Maria de nazaré a educadora de jesus

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Estudo sobre Maria de Nazaré a Mãe de Jesus

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  • BOA NOITE SR CLAUDIO, PRECISO DE UM ENDEREÇO NO CENTRO DE CAMBUI MG PARA FREQUENTAR E ESTUDAR O KARDECISMO COM CRISTO, O SR. PODE ME AJUDAR? GRATA.VERA
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Maria de nazaré a educadora de jesus

  1. 1. MARIA DE NAZARÉ A EDUCADORA DE JESUSMARIA DE NAZARÉ: A EDUCADORA DE JESUS Ao escrever o seu Evangelho, Mateus compreendeu a inspiração que lhe vinha do Alto, de que um espírito virginal tinha sido escolhido para vir a ser mãe do Mestre. Um espírito virginal é aquele que, através de sucessivas e incontáveis reencarnações, torna-se isento das máculas da matéria – (Eliseu Rigonatti, O Evangelho dos Humildes) (…) Esta interpretação dá uma razão de ser toda natural ao dogma da Imaculada Conceição, do qual o ceticismo tanto tem zombado. Esse dogma estabelece que a mãe do Cristo não estava manchada pelo pecado original; como pode ser isto? É muito simples: Deus enviou um Espírito puro, não pertencente à raça culpada e exilada, para se encarnar sobre a Terra e nela cumprir essa augusta missão; do mesmo modo que, de tempos em tempos, envia Espíritos superiores para nela se encarnarem, para darem um impulso ao progresso e apressar o seu adiantamento. Esses Espíritos são, sobre a Terra, como o venerável pastor que vai moralizar os condenados em sua prisão, e mostrar-lhes o caminho da salvação. (Allan Kardec, Ensaio Sobre a Interpretação da Doutrina dos Anjos Decaídos, Revista Espírita, Janeiro de 1862)I ParteQuem foi Maria?Falar de Maria de Nazaré, a mãe de Jesus, não é fácil devido a falta de informações quetemos dela, e entre as que temos poucas são confiáveis, isentas e imparciais do ponto devista religioso.Estão no Novo Testamento, apesar de raros, os melhores esclarecimentos que temos daMãe de nosso Senhor Jesus.Nós, os espíritas, ainda temos o privilégio de termos algumas anotações vindas do PlanoEspiritual que nos ajudam a esclarecer sobre a grande evolução e a missão deste nobreEspírito.Não temos informação de como foi sua infância, nem de sua adolescência; a tradiçãocristã nos informa que Maria era filha de Joaquim e Ana. Seus pais eram judeus e peloque podemos depreender dos textos do Evangelho formavam uma família simples epraticantes fieis de seus princípios religiosos.Provavelmente nasceu entre os anos 18 e 20 a.C., e como era habitual àquele tempo,deve ter casado por volta de seus 14 anos, às vezes até antes.Os historiadores do cristianismo apontam como data provável do nascimento de Jesus oano 6 a.C., o Espírito Humberto de Campos através da mediunidade de FranciscoCândido Xavier define o ano 5 a. C. como sendo o correto para a vinda do Cristo à 1
  2. 2. CLÁUDIO FAJARDO carne1. O casamento de Maria deve ter acontecido de seis meses a um ano do nascimento de seu primogênito. Outra questão que não temos como certa é se Maria teve ou não outros filhos além de Jesus. O Evangelho não é totalmente claro a respeito; Mateus fala que Jesus teve irmãos e irmãs, e até dá o nome de seus irmãos2. Entretanto, em hebraico ou em aramaico, os primos também eram chamados de irmãos. Muitos estudiosos contestam esta questão de os supostos irmãos de Jesus serem seus primos. Afirmam estes que é uma realidade que o termo hebraico designava tanto irmão quanto primo, porém ressaltam que o Evangelho foi escrito em grego, e no grego temos duas palavras distintas, adelphos, para irmão, e anepsios que é literalmente primo. Portanto, insistem, se os autores do Novo Testamento, que à época sabiam se eram primos ou realmente irmãos, quisessem falar em primos, usariam anepsios e não adelphos3. Outro argumento a favor de serem irmãos é que na maioria das vezes em que eles são citados no Evangelho estão acompanhados de Maria; por que, perguntam, eles estariam sempre acompanhados da tia? Entretanto, há argumentos fortes também, por parte daqueles que defendem que Maria e José não tiveram outros filhos, como o fato de Jesus ter, no momento da crucificação entregado Maria – sua mãe - a João, o discípulo amado, para que este tomasse conta dela a partir de então. Se formassem uma família numerosa, com vários outros filhos, não seria natural que estes cuidassem de Maria? Há uma terceira hipótese, menos comentada e menos provável, a de que José ao casar com Maria já teria outros filhos de casamento anterior, e estes é que seriam os irmãos de Jesus. Como este não é o objetivo principal deste estudo, não vamos mais nos ocupar com este tema. No judaísmo era comum o casal ter muitos filhos, era uma benção de Deus, o que faz crer a alguns que José e Maria seriam pais de uma prole maior; todavia, não há esta necessidade, a família de Jesus era sem dúvida uma família especial, e poderia, portanto, ser diferente das demais sem nenhum desmerecimento para eles. O certo, é que Maria era um Espírito de altíssima evolução, um dos mais puros que encarnou neste Orbe governado espiritualmente por Seu Filho Jesus. A Gravidez Virginal Outro tema polêmico e complexo é o da gravidez de Maria que alguns creem ter acontecido sem contato sexual entre ela e José, seu marido. Dissemos ser complexo, porque tudo o que dissermos a respeito não passa de opinião pessoal, já que não temos condições de provar nem a tese da gravidez virginal nem a da gravidez comum. Mesmo o Espiritismo não elucida o tema, não há informações confiáveis a respeito. Para um assunto de tal complexidade teríamos que retomar o Controle Universal do Ensino dos Espíritos4, o que foi por nós abandonado há muito tempo. 1 XAVIER, Francisco C. / Humberto de Campos. Crônicas de Além Túmulo, cap. 15, Rio de Janeiro, FEB, 1937. 2 Cf. Mateus, 12: 46 e Mateus, 13: 55 e 56. Ver também Marcos, 6: 3 3 Existem controvérsias. Segundo PASTORINO, Carlos Torres. Sabedoria do Evangelho Vol. 8. Rio de Janeiro: Sabedoria, 1967, Pg. 197, a palavra adelphos “irmão”, referia-se também a “primos”, e ainda cita vários autores profanos como Heródoto, Thucidides, etc. onde isto acontecia. 4 Cf. KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 104a ed., Rio de Janeiro, FEB, 1991. Introdução, item II2
  3. 3. MARIA DE NAZARÉ A EDUCADORA DE JESUSComo dissemos, as melhores informações que temos tanto sobre Jesus, quanto sobreMaria, são as narradas nos Evangelhos. E o que dizem eles a respeito?Marcos e João não comentam nada a respeito, Mateus e Lucas são claros: Maria e Josénão tiveram contato sexual antes da concepção de Jesus.As igrejas cristãs ligadas ao catolicismo e à reforma protestante defendem a literalidadedos Evangelhos. Segundo os adeptos da primeira, Maria era virgem antes e continuouapós o nascimento de Jesus. Para os seguidores da reforma, pelo menos os atuais, Mariaera virgem ao conceber Jesus, porém após o nascimento deste teve relações normaiscom seu marido, tendo, inclusive, outros filhos.Dentro do Espiritismo, que tem por norma uma investigação mais segura baseada empadrões científicos, as opiniões são divididas, uns creem como os cristãos tradicionais,outros não aceitam a gravidez virginal.Dizem os defensores desta última hipótese que as narrativas dos Evangelhos a respeitodo nascimento de Jesus são expressões de um simbolismo profundo, e que nada têm dehistóricas.Pode ser, aliás, todo o Evangelho tem um conteúdo simbólico de grande profundidade,entretanto, cremos, que o simbolismo do Novo Testamento – a não ser no caso dasparábolas - tem por princípio eventos reais, e não acontecimentos imaginados. Jesusescolhia momentos, lugares, personagens, didaticamente perfeitos para seusensinamentos, mas antes de buscarmos o conteúdo espiritual de suas lições, é precisoque compreendamo-las em seu sentido literal, histórico e cultural, só a partir daídevemos buscar seu sentido espiritual.Não estamos com este argumento defendendo a gravidez sem contato sexual, comodissemos, o tema é complexo e deverá ser melhor estudado hoje e no futuro.Estes que defendem a gravidez natural de Maria e o relacionamento sexual dela com seumarido antes da fecundação de Jesus, partem do princípio de que se assim não fosseestaria sendo ferida uma Lei Universal, e Espíritos Superiores jamais derrogam uma leiqualquer que seja, antes, cumprem-na com fidelidade.Têm razão, porém, será que umagravidez sem contato sexual fere alguma Lei Natural? Não temos hoje vários exemplosde gravidez gerada em laboratório?Estamos tentando fazer uma análise espírita do tema, e deste ponto de vista, a ciência doMundo Espiritual mesmo no tempo de Jesus era muito superior à nossa atual do mundoem que vivemos, e se esta pode algo fazer, aquela podia com muito mais facilidade.Assim, uma fecundação espiritual para Jesus, não é algo que fere nenhum princípio deciência segundo cremos. Voltamos a repetir, não estamos com isto dizendo que assim sedeu, só estamos analisando possibilidades.De onde surgiu esta idéia de uma gravidez virginal?Na literatura pagã há muitos casos de nascimentos virginais, alguns heróis dos clássicosgregos e romanos eram semideuses, ou seja, filhos de Deus com uma mulher carnal. Hátambém na Bíblia Hebraica nascimentos sob a intervenção divina.No caso de Jesus a idéia surge num texto de Isaías. Segundo a narrativa do livro desteprofeta temos: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel.5Porém, a palavra hebraica usada por Isaías que traduzida deu virgem é almah quesignifica literalmente mulher jovem em idade para casar ou recém casada. Quando setraduziu a Bíblia Hebraica para o grego, na versão da Septuaginta, almah foi traduzida5 Isaías, 7: 14 3
