Sequencia textual

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Sequencia textual

  1. 1. A NOÇÃO DE SEQUÊNCIA TEXTUAL NA ANÁLISE PRAGMÁTICO-TEXTUAL DE JEAN-MICHEL ADAM<br />Cláudia Eliane<br />Elisângela Silva<br />Evaneuda Araújo<br />Lyzanne Macêdo<br />Maura Regina<br />Sandra Silva<br />ESPECIALIZAÇÃO EM LINGUÍSTICA<br />INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO PIAUÍ – IFPI<br />SETEMBRO/2011<br />
  2. 2. INTRODUÇÃO<br /><ul><li> Apresenta a noção de sequência textual conforme delineada por Jean-Michel Adam em sua obra.
  3. 3. A exposição estará centrada nos textos do final dos anos 1980 e início dos anos de 1990.
  4. 4. Adam aproxima os quadros teóricos da linguística textual e da análise do discurso francesa, apontando o texto como um objeto circundado e determinado pelo discurso. Partindo da enunciação ou das práticas discursivas (onde localiza o gênero, o discurso e o interdiscurso).</li></li></ul><li> Cont...<br /><ul><li> Delimita o campo da linguística textual como o responsável pelo estudo do modo como os mecanismos de textualização se constituem e se caracterizam.
  5. 5. A sequência textual, um desses mecanismos, é vista como um conjunto de proposições psicológicas que se estabilizaram como recurso composicional dos vários gêneros.
  6. 6. Bonini pretende, além de discorrer sobre a proposta teórica de Adam, tratar a sequência como uma noção pertinente ao debate nas diversas perspectivas do estudo dos gêneros (textuais, discursivos, de linguagem).</li></li></ul><li>Cont...<br /> Distribui os conteúdos em cinco seções:<br />- No primeiro momento faz um breve apanhado das influências teóricas no trabalho de Adam;<br />-Na segunda seção, procura delinear o quadro teórico proposto pelo autor, apresentando seu conceito de sequência;<br />- Na terceira seção, apresenta os cinco tipos de sequências textuais que ele concebeu;<br />-Na quarta, procura, em uma análise de dois exemplares do gênero crítica cinematográfica, aplicar o conceito de sequência;<br />- Na última seção, tendo em vista o panorama teórico em relação ao tema, faz alguns apontamentos sobre a noção de sequência.<br />
  7. 7. BASES TEÓRICAS DA NOÇÃO DE SEQUÊNCIA TEXTUAL NO TRABALHO DE ADAM<br /> Jean-Michel Adam procurou construir uma reflexão teórica que agrupasse as orientações formais e enunciativas a respeito do texto.<br />Sua carreira de pesquisador foi marcada pelas questões de estudo e ensino da narrativa literária, motivo pelo qual ele recorreu ao quadro teórico da análise estrutural da narrativa (especialmente aos formalistas russos e aos autores do contexto francês como Algirdas Julien Greimas, Roland Barthes e Gérard Genette). Adam também sofreu influências dos trabalhos sobre gramática narrativa (principalmente pela perspectiva aberta por Teun A. Van Dijk) e dos trabalhos de análise do discurso francesa (inicialmente, os de Michel Pêcheux e, posteriormente, os de Dominique Maingueneau).<br />
  8. 8. Cont...<br /> Um de seus trabalhos iniciais mais conhecidos é Le récit (Adam, 1984), em que, sob a influência da análise do discurso francesa, propõe uma reorientação, em termos enunciativos, para o entendimento da narrativa. Nesse livro, já é possível visualizar as bases de seu conceito de sequência textual e de sua teoria do texto.<br /><ul><li> A noção de sequência começa a ser definida em vários artigos publicados no decorrer da década de 1980(Adam, 1987), sendo aprofundada em seus três trabalhos mais importantes (Adam, 1990, 1992 e 1999). O livro de 1992 é dedicado inteiramente a esse tema e a noção de sequência se erige a partir de seis conceitos-chave, sendo eles: os conceitos de gênero e de enunciado de Bakhtin (1929, 1953), o de protótipo (Rosch, 1978), os de base e tipo de texto (Werlich, 1976) e o de superestrutura (Van Dijk, 1978).</li></li></ul><li>Cont...<br /><ul><li> Bakhtin (1953) concebe os gêneros como “tipos relativamente estáveis de enunciados”, entendendo por enunciado “ uma unidade real, estritamente delimitada pela alternância dos sujeitos falantes, e que termina por uma transferência da palavra ao outro [...]”.
