Aula I Parte I Histórico

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Aula ministrada pela Professora Cristina Gobbi ao Mestrado em Televisão Digital da UNESP.

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Aula I Parte I Histórico

  1. 1. Itinerário das CiênciasItinerário das Ciências da Comunicaçãoda Comunicação
  2. 2. AntigüidadeAntigüidade
  3. 3. a. C. – Gréciaa. C. – Grécia O período de consolidação da “civilização helenística” (fusão da cultura grega com a dos povos conquistados – egípcios e persas - nas campanhas de Alexandre pelo Oriente Médio) enseja a democracia, simbolizando a construção do Estado, onde o “poder da violência” (barbárie) é substituído pela “força do argumento” (civilização). Aristóteles Autor:Autor: AristótelesAristóteles (384-322(384-322 a.C.)a.C.) Obra: ArteObra: Arte RetóricaRetórica
  4. 4. d.C. – Romad.C. – Roma Em conjuntura da mesma natureza –Em conjuntura da mesma natureza – a “pax romana” (resultante doa “pax romana” (resultante do expansionismo que alarga osexpansionismo que alarga os domínios de Roma do Orientedomínios de Roma do Oriente Médio à Península Ibérica) propicia aMédio à Península Ibérica) propicia a codificação do Direito Romano,codificação do Direito Romano, demandando competência retórica pordemandando competência retórica por parte dos homens públicos, o queparte dos homens públicos, o que justifica a instituição da primeirajustifica a instituição da primeira Cátedra de Retórica do Ocidente.Cátedra de Retórica do Ocidente. Autor: Quintiliano (30-96 d.C.)Autor: Quintiliano (30-96 d.C.) Obra:Obra: Sobre a Formação do OradorSobre a Formação do Orador (4(4 vols.)vols.) Quintiliano
  5. 5. ModernidadeModernidade
  6. 6. Século XVII – AlemanhaSéculo XVII – Alemanha A Universidade de Leipzig estimula aA Universidade de Leipzig estimula a observação sistemática sobre oobservação sistemática sobre o emergente fenômeno jornalístico,emergente fenômeno jornalístico, tomando como ponto de referência atomando como ponto de referência a circulação do “jornal diário” ecirculação do “jornal diário” e focalizando seu impacto na formação dafocalizando seu impacto na formação da “opinião pública”.“opinião pública”. Autor: Tobias PeucerAutor: Tobias Peucer Obra: Os Relatos Jornalísticos (1690).Obra: Os Relatos Jornalísticos (1690). Tobias Peucer
  7. 7. Século XVIII – FrançaSéculo XVIII – França A Enciclopédia Francesa (1751)A Enciclopédia Francesa (1751) registra o estágio em que seregistra o estágio em que se encontrava a “ciência daencontrava a “ciência da comunicação das idéias”,comunicação das idéias”, incluindo os seguintes ramos:incluindo os seguintes ramos: Gramática, Retórica,Gramática, Retórica, Crítica, Pedagogia e Filologia.Crítica, Pedagogia e Filologia. Autores: D´Alembert eAutores: D´Alembert e BaconBacon Bacon Obra: “Discurso Preliminar’ eObra: “Discurso Preliminar’ e “Explicação Detalhada”“Explicação Detalhada”
  8. 8. Início do Século XIX –Início do Século XIX – Alemanha e BrasilAlemanha e Brasil A Universidade de Breslau (1806)A Universidade de Breslau (1806) oferece curso pioneiro deoferece curso pioneiro de ““ciência da imprensa”ciência da imprensa” A Enciclopédia Der BrockhaussA Enciclopédia Der Brockhauss publica verbetes dospublica verbetes dos professores Benzenberg e Krugprofessores Benzenberg e Krug sobre jornais, liberdade desobre jornais, liberdade de imprensa e opinião pública.imprensa e opinião pública. Tais verbetes são registrados porTais verbetes são registrados por Hipólito José da Costa eHipólito José da Costa e sintetizados no “Correiosintetizados no “Correio Braziliense” (anos 1810).Braziliense” (anos 1810). Hipólito Costa Benzenberg
  9. 9. Fim do Século XIX – Estados Unidos,Fim do Século XIX – Estados Unidos, Suíça, França, ItáliaSuíça, França, Itália O campo da comunicação incorpora-se àO campo da comunicação incorpora-se à universidade, através da fundação deuniversidade, através da fundação de cursos sobre ciência da imprensa e docursos sobre ciência da imprensa e do jornalismo:jornalismo: Washington College (1869)Washington College (1869) Universidade de Besle, Suiça (1884)Universidade de Besle, Suiça (1884) Ecole Superieur de Journalisme, Paris,Ecole Superieur de Journalisme, Paris, França (1899)França (1899) Filósofos sociais como Gabriel TardeFilósofos sociais como Gabriel Tarde fazem reflexões sobre o impactofazem reflexões sobre o impacto social da imprensa diária.social da imprensa diária. Gabriel Tarde
