Successfully reported this slideshow.
We use your LinkedIn profile and activity data to personalize ads and to show you more relevant ads. You can change your ad preferences anytime.
1           CURSO DE TURISMO      TRABALHO INTERDISCIPLINAREstudo do Meio: Município de Bragança - Pará                   ...
2CURSO DE TURISMO                 Trabalho    Interdisciplinar sob    a        orientação dos professores Rosicleia Rodrig...
3Lista de FigurasFig. 1: Fachada da Igreja de São Benedito.Fig. 2: Orla de Bragança.Fig. 3: Conflito dos índios com os por...
4Fig. 24: Retirada do Caranguejo do mangue.Fig. 25: O mangue.Figs. 26 e 27: Cerâmica Caeteuara.Figs. 28 e 29: Vestimenta d...
5Fig. 52: Balneário do Deco.Fig. 53: Fig. 53: Outra do Deco FotoFig. 54: Igarapé do Chumucuí.Fig. 55: Lixo em frente ao ce...
6Fig. 74: Os Taxistas.Fig. 75: PA-242 Rodovia que liga Capanema a Bragança.
7                                                      SUMÁRIOApresentação ..................................................
8                      6. Categorias de UCs .......................................................................49     ...
9Apresentação      A produção deste trabalho aconteceu com bases em pesquisas no municípiode Bragança, cidade localizada a...
10CAPÍTULO I               HISTÓRIA DA AMAZÔNIA APLICADA AO TURISMOPROFESSORA: ROSICLÉIA MENDESCOMANDO DO TRABALHONo perío...
11        Bragança é uma cidade localizada ao Nordeste do Pará, a 210 quilômetros deBelém, capital do Estado, possui aprox...
12                     Os franceses, ao aparecerem na curva do rio Caeté, em frente ao atual                     bairro da...
13estava sob o domínio” (SIQUEIRA, 2008 p. 36). Entretanto, por causa dasdificuldades de comunicação com a capital do Esta...
14Fig. 4: Residência João Paes Ramos, que remota a Bragança colonial. Foto: Raquel Sousa       Ainda dentro do contexto da...
15Figs. 5 e 6: Visita da Comissão de Bragança – Portugal ao município de Bragança – PA. Foto:Socorro Almeida       Alguns ...
16            Figs. 7 e 8: Fundação da cidade em Vila Que Era. Foto: Raquel Sousa.      A população bragantina é constituí...
17       Fig. 10: Interior da Igreja, Matriz, Nossa Senhora do Rosário. Foto: Patrícia Ventura.      A história de Braganç...
18            Fig. 11 e 12: Residência da Família Medeiros. Foto: Socorro Almeida.                 Fig. 13: Interior da Ig...
19      A diversidade de atrativos culturais também é fato na cidade, uma dasculturas mais ricas em termos de festas relig...
20serve para guardar o dinheiro no período da esmolação de abril a novembro, bemcomo as Opas.      Um fato de caráter extr...
21 Fig. 15: A Marujada. Foto: Edemir dos Santos.      Fig. 16: Réplica do chapéu da Marujada. Foto:                       ...
22                      Figs. 17: Chapéu usado pelos Marujos. Foto: Socorro Almeida      As marujas usam blusas brancas re...
23se com a dificuldade da população para estudar, então, a idéia foi criar uma escolaque preparasse pessoas intelectuais e...
24Fig. 19 Filha de D. Aspásia Foto: Patrícia Ventura.   Fig. 20: Dona Aspásia. Foto: Lúcia Lima.        A contribuição de ...
25      As histórias antigas de cada povo, de cada cidade ficam registradas na mentedos filhos da terra e são passadas de ...
26               Fig. 23: Sepultura de Rosa Martins Martyres. Foto: Lúcia Lima.      Dona Raimunda Lacerda, moradora na Av...
27CAPÍTULO II                              GESTÃO AMBIENTALPROFESSORA: MICHELLE SENACOMANDO DO TRABALHOINSTRUMENTOS DE GES...
28Econômica1.    Há aplicação de ecotécnicas visando aumentar as possibilidades decaptação, utilização e reaproveitamento ...
29   1. CULTURAL      No desenvolvimento da pesquisa verificou-se que na localidade existemferramentas de educação ambient...
30                               Fig. 25: O mangue. Foto: internet.      Na comunidade Fazendinha, a três quilômetros de B...
31antigos de famílias tradicionais, que ainda preservam suas fachadas com azulejosportugueses de séculos passados.      Ho...
32       Em breve análise sobre os aspectos ecológicos de Bragança observou-se queconsistem em três tipos de vegetação flo...
33         Fig. 30: Olaria Sapucaia, ao lado, caroço de açaí e serragem. Foto: Lucia Lima.      Na Fazendinha o povo é con...
34      Um dos incentivadores de ações assistenciais, o padre Nelson Magalhães,presta um serviço de assistência social à c...
35jornais, papelão garrafas pets e outros, engrandecendo deste modo o artesanato daregião bragantina.                 Fig....
364. ESPACIAL      Existe na área, algumas iniciativas e projetos de trabalhos envolvendosementes oleaginosas que, em dete...
37para que, com o calor do sol, o óleo escorra para outra vasilha. Esse processodemora entre dez a quinze dias e não pode ...
38lugares e também para Bragança. O caripé (Hirtella excelsa Standl. ex Prance) éuma árvore que já não se encontra com tan...
39CAPÍTULO III                                 ECOTURISMOPROFESSORA: SOCORRO ALMEIDACOMANDO DO TRABALHO1) UNIDADES DE CONS...
40o Há percepção de diferença de comportamento entre moradores e visitantes,   com relação à limpeza do município? Quais a...
411. Unidades de Conservação no Município:                                    No município observou-se a Reserva          ...
42   2. Dados sobre as Unidades de Conservação                    Reserva Extrativista é uma área utilizada por populações...
43   3. Decreto de criação da RESEX Caeté                                  Caeté-Taperaçu                                 ...
44coordenadas geográficas aproximadas 46°                                      43’41.97" WG r e 0°                        ...
45    Parágrafo único. Ficam excluídas do polígono descrito no caput deste artigo:     I - Uma área de aproximadamente duz...
46Planejamento, Orçamento e Gestão, e acompanhar o cumprimento das condiçõesneles estipuladas, na forma da lei.     Art. 4...
47   4. Lei Municipal da criação da APA (Ilha do Canela)                         Lei municipal no 3280, de 29/10/1997     ...
48Art. 4º - A Prefeitura Municipal de Bragança assegurará a visita à Ilha do Canela,pelo menos uma vez por mês de membros ...
49SEBRAE ministrou cursos capacitando moradores das comunidades, fez umtrabalho de roteirização, além de um Inventário Tur...
50a cerâmica desde muito jovem, e que conta como são os processos de fabricaçãoda cerâmica        No Centro de Arte Cerâmi...
51      Antonio Maria Macedo, um dos artesãos da comunidade, conta que produzpeças com argila de várzea e com argila do ri...
52sozinha não tem como prosseguir num processo de desenvolvimento de tãocomplexa atividade, mesmo que haja capacitação de ...
53         Foram identificadas duas cooperativas no município: a COLEFA, Cooperativados Oleiros da Fazendinha, dedicada à ...
54        O padre Nelson Magalhães presta um serviço de assistência social àcomunidade, objetivando a melhoria de renda pa...
55      Em visita à Vila Que Era, pode-se constatar a existência do processo demanuseio da argila para a confecção do arte...
56    9. Projeto que pode ser implantado       O Sr. Manoel Rodrigues de Oliveira éproprietário de uma área de terra comes...
57     10. Limpeza do município.                                                         Fig. 55: Lixo em frente ao cemité...
58        Paralelo a este empreendimento deveria haver toda uma infra-estrutura,associada a capacitação de pessoas da próp...
59CAPÍTULO IV                                SEGMENTAÇÃO TURÍSTICAPROFESSORA: LUCIANA MENDESCOMANDO DO TRABALHO.     - Ide...
601. Segmentos do turismo que ocorrem no município      Em pesquisas observou-se que a cidade de Bragança possui forte ape...
61ocorre em Novembro, neste contexto, o evento proporciona um considerável númerode visitantes a cidade, movimentando a ec...
62Fig. 59: Indumentária da marujada Foto: internet.       A dança é comandada pelas mulheres, enquanto os homens sãorespon...
63Bragança, alguns só passam por Bragança, tendo seu destino principal a Praia deAjuruteua.Fig. 60: Praia de Ajuruteua, ja...
64Fig. 61: Igarapé do Chumucuí Foto: Raquel Sousa.       A Praça de Eventos da cidade de Bragança é um atrativo físico, on...
65Fig. 62: Praça dos Eventos Foto: Patrícia Ventura.       Observou-se em tempos passados o interesse do governo local em ...
Estudo do meio bragança pa.
Estudo do meio bragança pa.
Estudo do meio bragança pa.
Estudo do meio bragança pa.
Estudo do meio bragança pa.
Estudo do meio bragança pa.
Estudo do meio bragança pa.
Estudo do meio bragança pa.
Estudo do meio bragança pa.
Estudo do meio bragança pa.
Estudo do meio bragança pa.
Estudo do meio bragança pa.
Estudo do meio bragança pa.
Estudo do meio bragança pa.
Estudo do meio bragança pa.
Upcoming SlideShare
Loading in …5
×

Estudo do meio bragança pa.

6,637 views

Published on

Published in: Education
  • Be the first to comment

Estudo do meio bragança pa.

  1. 1. 1 CURSO DE TURISMO TRABALHO INTERDISCIPLINAREstudo do Meio: Município de Bragança - Pará Equipe: Edemir dos Santos Edmilson C. Braga Lúcia Lima Maria Benedita Martha Rodrigues Patrícia Ventura Raquel Sousa Belém - Pará 2009
  2. 2. 2CURSO DE TURISMO Trabalho Interdisciplinar sob a orientação dos professores Rosicleia Rodrigues, Michelle, Socorro Almeida, Luciana Mendes e Cleber Bezerra, como requisito para a obtenção de nota parcial referente ao 1º NPC de cinco disciplinas do Curso de Turismo. Belém 2009
  3. 3. 3Lista de FigurasFig. 1: Fachada da Igreja de São Benedito.Fig. 2: Orla de Bragança.Fig. 3: Conflito dos índios com os portugueses.Fig. 4: Residência João Paes Ramos, que remota a Bragança colonial.Figs. 5 e 6: Visita da Comissão de Bragança – Portugal ao município de Bragança –PA.Figs. 7 e 8: Fundação da cidade em Vila Que Era.Fig. 9: Trabalho feito à mão por um artesão de Viseu.Fig. 10: Interior da Igreja, Matriz, Nossa Senhora do Rosário.Fig. 11 e 12: Residência da Família Medeiros.Fig. 13: Interior da Igreja de São Benedito.Fig. 14: Teatro Museu da Marujada.Fig. 15: A Marujada.Fig. 16: Réplica do chapéu da Marujada.Fig. 17: Chapéu usado pelos Marujos.Fig. 18: Túmulo de Dom Eliseu Coroli.Fig. 19 Uma das filhas de D. Aspásia.Fig. 20: Dona Aspásia.Fig. 21: Instituto Santa Teresinha.Fig. 22: Entrada do Cemitério Santa Rosa de Lima.Fig. 23: Sepultura de Rosa Martins Martyres.
