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Caso Abdul - Revisão dos Princípios Básicos da Contabilidade

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Nesse caso, além de revisar os princípios básicos da contabilidade, poderemos ter uma visão geral sobre análise de empresas.

Published in: Economy & Finance
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Caso Abdul - Revisão dos Princípios Básicos da Contabilidade

  1. 1. Universidade Federal da Paraíba - Centro de Ciências Sociais Aplicadas - Programa de Pós-Graduação em Ciências Contábeis Campus I - Cidade Universitária - CEP 58.051-900 - João Pessoa/PB Telefone: +55 (83) 3216 7285 - http://ccsa.ufpb.br/ppgcc - e-mail: ppgcc@ccsa.ufpb.br O CASO ABDUL: Sr. Abdul Schmidt Disciplina: Análise Avançada das Demonstrações Contábeis Alunos: André Sekunda Polyandra Zampiere Professor: Felipe Pontes
  2. 2. Roteiro www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 2 ❑ Contextualização ❑ O Caso Abdul ➢ Análise da viabilidade do negócio; ✓ Conceitos Essenciais para ADC (entidade, competência, avaliação a fair value, avaliação ao custo, entre outros). ❑ Considerações Finais
  3. 3. Contextualização www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 3 ❑ O caso Abdul foi desenvolvido para fins didáticos. ❑ Para desempenha uma boa análise das demonstrações contábeis, precisa-se: ✓ Saber ler, captar o não dito. ✓ Ter conhecimento do modelo contábil e sobre o negócio da empresa (quando reconhecer, mensurar e evidenciar uma transação?). ✓ Quantidade de indicadores - não existe um indicador específico ou um conjunto de indicadores que resolva todos os problemas.
  4. 4. O Caso ABDUL www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 4 ❑ Abdul Schmidt, alimentando o sonho de ser dono do próprio negócio, investiu seus únicos R$ 40.000,00 na compra de um taxi (0 km), para iniciar a sua microempresa Abdul Schmidt & Família. ❑ Sem muito planejamento, Abdul iniciou suas atividades, cheio de esperanças, em 05/09/x4. ❑ Inquietações sobre o negócio.
  5. 5. O Caso ABDUL www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 5 ❑ Viabilidade do negócio, teria sido uma boa iniciativa investir todos os seus recursos nesse taxi? ➢ Vamos analisar...
  6. 6. www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 6 ❑ Em 31/12/X4 o Fluxo de Caixa para o quadrimestre indicava: O Caso ABDUL Itens Valores Receitas de Serviços 15.000 Despesas com Combustíveis (3.500) Despesas com Manutenção (800) Imposto e Seguro (400) Aluguel de Casa e Garagem (1.600) Alimentação (2.000) Diversas Despesas Pessoais (460) Renda de Poupança 60 Saldo Final (incluindo 6.000 na conta poupança) 6.300
  7. 7. O Caso ABDUL www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 7 ❑ Além desses dados, existiam as seguintes informações complementares: a) A depreciação aceita pelo Fisco é em 5 anos, com valor residual nulo, mas Abdul estima o uso do carro em 4 anos, quando acredita poder vendê-lo por 40% do preço de um novo. O valor de reposição do táxi em 31/12/X4 é de $ 41.000 em estado de novo. O valor de venda como se encontra é de $ 30.000. b) Se tivesse trabalhado de empregado, Abdul teria ganhado $ 4.000 nesse período. c) Há uma conta com manutenção a pagar de $ 200 e Abdul cobra, ao final dos meses ímpares, $ 200 do Sr. Salim para levar seus filhos à escola, e prestou o serviço em dezembro. d) A caderneta de poupança de Abdul é do dia 03 e renderá 0,7% em janeiro.