  9. 9. Bakhtin propõe ainda duas categorias de gêneros:</li></ul>- Os primários (tipos simples de enunciados);<br />- Os secundários (tipos complexos que incorporam os primeiros).<br />
  10. 10. Cont...<br /><ul><li> Adam (1992) se vale da ideia de estabilidade de Bakhtin, propondo que os gêneros primários sejam vistos como tipos nucleares, menos heterogêneos, e como responsáveis pela estruturação dos gêneros secundários. Os gêneros primários são concebidos, então, como sequências textuais, ou seja, como componentes textuais (compostos por proposições relativamente estáveis e maleáveis), que atravessam os gêneros secundários.</li></li></ul><li>Cont...<br /><ul><li> A estabilidade das sequências é pensada mediante raciocínio prototípico (Rosch, 1978, Kleiber, 1990).
  11. 11. O protótipo, segundo Rosch, é o objeto mais típico da categoria; é aquele que reúne o maior número de pistas de validade para ser membro dela.
  12. 12. Para Adam, os gêneros e seus exemplares são dispostos em categorias pelos traços que compartilham com as sequências (os protótipos).
  13. 13. As sequências, por sua vez, são pensadas a partir dos conceitos de base e tipo de texto e de superestrutura textual.</li></li></ul><li>Cont...<br /><ul><li> Werlich propôs o conceito de base de texto como uma forma de entender a competência textual do falante. Postulando também que existe cinco tipos de texto: a descrição, a narração, a exposição, a argumentação e a instrução. Sendo que, o conhecimento relativo aos tipos encerra também um modo de produção textual, uma vez que a base temática do texto corresponde a uma unidade temático-formal, a partir da qual o texto tem início e se expande na direção de um dos cinco tipos.</li></li></ul><li>Cont...<br /><ul><li> Assim como Werlich, Adam assume que os tipos compõem um conjunto de recursos cognitivos responsáveis, em parte, pela produção do texto, mas não leva em consideração a explicação de Werlich sobre a referência contextual de base e sobre os processos cognitivos implicados na formação desses tipos, pois Adam entende que os componentes textuais existem em função/decorrência das práticas sociais da linguagem.</li></li></ul><li>Cont...<br /> Adam aceita ainda o princípio de que a sentença já traz marcas dos tipos de texto, embora vá postular que essas marcas se subordinam ao tipo que será produzido.<br />Assim como os tipos servem caracteristicamente a vários gêneros textuais também as sentenças servem aos vários tipos.<br />
  14. 14. Cont...<br /><ul><li> Adam prefere distinguir a base do texto de um conhecimento sobre o texto. A descrição desse conhecimento tem inspiração no conceito superestrutura de Van Dijk (1973, 1978), bem como no modelo de processamento do texto de Kintsch e Van Dijk(1978), com recorrência ao conceito de proposição psicológica utilizado nesses trabalhos e desenvolvido por Kintsch (1974).</li></li></ul><li>Cont...<br /><ul><li> A superestrutura é pensada, por Van Dijk (1978), como um esquema cognitivo composto por categorias vazias que, ao ser preenchidas, são responsáveis pela realização das partes características do texto. Kintsch e Van Dijk (1978) afirmam que a superestrutura intervém globalmente nos processamentos de compreensão e produção textual, pois organiza as proposições que vão sendo percebidas no texto, durante a leitura/escuta, ou linearizadas textualmente, durante a escritura/fala.</li></li></ul><li>Cont...