Projecto pgbe florinda_almeida

480 views

Published on

Projeto do curso

Published in: Education
0 Comments
0 Likes
Statistics
Notes
  • Be the first to comment

  • Be the first to like this

No Downloads
Views
Total views
480
On SlideShare
0
From Embeds
0
Number of Embeds
2
Actions
Shares
0
Downloads
0
Comments
0
Likes
0
Embeds 0
No embeds

No notes for slide

Projecto pgbe florinda_almeida

  1. 1. INSTITUTO POLITÉCNICO DE BEJA ESCOLA SUPERIOR DE EDUCAÇÃO CURSO DE FORMAÇÃO E ESPECIALIZAÇÃO EM BIBLIOTECAS ESCOLARES Unidade Formativa de Projecto “DESENVOLVIMENTO DA LITERACIA DA INFORMAÇÃO NA BIBLIOTECAESCOLAR EM ARTICULAÇÃO COM A ÁREA DE PROJECTO - ALUNOS DO 2º CICLO” Florinda da Glória Azevedo Fialho Almeida Beja 2009 1
  2. 2. INSTITUO POLITÉCNICO DE BEJA ESCOLA SUPERIOR DE EDUCAÇÃO CURSO DE FORMAÇÃO E ESPECIALIZAÇÃO EM BIBLIOTECAS ESCOLARES Unidade Formativa de Projecto “DESENVOLVIMENTO DA LITERACIA DA INFORMAÇÃO NA BIBLIOTECAESCOLAR EM ARTICULAÇÃO COM A ÁREA DE PROJECTO - ALUNOS DO 2º CICLO” Florinda da Glória Azevedo Fialho Almeida Orientadores: Dalila Coelho João Fernandes Beja 2009 2
  3. 3. Barco que não tem rumo, nunca se sabe se tem vento a favor. Provérbio popular 3
  4. 4. RESUMO A BE ocupa uma centralidade na vida da escola que não pode ser ignoradapelos docentes enquanto recurso fundamental para o desenvolvimento decompetências de literacia da informação nos seus alunos. No nosso estudoprocuramos conhecer a articulação entre os docentes do 2º ciclo que leccionam aÁrea de Projecto e a BE. Assim, apresentamos a revisão da literatura incidindo sobreconceitos como literacia de informação, papel da escola e da biblioteca escolar, Áreade Projecto, articulação curricular e trabalho colaborativo. A questão central do estudo"Como pode a Biblioteca Escolar promover, em articulação com os docentes de Áreade Projecto, o desenvolvimento da literacia da informação nos alunos do 2º ciclo?"decorreu da necessidade de compreender os motivos por que os docentes de Área deProjecto do 2º ciclo não utilizam o recurso BE com os seus alunos; quais as acções aimplementar para promover a utilização da BE no apoio ao currículo e nodesenvolvimento da literacia da informação, através da articulação com a sala de aulae de que forma a Área de Projecto pode contribuir para a mudança de atitude dosprofessores e dos alunos face à BE. Na fase de diagnóstico aplicamos dois inquéritospor questionário (aos docentes que leccionam Área de Projecto no 2º ciclo e aosalunos deste ciclo) que nos permitirão obter respostas para a questão enunciada. ___________________________________________________________ Palavras-chave: Biblioteca Escolar Área de Projecto Literacia da informação Articulação Curricular 4
  5. 5. ABREVIATURASBE Biblioteca EscolarPEE Projecto Educativo de EscolaPCT Projecto Curricular de TurmaPCA Projecto Curricular de AgrupamentoALA American Library AssociationIFLA International Federation of Library Associations and InstitutionsUNESCO United Nations Educational, Scientific and Cultural OrganizationPAA Plano Anual de ActividadesSLMS School Library Media SpecialistsCEF Curso de Educação e FormaçãoRBE Rede de Bibliotecas Escolares 5
  6. 6. Índice GeralINTRODUÇÃO.............................................................................................................. 7CAPÍTULO I – Enquadramento Teórico ...................................................................... 10 I.1. Literacia da informação ..................................................................................... 10 I.2. A BE e a Articulação Curricular ......................................................................... 13 I.3. A BE e sua articulação com a Área de Projecto ................................................ 17 I.4. O Trabalho Colaborativo ................................................................................... 19CAPÍTULO II – CONTEXTUALIZAÇÃO DO PROJECTO ........................................... 23 II.1 - Caracterização do Meio Envolvente ................................................................ 23 II.2 - Caracterização da instituição .......................................................................... 25CAPÍTULO III – ENQUADRAMENTO METODOLÓGICO ........................................... 33 III.1 - Identificação da questão de partida................................................................ 33 III.2 - Apresentação e justificação das metodologias de recolha de dados .............. 35 III.3 - Descrição e justificação do(s) instrumento(s) de recolha de dados ................ 37 III.4 - Explicitação dos procedimentos de aplicação do(s) instrumento(s) de recolha de dados ................................................................................................................. 43Bibliografia .................................................................................................................. 58Webliografia................................................................................................................ 60Legislação .................................................................................................................. 63 Índice de figurasFigura 1: Planta da BE ................................................................................................ 29 Índice de QuadrosQuadro 1: Desenho Curricular do segundo ciclo ......................................................... 32Quadro 2: Modelo de Análise do Questionário aos docentes que leccionam Área deProjecto – 2º ciclo ....................................................................................................... 38Quadro 3: Modelo de Análise – Questionário aos alunos de 2º ciclo .......................... 41 6
  7. 7. INTRODUÇÃO As pessoas dotadas de competências de informação são aquelas que aprenderam a aprender. Sabem como aprender porque sabem como o conhecimento está organizado, como encontrar e usar informação de modo a que outros possam aprender a partir dela. São pessoas que estão preparadas para uma aprendizagem ao longo da vida, porque conseguem encontrar a informação que necessitam para realizar qualquer tarefa ou tomar uma decisão. (American Library Association,1989) A emergência da Sociedade da Informação e do Conhecimento confrontou aescola com novos desafios. Estes novos desafios comportam, a nível educativo,implicações organizacionais, implicações metodológicas e, consequentemente, autilização de recursos educativos que promovam a articulação dos diferentes saberes.Uma perspectiva de acção educativa a implicar o desenvolvimento de competênciasque vão além da mera apreensão de conteúdos programáticos, uma acção educativaque promova o desenvolvimento de competências de pesquisa, selecção,processamento e comunicação da informação (Conde, 2006). Tais competênciaspermitirão ao aluno mobilizar conhecimentos e saberes que são fundamentais para aresolução de problemas em situação escolar, mas também numa perspectiva deaprendizagem ao longo da vida. É neste sentido que a biblioteca escolar (BE) tem umpapel preponderante - na resposta a estas novas exigências que a sociedade dainformação aporta: Numa sociedade onde se privilegia o acesso público, gratuito e equitativo à informação, é agora também lançado um novo desafio às bibliotecas: o de apoiar os utilizadores na conversão em conhecimento, ou seja, em informação útil, prática e aplicável, toda a informação a que têm acesso, cada vez mais, através do desenvolvimento de tecnologias, designadamente a Internet. (Amândio, M. s/d) O apoio ao currículo é ainda uma das funcionalidades que a BE oferece. Odesenvolvimento da literacia da informação (que comporta consigo o desenvolvimentoda capacidade de “aprender a aprender”) é um pilar da formação dos alunos e daaprendizagem ao longo da vida e um pilar na missão da BE: “A biblioteca escolarproporciona informação e ideias fundamentais para sermos bem sucedidos na 7