  4. 4. 4Fig. 24: Retirada do Caranguejo do mangue.Fig. 25: O mangue.Figs. 26 e 27: Cerâmica Caeteuara.Figs. 28 e 29: Vestimenta de marujos.Fig. 30: Olaria Sapucaia, ao lado, caroço de açaí e serragem.Figs. 31 e 32: Artesanato da Fazendinha.Fig. 33: COMARCA.Fig. 34: Artesanato com material alternativo.Fig. 35: Árvore de Buriti.Figs. 36, 37 e 38: Processo de coleta do azeite de andiroba.Figs. 39 e 40: COOPERATIVAS.Fig. 41: Área de Campos.Fig. 42: Ilha de Canela.Fig. 43: Área de Campos.Fig. 44: Artesanato à mão.Fig. 45: Vasos feitos no torno.Fig. 46: Artesanato da Região.Fig. 47: Forno para secar as cerâmicas.Fig. 48: Semente de andiroba, (Carapa guaianensis).Fig. 49: Artesanato da Comunidade de São Mateus.Fig. 50: COMARCA.Fig. 51: Fig. 51: Olaria Sapucaia.
  5. 5. 5Fig. 52: Balneário do Deco.Fig. 53: Fig. 53: Outra do Deco FotoFig. 54: Igarapé do Chumucuí.Fig. 55: Lixo em frente ao cemitério da cidade.Fig. 56: Fig. Hotel Aldeia dos Lagos.Fig. 57: Praça de Eventos.Fig. 58: Afrescos do interior da Igreja Matriz de Bragança.Fig. 59: Indumentária da marujada.Fig. 60: Praia de Ajuruteua, janeiro de 2008.Fig. 61: Igarapé do Chumucuí.Fig. 62: Praça dos Eventos.Fig. 63: Rio Caeté.Fig. 64: Área de campos.Fig. 65: Artesanato da Fazendinha.Fig. 66: O Mirante.Fig. 67: Rodoviária.Fig. 68: Mapa de como chegar a Bragança.Fig. 69: Entrada do Aeroporto de Bragança.Fig. 70: Interior da Estação Rodoviária de Bragança.Fig. 71: Terminal Rodoviário de Belém.Fig. 72: Carta de Juscelino Kubstichek.Fig. 73: Terminal de Bragança.
  6. 6. 6Fig. 74: Os Taxistas.Fig. 75: PA-242 Rodovia que liga Capanema a Bragança.
  7. 7. 7 SUMÁRIOApresentação .............................................................................................Capítulo I - História da Amazônia aplicada ao Turismo .......................................10 1. Contexto histórico no Pará no período da fundação de Bragança 11 2. Ações implementadas no período da fundação de Bragança........15 3. Características da população bragantina ......................................16 4. Povos e famílias tradicionais que contribuíram para colonização e ainda vivem na região na cidade de Bragança ..............................17 5. Manifestações culturais da cidade de Bragança............................19Capítulo II - Gestão Ambiental................................................................................27 1. Aspecto Cultural ............................................................................29 2. Aspecto Ecológico ........................................................................31 3. Aspecto Econômico ......................................................................32 4. Aspecto Espacial ..........................................................................36 5. Aspecto Social ..............................................................................37Capítulo III – Ecoturismo.........................................................................................39 1. Unidades de Conservação no Município .....................................41 2. Dados sobre as Unidades de Conservação.................................42 3. Decreto de criação da RESEX Caeté-Taperaçu ..........................43 4. Lei Municipal da criação da APA Ilha do Canela .........................47 5. Ecoturismo na RESEX Caeté-Taperaçu ......................................48
  8. 8. 8 6. Categorias de UCs .......................................................................49 7. Apoio do poder público local ........................................................51 8. Educação Ambiental ....................................................................53 9. Projetos que podem ser implantados ...........................................56 10. Limpeza do município ..................................................................57 11. Atividades sustentáveis no município para desenvolver o Ecoturismo....................................................................................57Capítulo IV - Segmentação Turística......................................................................59 1. Segmentos do Turismo que ocorrem no município ......................60 2. Potenciais apontando tendências para o Turismo ........................68Capítulo V - Transporte Turístico..................................................................................... 70 1. Propósitos deste capítulo .............................................................71 2. Infraestrutura básica existente no local.........................................71 3. Pontos de origem de mais acesso ao local visitado e possibilidades de destino secundário............................................74 4. Identificação de vias de acesso, veículos utilizados e funcionamento dos transportes.....................................................75 5. Análise crítica ...............................................................................77Bibliografia................................................................................................................80
  9. 9. 9Apresentação A produção deste trabalho aconteceu com bases em pesquisas no municípiode Bragança, cidade localizada a Nordeste do Pará, a 210 km da capital - Belém,com a finalidade de obtenção de nota para o primeiro NPC, de cinco disciplinasdistintas do quarto semestre do curso de turismo da FABEL - Faculdade de Belémobjetivando mostrar o potencial turístico da região, bem como, recursos naturais,fundação da cidade, primeiros colonizadores, acessibilidade, possibilidades deecoturismo, atrativos, questões ligadas à gestão ambiental, características dapopulação local, atrativos culturais e modo de vida das populações, inserção depolíticas públicas direcionadas a fim de viabilizar o turismo na região e outros. A visita técnica da equipe ao local ocorreu nos dias 29 e 30/08, devidamenteacompanhada da Professora Socorro Almeida, proporcionando o subsídio para aspesquisas, para que o estudo fosse executado. O conteúdo das cinco disciplinas está apresentado em capítulos, sendo oprimeiro capitulo referente à História da Amazônia Aplicada ao Turismo sob ocomando da Professora Rosicléia Mendes. Posteriormente, no segundo capitulo,Gestão Ambiental, disciplina ministrada pela Professora Michelle Sena, seguido deEcoturismo sob a orientação da Professora Socorro Almeida, no quarto capituloencontra-se a disciplina Segmentação Turística da Professora Luciana Mendes e,finalmente, no quinto e último capítulo, a disciplina Transportes Turísticos, ministradapelo Professor Cleber Soares.
  10. 10. 10CAPÍTULO I HISTÓRIA DA AMAZÔNIA APLICADA AO TURISMOPROFESSORA: ROSICLÉIA MENDESCOMANDO DO TRABALHONo período de colonização da Amazônia pelos portugueses, ocorreu a fundação deBelém, em 1616. Neste período, aconteciam ocupações religiosas (missões) aoredor de Belém, que deram origem às cidades. Hoje, essas cidades cresceramcomo, por exemplo: Marapanim, Soure, Bragança e Mosqueiro. De acordo com oenunciado acima e com o apoio da visita de campo, construa um texto relacionandoas seguintes perguntas:1. No período de fundação dessas cidades, o Pará se encontrava em qual momentohistórico?2. Quais os povos que contribuíram para colonização dessas cidades?3. Quais as famílias tradicionais que ainda vivem nas referidas cidades?4. Quais os tipos de ações sociais hoje implantadas nessas cidades?5. Quais as manifestações culturais que fazem parte dessas cidades? Fig.1: Fachada da Igreja de São Benedito. Foto: Raquel Sousa.
  11. 11. 11 Bragança é uma cidade localizada ao Nordeste do Pará, a 210 quilômetros deBelém, capital do Estado, possui aproximadamente 394 anos de história, foiocupada inicialmente por grupos indígenas chamados Caetés, que faziam parte dosTupinambás e eram oriundos das terras baianas e pernambucanas e assim seinstalaram por todo o Nordeste brasileiro, fato que evidencia que os colonizadoreseuropeus não foram os primeiros a habitar estas terras. Com localização privilegiada, a margem esquerda do rio Caeté, a cidade foipalco de umas das primeiras ocupações européias, também chamada,carinhosamente, de “Pérola do Caeté”, a segunda cidade mais antiga do Estado doPará. Fig. 2: Orla do rio Caeté. Foto: Internet. Segundo a história os Franceses foram os primeiros europeus a chegarem na cidade de Bragança, em uma expedição sob o comando de Daniel de La Touche, Senhor de La Ravardiere, em 8 de julho de 1613, esta expedição foi idéia de Maria de Médices, rainha - mãe, que desejava fundar a França Equinocial e pleiteava possessões de terras no Brasil , a exemplo da Holanda. Daniel de LaTouche chegou ao Maranhão em 1612, lavrou o auto de posse da terra, construiu a fortaleza de São Luis, para depois seguir viagem até as terras de Caeté pelas águas do rio Pará. Para reiterar a presença dos franceses no Nordeste do Estado do Pará, apresenta-se a seguinte citação:
  12. 12. 12 Os franceses, ao aparecerem na curva do rio Caeté, em frente ao atual bairro da Aldeia (antiga localização da taba dos índios), foram avistados pelos silvícolas e conduzidos em igarités, atravessando o rio para a taba- maloca. De índole pacífica e educada, os franceses, conviveram com os índios, desde julho de 1613, até pouco antes da instalação da Capitania do Grão-Pará, em 12 de janeiro de 1616. Assim, os franceses, denominaram a região do Caeté de Benquerença, pois, os Tupinambás, quiseram bem aos franceses. (ALMEIDA, Socorro, 2006) A fundação da Vila de Bragança, antiga Souza do Caeté, se deu na gestão doprimeiro ministro Marquês de Pombal, na realidade se constituiu num grandeprocesso que envolveu posses de índios e demarcação de terras, num contextoenvolvendo colonos, índios, jesuítas e representantes do reino. O clima não era depaz, Francisco Coelho de Carvalho, então governador do Estado do Maranhão, quisobter ilegalmente o direito das terras, então, doou-as para seu filho, Feliciano Coelhode Carvalho, sem se importar com o verdadeiro donatário, Álvaro de Souza, o quegerou uma reclamação deste para o Rei Dom Felipe IV e que se constata a seguir: A solução encontrada para o problema da disputa sobre a quem pertencia a Capitania do Caeté foi manifestada e resolvida pelo Rei Dom Felipe IV. Desta questão, após a consulta ao seu Conselho, saiu vencedor de fato e de direito Álvaro de Sousa que recebeu de volta a Capitania e logo tratou de fundar a Vila Sousa do Caeté.(OLIVEIRA, Luciana de Fátima, 2008). Fig. 3: Conflito dos índios com os portugueses. Foto: internet. Inicialmente, em 1622, a área foi doada a Gaspar de Souza, GovernadorGeral do Brasil, para depois, anos mais tarde, Álvaro de Souza, filho de Gaspar deSouza, fundar a margem direita do rio Caeté o que seria a cidade de Bragança. ”Osurgimento do povoado Souza do Caeté aconteceu em 1634, após Álvaro de Souzahaver retomado a posse de suas terras, junto à corte da Espanha, à qual Portugal
  13. 13. 13estava sob o domínio” (SIQUEIRA, 2008 p. 36). Entretanto, por causa dasdificuldades de comunicação com a capital do Estado, Belém, houve a necessidadede mudança do núcleo habitacional, para a margem esquerda do rio Caeté, onde selocaliza a sede municipal nos dias atuais e somente passou a ser consideradacidade em 1854, por um decreto do presidente da Província, na época, Sebastião doRego Barros. Atual cidade de Bragança - antiga vila de Souza do Caeté distava a 16 km do litoral, na costa oceânica leste do Pará e do Maranhão cerca de 60 km da divisa, a um terço do caminho entre a vila de Santa Maria de Belém e a vila de São Luis. Os homens e mulheres que ocupavam o espaço da Capitania do Caeté estavam divididos em índios Tupinambá na aldeia de São João administrada pelos padres jesuítas e os colonos portugueses na vila de Souza do Caeté, sede da Capitania administrada pelos seus donatários. A relação entre índios Tupinambá e os colonos não eram harmoniosas e as tensões e conflitos foram se apresentando e determinantes para a história daquela região. (OLIVEIRA, Luciana de Fátima, 2008). Até o século XVII, o Norte do Brasil estava praticamente intocável peloscolonizadores europeus, a terra era povoada pelos Tupinambás e suas subdivisões,relações nada amistosas ocorreram entre os indígenas e portugueses índios foramdizimados tanto por doenças contraídas dos brancos como por lutas. A Vila deSouza do Caeté passou a chamar-se Vila de Bragança, somente a partir de 1753. O contato dos colonizadores lusitanos liderados por Álvaro de Souza, com osíndios não se deu de forma amistosa, o que levou os portugueses a denominarem aCapitania do Caeté de Brigância, se com os portugueses os contatos não ocorriamde modo amistoso, já com os Franceses, que estiveram passando pelo litoralnordestino paraense em período anterior aos portugueses era diferente esterelacionamento fora mais amistoso, cumpre ressaltar que a boa amizade dosfranceses com os habitantes nativos proporcionou a denominação Benquerença,esta, segundo o povo da terra nos dias atuais, seria a origem do nome. O que defato nada se pode provar com relação a este relato. Podendo-se considerar estamais uma das estórias, dentro da história bragantina.
