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Arcadismo ou Neoclassicismo(anos 1700 )Naquele tempo...Século XVIII - Século das LuzesProgressivo descrédito das monarqui...
Pensamento da épocaIluminismo: O uso da razão como meio para satisfazer asnecessidades do homem. Os movimentos pela indep...
Os pensadores quedefendiam estes ideaisacreditavam que opensamento racionaldeveria ser levadoadiante substituindo ascrença...
MONTESQUIEUCriticou os costumes deseu tempo e defendeu,como meio para garantir aliberdade, a divisão dopoder político em t...
VOLTAIREDefendia aliberdade depensamento e dereligião.“Posso nãoconcordarcom nenhuma daspalavrasque você diz, masdefendere...
O Homem nasce boma sociedade é quem o corrompe
O Arcadismo no Brasil tem seu surgimento marcado pordois aspectos centrais. De um lado, o dualismo dosescritores brasileir...
Rua São José
QUANTO À FORMA QUANTO AO CONTEÚDOVocabulário simples PastoralismoFrases na ordem direta BucolismoAusência quase total de f...
Cláudio Manuel da Costa
Destes penhascos fez a naturezaO berço em que nasci: oh! quem cuidaraQue entre penhas tão duras se criaraUma alma terna, u...
Estes os olhos são da minha amada,Que belos, que gentis e que formosos!Não são para os mortais tão preciososOs doces fruto...
Quem deixa o trato pastoril, amado,Pela ingrata, civil correspondência,Ou desconhece o rosto da violência,Ou do retiro a p...
Torno a ver-vos, ó montes; o destinoAqui me torna a pôr nestes oiteiros;Onde um tempo os gabões deixei grosseirosPelo traj...
Delegação poética de um estado pastorilSou pastor: não te nego; os meus montadosSão esses que aí vês; vivo contenteAo traz...
Paráfrase dos textos clássicos.Faz a imaginação de um bem amadoQue nele se transforme o peito amante;Daqui vem que a minha...
Tomás Antônio Gonzaga
Marília de DirceuDuas tendências coexistem nas liras de Gonzaga:a contenção e o equilíbrio neoclássicos, com a utilização...
A obra se divide em duas partes:1ª parte: contém os poemas escritos na época anterior à prisão deGonzaga. Nela predominam ...
Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,que viva de guardar alheio gado,de tosco trato, de expressões grosseiro,dos frios gelo...
Minha bela Marília, tudo passa;A sorte deste mundo e mal segura;Se vem depois dos males a ventura,Vem depois dos prazeres ...
Eu, Marília, não fui nenhum Vaqueiro,fui honrado Pastor da tua Aldeia;vestia finas lãs e tinha semprea minha choça do prec...
N esta triste masmorra,De um semivivo corpo sepultura,Inda, Marília, adoroA tua formosura.Amor na minha idéia te retrata;B...
Enternece-se Amor de estrago tanto;Reclina-me no peito, e com mão ternaMe limpa os olhos do salgado pranto.Depois que repr...
A POESIA SATÍRICA DETOMÁS ANTÔNIO GONZAGACARTAS CHILENAS
Cartas Chilenas são poemas satíricos, emversos decassílabos brancos, quecircularam em Vila Rica poucos anos antesda Inconf...
São uma coleção de treze cartas,assinadas por Critilo e endereçadas a Doroteu,residente em Madri.é um habitante de Santiag...
Não cuides, Doroteu, que brandas penasMe formam o colchão macio e fofo;Não cuides que é de paina a minha fronhaE que tenho...
Aquele, Doroteu, que não é santo,Mas quer fingir-se santo aos outros homens,Pratica muito mais, do que praticaQuem segue o...
Basílio da Gama – O Uraguai
O Uraguai (1769)Basílio da GamaModelo camoniano· cinco cantos· sem divisão estrófica· versos decassílabos brancos(sem rima...
O Uraguai é um poema épico escrito por Basílio daGama em 1769, conta de forma romanceada a históriada disputa entre jesuít...
Este lugar delicioso e triste,Cansada de viver, tinha escolhidoPara morrer a mísera Lindóia.Lá reclinada, como que dormia,...