  8. 8. sociedade actual, baseada na informação e no conhecimento” (Directrizes daIFLA/UNESCO para Bibliotecas Escolares, http://www.rbe.min-edu.pt). “A literacia deinformação é um conjunto de competências de aprendizagem e pensamento críticonecessárias para aceder, avaliar, e usar a informação de forma eficiente. Estudantescom elevada literacia de informação têm a capacidade não só de navegar por umagrande variedade de sistemas de pesquisa de informação, mas também avaliá-los eseleccioná-los. Compreendem como a informação está organizada, o que podefacilitar a sua forma de encontrar a informação” (http://site.b-on.pt). As competências envolvidas no “aprender a aprender” deverão orientar otrabalho pedagógico e deverão ser assumidas como estruturantes de todas asaprendizagens que os alunos efectuarão ao longo do seu percurso escolar. Esteprincípio pressupõe uma forte articulação a nível dos documentos orientadores deescola, pelo que, o seu Projecto Educativo (PEE), eixo estruturante das aprendizagenscurriculares da escola, deverá considerar e integrar, na sua concepção, o Plano Anualde Actividades da BE. A relevância das questões relativas ao papel da BE nodesenvolvimento das competências dos alunos na sociedade da informação e doconhecimento tornam actual e pertinente este estudo. Esta asserção é sustentada porTomé (2008:2): “A Biblioteca Escolar, centro de recursos informacionais e parteintegrante do processo de ensino-aprendizagem é, enquanto estrutura educativa,responsável, em grande medida, pela promoção e desenvolvimento desta literaciaabrangente”, leia-se Literacia da Informação. Este estudo surgiu inerente ao contexto onde nos encontramos a trabalhar.Actualmente desempenhamos a função de Coordenador da Biblioteca Escolar eentendemos que, a articulação entre o professor bibliotecário e os docentes, éfundamental para que os alunos utilizem adequadamente os recursos que a BE lhesoferece, facilitando o desenvolvimento da literacia da informação. O presente relatórioencontra-se organizado em três partes: no primeiro capítulo, dedicado aoenquadramento teórico, procuraremos identificar os descritores que nos permitirãoidentificar o estado da arte relativa à importância da BE no percurso escolar dosalunos e a necessidade de articulação deste recurso com a sala de aula, no caso donosso estudo, através da área curricular não disciplinar de Área de Projecto. Nosegundo capítulo procederemos à contextualização do projecto através daapresentação da caracterização do meio envolvente, da instituição e da população-alvo; no terceiro capítulo efectuaremos o enquadramento metodológico, com aidentificação da questão de partida, a apresentação e justificação das metodologias derecolha de dados, a descrição e justificação dos instrumentos de recolha de dados e, 8
  9. 9. finalmente, procederemos à explicitação dos procedimentos de aplicação dosinstrumentos de recolha de dados. 9
  10. 10. CAPÍTULO I – Enquadramento Teórico O presente estudo enquadra-se na relação da BE com as estruturas, actores enecessidades escolares. De acordo com Almeida (2006), a complexidade de serdocente não se centra unicamente na problemática do ensinar/aprender: nas tomadasde decisão curriculares e pedagógicas têm que se considerar também as mudançasque se operam e que interferem na vivência educativa. A BE ocupa, actualmente, umacentralidade na vida da escola que não pode ser ignorada pelos docentes. Numrelatório efectuado por um grupo de trabalho no ano de 1996 (Veiga et al, 1996, cit.por Conde, 2006:90) as bibliotecas escolares são apresentadas como “recursosbásicos do processo educativo, sendo-lhes reconhecido um papel central nosdomínios da leitura e da literacia, da aquisição das competências de informação e doaprofundamento da cultura em geral”. Quanto às novas áreas não disciplinares(Dec.Lei 6/2001), estas concederam aos actores educativos um espaço dedesenvolvimento de competências que ajudam o aluno a adquirir métodos paraorganizar os seus trabalhos, a desenvolver a sua capacidade de autonomia e, ainda, arealizar as suas próprias aprendizagens através da metodologia do trabalho deprojecto. A partir de uma breve revisão da literatura, apresentamos abordagens aoconceito de literacia de informação, ao papel da escola e da biblioteca escolar e àÁrea de Projecto (área curricular não disciplinar), à articulação curricular e ao trabalhocolaborativo, uma vez que são descritores determinantes para a compreensão daproblemática enunciada.I.1. Literacia da informação Um dos conceitos que entrou na esfera do quotidiano dos profissionais daeducação é o conceito de literacia. Este surge, por vezes, associado a outros que lhesão próximos, como, por exemplo, literato. O Dicionário Priberam de LínguaPortuguesa atribui a esta palavra, enquanto primeira acepção, “aquele que é versadoem letras ou em literatura”. Todavia, o termo “é uma tradução directa do termo literateda língua inglesa com o significado de pessoa que sabe aplicar as competências deliteracia que adquiriu” (http://www.redem.org ). 10
  11. 11. Uma perspectiva que já se aproxima do termo literacia, que “foi alargado paraabranger as capacidades e competências envolvidas na descoberta, selecção, análise,avaliação e armazenamento da informação, e no seu tratamento e uso,independentemente dos códigos ou técnicas envolvidos” (Vieira, 2008:193). Essealargamento aproxima-o de um conceito que, actualmente, entrou na esfera doconhecimento, isto é, o termo literacia da informação, que, de acordo com a AmericanLibrary Association (ALA, 1989) se traduz na competência de um “indivíduo ser capazde reconhecer quando a informação é necessária, e ter as capacidades para alocalizar, avaliar e usar eficazmente". Esta ideia é reforçada por Cardoso (2006:40, cit.por Vieira, 2008:194) ao referir que, (…) um indivíduo literato deve ser capaz de determinar o tipo de informação de que necessita, de ter acesso a ela de modo eficaz e avaliar criticamente a informação e as suas fontes. Essa informação deverá ser integrada na base de conhecimento do indivíduo, com vista à prossecução de determinados objectivos e à compreensão das dimensões socio- económicas, legais e éticas que condicionam o seu uso. Ainda nesta linha de pensamento, Pacheco (s/d) refere que a literacia dainformação “consiste num conjunto de competências que permitem reconhecer anecessidade de informação e actuar de forma eficiente para suprir essa necessidade,obtendo informação, avaliando-a e revendo o processo de pesquisa”. Identificam-se,nestas acepções, pontos comuns que se reportam às competências essenciais queum indivíduo deverá desenvolver para ser considerado “info-literato”. Um contributo importante para a compreensão e definição da nossaproblemática reporta-se a alguns estudos que se têm realizado a nível internacional,concretamente o estudo PISA1 de 2006. O objectivo deste estudo é determinar em quemedida os alunos são capazes de “aplicarem os seus conhecimentos e analisarem,raciocinarem e comunicarem com eficiência, à medida que colocam, resolvem einterpretam problemas numa variedade de situações concretas” permitiu-nospercepcionar que “os resultados obtidos pelo nosso país nas diversas áreas avaliadassão muito baixos e revelam consistentemente a existência de dificuldades prolongadas1 Segundo o Gabinete de Avaliação Educacional (GAVE), “O estudo PISA foi lançado pela OCDE (…) em1997. Os resultados obtidos nesse estudo permitem monitorizar, de uma forma regular, os sistemaseducativos em termos do desempenho dos alunos, no contexto de um enquadramento conceptual aceiteinternacionalmente. O PISA procura medir a capacidade dos jovens de 15 anos para usarem osconhecimentos que têm de forma a enfrentarem os desafios da vida real, em vez de simplesmente avaliaro domínio que detêm sobre o conteúdo do seu currículo escolar específico”. 11
  12. 12. na aquisição dos conhecimentos e capacidades básicos de leitura, de matemática e deciências” (www.spm.pt). O que será o mesmo que assumir que, os alunos do nossopaís, ainda não desenvolveram as competências necessárias de literacia dainformação. Com o advento das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC),“tornam-se (…) necessárias novas competências, não só de descodificação, como deselecção crítica e de interpretação”. Como referimos, estas competênciasinformacionais requerem um tipo de aprendizagem específico, centrado no aluno. Comefeito, a orientação política sobre a educação no século XXI e a aprendizagem aolongo da vida, refere a necessidade da transição do “conhecimento” para a“competência” e do ensino para a aprendizagem, colocando o aluno no centro dasaprendizagens. Esta perspectiva de aprendizagem implica que, desde os primeirosanos de escolaridade, os indivíduos devem "aprender a aprender” numa lógica deaprendizagem ao longo da vida (Comissão Europeia, 2001).Consideremos ainda, que o novo paradigma digital introduziu novidades no ensino, epor extensão no papel da BE. As TIC introduziram alterações que permitiram, porexemplo, a emergência de novos modelos de leitura (o hipertexto) em rede, abertos edescontínuos, que permitem “ao leitor um acesso ao mesmo tempo fragmentado earticulado a outros trechos de texto, o que independe do suporte em que a informaçãoé publicada” (D’Andréa, 2009). Actualmente, os alunos efectuam as suas leiturasmaioritariamente em ecrãs com suporte de imagem. Realizam leituras fragmentadas,curtas, que exigem um esforço mínimo de atenção e de concentração. Na Internet, oaluno acede à informação e à leitura eficaz dos textos, o que pressupõe o uso dacompetência leitora. Estas constatações remetem para uma questão essencial: osprofessores das diferentes áreas curriculares, e particularmente os docentes queleccionam a área de projecto, devem orientar o trabalho dos alunos considerando asmudanças que se produziram na nossa sociedade, nomeadamente a níveltecnológico, e integrar essas tecnologias nas suas práticas pedagógicas. É aqui que aBE assume um papel determinante, ao proporcionar aos docentes e aos alunos, arealização de trabalhos de pesquisa, de selecção, organização e comunicação dainformação, através da utilização dos recursos que lhes oferece. Como referimos, os ambientes digitais em que os alunos se movemactualmente, exigem competências de investigação, de construção, de informação ede comunicação. Além disso, na World Wide Web circulam depósitos de informaçõesdispersas sob uma forma fragmentada, de qualidade, muitas vezes, duvidosa e emrenovação permanente. Os alunos precisam de conhecer os mecanismos de avaliação 12