  14. 14. 14Fig. 4: Residência João Paes Ramos, que remota a Bragança colonial. Foto: Raquel Sousa Ainda dentro do contexto da origem do nome, observa-se que o mesmo temuma ligação muito estreita com a cidade de Bragança, localizada em Portugal, maisum fato comprobatório da ocupação portuguesa em Bragança Paraense, emPortugal existiu uma família chamada de Bragançãos e também uma áreadenominada de Quinta de Benquerença, deste modo de uma forma ou de outra aorigem do nome da Bragança Paraense está ligada a antepassados lusos. Curioso é que este nome pode ser encontrado em um rio do Estado doEspírito Santo, em uma cidade Européia Portuguesa, em São Paulo, e também naIlha do Estado do Pará, entre o Atlântico e a foz do Amazonas, no município deMacapá e finalmente na cidade situada à margem do Caeté no Estado do Pará. Oque de fato a história conta é que Bragança foi fundada em 13/02/1634, por Álvarode Souza, na Vila Que era, onde tudo começou, marcando assim este local comomarco de entrada dos portugueses no Estado do Pará. Um fato de grande relevância para a história é que existe um intercambioentre as cidades de Bragança – Pará e Bragança Européia, onde personalidades decada uma das cidades visitam-se mutuamente, o que comprova as fotos a seguir:
  15. 15. 15Figs. 5 e 6: Visita da Comissão de Bragança – Portugal ao município de Bragança – PA. Foto:Socorro Almeida Alguns fatos relevantes que ocorreram no município no período pós-fundaçãoda cidade: • Estudo de projetos de consolidação do território do Grão-Pará a partir do território do Caeté e a formação da Vila de Bragança; • O Diretório dos Índios de 1755/57 onde se determinava que todos os índios deveriam atuar em diferentes serviços, receber remuneração, casar com brancos e vice-versa, tendo o apoio e o incentivo da Coroa Portuguesa; • A língua geral foi proibida, sendo obrigatório o uso da língua portuguesa; • Os índios passam a vassalos do rei com direitos “iguais” a dos brancos. • Predominância do desenvolvimento agrícola na região, como a produção de açúcar, algodão, pescado e sal.
  16. 16. 16 Figs. 7 e 8: Fundação da cidade em Vila Que Era. Foto: Raquel Sousa. A população bragantina é constituída de pessoas receptivas, hospitaleiras,alegres e carismáticas, a cidade conta com um número expressivo de habitantes,107.060, que apesar da simplicidade se mostram muito agradáveis, possuem traçosfísicos característicos do local por causa da miscigenação, observa-se que sãopessoas de pele clara, estatura mediana, contudo, devido ao clima, podemapresentar a pele meio bronzeada avermelhada, algo característico no olhar de cadaum marca um diferencial. Fig. 9: Trabalho feito à mão por um artesão de Viseu. Foto: Lúcia Lima.
  17. 17. 17 Fig. 10: Interior da Igreja, Matriz, Nossa Senhora do Rosário. Foto: Patrícia Ventura. A história de Bragança é marcada pela colonização portuguesa, haja vista aarquitetura dos prédios existentes na cidade até os dias atuais. Caracteresmarcantes são casas de famílias tradicionais ainda revestidas com azulejosportugueses em suas fachadas. Obras erguidas no século XVIII, a exemplo a Igrejade São Benedito, que possui o piso da época Barroca e tombado pelo Patrimôniohistórico possui as cores azul e branca e a Igreja Matriz de Nossa Senhora doRosário, a mais antiga da cidade, onde está enterrado o Padre Dom Eliseu MariaCoroli, fundador da Congregação de Santa Terezinha, e o Instituto Santa Terezinha,tradicional Educandário da cidade. A casa da família Medeiros possui estilo português, com as paredesexteriores em azulejos lusos, com assoalho de acapu e pau amarelo, esta casa foiadquirida em 1909, onde funcionava na época a Coletoria Federal. É possível ver asiniciais dos primeiros donos da casa esculpidas em concreto.
  18. 18. 18 Fig. 11 e 12: Residência da Família Medeiros. Foto: Socorro Almeida. Fig. 13: Interior da Igreja de São Benedito. Foto: Lúcia Lima Como a Capitania do C Caeté era de Gaspar de Souza, sua família se constitui aem uma das mais tradicionais da cidade, seguida de outras que ainda atualmentemoram na localidade, com o é o caso da família Medeiros, mencionada acima, cuja , Medeiros,residência se localiza na Rua Cônego Miguel a família Pereira (Antônio Pe e Miguel; Pereira) queatualmente reside no Juquiri e atuam como donos de cartório da região; pode-semencionar também a família Tuma, de igual importância para o município, entre Tuma,outras.
  19. 19. 19 A diversidade de atrativos culturais também é fato na cidade, uma dasculturas mais ricas em termos de festas religiosas e profanas, um grandioso exemploé a festa, bicentenária de são Benedito, que ocorre entre os dias 18 e 26 dedezembro, movimentando o turismo religioso na cidade, pois é considerada a maiormanifestação religiosa bragantina. Em breve análise do que seria esta festa, pode-se relatar que há três imagensde São Benedito, uma da praia, uma da colônia, e outra do campo, as duas últimascarregam o Menino Jesus nos braços e a primeira carrega um bouquet de flores,segundo o Sr. Georginho, dono do Restaurante Venha Cá, que se considera “filho”de São Benedito. As três imagens do Santo e seus esmoleiros saem em esmolaçãono mês de abril e passam sete meses nas ruas arrecadando donativos para afestividade. Em novembro essas três imagens vão chegando uma de cada vez comseus cofres abarrotados de dinheiro, onde se faz uma estimativa de arrecadamentode R$80.000,00 (oitenta mil Reais) para a Diocese, este valor refere-se aoarrecadado pelas três imagens. O evento profano e religioso denominado “esmolação”, segundo o Sr.Georginho, já ocorre a 211 anos, havendo várias comissões e cada uma delas écomposta por 10 esmoladores, a Opa é uma indumentária que promesseiros eesmoladores vestem para dar prosseguimento nas rezas e orações nas casas aondea imagem do Santo chega. Ao chegarem à residência em questão, o dono da casa recebe ospromesseiros e esmoleiros com um banquete, onde é servido comidas a base deaves caipiras, carnes de porco e de carneiro, curioso é que na primeira mesaformada só sentam os homens, ficando as mulheres para segundo plano, contudoestas comem das mesmas iguarias e quitutes comuns na região. Outra curiosidadeé que mulheres grávidas ou menstruadas não participam dessas atividades, vistoque o tambor utilizado racha, segundo ditos populares. No interior da Igreja de São Benedito, encontram-se artigos como chapéus daMarujada e outros que são doados por promesseiros no final da esmolação, comotambém os cofres de madeira pintados com as cores características do santo que
  20. 20. 20serve para guardar o dinheiro no período da esmolação de abril a novembro, bemcomo as Opas. Um fato de caráter extremamente religioso é um relicário que contém umpedaço de osso pequeníssimo da perna direita de São Benedito, trazido pelo PadreAldo Fernandes que está guardado na Igreja do referido santo, este fato ajuda aengrandecer e estimular o turismo religioso na zona bragantina. Seguindo a linha de exemplos de manifestações culturais que a cidade deBragança oferece, cita-se também a Marujada, que é um ritual exuberante, queocorre simultaneamente, à Festa de São Benedito. Marujos e Marujas vestindotrajes característicos fazem apresentações diárias entre os dias 18 e 26 dedezembro. Fig. 14: Teatro Museu da Marujada Foto: Patrícia Ventura. A Marujada é uma festa de cores, no que se refere à indumentária e a partemais atrativa desta é o chapéu feminino que segundo Clara Elizabeth Borges daRosa, que trabalha com a confecção de chapéus todos os anos por ocasião dafesta, é feito com arames, penas de pato, fitas nas cores de São Benedito e umtecido denominado lurex. Clara, é artesã e relata que ainda trabalha com os chapéusa moda antiga, pois, seu falecido pai veio em sonho dar-lhe o molde para osmesmos.
  21. 21. 21 Fig. 15: A Marujada. Foto: Edemir dos Santos. Fig. 16: Réplica do chapéu da Marujada. Foto: Patrícia Ventura. João Batista enfatiza que azul e branco são cores utilizadas para a festa doMenino Jesus e branco e vermelho para São Benedito e ainda relata que aIrmandade é composta de 838 marujas (mulheres) e 108 marujos (homens).
  22. 22. 22 Figs. 17: Chapéu usado pelos Marujos. Foto: Socorro Almeida As marujas usam blusas brancas rendadas e saias vermelhas e os famososchapéus com fitas multicoloridas que descem da base até ao longo da cost o maior costa,número de fitas no chapéu é destinado às mais antigas. Para compor o visualexuberante e atraente as marujas usam no pescoço cordão de contas ou de ouro. Outras artesãs, também trab trabalham com os chapéus porém, os mais s,modernos são confeccionados com outros materiais, como carnaúba, palhinha oupapelão. O chapéu do marujo é mais simples todo de tecido branco com uma fitavermelha, não utilizando nestes a pena de pato, o que evidencia um diferencial. Bragança ança é sem, dúvida uma cidade que guarda suas histórias,principalmente, as de cunho culturais e religiosos, haja vista a construção do culturaisInstituto Santa Terezinha magnífica construção em 1938, idealizado pelo Padre Terezinha-italiano Dom Eliseu Maria Coroli que acalentava o sonho e construir e fundar uma acalentavainstituição de ensino na região amazônica. O religioso ao chegar à região deparou deparou-
  23. 23. 23se com a dificuldade da população para estudar, então, a idéia foi criar uma escolaque preparasse pessoas intelectuais espiritualmente para ajudar na catequese daregião. Vale salientar que o corpo de Dom Eliseu Coroli está enterrado dentro dasacristia da igreja matriz da cidade de Bragança. Fig. 18: Túmulo de Dom Eliseu Coroli. Foto: Patrícia Ventura. O carnaval é outra manifestação cultural relevante na cidade de Bragança enesse sentido tudo começou pelo incentivo da Sra. Aspásia Borges, atualmente com89 anos, portadora do título de grande incentivadora do samba de Bragança, viúvado Sr. João Ribeiro da Rosa e irmã de Jurandir Borges. O irmão de dona Aspásiajogava no Time Negra de Bragança, um time formado só por amigos e por achar acidade muito calma e pacata, surgiu em sua mente criar um carnaval, uma dasprimeiras idéias foi criar uma boneca de paneiro muito grande, e dona Aspásia,como era costureira, coube-lhe o trabalho da confecção da roupa da boneca, queusou uma saia de quatorze metros.
