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TCE E TRM

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Apresentação sobre trauma cranioencefálico trauma raquimedular realizado pela LUTTE no dia 14.05.2016

Published in: Health & Medicine
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TCE E TRM

  1. 1. UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS Liga Acadêmica Tocantinense de Trauma e Emergência - LUTTE TEMA Érico Sena e Rhayane Oliveira - 14/04/2016 - TRAUMA CRANIOENCEFÁLICO E TRAUMA RAQUIMEDULAR
  2. 2. Questões 1. Menina, 12 anos, foi atropelada enquanto andava de skate, chega ao pronto socorro sonolenta e referindo muita dor na região cervical. Ao exame: FC: 100 bpm, FR:20 irpm PA: 100x70 mmHg, pulsos cheios, localiza a dor, confusa, pupilas fotorreagentes, reflexos osteotendíneos presentes e simétricos, ausência de paralisia de nervos cranianos. OS DADOS DO EXAME FÍSICO UTILIZADOS PARA DETERMINAR A ESCALA DE COMA DE GLASGOW SÃO: a) Resposta pupilar, reflexos osteotendíneos, avaliação dos pares cranianos. b) Resposta ocular, resposta verbal, resposta motora. c) Resposta verbal, avaliação dos pares cranianos, resposta motora. d) Resposta pupilar, resposta motora, reflexos osteotendíneos.
  3. 3. Questões 2. Quais as variáveis avaliadas no exame neurológico mínimo: a) Resposta pupilar, Escala de Coma de Glasgow, Resposta verbal. b) Resposta ocular, resposta verbal, resposta motora. c) Função pupilar, Nível de consciência, déficit motor lateralizado. d) Resposta motora, reflexos tendíneos e nível de consciência.
  4. 4. Questões 3. Qual sindrome medular se caracteriza por desproporção entre a perda de força motora nas extremidades superiores, que é muito mais acentuada que a perda de força nas extremidades inferiores e decorre de lesões por hiperextensão em doentes que apresentam estenose preexistente do canal medular cervical • a) Sindrome da medula anterior • b) Síndrome central da medula • c) Síndrome de Brown-Séquard • d) Síndrome da medula posterior
  5. 5. Questões 4. Sobre a imobilização da coluna cervical marque a alternativa incorreta: • a) Deve-se imobilizar desde acima até abaixo do local suspeito até exclusão de fratura. • b) O paciente deve ser mantido em posição neutra, ou seja supina, sem rotação ou arqueamento da coluna • c) Crianças com torcicolo e idosos com doenças degenerativas devem ter a curvatura do pescoço corrigida para colocação do colar cervical. • d) A intubação precoce pode e deve ser realizada sempre que existirem evidências de comprometimento respiratório
  6. 6. Questões 5. Segundo a ECG ( Escala de Coma de Glasgow) o TCE é dividido em: a) TCE hiperfuncionante, TCE hipofuncionante, TCE sem resposta. b) TCE leve, moderado e grave. c) TCE assintomático, Oligossintomático ou sintomático. d) TCE insidioso, agudo ou crônico.
  7. 7. CASO CLÍNICO Paciente jovem, vítima de queda de moto sem capacete, admitido há aproximadamente 24 horas com agitação psico-motora, hálito etílico e desorientação. Evoluiu com sonolência, apresentando abertura ocular apenas aos estímulos álgicos, pronunciando palavras desconexas, disfásico, obedecendo aos comandos, apresentou um episódio de vômito. Escala de coma de Glasgow = 11 pontos. Realizada tomografia que evidenciou uma contusão frontal a esquerda, com edema cerebral adjacente e efeito de massa. TCE leve, moderado ou grave? Tratamento cirúrgico x conservador ? Há necessidade de UTI ? Há necessidade de monitorização da PIC ?
  8. 8. Objetivos • Diagnosticar corretamente a presença de um TCE e um TRM; • Diferenciar o TCE em Leve, Moderado e Grave; • Reconhecer os tipos particulares de fraturas e lesões mais comuns; • Realizar o suporte adequado. • Dado o cenário do doente, determinar a necessidade da transferência, internação, consulta a um especialista ou alta.