  10. 10. ContemporaneidadeContemporaneidade
  11. 11. Início do século XX – Alemanha e EstadosInício do século XX – Alemanha e Estados Unidos na vanguarda do ensino e da pesquisaUnidos na vanguarda do ensino e da pesquisa em comunicação.em comunicação. Karl D`Esther (1907) defende tese sobreKarl D`Esther (1907) defende tese sobre Zeitungswisenchaft na Universidade deZeitungswisenchaft na Universidade de Munster, Alemanha.Munster, Alemanha. Walter Williams (1908) funda a Escola deWalter Williams (1908) funda a Escola de Jornalismo da Universidade de Missouri, EUAJornalismo da Universidade de Missouri, EUA Max WeberMax Weber (1910) propõe o estudo da mídia(1910) propõe o estudo da mídia impresa pelos sociólogos, inspirando Ottoimpresa pelos sociólogos, inspirando Otto Groth, que escreve um tratado sobre a matéria.Groth, que escreve um tratado sobre a matéria.
  12. 12. Joseph PulitzerJoseph Pulitzer (1904) defende a(1904) defende a necessidade da formação universitária dosnecessidade da formação universitária dos jornalistas e faz doação à Universidade dejornalistas e faz doação à Universidade de Columbia, enquanto Walter Williams fundaColumbia, enquanto Walter Williams funda a Escola de Jornalismo da Universidade dea Escola de Jornalismo da Universidade de Missouri (1908).Missouri (1908). Começa a circular a primeira revista científicaComeça a circular a primeira revista científica da área - Journalism Quartely - (1924),da área - Journalism Quartely - (1924), enquanto a Universidade de Munich cria aenquanto a Universidade de Munich cria a primeira Cátedra de Zeitungswisenchaft,primeira Cátedra de Zeitungswisenchaft, ocupada por Karl D´Esther.ocupada por Karl D´Esther.
  13. 13. Metade do século XX – França eMetade do século XX – França e América LatinaAmérica Latina A UNESCO estimula a criação de umaA UNESCO estimula a criação de uma comunidade mundial de ciências dacomunidade mundial de ciências da comunicação. Funda-se em 1957, emcomunicação. Funda-se em 1957, em Paris, a IAMCR – InternationalParis, a IAMCR – International Association for Mass CommunicationAssociation for Mass Communication Research.Research. Na mesma conjuntura, a UNESCO incentivaNa mesma conjuntura, a UNESCO incentiva a criação do CIESPAL – Centroa criação do CIESPAL – Centro Internacional de Estudios Superiores deInternacional de Estudios Superiores de PeriodismoPeriodismo para América Latina (1959),para América Latina (1959), locuslocus inicialinicial da Escola Latino-Americana deda Escola Latino-Americana de Comunicação (ELACOM).Comunicação (ELACOM).
  14. 14.  A IAMCR realiza congressos, pela primeira vez,A IAMCR realiza congressos, pela primeira vez, na América Latina – Buenos Aires (1970) ena América Latina – Buenos Aires (1970) e Caracas (1980).Caracas (1980).  Funda-se em Caracas (1978) a AsociaciónFunda-se em Caracas (1978) a Asociación Latino-Americana de Investigadores de laLatino-Americana de Investigadores de la Comunicación.Comunicación.  Fim do século XX – Expansão mundial dasFim do século XX – Expansão mundial das ciências da comunicaçãociências da comunicação  Criam-se sociedades científicas da área emCriam-se sociedades científicas da área em vários países, que passam a ser agrupadas pelavários países, que passam a ser agrupadas pela International Federation of CommunicationInternational Federation of Communication Associations – IFCA (1989).Associations – IFCA (1989).  O Brasil sedia em 1992 o I Congresso Latino-O Brasil sedia em 1992 o I Congresso Latino- Americano de Ciências da Comunicação –Americano de Ciências da Comunicação – ALAIC e o Congresso Bienal da IAMCR (SãoALAIC e o Congresso Bienal da IAMCR (São Paulo), evento que volta a ocorrer em territórioPaulo), evento que volta a ocorrer em território nacional em 2004 (Porto Alegre).nacional em 2004 (Porto Alegre).