  8. 8. Conceitos Essenciais para ADC www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 8 ❑ Entidade ❑ Competência ❑ Ativo e Passivo e seus reconhecimentos ❑ Avaliação a fair value ❑ Avaliação ao custo ❑ Depreciação; depreciação e caixa ❑ Custo de oportunidade ❑ Impairment ❑ Conciliando Lucro e Caixa ❑ Balanços na continuidade e descontinuidade ❑ Balanço e Valor da Empresa ❑ Custo Histórico e Reposição de Ativos
  9. 9. Princípio da Entidade www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 9 ❑ Reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. ❑ Por consequência, nesta acepção, o Patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição.
  10. 10. Princípio da Entidade www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 10 ❑ Há necessidade da segregação das despesas pessoais do Sr. Adbul daquelas inerentes à atividade de taxista?. ❑ O princípio determina que temos que definir qual a entidade em análise e não simplesmente segregar o patrimônio. ❑ O objetivo da contabilidade é prestar informações acerca de uma estrutura patrimonial, independentemente se pertencer a pessoa jurídica ou física. ❑ Não há nada que o impeça que a família do sr. Abdul seja tratada como uma entidade. O que deve ser feito é definir qual a entidade analisada.
  11. 11. www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 11 ❑ AS & Família é a entidade, portanto, serão considerados aluguel da casa, despesas pessoais de alimentação, higiene, limpeza e outros como despesas da entidade. O Caso ABDUL Dados da Entidade Valores Compra Taxi em 05/09/x4 40.000 Vida Útil 4 anos Valor Residual (final de vida útil) 40% Valor de Reposição do Taxi em 31/12/x4 41.000 Valor de Venda do Taxi em 31/12/x4 30.000 Poupança Janeiro 0,7% Salário Mensal, se empregado 1.000
  12. 12. O Caso Abdul: AS & Família www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 12 ❑ Para analisar a viabilidade do negócio, montaremos o Balanço Patrimonial com as seguintes possibilidades: ✓ Balanço a fair value com a compra do taxi; ✓ Balanço de Abdul empregado; ✓ Balanço de acordo com as regras contábeis tradicionais.
  13. 13. O Caso Abdul: fair value www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 13 ❑ Fair Value: representa o preço que seria recebido pela venda de um ativo ou que seria pago pela transferência de um passivo em uma transação não forçada entre participantes do mercado na data de mensuração (CPC 46, 2012). ❑ A estimação do preço de um ativo a fair value é realizada mediante emprego de 3 técnicas principais: abordagem de mercado, abordagem de custo e abordagem de receita.
  14. 14. O Caso Abdul: fair value www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 14 ❑ Relembrando: ➢ Caixa de 6.300, conforme fluxo de caixa; ➢ Contas a receber de 100,00 do Sr. Salim (transporte dos filhos); ❖ Será reconhecido porque o Sr. Abdul prestou o serviço e tem convicção de que vai receber esse valor. ➢ Rendimentos de 42,00 da poupança (03 de janeiro – 27/30), regime de competência – (6.000,00 x 0,7%); ➢ Automóvel de 30.000,00 valor de venda, uma vez que há mercado ativo e esse é primeiro critério para o conceito de valor justo. ➢ Despesas manutenção 200,00.
  15. 15. www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 15 O Caso ABDUL: balanço a fair value ATIVO PASSIVO Disponível 6.300 Contas a Pagar 200 Serviços a Receber 100 Juros a Receber 42 Patrimônio Líquido (PL) 36.242 Automóvel 30.000 Capital 40.000 Prejuízo Acumulado (3.758) Total 36.442 36.442 ➢ Como foi calculado o prejuízo???
  16. 16. O Caso Abdul: empregado www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 16 ❑ Caso o Sr. Abdul estivesse trabalhando de empregado, não teria desembolsos, tais como: ➢ combustíveis, manutenção, imposto e seguro do carro; ➢ variação no valor do aluguel; ❑ Por outro lado, teria um rendimento na poupança pela aplicação do dinheiro 40.000,00 (valor do carro), a 0.7% que daria 1.132,00 (juros compostos). Logo o fluxo de caixa.