<br /><ul><li> A princípio Adam aceita a afirmação de Van Dijk de que a superestrutura seja um esquema textual superposto às estruturas gramaticais, mas, a partir de seu trabalho de 1992, deixa de usar o termo, pois ele vê nas sequências um tipo diferente de conhecimento daquele dos gêneros e, portanto, uma certa impropriedade do termo superestrutura. Em segundo lugar, o termo promove uma confusão entre plano de texto e esquema cognitivo de texto. Sendo assim, Adam propõe seu trabalho como uma “passagem de uma teoria das superestruturas para uma hipótese sobre a estrutura sequencial dos textos e sobre os protótipos dos esquemas sequenciais de base [...]” (1992).</li></li></ul><li>A estrutura composicional do texto resulta de dois processos composicionais:<br /> A planificação e a estruturação<br /> <br />É instaurada a partir Instaurada a partir <br /> do gênero da proposição<br />Entendido como um para combinar sequências<br /> plano de texto fixo e obter um plano de texto<br /> ocasional<br />
  15. 15. Configuração pragmática<br /> Alvo ilocucional (coerência)<br />Submódulos Localização enunciativa<br /> Coesão semântica(mundos) <br />
  16. 16. Sucessão de proposição<br /> Conectividade – coesão <br />Submódulo <br /> Sequencialidade – sequências <br /> textuais<br />
  17. 17. TIPOS DE SEQUÊNCIA TEXTUAL<br /><ul><li>A diferença fundamental da sequência em relação ao gênero, é sua menor variabilidade.
  18. 18. Os gêneros :
  19. 19. Marcam situações sociais específicas;
  20. 20. São  essencialmente heterogêneos; 
  21. 21. As sequências são:
  22. 22. Componentes que atravessam todos os gêneros;
  23. 23. Relativamente estáveis, facilmente delimitáveis em um pequeno conjunto de tipos (tipologia)</li></li></ul><li>SEQUÊNCIA NARRATIVA                       <br /><ul><li>Segundo Adam, (1992), para identificar a sequência narrativa parte-se de seis características próprias :
  24. 24. 1. A sucessão de eventos – a narrativa consiste na delimitação de um evento inserido em uma cadeia de eventos alinhados em ordem temporal.
  25. 25. 2. A unidade temática – a ação narrada necessita ter um caráter de unidade, deve privilegiar um sujeito agente ou seja o personagem principal.
  26. 26. 3. Os predicados transformados – o desenrolar de um fato implica a transformação das características do personagem, ou seja, será mau no início e se tornará bom no final etc.</li></li></ul><li>SEQUÊNCIA NARRATIVA<br /><ul><li>4. O processo – a narrativa deve ter início, meio e  um fim.  A estruturação básica da sequência narrativa parte da ideia de processo. Para que haja o fato é necessário que ocorra uma transformação.
  27. 27. 5. A intriga – a narrativa traz um conjunto de causas, de modo a dar sustentação aos fatos narrados. A intriga pode levar o narrador a alterar a ordem processual natural dos fatos, fazendo com que a narrativa por exemplo, comece pelo meio.
  28. 28. 6. A moral – muitas narrativas trazem uma reflexão sobre o fato narrado, que pode encerrar a verdadeira razão de se contar aquela história. Não é uma parte essencial à sequência narrativa, de modo que pode vir implícita.</li></li></ul><li>SEQUÊNCIA NARRATIVA<br />Com base em todos esses elementos e inspirado principalmente em Labov & Waletzky (1967), o esquema prototípico da sequência narrativa é descrito como contendo cinco macroproposições que perfazem a situação inicial, a complicação, as (re)ações, a situação final e a moral.  <br />
  29. 29.
  30. 30. SEQUÊNCIA ARGUMENTATIVA<br /><ul><li>Argumentar é a construção por um falante de um discurso que visa modificar a visão de outro sobre determinado objeto, alterando, assim, o seu discurso.