  15. 15. AtualidadeAtualidade
  16. 16. Estados UnidosEstados Unidos Everett RogersEverett Rogers –– A History of Communication Study.A History of Communication Study. New York: The Free Press, 1994New York: The Free Press, 1994 Everette DennisEverette Dennis and Ellen Wartella – Americanand Ellen Wartella – American Communication Research, the remembered History.Communication Research, the remembered History. New Jersey: Lawrence, 1996New Jersey: Lawrence, 1996 WilburWilbur SchrammSchramm–– The Beginnings of CommunicationThe Beginnings of Communication Study in AmericaStudy in America . Oaks: Sage, 1997. Oaks: Sage, 1997 A consolidação da área se reflete no resgateA consolidação da área se reflete no resgate histórico que começa a ocorrer em várias partes dohistórico que começa a ocorrer em várias partes do mundo, o que corresponde também a uma estratégiamundo, o que corresponde também a uma estratégia de auto-legitimação.de auto-legitimação.
  17. 17. FrançaFrança Daniel BougnouxDaniel Bougnoux –– Sciences de lSciences de l ´Information´Information et de la Communicationet de la Communication . Paris: Larousse,. Paris: Larousse, 19931993 ArmandArmand et Michelle Mattelart –et Michelle Mattelart – Histoire desHistoire des theories de la communicationtheories de la communication . Paris: La. Paris: La Decouverte, 1995Decouverte, 1995 Didier Georgakakis et Jean-Michel Uthard –Didier Georgakakis et Jean-Michel Uthard – Sciences des media: jalons por une histoireSciences des media: jalons por une histoire politique.politique. Paris: L´Hamartin, 2001Paris: L´Hamartin, 2001
  18. 18. PensamentoPensamento Comunicacional EuropeuComunicacional Europeu  Idéias fundadoras –Idéias fundadoras – Emile Durkheim:Emile Durkheim: Emile Durkheim ““os fenômenos sociaisos fenômenos sociais determinam os atosdeterminam os atos comunicacionais, com oscomunicacionais, com os quais se articulamquais se articulam funcionalmente”funcionalmente”
  19. 19.  Gabriel Tarde:Gabriel Tarde:  ““a natureza subjetivaa natureza subjetiva das interações sociaisdas interações sociais como requisito paracomo requisito para compreender ascompreender as influências da imprensainfluências da imprensa nas conversaçõesnas conversações interpessoais”interpessoais”
  20. 20. Sigmund FreudSigmund Freud ““o conceito deo conceito de libido como chavelibido como chave para entender apara entender a essência da almaessência da alma das massas”das massas”
  21. 21.  Georg Simmel:Georg Simmel: ““as relações e açõesas relações e ações recíprocas entrerecíprocas entre indivíduos comoindivíduos como vetores das redes devetores das redes de afiliações”afiliações”
  22. 22.  Scipio Sigele: “A massaScipio Sigele: “A massa criminosa”criminosa” ““as formas de sugestãoas formas de sugestão cultivadas pela imprensacultivadas pela imprensa hipnotizam a multidão,hipnotizam a multidão, induzindo à violênciainduzindo à violência coletiva da plebe – oscoletiva da plebe – os deixando-à-própria-deixando-à-própria- sorte”sorte”
  23. 23.  Gustav Le Bon: “PsicologiaGustav Le Bon: “Psicologia das multidões”das multidões” ““o sonambulismo daso sonambulismo das multidões manipuladomultidões manipulado pela imprensa constituipela imprensa constitui um retrocessoum retrocesso civilizatório”civilizatório”
  24. 24. Idéias contemporâneasIdéias contemporâneas Mattelart & MattelartMattelart & Mattelart Mattelart As múltiplas implicações da comunicação em tempo real, a incorporação de pequenas sociedades em outras maiores, e a redefinição cada vez mais constante de fronteiras físicas, intelectuais e mentais
  25. 25. Teoria CríticaTeoria Crítica Escola de FrankfurtEscola de Frankfurt Adorno Horkheimer Não dá para observar um fenômeno social, como um determinado comportamento em relação aos mcm, isolando-o da realidade. É preciso inseri-lo no contexto como fenômeno que interage com fatores estruturais.