  17. 17. www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 17 ❑ Em 31/12/X4 o Fluxo de Caixa trabalhando como empregado O Caso ABDUL Itens Valores Receitas de Salários 4.000 Despesas com Combustíveis - Despesas com Manutenção - Imposto e Seguro - Aluguel de Casa e Garagem (1.600) Alimentação (2.000) Diversas Despesas Pessoais (460) Renda de Poupança 1.132 Sobra do período 1.072 Saldo Inicial 40.000 Saldo Final 41.072
  18. 18. www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 18 O Caso ABDUL: empregado ATIVO PASSIVO + PL Disponível - Capital 40.000 Poupança + Juros a receber 41.072 Lucros Acumulados 1.072 41.072 41.072 ➢ Se trabalhando, seu patrimônio provavelmente seria maior. ➢ Valeu a pena? Diferença total é de 4.830 (3.758 + 1.072), que representa o custo de oportunidade. ➢ Motim da família.
  19. 19. O Caso Abdul: viabilidade do negócio www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 19 ❑ S.O.S CONTADOR!
  20. 20. O Caso Abdul: SOS Contador www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 20 ❑ O vizinho/contador verificou que o balanço não obedece as regras contábeis, porque: ❑ O taxi é uma ativo imobilizado, logo, a avaliação não é valor justo, e sim, custo depreciado.
  21. 21. www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 21 O Caso ABDUL:Demonstração do Resultado Itens Valores Receitas de Serviços 15.100 Despesas com Combustíveis (3.500) Despesas com Manutenção (1.000) Imposto e Seguro (400) Aluguel de Casa e Garagem (1.600) Alimentação (2.000) Diversas Despesas Pessoais (460) Renda de Poupança 102 Depreciação (1.967) Lucro 4.275
  22. 22. www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 22 O Caso ABDUL: regras contábeis ATIVO PASSIVO Disponível 6.300 Contas a Pagar 200 Serviços a Receber 100 Juros a Receber 42 Patrimônio Líquido (PL) Automóvel 40.000 (-) Dep. Acumulada (1.967) Capital 40.000 Lucros Acumulados 4.275 Total 44.475 44.475
  23. 23. O Caso Abdul: Teste de impairment www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 23 ❑ Mas o balanço segue as normas contábeis? ❑ Conforme o CPC 01 (R1) uma entidade só deve manter em seu ativo, contas representativas de bens e direitos registrados por valores que não excedam seus valores recuperáveis; ❑ Quando um ativo está registrado por um valor que excede seu valor recuperável? ❑ Um ativo está registrado por valor que excede seu valor de recuperação quando o seu valor contábil for maior que o valor a ser recuperado pelo uso ou pela venda do ativo;
  24. 24. Universidade Federal da Paraíba - Centro de Ciências Sociais Aplicadas - Programa de Pós-Graduação em Ciências Contábeis Campus I - Cidade Universitária - CEP 58.051-900 - João Pessoa/PB Telefone: +55 (83) 3216 7285 - http://ccsa.ufpb.br/ppgcc - e-mail: ppgcc@ccsa.ufpb.br R$ 91.304 R$ 30.000 R$ 38.033
  25. 25. www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 25 Fluxo de Caixa de Lucro Projetado (para quatro anos) Caixa + Quase Caixa 6.242 Lucro 4.275 x12 x12 74.904 51.304 Venda do Automóvel 16.400 Caixa total final projetado 91.304 Lucro total projetado 51.304 Balanço Patrimonial Disponível 91.304 Capital 40.000 Lucro Acumulado 51.304 Total 91.304 Total 91.304 O Caso Abdul: conciliando lucro com caixa
  26. 26. A continuidade da empresa www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 26 ❑A informação contábil é levantada tendo como pressuposto a continuidade da empresa. Caso apresente indícios de descontinuidade, isso refletirá substancialmente na informação contábil da companhia. ❑ O Princípio da Continuidade pressupõe que a Entidade continuará em operação no futuro e, portanto, a mensuração e a apresentação dos componentes do patrimônio levam em conta esta circunstância. ❑O pressuposto da continuidade influencia a mensuração do patrimônio da entidade e constitui um dos pressupostos básicos para elaboração da informação contábil, conforme tratado na Estrutura Conceitual Básica - CPC 00.
