rou, foram proibidos ou mutilados cerca de variados, mas em geral denotavam produ- que não terminou ainda. História é apenas o primeiro dos vários 500 filmes, 450 peças de teatro, 200 livros, tos com formato menor, às vezes tablóide, “Não conseguimos pegar todos os de- componentes de um projeto mais amplo, dezenas de programas de rádio e televisão, poucos recursos e muita coragem. poimentos que queríamos e, por isso, as o Resistir é Preciso, que o Instituto Vladi- mais de uma centena de entrevistas, mais Mesmo convivendo com enormes di- entrevistas prosseguem. Um dos exem- mir Herzog toca em parceria com outras de 500 letras de músicas, uma dúzia de si- ficuldades, que iam da falta de dinheiro e plos é o núcleo que chamamos de Associ- entidades, como o Centro de Documen- nopses e numerosos capítulos de telenove- estrutura à perseguição, sem exagero foi ação Brasileira de Imprensa, mais corpo- tação e Memória-Cedem, da Universida- las. Isso, segundo números oficiais, que po- o que de melhor aconteceu na imprensa rativo e que reúne importantes publica- de Estadual Paulista-Unesp, o Arquivo dem estar bem aquém da realidade. brasileira dos anos 1970. Sem outros in- Para os jornalistas, a situação não era di- teresses, esses jornais denunciavam siste- ferente. De acordo com o levantamento Bra- maticamente as torturas e violações dos sil: Nunca Mais, os artífices das notícias so- direitos humanos e faziam críticas ao mo- freram 707 processos por terem atentado delo econômico, mesmo em tempos nos contra a Lei de Segurança Nacional. Desses, quais todos louvavam o aparente sucesso 102 contêm, entre outros enunciados, incri- do “milagre”. Além de condenar o triunfa- minação por militância política em organi- lismo que reverberava em outros órgãos zações clandestinas, algumas envolvidas jornalísticos, os alternativos apontavam com a luta armada, tentativas de derrubar o as brechas que, anos mais tarde, levariam regime e construção do ideal socialista. Pelo o País à crise e à superinflação. Apesar de menos 147 jornalistas foram criminalizados serem criticados pelo tom pedagógico e pela Justiça Militar entre 1964 e 1979. dogmático, eles foram os únicos a perce- Jornais clandestinos A censura atingia todos e nem os gran- ber os perigos do crescente endividamen- publicados no exílio: raridades des veículos escapavam. O Estado de S. to externo, ainda em 1973, e o agravamen- que ninguém podia guardar. Paulo e o Jornal da Tarde foram censurados to das mazelas sociais.4 Jornal da ABI 369 Agosto de 2011
  5. 5. A REVELAÇÃO DE PERSONAGENS IGNORADOS As publicações alternativas também pela redemocratização. Não que estives-foram as responsáveis por revelar aos se livre da censura. Pelo contrário, suabrasileiros novos personagens, como primeira capa, sobre a morte de Vladi-bóias-frias, líderes de movimentos po- mir Herzog, foi logo proibida. Tambémpulares, trabalhistas e estudantis, além considerado uma publicação de frentede trazer muita discussão. Bancado por ampla, o novo semanário era mais inci-um empresário, Fernando Gasparian, sivo que Opinião, discutindo inclusiveproduzido por jornalistas profissionais, a revolução brasileira. Mas não valori-protagonizado por intelectuais e secre- zava tanto o lado estético. E quem sofriatamente instruído pelo comitê central mais era a equipe comandada por Elifasda Ação Popular-AP, chegou às bancas em Andreato, que precisava fazer novasoutubro de 1972 um dos representantes ilustrações e até capas em questão demais destacados dos alternativos: o se- minutos quando Brasília devolvia omanário Opinião. material censurado em cima da hora de “Não digo que foi um jornal de es- mandar tudo para a gráfica.querda, mas de centro-esquerda. Capaz Não eram todos os alternativos quede resistir, apontar para a democracia e se caracterizavam pelo discurso ideoló-ser nacionalista”, diz o Editor Raimun- gico. Alguns eram marcados tambémdo Rodrigues Pereira, que já havia criado pelas críticas dos costumes e pela ruptu-antes o Amanhã e passado com destaque ra cultural, investindo contra o autori-pelas revistas Veja e Realidade, antes de as- tarismo e o moralismo das classes médi-sumir o jornal. as. Foi com esses tons que surgiu o Pas- Ao projeto Resistir é Preciso Pereira quim, em 1969. Com linguagem coloqui-contou que, apesar da tensão, aquele foi al e muito humor, em pouco tempo oum tempo de euforia. Quando saiu o pri- jornal se tornou um fenômeno, venden-meiro número do Opinião, ele próprio do mais de 200 mil exemplares em ban-fez questão de pegar um exemplar na grá- ca. A liderança era do cartunista Jaguarfica e sair às ruas para sentir a reação po- e dos jornalistas Tarso de Castro e Sér-pular. Logo de cara, descobriu que os gio Cabral, mas faziam parte da equipeleitores