  24. 24. 24Fig. 19 Filha de D. Aspásia Foto: Patrícia Ventura. Fig. 20: Dona Aspásia. Foto: Lúcia Lima. A contribuição de dona Aspásia não ficou só nessa atividade, a referidasenhora foi a primeira rainha do carnaval de rua da cidade de Bragança, fato queocorreu em 1949, nesse ano o tema do carnaval foi “Rancho da Nega”. DonaAspásia é muito querida na cidade por todos, principalmente por políticos da região. Dona Aspásia, mora com as três filhas é muito calma, porém alegre, gosta dacasa sempre cheia de amigos, parentes e principalmente os netos e este fato serepete a cada ano por época do carnaval. Clara Elizabeth Borges da Rosa, uma das filhas de dona Aspásia, que éartesã, costureira, trabalha na confecção dos famosos chapéus da marujada, relataque o carnaval a cada ano ia evoluindo até chegar aos dias atuais com a criação devárias Escolas de Samba. O Instituto Santa Terezinha que completou setenta anos ano passado (2008) procura manter até os dias atuais a visão holística de seu fundador onde predomina a educação para a vida, ensinando o homem de modo a compor um todo, ou seja, na sua totalidade, intelectual e espiritualmente para que este saiba passar pelos percalços da vida.Fig. 21: Instituto Santa Teresinha Foto: Raquel Sousa.
  25. 25. 25 As histórias antigas de cada povo, de cada cidade ficam registradas na mentedos filhos da terra e são passadas de geração em geração, de pai para filho e assimumas das histórias curiosas que conta o povo bragantino, é a historia de RosaMartins Martyres que foi a segunda pessoa a ser enterrada no cemitério de SantaRosa de Lima, a referida senhora despediu-se de Bragança dizendo que destalocalidade não queria nem o pó da terra, como contam os populares, contudo, sofreuum gravíssimo acidente em estradas, que a levou ao óbito e seu corpo voltou paraser enterrado em Bragança, no referido cemitério, como forma de homenagem aeste fatídico caso, na porta do cemitério é possível lê-se ainda hoje a inscrição“VOLTA AO TEU LOGAR”. Fig. 22: Entrada do Cemitério Santa Rosa de Lima. Foto: Lúcia Lima. Entretanto, ressalta-se que a primeira pessoa a ser enterrada no cemitério deSanta Rosa de Lima em 12/10/1888 foi Ana Leopoldina R Rodrigues, portanto, estase constitui a sepultura mais antiga do cemitério que foi reinaugurado em Outubro de1888. Sendo que Rosa Martins Martyres foi sepultada quinze dias após AnaLeopoldina, ou seja, no mesmo mês e ano.
  26. 26. 26 Fig. 23: Sepultura de Rosa Martins Martyres. Foto: Lúcia Lima. Dona Raimunda Lacerda, moradora na Avenida Sapucaia, conta que afundação de Bragança, começou em Vila Que Era, mas, não houve crescimentonessa área e então a cidade começou a se expandir para outro lado, contou tambéma respeito da maravilhosa paisagem de beleza cênica, referente à fauna bragantina,quando um grupo de guarás aparece às proximidades da ponte Sapucaia emhorários diferenciados. Estes e outros são relatos contados pelo povo bragantinoque se orgulham da Pérola do Caeté, como é carinhosamente chamada por todos.
  27. 27. 27CAPÍTULO II GESTÃO AMBIENTALPROFESSORA: MICHELLE SENACOMANDO DO TRABALHOINSTRUMENTOS DE GESTÃO AMBIENTALCultural1. O empreendimento mantém um programa estruturado de EducaçãoAmbiental destinada a todos os atores sociais assim como apresenta um Serviço deInformações, Guias, Centro de Visitantes e veículos de comunicação direcionada àInterpretação Ambiental?2. Há amplo uso de recursos (tecnologia, materiais e sistemas de gestão)ecologicamente corretos?3. Promove o desenvolvimento da cultura local pelo incentivo à diversificaçãodas expressões culturais de decisão individual e/ou coletiva?Ecológica1. Existe mapeamento total da diversidade natural, assim como há identificaçãode ecossistemas. Há ações formais de proteção/preservação da biodiversidade?2. Os instrumentos administrativos, para dar suporte às ações de conservação epreservação do meio físico e biótico em relação aos impactos antrópicos, sãoadequados e estão em operacionalização?3. Há integração da administração do impacto causado pelo visitante aosprocessos existentes de planejamento e gestão da atividade turística?
  28. 28. 28Econômica1. Há aplicação de ecotécnicas visando aumentar as possibilidades decaptação, utilização e reaproveitamento e destinação de água?2. Há identificação de fontes alternativas de energia, com utilização de mais deuma fonte de energia, considerando a biomassa?3. Há utilização de tecnologia para reaproveitamento dos resíduos sólidos e suatransformação em energia?Espacial1. Há produção de produtos ecológicos?2. Há utilização ampla de ecotécnicas na construção e/ou sistema viário e/ouuso e ocupação do solo?3. A escolha do local das instalações, equipamentos e áreas de visitação atendeao critério de limitar as instalações em áreas naturais, além de administrar ademanda, direcionando a visitação para áreas menos sensíveis?Social1. A oferta turística é administrada, com aplicação de métodos para determinar acapacidade de carga, assim como os objetivos e políticas de administração dovisitante?2. Políticas de responsabilidade social e comprometimento da organização comos colaboradores? Incentiva e colabora com ações de proteção e pesquisas sobremeio ambiente promovida por outros atores sociais?
  29. 29. 29 1. CULTURAL No desenvolvimento da pesquisa verificou-se que na localidade existemferramentas de educação ambiental destinadas a todos os atores sociais como, ocentro de visitante que funciona na Secretaria de Turismo, no qual o turista recebeinformações sobre os atrativos que a cidade oferece, através de guias turísticos,panfletos e folders; condutores adultos e mirins que foram capacitados e formadospara orientar os turistas que visitam a cidade através de um projeto resultado daparceria entre a prefeitura e o SEBRAE; disponibiliza também uma rádio que temuma programação que incentiva a conscientização ambiental da população. Em relação à Educação Ambiental, existem também atitudes pontuais, pois, as crianças já repassam para seus próprios pais o que lhes é transmitido em algumas palestras e seminários nas escolas. Fig. 24: Retirada do Caranguejo do mangue. Foto: Museu Goeldi. Existe uma ação de Educação Ambiental com relação ao mangue, estetrabalho de conscientização muito enriquecido por causa da cartilha, dissemina aidéia de não retirar do mangue a fêmea do caranguejo uçá (Ucides cordatus), muitoconsumido no município, o que já vem acontecendo para a conservação da espécie.
  30. 30. 30 Fig. 25: O mangue. Foto: internet. Na comunidade Fazendinha, a três quilômetros de Bragança, encontra-se aCerâmica Caeteuara, originária do rio Caeté. Dona Carmita, uma das pessoas quetrabalham com a cerâmica desde muito jovem, conta como as coisas acontecem: Aspeças apresentadas na comunidade Fazendinha de artesanato caeteuara são peçasfabricadas à mão, porém oleiros ceramistas que fazem vasos usam o torno, máquinade modelagem manual, que é chamada de “roda” pelos residentes antigos. Figs. 26 e 27: Cerâmica Caeteuara. Fotos: Patrícia Ventura e Lúcia Lima respectivamente. O povo da cidade de Bragança pareceu bem consciente a respeito de seusPatrimônios Históricos Culturais Materiais e Imateriais, haja vista, a observação inloco que não há paredes pichadas no centro da cidade, onde se localizam casarões
  31. 31. 31antigos de famílias tradicionais, que ainda preservam suas fachadas com azulejosportugueses de séculos passados. Houve uma ação desenvolvida pelo “Arraial do Pavulagem” no sentido deresgatar as culturas folclóricas através de oficinas de danças tradicionais, poisestavam perdendo sua identidade para novos ritmos, sendo que essa iniciativaagora é desenvolvida pela organização da marujada. Figs. 28 e 29: Vestimenta de marujos. Fotos: Socorro Almeida. 2. ECOLÓGICO Um dos projetos sérios que existiu em Bragança com relação à EducaçãoAmbiental foi o Projeto MADAM voltado para os manguezais com objetivo derecuperação do mangue, durou cerca de dez anos e consiste no replantio domangue, é um estudo projetado pela UFPA de Bragança. O grupo “RecursosPesqueiros” que desenvolveram o projeto MADAM relata informações sobre o ciclode vida das espécies, principalmente, caranguejos uçá (Ucides cordatus), recursosvitais para a vida do povo bragantino.
  32. 32. 32 Em breve análise sobre os aspectos ecológicos de Bragança observou-se queconsistem em três tipos de vegetação floresta equatorial, hoje apresentando grandesáreas desmatadas, que deram lugar a implantação de agricultura (feijão, milho,mandioca, etc.) e pastos destinados a criação de gado de corte; coberturas vegetaisdos mangues, das praias e dos campos naturais que ocorrem em toda a orlaatlântica. Ao analisar o material arrecadado em pesquisas na cidade de Bragança,pôde-se observar que a população é consciente de seu rico patrimônio ecológico,com relação a ter real idéia dos atrativos naturais existentes na cidade, é algo queeles sabem que existe, porém, não há um incentivo por parte de algum escalão dogoverno, no sentido de disseminação de idéias de projetos sustentáveis, percebe-seo mapeamento da diversidade natural em ações pontuais e ditos populares. Percebeu-se que pessoas que trabalham em cerâmicas da região disseramque retiravam o barro para a confecção dos artesanatos das várzeas e dos campos,notou-se que não se preocupam com a reconstituição desse material, achando queeste vinga (nasce) de novo no local de onde foi retirado, o que ocorre, entretanto, éque leva algum tempo, pois é um processo geológico. Quanto à integração, planejamento e gestão da mensuração dos impactosnão há políticas públicas direcionadas, apenas atitudes pontuais como, por exemplo,a questão do lixo, que será abordada no próximo item, e do mangue que já foiabordada neste trabalho. 3. ECONÔMICO Dentro de parâmetros sustentáveis, observou-se que a olaria Sapucaia fazum trabalho de relevante importância, na olaria é proibido queimar madeira, no fornoque serve para secar as telhas, o material usado é o pó de serragem, bem como ocaroço de açaí (Euterpe oleracea).
  33. 33. 33 Fig. 30: Olaria Sapucaia, ao lado, caroço de açaí e serragem. Foto: Lucia Lima. Na Fazendinha o povo é conscientizado quanto à questão do lixo, resíduosnão aproveitados são enterrados, outros são queimados nos fornos que servem paraqueimar as peças artesanais e ainda há uma terceira parte do lixo que o carro passapara pegar, nesta última parte surge o lixo que pode ser separado no lixão para servendido para reciclagens. Figs. 31 e 32: Artesanato da Fazendinha. Fotos: Patrícia Ventura e Lúcia Lima.