Nos olhos Caitutu não sofre o pranto,E rompe em profundíssimos suspiros,Lendo na testa da fronteira grutaDe sua mão já trê...
O CaramuruFrei José de Santa Rita Durão
O Caramuru (1781)O poema de Santa Rita segue o modelo camoniano:organização em dez cantos;estrofes de oito versos;esque...
Caramuru é um poema épico do frei Santa Rita Durão,escrito em 1781.O poema conta a história de Diogo Álvares Correia, oCar...
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  1. 1. Arcadismo ou Neoclassicismo(anos 1700 )Naquele tempo...Século XVIII - Século das LuzesProgressivo descrédito das monarquiasabsolutas;decadência da aristocracia feudal;crescimento do poder da burguesia;Revolução Industrial inglesa;Revolução Francesa.
  2. 2. Pensamento da épocaIluminismo: O uso da razão como meio para satisfazer asnecessidades do homem. Os movimentos pela independência doBrasil, como a Inconfidência Mineira, por exemplo, inspiraram-nasnas idéias iluministas.Laicismo: Estado e igreja devem ser independentes, e as funções doEstado, como a política, a economia, a educação, exercidas por leigos.Liberalismo: ideologia política que defende os sistemasrepresentativos, os direitos civis e a igualdade de oportunidades paraos cidadãos.* três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário* Constituição* Todos estão sob a leiEmpirismo: corrente filosófica que atribui à experiência sensível aorigem de todo conhecimento humano.
  3. 3. Os pensadores quedefendiam estes ideaisacreditavam que opensamento racionaldeveria ser levadoadiante substituindo ascrenças religiosas e omisticismo, que, segundoeles, bloqueavam aevolução do homem. Ohomem deveria ser ocentro e passar a buscarrespostas para asquestões que, até então,eram justificadas somentepela fé.
  4. 4. MONTESQUIEUCriticou os costumes deseu tempo e defendeu,como meio para garantir aliberdade, a divisão dopoder político em trêspartes:LEGISLATIVO,EXECUTIVO eJUDICIÁRIO.
  5. 5. VOLTAIREDefendia aliberdade depensamento e dereligião.“Posso nãoconcordarcom nenhuma daspalavrasque você diz, masdefendereiAté a morte odireito de vocêdizê-las”.
  6. 6. O Homem nasce boma sociedade é quem o corrompe
  7. 7. O Arcadismo no Brasil tem seu surgimento marcado pordois aspectos centrais. De um lado, o dualismo dosescritores brasileiros do século XVIII, que, ao mesmotempo, seguiam os modelos culturais europeus e seinteressavam pela natureza e pelos problemas específicosda colônia brasileira; de outro, a influencia das idéiasiluministas sobre nossos escritores e intelectuais, queacarretou o movimento da Inconfidência Mineira e suastrágicas implicações: prisão, morte, exílio, enforcamento.
  8. 8. Rua São José
  9. 9. QUANTO À FORMA QUANTO AO CONTEÚDOVocabulário simples PastoralismoFrases na ordem direta BucolismoAusência quase total de figuras delinguagemFugere urbem(fugir da cidade)Manutenção do verso decassílabo, dosoneto e de outras formas clássicasAurea mediocritas(vida simples)Elementos da cultura greco-latina (deuses pagãos)Convencionalismo amoroso(pseudônimos)Idealização amorosaRacionalismoIdéias iluministasCarpe diem (viver o presente)
  10. 10. Cláudio Manuel da Costa
  11. 11. Destes penhascos fez a naturezaO berço em que nasci: oh! quem cuidaraQue entre penhas tão duras se criaraUma alma terna, um peito sem dureza!Amor, que vence os tigres, por empresaTomou logo render-me; ele declaraContra meu coração guerra tão raraQue não me foi bastante a fortaleza.Por mais que eu mesmo conhecesse o danoA que dava ocasião minha brandura,Nunca pude fugir ao cego engano;Vós que ostentais a condição mais dura,Temei, penhas, temei: que Amor tiranoOnde há mais resistência mais se apura.