tinham achado o jornal “o má- profissionais como Ziraldo, Henfil,ximo”. Afinal, trazia o nome de Paulo Ivan Lessa e Paulo Francis. Time queFrancis na capa. Aliás, essa mistura de in- tinha no humor sua marca registrada. Atelectuais como Francis, Celso Furtado, única coisa sem graça eram as constan-Antonio Candido e Fernando Henrique tes prisões de seus profissionais.Cardoso, que colaboravam sempre com Numa delas, em novembro de 1970,o jornal, e profissionais da imprensa foi a Redação inteira foi levada para trás dasum dos motivos do sucesso e começo da grades depois que o jornal publicou umaqueda do semanário. Gasparian queria sátira do quadro de Pedro Américo emdar mais voz aos intelectuais. Pereira que Dom Pedro I aparece às margens doqueria um jornal feito por jornalistas. Ipiranga. O que teria irritado os milita-Dessa forma veio a surgir outro impor- res era o balão em que o príncipe grita-tante representante daquele período, va: “Eu quero mocotó!”, refrão de umaMovimento. Já Opinião chegaria até abril música do maestro Erlon Chaves dede 1977. No editorial de seu último nú- grande sucesso na época. O intuito, nomero, 230, o jornal avisava que só vol- entanto, era acabar com o jornal nos doistaria a circular livre da censura e que, se meses em que todos ficaram presos, oas matérias censuradas fossem acrescen- que só não aconteceu porque Millôrtadas às 5.796 páginas impressas, o jor- Fernandes, que escapara à prisão, com anal dobraria seu conteúdo, tendo produ- ajuda de Henfil, Chico Buarque, Antô-zido 10.548 páginas. nio Callado, Rubem Fonseca, Odete Movimento circulou entre 1975 e Lara e Gláuber Rocha, entre outros, evi-1981 e foi considerado o jornal da luta taram. O Pasquim sobreviveu até 1991. Jornal da ABI 369 Agosto de 2011 5
  6. 6. ESPECIAL A IMPRENSA QUE NÃO PERDEU A CAPACIDADE DE SE INDIGNAR País se encontra em meio às discussões sobre A BUSCA DA MEMÓRIA CHEGA À ITÁLIA a formação de sua Comissão da Verdade, ór- gão que já existe em outras 40 nações e que, por aqui, deve ser responsável pela inves- tigação da violação dos direitos humanos Até bem pouco tempo o maior acervo destina o grande inimigo da Pátria. Para as tentativas frustradas, um acordo com o justamente durante a ditadura. sobre a imprensa alternativa no Brasil es- sufocá-la e acabar de vez com suas publi- Cedem da Unesp permitiu que o precio- “Esse é o mal das transições pelo alto, tava no Rio de Janeiro. O Arquivo da cações, além da censura prévia e da prisão so acervo voltasse ao Brasil. Agora, a Uni- negociadas e que permitem injustiças. O Cidade do Rio de Janeiro conta com cer- de suas lideranças, lançaram mão de ou- versidade, que se tornou depositária de Brasil é uma nação que teve nas últimas ca de 800 títulos e coleções parciais ou tros expedientes. Primeiro, combatendo tudo, conta com o patrocínio do Gover- décadas um crescimento exponencial de completas. São jornais e revistas tanto de seus financiadores. Depois, promovendo no Federal e faz um minucioso processo sua população e, por causa disso, tem difi- esquerda, como o Versus, quanto de direi- devassas fiscais nos veículos legalizados. de restauração, catalogação, digitalização, culdade em preservar sua memória ou ta, como O Expresso, publicação financi- Por fim, sendo conivente com uma série nova microfilmagem e disponibiliza mesmo instalar a Comissão da Verdade. ada por empresários paulistas nos anos de atentados a bancas de jornais, que fi- tudo para consulta de pesquisadores. Não Diferente de outras nações latinas, como 1970. Coleção herdada do antigo Centro zeram que os jornaleiros não mais quises- é pouca coisa. São mais de 2 mil títulos de o Uruguai, que há tempos tem seus 3 mi- de Imprensa Alternativa, criado ainda na sem vender esse tipo de publicação. publicações, o maior acervo do gênero no lhões de habitantes e está conseguindo década de 1980, e que sobreviveu até a en- O aperto do cerco também colocou em País. Nem todas são alternativas e muito passar a limpo sua História. Recentemen- chentes. Ainda assim, de todos os perío- risco acervos como o do Instituto Astrojil- menos do período militar. Algumas da- te, seu Congresso anulou a Lei de Anistia dos, o mais incompleto continua sendo o do Pereira, já naquele tempo um dos mais tam do final do século XIX. Por isso, a recíproca, que beneficiava também crimi- mais significativo, que vai do golpe mili- completos centros de documentos da im- equipe do Instituto Vladimir Herzog nosos civis e militares da ditadura. Estamos tar à anistia. prensa alternativa e clandestina. Com a aju- prefere chamá-los de “oprimidos”. Junto no caminho, mas é preciso incentivar a so- “Naquele tempo, ser pego com mate- da do amigo Maurício Martins de Melo e com elas, uma infinidade de