  34. 34. 34 Um dos incentivadores de ações assistenciais, o padre Nelson Magalhães,presta um serviço de assistência social à comunidade, objetivando a melhoria derenda para a mesma, deste modo, foi criada a COMARCA, (Cooperativa deCatadores de Materiais Reciclável dos Caetés). O processo de atividade dostrabalhos na COMARCA ocorre da seguinte maneira: Os homens da cooperativacoletam o lixo e levam para um galpão, construído em um terreno doado pelo padreNelson, nas proximidades do lixão, para essa finalidade. As mulheres se incumbemde separar o material, garrafas pets, plástico, papelão, vidros, latas, etc. O própriopadre capacitou o povo para trabalhar com a prensa que ele conseguiu comdoações. Uma vez ao mês um carro é contratado no valor de R$400,00(Quatrocentos Reais) a R$600,00 (Seiscentos Reais) para pegar o lixo devidamenteseparado e levá-lo até o cliente que comprará para reciclar. Fig. 33: COMARCA. Foto: Lúcia Lima. O papelão vai para a RIPEL, em Belém e as garrafas pets para o Maranhão.A cooperativa possui 12 funcionários e no mês de agosto apurou R$2.300,00 (Doismil e trezentos Reais). A carroça onde é coletado o lixo é patrocínio do Banco daAmazônia. Isabel Cristina Borges da Rosa, que desenvolve um trabalho na CAPES(Instituição que desenvolve trabalhos de Assistência Social), dando aulas deconfecção de artesanato e utiliza materiais que, ocasionalmente, seriam jogadosfora no lixo para criar magníficas peças artesanais, incentivando o uso dareciclagem, dentre os materiais usados para compor os trabalhos artesanais estão
  35. 35. 35jornais, papelão garrafas pets e outros, engrandecendo deste modo o artesanato daregião bragantina. Fig. 34: Artesanato com material alternativo. Foto: Lúcia Lima. A farinha é um alimento que está inserido na alimentação das populações,principalmente, do Norte e Nordeste do Brasil. Assim, aproximadamente, 120famílias distribuídas em seis comunidades na zona bragantina trabalham com oproduto utilizando-se desta atividade para a sua subsistência, atuando de maneirasustentável. Dessa forma a mandioca torna-se o principal produto da região, sendoconsiderado o alimento típico da culinária indígena tradicional da região. O modo de fabricação da farinha dá-se da seguinte maneira: cortar a maniva,retirar as raízes da terra, colocá-las na água, pode ser com casca ou sem casca, seoptar por usá-las com casca, o processo demora um pouco mais, ficando na águapor três a quatro dias. Descascar e lavar muito bem, moer em uma máquinaapropriada. Depois desse processo a massa obtida é colocada no tipiti até secar emquestão de horas. Após é só passar por uma peneira e logo depois vai ao forno paracozinhar,o período de cozimento é aproximadamente uma hora.
  36. 36. 364. ESPACIAL Existe na área, algumas iniciativas e projetos de trabalhos envolvendosementes oleaginosas que, em determinado período fecharam contrato com aNatura, entretanto, este contrato não é agradável para a comunidade, visto que oque é pago não compensa e os comunitários se sentem explorados. Com ajuda do Banco Popular Solidário, vem sendo estimulada a fabricaçãode hidratantes a base de sementes oleaginosas da região, como buriti (Mauritiaflexuosa) e muru-muru (Astrocarium murumuru) - palmeira encontrada no igapó, eassim o grupo gestor dessas atividades está se preparando para organizar umacooperativa. A intenção é produzir óleo de andiroba (Carapa guaianensis), debabaçu (Orbignya phalerata, Mart.) de cupuaçu (Theobroma grandiflorum), muru-muru, bacuri (Platonia insignis), tucumã (Astrocaryum vulgare), buriti e outros daregião. Fig. 35: Árvore de Buriti. Foto: Lúcia Lima. Observou-se em uma das casas, na região bragantina, numa comunidadeafastada o processo de extração do óleo da andiroba (Carapa guaianensis), feito deforma artezanal e alguns passos desse processo relata-se neste estudo: A sementedeste vegetal é encontrada em terreno de Igapó e, ao juntar as sementes, coloca-separa cozinhar por alguns minutos, depois deixar descansar seis dias no sol, a fim desecar a água do cozimento. Após esse tempo, deve-se cortá-las e retirar a polpa dedentro, além de amassar para obter uma pasta homogênia. Depois disso, o próximopasso é depositar a massa em um recipiente que fique no sol, de forma inclinada,
  37. 37. 37para que, com o calor do sol, o óleo escorra para outra vasilha. Esse processodemora entre dez a quinze dias e não pode pegar chuva para não estragar o óleo. Figs. 36, 37 e 38: Processo de coleta do azeite de andiroba. Foto: Socorro Almeida Percebeu-se que famílias de oleiros procuram habitar perto do rio Caeté,perto de zonas de várzeas, com a finalidade de facilitar a coleta da argila. De certomodo este fato implica em favorecimento da sustentabilidade. 5. SOCIAL Observou-se que na cidade de Bragança não existe a preocupação com acapacidade de carga em locais de visitação, gerando assim, possibilidade dedegradação. Em Tamatateua, comunidade de São Mateus pertencente à RESEX Caeté-Taperaçu, verificou-se a presença de outro tipo de artesanato, seguindo o modelo daregião, mas, com um diferencial: Não são usados em suas misturas as cinzas doCaripé (Hirtella excelsa Standl. ex Prance) apenas o Chamote (pó de telha). Osartesãos que fabricam esse tipo de artesanato participam de feiras em Belém.Disseram comprar lenha no inverno para a queima das peças, pois têm dificuldadede conseguir madeira de outra forma. Revelaram também, sobre a fabricação, quepeças que trincassem não poderia ir ao forno. Vendem suas peças para vários
  38. 38. 38lugares e também para Bragança. O caripé (Hirtella excelsa Standl. ex Prance) éuma árvore que já não se encontra com tanta facilidade como nos tempos passados,o que se leva a pensar se este uso estaria de acordo com manuseios sustentáveispara a época atual. Constata-se duas cooperativas na área bragantina, a COLEFA, Cooperativados oleiros da Fazendinha, dedicada à produção de tijolos, telhas, vasos;COMARCA, Cooperativa de Catadores de Materiais Reciclável dos Caetés, quecatam e separam materiais recicláveis (papeis plásticos e metais). Na comunidade de São Mateus os pesquisadores (a equipe de acadêmicosda FABEL) levantaram uma questão a respeito de rivalidade entre as diversascomunidades, porém, a resposta a esse questionamento, que foi dada pelas artesãs,foi de que não há desentendimentos ou problemas pendentes não resolvíveis, tudo éresolvido e esclarecido na base do diálogo. Não foram observadas também rivalidades entre as cooperativas, pelocontrário, a visão que as partes têm é que uma dá suporte à outra. Figs. 39 e 40: COOPERATIVAS. Fotos: Lúcia Lima.
  39. 39. 39CAPÍTULO III ECOTURISMOPROFESSORA: SOCORRO ALMEIDACOMANDO DO TRABALHO1) UNIDADES DE CONSERVAÇÃO (E ECOTURISMO) o No município visitado há alguma Unidade de Conservação - UC ou área que mereça um estudo para a implantação de UC? Qual (is)? o Caso haja UC, faça uma descrição geral sobre ela (Data de criação, aspectos gerais e outras informações pertinentes). o Qual a categoria da UC existente ou potencial (Proteção Integral ou Uso Sustentável)? o Que tipo (RESEX, PARQUE, FLONA, etc.)? o Há alguma atividade de Ecoturismo ou pretensão de iniciar atividade nessa UC? o Caso positivo, quem ou que instituição ou órgão está organizando a atividade? o Descreva o funcionamento das atividades e o envolvimento das comunidades nessas atividades. o Há apoio da Prefeitura para a atividade? Que tipo de apoio?2) EDUCAÇÃO AMBIENTAL o Aparentemente, como está o visual do município, com relação à limpeza? (Descreva).
  40. 40. 40o Há percepção de diferença de comportamento entre moradores e visitantes, com relação à limpeza do município? Quais as percepções? Descreva.o Qual o destino final dos resíduos sólidos (lixo) no município? Onde fica a área de depósito do lixo? Há algumo Há alguma iniciativa de coleta seletiva ou algo parecido relacionado à questão do lixo no município (Campanhas de Ed. Ambiental na mídia, panfletos, sensibilização por quaisquer meios, etc.)? Descreva.o Sugira (passo a passo) atividades que podem ser desenvolvidas para o município, para que o Ecoturismo possa ser desenvolvido, levando em consideração a sustentabilidade da atividade.
  41. 41. 411. Unidades de Conservação no Município: No município observou-se a Reserva Extrativista Marinha Caeté-Taperaçu, Município de Bragança, no Estado do Pará, criada pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, através do Decreto no 4.340, de 22 de agosto de 2002, e o que consta do Processo no 02018.004600/1999-51, assinado pelo Presidente, no dia 20/05/2005. Fig. 41: Área de Campos Foto: Raquel Sousa. Observou-se no município a existência de uma APA, Área de Proteção Ambiental, criada através da Lei Municipal nº 3280 de 29/10/1997, possuindo cerca de 5 km² localiza-se a 30 km de Bragança em linha reta e a 10 km da costa, fazendo parte do município de Bragança, fica ao norte do estuário do rio Taperaçu e a 300 km da boca do rio Amazonas. Fig. 42: Ilha de Canela Foto: Socorro Almeida.
  42. 42. 42 2. Dados sobre as Unidades de Conservação Reserva Extrativista é uma área utilizada por populações extrativistas tradicionais, cuja subsistência baseia-se no extrativismo e, complementarmente, na agricultura de subsistência e na criação de amimais de pequeno porte, e tem como objetivos básicos proteger os meios de vida e a cultura dessas populações, bem como assegurar o uso sustentável dos recursos naturais da unidade. (COSTA, 2002, p.35) A RESEX na área em estudo abrange uma área de aproximadamentequarenta e dois mil, sessenta e oito hectares e oitenta e seis centiares, vem deAjuruteua passando pela Vila Que Era. Na RESEX encontram-se áreas de várzea,campos, restingas e bosques de terra firme, que abrigam a maior biodiversidade deespécies vegetais e animais da reserva. Encontram-se populações tradicionais quesobrevivem de atividades ligadas ao modo de vida característico da região, como é ocaso dos muitos oleiros que desenvolvem um trabalho com cerâmicas, artesanatos eoutros. A Área de Proteção Ambiental é uma área em geral extensa, com certo grau de ocupação humana, dotada de atributos abióticos, bióticos, estéticos ou culturais especialmente importantes para a qualidade de vida e o bem - estar das populações humanas, e tem como objetivos básicos proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais. Pode ser constituída por terras públicas ou privada. (COSTA, 2002, p.33) APA: É uma área que abriga grandes manguezais na parte interna da ilha,vastas áreas de savanas e restingas e numerosas praias, local de rara beleza abrigapotenciais ninhais de aves, servindo de berço para guarás (Eudocimus Ruber)garças brancas grandes (casmerodius albus) e garças dorminhocas (Nycticoraxnycticorax) e muitas outras espécies de aves migratórias oriundas do HemisférioNorte, abrigando variada diversidade de espécies. Algumas pequenas casascobertas de palha compõem as duas vilas existentes, tais casas, chamadasRanchos, na parte Sudeste da vila, abrigam durante vários dias os pescadores.