  26. 26. Reflita sobre issoReflita sobre isso O individualismo e a busca incessanteO individualismo e a busca incessante pelo sucesso são fenômenos sociaispelo sucesso são fenômenos sociais resultantes de razões estruturais, como oresultantes de razões estruturais, como o capitalismo selvagem, que impõe aocapitalismo selvagem, que impõe ao sujeito a ideologia da competição e dosujeito a ideologia da competição e do consumo como valores fundamentais,consumo como valores fundamentais, mas que por trás atendem aos interessesmas que por trás atendem aos interesses de sobrevivência do capital.de sobrevivência do capital.
  27. 27. Saussure Barthes Estruturalismo Lingüístico
  28. 28. O estruturalismo de FerdinandO estruturalismo de Ferdinand Saussure ocupou-se do estudoSaussure ocupou-se do estudo sincrônico da língua, e, mesmo nãosincrônico da língua, e, mesmo não tendo usado a nomenclatura,tendo usado a nomenclatura, Estruturalismo, deixou valioso estudoEstruturalismo, deixou valioso estudo sobre a estrutura da língua a quesobre a estrutura da língua a que chamou de sistema.chamou de sistema.
  29. 29. BarthesBarthes (1915-1980)(1915-1980) LLer é desejar a obra, é pretender ser aer é desejar a obra, é pretender ser a obra, escreveu Roland Barthes no livroobra, escreveu Roland Barthes no livro Crítica e Verdade.Crítica e Verdade. Para ele, o autor de um texto não podePara ele, o autor de um texto não pode prever a leitura que cada pessoa fará doprever a leitura que cada pessoa fará do que ele escreveu e é aí que reside “oque ele escreveu e é aí que reside “o prazer do texto”. Leitor e escritor deprazer do texto”. Leitor e escritor de “fragmentos”, Barthes conheceu o“fragmentos”, Barthes conheceu o estruturalismo por Saussure e Greimas eestruturalismo por Saussure e Greimas e o ampliou para os recônditos da literatura,o ampliou para os recônditos da literatura, sempre buscando os significados “ocultos”sempre buscando os significados “ocultos” nos deleites do texto.nos deleites do texto.
  30. 30. Discorreu ainda sobre semiótica,Discorreu ainda sobre semiótica, fotografia, moda, gastronomia e cinema,fotografia, moda, gastronomia e cinema, chegando até a interpretar um papel nochegando até a interpretar um papel no filme As irmãs Brontë. Assim “teceu”filme As irmãs Brontë. Assim “teceu” textos com prazer para serem “fruídos”textos com prazer para serem “fruídos” também com prazer – “saber com sabor”,também com prazer – “saber com sabor”, como ele próprio definia.como ele próprio definia. Barthes só atinge maior popularidade comBarthes só atinge maior popularidade com o título Fragmentos de um discursoo título Fragmentos de um discurso amoroso (1977), sua publicação maisamoroso (1977), sua publicação mais conhecida no Brasil.conhecida no Brasil.
  31. 31. Estruturalismo marxista Louis Althusser Bourdieu
  32. 32. Louis AlthusserLouis Althusser (1918-1990)(1918-1990)  Foi o primeiro teórico marxista a propor que a ideologiaFoi o primeiro teórico marxista a propor que a ideologia seria um elemento onipresente, trans-histórico e eternoseria um elemento onipresente, trans-histórico e eterno na história humana: ela não existiria apenas em funçãona história humana: ela não existiria apenas em função da sociedade de classes. Com isso vai propor umada sociedade de classes. Com isso vai propor uma teoria da ideologia em geral, assim como Freud teriateoria da ideologia em geral, assim como Freud teria realizado uma teoria do inconsciente em geral.realizado uma teoria do inconsciente em geral.  Com isso ele chega a duas conclusões gerais sobre aCom isso ele chega a duas conclusões gerais sobre a ideologia. Primeiro, em todas as sociedades, divididasideologia. Primeiro, em todas as sociedades, divididas ou não em classes, a ideologia tem a função primordialou não em classes, a ideologia tem a função primordial de assegurar a coesão social, regulamentando a relaçãode assegurar a coesão social, regulamentando a relação dos indivíduos com suas tarefas. Segundo, a ideologia édos indivíduos com suas tarefas. Segundo, a ideologia é o contrário da ciência.o contrário da ciência.