  9. 9. Introdução • O TCE constitui qualquer agressão que acarrete lesão anatômica ou comprometimento funcional do couro cabeludo, crânio, meninges ou cérebro; • É o principal determinante isolado de mortalidade em vítimas de Trauma; • O dano neurológico não ocorre apenas no momento do impacto, mas progride ao longo de dias e horas (lesão secundária).
  10. 10. Epidemiologia • O TCE é responsável por cerca de 50% dos casos de morte associadas ao trauma; • Mais comum em Jovens de 15 a 24 anos; • Sexo Masculino > 2:1 sobre o sexo Feminino; • + Comumente relacionado a atividades de Transporte  > de 50% das lesões graves; • Quedas (Crianças e Idosos).
  11. 11. Anatomia dos Envoltórios Encefálicos • Três camadas que envolvem o encéfalo: Couro cabeludo – Crânio – Meninges Couro Cabeludo: >Irrigação  Sangramentos importantes Crânio: - Abóboda que recobre o encéfalo é mais fina  > chance de Fraturas (temporal*) - Base firme e áspera  Lesões por aceleração e desaceleração
  12. 12. Anatomia dos Envoltórios Encefálicos
  13. 13. Avaliação • Avaliação inicial deve seguir o ABCDE do exame primário; • Prioridade para a manutenção da via aérea pérvia e a proteção da Coluna Cervical (10% dos TCE também tem lesão cervical); • Corrigir alterações hemodinâmicas; • Boa oxigenação + Correção das perdas de volume  Prevenir lesões secundária.
  14. 14. Avaliação • Após medidas iniciais, procede-se com Exame Neurológico mínimo: (1)Nível de Consciência: - Usa-se a Escala de coma de Glasgow; - Afastando-se outras causas, como intoxicação por drogas e álcool; - É um sinal cardinal de lesão intracraniana.
  15. 15. Avaliação (2) Função Pupilar: - São avaliados Simetria e o Reflexo Fotomotor; - Assimetrias > 1mm, indicativo de acometimento cerebral; - Lesões de massa (hematomas)  >PIC  Herniação do Uncus  Compressão do III par (oculomotor)  MIDRÍASE Ipsilateral
  16. 16. Avaliação (3) Déficit Motor Lateralizado: - Observar presença de assimetria nos movimentos voluntários ou desencadeada por estímulos dolorosos, se comatoso; - Lesões de massa (hematomas)  >PIC  Herniação do Uncus  Compressão do Trato corticoespinhal  Via motora cruza  HEMIPLEGIA Contralateral.
  17. 17. Avaliação • TCE grave  Qualquer dos achados no exame: 1) Pupilas assimétricas; 2) Assimetria motora; 3) Fratura aberta de crânio com perda de líquor ou tecido cerebral exposto; 4) Glasgow < ou = 8, ou queda >3 pontos na reavaliação; 5) Fratura de crânio com afundamento. *Atenção imediata de um Neurocirurgião + CTI!
  18. 18. Diagnóstico • Exame de escolha é a TC de Crânio. Deve ser realizada após estabilização hemodinâmica. - Fraturas são bem localizadas na janela de osso; - Lesões de > gravidade vistas na janela de partes moles são: Hematomas intracranianos, contusões e desvio da linha média. • Raio-x de crânio é indicado para traumas penetrantes e suspeita de lesão temporal.
  19. 19. Tipos Particulares de Trauma • Fraturas de Crânio • Lesões Cerebrais Difusas • Lesões Cerebrais Focais • Lesões dos Pares Cranianos
  20. 20. Fraturas de Crânio • Frequentes. • Nem sempre relacionadas a quadro adverso. • Significado clínico: Maior risco de hematomas intracranianos. • Internação?
  21. 21. Fraturas de Crânio- Tipos: • Fratura linear simples: Observar. • Fratura com afundamento: Fixação cirúrgica se depressão acentuada. • Fratura aberta: Desbridamento e sutura das lesões na dura-máter. • Fratura de Base do Crânio: Pode passar despercebida no exame radiológico. – Ao exame clínico: Rinorreia, Otorreia, Sinal de Battle e Sinal do Guaxinim.