  13. 13. e selecção da informação: As diferentes literacias, entre as quais a Literacia daInformação, alicerçam-se em competências básicas, mas também em outras maiscomplexas, adquiridas no âmbito da leitura e análise da informação. Esta constataçãopressupõe que os alunos aprendam a mobilizar determinadas competênciasessenciais, isto é, através da formação em literacia de informação, os alunos:  Ficarão mais autónomos nas pesquisas e na avaliação dos recursos de informação  Desenvolverão a capacidade de desenvolver um pensamento crítico sobre a informação que encontram  Desenvolverão trabalhos com maior grau de autoridade e incluindo recursos relevantes  Familiarizar-se-ão com as questões éticas e legais que envolvem a informação. (http://site.b-on.pt) Como nota final, refira-se que Pacheco (s/d:1) constatou a seguinte evidência: É comum encontrar definições que entendem a literacia da informação como a fusão ou integração de várias literacias ou multiplicidade de termos relacionados por vezes sinónimos: competências informacionais, literacia da informática e das tecnologias, dos media, da comunicação, ciberliteracia, etc. Para alguns autores, apesar de todos estes aspectos, na sua essência, a terminologia é sinónimo de formação bibliográfica ou formação de utilizadores na biblioteca. O mesmo será dizer que a BE assume, nos nossos dias, um papeldeterminante na formação dos alunos em qualquer tipo de literacia. E o mesmo serádizer que a articulação com os diferentes actores educativos e a BE é absolutamentepertinente.I.2. A BE e a Articulação Curricular Só é possível conhecer se eu desdobrar a questão em análises específicas, e só é possível tornar essas análises operativas na compreensão se eu for capaz, de novo, de as articular umas com as outras. (Roldão, 2002: parágrafo 21) A operacionalização de processos de articulação curricular deve ocorrer aonível dos conteúdos das diferentes áreas curriculares quer na sua dimensão vertical 13
  14. 14. (entre ciclos/anos de escolaridade) quer na sua dimensão horizontal, a nível da turma(Costa, Ventura e Dias, 2002). Mas, quando falamos de articulação curricular referimo-nos, também, à cooperação que deverá existir na escola entre as diferentes estruturas(conselho de docentes da educação pré-escolar e 1º ciclo, departamentos curricularese conselhos de turma) e os docentes com o objectivo de adequar o currículo àsnecessidades e interesses dos alunos. Estas “aprendizagens pretendidas” (Roldão,1999:29) são o conteúdo do Projecto Curricular de Escola (PEE),2 um documento queconsagra a orientação educativa da escola, elaborado e aprovado pelos seus órgãosde administração e gestão para um horizonte de três anos, no qual se explicitam osprincípios, os valores, as metas e as estratégias segundo os quais a escola se propõecumprir a sua função educativa (Decreto-Lei n.° 115-A/98; 75/2008). O enquadramentosubstantivo da BE no PEE é determinante para a assunção de uma cultura de escolaque integre as práticas lectivas nas práticas proporcionadas pela BE. E este aspecto écontemplado num decreto-lei anterior ao acima referido, o Decreto-Lei nº 43/89, de 3de Fevereiro, que promulgava no seu preâmbulo: A autonomia da escola concretiza-se na elaboração de um projecto educativo próprio, constituído e executado de forma participada, dentro de princípios de responsabilização dos vários intervenientes na vida escolar e de adequação a características e recursos da escola e às solicitações e apoios da comunidade em que se insere. Antúnez et al. (1991:20-21, cit. por Leite, Gomes e Fernandes, 2001: 12)afirmam que o PEE é “um contrato que compromete e vincula todos os membros dacomunidade educativa numa finalidade comum sendo o resultado de um consenso aque se chega depois de uma análise de dados, de necessidades e de expectativas(...)”; conferindo assim, um sentido e coerência às acções. Preconiza-se, portanto,uma organização da educação, em que a escola surge como espaço privilegiado,nuclear, mesmo, do processo educativo. O decreto-lei 75/2008 (artº 9º -1-a) valoriza aautonomia pedagógica e administrativa, factores que requerem a construção de umprojecto educativo, com uma filosofia de escola subjacente, que considerecaracterísticas próprias do território educativo, dos seus agentes, do envolvimentodestes e sua responsabilização em todo o processo de construção do PEE, definidono referido decreto-lei como:2 “(…)as estruturas de orientação educativa constituem formas de organização pedagógica da escola, tendo em vistaa coordenação pedagógica e necessária articulação curricular na aplicação dos planos de estudo, bem como oacompanhamento do percurso escolar dos alunos ao nível de turma, ano ou ciclo de escolaridade em ligação com ospais e encarregados de educação. Enquanto estruturas de gestão intermédia, desenvolvem a sua acção numa base decooperação dos docentes entre si e destes com os órgãos de administração e gestão da escola, assegurando aadequação do processo de ensino e aprendizagem às características e necessidades dos alunos que a frequentam”.(Decreto Regulamentar n.° 10/99 de 21 de Julho - Competências das estruturas de orientação educativa, inhttp://www.netprof.pt/netprof/servlet/getDocumento?TemaID=NPL030104&id_versao=5962 ) 14
  15. 15. (…) o documento que consagra a orientação educativa do agrupamento de escolas ou da escola não agrupada, elaborado e aprovado pelos seus órgãos de administração e gestão para um horizonte de três anos, no qual se explicitam os princípios, os valores, as metas e as estratégias segundo os quais o agrupamento de escolas ou escola não agrupada se propõe cumprir a sua função educativa. Carvalho et al (1997) consideram que o projecto de escola constitui a espinhadorsal dessa autonomia, seu fundamento e seu reflexo. A articulação da BE com aescola far-se-á nesta lógica de integração da filosofia e princípios orientadores doPEE. O próprio Plano de Actividades da Biblioteca Escolar deverá ser elaborado apartir de uma avaliação de necessidades e interesses da sua população escolar e ser,também ele, a espinha dorsal das aprendizagens a realizar na escola. Ora, a articulação é a dificuldade sempre recorrente e, de acordo com Costa,Ventura e Dias, (2002:87) “a consecução de mecanismos de articulação curricularcontinua a ter sérias dificuldades em se situar ao nível do “núcleo mais duro” docurrículo – os conteúdos disciplinares – continuando a situar-se preferencialmente noâmbito (…) novas áreas curriculares”. Este campo curricular relativamente novo “abrecaminho” à legitimação da BE, da sua integração na escola e no processo de ensino-aprendizagem: um processo baseado no trabalho colaborativo, no trabalho em equipa,um trabalho que promove a construção do conhecimento e que desenvolve a literaciada informação. Relembremos ainda a legitimação pelo Manifesto da Biblioteca Escolar(IFLA/UNESCO, 1999:1): “A Biblioteca Escolar proporciona informação e ideiasfundamentais para sermos bem sucedidos na sociedade actual, baseada nainformação e no conhecimento (…) desenvolve nos alunos competências para aaprendizagem ao longo da vida e estimula a imaginação, permitindo-lhes tornarem-secidadãos responsáveis (…) pensadores críticos e utilizadores efectivos da informaçãoem todos os suportes e meios de comunicação”. É a assunção da BE, centrada noutilizador, a requerer que as questões da filosofia e cultura de escola sejam bemdefinidas no seu projecto. Deste modo, a BE poderá desempenhar cabalmente a sua“função de apoio ao conjunto de acções a desenvolver, quer no contexto de projectosde natureza interdisciplinar e transdisciplinar, quer no das aprendizagens específicasno âmbito das várias disciplinas” (Conde, 2006:42). De acordo com Eisenberg (2002, para.4) “The library media program ensuresthat students "are effective users of ideas and information." Esta constatação tornaclara a importância do papel da BE, do seu PAA em articulação com o currículoescolar e ainda, o papel do professor bibliotecário, na asserção seguinte: “The 15
  16. 16. statement should also frame the library programs most important contributions, ortangible outputs, to student education: information literacy instruction, readingadvocacy, and information management. School librarians teach meaningfulinformation and technology skills that can be fully integrated with the regular classroomcurriculum. They advocate reading through guiding and promoting it. And they manageinformation services, technologies, resources, and facilities” (idem, para.5). A questão sobre como trabalhar a articulação entre a BE e a sala de aula éapresentada por Dubanaza e Karlsson (2006:5) “In the collegial collaborative approachteachers work together with the teacherlibrarian to design learning activities, giveguidance, and assess different aspects of the curriculum. An important element in thisstrategy is defining the role of he teacher, who has specialist knowledge in a particularfield, and the teacherlibrarian, who has knowledge of the available teaching andlearning resources”. Um aspecto central na referida questão da articulação curricularreporta-se, à colaboração entre os pares “Collaboration means more than making useof the school library on an ad hoc basis. Instead, it involves joint planning,implementing and assessing”, (idem) que abordamos também no nosso trabalho. Em síntese, as BEs estão hoje no centro de mudanças introduzidas, em parte,pelo paradigma tecnológico e, por outro lado, pelas exigências da sociedade dainformação e do conhecimento. As BEs do passado eram repositórios livrescos, hoje,assumem-se como espaços de aprendizagem e construção efectiva do conhecimento.A articulação entre o currículo escolar e a BE torna-se fundamental nodesenvolvimento das diferentes literacias e no aprender a aprender: Uma sintoniaentre as aprendizagens efectuadas na BE e os modos de operar ao nível da sala deaula proporcionarão o almejado sucesso escolar. 16