  31. 31. Conforme Ducrot  (1987, 1988), é construído com base em um já- dito, em um dizer temporariamente anterior (e conhecido pelo interlocutor)que na sua forma mais característica, aparece implícito.</li></li></ul><li>SEQUÊNCIA ARGUMENTATIVA<br /><ul><li>Consiste na contraposição de enunciados, tendo sua sustentação em operadores argumentativos. Estes operadores são palavras que tem a função de opor um enunciado que está sendo proferido a um já dito denominado topos. O operador argumentativo mais característico é a conjunção mas.
  32. 32. Adam apresenta, como  um exemplo característico de enunciado argumentativo, a frase :</li></li></ul><li>
  33. 33. SEQUÊNCIA DESCRITIVA<br />A sequência descritiva  é:<br /><ul><li>A menos autônoma dentre todas, e dificilmente predominará em um texto;
  34. 34. Sua ocorrência mais característica é como parte da sequência narrativa;
  35. 35. Não apresenta uma ordem muito fixa;</li></li></ul><li>SEQUÊNCIA DESCRITIVA<br />Adam, aponta três partes para a descrição:<br /><ul><li>Uma ancoragem;
  36. 36. Uma dispersão de propriedades;
  37. 37. Uma reformulação.</li></ul>Na descrição, após se estabelecer o tema –título, haverá  uma especificação dele, por meio da aspectualização e/ou do estabelecimento de relação. <br />
  38. 38. SEQUÊNCIA DESCRITIVA<br /> A aspectualização  caracteriza o objeto em seu aspecto físico e divide-se em dois subprocessos: <br /><ul><li>O relato de propriedades do objeto ( qualidades)
  39. 39. E relato de partes de partes doobjeto (sinédoque)</li></ul>Cada uma das partes relatadas pode ser, por sua vez, especificada, reaplicando-se ciclicamente os mesmos processos (tematização).<br />
  40. 40. SEQUÊNCIA DESCRITIVA<br /><ul><li>O estabelecimento de relação, consiste em usar as características de uma parte relatada para compor outra, e subdivide-se em dois subprocessos:
  41. 41. A situação do objeto ( seja no espaço ou no tempo );
  42. 42. Assimilação de características;
  43. 43. A assimilação pode ocorrer via comparação ou via metáfora.</li></li></ul><li>SEQUÊNCIA EXPLICATIVA<br />Essa tipologia textual não tem a finalidade impressiva nem a força dinâmica próprias do texto argumentativo. A sua apresentação aparenta-se mais ao desenvolvimento descritivo, onde se expõem, definem, enumeram e explicam fatos e elementos de informação, fazendo com que seu interlocutor/leitor adquira um conhecimento que até então não tinha.<br />
  44. 44. SEQUÊNCIA EXPLICATIVA<br />Constitui-se de três fases: <br /><ul><li> levantar um questionamento (problema);
  45. 45. responder o questionamento (explicação/resposta);
  46. 46. sumarizar a resposta, avaliando o problema (conclusão-avaliação).</li></li></ul><li>Exemplo de sequência explicativa <br />Introduzido por uma sequência descritiva:<br />Bem no alto da cadeia dos Pireneus, na base do monte Vignemale, se encontra o lago de Gaube. Neste lugar, usar um automóvel está fora de questão, pois só se chega lá por uma trilha estreita.<br /> No entanto, na beira do lago, há um pequeno albergue: o de Madame Seyrès. E, neste albergue, há uma máquina de lavar roupa Radiosa.<br /> <br /> <br />
  47. 47. A sequência explicativa tem início com a pergunta:<br /> Por que uma Radiosa? <br /><ul><li> Partes da explicação: a esquematização inicial;</li></ul>Ouça o que diz Madame Seyrès:<br /> “Mesmo aqui é preciso uma máquina de lavar roupa. Para nossa roupa branca, claro. Além disso, mesmo isolado como se está, em um albergue, sempre há muitos guardanapos e toalhas para lavar”.<br />