  4. 4. CLÁUDIO FAJARDO por parthenos. “Parthenos” quer dizer tanto uma moça jovem, quanto uma mulher que nunca teve relação sexual com homem, é como no português falado no Brasil a palavra “moça”, que tem tanto o sentido de uma mulher jovem, como a que ainda não teve relações sexuais. Assim, no texto original de Isaías não é passado esta idéia de virgindade, mas que uma jovem geraria o Messias. Portanto, a dúvida continuará e só com o nosso amadurecimento espiritual, o que se dará em paralelo ao desenvolvimento moral, teremos melhores condições de analisar o fato. O que importa para nós é que Maria era virgem no sentido de fidelidade a Deus. Os antigos profetas várias vezes se referem a Israel como um “prostituta” por ter sido esta nação infiel à aliança feita com Deus. Virgem é o oposto de prostituta, dentro deste contexto é justamente ser fiel à Divindade. Neste sentido Maria de Magdala ao ser desligada de seus obsessores e se converter ao Cristo, tornou-se uma grande virgem do Novo Testamento, e nós se quisermos também gerar em nós o “Filho do homem”, ou o homem novo, teremos que, do mesmo modo nos tornarmos virgens, sem pecado. Maria era culta ou iletrada? Esta é outra questão que não é fácil de ser respondida. Nos dias de hoje dizemos que uma pessoa é culta se ela tem o hábito de ler e estudar, se tem muita informação intelectual. Entretanto, no que diz respeito ao primeiro século de nossa era o julgamento não pode ser feito desta forma. Neste século, o marcado pela vida física de Jesus, grande era o percentual de analfabetismo. Quase não haviam livros para serem lidos, e era caríssima a produção de um, desta forma, não era qualquer pessoa que tinha acesso a livros, sendo assim, poucos sabiam ler, e muito menos ainda os que tinham o hábito de estudar como fazemos hoje. Porém, não podemos dizer por isso que eram mal informados os habitantes da Palestina daquela época. O processo de aprendizado era diferente, o que tínhamos era uma cultura oral; as cartas de Paulo eram lidas na comunidade cristã através de uma leitura coletiva, muitos apenas ouviam o que este valoroso apóstolo escreveu. Tal hábito fazia com que a memória destes que se dedicavam ao estudo das escrituras fosse de grande capacidade, pois era preciso saber os textos de cor já que nem sempre era possível lê-los. Portanto, saber ler não era pré-requisito para se ter cultura. Além disso, em se tratando de uma mulher na palestina no tempo de Jesus, eram bem poucas as chances de que a ela fosse dada a oportunidade de saber ler. Assim, do ponto de vista de percentuais, grande é a chance de Maria não ter sido alfabetizada, o que não estamos querendo dizer com isso, que não tenha sido. Apenas dizemos de probabilidades. O que é certo, e podemos dizer com total segurança, é que a Mãe de Nosso Senhor tinha grande cultura, e muito mais ainda, uma cultura espiritual, uma espiritualidade inteligente. Muitos chegam a dizer que Maria teria sido educada no Templo, que era não só boa leitora, como também, boa redatora. É possível, porém, não certo. Não estamos querendo trabalhar com hipóteses. No tempo de Maria, o judaísmo não era simplesmente uma religião, era uma cultura. Entre os hebreus não se podia escolher a que religião seguir, simplesmente eram judeus.4
  5. 5. MARIA DE NAZARÉ A EDUCADORA DE JESUSNão havia shoppings, cinemas, teatros, ou outras diversões quaisquer, o que havia erauma sinagoga, e que todos frequentavam, a sinagoga era a vida das pessoas. Nazaré erauma pequena cidade, a sinagoga deveria ser próximo de tudo, e era ali onde elesaprendiam e praticavam seus princípios de moral elevada.Como dissemos Maria era um Espírito elevado e sem comprometimentos no campoexpiatório, por isso aprendia fácil, com certeza memorizava bem, e vivenciava o queaprendia, não era culta dentro de nosso padrão atual, era sábia.Por que podemos dizer isso com certeza? O Evangelho nos dá mostra disso a toda hora,e além do mais, Maria foi a educadora do maior Sábio de todos os tempos, e só issobastaria para dizer que ela foi entre todas a melhor educadora.MagnificatEm se tratando de um estudo sobre Maria, o Magnificat, merece um capítulo à parte, éum dos mais belos textos de todo Novo Testamento, só Lucas entre os evangelistas, enuma entrevista pessoal com a mulher de José, teria a capacidade de registrar para aposteridade tão belo poema, e que prova tudo o que dissemos anteriormente, aespiritualidade inteligente e equilibrada desta que sem a menor dúvida é a nossaSenhora.Imagino a beleza da cena, aquela que é a mãe de todos os que sofrem, cantando estelindo poema para o médico amigo de Paulo. Ela deve ter dito de cor, pois o sabia decoração, e ele, que à época não tinha gravador de voz, deve ter tido dificuldade paraanotar, pois deve ter se emocionado ao extremo, talvez ela tenha repetido para ele váriasvezes: Minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito exulta em Deus em meu Salvador, porque olhou para a humilde posição de sua serva. Sim! Doravante as gerações todas me chamarão de bem aventurada, pois o Todo-Poderoso fez grandes coisas em meu favor. Seu nome é santo e sua misericórdia perdura de geração em geração, para aqueles que o temem. Agiu com a força de seu braço. Dispersou os homens de coração orgulhoso. Depôs poderosos de seus tronos, e a humildes exaltou. Cumulou de bens a famintos e despediu ricos de mãos vazias. Socorreu Israel, seu servo, lembrado de sua misericórdia – conforme prometera a nossos pais – em favor de Abraão e de sua descendência para sempre!6Não pretendemos neste momento estudar minuciosamente estes versos, mas nãopodemos deixar de destacar a cultura espiritual de Maria.Ela abre o texto falando de sua comunhão com Deus de uma forma que só Jesus falarámais tarde. Coloca-se em sua digna posição de serva e assim se faz grande,engrandecendo o Senhor através de sua vivência em harmonia com Ele.Ela faz uma síntese do Antigo Testamento, mostrando seu perfeito conhecimento detoda Escritura.Sintetiza também a religião das boas obras e a Lei de Deus que alimenta aquele que sefaz dependente Dele, e despede os que se acham ricos e que têm as mãos ociosas.Dissemos no parágrafo anterior que ela faz uma síntese magistral do Antigo Testamento.6 Lucas, 1: 46 a 55 5
  6. 6. CLÁUDIO FAJARDO O Magnificat tem dez versículos, nestes, ela faz quinze citações do Antigo Testamento os harmonizando com profunda sabedoria. Só quem conhecia e bem as Escrituras, e tinha uma espiritualidade superior poderia construir esta oração. A seguir vamos destacar cada versículo e as citações a que se referem no texto da Bíblia Hebraica. 46. Minha alma engrandece o Senhor, O meu coração exulta ao SENHOR (I Samuel, 2: 1) 47. E meu espírito exulta em Deus em meu Salvador, Regozijar-me-ei muito no SENHOR, a minha alma se alegrará no meu Deus; porque me vestiu de roupas de salvação, (Isaías, 61: 10) Todavia eu me alegrarei no SENHOR; exultarei no Deus da minha salvação. (Habacuc, 3: 18) 48. Porque olhou para a humilde posição de sua serva. Sim! Doravante as gerações todas me chamarão de bem aventurada, SENHOR dos Exércitos, se benignamente atentares para a aflição da tua serva, e de mim te lembrares, e da tua serva te não esqueceres, e lhe deres um filho varão, ao SENHOR o darei por todos os dias da sua vida, e sobre a sua cabeça não passará navalha. (I Samuel, 1: 11) Então disse Lia: Para minha ventura; porque as filhas me terão por bem-aventurada; e chamou-lhe Aser. (Genesis 30:13) 49. Pois o Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor. Seu nome é santo Redenção enviou ao seu povo; ordenou a sua aliança para sempre; santo e tremendo é o seu nome. (Salmo, 111:9) 50. E sua misericórdia perdura de geração em geração, para aqueles que o temem. Mas a misericórdia do SENHOR é desde a eternidade e até a eternidade sobre aqueles que o temem, e a sua justiça sobre os filhos dos filhos; (Salmo, 103: 17) 51. Agiu com a força de seu braço. Dispersou os homens de coração orgulhoso. Tu quebraste a Raabe como se fora ferida de morte; espalhaste os teus inimigos com o teu braço forte. (Salmo, 89:10) 52. Depôs poderosos de seus tronos, e a humildes exaltou. Aos sacerdotes, leva-os despojados do seu cargo e aos poderosos transtorna. (Jó, 12: 19) 53. Cumulou de bens a famintos e despediu ricos de mãos vazias. Pois fartou a alma sedenta, e encheu de bens a alma faminta. (Salmo, 107: 9) 54. Socorreu Israel, seu servo, lembrado de sua misericórdia Porém tu, ó Israel, servo meu, tu Jacó, a quem elegi descendência de Abraão, meu amigo; tu a quem tomei desde os fins da terra, e te chamei dentre os seus mais excelentes, e te disse: Tu és o meu servo, a ti escolhi e nunca te rejeitei. (Isaías 41:8-9 8)6
  7. 7. MARIA DE NAZARÉ A EDUCADORA DE JESUS Lembrou-se da sua benignidade e da sua verdade para com a casa de Israel; todas as extremidades da terra viram a salvação do nosso Deus. (Salmo, 98:3)55. – conforme prometera a nossos pais – em favor de Abraão e de sua descendência para sempre! E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra. (Gênesis 12:3) Porque toda esta terra que vês, te hei de dar a ti, e à tua descendência, para sempre. (Genesis 13:15) E em tua descendência serão benditas todas as nações da terra; porquanto obedeceste à minha voz. (Genesis 22:18)É importante imaginar como foi a cena em que tal evento ocorreu.Narra-nos Lucas que após Maria receber o aviso através do anjo, a respeito de suaconcepção, que diga-se de passagem era um aviso mediúnico, e não fica nenhumadúvida quanto a isso, ela se dirigiu a uma cidade de Judá para fazer uma visita a suaprima Isabel.Esta cidade foi identificada segundo uma tradição do século V como sendo Ain Karim, esituava-se a aproximadamente 6 Km de Jerusalém.A viagem de Nazaré a Ain Karim, segundo alguns autores, se fazia em quatro ou cincodias. Como? Provavelmente no lombo de um animal. Era, portanto, uma viagem atravésde uma estrada ruim, cansativa, principalmente para quem estava nas primeiras semanasde gravidez. Maria devia ter a esta época algo em torno de 14 anos. Ela deve terchegado à casa de sua prima, extenuada.Diz o Evangelista que ao entrar na casa de Zacarias, saudou Isabel7; Isabel, ouviu asaudação e exclamou o que no futuro viria a ser uma conhecida prece: Bendita és tuentre as mulheres e bendito é o fruto de teu ventre!8. E após ouvir a prima Maria profereo belíssimo poema-oração a que estamos nos referindo. Ou seja, ela teve a capacidadede fazer a genial síntese, o poema magnífico, em uma condição de extremo cansaço, emcondições físicas precárias, mesmo assim ela se manifestou em profunda harmoniaespiritual.Nós quando estamos cansados perdemos a criatividade e até mesmo a capacidade depensar com inteligência, queremos repor as energias e só depois realizar algo que exijaum trabalho mais elaborado.Voltemos à nossa questão inicial, era Maria culta ou iletrada? Não sabemos, porém,podemos com certeza dizer: “era sábia”, e uma sabedoria de profunda significaçãoespiritual.Como foi a educação de Jesus?Este é um tema que buscaremos desenvolver melhor na segunda parte deste estudo,porém aqui gostaríamos de fazer reverência a outro personagem de grande importâncianeste processo: José, o pai de Jesus.É comum no meio cristão evidenciar a evolução de Maria, o que é certo, entretanto,desconsiderar a de seu marido, o que não é correto.7 Lucas, 1: 408 Idem, Ibidem, 42 7