cartas, ma- ciedade e reabrir investigações, pois cor- rial subversivo era certeza de prisão e tor- outros contatos no Brasil, Del Roio come- nuscritos, fotos, cartazes e materiais da pos e documentos continuam desapareci- tura. Ninguém arriscava guardar ”, expli- çou a levar todo o material secretamente Internacional Comunista sobre o Brasil. dos”, opina Vladimir Sacchetta, Editor de ca a Diretora Beatriz Kushnir. Dificulda- para o exterior. Mas onde deixá-lo? A prin- Dos tempos da ditadura militar, foi Pesquisa do Resistir é Preciso. “Quando fa- de que não é só de sua instituição. A pró- cípio, a idéia era usar contatos para levar possível salvar cerca de 120 títulos. Mes- miliares recebem autorização para pesqui- pria Biblioteca Nacional também tem pou- tudo para algum país comunista. No entan- mo assim, muita coisa se perdeu, princi- sar nos arquivos da ditadura, devemos co- quíssimos exemplares. Como se estima to, o temor de futuras dificuldades para res- palmente publicações apreendidas ou memorar. Mas não esquecer de que, além que pelo menos 150 títulos tenham sido gatar os arquivos fizeram que optassem por clandestinas. Com exceção de A Voz Ope- da autorização, eles devem ter uma ajuda criados e fechados durante o regime mi- deixar as publicações na Europa Ocidental. rária, do PCB, e A Classe Operária, do PC de custo para passar o tempo que for neces- litar, quando os dirigentes do Instituto E entre Milão e Amsterdã, a escolhida foi do B, o restante eram títulos de que rara- sário vasculhando documentos em Brasí- Vladimir Herzog se reuniram na casa do a cidade italiana, onde funciona a Funda- mente saíam mais que uns poucos núme- lia”, completa. jornalista Fernando Pacheco Jordão para ção Giangiacomo Feltrinelli, que passou a ros. Outro problema é que faltam núme- Outro dos objetivos do Resistir é Pre- dar início ao projeto de recuperar a me- guardar o acervo. ros de algumas coleções. Mas reparar esses ciso é despertar a consciência da socieda- mória daqueles tempos por meio dessa Em pouco tempo, mais material foi che- estragos é outro dos alvos do projeto Re- de para esses fatos. Assim, a série de víde- imprensa e perceberam que estavam di- gando. Melo e Del Roio criaram o Arqui- sistir é Preciso. os dos Protagonistas desta História é um ante de um dilema. vo Histórico do Movimento Operário “Estamos iniciando uma vasta pesqui- passo numa longa caminhada. O próxi- “O fato de não termos esse material Brasileiro e o enriqueceram com os ma- sa nacional, em arquivos públicos e no mo produto a ser lançado, ainda no mês foi decisivo para os 30 anos de atraso”, teriais que tinham em suas mãos e com material das forças gerais da repressão, de outubro, aniversário da morte de Vla- aponta Ivo Herzog. A solução só foi en- outras coleções, como a do também mi- como o do Dops, por exemplo, para ten- dimir Herzog, é um livro em formato contrada quando Sérgio Gomes, veterano litante comunista Roberto Morena. Ta- tar preencher o que falta. Também vamos tablóide, de 200 páginas, com as princi- da imprensa trabalhista dos anos 1970, refa feita, literalmente, via Varig. Princi- iniciar uma campanha institucional para pais capas de jornais alternativos e clan- apresentou ao grupo José Luiz Del Roio. pal companhia brasileira a operar vôos pedir às famílias dos militantes que doem destinos e devidas explicações sobre cada Militante comunista e responsável pelo internacionais na época, era o meio pelo ou emprestem o que tiverem”, acrescen- uma. Ainda este ano, uma exposição deve departamento de imprensa do Partidão na qual conseguiam transportar boa parte ta Del Roio. Uma missão difícil, mas não começar a percorrer os diversos Centros década de 1960, Del Roio participou ati- dos impressos. impossível. Ainda mais para quem tem Culturais do Banco do Brasil, espalhados vamente da criação da ALN. Já exilado, “Fazia amizade com funcionários da uma experiência de 34 anos na área. pelo País. colaborou com a imprensa no Peru, no companhia na Itália e eles me indicavam Também já está programada a realiza- Chile e, finalmente, na Itália, onde foi pilotos que tinham inclinações políticas UMA NOVA HISTÓRIA ção de dez documentários sobre a im- radialista por duas décadas e chegou a ser mais à esquerda e que topassem nos ajudar Coincidência ou não, o fato é que o Re- prensa perseguida para a televisão, que senador. Em meio a tantas atividades foi a coletar os materiais”, lembra Del Roio. sistir é Preciso é lançado em um momen- serão exibidos pela TV Brasil e pela Cul- sua a iniciativa de montar uma verdadeira Em 1979, veio a anistia, mas Del Roio to que o Brasil tenta reescrever sua histó- tura. Aprovado pela Ancine, o projeto operação de guerra para salvar os arquivos resolveu ficar mais tempo no