  48. 48. O problema:<br />“Só é preciso uma máquina que não enguice.<br />A explicação:<br />Por que é muito difícil, para os técnicos, subir até aqui”.<br />
  49. 49. Conclusão-avaliação:<br />“Então, é preciso de algo forte. Nós sempre<br />tivemos uma Radiosa. E nunca tivemos<br />aborrecimentos com ela.”<br />Para a Radiosa, não só as máquinas de lavar <br />roupa que não dão problemas: as lavadoras de<br />louça, os fogões, as geladeiras e os freezers<br />também são fabricados para durar como a máquina<br />do lago de Gaube. Radiosa: Os eletrodomésticos<br />sem problemas. (Adam,1992, p.137)<br />
  50. 50. Gêneros em que predomina a sequência explicativa:<br />
  51. 51. Sequência dialogal<br />Possui como característica fundamental, o fato de ser formada por mais de um interlocutor, podendo estes interlocutores ser personagens, quando a sequência está inserida em um gênero de ficção.<br />
  52. 52. Esquema dialogal<br /> abertura da interação {corpo da interação}<br />{fechamento da interação}<br />A abertura, em geral, é marcada por atos de<br />saudação ou de apresentação; o fechamento,<br />por atos de despedida ou agradecimento. É<br />no corpo da interação que se discorre sobre<br />um assunto mais ou menos acolhido pelos<br />interlocutores.<br />
  53. 53. Segundo Adam, há dois tipos de sequências:<br /><ul><li>fáticas – são ritualísticas e têm a função de abrir e fechar a interação. (Adam, 1992, p 156)</li></ul> Ex:<br /> A1 - Bom dia!<br />B1 - Bom dia!<br /> [...]<br />Ax - Até logo.<br />Bx - Até logo.<br />
  54. 54. Segundo Adam, há dois tipos de sequências:<br /><ul><li>transacionais – são as que compõem o corpo da interação onde está realmente a razão do ato comunicativo.</li></ul> Ex:<br /> A1 - Desculpe. Você tem horas?<br />B1 - Claro. São 6 horas.<br />A2 - Obrigado.<br />
  55. 55. EMPREGANDO A NOÇÃO DE SEQUÊNCIA NA ANÁLISE DE EXEMPLARES DO GÊNERO “CRÍTICA DE CINEMA”<br />Adam (1992): <br /><ul><li>Sequências considerar o</li></ul> gênero<br /><ul><li>(1999): considera o intertexto (condições de produção) e o processo de esquematização</li></li></ul><li>CONT...<br />
  56. 56. ANÁLISE DA CRÍTICA DE CINEMA<br /><ul><li>Bonini leva em consideração:
  57. 57. As sequências;
  58. 58. Os processos de planificação e esquematização;
  59. 59. Comparação com a resenha acadêmica de livros (gênero mais próximo);</li></li></ul><li>RESENHA ACADÊMICA<br /><ul><li>Motta-Roth (2002) - gênero composto pelos seguintes movimentos:</li></li></ul><li>CRÍTICA DE CINEMA<br /><ul><li>Descrição de Beacco & Darot (apud Machado, 1996);
  60. 60. Caracteriza-se por três operações que determinam sua estruturação:
  61. 61. Descrever;
  62. 62. Apreciar;
  63. 63. Interpretar.</li></li></ul><li>CRÍTICA DE CINEMA<br /><ul><li>Machado (1996)- Concebe dois gêneros com esta configuração:
  64. 64. Resumos;
  65. 65. Resenhas críticas de cinema
  66. 66. Argumenta que se deve entender a constituição do gênero como uma projeção da sequência descritiva e se apresenta do seguinte modo:
  67. 67. Descrição;
  68. 68. Apreciação;
  69. 69. Interpretação.</li></li></ul><li>CRÍTICA DE CINEMA <br /><ul><li>Bonini considera que três pontos podem ser reavaliados no trabalho de Machado:
  70. 70. Denominação do gênero;
  71. 71. Organização do gênero;
  72. 72. Identificação entre a estrutura da sequência descritiva e a estrutura do próprio gênero.