  8. 8. CLÁUDIO FAJARDO Se Maria teve uma grande contribuição no processo de educação9 de Jesus, o mesmo podemos dizer em relação a José, pois temos a certeza, sem querer fazer qualquer comparação, ser ele um Espírito, também, de grande evolução. Queremos citar neste momento apenas uma referência de Emmanuel, este guia nosso para todas as horas, a respeito deste respeitável personagem da Galileia. Reflitamos sobre as próximas palavras citadas neste estudo: É preciso, porém, observar que, a par de beneficiários ingratos, de ouvintes indiferentes, de perseguidores cruéis e de discípulos vacilantes, houve um homem integral que atendeu a Jesus, hipotecando-lhe o coração sem mácula e a consciência pura. José da Galileia foi um homem tão profundamente espiritual que seu vulto sublime escapa às análises limitadas de quem não pode prescindir do material humano para um serviço de definições. Já pensaste no cristianismo sem ele? Quando se fala excessivamente em falência das criaturas, recordemos que houve tempo em que Maria e o Cristo foram confiados pelas Forças Divinas a um homem.10 O Espírito Humberto de Campos, através da mediunidade de Chico Xavier11, nos relata da preocupação dos pais de Jesus com a sua educação. Eles tinham a intuição de sua missão e a ciência de parte de suas necessidades, por isso preocupavam-se em preparar o menino para o cumprimento dos desígnios superiores. Narra-nos este Espírito, importante diálogo entre Maria e sua prima Isabel, do qual citamos pequeno trecho, a respeito do tema do preparo dos filhos para o cumprimento dos propósitos do Pai: Ainda há alguns dias, estivemos em Jerusalém, nas comemorações costumeira, e a facilidade de argumentação com que Jesus elucidava os problemas, que lhe eram apresentados pelos orientadores do templo, nos deixou a todos receosos e perplexos. Sua ciência não pode ser deste mundo: vem de Deus, que certamente se manifesta por seus lábios amigos da pureza. Notando-lhe as respostas, Eleazar chamou a José, em particular, e o advertiu de que o menino parece haver nascido para a perdição de muitos poderosos em Israel. Com a prima a lhe escutar atentamente a palavra, Maria prosseguiu, de olhos úmidos, após ligeira pausa: Ciente desse aviso, procurei Eleazar, a fim de interceder por Jesus, junto de suas valiosas relações com as autoridades do templo. Pensei na sua infância desprotegida e receio pelo seu futuro. Eleazar prometeu interessar-se pela sua sorte; todavia, de regresso a Nazaré, experimentei singular multiplicação dos meus temores. Conversei com José, mais detidamente, acerca do pequeno, preocupada com o seu preparo conveniente para a vida!... Entretanto, no dia que se seguiu às nossas íntimas confabulações, 9 Temos usado esta expressão por não encontrar no momento outra melhor, todavia não sabemos se é certo falar em educação em relação a Jesus, que era um Espírito Puro mesmo encarnado, e que segundo Emmanuel não sofreu as restrições comuns a qualquer um de nós ao tomar um corpo de carne. 10 XAVIER, Francisco C. / Emmanuel (Espírito). Levantar e Seguir, São Bernardo do Campo, GEEM, 1992, cap. 6 11 XAVIER, Francisco C./Humberto de Campos. Boa Nova, 14a ed., Rio de Janeiro, FEB, 1982, cap. 28
  9. 9. MARIA DE NAZARÉ A EDUCADORA DE JESUS Jesus se aproximou de mim, pela manhã, e me interpelou: “Mãe, que queres tu de mim? Acaso não tenho testemunhado a minha comunhão com o Pai que está no Céu! Altamente surpreendida com a sua pergunta, respondi-lhe, hesitante: Tenho cuidado por ti, meu filho! Reconheço que necessitas de um preparo melhor para a vida... Mas, como se estivesse em pleno conhecimento do que se passava em meu íntimo, ponderou ele: “Mãe, toda preparação útil e generosa no mundo é preciosa; entretanto, eu já estou com Deus. Meu Pai, porém, deseja de nós toda a exemplificação que seja boa e eu escolherei, desse modo, a escola melhor. No mesmo dia, embora soubesse das belas promessas que os doutores do templo fizeram na sua presença a seu respeito, Jesus aproximou-se de José e lhe pediu, com humildade, o admitisse em seus trabalhos. Desde então, como se nos quisesse ensinar que a melhor escola para Deus é a do lar e a do esforço próprio concluiu a palavra materna com singeleza —, ele aperfeiçoa as madeiras da oficina, empunha o martelo e a enxó, enchendo a casa de ânimo, com a sua doce alegria! (Os grifos são nossos)Percebemos neste singelo diálogo o cuidado dos pais de Jesus com sua educação. Elepor sua vez tinha a perfeita consciência do que era o mais importante: eu escolherei,desse modo, a escola melhor.Como nos comportaríamos na mesma situação? Se tivéssemos um filho deste níveltentaríamos impor as nossas ideias ou saberíamos reconhecer sua superioridade nãoatrapalhando o seu desenvolvimento?Como Maria encarava sua missão?Seria a mãe de Jesus totalmente consciente de seu papel diante da vida?Não há como saber ao certo esta resposta, tudo o que dissermos a respeito não passaráde opinião e dedução pessoal a partir de alguns textos.Maria era um Espírito de grande evolução, voltamos a dizer, e sabemos pela orientaçãoda Codificação Espírita, que quanto mais o Espírito é evoluído mais tem consciência desua tarefa. Assim, deduzimos que a consciência de Maria a respeito de sua missão eraacima da média, porém não total. Todo Espírito ao encarnar perde parte de sua lucidezde acordo com o estágio em que se encontra.Apesar de Maria ser um Espírito com uma tarefa especial, e como dissemos, de altahierarquia, esta perda se deu com ela também.Depreendemos, assim, que ela tinha uma grande intuição, tanto de seu papel, quanto dode Jesus, e o texto do Evangelho nos mostra que ela foi informada a respeito, porém,não na totalidade dos acontecimentos.Humberto de Campos, na obra citada, e no mesmo diálogo de Maria com Isabel, relata afala da mãe de Jesus: (…) constantemente, ando a cismar, em relação ao seu destino. Apesar de todos os valores da crença murmurou Isabel, convicta —, nós, as mães, temos sempre o espírito abalado por injustificáveis receios.Se Maria fosse plenamente consciente não teria esta cisma nem seria abalada por estesreceios.Mostra-nos ainda o mesmo autor espiritual em outra página, que a mãe de nosso Senhorao saber de sua prisão, confiou em Deus, todavia, empreendeu esforços e orou ao Pai na 9
  10. 10. CLÁUDIO FAJARDO esperança de que o pior não acontecesse e Jesus fosse solto. Quando seu filho foi entregue a Herodes, chegou a pensar: Naturalmente, Deus modificaria os acontecimentos, tocando a alma de Ântipas.12 E mesmo quando já parecia consumado o assassinato, ao vê-lo vergado ao peso da cruz, lembra-se de Abraão quando este conduzira o filho ao sacrifício, e da ação de Deus salvando-o, e pensa: Certamente o Deus compassivo escutava-lhe as súplicas e reservava- lhe [a Jesus] júbilo igual.13 Só depois, ao ver o filho morto, foi que recordou a visita do anjo no momento da anunciação. Devem ter passado em sua mente, com a rapidez de um relâmpago, todas as cenas de sua existência; rememorando, percebeu o quanto sua vida e a do filho estavam ligadas numa missão maior em nome de Deus. Ela sofria, mas os desígnios do Alto se cumpriram, a treva havia sido iludida, vencera a luz, suas preces foram ouvidas, não segundo seus anseios de mãe e sim de acordo com os planos divinos14. E em sua mente lembrou também de suas próprias palavras anteriormente ditas: Eis aqui a serva do Senhor15 Maria: Mãe de Toda Humanidade Uma passagem do Evangelho que nos traz significativos pontos para reflexão é a da crucificação de Jesus, mais especificamente segundo a narrativa de João que cita a presença da Mãe do Messias no evento que marcou os momentos finais Dele na carne. Segundo o redator do quarto Evangelho: Perto da cruz de Jesus, permaneciam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena. Jesus, então, vendo sua mãe e, perto dela, o discípulo a quem amava, disse à sua mãe: “Mulher, eis o teu filho!” Depois disse ao discípulo: “Eis a tua mãe!” E a partir dessa hora, o discípulo a recebeu em sua casa. 16 Já de início vemos na narrativa algo que serve para nós do sexo masculino nos envergonharmos diante da situação. Jesus teve mais próximo de si doze discípulos homens. Se descontarmos Judas Iscariotes que se afastou do grupo no final para entregar a Jesus, ainda restaram onze. E de todos estes seus amigos apenas João esteve presente no momento de sua crucificação. Ao contrário, muitas mulheres, também suas seguidoras, se fizeram presente no instante final, prestando solidariedade e sofrendo junto. Depreendemos daí, e notamos isto no dia a dia, mesmo hoje, que a mulher é muito mais corajosa que o homem. Há exceções, todavia, no geral, elas enfrentam certos momentos de tensão com maior superioridade espiritual do que nós. Cremos, sem querer fechar a questão sobre o assunto, e principalmente aqui no caso da crucificação, que o que deu coragem a estas fieis seguidoras de Jesus foi o sentimento de amor que já possuíam como virtude conquistada, sentimento este que na maioria das vezes têm elas mais do que nós do sexo masculino. Segundo a observação de alguns estudiosos da área da psicologia, o oposto de amor não 12 XAVIER, Francisco C./Irmão X. Lázaro Redivivo, Rio de Janeiro, FEB, 1945, cap. 2 13 Idem, ibidem. 14 id., ib. 15 Lucas, 1: 38 16 João, 19: 25 a 2710