  12. 12. Estes os olhos são da minha amada,Que belos, que gentis e que formosos!Não são para os mortais tão preciososOs doces frutos da estação dourada.Por eles a alegria derramadaTornam-se os campos de, prazer gostosos.Em zéfiros suaves e mimososToda esta região se vê banhada.Vinde olhos belos, vinde, e enfim trazendoDo rosto do meu bem as prendas belas,Dai alívio ao mal que estou gemendo.Mas ah! delírio meu que me atropelas!Os olhos que eu cuidei que estava vendo,Eram (quem crera tal!) duas estrelas.
  13. 13. Quem deixa o trato pastoril, amado,Pela ingrata, civil correspondência,Ou desconhece o rosto da violência,Ou do retiro a paz não tem provado.Que bem é ver nos campos, trasladadoNo gênio do Pastor, o da inocência!E que mal é no trato, e na aparênciaVer sempre o cortesão dissimulado!Ali respira Amor sinceridade;Aqui sempre a traição seu rosto encobre;Um só trata a mentira, outro a verdade.Ali não há fortuna que soçobre;Aqui quanto se observa é variedade:Oh! ventura do rico! oh! bem do pobre!
  14. 14. Torno a ver-vos, ó montes; o destinoAqui me torna a pôr nestes oiteiros;Onde um tempo os gabões deixei grosseirosPelo traje da Corte rico, e fino.Aqui estou entre Almendro, entre Corino,Os meus fiéis, meus doces companheiros,Vendo correr os míseros vaqueirosAtrás de seu cansado desatino.Se o bem desta choupana pode tanto,Que chega a ter mais preço, e mais valia,Que da cidade o lisonjeiro encanto;Aqui descanse a louca fantasia;E o que té agora se tornava em pranto,Se converta em afetos de alegria.
  15. 15. Delegação poética de um estado pastorilSou pastor: não te nego; os meus montadosSão esses que aí vês; vivo contenteAo trazer entre a relva florescenteA doce companhia de meus gados.Oposição cidade x campoJá me enfado de ouvir este alaridoCom que se engana o mundo em seu cuidado;Quero ver entre as peles e o cajadoSe melhora a fortuna de partido
  16. 16. Paráfrase dos textos clássicos.Faz a imaginação de um bem amadoQue nele se transforme o peito amante;Daqui vem que a minha alma deliranteSe não distingue já do meu cuidado.Evoca o célebre soneto de Camões, que assim se inicia:Transforme o amador na cousa amada,Por virtude de tanto imaginar;Não tenho logo mais que desejar,Pois em mim tenho a parte desejada.
  17. 17. Tomás Antônio Gonzaga
  18. 18. Marília de DirceuDuas tendências coexistem nas liras de Gonzaga:a contenção e o equilíbrio neoclássicos, com a utilização de todos oslugares-comuns do Arcadismo: um pastor, uma pastora, o campo, aserenidade da paisagem principal.o emocionalismo pré-romântico, na expressão pungente da criseamorosa e, posteriormente a prisão, da crise existencial do poeta.O sujeito lírico é o pastor Dirceu, que confessa seu amor pela pastoraMarília. Eis a convenção neoclássica realizada, Mas é evidente que nospastores se projeta o drama amoroso vivido por Gonzaga e MariaDorotéia. A todo momento a emoção rompe o véu da estilizaçãoarcádica, brotando, dessa tensão, uma poesia de alta qualidade.
  19. 19. A obra se divide em duas partes:1ª parte: contém os poemas escritos na época anterior à prisão deGonzaga. Nela predominam as composições convencionais: opastor Dirceu celebra a beleza de Marília em pequenas odesanacreônticas. Em algumas liras, entretanto, as convenções maldisfarçam a confissão amorosa do amor: a ansiedade de umquarentão apaixonado por uma adolescente; a necessidade demostrar que não é um qualquer e que merece sua amada; osprojetos de uma sossegada vida futura, rodeado de filhos e bemcuidado por sua mulher etc.2ª parte: escrita na prisão da ilha das Cobras. Os poemasexprimem a solidão de Dirceu, saudoso de Marília. Nestasegunda parte, encontramos a melhor poesia de Gonzaga. Asconvenções, embora ainda presentes, não sustentam o equilíbrioneoclássico. O tom confessional e o pessimismo prenunciam oemocionalismo romântico..