  33. 33. Em sua teoria geral da ideologia, seria naEm sua teoria geral da ideologia, seria na ideologia que os homens representam oideologia que os homens representam o mundo para si mesmos, porém estemundo para si mesmos, porém este nunca é tal como ele existe efetivamente,nunca é tal como ele existe efetivamente, mas sim um mundo marcado pelamas sim um mundo marcado pela intervenção humana. O que é neleintervenção humana. O que é nele representado é sua relação com asrepresentado é sua relação com as condições reais de existência, e não ascondições reais de existência, e não as condições reais de existênciacondições reais de existência efetivamente.efetivamente.
  34. 34. Pierre Bourdieu (Pierre Bourdieu (1930-2002) A educação, a cultura, a literatura e a arteA educação, a cultura, a literatura e a arte foram os seus primeiros objectos deforam os seus primeiros objectos de estudo. Nos últimos anos, Bourdieu vinha-estudo. Nos últimos anos, Bourdieu vinha- se dedicando ao estudo dos meios dese dedicando ao estudo dos meios de comunicação e da política.comunicação e da política.
  35. 35.  Autor de uma sofisticada teoria dos campos deAutor de uma sofisticada teoria dos campos de produção simbólica, o sociólogo procurouprodução simbólica, o sociólogo procurou mostrar que as relações de força entre osmostrar que as relações de força entre os agentes sociais apresenta-se sempre na formaagentes sociais apresenta-se sempre na forma transfigurada de relações de sentido.transfigurada de relações de sentido.  A violência simbólica, outro tema central da suaA violência simbólica, outro tema central da sua obra, não era considerada por ele como umobra, não era considerada por ele como um puro e simples instrumento ao serviço da classepuro e simples instrumento ao serviço da classe dominante, mas como algo que se exercedominante, mas como algo que se exerce também através do jogo entre os agentestambém através do jogo entre os agentes sociais.sociais.
  36. 36. Escola Francesa Friedmann Morin A cultura de massa é um conjunto de cultura, civilização e história.
  37. 37. Georges Friedmann (1902 - 1977)  Ele diz que se Durkheim tivesse vivido para perceber a posterior divisão do trabalho, “teria sido forçado a considerar ‘anormais’ muitas das formas assumidas pelo trabalho na sociedade moderna, tanto na indústria como na administração, e mesmo, mais recentemente, no comércio”.  Foi professor em várias instituições do ensino superior, lecionando, entre outras, a cadeira de História do Trabalho.  Analisando a organização do trabalho na sociedade industrial, Friedmann demonstrou a submissão à mesma lógica das condições técnicas de produção por parte de operários de estatuto tão diferente como os soviéticos ou os norte-americanos.
  38. 38.  Nos seus trabalhos valorizou o factor humano e a situação dos operários confrontados com um trabalho parcelar e monótono.  A obra de Friedmann deslocou a perspectiva de análise do ponto de vista das empresas para o ponto de vista das relações humanas no seio da estrutura social e teve em conta a questão da permanente mudança em que se encontra a sociedade actual.  Os seus estudos prestaram um valioso contributo para a definição de um conceito tão rico como é o de "sociedade industrial".
  39. 39. Indústria Cultural para MorinIndústria Cultural para Morin  A necessidade da IC em atingir qualidade paraA necessidade da IC em atingir qualidade para um espectador médio leva-a ao sincretismo:um espectador médio leva-a ao sincretismo: tendência de homogeneizar a diversidade dostendência de homogeneizar a diversidade dos conteúdos sob um determinador comum.conteúdos sob um determinador comum.  Sincretismo: leva a notícia a adquirir um relevoSincretismo: leva a notícia a adquirir um relevo de fato comum enquanto a ficção se tinge dede fato comum enquanto a ficção se tinge de realismo. Ou seja, é a mistura de gêneros, arealismo. Ou seja, é a mistura de gêneros, a contaminação do real e do imaginário.contaminação do real e do imaginário.