  11. 11. MARIA DE NAZARÉ A EDUCADORA DE JESUSé ódio, e sim medo, pois o temor é paralisante, estático, enquanto amor é movimento,dinamismo. O medo não deixa o amor se expressar e o amor dissolve o medo.Não temos dúvida de que foi o sentimento nobre que já possuíam que deu coragemàquelas mulheres; os homens, mais afeitos ao raciocínio, pensaram mais no perigo quecorriam e afastaram-se.Temos aprendido a ver que entre os doze da intimidade de Jesus, João, o filho deZebedeu, era o que tinha mais destacado o sentimento de amor. Não é outro o motivo deser ele conhecido como o discípulo amado. Neste caso não havia nenhum privilégio,apenas cumprimento da Lei, a cada um segundo as suas obras, aquele que mais ama émais amado.Assim, foi também o sentimento de amor mais desenvolvido que deu coragem a estediscípulo e que o fez estar com as mulheres nos momentos finais do Mestre entre nósfisicamente.O mais significativo, entretanto, nesta passagem, é o ensinamento transmitido por Jesusao dizer a sua mãe: “Mulher, eis o teu filho!” e depois a João: “Eis a tua mãe!”Mulher; o uso desta forma de tratar é comum na narrativa de João17 e sugere que Jesusnos fala de algo que vai além da piedade filial; o que ele ensina é a adoção de um amorcapaz de fortalecer os laços da família universal, não deve haver mais uma distinção queleve em conta os familiares de sangue, mas uma união de todos os filhos de Deus.Maria surge então como uma “nova” Eva. Esta é segundo os textos do AntigoTestamento a mãe de todos os viventes18, Maria seria a Mãe de toda a humanidadeconvertida a Cristo.Do mesmo modo que Paulo refere-se a Cristo como o segundo Adão, ou o últimoAdão19, Maria seria a segunda Eva. Se a primeira induziu a humanidade à queda pormeio da influência negativa da Serpente, a segunda nos leva à redenção atendendo umconvite também mediúnico, o que o anjo fez para que acolhesse Jesus como filho.No primeiro caso temos uma mediunidade desequilibrada, no segundo santificada pelafidelidade a Deus; no primeiro a indução à desobediência, no segundo a submissão a umprograma do Alto. Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra! 20Maria seria, assim, uma Eva sublimada.Há outro texto no Gênesis que faz uma relação entre Eva e Maria que nos ajudará adesenvolver nosso raciocínio. Trata-se do momento em que Deus, na linguagemsimbólica da literatura hebraica, adverte a Serpente: Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar. 21Algumas traduções falam “entre a tua semente [da Serpente] e a sua semente” [damulher], entretanto o termo hebraico usado para semente é masculino. Como sementeneste caso tem o significado de descendência, em português pode-se usar a formamasculina seu descendente.A Serpente é símbolo do mal, as religiões viram-na como o “Diabo”, o Maligno. Adescendência da Serpente é assim toda sorte de erros cometidos pelo homem, fruto datransgressão inicial induzida por ela mesma, a Serpente.17 Cf. João, 2: 418 Gênesis, 3: 2019 1 Coríntios, 15: 45 a 4720 Lucas, 1: 3821 Gênesis, 3: 15 11
  12. 12. CLÁUDIO FAJARDO Através desta transgressão foi rompida a Aliança do homem com seu Criador. Numa abordagem que não vamos aprofundar aqui por não ser o objetivo principal deste estudo, a Serpente representa os Espíritos desencarnados ainda arraigados no mal e que procuram distanciar o homem do Bem. Ela age por influência espiritual. No plano físico quem primeiro captou sua influência negativa foi Eva induzindo Adão à queda. Quem restabelecerá o elo de ligação do homem com Deus, que trará a ele a redenção é Jesus, o descendente de Maria. Assim, vemos Maria como o resgate de Eva, se através desta veio a queda, Maria nos proporciona através de sua maternidade a oportunidade da salvação. Neste sentido é que fazendo uma relação com o texto de Paulo aos coríntios, onde ele propõe Jesus como o segundo Adão, propusemos Maria como a “segunda” Eva. Maria e João. O Trabalho da Mãe Após o Desencarne do Filho Segundo a narrativa de João já citada neste estudo, após o momento da crucificação de Jesus, o Discípulo Amado, acolheu a mãe do Mestre em sua casa22. A literatura espírita confirma este acontecimento, porém diz que tal acolhimento não se deu imediatamente, mas algum tempo depois. Quem nos dá a notícia é o Espírito Humberto de Campos através da mediunidade do cândido Chico Xavier23. Segundo este autor espiritual, após a morte de seu filho Maria foi morar na Bataneia onde tinha alguns parentes próximos, na realidade familiares de José. Em Jerusalém o clima não estava bom, cristãos e judeus viviam em luta. Mesmo entre os próprios seguidores de Jesus haviam dissensões inadequadas; a Mãe de nosso Senhor precisava de um pouco de paz para se recuperar dos momentos dolorosos do calvário. Passado algum tempo, João, que nunca esquecera das observações de Jesus no momento da crucificação, aparece na Bataneia oferecendo à Mãe que aprendera a amar, o refugio amoroso de sua proteção24. Conta o apóstolo, que havia se instalado em Éfeso, Cidade da Lídia, na costa ocidental da Ásia Menor, onde as ideias cristãs ganhavam terreno entre as almas devotadas e sinceras. O filho de Zebedeu vinha buscá-la, andariam ambos na mesma associação de interesses espirituais. Seria seu filho desvelado… A demora em buscar a Mãe Santíssima se dera devido ao fato dele não ter ainda uma casa, mesmo que simples, para acomodá-la. Tendo agora resolvido esta questão graças à generosidade de um cristão que lhe doara uma casinha onde poderiam morar, viera rapidamente buscá-la, iniciariam uma nova era de amor, na comunidade universal. Maria aceitou a oferta e se instalou junto de seu novo filho em Éfeso, e, além de cultivar as lembranças de Jesus, iniciaram importante trabalho de evangelização na região. Ela atendia em sua própria casa aos necessitados que lá iam em busca de consolo e até mesmo de cura de algumas enfermidades; ele por sua vez cuidava mais especificamente do esclarecimento evangélico comentando sobre os ensinamentos recebidos de Jesus. Narra Emmanuel25, que Paulo de Tarso visitou Maria nesta casinha singela e que ficou impressionado com a sua humildade. Desejou receber dela informações sobre Jesus de tal modo que pudesse escrever um Evangelho contando a história do Mestre e ampliar 22 Cf. João, 19: 27 23 XAVIER. F. C. / Humberto de Campos (Espírito)1982, cap. 30 24 Idem, Ibidem 25 XAVIER F. C. / Emmanuel (Espírito). Paulo e Estevão, 41ª ed. Rio de Janeiro, FEB, 2004. Cap. 712
  13. 13. MARIA DE NAZARÉ A EDUCADORA DE JESUSseus ensinamentos.Paulo não pôde realizar este desejo, entretanto, encarregou a seu amigo de confiança,Lucas, a tarefa de realizar o projeto de escrever um Evangelho com as informaçõesfornecidas pela mãe de Jesus.Conta-nos ainda Emmanuel que na despedida de Paulo, em Éfeso, antes de seu martírioem Jerusalém, Ela também, mesmo que em idade avançada, compareceu para levaruma palavra de amor26 a este desbravador de corações em favor do Evangelho.O trabalho em Éfeso cresce em grandes proporções o que obriga João a se ausentarrepetidas vezes da residência humilde deixando Maria muitas vezes só no atendimentodos necessitados, ela já bem idosa não se cansa e trabalha ininterruptamente em favordos infelizes apascentando as ovelhas de Seu filho amado.É Humberto de Campos27 quem nos informa que em seus momentos finais no corpocansado, fisicamente estava só, mas que o próprio Jesus veio buscá-la. Ela aoreconhecê-lo, com imensa alegria fez menção em ajoelhar-se aos seus pés, ele aimpediu, e por sua vez foi quem ajoelhou nomeando-a conforme a vontade de Deus,Rainha dos anjos no Reino do Eterno.Maria desencarnou…Maria no Plano EspiritualO Espiritismo como ciência que estuda o plano físico e o homem, o plano espiritual e osEspíritos que o compõem, e as relações entre os dois, pôde com autoridade nos informara respeito das atividades do nobre Espírito Maria no Plano Espiritual.Sabemos que quanto mais o Espírito é evoluído, mais ele trabalha no Plano Maior daVida. Espíritos ainda materializados que somos, após o desencarne necessitamos de umperíodo de adaptação à nova vida, isto é comum a todos, e esta adaptação, segundo nosinformam os próprios Espíritos, tem o tempo maior ou menor de acordo com a condiçãoevolutiva moral e espiritual de cada um.Na condição mediana em que nos encontramos, mostra-nos a literatura espírita anecessidade de que o Espírito alterne momentos de trabalho com momentos dedescanso, pois tendo em seu corpo espiritual, ainda, elementos materiais, mesmo queem outra dimensão, necessita de refazimento e recomposição energética. Todavia háEspíritos que, de tão grande sua evolução, jamais descansam, trabalhamininterruptamente.Pelo que podemos depreender através de nossas reflexões este é o caso de Maria deNazaré, aquela escolhida pelo Pai para ser a mãe do Espírito mais nobre que nosso orbejá conheceu.No livro Boa Nova, no citado capítulo que narra sobre o seu desencarne temos que oprimeiro desejo da Mãe do Salvador após deixar o corpo físico foi rever a Galiléia comos seus sítios preferidos28. Bastou desejar e lá estava ela revendo o lago de Genesaré etoda sua bela paisagem.Neste instante lembrou dos discípulos que eram já e este tempo perseguidos pela fúriahumana ainda dissociada do Bem, e desejou abraçá-los fortalecendo-os em suas lutasíntimas. É que já acontecia por parte das autoridades do império romano as perseguiçõesaos seguidores de Jesus, perseguições estas que levavam os cristãos autênticos a grandessacrifícios em favor do Evangelho. Bastou esta expressão de sua vontade e rapidamente26 XAVIER F. C. / Emmanuel (Espírito) 2004, 2ª Parte, cap. 7.27 XAVIER F. C. / Humberto de Campos (Espírito) 1982. Cap. 3028 XAVIER F. C. /Humberto de Campos (Espírito), 1982, cap. 30 13