  27. 27. A continuidade da empresa www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 27 ❑ Quando a empresa tem continuidade, ou seja, não existem indícios de que poderá encerrar suas atividades no curto prazo, o melhor critério para mensuração dos seus ativos e passivos é o critério contábil a custo. ❑ Já se a empresa possui indícios de descontinuidade, o balanço a custo não oferece a melhor informação sobre a situação da empresa, pois reflete com maior precisão a evolução do patrimônio até aquele momento. A avaliação a fair value se mostra como a melhor alternativa para este caso. ❑Os ativos avaliados a fair value representam mais adequadamente a realidade em cenário de descontinuidade, pois indicam um valor mais ajustado, próximo ao que a empresa poderia efetivamente receber.
  28. 28. A Continuidade da Empresa www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 28 ❑ A diferença existente entre o BP a fair value e segundo os critérios contábeis reside na depreciação (caso Abdul). ❑ A depreciação calculada segundo a vida útil estimada do carro (5 anos), fornece um valor de apenas 1.967,00. Porém, como a realidade prática nos ensina, tão logo o carro “sai da concessionária”, ele tem uma desvalorização muito alta. ❑ Por isso que o BP a fair value apresenta um patrimônio bem menor do que o BP preparado sob a égide das regras contábeis (30.000,00). ❑ Importância da continuidade e apresentar o balanço das duas formas.
  29. 29. O Balanço e o Valor da Empresa www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 29 ❑ Mas quanto a empresa realmente vale? ❑ A contabilidade nunca teve como objetivo mostrar no BP quanto a empresa vale e isso é uma das suas grandes críticas. ❑ Alguns autores defendem o fair value como uma opção para mostrar a realidade. No entanto, ele não mostra 100% quanto a empresa vale, é apenas uma aproximação na descontinuidade. ❑ Deseja-se saber quanto a companhia vale “em marcha”. ❑ Para tanto, é necessário que o Patrimônio Líquido esteja em full fair value.
  30. 30. O BP a Custo Histórico e a Reposição dos Ativos www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 30 ❑ Defende-se que o negócio do Sr. Abdul é perfeitamente viável. Considerando seu resultado, a família pode optar entre: ✓ Economizar o dinheiro e depois de certo tempo comprar outro taxi. ✓ “Torrar” todo o lucro auferido pelo taxia. ❑ Optando por “torrar”, tem-se que a empresa distribui todos os seus lucros, que seria 12 X 4.275 = 51.304,00. Assim, ficaria em caixa com 40.000 valor do capital inicial. ❑ No entanto, se o carro continuar com valor de reposição de 41.000,00 não tem como repor o carro.
  31. 31. O BP a Custo Histórico e a Reposição dos Ativos www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 31 ❑ A contabilidade parte do pressuposto da continuidade e “peca” ao desconsidera as variações de preços específicos dos ativos que ela precisa manter. ❑ Distribuindo todo o lucro, não haverá capital suficiente para manter fisicamente a empresa. Assim, para sanar tal problema, poderia ser feito uma depreciação a custo de reposição para fins gerencias e evitar o problema.