  22. 22. Lesões Cerebrais Difusas • Concussão Cerebral: Perda temporária da consciência (< 6h), seguida de amnesia ou confusão mental, que tendem a desaparecer de forma rápida. • Diagnóstico: Clínico • Tratamento: Suporte
  23. 23. Lesões Cerebrais Difusas • Lesão Axonal Difusa: Ruptura dos Axônios. Estado Comatoso com duração > 6h. – LAD Grave: Coma > 24h c/ Descerebração (M:51%) – LAD Moderada: Coma > 24h s/ Descerebração (M:24%) – LAD Leve: Coma < 24h (M:15%) • Diagnóstico: TC de Crânio exclui outros diagnósticos. RNM por difusão é boa opção. • Tratamento: Suporte Clínico
  24. 24. Lesões Focais • Hematoma Subdural Agudo: – Ruptura das veias subdurais. – 30% dos traumas graves. – Idosos, alcoólatras e usuários de anticoagulantes. – Associação com dano cortical subjancente. • Clínica: Aumento gradual de cefaleia e confusão mental, sinais de HIC • Diagnóstico: TC de Crânio • Tratamento: Drenagem cirúrgica se DLM> 5mm.
  25. 25. Lesões Focais • Hematoma Epidural: – Lesões em ramos da a. meníngea. – 9% dos traumas graves. – Menos associado a dano no córtex subjacente. – Origem arterial= Grandes volumes em pequeno intervalo de tempo. • Clínica: Intervalo lúcido seguido por piora neurológica súbita. • Diagnóstico: TC de crânio • Tratamento: Cirúrgico se DLM>5mm c/ sintomas, ou se DLM>15mm s/ sintomas.
  26. 26. Lesões Focais • Contusão Cerebral: – Graus variados de hemorragia petequial, edema e destruição tecidual na superfície do córtex. – Ocorre em 20-30% dos TCEs graves. • Complicações: Hemorragia intraparenquimatosa, e Cicatrização cortical que favorece a epilepsia pós-traumática. • Diagnóstico: TC de crânio (Repetir em 24h, para avaliar mudança no padrão do exame) • Tratamento: Acompanhamento e Drenagem cirúrgica na presença de efeitos de massa.
  27. 27. Lesões aos Pares Cranianos • N. Olfatório (I par): Anosmia e perda da sensibilidade gustativa para sabores aromáticos. • N. Óptico (II par): Cegueira unilateral completa ou diminuição importante da acuidade visual. • N. Troclear (IV par): Diplopia na mirada para baixo. • N. Facial (VII par): Paralisia facial após 5-7 dias do trauma. Comum em fraturas de base de crânio. • N. Vestibulococlear (VIII par): Perda da audição, vertigem e nistagmo logo após o trauma.
  28. 28. Conduta no TCE Leve • TCE Leve (ECG 13 a 15) – 80% dos casos – Chegam à emergência acordados e as vezes com amnésia relativa a eventos próximos ao trauma – 3% podem apresentar piora súbita, mas o restante evolui bem • TC: não solicitar para todos!