  17. 17. I.3. A BE e sua articulação com a Área de Projecto A clarificação do conceito de projecto é, antes de mais, tarefa prioritária. É,contudo, de salientar a dificuldade em encontrar uniformidade nos pontos de vistaacerca desta noção (Carvalho et al., 1997). Conceito polissémico, numa perspectivasincrónica ou anacrónica, pode também assumir diferentes sentidos, consoante aespecificidade ou contexto em que é utilizado. Barbier (cit. por Carvalho e Diogo,2001:5) define-o não como “uma simples representação do futuro, mas um futuro parafazer, um futuro a construir, uma ideia a transformar em acto”. De acordo com Leite(2000), e se recuarmos ao princípio dos anos 80, verificamos que os termos “projectoeducativo de escola”, “projecto curricular de escola” e “projecto curricular de turma”não eram praticamente usados nos discursos da educação escolar e muito menosfaziam parte dos normativos legais organizadores da escola e dos processos dedesenvolvimento do currículo. Podemos inserir, também, neste rol de termos, um outroque surgiu no Currículo Nacional do Ensino Básico (Dec.-Lei 6/2001): Área deProjecto. Esta é uma nova Área Curricular não disciplinar, que surgiu com o objectivode ajudar o aluno a adquirir métodos para organizar os seus trabalhos, desenvolver acapacidade de autonomia e, ainda, trabalhar em grupo através do desenvolvimento deprojectos do seu interesse. É, portanto, a área que permite a operacionalizaçãotransversal das competências essenciais definidas no Currículo Nacional do EnsinoBásico. O conhecimento empírico-especulativo permite-nos constatar que,frequentemente, esta área não é devidamente explorada pelos docentes que “pedemtrabalhos aos alunos” dentro de temáticas que lhes “parecem” ser seu do interesse. Aavaliação das necessidades dos alunos, das suas expectativas e interesses édeterminante para que se desenvolva um trabalho coerente e útil. A área de projecto éo espaço por excelência, da articulação curricular e que possibilita a integração da BEnas suas práticas. Como desenvolvem os alunos os seus trabalho na Área de Projecto?Consideremos a seguinte constatação de Tomé (2008:64): No emergente paradigma educacional, o aluno deve participar activamente no processo educativo, sendo responsável pela construção do conhecimento, desenvolvendo, da forma mais autónoma possível, as suas competências. O conhecimento é, neste contexto, entendido à luz da subjectividade, centrado nas necessidades do indivíduo e respeitando o seu ritmo de aprendizagem. O professor passa a ser aquele que orienta, um mediador que conduz os alunos na construção do conhecimento. 17
  18. 18. Reconhecemos nesta abordagem o papel da Área de Projecto e reconhecemostambém a pertinência da sua articulação com a BE, enquanto recurso fundamentalpara “aumentar a qualidade das aprendizagens e responder aos desafios dasociedade da informação e do conhecimento, formando para a produção, o tratamentoe a difusão de informação” (ME, 2002, cit. por Conde, 2006:43). O reforço do trabalhoarticulado é preconizado no referido documento, bem como a utilização “de forma maisintensa das infra-estruturas e demais recursos educativos, nomeadamentelaboratórios, ateliers, bibliotecas, etc.” (idem:44). Pelos recursos que disponibiliza, a BE torna-se um meio indispensável deapoio ao desenvolvimento curricular. A Área de Projecto procura ser “um espaço deconfluência e integração de saberes e competências” (ibidem). A articulação entreestes dois espaços conceptuais permitirão aos alunos desenvolver as referidascompetências que promovem a literacia da informação, ou seja, o desenvolvimento dotrabalho de pesquisa, selecção, organização e interpretação de informação de formacrítica e sua comunicação. A BE, centro de recursos documentais/multimédia, desempenha um papelcatalisador (Conde, 2006) que é fundamental para que se operam as mudançaspedagógicas há muito decretadas, mas ainda não implementadas em todos osterritórios educativos. Canário, (1994, cit. por Conde, 2006:44) considera a BE “o novolugar documental, situado no coração do estabelecimento de ensino e susceptível defavorecer e facilitar a emergência de novas modalidades de acção educativa” aorelativizar o papel do papel do professor, ao favorecer o trabalho pessoal e empequeno grupo e ao contribuir para “diversificar os “papéis” a desempenhar pelosprofessores” (idem). Lêem-se, nas entrelinhas, os princípios do trabalho na Área deProjecto: nela, o aluno é o protagonista das aprendizagens, o professor assume opapel de orientador/mediador das aprendizagens, gere as diferentes situações queocorrem na sala de aula, facilita materiais e proporciona a utilização de diferentesrecursos. Tal trabalho pressupõe o uso de metodologias e recursos que não seencontram ao dispor do docente e dos alunos nos limites das quatro paredes da salade aula. É o momento da articulação entre os diferentes agentes, espaços e recursos;isto é, entre o professor que lecciona a área de Projecto, o professor bibliotecário, osalunos, a biblioteca e a sala de aula. 18
  19. 19. I.4. O Trabalho Colaborativo A procura de modelos de tomada de decisão mais colaborantes cria problemas às normas de isolamento nas quais se tem baseado o trabalho dos professores, criando igualmente problemas para muitos líderes de escolas, que receiam pelo seu poder face ao alcance potencial da colaboração. (Hargreaves, 1998:11) Um conceito introduzido nos capítulos anteriores requer a nossa atenção: otrabalho colaborativo. Segundo Montiel-Overall (2005) “collaboration is a process inwhich two or more individuals work together to integrate information in order toenhance student learning”. Morgado (2004) faz coincidir este conceito com o decooperação e refere-o como uma das áreas de maior desenvolvimento potencial notrabalho escolar. Na conceptualização do trabalho cooperativo/colaborativo, Morgado(idem:43), cita Hargreaves para “separar o que será uma cultura de colaboração(cooperação) de uma colegialidade artificial (imposta)”. Considera, portanto, que uma (...) verdadeira cultura de cooperação assumirá as características essenciais e espontaneidade, o voluntariado, a orientação para o desenvolvimento, a continuidade no espaço e no tempo e a imprevisibilidade, enquanto a colegialidade artificial se distinguirá por ser objecto de regulação administrativa, compulsiva, orientada para a execução, rígida no tempo e no espaço previsível. (Ibidem) Ainda segundo Hargreaves (1998: 277), “um dos paradigmas maisprometedores que surgiram na idade pós-moderna é o da colaboração, enquantoprincípio articulador e integrador da acção, da planificação, da cultura, dodesenvolvimento, da organização e da investigação”. Mas o trabalho colaborativo,longe de ser simples de concretizar, coloca numerosas questões: as suas verdadeiraspotencialidades e limitações, o que o aproxima e distingue do trabalho desenvolvidoindividualmente. Para além da prática lectiva, a prática profissional do professor nãopode demitir-se da participação na vida da escola, as actividades promovidas emarticulação com os diferentes departamentos, ciclos de ensino, BE, etc. Asexperiências de aprendizagem são apropriações dos sujeitos que as organizam ereestruturam de acordo com o impacto e a relevância que lhes atribuem, logo oscontextos de trabalho colaborativo são importantes para que, como referimos, se 19
  20. 20. estabeleça um isomorfismo entre o trabalho colaborativo aos diferentes níveis: entreestruturas, entre docentes e entre alunos. Uma colaboração efectiva, partilhandoestratégias, recursos, espaços, tempos e não uma colaboração como a queHargreaves (1998, cit. por Morgado, 2002) referia - a colegialidade artificial. A estepropósito, Montiel-Overall (2005, para.22) cita Million and Vare (1997) para referir que“In collaboration, equal partners work together to move things forward. Thoseparticipating in the collaborative effort are seen as having equitable roles in decisionmaking as well as in work carried out”. No panorama nacional, Lima (2002:12) refereuma “ausência de práticas de colaboração interdisciplinar entre colegas”, mas refereque “ser-se ou não um professor colaborativo não é (...) uma questão depersonalidade (…) mas sim de comportamento que é contextualmente condicionado”(idem). Não deixa, todavia de referir que nas escolas se assiste a combinaçõesdiversas de colaboração entre docentes, desde o “frenesim colaborativo” de unspoucos que constituem o “núcleo duro” da colaboração e partilha sistemática” a“circunstâncias empíricas em que o adjectivo “colaborativo” dificilmente pode seraplicado a grupos inteiros de docentes” (ibidem). No que respeita o papel do professor bibliotecário, Stripling (1996:10) aponta-ocomo “a leader in connecting through collaboration”. E este é um papel fundamental adesempenhar pelo professor bibliotecário: “Collaboration between the classroomteacher and the library media specialist is fundamental to good school libraries. Beyondworking with individual teachers, the library media specialist weaves a web ofcollaboration among teacher teams (grade level or interdisciplinary)” (idem). Para serem eficazes, e para ajudarem os alunos e os professores adesenvolverem-se, as oportunidades de colaboração efectiva devem ser estimuladasnum quadro de condições que se reportam aos espaços, tempos e modos deorganização/planificação do trabalho. É, por isso, importante referir a asserção“Collaboration between teachers and librarians is recommended in professionalguidelines for school librarians as a key factor to improving student academicachievement” (AASL, 2007, AASL e AECT, 1998, cit. por Montiel-Overall, 2009,para.1). A este propósito, referimos a perspectiva de Lima (2002) a respeito docontexto escolar nacional, que considera que, se os docentes e alunos não colaborammais, é porque não existe ainda uma cultura colaborativa; todavia a reorganizaçãocurricular (mais de uma década passada) oferece condições ao desenvolvimento dacolaboração, nomeadamente, através do desenvolvimento do Projecto Curricular deTurma, no qual se poderão definir modos de articulação e colaboração entreestruturas, docentes e alunos. A identificação de necessidades, a definição de 20