  14. 14. CLÁUDIO FAJARDO se viu em Roma onde nos cárceres do Esquilino centenas de seguidores de Seu Filho sofriam terríveis constrangimentos. Narra Humberto de Campos que imediatamente os condenados experimentaram no coração um consolo desconhecido. E continuando a narrativa informa-nos o cronista do Mundo Invisível: Maria se aproximou de um a um, participou de suas angústias e orou com as suas preces, cheias de sofrimento e confiança. Sentiu-se mãe daquela assembleia de torturados pela injustiça do mundo. Espalhou a claridade misericordiosa de seu Espírito entre aquelas fisionomias pálidas e tristes. Eram anciães que confiavam no Cristo, mulheres que por ele haviam desprezado o conforto do lar, jovens que depunham no Evangelho do Reino toda a sua esperança. Maria aliviou-lhes o coração e, antes de partir, sinceramente desejou deixar-lhes nos espíritos abatidos uma lembrança perene. Que possuía para lhes dar? Deveria suplicar a Deus para eles a liberdade?! Mas, Jesus ensinara que com ele todo jugo é suave e todo fardo seria leve, parecendo-lhe melhor a escravidão com Deus do que a falsa liberdade nos desvãos do mundo. Recordou que seu filho deixara a força da oração como um poder incontrastável entre os discípulos amados. Então, rogou ao Céu que lhe desse a possibilidade de deixar entre os cristãos oprimidos a força da alegria. Foi quando, aproximando-se de uma jovem encarcerada, de rosto descarnado e macilento, lhe disse ao ouvido: — “Canta, minha filha! Tenhamos bom ânimo!… Convertamos as nossas dores da Terra em alegrias para o Céu!…” A triste prisioneira nunca saberia compreender o porquê da emotividade que lhe fez vibrar subitamente o coração. De olhos extáticos, contemplando o firmamento luminoso, através das grades poderosas, ignorando a razão de sua alegria, cantou um hino de profundo e enternecido amor a Jesus, em que traduzia sua gratidão pelas dores que lhe eram enviadas, transformando todas as suas amarguras em consoladoras rimas de júbilo e esperança. Daí a instantes, seu canto melodioso era acompanhado pelas centenas de vozes dos que choravam no cárcere, aguardando o glorioso testemunho. Acrescenta ainda o autor espiritual que: Logo, a caravana majestosa conduziu ao Reino do Mestre a bendita entre as mulheres e, desde esse dia, nos tormentos mais duros, os discípulos de Jesus têm cantado na Terra, exprimindo o seu bom ânimo e a sua alegria, guardando a suave herança de nossa Mãe Santíssima.29 Notamos assim, que desde o primeiro momento no Plano Espiritual Maria, já consciente, trabalha e intercede pelos sofredores buscando aliviá-los de suas dores e angústias, sejam elas de natureza física ou espiritual. Há belíssimo poema de Maria Dolores que conta-nos com todo lirismo o socorro de Maria ao Espírito Judas Iscariotes em momentos que este sofria grave crise de consciência. Citamo-lo a seguir: 29 XAVIER F. C. /Humberto de Campos (Espírito), 1982, cap. 30.14
  15. 15. MARIA DE NAZARÉ A EDUCADORA DE JESUSRETRATO DE MÃEDepois de muito tempo,Sobre os quadros sombrios do Calvário,Judas, cego no Além, errava solitário…Era triste a paisagem,O céu era nevoento…Cansado de remorso e sofrimento,Sentara-se a chorar…Nisso, nobre mulher de Planos superiores,Nimbada de celestes esplendores,Que ele não conseguia divisar,Chega e afaga a cabeça do infeliz.Em seguida, num tom de carinho profundo,Quase que, em oração, ela lhe diz:— Meu filho, por que choras?Acaso, não sabeis? — replica o interpelado,Claramente agressivo,Sou um morto e estou vivo.Matei-me e novamente estou de pé,Sem consolo, sem lar, sem amor e sem fé…Não ouvistes falar em Judas, o traidor?Sou eu que aniquilei a vida do Senhor…A princípio, julgueiPoder faze-lo rei,Mas apenas lhe impusSacrifício, martírio, sangue e cruz.E em flagelo e afliçãoEis a que a minha vida agora se reduz…Afastai-vos de mim,Deixai-me padecer neste inferno sem fim…Nada me pergunteis, retirai-vos senhora,Nada sabeis da mágoa que me agita,Nunca penetrareis minha dor infinita…O assunto que lastimo é unicamente meu…No entanto, a dama calma respondeu:— Meu filho, sei que sofres, sei que lutas,Sei a dor que te causa o remorso que escutas, 15
  16. 16. CLÁUDIO FAJARDO Venho apenas falar-te Que Deus é sempre amor em toda parte.. E acrescentou serena: — A Bondade do Céu jamais condena; Venho por mãe a ti, buscando um filho amado. Sofre com paciência a dor e a prova; Terás, em breve, uma existência nova… Não te sintas sozinho ou desprezado. Judas interrompeu-a e bradou, rude e pasmo: — Mãe? Não me venhais aqui com mentira e sarcasmo. Depois de me enforcar num galho de figueira, Para acordar na dor, Sem mais poder fugir à vida verdadeira, Fui procurar consolo e força de viver Ao pé da pobre mãe que me forjara o ser!… Ela me viu chorando e escutou meus lamentos, Mas teve medo de meus sofrimentos. Expulsou-me a esconjuros, Chamou-me monstro, por sinal, Disse que eu era Unicamente o Espírito do mal; Intimou-me a terrível retrocesso, Mandando que apressasse o meu regresso Para a zona infernal, de onde, por certo, eu vinha… Ah! detesto lembrar a horrível mãe que eu tinha… Não me faleis de mães, não me faleis de amor, Sou apenas um monstro sofredor… — Inda assim — disse a dama docemente — Por mais que me recuses, não me altero; Amo-te, filho meu, amo-te e quero Ver-te, de novo, a vida Maravilhosamente revestida De paz e luz, de fé e elevação… Virás comigo à Terra, Perderás, pouco a pouco, o ânimo violento, Terás o coração Nas águas de bendito esquecimento.16
  17. 17. MARIA DE NAZARÉ A EDUCADORA DE JESUS Numa nova existência de esperança, Levar-te-ei comigo A remansoso abrigo, Dar-te-ei outra mãe! Pensa e descansa!… E Judas, nesse instante, Como quem olvidasse a própria dor gigante Ou como quem se desagarra De pesadelo atroz, Perguntou: — quem sois vós? Que me falais assim, sabendo-me traidor? Sois divina mulher, irradiando amor Ou anjo celestial de quem pressinto a luz?!… No entanto, ela a fitá-lo, frente a frente, Respondeu simplesmente: —Meu filho, eu sou Maria, sou a mãe de Jesus.30Maria dirige no Plano Espiritual várias organizações de socorro aos necessitados. Nolivro Memórias de um Suicida31 de autoria do Espírito Camilo Castelo Branco através damédium Yvonne do Amaral Pereira, é-nos relatado o socorro realizado aos Espíritos quepraticaram o autoextermínio pela Legião dos Servos de Maria.Trata-se de uma Legião de Espíritos dirigidos pelo Nobre Espírito Maria que tem porfinalidade socorrer aqueles que abreviaram voluntariamente a sua vida e por issopadecem atrozes dores no Mundo Espiritual. Há entre os servidores da Mãe do Senhordisciplina e amor no auxílio a estes que sem dúvida são grandes necessitados de socorroespiritual.Dá-nos a conhecer ainda, este autor espiritual português, outras organizações chefiadaspor este angelical Espírito como o Hospital Maria de Nazaré e a Mansão da Esperança.Outras citações poderíamos fazer para falar do trabalho da Rosa de Nazaré no Mundodo Espírito, entretanto, para encerrar estas singelas linhas sobre seu trabalho no sentidode apascentar as ovelhas de Seu Filho amado gostaríamos apenas de citar a referência deAndré Luiz àqueles que em prece pedem o socorro da Senhora dos Anjos para o alíviode seu coração.Narra-nos este querido mentor estudando os processos de intercessão no Mundo daVerdade que certa matrona chorava com paciência e de joelhos diante de seu oratórioparticular quando seu orientador sugeriu-o acompanhar as vibrações mentais da irmã emsúplica: (…) postar-nos-emos na retaguarda, de modo a não a incomodar com a nossa presença. E, envolvendo-a nas vibrações de nossa simpatia, assimilar-lhe-emos a faixa mental, percebendo, com clareza, as imagens que ela cria em seu processo pessoal de oração. Obedecemos maquinalmente e, de minha vez, à medida que concentrava a atenção naquela cabeça grisalha e pendente, mais se30 XAVIER F. C. / Espíritos diversos. Momentos de Ouro, São Bernardo do Campo, GEEM, 1977 cap. 331 PEREIRA, Yvonne do Amaral. Memórias de um Suicida, Rio de Janeiro, FEB, 1955 17
  18. 18. CLÁUDIO FAJARDO alterava o estreito espaço do nicho aos meus olhos... Pouco a pouco, qual se emergisse da parede lirial, linda tela se me desdobra à visão, tomada de espanto. Era a reprodução viva da formosa escultura de Teixeira Lopes32 , representando a Mãe Santíssima chorando o Divino Filho morto... E as frases inarticuladas da veneranda irmã em prece ressoavam-me nos ouvidos: - "Mãe Santíssima, Divina Senhora da Piedade, compadece-te de meus filhos que vagueiam nas trevas!... Por amor de teu filho sacrificado na cruz, ajuda-me o espírito sofredor para que eu possa ajudá-los... Bem sei que por sinistro apego às posses materiais, não vacilaram em abraçar o crime. Em verdade, Senhora, são eles homicidas infortunados que a justiça terrestre não conheceu... Por isso mesmo, padecem com mais intensidade o drama das próprias consciências, enleadas à culpa...” Nesse ponto da petição, Silas tocou-nos, de leve, os ombros, convidando-nos ao ensinamento devido e explicou: - É uma pobre mãe desencarnada que roga pelos filhos transviados nas sombras. Invoca a proteção de nossa Mãe Santíssima, sob a representação de Senhora da Piedade, segundo a fé que o seu coração pode, por enquanto, albergar, no âmbito das recordações trazidas do mundo... - Isso quer dizer que a imagem de nossa visão... Esta observação ficou, porém, no ar, porque Silas completou, presto: - É uma criação dela mesma, reflexo dos próprios pensamentos com que tece a rogativa, pensamentos esses que se ajustam à matéria sensível do nicho, plasmando a imagem colorida e vibrante que lhe corresponde aos desejos. E respondendo automaticamente às indagações que o problema nos sugeria, continuou: - Isso, contudo, não significa que a prece esteja sendo respondida por ela mesma. Petições semelhantes a esta elevam-se a planos superiores e aí são acolhidas pelos emissários da Virgem de Nazaré, a fim de serem examinadas e atendidas, conforme o critério da verdadeira sabedoria.33 A Hora do Ângelus Há entre os encarnados, principalmente os que adotam a fé católica, um importante momento do dia - às dezoito horas, quando a suavidade do início da noite sugere momentos de reflexão - em que têm o hábito de reverenciar a Mãe das mães. A literatura espírita através da mediunidade de Yvonne do Amaral Pereira34 nos sugere que esta reverência é fruto de um reflexo do Plano Maior já que na Espiritualidade muitos Espíritos também reverenciam a Santa de Nazaré neste mesmo horário. Conta-nos Camilo Castelo Branco que: 32 António Teixeira Lopes, notável escultor português. (Nota do Autor espiritual.) 33 XAVIER, Francisco C./André Luiz. Ação e Reação, 6a ed., Rio de Janeiro, FEB, 1978, cap. 11 34 Cf (PEREIRA 1955), 3ª Parte cap. 218