Velho Mun- ria recente. Há forte pressão interna e ex- está em fase de captação de recursos. Por da imprensa clandestina e alternativa do. Soltou cartas circulares e começou a terna para que a Presidente Dilma Rous- fim, outros livros devem sair. Um com a brasileira durante os anos de chumbo. fazer campanhas públicas para que exila- seff revogue a parte da Lei da Anistia de reprodução de cartazes, folders e docu- “Como atuei fazendo a ponte no exte- dos e outras pessoas que tivessem docu- 1979 que protege torturadores e autores de mentos que contam a denúncia dos cri- rior para muitas organizações de esquerda mentos, cartazes e publicações brasilei- crimes como execuções, seqüestros e estu- mes da ditadura militar brasileira no ex- brasileiras, era natural que recebesse suas ras ou feitas por brasileiros no exterior pros. Em outra frente, o Senado discute terior, resgatando as atividades de milha- publicações. Não jogava nada fora e fui pudessem doá-las. Dois anos depois, mi- nova lei que trata do sigilo de documentos res de exilados e das redes que lhes davam colecionando”, conta Del Roio. Em 1975, crofilmou tudo – procedimento que ga- oficiais. Modificações feitas na Câmara apoio em países como Estados Unidos, após a crise provocada pela morte de Vla- rante uma vida útil de mais 500 anos aos dos Deputados impuseram um período Suécia, França e os da América Latina que dimir Herzog nos porões da ditadura, papéis – e guardou uma cópia num cofre máximo de 50 anos para que um documen- não estavam debaixo dos coturnos mili- apenas isso já não era suficiente. A partir forte. A ditadura se aproximava do fim, to possa permanecer em sigilo, prazo que tares. Prova de que, mesmo depois de mais daí e até o fim da censura, os militares agonizava, mas ainda inspirava cuidados. muitos consideram excessivo. Diante de três décadas da anistia, ainda é preci- elegeram a imprensa alternativa e clan- No fim dos anos 1990, depois de vári- desses debates, não dá para esquecer que o so lutar.6 Jornal da ABI 369 Agosto de 2011
  7. 7. interessados. As matérias ocupavam DEPOIMENTOS EMOCIONADOS F OTOS N IVALDO H ONÓRIO DA S ILVA um quarto de página, para que o jornal pudesse ser dobrado e lido no ônibus. Uma criação fantástica do Reynaldo Jardim e que contou com um forte apoio: a música do Caetano Todos os depoimentos colhidos para o projeto Resistir é Preciso foram carregados Veloso. Ele diz que foi coincidência de emoção e relatam lembranças de luta e oposição a um regime que não tinha respei- falar sobre ‘o Sol nas bancas de revista’, mas usamos a canção. Além to pelo cidadão e pela diferença de idéias. A seguir alguns trechos: do mais, ele namorou e casou com uma de nossas repórteres. Foi ali que me tornei craque em dar títulos,ZIRALDO ALVES PINTO acordo de suma importância com o Le fazendo as chamadas da primeiraPINTOR, CARICATURISTA, CHARGISTA, ESCRITOR, Monde. O material internacional nem página. E também em cobrar, mesmoJORNALISTA, CARTAZISTA E TEATRÓLOGO. FOI UM sempre era tão importante, mas dava quando nossos repórteres iam àsDOS FUNDADORES DO PASQUIM. peso ao Opinião. Não queríamos ser manifestações e ficavam participando “A tensão com os censores era vistos como um bando de garotos, só delas. Uma vez, houve uma rebeliãoconstante. Mandávamos três, quatro para tomar porrada da ditadura. Uma em Volta Redonda e os operáriosnúmeros do Pasquim de uma vez vez, eu mesmo levei o jornal para a foram confinados. Disfarçado, umpara a Delegacia Política, com coisas sede da Polícia Federal. Quando voltei com o Eduardo Galeano e um olhar repórter conseguiu entrar. Mas só saiumais complicadas, na esperança de para pegá-lo, estava todo cortado. Não para a América Latina. Era o suficiente preso. Quando voltou, contou a saga,que cortassem essas e deixassem dava para fazer nada com o que para fazer um jornal revolucionário mas não teve jeito. Precisávamospassar o que de fato queríamos. Mas voltou. Eles não queriam evitar que que funcionaria como uma elipse, fechar e ele teve que escrever asempre procurávamos aliviar o clima. publicássemos algumas coisas. uma parábola. Falávamos da América matéria em 20 minutos.”Certa vez, eram três professoras que Queriam destruir o projeto. O major, Latina, da morte de um índio no Peru,nos censuravam. Estava na Itália e inclusive, aconselhou-me: “Desistam mas estávamos nos referindomandei um cartão para elas, com a e vão para a clandestinidade. Assim, também ao brasileiro. A repressão nãoestátua David, do Michelangelo, de farão o que querem”. Não aceitei e fui incomodou por muito tempo, poiscostas, só aparecendo a bunda. buscar mais material na Redação para combatiam apenas ataques diretos.