  21. 21. projectos, a reflexão e avaliação dos mesmos são tarefas que produzem melhoresresultados quando pensadas e realizadas em colaboração com os diferentes actoreseducativos e na partilha de recursos comuns, dando sentido ao todo que é o currículode uma escola. Callison, (2006, cit. por Montiel-Overall, 2009, para.2) considera que“teachers and librarians may collaborate on collection development; however, thecollection must support the curriculum to result in higher student achievement”, ou seja,a colaboração é fundamental para que haja articulação efectiva entre as estruturas epara que o currículo escolar se desenvolva de modo harmonioso e com resultadospositivos no sucesso dos alunos. É ainda Montiel-Overall (2005, para.1) quem, citandoa AASL e a AECT (1998), refere: “Professional guidelines identify collaboration as anessential responsibility of library media specialists that can contribute to improvinglearning outcomes”.Neste capítulo enunciámos alguns conceitos fundamentais para o nosso estudo,designadamente o de literacia de informação, enquanto “capacidade de cada indivíduocompreender e usar a informação escrita contida em vários materiais impressos, demodo a atingir os seus objectivos, a desenvolver os seus próprios conhecimentos epotencialidades e a participar activamente na sociedade”(http://literaciadainformacao.web.simplesnet.pt). O desafio que se coloca aos alunos éo desenvolvimento de competências de pesquisa, selecção e tratamento dainformação, competências que deverão ser mobilizáveis e utilizadas em diferentesáreas curriculares. A BE oferece os recursos necessários para o desenvolvimento detais competências, por sua vez, a área curricular não disciplinar de Área de Projectooferece o espaço conceptual ideal para o mesmo propósito, uma vez que visa envolveros alunos na “concepção, realização e avaliação de projectos, através da articulaçãode saberes de diversas áreas curriculares, em torno de problemas ou temas depesquisa ou de intervenção, de acordo com as necessidades e os interesses dosalunos”. O desafio que se coloca é, portanto, o de articulação curricular e decolaboração entre docentes, pelo que, no capítulo abordámos também o conceito detrabalho colaborativo e sua pertinência no contexto do trabalho docente. Segundo Vieira (2008:198), a escola “desempenha um papel fundamental naformação de cidadãos activos e informados, capazes de seleccionar e de analisar ainformação proveniente de diversas fontes e de compreender e saber explicar osprocessos de produção e recepção dos textos”. É ainda Vieira (idem) quem refere que, (…) a interdisciplinaridade das actividades e dos projectos (…) facilitam a aquisição e a integração de numerosas competências intelectuais, metodológicas, pessoais e relativas à comunicação. O aluno 21
  22. 22. vê-se envolvido num processo activo e construtivo, ligado ao saber fazer, a um saber agir (…) orientado para as novas práticas pedagógicas onde o aluno cria e constrói o seu saber. Esta constatação de Vieira sintetiza os diferentes desafios que se colocam aosdocentes da equipa da BE e aos docentes da Área de Projecto: promover ainterdisciplinaridade, facilitar a aquisição e desenvolvimento de competênciastransversais ao currículo, fomentar o aprender a aprender. A colaboração efectiva entre os docentes da área de Projecto e a equipa da BEpossibilita a emergência de ambientes de aprendizagem que promovem a integraçãode saberes e o desenvolvimento da compreensão e do pensamento crítico.Isomorficamente, os alunos aprenderão também a colaborar, aprenderão a fazer,aprenderão a reflectir e a avaliar, breve, aprenderão o “aprender a aprender”. 22
  23. 23. CAPÍTULO II – CONTEXTUALIZAÇÃO DO PROJECTOII.1 - Caracterização do Meio Envolvente Ó Cuba, terra bendita, Rodeada de trigais, De lindas hortas e quintas, Arvoredos, milheirais. (Canção tradicional de Cuba) A estrofe que introduz este ponto do trabalho remete para uma paisagem típicae, associada a ela, um retrato social que já não se coaduna com a realidade. Os trigaiscontinuam a existir, as lindas hortas e quintas, também: “a paisagem é dominada pelaplanície, o branco do casario, dos montes e pelo verde das hortas”(www.bejadigital.biz/pt), mas o mercado de trabalho não se centra já na agricultura. Osector primário foi, em grande parte substituído pelo terciário. Esta asserção é apoiadano site acima referido: “Situado no Alentejo Central, Cuba é hoje um concelhomoderno e empreendedor, perspectivando-se inúmeros factores de desenvolvimentoproporcionados pelo futuro aeroporto de Beja e pelo sistema de irrigação a partir daBarragem do Alqueva”. De acordo com dados fornecidos no referido site, o “Concelho de Cuba abarcauma área de 171,3 km2, contando com uma população de cerca de 4994 habitantesrepartidos pelas freguesias de Cuba, Faro do Alentejo, Vila Alva e Vila Ruiva”. Outrosdados importantes aí referidos reportam-se aos sabores e os aromas (o vinho da talhae o DOC têm um peso importante no concelho, a gastronomia é um dos principaisatractivos turísticos do concelho) e à riqueza patrimonial do concelho que advém dadiversidade de edifícios religiosos e civis, e ainda, do núcleo de pintura mural. A informação relativa ao número de empresas, coloca o Concelho de Cuba arepresentar 3.7% do Baixo Alentejo: “Estas empresas operam sobretudo no sectorterciário – 53,3%, sendo que a indústria ocupa também um lugar de relevo, agregando25,2% das empresas. O sector primário contribui com 21,5% das empresas doconcelho” (idem). As asserções iniciais deste capítulo são confirmadas: “A estrutura do 23
  24. 24. emprego reflecte esta distribuição sendo que 13,3% da população está empregada nosector primário, 4,7 no sector secundário (19.3% na industria transformadora e 27.6%na construção) e 39,8% no sector terciário (23.8% no comércio, 5% no alojamento erestauração, 2.8% nos transportes e comunicações, 5% nos serviços às empresas e3,3% outros serviços)” (ibidem). Quanto às estruturas de apoio à população, o PE desta escola refere que, “oconcelho dispõe de uma escola básica integrada, englobando os três ciclos do EnsinoBásico, um Núcleo de Apoios Educativos, o Ensino Recorrente de Adultos e o EnsinoSecundário nocturno, seis salas de Educação Pré-Escolar a funcionar em Vila Alva,Faro do Alentejo, Vila Ruiva e Cuba” (http://ebicuba.drealentejo.pt). Refira-se ainda que, de acordo com a informação disponibilizada no referidosite, e para além dos mencionados estabelecimentos de ensino, Cuba dispõe de umaEscola Profissional e de um Infantário/Creche da Santa Casa da Misericórdia de Cuba,onde as crianças podem desenvolver-se em harmonia até ao ingresso na vida escolar.A população usufrui também de um Centro de Saúde, de Lar de Terceira Idade,Farmácia, Piscina, Campos de Ténis e futebol (relvado artificial), Centro Cultural,Bombeiros, Finanças, Tribunal, Câmara e, acerca de cinco anos, possui também umaBiblioteca Municipal. 24