  40. 40. Morin, a cultura de massa tem:Morin, a cultura de massa tem:  1) uma dinâmica entre a estandardização e a1) uma dinâmica entre a estandardização e a inovação;inovação;  2) sincretismo e a contaminação entre real e2) sincretismo e a contaminação entre real e imaginárioimaginário  A cultura de massa oferece de uma forma fictícia tudo aquilo que é suprimido da vida real.  Também contribui para enfraquecer todas as instituições intermediárias – desde a família até a classe social – para se constituir em um aglomerado de indivíduos – a massa – a serviço da máquina social.
  41. 41. Segundo Morin, a cultura de massaSegundo Morin, a cultura de massa oferece de uma forma fictícia tudooferece de uma forma fictícia tudo aquilo que é suprimido da vida real.aquilo que é suprimido da vida real. Também contribui para enfraquecerTambém contribui para enfraquecer todas as instituições intermediárias –todas as instituições intermediárias – desde a família até a classe social –desde a família até a classe social – para se constituir em um aglomeradopara se constituir em um aglomerado de indivíduos – a massa – a serviçode indivíduos – a massa – a serviço da máquina social.da máquina social.
  42. 42. (...) a proposta de Morin não(...) a proposta de Morin não considera a segmentação de público,considera a segmentação de público, públicos mutáveis que se sobrepõem,públicos mutáveis que se sobrepõem, experiências diferentes entreexperiências diferentes entre receptores e emissores.receptores e emissores.
  43. 43. Abrahan MOLESAbrahan MOLES Trata a cultura como um mosaico, no qualTrata a cultura como um mosaico, no qual fragmentos de conhecimento formam umfragmentos de conhecimento formam um depósito deixado pelos MCM no cérebro dosdepósito deixado pelos MCM no cérebro dos indivíduos.indivíduos. MCM exercem domínio total do homemMCM exercem domínio total do homem moderno, que se revolta apenas de formamoderno, que se revolta apenas de forma utópica.utópica. Para o indivíduo, a fonte de idéias é a suaPara o indivíduo, a fonte de idéias é a sua cultura – um mosaico – fragmentado.cultura – um mosaico – fragmentado.
  44. 44. McLuhanMcLuhan  Na visão de Mcluhan, as transformações doNa visão de Mcluhan, as transformações do homem são introduzidas pela tecnologia, pelahomem são introduzidas pela tecnologia, pela inovação dos MCM, que influenciam a percepção.inovação dos MCM, que influenciam a percepção.  ““Os meios são extensão do homem’ ; “O meio é aOs meios são extensão do homem’ ; “O meio é a mensagem”; “ Os MCM transformaram o mundomensagem”; “ Os MCM transformaram o mundo em uma aldeia global”, dizia o teórico.em uma aldeia global”, dizia o teórico.
  45. 45. McLuhanMcLuhan Foi muito criticado em sua época, anosFoi muito criticado em sua época, anos em que o rádio e a TV surgem e aos quaisem que o rádio e a TV surgem e aos quais ele atribui o poder de retribalização doele atribui o poder de retribalização do homem (a volta à oralidade). Daí ohomem (a volta à oralidade). Daí o conceito de “ aldeia global” .conceito de “ aldeia global” .
  46. 46. Esboça-se na Inglaterra, anos 1950/60 oEsboça-se na Inglaterra, anos 1950/60 o Centro de Estudos Contemporâneos deCentro de Estudos Contemporâneos de BirminghamBirmingham Interesse central: “atribuição de sentido àInteresse central: “atribuição de sentido à realidade, à evolução de uma cultura, derealidade, à evolução de uma cultura, de práticas sociais partilhadas, de uma áreapráticas sociais partilhadas, de uma área comum de significados.”comum de significados.”
  47. 47. Cultura: não é uma prática, nem aCultura: não é uma prática, nem a soma dos hábitos e costumes desoma dos hábitos e costumes de uma sociedade. Passa por todas asuma sociedade. Passa por todas as práticas sociais e é a soma daspráticas sociais e é a soma das suas inter-relações.suas inter-relações.