  29. 29. TCE Leve - Perda da consciência por mais de 5 minutos - Amnésia - Cefaleia grave - ECG < 15 - Deficit Neurológico focal TC Alteração na TC ou persistência dos sitomas Solicitar avaliação do neurocirurgião Paciente assintomático e alerta Observar por algumas horas e reexaminar Exame normal: - Alta - Orientar retorno se surgir algum sintoma
  30. 30. Conduta no TCE Moderado • TCE Moderado (ECG 9 a 12) – 10% dos casos – Chegam à emergência confusos, sonolentos e podem apresentar déficit neurológico focal – Costumam obedecer a comandos verbais simples – 10-20% pioram e evoluem para coma, mas o restante evolui bem
  31. 31. TCE Moderado Estabilização Cardiopulmonar Avaliação Neurológica TC para todos Avaliação do neurocirurgião Observação rigorosa em UTI
  32. 32. Conduta no TCE Grave • TCE Grave (ECG 3 a 8) – Pacientes com rebaixamento franco do nível de consciência e dos sinais vitais – Lesões com maior risco de morbimortalidade • Abordagem terapêutica imediata com suporte hemodinâmico e ventilatório adequados – 1º) Estabilização cardiopulmonar (Lembrar do ABCDE) • Deve ser feita o mais rápido possível. Instabilidade hemodinâmica, hipoxemia e retenção de CO2 afetam diretamente lesões cerebrais graves, piorando o prognóstico da vítima
  33. 33. Conduta no TCE Grave • Instabilidade hemodinâmica -> Exame neurológico perde sua confiabilidade – Reduzir os danos • Manter saturação de O2 acima de 98% com ventilação mecânica • Infusão de volume em pacientes hipotensos • Pesquisar fontes de sangramento com exames complementares e se necessário realizar laparotomia (é prioridade)
  34. 34. Conduta no TCE Grave – Cabeceira elevada a 30°: Melhora o retorno venoso e evita HIC • Após estabilização hemodinâmica: – Exames de imagem para investigar lesões (TC) • Solicitar avaliação do neurocirurgião para todos os pacientes – Suporte nutricional: melhora a função imunológica; Enteral é preferível, mas se risco de broncoaspiração usar parenteral
  35. 35. PIC (Pressão Intracraniana) no TCE • Após TCE -> Perda da autorregulação cerebrovascular – Em indivíduos saudáveis: aumentos da PAM fazem contração dos vasos cerebrais e diminuições, fazem dilatação (autorregulação) – No TCE grave ocorre uma elevação intensa do fluxo sanguíneo cerebral ( sem correlação com a demanda metabólica ), que aumenta a PIC – Lesões expansivas ( hematomas) tendem a aumentar a PIC
  36. 36. Porque: A pressão de perfusão cerebral é PAM – PIC, ou seja, quanto menor a PIC, mais fácil de se manter uma perfusão adequada. Quando: Pacientes com ECG < 8 e pacientes com alterações na TC de crânio Como: Posicionamento de um cateter dentro do ventrículo cerebral (ventriculostomia)
  37. 37. Controle da PIC • O ideal é que se mantenha em níveis inferiores a 20mmHg • O aumento da PIC > 20mmHg por mais de cinco minutos caracteriza a hipertensão intracraniana e requer terapia imediata – Drenagem liquórica – Bloqueio neuromuscular e sedação: controle da dor e agitação, diminuindo o metabolismo e o fluxo sanguíneo – Terapia Hiperosmolar: Reduzem o edema cerebral movendo a água para fora das células
  38. 38. Controle da PIC • Se a PIC permanecer aumentada: – Hiperventilação: a diminuição da PaCO2 faz vasoconstrição cerebral e diminui o fluxo sanguíneo. – Hipotermia: quando instituída com segurança, até 33°, diminui o fluxo sanguíneo cerebral e a PIC; aumenta a sobrevida do paciente – Abordagem cirúrgica • Remoção da lesão expansiva que está ocupando o espaço das estruturas cerebrais
  39. 39. CASO CLÍNICO Paciente jovem, vítima de queda de moto sem capacete, admitido há aproximadamente 24 horas com agitação psico-motora, hálito etílico e desorientação. Evoluiu com sonolência, apresentando abertura ocular apenas aos estímulos álgicos, pronunciando palavras desconexas, disfásico, obedecendo aos comandos, apresentou um episódio de vômito. Escala de coma de Glasgow = 11 pontos. Realizada tomografia que evidenciou uma contusão frontal a esquerda, com edema cerebral adjacente e efeito de massa. TCE leve, moderado ou grave? Tratamento cirúrgico x conservador ? Há necessidade de UTI ? Há necessidade de monitorização da PIC ?
  40. 40. Conclusão • O TCE é um agravo relativamente frequente e importante causa de morbimortalidade. • Causas evitáveis (Acidentes de trânsito, quedas...) • Anos de vida perdidos e incapacidade funcional gerando prejuízos emocionais e financeiros. • O médico deve saber manejar o TCE e diagnosticar precocemente situações de risco.