  32. 32. www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 32 ❑ Essa diferença (2.050 - 1.967 = 83) deveria ficar retida na empresa para que, ao final dos 12 quadrimestres, a empresa tivesse um capital financeiro de $ 41.000, necessário e suficiente para repor o táxi para a entidade familiar. ❑ Com isso, a DRE da Entidade Familiar ficaria assim apresentada: Demonstração do Resultado Alternativa Lucro antes da depreciação 6.242 Depreciação À base reposição (2.050) Lucro disponível 4.192 “Depreciação retida” 83 Lucro líquido contábil “tradicional” 4.275 O BP a Custo Histórico e a Reposição dos Ativos
  33. 33. O Balanço e a Inflação www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 33 ❑ A correção monetária de demonstrações contábeis foi extinta pela Lei nº 9.249/95, complementando as medidas econômicas do Plano Real. Logo, desde 1º de janeiro de 1996 não há mais correção monetária das demonstrações contábeis no Brasil. ❑ No entanto, em termos práticos, sabemos que a inflação é um processo ainda existente no Brasil, ainda que controlado. Vejamos um gráfico da inflação desde 2009:
  34. 34. O Balanço e a Inflação www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 34
  35. 35. O Balanço e a Inflação www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 35 ❑ A norma IAS 29 permite a correção de contas no balanço somente em economias consideradas hiperinflacionárias. E um dos itens da regra diz que isso seria caracterizado quando a inflação atinge 100% num período de três anos. ❑ Os balanços da entidade familiar Abdul, caso corrigidos por uma inflação de 2%, teriam a seguinte configuração:
  36. 36. O Balanço e a Inflação www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 36
  37. 37. Avaliando a empresa www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 37 ❑A grande lacuna da contabilidade apontada por grande número de autores refere- se ao fato de que a contabilidade não oferece a avaliação da empresa. Porém, a contabilidade fornece muitos insumos para mensuração desse valor. No entanto, diversos problemas existem no processo de avaliação da entidade. ❑A primeira dificuldade na avaliação da empresa é a definição do custo de oportunidade. No caso da entidade familiar do sr. Abdul, foi arbitrada uma taxa de, no mínimo, 12% a.a.
  38. 38. Avaliando a empresa www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 38 ❑No caso do sr. Abdul, pressupõe-se que a entidade continuará a gerar, eternamente, fluxos de caixa da ordem de $ 6.242 ao quadrimestre, ou seja, $ 18.726 ao ano. ❑Esse valor de $ 6.242 é obtido somando-se o Lucro Líquido do período e a despesa com depreciação (que não afeta o caixa). ❑Logo, para encontrarmos o valor de avaliação da “empresa” basta dividir o fluxo de caixa projetado pela taxa livre de risco? ❑ 18.726 0,12 = $156.050? NÃO.
  39. 39. Avaliando a empresa www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 39 ❑Precisamos analisar os fluxos de caixa individualmente e projetá-los para os anos 1, 2, 3 e 4. No entanto, no 4o ano o FC será negativo (- 5.874) em decorrência da diferença entre o FC gerado em (18.726) e o valor necessário para COMPLEMENTAR aquisição do veículo (24.600). ❑Logo, o valor da entidade ficaria assim: ANO 1 - 18.726, acrescido de juros de 12% a.a. = 20.973,12 (18.726 x 1,12) ANO 2 - 20.973,12 acrescido de juros de 12% a.a = 23.489,89 (20.973,12 x 1,12) ANO 3 - 23.489,89 acrescido de juros de 12% a.a = 26.308,68 (23.489,89 x 1,12) SOMA = 20.973,12 + 23.489,89 + 26.308,68 = 70.771,70 - 5.874 = 64.897,70 (ou 64.898).
  40. 40. Avaliando a empresa www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 40 ❑ A taxa de juros anual é de 12%. Capitalizada no período temos: 1,12^4 = 1,573519 ❑ Logo, o valor da entidade é calculado por: 64.897,70 / 0,573519 = 113.157 ❑ Como notamos, o valor de avaliação da empresa não coincide com seu PL. Aliás, são raríssimas as ocasiões em que há essa coincidência. ❑No caso da entidade familiar do sr. Abdul, o valor da firma (já calculado = 113.157) não equivale ao valor do seu PL, que é de $ 44.275.
  41. 41. Avaliando a empresa www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 41 ❑ Caso a empresa familiar do sr. Abdul fosse adquirida por outra companhia, o valor de $ 113.157 estaria assim composto para fins de registro na contabilidade da investidora: ❑ $ 44.275 = PL a valor contábil ❑ ($ 8.033) = menos valia de ativos (antigo deságio), que é calculado pela diferença entre o PL a valor justo (36.242) e o PL a valor contábil (44.275) ❑ $ 76.915 = Goodwill, calculado pela diferença entre o valor pago no investimento (113.157) e o PL a valor justo da empresa (36.242).