  73. 73. Exemplo: </li></li></ul><li>A ENFERMEIRA BETTY<br /><ul><li>Cotação (0 a 10): 8
  74. 74. Nos dias de hoje, quando pessoas normais viram celebridades e “artistas” se revelam comuns e patéticos, filmes como “A Enfermeira Betty” servem para mostrar a tênue linha entre o Imaginário e o real, cada vez mais medíocre. Para reforçar a tese, um debatedor à altura do tema: o incisivo e polêmico diretor Neil LaBute (Na companhia dos homens), que pode ter feito sua produção mais leve , porém, de longe, a mais interessante delas. Renée Zellweger é uma moça normal da classe média interiorana ianque. Faz tudo que o marido pede, tem um emprego mixuruca, é gentil com todos e, sobretudo, não perde um capítulo de sua novela preferida. A rotina muda quando testemunha o marido sendo assassinado por uma dupla de matadores (Morgan Freeman e Chris Rock, ótimos). Ela pira, passa a viver como se fosse uma personagem do tal dramalhão preferido da TV e vai em busca do amado doutor (Greg Kinnear) – ao mesmo tempo em que é perseguida pelos criminosos. A fábula de LaBute usa o artifício de “Forest Gump” (a patetice e a inocência podem vencer o mal) de forma crítica e acaba radiografando o coração do americano médio.</li></ul>Rodrigo Salem<br />Nurse Betty, EUA, 2000. De Neil LaBute. Com Renée Zellweger, Morgan Freeman, Chris Rock.<br />110 min. Columbia. Comédia.<br />
  75. 75. CONT...<br />Giering, afirma que em termos conceituais, Adam não deixa claro o que permite a distinção entre tipo e plano de texto e, do mesmo modo, o que permite a identificação de uma sequência e de sua fronteira com as demais sequências presentes no texto.<br />
  76. 76. DISCUTINDO A NOÇÃO DE SEQUÊNCIA<br />Dois pontos que merecem atenção sobre a validade epistêmica da noção de sequência:<br /><ul><li>É preciso considerar que as orientações teóricas diferentes elaboram explicações também diferentes para a noção;
  77. 77. A delimitação do número de sequências não é consensual, variando bastante entre os autores que discutem o tema.</li></li></ul><li>Existem três pontos críticos no trabalho de Adam<br />O primeiro diz respeito ao modo como o autor combinou uma perspectiva cognitivista interna (com base na pragmática) com uma perspectiva discursiva externa (com base na análise do discurso francesa).<br />O segundo ponto crítico corresponde ao problema do gênero primário (forma presente nas enunciações menos complexas, onde os interlocutores interagem mais diretamente).<br />
  78. 78. Cont...<br />Gênero secundário (forma presente nas enunciações mais complexas, onde os interlocutores interagem de modo mais indireto).<br />O terceiro ponto crítico corresponde ao problema de categorização. Se a linguagem acontece na produção, torna-se incoerente a afirmação de que as categorias textuais se organizam mediante protótipos sequenciais.<br />
  79. 79. Formalização e quantificação das sequências<br />Autores como Werlich (1976), Brewer (1980) e Virtanen (1992), concebem as sequências, como resultantes de processos cognitivos primários da mente.<br />Já o trabalho de Adam abre outra perspectiva, pois imprime uma postura relativista, concebendo esses tipos apenas como cristalizações a partir de práticas discursivas.<br />
  80. 80. CONT...<br />A posição de Bronckart (1999), por um lado concebe as sequências como cristalizações no interdiscurso. Por outro, recorre a mecanismo psicológicos: os mundos discursivos (do narrar e do expor) e os arquétipos psicológicos (discurso interativo, discurso teórico, relato interativo, narração).<br />Bonini (2002), sugeri que as sequências se relacionam à psique humana, mediante uma gradação de fatores psicológicos, quanto ao grau de importância para a sobrevivência do indivíduo.<br />