  43. 43. 43 3. Decreto de criação da RESEX Caeté Caeté-Taperaçu Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos DECRETO DE 20 DE MAIO DE 2005. Dispõe sobre a criação da Reserva Extrativista Marinha de Caeté Caeté-Taperaçu, no Município de Bragança, no Estado do Pará, e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art.84, inciso IV, da Constituição, tendo em vista o disposto no art. 18 da Lei no 9.985,de 18 de julho de 2000, no Decreto no 4.340, de 22 de agosto de 2002, e o queconsta do Processo no 02018.004600/1999 02018.004600/1999-51, DECRETA: Art. 1o Fica criada a Reserva Extrativista Marinha de Caeté Caeté-Taperaçu, noMunicípio de Bragança, Estado do Pará, abrangendo uma área de aproximada aproximadamentequarenta e dois mil, sessenta e oito hectares e oitenta e seis centiares, tendo porbase as Folhas SA-23 23-V-A e AS-23-V-C, na escala 1:250.000, publicada pelo C,Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, com o seguinte memorialdescritivo: partindo do Ponto 01, de coordenadas geográficas aproximadas46° 36’19.48" WGr e 0° 56’3.76" S, localizado no Ocea no Atlântico, em águasterritoriais brasileira, segue por uma reta de azimute 231° 43’02" e distânciaaproximada de 1.609,46 metros até o Ponto 02, de coordenadas geográficas 02,aproximadas 46° 37’0.36" WGr e 0° 56’36.20" S, locali zado na linha divisória entre osMunicípios de Augusto Corrêa e Bragança, no limite do terreno de marinha, na fozdo Rio Caeté; deste, segue pelo limite municipal, pelo Rio Ca Caeté no sentidomontante, por uma distância aproximada de 17.118,12 metros, até o Ponto 3, de
  44. 44. 44coordenadas geográficas aproximadas 46° 43’41.97" WG r e 0° 59’38.90" S, localizadona margem direita do Rio Caeté, sobre o limite municipal; deste, segue o limite dazona terrestre de mangue, margeando o Rio Caeté, por uma distância aproximadade 10.695,10, metros até o Ponto 4, de coordenadas geográficas aproximadas46° 45’14.96" WGr e 1° 03’09.54" S, localizado na mar gem direita do Rio Caeté;deste, segue para a margem esquerda do Rio Caeté, no sentido jusante, pelo limiteda zona terrestre de mangue, por uma distância aproximada de 19.308,79 metros,até o Ponto 5, de coordenadas geográficas aproximadas 46° 44’54.58" WGr e 57’55.50" S, localizado no Igarapé Raimundo; dest e, segue pelo limite da zona0°terrestre de mangue, por uma distância aproximada de 7.739,27 metros, até o Ponto6, de coordenadas geográficas aproximadas 46° 47’12. 23" WGr e 0° 57’23.56" S,localizado no Rio Taperaçu; deste, segue pelo limite da zona terrestre de mangue,por uma distância aproximada de 12.087,35 metros, até Ponto 7, de coordenadasgeográficas aproximadas 46° 46’55.36" WGr e 0° 54’39. 59" S, localizado no RioVelho; deste, segue pelo limite da zona terrestre de mangue, por uma distânciaaproximada de 13.291,77 metros até Ponto 8, de coordenadas geográficasaproximadas 46° 48’38.26" WGr e 0° 57’55.64" S, local izado no Furo do Jabotitiua,tributário do Rio Maniteua; deste, segue pela margem esquerda do Furo doJabotitiua, no sentido jusante, por uma distância aproximada de 3.470,29 metros, atéo Ponto 9, de coordenadas geográficas aproximadas 46° 49’25.99" WGr e0° 56’32.67" S, localizado na margem direita do Rio Maniteua sobre a linha divisóriados Municípios de Bragança e Tracuateua; deste, segue pelo limite municipal, peloRio Maniteua, no sentido jusante, por uma distância de 14.586,88 metros, até oPonto 10, de coordenadas geográficas aproximadas 46° 47’43.06" WGr e 0° 50’18.48"S, localizado na foz do Rio Maniteua, no limite do terreno de marinha; deste, seguepor uma reta de azimute 08° 30’25" e distância aprox imada de 1.609,71 metros, até oPonto 11, de coordenadas geográficas aproximadas 46° 47’35.35" WGr e 0° 49’26.66"S, localizado no Oceano Atlântico, em águas territoriais brasileiras; deste, segue poruma linha eqüidistante de uma milha náutica da linha da costa, por uma distânciaaproximada de 55.022,35 metros, até o Ponto 1, início desta descritiva, perfazendoum perímetro aproximado de cento e setenta e sete mil, cento e vinte metros esessenta centímetros.
  45. 45. 45 Parágrafo único. Ficam excluídas do polígono descrito no caput deste artigo: I - Uma área de aproximadamente duzentos e sessenta e dois hectares esetecentos e oitenta centiares, com o seguinte memorial descritivo: partindo doPonto A1, de coordenadas geográficas aproximadas 46° 37’19,05" WGr e0° 49’13,64" S, localizado na margem direita do Furo da Estiva, segue a montantepelo Furo da Estiva, por uma distância aproximada de 3.151 metros, até o Ponto A2,de coordenadas geográficas aproximadas 46º36’41.50" WGr e 0º50’16.95" S, naconfluência do Furo da Estiva com o Furo do Maguari; deste, segue pela margemesquerda do Furo Maguari, no sentido jusante, por uma distancia aproximada de1.991 metros, até a sua foz no Oceano Atlântico, Ponto A3, de coordenadasgeográficas aproximadas 46º35’58.51" WGr e 0º50’25.69" S; deste, segue pelo limiteda preamar máxima, por uma distância aproximada de 3.575 metros, ao longo dacosta da localidade Ajuruteua, até o Ponto A4, de coordenadas geográficasaproximadas 46º36’53.33" WGr, 0º48’46.21" S; deste, segue a montante, pelamargem direita do Furo do Chavascal, por uma distancia aproximada de 1.574metros, até o Ponto A1, início desta descritiva, perfazendo um perímetro deaproximadamente dez mil, duzentos e noventa metros e setenta e cinco centímetros;e II - A Rodovia PA 458, que interliga a sede do Município de Bragança àlocalidade Ajuruteua, no Estado do Pará. Art. 2o A Reserva Extrativista ora criada tem por objetivo proteger os meios devida e garantir a utilização e a conservação dos recursos naturais renováveis,tradicionalmente utilizados pela população extrativista residente na área de suaabrangência. Art. 3o Caberá ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos RecursosNaturais Renováveis - IBAMA administrar a Reserva Extrativista Marinha de Caeté-Taperaçu, adotando as medidas necessárias para a sua implantação e controle, nostermos do art. 18 da Lei no 9.985, de 18 de julho de 2000, providenciando oscontratos de cessão de uso gratuito com a população tradicional extrativista, paraefeito de sua celebração pela Secretaria do Patrimônio da União do Ministério do
  46. 46. 46Planejamento, Orçamento e Gestão, e acompanhar o cumprimento das condiçõesneles estipuladas, na forma da lei. Art. 4o Ficam declarados de interesse social, para fins de desapropriação, naforma da Lei no 4.132, de 10 de setembro de 1962, os imóveis rurais de legitimodomínio privado e suas benfeitorias que vierem a ser identificados na ReservaExtrativista Marinha de Caeté-Taperaçu, para os fins previstos no art. 18 da Lei no9.985, de 2000. § 1o O IBAMA fica autorizado a promover e executar as desapropriações deque trata este artigo, podendo, para efeito de imissão de posse, alegar a urgência aque se refere o art. 15 do Decreto-Lei no 3.365, de 21 de junho de 1941. § 2o A Procuradoria-Geral Federal, órgão da Advocacia-Geral da União, porintermédio de sua unidade jurídica de execução junto ao IBAMA, fica autorizada apromover as medidas administrativas e judiciais pertinentes, visando a declaraçãode nulidade de eventuais títulos de propriedade e respectivos registros imobiliáriosconsiderados irregulares, incidentes na unidade de conservação de que trata esteDecreto. Art. 5o Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. Brasília, 20 de maio de 2005; 184o da Independência e 117o da República.LUIZ INÁCIO LULA DA SILVAMarina Silva
  47. 47. 47 4. Lei Municipal da criação da APA (Ilha do Canela) Lei municipal no 3280, de 29/10/1997 Declara a Ilha do Canela Área de Proteção e Preservação Ambiental Permanente e dá outras providências.A CÂMARA MUNICIPAL DE BRAGANÇA aprova e eu Prefeito Municipal sanciono aseguinte Lei:Art. 1° - Fica declarada "Área de Proteção Ambienta l Permanente", pelo Municípiode Bragança a "Ilha do Canela", Ilha marítima de propriedade da União, localizadano litoral Norte do País, no prolongamento dos limites territoriais e jurisdicionais doMunicípio de Bragança.Parágrafo Único - A declaração objeto desta Lei visa especialmente a preservaçãodos Mangues e a manutenção das características de ninharal e habitaçãopermanente das aves Guarás e outras.Art. 2º - Fica proibida a construção de imóvel, com utilização de material de qualquerespécie, na Ilha do Canela.§ 1º - Exclui-se da proibição do "caput" deste artigo, a construção de casas por,comprovadamente, nativos da ilha, destinados à residência própria.§ 2º - A construção de imóvel na Ilha do Canela para finalidade diversa da previstano § 1º deste artigo, dependerá de prévia aprovação pela Câmara Municipal ePrefeitura Municipal de Bragança, em cujos atos autorizativos constarão ajustificativa e a finalidade do imóvel.Art. 3º - A atividade turística na Ilha do Canela será disciplinada pela PrefeituraMunicipal de Bragança.
  48. 48. 48Art. 4º - A Prefeitura Municipal de Bragança assegurará a visita à Ilha do Canela,pelo menos uma vez por mês de membros do Conselho Municipal de Defesa doMeio Ambiente - CONDEMA.Parágrafo Único - O Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente - CONDEMA,encaminhará relatório mensal, para a Câmara Municipal e para a PrefeituraMunicipal de Bragança, sobre a situação da Ilha do Canela.Art. 5º - A Prefeitura Municipal de Bragança adotará junto ao serviço do Patrimônioda União as providências cabíveis para obtenção da cessão da Ilha do Canela,objetivando a plena execução desta Lei.Art. 6º - A Prefeitura Municipal de Bragança poderá expedir atos normativos visandoa regulamentação e plena execução desta Lei.Art. 7º - Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, revogadas asdisposições em contrário. Gabinete do Prefeito Municipal de Bragança, em 29 de Outubro de 1997. José Joaquim Diogo Prefeito Municipal 5. Ecoturismo na RESEX Caeté-Taperaçu Observou-se em tempos passados o interesse do governo local em articularparcerias a fim de conscientizar o povo das comunidades que vivem dentro daRESEX, de seu grande potencial referente a seus Patrimônios Culturais Imateriais,nesse período, grupos de artesãos consolidou-se, com o apoio do SEBRAE,intermediado pela prefeitura local através da Secretaria de Turismo, nessa ocasião o
  49. 49. 49SEBRAE ministrou cursos capacitando moradores das comunidades, fez umtrabalho de roteirização, além de um Inventário Turístico envolvendo os municípiosde Bragança e Tracuateua. Líderes da RESEX pensam em Turismo Rural, mas nada foi implementadoaté o momento. Observou-se que potencial para esse tipo de turismo e até mesmoEcoturismo é possível na região, contudo, deveria haver um projeto para serdesenvolvido ao lado de parcerias, com objetivo para tal. Fig. 43: Área de Campos Foto: Lúcia Lima. 6. Categorias de UCs A RESEX Caeté-Taperaçu, bem como a APA Ilha do Canela também seenquadram como área de uso sustentável, já que populações tradicionais vivem naárea e desenvolvem modos de vida característicos, como por exemplo, o trabalhocom artesanato de várias origens, na comunidade da Fazendinha e outras quefazem parte da RESEX. Nesta comunidade, criavam-se bodes e carneiros. Os primeiros donos eramagricultores, daí a origem do nome. Está localizada a três quilômetros de Bragança,e é um dos locais onde se encontra a Cerâmica Caeteuara, originária do rio Caeté,que são feitas por pessoas como dona Carmita, umas das muitas que trabalha com
  50. 50. 50a cerâmica desde muito jovem, e que conta como são os processos de fabricaçãoda cerâmica No Centro de Arte Cerâmica Rotary, pertencente à comunidade daFazendinha a argila é retirada das várzeas para a confecção dos artesanatos, pois,segundo a referida senhora, a argila retirada do mangue só serve para a confecçãode tijolos e telhas, esta argila de várzea foi considerada por técnicos como umaargila plastificada e igualada com outras que estão presentes em peças com outraargila, e que ficam com um acabamento inferior, dando a impressão que as peçasestão grosseiras ou mal acabadas. Outra observação que dona Carmita fez questão de destacar, é de que nãosão usados tijuco ou tabatinga para a confecção das peças artesanais nacomunidade Fazendinha, porque essa matéria prima não dá acabamento bom napeça. As peças apresentadas na comunidade Fazendinha de artesanato Caeteuarasão peças fabricadas à mão, porém oleiros ceramistas que fazem vasos usam otorno, máquina de modelagem manual, que é chamada de roda pelos povos antigos.Fig. 44: Artesanato à mão Foto: Patrícia Ventura. Fig. 45: Vasos feitos no torno Foto: LúciaLima. A artesã relata ainda que a cidade de Bragança carecia de telhas e tijolo, foientão que José Maria Pereira de Macedo, avô de dona Carmita, veio para Bragança,o intendente na época, convenceu o referido senhor ficar na região e como estepossuía uma larga e ampla experiência nas atividades de olarias, trouxe para aregião a arte de vasos e potes de artesanato.