  25. 25. II.2 - Caracterização da instituição A escola onde realizamos o nosso estudo integra um agrupamento vertical comquatro escolas distribuídas pelas quatro freguesias do Concelho. Todas as escolastêm uma BE. A escola sede possui três turmas de pré-escolar (alunos dos três aoscinco anos, salas heterogéneas), sete turmas de primeiro ciclo, quatro turmas desegundo ciclo (duas turmas de quinto ano e duas de sexto ano) e nove turmas deterceiro ciclo (três turmas de sétimo ano, duas de oitavo ano, três de nono ano e umCurso de Educação e Formação). Passamos a apresentar as estruturas da escolasede do agrupamento:  Estruturas físicas:Edifício construído em 2004 com ala do pré-escolar (3 salas), sala multiusos e deapoio à família/tempos livres (ATL); salas do 1º ciclo (7 salas), sala multideficiências eATL (1º ciclo), biblioteca escolar, auditório, salas de 2º ciclo (6 salas), salas deinformática (2 salas), salas de 3º ciclo (8 salas), sala de audiovisuais, laboratórios (2salas), salas dos departamentos (4 salas), gabinetes do órgão de gestão (2 salas),sala de reuniões, secretaria e SASE, reprografia, papelaria, refeitório, bar e sala deconvívio. Anexado ao edifício, o pavilhão polidesportivo que serve a população escolare a comunidade.  Estrutura orgânica:(Até à penúltima semana de Junho de 2009) – Conselho Executivo, Conselho GeralTransitório, Conselho Pedagógico, Áreas Departamentais (Línguas, Ciências Sociais eHumanas, Matemática/Ciências Experimentais e Expressões), Conselho de Docentes,Coordenação de Direcção de Turma, Conselhos de Turma.  Serviços de apoio ao ensino/ofertas educativas: Núcleo de Apoios Educativos Especializados; Unidade de Apoio Especializadoem Multideficiência; Equipa de Intervenção Precoce; Gabinete Sócio-Psicopedagógico;Serviços de Psicologia e Orientação; Centro de Novas Oportunidades; Cursos deEducação e Formação de Adultos; Cursos de Português Língua Não Materna; Cursosde Educação e Formação; Actividades Extra-Curriculares.  Clubes/Projectos:Educação para a Saúde; Plano de Acção da Matemática; Plano Nacional de Leitura;Desporto Escolar; Clube Europeu; Clube “A Arte do Mosaico”  Pessoal docente e não docente (Escola sede): 25
  26. 26. 54 docentes de Ensino Básico, 3 educadores de infância, 21 auxiliares de acçãoeducativa;  Alunos:Pré-escolar – 63; 1º ciclo do ensino básico – 135; 2º ciclo do ensino básico – 55; 3ºciclo do ensino básico – 125; CEF(Curso de Educação e Formação) – 11. A consulta do PEE e do PCA permitiu constatar a articulação entre ambos osdocumentos orientadores e as áreas prioritárias de intervenção aí enunciadas, queincidem na promoção do “sucesso escolar dos jovens” e no “seu desenvolvimentoenquanto cidadãos”. Essas áreas prioritárias são objectivadas do seguinte modo: - Assegurar o domínio da Língua Portuguesa, enquanto suporte fundamental de comunicação e expressão, do acesso ao conhecimento, da criação e função da cultura e da participação na vida social; - Desenvolver a capacidade de resolução de problemas; - Desenvolver a capacidade de raciocínio e memória; - Promover a aquisição de técnicas elementares de pesquisa e organização de dados; - Incentivar e desenvolver a cooperação com os outros, a autonomia, o espírito crítico e a responsabilidade; - Promover o desenvolvimento de valores, atitudes e padrões de comportamento que contribuam para a formação de cidadãos conscientes e participativos numa sociedade democrática; - Promover o espírito de iniciativa e a participação dos alunos na vida escolar; - Diminuir a diferença entre os resultados da avaliação externa e os de avaliação interna, promovendo um maior sucesso em Língua Portuguesa e Matemática; - Fomentar a cooperação, reflexão e articulação curricular intra e interciclos; - Investir na divulgação e visibilidade de trabalhos pedagógicos dos alunos; - Desenvolver actividades de enriquecimento curricular, projectos de desenvolvimento educativo e de ocupação de tempos livres, que promovam o sucesso educativo e previnam o insucesso e o abandono escolar; - Criar condições que permitam apoiar carências individualizadas, detectar e estimular aptidões específicas e precocidades; 26
  27. 27. - Desenvolver alternativas para os alunos com dificuldades de acompanhar o percurso regular; - Continuar a investir no desenvolvimento de sensibilidade estética e criatividade. (PCA, 2008/2009) Ou seja, as áreas prioritárias consideradas incidem, precisamente, nodesenvolvimento de competências transversais aos diferentes níveis de ensino e àsdiferentes áreas curriculares (disciplinares e não disciplinares). Cruzemos dados paraverificarmos que aí se encontram também alguns dos objectivos da BE, cuja missão étambém referenciada no PCA: - Facilitar o desenvolvimento de competências educacionais definidas no currículo nacional através do apoio a todos os alunos no seu processo de aprendizagem, favorecendo a prática de habilidades para avaliar e usar a informação, nas suas variadas formas, suportes ou meios; - Desenvolver o hábito e o prazer da leitura e da aprendizagem, bem como o uso dos recursos da biblioteca ao longo da vida; - Oferecer oportunidades de vivências destinadas à produção e uso da informação voltada para o conhecimento, a compreensão, a imaginação e o entretenimento; - Promover actividades que incentivem a tomada de consciência cultural e social, bem como de sensibilidade estética; - Facilitar o acesso à informação, ponto fundamental à formação de uma cidadania responsável e ao exercício da democracia. (Idem) Também a área curricular não disciplinar Área de Projecto é referida no PCA esão reforçados os princípios desta: “A área curricular não disciplinar de Área deProjecto, articulando saberes de diversas áreas curriculares, visa a concepção,realização e avaliação de projectos que tomem como objecto problemas ou temas depesquisa ou de intervenção que procurem dar resposta às necessidades e interessesdos alunos no contexto turma/escola. Cabe ao(s) professor(es) da turma fazer a suaorientação, participando os alunos na planificação, realização e avaliação dasactividades”. Este último aspecto, que se reporta à responsabilidade dos docentes naorganização/orientação da área, é importante para o nosso estudo, uma vez quelegitima a acção dos docentes e sua articulação com a BE. 27
  28. 28. Uma das preocupações da instituição é o apoio a todos os alunos e odesenvolvimento de projectos que possibilitem o sucesso de todos, pelo quesalientamos os Princípios Orientadores da Acção Pedagógica do Agrupamento, talcomo constam do PCA: - Igualdade de oportunidades de acesso e de sucesso escolares, nomeadamente através de medidas de apoio social escolar e de apoio educativo. - Diversidade de ofertas educativas, tomando em consideração as necessidades dos alunos, de forma a assegurar que todos possam desenvolver as competências essenciais e estruturantes definidas para cada um dos ciclos e concluir a escolaridade obrigatória. - Valorização da diversidade de metodologias e estratégias de ensino e actividades de aprendizagem, em particular com recurso a tecnologias de informação e comunicação, visando favorecer o desenvolvimento de competências, numa perspectiva de formação ao longo da vida. - Articulação das actividades escolares com o meio, a vida e o mundo do trabalho. - Defesa da identidade nacional, através da sensibilização e da consciencialização de todos acerca do património natural e cultural e da necessidade da sua preservação. - Valorização da dimensão humana do trabalho. (PCA, 2005/2008) A coerência explicitada nos diferentes documentos orientadores remete parauma filosofia educativa consistente com os princípios enunciados no PEE (definidopara um período de três anos – 2005/2008, mas ainda em vigor): “Os princípiosorientadores deste projecto reconhecem, em âmbitos diferentes, o aluno como osujeito e principal interessado no processo educativo”. II.3 Caracterização da BE Quanto à BE, integrou a Rede de Bibliotecas Escolares em 2005/2006. Desde2007/2008, tem coordenador a tempo inteiro, que assegura todas as BEs doAgrupamento de Escolas (Escola Sede e três pólos de pré-escolar e 1º ciclo), e umaequipa de trabalho constituída por quatro docentes de diferentes áreas (EducaçãoArtística, Educação Visual, TIC e Português/Inglês) e um professor colaborador daárea de Língua Portuguesa. Duas funcionárias a tempo inteiro são também parte 28
  29. 29. integrante da equipa e têm tarefas distintas: uma delas está no apoio aos utentes, aoutra está no tratamento documental. Para uma melhor caracterização da BE, apresentamos a planta da mesma: Figura 1: Planta da BE/Fonte – Projecto da BE A sua área total é de 195 metros quadrados. A BE encontra-se aberta aopúblico num período contínuo das 8.30h às 17h, durante os cinco dias úteis dasemana, está sempre aberta nos períodos dos intervalos das aulas e nos períodos deférias. Actualmente, os utilizadores dispõem de oito computadores com ligação àInternet e, quando necessário podem ter também acesso aos computadores portáteisda escola (actualmente 15); existe também rede wireless. Os utilizadores podem,ainda, utilizar um dos scanners da BE e duas impressoras: uma a cores, outra a pretoe branco. Existem duas televisões, dois leitores de DVD, câmara digital (fotografia efilme) e, no final do ano, já no mês de Julho, graças ao PTE, a BE possui também umquadro interactivo e projector multimédia. Actualmente a BE possui um acervo de7066, assinatura de três revistas livros, 512 CDs áudio, 72 vídeos digitais, entre outrosrecursos. Ao assumir-se como promotora do desenvolvimento curricular e pólo difusor decultura, procurou-se que a BE potencie a cultura endógena do contexto em que seinsere e que assume um papel fulcral na vida escolar. O plano de actividades (PA) do 29