“Mandei assim, porque se mandar de eles. Não iríamos disputar no campo Quando compreenderam nossafrente, é capaz de vocês mandarem de jogo deles, onde não tínhamos estratégia, passaram a conspirarcortar o pinto”, escrevi, brincando. qualquer chance.” DÁCIO NITRINI E MYLTAINHO abertamente contra o Versus.Uma exceção foi um general-censor Tínhamos um amigo infiltrado naque nos protegia. Ficava na praia e o RAIMUNDO RODRIGUES PEREIRA tinha convidado vários Chefes de Receita Federal e ele nos avisou paraIvan Lessa levava o jornal para ele lá. EDITOR DA REVISTA MENSAL RETRATO DO BRASIL, Estado. Como era de praxe, uma que nos preparássemos: eles fariamSó cortava piadas que não gostava. FOI UM DOS PRINCIPAIS NOMES DA IMPRENSA equipe vinha antes dos Estados uma devassa no jornal, procurando“Essa, Ivan, vou censurar. Está uma ALTERNATIVA DURANTE A DITADURA MILITAR. Unidos, para checar todas as registros e livros contábeis. Disse quebosta, sem graça. Vou mandar uma FUNDOU E EDITOU OPINIÃO E DEPOIS CRIOU E condições. E pegou o Ex- nas bancas. poderia segurar por 30 dias aquilo,anedota que eu tenho para vocês. É DIRIGIU MOVIMENTO. Eu, o Sérgio e o Narciso Kalili fomos não mais. Bateu o pânico. Masbem melhor”, dizia ele. Hoje, dá para “Imprensa e democracia são presos por desrespeito a Chefe de produzimos os livros. Bem, eramrir. Mas naquele tempo precisava ser inseparáveis. Não é possível ter um Estado de nação amiga, algo que nem exercícios de ficção contábil, mas tudocorajoso. Mas não acho que fomos regime avançado socialmente sem existia na Lei de Segurança Nacional.” bem. Quando os agentes chegaram,heróis. Era da natureza da profissão. pessoas bem informadas. Que ficaram surpresos. Mas na madrugadaEstávamos conscientes de que não participem de forma mais consciente. MYLTON SEVERIANO (MYLTAINHO) do mesmo dia que foram lá,podíamos fazer apenas cartuns. Esse pensamento foi a mola TRABALHOU EM IMPORTANTES JORNAIS E REVISTAS desconhecidos invadiram eVivíamos um momento histórico. Até propulsora da criação dos jornais DE SÃO PAULO E EM EMISSORAS DE TELEVISÃO. depredaram nossa Redação. Deixaram THEREZINHA ZERBINIhoje, conheço pessoas que se Opinião e Movimento. Opinião FEZ PARTE DA EQUIPE DOS ALTERNATIVOS O o recado, pichado na parede: ‘Fora ADVOGADA, FUNDOU O MOVIMENTO FEMININOarrependem por passar esse período chegou a ser o segundo semanário BONDINHO E EX-, E ATUALMENTE ESCREVE UM comunistas’. E roubaram aqueles PELA ANISTIA E O JORNAL BRASIL MULHER PARAsem tentar o enfrentamento.” do Brasil, concorrendo com a revista LIVRO SOBRE A REVISTA REALIDADE. livros. Tudo muito estranho. Até hoje SER O PORTA-VOZ DESSE MOVIMENTO. Veja. Seu maior capital era humano. “Naquele tempo fizemos várias me pergunto se toda a aventura que “Não fui contra a luta feminista no Tínhamos correspondentes publicações alternativas. O Grilo era vivemos foi sonho ou realidade.” jornal. Mas naquele momento, em estrangeiros como o Paulo Francis e uma revistona em quadrinhos, que a causa era maior e precisávamos intelectuais de peso como Fernando formato tablóide, que abriu espaço ANA ARRUDA CALLADO vencer um inimigo maior, a ditadura, Henrique Cardoso, Celso Furtado e para os melhores artistas e cartunistas PRIMEIRA MULHER A OCUPAR O CARGO DE CHEFE precisávamos de união. Um povo Antonio Cândido. Já Movimento da época. Um sonho, já que não DE REPORTAGEM EM UM GRANDE JORNAL DIÁRIO: O brigava para se libertar. Por isso, surgiu a partir de uma frente muito tinham mais espaço na grande DIÁRIO CARIOCA. EM O SOL FOI EDITORA-CHEFE. usamos para o nome de um jornal, ampla. E soube aproveitar muito bem imprensa. Já o Bondinho nasceu “Fazer uma escola, uma faculdade, Maria Quitéria. Queríamos provocar as disputas pelo poder dentro do como revista de serviços, para ser com um jornal de verdade, que os milicos e eles não podiam fazer meio militar. A dissidência da distribuída dentro das lojas do Pão de formasse jornalistas. Essa era a nada. Ela foi uma guerrilheira, mas das repressão, aqueles que eram contra a Açúcar. Mas deu tão certo que, um proposta de O Sol. Quando tropas nacionais. Sabia que lidava com candidatura do Figueiredo, começou a ano depois, ao fim do contrato, houve divulgamos essa idéia na Rádio gente poderosa. Em 1970, quando nos passar informações, escândalos e uma assembléia com todo mundo Nacional, em 1967, houve muitos voltava de Campos do Jordão, denúncias. Um absurdo. As duas que fazia a revista e a ala à esquerda estudantes universitários almoçava com meu marido, o General publicações fizeram história e do grupo aprovou que fosse para as Euryclides Zerbini, originaram muitas outras, como o Em bancas. Virou uma revista de cassado após o golpe, Tempo, o Amanhã, a Hora do Povo. contracultura. Em toda essa trajetória, e com minha filha. As Sobretudo o Movimento era muito o momento