  42. 42. Avaliando a empresa www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 42 ❑ Os registros contábeis de tudo isso, no investidor, ficariam assim: D - Investimento permanente em Cia Abdul …………………......… $ 44.275 D - Goodwill (sub-conta de investimentos) ……………………….... $ 76.915 C - Menos valia de ativos (sub-conta de investimentos ……...….... $ 8.033 C - Caixa ……………………………………………….………..…… $ 113.157
  43. 43. Os Problemas de Avaliação www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 43 ❑ Todo o processo de avaliação de empresas é altamente subjetivo e sujeito e uma série de pressupostos, que podem ocasionar divergências no processo de avaliação. ❑ No caso tratado anteriormente, não seria permitido a retirada de todo o lucro a título de dividendos. ❑ Um dos problemas mais criticados na avaliação de empresas é o uso do WACC no cálculo da taxa de desconto quando a empresa possui dívidas. ❑ Costuma-se calcular o valor da firma trazendo o FCL a valor presente pelo WACC calculado pela média ponderada entre o custo do capital de terceiros e próprio.
  44. 44. www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 44 ❑ No caso Abdul não é possível exemplificar, no entanto, o livro traz um exemplo, determinada empresa investe em um terreno: ✓ Preço de aquisição: 100 milhões ✓ Dívida atrelada ao terreno: 60 milhões, com taxa de 8% a.a ✓ Ausência de inflação; ✓ Tributos de 30% sobre o lucro ✓ O ativo produz 20 milhões de lucro e fluxo de caixa; e ✓ Ganho de pelo menos 15% ao ano ❑ De acordo com esses dados, o FC Líquido Operacional gerado é de 14 milhões ( 20 milhões - 6 milhões de impostos (30%)) Os Problemas de Avaliação
  45. 45. www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 45 ❑ Despesas financeiras líquidas dos tributos: 60 milhões x 0,08 = 4,8 milhões. ❑ Como é livre de tributos temos: 4,8 milhões x (1 - 0,30) = 3,36 milhões (equivalente a 5,6% a.a). ❑ Assim, WACC é assim calculado é: Os Problemas de Avaliação
  46. 46. www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 46 Os Problemas de Avaliação ❑ Com o valor do WACC, pode-se calcular o valor da firma: ❑ Sendo o valor da dívida 60 milhões, logo, tem-se: VF = 150 – 60 = 90 milhões.
  47. 47. Os problemas da avaliação da empresa www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 47 ❑Nesse caso, temos o seguinte panorama: ✓ Atratividade mínima = 15% a.a. ✓O LL será de 20 milhões ✓Despesas financeiras de 5,6% sobre 60 milhões = 4.8 milhões ✓Lucro antes dos impostos = 20mi - 4,8mi = 15,2 mi. ✓Tributos de 30% sobre 15,2 = 4.560.000 ✓LL = 15.200.000 - 4.560.000 = 10.640.000 (livro arredonda para 10,6).