  19. 19. MARIA DE NAZARÉ A EDUCADORA DE JESUS Do templo, situado na Mansão da Harmonia, região onde se demoravam com freqüência os diretores e educadores da Colônia, partia o convite às homenagens que, naquele momento, seria de bom aviso prestarmos à Protetora da Legião a que pertencíamos todos – Maria de Nazaré. Pelos recantos mais sombrios da Colônia ressoavam então doces acordes, melodias suavíssimas, entoadas pelos vigilantes. Era o momento em que a direção geral rendia graças ao Eterno pelos favores concedidos a quantos viviam sob o abrigo generoso daquele reduto de corrigendas, bendizendo a solicitude incansável do Bom Pastor em torno das ovelhinhas rebeldes, tuteladas da Legião de sua Mãe amorável e piedosa.A narrativa continua na obra citada. Para nós importa comentar apenas que devido aogrande número de Espíritos encarnados e desencarnados envolvidos na prece nestemesmo momento, todos com a mente voltada para uma espiritualidade edificante, cria-se no planeta uma excelente vibração onde os Espíritos trabalhadores da Seara do Cristoencontram subsídios para realizar trabalhos inimagináveis para a mente do homemcomum.Assim, se possível, entremos nesta vibração coletiva do Bem buscando pela precetrabalhar em favor de nossos irmãos mais necessitados; sabedores que, no comandodesta poderosa corrente está a Rosa Mística de Nazaré intercedendo perante Seu Filho, oGovernador Espiritual do Orbe, por todos agregados a esta luminosa correntezaconstrutora da Ordem Universal. 19
  20. 20. CLÁUDIO FAJARDOII ParteMaria a Educadora de JesusSobre este assunto há algumas reflexões que devem ser feitas.Jesus precisava ser educado? Precisava que alguém lhe ensinasse alguma coisa ou jásabia tudo?Este é mais um desafio em nossa tarefa de compreender o Mestre maior. Sinceramentepenso que não há como responder estas e outras questões a respeito com certeza, é maisuma área em que o que falarmos não passa de opinião pessoal.Jesus é a maior expressão de amor que temos. Uma das maiores características daqueleque ama é a capacidade que este tem de adequação.Portanto, Jesus ao vir a até nós adequou-se para que melhor pudesse cumprir suamissão. Não haveria como ele nos ensinar algo se assim não tivesse feito.Assim, para que pudesse ter autoridade fez-se como habitante comum de nosso orbe,restringiu-se para que melhor pudesse servir. Pelo que depreendemos de nossos estudostrata-se de uma restrição que fez de forma consciente e espontânea, e não porimposição. O que significa que a qualquer momento que quisesse poderia retomar suaspossibilidades.Assim, tinha um corpo semelhante ao nosso, não fluídico como chegaram a supor,entretanto era um corpo mais perfeito que o habitual dos habitantes de nosso orbe. Elenão adoecia, tinha uma memória profunda, podia se tornar visível e invisível quandoquisesse etc.Compreendemos então, que Jesus foi um menino como qualquer outro, teve infância,adolescência e tudo mais, todavia foi especial porque era especial, tinha uma evoluçãoespiritual que nos escapa.Deste modo era natural alguém lhe ensinar as primeiras lições, todavia este aprendizadoera mais que uma recordação, ele sabia em seu coração e em seu espírito. Era apenas umdespertar.Dizem os que estudam a respeito de educação que educar é tirar do educando aquilo queele já possui, e com Jesus isto foi ainda muito mais claro, ela já possuía todas asvirtudes.Educar uma criança é tarefa complexa, talvez seja a mais importante e difícil que temos,imagine então, ter a missão de educar Jesus.Ele surpreendia seus pais a toda hora. Talvez a maior missão destes era realmente nãoatrapalhar o seu desenvolvimento, e podemos dizer com segurança, que apenas isto, nãoatrapalhar, já era uma missão desafiadora.Narra-nos o evangelista, que Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça diantede Deus e diante dos homens.35É de grande profundidade esta citação. Mostra-nos que Jesus fora uma criança quecresceu naturalmente como qualquer outra e que isso aconteceu aos olhos de todos comquem convivia. Que ele recebia informações, porém não as guardava somente no campointelectual, as transformava em sabedoria pela aplicação do que “aprendia”. E isto faziade maneira completa, diante de Deus, observando a sua Lei, e diante dos homensconvivendo com todos, auxiliando, compreendendo, aproximando cada um do Pai, oque Ele sabia ser uma necessidade de todos.35 Lucas, 2: 52
  21. 21. MARIA DE NAZARÉ A EDUCADORA DE JESUSKardec nos ensinou que educação é a arte de formar os caracteres36, o que ele definiucomo educação moral. Esta é a que todos precisamos, é o maior objetivo para vida decada um. Podemos afirmar com segurança que sob esta ótica Jesus foi um eméritoeducador desde criança.Não foi o que ele fez quando aos doze anos foi encontrado por seus pais entre osdoutores no Templo? Não foi o que, invertendo os papeis, fez com José e Maria quandoos levou à reflexão dizendo: Não sabeis que devo me ocupar com as coisas de meuPai?37*****Humberto de Campos, este excelente repórter do Mundo Invisível nos conta que: Desde os mais tenros anos, quando [Maria] o conduzia [Jesus] à fonte tradicional de Nazaré, observava o carinho fraterno que dispensava a todas as criaturas. Frequentemente, ia buscá-lo nas ruas empedradas, onde a sua palavra carinhosa consolava os transeuntes desamparados e tristes. Viandantes misérrimos vinham a sua casa modesta louvar o filhinho idolatrado, que sabia distribuir as bênçãos do Céu. Com que enlevo recebia os hóspedes inesperados que suas mãos minúsculas conduziam à carpintaria de José!… Lembrava-se bem de que, um dia, a divina criança guiara a casa dois malfeitores publicamente reconhecidos como ladrões do vale de Mizhep. E era de ver-se a amorosa solicitude com que seu vulto pequenino cuidava dos desconhecidos, como se fossem seus irmãos. 38Desculpem-nos repetir, mas é importante para nossas reflexões, como deve ter sidodesafiadora a tarefa de Maria de educar um filho que desde criança era um sensacionaleducador…Normalmente os pais transmitem a seus filhos seus traumas particulares, suas angústias,seus fracassos, seus medos. Teria Maria estes sentimentos? Teria ela passado isto paraJesus?À primeira pergunta podemos responder que é bem provável que teria, ela era uma mãegenial, todavia não estava isenta de conflitos como podemos notar na literatura quetemos analisado. Quanto à segunda, é mais difícil de saber a resposta, talvez em algunsmomentos tenha até se mostrado apreensiva diante de seu filho, porém é certo que elasabia e bem administrar suas emoções, o que é uma das tarefas mais complexas para ohomem comum e que mais distinguem aqueles que se destacam na arte de educar.Retomaremos este assunto mais adiante.Temos feito algumas colocações baseadas em alguma literatura consultada, masprincipalmente nas anotações dos evangelistas. E a partir destas reflexões chegamos àconclusão que Maria não era nem insegura e nem superprotetora, dois sentimentos,diga-se de passagem, que perturbam e muito o processo educacional, era intrépida edestemida. Por que assim dizemos?A insegurança na educação gera a superproteção, ambas são consequências do temor, doreceio diante do perigo; a mãe de Jesus podia, como já dissemos, ter tido algunsmomentos de apreensão, todavia não era sua característica o medo.Além da passagem da crucificação de Jesus, já citada, há outras que podem nos ajudar36 KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 50ª ed. Rio de Janeiro, FEB, 1980, questão 685, comentários.37 Lucas, 2: 4938 (XAVIER/Humberto de Campos 1982), Cap. 30
  22. 22. CLÁUDIO FAJARDOnesta conclusão.Infelizmente como é rara a literatura a respeito e o próprio Evangelho fala pouco sobreela, às vezes depreendemos nossas conclusões a partir das atitudes de Jesus.Quem é educado num ambiente de superproteção raramente se sai bem diante dosdesafios da vida. As primeiras adversidades têm a função de preparar a criatura paraadversidades maiores que virão, ninguém pode evitá-las; nem a mãe pode, nem mesmonenhum educador. Como o organismo que reage positivamente a uma enfermidadeatravés de seu mecanismo de defesa, e assim é fortalecido seu sistema imunológico, ascontrariedades fortalecem o nosso Espírito para os desafios que a vida nos propõe comonum processo de recomposição de nossa estrutura íntima.Se Maria fosse insegura e superprotetora jamais Jesus conseguiria dar bom termo à suamissão. Ela deve ter incentivado-o desde criança a superar todos os obstáculos, a jamaistemê-los. Se ela desde a infância não o ensinasse a perseverança, a nunca desistir deseus objetivos, a terminar tudo o que começou, é bem provável que ele no momentosupremo, o da crucificação, desistisse e realmente apelasse para que o Pai enviasse maisde doze legiões de anjos39 para socorrê-lo.Aqui é importante lembrar que Jesus enfrentava as situações, as classes dominantes, ahipocrisia, o falso moralismo, tocava em pontos de alta significação para a alma, numasociedade presa a antigas tradições e que punia severamente quem os contrariava. Emsíntese Jesus tinha grande coragem e se é lógico que isso era fruto de sua evoluçãoespiritual, não é menos verdade que sua educação deve ter contribuído para estarealidade.*****Vejamos a grandeza da Mãe de nosso Senhor e a segurança com que agia analisando seucomportamento num momento que seria de tensão para qualquer um, o anúncio de queseria a mãe do Filho do Altíssimo.Um anjo fez esta revelação para Maria, ela seria mãe do Messias. Só isto já bastaria paradeixar qualquer um apreensivo.O povo hebreu esperava um Messias há muitos séculos, ele seria o libertador dosseguidores de Moisés, reunificaria as doze tribos e faria de Israel a maior entre todas asnações.Vivia-se um período de conflitos, o império romano dominava a nação judaica, e o povode Israel desejava ardentemente alguém que revertesse esta situação. Muitos àqueletempo diziam ser o Messias, ele era aguardado ansiosamente…Por que ser ele filho de uma mulher tão simples? Deve ter pensado, Ele poderia ser filhode um sumo sacerdote, de um rei, de alguém realmente preparado para lhe dar melhorescondições. Ela deve ter tido vários conflitos a respeito. Deve ter perdido várias noites desono se perguntando como educar o menino, um verdadeiro Filho de Deus. E se elafalhasse, atrapalharia os planos do Todo Poderoso? Deus tem seus mistérios e Mariatudo refletia em seu coração.Nós gostaríamos de analisar dois aspectos na passagem do anúncio do anjo a Maria,comparando–a a um anúncio semelhante feito pela mesma entidade espiritual aZacarias, aquele que seria o pai de João Batista. Quem narra é Lucas:Anúncio a Zacarias39 Cf. Mateus, 26: 53