  41. 41. Trauma Raquimedular
  42. 42. Caso clínico Um homem de 38 anos foi retirado de uma piscina. Seus sinais vitais são pressão arterial 80x62; frequência cardíaca 58; frequência respiratória 28. Ele está alerta e obedece a comandos. Sua respiração é superficial e não está movimentando os braços e pernas. O doente não consegue movimentar suas pernas. Ele consegue movimentar os dedos de ambas as mãos, pode movimentar seus punhos e realiza uma fraca extensão do tríceps à esquerda. Não consegue movimentar seu ombro direito. Ele sente seus dedos e o polegar de ambas as mãos, mas não sente nada acima dos ombros.
  43. 43. Epidemiologia 55% das lesões traumáticas da coluna vertebral ocorrem na região cervical; 15% na região torácica; 15% na transição toracolombar; 15% na região lombossacra. Aproximadamente 10% dos doentes vítimas de fraturas de coluna cervical apresentam uma segunda fratura de coluna vertebral, não contígua.
  44. 44. 5% dos doentes com lesão de coluna passam a ter manifestações neurológicas ou piora dos sintomas já existentes após chegarem ao serviço de emergência. Por que ? • Isquemia • Progressão do edema medular • Porém, também pode ser resultado de imobilização inadequada. Obs: adiamento do exame da coluna e exclusão de lesões medulares em pacientes instáveis
  45. 45. • Paciente sem déficit neurológico, dor ou hipersensibilidade ao longo da coluna, sem evidência de intoxicação ou lesões que desviem a atenção, excluir a presença de lesão de coluna é simples. • Paciente normal do ponto de vista neurológico, a ausência de dor e de hipersensibilidade ao longo da coluna vertebral virtualmente exclui a presença de lesões significativas da coluna. • Paciente em coma ou com depressão do nível de consciência, a exclusão de lesões não é tão simples e cabe ao médico solicitar as radiografias pertinentes para excluir a presença de lesões de coluna.
  46. 46. Se radiografias inconclusivas: a coluna do doente deve permanecer protegida até que outros exames possam ser realizados. A imobilização prolongada pode levar à formação de graves lesões por pressão em doentes com lesões vertebromedulares. Portanto, a prancha longa deve ser usada somente como um dispositivo de transporte para o doente e todos os esforços devem ser empreendidos para que ele seja avaliado por especialistas apropriados e retirado da prancha o mais rápido possível.
  47. 47. Quando não se consegue completar tal avaliação dentro de 2 horas, o doente deve ser removido da prancha longa e rodado lateralmente, em monobloco, em intervalos de 2 horas, mantendo-se a integridade da coluna com a finalidade de evitar a formação de lesões por pressão.
  48. 48. Anatomia
  49. 49. Anatomia da medula espinhal
  50. 50. • Quando não existe qualquer evidência de função motora ou sensorial abaixo de um determinado nível, esse estado é definido como lesão completa da medula espinhal. • Durante as primeiras semanas após a lesão, este diagnóstico não pode ser feito com precisão em razão da possibilidade de ocorrência do choque medular. Caso um certo grau de função sensorial ou motora permaneça, esse estado reflete uma lesão incompleta da medula espinhal e o prognóstico, quanto à recuperação, é significativamente melhor do que aquele com lesão medular completa.
  51. 51. Exame do sistema sensorial Como avaliar o estado neurológico do doente? DERMÁTOMOS: • Entende-se por dermátomo a área de pele inervada pelos axônios sensitivos que estão situados dentro de uma determinada raiz nervosa segmentar. O conhecimento dos níveis de alguns dermátomos importantes reveste-se do maior significado, pois permite determinar o nível da lesão traumática e avaliar a evolução neurológica, seja para melhora ou para agravamento. O nível sensorial é definido como o dermátomo mais baixo com função sensorial normal e pode, com frequência, diferir de um lado para o outro do corpo.
  52. 52. MIÓTOMOS • Os músculos chaves devem ser testados quanto à força nos dois lados. Cada músculo é classificado em uma escala de 6 pontos de uma força normal até a paralisia (Tabela 7.3). A documentação da força nos grupos musculares ajuda a avaliar a melhora ou a piora nos exames subsequentes. Além disso, o esfíncter anal externo deve ser testado quanto à contração voluntária durante o toque retal.