  20. 20. Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,que viva de guardar alheio gado,de tosco trato, de expressões grosseiro,dos frios gelos e dos sóis queimado.Tenho próprio casal e nele assisto;dá-me vinho, legume, fruta, azeite;das brancas ovelhinhas tiro o leite,e mais as finas lãs, de que me visto.Graças, Marília bela.graças à minha Estrela!
  21. 21. Minha bela Marília, tudo passa;A sorte deste mundo e mal segura;Se vem depois dos males a ventura,Vem depois dos prazeres a desgraça.Estão os mesmos DeusesSujeitos ao poder do impio Fado:Apolo já fugiu do Céu brilhante,Já foi Pastor de gado.A devorante mão da negra MorteAcaba de roubar o bem, que temos;Até na triste campa não podemosZombar do braço da inconstante sorte.
  22. 22. Eu, Marília, não fui nenhum Vaqueiro,fui honrado Pastor da tua Aldeia;vestia finas lãs e tinha semprea minha choça do preciso cheia.Tiraram-me o casal e o manso gado,nem tenho, a que me encoste, um só cajado.Para ter que te dar, é que eu queriade mor rebanho ainda ser o dono;prezava o teu semblante, os teus cabelosainda muito mais que um grande Trono.Agora que te oferte já não vejo,além de um puro amor, de um são desejo.(...)
  23. 23. N esta triste masmorra,De um semivivo corpo sepultura,Inda, Marília, adoroA tua formosura.Amor na minha idéia te retrata;Busca extremoso, que eu assim resistaA dor imensa, que me cerca, e mata.Quando em meu mal pondero,Então mais vivamente te diviso:Vejo o teu rosto, e escutoA tua voz, e riso.Movo ligeiro para o vulto os passos;Eu beijo a tíbia luz em vez de face;E aperto sobre o peito em vão os braçosConheço a ilusão minha;A violência da magoa não suporto;Foge-me a vista, e caio,Não sei se vivo, ou morto.
  24. 24. Enternece-se Amor de estrago tanto;Reclina-me no peito, e com mão ternaMe limpa os olhos do salgado pranto.Depois que representoPor largo espaço a imagem de um defunto,Movo os membros, suspiro,E onde estou pergunto.Conheço então que amor me tem consigo;Ergo a cabeça, que inda mal sustento,E com doente voz assim 1he digo:"Se queres ser piedoso,Procura o sítio em que Marília mora,Pinta-1he o meu estrago,E vê, Amor, se chora.Se lágrimas verter, se a dor a arrasta,Uma delas me traze sobre as penas,E para alívio meu só isto basta."
  25. 25. A POESIA SATÍRICA DETOMÁS ANTÔNIO GONZAGACARTAS CHILENAS
  26. 26. Cartas Chilenas são poemas satíricos, emversos decassílabos brancos, quecircularam em Vila Rica poucos anos antesda Inconfidência Mineira, em 1789.Revelando seu lado satírico, num tommordaz, agressivo, jocoso, pleno de alusõese máscaras, o poeta satiriza ferinamente amediocridade administrativa, os desmandosdos componentes do governo, o governadorde Minas e a Independência do Brasil.
  27. 27. São uma coleção de treze cartas,assinadas por Critilo e endereçadas a Doroteu,residente em Madri.é um habitante de Santiago do Chile (naverdade Vila Rica), narra os desmandosdespóticos e narcisistas do governador chilenoFanfarrão Minésio (na realidade, LuísdaCunha de Meneses, governador de Minasaté a Inconfidência Mineira).