de maior emoção se deu forças de repressão querido. Numa ocasião, a nata da depois da morte do Vladimir Herzog. entraram em casa de MPB – Chico, Elis Regina e João Mas havia também muito medo, metralhadoras nas Bosco, entre outros – fizeram um pavor até. Quando surgiu a notícia de mãos, para me levar.TONICO FERREIRA show no Corinthians, em apoio à que faríamos reportagem investigando Meu marido chegou aJORNALISTA DA TV GLOBO, COMEÇOU A CARREIRA publicação. Quando o jornal fechou, o que aconteceu, choveu voluntários discutir e questionar oQUANDO ESTUDAVA ARQUITETURA, NA FACULDADE todo mundo chorou.” para ajudar, muitos de fora do nosso que era aquilo. O outroDE ARQUITETURA E URBANISMO-FAU DA jornal. Mas ao sair a matéria, a reação oficial disse que eramUNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. EM 1972, DÁCIO NITRINI foi outra: pais vinham pessoalmente coisas que não eramTRABALHOU NA REVISTA REALIDADE; DEPOIS DIRETOR DE JORNALISMO DA TV GAZETA, cancelar a ficha de assinatura da do tempo dele. AcalmeiCRIOU OS JORNAIS OPINIÃO E MOVIMENTO. PARTICIPOU DAS PUBLICAÇÕES O GRILO E EX- E revista que os filhos haviam feito. os ânimos, convidando-“Éramos um grupo de jornalistas aqui FOI O ORGANIZADOR DA COLEÇÃO FAC-SIMILAR DO Faziam questão não apenas de os para sentar emem São Paulo, principalmente da JORNAL LANÇADA PELA IMPRENSA OFICIAL. cancelar, mas de pegar a ficha e nossa sala, tomar umEditora Abril, que estava tentando “O Jornalivro surgiu como idéia do picotar. Tudo por causa do medo de cafezinho, comeralguma coisa. Ganhávamos bem, mas Sérgio de Souza e era um livro serem associados com a subversão.” bolinhos e brincar comnão estávamos satisfeitos. Então, impresso como jornal. E melhor: o cachorro. Enquantocomeçamos a nos reunir na casa do como dizia o slogan, a preço de OMAR DE BARROS FILHO (MATICO) isso, eu subi para meRaimundo Pereira e fazer projetos. Um banana. Depois fizemos O Grilo e o JORNALISTA, CINEASTA E EDITOR DO SITE VIDA arrumar e acompanhá-deles se chamou ‘Assunto’, já tínhamos Ex-. Foi aí que aconteceu um dos POLÍTICA. DIRIGIU, AO LADO DE MARCOS FAERMAN, los. Se fosse eu no momentos inesquecíveis do jornal. O JORNAL VERSUS. lugar deles não teriaaté boneco. Mas só deu certomesmo com a ponte que o Fernando Em janeiro de 1974, demos como “O Versus foi um jornal que nasceu deixado. Do jeito queGasparian, que estava em Londres, capa uma fotomontagem que da cabeça de um repórter. No fim de eu era meio louca,fez com o pessoal lá de fora, como mostrava o Nixon vestido de 1974, começo de 1975, Marcos poderia ter tentadoBernardo Kucinski. Conseguimos um presidiário. Geisel ia tomar posse e Faerman sai do Ex- e leva o contato alguma coisa.” Jornal da ABI 369 Agosto de 2011 7
  8. 8. ESPECIAL A IMPRENSA QUE NÃO PERDEU A CAPACIDADE DE SE INDIGNAR RICARDO MARANHÃO chamado Lula ajudou-nos, já em 1977. reescrevia e repassava ao dirigente PROFESSOR DE GASTRONOMIA NA UNIVERSIDADE Ele chamou o Laerte para fazer um para revisarem. Nunca soube onde ANHEMBI-MORUMBI. FOI UM DOS FUNDADORES trabalho para o Sindicato dos era a gráfica. Mesmo assim, certa vez, DO JORNAL ESTUDANTIL AMANHÃ. Metalúrgicos. Queria jornais diferentes, pedi documentos falsos para mim e “Naquele tempo, ninguém entrevistava um para cada fábrica, com as toda a família. Eles iam a uma garagem o Leonel Brizola. Mas nós, do Amanhã, necessidades específicas. Mas uma de ônibus, diziam que tinham perdido resolvemos que faríamos. Eu e uma revista qualificada para todas. Quem documento na linha e o fiscal deixava moça, foca do jornal, fomos disse que operários não são entrar na cabine e procurar à vontade. RUTH LEAL TEGON E MARCO ANTÔNIO MOURO designados para a missão. Como não conscientes e politizados?” Aí era só encontrar alguém com o tínhamos dinheiro, fomos de carona mesmo perfil e idade. Fiquei uns oito ponto de encontro, pontualmente? verde?’. Como dizer a eles que eram até o Uruguai. Brizola estava isolado FRANKLIN DE SOUZA MARTINS anos com a família nessa Deixava para lá e ia embora.” os hematomas e sinais da tortura?” num apartamento em Atlântida, JORNALISTA E SOCIÓLOGO, TRABALHOU NA REDE clandestinidade, fazendo jornais para cidadezinha balneária perto de Colônia. GLOBO, BANDEIRANTES E FOI MINISTRO DA o PCdoB e outros.” MARIA AMÉLIA DE ALMEIDA TELES CRIMÉIA DE ALMEIDA E vigiado pela Polícia Federal brasileira COMUNICAÇÃO SOCIAL DO GOVERNO LULA. (AMELINHA) DIRIGE UMA ORGANIZAÇÃO NÃO-GOVERNAMENTAL e pela polícia uruguaia. Mas ninguém MILITOU EM ORGANIZAÇÕES COMO MR-8 E CESAR AUGUSTO TELES INTEGRANTE DA COMISSÃO DE FAMILIARES DE QUE SE DEDICA À BUSCA DE DESAPARECIDOS mais estava com saco para aquilo. ALIANÇA LIBERTADORA NACIONAL-ALN E FOI MILITANTE DO PCDOB, COMANDOU A GRÁFICA MORTOS E