  53. 53. Classificação das lesões medulares NÍVEL • O nível neurológico de lesão é definido pelo segmento mais caudal da medula, que se traduz através de funções motoras e sensoriais normais em ambos os lados do corpo • Nível sensorial: refere-se aos segmentos mais caudais da medula que conservam suas funções sensoriais normais. • Nível motor é definido pela função motora do grupo-chave muscular mais baixo que mantém um valor de, pelo menos, 3/5 na escala de graduação de força muscular
  54. 54. • Uma clara distinção deve ser feita entre as lesões acima e abaixo de T1 . As lesões traumáticas dos primeiros 8 segmentos cervicais da medula resultam em quadriplegia, enquanto as abaixo de T1 acarretam paraplegia. • O nível ósseo da lesão corresponde à vértebra cuja estrutura está danificada, resultando em lesão medular. Já o nível neurológico da lesão é determinado fundamentalmente pelo exame clínico.
  55. 55. GRAVIDADE DO DÉFICE NEUROLÓGICO Lesões medulares podem ser categorizadas quanto a: • Paraplegia incompleta (lesão torácica incompleta) • Paraplegia completa (lesão torácica completa) • Quadriplegia incompleta ( lesão cervical incompleta) • Quadriplegia completa (lesão cervical completa) Isso é importante para avaliar qualquer sinal de preservação da função ao longo dos tratos da medula espinhal. Qualquer função motora ou sensorial abaixo do nível da lesão constitui uma lesão incompleta.
  56. 56. SÍNDROMES MEDULARES • A síndrome central da medula é caracterizada pela desproporção entre a perda de força motora nas extremidades superiores, que é muito mais acentuada que a perda de força nas extremidades inferiores. Decorre de lesões por hiperextensão em doentes que apresentam estenose preexistente do canal medular cervical (comumente manifestação de doença osteoartrítica degenerativa). Habitualmente, a história é de uma queda para frente que resulta em impacto facial. Os braços e as mãos são os mais gravemente atingidos.
  57. 57. • A síndrome anterior da medula caracteriza-se por paraplegia e por dissociação da perda sensorial com perda de sensibilidade à dor e à temperatura. A função da coluna posterior (responsável pela sensibilidade proprioceptiva ao posicionamento, à vibração e à pressão profunda) está preservada. Usualmente, a síndrome anterior da medula é secundária a infarto da medula no território suprido pela artéria espinhal anterior. De todas as lesões incompletas, é aquela que tem o pior prognóstico.
  58. 58. • A síndrome de Brown-Séquard resulta da hemissecção da medula, geralmente por traumatismo penetrante. Embora esta síndrome seja raramente encontrada, as variações do padrão clássico não são raras. Em sua forma mais pura, ela consiste em comprometimento motor ipsilateral (trato corticoespinhal) e perda da sensibilidade postural (coluna posterior), concomitantes à perda contralateral da sensibilidade térmica e à dor começando um ou dois níveis abaixo do nível da lesão (trato espinotalâmico). Mesmo que a síndrome seja decorrente de traumatismos penetrantes diretamente na medula, costuma ocorrer algum grau de recuperação.
  59. 59. MORFOLOGIA • As lesões traumáticas de coluna podem ser descritas como fraturas, fraturas-luxações, lesões medulares sem anormalidades radiológicas (SCIWORA) e lesões penetrantes. • Estável ou instável. Durante o atendimento inicial, todo doente que apresente evidências radiológicas de lesão de coluna e todos aqueles com défices neurológicos devem ser considerados portadores de uma lesão instável da coluna. Esses doentes devem ser imobilizados até serem avaliados por um especialista, geralmente um neurocirurgião ou um ortopedista.
  60. 60. Avaliação radiológica COLUNA CERVICAL • Radiografias da coluna cervical são indicadas para todos os doentes traumatizados portadores de dor na linha média do pescoço, sensibilidade à palpação, défices neurológicos relacionados à coluna cervical, alteração do nível de consciência, suspeita de intoxicação ou mecanismo de trauma significativo que cause lesão que desvie a atenção. • Incidencias lateral, anteroposterior ( AP ) e transoral para identificação do odontoide. Na incidência lateral devem ser visualizadas a base do crânio, todas as sete vértebras cervicais e a primeira vértebra torácica.