  48. 48. Grupo Italiano Umberto Eco
  49. 49.  1932, Umberto Eco construiu sólida carreira como1932, Umberto Eco construiu sólida carreira como professor de semiótica na Universidade de Bolonha.professor de semiótica na Universidade de Bolonha. Ensaísta de renome mundial, dedicou-se a temas comoEnsaísta de renome mundial, dedicou-se a temas como estética, semiótica, filosofia da linguagem, teoria daestética, semiótica, filosofia da linguagem, teoria da literatura e da arte e sociologia da cultura. Autor deliteratura e da arte e sociologia da cultura. Autor de artigos de opinião nos jornais Espresso e La Repubblica,artigos de opinião nos jornais Espresso e La Repubblica, estreou como romancista com O Nome da Rosa, emestreou como romancista com O Nome da Rosa, em 1980.1980. Depois do imenso sucesso colhido na Itália e em todo oDepois do imenso sucesso colhido na Itália e em todo o mundo, escreveu O Pêndulo de Foucault (1988), A Ilhamundo, escreveu O Pêndulo de Foucault (1988), A Ilha do Dia Anterior (1994) e Baudolino (2000).do Dia Anterior (1994) e Baudolino (2000). Entre suas obras ensaísticas destacam-se Obra AbertaEntre suas obras ensaísticas destacam-se Obra Aberta (1962), Apocalípticos e Integrados (1964), A Estrutura(1962), Apocalípticos e Integrados (1964), A Estrutura Ausente (1968), As Formas do Conteúdo (1971),Ausente (1968), As Formas do Conteúdo (1971), Tratado Geral de Semiótica (1975), Seis Passeios pelosTratado Geral de Semiótica (1975), Seis Passeios pelos Bosques da Ficção (1994) e Sobre a Literatura (2003).Bosques da Ficção (1994) e Sobre a Literatura (2003).
  50. 50. Estudos CulturaisEstudos Culturais Hoggart Williams Hall E.P. Thompson
  51. 51. HallHall Num país onde a Crítica da Razão Dialética de Sartre demorou quarenta anos para ser traduzida, em um mundo intelectual que não conta sequer com as obras completas de Platão e Aristóteles, não é de estranhar que só agora tenhamos um livro Stuart Hall, o principal expoente da linha de pesquisa conhecida como Estudos Culturais. Da Diáspora, editado pela Universidade Federal de Minas Gerais (2003, R$ 49), traz textos que cobrem a produção de Hall durante as décadas de 70-90.
  52. 52.  Fica bastante clara a preocupação de StuartFica bastante clara a preocupação de Stuart Hall em dar uma base comum aos estudos semHall em dar uma base comum aos estudos sem perder ou negar nenhuma contribuição queperder ou negar nenhuma contribuição que possa ser utilizada. "O fato é que nenhumapossa ser utilizada. "O fato é que nenhuma concepção única e não problemática de culturaconcepção única e não problemática de cultura se encontra aqui", adverte Hall. Os Estudosse encontra aqui", adverte Hall. Os Estudos Culturais são, de certa maneira, a execução daCulturais são, de certa maneira, a execução da idéia de "obra aberta" definida por Umberto Eco.idéia de "obra aberta" definida por Umberto Eco. Estão em permanente construção, agregandoEstão em permanente construção, agregando idéias, teorias e métodos – para compreender,idéias, teorias e métodos – para compreender, não para fechar o assunto.não para fechar o assunto.
  53. 53. Hoggart, Williams, Thompson  Três textos que surgiram nos final dos anos 50, sãoTrês textos que surgiram nos final dos anos 50, são identificados como as fontes dos Estudos Culturais: Richardidentificados como as fontes dos Estudos Culturais: Richard Hoggart com The Uses of Literacy (1957), RaymondHoggart com The Uses of Literacy (1957), Raymond Williams com Culture and Society (1958) e E. P. ThompsonWilliams com Culture and Society (1958) e E. P. Thompson com The Making of the English Working-class (1963).com The Making of the English Working-class (1963).  O primeiro é em parte autobiográfico e em parte históriaO primeiro é em parte autobiográfico e em parte história cultural do meio do século XX.cultural do meio do século XX.  O segundo constrói um histórico do conceito de cultura,O segundo constrói um histórico do conceito de cultura, culminando com a idéia de que a "cultura comum ouculminando com a idéia de que a "cultura comum ou ordinária" pode ser vista como um modo de vida emordinária" pode ser vista como um modo de vida em condições de igualdade de existência com o mundo dascondições de igualdade de existência com o mundo das Artes, Literatura e Música.Artes, Literatura e Música.  E o terceiro reconstrói uma parte da história da sociedadeE o terceiro reconstrói uma parte da história da sociedade inglesa de um ponto de vista particular - a história "dos deinglesa de um ponto de vista particular - a história "dos de baixo".baixo".