  30. 30. presente ano lectivo procura dar continuidade ao trabalho desenvolvido no contexto doagrupamento, o qual integra como acima referimos, quatro BEs. De acordo com os princípios estabelecidos no projecto da BE, a sua filosofia deactuação sustenta-se nas dimensões escolar e comunitária, presentes no trabalho deparceria a nível interno e externo, através da implementação e dinamização deestratégias que promovem percursos pedagógicos diferenciados/ inovadores e davalorização das motivações e tradições socioculturais. Na sua operacionalização, oPAA da BE tem como finalidades:  Desenvolver um projecto comum a nível do agrupamento, assente numa gestãointegrada das BEs e numa maior articulação a nível pólos e dos diferentes ciclos;  Aprofundar a parceria com a Câmara Municipal no sentido da criação de uma redecooperativa, articulando estratégias entre os diferentes parceiros, favorecendo odesenvolvimento do hábito e do prazer da leitura e da aprendizagem através de actividadesque incentivem a tomada de consciência sociocultural e de sensibilidade estética;  Reforçar as dinâmicas do Agrupamento através do PEE, facilitando odesenvolvimento de competências educacionais definidas no currículo nacional;  Continuar a articulação com o PNL/PNEP e dar continuidade a projectos das BEsque envolvam escola, famílias e comunidade. Os objectivos gerais são: 1. Planificar as actividades considerando a gestão e organização dos recursos e ainteracção com as estruturas da escola, visando o desenvolvimento de competênciaseducacionais definidas no currículo. 2. Articular estratégias com outros elementos da comunidade, tendo em vista aimplementação de projectos quer na escola quer noutras instituições através de parcerias. 3. Desenvolver/ incentivar o prazer da leitura e aprendizagem, bem como o uso dosrecursos da biblioteca ao longo da vida, visando a tomada de consciência cultural, social e desensibilidade estética. Em súmula, a acção a desenvolver considerará os seguintes domínios: A – Promoção da integração da BE na escola; B – Gestão da BE e dos recursos humanos e materiais a ela afectos; C – Definição e operacionalização, em articulação com a direcção executiva, dasestratégias e actividades de política documental da escola. 30
  31. 31. II.3 – Caracterização do Público – Alvo O segundo ciclo da escola a que se reporta o nosso estudo tem duas turmasde quinto ano e duas turmas de sexto ano. As duas primeiras têm dezasseis e quinzealunos, respectivamente. A turma do quinto A é constituída por alunos dos dez aosdoze anos – sete rapazes e nove raparigas, todos residentes na vila onde se encontraa sede da escola. Os alunos são assíduos e têm um aproveitamento regular nasdisciplinas de Matemática e Língua Portuguesa. São autónomos e participativos.Respeitam as regras de trabalho e são responsáveis na execução das diferentestarefas que lhes são propostas. A turma B tem seis raparigas e nove rapazes comidades compreendidas entre os dez e os treze anos. Sete dos alunos residem emCuba, quatro em Vila Ruiva, dois em Vila Alva, um em Faro do Alentejo e um em SãoMatias. Nesta turma está integrada uma aluna com Necessidades EducativasEspeciais (NEE), que apresenta dislexia. Beneficia, assim de Apoio PedagógicoPersonalizado, Adequações Curriculares Individuais e Adequação no Processo deAvaliação. Uma aluna, de etnia cigana, tem uma assiduidade inconstante. De modogeral, os alunos são autónomos, revelam empenho e alguma capacidade deorganização, são participativos. Alguns alunos revelam alguma falta de concentração eatenção. São crianças sociáveis e conseguem ter um bom relacionamento com oscolegas e professores. Quanto ao sexto ano, ambas as turmas são de ensino regular e têm dezassete(sexto A) e quinze alunos (6ºB). A turma do sexto A tem 8 alunos do sexo feminino enove do sexo masculino, com idades compreendidas ente os onze e os treze anos.Treze alunos vivem em Cuba e quatro em Vila Ruiva. Uma aluna tem NEE (ApoioPedagógico Personalizado; Adequação no Processo de Matrícula; Currículo EspecíficoIndividual; tecnologias de Apoio). Dois alunos têm perturbação de défice deatenção/hiperactividade. No geral, os alunos são interessados e participam nasactividades desenvolvidas. A aluna com NEE frequenta algumas aulas com a turma,mas tem um comportamento instável e, por vezes, frequenta a BE com um aprofessora de apoio. A turma B tem onze alunos do sexo feminino e quatro do sexomasculino, com idades compreendidas entre os onze e os doze anos. Quatro alunostêm retenções repetidas e dois foram retidos no ano anterior. Dez alunos são de Cuba,quatro de Vila Alva e um de Vila Ruiva. São alunos responsáveis, autónomos eparticipam com empenho nas actividades propostas dos quais resultam trabalhos dequalidade. No que diz respeito ao desenho curricular de segundo ciclo, apresentamos asadequações efectuadas a nível de escola: 31
  32. 32. Quadro 1: Desenho Curricular do segundo ciclo Fonte: PCA 2008/2009. A Área de Projecto tem, como podemos verificar no Quadro 1, uma cargahorária semanal de 90 minutos, no quinto como no sexto ano. Ao longo do ano lectivo, as turmas de segundo ciclo realizaram, na sala deaula, trabalhos relacionados com o projecto de Educação para a Saúde e outros sobresolidariedade. 32
  33. 33. CAPÍTULO III – ENQUADRAMENTO METODOLÓGICOIII.1 - Identificação da questão de partida Librarians have a long and distinguished tradition of services assisting students to find information for research assignments in a variety of courses and in various disciplines. In one sense, these services are interventions for improving access and learning. (Kuhlthau, s/d) A importância da BE no processo de ensino-aprendizagem e a articulaçãodesta com a sala de aula – no caso do nosso estudo através da Área deProjecto – é a pedra de toque do nosso estudo. Na revisão da literatura referimo-nos à leitura enquanto competênciatransversal a todo o conhecimento, referimo-nos, também, à literacia da informação,essencial para os alunos integrarem o novo paradigma do conhecimento e daaprendizagem ao longo da vida, que pode e deve ser desenvolvida na BE e emarticulação com a sala de aula. De acordo com Conde (s/d) “para que os novosrecursos e serviços ganhem sentido e sejam utilizados, a biblioteca deve (…)estabelecer uma ligação, o mais estreita possível, com a escola e com a sala de aula,desenvolvendo um trabalho permanente com os professores”. Pretende-se, portanto, que os docentes da Área de Projecto entendam a BEcomo uma estrutura que possui os recursos e equipamentos que possibilitam odesenvolvimento da literacia da informação e que é, como tal, instrumento facilitadorda implementação de metodologias diferenciadas e que possibilitam odesenvolvimento de competências essenciais e transversais ao currículo dos alunos. De acordo com Callison (2003: 229 cit. por Montiel-Overall, 2005, para. 20)“The library curriculum involves the development of information literacy: Knowledge ofhow to access, evaluate, synthesize, and use information selectively from a widevariety of sources and formats. It also involves the ability “to effectively communicate orpresent results to relevant audiences”. O desenvolvimento destas competências,sustentadas pelo/no currículo escolar, pressupõem a articulação do trabalho doprofessor bibliotecário com o professor da sala de aula. Logo, o trabalho colaborativoentre o professor bibliotecário e os docentes de Área de Projecto é um pressupostofundamental para a utilização cabal dos diferentes recursos que a BE disponibiliza. 33
  34. 34. Face ao que aqui se expõe e considerando o enquadramento teórico, que nospermitiu conhecer o estado da arte, o nosso trabalho estrutura-se em torno daseguinte questão: "Como pode a Biblioteca Escolar promover, em articulação com os docentes deÁrea de Projecto, o desenvolvimento da literacia da informação nos alunos do 2ºciclo?" No nosso estudo procuramos compreender:  Que utilização, os docentes de Área de Projecto do 2º ciclo, fazem dorecurso Biblioteca Escolar com os seus alunos;  Quais as acções a implementar para promover a utilização da BE noapoio ao currículo e no desenvolvimento da literacia da informação através daarticulação com a sala de aula;  De que forma a área curricular não disciplinar, Área de Projecto, podecontribuir para a mudança de atitude dos professores e dos alunos face à BE.A avaliação do trabalho da BE de uma escola básica integrada (com alunos do 2ºciclo, portanto), incidirá sobre o domínio da literacia da informação e do apoio aocurrículo, através da aplicação de inquéritos por questionário aos docentes e aosalunos do referido nível de ensino. A análise destes instrumentos proporcionar-nos-á arealização de uma proposta de plano de acção que permita implementar um trabalhoarticulado entre a BE e os docentes de 2º ciclo que leccionam a Área de Projecto. 34