  48. 48. Os problemas da avaliação da empresa www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 48 ❑ Para quem investe 90 milhões em um negócio desses, e deseja lucro mínimo de 15%, esse retorno (10,6 mi) não atende, visto que a lucratividade mínima deveria ser de 13.500.000. ❑Esse modelo, portanto, deveria ser abandonado, e dever-se-ia trabalhar com um modelo de fluxo de caixa do acionista. ❑Calculando a perpetuidade do dividendo ❑ 10,6 0,15 =71 milhões ❑Calculando o valor do ganho na dívida: ❑Despesa financeira líq. de tributos = 3,36 0,15 =22 milhões
  49. 49. Os problemas da avaliação da empresa www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 49 ❑ Isso representa o quanto os acionistas ECONOMIZAM porque não estão financiando a dívida. ❑Valor da dívida = 60 milhões ❑Ganho na dívida = 60 - 22 = 38 milhões ❑Portanto, o valor de avaliação da empresa mais adequado, segundo o modelo em análise é: ❑Valor econômico do ativo = 93 milhões >> 14 0,15 =93 milhões ❑Valor da dívida = (60 milhões) ❑Ganho na dívida 38 milhões
  50. 50. Os problemas da avaliação da empresa www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 50 ❑ Valor econômico do PL = 93 - 60 + 38 = 71 milhões ❑Sobre esse valor, quem deseja uma rentabilidade de 15%, seria necessário = ❑71.000.000 x 0,15 = 10.6 milhões, ou seja, o LL do empreendimento. ❑Isso evidencia que a avaliação da empresa segundo o WACC é inadequada, e que o procedimento adequado a seguir é o descrito acima. ❑Refazendo o cálculo do WACC com os valores adequados:
  51. 51. Os problemas da avaliação da empresa www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 51 ❑ 𝑊𝐴𝐶𝐶 = 𝐶𝐷 𝑥 𝐷𝐼𝑉 𝐷𝐼𝑉+𝑃𝐿 + 𝐶𝑃𝐿 𝑥 𝑃𝐿 𝐷𝐼𝑉+𝑃𝐿 ❑ 𝑊𝐴𝐶𝐶 = 5,6% 𝑥 60 60+71 + 15% 𝑥 71 60+71 ❑ 𝑊𝐴𝐶𝐶 = 10,69% ❑De posse do WACC, podemos calcular o valor da empresa no nosso exemplo: ❑ 𝑉𝐹 = 𝐹𝐶 𝑊𝐴𝐶𝐶 𝑉𝐹 = 14 0,106933 𝑉𝐹 =$131 milhões ❑Valor da dívida = 60 mi ❑Valor do PL = 131 mi - 60 mi = 71 milhões (70.923.101,38)
  52. 52. Considerações Finais www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 52 ❑ A análise das demonstrações contábeis constitui uma das etapas mais importantes da análise global da empresa, e proporciona ao analista uma gama de informações que contribuem para a tomada de decisão, normalmente atrelada a investimentos. ❑ No entanto, a análise das demonstrações contábeis não constitui um fim em si mesma, sendo uma etapa de todo um conjunto de análises que devem ser realizadas para uma adequada compreensão da situação da empresa.
  53. 53. Considerações Finais www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 53 ❑ Conhecer as políticas contábeis da empresa, o nível de enforcement do país no tocante à regulação contábil, as estratégias da empresa, o cenário macroeconômico, as perspectivas do setor, e outras tantas informações é essencial para uma adequada tomada de decisão sobre a empresa. ❑ A análise dos números contábeis é importante, mas não devemos esquecer que constitui apenas uma etapa de toda uma análise maior e mais robusta que deve ser feita.
  54. 54. REFERÊNCIAS www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 54 CPC – COMITÊ DE PROUNUNCIAMENTOS CONTÁBEIS. CPC 00 – Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório Contábil-Financeiro (R1), 2011. _________________. CPC 01 - Redução ao Valor Recuperável de Ativos (R1), 2010. _________________. CPC 46 – Mensuração a Valor Justo, 2012. MARTINS, Eliseu; DINIZ, Josedilton Alves; MIRANDA, Gilberto José. Análise avançada das demonstrações contábeis: uma abordagem crítica. 2ª ed. São Paulo: Gen|Atlas, 2018. MATARAZZO, Dante Carmine. Análise Financeira de Balanços Abordagem Básica e Gerencial. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2010. PALEPU, K. G.; HEALY, P. M.; PEEK, E. Business Analysis and Valuation, IFRS Edition, Andover. Hampshire, United Kingdom: Cengage Learning EMEA, cop, 2016.
  55. 55. www.ccsa.ufpb.br/ppgcc ppgcc@ccsa.ufpb.br 55 OBRIGADA! _______________________________________________ _______________________________________________ _______________________________________________ André Sekunda Doutorando em Ciências Contábeis E-mail: andresekunda@gmail.com Polyandra Zampiere Pessoa da Silva Doutoranda em Ciências Contábeis E-mail: polyandra@live.com

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