  28. 28. Não cuides, Doroteu, que brandas penasMe formam o colchão macio e fofo;Não cuides que é de paina a minha fronhaE que tenho lençóis de fina holanda,Com largas rendas sobre os crespos folhos;Custosos pavilhões, dourados leitosE colchas matizadas, não se encontramNa casa mal provida de um poeta,Aonde há dias que o rapaz que serveNem na suja cozinha acende o fogo.Mas, nesta mesma cama, tosca e dura,Descanso mais contente, do que dormeAquele, que só põe o seu cuidadoEm deixar a seus filhos o tesouroQue ajunta, Doroteu, com mão avara,Furtando ao rico e não pagando ao pobre.Aqui... mas onde vou, prezado amigo?Deixemos episódios que não servem,E vamos prosseguindo a nossa história.
  29. 29. Aquele, Doroteu, que não é santo,Mas quer fingir-se santo aos outros homens,Pratica muito mais, do que praticaQuem segue os sãos caminhos da verdade.Mal se põe nas igrejas, de joelhos,Abre os braços em cruz, a terra beija,Entorta o seu pescoço, fecha os olhos,Faz que chora, suspira, fere o peito,E executa outras muitas macaquicesEstando em parte onde o mundo as veja.Assim o nosso chefe, que procuraMostrar-se compassivo, não descansaCom estas poucas obras: passa a dar-nosDa sua compaixão maiores provas.
  30. 30. Basílio da Gama – O Uraguai
  31. 31. O Uraguai (1769)Basílio da GamaModelo camoniano· cinco cantos· sem divisão estrófica· versos decassílabos brancos(sem rimas)· dez cantos· estrofes de oitava rima· esquema de rimasABABABCC
  32. 32. O Uraguai é um poema épico escrito por Basílio daGama em 1769, conta de forma romanceada a históriada disputa entre jesuítas, índios (liderados por SepéTiaraju) e europeus (espanhóis e portugueses) nosSete Povos das Missões, no Rio Grande do Sul.O poema épico trata da expedição mista deportugueses e espanhóis contra as missões jesuíticasdo Rio Grande, para executar as cláusulas do Tratadode Madrid, em 1756. Tinha também o intuito dedescrever o conflito entre ordenamento racional daEuropa e o primitivismo do índio.
  33. 33. Este lugar delicioso e triste,Cansada de viver, tinha escolhidoPara morrer a mísera Lindóia.Lá reclinada, como que dormia,Na branda relva e nas mimosas flores,Tinha a face na mão e a mão no troncoDum fúnebre cipreste, que espalhavaMelancólica sombra. Mais de pertoDescobrem que se enrola no seu corpoVerde serpente, e lhe passeia e cingePescoço e braços, e lhe lambe o seio.Fogem de a ver assim sobressaltadosE param cheios de temor ao longe;E nem se atrevem a chamá-la e tememQue desperte assustada e irrite o monstro,E fuja, e apresse no fugir a morte.
  34. 34. Nos olhos Caitutu não sofre o pranto,E rompe em profundíssimos suspiros,Lendo na testa da fronteira grutaDe sua mão já trêmula gravadoO alheio crime, e a voluntária morte.E por todas as partes repetidoO suspirado nome de Cacambo.Inda conserva o pálido semblanteUm não sei quê de magoado, e triste,Que os corações mais duros enternece.Tanto era bela no seu rosto a morte!
  35. 35. O CaramuruFrei José de Santa Rita Durão
  36. 36. O Caramuru (1781)O poema de Santa Rita segue o modelo camoniano:organização em dez cantos;estrofes de oito versos;esquema de rimas: ABABABCC.A estrutura é a tradicional: proposição, invocação, dedicatória,narração e epílogo.O tema – a colonização da Bahia no século XVI
  37. 37. Caramuru é um poema épico do frei Santa Rita Durão,escrito em 1781.O poema conta a história de Diogo Álvares Correia, oCaramuru, náufrago português que viveu entre os índios. Olivro alude também a sua esposa, Catarina Paraguaçu,como visionária capaz de prever as futuras guerras contraos holandeses.O livro segue a inspiração de Luís Vaz de Camões,utilizando-se de mitologia grega, sonhos e previsões, masainda assim tem grande valor por incluir informações sobreos povos indígenas brasileiros O livro relata toda atrajetória de Caramuru, assim relatando com maisintensidade muitos fatos da história brasileira.

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