  23. 23. MARIA DE NAZARÉ A EDUCADORA DE JESUS Existiu, no tempo de Herodes, rei da Judéia, um sacerdote chamado Zacarias, da ordem de Abias, e cuja mulher era das filhas de Arão; e o seu nome era Isabel. 6 E eram ambos justos perante Deus, andando sem repreensão em todos os mandamentos e preceitos do Senhor. 7 E não tinham filhos, porque Isabel era estéril, e ambos eram avançados em idade. 8 E aconteceu que, exercendo ele o sacerdócio diante de Deus, na ordem da sua turma, 9 Segundo o costume sacerdotal, coube-lhe em sorte entrar no templo do Senhor para oferecer o incenso. 10 E toda a multidão do povo estava fora, orando, à hora do incenso. 11 E um anjo do Senhor lhe apareceu, posto em pé, à direita do altar do incenso. 12 E Zacarias, vendo-o, turbou-se, e caiu temor sobre ele. 13 Mas o anjo lhe disse: Zacarias, não temas, porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, dará à luz um filho, e lhe porás o nome de João. 14 E terás prazer e alegria, e muitos se alegrarão no seu nascimento, 15 Porque será grande diante do Senhor, e não beberá vinho, nem bebida forte, e será cheio do Espírito Santo, já desde o ventre de sua mãe. 16 E converterá muitos dos filhos de Israel ao SENHOR seu Deus, 17 E irá adiante dele no espírito e virtude de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, e os rebeldes à prudência dos justos, com o fim de preparar ao Senhor um povo bem disposto. 18 Disse então Zacarias ao anjo: Como saberei isto? pois eu já sou velho, e minha mulher avançada em idade. 19 E, respondendo o anjo, disse-lhe: Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado a falar-te e dar-te estas alegres novas. 40O Anúncio a Maria No sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado, da parte de Deus, para uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, 27 a uma virgem desposada com certo homem da casa de Davi, cujo nome era José; a virgem chamava-se Maria. 28 E, entrando o anjo aonde ela estava, disse: Alegra-te, cheia de graça! O Senhor é contigo. 29 Ela, porém, ao ouvir esta palavra, perturbou-se muito e pôs-se a pensar no que significaria esta saudação. 30 Mas o anjo lhe disse: Maria, não temas; porque achaste graça diante de Deus. 31 Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus. 32 Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; 33 ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim. 34 Então, disse Maria ao anjo: Como será isto, se eu não conheço homem algum?41É nas reações que percebemos o estágio evolutivo de um Espírito, assim vamos analisarapenas as reações de nossos personagens:Ao ser abordado pelo anjo, narra o evangelista que Zacarias turbou-se, e caiu temorsobre ele. E após Gabriel, o anjo, lhe falar sobre a gravidez de Isabel, sua esposa, esobre a evolução do Espírito que viria ao mundo como enviado de Deus, através deles,Zacarias inquiriu: Como saberei isto? pois eu já sou velho, e minha mulher avançadaem idade.Com Maria se deu um pouco diferente.O mesmo Espírito, Gabriel, lhe apareceu e saudou-a. Conta-nos Lucas que ela ao ouvira saudação, perturbou-se muito e pôs-se a pensar no que significaria esta saudação. Do40 Lucas, 1: 5 a 1941 Lucas, 1: 26 a 34
  24. 24. CLÁUDIO FAJARDOmesmo modo que com Zacarias, ele explicou que ela iria dar à luz um filho e que eleseria chamado Filho do Altíssimo e ainda comentou sobre os prodígios que ele faria. Elareagiu dizendo: Como será isto, se eu não conheço homem algum?Antes de entrar propriamente na análise do comportamento dos dois, é importante saberum pouco sobre quem eram e em qual ambiente receberam a mensagem daEspiritualidade Superior.Zacarias era um sacerdote, ou seja, trabalhava no templo, era pessoa que cultivava asquestões espirituais e estudava a Torah. E não só isso, segundo o texto evangélico eraconsiderado um justo, e além de estudar, seguia de modo irrepreensível osmandamentos e estatutos de Deus. Informa-nos ainda Lucas, que era de idade avançada,o que significa que tinha amadurecimento.Em que ambiente estava quando recebeu a mensagem? No templo, no Santuário doSenhor; realizava o ofício de queimar o incenso. Podemos dizer em linguagem modernae espírita, que estava num serviço espiritual em comunhão com os Espíritos e diz o textoevangélico que as pessoas que o aguardavam do lado de fora estavam em oração. Écomo se ele estivesse numa mesa mediúnica, e os que estavam na assistência orassemmantendo a vibração e auxiliando-o em seus trabalhos.Neste ambiente de vibrações elevadas, e sendo ele já experiente no serviço e de moralelevada, seria muito natural uma manifestação espiritual como a que aconteceu, mesmoassim, apesar de todo o seu preparo e também do ambiente, quando a manifestaçãoaconteceu ele teve medo: caiu temor sobre ele. E teve mais, ele ficou cético, nãoacreditou no que o anjo lhe falava e pediu um sinal, uma prova: Como saberei isto?Maria por sua vez era uma adolescente. Não sabemos bem a sua idade, mas muitoprovavelmente tinha entre doze e quatorze anos. Ou seja, pelo menos em matéria deidade não tinha grande amadurecimento e preparo. O evangelista não diz onde elaestava, mas provavelmente estava em casa, onde habitualmente não é comum amanifestação de Espíritos. Mesmo assim o anjo se manifesta, era natural que elatambém se perturbasse, e foi o que aconteceu. Entretanto, o redator bíblico nos informaque ela pôs-se a pensar no que significaria esta saudação, o que podemos depreenderque apesar da perturbação ter sido grande, diz o texto que perturbou-se muito, elaequilibrou-se rápido pois exerceu uma ação que só quem está senhor de si assim faz,pôs-se a pensar. No momento do susto, quem está sob o impacto do medo não pensa,reage simplesmente. Ela teve tranquilidade, oxigenou o cérebro, e buscou compreendero porquê daquela saudação. Como era natural, o anjo a orientou que não temesse, omesmo já havia acontecido com o marido de sua prima, todavia ela surpreendeu atémesmo o Mensageiro do Senhor, pois o texto não fala que ela temeu, e após a exposiçãode Gabriel sobre a gravidez maravilhosa por que ela passaria, o que seria mais ummotivo de apreensão, ela ao contrário de Zacarias, creu imediatamente, e se inquiriu oanjo a respeito não foi pedindo-lhe provas, mas buscando entender como se daria oprocesso já que não tivera relações com nenhum homem.O texto é claro: Como será isto, se eu não conheço homem algum? A partir do momentoem que ela pergunta como será isto…? É porque já admitia o fato, sua fé já lheabastecera, porém ela quis saber mais já que não tivera contato sexual com seu noivo.Podemos com segurança dizer que o que Maria teve foi muita lucidez e naquelemomento ela praticou o que Kardec dezenove séculos depois chamaria de féraciocinada, ela não creu de forma cega, mas tendo a confiança superior, raciocinou,inquiriu e aprofundou seu estado intuitivo. Mostrou que já tinha vindo preparada parasua missão e que era um Espírito superior, acima da média, até mesmo de Zacarias que
  25. 25. MARIA DE NAZARÉ A EDUCADORA DE JESUStambém fora preparado no plano espiritual, que também era de boa condição moral, masem quem o nível de esquecimento era maior devido sua menor condição em relação aMaria.E consumando sua atitude de fé, pois como falaria mais tarde Tiago, a fé, se não tiver asobras, é morta em si mesma42., pôs-se a serviço em nome de Deus dando para todos nóssignificativo exemplo: Eu sou a serva do Senhor; faça em mim segundo a tua palavra.43Administrando as EmoçõesAugusto Cury, em seu livro “Maria, a Maior Educadora da História” defende a idéiade que um dos motivos de Maria ter sido tão bem sucedida em sua tarefa de educar omenino Jesus, é porque ela sabia, e muito bem, proteger a sua emoção; ela fazia questãode ensinar a seu filho esta arte.Faz ele interessante raciocínio: Respeitados educadores ensinam os jovens a ter cuidado com seus objetos, não destruir seus materiais didáticos, não manchar suas roupas e a cuidar de seu corpo evitando acidentes e tendo higiene pessoal. Mas esquecem de ensiná-los a proteger o mais difícil espaço do ser humano, a sua emoção.44Continua o autor na sequencia: Quem não aprender a proteger a sua emoção pode até conquistar o mundo, mas será sempre infeliz; pode ser aplaudido, mas será sempre opaco; pode comprar todo tipo de seguro, mas será sempre frágil.Todos nós que habitamos um planeta de expiações e provas, e principalmente nestesdias de transição, temos motivos para nos tornarmos tristes, depressivos, angustiados,preocupados e até mesmo contrariados. Entretanto, importa-nos reconhecer que Mariateve motivos ainda muito maiores que os nossos.Conforme narram os evangelistas, teve uma gravidez incompreensível para amentalidade comum, isto gerou nela, em seu noivo, e em toda sua família, sériasapreensões. Após o menino nascer envolto em mistérios, teve que deixar sua cidade, suazona de conforto, o calor dos familiares, e partir para um novo país, sem saber porquanto tempo, em que condições lá viveria, com quais recursos, etc. Sua sensibilidadeera grande, pois quanto mais o Espírito é evoluído, mais é sensível; assim, deve termuito sofrido com a perseguição de Herodes aos inocentes por causa de seu filho. Tudoisso devia ser para ela e para os seus, motivo de grandes pressões psíquicas; nãoesqueçamos ela era uma adolescente, e estava num dos momentos de maiorsensibilidade para uma mulher, o período pós parto.Como será que reagiríamos numa situação destas? Por muito menos nós nos tornamosangustiados, depressivos, inconformados e paralisamos todo processo criativo em nossavida. Qual a diferença entre nossas posições e a de Maria? Simplesmente de atitude.Maria sabia administrar seus conflitos, gerenciar suas emoções.Em momento anterior neste nosso estudo fizemos uma breve comparação entre Maria eEva, aqui podemos ampliá-la. Através do sentimento de Eva entramos em queda por serela a representação de um sentimento dissociado da razão. Maria por representar a42 Tiago, 2: 1743 Lucas, 1: 3844 CURY, Augusto. Maria, a Maior Educadora da História. São Paulo, Ed. Planeta do Brasil, 2007, cap. 6.