  51. 51. 51 Antonio Maria Macedo, um dos artesãos da comunidade, conta que produzpeças com argila de várzea e com argila do rio, seus trabalhos consistem desde tirara argila e trazer no carro ou na carroça, suas peças apresentam uma espécie debordado, são lixadas e queimadas, seus preços variam de R$1,00 (um Real) aR$30,00 (trinta Reais) e são vendidas para Salinas, Capanema, Castanhal e Belém.Em sua oficina aproveita resíduos sólidos para manter o fogo acesso com afinalidade de queimar as peças produzidas, também queimam sementes de andiroba(Carapa guianensis) que já foram utilizadas e para nada servem. Na Fazendinha o povo é conscientizado quanto à questão do lixo, resíduosnão aproveitados são enterrados, outros são queimados nos fornos que servem paraqueimar as peças artesanais e ainda há uma terceira parte do lixo que o carro passapara pegar, nesta última parte surge o lixo que pode ser separado no lixão para servendido para reciclagens. Existe um projeto de construir um forno para queimar todotipo de lixo produzido. A Fazendinha é o primeiro produtor de tijolo de Bragança e sempre expõeseus trabalhos em cerâmica no Estande da Rede Bragantina no Hangar (FRUTAL),além de outros locais de feiras e eventos. 7. Apoio do poder público local. Outro incentivo por parte do poder público local foi a introdução do Projeto“Turismo na Escola” de autoria e coordenação do SEBRAE, cujo objetivo foi o deincentivar o turismo e o empreendedorismo em nove municípios do Nordesteparaense, fazendo com que o povo conheça e valorize seus atrativos patrimoniaismateriais e imateriais, seu potencial ambiental e cultural, através do qual váriasações (cursos, oficinas, treinamentos etc.) foram direcionadas. Observa-se no município de Bragança, ampla sinalização turística implantadapela PARATUR em parceria com a Prefeitura local. Observou-se (a equipe) que não há projetos e nem parcerias paradesenvolver um trabalho voltado para o Ecoturismo e, dessa forma, a comunidade
  52. 52. 52sozinha não tem como prosseguir num processo de desenvolvimento de tãocomplexa atividade, mesmo que haja capacitação de pessoal da comunidade por umdeterminado período. Ao finalizar este período, se a comunidade passar a gerenciar umempreendimento, fatalmente, poderá desperdiçar tudo que foi obtido no princípio,visto que não possui experiência, capacitação continuada e conhecimentos paragerenciar um empreendimento dessa natureza. Contudo, afirma-se que potencialecológico, modo de vida da população tradicional, estilos culturais diferentes sãoelementos presentes na região, faltando somente a continuação de um trabalhointegrado de parcerias, viabilizando a capacitação de pessoas, marketing, e políticaspublicas para a viabilização de projetos, para a consolidação da atividade. Fig. 46: Artesanato da Região Foto: Raquel Sousa Fig. 47: Forno Foto Patrícia Ventura Em Tamatateua, na comunidade de São Mateus, verificou-se outro tipo deartesanato, seguindo o modelo da região, mas, com um diferencial: não é usado emsuas misturas o caripé (Hirtella excelsa Standl. ex Prance), (cinzas da casca de umaárvore da região) mas sim o “chamote” (pó de telha), que dá consistência às peças epermitem que as peças sirvam como recipientes para cozinhar (panelas). Elestambém participam de Feiras em Belém e municípios vizinhos, mas também vendemtambém para Bragança. No período de inverno compram lenha, pois há dificuldadeem conseguir lenha seca. Os artesãos informaram também que o barro utilizado écomprado da cerâmica. 100 (cem) barras do produto custam R$20,00 (Vinte Reais).
  53. 53. 53 Foram identificadas duas cooperativas no município: a COLEFA, Cooperativados Oleiros da Fazendinha, dedicada à produção de tijolos, telhas e vasos; e aCOMARCA, Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis do Caeté, quecatam e separam materiais recicláveis (papéis, plásticos e metais).Fig. 48: Semente de andiroba, (Carapa guaianensis) Fig. 49: Artesanato da Comunidade de SãoMateus Foto: Lúcia Lima Foto: Raquel Sousa 8. Educação Ambiental Um dos projetos sérios que existiu em Bragança com relação à EducaçãoAmbiental é o Projeto MADAM voltado para os manguezais com objetivo derecuperação do mangue, durou cerca de dez anos e consiste no replantio domangue, é um estudo projetado pela UFPA de Bragança. O grupo “RecursosPesqueiros” que desenvolveram o projeto MADAM relata informações sobre o ciclode vida das espécies, principalmente, caranguejos uçá (Ucides cordatus), recursosvitais para a vida do povo bragantino.
  54. 54. 54 O padre Nelson Magalhães presta um serviço de assistência social àcomunidade, objetivando a melhoria de renda para a mesma, deste modo, foi criadaa COMARCA, Cooperativa de Catadores de Materiais Reciclável dos Caetés, oprocesso de atividade dos trabalhos na COMARCA, os homens da cooperativacoletam o lixo e trazem para um galpão, construído em um terreno doado pelo padreNelson para essa finalidade. O padre capacitou o povo a trabalhar com a prensaarranjada com doações, uma vez por mês um carro é contratado no valor deR$400,00 (Quatrocentos reais) a R$600,00(Seiscentos reais) para pegar os resíduose levá-lo até o cliente que comprará para reciclar. . Fig. 50: COMARCA Foto: Lúcia Lima Dentro de parâmetros sustentáveis, observou-se que a Olaria Sapucaia fazum trabalho de relevante importância, na olaria é proibido queimar madeira. No forno que serve para queimar as telhas, o material usado é o pó de serragem, bem como o caroço de açaí (Euterpe Oleracea).Fig. 51: Olaria Sapucaia. Foto: Lúcia Lima.
  55. 55. 55 Em visita à Vila Que Era, pode-se constatar a existência do processo demanuseio da argila para a confecção do artesanato. Em tempos passados oSEBRAE forneceu capacitação para estes artesãos o fato causa certa polêmica,pois, esses artistas fabricavam suas peças à mão e atualmente (após a entrada doSEBRAE) utilizam os dois processos, fazem uso de fôrmas de gesso para aconfecção das peças. Para algumas pessoas as peças feitas à mão são maisvaliosas, enquanto que as outras podem sofrer descaracterização, segundo outrasvertentes. O processo se dá da seguinte forma: o barro é retirado da beira do rio Caeté,enfileta-se com o facão para a retirada da raiz, deixa-se de molho dois dias, apósesse tempo, escorre-se a água, amassa-se e tempera-se com as cinzas feitas dacasca do caripé (Hirtella excelsa Standl. ex Prance), e com chamote (pó de telhas),que são socadas no pilão de madeira. Essa mistura temperada descansa cinco diase o processo dura três semanas. O caripé estava escasso e houve necessidade dereplantio, tarefa realizada com muito sucesso. O último passo do processo de fabricoda peça é a queima, por dez minutos, com a fumaça da folha da goiabeira. Existe na área, algumas iniciativas e projetos de trabalho envolvendosementes oleaginosas, em determinado período fecharam contrato com a Natura,entretanto, este contrato não é agradável para a comunidade, visto que o que épago não compensa e os comunitários se sentem explorados. Vem sendo desenvolvido a fabricação de hidratantes à base de sementesoleaginosas da região, como Buriti ((Mauritia flexuosa) e Muru-muru (Astrocariummurumuru) palmeira encontrada no igapó, assim o grupo gestor destas atividadesestão se preparando para organizar uma cooperativa, a intenção é produzir óleo deAndiroba (Carapa guaianensis), de Babaçu (Orbignya phalerata, Mart.) de Cupuaçu(Theobroma grandiflorum), Muru-muru (Astrocarium murumuru) Bacuri (Platoniainsignis) Tucum (Astrocaryum vulgare), Buriti (Mauritia flexuosa) e outros da região.Porém, o Banco da Amazônia tem uma proposta para fazer o óleo dos Caetés, queseria com a utilização das oleaginosas aqui referidas.
  56. 56. 56 9. Projeto que pode ser implantado O Sr. Manoel Rodrigues de Oliveira éproprietário de uma área de terra comescritura pública, nestas terras passa oIgarapé Chumucuí (localizado próximo aolixão do município). Fig. 52: Balneário do Chumucuí Foto: Raquel Sousa. Existem planos de um projeto de parceria com o Estado para fazer um ParqueEcológico dentro de parâmetros de sustentabilidade, já houve conversas paralelascom o prefeito atual, que concorda com o projeto, mas, nada foi feito nesse sentido.Esse balneário funciona há doze anos e trabalham com o Sr. Manoel a esposa, ofilho e algumas pessoas da comunidade, no total dez pessoas trabalham noempreendimento e este funciona somente aos sábados, domingos e feriados. O lixoproduzido no balneário vai para o lixão. O perfil de cliente que visita o local sãofamílias e não há capacitação para os atendentes.Fig. 53: Outra do Balneário Foto: Lúcia Lima. Fig. 54: Igarapé do Chumucuí Foto: Lúcia Lima.
