Lenda e Ladainhas de Torre de          Moncorvo
LENDA DE TORRE DE MONCORVOTorre de Moncorvo teria nascido de uma remota Vila da Alta Idade Média, que emantigos documentos...
- Juro pois! ... por estes dois que a terra há-de comer! ... - disse ela apontando paraos olhos.- Então lá vai: calcula qu...
LADAINHAS- O MAGUSTO-O magusto realiza-se depois da eucaristia e da procissão. As pessoas que queremparticipar reúnem-se, ...
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Lenda e ladainhas de torre de moncorvo luis e carromão

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Lenda e ladainhas de torre de moncorvo luis e carromão

  1. 1. Lenda e Ladainhas de Torre de Moncorvo
  2. 2. LENDA DE TORRE DE MONCORVOTorre de Moncorvo teria nascido de uma remota Vila da Alta Idade Média, que emantigos documentos vem designada Vila Velha de Santa Cruz da Vilariça, situada notopo da margem direita do Rio Sabor e nas proximidades do núcleo de vida pré-histórica do Baldoeiro.Segundo a lenda, viveu naquela região, há muito tempo atrás, alguns séculos, umhomem chamado Mendo ou Mem. Dizem uns que era um nobre senhor, mas a nossalenda faz dele um pobre lavrador que habitava uma choupana com sua mulher, nãomuito longe do monte Reboredo.Aconteceu certo dia que Mendo achou um tesouro enterrado sob um penedo domonte. Vendo-se, de repente, tão rico - o tesouro era fabuloso -, o homem sentiufugir-lhe o juízo. Em breve, porém, recuperou o sangue frio e, reconhecendo sermelhor manter em segredo aquele achado, para que lho não cobiçassem tratou depensar no que lhe fazer, onde o guardar.Tão grande era a sua alegria que não cabia em si e no fundo, desejava partilhar oseu segredo com alguém que consigo se regozijasse. E, como a pessoa que maisperto de si estava por muitas razões óbvias, era a mulher, sentiu uma imensavontade de lhe contar a felicidade que acabara de ter. Contudo, Mendo eradesconfiado, e como conhecia a mulher de ginjeira achou que ela não seria capaz deguardar segredo por muito tempo.Assim, decidiu arranjar uma mentira para a pôr à prova. Depois de muito pensar,encontrou o que dizer e foi ter com ela.- Anda cá, mulher, senta-te aqui comigo nesta pedra! Quero contar-te uma coisa,mas tens de prometer guardar segredo...- Então o que é? Conta, homem, conta!!- Juras que não contas nada disto a ninguém?
  3. 3. - Juro pois! ... por estes dois que a terra há-de comer! ... - disse ela apontando paraos olhos.- Então lá vai: calcula que vi hoje um corvo parir um par de corvinhos!...- Ora homem, isso é lá possível!?- ...eu seja ceguinho!A mulher ficou-se um pouco incrédula, sentada na pedra, enquanto ele se afastavapara ir à sua vida, contente com a história que arranjara. Agora era só esperaralgum tempo, ter um pouco de paciência e... ver o resultado. Durante algum tempo,a mulher quedou-se pasmada com a história que Mendo lhe contara: «era lá possívelum corvo parir, parir como gente!? ... Não, não é verdade! Aquilo foi o homem amangar comigo!...».Sem poder conter-se mais, e como segredo é aquilo que se conta a uma pessoa decada vez, foi dali à vizinha mais próxima relatar o que dissera o marido. Desta vezo corvo já não tinha parido dois corvinhos, mas quatro e, é claro, tudo isto era umsegredo.Acabada a conversa, despediram-se as vizinhas e foi dali cada uma contar a outrapessoa. De tal modo se espalhou o segredo que em breve toda a gente da regiãoconhecia a história do corvo parindo em variadíssimas versões.Em vista disto, Mendo, o lavrador, decidiu ocultar de todos o seu segredo, o seutesouro, e para isso construiu uma grande torre onde passou a morar para melhordefender o seu ouro.Do nome do lavrador e da história do corvo, ficaram a chamar ao edifício Torre doMendo (ou Mem) do Corvo. Com o tempo, esquecida a história, o povo foisimplificando o nome até chamar ao local TORRE DE MONCORVO.
  4. 4. LADAINHAS- O MAGUSTO-O magusto realiza-se depois da eucaristia e da procissão. As pessoas que queremparticipar reúnem-se, normalmente no Lugar da Eiras, por ser um espaço tranquilo,óptimo para este tipo de convívio. Então são trazidas as castanhas e a palha queservirá para as assar. Esta última é espalhada no chão e as castanhas espalhadassobre a palha. Incendeia-se e começa-se o assar das castanhas.Logo que as primeiras castanhas estejam assadas, os participantes, aproximam-seda extinta fogueira e retiram-nas, consumindo-as em livre associação e felizconvívio entre todos até que se acabem as castanhas, fazendo, portanto, maisfogueiras. Durante o magusto, está presente a caldeira e o gaiteiro. A caldeira,desta vez, está colocada no chão, disponível para qualquer pessoa que queira beber.O gaiteiro, toca as musicas que conhece, tendo que, mais frequentemente, tocar asmusicas do S. Martinho, acompanhadas pelos homens que formam o coro.Assim que haja cinzas resultantes da queima da palha, as pessoas, sujampropositadamente as mãos, de modo a ficarem negras, para depois, as irem aesfregar nas caras das pessoas que estão presentes. Ora, com isto, levamos a umconvívio, onde todas as pessoas estão de igual, com as caras sujas do carvão,levando-as a designar por já terem a cara "enfarruscada" ou "enfurretada".Por fim e para aquelas pessoas que não puderam estar presentes no magusto,assam-se castanhas, que depois são introduzidas em sacos e os homenstransportam-nos ao ombro, pelas ruas de Maçores e que vão distribuindo edividindo pelas pessoas que se abeirarem. Recordo, mesmo nesta distribuição, acaldeira e o gaiteiro estão presentes, podendo desta maneira, as pessoas que nãofossem ao magusto, ver a caldeira e ouvir as nossas melodias ao som da gaita-de-foles e do coro masculino.

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