  35. 35. III.2 - Apresentação e justificação das metodologias de recolha dedados As diferentes concepções de investigação-acção, metodologia queprivilegiamos no nosso estudo, remetem para “a small.scale intervention in thefunctioning of the real world and a close examination of the effects of such anintervention” (Cohen and Manion, 1994: 186). Esta definição é completada por Kemmise McTaggart (1992: 16) que entendem que a investigação-acção se preocupa “equallywith changing individuals, on the one hand, and, on the other, the culture of the groups,institutions and societies to which they belong”. Uma característica determinante destametodologia é o facto de o trabalho não se dar por concluído após o términos doprojecto, uma vez que quem participa nele continuará a “rever, avaliar e melhorar asua prática” (Cohen e Manion (1989, cit. por Bell, 2002). O nosso estudo enquadra-se,portanto, nesta perspectiva metodológica, uma vez que procuramos investigar paraaperfeiçoar a nossa acção. Como referimos no ponto anterior, o nosso contexto de trabalho e o domínioem avaliação na BE, proporcionaram este estudo que incide sobre a articulação da BEcom os docentes de Área de Projecto, no sentido de promover o desenvolvimento decompetências em literacia da informação nos alunos de 2º ciclo. A questão de partidadespoletou o processo de investigação com o objectivo de encontrarmos respostasconducentes ao estabelecimento de um plano de acção. Considerados os objectivosdeste estudo, entendemos que o instrumento de recolha de dados a privilegiar seria oinquérito por questionário. Esta opção decorre do facto de tal instrumento permitir arecolha sistemática de dados para responder ao problema de investigação queenunciámos. Além disso, a aplicação de questionários possibilita a recolha dos dadosnecessários anonimamente, com rapidez, a número extenso de sujeitos, assim como otratamento de uma multiplicidade de dados que nos permitirão efectuar análisesapropriadas ao nosso estudo (Quivy e Campenhoudt, 2003). Quivy e Campenhoudt (2003:186) apresentam o inquérito por questionáriocomo exemplo de um instrumento que se “presta bem a uma utilização pedagógicapelo carácter muito preciso e formal da sua construção e da sua aplicação prática” e,ponderando a nossa questão de partida, consideramos que é este o instrumento derecolha de informação mais apropriado e que nos permitirá obter dados relevantes. 35
  36. 36. É de salientar que, o facto de no nosso contexto de trabalho procedermos àauto-avaliação da BE através do modelo de análise da Rede de Bibliotecas Escolares(RBE), que este ano incide no domínio A (Literacia da Informação e Apoio ao Estudo),motivou a opção de adequarmos aos nossos propósitos os instrumentos do Modelo deAuto-Avaliação da Rede de Bibliotecas Escolares. Note-se, no entanto, que areelaboração do questionário decorreu do enquadramento teórico e da questão deinvestigação que definimos. As instruções dos instrumentos foram revistas de forma aadequá-las à especificidade do nosso estudo e tornar as questões mais claras, umavez que segundo Hill e Hill (2002:165) “a falta de instruções ou instruções vagas ouambíguas põem em causa o valor dos dados”. Finalmente, uma vez que o nosso público-alvo é composto por docentes e poralunos, desenhámos a nossa investigação considerando este aspecto. Assim, uminquérito por questionário é dirigido aos docentes de 2º ciclo que leccionam a Área deProjecto e um outro é dirigido aos alunos de 2º ciclo. 36
  37. 37. III.3 - Descrição e justificação do(s) instrumento(s) de recolha de dados O facto de exercermos a função de coordenador da biblioteca da escola emestudo permite-nos ter apenas uma visão parcelar da problemática em questão, peloque nos interessa conhecer a perspectiva dos docentes e dos alunos de forma acompletarmos o nosso conhecimento sobre o objecto do estudo. Assim, optámos porinquirir, através de inquérito por questionário, os docentes de segundo ciclo do ensinobásico que leccionam a Área de Projecto e os alunos de segundo ciclo (quinto esextos anos). III.3.1. Os objectivos do questionário aos docentes são os seguintes:  Conhecer a utilização da BE pelos docentes no âmbito das actividades docentes;  Percepcionar a existência de articulação entre os docentes e a BE;  Conhecer a formação desenvolvida em literacia da informação pelos docentes de Área de Projecto do segundo ciclo;  Identificar as competências em literacia da informação dos docentes que leccionam Área de Projecto no segundo ciclo;  Conhecer a opinião dos docentes acerca do papel da BE na formação dos alunos a nível da literacia da informação;  Caracterizar o trabalho colaborativo entre os docentes e a BE;  Identificar modos de articulação entre a BE e os docentes que leccionam Área de Projecto no segundo ciclo. Considerando o enquadramento teórico e os objectos deste instrumento,delineámos o seguinte modelo de análise: 37
  38. 38. Quadro 2: Modelo de Análise do Questionário aos docentes que leccionam Área de Projecto – 2º ciclo Conceito Dimensão Indicador Questão Frequência de Frequência de utilização Com que frequência Utilização da BE costuma usar a BE no âmbito das suas funções docentes? Finalidade da utilização Objecto: Ler/Consultar Com que objectivo/s da BE no trabalho com os alunos obras de utiliza a BE no seu docente referência ou livros trabalho docente? específicos. Utilizar os computadores com os alunos. Ver vídeos/DVDs com os alunos. Requisitar materiais para a sala de aula. Fazer empréstimo domiciliário com a turma. Realizar trabalhoUtilização da BE pessoal e profissional.no âmbito dasfunçõesdocentes Satisfação relativa ao Conhecimento dos conhecimento dos Classifique o seu docentes sobre os materiais existentes na conhecimento sobre materiais existentes na BE os materiais BE existentes na BE Objecto: Maleta Pedagógica; Lista seleccionada de Assinale entre os sites; Tipos de recursos seguintes tipos de Guia - como elaborar utilizados recursos aquele/s que um trabalho; já utilizou Guião de Pesquisa; Catálogo da BE Costuma proceder à integração de competências de informação na Integração de planificação das competências de Frequência de diferentes unidades informação na procedimento de ensino? planificação e tratamento das Costuma proceder à diferentes unidades de integração deDesenvolvimento ensino competências dede literacia da informação noinformação tratamento das diferentes unidades de ensino? Promoção da utilização Na sua prática lectiva, da biblioteca nos Frequência de promove a utilização trabalhos efectuados procedimento da biblioteca nos pelos alunos; trabalhos efectuados pelos alunos 38
  39. 39. Quando utilizam a BE, Existência de os seus alunos estão Conhecimento dos indicações sobre as munidos das alunos relativamente a tarefas a executar indicações sobre a indicações sobre a tarefa a executar? tarefa a executar e de Quando utilizam a BE sugestões de Frequência: Existência os seus alunos têm bibliografia a consultar de sugestões sobre sugestões de bibliografia bibliografia a consultar? Participação em Já participou em actividades de actividades de formação de Frequência: formação de utilizadores para o uso participação actividades utilizadores para o da biblioteca, de formação uso da biblioteca, promovidas pelo promovidas pelo coordenador/equipa da coordenador/equipa BE da BE? Satisfação: Competências pessoais competências pessoais Considera-se para o uso autónomo para o uso autónomo da autónomo na da BE com os seus BE com os alunos utilização da BE com alunos os seus alunos?Competências Competências para odos actores uso autónomo da BE,educativos por parte dos seus alunos Satisfação: Considera os seus competências para o alunos autónomos na uso autónomo da BE (Nas vertentes: utilização da BE? por parte dos alunos competências de biblioteca, tecnológicas e de informação) Satisfação: Como avalia o Contributo dado pela Contributo da BE para o contributo dado pela BE para o desenvolvimento nos BE para o desenvolvimento nos alunos de competências desenvolvimento nos alunos deste tipo de em literacia da alunos deste tipo de competências informação competências? Influência da BE nos Em que medidaO papel da BE alunos, quanto ao considera que a BEna formação dos desenvolvimento de Avaliação: a BE influencia, nos seusalunos atitudes de iniciativa, influência no alunos, o cooperação e desenvolvimento de desenvolvimento de autonomia competências nos atitudes de iniciativa, alunos cooperação e autonomia? Articulação/planificação Nas suas funções Frequência: hábitos de docentes, costumaTrabalho de actividades articulação/planeamento planear actividadescolaborativo efectuada com o de actividades com o com o responsável/equipa da responsável da equipa responsável/equipa BE da BE? Colaboração do Frequência: Obtenção coordenador/equipa da de colaboração do Já obteve a 39
  40. 40. BE na selecção ou coordenador/equipa da colaboração do produção de materiais BE na selecção de coordenador/equipa de apoio necessários à materiais de apoio da BE na selecção de condução de materiais de apoio actividades na BE ou necessários à em sala de aula condução de actividades na BE ou em sala de aula? Já obteve a colaboração do Frequência: Obtenção coordenador/equipa de colaboração do da BE na produção de coordenador/equipa da materiais de apoio BE na produção de necessários à materiais de apoio condução de actividades na BE ou em sala de aula? Colaboração do Frequência: Obtenção Já beneficiou da coordenador/equipa da de colaboração do colaboração do BE na execução das coordenador/equipa na coordenador/equipa actividades na BE ou execução das da BE na execução em sala com alguma actividades na BE das actividades na BE turma/grupo ou em sala com alguma turma/grupo? Área/s de possível Indique uma área de colaboração com a BE possível colaboração Áreas de colaboração em que o docente com a BE em que com a BE gostaria de ter mais gostaria de ter mais formação/apoio formação/apoio.III.3.2. Os objectivos do questionário aos alunos são os seguintes:  Conhecer a utilização da BE pelos alunos de 2ºciclo para realização de actividades escolares;  Conhecer a existência de formação de utilizadores e apoio facultado pela BE;  Identificar o desenvolvimento de competências em Literacia da Informação;  Reconhecer o tipo de aprendizagens realizadas pelos alunos na BE.Considerando o enquadramento teórico e os objectos deste instrumento, delineámos oseguinte modelo de análise: 40

×