  61. 61. • Paciente em posição sem dor • Movimentos devem ser voluntários • Sob supervisão de um médico experiente na interpretação do exame. • Em alguns doentes portadores de lesão importante de partes moles deve ser tratado com um colar cervical semirrígido por 2 a 3 semanas antes de repetir qualquer tentativa de radiografias em flexão e extensão. A ressonância magnética parece ser o exame mais sensível para detectar lesões de tecidos moles em até 72 horas após a lesão.
  62. 62. • Na presença de défices neurológicos, a ressonância nuclear magnética (RNM) é recomendada para detectar qualquer lesão por compressão de partes moles, como hematoma extradural ou hérnia de disco traumática, que não podem ser detectados nas radiografias simples.
  63. 63. COLUNA TORÁCICA E LOMBAR • Indicações: são as mesmas que as utilizadas para a coluna cervical • Quando possivel: TC como triagem inicial • Radiografias anteroposteriores e laterais, junto com cortes axiais de tomografia computadorizada, realizadas em áreas suspeitas, diagnosticam mais de 99% das lesões instáveis. • O alinhamento vertical dos pedículos e a distância entre os pedículos de cada vértebra lombar e torácica devem ser observados na incidência anteroposterior. As fraturas instáveis frequentemente provocam aumento da distância interpedicular.
  64. 64. COLUNA TORÁCICA E LOMBAR • Antes de retirar as imobilizações e proteções da coluna, uma série completa de radiografias de boa qualidade deve ser considerada normal após análise e interpretação adequada por um médico habilitado, à semelhança do que é feito com a coluna cervical. Entretanto, devido à possibilidade de úlcera por pressão, a remoção desses doentes da prancha longa NAO deve aguardar pela interpretação final dessas radiografias.
  65. 65. Imobilização • Atendimento pré-hospitalar • Imobilização desde acima até abaixo do local suspeito até exclusão de fratura • Deve ser mantido em posição neutra, ou seja supina, sem rotação ou arqueamento da coluna • Deformações de crianças (torcicolo) e idosos (doenças degenerativas)
  66. 66. • Evitar extensão e flexão do pescoço • A via aérea é de importância crítica nos doentes com lesão de medula. • A intubação precoce pode e deve ser realizada sempre que existirem evidências de comprometimento respiratório. A intubação deve ser realizada mantendo-se o pescoço em posição neutra.
  67. 67. • A movimentação segura ou o rolamento em bloco do doente portador, ou potencialmente portador, de lesão instável de coluna requer um planejamento prévio e a participação de 4 ou mais indivíduos, dependendo do tamanho do doente (• FIGURA 7-1 2) . Quando se rola ou se levanta o doente, deve-se manter o alinhamento anatômico neutro de toda a coluna vertebral. Uma pessoa fica designada para manter a imobilização e o alinhamento da cabeça e do pescoço. Indivíduos posicionados no mesmo lado do tronco do doente evitam manualmente a rotação segmentar, a flexão, a extensão, o dobramento lateral ou o encurvamento do tórax ou do abdome durante a transferência do doente. A quarta pessoa fica responsável por movimentar as pernas, remover a prancha e examinar o dorso do doente.
  68. 68. OBRIGADO www.uft.edu.br/LUTTE lutte@uft.edu.br
  69. 69. Bibliografia • SUPORTE AVANÇADO DE VIDA NO TRAUMA- ATLS- COLEGIO AMERICANO DE CIRURGIÕES- Manual do Curso para Alunos, 7° Edição. • TOWSEND Jr CM; BEAUCHAMP RF; EVERS BM; MATTOX KL. Sabiston Textbook of Surgery: The Biological Basis of Modern Surgical Practice, 19° Edition, Philadelphia. Saunders- Elsevier, 2012. • GAUDÊNCIO TG; LEÃO GM- A Epidemiologia do Traumatismo CrânioEncefálico: Um Levantamento Bibliográfico no Brasil; Revista de Neurociências; 2013. • FUKUJIMA MM- O Traumatismo Cranioencefálico na Vida do Brasileiro; Revista de Neurociências; 2013. • Condutas no paciente com trauma crânioencefálico* Managements in patients with traumatic brain injury – Artigo de revisão

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