DESAPARECIDOS POLÍTICOS. AO LADO POLÍTICOS. FOI UMA DAS PRIMEIRAS MILITANTES DA Todos estavam cheios daquela rotina e MENTOR DO SEQÜESTRO DO EMBAIXADOR NORTE- QUE IMPRIMIA A CLASSE OPERÁRIA, PRIMEIRO NO DO MARIDO, CÉSAR, E DA IRMÃ, CRIMÉIA, FOI PRESA GUERRILHA DO ARAGUAIA E MUDOU-SE PARA SÃO a vigília estava meio bagunçada. Em AMERICANO CHARLES B. ELBRICK. RIO, DEPOIS EM SÃO PAULO. PRESO PELO DOI- NA DÉCADA DE 1970 POR CAUSA DE SUA INTENSA PAULO EM MISSÃO, PARA MORAR COM A IRMÃ meio a um desses desencontros, “Fala-se muito no seqüestro do CODI, AO LADO DA MULHER E DA CUNHADA, FOI PARTICIPAÇÃO NA IMPRENSA COMUNISTA CLANDESTINA. AMELINHA E O CUNHADO CÉSAR, RESPONSÁVEIS subimos até o apartamento. O homem embaixador norte-americano, mas CONDENADO A CINCO ANOS DE PRISÃO. “Não podíamos militar mais do que PELA GRÁFICA CLANDESTINA DO PCDOB. SEU falava loucamente, coisa que não fazia penso que conseguimos também “Quem dava suporte às atividades da três anos em atividades de imprensa. FILHO, JOÃO, NASCEU NA PRISÃO. há tempos. Ao lado dele, um ex- uma vitória contra a censura. Com a Guerrilha do Araguaia, no campo, era a Se não haveria prejuízo mental e físico. “Estava morando há pouco tempo em deputado, cassado depois do golpe, leitura do manifesto, pela primeira vez cidade. Nós por exemplo, fazíamos A Por causa do estresse e pressão São Paulo. Recebi uma missão do acompanhava tudo. De repente, a censura era quebrada, o primeiro Classe Operária e mantínhamos psicológica e de respirar tinner da tinta partido e saí do Araguaia para fazer ouvimos três tiros lá fora. O ex- habeascorpus eficiente depois do AI-5. contato com o exterior. Tinha todos os em que eram impressos os jornais. contatos. Aí fomos presos pelos Doi- deputado se jogou no chão e saiu O problema foi na hora de assinar o endereços na Europa, para os quais O César teve tuberculose por causa Codi. O policial me pegou pelos levantando uma arma. Brizola manifesto. Que nome usar? Aí surgiu a mandava correspondência, na disso. Em 1972, quando ele recebia cabelos e começou a estapear meu permaneceu sereno. E eu e a menina, idéia do MR-8, Movimento memória, para que não caíssem em alta do sanatório, os policiais nos rosto. Estava grávida de sete meses. Já apavorados. De repente, um homem, Revolucionário 8 de Outubro, a data da mãos erradas. Todo cuidado era cercaram e começaram a gritar: na prisão, o médico oficial do Exército cara de capanga, entra por uma porta morte de Che Guevara. Não éramos pouco. Ia entregar um pacote de ‘Terroristas! Terroristas!”. Fomos presos se recusou a fazer meu parto. Por lateral, revólver em punho: “Matei o guevarianos, mas esse era o nome de jornal? Levava numa sacola, com frutas no Doi-Codi. Quando nossos filhos conta de tudo o que tinha passado, Castelo Branco, matei o Castelo uma organização do Rio que fora em cima. Qualquer coisa, tinha ido à nos viram, perguntaram: ‘Mamãe, estava com problema e lhe disse que Branco’. Brizola pediu para o homem desbaratada pela Polícia algum tempo feira. E se o contato não estivesse no porque você está azul e o papai, meu filho poderia morrer. O homem se acalmar. Aí ele contou: ouviu no antes. Usar o nome era uma forma de rádio a notícia de que o Presidente desmoralizar a Polícia Política, que se tinha morrido num acidente e estava vangloriava de ter desarticulado o comemorando. Em seguida, grupo. A ação foi bem sucedida, mas participamos de um senhor churrasco ali. A entrevista ficou sensacional, mas nunca foi publicada. Quando voltamos, o jornal foi fechado.” nunca mais fui autorizado a entrar nos Estados Unidos. Ano passado, estive com o atual embaixador norte- americano e ele se ofereceu para O COMEÇO DA QUEDA DA DITADURA arrumar as coisas. Mas disse que não Quando o Diretor de Jornalismo da TV Cultu- aceitaria se fosse só para mim e não ra de São Paulo Vladimir Herzog, o Vlado, compa- para os outros. Apesar de não poder, receu ao Doi-Codi, no dia 25 de outubro de 1975, não quer dizer que não estive por lá. julgava que daria seu depoimento e seria liberado Em 1976, estive em Nova York com em seguida. Mas isso não aconteceu. Depois de um passaporte falso. Ia ter um uma brutal sessão de espancamento, o jornalista congresso do MR-8 no Brasil e eu estava na Europa. Consegui uma não resistiu: morreu na prisão. Mesmo com enor- passagem de Bruxelas para Lima, no mes contradições, os militares insistiram na ver- Peru. Mas havia a conexão nos são de que Vlado se suicidara, enforcado com a pró- Estados Unidos. Cheguei no aeroporto pria gravata. Foi o suficiente para gerar uma onda e logo fui abordado por dois caras. de protestos da imprensa em todo o mundo, mo- Achei que estivessem oferecendo táxi, vimento que impulsionou fortemente a abertura hotel. Dispensei. Que