  81. 81. CONT...<br />O termo sequência não é consensual, uma vez que muitos ainda preferem o termo tipo de texto, e Meurer (2000)fala em modalidades retóricas, entendendo-as como estruturas e funções textuais.<br />Vários estudiosos já propuseram os seguintes tipos de sequências: descritivo, narrativo, expositivo, argumentativo, instrutivo, procedimental, comportamental (injuntivo), explicativo.<br />
  82. 82. CONT...<br />Entre Adam e Bronckart, que compartilham um quadro teórico próximo, há divergência quanto à existência ou não de sequência injuntiva.<br />Adam (1992) afirma que a injunção é um tipo de descrição. Bronckart (1999), além de incorporar mais um tipo ao conjunto delimitado por Adam, desenvolve um raciocínio gradativo dentro de cada mundo ( do expor e do narrar), de modo a acrescentar um grau zero da planificação na ordem do narrar.<br />
  83. 83. CONT...<br />Adam e Bronckart não consideram um tipo expositivo. Sem esse tipo, torna-se difícil explicar a planificação da notícia. Não se pode dizer que ela é determinada claramente nem por uma sequência explicativa (não se explica o fato), nem narrativa, nem descritiva (já que não se descreve o fato).<br />
  84. 84. Realidade psicológica das sequências<br />A realidade psicológica das sequências existiria realmente como componente cognitivo da linguagem? <br />Como se interrelacionam os esquemas cognitivos das sequências e dos gêneros? <br />Bonini: “gêneros se organizam como superestruturas e as sequências como intra-estruturas encaixadas.” (p.234)<br />
  85. 85. Sequência textual e ensino de produção textual e leitura/escrita de textos<br />Nos PCNs, o trabalho com as sequências é proposto, mais direta e explicitamente, para as atividades analíticas (a leitura de texto escrito e a prática de análise linguística com os seguintes objetivos:<br /><ul><li> Na leitura de textos escritos:
  86. 86. Articulação dos enunciados estabelecendo a progressão temática, em função das características das sequências predominantes (narrativa, descritiva, expositiva, argumentativa e conversacional) e de suas especificidades no interior do gênero (Brasil, 1998, p.56)</li></li></ul><li>CONT...<br /><ul><li>Na prática de análise linguística parte das atividades de reconhecimento das características dos diferentes gêneros:
  87. 87. Análise das sequências discursivas predominantes (narrativa, descritiva, expositiva, argumentativa, conversacional)e dos recursos expressivos recorrentes no interior do gênero (Brasil, 1998, p.60)</li></li></ul><li>CONT...<br /><ul><li>Dolz & Schneuwly (1996) afirmam que com a prática de gênero em sala de aula, os alunos desenvolvem competências relativas às sequências. Propõem, então, que os gêneros a ser ensinados sejam agrupados de acordo com a capacidade que se queira desenvolver (o narrar, o relatar, o expor, o argumentar e o instruir/prescrever).
  88. 88. Ao se adotar o termo sequência, há uma vantagem imediata para o ensino: a renovação da noção de redação escolar tradicionalmente praticada nas escolas.</li></li></ul><li>Considerações finais<br />O trabalho de Adam inova ao propor o conceito (e de certo modo até mesmo a noção) de sequência, que, como tal, enriquece o campo dos debates sobre gêneros textuais e possibilita pensar questões sobre as metodologias de ensino de língua e sobre a pesquisa do processamento cognitivo da linguagem.<br />
  89. 89. REFERÊNCIA<br /><ul><li>BONINI, Adair. A noção de sequência textual na análise pragmático-textual de Jean-Michel Adam. In: MEURER, J. L; BONINI, Adair; MOTTA-ROTH, Desirée (Orgs). Gêneros, Teorias, Métodos, Debates. São Paulo: Parábola, 2005.</li></li></ul><li>OBRIGADA!<br />

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