  57. 57. 57 10. Limpeza do município. Fig. 55: Lixo em frente ao cemitério da cidade Foto: Lúcia Lima. Na cidade de Bragança, no centro, observou-se a carência de depósitos para lixo, um dos locais que se percebeu esta necessidade foi na Praça de Eventos, onde não se observou nenhuma unidade do produto, contudo, a mesma se encontrava limpa e com bom aspecto. Porém, em frente ao Cemitério Santa Rosa de Lima, em um lote de terreno desocupado, percebeu-se, um grande monte de resíduos sólidos, degradando a imagem da cidade, o que foi registrado para efeito de comprovação. Acredita-se, entretanto, que este fato, seja algo isolado e que em termos gerais a cidade prima por certo grau de limpeza e em comparação com a metrópole do Estado está superior a esta. 11. Atividades sustentáveis no Município para desenvolver o Ecoturismo. A título de sugestão para ecoturismo a equipe que desenvolveu este trabalho,sugestiona a implantação de um empreendimento comunitário, poderia ser um hotelem que os benefícios financeiros seriam para a melhoria da qualidade de vida das populações locais, a exemplo, do que acontece no município de Silves – AM, a 300 km de Manaus, o Hotel Aldeia dos Lagos, que foi criado, inicialmente, com o objetivo de arrecadar fundos para a preservação do sistema de lagos da região, contra a pesca predatória. Fig.56 Hotel Aldeia dos Lagos. Foto: Internet.
  58. 58. 58 Paralelo a este empreendimento deveria haver toda uma infra-estrutura,associada a capacitação de pessoas da própria localidade, já que estes gruposconhecem bem a região, para a criação e manejo de trilhas ecológicas, que emprincípio seriam mapeadas com a ajuda da comunidade local, estes mostrarão oacesso com maior facilidade, formar guias capacitados, fomentar cada vez mais oartesanato local, divulgando através de panfletos dentro da região e fora dela. Aliadoa estas atividades programar práticas de Arvorismo, Traking, Caminhadas, WatchBird, passeios de barco até o mirante, com a inserção de roteiro fluvial saindo da orlapara o Mirante, a fim de incentivar o ecoturismo na região. Pode-se salientar que para haver ecoturismo, é imprescindível que hajasustentabilidade, sem este tipo de desenvolvimento, não confere ecoturismo, mas,turismo ecológico ou de natureza, o que já é praticado a muitos e muitos anos emparques americanos, o que confere o título de ecoturismo ao segmento é o fato deestar alicerçado em princípios e valores éticos numa integração sócio-cultural-ambiental. Dentro desse contexto observa-se, também, a educação ambiental por parteda comunidade receptora, bem como, por parte dos turistas, geralmente esclarecidos,que praticam o ecoturismo. Deste modo cai por terra, o que, equivocadamente,algumas pessoas pensam que Turismo sustentável é mais um segmento do turismo,o que não é verdade, mas, este é o tipo de desenvolvimento que deve ocorrer comtodos os tipos de turismo, o que se pode constatar ao analisar a seguinte citação: A palavra “ecoturismo” não trouxe como novidade a viagem à natureza, pois este tipo de atividade já tem adeptos a muito tempo.Os visitantes, que há mais de um século lotavam os primeiros Parques Nacionais Americanos, são bons exemplos disso. O que caracteriza não é seu grau de especialização, o quanto é considerado inóspito o ambiente visitado ou a resistência física do turista. O que diferencia dos demais segmentos do turismo de natureza é a aplicação de princípios e valores éticos (Ceballos- Lascuráin 1996), o comportamento do turista, o conceito de sustentabilidade com desenvolvimento e o aspecto educacional (KINKER, Sônia, 2002, p.19).
  59. 59. 59CAPÍTULO IV SEGMENTAÇÃO TURÍSTICAPROFESSORA: LUCIANA MENDESCOMANDO DO TRABALHO. - Identifique os segmentos do turismo que ocorrem no município, elucidando os ícones (símbolos) representativos de cada segmento e suas características. Exemplo: se no município você identificar que ocorre o segmento Ecoturismo, favor justificar mostrando quais atrativos representam a existência daquele segmento, mostrando suas características peculiares. - Busque tendências, indicando os potenciais e justificando as suas ocorrências. Fig. 57: Praça dos Eventos Foto: Raquel Sousa
  60. 60. 601. Segmentos do turismo que ocorrem no município Em pesquisas observou-se que a cidade de Bragança possui forte apelo noque diz respeito ao turismo religioso, pode-se identificar, claramente, esse tipo deseguimento na região bragantina, visto que a cidade recebe considerável número devisitantes, por ocasião da festa profano religiosa que se realiza entre os dias 18 a 26de dezembro, chegando à cidade a receber um público de 80.000 pessoas, que seencantam com tanta fé, religiosidade, fartura, cores e reverência. Para referendar a relevância do Turismo Religioso em Bragança, observam-se os seguintes acontecimentos: “A maior manifestação religiosa bragantina que consiste na história das trêsimagens de São Benedito, uma da praia, uma da colônia, e outra do campo, as duasúltimas carregam o Menino Jesus nos braços e a primeira carrega um bouquet deflores, segundo o Sr Georginho, dono do restaurante venha cá, que se considerafilho de São Benedito, as três imagens do Santo e seus esmoleiros saem emesmolação no mês de abril e passam sete meses nas ruas arrecadando donativospara a festividade, em novembro estas três imagens vão chegando uma de cada vezcom seus cofres abarrotados de dinheiro, onde se faz uma estimativa dearrecadação de R$ 80.000,00 para a Diocese, este valor refere-se às três imagens.Este evento profano e religioso denominado esmolação, segundo o Sr Georginho, jáocorre a 211 anos havendo várias comissões e cada uma delas é composta por 10esmoladores, a opa é uma indumentária que promesseiros e esmoladores vestempara dar prosseguimento nas rezas e orações nas casas aonde a imagem do Santochega. Ao chegarem à residência em questão, o dono da casa recebe ospromesseiros e esmoleiros com um banquete, onde é servido comidas a base deaves caipiras, carnes de porco e de carneiro, curioso é que na primeira mesaformada só sentam os homens, ficando as mulheres para segundo plano, contudoestas comem das mesmas iguarias e quitutes comuns na região.” Apesar da Festa de São Benedito ser um atrativo a parte para o TurismoReligioso, não se pode deixar de fora o Círio de Nossa Senhora de Nazaré, que
  61. 61. 61ocorre em Novembro, neste contexto, o evento proporciona um considerável númerode visitantes a cidade, movimentando a economia local no referido mês.Fig. 58: Afrescos do interior da Igreja Matriz de Bragança Foto: Patrícia Ventura. Outro seguimento que merece destaque na cidade em estudo é o TurismoCultural, a cidade conserva Patrimônios Culturais Materiais e Imateriais, onde sepodem ver verdadeiros acervos de cultura, que mostra riqueza de detalhes, desde aocasião de sua fundação até os dias atuais. Um grande exemplo do caráter cultural acentuado na cidade é a manifestaçãoreligiosa e cultural que acontece a mais de dois séculos, a marujada, evento profanoreligioso que enaltece a todo o momento a figura feminina da maruja como maisimportante, em todos os rituais da festividade.
  62. 62. 62Fig. 59: Indumentária da marujada Foto: internet. A dança é comandada pelas mulheres, enquanto os homens sãoresponsáveis pela música e esta é sempre voltada para ritmos como o Xote, oRetumbão, a Mazurca, a Valsa, o Arrasta pé e outros. A indumentária da marujada é de grande vislumbre, haja vista, o festival decores utilizado, o chapéu é o adereço mais importante. A título de fundamentar comclareza os trajes usados relata-se a seguinte história: “A Marujada é uma festa de cores, no que se refere à indumentária e a partemais atrativa desta é o chapéu feminino que segundo Clara Elizabeth Borges daRosa, que trabalha com a confecção de chapéus todos os anos por ocasião dafesta, é feito com arames, penas de pato, fitas nas cores de São Benedito e umtecido denominado lurex. Clara, é artesã e relata que ainda trabalha com os chapéusa moda antiga, pois, seu falecido pai veio em sonho dar-lhe o molde para osmesmos.” O Turismo de Sol e Mar é outro seguimento que merece destaque na região,visto que, a Praia de Ajuruteua se localiza a 35 quilômetros da cidade em estudo,levando, aproximadamente, trinta minutos de transporte rodoviário para se chegaraté a praia. Fato que leva um grande número de veranistas e visitantes que vão aBragança, inserir, logo que de imediato, a extensão de sua viagem até a Praia deAjuruteua, ou o contrário, visitantes que vão a Ajuruteua, logo se encantam por
  63. 63. 63Bragança, alguns só passam por Bragança, tendo seu destino principal a Praia deAjuruteua.Fig. 60: Praia de Ajuruteua, janeiro de 2008 Foto: Patrícia Ventura. O Turismo Ecológico, ainda que associado a sol e mar, numa análiseprofunda, pode ser evidenciado, e experimentando no Balneário do Sr ManoelRodrigues de Oliveira, o Igarapé do Chumucuí, aborda-se o relato deste a seguir: “OSr. Manoel Rodrigues de Oliveira é proprietário de uma área de terra com escriturapública, nestas terras passa o Igarapé Chumucuí, existe planos de um projeto deparceria com o Estado para fazer um parque ecológico dentro de parâmetros desustentabilidade, já houve conversas paralelas com o prefeito atual que concordacom o projeto, mas, nada foi feito nesse sentido. Este balneário funciona há doze anos, trabalham com o Sr. Manoel a esposa,o filho e algumas pessoas da comunidade, no total são dez pessoas que trabalhamno local, o mesmo funciona somente sábados, domingos e feriados, o lixo produzidono balneário vai para o lixão, o perfil de cliente que visita o local são famílias e nãohá capacitação para os atendentes”.
  64. 64. 64Fig. 61: Igarapé do Chumucuí Foto: Raquel Sousa. A Praça de Eventos da cidade de Bragança é um atrativo físico, onde ocorretoda categoria de eventos, este espaço exemplifica e assevera a inclinação doturismo cultural na cidade, ressaltam-se relevantes pontos desta obra: “a Praça deEventos homenageia ilustríssimo, filho da terra, Armando Bordallo da Silva, nasceuem 1906, foi Doutor em medicina, Antropólogo, Diretor do Museu Paraense EmilioGoeldi, Presidente da Comissão Paraense de Folclore, Conselheiro da FundaçãoCultural de Bragança, foi o primeiro estudioso da marujada de São Benedito deBragança, foi Juiz da Festividade em 1964, autor do livro Contribuição ao Estudodo Folclore Amazônico na Zona Bragantina. Em 31 de maio 1969 foi empossadocomo sócio efetivo e perpétuo, na cadeira 23 da Academia Paraense de Letras.Faleceu em 04/04/1991”.
  65. 65. 65Fig. 62: Praça dos Eventos Foto: Patrícia Ventura. Observou-se em tempos passados o interesse do governo local em articularparcerias a fim de conscientizar o povo das comunidades que vivem dentro daRESEX, de seu grande potencial referente a seus Patrimônios Culturais Imateriais,nesse período, grupos de artesãos consolidou-se, com o apoio do SEBRAE,intermediado pela prefeitura local e pela Secretaria de Turismo, nessa ocasião oSEBRAE ministrou cursos capacitando o povo das comunidades, fez um serviço deroteirização, além de um Inventário Turístico envolvendo Bragança e Traquateua. Líderes da Reserva extrativista pensam em Turismo Rural, mas, nada foiimplementado até o momento. Observou-se que potencial para esse tipo de turismoe até mesmo Ecoturismo é possível na região, contudo, deveria haver um projetopara ser desenvolvido ao lado de parcerias, com objetivo para tal. O destino onde se obteve este estudo possui potencial ecológico ecomunitário para que seja desenvolvido o seguimento de ecoturismo, todavia, nãohá projetos e nem parcerias, então, a comunidade sozinha não tem como prosseguirnum processo de desenvolvimento do segmento, mesmo que haja capacitação de

×