nada, eram do brasileira, com o fim da censura e a aprovação da FBI. Perguntaram para onde estava anistia. Mas toda essa mobilização só foi possível indo, se tinha outros documentos. por conta da ação da imprensa alternativa no Brasil. Gelei. Tentei humanizar a situação, tirar Agora, três décadas depois, o projeto Resistir é Pre- aquela aura de autoridade. Comecei a SERGIO GOMES falar sobre mulheres. Aliás, ia para lá ciso ouviu jornalistas que viveram diretamente JORNALISTA, MILITANTE E DIRIGENTE DO PCB, para encontrar com uma peruana aqueles dias de agitação e que contaram como a TRABALHOU EM GRANDES JORNAIS E FUNDOU maravilhosa, Dolores, e esperava não tragédia foi enfrentada. PUBLICAÇÕES COMO A PRENSA, O BALÃO E VOZ voltar. No final, eles me desejaram “Naquele tempo, eu morava em Ribeirão Pre- DA UNIDADE. INTEGROU A EQUIPE QUE CRIOU A sorte e que, realmente, não voltasse to e ia a pé para o jornal. No caminho, havia uma OBORÉ, EMPRESA QUE ORGANIZOU QUASE 300 mais, ficasse por lá. Fiquei nos Estados banca e eu passava nela para ‘lamber a cria’, quer DEPARTAMENTOS DE IMPRENSA DE ENTIDADES Unidos por oito horas.” dizer, folhear o jornal do dia”, conta José Hamil- SINDICAIS DOS TRABALHADORES. ton Ribeiro. Mas nesse dia o que chamou a aten- “Muita gente dizia que a imprensa CARLOS AZEVEDO ção do premiado jornalista foi a manchete estam- JORNALISTA, TRABALHOU EM O ESTADO DE S.PAULO, então Diretor de Cultura do Sindicato dos Jorna- legal, como a feita pelos centros QUATRO RODAS, REALIDADE E NO GLOBO RURAL. pada pela Folha da Tarde: Comunista se suicida na listas de São Paulo. acadêmicos, não tinha valor. Só valia a clandestina. Mas em 1972 fizemos um FEZ O JORNAL LIBERTAÇÃO, DA AP, A CLASSE prisão. “O Vlado tinha se suicidado na prisão? Não Como estopim do movimento e chamando jornal-mural chamado A Ponte, que OPERÁRIA, DO PCDOB, MOVIMENTO E, JÁ podia acreditar naquilo. Liguei na hora para o Au- todos para as manifestações, o Sindicato lançou reuniu 20 centros acadêmicos da Usp. LEGALIZADO, TRIBUNA DA LUTA OPERÁRIA, dálio Dantas e ele pediu que eu viesse para São uma edição especial do jornal Unidade, com a capa A música era a trilha musical da nossa TAMBÉM COMUNISTA. ESTÁ LANÇANDO O LIVRO Paulo. Larguei tudo e viajei no mesmo dia. Era um toda preta, uma pequena ilustração embaixo, com atividade política. No caso, o nome do JORNAL MOVIMENTO, UMA REPORTAGEM. tempo de agitação e todo mundo esperava para gri- o nome Vlado ao lado, e a chamada: Nosso medo, jornal veio dos versos de uma música “A militância na Ação Popular não era tar, chorar, espernear”, lembra. nossa coragem, nossa fé. do Maurício Tapajós e do Paulo Sérgio fácil. Lembro que fomos distribuir A morte foi divulgada num sábado. No domin- “Foi uma edição histórica. A grande imprensa Pinheiro, Pesadelo: ‘Quando um muro jornais durante um 1º de Maio na go, o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo rea- só deu a versão oficial, mas os jornais alternati- separa, uma ponte une’. Mas nossa Praça da Sé e saí para buscar bolinha lizava uma assembléia informal, fazendo a pri- vos denunciaram a situação ao mundo. A ditadura grande escola foi o movimento de gude e uns tacos com pregos. meira denúncia das prisões arbitrárias que eram estava perdida, com sua farsa desmascarada e a po- operário. No mesmo ano, a diretoria do Nunca se sabia quando teria Sindicato dos Têxteis nos chamou para enfrentamento. Ao voltar já estava praticadas contra jornalistas e do assassinato de dridão aparecendo. Não tenho dúvida de que foi fazer os materiais deles e lançar uma uma batalha e o palanque estava em Vlado. “Tudo isso era contrário à própria Lei de Se- o ponto alto de nossa luta”, afirma Audálio Dan- publicação. Mas o que fazer? chamas. Fazer os jornais também não gurança Nacional. Foi uma convocação histórica. tas, Presidente do Sindicato na época. Descobrimos que as mulheres liam era simples. As reuniões de pauta Recebemos muita colaboração espontânea e, a fotonovelas e tentamos ilustrações. Os aconteciam em cemitérios, bares, partir dali, mesmo com receio, o movimento cres- SERVIÇO www.resistirepreciso.org.br homens não compreenderam. No fim, campos de futebol e andando, na rua. ceu e culminou com o culto ecumênico da Sé, o ato Para solicitar a íntegra de qualquer um dos aprendemos a escrever com os Ali um dirigente passava o que a que marcou o começo da queda da ditadura”, recor- depoimentos, envie um e-mail para ouvidos, aprendendo sem arrogância direção queria, Eu distribuía as pautas, da o também jornalista Fernando Pacheco Jordão, protagonistas@vladimirherzog.org com a realidade deles. Um cara dava prazo, recebia de volta,8 Jornal da ABI 369 Agosto de 2011

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