  26. 26. CLÁUDIO FAJARDOsublimação de Eva, ensina-nos a usar o emocional e o racional em plena harmonia. Nãoé um sobrepondo-se ao outro, não é a razão dando a palavra final, mas o perfeitoequilíbrio entre estes dois componentes tão importantes para o nosso progresso emtodos os níveis.Neste passo podemos fazer mais uma importante reflexão. Não sabemos se Maria nãoagisse desta forma, se poderia comprometer a missão de Jesus. Teoricamente sim, poisse ela se tornasse uma inconformada, se ela trabalhasse um sentimento de autopiedade,dificultaria sem dúvida o desenvolvimento de seu filho. Porém, como esteacontecimento - a vinda até nós de Jesus - foi o mais importante de nosso planeta, desdea sua origem, o Pai não delegaria para esta missão quem tivesse a chance de falhar.Todavia, o Evangelho não é uma telenovela ou um romance comum, é preciso trazerpara o nosso dia a dia as suas lições imortais.Assim, é importante refletirmos, pois nós não sabemos quem o Pai colocou em nossavida como filho, qual a missão de cada um deles. A mãe de um futuro presidente de umanação não sabe o que ele será quando criança, o mesmo podemos dizer em relação a umgrande cientista, ou, a um importante educador. Será que não estamos atrapalhando oprojeto de Deus ao agirmos de forma tão destemperada como em muitas vezes fazemos?Não estaremos dificultando a vida de nossos filhos sendo inconformados, ensinando-oscom a vida prática a não perdoarem quando contrariados, a serem violentos eirracionais?São pontos a serem trabalhados por todo aquele que já está cônscio de sua necessidadereeducativa e da importância de agir como um colaborador de Deus.Voltando ao citado escritor e psicoterapeuta, Augusto Cury, na obra já aqui comentada,ele sugere-nos três ferramentas para trabalharmos em nossa vida, e para ensinarmos aosnossos educandos - pois não tenhamos dúvida todos somos, em maior ou menor escala,educadores - a fim de evitarmos transtornos depressivos, suicídios, enfermidadespsíquicas e perda de oportunidades. São elas: • Doar-se sem esperar muito do outro. • Compreender o outro na sua dimensão interior. • Saber que ninguém pode dar o que não tem.Sem dúvida são três princípios de grande importância para todos nós e que se ospraticássemos diminuiríamos e muito nossas dores e dissabores.Temos muitas vezes dito e ouvido que Deus nos criou para amar e sermos amados. Épreciso repensar esta informação e analisá-la com carinho.Ao nosso ver ela é em parte verdade, mas há nela um pouco de contaminação de nossapsicologia inferior.Sim, fomos criados para amar. Deus é amor. A matéria prima da criação é amor. Assim,se quisermos estar ajustados a Deus, caminhar no fluxo natural da vida de acordo com aVontade Soberana e sermos agraciados por sua Misericórdia, temos de amar, pois este éo “idioma” de Deus, é através dele que nos comunicamos com o Criador.Entretanto, a segunda parte da afirmativa “ser amado” deve ser observada de formadiferente. Não fomos criados para sermos amados como uma pré-condição básica. Seramado é efeito, consequência, retorno. A causa é amar, se amarmos seremosnaturalmente amados. Isto se dará sem nenhuma ansiedade, espontaneamente. É da Lei,e ela se cumprirá sempre.Esta questão mal compreendida é que dificulta trabalhar em nós a primeira ferramenta,pois até admitimos que devemos doar, até nos sentimos satisfeitos por assim proceder,
  27. 27. MARIA DE NAZARÉ A EDUCADORA DE JESUSporém não abrimos mão de esperarmos retorno, temos o grande defeito de criarmosexpectativas e esse é o problema. Se não criássemos expectativa em relação ao outronoventa por cento de nossas dificuldades de convivência estariam resolvidas.Vamos trabalhar a terceira ferramenta, saber que ninguém pode dar o que não tem, juntocom a primeira, pois em nosso modo de ver ela é um acessório desta. Quem não esperamuito do outro, sabe que ele só pode dar o que tem, uma virtude maior contémnaturalmente uma menor. Ou ainda, a vivência da terceira ferramenta, leva naturalmenteà primeira.Aqui nos permitimos uma ressalva muito bem colocada pelo Espírito André Luizatravés da mediunidade gloriosa de nosso querido Chico Xavier, a alegria é a únicacoisa que podemos dar ao outro mesmo se não possuirmos.Portanto, se ainda não conseguimos, como seria desejável, não esperar muito do outro,iniciemos o processo de defender a nossa emoção pelo menos não pedindo a ninguémalgo que ele esteja incapaz de dar. Proceder deste modo não é ainda ser bom, mas é pelomenos agir com inteligência, o que já é um grande passo para a conquista da sabedoria.A outra ferramenta colocada por Cury e também de fundamental importância écompreender o outro na sua dimensão interior.Compreender o outro por si só é uma virtude de grande alcance e que evita muitascontrariedades.Perdoar é uma atitude nobre, compreender é ainda mais, pois aquele queverdadeiramente compreende o outro não chega nem a sentir a ofensa, não tendo assimo que perdoar.Compreender é desativar os pontos de conflito, significa transitar com segurança na áreada emoção. E compreender o outro na sua dimensão interior torna-se ainda mais nobre,pois além de enxergar o outro, o que não é habilidade comum entre nós, é se aperceberdo que está para além do visível, é também saber do outro em suas dimensõesemocionais, espirituais e sentimentais.Só Espíritos de boa condição moral e espiritual têm esta capacidade, e fazendo delesmodelos a serem seguidos temos de ser obstinados em trabalharmos também nossointerior na conquista deste valor.E Augusto Cury ainda nos faz, na mesma obra e capítulo, importante consideração sobreeste tema: por trás de uma pessoa que fere, há uma pessoa ferida. Como a nos dizer:“quando nos sentirmos atacados, ou agredidos por alguém, trabalhemos nossa acuidadeespiritual e enxerguemos nela não um agressor comum, alguém de má índole, mas umenfermo necessitado de um médico para a sua alma”. E Jesus, o filho de Maria, já nosalertara, o doente é que precisa de médico. Ele é o Médico dos médicos, e nós, seusefetivos colaboradores na implantação de sua Boa Nova no coração de todos.Tu me amas, ainda fala o Senhor na intimidade de nossos corações, então, apascenta asminhas ovelhas. O que de outro modo pode significar: “educa as minhas ovelhas.”FéEm uma missão espiritual não há como prescindir da fé. Ela é componente essencialpara que tudo aconteça como programado pelo Alto.Já comentamos sobre esta virtude em Maria quando da assimilação do conteúdo darevelação do anjo a ela explicando-lhe a concepção. Mas há outros momentosimportantes que não podem deixar de ser destacados e que nos ajudarão a compreendero quanto esta missionária era preparada para realizar a tarefa mais desafiadora de todos
  28. 28. CLÁUDIO FAJARDOos tempos, a de educar ninguém mais, ninguém menos, que o Governador Espiritual doOrbe.José e Maria cumpriam rigorosamente todos os preceitos judaicos. Circuncidaram omenino no oitavo dia conforme mandava a lei, e ao completarem os dias da purificaçãoda mãe, o que ocorria trinta e três dias após45, levaram Jesus ao templo, em Jerusalém, afim de apresentá-lo ao Senhor46.Lá encontraram um homem já idoso, chamado Simeão, que ao ver o menino, inspiradorealiza grande profecia. Entre outras coisas diz ele a Maria: Eis que este menino está destinado tanto para ruína como para levantamento de muitos em Israel e para ser alvo de contradição (também uma espada traspassará a tua própria alma), para que se manifestem os pensamentos de muitos corações.47Imaginemos a cena. Maria, acompanhada do marido e do filho, estava cansada de umaviagem longa e feita com muitas dificuldades. Ela estava ainda no período do resguardo.Deveria estar fraca e altamente sensível…Apesar de Simeão exaltar a grandeza espiritual do menino sua profecia não foi nadaagradável. Ele, Jesus, estava destinado tanto para ruína como para levantamento demuitos em Israel e para ser alvo de contradição.Isto pressupunha uma vida de muitas apreensões, de dores e sofrimentos. A naçãojudaica era rigorosa quanto à tradição religiosa.O anjo havia dito que ele seria Rei, que herdaria o trono de Davi, talvez naquelemomento ela não tenha percebido que para atingir este fim ele teria uma vida deconflitos, de lutas e de perigos. Agora aquele homem inspirado dizia que ele seria alvode contradições que elevaria alguns – o que se pressupõe eram os simples -, e quetambém arruinaria muitos, e aqui podemos depreender que eram os da elite, os do poder.E ainda diz mais, com referência ao sofrimento dela própria, uma espada traspassará atua própria alma.Para quem era profunda conhecedora das Escrituras conforme vimos pelo Magnificat,ela deve ter entendido na hora a que sacrifício estariam submetidos ela e seu filho.48A profecia se cumpriu no tempo, mas no coração de Maria deve ter acontecido naqueleinstante mesmo. Como suportaríamos uma situação desta? Se algo parecido acontecesseconosco, isto não atrapalharia a educação de nosso filho?Vejamos que são duas situações opostas que acontecem com ela; em qualquer delasestaríamos em dificuldades e talvez comprometidos na realização da missão.Primeiro o anjo lhe antecipa a vitória. Ela seria mãe do Filho de Deus, ele herdaria otrono de Davi e reinaria para sempre. Tal informação poderia ser para ela, se não fossemuito vigilante, pedra de tropeço, pois a vaidade poderia vir à tona e comprometer todoo processo.Depois Simeão lhe fala de lutas incessantes, até mesmo de um provável assassínio deseu filho mostrando a ela que o final da história talvez fosse trágico.Este nível de informações, até contraditórias, dependendo do ângulo em que asanalisarmos, não tenderiam a prejudicar a formação do menino, já que ela poderia tentarmudar o seu destino?45 Levítico, 12: 446 Lucas, 2: 2247 Lucas, 2: 34 e 3548 Cf. Zacarias, 12: 10
  29. 29. MARIA DE NAZARÉ A EDUCADORA DE JESUSSe nós soubéssemos que o nosso filho iria passar por um processo de grandedificuldade, de provável morte por incompreensão de muitos, mesmo que soubéssemosque tudo isto era Desígnio do Altíssimo, o que faríamos? Ajudaríamos Deus em seuprojeto, ou tentaríamos evitar o “pior” para o nosso filho amado, mudando o seudestino?Dizemos assim, porque muitas vezes, mesmo não sendo numa questão tão grave quantoesta, priorizamos para os nossos tutelados, uma boa escola, boas companhias, umaprofissão adequada, mas não visando seu crescimento espiritual e sim um futuropromissor através de um emprego rentável, onde através de um salário alto pudessemanter conforto e estabilidade material.Falamos muito de espiritualidade, mas na maioria das vezes a segurança desejadapensamos estarem nas conquistas transitórias, e assim as perseguimos ardentemente.Jesus veio mudar este paradigma, e para tal tinha de dar o exemplo. Aqueles a Elevinculados e que vieram para auxiliá-Lo, fizeram do mesmo modo: sacrifício comoinstrumento de libertação.Hoje nós tentamos distorcer o entendimento e falamos em prosperidade, porémqueremos prosperidade material esquecendo que a fé se manifesta em qualidade e emmaior escala é na carência e nas dores.Moisés era um disciplinador – primeiro passo do processo educativo, a disciplinaantecede a espontaneidade49 -; Jesus veio como educador; Kardec como pedagogo;desta forma, temos de compreender que este foi um projeto traçado por Deus paraeducar a alma, o Espírito imortal. Maria só pôde ser peça chave deste processo, sendotambém educadora, e de Jesus, porque compreendeu o Mecanismo Divino, e a ele seajustou fazendo-se serva do Senhor.Ela teve a intuição da missão e a ousadia de executá-la. Quando não compreendia asuperioridade do filho tinha humildade para guardar a lição em seu coração50 ousimplesmente dizer: fazei tudo o que ele vos disser51. O melhor entre todos oseducadores é aquele que não se cansa de aprender, e a isso se dedica dia a dia.*****Ainda sobre o tema fé e da forma como Deus prepara o Espírito para realizar a SuaVontade, não podemos deixar de analisar a passagem da fuga da família do Messias parao Egito.Muitas vezes diante de uma grande dificuldade optamos por nos afastar do cumprimentode uma tarefa que até então pensávamos em realizar em favor do Bem. Ainda chegamosa dizer desafiando o Criador: “Se Deus quisesse que eu realizasse tal trabalho não medificultaria tanto a realização, acho que estes empecilhos são os avisos Dele para memostrar que essa não é a minha missão”.Como somos ignorantes e comodistas…Já pensou se José e Maria pensassem desta forma? “Se Jesus fosse mesmo o Messias,por que tanta dificuldade? Por que deixar nossa zona de conforto e ir para um paísdesconhecido? Por que sermos tão pobres?”Desculpas é que não faltariam para o abandono da missão. Em nossa vida temos49 XAVIER/Emmanuel [Espírito]. O Consolador, 16ª ed., Rio de Janeiro, FEB, 1993, Q. 25450 Cf. Lucas, 2: 19 e 51.51 João, 2: 5

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