  54. 54. Jesus Martín-BarberoJesus Martín-Barbero Foi o teórico latino-americano queFoi o teórico latino-americano que desenvolveu uma nova perspectiva dosdesenvolveu uma nova perspectiva dos EC na América Latina.EC na América Latina. A teoria básica é de perspectivaA teoria básica é de perspectiva ideológica: os mcm vêm do sistemaideológica: os mcm vêm do sistema dominantedominante
  55. 55. A mensagem transmitida não é somenteA mensagem transmitida não é somente representante do poder de onde serepresentante do poder de onde se origina, pois precisa ganhar a adesão daorigina, pois precisa ganhar a adesão da audiência...audiência... Por isso, os conteúdos dos mcm passamPor isso, os conteúdos dos mcm passam por um processo de mediação entre opor um processo de mediação entre o conteúdo que o sistema deseja passar e oconteúdo que o sistema deseja passar e o conteúdo que é extraído desta mensagemconteúdo que é extraído desta mensagem pelo receptor. O resultado é a mestiçagempelo receptor. O resultado é a mestiçagem cultural.cultural.
  56. 56. Há um embate entre culturas do emissor eHá um embate entre culturas do emissor e receptor, sendo que o receptor se esforçareceptor, sendo que o receptor se esforça para entender a mensagem. Nessepara entender a mensagem. Nesse esforço ele faz mediações de acordo comesforço ele faz mediações de acordo com a sua cultura, sendo então criador dea sua cultura, sendo então criador de significados.significados. Exemplo simples: um abajour para osExemplo simples: um abajour para os ocidentais tem uma utilidade: iluminar umocidentais tem uma utilidade: iluminar um ambiente. Para o indígena pode apenasambiente. Para o indígena pode apenas servir de adorno. Ou seja, o significado éservir de adorno. Ou seja, o significado é negociado de acordo com a cultura.negociado de acordo com a cultura.
  57. 57.  Quer seja a cultura de massa de Morin, ouQuer seja a cultura de massa de Morin, ou a cultura fragmentada de Moles, ou aa cultura fragmentada de Moles, ou a cultura tecnológica de Mcluhan.cultura tecnológica de Mcluhan.  Quer sejam os Estudos Culturais ingleses,Quer sejam os Estudos Culturais ingleses, nos quais tanto a produção quanto anos quais tanto a produção quanto a recepção são resultantes de processosrecepção são resultantes de processos culturais; ou a proposta de Martín-Barbero,culturais; ou a proposta de Martín-Barbero, colombiano que propõe uma perspectivacolombiano que propõe uma perspectiva ideológica dos EC, nos quais a mestiçagemideológica dos EC, nos quais a mestiçagem cultural é resultante do processo decultural é resultante do processo de recepção da mensagem.recepção da mensagem.
  58. 58. América LatinaAmérica Latina Raul Fuentes Navarro –Raul Fuentes Navarro – Un campoUn campo cargado de futuro: el estudio de lacargado de futuro: el estudio de la comunicación en América Latina.comunicación en América Latina. Mexico:Mexico: Coneicc, 1992Coneicc, 1992 Luis Ramiro BeltránLuis Ramiro Beltrán –– Investigación sobreInvestigación sobre Comunicación en América Latina.Comunicación en América Latina. La Paz:La Paz: Plural, 2000Plural, 2000 José Marques de MeloJosé Marques de Melo –– PensamientoPensamiento Comunicacional Latinoamericano: entre elComunicacional Latinoamericano: entre el saber y el poder.saber y el poder. Quito: CIESPAL, 2006Quito: CIESPAL, 2006
  59. 59. Fonte dessas transparências: Material de aula do PósGraduação ministrada pelo professor JMM, em São Paulo – ano de 2006, Livro historia do pensamento comunicacional e material de aulas (transparências) do professor José Marques de Melo.

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